Formas de Tratamento

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As formas de tratamento se constituem nos modos pelos quais nos dirigimos às autoridades, quer por meio de correspondência oficial, quer de forma verbal em atos solenes.

Inúmeras são as situações em que devemos nos expor ou apresentar os nossos saberes, perante os outros.

Uma forma de tratamento é uma palavra, um título ou uma frase – de caráter formal ou cortês – utilizada para se dirigir a alguém na fala ou na escrita. Esses termos denotam respeito, indicam relações sociais e estabelecem o nível de formalidade entre os interlocutores.

As formas de tratamento são expressões e pronomes utilizados para se dirigir a outras pessoas, variando conforme a formalidade, a intimidade e a hierarquia. Elas exigem sempre a concordância verbal na terceira pessoa (ex: Vossa Excelência está, e não Vossa Excelência estais)

O uso de pronomes e locuções pronominais de tratamento tem larga tradição na Língua Portuguesa.

USADO PARA

TRATAMENTOVOCATIVO

ALMIRANTE

EXCELÊNCIA

Exmo. Sr. Almirante

BRIGADEIRO

EXCELÊNCIA

Exmo. Sr. Brigadeiro

CÔNSUL

Senhoria

Ilmo. Sr. Cônsul

CORONEL

Senhoria

Ilmo. Sr. Coronel

DEPUTADO

Excelência

Exmo. Sr. Deputado

EMBAIXADOR

Excelência

Exmo. Sr. Embaixador

GENERAL

Excelência

Exmo. Sr. General

GOVERNADOR DO ESTADO

Excelência

Exmo. Sr. Governador

JUIZ

Excelência (Meritíssimo Juiz)

Exmo. Sr. Doutor

MAJOR

Senhoria

Ilmo. Sr. Major

MARECHAL

Excelência

Exmo. Sr. Marechal

MINISTRO

Excelência

Exmo. Sr.Ministro

PREFEITO

Excelência

Exmo. Sr.Prefeito

PRESIDENTE DA REPÚBLICA

Excelência

Exmo. Sr.Presidente

REITOR DE UNIVERSIDADE

MAGNIFICÊNCIA (Magnífico Reitor)

Exmo. Sr.

SECRETÁRIO DE ESTADO

Excelência

Exmo. Sr.

SENADOR

Excelência

Exmo. Sr.

TENENTE-CORONEL

Senhoria

Ilmo. Sr. Tenente Coronel

VEREADOR

Excelência

Exmo. Sr. Vereador

DEMAIS AUTORIDADES, OFICIAIS E PARTICULARES

Senhoria

Ilmo. Sr.

Formas de Tratamento – Função

Quando duas ou mais pessoas conversam, uma pode dirigir-se à outra empregando um nome ou um pronome, que cumprirão a função de apelar ou chamar a atenção do interlocutor.

O tratamento é um sistema de significação que contempla diversas modalidades de dirigir-se a uma pessoa.

Trata-se de um código social que, quando se transgride, pode causar prejuízo no relacionamento entre os interlocutores.

Por formas de tratamento designamos tanto os termos que se referem ao par falante/ouvinte, como os vocativos usados para chamar a atenção do destinatário.

As formas de tratamento abrangem tanto os chamados pronomes pessoais de tratamento quanto as formas nominais, isto é, o uso de nomes próprios, títulos, apelidos e outras formas nominais que identifiquem a pessoa referida.

A linguagem é um veículo para a interação com outras pessoas, por isso é utilizada diariamente e, muitas vezes, as pessoas não reconhecem o quanto ela é importante. Como não se pode desvincular a linguagem da sociedade, é preciso conhecer o conjunto de normas que regulam o comportamento adequado dos membros de um meio social. Por isso cada sociedade estabelece regras que regulam esses comportamentos.

As formas de tratamento fazem parte dessas regras sociais que sancionam determinados comportamentos como adequados ou inadequados.

Quando duas ou mais pessoas conversam, uma pode dirigir-se à outra empregando um nome ou um pronome, que cumprirão a função de apelar ou chamar a atenção do interlocutor. O tratamento é, pois, um sistema de significação que contempla diversas modalidades de dirigir-se a uma pessoa. Trata-se de um código social que, quando se transgride, pode causar prejuízo no relacionamento entre os interlocutores.

