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Psicoterapia

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O que é

A psicoterapia é um termo geral para o tratamento de problemas de saúde mental, falando com um psiquiatra, psicólogo ou outro profissional de saúde mental.

Durante a psicoterapia, você aprende sobre a sua condição e os seus humores, sentimentos, pensamentos e comportamentos.

A psicoterapia ajuda você a aprender a assumir o controle de sua vida e responder a situações desafiadoras com habilidades de enfrentamento saudáveis.

Existem muitos tipos de psicoterapia, cada um com sua própria abordagem.

O tipo de psicoterapia que é certo para você depende de sua situação individual.

A psicoterapia também é conhecido como a terapia da conversa, aconselhamento, terapia psicossocial, ou, simplesmente, a terapia.

A psicoterapia pode ser útil no tratamento a maioria dos problemas de saúde mental, incluindo:

Os transtornos de ansiedade, como transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), fobias, transtorno do pânico ou transtorno de estresse pós-traumático
Os transtornos de humor, como depressão ou transtorno bipolar
Vícios, como o alcoolismo, dependência de drogas ou jogo compulsivo
Os transtornos alimentares, como anorexia ou bulimia
Transtornos de personalidade, como transtorno de personalidade borderline ou transtorno de personalidade dependente
Esquizofrenia ou outras doenças que causam afastamento da realidade (transtornos psicóticos)

A psicoterapia pode ajudar com uma série de tensões e conflitos da vida que podem afetar qualquer pessoa.

Por exemplo, ele pode ajudá-lo:

Resolver conflitos com o seu parceiro ou outra pessoa em sua vida
Aliviar a ansiedade ou estresse devido ao trabalho ou outras situações
Lidar com grandes mudanças na vida, como o divórcio, a morte de um ente querido ou a perda de um emprego
Aprender a gerenciar reações insalubres, tais como a raiva da estrada ou comportamento passivo-agressivo
Se reconciliarem com um problema de saúde física permanente ou graves, como diabetes, câncer ou de longo prazo dor (crónica)
Recuperar de abuso físico ou sexual ou de violência testemunhando
Lidar com problemas sexuais, se eles são devido a uma causa física ou psicológica
Dormir melhor, se você tem problemas para dormir ou manter o sono (insônia)

Em alguns casos, a psicoterapia pode ser tão eficaz como medicamentos, tais como antidepressivos. No entanto, dependendo da sua situação específica, a psicoterapia por si só pode não ser suficiente para aliviar os sintomas de uma condição de saúde mental. Você também pode precisar de medicamentos ou outros tratamentos.

Riscos

Geralmente, há pouco risco em fazer psicoterapia.

A psicoterapia irá explorar sentimentos e experiências dolorosas e você poderá sentir-se emocionalmente desconfortável às vezes. No entanto, os riscos são minimizados, trabalhando com um terapeuta qualificado que possa corresponder ao tipo e intensidade da terapia com as suas necessidades.

As habilidades de enfrentamento que você irá aprender poderá ajudá-lo a gerenciar e conquistar sentimentos negativos e medos.

Psicoterapeutas

Psicoterapeutas são profissionais de saúde mental que são treinados para ouvir os problemas de uma pessoa para tentar descobrir o que está causando-los e ajudá-los a encontrar uma solução.

Bem como ouvir e discutir questões importantes com você, um psicoterapeuta pode sugerir estratégias para a resolução de problemas e, se necessário, ajudá-lo a mudar suas atitudes e comportamento.

Alguns terapeutas ensinam habilidades específicas para ajudá-lo a tolerar emoções dolorosas, gerenciar relacionamentos de forma mais eficaz, ou melhorar o comportamento. Você pode também ser incentivados a desenvolver suas próprias soluções.

Um terapeuta irá tratar sessões como confidenciais. Isso significa que você pode acreditar que suas informações pessoais ou mesmo embaraçosas será mantido em segredo

Tipos de psicoterapia

Vários tipos diferentes de psicoterapia estão disponíveis.

