Submarino

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Um submarino é uma embarcação capaz de navegar tanto na superfície quanto abaixo da superfície do oceano, utilizando tanques de lastro para submergir e emergir, e desempenhando funções militares e científicas.

Os submarinos foram utilizados em larga escala pela primeira vez durante a Primeira Guerra Mundial (1914–1918) e, atualmente, são empregados por marinhas de todos os portes.

Suas aplicações militares incluem o ataque a navios de superfície ou outros submarinos inimigos, a proteção de porta-aviões, a quebra de bloqueios navais, o emprego de submarinos lançadores de mísseis balísticos como parte de uma força de ataque nuclear, missões de reconhecimento, ataques convencionais a alvos em terra (por exemplo, com o uso de mísseis de cruzeiro) e a infiltração sigilosa de forças especiais.

As aplicações civis dos submarinos abrangem a pesquisa oceanográfica, operações de salvatagem, exploração e a inspeção e manutenção de instalações.

Essas embarcações também podem ser modificadas para desempenhar funções mais especializadas, como missões de busca e salvamento ou o reparo de cabos submarinos, além de serem utilizadas no turismo e na arqueologia submarina.

A maioria dos grandes submarinos consiste em um corpo cilíndrico com extremidades hemisféricas (ou cônicas) e uma estrutura vertical – geralmente localizada a meia-nau – que abriga dispositivos de comunicação e sensores, bem como periscópios.

Nos submarinos modernos, essa estrutura é chamada de “vela”  na terminologia americana e de “barbatana” na europeia. A “torre de comando” era uma característica de projetos mais antigos: um casco de pressão separado, situado acima do corpo principal da embarcação, que permitia o uso de periscópios mais curtos. Há um propulsor na popa, além de várias barbatanas de controle hidrodinâmico.

Submarinos menores, de grande profundidade ou de finalidade específica podem apresentar um projeto significativamente diferente desse padrão tradicional. Os submarinos utilizam lemes de profundidade e também alteram a quantidade de água e ar nos tanques de lastro para modificar a flutuabilidade, permitindo assim submergir e emergir.

Como funcionam os submarinos

Tanques de lastro: Enchem-se de água para submergir ou são esvaziados com ar comprimido para emergir.
Propulsão: Impulsionados por hélice, com sistemas diesel-elétricos ou reatores nucleares.
Navegação: Utilizam sonar para enxergar debaixo d’água e periscópios para visualizar a superfície.

Navegar em águas profundas e conhecer um mundo diferente, o misterioso fundo do mar.

Saiba que tempos atrás muitos cientistas, inventores e até escritores – como o francês Júlio Verne, autor do conto publicado nesta edição – já sonharam com aventuras debaixo d’água.

Hoje, explorações desse tipo se tornaram possíveis graças ao submarino!

Esse meio de transporte subaquático é feito de metais super-resistentes, como o aço, porque sua estrutura precisa suportar a grande pressão que existe no fundo dos oceanos. Sua forma também é especial, muitos são inspirados no corpo das baleias – já reparou como esses gigantes marinhos entram e saem da água com facilidade?

Dentro do submarino há comandos como rádio, radar e outros sistemas que fazem a navegação ter comunicação com a terra. Em filmes e desenhos animados, podemos ver que os submarinos ora aparecem submersos, ora flutuando. E como funciona isso? Bem, para flutuar, a embarcação precisa se tornar menos densa do que a água; para afundar, mais densa. Parece complicado, mas vejamos…

Dentro do submarino existem tanques internos, com válvulas. Quando se deseja afundar, os tanques se enchem de água e o ar de dentro deles fica comprimido. Já para flutuar, esses tanques se enchem com o ar comprimido, que expulsa a água, fazendo com que o submarino fique menos denso do que ela.

O controle desse “boia e afunda” é feito por um comando que regula o ar dentro do submarino, ora comprimindo-o para deixar entrar a água, ora deixando-o ocupar os tanques, tirando a água do seu interior.

Em poucas palavras, o funcionamento básico do submarino depende do controle da sua den-si-da-de! Não se esqueça!

Usos de submarinos

Militares: Patrulhamento, defesa e transporte de armamentos estratégicos, como torpedos e mísseis.
Civis: Exploração em grandes profundidades, pesquisa marinha e operações de resgate subaquático.