Por formas de tratamento designamos tanto os termos que se referem ao par falante/ouvinte, como os vocativos usados para chamar a atenção do destinatário.

Com efeito, as formas de tratamento abrangem tanto os chamados pronomes pessoais de tratamento quanto as formas nominais, isto é, uso de nomes próprios, títulos, apelidos e outras formas nominais que identifiquem a pessoa referida.

Entendemos por formas de tratamento, palavras ou sintagmas que o usuário da língua emprega para dirigir-se e/ou referir à outra pessoa.

Estabelecemos quatro níveis para essas formas de tratamento, a saber:

1. Formas pronominalizadas, isto é, palavras e expressões que equivalem a verdadeiros pronomes de tratamento, como as formas você, o senhor, a senhora.
2. Formas nominais, constituídas por nomes próprios, nomes de parentesco, nomes de funções (como professor, doutor, etc.).
3. Formas vocativas, isto é, palavras desligadas da estrutura argumental do enunciado e usadas para designar ou chamar a pessoa com quem se fala. Normalmente, essas são acompanhadas por pronomes pessoais explícitos ou implícitos.
4. Outras formas referenciais, isto é, palavras usadas como referência à pessoa de quem se fala.

Normalmente, as sociedades estão divididas hierarquicamente, por isso o tratamento que recebe um membro da sociedade depende do papel que desempenha e de suas características: idade, sexo, posição familiar, hierarquia profissional, grau de intimidade, etc. Sendo assim, cada qual deve tratar o outro de acordo com as posições relativas que ambos ocupam na escala social. É considerado descortês o fato de uma pessoa se dirigir a um superior hierárquico com excessiva familiaridade. Caso esse fato ocorra, o superior poderá imaginar que o interlocutor deseja algum favor ou que, habitualmente, transgride as normas sociais.

Da mesma forma, é inadequado dirigir-se a um amigo íntimo de maneira formal. Se de fato ocorrer, pode ser um claro sinal de desejo de distanciamento da relação amistosa ou de artificialidade no comportamento social.

O uso das formas de tratamento é a expressão lingüística da estrutura que vigora em um determinado meio social. O emprego dos tratamentos não depende propriamente do sistema lingüístico, mas da forma como a sociedade está organizada. Sabemos que a sociedade está sujeita a mudanças. No Brasil pós-ditadura militar, houve profundas mudanças na sociedade, especialmente em relação à liberação dos costumes. É evidente que os tratamentos acompanharam essas mudanças e, não raro, refletem os costumes mais liberais que vêm caracterizando a sociedade brasileira dos últimos tempos.

Formas de Tratamento e Endereçamento

Umas das características do estilo da correspondência oficial e empresarial é a polidez, entendida como o ajustamento da expressão às normas de educação ou cortesia.

A polidez se manifesta no emprego de fórmulas de cortesia (“Tenho a honra de encaminhar” e não, simplesmente, “Encaminho…”; “Tomo a liberdade de sugerir…” em vez de, simplesmente, “Sugiro…”); no cuidado de evitar frases agressivas ou ásperas (até uma carta de cobrança pode ter seu tom amenizado, fazendo-se menção, por exemplo, a um possível esquecimento…); no emprego adequado das formas de tratamento, dispensando sempre atenção respeitosa a superiores, colegas e subalternos.

No que diz respeito à utilização das formas de tratamento e endereçamento, deve-se considerar não apenas a área de atuação da autoridade (universitária, judiciária, religiosa, etc.), mas também a posição hierárquica do cargo que ocupa.

Veja o quadro a seguir, que

Agrupa as autoridades em universitárias, judiciárias, militares, eclesiásticas, monárquicas e civis;
Apresenta os cargos e as respectivas fórmulas de tratamento (por extenso, abreviatura singular e plural);
Indica o vocativo correspondente e a forma de endereçamento.