Esses incluem:

Psicodinâmica (psicanalítico) psicoterapia – um terapeuta psicanalítica vai encorajá-lo para dizer o que está passando por sua mente. Isso irá ajudá-lo a tornar-se consciente de significados ou padrões escondidos em o que você faz ou diz que pode estar contribuindo para seus problemas.
Terapia cognitivo-comportamental (TCC) – uma forma de psicoterapia que examina como as crenças e pensamentos estão ligados ao comportamento e sentimentos. Ele ensina habilidades que treinar seu comportamento e estilo de pensamento para ajudá-lo a lidar com situações estressantes.
A terapia analítica cognitiva (CAT) – utiliza métodos de psicoterapia psicodinâmica e CBT para trabalhar como seu comportamento causa problemas, e como melhorá-lo através de auto-ajuda e experimentação.
Psicoterapia interpessoal (IPT) – olha para a forma como uma doença pode ser desencadeada por eventos envolvendo relações com os outros, tais como lutos, disputas ou deslocalização. Ele ajuda você a lidar com os sentimentos envolvidos, bem como elaborar estratégias de enfrentamento.
Terapias humanísticas – incentivá-lo a pensar sobre si mesmo de forma mais positiva e tem como objetivo melhorar a sua auto-consciência.
a família e casal (sistêmica) Terapia – Terapia com outros membros da sua família que tem o objetivo de ajudá-lo a resolver os problemas juntos.

Alguns problemas psicológicos que podem ser abordados por Psicoterapia

Transtornos de Humor

Processos depressivos
Depressão reativa
Depressão endógena
Depressão pós-parto
Distúrbio Bipolar de Humor

Transtornos de Ansiedade

Agorafobia
Transtorno de Pânico
Transtorno de Ansiedade Generalizada
Fobia Social
Fobias Específicas
Timidez e Insegurança

Transtornos Alimentares

Anorexia
Bulimia
Obesidade

Transtornos Obsessivos Compulsivos

Obsessões
Condutas de Rituais
Mitomanias

Transtornos Psicóticos

Episódio Psicótico Agudo
Alucinações
Delírios
Esquizofrenia

Transtornos Relacionados a Substâncias

Álcool
Abuso de Anfetaminas
Drogadição
Tabagismo

Problemas de Casais

Problemas de comunicação
Problemas Sexuais
Problemas de Relacionamento

Retardo Mental

Orientação Vocacional

A Psicoterapia individual

A Psicoterapia individual, normalmente é caracterizada por uma relação que provê um contexto para o alívio do sofrimento ou disfunção de um cliente/paciente por meio de várias estratégias e métodos iniciados pelo terapeuta. Existe além disso, uma concordância geral entre as várias abordagens teóricas na Psicologia, de que a ênfase na Psicoterapia é a busca pela melhoria na qualidade de vida do cliente, através do autoconhecimento obtido pela investigação dos significados psíquicos do material clínico trazido pelo mesmo.

Assim, a psicoterapia tradicionalmente prevê dois objetivos:

1º) Ajudar o paciente a lidar com o seu sofrimento, resolver os seus problemas, e elaborar as suas angústias;

2º) Oferecer um suporte facilitador para o paciente dar prosseguimento ao seu processo individual de desenvolvimento pessoal, englobando como procedimento principal o autoconhecimento.

Considera-se que o objetivo de uma psicoterapia não é a realização sistemática de conselhos, orientações sobre o que fazer ou mesmo sugestões diretivas. Ainda que algumas vezes isso seja realizado, está muito longe de ser o objetivo da mesma, sendo a ineficácia de tal empreendimento bastante conhecida nas pesquisas realizadas no campo da psicoterapia (Jung, 1957). Pelo contrário, o psicoterapeuta deve sempre buscar o significado psíquico do material trazido pelo paciente, ou seja, o significado do que ele fala, exprime, e até do que deixa de expressar.

Quando na dúvida sobre o que fazer nesse ou naquele momento da terapia, o psicólogo deve sempre lembrar de retomar a procura pelo significado atribuído pelo paciente para o seus processos pessoais expressos e implícitos. Pode então questionar, contestar,interpretar, dialogar, tendo como pano de fundo sempre esse pressuposto de busca dos significados psíquicos do paciente.

Paralelamente, sabe-se que mesmo na implementação de procedimentos padronizados, freqüentes em um processo psicoterapeutico, um processo recíproco de adaptação social deve ser concorrente. Sobre isso voltarei mais tarde.

Um dos principais fatores considerados em qualquer processo psicoterapêutico, como fundamental, é a relação entre cliente e terapeuta enquanto indivíduos.