Marinha do Brasil – Submarinos

SubmarinoMarinha do Brasil – Submarinos

A Força de Submarinos tem uma longa tradição na Marinha do Brasil, tendo sido criada em 17 de julho de 1914 como Flotilha de Submersíveis, há 90 anos.

Seus primeiros meios foram três submersíveis da Classe Foca, da Itália, introduzidos em 1914, porém encomendados pelo Programa Naval em 1906. Antes disso, porém, o Peru iniciou sua Força em 1911 com 2 submersíveis adquiridos na França.

Entretanto, o Brasil manteve-se somente como operador de projetos de terceiros até os anos 1980, quando decidiu estabelecer uma estratégia para, a longo prazo, tornar-se projetista e construtor de seus próprios submarinos.

A tecnologia de construção de submarinos militares sempre foi restrita a poucos países que os projetavam e construíam. Com o tempo, outras nações conseguiram evoluir e construir submarinos a partir de projetos fornecidos pelos primeiros, como foi o caso do Brasil.

Mas esse não é um mundo fácil de sobreviver. Até mesmo países tradicionais construtores de submarinos terminaram seus programas, devido aos crescentes custos de desenvolvimento e aquisição desses novos sistemas de armas a cada geração e também às mudanças das ameaças.

Enquanto que outros aprenderam com o tempo e hoje passam a despontar para o futuro. Este já é o caso do Brasil.

O Brasil já teve 2 fases como construtor de submarinos. Na primeira delas, produziu 3 IKL-209-1400 de 1.450 ton no AMRJ (o primeiro dos 4 da classe na MB, o Tupi, foi produzido na Alemanha), e a segunda fase foi concluída em dezembro de 2005 com o Tikuna, um IKL-209 melhorado (209-1500).

Parte agora para a terceira fase, com a construção do ESTALEIRO ITAGUAÍ (DCNS/Odebrecht), dedicado a submarinos na área de Itaguaí, Região Metropolitana do Rio. Veja detalhes no PROSUB (9 Mb em pdf).

Lá serão produzidos 4 submarinos de propulsão convencional e 1 submarino de propulsão atômica. Esses futuros submarinos brasileiros passaram a ser chamados de SBR (Submarino Brasileiro) e SNBR (Submarino Nuclear Brasileiro). Os SBR não terão AIP porque vão operar em bases de desdobramento que não contam com suporte para este tipo de equipamento.

O SBR não será nem o Scorpène (modelo desenvolvido em conjunto com a espanhola Navantia) e nem o Marlin (basicamente, um Scorpène 100% francês), e sim um novo modelo com especificações da Marinha Brasileira.

Para construir os 5 submarinos, sendo 4 convencionais SBR, serão gastos € 4,1 bilhões ou US$ 5,720 bilhões. Isso representará € 820 milhões, ou US$ 1,144 bilhão em média por cada submarino francês. Uma conta rápida de US$ 1,8 bilhão para o SNBR levaria cada SBR a custar US$ 980 milhões.

Essa terceira fase de construção faz parte de uma reviravolta. Serão agora 4 submarinos SBR, da DCNS francesa com especificações brasileiras. Antes, estava planejada a construção de IKL-214 de 1.700 ton também sem AIP. Entretanto, em 2008, o governo brasileiro mudado radicalmente em direção aos franceses, de olho na quarta fase.

A quarta fase deverá ser a de um SSN conhecido como Submarino Nuclear Brasileiro, o tão falado SNB, agora chamado de SNBR, de projeto francês.

Em novembro de 2006, tal projeto havia sido adiado por prazo indeterminado, e em julho de 2007 foi noticiada a intenção de sua retomada pelo próprio Presidente Lula.

Em 10 de julho de 2007, o Presidente Lula anunciou em Iperó (SP) a destinação de R$ 1,040 bilhão para a conclusão do projeto nuclear da Marinha, dirigido à propulsão do submarino e também à geração de energia comercial. Só falta agora o retorno do projeto do SNB.

O ministro da Defesa anunciara em 22 de setembro de 2008 que um acordo prevendo a construção de submarinos seria assinado em dezembro com a França. Nelson Jobim disse que o contrato seria de 5 submarinos de ataque, incluindo um destinado a ser dotado de propulsão nuclear. De fato, o contrato de € 4,1 bilhões ou US$ 5,720 bilhões foi mesmo assinado em 23 de dezembro, como prometido.

