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Filosofia da Mente

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O que é a filosofia da mente?

A filosofia da mente ocupa-se da investigação dos processos mentais. Em razão das especificidades do seu objeto teórico, ela trabalha em colaboração com as ciências cognitivas como a: psicologia, linguística, neurociência, biologia etc. Essa interdisciplinaridade possibilita análises muito mais diversas e profundas em torno dos processos cognitivos.

É importante pontuar que, embora a Filosofia da Mente faça uso dos aportes teórico-metodológicos e contribuições das diversas ciências cognitivas, ela tem uma abordagem própria, mais reflexiva, analítica das questões mentais, o que justifica a existência de um campo específico do saber.

Filosofia da Mente

O PROBLEMA MENTE-CORPO

O problema mente-corpo motivou uma série de debates filosófico-científicos desde a antiguidade ocidental (Platão, Aristóteles, Descartes, Hume e outros) e oriental (Confúcio, Lao, para citar alguns) aos dias atuais. Dentre tais questões, algumas merecem destaque, a saber: Serão os estados mentais características eminentemente humanas, ou teriam os demais animais um certo nível, ainda que ínfimo, de arquitetura mental? Seriam as mentes resistentes à putrefação biológica da matéria ou cessariam suas existências com a finitude da materialidade imanente ao corpo? Qual a relação entre mente e cérebro? O que é ter uma mente? Haveria um limite entre o mental e o físico? “Os seres maquinários, possuiriam ‘mentes’ a ponto, se programados, sentirem dor, alegria, pesar e solidão: atributos considerados eminentemente humanos?”. Essas e outras questões relacionadas à natureza da mente e sua relação com o corpo e o meio circundante são largamente discutidas pela Filosofia da Mente.

A observação intracerebral permite, quanto ao cérebro, registrar sua atividade elétrica, diagnosticar demências, aferir diagnósticos de morte cerebral, analisar o estado funcional do cérebro, obter imagens intracerebral, etc., mas, infelizmente, tais recursos das ciências cognitivas são ainda limitados e não permitem ao cientista decodificar, com exatidão, os pensamentos, fobias, desejos, etc., pois são estados subjetivos que existem apenas para o possuidor do cérebro que está sendo analisado. Assim posto, mesmo o mais poderoso eletroencefalograma ainda que detecte que o paciente esteja sentindo prazer não poderá determinar qual tipo de prazer sentido e/ou por quem.

MONISMO MATERIALISTA

O monismo materialista supervaloriza a neurociência e afirma a existência única e exclusiva do cérebro. Nessa perspectiva, a mente não seria mais do que uma ilusão do espírito. Sem realidade concreta, material, observável que possibilitasse a distinção, separação.

Pensadores como Montaigne, Epicuro e Lucrécio opostos ao dualismo substancial platônico e adeptos ao monismo materialista propugnam a irrealizável possibilidade de separar a alma do corpo, haja vista pensamentos e sensações estarem numa relação de interdependência material-corporal. Tal pensamento conduzirá à concepção da alma possuir natureza corporal e ser perecível junto ao corpo o que vai de encontro à tese da imortalidade e eternidade da alma defendida pelos pitagóricos, órficos e platônicos.

Spinoza, à contramão de René Descartes, descreve a relação entre corpo e alma por meio de uma relação de identidade, isto é, sob termos espinosano: “a mente e o corpo, são um único e mesmo indivíduo, concebido ora sob o atributo do pensamento, ora sob o da extensão. É por isso que a ideia da mente e a própria mente são uma só e mesma coisa, concebida, neste caso, sob um só e mesmo atributo, a saber, o do pensamento”. Desse modo, os monistas como Spinoza recusam a dicotomia corpo-alma para afirmar uma identidade relacional.

Para os materialistas os nossos comportamentos mentais são consequências de processos químico-físicos e que, portanto, alterações comportamentais são facilmente resolvidas pela aplicação de medicamentos estabilizadores. O que há de comum, entre as teorias materialistas, é a tendência de se eliminar o fenômeno da mente e da consciência em suas análises. Dentre as teorias materialistas, destacam-se as da: identidade e reducionismo. Aquela afirma a igualdade entre estados mentais e cerebrais. Essa reduz os estados mentais aos cerebrais.

DUALISMO SUBSTANCIAL

Descartes, por meio do dualismo substancial, mostra a distinção entre mente (alma) e corpo, noutros termos, nada há no conceito de corpo que pertença a mente e nada há no conceito de mente que diga respeito ao conceito de corpo. Tal tese é expressa na quarta parte do Discurso do Método nos seguintes termos: “De sorte que esse eu, isto é, a alma, pela qual sou o que sou, é inteiramente distinta do corpo e, mesmo, que é mais fácil de conhecer do que ele, e, ainda que este nada fosse, ela não deixaria de ser tudo o que é” (DESCARTES, 1979, p. 47).

De acordo com Teixeira, a sustentação dessa proposição cartesiana efetivar-se-á em três argumentos: a) a amputação de parte do corpo não amputa parte da mente, portanto mente e corpo são distintos; b) o conhecimento da mente é imediato enquanto o do corpo depende de instrumentos e/ou órgãos dos sentidos; c) a mente é dotada de não-espacialidade e, portanto indivisível, enquanto que o corpo físico, mensurável é divisível, logo corpo e mente são radicalmente diferentes (TEIXEIRA, 2009, p. 15-16).

Comungamos da insatisfatoriedade de Hoffman bem como de grande parte dos críticos da filosofia da mente quanto ao posicionamento cartesiano na solução para o problema mente corpo, entretanto, como ressalta o próprio professor Hoffman não avistamos na filosofia contemporânea explicação plenamente satisfatória de modo a abandonarmos plenamente a teoria do dualismo substancial metafísico cartesiano. Assim, o problema da separação entre mente e corpo proposto por Descartes ainda não foi eficazmente resolvido, comungamos dessa distinção seja quando rezamos pela alma de um finado, quando supervalorizamos o corpo e suas formas e pouco valorizamos a mente ou vice-versa, nos avanços da robótica etc.

Referências Bibliográficas

DESCARTES, R. Discurso do Método (1979). Trad. Maria Ermantina Galvão. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

DESCARTES, René. Meditações, Discurso do Método … (1979). Trad.: B. Prado Jr. E notas de Gérard Lebrun. São Paulo, Abril Cultural. (Os Pensadores).

SEARLE, J. R. Mente, linguagem e sociedade: Filosofia no Mundo Real. Trad. F. Rangel. Rio de Janeiro: Rocco, 2000.

SILVA, Franklin Leopoldo e. Descartes: a metafísica da modernidade. 2ª ed. São Paulo: Moderna, 2005.

TEIXEIRA, João de Fernandes. Mentes e máquinas: uma introdução à ciência cognitiva. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.

TEIXEIRA, J. de F. O que é Filosofia da Mente. Coleção Primeiros Passos. Editora Brasiliense, 1994.

VASCONCELLOS, Silvio José Lemos. A filosofia da mente: Uma revisão crítica. Psico, v. 38, n. 2, p. 1, 2007.

 

 

 

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