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Partes da Árvore

A Fisiologia da Árvore

De um ponto de vista fisiológico, uma árvore pode ser comparada a um complexo industrial, extraindo as substâncias que precisa do solo e do ar e, com a ajuda da energia solar, convertendo-as em seu “laboratório químico” em elementos necessários para a vida de todo o complexo.

Esse complexo pode ser dividido em 3 partes principais, cada uma inseparável das outras, mas que fazem tarefas específicas: raízes, tronco e galhos e folhas.

Raízes

As raízes constituem a parte subterrânea da árvore e têm 4 funções essenciais.

Elas ancoram a árvore ao solo, absorvem e transportam água e sais minerais do solo para outras partes da árvore, servem como armazenamento de nutrientes processados (açúcar e amido) e produzem hormônio.

Em muitas árvores jovens, a raiz pivot ou raiz principal é geralmente predominante. Conforme a árvore amadurece, raízes mais finas estendem-se como raios pela parte superficial do solo, sob o tronco e muitos metros abaixo.

Na maioria das espécies associadas com a cultura do bonsai, o sistema radicular espalha-se lateralmente pelo solo, formando uma teia de raizes progressivamente mais finas eventualmente terminando na zona de pêlos, que sozinhos, são responsáveis por absorver sais minerais e água do solo.

As raízes muitas vezes vivem em simbiose com filamentos de fungos (as micorrizas). Essas envolvem e penetram nas raízes aumentando a área de absorção das raízes. As micorrizas podem tornar disponíveis certos minerais para as raízes que, de outra maneira, seriam inacessíveis.

Em retonro, o fungo obtém energia através do alimento estocado nas células da raiz. Um sistema radicular sem as micorrizas presentes, não crescerá bem.

Camadas em que se divide a raiz:

Extremidade exploradora, que contorna pedregulhos, procura umidade, evita contato com tóxicos, etc., é revestida por uma coifa que a protege do desgaste;

Zona de crescimento, onde as células se multiplicam e se alongam;

Zona dos pêlos absorventes, com numerosos pêlos, unicelulares, responsáveis pela absorção da água e dos sais minerais;

Zona condutora, que contém os vasos nos quais circulam a seiva bruta (em direção às folhas) e a seiva elaborada, que alimenta a raiz ou é estocada.

Resumindo:

As raízes mais grossas são responsáveis pela fixação da árvore, pelo transporte de substâncias e pela estocagem de alimento, e as raízes mais finas, são responsáveis pela absorção e transporte da água e dos nutrientes presentes no solo.

Troncos e galhos

Seguindo pela imagem do complexo industrial, o tronco e galhos da árvore têm várias funções: suporte flexível para a massa foliar ou “laboratório químico”, pois essas buscam a fonte de energia (luz); transporte de sais minerais e água extraídos pelas raízes (seiva bruta) até as folhas e redistribuição do alimento manufaturado pelas folhas (seiva elaborada) para todas as partes da árvore, além de estocar reservas.

Troncos e galhos estão divididos nas seguintes seções principais:

A casca , que é a camada externa da árvore e consiste num tecido de cortiça que conserva a umidade e protege as camadas internas da madeira contra insetos, vento, frio, calor e contra ferimentos. Pode variar em expessura – de alguns milímetros até mais de 30cm. Varia em aparência, diferenciando-se por espécies e mudando com a idade;

Líber (Floema) , conduz a seiva elaborada das folhas para outras partes da árvore, indo até a raiz;

O cambio , composto por uma fina camada entre o lenho e o líber, produz células destas duas camadas e é responsável pelo crescimento no diâmetro do tronco e dos galhos. Quando a árvore é ferida ou quando um galho quebra, as células do cambio gradualmente formam um calo, cicatrizando e eventualmente fechando a ferida, produz novas brotações de galhos e raízes;

Lenho (xilema), madeira fisiologicamente ativa que transporta a seiva bruta das raízes para as folhas, e também armazena substâncias elaboradas pelas folhas. Esta camada está localizada entre o cambio e o cerne;

Cerne, madeira fisiologicamente inativa e dura, localizada na parte central do tronco e dos galhos, cuja finalidade é a de sustentar a árvore. Muitas vezes mais escuro que o lenho devido a uma alta concentração de resinas.

