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Horário Brasileiro de Verão
Horário de Verão – O que é
O Horário de verão é um sistema de adiantamento uniforme dos relógios para prolongar as horas de luz natural durante o período habitual de vigília nos meses de verão.
O Horário de Verão consiste no adiantamento artificial dos ponteiros do relógio em uma hora, de forma a criar uma defasagem em relação ao horário legal. Tal procedimento permite um melhor aproveitamento da luz natural, ao se tirar partido do fato que, na primavera e no verão e em grande parte do território nacional, os dias são mais longos que as noites, o alvorecer acontece mais cedo e o entardecer mais tarde.
O que representa o adiantamento dos ponteiros do relógio em uma hora?
Iniciar as atividades diurnas mais cedo.
Atrasar o início do consumo de luz artificial pela maioria da população ao entardecer.
Racionalizar o uso da energia elétrica pela melhor utilização do sistema elétrico.
Alterar os hábitos da população já que o pôr do Sol passa a ocorrer mais tarde.
Alterar o horário em relação aos demais países e estados da união não integrantes.
Aumentar as horas de lazer da população, uma vez que escurece mais tarde.
Quais são os antecedentes históricos do Horário de Verão?
O Horário de Verão foi instituído pela primeira vez no Brasil em 1931. Apesar de inicialmente ter-se inserido na cultura brasileira a ideia de que o setor elétrico é o único beneficiado com a medida, de alguns anos para cá tem-se reconhecido benefícios para a população como um todo, seja pela obtenção de maiores espaços diários para o lazer, seja nas atividades ligadas diretamente ao comércio e à indústria, com destaque para o turismo, nas questões ecológicas e na preservação do meio ambiente, quando se tiram vantagens pelo maior aproveitamento da luz solar.
Em que anos houve Horário de Verão no Brasil?
1931/1932/1933;
1949/1950/1951/1952/1953;
1963/1964/1965/1966/1967/1968;
A partir de 1985/1986 tem ocorrido todos os anos.
Por que o Horário de Verão não é implantado em todo território nacional?
O principal objetivo da implantação do Horário de Verão é o melhor aproveitamento da luz natural ao entardecer, que proporciona substancial redução na geração de energia elétrica que se destina à iluminação artificial.
Observa-se que em algumas regiões do país é possível retardar em pelo menos uma hora a necessidade de luz artificial para a população em geral. Assim, a implantação do Horário de Verão obedece ao critério técnico de se reproduzir no verão condições aproximadas de claridade verificadas no alvorecer durante o inverno, fazendo com que o pôr do Sol ocorra mais tarde.
Desse modo, como para as regiões situadas próximas da Linha do Equador a duração dos dias e das noites não sofrem alterações significativas ao longo do ano, os ganhos são menores.
Por outro lado, as regiões mais ao sul do país, próximas do Trópico de Capricórnio, já apresentam duração da luminosidade solar muito maior no verão do que no inverno, reunindo condições excelentes para a implantação da medida.
Por que a escolha desse período para a vigência do Horário de Verão?
Sob o ponto de vista exclusivo do setor elétrico, a duração do Horário de Verão deveria ser a maior possível, abrangendo todo o mês de outubro e o mês de fevereiro. Sendo o Brasil um país tropical, há uma grande demanda de energia para refrigeração durante o verão, de sorte que a demanda máxima do sistema elétrico brasileiro fica muito elevada neste período, sendo que no mês de outubro, na maioria dos casos, ocorre a máxima anual.
Considera-se, entretanto, a hora da penumbra ao amanhecer como o principal fator para a escolha do período de duração do Horário de Verão, de tal forma que essa condição durante o período de vigência da medida não seja muito diferente daquela verificada na pior condição do ano, que é o inverno. Assim, este período fica limitado pelas condições de claridade ao amanhecer toleráveis pela população em geral, ou seja, no máximo entre o 1º domingo de outubro e o último domingo de fevereiro, datas essas que correspondem as condições do inverno com tolerância de cerca de 15 minutos.
Por que o início e o término ocorrem aos domingo?
A escolha dos domingos para início e término do Horário de Verão é uma forma de proporcionar melhores facilidades de adaptação ao novo horário, bem como o próprio conhecimento de que a medida entrou em vigor.
Quais são os benefícos para o setor elétrico e para o País?
