Crase

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Crase – Definição

A palavra crase designa a contração de duas vogais idênticas .

À gramática normativa interessa , sobretudo , a fusão da preposição a com:

1- o artigo feminino definido a ( ou as ):

O direito a a vida é inquestionável – O direito à vida é inquestionável .

2- o pronome demonstrativo a ( ou as ) :

Referi-me a a ( = aquela ) que chegou mais cedo .
Referi-me à que chegou mais cedo .

3- os pronomes demonstrativos aquele(s) , aquela(s) , aquilo:

Visavas a aquele cargo? – Visavas àquele cargo?

4- o a dos pronomes relativos a qual e as quais:

Era ruim a peça a a qual fizeste referência .
Era ruim a peça à qual fizeste referência .
Nesses casos , a ocorrência do fenômeno da fusão dessas vogais é indicado
sempre pelo acento grave ( ) . Seu emprego depende , pois , da verificação
da ocorrência dessas vogais ( preposição + artigo , preposição + pronome )
no contexto sintático . Como obrigatoriamente o primeiro a é preposição ,
exigida quase sempre por um verbo ou um nome , a crase é um fato gramatical
estreitamente relacionado à regência verbal e nominal.

Crase – O que é

crase é a fusão de duas vogais idênticas, especificamente a preposição “a” e o artigo definido feminino “a(s)”. Ocorre quando um termo exige a preposição e o seguinte aceita o artigo. Esse fenômeno gramatical é representado na escrita pelo acento grave (à, às) para evitar a repetição incômoda de “a a”.

Um outro assunto que preocupa são as falhas no uso da crase.

Vamos a ele:

A crase indica a fusão da preposição a com artigo a: João voltou à (a preposição + a artigo) cidade natal. / Os documentos foram apresentados às (a prep. + as art.) autoridades.

Dessa forma, não existe crase antes de palavra masculina: Vou a pé. / Andou a cavalo.

Existe uma única exceção, explicada mais adiante.

Crase – Origem

A palavra crase (do grego Krásis = mistura, fusão) designa: Em gramática histórica, a contração de duas vogais iguais.

Por exemplo: door(de dolore)=dor; pee(de pede)=pé; maa(de mala)=má. Neste sentido, a crase foi um fenômeno constante na evolução do português arcaico para o moderno.

Em gramática normativa, a contração da preposição A com: o artigo A ou AS = Fomos à cidade assistir às festas. o pronome A ou AS = Irei à loja do centro. o A inicial dos pronomes AQUELE(S), AQUELA(S), AQUILO = Referiu-se àquele fato.

USO OBRIGATÓRIO

Com relação à fusão de A + A, observaremos preliminarmente:

que o primeiro A é sempre preposição
que o segundo A será um artigo ou um pronome demonstrativo
que a razão da crase é a de evitar-se um hiato
que o acento assinalador da contração é grave (`)

Condições para o uso da crase. Você usará o acento grave em A e AS, se forem satisfeitas as três condições seguintes:

Deve tratar-se de substantivo feminino, mesmo oculto.
Deve depender de outra palavra que exija a preposição A.
A palavra regida deve admitir o artigo A.

A crase é obrigatória nas locuções adverbiais, prepositivas e conjuntivas formadas de palavras femininas = às pressas, à custa de, à medida que.

A crase é obrigatória, também, quando preceder adjetivos que funcionam como substantivos = Todos levaram conforto às pobres. Nota = em muitos casos, o substantivo estará subentendido e o adjetivo concordar com ele.

Por exemplo: Vieram as alunas e o diretor fez louvores às (alunas) obedientes.

USO PROIBIDO DA CRASE

Não se usa acento grave diante de:

palavras masculinas = Pintou o quadro a óleo. Falaram a respeito de você. Nota = escreve-se: sapatos à Luís XV, estilo à Coelho Neto, porque nessa expressões se subentendem as palavras moda ou maneira, que são femininas.
palavras femininas não-determinadas, isto é, não precedidas de artigo = Isto cheira a tolice. Nota = neste caso, tais palavras são tomadas em se00000ntido geral, indeterminado.
verbos = Estou disposto a colaborar. Levou-os a passear.
esta e essa = Cheguei a essa conclusão.
pronomes indefinidos = Escreveu a toda pressa. Não deu valor a nada.
pronomes pessoais e de tratamento = Escrevi a você. Falei a ela. Nota = quando o vocábulo dona é substantivado ocorre crase. Por exemplo: Falei à dona de meu apartamento.
pronomes interrogativos = A quem haverei de recorrer?
artigos indefinidos = Fomos a uma aldeia.
nomes próprios que repelem o artigo = Fui a Lisboa(Vim de Lisboa). Rezo a Nossa Senhora. Nota = haverá crase toda vez que o substantivo for determinado pelo artigo. Por exemplo: Fui à Bahia(Vim da Bahia).
locuções de palavras femininas repetidas = Gota a gota. Frente a frente.

PARTICULARIDADES IMPORTANTES

A crase e os numerais:

Ocorrerá crase com os numerais que acompanharem palavras femininas, por imposição da regência = Tens direito à quarta parte do lucro.
Quanto ao cardinal UMA, só vem precedido de crase quando acompanha a palavra HORA = Daqui a uma hora irei ao mercado.
Usa-se crase com a locução adverbial À UMA = Todos responderam à uma (juntamente).

A crase e a palavra “casa”:

Não haverá crase quando a palavra casa significar residência da pessoa = Voltei a casa cedo.
Haverá crase quando a palavra casa estiver modificada por um adjunto e também quando significar estabelecimento comercial, pois nestes casos antepomos o artigo = Fiz uma visita à velha casa. Fui à Casa Dias.

A crase e a palavra “distância”:

Não haverá crase quando a palavra distância estiver indeterminada = O livro foi atirado a distância.
Haverá crase quando a palavra distância estiver determinada em metros = Estava à distância de cem metros.

A crase e os possessivos: uso da crase diante dos pronomes possessivos é facultativo = Obedeço a minha mãe. Obedeço à minha mãe.