Tanto que Jung (1957) definiu a psicoterapia como um tipo de procedimento dialético, ou seja, como um diálogo ou discussão entre duas pessoas. Segundo o autor, a dialética era a arte da conversação entre os antigos filósofos, mas no sentido aqui empregado, a dialética adquire o significado de método para produzir novas sínteses. Jung enfatizou que a psicoterapia não é um método simples e evidente, como se queira a princípio. A maneira, mais moderna de formular a relação psicoterapêutica, entre terapeuta e paciente, segundo Jung, é a de observar que uma das pessoas sendo um sistema psíquico atua sobre a outra pessoa, entrando em interação com o outro sistema psíquico, num encontro alquímico de duas almas, onde ambos saem transformados após o encontro terapêutico. Esta concepção se distanciaria bastante das noções iniciais da história da psicoterapia, segundo a qual esta seria um método aplicável de maneira estereotipada por qualquer pessoa, para obter um efeito desejado.

Aliás, Jung em função de suas inclinações fenomenológicas, prescrevia uma certa necessidade do terapeuta renunciar ao apego à técnica e seus pressupostos particulares, deixando de lado qualquer sentimento prepotente de onipotência em relação ao saber psicológico da subjetividade do outro, para poder se abrir ao caráter dialético do momento terapêutico. Enfatizava que mais importante que a técnica, é o processo de desenvolvimento pessoal do próprio terapeuta, como ferramenta de trabalho terapêutico. Nas palavras de Jung, unilateralmente, o terapeuta não é mais um sujeito ativo, mas vivencia junto com o cliente, um processo evolutivo individual. Afeta e é afetado pelo self terapêutico, e todo o cuidado com a sua própria saúde psíquica é fundamental, o que complexifica sobremaneira o seu trabalho. Considera-se que o psicólogo só pode auxiliar o seu cliente, até o limite de seu próprio desenvolvimento pessoal; a rigor, não está em condições de ir além de sua própria condição, não se justificando qualquer arrogância por parte do profissional, relacionada a sentimentos de onipotência, com a suposição da posse do saber “inquestionável”, por si mesmo. A visão junguiana amplia e fornece maior dinamismo aos conceitos psicanalíticos de transferência e contra-transferência na relação paciente-cliente; a humildade como parâmetro ético e construtivo para a condução da psicoterapia, será um postulado concordante tanto com a visão junguiana quanto com a Psicologia Espírita.

Na mesma época de Jung, outro teórico – Carl Rogers – fundador da Abordagem Centrada no Cliente e da Psicologia Humanista tornou um truísmo referir-se às características positivas de um terapeuta como “interesse genuíno, calor humano e compreensão empática” e à presença na situação terapêutica, de um clima de “congruência, visão incondicional positiva e empatia”.

Considero esses três parâmetros propostos por Rogers – a congruência, a visão incondicional positiva, e a empatia – como fundamentais, por isso vou discorrer mais um pouco sobre eles aqui:

1. A congruência diz respeito à capacidade do terapeuta ser ele mesmo na sua relação com o cliente. Diz respeito à sua autenticidade humana, sem deixar de assumir o seu papel técnico e profissional perante o cliente/paciente. Implica numa atitude eticamente honesta e genuína frente ao outro, e como tal, é o resultado do grau de autoconhecimento e confiança que o terapeuta possui sobre si mesmo. O terapeuta passa a ser, portanto, “congruente”, ou seja, coerente consigo mesmo, sendo as suas atitudes espontaneamente ajustadas à sua configuração ética pessoal.

2. A visão incondicional positiva diz respeito à capacidade do terapeuta aceitar o paciente como ele é. Para tal, o psicólogo precisa estar disponível para refletir sobre os seus próprios preconceitos, ou pré-julgamentos. Acredito que um dos maiores inimigos de um psicólogo em sua atuação clínica são os seus próprios preconceitos, de forma que (ainda que possa parecer radical), acredito que um “psicólogo preconceituoso” na verdade está atuando na profissão errada. Em outros termos, quero dizer com isso, que caso o psicólogo não tenha condições de avaliar e refletir constantemente sobre o seu próprio sistema de valores, então, ele não pode exercer legitimamente a profissão clínica dentro da psicologia, pois seu poder de atuação terapêutico será fundamentalmente nulo. Paralelamente, o terapeuta precisa realizar um exercício de reflexão e aceitação de si mesmo, num processo pessoal de autoconhecimento e progresso pessoal.

