Regência é a relação necessária que se estabelece entre duas palavras, uma das quais servindo de complemento a outra (dependência gramatical).
TERMO REGENTE = palavra principal a que outra se subordina.
TERMO REGIDO = palavra dependente que serve de complemento e que se subordina ao TERMO REGENTE.
Assim, a relação entre o verbo (termo regente) e o seu complemento (termo regido) chama-se REGÊNCIA VERBAL, orientada pela transitividade dos verbos, que podem se apresentar diretos ou indiretos, ou seja, exigindo um complemento na forma de objeto direto ou indireto.
Lembrando que o OBJETO DIRETO é o complemento do verbo que não possui preposição e que também pode ser representado pelos pronomes oblíquos "o", "a", "os", "as". Já o OBJETO INDIRETO vem acrescido de preposição e igualmente pode ser representado pelos pronomes "lhe", "lhes". Cuidado, porém, com alguns verbos, como "assistir" e "aspirar", que não admitem o emprego desses pronomes.
Os pronomes "me", "te", "se", "nos" e "vos" podem, entretanto, funcionar como objetos diretos ou indiretos.
ATENÇÃO: Muitas vezes alguns verbos podem apresentar diferentes regências sem que seus sentidos sejam alterados ou, ao contrário, acarretando diferentes significados e acepções.
Pede objeto direto.
Meio tonto, Lucas abraçou-se ao poste. Para caminhar com mais apoio, Ana abraçou-se em mim. Comemorando a vitória, Luís abraçava-se com o pai.
Pede objeto direto e indireto no sentido de "dar e tomar conselhos, entrar em acordo".
Aconselho você a não sair de casa hoje por causa da chuva. Aconselhei à Isabel um bom caminho para ir à praia. Aconselhamos João sobre os malefícios do fumo. Aconselhei-me com o juiz sobre o meu processo. Depois nos aconselharemos no que mais nos convieR. Aconselharam-se para me trair.
Pede objeto direto no sentido de "acariciar, fazer agrados".
A resposta não agradou ao professoR. Tenho certeza de que este livro não lhe agradará. A piada não agradou à platéia.
Pede objeto direto e indireto.
(AGRADECER ALGUMA COISA A ALGUÉM)
Agradeci A Deus a cura de minha mãe. Agradeceu-me comovido o presente. Observação: Agradecer a alguém "por alguma coisa" é incorrer em italianismo, forma perfeitamente dispensável.Ajudo meu irmão em seu escritório. Ajudei-o a resolver aqueles problemas.
Pede objeto indireto.
Para não cair, Carlos apoiou-se ao muro. Ela apóia-se à mesa para escreveR. Apoiamo-nos em documentos para provar o que dissemos. Apoiei-me sobre a perna direita ao descer do ônibus.
Pedem objeto indireto, iniciado pela preposição "com".
Assistimos ao jogo ontem à noite.
Aquele casal assistiu à queda do avião com indiferença.
Observação: Neste caso, também é exigida a forma "a ele/a ela", quando da substituição do complemento por uma forma pronominal.
Exemplo: Quanto ao julgamento, assistimos a ele preocupados.
Também pede objeto indireto no sentido de "pertencer, caber direito ou razão".
Exemplo: Não lhe assiste o direito de reclamar neste momento.
Observação: Nesta acepção, é aceito como objeto indireto o pronome oblíquo "lhe".
O garçom atendia o freguês com simpatia.
Renato atendeu o telefone logo que ele tocou.
Observação: Com o sentido de "escutar e responder", a regência deste verbo pode apresentar a oposição luso-brasileira "atender algo / atender a algo".
Renato atendeu o telefone / Renato atendeu ao telefone
Pede objeto indireto no sentido de "deferir, cuidar de".O juiz atendeu ao requerimento do advogado.
Horácio e Vera atendiam às crianças de sua creche com muito carinho e dedicação.
Todo domingo, um grupo de jovens atendia aos mais necessitados de seu bairro com alimentos e roupas doados.
Pede objeto direto ou indireto, indiferentemente, quando significa "dar ou prestar atenção a, dar audiência a".
(AVISAR ALGUÉM DE ALGUMA COISA - FORMA MAIS ACEITÁVEL) Eu avisarei Pedro da sua chegada. Eu o avisarei... (AVISAR ALGUMA COISA A ALGUÉM) Eu avisarei sua chegada a Pedro. Eu lhe avisarei...
