Facebook do Portal São Francisco Google+
+ circle
Home  Cultura Africana  Voltar

Cultura Africana

 

Ao tentar falar da cultura e dos rituais africanos, começamos a falar do seu mais divergente elemento: os tambores, e falar deles é uma tarefa difícil.

Os tambores não são apenas tal como os vemos, têm em si conotações naturais e sobre naturais. Estão ligados aos rituais que se relacionam às danças, à música e à literatura.

Os escravos nas américas impuseram seus ritmos e instrumentos, só que alguns destes escravos já eram islâmicos. Fato que confunde os estudiosos ao se aprofundarem na cultura musical africana.

Apesar de tantos serem os ritmos musicais que caracterizam a África Negra e mesmo sendo expressiva sua cultura musical nas mais diversas nações das américas e nas ex-metrópoles, escassa é a bibliografia para abordar este elemento antropológico.

A civilização negra-africana procede de uma visão unitária do mundo. Nenhum domínio é autônomo. O mesmo espírito anima e liga a filosofia, a religião, a sociedade e a arte negra-africana.

As artes na África Negra estão interligadas: o poema à música, a música à dança.

Dois mil anos de samba texto de Abdu Ferraz

Entendida a África como uma parte histórica do globo terrestre se pode falar em mais de 2 mil anos do Samba A expressão SAMBA é uma forma verbal de alguns dialetos africanos; para os Bacongos (povos do norte de Angola) é o imperativo do verbo Cusamba e para os Kimbundos (povos da região centro-oeste de Angola) é o infinito do mesmo verbo.

Constata-se que os verbos em dialetos africanos não têm a terminação em r; na sua maioria terminam com a vogal a ou com o hiato ia. O verbo SAMBAR é uma das tentativas de aportuguesar os dialetos africanos. O fato tem ocorrido de forma espontânea e natural entre as partes em contato.

Neste caso podemos realçar uma destas palavras dos dialetos africanos aportuguesadas no Brasil: " BUNDA", o que significa para os Bacongos "embrulhozinho", "pouquinho", "presente" ... e para os Kimbundos significa "nádegas". O ECAMBA seria o nome da dança conhecida como SAMBA; neste caso teremos que ultrapassar as barreiras culturais e do tempo, procurar entender a religiosidade dos povos africanos antes e depois do século XV, período em que os Europeus se vêem livres do cerco árabe dando origem ao mercantilismo.

Antes de mais nada, deveria conceituar o EKAMBA como um dos movimentos físicos mais praticados nos rituais africanos. Em alguns casos é para revelar a agonia ou a felicidade. Caracteriza-se por um movimento conhecido entre os Bacongos de "mityengo" - um dos movimentos físicos que os Bantos (povos da África Negra) fazem em atos conjugais, que se resumem no rebolar dos quadris, característico das danças dos países da África Central. São feitos com tanta perfeição e ardência que tornam-se realmente excitantes.

Os Bantos, quando o assunto é falar com Deus "Rezar" - "Sambar", faziam uma roda em baixo de um njiango (uma sombra artificial), onde seus tambores soavam o ritmo kitolo (lamentação). Daí suas mulheres faziam o EKAMBA (sacudiam os quadris e o corpo todo como se tirassem a poeira do corpo e os piolhos das cabeças). Na oração, para os Bantos, não é concebível estar sentado ou de joelhos, mas sim dançando, se é que tais movimentos possam ser tidos como dança.

Se é, não seria qualquer dança, mas simplesmente a EKAMBA.

Até porque entendê-la como dança é deturpar os fatos (heresia) e não se pode negar que os movimentos rituais não sejam sensuais, porém não constituem argumento suficiente para tê-los como dança. Este conceito de oração "dançada" não foi apagado pelos colonizadores, tanto que hoje a própria igreja católica teve que admitir em suas cele-brações alguns dos ritmos e rituais das celebrações africanas (antes de Cristo), que se encaixam na primeira e terceira parte da celebração dominical Católica Apostólica Romana (celebração da palavra e ação de graças). Provavelmente, o episódio do EKAMBA à SAMBA tenha ocorrido há 400 anos.

Hoje, com mais facilidade, se pode montar o cenário do colapso, se bem que não se tem referência exata do tempo e espaço.

Possivelmente, algum senhor tenha visto seus escravos a rezarem e a pergunta não teria sido outra senão: "o que estão fazendo?" E como estes não podiam se envergonhar do ato (falar com Deus - Nzambi, Ngana Nzambi, Nzambi Npungu, Kalunga, Suco, Suco Ngialy, Tata, Otata...)1, certamente tenham afirmado que estavam a rezar, portanto a sambar.

Para o senhor (colonizador), sem sombras de dúvidas a expressão Samba tenha significado dançar, visto que estes faziam o EKAMBA. Para qualquer ocidental da época tais gestos não passavam de uma manifestação animalesca (já que não lhes reconheciam como possuidores de alguma cultura). Hoje é identidade brasileira.

E ainda hoje, uma das províncias de Angola, UÍGE, habitado pelos Bacongos, conserva uma tradição milenar: guando se perde um ente querido, seus parentes2 e amigos se reúnem em volta do cadáver, fazendo soar o ritmo kitolo (aí a lama pouco tempo depois vira poeira).

Os presentes começam a SAMBAR para que Deus tenha em seus cuidados o ente querido. Normalmente estes começam a "dançar" ao por-do-sol, e terminam ao amanhecer, momento em que sepultam o cadáver. Os movimentos e até mesmo os ritmos assemelham-se ao Samba brasileiro tendo como principal diferença nesta altura a expressão dos rostos de quem as dança, enquanto o Bacongo cobre-se de panos e chora, a brasileira descobre-se (quase nua) e o faz por razões alegres.

1 O sinônimo de Deus em três idiomas africanos.
2
O parentesco africano vai até aos bisnetos dos/as irmãos/ãs do tetra avo.

Estilos Musicais de Regiões Africanas texto de Abdu Ferraz

KILAPANGA, seu compasso rítmico assemelha-se aos estilos caribenhos (o que mais se assemelha a tais estilos é a Kizomba/ Zuk). O estilo é basicamente sustentado pelos tambores (Ngoma, Nsacaia e o Tshololo(shololo) "grito de festa") e pelas quitaras devidamente rítmicas. Seus representantes a nível internacional, sem esquecer de outros, são o compositor e vocalista lutchana Cofi`Olamid e Pepe Kalle.