3. A empatia, ou seja, a capacidade de se colocar no lugar do outro, numa posição que permita compreender as suas emoções, idéias, sentimentos, angústias e sofrimentos, bem como também suas alegrias e realizações, sem porém se confundir com o outro. Ou seja, há necessidade de se estabelecer um “vínculo de ressonância empática” para que haja uma sintonia relacional entre terapeuta e paciente, porém o terapeuta deve também saber manter um certo distanciamento providencial para não se “contaminar” com a angústia do paciente, correndo assim o risco de prejudicar o caráter terapêutico da relação. O psicanalista argentino José Bleger denominava tal operação de “dissociação instrumental”, conceito que sugere que o terapeuta deve se envolver com a problemática do paciente até o limite que permita uma compreensão empática da mesma, e simultaneamente precisa manter um certo distanciamento (ou seja, uma dissociação, uma separação ou cisão) relativo que lhe possibilite trabalhar instrumentalmente (ou seja, transformando a relação num instrumento humano de trabalho psíquico) com o material clínico trazido pelo paciente, sem se “contaminar” emocionalmente com o mesmo. Certamente surge a questão, “como saber até onde posso me envolver, e até onde devo me distanciar instrumentalmente dos conteúdos do paciente?” A resposta é que o psicólogo só consegue atingir adequadamente o campo da dissociação instrumental, com o desenvolvimento do seu processo pessoal, pois com o autoconhecimento, o psicólogo pode aprender a identificar os seus vieses perceptivos, tornando-se mais objetivo, sem desconsiderar a sua subjetividade – tanto que Bleger afirmava que “a objetividade é atingida na subjetividade”, ou seja, quando a subjetividade e incluída e aprimorada com o autoconhecimento, é que o indivíduo se torna mais objetivo, e não quando a subjetividade é excluída, como propõe modelos mais mecanicistas (e logicamente, mais ultrapassados) de se fazer ciência. Ao conhecer os seus vieses pessoais, o psicólogo pode se instrumentalizar para discernir até onde pode se envolver na problemática do paciente e onde deve se distanciar. Ele tem também como diferenciar até que ponto um determinado julgamento que realize diz respeito efetivamente ao paciente, e até que ponto diz respeito a si mesmo, separando uma coisa da outra. No seu processo de desenvolvimento pessoal, essa discriminação ocorre natural e espontaneamente para o terapeuta, e do ponto de vista técnico, o psicólogo conta ainda, com o recurso da Supervisão, postulada inicialmente por Freud e Jung, como necessárias para o exercício da profissão clínica. Por tudo isso, o psicólogo que realiza uma atividade clínica, precisa regularmente estar envolvido num processo de Análise Individual em contexto psicoterapêutico, com outro profissional da área.

Por outro lado, o psicólogo humanista Rollo May (1982) salienta que a empatia bem-sucedida pode resultar num processo de comunicação telepática, tal como tem sido estudado, por exemplo, pela parapsicologia. Isso se evidencia em casos clínicos em que o paciente tem a sensação de que o psicólogo quase consegue adivinhar os seus pensamentos, realizando observações pertinentes e funcionais, antes mesmo que o paciente exponha completamente suas questões para o terapeuta. Como diria Jung, embora seja raro tal grau de comunicação de inconsciente para inconsciente (ou de Alma para Alma), tal pode ocorrer. Evidentemente, a Psicologia Espírita, possui no conhecimento do perispírito, a explicação desse fenômeno, porém, discorrer sobre tal ultrapassaria o objetivo dessa resenha. Rollo May, ainda associa a empatia, com o conceito de amor terapêutico, como será debatido brevemente.

Estas três atitudes – congruência, aceitação incondicional positiva, empatia – se tornaram tão generalizadas, que se estenderam a todas as outras abordagens teóricas em psicologia, sem exceção. Até mesmo a abordagem comportamental, precisou sair do exagerado tecnicismo de sua atitude inicial como ciência, buscando modelos clínicos de atuação cada vez mais humanistas, e coerentes a um contexto clínico, adotando também essas atitudes básicas propostas por Rogers.