A DCNS não intervirá, contudo, além das partes não nucleares desse navio, que será o primeiro submarino nuclear de ataque brasileiro (desprovido de armas estratégicas). Uma opção ainda aberta é de o Brasil adquirir um SNA Barracuda pronto.

As primeiras construções, dos submarinos convencionais, serão do tipo SBR e uma parcela do trabalho poderá ser feita na França, de acordo com autoridades brasileiras. Uma transferência de tecnologia ocorrerá, em seguida, junto aos estaleiros locais.

Todos os SBR serão nuclearizáveis, ou seja, bastará mais à frente retirar o motor diesel e as baterias, e alongar o submarino através da adição de uma nova seção com o futuro reator.

Um grande obstáculo para a transferência de tecnologia ao Brasil é a falta de mão-de-obra especializda. Os franceses irão colaborar na formação de técnicos brasileiros, dada a obrigação contratual de transferir parte da tecnologia. A FIESP também estará investindo junto com o SENAI para formar esta mão-de-obra.

Os projetos dos SBR e do SNBR serão totalmente acompanhado pelos técnicos brasileiros desde o inicio, passando pelas etapas de projeto, construção, teste e aprovação. As especificções serão fornecidas pela MB.

Com tal processo, a MB não estará adquirindo 4+1 submarinos, estará pagando para aprender a especificar, projetar e construir os submarinos brasileiros com seus mais de 36.000 itens, espalhando benefícios econômicos e sociais por toda nossa indústria a longo prazo.

PRIMEIRA FASE

Esse pode vir a ser o caso também do Brasil, que teve, em uma primeira fase como construtor, uma bem sucedida estratégia de aquisição de tecnologia junto à Alemanha com a construção dos seus 4 submarinos convencionais IKL-209-1400, da Classe TUPI (2), com características para emprego no litoral.

O primeiro deles foi produzido na Alemanha pelo Estaleiro Alemão Howaldtswerke-Deutsche Werft (HDW) e comissionado em 1989. Os outros 3 foram totalmente construídos no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ), o qual obteve absoluto sucesso na empreitada, formando ainda excelente mão-de-obra especializada para a produção e gerenciamento de seu programa de construção.SEGUNDA FASE

Na segunda fase do processo como construtor, tendo desenvolvido capacidades próprias, o Brasil iniciou em 1991 no AMRJ a construção de um outro submarino ainda de uso no litoral, o S-34 SB TIKUNA (2 3), um Tupi aperfeiçoado no País (IKL-209-1500), que foi comissionado em 16 de dezembro de 2005.

 O Tikuna trouxe diversas novas tecnologias desenvolvidas pela própria MB, como na redução dos níveis de ruído e de exposição durante a recarga de baterias. Conta ainda com evolução na geração de energia, sistema de direção de tiro e sensores. Além disso, deverá utilizar mísseis antinavio e anti-helicóptero no estado da arte.

Nesta segunda fase do processo como construtor, podemos incluir a modernização da frota da ForS que, em 2008, era composta de 5 submarinos, sendo 4 IKL-209-1400, da Classe Tupi.

O ModSub foi iniciado em 2007.

O Timbira e o Tamoio já realizaram seu primeiro PMG no AMRJ.

No ModSub, todos os 5 submarinos receberão novos mísseis antinavio e anti-helicóptero. O custo unitário desse ModSub deverá ser superior a US$ 100 milhões.

Em setembro de 2005, o Departamento de Defesa dos EUA anunciou que aprovara a venda de 30 modernos torpedos pesados Mark 48 (Mk 48) Mod 6 ADCAP (2 3 4 5), fabricados pela Raytheon Co. (2) ao Brasil no valor de US$ 60 milhões.

O Brasil pedira 30 torpedos de tecnologia avançada Mk 48 Mod 6 ADCAP, ou MODS ADCAP, contêineres, sistemas, equipamento de apoio e de testes, peças de reparo e reposição, material de reserva, equipamentos de treinamento, treinamento de pessoal, documentação técnica e publicações, engenharia, assistência técnica e suporte logístico inclusive da US Navy, tudo para atualizar a capacidade de torpedos pesados da MB e estar pronta para atuar em forças de coalizão.