A crase e a palavra “até”: Após a palavra até o uso da crase é facultativo = Fui com ela até a(à) porta.

A crase e os relativos:

Haverá crase antes dos pronomes relativos que e qual, sempre que se referirem a nomes femininos que os antecedem = Ali está a mestra de meus filhos, à qual devo agradecimentos.

Crase – Palavra

A palavra crase provém do grego (krâsis) e significa mistura.

Na língua portuguesa, crase é a fusão de duas vogais idênticas, mas essa denominação visa a especificar principalmente a contração ou fusão da preposição a com os artigos definidos femininos (a, as) ou com os pronomes demonstrativos a, as, aquele, aquela, aquilo, aquiloutro, aqueloutro .

Para saber se ocorre ou não a crase, basta seguir três regras básicas:

01) Só ocorre crase diante de palavras femininas, portanto nunca use o acento grave indicativo de crase diante de palavras que não sejam femininas.

Ex. O sol estava a pino. Sem crase, pois pino não é palavra feminina.
Ela recorreu a mim. Sem crase, pois mim não é palavra feminina.
Estou disposto a ajudar você. Sem crase, pois ajudar não é palavra feminina.

02) Se a preposição a vier de um verbo que indica destino (ir, vir, voltar, chegar, cair, comparecer, dirigir-se…), troque este verbo por outro que indique procedência (vir, voltar, chegar…); se, diante do que indicar procedência, surgir da, diante do que indicar destino, ocorrerá crase; caso contrário, não ocorrerá crase.

Ex. Vou a Porto Alegre. Sem crase, pois Venho de Porto Alegre.
Vou à Bahia. Com crase, pois Venho da Bahia.
Obs.: Não se esqueça do que foi estudado em Artigo.

03) Se não houver verbo indicando movimento, troca-se a palavra feminina por outra masculina; se, diante da masculina, surgir ao, diante da feminina, ocorrerá crase; caso contrário, não ocorrerá crase.

Ex. Assisti à peça. Com crase, pois Assisti ao filme.
Paguei à cabeleireira. Com crase, pois Paguei ao cabeleireiro.
Respeito as regras. Sem crase, pois Respeito os regulamentos.

Casos especiais

01) Diante das palavras moda e maneira, das expressões adverbiais à moda de e à maneira de, mesmo que as palavras moda e maneira fiquem subentendidas, ocorre crase.

Ex. Fizemos um churrasco à gaúcha.
Comemos bife à milanesa, frango à passarinho e espaguete à bolonhesa.
Joãozinho usa cabelos à Príncipe Valente.

02) Nos adjuntos adverbiais de modo, de lugar e de tempo femininos, ocorre crase.

Ex. à tarde, à noite, às pressas, às escondidas, às escuras, às tontas, à direita, à esquerda, à vontade, à revelia …

03) Nas locuções prepositivas e conjuntivas femininas ocorre crase.

Ex. à maneira de, à moda de, às custas de, à procura de, à espera de, à medida que, à proporção que…

04) Diante da palavra distância, só ocorrerá crase, se houver a formação de locução prepositiva, ou seja, se não houver a preposição de, não ocorrerá crase.

Ex. Reconheci-o a distância.
Reconheci-o à distância de duzentos metros.

05) Diante do pronome relativo que ou da preposição de, quando for fusão da preposição a com o pronome demonstrativo a, as (= aquela, aquelas).

Ex. Essa roupa é igual à que comprei ontem.
Sua voz é igual à de um primo meu.

06) Diante dos pronomes relativos a qual, as quais, quando o verbo da oração subordinada adjetiva exigir a preposição a, ocorre crase.

Ex. A cena à qual assisti foi chocante. (quem assiste assiste a algo)

07) Quando o a estiver no singular, diante de uma palavra no plural, não ocorre crase.

Ex. Referi-me a todas as alunas, sem exceção.
Não gosto de ir a festas desacompanhado.

08) Nos adjuntos adverbiais de meio ou instrumento, a não ser que cause ambigüidade.

Ex. Preencheu o formulário a caneta.
Paguei a vista minhas compras.
Nota: Modernamente, alguns gramáticos estão admitindo crase diante de adjuntos adverbias de meio, mesmo não ocorrendo ambigüidade.

09) Diante de pronomes possessivos femininos, é facultativo o uso do artigo, então, quando houver a preposição a, será facultativa a ocorrência de crase.

Ex. Referi-me a sua professora.
Referi-me à sua professora.

10) Após a preposição até, é facultativo o uso da preposição a, quando esta for necessária ao elemento anterior ao até, portanto, caso haja substantivo feminino à frente, a ocorrência de crase será facultativa.

Ex. Fui até a secretaria ou Fui até à secretaria, pois quem vai, vai a algum lugar.

11) A palavra CASA:

A palavra casa só terá artigo, se estiver especificada, portanto só ocorrerá crase diante da palavra casa nesse caso.

Ex. Cheguei a casa antes de todos.
Cheguei à casa de Ronaldo antes de todos.

12) A palavra TERRA:

Significando planeta, é substantivo próprio e tem artigo, conseqüentemente, quando houver a preposição a, ocorrerá a crase; significando chão firme, solo, só tem artigo, quando estiver especificada, portanto só nesse caso poderá ocorrer a crase.

Ex. Os astronautas voltaram à Terra.
Os marinheiros voltaram a terra.
Irei à terra de meus avós.

Crase – Uso

crase consiste na “fusão” de dois fonemas vocálicos iguais (a + a).

Por crase entende-se a fusão de duas vogais idênticas.

crase é representada pelo acento grave = (à) = que se coloca sobre o “a”. ( = à).

Só se usa crase antes de nome feminino determinado, e regido da preposição “-a”. Só pode ser feminino determinado.

A CRASE SE DÁ EM

Contração da preposição a com o artigo feminino “a”.
Contração da preposição a com o pronome demonstrativo “a”.
Contração da preposição a com o “a” que inicia os demonstrativos aqueles, aquela, aquilo, aquelas.