Pede objeto direto, significando "bater alguma coisa".
o sair, Marco bateu a porta com violência. Ela machucou seu dedo, batendo pregos na parede. Sílvio bateu o carro no poste violentamente. Pede objeto indireto com o sentido de "bater a, na, pelas portas, bater em alguém, bater sobre".
lguém bateu à porta quando eu assistia à televisão. Alguém bateu na porta da sala com uma bengala. O mendigo batia pelas portas de várias casas a pedir só um prato de comida. João foi preso ontem por bater em sua mulheR.
Revoltado, o diretor bateu sobre a mesa a mão fechada com extrema raiva.Exemplos: (Com o sentido de "precisar, necessitar") Careço de dinheiro para pagar minhas contas. Careço do carinho de meus avós que já morreram.
Pede objeto direto ou indireto.
Carreguei o menino no colo o dia todo. Carreguei com o menino deste lugar perigoso.
Pede objeto direto ou indireto - com a preposição "por" como posvérbio - quando significa "fazer vir alguém, convocar, invocar, pedir auxílio".
O presidente chamou os ministros para uma reunião urgente. (Chamou-os)
Em suas preces, Alzira chamou por todos os santos. O rapaz chamava pelos colegas para empurrarem o carro. Quando viu os ladrões, Noeli chamou pela polícia. De longe, notei que alguém chamava por mim. Ainda com este sentido, o verbo CHAMAR pode tornar-se intransitivo.Chamei! Respondeu a moça. Com o significado de "denominar, apelidar", pede objeto direto ou indireto e predicativo, com ou sem preposição.
Chamavam Jânio, maluco. / Chamavam Jânio de maluco. Chamavam a Jânio de maluco. / Chamavam a Jânio, maluco.
Pede o emprego da preposição "a"; contudo, já é bastante usual na linguagem coloquial brasileira o emprego da preposição "em".
Ele chegou ao (no) colégio atrasado. Bete chegou a (em) casa de madrugada. Observação: Em "Cheguei na hora exata", a preposição "em" está empregada corretamente, porque indica tempo, e não lugar.
(PERDOAR ALGUÉM DE OU POR ALGUMA COISA) Desculpe-me de (por) ter gritado com você. Ao chegar, Antônio desculpou-se da (pela=por+a) demora. Desculpei meu irmão de (por) me ter ofendido. (Desculpei-o)
Toda mãe sempre desculpa os erros de seus filhos.Ele não se dignou de dizer a verdade.
O deputado nem se dignou de nos respondeR.
Observações: É comum, em textos formais, encontrar esse verbo com a preposição "de" elíptica. Ex.: O Presidente se dignou ouvir nossas reivindicações.
Normalmente, esse verbo, na linguagem corrente, é usado com as preposições "em" ou "a", sendo esse uso inadequado, já que não é aprovado por gramáticos e dicionaristas.
- ENCONTRAR Pede objeto direto quando significa "achar, avistar".
Exemplo: Só hoje encontrei o livro que tanto procurava.
Pede objeto indireto no sentido de "deparar com alguém, ter ou marcar um encontro".
Exemplo: Encontramos com João no cinema. É pronominal quando significar "estar, achar-se em".
Exemplo: A secretária disse que seu chefe encontrava-se em reunião.
Esqueci o livro sobre a mesa.
Esqueci-me do livro...
Não esqueça as suas tarefas.
Não se esqueça das suas tarefas.
Já esqueci totalmente o latim.
Já me esqueci totalmente do latim.
Na língua do Brasil, no entanto, surgiu uma fusão dessas duas possibilidades: esquecer de algo ou de alguém. Essa forma é usadíssima na fala e encontra registro na escrita, sobretudo quando o complemento de "esquecer" é um infinitivo: "Ia esquecendo de fazer uma confidência importante" (Érico Veríssimo); "Ele esqueceu de ir ao banco"; "Não esqueço de você"; "Não esquecia da saúva" (Mário de Andrade).
Atenção: Se participar de um concurso público, de um vestibular, de uma prova tradicional, você deve considerar erradas as construções do parágrafo anterior, apesar de serem comuns na fala e na escrita brasileiras.
Há ainda a possibilidade de o sujeito do verbo "esquecer" não ser uma pessoa, um ser humano. O sujeito é uma coisa, um fato. Mas coisa No caso, "esquecer" passa a significar "cair no esquecimento". Em "Açores: Férias que nunca esquecem" (frase de um anúncio divulgado em Portugal), o sujeito do verbo "esquecer" é "férias". Elas, as férias, nunca caem no esquecimento.
