Facebook do Portal São Francisco
Google+
+ circle
Home  Nampula  Voltar

Nampula

DO MAR DESTA TERRA VEIO O NOME DO PAÍS

Donde vem o nome de um País, como se argamassa esse título chamamento de uma nação no chão histórico da terra onde nascemos e nos tornamos homens - cidadãos?

A Província de Nampula - uma pepita de cultura e história, de riqueza e beleza natural tem no seu litoral o segredo do nome e a clareza das respostas.

De facto, foi numa pequena ilha de coral, situada a escassos quilómetros do costa nampulense, que as linhas da história se cruzaram tecendo um nome que se tornaria de todo o País: Moçambique.

Ponto de passagem e comércio durante centenas de anos para árabes, persas, indianos e chineses, mas economicamente monopolizada pelos árabes - donos efectivos do comércio em quase todo a costa oriental de África desde o Mar Vermelho a Sofala esta pequena ilha de coral viu-se visitada em 1498 pela primeira frota marítima vinda da Europa, mais especificamente, da maior potência marítima da época: Portugal.

Em poucos anos, os Portugueses, em luta renhida com os árabes, começaram a dominar o comércio da zona e a pequena ilha de coral passou a ser um dos vários pontos estratégicos de defesa desse novo monopólio luso, sendo ali construído uma grande fortaleza militar e uma feitoria para regularão e armazenagem desses produtos comerciais indo-afro-lusos.

Do seu nome natural, que muitos dos seus actuais habitantes dizem ser Muipiti, a Ilha passou desde o sec. XVI a chamar-se Moçambique, palavra derivada de "Mussa-Ben-Bique", segundo a opinião de alguns historiadores, mas facto ainda não totalmente comprovado.

Mas o litoral de Nampula desdobra-se ainda noutros pontos também importantes da história deste país como é o caso da região de Angoche, cuja cidade do mesmo nome ostenta ainda hoje vestigios do antigo suitanato árabe e swahili e que fez grande resistência à ocupação portuguesa.

Para além destes singulares aspectos históricos a província de Nampula é também uma terra riquíssima do ponto de vista agrícola e mineral.

Caju, sisal, algodão, tabaco, copra, milho, amendoim, arroz são os suas principais culturas, mas no seu solo são possíveis todas as outras culturas tropicais e mesmo de regiões temperadas favorecidos por um clima mais fresco do planalto interior,

Montanhosa, e parecendo que os próprios montes se elevam da terra como gigantes de cabeças raias, todo o vasto território da província de Nampula esconde jazigos minerais, destacando-se o ouro, o ferro, o quartzo, alguns tipos de pedras semi-preciosas e preciosas, havendo, inclusive, alguns estudos que falam da existência de urânio.

Sendo a Província que mais cidades possui - quatro ao todo - como é o caso da cidade da Ilha de Moçambique, de Nampula, de Nacala e Angoche, ela é atravessada em toda a sua extensão por uma longa linha de Caminhos de Ferro que ultrapassa as fronteiras nacionais e que começando ou terminando em Nacala - o maior porto natural de África serve o interland vizinho, como por exemplo, o Malawi, a Zâmbia e o próprio Zaire, se o desejar.

Se o litoral é demograficamente uma mesclo sócio-cultural que séculos de intercâmbio comercial cimentaram, bem patente na fisionomia humana residente e nas igrejas católicas, mesquitas islâmicas e templos hindus erguendo-se lado a lado, o interior é mais genuinamente bantu, de etnia Makwa, e mais islamizado que cristão.

O secular trabalho de arte e artesanato em pau-preto (ébano) é um autêntico símbolo artístico da província de Nampula, onde também se destaca o artesanato utilitário em palha e sobretudo mobiliário em madeira trabalhada, rendilhada, a fazer recordar influências árabes, portuguesas, hindus e mesmo chinesas.

Batida pelos ventos húmidos e periódicos das monções, às vezes violentos, Nampula, cujo nome deriva de um chefe tradicional (N'wampuhla), que vivia na região onde hoje se localizada a cidade do mesmo nome, é uma terra luminosa e cheia de promessas de bem estar.