WALA, estilo musical satírico, diversão e lazer; este ritmo está presente no Rap Norte Americano. Na África do Sul o estilo foi internizado pela vocalista "Gn. Mbada" e sobretudo pela compositora e vocalista "Ivone Xaca_xaca", nos manifestos contra o apartheid. Este estilo é um dos ritmos africanos que nas duas últimas décadas se transferiu para os países de expressão inglesa (assemelha-se ao reggae). Na década de 60 o estilo incorporou os corais negros e protestantes nos EUA; na década de 70 o estilo é inovado e surge como instrumento de resistência à segregação racial; nos anos 80 Ivone Xaca_xaca estiava definitivamente a bandeira do estilo Wala nos países de expressão inglesa. Na mesma época, filmes surgiram retratando a crueldade do apartheid e eram recheados com coreografias da tribo zwlw (África do Sul).

KITOLO, é o ritmo tocado para demonstrar a tristeza, a realização de alguma prece, lamentação, sátiras etc. É muito tocado nos velórios ao norte de Angola.

Estilo característico dos bacongo (povo do antigo reino do Congo).

SEMBA, sua semelhança ao Samba não é relativamente ortográfiaca; existe nela um compasso que freqüentemente caracteriza o bom samba (a presença do cuíca os assemelha). É um dos estilos musicas que carateriza o povo Kimbundo; atualmente não se pode falar do Semba sem que se fale do "cota Bonga"(mano Bonga), músico angolano exilado em Portugal, onde seu ritmo inebria as almas lusitanas, aos brasileiros faz lembrar o Samba e aos cubanos a Rumba.

KIZOMBA (conhecido como Zuk nas Antilhas) , para não dizer igual, vamos dizer que ele assemelha-se ao estilo caribenho. O estilo se identifica muito com as ilhas africanas e das américas; na África, as ilhas de Cabo verde e São Tome e Príncipe tem garantido a produção deste estilo no mercado. Luanda, capital de Angola é também a capital da kizomba enquanto dança; mas por falta de uma política cultural de seu governo esta manifestação antropológica está se "imigrando" à Lisboa, ao Rio de Janeiro e à Bahia, onde jovens angolanos encontram espaço, aceitação e uma infra estrutura bem melhor a que Luanda oferece.

Das Antilhas surgiu na década de 80 o fenômeno Kassav " Mandioca" banda que conquistou a África Austral; tendo como vocalista o antilhano Jacob d` Voaier cuja voz foi severamente criticada na Europa, esquecendo-se que em suas cordas vocais estava a África e não a Grécia ou Roma. Sua voz foi um relâmpago que num instante ao outro se ouvia, do norte ao sul e do oeste a leste da África Negra, reativando o que a eles pertenceu..

Os Afro-latinos texto de Abdu Ferraz

Dando-se a tarefa de estudar hábitos e costumes das Nações que no passado receberam grande quantidade de africanos, percebe-se que prevaleceram os hábitos e costumes africanos. Entende-se que os colonizadores apenas foram capazes de colonizar o físico do homem africano e nunca a mente.

É simples entender o fato, até porque o fato em si se explica: enquanto os invasores esvaziavam o Continente Africano de seus melhores filhos, fazendo-os escravos nas Américas, não se davam conta de que o produto escravo possuía hábitos e costumes.Portanto, cultura própria.

Por esta cultura não ser semelhante à cultura Ocidental, foi por muito tempo entendida como sendo uma manifestação animalesca. Para Hegel e Coupland, a África não possui história pelo fato de não enxergarem elementos da cultura greco-romana -"Elenismo" nas manifestações dos povos em contato.

Claro que Hegel tem comparado duas realidades diferentes buscando nelas a semelhança e não a identidade, visto que a diferença é o princípio lógico da identidade. Não achando nelas a semelhança, a conclusão de Hegel foi certa logi-camente falando, porém, falsa (uma das premissas não era verdadeira mesmo sendo certa a estruturação lógica do pensamento, filosoficamente falando).

Se Hegel priorizasse a diferença, certamente teria o elemento identidade e isso o obrigaria a afirmar que os povos em contato possuíam cultura própria, e possuir cultura própria implicaria em afirmar que possuíam história, e possuir história naquele tempo significaria dizer que seus povos possuíam almas; portanto não deveriam ser escravizados (chocaria contra a santa e mais pura justiça da época/ clero).

Este fato teve especial cuidado da Igreja e dos invasores, tanto que desenvolveram a ideologia hoje tida como Barragem dos Mitos da História da África, impossibilitando a qualquer curioso chegar à conclusão de que tais povos eram tão humanos quanto seus colonizadores. O mesmo tem ocorrido com os nativos das Américas. Pobres índios.

Fonte: www.portalafro.com.br

Cultura Africana

Pessoas e Cultura

Devido ao seu passado colonial, a África do Sul tem um grande número de africânder (descendentes de colonos holandeses) e ingleses falantes (os britânicos começaram a colonizar a região em 1800).

Huguenotes franceses, alemães e Português chegaram a partir de 1600 e trouxeram muitos escravos da Índia e da Indonésia moderna. Islã e hindus tradições e cultura também são, portanto, proeminente.

Arte, dança, música

Cultura Africana é mais conhecida por sua arte, dança e música - estes têm sido profundamente influenciado por mais de dois séculos de colonialismo e do trabalho de missionários cristãos.

Hoje, as músicas refletem um número de diferentes estilos, como gospel, jazz e rock, mas muitas vezes têm um forte sabor local. Estilos como kwaito (house music), mbube (Zulu vocal) e kwela (música de rua, muitas vezes jazzy com um apito centavo) incorporar sons indígenas.

A arte também está se tornando uma fusão entre o tradicional eo moderno. Artistas inspirar-se nas máscaras, estátuas e estatuetas da cultura tribal, mas também empregar técnicas ocidentais e médiuns.

As formas de arte, como dança e têxteis, talvez, manter as ligações mais fortes da cultura negra tradicional, porque expressam identidade e história compartilhada.

Dança Gumboot nasceu nas minas da África do Sul, onde os negros africanos foram dadas Wellingtons para proteger os pés e comunicada no escuro por batendo e batendo as botas.

As culturas tribais

Entre nativos sul-africanos negros, existem muitos grupos étnicos diferentes e nove línguas locais oficialmente reconhecidos.

