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Semântica

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No vestibular, Semântica é uma questão que sempre cai – e que, de igual forma, sempre leva os candidatos com ela – trouxe à tona mais um problema no campo da semântica.

Nela, a banca pedia para que se substituísse uma expressão destacada (… estar prestes a acontecer…) por uma das palavras nas alternativas dadas (iminente ou eminente).

Para os menos avisados, semântica é a parte da gramática que estuda o sentido e a aplicação das palavras em um contexto.

Assim sendo, a palavra manga pode ter alguns significados dependendo o contexto.

Vejamos a palavra nas orações “Me lambuzo todo chupando manga” e “Não posso sair com essa manga rasgada”.

Será que temos o mesmo significado para a palavra manga nas duas orações? Com certeza, não.

Na primeira oração, a palavra tem como significado o fruto da mangueira; já no segundo, ela é uma peça do vestuário.

A esta característica das palavras apresentarem a mesma escrita, mas significados diferentes, quando aplicadas em um contexto, chamamos polissemia.

No começo deste artigo encontramos um verbo que, dependendo do contexto, pode ter significados diferentes: cair.

Esse verbo em “ele cai sempre que anda de patins” tem a mesma idéia que “essa questão sempre cai na prova”? Evidentemente que não, como você bem percebeu.

Na primeira oração, o verbo cair está empregado no modo denotativo, da forma que se imagina seu emprego ou, como preferem alguns, da forma que ele é encontrado nos dicionários; na segunda, o verbo cair depende do contexto para ser identificado sendo, então, empregado no modo conotativo. Cair na prova não é despencar em cima do teste avaliativo escrito; é tão somente constar um determinado assunto na tal citada prova.

Note que uma palavra – que expressa idéia, conceito, ações – pode ser apresentada em um sentido real ou figurado.

A isso, temos os conceitos de denotação quando uma palavra por si só expressa um significado, com seu valor objetivo, real, comum em qualquer dicionário e o conceito de conotação quando ela é expressa em sentido figurado, subjetivo, que depende de uma interpretação do contexto.

Semântica – O que é

É o estudo, por um lado, da relação do significado com o significante, isto é, a teoria do signo e o estudo do que as palavras e expressões linguísticas significam, e, por outro, é o estudo das relações dos signos com os objetos a que os signos se aplicam.

Ou: trata apenas da relação entre as expressões da língua e aquilo que elas designam, abstraindo, portanto, do falante.

Semântica – Significado

A semântica refere-se à relação entre os significados dos elementos das frases do texto, a incoerência aparece quando esses elementos não possuem significado entre si.

É estabelecida entre os significados dos elementos do texto através de uma relação logicamente possível.

Semântica é o estudo do significado, isto é a ciência das significações, com os problemas suscitados sobre o significado: Tudo tem significado?

Significado é imagem acústica, ou imagem visual?.

O homem sempre se preocupou com a origem das línguas e com a relação entre as palavras e as coisas que elas significam, se há uma ligação natural entre os nomes e as coisas nomeadas ou se essa associação é mero resultado de convenção. Nesse estudo consideram-se também as mudanças de sentido, a escolha de novas expressões, o nascimento e morte das locuções. A semântica como estudo das alterações de significado prende-se a Michel Bréal e a Gaston Paris. Um tratamento sincrônico descritivo dos fatos da linguagem e da visão da língua como estrutura e as novas teorias do símbolo datam do sec. XX.

As significações linguísticas consideram a significação interna ou gramatical referente aos morfemas e a semântica externa ou gramatical, isto é, objetiva, referente aos semantemas. Pode ser diacrônica ou descritiva (como as línguas interpretam o mundo). A significação interna se distribui pelas categorias gramaticais para maior economia e eficiência da linguagem. A estrutura sintagmática é também relevante para o significado, donde poder-se falar em significado gramatical; dependendo da regência, da colocação e, até, de fatores como pausa, entonação que, na linguagem escrita são assinaladas, tanto quanto possível, pela pontuação. O significado da sentença não é portanto a soma do significado dos seus elementos lexicais, muito embora a relevância do significado destes.