Exemplo:

1) Irei à escola-Irei àquela escola
2) Irei a a escola-Irei a + aquela escola

O verbo ir pede a preposição “a” e o substantivo “escola” pede o artigo feminino “a”. A + a = à Irei à escola

Exemplo:

1) Falei à de saia branca =

1.1) Falei a ( = aquela) de saia branca.

2) Dei um livro àquele rapaz =

2.2) Deu um livro a aquele rapaz.

3) Levamos conforto àquela menina =

3.3) Levamos conforto a aquela menina.

4) Refiro-me àquilo que… =

4.4) Refiro-me a aquilo que…

Para que haja crase é necessário que se observe o seguinte:

A palavra seja feminina acompanhada de artigo feminino definido “a”. – O verbo exige a preposição e o substantivo, o artigo.

Que a palavra que antecede o substantivo exija a preposição “a” por força de sua regência.

Ocorre crase nos seguintes casos:

Diante de palavra feminina, clara ou oculta, que não repele o artigo.

Como sabermos se a palavra feminina repele ou não, o artigo?

Basta construi-lo em orações em que apareça regidos das preposições: “de”, “em” e “por”. Se tivermos meras preposições, o nome dispensa artigo.

Exemplo

1) Vou a Copacabana
2) 
Vou a Vitória Substituo o verbo ir ( = vou) por: venho, passo, moro
3)
 Venho de Vitória.
4) 
Passo por Vitória.
5) 
Moro em Vitória.

Então:

1) Vou a Copacabana.

2) Vou a Vitória. O “a” é mera preposição e as palavras Copacabana e Vitória repelem o artigo, por isso não se usa crase.

Porém, se houver necessidade de usar, respectivamente: da ( = de + a); na ( = em + a); pela ( = por + a), a palavra feminina tem o artigo feminino definido “a”, então haverá crase:

Exemplo:

1) Vou à Bahia
2) 
Venho da Bahia
3) 
Moro na Bahia
4) 
Passa pela Bahia. Houve contração da preposição de + a = da, em + a = na, por + a = pela por isso “a” da Bahia é craseado.

Vou à Bahia.

Outra regra prática para sabermos se o substantivo exige ou não, o artigo feminino definido “a”.

Emprega-se a crase sempre que, substituindo-se o vocábulo feminino por um masculino, aparece a contração da preposição “a” com o artigo “o” = ao antes do nome masculino.

Eu vou a cidade Posso dizer: Eu vou ao Município Logo na oração: Eu vou a cidade, O “a” da cidade deve ser craseado.

Se o nome feminino repelir o artigo, pode exigi-lo quando determinado por um adjunto.

Exemplos

1) Eu vou a Roma
2)
 A palavra Roma repele o artigo feminino, porém se eu disser:
3)
 Eu vou a Roma dos Césares A palavra Roma, agora, está determinada, então, craseia-se o “a” de Roma. Eu vou à Roma dos Césares

Outro exemplo:

1) Eu vou a Copacabana.
2)
 Eu vou à Copacabana de minha infância
3) 
Ele foi a Minas
4) 
Ele foi à Minas de Tiradentes.

Podemos usar o seguinte meio mnemônico para o uso da crase: Se vou a E venho dá

Eu craseio o à

Exemplos

1) Vou a festa
2)
 Venho da festa Então eu craseio o “a” da festa. Vou à festa Se eu vou a E venho dê Crasear o a Para quê ?

Exemplos

1) Vou a são Paulo.
2)
 Venho de São Paulo. A palavra São Paulo repele o artigo, então o “a” antes da palavra São Paulo é mera preposição, logo: Não se usa crase.

OBSERVAÇÃO

Se venho-“da”-é “a” (com crase).
Se venho-“de”-é “a” (sem crase).
Vou à Grécia-Venho da Grécia
Vou a Santa Catarina-Venho de Santa Catarina

USA-SE A CRASE

Nos objetos indiretos
Nos adjuntos adverbiais

(NOTA – Não se usa crase com palavra que funciona como Sujeito).

Exemplo: “A menina saiu”

Objeto direto
Adjunto adnominal
Para evitar ambigüidade
Diante de locuções constituídas de feminino plural.
Diante de locuções constituídas do substantivo feminino singular
A conjunção subordinada adv. proporcional

A crase e os pronomes relativos

crase não deve ser empregada junto aos pronomes relativos QUE, QUEM e CUJO(A).

Nas orações em que aparece um termo regido pela preposição “a” acompanhado dos pronomes relativos acima apontados, não se verifica a contração da preposição e o artigo, portanto o acento grave indicativo da crase não é admitido.

Exemplos

Havia qualquer problema com a tomada à que ligaram o aparelho. [Inadequado] Havia qualquer problema com a tomada a que ligaram o aparelho. [Adequado] [termo regente: ligar a] [termo regido: (a) tomada]

 

Era geniosa a funcionária à quem se reportava. [Inadequado] Era geniosa a funcionária a quem se reportava. [Adequado] [termo regente: reportar-se a] [termo regido: (a) funcionária]

A mulher, à cuja filiação se unira, esgotava-se em lágrimas. [Inadequado] A mulher, a cuja filiação se unira, esgotava-se em lágrimas. [Adequado]

…[termo regente: unir-se a]

…[termo regido: (a) filiação]

crase e os nomes no plural

crase não deve ser empregada junto a nomes apresentados na forma plural.

Nas orações em que aparecem um termo regido pela preposição “a” acompanhado de nomes no plural, não se verifica a contração da preposição e o artigo, portanto o acento grave indicativo da crase não é admitido.

Exemplos

Sempre que lembrava, dava contribuições à piadas grosseiras. [Inadequado] Sempre que lembrava, dava contribuições a piadas grosseiras. [Adequado]

.[termo regente: dar (contribuições) a]

.[termo regido: piadas]

Quem ganhasse concorria à revistas em quadrinhos. [Inadequado] Quem ganhasse concorria a revistas em quadrinhos. [Adequado] [termo regente: concorrer a]

.[termo regido: revistas]

Observe que esses nomes no plural não são determinados, porque a idéia indicada é de uma expressão genérica. Ao contrário, se os nomes no plural regidos pela preposição “a” são determinados (ou seja: especificados), o acento grave indicativo da crase deve ser empregado.