Os Mod 6 são Torpedos de Tecnologia Avançada (Advanced Technology Torpedoes) e estão sendo introduzido na US Navy desde 2005. Seu contêiner é chamado de ACOT-GCB (Advanced Common Torpedo Guidance and Control Box).

O Mod 7 foi desenvolvido em conjunto pelas Marinhas dos EUA e Austrália para tornar-se padrão em ambas. Em 7 de dezembro de 2006, o SSN 752 – SS Pasadena, foi o primeiro submarino a recebê-lo em Pearl Harbor, Havaí.

Tal venda não foi confirmada, mas em 2007 a MB solicitou à agência norte-americana DSCA a autorização para adquirir 6 sistemas integrados de combate para torpedos Mk 48 ADCAP por US$ 58 milhões.

Eles irão para os 5 submarinos atuais e mais um centro de treinamento. Segundo a Jane’s, o alcance do Mod 6 seria de 38 km a 55 nós até 50 km a 40 nós, o que ainda é contestado por muitos. Outra fonte avalia tal alcance em 20,4 km a 65 nós e 33,4 km a 40 nós.

Uma alternativa interessante teria sido o TRITON, um míssil guiado por fibra ótica lançado de submarino, que funciona em qualquer estado de mar com uma câmera infra-vermelha (IR) acoplada, sendo que a orientação terminal é automática.

É uma versão submarina do míssil subsônico Polyphem da EADS-LFK a ser lançada de submarino submerso para funções antinavio, anti-helicóptero e bombardeamento costeiro para os submarinos Type 212. Poderá ser utilizado a Mach 0.6 contra pequenos alvos de superfície e terrestres, como baterias costeiras e instalações portuárias, a 15 km de distância, inicialmente.

O TRITON vem sendo desenvolvido em conjunto com os Grupos HDW da Alemanha e Kongsberg KDA da Noruega, sendo que o primeiro tratará da produção do container de lançamento e da integração aos submarinos IKL-212.

Este míssil promete revolucionar o modo como os submarinos encaram os meios aéreos que hoje costumam caçá-los (anti-submarinos), pois poderá ser facilmente usado contra helicópteros e aviões de patrulha marítima voando a baixa altitude, atingindo-os em menos de 90 segundos.

Com relação aos helicópteros, provavelmente, outros meios aéreos passarão a ser empregados para as missões anti-submarinas, no futuro.

Outra opção interessante e até mais evoluída de míssil guiado por fibra ótica seria o IDAS da empresa alemã DIEHL BGT Defence, o qual é proclamado como totalmente autônomo. Ele foi testado com sucesso em novembro de 2006 pelo órgão oficial de compras militares da Alemanha.

Trata-se de uma espécie de IRIS-T (2) com fibra ótica. E em um tubo de torpedo, caberiam 4 IDAS onde cabem 2 TRITONS.

Em fevereiro de 2009, a imprensa noticiou que o Brasil teria acertado a compra do torpedo franco-italiano Black Shark para seus futuros submarinos, e ele já teria passado da fase de homologação. Trata-se de torpedo pesado franco-italiano de nova geração produzido pelo consórcio DCNS / Whitehead Alenia Sistemi Subacquei-Wass.

Outra compra anunciada foi a do míssil antinavio SMM-39, espécie de versão submarina dos mísseis Exocet.

Uma excelente opção oferecida para os submarinos da MB pela Rosoboronexport em 2005 foi a do míssil hipersônico antinavio KLUB-S (OTAN SS-N-27), que atinge uma fantástica velocidade de Mach 2.9.

O Programa de Modernização dos Submarinos Classe Tupi – ModSub – deveria ser implementado ao longo de 10 anos, no rastro da compra dos IKL-214 à HDW da Alemanha. Mesmo tendo o Brasil cancelado o acordo com os alemães, as tarefas vêm sendo empreendidas pelo AMRJ do Rio de Janeiro.

Em média, deverão ser gastos 2 anos para cada submarino, aproveitando-se, para tanto, seus respectivos períodos de manutenção geral (PMG), previstos para ocorrerem a cada 6 anos.

