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Jatobá

Jatobá

Família

Leguminosae – Caesalpinioideae.

Nomes vulgares

Jatobá, jutaí, jutaí-açu, jutaí-bravo, jutaí-grande, jataí, jataí-açu, jataí-grande, jataí-peba, jataí-uba, jataí-uva, jataíba, jataúba, jatioba, jatiúba, jupati, copal, dentre outros.

Sinonímias

Hymenaea animifera Stokes, H. candolleana Kunth, H. courbaril var. obtusifolia Ducke, H. courbaril var. stilbocarpa (Hayne) Y. T. Lee & Lang., H. multiflora Kleinhoonte, H. resinifera Salisb., H. retusa Willd. ex Hayne, H. stilbocarpa Hayne e Inga megacarpa M. E. Jones.

Espécies relacionadas de maior interesse

Outras espécies do gênero Hymenaea são conhecidas pelos mesmos nomes vulgares, apresentam características morfológicas muito semelhantes e são utilizadas comercialmente sem distinção, mas podem ser diferenciadas de H. courbaril através das seguintes características: H. parvifolia apresenta tronco com casca áspera; folíolos com nervura central destacada e nervuras secundárias imersas na face abaxial; fruto de forma ovóide a obovóide com geralmente uma semente; ocorre em toda área da Bacia Amazônica. H. oblongifolia apresenta fruto de forma ovóide a obovóide com geralmente uma semente; ocorre em toda área da Bacia Amazônica. H. intermedia apresenta tronco com casca áspera; folíolos com nervura central e secundárias salientes e pouco reticuladas na face abaxial; fruto de forma ovóide a obovóide com raramente mais do que 1-2 sementes; ocorre na Amazônica Central e Oriental. H. reticulata apresenta folíolos com nervuras terciárias visíveis na face abaxial, formando um retículo; fruto de forma oblonga a cilíndrica com 2 a 6 sementes ou mais; ocorre na Amazônia Central e Ocidental.

Usos da espécie

A madeira apresenta alta densidade básica, cerne vermelho a castanho-avermelhado, alburno brancoacinzentado, grã regular a irregular e textura média a grossa, sendo empregada em construção civil, marcenaria, peças torneadas, instrumentos musicais e laminados.

O caule exsuda uma resina, rica em terpenos e conhecida como “jutaicica” ou “copal-da-américa”, que pode ser utilizada na fabricação de vernizes. O endocarpo do fruto é comestível, podendo ser consumido “in natura”, usado na preparação de farinhas, doces e bebidas, ou utilizado na alimentação de animais domésticos. As sementes são empregadas na fabricação de jóias e outros objetos artesanais. A casca e a seiva do tronco são usadas na fitoterapia popular.

A árvore pode ser plantada em monocultura ou sistemas agroflorestais, com potencial de uso na recuperação de áreas degradadas; devido ao seu porte e necessidade de expansão de suas raízes, é recomendada para arborização de parques e como quebra-vento em pastagens.

Descrição botânica

A árvore atinge, geralmente, 30-45m de altura com diâmetro à altura do peito de até 2m. A casca lisa (raramente áspera com fissuras e sulcos profundos), externamente de coloração cinza ou castanhoacinzentada, possui espessura de até 3cm e coloração interna marrom-avermelhada. O sistema radicular é, geralmente, grande e superf icial. As folhas são pecioladas, bifoliadas e com disposição alterna; os folíolos são subsésseis, com disposição oposta e formato oblongolanceolado e falciforme; a base é desigual; o ápice é atenuado a acuminado; a margem é inteira; a lâmina é lustrosa, glabra e coriácea; a nervura central é proeminente e as secundárias são planas na face abaxial.

As flores são actinomorfas, hermafroditas, unicarpelares e uniloculares, estando dispostas em panículas terminais; as 4 sépalas são verde-cremes; as 5 pétalas são brancas a creme-alaranjadas. O fruto é uma vagem indeiscente, lenhosa, glabra, oblonga a cilíndrica, que mede 8-15cm de comprimento; o exocarpo é espesso e vermelho-escuro; o endocarpo é farináceo, adocicado e amarelo-claro.