Os elementos lexicais que fazem parte do acervo do falante de uma língua podem ser:

Simples – cavalo
Composta – cavalo-marinho
Complexa – a olhos vistos, briga de foice no escuro (são sintagmáticos)
Textuais – orações, pragas, hinos (são pragmáticos, não entram nos dicionários de língua, a não ser por comodidade). O conceito de gato não está contido em “à noite todos os gatos são pardos “

Nas alterações sofridas nas relações entre as palavras estão as chamadas figuras de retórica clássica:

1) Metáfora – comparação abreviada

2) Metonímia – transferência do nome de um objeto a outro, com o qual guarda alguma relação de:

autor pela obra – Ler Machado de Assis

agente pelo objeto – Comprar um Portinari

causa pelo efeito – Viver do seu trabalho

continente pelo conteúdo – Comeu dois pratos

local pelo produto – Fumar um havana

3) Sinédoque ( para alguns é caso de metonímia )

parte pelo todo – Completar 15 primaveras

singular pelo plural – O português chegou à América em 1500

4) Catacrese – extensão do sentido de uma palavra, por extensão, a objetos ou ações que não possuem denominação própria – embarcar no ônibus; o pé da mesa

No levantamento da tipologia das relações entre as palavras assinalam-se ainda os fenômenos da sinonímia, antonímia, homonímia, polissemia e hiponímia. Os sinônimos se dizem completos, quando são intercambiáveis no contexto em questão. São perfeitos quando intercambiáveis em todos os contextos, o que é muito raro, a não ser em termos técnicos.

Por exemplo, em: casamento, matrimônio, enlace, bodas, consórcio, há um fundo comum, um “núcleo”; os empregos são diferentes, porém próximos. Nem todas as palavras aceitam sinônimos ou antônimos. A escolha entre séries sinonímicas é, às vezes, regional. (Exemplo: pandorga, papagaio, pipa). Quanto à homonímia, pode ocorrer coincidência fônica e/ou gráfica. A coincidência de grafemas e fonemas pode decorrer de convergência de formas (Exemplo: são). Ou de existência coincidente do mesmo vocábulo em línguas diferentes (Exemplo: manga). Cumpre distinguir homonímia de polissemia, o que nem sempre é fácil.

A distinção pode ser:

descritiva – considerando ser a palavra um feixe de semas, se entre duas palavras com a mesma forma, houver um sema comum, diz-se ser um caso de polissemia (Exemplo: coroa – adorno para a cabeça ou trabalho dentário). Em caso contrário, será homonímia (Exemplo: pena – sofrimento ou revestimento do corpo das aves).

diacrônica – se as palavras provém do mesmo léxico, diz-se ocorrer um caso de polissemia;(Exemplo: cabo – acidente geográfico e fim de alguma coisa) No contrário, ocorrerá um caso de convergência de formas (Exemplo: canto – verbo cantar e ângulo).

As relações hiponímicas provém do fato de um termo ser mais abrangente que outro: (Exemplo: flor > rosa, orquídea etc )

Um grande número de palavras aceita polissemia. Escapam os termos técnicos, palavras muito raras e palavras muito longas.

O deslizar de sentido ocorre por muita causas:

interpretações analógicas – (Exemplo: mamão).

transferência do adjetivo ao substantivo – (Exemplo: pêssego, burro).

adaptação de palavras estrangeiras – (Exemplo: forró).

Na evolução semântica, as palavras ganham conotação pejorativa (tratante ), ou valorativa (ministro); ampliam o significado (trabalho),ou restringem (anjo).

As siglas são outra fonte do léxico, dando até palavras derivadas (CLT ( celetista).

Há que considerar os eufemismos e os tabus linguísticos (mal dos peitos, doença ruim, malino > maligno etc ).

Fontes de renovação do léxico em suas acepções, são as gírias (falares grupais ) aí incluídos os jargões profissionais. (chutar, no sentido de mentir; o doente fez uma hipoglicemia).