Caso siga o processo planejado no já desfeito acordo com os alemães, o ModSub ficará limitado aos sistemas de combate (sensores, sistema de direção de tiro e unidade de controle do torpedo) e às estações rádio, além de alguns componentes dos sistemas auxiliares da propulsão:

Sistema SONAR, com aproveitamento da parte molhada (hidrofones e cabeação), que se encontra em bom estado, e substituição do processamento e apresentação dos sinais;
Sistema MAGE (equipamento de medidas de apoio à guerra eletrônica), com substituição do DR-4000 (Thales) pelo DEFENSOR, em desenvolvimento pelo Instituto de Pesquisas da Marinha (lPqM);
Substituição dos equipamentos de HF, UHF,VHF e do Quadro de Amarração de Antenas;
Equipamentos periféricos auxiliares aos sistemas de combate e de navegação, como Mesa de Plotagem, Sistema Inercial de Navegação, Velosom, e outros;
Mudança do gás refrigerante do sistema de ar-condicionado para o ISCEON-49, visando ao atendimento de novos requisitos ambientais e à otimização do desempenho do sistema;
Substituição do grupo destilatório, com a instalação de grupos de osmose reversa; e
Cg – Substituição de alguns componentes de sistemas auxiliares, como: bomba de circulação de água salgada, condensadores da frigorífica, medidores de gases (H2, O2, CO2 e fluídos diversos) e itens menores.

As estrelas do ModSub seriam o sistema de tiro Lockheed Martin e os torpedos MK 48 Mod 6 ADCAP, da Raytheon (descrito na Terceira Fase).

O atual Programa Nacional de Construção de Submarinos prevê a continuação dessa epopéia com um salto qualitativo para novos projetos de submarinos, tendo sido escolhidas uma classe convencional e outra nuclear.

TERCEIRA FASE

Inaugurando a terceira fase do processo como construtor, deverão ser construídos no ESTALEIRO ITAGUAÍ (DCNS-Odebrecht), localizado em Itaguaí, Rio de Janeiro, 4 submarinos chamados de SBR (Submarino Brasileiro) e não terão AIP porque vão operar em bases de desdobramento que não contam com suporte para este tipo de equipamento.

Isso cabe em uma Aliança montada com a França, na qual a área de Defesa terá importante papel, com destaque à transferência de tecnologias.

Todos os SBR serão nuclearizáveis, ou seja, bastará mais à frente retirar o motor diesel e as baterias, e alongar o submarino através da adição de uma nova seção com o futuro reator.

Em seus melhores sonhos, a MB planejava construir mais 6 submarinos após o SB Tikuna, sendo cinco S-MB-10 até 2020, e o futuro SNBR (embora já tivesse um dia havido previsão de 3 submarinos nucleares de ataque), que teria sido cancelado em 2006 e retomado em 2007, o que já demonstrava uma completa confusão política do atual Governo, à época.

Na esteira dessa confusão, tudo levava a crer há algum tempo que o Brasil iria construir submarinos IKL-214 alemães.

m 6 de setembro de 2006, foi noticiada a contratação de empréstimo internacional visando a construção de um primeiro submarino IKL-214 de 1.700 ton sem AIP e características de navegação oceânica, e a modernização – ModSub – dos 5 atuais, sempre sem AIP.

No início de 2008, surgiram boatos de que o contrato com os alemães teria sido cancelado (devido à rejeição do IKL-214 pelos gregos) e que os franceses teriam oferecido o seu MARLIN, com uma encomenda de 4 unidades. Na sequência, seria construído um submarino nuclear.

O MARLIN é um Scorpène mais avançado e somente francês (a espanhola Navantia retirou-se) com 76 m de comprimento e um deslocamento de 2.500 ton submerso. Ele contar com o sistema de propulsão MESMA-2.

A francesa DCNS dará todo apoio para a construção de um novo estaleiro em Itaguaí (RJ), e de uma base para submarinos. Ela atuará como a prime contractor (contratante principal) dos 4 submarinos SBR, que serão construídos por uma joint-venture a ser constituída entre o estaleiro francês e a construtora pesada brasileira Odebrecht.

Esses submarinos combinarão avançadas tecnologias, preço competitivo e excelente custo de operação, incorporando ainda uma série de inovações desenvolvidas para outros programas, particularmente com relação à hidrodinâmica, discrição acústica, automação e sistemas de combate.

