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Pitangueira

CULTURA DA PITANGUEIRA

Pitangueira

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1. CENTROS DE DIVERSIDADE GENÉTICA

A pitangueira é originária da região que se estende desde o Brasil Central até o Norte da Argentina (Fouqué, 1981), sendo distribuída geograficamente ao longo de quase todo o território nacional. Segundo Giacometti (1993), está presente em muitos centros de diversidade e domesticação brasileiros, os quais abrangem diferentes ecossistemas tropicais, subtropicais e temperados.

Entretanto, essa espécie apresenta sua mais ampla variabilidade nos Centros de Diversidade classificados como 6. Centro-Nordeste/Caatinga, 7. Sul-Sudeste, 8. Brasil Central/Cerrado, e em todos os setores (9A, 9B e 9C) do centro 9. Mata Atlântica, que engloba as regiões costeiras da Paraíba ao Rio Grande do Sul.

Devido à sua adaptabilidade às mais distintas condições de clima e solo, a pitangueira foi disseminada e é atualmente cultivada nas mais variadas regiões do globo: Américas do Sul e Central, Caribe, Florida (é a mais popular entre as espécies de Eugenia aí introduzidas), Califórnia, Hawaii, Sudeste da Ásia, China, Índia, Sri Lanka, México, Madagascar, África do Sul, Israel e diversos paises do Mediterrâneo (Popenoe, 1920; Moreuil, 1971; Campbell, 1977; Correa, 1978; Sturrock, 1980; Fouqué 1981; Lahav & Slor, 1997).

2.BOTÂNICA E ECOLOGIA 2.1. Taxonomia e Denominações

A pitanga ou pitanga-vermelha tem seu nome derivado do tupi pintãga, que quer dizer vermelho-rubro, em alusão à cor de seu fruto, que de fato pode se apresentar nas cores vermelha, rubra, roxa, e as vezes quase preta, sendo esta conhecida popularmente como pitangueira. Pertence à Ordem Myrtales, Família Myrtaceae e à Espécie Eugenia uniflora L.

É conhecida mundialmente como cerisier de Cayenne e cerisier de Surinam, nos países de língua francesa; Brazil cherry, Surinam cherry, Cayenne cherry, Florida cherry e pitanga, nos de língua inglesa; grosella de México, cereza de Surinam e pitanga, em alguns de língua espanhola, e na Argentina é chamada nangapiri e arrayán (Fouqué, 1981; Villachica et al., 1996).

2.2. Descrição da Planta

Segundo descrições de Fauqué (1981), Sanchotene (1985) e Villachica et al. (1996), a pitangueira é um arbusto denso de 2 a 4 m de altura, mais raramente uma pequena árvore de 6 a 9 m, ramificada, com copa arredondada de 3 a 6 m de diâmetro, com folhagem persistente ou semidecídua. Apresenta um sistema radicular profundo, com uma raiz pivotante e numerosas raízes secundárias e terciárias.

As folhas são opostas, simples, com pecíolo curto de mais ou menos 2,0 mm. Limbo oval ou oval-lanceolado, de 2,5 a 7,0 cm de comprimento e 1,2 a 3,5 cm de largura, ápice acuminado-atenuado a obtuso, base arredondada ou obtusa, glabro, brilhante; coloração verde-amarronzadas e de consistência membranácea; nervura central saliente na parte inferior. O limbo quando macerado exala um odor característico.

As flores são hermafroditas, solitárias ou fasciculadas (4 a 8), na axila das brácteas sobre a base dos ramos jovens (do ano); pedicelo filiforme de 1,0 a 3,0 cm de comprimento; cálice com 4 sépalas oblongas-elípticas de 2,5 a 4,0 de comprimento, sendo duas inteiras maiores que as outras duas; corola com 4 pétalas, livres, branco-creme, caducas, ovaladas, de 6,0 a 8,0 mm de comprimento; estames numerosos; ovário com 2 lóculos (biloculares), com vários óvulos (às vezes com semente 3), glabro, 8 saliências; estilete filiforme, com 6 mm de comprimento, e estigma capitado.

O fruto é uma baga globosa, deprimida nos pólos, com 7 a 10 sulcos mais ou menos marcados no sentido longitudinal, de 1,5 a 5,0 cm de diâmetro, coroado com as sépalas persistentes. Quando inicia o processo de maturação, o epicarpo passa do verde para o amarelo, alaranjado, vermelho,vermelho-escuro, podendo chegar até quase o negro. O sabor é doce ácido, e o aroma muito intenso e característico. A espessura do endocarpo é de 3,0 a 5,0 mm e sua coloração é rósea a vermelha.