A implantação do Horário de Verão tem como principal objetivo a redução da demanda máxima, durante a hora de ponta de carga do sistema elétrico interligado. Essa medida desloca o horário de ocorrência da ponta e tem como conseqüência maior segurança e confiabilidade do sistema nas horas mais críticas para o suprimento de energia. Este fato leva a um menor carregamento de energia nas Linhas de Transmissão, nas Subestações, nos Sistemas de Distribuição, bem como nas Unidades Geradoras de energia, reduzindo o risco de não atendimento às cargas no horário de ponta (apagões), em uma época do ano em que, em várias regiões do país, o sistema é normalmente submetido às mais severas condições operacionais, devido ser este um período de carga máxima.
A implantação da medida também proporciona:
Redução dos custos com geração térmica para atendimento às cargas, no horário de ponta do sistema.
Minimiza os riscos de restrição de carga no horário de ponta num eventual agravamento das condições dos reservatórios com conseqüente redução nas capacidades efetivas de geração por usinas.
Preservação do meio ambiente, quando se evita a poluição que seria produzida pela queima de combustível fóssil, na geração de energia elétrica de origem térmica, para atendimento a ponta do sistema.
Melhoria da qualidade de vida da população, propiciada pelo maior aproveitamento da luz solar, obtendo maiores espaços diários para o lazer, mais tempo para se dedicar a outras atividades e maior segurança ao entardecer.
A redução da demanda máxima e seu deslocamento de cerca de uma hora e meia, traz importantes benefícios operacionais, como:
Redução dos carregamentos nos principais troncos de transmissão, reduzindo a possibilidade de corte de carga e melhoria no controle de tensão, aumentando a confiabilidade e a qualidade do fornecimento de energia elétrica.
Melhor alocação das folgas de geração.
Aumento da flexibilidade operacional.
Subsidiariamente, o consumo de energia elétrica é reduzido.
Para o País, trata-se de uma das ações que vai ao encontro da política preconizada pelo Programa de Combate ao Desperdício de Energia Elétrica PROCEL, que também está voltado ao uso racional do sistema elétrico.
Em última instância, a implantação do Horário de Verão pode ser comparada a uma virtual entrada em operação de usinas elétricas movidas a energia solar, orientadas principalmente para a iluminação ao entardecer e localizadas junto aos maiores centros consumidores do nosso país.
Em quais países é adotado o Horário de Verão?
A racionalização do uso de energia elétrica é uma questão mundial e o Horário de Verão é uma medida que potencializa essa racionalização, proporcionando também uma significativa economia de energia, pelo melhor aproveitamento da luz solar, além de preservar o meio ambiente e outros benefícios associados, já descritos.
Dentro dessa visão é que vários países adotam a medida, buscando aproveitar esses benefícios da melhor maneira. Nos Estados Unidos esse período é denominado Daylight Saving Time.
Destacam-se abaixo alguns desses países e os seus respectivos períodos do Horário de Verão:
Países Membros da União Européia Adotam a medida no período anual que vai do último domingo de MARÇO ao último domingo de OUTUBRO.
Estados Unidos, Canadá e México Adotam a medida anualmente, no período de ABRIL a OUTUBRO.
Rússia, Turquia e Cuba Adotam a medida anualmente, no período que pode variar de MARÇO a OUTUBRO.
Austrália, Nova Zelândia e Chile Adotam a medida anualmente, no período de OUTUBRO a MARÇO.
Como a população tem reagido ao Horário de Verão?
Já foram realizadas cinco pesquisas de opinião pública a respeito do Horário de Verão. A primeira foi realizada pela ELETROBRÁS no período 1985/1986 e abrangeu todo o Território Nacional; a segunda foi realizada pelo DNAEE em 1995, por meio da FIPE/USP e abrangeu 18 Unidades da Federação; a terceira, realizada pela ANEEL em 1999, por meio da FIPE/USP, abrangeu 22 Unidades da Federação; a quarta, em 2000, e a quinta, em 2001, conduzidas pela ANEEL, também por meio da FIPE/USP, compreenderam 11 e 13 Unidades da Federação respectivamente, sendo que a de 2000 foi feita apenas no Nordeste e a última foi realizada nas Regiões Sul/Sudeste/Centro-Oeste e Estados da Bahia e Tocantins.
Os resultados da pesquisa de 1999 apontaram que a maioria da população das áreas onde o Horário de Verão vem sendo adotado consecutivamente nos últimos anos, ou seja, nas Unidades da Federação das Regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste e Estados da Bahia e Tocantins, é favorável a implantação da medida, com 82,2%, entre ótimo, bom e regular, confirmando os resultados obtidos nas pesquisas anteriores.