A DCNS e a Marinha do Brasil já identificaram diversas indústrias nacionais capazes de participar dos trabalhos. Mais de 30 empresas nacionais participarão diretamente do projeto, nacionalizando mais de 36 mil itens.

A primeira unidade deverá estar concluída até 2015.

QUARTA FASE

Já o SNB, ou agora SNBR, representará a quarta fase da construção de submarinos pelo Brasil, embora ainda não a primeira fase como projetista absoluto de submarinos. Será a primeira fase como construtor de submarinos nucleares, passando o País a pertencer a um pequeno círculo exclusivo.

O SNBR pareceu ficar distante em novembro de 2006, quando tal projeto foi adiado por prazo indeterminado; na prática, tal medida significara seu cancelamento definitivo.

Mas em 10 de julho de 2007 as coisas começaram a mudar, pois o Presidente Lula anunciou em Iperó (SP) a meta de conclusão do projeto nuclear da Marinha, dirigido à propulsão do SNBR e também à geração de energia comercial.

Para o Brasil chegar ao sonhado SNBR, criou-se o PLANO CHALANA. Este é subdivido em quatro projetos, ou fases sequenciais:

Projeto Zarcão, destinado ao estudo e planejamento do plano;
Projeto Ciclone, do enriquecimento do urânio;
Projeto Remo, da construção do reator nuclear; e
Projeto Costado, que é o da construção do SNBR.

O Plano Chalana entrará na quarta fase em 2009. Visitas foram feitas no início de 2008 a estaleiros de submarinos nucleares na França e na Rússia. A primeira foi escolhida e a DCNS conquistou o contrato.

O Brasil contará com o auxílio da França na construção do SNBR graças a um recente acordo de cooperação na área de Tecnologias Avançadas. Tudo acontecerá no ESTALEIRO ITAGUAÍ.

Com um gabarito similar ao dos Rubis franceses, os menores submarinos nucleares em serviço, o RIACHUELO deslocará 2.700 toneladas, quando submerso (200 a mais que a Classe MARLIN).

Dispondo de um reator de 50 MW, ele poderá atingir uma velocidade de 25 nós submerso e atingir uma profundidade de cerca de 300 metros. Se o Brasil conseguir executar o programa corretamente, poderá ver a entrada em serviço do primeiro SNA no horizonte de 2018/2020.

O país já enriquece urânio, mas precisava desenvolver pesquisas para a construção de um casco apto a suportar elevadas profundidades. Com o acordo, agora será possível uma aquisição gradual de diversas tecnologias para a construção do submarino nuclear.

Para o SNBR, será utilizado um sistema de propulsão compacto que permitirá a construção de submarinos nucleares com menos de 3 mil toneladas. Ele será a base de operações ideal para os Comandos MECs.

Desde a década de 70 até 2007, a MB já investiu R$ 2,1 bilhões (mais de US$ 1 bilhão) para desenvolver combustível nuclear e um reator nuclear pequeno para seu tão sonhado submarino nuclear.

Para o Programa do Submarino Nuclear Brasileiro de Ataque – SNBR, Projeto SNAC-2, já foi completado e testado no Centro de Pesquisas de ARAMAR em 2005 o protótipo de reator nuclear, identificado como RENAP-11. Trata-se de um reator de pequeno porte, do tipo PWR.

O Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP) concluiu com sucesso em 2005 a montagem final do conjunto Vaso de Pressão e Internos do Reator do Laboratório de Geração de Energia Núcleo-Elétrica (LABGENE).

Este conjunto, juntamente com os elementos combustíveis e os mecanismos de acionamento de barras de controle, compõem um Reator Nuclear tipo PWR completo.

A nova tecnologia de ultracentrifugação empregada pelo Brasil, em que o metal aumenta sua radioatividade, é superior à americana e à francesa. A ultracentrífuga de enriquecimento isotópico de urânio no Brasil dispensa eixos de rotação, ou seja, não gira em torno de um eixo mecânico, mas de um eixo imantado. Ela gira em uma velocidade tão alta que “flutua” em um campo magnético, não havendo contatos entre as superfícies.