Nampula

Em África, os instrumentos de percussão estão entre aqueles que mais homogénea e regularmente se espalham por todo o continente. O início do fabrico deste sonoro artefacto perde-se na noite dos tempos. Contudo, sabe-se que os tambores africanos foram, antes de qualquer outra coisa, um extraordinário meio de comunicação à distância. Os diversos sons representavam distintas mensagens de um para outro grupo humano. A sua gradual mudança para instrumento musical, em que hoje está praticamente transformado, salvo as respectivas excepções no interior africano, ter-se-à acentuado com o desenvolvimento de outras formas de comunicação neste continente. Também os modelos foram variando em tamanho e material de fabrico. Na Ilha de Moçambique e litoral nampulense, estendendo-se hoje por zonas do interior, o tipo de tambores denota uma nítida influência árabe e, por outro lado, contrariando uma ancestral tradição bantu, já são também percutidos por mãos femininas. Os vários ritmos dão outrossim, testemunho desse sincretismo bantu-árabe. É a magia do ser humano em comunhão.

Dizem que as cidades nascem do campo. De pequenas aldeias passam a vilas que, por razões sócio-económicas diversas, podem crescer e transformar-se em belas cidades.

Nampula

Esta cidade de Nampula tem uma história interessante. Ao contrário de outras congéneres do interior, semelhantes em tamanho e desenvolvimento, como é o caso de Chimoio e Tete, frutos de um crescimento económico específico, Nampula parece ter o seu desenvolvimento ligado a razões de ordem estratégico-militar e de ocupação administrativa do vasto interior moçambicano pelas autoridades coloniais. Foi assim que nasceu e cresceu a cidade de Nampula, que nos anos 60/ 70, transformada em quartel general das forças operacionais portuguesas que lutavam contra a guerrilha nacionalista moçambicana, teve um crescimento notável, favorecido também e em parte por nela passar a linha férrea ligando o porto de Nacala ao Malawi, no altura em franco progresso. De linhas arquitectónicas modernas, Nampula está no centro de uma vasta região agrícola e tem agora largas possibilidades de crescimento fora dos motivos que a fizeram erguer.

Aos domingos a bela capital daquela província realiza uma feira de artesanato que é hoje conhecida em quase todo o país. Com predomínio de peças em pau-preto, a feira de artesanato de Nampula é, efectivamente, um local de grande interesse turistico-cultural. O ébano, o pau-rosa, o marfim - mais embutido em peças do que trabalhado na sua inteira dimensão - a cestaria requintada e os suas famosas peças de mobiliário em madeira bordada a recordar heranças decorativas de vários quadrantes do mundo, são o espelho da alma deste povo Makwa que aqui habita.

Nampula

O inebriente fumo dos homens amadurece na pequena construção à beira do caminho. Entre Ribáuè e a região oeste, limite da província de Nampula com o Niassa, ao longo dos dois lados da linha dos Caminhos de Ferro, há uma antiga tradição de cultura do tabaco. Nos anos 70 um autêntico "boom" tabaqueiro aconteceu naquela região. Pelos vales maravilhosos separados por blocos maciços de montanhas pedregosas estendiam-se grandes machambas de tabaco e, por toda a parte, eram visíveis desde grandes armazéns e estufas para o sequeiro a humildes construções para a curtição das folhas. Efectivamente, esta planta deu cor de trabalho a todo aquele vasto mundo agrícola. Hoje, devido à guerra que por ali também passou, aquela região deixou de ser a grande produtora que já foi, contudo, a tradição tabaqueira permanece e o relançamento em larga escala desta cultura está para breve.

O tabaco de Nampula tem mesmo tradição, dá dinheiro e é muito gostoso de se fumar, dizem os entendidos.

Nos mercados locais, onde a cavaqueira animada abre o sorriso para o negócio andar, o bom tabaco de Nampula, curtido e enrolado ao gosto dos fumadores, é presença obrigatória e cheirosa.