Em Machado de Assis, encontram-se vários casos desse emprego de "esquecer": "Esqueceu-me apresentar-lhe minha mulher", onde o sujeito de "esqueceu-me" é a oração "apresentar-lhe minha mulher", ou seja, esse fato - o ato de apresentar-lhe minha mulher - caiu no meu esquecimento.
Essa mesma regência vale para "lembrar", isto é, há na língua o registro de frases como "Não me lembrou esperá-la", em que "lembrar" significa "vir à lembrança". O sujeito de "lembrou" é "esperá-la", ou seja, esse fato - o ato de esperá-la - não me veio à lembrança.
(IMPLICAR ALGUÉM EM ALGUMA COISA) P. C. Farias implicou muita gente em suas falcatruas. Com o sentido de "ter antipatia, irritação em relação a alguém ou a alguma coisa", pede objeto indireto.
Dona Maria implicava com todas as crianças do bairro.
Paulo implica com sua irmã caçula o dia todo.Pede objeto direto com o significado de "fazer vir de país estrangeiro, acarretar".
O Brasil importa muitos automóveis da Europa. As guerras importam grandes calamidades. Pede objeto indireto quando significa:
1. ATINGIR O TOTAL DE
Exemplo: As despesas importaram em vinte mil dólares.
2. REPRESENTAR
Exemplo: Só eliminei os erros do texto quando eles importavam em erros gramaticais.
3. DIZER RESPEITO, INTERESSAR
Exemplo: Estas regras importam a todos que desejam escrever bem.
4. PREOCUPAR-SE, INCOMODAR-SE COM OU DE (pronominal);
Exemplos:
Toda mãe importa-se quando seus filhos saem à noite sozinhos. Você se importa de ficar aqui hoje?
Em função do meu trabalho, interessava-me em residir fora do Rio de Janeiro.
Ele não se interessa nas aulas de física.Pede objeto indireto ou complemento circunstancial de lugaR.
(MEDITAR SOBRE OU EM ALGUMA COISA) À noite, sempre medito sobre (em) minha vida.
Em dicionários de regência, como os de Celso Luft e de Francisco Fernandes, vemos que o uso da preposição "a" com os verbos morar e residir é mais comum na linguagem burocrática, apesar de também aparecer em textos literários. Mas só há registros disso antes de rua, praça, avenida (palavras femininas). Não há registro, por exemplo, de "Mora ao Largo da Carioca", "Reside ao Beco do Mota", etc.
Já a preposição "em" é inquestionavelmente correta em qualquer desses casos: "Mora na Rua Prudente de Morais", "Reside no Largo do Machado", etc.
Marco namorou Denize por cinco anos. Ele namorava os doces da vitrine. Observação: É incorreto empregar a preposição "com" no sentido de "namorar com alguém".
Leis devem ser obedecidas.
Regras básicas de civilidade não podem ser desobedecidas.
Observação: Para substituir uma pessoa que apareça como complemento desses verbos, pode-se usar "lhe" ou "a ele / a ela": "Obedeço (desobedeço) ao mestre / Obedeço-lhe (desobedeço-lhe);
Obedeço a ele (desobedeço a ele)". Para substituir o que não for pessoa, só se pode usar "a ele / a ela": "Obedeço (desobedeço) ao código / Obedeço (desobedeço) a ele".
(PAGAR ALGUMA COISA A ALGUÉM) Paulo pagou suas dívidas ao Banco. João não paga aos seus fornecedores há dois meses. Ele já pagou todo o material da obra.
(PREFERIR ALGUMA COISA A OUTRA COISA)
Prefiro feijoada a macarronada.
(Compare: "Prefiro a feijoada à macarronada." A presença do artigo "a" antes de feijoada exige que também se empregue outro artigo antes de macarronada, acarretando desse modo o surgimento do fenômeno da crase.)
Prefiro o cinema ao teatro.
Preferimos estudar a não fazer nada.
Observação: O uso da expressão "do que" no lugar da preposição "a" é incorreto. TAMBÉM NÃO SE DEVE EMPREGAR ESTE VERBO COM OS ADVÉRBIOS "mais" e "antes". Assim, é errado dizer: "Eu prefiro jogar bola do que estudar"; "Eu prefiro mais esta camisa que aquela"; "Eu prefiro antes tomar banho e depois jantar".
O juiz procedeu ao julgamento.
Eles procederam à entrega dos prêmios.
Com o sentido de "vir, ter uma procedência", é intransitivo; geralmente acompanhado de um adjunto adverbial de lugaR.