A camada de células que formam o cambio (em verde) correm por toda a estrutura da árvore, até os menores galhinhos, gerando madeira (xilema) na parte de dentro e líber (floema) na parte de fora.

As folhas

A folha é o órgão vegetal responsável pela fotossíntese, pela respiração e pela síntese de diversas substâncias como enzimas e hormônios.

Estas podem ser caducas-destinadas a caírem ao primeiro sinal de geadas, tendo cumprido sua função anual – ou sempre verdes – mantendo-se durante todo o inverno. Diferem morfologicamente de acordo com as espécies e são distinguidas por sua forma, arranjo no pecíolo ou galho e pelo número de partes em que são divididas.

São geralmente verdes, mas podem assumir, devido à presença de pigmento vermelho, diversos tons, do rosa até o vermelho acobreado. Quando a porcentagem de clorofila – pigmento verde que dá essa cor às folhas – está baixa, tomam uma cor dourada ou amarelada.

Nenhuma folha é verdadeiramente sempre verde e sua vida varia de 6 meses a 1 ano, exceções sendo as agulhas de algumas coníferas que permanecem no galho por vários anos.

A folha pode ser descrita como a fábrica, a fonte primitiva de vida, o primeiro elo do que é chamado de cadeia alimentar, o que significa que a energia do sol, capturada e elaborada pela folha, torna-se energia novamente como alimento para animais herbívoros, carnívoros e finalmente, o homem.

Os tecidos da folha, através do processo da fotossíntese, formam os compostos orgânicos que farão cada um a sua parte na criação e manutenção de organismos animais.

Para fazer essas funções, únicas na Terra, os tecidos foliares são altamente especializados, sendo compostos de células contendo vários pigmentos; o mais importante desses, a clorofila, é formada somente na presença de luz.

A clorofila está contida em corpúsculos verdes, os cloroplastos e têm a propriedade de capturar a energia da luz e usá-la, por meio de complexas reações fotoquímicas para converter dióxido de carbono (CO2) obtido na atmosfera adicionado aos nutrientes em compostos orgânicos como açúcar e amido.

Além de tomar dióxido de carbono e soltar oxigênio, muito da água coletada pelas raízes é dispersada por meio da transpiração e respiração , no ar.

Isso protege as folhas do calor excessivo e permite o movimento ascendente da seiva. Uma vez cumpridas suas funções, as folhas caem no solo onde serão decompostas por bactérias e fungos enriquecendo assim o solo com elementos necessários à planta, num ciclo autônomo e contínuo.

As folhas se apresentam em diversos formatos, tamanhos, cores e texturas. A disposição das folhas nos caules e ramos pode ser chamada alternada, se cada nó tem apenas uma folha; oposta, se cada nó tem duas folhas inseridas face a face; verticulada, se cada nó tem mais de duas folhas.

Elas também podem estar agrupadas todas na base (folhas em roseta) ou surgir em tufos, nos nós espaçados de um rizoma.

As folhas podem se apresentar quase verticais e com duas faces iguais, como nas monocotiledôneas, ou estenderem-se horizontalmente, como nas outras plantas vasculares.

Neste caso, a face superior, mais clara, em geral, é recoberta por uma cutícula protetora, desprovida de aberturas e caracterizada pela cor de um verde intenso.

A face inferior, que fica na sombra, tem numerosos orifícios (estômatos), sede das trocas gasosas, e fileiras celulares, lacunosas e menos ricas em clorofila, dão-lhe coloração mais pálida.

Tradução do livro Simon & Schuster´s Guide to Bonsai – As partes em vermelho são inclusões minhas. Tradução por Pedro Bessa.

Fonte: http://bonsaistudio.wordpress.com/

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