Não basta cultivar e curtir o tabaco. É preciso saber vendê-lo ao ritmo da tradição, da sempre interessante disputa do preço. Compradores e vendedores chegam a sentar-se lado a lado para acordarem o preço ideal. De uma boa conversa nasce um bom negócio.

Há uma luz no meu gesto de expor o que quero vender. Seja o doce sabor do caju ou o típico paladar dos bolos de mandioca e coco, ponho na minha humilde banca de carinho uma mistura de angústia e ansiedade para o meu sustento.

Às vezes tenho uma canção triste nos meus lábios, mas não é para amargar o açúcar dos coisas que vendo; é apenas a dor de vencer no recordação da vida pulsando primeiro em minha barriga e depois no quente descanso das minhas costas.

É só isso. Ao fim do dia tenho alguns trocados do que vendi, voo para a comida dos filhos, para o meu ninho de palha e madeira, eu mulher-ave-protectora, mulher-força deste continente de promessas, mulher-esperança-renovado a teimar sobrevivências.

Falo macua e visto-me assim. Meu modelo é do interior de Nampula, só diferente nos dias de festa quando fico na capulana mais bonita, mais garrida e arranjo outro estilo para o meu lenço. De resto, sonho sempre com dias melhores, acreditem!

Em Nampula os montes são maciços, rochosos e lavados pelas chuvas milenares.

A poucos quilómetros da cidade de Nampula fica esta barragem, com um lago artificial suficiente para a sede de milhares e milhares de residentes da capital Províncial. E, olhando-a, fixamos dois tempos:

Um, retido na construção do mundo, nas primeiras gotas de lava brotando e erguendo-se para os contornos altivos das paisagens, onde mais tarde a água brotará dessas fontes de pedra como fonte de vida. Outro, parado no artefacto humano, manufatura inteligente do Homem aproveitando e moldando a natureza, nem sempre pródiga em caminhos de água.

A câmara fixou dois tempos de um mesmo mundo de potencialidades que não têm necessariamente de antagonizar-se.

Angoche: À frente a ilha de Quiloa. Entre a terra e a ilha um pequeno-grande braço de mar aconchega esperanças. E este sinal de esperança não estará também na frota pesqueira que flutua nas águas ricas de camarão e peixe de Angoche?

Com uma tradição marítima anterior à chegada dos portugueses no séc. XVI, Angoche era porto de abrigo e comércio de navios mercantes árabes, sendo ainda hoje bem visível no gesto e palavra dos seus habitantes uma antiga cultura swahili de reminiscências árabes.

Um bom investimento está aqui sempre ao abrigo dos ventos. Também em terra, o caju, a copra, o algodão e os frutos tropicais sucedem-se entre ricas machambas de mandioca, ancorando uma certeza de bons tempos para a faina da vida.

Nampula

Nacala: um porto portentoso e um moderno cais acostável bordejando uma bela cidade do litoral nampulense. Sem assoreamento, porque nenhum rio nele desagua, com uma quota que a 30 metros da margem desce a 50 metros de profundidade e a mais de 150 no meio da baía bem abrigada, o porto de Nacala permite a entrada dos maiores navios de carga do mundo.

O seu cais, onde termina uma extensa linha de Caminhos de Ferro inter-Províncial e internacional, serve não só três províncias vizinhas de Nampula, como o interland, com destaque para o Malawi. O Zaire e a Zâmbia podem também servir-se deste porto se o desejarem. Um portento, este porto da Província de Nampula!

Fortaleza de S. Sebastião da Ilha de Moçambique. Mandada construir em 1532, durante o reinado de D. João III de Portugal, para a defesa contra um possível golpe de mão de árabes e turcos da Ilha e também para prevenir qualquer invasão por parte de uma potência marítima rival da monarquia portuguesa, esta obra grandiosa só teve o seu verdadeiro início em 1558.

Antes, havia apenas um baluarte português com artilharia para a defesa da entrada do porto e que tinha ao lado outra construção denominado precisamente Nossa Senhora de Baluarte.