Exemplos

A freqüência dos alunos as aulas é facultativa. [Inadequado] A freqüência dos alunos às aulas é facultativa. [Adequado] [termo regente: freqüência a] [termo regido: as aulas]

A crase e palavras repetidas

A crase não deve ser empregada entre palavras repetidas.

Nas orações em que aparecem palavras repetidas ligadas pelo “a”, não se verifica a contração da preposição e o artigo, portanto o acento grave indicativo da crase não é admitido. Isso se dá porque esse “a” presente entre as palavras repetidas é uma preposição somente, e não uma fusão de preposição e artigo (crase).

Exemplos

O manual explica passo à passo os procedimentos com a ferramenta. [Inadequado] O manual explica passo a passo os procedimentos com a ferramenta. [Adequado]

Finalmente encontrávamos frente à frente na votação. [Inadequado] Finalmente encontrávamos frente a frente na votação. [Adequado]

São exemplos de expressões ligadas pela preposição “a”:

passo a passo…
frente a frente…
gota a gota…
ponto a ponto…
de mais a mais…

A crase e as locuções conjuncionais

crase deve ser empregada junto a algumas locuções conjuncionais.

Nas orações em que aparecem um termo regido pela preposição “a” acompanhado de locuções conjuncionais, o acento grave indicativo da crase é obrigatório. Isso, porém, só se dá se a palavra seguinte à locução for feminina e puder vir acompanhada por determinantes (artigo, por exemplo).

Na Língua Portuguesa somente duas locuções conjuncionais se enquadram nesse emprego da crase.

São elas: à medida que e à proporção que.

Exemplos

A dose do remédio diminuirá a medida que o problema seja reduzido . [Inadequado] A dose do remédio diminuirá à medida que o problema seja reduzido. [Adequado]

O medo aumentava a proporção que a noite caía. [Inadequado] O medo aumentava à proporção que a noite caía. [Adequado]

Observe que as palavras femininas que podem ser determinadas participam da locução conjuncional; ou seja, são as palavras “(a) medida” e “(a) proporção”.

A crase e as preposições

A crase não deve ser emprega da junto a algumas preposições.

Dois casos, no entanto, devem ser observados quanto ao emprego da crase. Trata-se das preposições “a” e “até” empregadas antes de palavra feminina. Essas únicas exceções se devem ao fato de ambas indicarem, além de outras, a noção de movimento. Por isso, com relação à preposição “a” torna-se obrigatório o emprego da crase, já que haverá a fusão entre a preposição “a” e o artigo “a” (ou a simples possibilidade de emprego desse artigo). Já a preposição “até” admitirá a crase somente se a idéia expressa apontar para movimento.

Exemplos

A entrada será permitida mediante à entrega da passagem. [Inadequado] A entrada será permitida mediante a entrega da passagem. [Adequado]

Desde à assembléia os operários clamavam por greve. [Inadequado] Desde a assembléia os operários clamavam por greve. [Adequado]

Os médicos eram chamados a sala de cirurgia. [Inadequado] Os médicos eram chamados à sala de cirurgia. [Adequado]

…[termo regente: chamar a / “a” = preposição indicativa de movimento]

…[termo regido: (a) sala / “a” = artigo]

…[sala: palavra feminina]

Os escravos eram levados vagarosamente até a senzala.
Os escravos eram levados vagarosamente até à senzala.

…[termo regente: levar a / “a” = preposição indicativa de movimento]

…[termo regido: (a) senzala / “a” = artigo]

…[senzala: palavra feminina]

Observe que não foi apontado no exemplo (4) o uso inadequado e adequado das ocorrências de crase. Isso se dá porque atualmente no Brasil o emprego da crase diante da preposição “até” é facultativo.

A crase e os artigos

crase não deve ser empregada junto a artigos, exceto junto ao artigo “a”.

Os artigos (o, a, um, uma e suas flexões) são palavras que determinam um nome; por isso serem chamados de determinantes. Eles podem ser apresentados na forma de contração, sendo a crase uma dessas formas. Isto é, a crase é a contração, numa única palavra, entre o artigo definido feminino “a” e a preposição “a”.

Antecedendo um artigo indefinido (um, uma, uns, umas) a crase não é admitida, uma vez que a palavra seguinte à preposição, mesmo que feminina, já está acompanhada de um determinante.

Exemplos

A homenagem está sendo entregue a a pesquisadora neste momento. [Inadequado] A homenagem está sendo entregue à pesquisadora neste momento. [Adequado]

Você pode se dirigir à uma sala ao teu lado esquerdo. [Inadequado] Você pode se dirigir a uma sala ao teu lado esquerdo. [Adequado]

Quando o termo “uma” é associada à palavra hora, ele funciona como um numeral e, nesse caso, deve-se empregar a crase.

Exemplos

Os ingressos esgotaram-se a uma hora do espetáculo. [Inadequado] Os ingresso esgotaram-se à uma hora do espetáculo. [Adequado]

A crase e os verbos

A crase não deve ser empregada junto a verbos.

O fenômeno da crase existe quando há uma fusão (ou contração) entre a preposição “a” e o artigo definido feminino “a”. Logo, se a palavra seguinte à preposição “a” for um verbo, o acento grave indicativo da crase não é admitido.

Os verbos são palavras que não admitem determinantes (artigo, por exemplo). Como a condição básica da existência da crase é a referência (mesmo que implícita) do artigo definido feminino, diante de verbos a crase se torna absurda.

Exemplos

Aquilo dava à entender que realmente havia conflitos em família. [Inadequado] Aquilo dava a entender que realmente havia conflitos em família. [Adequado]

O prefeito se propôs à estudar melhor o assunto. [Inadequado] O prefeito se propôs a estudar melhor o assunto. [Adequado]

A crase e os pronomes de tratamento

A crase não deve ser empregada junto a pronomes de tratamento, exceto em alguns casos, como “senhora(s)”.