Os alto-falantes Zulu e Xhosa são os dois maiores grupos - representando quase 40% da população - com Pedi, Sotho, Tswana, Tsonga, Swati / Swazi, Venda e alto-falantes Ndebele que compõem o resto.

As diversas culturas tribais têm ricas tradições orais. Histórias, poemas e épicos foram aprendidas de cor e recitou em voz alta. Aos poucos, essas histórias estão trabalhando o seu caminho para a literatura escrita.

Cultura e Religião na África Ocidental

A África Ocidental é um dos lugares mais interessantes do planeta. Uma das razões para isso é a enorme diversidade de culturas que existem. Existem várias razões para esta diversidade, mas em grande parte, que se resume a história dos países.

É difícil descrever a cultura ea religião da África Ocidental porque tem havido tantas influências sobre ele. Ao longo dos anos muitas pessoas têm chamado a área e eles tiveram uma enorme influência tanto da cultura e da religião. Em grande parte, é por isso que a área sofreu com tantas guerras e outros conflitos, todos os diferentes grupos que se mudaram para a área.

O grupo mais comum que você vai encontrar na África Ocidental são os negros africanos, eles vêm, principalmente, da região Sub-Sahariana. Eles compõem a maior parte da população, e eles são os únicos que estiveram lá por mais tempo. No entanto, existem muitas tribos diferentes que compõem este grupo e, como resultado, há muitas culturas e religiões diferentes. Embora tenha havido alguma mistura para a maior parte das tribos, todos têm diferentes religiões e culturas, que tornou-se difícil para eles viverem juntos. Além disso, muitas das pessoas deste grupo têm sido afetados por influências coloniais.

Ao longo dos anos os europeus trouxeram a sua própria cultura e religião para a área como a África colonizada. Novamente, há grandes diferenças na maneira que isso foi feito, embora, pelo menos neste caso, as religiões eram bastante semelhantes. Um dos objetivos da colonização era introduzir o cristianismo para os africanos. Em grande parte da África Ocidental foi colonizada pelos franceses, que tentou introduzir o catolicismo, bem como sua própria cultura. Outros países da região onde colonizada pelos britânicos ou Português, estes têm culturas completamente diferentes. As diferenças não são apenas o resultado das diferentes culturas dos países europeus, mas também por causa das diferentes formas em que eles colonizaram-los. Os britânicos eram muito mais forte do que os franceses eram, por exemplo.

As nações da África Ocidental também tiveram uma grande influência dos muçulmanos vindo do Norte de África. Nos primeiros anos, este era apenas um acordo comercial, mas com o tempo eles se estabeleceram na região também. Isso trouxe e religião e cultura adicional que tem afetado esses países. Em geral, o mais ao norte que você vá na África Ocidental quanto maior a presença muçulmana será, em alguns casos, eles representam quase metade da população. Há algumas exceções, porém, como os franceses estavam mais aceitando os muçulmanos em suas colônias do que os outros países europeus para que as ex-colônias francesas tendem a ter uma influência muçulmana maior.

Fonte: www.our-africa.org/www.atlas-westafrica.org

Cultura Africana

A PRESENÇA AFRICANA NO NOSSO PAÍS E NO NOSSO FALAR COMO UM TESOURO ESCONDIDO

Resumo

A cultura de um país é formada pela cultura de cada um dos seus habitantes. É desse ponto de vista que partimos para responder a pergunta do subtítulo deste trabalho. O que nós herdamos dos Africanos?

Sabemos que é impossível mensurar a quantidade exata dessa influência, portanto tentaremos discorrer brevemente sobre três principais áreas de atuação: a linguagem (foco central da temática), a culinária e o folclore, itens significativos da cultura de qualquer país.

INTRODUÇÃO

Sabemos que existe uma história da África que antecede o tráfico de escravos para o nosso país. Sabemos também que nosso país tem uma cultura anterior a esse mesmo fato aí citado. E sabemos também que após a ocorrência da vinda desses escravos iniciou-se a construção do que hoje chamamos de identidade cultural afro-brasileira. Contudo eu vou além, ouso dizer que o que veio após a chegada dos primeiros negros aqui não foi o nascimento apenas da cultura afro-brasileira, mas sim o princípio da cultura brasileira.

Para melhor ilustramos essa afirmação basta observamos nosso cotidiano. Se analisarmos reflexivamente a nossa atualidade, veremos que a influência da história cultural africana está presente em todos os aspectos da sociedade dita moderna. Não há mais possibilidade de desvincular a cultura brasileira da africana, da indígena ou da européia.

Para ficar mais fácil de entendermos precisamos antes definir o que é cultura. Para Sérgio Grigoletto (2008) “Cultura é um conjunto de valores nos indivíduos de uma determinada sociedade, transmissíveis de forma não biológica”. Sei que o que se pede aqui é a influência da História Africana como um todo, contudo para tornar o entendimento mais significativo, vou me ater a uma análise da cultura africana como produto da sua história.

Assim baseado nisso podemos dizer que cultura africana é: os valores inerentes à sociedade Africana. Mas aí a gente esbarra em um problema conceitual.

Sabemos que a palavra África é muito pequena pra designar a complexidade cultural nela inserida, quer dizer quando se fala em África geralmente colocamos dúzias de estados independentes, dezenas de etnias diferentes e centenas de “culturas” distintas na mesma panela conceitual. Da mesma maneira ao tentarmos definir o que é cultura brasileira chegamos ao mesmo beco sem saída. Sendo o Brasil um país colonizado e “fabricado” por diferentes pessoas, portadoras de distintas culturas, como então se referir a “uma” cultura brasileira? Por isso volto ao que disse no início, não dá pra desvincular o Brasil de hoje do seu passado “promíscuo” culturalmente falando.

Para tentar resolver esse impasse citado no parágrafo anterior, vamos desambiguar. Nesse artigo quando me referir à cultura africana, eu estarei fazendo menção de um conjunto de costumes, práticas e valores pertencentes aos migrantes forçadamente transladados para a América portuguesa ainda nos idos de 1500. Da mesma forma, quando escrever cultura brasileira, eu estarei falando dos elementos culturais presentes nos atuais “filhos da pátria”. Assim retomando o raciocínio vamos concluindo por ora dizendo então que o presente artigo irá se limitar a três principais pontos de contato entre nossa cultura e a história da África: a linguagem, a culinária e o folclore. Isso porque seria praticamente impossível descrevermos todos os elementos culturais de uma cultura mesclados em outra.