Beijada pelas águas do Indico, os ventos da história foram soprando sobre estas pedras, sobre estas armas. Lágrimas o sorrisos perpassaram por estas muralhas de espanto e dor, de força e medo, mas hoje apenas conservam bem vivos o cheiro das algas e o marulhar das águas nos seus alicerces. Ondas de História.

Estes velhos canhões da fortaleza da Ilha, alguns ainda do séc. XVI, resistem há cinco centenas de anos à oxidação pelos índicos ventos de monção. Resistiram aos homens que os construiram, às gerações que os sucederam, e, são agora, no seu silêncio bélico, simples peças de museu para qualquer turista contemplar.

"Malhas que o império tece", disse uma vez um grande poeta português contemporâneo. De facto, do seu esplendor inicial, da grande fortaleza que defendiam, ficou apenas este ferro da lembrança, memória amarga para uns e dourada para outros.

Porta de armas. Esta entrada não é a original porta de armas da Fortaleza de S. Sebastião. A primeira ficava a meia altura da muralha e dava para o então designado Campo de S. Gabriel. Entrava-se por ela através de uma ponte movediça sobre um fosso com água bem à maneira dos castelos medievais.

A porta de armas que agora vemos, foi construída a partir de um postigo lateral e data de 1712, segundo informa um texto sobre a Ilha de Moçambique e pesquisado pelos historiadores moçambicanos Luís Filipe Pereira e António Sopa. É um simples mas belo exemplar militar-arquitectónico de uma época.

Homens e barcos, terra e mar. Com estes pontos se unem as linhas do trapézio com que se desenha a Ilha de Moçambique. Sem chão para o plantio dos verduras necessárias, que têm de vir do continente ali defronte, é no mar que os ilhéus buscam um pouco do seu sustento.

Pesca, transporte de mercadorias e passageiros, baldeação de mercadorias de barcos fundeados na barra, tudo isto é trabalho para as velhas embarcações que acostam às pequenas enseadas de coral, muito embora haja um sempre colorido cais acostável. Antigos hábitos, velhos costumes: redundância necessária de significados.

A ilha de Moçambique é hoje considerada um património da humanidade. Nela se cruzaram e se fixaram culturas de muitos povos; na sua arquitectura e no rosto dos seus habitantes lê-se a geografia do mundo desde a Arábia à Pérsia, da índia à China. Claro que a Europa está também bem patente, através da presença portuguesa de cinco séculos, aqui, realmente, de 500 anos efectivos. Por isso, nada tem de estranho vermos numa rua - por sinal nem a mais faustosa, nem a mais rica - olhando as ondas do Indico por ele tão conhecidas e excelsamente cantadas, o vulto do maior vate de língua portuguesa: Luís de Camões.

Ele viveu dois anos na Ilha vindo da Índia de regresso a Portugal. Dizem os historiadores que aqui retrabalhou muitos versos da sua epopeia "Os Lusíadas". De facto, na ilha, Camões não destoa, está à vontade numa das suas ruas. Os moçambicanos conhecem-no há séculos!

Ilha de Moçambique. Um canto diferente desta concha de coral multicultural e uma imagem que foge um pouco dos habituais ex-libris da cidade.

Contudo, lá está a marca da presença árabe com a mesquita e o respectivo minarete sobressaindo das velhas construções portuguesas. De construção mais recente, este principal templo islâmico da cidade, acrescenta ao património da Ilha mais arquitectura religiosa já contemplada com outras mesquitas e templos católicos e hindus.

Entre os residentes que esperam pela faina marítima, por transporte para o continente ou outras ilhas vizinhas há um cruzar de crenças num mundo de harmonia que persiste até hoje e a que a muitos espanta.