Essa pesquisa também constatou que 68,3% da população é favorável a repetição da medida nos próximos anos.
Ainda foi possível constatar que a maioria da população percebe que a medida proporciona benefícios para a sociedade, como economia de energia elétrica, além de propiciar o aumento de convívio familiar entre pais e filhos menores, bem como aumento da segurança física das pessoas, ao permitir o retorno do trabalho, antes do anoitecer.
A pesquisa do ano de 2000 revelou que, nos estados do Nordeste, onde se adotou o horário de verão (ciclo 1999/2000), a opinião pública se mostrou favorável à adoção da medida, apresentando os seguintes resultados globais: 66% aprovaram o Horário de Verão 32,7% reprovaram o Horário de Verão 1,3% não souberam avaliar.
A última pesquisa (ano 2001), revelou que a opinião pública dos estados das regiões Sul/Sudeste/Centro-Oeste e estados da Bahia e Tocantins, se mostrou favorável à adoção da medida, apresentando os seguintes resultados: 74% aprovaram o Horário de Verão 25% reprovaram o Horário de Verão 1% não soube responder.
Adaptabilidade: A maioria dos entrevistados achou que a adaptação ao Horário de Verão pode ser considerada boa, com 70% das respostas entre muito fácil, fácil e razoavelmente fácil. Dos restantes, 30% acham a adaptação difícil ou muito difícil ou não se adaptaram.
Repetição para os próximos anos: 55% acham que o HV deva ser repetido nos próximos anos.
Qual o período de adaptação à medida?
Pela pesquisa de opinião pública realizada em 2001 constatou-se que a adaptação média ao Horário de Verão é de oito dias.
O Horário de Verão deve ser mantido?
O Horário de Verão foi criado no governo Geisel para economizar energia elétrica. Reduzido à região Centro-Sul por ser ineficaz no Norte e Nordeste, seu principal benefício hoje seria evitar o “blackout”, queda do sistema elétrico nas horas críticas. O deputado Murad (PSDB-MG) propõe na Câmara Federal sua extinção por trazer pouca economia, 0,5 a 2%, e por ferir o princípio da cronobiologia. Mas os efeitos na saúde ainda não foram bem esclarecidos, prevalecendo-se generalizações.
A adaptação diária ao ciclo vigília-sono é delicada. O ritmo predominante no organismo é cerca de 25 horas e não é fácil de ser contido no período geofísico, que é o mesmo do calendário de 24 horas. Acertá-los implica ou ganhar 1 hora cada dia, tirando a folga dos processos biológicos, pouco redutíveis, ou na supressão de alguma função orgânica, geralmente do sono, com o consequente distúrbio. A adaptação em viagens entre fusos horários para mudanças de poucas horas pode-se fazer em poucos dias e se torna difícil, quando crônicas. No outro extremo, defasados de 12 horas poucos trabalhadores se adaptam realmente ao turno noturno, sendo mais perturbados pelo barulho e relações sociais.
O descanso semanal é um hábito milenar, que oferece a chance de por em dia a necessidade biológica atrasada e acumulada. Mas, quando a semana recomeça, gera-se a “síndrome da segunda-feira”, devido ao início da compressão de 25 horas em 24. O uso geral da luz elétrica, o barulho noturno e a ocorrência de programas alternativos têm prolongado a vigília à noite. Muitas pessoas sentem-se enfim liberadas do trabalho no fim de semana e partem para uma desconcentração prolongada a partir da sexta à noite. Este atraso acaba virando em “insônia de domingo à noite”, o que torna mais penoso o levantar na segunda-feira. Ao contrário, a sociedade moderna vem exigindo mais disciplina e dedicação do homem nas ocupações concentradas no período diurno em horas mais matutinas, dificultando a sincronização do ritmo biológico a ser conquistada a cada dia, recomeçando o ciclo cada semana.
Desadaptação ao ciclo vigília-sono ocorre nas grandes cidades do 1o. Mundo, onde cerca de 30% da população sofre de insônia.
Agravada nas cidades brasileiras a insônia parece dobrar devido a dessincronização do ritmo biológico e distúrbios externos, ligados à desorganização social refletindo-se em descontrole pessoal do tempo, além dos seguintes sintomas: altos índices de atraso, de sonolência diurna, de irritação e de depressão, baixos rendimentos no trabalho e na escola, maiores taxas de erro, de violência, de acidentes e de mortalidade no trabalho e no trânsito.