LÍNGUA PORTUGUESA DO BRASIL: UM SOPRO AFRICANO EM NOSSO IDIOMA

Segundo Ximenes (2001) a linguagem de uma nação é um organismo vivo, mutável, sujeito a modificações, aberto a interpolações e enxertos de origens diversas.

Quer dizer, a língua portuguesa que nós hoje falamos é muito diferente daquela que era falada no início do século passado. Não falo apenas de regras gramaticais, mas também das palavras em si mesmas, já que palavras novas surgem a cada dia, outras deixam de ser utilizadas e outras ainda acabam sendo substituídas.

Assim falando fica fácil perceber que a linguagem é uma das áreas mais fáceis de serem influenciadas por alguma cultura estrangeira. Vamos então montar um glossário com alguns exemplos de palavras correntemente utilizadas que tem sua origem nas diversas línguas faladas pelos diferentes povos africanos.

A

abará: bolinho de feijão.
acará: peixe de esqueleto ósseo.
acarajé: bolinho de feijão frito (feijão fradinho).
agogô: instrumento musical constituído por uma dupla campânula de ferro, produzindo dois sons.
angu: massa de farinha de trigo ou de mandioca ou arroz.

B

bangüê: padiola de cipós trançados na qual se leva o bagaço da cana.
bangulê: dança de negros ao som da puíta, palma e sapateados.
banzar: meditar, matutar.
banzo: nostalgia mortal dos negros da África.
banto: nome do grupo de idiomas africanos em que a flexão se faz por prefixos.
batuque: dança com sapateados e palmas.
banguela: desdentado.
berimbau: instrumento de percussão com o qual se acompanha a capoeira.
búzio: concha.

C

cachaça: aguardente.
cachimbo: aparelho para fumar.
cacimba: cova que recolhe água de terrenos pantanosos.
Caculé: cidade da Bahia.
cafife: diz-se de pessoa que dá azar.
cafuca: centro; esconderijo.
cafua: cova.
cafuche: irmão do Zumbi.
cafuchi: serra.
cafundó: lugar afastado, de acesso difícil.
cafuné: carinho.
cafungá: pastor de gado.
calombo: quisto, doença.
calumbá: planta.
calundu: mau humor.
camundongo: rato.
candomblé: religião dos negros iorubás.
candonga: intriga, mexerico.
canjerê: feitiço, mandinga.
canjica: papa de milho verde ralado.
carimbo: instrumento de borracha.
catimbau: prática de feitiçaria .
catunda: sertão.
Cassangue: grupo de negros da África.
caxambu: grande tambor usado na dança harmônica.
caxumba: doença da glândula falias.
chuchu: fruto comestível.
cubata: choça de pretos; senzala.
cumba: forte, valente.

D

dendê: fruto do dendezeiro.
dengo: manha, birra.
diamba: maconha.

E

efó: espécie de guisado de camarões e ervas, temperado com azeite de dendê e pimenta.
Exu: deus africano de potências contrárias ao homem.

F

fubá: farinha de milho.

G

guandu: o mesmo que andu (fruto do anduzeiro), ou arbusto de flores amarelas, tipo de feijão comestível.

I

inhame: planta medicinal e alimentícia com raiz parecida com o cará.
Iemanjá: deusa africana, a mãe d’ água dos iorubanos.
iorubano: habitante ou natural de Ioruba (África).

J

jeribata: alcóol; aguardente.
jeguedê: dança negra.
jiló: fruto verde de gosto amargo.
jongo: o mesmo que samba.

L

libambo: bêbado (pessoas que se alteram por causa da bebida).
lundu: primitivamente dança africana.

M

macumba: forma pejorativa de se referir à religião afro-brasileira.
mácula: nódoa, mancha.
malungo: título que os escravos africanos davam aos que tinham vindo no mesmo navio; irmão de criação.
maracatu: cortejo carnavalesco que segue uma mulher que num bastão leva uma bonequinha enfeitada, a calunga.
marimba: peixe do mar.
marimbondo: o mesmo que vespa.
maxixe: fruto verde.
miçanga: conchas de vidro, variadas e miúdas.
milonga: certa música ao som de violão.
mandinga: feitiçaria, bruxaria.
molambo: pedaço de pano molhado.
mocambo: habitação muito pobre.
moleque: negrinho, menino de pouca idade.
muamba: contrabando.
mucama: escrava negra especial.
mulunga: árvore.
munguzá: iguaria feita de grãos de milho cozido, em caldo açucarado, às vezes com leite de coco ou de gado. O mesmo que canjica.
murundu1: montanha ou monte; montículo; o mesmo que montão.
mutamba: árvore.
muxiba: carne magra.
muxinga: açoite; bordoada.
muxongo: beijo; carícia.
massagana: confluência, junção de rios em Angola.

O

Ogum ou Ogundelê: Deus das lutas e das guerras.
Orixá: divindade secundário do culto jejênago, medianeira que transmite súplicas dos devotos suprema divindade desse culto, ídolo africano.

P

puita: corpo pesado usado nas embarcações de pesca em vez fateixa.

Q

quenga: vasilha feita da metade do coco.
quiabo: fruto de forma piramidal, verde e peludo.
quibebe: papa de abóbora ou de banana.
quilombo: valhacouto de escravos fugidos.
quibungo: invocado nas cantigas de ninar, o mesmo que cuca, festa dançante dos negros.
queimana: iguaria nordestina feita de gergelim .
quimbebé: bebida de milho fermentado.
quimbembe: casa rústica, rancho de palha.
quimgombô: quiabo.
quitute: comida fina, iguaria delicada.
quizília: antipatia ou aborrecimento.

S

samba: dança cantada de origem africana de compasso binário (da língua de Luanda, semba = umbigada).
senzala: alojamento dos escravos.
soba: chefe de trigo africana.

T

tanga: pano que cobre desde o ventre até as coxas.
tutu: iguaria de carne de porco salgada, toicinho, feijão e farinha de mandioca.

U

urucungo: instrumento musical.

V

vatapá: comida.

X

xendengue: magro, franzino.

Z

zambi ou zambeta: cambaio, torto das pernas.
zumbi: fantasmas.

