Facebook do Portal São Francisco Google+
+ circle
Home  O Desastre Que Vem Do Céu  Voltar

O Desastre que vem do céu

O Desastre que vem do céu

Destinatário

6ª a 8ª Séries do Ensino Fundamental e 1ª e 2ª séries do Ensino Médio; professores de Física, Química, Biologia, Ciências Naturais e Meio Ambiente.

Uso

Registrar as evidências naturais presentes no cosmo e pesquisar os fenômenos físicos e a freqüência dos mesmos na nossa atmosfera.

Há pouco mais de um mês satélites americanos detectaram um enorme flash de luz na alta atmosfera, sobre o Oceano Pacífico, a algumas centenas de quilômetros de Los Angeles, na Califórnia. Foi uma explosão equivalente à provocada pela bomba de Hiroshima. Imediatamente, o alarme do sistema militar dos Estados Unidos começou a tocar no Pentágono, a sede do Departamento de Defesa, em Washington.

Em diferentes pontos da Terra, outros sinais da explosão colossal foram captados por centros de pesquisa. Ondas sonoras imperceptíveis ao ouvido humano atravessaram meio planeta até ser registradas por potentes microfones de estações de escuta na Alemanha, no Havaí, no Alasca e no Canadá.

A primeira suspeita foi que se tratasse de uma experiência nuclear clandestina. Só na semana passada, analisados os dados disponíveis, revelou-se que a explosão foi causada pelo choque de um meteoro de 3,6 metros de diâmetro com a atmosfera terrestre. A detonação mostrou quanto a Terra é vulnerável a essas ameaças que vêm dos confins do espaço. Foi o segundo choque de um meteoro desse porte registrado em menos de um ano. Em 25 de agosto do ano passado, um com 1,8 metro de diâmetro entrou na atmosfera na altura da costa de Acapulco, no México. "O choque foi espetacular", diz Douglas ReVelle, cientista do Laboratório Nacional de Los Alamos, centro americano que monitora a atmosfera terrestre em busca de atividade militar.

"Esses eventos mostram como o bombardeio do espaço é mais perigoso do que se imagina."

Meteoro é o nome que recebe um corpo celeste que penetra na atmosfera terrestre. Podem ser asteróides ou cometas, pedaços de rocha de tamanho variado que vagam pelo sistema solar e que muitas vezes são atraídos pela gravidade da Terra. Não se tem notícia de um centro urbano devastado pela queda de um deles - mas a possibilidade de que isso ocorra é real e tenebrosa.

A queda de uma pedra com 100 metros de diâmetro, do tipo que estatisticamente atinge a superfície do planeta uma vez por século, devastaria uma cidade do tamanho do Rio de Janeiro. Calcula-se que a cada mês um meteoro de pequenas dimensões entre na atmosfera terrestre. Não são perigosos. Normalmente explodem a grande altura na atmosfera, pulverizando-se em seguida.

Apesar de a probabilidade de um impacto de enormes proporções ser remota, o estrago que a queda desses corpos pode causar é tão grave que só é possível ser comparado a um holocausto nuclear. Uma pedra com 10 quilômetros de diâmetro exterminou os dinossauros 65 milhões de anos atrás. Se ocorresse hoje, deixaria a Terra completamente encoberta por uma nuvem de detritos que taparia a luz solar. Depois viria um longo "inverno nuclear", marcado pelo frio e pela escuridão, o que reduziria drasticamente a chance de homens e animais encontrarem alimento.

É uma perspectiva ainda mais assustadora quando se leva em conta que não existem sistemas de vigilância capazes de detectar e avisar com antecedência a aproximação de meteoros. Os equipamentos só registram o que acontece quando eles entram na atmosfera, poucos minutos antes de atingir a superfície.

Os satélites e os telescópios usados para localizar os cometas e os asteróides mais ameaçadores apenas apontam a órbita e a rota dos maiores. O mais recente levantamento da Nasa mapeou 322 asteróides com mais de 1 quilômetro de diâmetro rondando a Terra. Isso corresponde a apenas um terço do total de pedregulhos desse tipo que existem nos arredores do planeta. Se o azar colocasse um grande meteoro na direção da Terra, os cientistas precisariam de dez anos, no mínimo, para dar um jeito de desviá-lo para o espaço com a tecnologia atualmente disponível.

É uma perspectiva assustadora, tanto que cientistas do mundo inteiro estão trabalhando para evitar surpresas provocadas por esses inimigos celestes. No início do ano, uma sonda americana completou a missão de estudar o asteróide Eros 433 depois de orbitá-lo por doze meses para coleta de dados. O objetivo era compreender o comportamento e a órbita da pedra e de outras parecidas. A Nasa financia ainda outros três programas em busca de meteoros e asteróides próximos da Terra. Até o ano que vem, um projeto internacional cobrirá o planeta com sessenta antenas capazes de perceber vestígios sonoros de explosões na atmosfera. Concebidas como parte do tratado de erradicação de armas atômicas, as antenas servirão para detectar em testes qualquer tipo de anormalidade na atmosfera por meio de variações nas ondas sonoras. Há também sistemas de monitoramento que rastrearão com maior eficiência abalos sísmicos, alterações submarinas e aumento de radiação. Ao todo, serão construídas mais de 300 estações com esses equipamentos, que estarão em funcionamento até 2003.

Outra empreitada para estudar nossos vizinhos acaba de ser lançada pela agência espacial americana. Batizado de Deep Impact, o mesmo nome de um filme sobre a queda de um meteoro no planeta, o projeto custará 280 milhões de dólares ao governo dos Estados Unidos e prevê o envio de uma sonda com uma câmara ao interior do cometa Tempel 1, que tem 6 quilômetros de diâmetro. Com lançamento previsto para janeiro de 2004, o robô de 350 quilos deve penetrar em meados de 2005 o núcleo do astro, que viaja a 36.000 quilômetros por hora pelo espaço.

No momento do impacto, a maior parte da sonda será vaporizada. Isso vai ser estudado por telescópios instalados na Terra e poderá ser visto até com a ajuda de pequenas lunetas. O que restar do robô enviará para a Terra informações durante dois dias. Com os dados coletados, os cientistas pretendem encontrar explicações para mistérios sobre estrutura e evolução dos cometas. Com isso, talvez possam resolver questões que impedem por enquanto bombardeios desses corpos estelares numa possível forma de defesa. Um dos maiores problemas hoje é prever como um cometa ou asteróide se comportará depois de atingido por um foguete explosivo. Tanto pode ser desviado em milhares de quilômetros da superfície terrestre como pode explodir de forma irregular, gerando pedaços tão perigosos quanto a pedrona que o originou.

Fonte: Rede Pitágoras

Sobre o Portal | Política de Privacidade | Fale Conosco | Anuncie | Indique o Portal