As principais causas são a baixa qualidade de vida, resultante da falta de planejamento urbano, de áreas residenciais mescladas com áreas comerciais e boêmias, com alto índice de demolição e construção civil, atravessadas por eixos de trânsito não isolados acusticamente, convivendo com veículos, equipamentos e eletrodomésticos barulhentos, com indivíduos transgredindo a tranquilidade alheia a qualquer hora. Junta-se a vida estressada e competitiva, sem estar preparado, e a crise e instabilidade do país. Acresce a deseducação, sobretudo emocional, que perturba a saúde e o equilíbrio psicológicos Mas, se os processos biológicos ou sociais dominarem, entra-se no atraso do calendário, e muita gente apresenta dificuldade de dormir ou de levantar-se à hora certa ou de acompanhar o ritmo da vida. É muito mais fácil ceder e prolongar o sono do que disciplinar o organismo para adiantar o ritmo biológico. Este fato é usado nas Clínicas de Sono no 1º. Mundo para ressincronizar cada dia os insones até atingir de novo a hora certa do calendário e pode demorar de semanas a anos para boa recuperação.
O Horário de Verão concerne toda comunidade, inclusive enfermos e debilitados, obrigados a se ressincronizar. O desafio inicial é ter que adiantar duas horas no ritmo biológico e só os disciplinados, com boa qualidade de vida, mais tranquilos e indiferentes às perdas de sono conseguem se enquadrar. Os que não conseguem, a maioria, podem até passar a desfrutar da maior iluminação natural, apesar da hora avançada e arcando com as referidas conseqüencias. Uma parcela grande de pessoas não vai adaptar-se ao horário por possuírem arraigados hábitos mais vespertinos e noturnos. Contingente imenso vai desfrutar de férias e feriados prolongados, incluindo festividades de fim de ano, Carnaval, Semana Santa etc, quando seguem mais os ritmos social ou biológico atrasados. Parcela considerável, a dos camelôs, devem atrasar o organismo para seguir mais o ritmo social. Junta-se a temperatura no verão frequentemente acima dos 25oC à noite, dificultando antecipar o bom sono, e, quando começa a baixar, acaba-se o Horário de Verão. De outro lado, o agricultor menos formal continua seguindo impertubável mais o ritmo solar, mais matutino.
Crônicamente a maioria dos brasileiros já passa pelo ônus de estar atrasado ou perturbado no ritmo biológico. Adiantar a hora sobrecarrega mais o social, a saúde e a produtividade dos que queiram se integrar nele.
Enfim, todos que acharem razões sociais ou pessoais para se esquivar do horário de verão, o farão, mesmo sob dependência de manter a hora com soníferos. No próximo ano começa tudo de novo, sendo perdido um semestre de vaivém. Assim, ou este horário deve ser suprimido, só ajustando o horário de atividades estratégicas, ou ser adotado por todo o ano, de forma a permitir que muitas pessoas se adaptem definitivamente e se dê maior estabilidade na dimensão tempo para melhorar a qualidade da vida, o que lhe dá sentido.
Brasil – Século XXI
É claro que o nosso horário de verão não serve para economizar velas, certo? Então por que ele é mantido?
Bem, na verdade há uma pequena economia de energia com o adiantamento dos relógios mas a grande vantagem para um país como o nosso é distribuir o consumo por um espaço de tempo maior. Deixar as coisas mais suaves para o nosso Sistema Elétrico Interligado.
No verão aumenta bastante o uso de ar condicionado. O pessoal do sul e sudeste não percebe tanto mas, do Rio de Janeiro para o Norte a coisa fica muito quente no verão. Isso faz com que, pela manhã e ao final do dia, o consumo de energia fique lá nas alturas, com todo mundo tomando banho, com o ar ligado, TV, luzes acesas etc.. Essa festa de energia é chamada “demanda máxima durante o horário de ponta”. O nome é complicado e o bicho é perigoso. Se não for controlada, essa demanda pode sobrecarregar o Sistema Elétrico Interligado e aí pode acontecer os temidos apagões que trazem muitos problemas para todos.
Em 18 de outubro de 2009, o horário foi alterado pela 39ª vez em nosso pais, e voltou ao normal no dia 21 de fevereiro de 2010.
Fonte: www.aneel.gov.br/www.icb.ufmg.br/www.ons.org.br/www.inan.org.br
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