Além disso, o urânio é enriquecido em um percentual de 4 %, quando o mundo atual move submarinos nucleares enriquecendo o urânio em 20 % (para uma bomba o enriquecimento é de mais de 90 %).

O sistema de controle desenvolvido para o RENAP-11 corresponde, em termos internacionais, ao estado da arte da tecnologia de controles. Trata-se de um sistema digital, hierarquizado e distribuído, com alto grau de modularização e padronização, com possibilidade de aplicação em outras instalações nucleares, industriais e navais, constituindo grande avanço sobre os sistemas de controle atualmente utilizados em centrais núcleo-elétricas.

O sistema propulsivo do SNBR teria uma planta simples, produzindo vapor diretamente por meio de um gerador, a partir do circuito do reator PWR; o circuito secundário seria o de vapor e sua refrigeração atuando por gravidade/diferença de pressão.

O vapor gerado pelo sistema moveria diretamente uma turbina ligada ao eixo do hélice. O submarino contaria com um motor elétrico movido por bateria e alimentada por um gerador a fim de movimentar o submarino em caso de falha do sistema principal.

Há ainda outros equipamentos e sistemas que vinham sendo desenvolvidos para o SNBR e que eram considerados estratégicos, como o sistema de navegação inercial, consoles de governo e profundidade, sonares acústicos e eletromagnéticos, sistemas de comunicação em baixa freqüência, e os sistemas de armas. Estes desenvolvimentos estavam a cargo do Instituto de Pesquisas da Marinha (IPqM).

Sobre o sistema de navegação inercial, a MB desenvolveu sistemas de giroscópio que possuem 14 aletas de controle, para serem utilizados em mísseis e no SNB.

O SNBR original, Projeto SNAC-2, deveria deslocar entre 2.900 e 3.500 ton submerso, ter cerca de 70 m de comprimento, diâmetro de pelo menos 8 m, possuir um reator nuclear PWR RENAP-50 e poderia navegar a 28 nós de velocidade.

RENAP-50 significa “Reator Naval de Potência de 50/48 Megawatts”. Isso é potência nominal, ou seja, a potência térmica máxima do reator com o primeiro núcleo (elementos combustíveis tipo vareta). A potência real chegará perto de 11 MW elétricos, possuindo 2 turbinas de propulsão com 3.600 KW e 2 turbinas de serviço com 1.800 KW.

Em 11 de junho de 2007, em solenidade dos 143 anos da Batalha do Riachuelo, o Presidente Lula já parecia reconhecer que o programa nuclear da Marinha apresentava “considerável progresso” e merecia “especial atenção”, ressaltando a importância do desenvolvimento e da finalização de uma planta nuclear de geração de energia elétrica com tecnologia brasileira, incluindo o reator nuclear, o qual estaria bastante avançado: “A conclusão desse reator permitirá que ingressemos no seleto grupo dos países com capacidade de desenvolver submarinos com propulsão nuclear”.

Com alguns anos de atraso, Lula enfatizou também a dualidade do programa, pois, inserido no âmbito da Defesa, contribui para o progresso nacional pela capacidade de gerar energia elétrica e de desenvolver novos materiais.

Um mês depois, em 10 de julho de 2007, Lula anunciou a destinação de R$ 1,040 bilhão para a conclusão do projeto do reator nuclear, dirigido à propulsão do SNB e também à geração de energia comercial. O projeto vai absorver R$ 130 milhões por ano por um período de oito anos.

Com essa notícia, a MB mostrou-se confiante em conseguir retomar todo o atraso com a falta de continuidade sobre o projeto do reator nuclear. A nova verba corresponde à metade de tudo o que já foi gasto desde o início do programa, em 1979 – segundo a Marinha, foram R$ 2,1 bilhões.

O dinheiro será aplicado prioritariamente na instalação e testes do reator nuclear brasileiro. Não abrange a construção do primeiro submarino SNBR em si.

Com a tecnologia desenvolvida para fabricar o reator, o País se habilita tanto para a construção de pequenas centrais nucleares como para fazer o seu sonhado submarino atômico.

Dois outros fatos relevantes na visita de Lula ao Centro Experimental Aramar, em Iperó, em 10 de julho de 2007, são que o CTMSP deverá lançar em 2008 uma nova geração de ultracentrífugas, 40 % mais eficientes que as atuais, e o comparecimento do engenheiro e Vice-Almirante da reserva Othon Pinheiro da Silva, presidente da Eletornuclear e idealizador do programa nuclear naval.