O signo linguístico quebra a convencionalidade no caso da derivação (que se prende à semântica gramatical) e no caso das onomatopéias (sibilar). Há estudiosos defendendo a idéia de que, originalmente seria tudo onomatopéia.

Enfim, o sentido das palavras não é transcendental nem produzido pelo contexto; é a resultante de contextos já produzidos. A relação entre significante e significado é flutuante, está sempre em aberto. Disso resultam os problemas lexicográficos. Mesmo aqui, usamos termos como palavra, vocábulo e outros sobre cujas acepções divergem os estudiosos, muito embora o seu fundo comum, do qual temos, inclusive os leigos, um conhecimento intuitivo.

Semântica – Estudo Linguístico

Em sentido largo, pode-se entender semântica como um ramo dos estudos linguísticos que se ocupa dos significados produzidos pelas diversas formas de uma língua. Dentro dessa definição ampla, pertence ao domínio da semântica tanto a preocupação com determinar o significado dos elementos constituintes das palavras (prefixo, radical, sufixo) como o das palavras no seu todo e ainda o de frases inteiras.

Diz-se, por exemplo, que o verbo haver é sinônimo de existir numa frase como “Há flores sem perfume.” Isso quer dizer que seus significados se equivalem.

Pode-se também dizer que uma frase passiva como “A praça foi ocupada pelos peregrinos.” é semanticamente equivalente à sua correspondente na voz ativa “Peregrinos ocuparam a praça.”

Dentre os conceitos de semântica indispensáveis para qualquer vestibular, relacionam-se os seguintes:

Sinônimos: formas linguísticas que apresentam o mesmo significado (coragem/destemor; rápido/ligeiro/lépido).

Antônimos: formas linguísticas de significado oposto (progredir x regredir; bom x mau).

Polissemia: propriedade que a mesma palavra tem de assumir significados diferentes.

Luísa bate a porta. (fechar)
Antônio bate o carro no poste. (trombar)
O sino bate três vezes. (soar)
O coração bate rápido. (pulsar)

Obs.: o significado específico assumido pela palavra dentro do contexto linguístico em que ela aparece é denominado significação contextual.

Ambiguidade: possibilidade de interpretar de maneiras diferentes a mesma palavra ou frase.

Ministro falará da crise no Canal 17.

Nessa frase, usada em questão do vestibular da FGV/SP, não é possível saber se a expressão “no Canal 17” se refere a “falarᔠ(“falará no Canal 17”, sobre uma crise que a frase não especifica) ou a “crise” (“crise no Canal 17”, sobre a qual o ministro falará num lugar não mencionado pela frase).

Para resolver a ambiguidade, optando pela primeira interpretação, basta mudar a ordem dos termos na frase:

No Canal 17, ministro falará da crise.

Optando pela segunda interpretação, a melhor solução é deixar clara a relação entre os termos, lançando mão de outro recurso diferente da mudança de posição das palavras, como, por exemplo:

Ministro falará da crise que atinge o Canal 17.

Denotação: conceito ou significado que uma palavra evoca. Os dicionários trazem dominantemente o significado denotativo das palavras (descrevem conceitos associados a elas).

Conotação: conjunto de valores, impressões ou reações psíquicas que se superpõem a uma palavra. Palavras com praticamente a mesma denotação possuem conotações nitidamente diversas. É o caso de amante, amásia, companheira, amigada, concubina. As impressões que cada um desses termos provoca são francamente diferentes, embora a denotação (o conceito a que o termo se refere) não varie. É nesse sentido que se diz que não existem sinônimos perfeitos, pois se o são no nível da denotação, raramente ocorre o mesmo no nível da conotação.

Sentido literal: significado usual de uma palavra; sentido próprio. Exemplo: Abelhas produzem mel.

Sentido figurado: significado não usual de uma palavra, decorrente de associações com outros significados. Exemplo: “Iracema, a virgem dos lábios de mel.”

Fonte: www.portalsaofrancisco.com.br/portaldalinguagem.com.br/www.brazilianporugues.com

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