Coreto da Praça Municipal da cidade de Moçambique. O largo onde se situa este coreto é fruto de um arranjo urbanístico datado de 1830. Do lado esquerdo vê-se o Palácio de S.Paulo. Contam as crónicas da Ilha, sobretudo a partir do século passado, que nesta velha capital da colónia de Moçambique organizavam-se nos seus casarões ou mesmo nas praças públicas sessões culturais mercantes e concorridas. Este coreto é um signo desses tempos em que também a banda musical municipal enchia os fins-de-semana com acordes musicais agradáveis. Nesta mesma praça também em certas ocasiões festivas eram convidados outros grupos de canto e dança tradicionais da ilha, cuja forte presença artística era sempre bastante aplaudida. Actualmente, revitaliza-se a vida artística da cidade de Moçambique de modo a preencher com mais vida esta praça construída por este mesmo povo que mais do que ninguém conhece as várias linhas com que se cosem as culturas do mundo.

Uma típica rua da Ilha. Casas de pedra e cal estreitam há séculos este curto caminho dos Homens. Por detrás das grossas paredes argamassadas de história e sonhos, que delírios, que sofrimentos, que alegrias poderíamos descrever?

Pés de escravos e almirantes, sultões e poetas percorreram em diversos sentidos as veredas coralinas da Ilha.

Que segredos guardam estas paredes e estas ruas de tanta gente que cimentou a história pluricultural deste lugar?

As primeiras casas, dizem os pesquisadores, eram feitas de bambu, depois maticadas e cobertas de colmo. Mais tarde, com a presença de árabes e depois portugueses surgiram habitações feitas de pedra e cal, mas ainda cobertas de colmo. Edifícios mais modernos, arquitectonicamente falando, começaram a surgir no séc. XVI, crescendo em tamanho e diversidade nos séculos seguintes, reflectindo os progressos e os convulsões politico-económicas do próprio império português.

Entre os referidos edifícios e que por sinal se foi moldando e se transformando estruturalmente ao sabor do tempo, está o da capitania, que ostenta esta bonita entrada.

A capitania foi reedificada a partir do antigo edifício do Arsenal datado do séc. XVI. No séc. XIX era dali que se administrava a divisão naval portuguesa do Índico e ainda hoje, depois da Independência, continua acolhendo os funcionários navais da direcção marítima da província de Nampula, pelo menos uma parte dela.

Pormenor das escadarias do Palácio de S. Paulo que dá acesso ao pátio interior. Como guias para todas as idades, estas estátuas-candeeiros iluminaram o vai-vem de funcionários e visitantes desta antiga sede do governo colonial.

Mais do que cândidos faróis para percursos interiores estas esculturas-suportes-de-luz são como sentinelas dum tempo retido em gesto iluminadamente mudo.

Preservar estas peças de arte de que a Ilha de Moçambique é um autêntico tesouro, torna-se mais do que necessário, pois terá de fazer parte da própria cultura dos moçambicanos.

Como jóias de um tempo (perverso?) que passou, elas brilham na sua solidão mostrando aos coetâneos os vários lados de que se reveste a história do mundo.

Palácio de S. Paulo. Ele também tem, tal como muitos outros grandes edifícios de origem portuguesa construídos no Ilha de Moçambique, uma história arquitectónica. Efectivamente, este majestoso palácio, que guardava no seu interior peças várias de valor inestimável, muitas das quais, infelizmente, desapareceram durante o conturbado período de transição para a independência, foi várias outras coisas e passou por vários fases antes de ser o que a imagem documenta.

O Palácio de S. Paulo surgiu de uma profunda transformação e ampliação do colégio de S. Francisco Xavier, da antiga Ordem dos Jesuítas. Foi construído cerca de 1618-1620 nas ruínas da torre velha. A torre foi ainda aproveitada como se pode ver, assim como a capela que fica ao lado.

Gravuras antigas mostram que a capela e o palácio eram edifícios diferentes, mas hoje fazem corpo único e significativo. Pedras da história a conservar.

Uma religião, duas imagens em dois pontos distintos da província de Nampula.

A primeiro é a igreja, ameaçando ruir, da antiga missão católica do Mossuril, no litoral Nampulense e não muito distante da Ilha de Moçambique. A par do islamismo, já implantado nas costas de Nampula mesmo antes da chegada das primeiras caravelas lusas, os portugueses foram também expandindo a sua fé à medida da dilatação do seu império.