Normalmente, apresenta 1 semente grande ou, algumas vezes, 2 ou 3 pequenas, globosas, achatadas sobre seus sulcos comuns. No sentido longitudinal apresenta cerca de 7,0 a 10,0 mm e na região mediana, de 9,0 a 14,0 mm. O tegumento é bastante aderente à amêndoa, a qual tem coloração verde-clara.

2.3. Fenologia

As variações climáticas das diferentes regiões de cultivo determinam as épocas de florescimento e frutificação. Nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, essas fases podem ocorrer duas ou mais vezes durante o ano; a floração normalmente ocorre de agosto a dezembro, podendo acontecer também de fevereiro a julho, e a frutificação, de agosto a fevereiro, podendo ainda ocorrer entre abril e julho (Mattos,1993; Sanchotene, 1989; Demattê, 1997).

Em Pernambuco, segundo Lederman et al. (1992) e Bezerra et al. (1995, 1997b), ocorre frutificação durante duas épocas do ano: a primeira se dá nos meses de março a maio, com pico em abril; e a segunda se inicia em agosto e vai até dezembro, com pico no mês de outubro, se não ocorrer déficit hídrico.

2.4. Ecologia

A pitangueira vegeta e produz muito bem em climas tropicais e subtropicais, sendo ideais aqueles quentes e úmidos, onde se torna mais produtiva, embora adapte-se também ao clima temperado e a diferentes altitudes.

É resistente aos ventos fortes e tolera diferentes níveis de geada e temperaturas abaixo de 0ºC, sem sofrer danos. Apresenta certa tolerância à seca, desenvolvendo-se bem em condições semi-áridas, desde que se proporcione uma mínima quantidade de água. Não é tolerante à salinidade.

Em relação aos solos, cresce adequadamente tanto nos tipos arenosos (como os de restinga e praia), quanto nos areno-argilosos, argilo-arenosos, argilosos e até mesmo em solos pedregosos (Popenoe, 1920; Sanchotene, 1989; Villachica et al., 1996; Demattê, 1997).

O seu potencial de utilização é ressaltado quando se considera que o seu fruto de sabor exótico é rico em vitaminas, principalmente em vitamina A (635 mg /100g polpa). Além disso, a promoção de campanhas de educação nutricional pode aumentar o consumo da pitanga como alimento rico e saudável.

Por outro lado existem grandes perspectivas de crescimento no mercado das misturas entre sucos de espécies de frutas diferentes (mixed juices ), principalmente com os de sabor exótico. Também pode ser utilizada como aditivo em bebidas lácteas e, ainda, nas formas de produtos como refresco em pó e néctar.

4. COMPOSIÇÃO E VALOR NUTRICIONAL

Na composição média da polpa da pitanga (tabela 1 ), pode-se observar que o fruto possui altos teores de vitaminas A. No entanto, deve-se salientar que a variabilidade genética pode determinar algumas diferenças nesses valores.

Tem-se, geralmente, que cerca de 66% do fruto é formado por polpa, e aproximadamente 34%, por semente (Villachica et al., 1966). Esses valores também podem ser modificados, conforme a seleção/clone e a região de cultivo, como pode ser observadas no fruto de pitangas provenientes de diferentes regiões são apresentados.

Tabela 1. Valor nutricional de 100 g de polpa de frutos de pitanga.

Componentes

Unidade

Valor

Valor energético

Cal

51,0

Umidade

g

85,8

Proteína

g

0,8

Gordura

g

0,4

Carboidratos

g

12,5

Fibras

g

0,6

Cinzas

g

0,5

Vitamina A

mg

635,0

Tiamina

mg

0,3

Riboflavina

mg

0,6

Niacina

mg

0,3

Ácido ascórbico

mg

14,0

Cálcio

mg

9,0

Fósforo

mg

11,0

Ferro

mg

0,2

Villachica et al. (1996).

Tabela 2. Características físico-químicas do fruto da pitangueira.