Exemplo: Aquele avião procedia de São Paulo.
Significando "ter um determinado procedimento", também é intransitivo e, normalmente, pode vir acompanhado de um adjunto adverbial de modo.
Exemplo: Naquele caso, o advogado procedeu corretamente.
Com o significado de "ter fundamento", é intransitivo.
Exemplo: Esta sua denúncia não procede.
Ele visa o alvo.
Ana não visou o cheque ao fazer aquela compra.
O presidente visaria o documento somente depois que o lesse.
Pede objeto indireto quando significa "pretender, almejar".
Exemplo: Aquele funcionário visava ao cargo de chefia.
Observação: Aqui também não é aceito o pronome "lhe" como complemento, empregando-se assim as formas "a ele" e "a ela".
1. Ele esteve fora dois meses.
Ele esteve fora por dois meses. (idéia reforçada de ininterrupção)
2. Esperar alguém.
Esperar por alguém (idéia de ansiedade)
3. Olhar alguém.
Olhar por alguém. (idéia de zelar, interessar-se)
4. Não faças bobagens.
Não me faças bobagens. (Reforço de interesse)
Fonte: intervox.nce.ufrj.br
Dá-se quando o termo regente é um verbo e este se liga a seu complemento por uma preposição ou não. Aqui é fundamental o conhecimento da transitividade verbal.
A preposição, quando exigida, nem sempre aparece depois do verbo. Às vezes, ela pode ser empregada antes do verbo, bastando para isso inverter a ordem dos elementos da frase (Na rua dos Bobos, residia um grande poeta). Outras vezes, ela deve ser empregada antes do verbo, o que acontece nas orações iniciadas pelos pronomes relativos (O ideal a que aspira é nobre).
Alguns verbos e seu comportamento:
Ex.: Aconselho-o a tomar o ônibus cedo / Aconselho-lhe tomar o ônibus cedo
No sentido de acariciar ou contentar (pede objeto direto - não tem preposição).
Ex.: Agrado minhas filhas o dia inteiro / Para agradar o pai, ficou em casa naquele dia.
No sentido de ser agradável, satisfazer (pede objeto indireto - tem preposição "a").
Ex.: As medidas econômicas do Presidente nunca agradam ao povo.
TD e I, com a prep. A. O objeto direto sempre será a coisa, e o objeto indireto, a pessoa.
Ex.: Agradecer-lhe-ei os presentes / Agradeceu o presente ao seu namorado
Ex.: Eles aguardavam o espetáculo / Eles aguardavam pelo espetáculo.
No sentido sorver, absorver (pede objeto direto - não tem preposição)
Ex.: Aspiro o ar fresco de Rio de Contas.
No sentido de almejar, objetivar (pede objeto indireto - tem preposição "a")
Ex.: Ele aspira à carreira de jogador de futebol
Observação
não admite a utilização do complemento lhe. No lugar, coloca-se a ele, a ela, a eles, a elas. Também observa-se a obrigatoriedade do uso de crase, quando for TI seguido de substantivo feminino (que exija o artigo)
No sentido de ver ou ter direito (TI - prep. A).
Ex.: Assistimos a um bom filme / Assiste ao trabalhador o descanso semretal remunerado.
No sentido de prestar auxílio, ajudar (TD ou TI - com a prep. A)
Ex.: Minha família sempre assistiu o Lar dos Velhinhos. / Minha família sempre assistiu ao Lar dos Velhinhos.
No sentido de morar é intransitivo, mas exige preposição EM.
Ex.: Aspirando a um cargo público, ele vai assistir em Brasília..
Observação
não admite a utilização do complemento lhe, quando significa ver. No lugar, coloca-se a ele, a ela, a eles, a elas. Também observa-se a obrigatoriedade do uso de crase, quando for TI seguido de substantivo feminino (que exija o artigo)
Atender pode ser TD ou TI, com a prep. a.
Ex.: Atenderam o meu pedido prontamente. / Atenderam ao meu pedido prontamente.
No sentido de deferir ou receber (em algum lugar) pede objeto direto
No sentido de tomar em consideração, prestar atenção pede objeto indireto com a preposição a
Observação
se o complemento for um pronomes pessoal referente a pessoa, só se emprega a forma objetiva direta (O diretor atendeu os interessados ou aos interessados / O diretor atendeu-os)
Admite duas construções: Quem certifica, certifica algo a alguém ou Quem certifica, certifica alguém de algo.