Autoridades Universitária

Cargo ou FunçãoPor ExtensoAbreviatura SingularAbreviatura PluralVocativoEndereçamento
ReitoresVossa Magnificência ou Vossa ExcelênciaV. Mag.ª ou V. Maga. V. Exa. ou V. Ex.ªV. Mag.asou V. Magas. ou V.Ex.as ou V.Exas.Magnífico Reitor ou Excelentíssimo Senhor ReitorAo Magnífico Reitor ou Ao Excelentíssimo Senhor Reitor Nome Cargo Endereço
Vice-ReitoresVossa ExcelênciaV.Ex.ª, ou V.Exa.V.Ex.as ou V. Exas.Excelentíssimo Senhor Vice-ReitorAo Excelentíssimo Senhor Vice-Reitor Nome Cargo Endereço
Assessores Pró-Reitores Diretores Coord. de DepartamentoVossa SenhoriaV.S.ª ou V.Sa.V.S.as ou V.Sas.Senhor + cargoAo Senhor Nome Cargo Endereço

Autoridades Judiciárias

Cargo ou FunçãoPor ExtensoAbreviatura SingularAbreviatura PluralVocativoEndereçamento
Auditores Curadores Defensores Públicos Desembargadores Membros de Tribunais Presidentes de Tribunais Procuradores PromotoresVossa ExcelênciaV.Ex.ª ou V. Exa.V.Ex.as ou V. Exas.Excelentíssimo Senhor + cargoAo Excelentíssimo Senhor Nome Cargo Endereço
Juízes de DireitoMeritíssimo Juiz ou Vossa ExcelênciaM.Juiz ou V.Ex.ª, V. Exas.V.Ex.asMeritíssimo Senhor Juiz ou Excelentíssimo Senhor JuizAo Meritíssimo Senhor Juiz ou Ao Excelentíssimo Senhor Juiz Nome Cargo Endereço

Autoridades Militares

Cargo ou FunçãoPor ExtensoAbreviatura SingularAbreviatura PluralVocativoEndereçamento
Oficiais Generais (até Coronéis)Vossa ExcelênciaV.Ex.ª ou V. Exa.V.Ex.as, ou V. Exas.Excelentíssimo SenhorAo Excelentíssimo Senhor Nome Cargo Endereço
Outras PatentesVossa SenhoriaV.S.ª ou V. Sa.V.S.as ou V. Sas.Senhor + patenteAo Senhor Nome Cargo Endereço

Autoridades Eclesiásticas

Cargo ou FunçãoPor ExtensoAbreviatura SingularAbreviatura PluralVocativoEndereçamento
ArcebisposVossa Excelência ReverendíssimaV.Ex.ª Rev.ma ou V. Exa. Revma.V.Ex.as Rev.mas ou V. Exas. Revmas.Excelentíssimo ReverendíssimoA Sua Excelência Reverendíssima Nome Cargo Endereço
BisposVossa Excelência ReverendíssimaV.Ex.ª Rev.ma ou V. Exa. Revma.V.Ex.as Rev.mas ou V. Exas. Revmas.Excelentíssimo ReverendíssimoA Sua Excelência Reverendíssima Nome Cargo Endereço
CardeaisVossa Eminência ou Vossa Eminência ReverendíssimaV.Em.ª, V. Ema. ou V.Em.ª Rev.ma, V. Ema. Revma.V.Em.as, V. Emas. ou V.Emas Rev.mas ou V. Emas. Revmas.Eminentíssimo Reverendíssimo ou Eminentíssimo Senhor CardealA Sua Eminência Reverendíssima Nome Cargo Endereço
CônegosVossa ReverendíssimaV. Rev.ma ou V. Revma.V. Rev.mas V. Revmas.Reverendíssimo CônegoAo Reverendíssimo Cônego Nome Cargo Endereço
FradesVossa ReverendíssimaV. Rev.ma ou V. Revma.V. Rev.mas ou V. Revmas.Reverendíssimo FradeAo Reverendíssimo Frade Nome Cargo Endereço
FreirasVossa ReverendíssimaV. Rev.ma ou V. Revma.V. Rev.mas ou V. Revmas.Reverendíssimo IrmãA Reverendíssima Irmã Nome Cargo Endereço
MonsenhoresVossa ReverendíssimaV. Rev.ma ou V. Revma.V. Rev.mas ou V. Revmas.Reverendíssimo MonsenhorAo Reverendíssimo Monsenhor Nome Cargo Endereço
PapaVossa SantidadeV.S.–Santíssimo PadreA Sua Santidade o Papa
Sacerdotes em geralVossa ReverendíssimaV. Rev.ma ou V. Revma.V. Rev.mas ou V. Revmas.Reverendo PadreAo Reverendíssimo Padre ou Ao Reverendo Padre Nome Cargo Endereço