Características

Itambé, PE

Jaboticabal, SP

Selvíria, MS

Peso do fruto (g)

3,0

4,8

4,0

% Polpa

88,4

74,6

-

%Semente

11,6

25,4

-

SST (ºBrix)

8,6

11,6

8,3

Acidez (%)

1,80

1,75

1,87

Ratio

4,80

6,62

-

Vitamina C (mg/100g)

-

22,87

-

Nascimento et al. (1995); Bezerra et al. (1997b); Donadio (1997).

5. DISPONIBILIDADE DE RECURSOS GENÉTICOS

Existe uma ampla diversidade genética manifestada na cor do fruto maduro, indo desde o vermelho-claro até o quase negro. Mattos (1993) registrou a existência de uma variedade botânica denominada pitanga-preta ( E. uniflora var. rubra Mattos), cujos frutos são de coloração atropurpúrea, ocorrendo nas mesmas regiões que a típica.

Outros caracteres bastante variáveis são o tamanho do fruto (entre 1,5 e 5,0 cm de diâmetro), presença e ausência de sulcos, acidez, teor de sólidos solúveis totais e número de sementes 1 a 6, como foi detectado em uma planta no interior do Rio Grande do Sul, por Mattos (1993).

Além desses, há diferenças na tolerância às geadas e à seca resultados recentes (Nogueira et al., 1999) mostraram que alguns genótipos selecionados pela Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária IPA são mais tolerantes ao estresse hídrico que outros.

O Brasil detém o maior germoplasma ex situ, entre os bancos existentes no mundo ( tabela 4 ), embora nem tosos esses venham sendo caracterizados ou avaliados. Além disso, o país possui enorme variabilidade in situ ainda não coletada nos vários centros de diversidade e domesticação.

A maior parte das coleções no exterior possui reduzido número de acessos, e varias entradas existentes nessas coleções são provenientes do Brasil, como é o caso de todos germoplasma do CIRAD, em Guadeloupe (Bettencourt et al., 1992).

O IPA possui a maior coleção com 120 acessos, no entanto outras instituições, como a Embrapa Clima Temperado e a Unesp-FCAV também têm enviado esforços para preservar e caracterizar o germoplasma de pitanga, nesses casos regiões Sul e Sudeste.

Tabela 4. Número de acesso de E. uniforme em coleções de germoplasma.

Introdução Local

Número de Acesso

IPA- Estação Experimental de Itambé

Itambé, PE, Brasil

120

INPA

Manaus, AM, Brasil

2

Universidade Federal de Viçosa

Viçosa, MG, Brasil

6

EBDA- Estação Experimental de Fruticultura

Conceição do Almeida,

Unesp - FCAV

Jaboticabal, SP, Brasil

23

Embrapa - CPACT

Pelotas, RS, Brasil

42

UFBA - Escola de Agronomia

Cruz das Almas, BA, Brasil

12

IAC

Campinas, SP, Brasil

?

Department of Agriculture - Tropical Fruit Research Station

New South Wales, Austrália

1

Institute de Recherches Agricoles

Niombe, Camarões

1

CATIE

Turrialba, Costa Rica

3

Dirección de Investigaciones de Citros y Otros Frutales

Havana, Cuba

2

CRIAD - Station de Neufchateau- Sainte Marie

Guadeloupe, Antilhas Francesas

3

Corp Research Institute- Plant Genetic Unit

Ghana

1

National Genebank of Kenya

Kikuyu, Quênia

1

TARI - Chia- Yi Agricultural Experiment Station

Chia – Yi, Taiwan.

1

Tropical Pesticides Research Institute

Arusha, Tanzânia

1

USDA- ARS- National Clonal Germoplasma Repository

Hilo, Hawaii, Estados Unidos

2

USDA- ARS- Subtropical Reserchs Station

Miami, Florida, Estados Unidos

-

INIA

Iquitos, Peru

5

Fontes: Luna (1988); Bettencourt et al. (1992);Bezerra et al. (1993) modificado; Veiga (1993); Villachica et al. (1996); Maria do Carmo B. Roseira (comunicação pessoal)2; Ana Cristina V. L.Dantas ( comunicação pessoal)2

A coleção de germoplasma do IPA foi instalada em 1988, mediante um trabalho de prospecção realizado na Zona da Mata, Agreste e Sertão de Pernambuco, na Paraíba, Rio Grande do Norte, e de introduções feitas da Bahia e São Paulo ( Bezerra et al. , 1990). Todos os acessos foram propagados via semente e apresentam grande variabilidade. A partir de avaliações realizadas durante dez anos, foram selecionadas as dez matrizes mais promissoras.

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