Nampula

Nas velhas e desgostadas paredes desta igreja cristã, devem ainda ressoar muitas orações de gerações de crentes do antigo Mossuril. A segunda imagem oferece-nos um pormenor do interior de uma capela da Ilha de Moçambique, patenteando no ornamento da estátua do santo um pouco de estilo manuelino e já com alguns traços prenunciadores do barroco.

Já aqui se escreveu sobre a natureza, a configuração dos montes e montanhas da província de Nampula. De facto, eles brotam do chão antigo da criação do mundo como cabeças de gigantes carecas à procura da cabeleira verde da paisagem.

Lavados por milénios de chuva, eles multiplicam a sua austeridade por uma paisagem de vales arborizados, savanas coloridas, desenhada a sonhos.

Aliciantes mundos de pedra para escaladas ousadas, os montes de Nampula escondem, na sua raíz, imensas reservas minerais, que começam a pouco e pouco a ser desvendadas.

Recanto agradável na periferia da cidade de Nampula. Nesta província, os palmares acontecem mesmo muito distantes da orla marítima. Na capital, situada quase no centro do território Províncial, os coqueiros crescem em profusão dando à paisagem inteira um delicioso cheiro a mar.

Também aqui se nota o traço árabe a desenhar a paisagem arquitectónica. Casas de alvenaria ou maticadas com o barro da terra são pintadas com o cal branco da frescura, afugentando o calor e também a traça daninha.

Nampula é, efectivamente, uma província bem distinta humana e geograficamente no seio do país.

Bate o meu coração no tambor do tempo, neste canto da província de Nampula. Envio com carinho esta mensagem de amor com o canto da minha alma em música. Sou mulher e sou bela.

Sou mulher makwa ornamentada de sonhos e risos sinceros. Gosto de ser como

sou: Um búzio de carne posto no ouvido do mundo para o vento-música-do-mar. Sou daqui e pertenço a todo o universo da criação.

O menear das minhas ancas faz parar quem me vê e o meu andar-de-dança requebra vibrante entre montes e ondas... Sou eu, mais eu, depois de juntar no meu ritmo os vários gestos do mundo.

Fonte: www.geocities.com

Nampula

Nampula

Localizada no norte do País, tem como limites a Norte as Províncias de Cabo Delgado e Niassa, a Sul e a Oeste a Zambézia e a Leste o Oceano Indico.

A Ilha de Moçambique, situada a 175 Km da Capital da Província, Nampula, é hoje considerada património mundial, pode considerar-se o berço da unidade territorial que constitui actualmente a nação moçambicana.

A esta pequena ilha de coral, junto à costa, cujo nome é atribuído, por uns, à designação original de Muipiti, enquanto outros assumem que a identificação de Moçambique, que passou a ser utilizada a partir do séc. XVI, teve origem no nome Mussa-Bin-Biki, filho do sultão, senhor da ilha, Bin Biki, afluíram desde tempos remotos povos de diferentes origens, com predominância dos árabes que a utilizavam como entreposto para o comércio com o interior e ao longo de toda a costa moçambicana.

Foi aí também que, em 1498, aportaram os navegadores portugueses que expulsaram os interesses instalados e tornaram a Ilha num ponto estratégico a partir do qual iniciaram a expansão para outras regiões do País. Para o efeito construíram a fortaleza de São Sebastião e uma feitoria.

Na Ilha, também as mulheres aplicam no rosto e no corpo uma pomada que elas mesmo preparam, tornando a pele macia, suave e que fica pintada de branco, uma imagem específica da região.

Nampula é uma Província rica em paisagens, passado histórico e posicionamento estratégico, reflectidos nas cidades de Nampula, Ilha de Moçambique, Angoche e Nacala, um dos melhores portos naturais de África.

A etnia predominante é Macua.

Fonte: www.turismomocambique.co.mz

voltar 12avançar
Sobre o Portal | Política de Privacidade | Fale Conosco | Anuncie | Indique o Portal