Nas orações em que aparece um termo regido pela preposição “a” acompanhado de pronomes de tratamento, o acento grave indicativo da crase não é admitido.

Exemplos

Eu só empresto meu livro à você se for realmente necessário. [Inadequado] Eu só empresto meu livro a você se for realmente necessário. [Adequado]

…[termo regente: emprestar (o livro) a]

…[termo regido: você]

Essas homenagens são afetuosamente dedicadas à Vossa Excelência. [Inadequado] Essas homenagens são afetuosamente dedicadas a Vossa Excelência. [Adequado]

…[termo regente: dedicar a]

…[termo regido: Vossa Excelência]

Os pronomes de tratamento em geral não admitem determinantes (artigo, por exemplo). Dessa forma, não é apresentada na oração a contração entre artigo e preposição, mas tão somente a preposição. Porém, alguns pronomes de tratamento, admitindo o determinante, exigem o acento grave indicativo da crase quando o termo regente pede a preposição “a”.

São esses pronomes: senhora(s), senhorita(s), dona(s), madame(s)

Exemplos

A correspondência é endereçada a madame. [Inadequado] A correspondência é endereçada à madame. [Adequado]

…[termo regente: endereçar a]

…[termo regido: (a) madame]

Alguém explicou a senhora o funcionamento do programa? [Inadequado] Alguém explicou à senhora o funcionamento do programa? [Adequado]

…[termo regente: explicar (o funcionamento…) a]

…[termo regido: (a) senhora]

A crase e os pronomes indefinidos

A crase não deve ser empregada junto a alguns pronomes indefinidos.

Os pronomes indefinidos são aqueles que apresentam, de um modo vago, os seres em terceira pessoa. (ex.: alguém falou; qualquer lugar; certas questões…). Tais quais os artigos, os pronomes indefinidos funcionam como determinantes, ou seja, apresentam, mesmo que indeterminadamente, um nome. Desta forma, eles não admitem um artigo antecedendo a palavra a qual acompanham (ex.: a alguém falou; um alguém falou).

Nas orações em que aparece o termo regido pela preposição “a” introduzindo um termo determinado por pronome indefinido, o acento grave indicativo da crase é dispensado.

Exemplos

Preocupado com as crianças, dirigia-se agora à toda escola que conhecia. [Inadequado] Preocupado com as crianças, dirigia-se agora a toda escola que conhecia. [Adequado]

…[termo regente: dirigir-se a]

…[toda: pronome indefinido]

Sempre perguntava à outra enfermeira sobre qual o leito que lhe pertencia… [Inadequado] Sempre perguntava a outra enfermeira sobre qual o leito que lhe pertencia. [Adequado]

…[termo regente: perguntar a]

…[outra: pronome indefinido]

A crase e a conjunção “caso”

O fenômeno da crase existe quando há uma fusão (ou contração) entre a preposição “a” e o artigo definido feminino “a”.

A crase não deve ser aplicada ao “a” que segue qualquer conjunção. Apesar disso, freqüentemente se observa o emprego da crase depois da conjunção caso.

Provavelmente, isso se dá por analogia a outros termos da língua, como as expressões “devido à”…, “relativo à” que admitem a crase.

Exemplos

Muitos ingressos irão faltar, caso à estréia seja adiada. [Inadequado] Muitos ingressos irão faltar, caso a estréia seja adiada. [Adequado]

Caso às promessas sejam falsas, outras revoltas acontecerão. [Inadequado] Caso as promessas sejam falsas, outras revoltas acontecerão. [Adequado]

É interessante notar, porém, que em casos de inversão dos termos de uma oração que contenha a conjunção caso, pode-se verificar o “a” craseado após a conjunção. Mesmo nesse caso, não se trata de a conjunção caso reger a preposição “a”, mas sim de inversão dos termos, em que um objeto indireto, por exemplo, é antecipado na oração.

Exemplo

Caso as ordens eu não me refira, lembrem-me, por favor. [Inadequado] Caso às ordens eu não me refira, lembrem-me, por favor. [Adequado]

…[ordem linear: “Caso eu não me refira às ordens”]

…[às ordens: objeto indireto de “referir-se”]

A conjunção caso pode ser substituída pela conjunção “se”, pois ambas têm valor condicional. Por essa operação de substituição é possível ter clara a função da palavra caso e, conseqüentemente, confirmar o emprego inadequado da crase junto a essa palavra.

A crase e as palavras no plural

crase no singular não deve ser empregada junto a palavras no plural.

O fenômeno da crase existe quando há uma fusão (ou contração) entre a preposição “a” e o artigo definido feminino “a”. Logo, se a palavra seguinte à preposição “a” for feminina, mas plural, o acento grave indicativo da crase é dispensado.

Outra opção de corretude da construção com a crase é apresentar a contração entre a preposição “a” e o artigo definido feminino plural “as” diante de palavras femininas no plural, resultando na forma “às”.

Exemplos

As mudanças propostas são pertinentes às caderneta de poupança. [Inadequado] As mudanças propostas são pertinentes a caderneta de poupança. [Adequado]

Na verdade, as histórias de bruxas pertenciam a fantasias infantis. [Inadequado] Na verdade, as histórias de bruxas pertenciam às fantasias infantis. [Adequado]

Crase – Emprego

Crase é a fusão (ou contração) de duas vogais idênticas numa só. Em linguagem escrita, a crase é representada pelo acento grave.

Exemplo: Vamos à (a prep. + a art.) cidade logo depois do almoço.

Observe que o verbo ir requer a preposição a e o substantivo cidade pede o artigo a.

Não é somente a contração da preposição a com o artigo feminino a ou com o pronome a e o a inicial dos pronomes aquele(s), aquela(s), aquilo que passa pelo processo da crase. Outras vogais idênticas são também contraídas, visto ser a crase um processo fonológico.