Assim como pudemos notar há um leque enorme de palavras que tem sua origem ligada ao continente africano. Algumas já caíram em desuso, mas a grande maioria ainda está entre nós. E essa é uma pesquisa recente, só Deus sabe mensurar exatamente a importância da África para a nossa língua.

A CULINÁRIA BRASILEIRA QUE TEM SABOR DE ÁFRICA

A culinária do Brasil tem uma nítida influência africana. É a essa conclusão que chegará quem se propuser a estudar, mesmo que superficialmente o tema. Segundo a Larousse (1995).

O negro introduziu na cozinha o leite de coco-da-baía, o azeite de dendê, confirmou a excelência da pimenta malagueta sobre a do reino, deu ao Brasil o feijão preto, o quiabo, ensinou a fazer vatapá, caruru, mungunzá, acarajé, angu e pamonha. A cozinha negra, pequena, mas forte, fez valer os seus temperos, os verdes, a sua maneira de cozinhar. Modificou os pratos portugueses, substituindo ingredientes; fez a mesma coisa com os pratos da terra; e finalmente criou a cozinha brasileira, descobrindo o chuchu com camarão, ensinando a fazer pratos com camarão seco e a usar as panelas de barro e a colher de pau. Além disso, o africano contribuiu com a difusão do inhame, da cana de açúcar e do dendezeiro, do qual se faz o azeite-de-dendê. O leite de coco, de origem polinésia, foi trazido pelos negros, assim como a pimenta malagueta e a galinha de Angola.

Ainda usando a mesma enciclopédia podemos montar um pequeno quadro com alguns pratos ainda hoje largamente presentes nas cozinhas brasileiras, principalmente no nordeste, e que são originários da África (para não ficar demasiado extenso, e por não ter a pretensão de esgotar o assunto, a título de exemplo serão citados apenas os iniciados com a letra A):

Ado

Doce de origem afro-brasileira feito de milho torrado e moído, misturado com azeite-de-dendê e mel. (No candomblé, é comida-de-santo, oferecida a Oxum).

Aberém

Bolinho de origem afro-brasileira, feito de milho ou de arroz moído na pedra, macerado em água, salgado e cozido em folhas de bananeira secas. (No candomblé, é comida-de-santo, oferecida a Omulu e Oxumaré).

Abrazô

Bolinho da culinária afro-brasileira, feito de farinha de milho ou de mandioca, apimentado, frito em azeite-de-dendê.

Acaçá

Bolinho da culinária afro-brasileira, feito de milho macerado em água fria e depois moído, cozido e envolvido, ainda morno, em folhas verdes de bananeira. (Acompanha o vatapá ou caruru. Preparado com leite de coco e açúcar, é chamada acaçá de leite.) [No candomblé, é comida-de-santo, oferecida a Oxalá, Nanã, Ibeji, Iêmanja e Exu.]

Abará

Bolinho de origem afro-brasileira feito com massa de feijão-fradinho temperada com pimenta, sal, cebola e azeite-de-dendê, algumas vezes com camarão seco, inteiro ou moído e misturado à massa, que é embrulhada em folha de bananeira e cozida em água. (No candomblé, é comida-de-santo, oferecida a Iansã, Obá e Ibeji).

Aluá

Bebida refrigerante feita de milho, de arroz ou de casca de abacaxi fermentados com açúcar ou rapadura, usada tradicionalmente como oferenda aos orixás nas festas populares de origem africana.

Esses são então, alguns pratos tipicamente africanos que hoje encontram-se visceralmente inseridos na mesa dos brasileiros. Além deles existem inúmeros que, conforme supracitado, por uma questão de espaço não serão aqui relatados. Há que se fazer menção, contudo à feijoada, orgulho nacional, que segundo alguns historiadores, também tem a sua origem ligada à história dos primeiros africanos nas senzalas do período colonial brasileiro. Do que dá pra tirar a conclusão de que no campo da culinária, muito daquilo que hoje a gente considera como tipicamente nacional não passa de “apropriação” da cozinha africana.

A HISTÓRIA DA ÁFRICA MARCA NOSSO FOLCLORE

A frase que abre esse tópico resume o resultado da pesquisa que realizei pra elaborar esse artigo. Uma definição para a palavra folclore se faz necessária nesse ponto não é? Relembro então uma definição que me foi passada na escola primária: Folclore é uma palavra de origem estrangeira que significa SABER DO POVO, onde Folk=Povo e Lore=Saber. Simples assim. Agora, passemos à analise do que faz parte do saber do nosso povo.

Destaco em primeiro lugar as lendas que nos foram legadas por nossos antepassados. Vamos citar de relance apenas duas. A primeira que me vem à mente é a do negrinho do pastoreio. Extremamente conhecida e que à primeira vista é um misto de cristianismo com moralismo anti-escravista. Para quem não conhece, a lenda conta a história de um negrinho, escravo, de obvia origem africana, que é incumbido de buscar uma tropilha de potros perdida. Na ausência de exito de sua missão é castigado pelo estancieiro, chicoteado e amarrado em um formigueiro. A parte cristã entra em cena então no final da história, quando na manhã seguinte é encontrado vivo, são e salvo, acompanhado da virgem Maria. A partir dali, livre, liberto e sorridente, se transforma numa espécie de buscador informal de coisas perdidas. Alguns até fazem uma analogia com a história de outro personagem negro de nosso folclore, o saci. Mas enfim, no frigir dos ovos, dá pra dizer que essa lenda envolve a História da África, pois qual é o fato da história do continente vizinho que até pouco tempo era único no objetivo de unir nossas historias? A escravidão.

Passemos agora para a outra lenda, esta extraída do site Diário de Lisboa:

Quibungo

É uma espécie de monstro, meio homem, meio bicho. Tem a cabeça enorme e um grande buraco no meio das costas, que se abre e fecha conforme ele abaixa e levanta a cabeça. Come pessoas, especialmente crianças e mulheres, abrindo o buraco e atirando-as dentro dele.

O quibungo, também chamado kibungo ou chibungo, é mito de origem africana que chegou ao Brasil através dos bantus e se fixou no estado da Bahia. Suas histórias sempre surgem em um conto romanceado, com trechos cantados, como é comum na literatura oral da África. Em Angola e Congo, quibungo significa “lobo”.