Os comportamentalistas entendem porém, que tais atitudes, de um ponto de vista operacional, na verdade constituem algo como “comportamentos verbais positivamente reforçadores executados precisamente nos momentos funcionais do discurso do paciente”; ou seja, consideram que quando o paciente diz algo positivo ou construtivo para a sua evolução pessoal e de seus problemas, o psicólogo ao demonstrar uma atitude de apoio ou de aprovação (como um elogio, por exemplo) logo após tal explanação, “reforça positivamente” o comportamento operacionalmente eficaz do paciente. Essa seria para os behavioristas, por exemplo, a descriçãooperacional da empatia (mas não a sua explicação, e muito menos, o seu caráter essencial). Porém, devemos ter em mente, que ainda que tal descrição seja “parcialmente” pertinente, isso não anula a legitimidade do caráter afetivo, da espontaneidade e do investimento emocional que o terapeuta deposita no seu esforço de “empatizar” com a angústia e com a personalidade do paciente. Além disso, o jogo da ressonância empática envolve muito mais do que essa mera descrição aparente pode expressar, especialmente se levarmos em conta os aspectos psicodinâmicos, intrapsíquicos e interpsíquicos envolvidos na relação paciente e terapeuta.

O Espiritismo muito tem a contribuir para a compreensão de todos esse fatores pessoais do psicoterapeuta no “Self Clínico”. O Espiritismo chamará a atenção para os elementos da constituição moral e ética, bem como para o estágio de desenvolvimento espiritual do psicólogo. A Psicologia Espírita considera como conceitos intercambiáveis, termos tais como “desenvolvimento psíquico”, “desenvolvimento espiritual” e “desenvolvimento ético, moral e pessoal”, processos todos que se completam naturalmente à medida que há um incremento no processo de autoconhecimento, tanto em nível intelectual ou cognitivo, mas também em nível material, emocional e espiritual (aqui, no sentido mais profundo dos aspectos conscientes e inconscientes do Self).

Nesse contexto, podemos inserir o importante papel do “amor terapêutico” no momento clínico. O papel do Amor, em seu sentido amplo, no contexto terapêutico foi citado por uma série de psicólogos de renome. Um deles foi Norberto Keppe, o fundador da Psicanálise Integral ou Trilogia Analítica, uma abordagem transpessoal em psicanálise, com fortes influências da metafísica e de várias escolas teóricas esotéricas. Esse autor propõe ser o Amor o maior poder curativo, a essência íntima do homem e de Deus, e o maior poder do Universo.

O poder do amor também foi salientado pelo psicólogo cristão-humanista-existencialista Rollo May (1982), que afirmou ser impossível conhecer-se outra pessoa sem que a amemos, no sentido mais amplo da palavra. Salientou que essa situação significa que ambas as pessoas serão transformadas pela própria identificação resultante do amor. O amor – segundo Rollo May – possui uma força psicológica fabulosa. É a força mais poderosa disponível no campo da influenciação e transformação da personalidade.

Complementarmente, o Espiritismo considera que quando Jesus expôs seus ensinamentos sobre elementos significativos do comportamento humano, ele trouxe à tona elementos da arquetipia psíquica, mostrando que o amor e seus derivados não são apenas abstrações da cultura humana, mas forças que compõem o Universo, passível até mesmo de um estudo microfísico de sua dinâmica e funcionamento. É então, envolvido nesse trabalho que o terapeuta Espírita deve se colocar como cientista do amor, pesquisador da paz e trabalhador de Deus.

Em outro plano, Rollo May (1982) ainda enfatizou como aspectos fundamentais da personalidade (ou Alma) humana:

1) o livre-arbítrio;

2) o desenvolvimento da individualidade;

3) a capacidade de integração social;

4) e a vivência da religiosidade como possibilidade criadora através de movimentos de tensão criativos.

Enquanto tais, Rollo May expõe esses 4 aspectos como parâmetros principais que deveriam conduzir qualquer processo terapêutico. Vamos entender melhor, esses quatro aspectos.

1º) O livre arbítrio: Rollo May era um psicólogo humanista, cristão e existencialista. Como todo existencialista (filosofia que em termos gerais, defende que o ser humano possui o potencial de auto-regulação para construir a sua existência – daí o nome “existencialismo”), ele enfatizava a necessidade do indivíduo ser estimulado a se apropriar da própria vida, desenvolvendo a autonomia e o livre-arbítrio, com a clarificação e o desenvolvimento do autoconhecimento.