Exemplos: leer – ler / door – dor

I. Ocorrência da crase

1. Preposição a + artigos a, as:

Fui à feira ontem.
Paulo dedica-se às artes marciais.

OBSERVAÇÕES:

a) Quando o nome não admitir artigo, não poderá haver crase:

Vou a Campinas amanhã.
Estamos viajando em direção a Roma.

No entanto, se houver um modificador do nome, haverá crase:

Vou à Campinas das andorinhas.
Estamos viajando em direção à Roma das Sete Colinas.

b) Ocorre a crase somente se os nomes femininos puderem ser substituídos por nomes masculinos, que admitam ao antes deles:

Vou à praia.
Vou ao campo.
As crianças foram à praça.
As crianças foram ao largo.
Portanto, não haverá crase em:
Ela escreveu a redação a tinta. (Ela escreveu a redação a lápis.)
Compramos a TV a vista. (Compramos a TV a prazo.)

2. Preposição a + pronomes demonstrativos aquele(s), aquela(s), aquilo:

Maria referiu-se àquele cavalheiro de terno cinza.
Depois nos dirigimos àquelas mulheres da Associação.
Nunca me reportei àquilo que você disse.

3. Na indicação de horas:

João se levanta às sete horas.
Devemos atrasar o relógio à zero hora.
Eles chegaram à meia-noite.

4. Antes de nomes que apresentam a palavra moda (ou maneira) implícita:

Adoro bife à milanesa.
Eles querem vitela à parmigiana.
Ele vestiu-se à Fidel Castro.
Ele cortou o cabelo à Nero.

5. Em locuções adverbiais constituídas de substantivo feminino plural:

Pedrinho costuma ir ao cinema às escondidas.
Às vezes preferimos viajar de carro.
Eles partiram às pressas e não deixaram o novo endereço.

6. Em locuções prepositivas e conjuntivas constituídas de substantivo feminino:

Eles vivem à custa do Estado.
Estamos todos à mercê dos bandidos.
Fica sempre mais frio à proporção que nos aproximamos do Sul.
Sentimos medo à medida que crescia o movimento de soldados na praça.

II. Principais casos em que não ocorre a crase

1. Diante de substantivo masculino:

Compramos a TV a prazo.
Ele leva tudo a ferro e fogo.
Por favor, façam o exercício a lápis.

2. Diante de verbo no infinitivo:

A pobre criança ficou a chorar o dia todo.
Quando os convidados começaram a chegar, tudo já estava pronto.

3. Diante de nome de cidade:

Vou a Curitiba visitar uma amiga.
Eles chegaram a Londres ontem.

4. Diante de pronome que não admite artigo (pessoal, de tratamento, demonstrativo, indefinido e relativo):

Ele se dirigiu a ela com rudeza.
Direi a Vossa Majestade quais são os nossos planos.
Onde você pensa que vai a esta hora da noite?
Devolva o livro a qualquer pessoa da biblioteca.
Todos os dias agradeço a Deus, a quem tudo devo.

5. Diante do artigo indefinido uma:

O policial dirigiu-se a uma senhora vestida de vermelho.
O garoto entregou o envelope a uma funcionária da recepção

6. Em expressões que apresentam substantivos repetidos:

Ela ficou cara a cara com o assassino.
Eles examinaram tudo de ponta a ponta.

7. Diante de palavras no plural, precedidas apenas de preposição:

Nunca me junto a pessoas que falam demais.
Eles costumam ir a reuniões do Partido Verde.

8. Diante de numerais cardinais:

Após as enchentes, o número de vítimas chega a trezentos.
Daqui a duas semanas estarei em férias.

9. Diante de nomes célebres e nomes de santos:

O artigo reporta-se a Carlota Joaquina de maneira bastante desrespeitosa.
Ela fez uma promessa a Santa Cecília.

10. Diante da palavra casa, quando esta não apresenta adjunto adnominal:

Estava frio. Fernando havia voltado a casa para apanhar um agasalho.
Antes de chegar a casa, o malandro limpou a mancha de batom do rosto.
NOTA: Quando a palavra casa apresentar modificador, haverá crase: Vou à casa de Pedro.

11. Diante da palavra Dona:

O mensageiro entregou a encomenda a Dona Sebastiana.
Foi só um susto. O macaco nada fez a Dona Maria Helena.

12. Diante da palavra terra, como sinônimo de terra firme:

O capitão informou que estamos quase chegando a terra.
Depois de dois meses de mar aberto, regressamos finalmente a terra.

III. Ocorrência facultativa da crase

1. antes de nome próprio feminino:

Entreguei o cheque à Paula. OU Entreguei o cheque a Paula.
Paulo dedicou uma canção à Teresinha. OU Paulo dedicou uma canção a Teresinha.
NOTA: A crase não ocorre quando o falante não usa artigo antes do nome próprio feminino.

2. antes do pronome possessivo feminino:

Ele fez uma crítica séria à sua mãe. OU Ele fez uma crítica séria a sua mãe.
Convidei-o a vir à minha casa. OU Convidei-o a vir a minha casa.
NOTA: A crase não ocorre quando o falante não usa artigo antes do pronome possessivo.

3. depois da preposição até:

Vou caminhar até à praia. OU Vou caminhar até a praia.
Eles trabalharam até às três horas. OU Eles trabalharam até as três horas.
Eu vou acompanhá-la até à porta do elevador. OU Eu vou acompanhá-la até a porta do elevador.
NOTA: A preposição até pode vir ou não seguida da preposição a. Quando o autor dispensar a preposição a, não haverá crase.

Crase – Regras práticas

Primeira

Substitua a palavra antes da qual aparece o a ou as por um termo masculino. Se o a ou as se transformar em ao ou aos, existe crase; do contrário, não.

Nos exemplos já citados: João voltou ao país natal. / Os documentos foram apresentados aos juizes.

Outros exemplos: Atentas às modificações, as moças… (Atentos aos processos, os moços…) / Junto à parede (junto ao muro). No caso de nome geográfico ou de lugar, substitua o a ou as por para.