Curiosamente, segundo as observações de Basílio de Magalhães, as histórias do quibungo não acompanharam o deslocamento do elemento bantu no território brasileiro, ocorrendo exclusivamente em terras baianas. Para Luís da Câmara Cascudo, apesar da influência africana ser determinante, “parece que o quibungo, figura de tradições africanas, elemento de contos negros, teve entre nós outros atributos e aprendeu novas atividades”.

Extremamente voraz e feio, não possui grande inteligência ou esperteza. Também é muito vulnerável e pode ser morto facilmente a tiro, facada, paulada ou qualquer outra arma. Covarde e medroso morre gritando, apavorado, de forma quase inocente.

Apesar de não estar presente no país todo, essa espécie de bicho-papão africano, ainda é uma história muito comum na Bahia e em alguns estados do nordeste sendo, portanto considerada como parte do folclore brasileiro. 

Outra referência que devemos citar ao falarmos de folclore são as manifestações artísticas. Logo acima nas palavras de origem africana nós citamos o samba.

Esse é o representante maior no cenário artístico. Ainda hoje o Brasil é conhecido mundialmente como o país do futebol e do samba. Mas aí perguntamos: que História da África há por detrás do samba? Vamos aos fatos.

De acordo com artigo encontrado no site Sua Pesquisa (2008) o samba é uma adaptação das danças e dos cantos tribais dos primeiros escravos a aportarem no Brasil. Aqui ele sofreu variadas mutações até chegar ao estilo que hoje nós conhecemos.

A partir daí é possível fazer uma dedução lógica, se eram cantos tribais por certo tinham a sua significância histórica. Todas as sociedades procuram um meio artístico para representarem sua história. Concordamos que por vezes o resultado é idealizado, mitológico, romanceado ou fantasioso, contudo não pode ser desconsiderado como material histórico. Do que podemos concluir que o samba, por ser descendente dessas manifestações culturais pode ser considerado um belo exemplo disso tudo que estamos tentando demonstrar.

Poderíamos ainda discorrer sobre a capoeira, contudo particularmente considero a capoeira mais uma arte marcial do que uma manifestação artística. Mas vale o registro como fato ligado à História dos primeiros escravos africanos no Brasil que aperfeiçoaram a luta como forma de resistência aos dominantes. A música e a dança, na qual a luta pretendeu se esconder servia apenas para mascarar o verdadeiro caráter da capoeira, como dizia o conhecido Mestre Palhinha “A capoeira é antes de tudo luta, e luta violenta” (abrasoffa.org, 2008).

CONCLUSÃO

Como temos visto a influência da História Cultural da África é muito nítida na cultura do nosso país. Citamos exemplos de palavras usadas na nossa língua pátria que vieram dos africanos, também elencamos ingredientes culinários provenientes do continente vizinho e concluímos citando algumas manifestações folclóricas brasileiras ligadas à cultura da África. Conforme vimos então são vários os exemplos que nos permitem fazer uma tentativa de responder a pergunta inicial do artigo: O que nossa cultura herdou da África? Muita coisa! Não dá para citarmos um percentual, mas aquilo que hoje consideramos como Cultura Brasileira, identidade cultural nacional, ou qualquer conceito do gênero está definitivamente vinculado à História da África, que nos foi ligada a partir do momento em que o primeiro escravo africano pisou em solo tupiniquim. Vale ressaltar contudo que todas as demais levas de emigrantes europeus e asiáticos, ajudaram a formar esse mosaico de culturas diversas que forma uma ampla, complexa e única cultura nacional.

Anderson Marques de Carvalho

REFERÊNCIAS

ABRASOFFA. A história da capoeira. Disponível em <http://www.abrasoffa.org.br/folclore/danfesfol/capoeira.htm>. Acesso em 08 de setembro de 2008.
DIÁRIO DE LISBOA. Mitos e Lendas daqui e de lá. Disponível em <http://thelisbongiraffe.typepad.com/diario_de_lisboa/2006/09/mitos_e_lendas__2.html>. Acesso em 08 de setembro de 2008.
GRIGOLETTO, Sérgio. O que é cultura (2). Disponível em: <http://www.clubeletras.net/blog/cultura/o-que-e-cultura-2/> Acesso em 08 de setembro de 2008.
LAROUSSE, Grande Enciclopédia Cultural. Sociedade e Cultura. São Paulo: Nova Cultural, 1995.
SUA PESQUISA. A história do Samba. Disponível em <http://www.suapesquisa.com/samba/>. Acesso em 08 de setembro de 2008.
XIMENES, Sérgio. Dicionário da Língua Portuguesa. 3ª ed. São Paulo: Ediouro, 2001.
YAHOO RESPOSTAS. Palavras Africanas. Disponível em <http://br.answers.yahoo.com/search/search_result;_ylt=Ai3bxNmMl5WnUtf2kKtWHdPx6gt.;_ylv=3?p=palavras+africanas+>. Acesso em 08 de setembro de 2008.

Fonte: periodicos.ufpb.br

Cultura Africana

RELIGIÃO

No início do século XV, período da colonização brasileira foi palco de um cenário muito triste, quando mais de quatro milhões de homens e mulheres africanos escravizados oriundos de diferentes regiões da África, cruzaram o oceano Atlântico nos porões de diversos navios negreiros.

Aonde eram tratados como animais desprezíveis e mercadorias muito valiosas, que ao entraram no país principalmente pelos portos do Rio de Janeiro, de Salvador, do Recife e de São Luís do Maranhão para se tornarem escravos na colônia portuguesa.

Cultura Africana

E devido ao jogo de interesse econômico do reino de Portugal e de comerciantes brasileiros foi criado um comércio escravagista com várias etnias reunidas no Brasil com suas culturas, e para evitar que houvesse rebeliões, os senhores brancos agrupavam os escravos em senzalas, sempre evitando juntar os originários de mesma nação, por esse motivo houve uma mistura de povos e costumes, que foram concentrados de forma diferente nos diversos estados do país com isto deu lugar a um modelo de religião chamado Candomblé, palavra denominada de Kandombile, significando culto e oração, que teve no Brasil terreno fértil para sua propagação na tentativa de resgatar a atmosfera mística da pátria distante pois o contato direto com a natureza fazia com que atribuíssem todos os tipos de poder a ela e que ligassem seus deuses aos elementos nela presentes . Diversas divindades africanas foram tomando força na terra dos brasileiros. O fetiche, marca registrada de muitos cultos praticados na época, associado à luta dos negros pela libertação e sobrevivência, à formação dos quilombos e a toda a realidade da época acabaram impulsionando a formação de religiões muito praticadas atualmente.