As sementes, em número de 2 a 6 por fruto ou mais, apresentam formato obovóide a elipsóide, medem 1,8- 2,8cm de comprimento, 1,4-2,0cm de largura, 0,8-1,4cm de espessura e pesam 2,1-6,2g; o tegumento é pétreo, liso e pardo-claro a pardo-escuro. A plântula glabra apresenta cotilédones carnosos, sésseis e com disposição oposta; eófilos simples de disposição oposta, formato ovado, base reniforme assimétrica, ápice obtuso, margem inteira e coloração verde-escura; metáfilos bifoliolados com disposição alterna; folíolos elíptico-falcados, com base oblíqua, ápice acuminado, margem inteira e coloração verde-clara.

Ecologia

Ocorre desde o sul do México até grande parte da América do Sul, incluindo o Brasil, Guiana Francesa, Suriname, Guiana, Venezuela, Colômbia, Peru e Bolívia; no Brasil, ocorre do norte até o sudeste. É encontrada em altitudes de até 900m acima do nível do mar, em solos arenosos e argilosos bem drenados de terra firme e em várzeas altas, mas raramente em campos abertos. Cresce bem em zonas úmidas com precipitação anual entre 1.500 e 3.000mm.

Floração e frutificação

Os eventos reprodutivos são iniciados aos 8-12 anos de idade e não são necessariamente anuais. Em Curuá- Una/Pará, floresce entre setembro e outubro, frutifica entre março e julho e desfolha quase que totalmente entre junho e agosto. Na Amazônia Central, floresce de agosto a novembro e frutifica de fevereiro a setembro. Uma árvore adulta produz, em média, 800 frutos, mas pode alcançar até 2.000 frutos.

Obtenção de sementes

A coleta pode ser feita no chão ou diretamente na árvore, quando os frutos apresentarem coloração marrom e iniciarem a queda espontânea. O transporte dos frutos é realizado em sacos de ráfia para evitar excesso de umidade, aquecimento e proliferação de microrganismos.

Beneficiamento

A extração consiste na quebra do fruto com martelo ou bastão de madeira. A retirada do endocarpo farináceo é feita com uma faca, seguida pela maceração das sementes, em água corrente sobre peneira. O teor de água das sementes varia de 9 a 12%. Em média, 1000 sementes pesam 4-5kg, mas podem variar de 2 a 6kg e, por conseguinte, 1kg de sementes pode conter 166 a 500 unidades.

Armazenamento das sementes

As sementes podem ser armazenadas em temperatura ambiente por, no mínimo, 2 anos. Não existem informações sobre o armazenamento de sementes com graus de umidade inferiores a 9% e sob temperatura subzero. Portanto, as sementes podem ser ortodoxas ou intermediárias.

Germinação das sementes

As sementes devem ser submetidas, antes da semeadura, a tratamento para a superação da impermeabilidade do tegumento, como: escarificação manual no lado oposto a protrusão da radícula, seguida de imersão em água, por 24 horas; imersão em água quente, até a temperatura voltar à ambiente; ou imersão em ácido sulfúrico concentrado, por 30 minutos, seguida por lavagem em água corrente, por 10 minutos.

A semeadura pode ser feita, a 1cm de profundidade e 10cm de distância, em sementeira com areia peneirada lavada ou em embalagem individual. A germinação é epígea e fanerocotiledonar, iniciando aos 20 dias e finalizando aos 40 dias, com porcentagem de 80-100%.

Propagação vegetativa

É possível obter material para micropropagação utilizando explantes de plântulas.

Produção de mudas no viveiro

As mudas devem ser repicadas para sacos de polietileno, contendo terra preparada com esterco curtido, quando os eófilos tornarem-se visíveis. Devem ser mantidas em viveiro, com sombreamento parcial, e ser transplantadas quando atingirem cerca de 30cm de altura.