Para Rollo May, um dos pressupostos básicos em toda psicoterapia é o de que o paciente deve, mais cedo ou mais tarde, aceitar a responsabilidade por si mesmo. Assim, o autor afirma que é função de qualquer trabalho de aconselhamento psicológico, levar o aconselhando a aceitar a responsabilidade pela direção e pelos resultados de sua vida. O aconselhador, para isso, deve mostrar-lhe como são profundas as raízes da decisão e como toda a experiência passada e as forças do inconsciente devem ser avaliadas. Mas, ao final de tudo, deve ajudar o aconselhando a aperfeiçoar e usar seu potencial de liberdade.

Como existencialista, Rollo May enfatizava a autonomia para a construção da própria existência. Como cristão, enfatizava o livre-arbítrio. E como humanista, enfatizava a valorização dos potenciais humanos.

2º) Individualidade na personalidade: o autor considera que outro pressuposto básico de qualquer psicoterapia é o princípio de que o paciente deve mais cedo ou mais tarde conseguir identificar e aceitar o seu próprio jeito peculiar de ser. Rollo May propõe que esse princípio seria um dos principais legados deixados por Jung, e conclui que é função do terapeuta auxiliar seu paciente a achar seu self verdadeiro, e então, ajudá-lo a ter coragem de ser esse self.

3º) Integração social: já foi dito nessa resenha, que em qualquer processo psicoterapeutico, um processo recíproco de adaptação social deve ser concorrente. Rollo May acredita que isso ocorre naturalmente com o desenvolvimento dos dois processos anteriores: a liberdade e a individualidade na personalidade. Ou seja, à medida que o indivíduo se torna mais autônomo, e se aceita (e portanto, se ama mais, e ao mesmo tempo, elabora uma adequada reflexão sobre as suas potencialidades e limitações), naturalmente ele se adapta melhor à sociedade.

Rollo May, da mesma maneira que o psicanalista argentino Pichón-Rivière, enfatizava a adaptação ativa à sociedade e à realidade, contrapondo-a à adaptação passiva, que inclusive pode ser patológica. Na adaptação passiva, o indivíduo cede a um conformismo alienante, podendo chegar, em nível patológico, a cristalizar padrões de conduta compulsivos, no qual o indivíduo sente que é uma espécie de “vítima do destino” ao invés de assumir a sua parcela de responsabilidade em seus próprios conflitos, ou em seu padrão de destino. O indivíduo, aqui, “sedimenta a sua adaptação social” simplesmente assimilando valores sociais, sem realizar qualquer questionamento crítico da pertinência ou não de tais valores. Há apenas uma aceitação passiva, e nenhuma inspiração transformadora.

Na adaptação ativa, o indivíduo é capaz de se adaptar criativamente à realidade e à sociedade, promovendo ações transformadoras num ritmo aceitável para a capacidade de assimilação do meio social circundante. O indivíduo sai da mera reprodução da moral social vigente, passando para reflexão ética construtiva dos mesmos aspectos morais.

No âmbito da Psicologia do Espírito, um outro autor chamado Leopold Szondi, designava a adaptação passiva como “destino coercitivo ou compulsivo” e a adaptação ativa como “destino de livre-escolha” (Zilli, 2001).

Rollo May, ainda, trouxe as contribuições da Psicologia Individual de Alfred Adler, que procurava demonstrar que o sentimento de inferioridade patológico é um grande obstáculo à adaptação social. Por trás desse tipo de sentimento de inferioridade, se encontra a “vontade de poder e dominação”, bem como a “necessidade de prestígio” em nível exorbitante.

Assim, Rollo May conclui que é função do aconselhamento psicológico auxiliar o aconselhando a aceitar com alegria a sua responsabilidade social, dar-lhe a coragem necessária para livra-lo da tirania de seu sentimento de inferioridade e ajuda-lo a dirigir seus esforços para fins socialmente construtivos.