O Candomblé foi a religião que mais conservou as fontes do panteão africano, servindo como base para o assentamento das divindades que regeriam os aspectos religiosos da Umbanda.

Cultura Africana

E os deuses do Candomblé têm origem nos ancestrais africanos divinizados há mais de cinco mil anos, com isto muitos acreditam que esses deuses eram capazes de manipular as forças naturais, por isso, cada orixá tem sua personalidade relacionada a um elemento da natureza. O candomblé é conhecido e praticado, não só no Brasil, como também em outras partes da América Latina onde ocorreu a escravidão negra, em seu culto, para cada Orixá há um toque, um tipo de canto, um ritmo, uma dança, um modo de oferenda, uma forma de incorporação, um local próprio que em seu redor são construídas casinholas para assentos dos santos, e uma saudação diferente e as suas reuniões são realizadas de acordo com certos preceitos. As cerimônias são realizadas com cânticos, em geral, em língua nagô ou yorubá. Os cânticos em português são em menor número e refletem o linguajar do povo. Há sacrifícios de animais ao som de cânticos e danças, e a percussão dos atabaques constitui a base da música, e no Brasil existem diferentes tipos de Candomblé que se diferenciam pela maneira de tocar os atabaques, pela língua do culto, e pelo nome dos orixás, o Queto, na Bahia, o Xangô, em Pernambuco, o Batuque, no Rio Grande do Sul e o Angola, em São Paulo e Rio de Janeiro.

Uma das religiões mais praticadas no Brasil, com maior propagação na Bahia e no Rio de Janeiro, a Umbanda incorpora os adeptos dos deuses africanos como caboclos, pretos velhos, crianças, boiadeiros, espíritos das águas, eguns, exus, e outras entidades desencarnadas na Terra, sincretizando geralmente as religiões católica e espírita.

Cultura Africana

O chefe da casa é conhecido como Pai de Santo e seus filiados são os filhos ou filhas de santo. O Pai de Santo principia a cerimônia com o encruzamento e a defumação dos presentes e do local. Seguem-se os pontos, cânticos sagrados para formar a corrente e fazer baixar o santo. Muitos são os orixás invocados na cerimônia de Umbanda, entre eles Ogun, Oxóssi, Iemanjá, Exu, entre outros. Também invocam-se pretos velhos, índios, caboclos, ciganos. A Umbanda absorveu das religiões africanas o culto aos Orixás e o adaptou à nossa sociedade pluralista, aberta e moderna, pois só assim um culto ancestral poderia renovar-se no meio humano, sem que a identidade básica dos seus deuses fosse perdida.

Ossaim, o malabarista das folhas

Certo dia, Ifá, o senhor das adivinhações veio ao mundo e foi morar em um campo muito verde. Ele pretendia limpar o terreno e, para isso, adquiriu um escravo.

O que Ifá não esperava era que o servo se recusasse a arrancar as ervas, por saber o poder de cura de cada uma delas. Muito impressionado com o conhecimento do escravo, Ifá leu nos búzios que o criado era, na verdade, Ossaim, a divindade das plantas medicinais. Ifá e Ossaim passaram a trabalhar juntos.

Ossaim ensinava a Ifá como preparar banhos de folhas e remédios para curar doenças e trazer sorte, sucesso e felicidade. Os outros orixás ficaram muito enciumados com os poderes da dupla e almejaram, no seu íntimo, possuir as folhas da magia. Um plano maquiavélico foi pensado: Iansã, a divindade dos ventos, agitou a saia, provocando um tremendo vendaval. Ossaim, por sua vez, perdeu o equilíbrio e deixou cair a cabaça onde guardava suas ervas mágicas. O vento espalhou a coleção de folhas.

Oxalá, o pai de todos os orixás, agarrou as folhas brancas como algodão. Já Ogum, o deus da guerra, pegou no ar uma folha em forma de espada.

Xangô e Iansã se apoderaram das vermelhas: a folha-de-fogo e a dormideira-vermelha. Oxum preferiu as folhas perfumadas e Iemanjá escolheu o olho de santa-luzia.

Mas Ossaim conseguiu pegar o igbó, a planta que guarda o segredo de todas as outras e de suas misturas curativas. Portanto, o mistério e o poder das plantas continuam preservados para sempre.

No tabuleiro de Iansã

Orixá das cores vermelha e branca, Iansã é a regente do vento e dos temporais. Segundo uma antiga história da África, Xangô, marido de Iansã, certa vez a enviou para uma aventura especial na terra dos baribas. A missão era buscar um preparado que lhe daria o poder de cuspir fogo. Só que a guerreira, ousada como ela só, ao invés de obedecer ao marido, bebeu a alquimia mágica, adquirindo para si a capacidade de soltar labaredas de fogo pela boca.

Mais tarde, os africanos inventaram cerimônias que saudavam divindades como Iansã através do fogo.

E, para isso, usavam o àkàrà, um algodão embebido em azeite de dendê, num ritual que lembra muito o preparo de um alimento bastante conhecido até os dias que correm: o acarajé.

Na verdade, o acarajé que abastece o tabuleiro das baianas é o alimento sagrado de Iansã, também conhecida como Oyá.

O quitute tornou-se símbolo da culinária da Bahia e patrimônio cultural brasileiro. E, assim como ele, diversos elementos da tradição africana fazem parte do nosso cotidiano. Em sons, movimentos e cores, a arte encontrou na religião de origem africana seu sentido, sua essência, sua identidade.

A porção humana dos orixás

Obá, a orixá guerreira, disputava o amor de Xangô com Iansã e Oxum. Obá sentia o corpo arder de ciúme ao ver seu amado tratar Oxum com gestos de atenção e carinho e passou a imaginar que sua rival colocava algum tempero especial na comida para enfeitiçar Xangô.

Certo dia, Obá foi à cozinha disposta a descobrir o segredo de Oxum. Percebendo o ciúme de Obá, Oxum resolveu pregar uma peça na guerreira e mentiu.

Disse que seu ingrediente era, na verdade, um pedaço de sua orelha. Obá então pôs uma tasca da própria orelha na comida e serviu para Xangô, que rejeitou o prato. Foi quando Obá se deu conta que caíra em uma armadilha e desde este dia, cobre as orelhas quando dança na presença de Oxum.