Se o certo for para a, use a crase: Foi à França (foi para a França). / Irão à Colômbia (irão para a Colômbia). / Voltou a Curitiba (voltou para Curitiba), sem crase).

Pode-se igualmente usar a forma voltar de: se o de se transformar em da, há crase, inexistente se o de não se alterar: Retornou à Argentina (voltou da Argentina). Foi a Roma (voltou de Roma).

Segunda

A combinação de outras preposições com a (para a, na, da, pela e com a, principalmente) indica se o a ou as deve levar crase. Não é necessário que a frase alternativa tenha o mesmo sentido da original nem que a regência seja correta.

Exemplos: Emprestou o livro à amiga (para a amiga). / Chegou à Espanha (da Espanha). / As visitas virão às 6 horas (pelas 6 horas). / Estava às portas da morte (nas portas). / À saída (na saída). / À falta de (na falta de, com a falta de).

Usa-se a crase ainda:

– Nas formas àquela, àquele, àquelas, àqueles, àquilo, àqueloutro (e derivados): Cheguei àquele (a + aquele) lugar. / Vou àquelas cidades. / Referiu-se àqueles livros. / Não deu importância àquilo.
– Nas indicações de horas, desde que determinadas: Chegou às 8 horas, às 10 horas, à 1 hora. Zero e meia incluem-se na regra: O aumento entra em vigor à zero hora. / Veio à meia-noite em ponto. A indeterminação afasta a crase: Irá a uma hora qualquer.
3 – Nas locuções adverbiais, prepositivas e conjuntivas como às pressas, às vezes, à risca, à noite, à direita, à esquerda, à frente, à maneira de, à moda de, à procura de, à mercê de, à custa de, à medida que, à proporção que, à força de, à espera de: Saiu às pressas. / Vive à custa do pai. / Estava à espera do irmão. / Sua tristeza aumentava à medida que os amigos partiam. / Serviu o filé à moda da casa.
4 – Nas locuções que indicam meio ou instrumento e em outras nas quais a tradição lingüística o exija, como à bala, à faca, à máquina, à chave, à vista, à venda, à toa, à tinta, à mão, à navalha, à espada, à baioneta calada, à queima-roupa, à fome (matar à fome): Morto à bala, à faca, à navalha. / Escrito à tinta, à mão, à máquina. / Pagamento à vista. / Produto à venda. / Andava à toa. Observação: Neste caso não se pode usar a regra prática de substituir a por ao.
– Antes dos relativos que, qual e quais, quando o a ou as puderem ser substituídos por ao ou aos: Eis a moça à qual você se referiu (equivalente: eis o rapaz ao qual você se referiu). / Fez alusão às pesquisas às quais nos dedicamos (fez alusão aos trabalhos aos quais…). / É uma situação semelhante à que enfrentamos ontem (é um problema semelhante ao que…).

Não se usa a crase antes de:

1 – Palavra masculina: andar a pé, pagamento a prazo, caminhadas a esmo, cheirar a suor, viajar a cavalo, vestir-se a caráter. Exceção. Existe a crase quando se pode subentender uma palavra feminina, especialmente moda e maneira, ou qualquer outra que determine um nome de empresa ou coisa: Salto à Luís XV (à moda de Luís XV). / Estilo à Machado de Assis (à maneira de). / Referiu-se à Apollo (à nave Apollo). / Dirigiu-se à (fragata) Gustavo Barroso. / Vou à (editora) Melhoramentos. / Fez alusão à (revista) Projeto.
2 – Nome de cidade: Chegou a Brasília. / Irão a Roma este ano. Exceção. Há crase quando se atribui uma qualidade à cidade: Iremos à Roma dos Césares. / Referiu-se à bela Lisboa, à Brasília das mordomias, à Londres do século 19.
3 – Verbo: Passou a ver. / Começou a fazer. / Pôs-se a falar.
4 – Substantivos repetidos: Cara a cara, frente a frente, gota a gota, de ponta a ponta.
5 – Ela, esta e essa: Pediram a ela que saísse. / Cheguei a esta conclusão. / Dedicou o livro a essa moça.
6 – Outros pronomes que não admitem artigo, como ninguém, alguém, toda, cada, tudo, você, alguma, qual, etc.
7 – Formas de tratamento: Escreverei a Vossa Excelência. / Recomendamos a Vossa Senhoria… / Pediram a Vossa Majestade…
8 – Uma: Foi a uma festa. Exceções. Na locução à uma (ao mesmo tempo) e no caso em que uma designa hora (Sairá à uma hora).
9 – Palavra feminina tomada em sentido genérico: Não damos ouvidos a reclamações. / Em respeito a morte em família, faltou ao serviço. Repare: Em respeito a falecimento, e não ao falecimento. / Não me refiro a mulheres, mas a meninas.

Alguns casos são fáceis de identificar: se couber o indefinido uma antes da palavra feminina, não existirá crase. Assim: A pena pode ir de (uma) advertência a (uma) multa. / Igreja reage a (uma) ofensa de candidato em Guarulhos. / As reportagens não estão necessariamente ligadas a (uma) agenda. / Fraude leva a (uma) sonegação recorde. / Empresa atribui goteira a (uma) falha no sistema de refrigeração. / Partido se rende a (uma) política de alianças.

Havendo determinação, porém, a crase é indispensável: Morte de bebês leva à punição (ao castigo) de médico. / Superintendente admite ter cedido à pressão (ao desejo) dos superiores.