4º) Tensão religiosa: para Rollo May, a tensão religiosa, é um elemento inerente à personalidade humana. O ser humano precisa, segundo esse autor, continuamente procurar o melhor ajuste criativo entre as tensões de sua natureza material e espiritual, ou humana e divina, a primeira marcada pela imperfeição e limitação, e a segunda pelo potencial de perfeição e progresso ilimitado. Quando o ser humano não consegue realizar o melhor ajuste possível a partir de sua comparação particular daquilo que seu lado humano (imperfeito, limitado) diz que ele é, e aquilo que seu potencial divino (de perfeição e progresso infinito) diz que ele deveria ser, surge um sentimento de culpa exagerado, que transforma a tensão religiosa que deveria ser construtiva, em algo patológico, dogmatizante, unilateral, e cristalizado. Mas, quando o indivíduo se aceita como é, pensa de forma autônoma, e se adapta construtivamente à realidade, então, o ser humano, limitado em sua natureza material, reencontra o potencial divino que possui em seu interior. Reencontra o seu Deus interior, na fagulha de centelha divina individualizada em sua psique, Alma e Espírito. Na terminologia junguiana, o indivíduo restabelece a ligação entre o ego e o Self, em seu processo de individuação.

Por isso, conclui Rollo May, é função do aconselhador e terapeuta auxiliar o aconselhando a livrar-se do sentimento de culpa doentio, ao mesmo tempo que o ajuda a aceitar e afirmar corajosamente a tensão religiosa inerente à sua natureza.

Para finalizar esse pequeno apanhado de considerações sobre a psicoterapia, serão discorridos algumas das contribuições da psicologia comportamental e da psicanálise.

Começando pela abordagem comportamental, observamos que alguns de seus pesquisadores tem oferecido diversas contribuições para o questionamento sobre as possibilidades de integração entre as diversas escolas teóricas da psicologia, especialmente em relação ao conceito de psicoterapia, sua teoria e prática. Isso é pouco conhecido entre a maioria dos profissionais de Psicologia, porém algumas escolas behavioristas discorrem inclusive, sobre a questão do “ecletismo técnico”.

Algumas contribuições são oferecidas, por exemplo, por Rangé (1995), que afirma que em todo processo psicoterapeutico, independente da escola teórica utilizada, devem estar presentes os seguintes processos técnicos e humanos:

1. A experimentação de emoções;
2.
A experiência emocional corretiva;
3.
A expansão da visão de mundo dos pacientes;
4.
O exame de conflitos;
5.
O aumento nas expectativas positivas;
6.
A influência social;
7.
O incentivo à aquisição de novas habilidades.

Rangé (1995) ainda classifica que as principais intervenções técnicas e humanas que o psicólogo pode empregar na sua prática clínica, em qualquer escola teórica psicológica, para possibilitar a presença desses processos, são as seguintes:

1. O manejo da empatia, e a presença de calor humano e compreensão;
2.
A expressão de apoio ao paciente;
3.
A presença de graus moderados de diretividade e controle;
4.
A realização de questionamentos;
5.
Clarificação e estruturação do enquadre;
6.
O uso da interpretação
7.
O emprego moderado de confrontação e crítica;
8. O manejo das capacidades comunicativas do terapeuta, entre elas:

a. O seu grau de responsividade;
b.
Sua imediaticidade verbal;
c.
O uso criterioso, porém espontâneo, de humor, etc.

Por fim, falta discorrermos sobre algumas contribuições da psicanálise. Embora poucos saibam, Pichón-Riviére foi o autor que conseguiu interagir diversos campos de conhecimento científico e filosófico com a psicanálise, resultando numa abordagem tão profunda e atual quanto a de seu contemporâneo distante, Carl Gustav Jung, com a diferença que enquanto a psicologia psicanalítica de Pichón enfatiza a dimensão psicossocial do ser humano, a abordagem junguiana enfatiza a dimensão transpessoal ou espiritual.

Pichón conseguiu interagir a psicanálise com influências da psicologia comportamental, da fenomenologia e da sociologia. José Bleger, seu discípulo, conseguiu expandir esse movimento para as outras abordagens teóricas em psicologia. Ambos se valeram de um pensamento dialético (pensamento que cria sínteses através de movimentos progressivos de interação reflexiva entre conceitos aparentemente opostos – é uma forma sistemática de raciocínio que elabora a união crescente e dinâmica entre tese e antítese gerando novas sínteses, e é comum apenas a algumas formas muito elaboradas de inteligência na ciência, ou individualidades mais amadurecidas). Apenas a dimensão transpessoal não foi adequadamente considerada por esse autores, o que irá ocorrer na mesma época, na obra de Jung, que além do mesmo pensamento dialético, valeu-se complementarmente de uma orientação mais holística e espiritualizada.

