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Reminiscência

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O que é reminiscência?

Ao pensar a teoria da reminiscência, também chamada anamnese, Platão propõe como papel fundamental ao filósofo, fazendo uso da maiêutica socrática, a responsabilidade de fazer a alma recordar os conhecimentos que ela já contemplara anterior à encarnação no corpo.

Desse modo, a reminiscência assenta-se numa concepção de inatismo do conhecimento que, pré-existente ao encarceramento da alma num corpo biológico, possibilitaria aos indivíduos, quando bem conduzidos, recordar, trazer à mente as ideias, conceitos, definições.

Reminiscência

Essa teoria é abordada de forma clara e objetiva na obra Mênon em que, Sócrates, personagem da ação dialógica platônica, objetiva responder a duas questões fundamentais: Qual é a natureza da virtude? Ela pode ou não ser ensinada a alguém?

Para responder a tais questões Sócrates em diálogo com Mênon pede-lhe que chame, sem critério algum, um de seus serviçais para que pudesse ajudar na demonstração do que Sócrates entende ser a solução para as questões postas. Como veremos, o escravo não só obtém êxito na empreitada como também possibilita a Sócrates demonstrar de forma efetiva a sua teoria com a qual estava conversando com Mênon.

Em posse do serviçal (escravo), e, portanto, analfabeto dadas as condições históricas, Sócrates o submete a um interrogatório dirigido através do qual pretende levar o escravo a demonstrar que embora nunca tenha tido uma educação formal por meio da qual pudesse aprender o Teorema de Pitágoras(“o quadrado da hipotenusa é igual à soma dos quadrados dos catetos”) o escravo poderia, se devidamente interrogado, ser capaz de chegar a tal formulação mesmo sem prévia instrução formal.

Por meio da demonstração feita com o escravo, Sócrates pretende responder àquela questão fundamental sobre se a virtude pode ou não ser ensinada a alguém. O fato de o escravo ser capaz de demonstrar o teorema de Pitágoras sem nunca antes ter tido acesso a um ensino formal é subsídio suficiente para afirmar que a virtude pertence à natureza humana de modo que não pode ser ensinada, mas antes apenas remorada.

Com isso, Platão defende que o autêntico conhecimento não é adquirido por meio da experiência sensível atual ou de processos de ensino e aprendizagem como defendemdiversas teorias pedagógicas pretéritas e atuais. Para o filósofo grego, o conhecimento é um processo de rememoração, recordação, lembrança das ideias que já foram contempladas pela alma anterior ao seu encarceramento no corpo biológico por meio da encarnação.

No limite, a teoria da reminiscência recusa a possibilidade de uma construção inovadora do conhecimento por meio da mediação pedagógica. O que ocorre é uma lembrança, recordação, rememoração e jamais uma construção inovadora. Daí, o papel do filósofo e de qualquer indivíduo que se proponha a conduzir alguém ao esclarecimento dever ser não o de ensinar, transmitir conhecimentos, mas antes conduzir, de forma dialética o indivíduo ao questionamento de sua alma de modo a recuperar o conhecimento que está dentro de si e por si.

Fábio Guimarães de Castro

Referências Bibliográficas

MARCONDES, Danilo. Textos Básicos de Filosofia: dos pré-socráticos a Wittgenstein. Rio de Janeiro: Zahar, 2000.

 

 

 

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Um comentário

  1. Maria Eduarda Custódia

    O texto explica da forma correta a teoria de Platão, mas no último verso o uso da frase “o conhecimento que está dentro de si” pode confundir algum leitor ou aluno sem muita experiência nesse conteúdo, uma vez que na teoria da Iluminação de St. Agostinho o conhecimento está “dentro do ser humano”, e não em um plano superior, como o da Reminiscência. O correto seria dizer “o conhecimento que tivera enquanto alma”.
    Ótimo trabalho.

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