Os sentimentos humanos sempre estiveram presentes na mitologia dos orixás e na tradição oral africana. Sentimentos que mais tarde viriam contar outras histórias, que compõem uma literatura tipicamente feita por negros no Brasil.

A espada justa de Ogum

Ogum é um orixá benfeitor, capaz de salvar muitas vidas, mas também destruidor de reinos. Há quem diga que um belo dia Ogum chegou em uma aldeia onde ninguém falava com ele. Sempre que se dirigia a um habitante do lugar, só recebia um grande vazio como resposta.

Pensando que todos estavam zombando dele, Ogum ficou furioso e destruiu cada pedacinho da aldeia. Logo em seguida, descobriu que aqueles moradores permaneceram calados porque faziam voto de silêncio e se arrependeu amargamente por haver empregado as suas forças numa ação bélica.

Desde então, o deus da guerra jurou ser mais cauteloso e proteger os mais fracos, sobretudo aqueles que estiverem sofrendo algum tipo de perseguição arbitrária.

Tanto no orum, o universo, como no aiyê, a terra, a luta dos negros contra as injustiças é encarada por corajosos guerreiros espirituais e de carne e osso.

Fonte: www.segal1945.hpg.ig.com.br

Cultura Africana

Cultura Africano é extremamente interessante, porque é tão diversa. Cada país Africano é uma mistura de tribos, cada um com sua própria língua e cultura únicas.

Países pequenas como Uganda tem mais de 30 tribos

CULTURA

A música, a arte, a literatura e as práticas culturais da África provocaram interesse e respeito em todo o mundo. A velha crença de que a África é de alguma forma infantil em seu desenvolvimento cultural tem sido denunciada como as pessoas se tornam mais familiarizados com as ricas tradições do continente.

O valor material e inerente de arte Africano aumenta progressivamente no mercado mundial. A música ea literatura desses povos têm encontrado o seu caminho em casas e salas de aula em todo o mundo. Estamos começando a aprender através dos trabalhos de acadêmicos, cineastas e escritores que os africanos podem nos ensinar muito mais do que podemos mostrá-los.

ALIMENTOS

Em geral, os africanos vivem em rural áreas, principalmente aquelas pessoas que vivem na África ocidental, oriental, e do sul. Muitos moradores são agricultores de subsistência, o que significa que eles vivem quase inteiramente fora do alimento que eles crescem si. Restaurantes de fast food e supermercados, como os conhecemos, não existem na maior parte da África. As pessoas vendem roupas, alimentos e outros suprimentos em mercados ao ar livre.

No Egito, muitas pessoas gostam de um prato de feijão popular chamado ful. Cuscuz é comum em países como Marrocos e Argélia. Este grão cozido no vapor é servido com um ensopado de carne e legumes.

Na África Ocidental, as pessoas crescem de mandioca , milho, milheto , e banana para o alimento. Camaroneses podem comer feijão e banana, acompanhados por bastão de mandioca, ou paus de mandioca. No Gabão, o peixe é preparado em um molho picante e servido com arroz. A maioria das culturas em África continuam a ser muito tradicional mulheres e meninas fazem a maior parte da cozinha.

Os visitantes do Quênia pode se surpreender ao descobrir como a cultura indiana tem influenciado o menu. Caril de frango pode ser apreciado com um copo de chá chai. Mandalas, um tipo de rosquinha, pode terminar a refeição. Passado colonial do Quênia também tem influenciado o menu. Os ingleses trouxeram a prática de beber chá, que continua até hoje.

Em Botsuana, painço e sorgo mingau são fontes primárias de alimento. Millet e sorgo são ambos tipos de grãos que devem ser trituradas em farinha e cozidos.

MÚSICA

Bells, bateria, guitarras, pianos likembes (polegar), arcos amarrados, trombetas e xilofones são apenas alguns dos muitos instrumentos tocados por pessoas em África. A música da África é uma parte de todos os aspectos da vida. Todas as formas de instrumentos, como cordas, vento e percussão, teve origem na África.

Tambores são um instrumento comum, mas algumas partes da África tem poucas árvores, assim você vai encontrar flautas e trombetas em áreas sem árvores.

Muitas canções africanas são cantos de trabalho que são cantadas enquanto as sementes estão sendo plantadas ou as lavouras estão sendo colhidas. As crianças mais pequenas são ensinadas a cantar e dançar. Eles podem ser ensinados a tocar música e até mesmo construir seus próprios instrumentos.

O rádio da África é conhecida por ambas as raízes tradicionais, bem como instrumentos modernos jogando ocidental clássica, jazz, rock e reggae.

ARTE

Uma das maiores contribuições da África tem feito para o património cultural da humanidade é a escultura . Africano escultura é uma forma de arte altamente desenvolvida, com milhares de anos de história por trás dele. A arte tradicional tem fins sociais principalmente.

Os primeiros seres humanos criados pintura e gravuras nas paredes de pedra. Algumas gravuras rupestres do Saara representam animais extintos na área, tais como elefantes, rinocerontes, hipopótamos e búfalos. Fotos de gado doméstico e de animais ainda encontrados no Saara hoje, como o camelo, o cavalo, eo muflão (uma ovelha grande chifre), também foram descobertos.

As primeiras esculturas fora do Egito são encontradas na Nigéria. Uma grande variedade de máscaras de diferentes materiais foi desgastado com trajes elaborados e imitou a atividades de natureza e as forças humanas ou nas diferentes estações do ano. Algumas das máscaras eram usadas em cultos. Em ocasiões em que as máscaras são usadas em algumas comunidades, outros pintam seus corpos. Alguns não usam máscaras, mas seus rostos estão escondidos em suas roupas, que são projetados para permitir a livre circulação nas danças. Máscaras, embora semelhantes na aparência, são usados de maneiras diferentes. Muitas vezes, as máscaras são usadas em ritos de iniciação para simbolizar heróis cult, a realeza, a estrutura política e artes e ofícios.

Existe uma relação entre o Egito antigo e sua influência sobre o resto de África. Na história da arte Africano, há fortes influências do islamismo e cristianismo .

Fonte: www.africanculturalcenter.org

Sobre o Portal | Política de Privacidade | Fale Conosco | Anuncie | Indique o Portal