Submarino Nautilus

O princípio de funcionamento do sino de mergulho era conhecido há mais de dois mil anos e, no século XV, Leonardo da Vinci desenhou o projeto de uma nave submarina.

No entanto, apenas em 1580, como o trabalho de William Bourne sobre o assunto, é que foram examinados os aspectos práticos da utilização de lastro para a submersão.

Imerso em um fluido, um corpo sofre a ação de um empuxo, isto é, de uma força igual ao peso do volume de líquido que ele desloca.

Esse é o princípio de Arquimedes, a partir do qual se considerou a possibilidade de construir uma nave capaz de ser mantida submersa, bastando para isso que o seu peso fosse aumentado com a admissão de água.

Inversamente, com a expulsão da água seria possível fazer a nave voltar à superfície.

Muitos projetos foram desenvolvidos entre 1578 e 1801, dos quais apenas o USS Turtle, de David Bushnell (usado durante a Guerra da Independência Americana, 1776-7) e o Nautilus, de Fulton, são dignos de menção.

Experiências adicionais, particularmente as realizadas por engenheiros franceses e norte-americanos, produziram alguns progressos no século 19.

A introdução do motor de combustão interna por volta de 1890, juntamente com a de motores elétricos suficientemente poderosos e baterias eficientes, tornaram o submarino uma real possibilidade.

Os primeiros projetos factíveis eram franceses e norte-americanos. Todos possuíam as mesmas características básicas: tanques de lastro, que eram inundados durante a submersão e esvaziados para emergir; motores elétricos para a propulsão submarina; motores a vapor ou a gasolina (e mais tarde a óleo diesel) para recarregar as baterias e para a propulsão na superfície.

A profundidade máxima que um submarino pode atingir depende da resistência do casco principal à pressão da água. Originalmente as placas de aço utilizadas em sua construção eram rebitadas, mas esse processo foi depois substituído pela solda.

O casco dos submarinos atuais tem a forma aproximada de um charuto; para maior resistência.

A seção transversal deve ser circular, como o menor número possível de orifícios – escotilhas de acesso, aberturas dos tubos de torpedos, camisas de periscópio e de mastros, escotilhas de fuga, sistema de admissão de ar e escapamento do motor.

Cada um deles é equipado com um sistema de vedação capaz de suportar, com margem de segurança, a pressão da profundidade máxima de mergulho.

Cada tanque de lastro deve ter duas aberturas: uma no fundo, para permitir a entrada de água (necessária à imersão) e a saída desta, que é expulsa por ar comprimido na operação de emersão; e outra na parte superior, pela qual sai o ar para que possa entrar a água.

Para a embarcação submergir abrem-se as aberturas, sendo expelido o ar que mantinha os tanques secos. Isso conduz o submarino a um estado de flutuação neutra, no qual uma pequena força pode levar a embarcação ao fundo.

O processo complementa-se com o impulso dos propulsores, que empurram o submarino para a frente, e pelos lemes horizontais colocados em pares na frente e atrás da embarcação, que o dirigem para o fundo.

A invenção do torpedo deu aos submarinos uma arma eficiente e, em pouco tempo, foi adotado por muitas marinhas. Durante as duas grandes guerras mundiais, os submarinos desempenharam um papel extremamente importante.

SubmarinoSubmarino Nautilus

Em 1955, com o advento do submarino americano Nautilus, movido a energia nuclear, as operações submarinas sofreram uma alteração fundamental.

Ao contrário de seus predecessores, que dependiam da atmosfera para suas atividades, o Nautilus e outros submarinos semelhantes podem operar durante anos sem reabastecimento, produzindo seu próprio ar e água potável, viajando em velocidades constantes até então impossíveis para esse tipo de embarcação e permanecendo submersos por períodos inacessíveis aos submarinos de motor diesel.

Atualmente é possível adaptar ogivas nucleares a qualquer submarino. Graças a isso, vários tipos de submarino são equipados com mísseis balísticos para ataques a longa distância.

Fonte: br.geocities.com/www.bitgab.com/www.defesabr.com/www.cienciamao.usp.br

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