Observação
observa-se a obrigatoriedade do uso de crase, quando o OI for um substantivo feminino (que exija o artigo)
Certifico-o de sua posse / Certifico-lhe que seria empossado / Certificamo-nos de seu êxito no concurso / Certificou o escrivão do desaparecimento dos autos
TD, quando significar convocar.
Ex.: Chamei todos os sócios, para participarem da reunião.
TI, com a prep. POR, quando significar invocar.
Ex.: Chamei por você insistentemente, mas não me ouviu.
TD e I, com a prep. A, quando significar repreender.
Ex.: Chamei o menino à atenção, pois estava conversando durante a aula / Chamei-o à atenção.
Observação
A expressão "chamar a atenção de alguém" não significa repreender, e sim fazer se notado (O cartaz chamava a atenção de todos que por ali passavam)
Pode ser TD ou TI, com a prep. A, quando significar dar qualidade. A qualidade (predicativo do objeto) pode vir precedida da prep. DE, ou não.
Ex.: Chamaram-no irresponsável / Chamaram-no de irresponsável / Chamaram-lhe irresponsável / Chamaram-lhe de irresponsável.
Aparentemente eles têm complemento, pois quem vai, vai a algum lugar e quem chega, chega de. Porém a indicação de lugar é circunstância (adjunto adverbial de lugar), e não complementação.
Esses verbos exigem a prep. A, na indicação de destino, e DE, na indicação de procedência.
Observação
quando houver a necessidade da prep. A, seguida de um substantivo feminino (que exija o artigo a), ocorrerá crase (Vou à Bahia)
no emprego mais freqüente, usam a preposição A e não EM
Ex.: Cheguei tarde à escola. / Foi ao escritório de mau humor.
se houver idéia de permanência, o verbo ir segue-se da preposição PARA.
Ex.: Se for eleito, ele irá para Brasília.
quando indicam meio de transporte no qual se chega ou se vai, então exigem EM.
Ex.: Cheguei no ônibus da empresa. / A delegação irá no vôo 300.
Pode ser TD ou TI, com a prep. EM, ou com a prep. DE.
Ex.: Começou a cogitar uma viagem pelo litoral / Hei de cogitar no caso / O diretor cogitou de demitir-se.
Ex.: Compareceram na sessão de cinema. / Compareceram à sessão de cinema.
Admite duas construções alternando algo e alguém entre OD e OI.
Ex.: Comunico-lhe meu sucesso / Comunico meu sucesso a todos.
No sentido de ser difícil será TI, com a prep. A. Nesse caso, terá como sujeito aquilo que é difícil, nunca a pessoa, que será objeto indireto.
Ex.: Custou-me acreditar em Hipocárpio. / Custa a algumas pessoas permanecer em silêncio.
No sentido de causar transtorno, dar trabalho será TD e I, com a prep. A.
Ex.: Sua irresponsabilidade custou sofrimento a toda a família
No sentido de ter preço será intransitivo
Ex.: Estes sapatos custaram R$50,00.
Ex.: Desfrutei os bens de meu pai / Pagam o preço do progresso aqueles que menos o desfrutam
Ex.: Ensinei-o a falar português / Ensinei-lhe o idioma inglês
quando acompanhados de pronomes, são TI e constroem-se com DE.
Ex.: Ela se lembrou do namorado distante. Você se esqueceu da caneta no bolso do paletó
constroem-se sem preposição (TD), se desacompanhados de pronome
Ex.: Você esqueceu a caneta no bolso do paletó. Ela lembrou o namorado distante
Podem ser intransitivos ou TI, com a prep. A.
Ex.: Muitos alunos faltaram hoje / Três homens faltaram ao trabalho hoje / Resta aos vestibulandos estudar bastante.
TD e I com a prep. EM, quando significar envolver alguém.
Ex.: Implicaram o advogado em negócios ilícitos.
TD, quando significar fazer supor, dar a entender; produzir como conseqüência, acarretar.
Ex.: Os precedentes daquele juiz implicam grande honestidade / Suas palavras implicam denúncia contra o deputado.
TI com a prep. COM, quando significar antipatizar.
Ex.: Não sei por que o professor implica comigo.
Observação
Emprega-se preferentemente sem a preposição EM (Magistério implica sacrifícios)
Admite duas construções: Quem informa, informa algo a alguém ou Quem informa, informa alguém de algo.
Ex.: Informei-o de que suas férias terminou / Informei-lhe que suas férias terminou
Seguidos da preposição EM e não com a preposição A, como muitas vezes acontece.
