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Anarquismo Epistemológico

O que é o anarquismo epistemológico?

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Feyerabend teve ampla formação nas áreas de ciências, filosofia e artes durante sua estada na Universidade de Viena. Na Filosofia, estudou com Wittgenstein e, posteriormente, com Popper que já afirmava a inexistência de um método científico, ainda que existissem algumas regras úteis à prática. Acredita-se que essa ideia popperiana tenha sido indutora do “anarquismo epistemológico” de Feyerabend, que pretendemos abordar neste texto.

Milton Vargas (1997) chama a atenção para o fato de que a origem metodológica da ciência moderna do século XVII é baseada numa tríplice filosófica: Bacon, Descartes e Galileu e seus respectivos métodos. O problema é que a prática científica não pode ser resumida à aplicação de tais métodos ou da utilização deles em isolados. Disso, nasce a necessidade de se pensar outros métodos, combiná-los, transgredi-los; o que gestou uma “existência” anárquica na investigação científica, sem a qual torna-se impossível o progresso da ciência.

Em “Contra o Método: esboço de uma teoria anárquica do conhecimento”, Feyerabend, partindo da impossibilidade de existir um método científico que resista historicamente à investigação filosófica, sistematiza o seu anarquismo epistemológico e estabelece uma espécie de “vale-tudo” na ciência. Desse modo, já no começo da obra, anuncia: “A ciência é um empreendimento essencialmente anárquico; o anarquismo teorético é mais humanitário e mais suscetível de estimular o progresso do que suas alternativas representadas por ordem e lei.” Dito isso, fica evidente que para o filósofo a transgressão do método é condição de progresso na ciência.

É fundamental compreender que o anarquismo epistemológico feyerabendiano não é uma espécie de relativismo absoluto, muito menos de ceticismo. Em nenhum momento o filósofo da ciência está dizendo que o cientista tem carta branca para poder fazer qualquer coisa e ainda chamar à sua atividade de ciência. O seu “vale-tudo” na ciência, ao criticar a falência das metodologias tradicionais, visa tão somente apontar a necessidade da ciência em ter maior liberdade metodológica para que o cientista avance em suas pesquisas e atinja o tão sonhado progresso científico.

Dentre as implicações do anarquismo epistemológico, cumpre citar que, diverso do que tradicionalmente tem predominado no imaginário popular e até científico, Feyerabend não toma a superioridade do conhecimento científico como dada em relação às demais formas de conhecimento. Assim, não é possível dizer previamente que conhecimento religioso seja inferior ao científico somente porque ele não segue as metodologia

s próprias à ciência. A comparação de tais formas de conhecimento precisa ser justa e levar em conta as suas particularidades, seus métodos próprios de análise e seus objetos. Assim, o anarquismo epistemológico permite que formas diversas de conhecimento tenham livre disposição para usar os métodos, abordagens que melhor convêm na análise da realidade.

Sugestão de Aprofundamento

Para aprofundar a concepção de ciência em Paul Feyerabend, sugerimos que assista ao vídeo do Professor Mateus Salvadori em que apresenta uma síntese da obra Ciência, um monstro: lições trentinas.

Referências Bibliográficas

FEYERABEND, P. Contra o método. Rio de Janeiro, Francisco Alves, 1977.

VARGAS, MILTON. Paul Feyerabend, o anarquista. Revista USP, n. 34, p. 166-174, 1997.

 

 

 

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