10 – Substantivos no plural que fazem parte de locuções de modo: Pegaram-se a dentadas. / Agrediram-se a bofetadas. / Progrediram a duras penas.
11 – Nomes de mulheres célebres: Ele a comparou a Ana Néri. / Preferia Ingrid Bergman a Greta Garbo.
12 – Dona e madame: Deu o dinheiro a dona Maria . / Já se acostumou a madame Angélica. ExceçãoHá crase se o dona ou o madame estiverem particularizados: Referia-se à Dona Flor dos dois maridos.
13 – Numerais considerados de forma indeterminada: O número de mortos chegou a dez. / Nasceu a 8 de janeiro. / Fez uma visita a cinco empresas.
14 – Distância, desde que não determinada: A polícia ficou a distância. / O navio estava a distância. Quando se define a distância, existe crase: O navio estava à distância de 500 metros do cais. / A polícia ficou à distância de seis metros dos manifestantes.
15 – Terra, quando a palavra significa terra firme: O navio estava chegando a terra. / O marinheiro foi a terra. (Não há artigo com outras preposições: Viajou por terra. / Esteve em terra.) Nos demais significados da palavra, usa-se a crase: Voltou à terra natal. / Os astronautas regressaram à Terra.
16 – Casa, considerada como o lugar onde se mora: Voltou a casa. / Chegou cedo a casa. (Veio de casa, voltou para casa, sem artigo.) Se a palavra estiver determinada, existe crase: Voltou à casa dos pais. / Iremos à Casa da Moeda. / Fez uma visita à Casa Branca.

Uso facultativo

1 – Antes do possessivo: Levou a encomenda a sua (ou à sua) tia. / Não fez menção a nossa empresa (ou à nossa empresa). Na maior parte dos casos, a crase dá clareza a este tipo de oração.
2 – Antes de nomes de mulheres: Declarou-se a Joana (ou à Joana). Em geral, se a pessoa for íntima de quem fala, usa-se a crase; caso contrário, não.
3 – Com até: Foi até a porta (ou até à). / Até a volta (ou até à). No Estado, porém, escreva até a, sem crase.

DISTÂNCIA: Desde que não se determine qual é, não tem crase: “A polícia ficou a distância”, “O navio estava a distância”. Quando se define a distância, entra a crase: “O navio estava à distância de 500 metros do cais.”
TERRA: Quando a palavra significa terra firme não há crase: “O navio estava chegando a terra firme”, “O marinheiro foi a terra”. Nos demais casos, usa-se à crase: “Ele estava chegando à terra natal”.
CASA: Quando é considerada como lugar onde se mora, não tem crase: “Voltou a casa”, “Chegou cedo a casa”. Nos demais casos, há crase: “Ele voltou à casa dos pais”, “Kennedy fez uma visita à Casa

Crase Proibida

a – antes de palavras masculinas:

Exemplo = Irei a pé e você irá a cavalo .

b – antes de palavras femininas que , empregadas num sentido genérico , não admitam artigo: 

Exemplo = Não vou a festa , nem a recepção .

c – entre palavras repetidas femininas ou masculinas:

Exemplo = Encontrou-se face a face com o inimigo .

Ela sangrava gota a gota .

d – antes de verbos , já que não admitem artigo:

Exemplo = Começaremos a estudar hoje à tarde .

e – antes de pronomes , visto que em geral não admitem artigo:

Exemplo = Referiram-se a você , a ela e a mim .

f – antes da palavra CASA na acepção de domicílio próprio , a próprio casa de quem é mencionado na frase:

Exemplo = Depois do trabalho , foi a casa antes de ir à escola .

Mas: Depois do trabalho , foi à casa da namorada antes de ir à escola .

g – antes da palavra TERRA no sentido de chão firme ( em oposição  à expressão a bordo de ):

Exemplo = Encantados , os turistas desceram a terra .
Mas = Os astronautas regressaram à Terra .

h – antes da palavra DISTÂNCIA desde que não-especificada na locução a distância:

Exemplo = Sempre permaneci a distância .

Mas: Mantenha-se à distância de cinco metros.

i – se o a estiver no singular e a palavra seguinte for feminina ou masculina no plural , ele é preposição e não é , pois , acentuado:

Exemplo = Chegamos a terríveis conclusões .

Mas: Chegamos às terríveis conclusões .

CRASE FACULTATIVA

O uso do acento é optativo basicamente em três casos: 

a) após a preposição até: 

Exemplo = Fomos até a escola .- Fomos até à escola .

b) antes de pronomes possessivos femininos . = Como é facultativo o uso do artigo antes desses pronomes , a ocorrência da crase também é facultativa .

Exemplo = Retornaremos a minha casa . – Retornaremos à minha casa .

c) antes de nomes próprios femininos . Neste caso , é o artigo definido que pode ou não ser anteposto a tais substantivos .

Exemplo = Entregarei tudo a ( para ) Juliana . = Entregarei tudo à ( para a ) Juliana .

Contudo , não se deve usar artigo ( e portanto acento grave ) antes do nome de pessoas célebres e de santos: 

Exemplo = Entregarei tudo a Nossa Senhora . –

Era uma referência a Mary Stuart .

Crase Obrigatória

( Regra Geral e Casos Particulares )

a) preposição a e artigo a (as) : 

Exemplo = Resistiremos à tentação .

b) preposição a e pronome demonstrativo a(s) = aquela(s) : 

Exemplo = Minha sugestão é semelhante ( = àquela ) que você deu .

c) preposição a e pronomes demonstrativos aquele(s) , aquela(s) , aquilo : 

Exemplo = Renderemos homenagem àquele que nos guiou até aqui .

d) preposição a e pronomes relativos a qual , as quais : 

Exemplo = Chegaram as mulheres às quais você deve agradar . ( agradar a ) .

e) quando implícitas as expressões à moda de , à maneira de , mesmo antes de palavras masculinas : 

Exemplo = Usava cabelos à Djavan . ( Usava cabelos à moda de Djavan ) .

f) nas expressões com indicação de hora especificada . 

Exemplo = Chegaremos à uma hora , não às duas .
Mas = Sairemos daqui a uma hora ( = falta uma hora para a saída ) .

g) nas locuções adverbiais , conjuntivas e prepositivas cujo núcleo seja palavra feminina :

Exemplo = À tarde e à noite aquela casa ficava às moscas .

Tudo ocorreu às avessas .

Mas = Estou a fim de ficar com ela .

Tudo convergia a favor dele.

Fonte: Colégio São Francisco/Centro Educacional Columbia/www.profabeatriz.hpg.ig.com.br/www.enaol.com

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