Autoridades Monárquicas

Cargo ou FunçãoPor ExtensoAbreviatura SingularAbreviatura PluralVocativoEndereçamento
ArquiduquesVossa AltezaV.A.VV. AA.Sereníssimo + TítuloA Sua Alteza Real Nome Cargo Endereço
DuquesVossa AltezaV.A.VV. AA.Sereníssimo + TítuloA Sua Alteza Real Nome Cargo Endereço
ImperadoresVossa MajestadeV.M.VV. MM.MajestadeA Sua Majestade Nome Cargo Endereço
PríncipesVossa AltezaV.A.VV. AA.Sereníssimo + TítuloA Sua Alteza Real Nome Cargo Endereço
ReisVossa MajestadeV.M.VV. MM.MajestadeA Sua Majestade Nome Cargo Endereço

Autoridades Civis

Cargo ou FunçãoPor ExtensoAbreviatura SingularAbreviatura PluralVocativoEndereçamento
Chefe da Casa Civil e da Casa Militar Cônsules Deputados Embaixadores Governadores Ministros de Estado Prefeitos Presidentes da República Secretários de Estado Senadores Vice-Presidentes de RepúblicasVossa ExcelênciaV.Ex.ª ou V. Exa.V.Ex.as ou V. Exas.Excelentíssimo Senhor + CargoAo Excelentíssimo Senhor Nome Cargo Endereço
Demais autoridades não contempladas com tratamento específicoVossa SenhoriaV.S.ª ou V. Sa.V.S.as ou V. Sas.Senhor + CargoAo Senhor Nome Cargo Endereço

Saiba Mais

Concordância com os pronomes de tratamento:

Concordância de gênero

Com as formas de tratamento, faz-se a concordância com o sexo das pessoas a que se referem:

Vossa Senhoria está sendo convidado (homem) a assistir ao III Seminário da FALE.
Vossa Excelência será informada (mulher) a respeito das conclusões do III Seminário da FALE.

Concordância de pessoa

Embora tenham a palavra “Vossa” na expressão, as formas de tratamento exigem verbos e pronomes referentes a elas na terceira pessoa:

Vossa Excelência solicitou…
Vossa Senhoria informou…
Temos a satisfação de convidar Vossa Senhoria e sua equipe para… Na oportunidade, teremos a honra de ouvi-los…

A pessoa do emissor

O emissor da mensagem, referindo-se a si mesmo, poderá utilizar a primeira pessoa do singular ou a primeira do plural (plural de modéstia).

Não pode, no entanto, misturar as duas opções ao longo do texto:

Tenho a honra de comunicar a Vossa Excelência…
Temos a honra de comunicar a Vossa Excelência…
Cabe-me ainda esclarecer aVossa Excelência…
Cabe-nos ainda esclarecer a Vossa Excelência…

Emprego de Vossa (Excelência, Senhoria, etc.) Sua (Excelência, Senhoria, etc.)

Vossa (Excelência, Senhoria, etc.), é tratamento direto – usa-se para dirigir-se a pessoa com quem se fala, ou a quem se dirige a correspondência (equivale a você): Na expectativa do atendimento do que acaba de ser solicitado, apresento a Vossa Senhoria nossas atenciosas saudações.
Sua (Excelência, Senhoria, etc.): em relação à pessoa de quem se fala (equivale a ele fala): Na abertura do Seminário, Sua Excelência o Senhor Reitor da PUCRS falou sobre o Plano Estratégico.

Abreviatura das formas de tratamento: A forma por extenso demonstra maior respeito, maior deferência, sendo de rigor em correspondência dirigida ao Presidente da República. Fique claro, no entanto, que qualquer forma de tratamento pode ser escrita por extenso, independentemente do cargo ocupado pelo destinatário.

Vossa Magnificência: É assim que manuais mais antigos de redação ensinam a tratar os reitores de universidades. Uma forma muito cerimoniosa, empolada, difícil de escrever e pronunciar, e em desuso. Já não existe hoje em dia distanciamento tão grande entre a pessoa do reitor e o corpo docente e discente. É, pois, perfeitamente aceita hoje em dia a fórmula >Vossa Excelência (V. Exa.). A invocação pode ser simplesmente Senhor Reitor, Excelentíssimo Senhor Reitor.

Fonte: Colégio São Francisco/secretary.com.br/seeplu.galeon.com/www.pucrs.br

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