Sabemos que na psicanálise existem muitas abordagens teóricas, além da freudiana, tal como as abordagens de Lacan, Klein, Winnicott, etc. Entretanto, Pichón, entre outros autores modernos, caracteriza que o que unifica todas as abordagens teóricas em psicanálise é a escuta interpretativa ou hermenêutica dos discursos do inconsciente, na fala do paciente, no contexto da relação de transferência. Ou seja, o que unifica e caracteriza todas as abordagens da psicanálise é (1) a escuta do material do inconsciente (2) que se dá na relação transferencial. Inconsciente e Transferência, são os dois conceitos que demarcam o campo da clínica psicanalítica. Freud (1914) por sua vez, também enfatizou a importância dos conceitos de defesa e resistência afirmando que “Qualquer linha de investigação que reconheça a transferência e a resistência e os tome como ponto de partida de seu trabalho tem o direito de chamar-se psicanálise, mesmo que chegue a resultados diferentes dos meus”.

Nesse sentido, Lowenkron (1993), discorrendo sobre o que ele chama de “Psicanálise Breve”, apresenta três sentidos para o termo psicoterapia:

1) Em sentido amplo, para o autor, “psicoterapia” se refere a qualquer método de tratamento que utilize meios psicológicos, mais precisamente, a relação entre o terapeuta e o doente, desde a sugestão até a psicanálise;
2)
Num sentido mais restrito, “psicoterapia” é entendida apenas como técnica sugestiva e é contraposta à psicanálise, que se caracteriza em função da interpretação do conflito inconsciente e, mais particularmente, da análise da transferência, ou seja, a psicanálise se diferenciando qualitativamente das psicoterapias;
3)
Numa terceira acepção, pode-se entender uma forma de psicoterapia que se baseia nos princípios teóricos e técnicos da psicanálise, sem, todavia, realizar as condições de um tratamento psicanalítico standard. Considerada neste último sentido, a psicoterapia se diferencia da psicanálise quantitativamente, deslocando-se numa linha contínua. Como tal é designada na literatura especializada por meio de diversos nomes, como: psicoterapia dinâmica, de insight, de orientação psicanalítica, expressiva, intensiva e exploratória.

Assim, é na terceira acepção de psicoterapia fornecida pelo autor que se situariam o conceito e a prática do que se poderia chamar de “Psicanálise Breve” ou ainda, “Psicoterapia Psicanalítica de Tempo Delimitado”, por ser entre as três acepções, a que permite o manejo instrumental do enquadre psicológico, na sua relação espaço-temporal (em contraposição ao modelo standard da chamada “Psicanálise ortodoxa”).

A segunda acepção exposta para psicoterapia, ou seja, enquanto técnica sugestiva (e basicamente diretiva), tanto por parte do autor, como entre quase todos os pesquisadores expressivos no campo da psicoterapia breve e outras modalidades (tanto clássicas como inovadoras) de psicoterapia, é uma acepção quase unanimemente descartada.

Para citar apenas dois autores que assim se expressam e concordam nesse ponto, posso citar Rollo May (1982) e C. G. Jung (1957), sendo que esse último assim se expressa em relação a terapia por sugestão (ou diretiva): “Não quero negar que, ocasionalmente, um conselho possa ser benéfico, mas a psicoterapia moderna é por ele caracterizada, mais ou menos como acirurgia moderna, pela atadura” (grifos meus). Especialmente no caso de individualidades complicadas e de nível intelectual elevado, Jung dizia “nada se consegue através de conselhos benevolentes, sugestões, ou tentativas de convertê-las para este ou aquele sistema”. Conclui o autor, dessa forma, que a “sugestão” decididamente não constitui a essência da psicoterapia, que hoje conta com todo um método científico para a sua sofisticação e aprimoramento. Por esse e outros motivos, um bom psicólogo clínico que queira realmente executar o seu trabalho de maneira conscienciosa e eficaz, precisa investir muito em sua formação técnica (cursos, supervisão, congressos, etc) e humana (análise, desenvolvimento pessoal, etc).

Fonte: www.mayoclinic.org/br.geocities.com/www.nhs.uk

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