Ex.: Moro em Londrina / Resido no Jardim Petrópolis / Minha casa situa-se na rua Cassiano.
Ex.: Ela namorava o filho do delegado / O mendigo namorava a torta que estava sobre a mesa.
Ex.: Devemos obedecer às normas. / Por que não obedeces aos teus pais?
Observação
verbos TI que admitem formação de voz passiva
São TD e I, com a prep. A. O objeto direto sempre será a coisa, e o objeto indireto, a pessoa.
Ex.: Paguei a conta ao Banco / Perdôo os erros ao amigo
Observação
as construções de voz passiva com esses verbos são comuns na fala, mas agramaticais
Quem pede, pede algo a alguém. Portanto é errado dizer Pedir para que alguém faça algo.
Ex.: Pediram-lhe perdão / Pediu perdão a Deus.
No sentido de tornar preciso (pede objeto direto).
Ex.: O mecânico precisou o motor do carro.
No sentido de ter necessidade (pede a preposição de).
Ex.: Preciso de bom digitador.
Não se deve usar mais, muito mais, antes, mil vezes, nem que ou do que.
Ex.: Preferia um bom vinho a uma cerveja.
TI, com a prep. A, quando significar dar início ou realizar.
Ex.: Os fiscais procederam à prova com atraso. / Procedemos à feitura das provas.
TI, com a prep. DE, quando significar derivar-se, originar-se ou provir.
Ex.: O mau-humor de Pedro procede da educação que recebeu. / Esta madeira procede do Paraná.
Intransitivo, quando significar conduzir-se ou ter fundamento.
Ex.: Suas palavras não procedem! / Aquele funcionário procedeu honestamente.
No sentido de desejar, ter a intenção ou vontade de, tencionar (TD)
Ex.: Quero meu livro de volta / Sempre quis seu bem
No sentido de querer bem, estimar (TI - prep. A).
Ex.: Maria quer demais a seu namorado. / Queria-lhe mais do que à própria vida.
Pode ser TD ou TI, com a prep. A.
Ex.: Ele renunciou o encargo / Ele renunciou ao encargo
TI, com a prep. A, quando possuir apenas um complemento.
Ex.: Respondi ao bilhete imediatamente / Respondeu ao professor com desdém.
nesse caso, não aceita construção de voz passiva.
TD com OD para expressar a resposta (respondeu o quê?)
Ex.: Ele apenas respondeu isso e saiu.
Ex.: Ele revidou ao ataque instintivamente.
Com a prep. COM. Não são pronominais, portanto não existe simpatizar-se, nem antipatizar-se.
Ex.: Sempre simpatizei com Eleodora, mas antipatizo com o irmão dela.
Com a prep. EM. Não é pronominal, portanto não existe sobressair-se.
Ex.: Quando estava no colegial, sobressaía em todas as matérias.
No sentido de ter em vista, objetivar (TI - prep. A)
Ex.: Não visamos a qualquer lucro. / A educação visa ao progresso do povo.
No sentido de apontar arma ou dar visto (TD)
Ex.: Ele visava a cabeça da cobra com cuidado / Ele visava os contratos um a um.
se TI não admite a utilização do complemento lhe. No lugar, coloca-se a ele (a/s)
São estes os principais verbos que, quando TI, não aceitam LHE/LHES como complemento, estando em seu lugar a ele (a/s) - aspirar, visar, assistir (ver), aludir, referir-se, anuir.
Avisar, advertir, certificar, cientificar, comunicar, informar, lembrar, noticiar, notificar, prevenir são TD e I, admitindo duas construções: Quem informa, informa algo a alguém ou Quem informa, informa alguém de algo.
Os verbos transitivos indiretos na 3ª pessoa do singular, acompanhados do pronome se, não admitem plural. É que, neste caso, o se indica sujeito indeterminado, obrigando o verbo a ficar na terceira pessoa do singular. (Precisa-se de novas esperanças / Aqui, obedece-se às leis de ecologia)
Verbos que podem ser usados como TD ou TI, sem alteração de sentido: abdicar (de), acreditar (em), almejar (por), ansiar (por), anteceder (a), atender (a), atentar (em, para), cogitar (de, em), consentir (em), deparar (com), desdenhar (de), gozar (de), necessitar (de), preceder (a), precisar (de), presidir (a), renunciar (a), satisfazer (a), versar (sobre) - lista de Pasquale e Ulisses.
Fonte: www.graudez.com.br