Fitossanidade

A árvore apresenta resistência a pragas e doenças. As sementes podem ser atacadas por alguns coleópteros e dípteros.

Maria da Glória Gonçalves de Melo
Ângela Maria da Silva Mendes

Bibliografia

Ferreira, C.A.C. & Sampaio, P.T.B. 2000. Jatobá (Hymenaea courbaril). In: Clay, J.W. et al. Biodiversidade amazônica: exemplos e estratégias de utilização. Manaus, PDET. p.216-225.

Flores, E.M. & Benavides, C.E. 1990. Germination and morphology of the seedling of Hymeneae courbaril L. Caesalpiniaceae. Revista de Biologia Tropical, 38:91-98.

Langenheim, J.H. et al. 1973. An evolutionary and ecological perspective of Amazonian Hylaea species of Hymenaea (Leguminosae: Caesalpinioideae). Acta Amazonica, 3: 5- 38.

Loureiro, A.A. et al. 1979. Essências madeireiras da Amazônia. v.II. Manaus, INPA/SUFRAMA. 187p.

Fonte: www.rsa.ufam.edu.br

Jatobá

Jatobá

Nomes científicos

Hymenaea courbaril L., Hymenaea courbaril var. stilbocarpa L., Hymenaea stigononocarpa (Mart.) Hayne

Nomes populares

Jitaí, jutaí, jutaí-açú, jatobeiro, jatobá-mirim, jataí, jataí-peba, jataíba, burandã, farinheira

Etimologia

A palavra Hymenaea deriva de "hymen" com o significado de "deus das uniões" em alusão às duas folhas (folíolos) unidas, característica das plantas deste gênero. O nome popular "jatobá" é originário da língua guarani com o significado de "folha dura" ou "árvore de fruto duro". Já o nome "jataí" deriva da palavra guarani "jata-yva" com o significado de "fruto comestível".

Características

São árvores de tamanhos variáveis de 5 a 40 m de altura dependendo da espécie.

A mais alta é o jatobá amazônico (Hymenaea courbaril) e o menor é o jatobá do cerrado (Hymenaea stigonocarpa).

Existem ainda mais duas espécies na mata atlântica - Hymenaea altissima (Rio de Janeiro e São Paulo) e Hymenaea rubriflora (Bahia e Espírito Santo), mais uma espécie na Amazônia (Hymenaea parvifolia) e uma espécie ainda não descrita ou pouco conhecida no cerrado do Mato Grosso do Sul.

As flores em todas as espécies são brancas, exceto na espécie rara Hymenaea rubriflora que são vermelhas. Os frutos em todas as espécies são muito semelhantes, variando um pouco apenas no tamanho.

Consiste numa vagem (legume) indeiscente (que não se abre sozinha), de forma subcilíndrica, de 7-20 cm de comprimento, com uma casca (exocarpo) dura e quebradiça, de cor variando do marrom ao vermelho-acastanhado.

Contém 1-6 sementes duras envoltas por uma polpa seca, farinácea, adocicada, comestível, de sabor e cheiro muito característicos.

Utilidades

Pelo ferimento de seu tronco fornece uma resina conhecida como "jutaicica" ou "copal" empregada na indústria de vernizes.

Seu tronco também fornece madeira dura incorruptível, pesada (densidade média de 0,95 g/cm3), de cor vermelho-pardacenta, muito durável quando fora do chão, utilizada para construção pesada, esteios, vigas, assoalhos, carrocerias, , móveis, tonéis, etc.

Sua casca fornece corante amarelo.

Sua resina, folhas e sementes são utilizadas na medicina caseira.

A polpa das sementes é rica em cálcio e magnésio e além de fornecer alimento a fauna, é ótima para alimentação humana.

Seus frutos são comercializados em feiras regionais de todas as regiões onde ocorre esta planta.

A polpa é consumida "in natura" e na forma de geléia, licor e farinhas para bolos pâes e mingaus.

Existem dezenas de receitas para confecção de bolachas, pães, bolos e mingaus com a farinha de jatobá.

Fonte: www.icb.ufmg.br

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