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Idioma do Brasil

Português, a língua oficial do Brasil

O idioma português chegou ao território brasileiro a bordo das naus portuguesas, no Século XVI, para se juntar à família lingüística tupi-guarani, em especial o Tupinambá, um dos dialetos Tupi. Os índios, subjugados ou aculturados, ensinaram o dialeto aos europeus que, mais tarde, passaram a se comunicar nessa “língua geral” - o Tupinambá. Em 1694, a língua geral reinava na então colônia portuguesa, com características de língua literária, pois os missionários traduziam peças sacras, orações e hinos, na catequese.

Com a chegada do idioma iorubá (Nigéria) e do quimbundo (Angola), por meio dos escravos trazidos da África, e com novos colonizadores, a Corte Portuguesa quis garantir uma maior presença política. Uma das primeiras medidas que adotou, então, foi obrigar o ensino da Língua Portuguesa aos índios.

Lei do diretório

Em seguida, o Marques de Pombal promulgou a Lei do Diretório (1757) que abrangia a área compreendida pelos estados do Pará e do Maranhão, um terço do território brasileiro de então. Esta lei considerava a língua geral uma “invenção verdadeiramente abominável e diabólica” e proibia às crianças, filhos de portugueses, e aos indígenas aprenderem outro idioma que não o português.

Em 1759, um alvará ampliou a Lei do Diretório: tornou obrigatório o uso da língua portuguesa como idioma oficial em todo o território nacional.

Portanto, ao longo de dois séculos, o Brasil possuiu dois idiomas: a língua geral ou tupinambá e o português.

Português no mundo

Hoje, o mundo que fala português (lusófono) soma cerca de 200 milhões de pessoas. É o oitavo idioma mais falado no planeta e a terceira entre as línguas ocidentais, após o inglês e o castelhano.

É, ainda, o idioma oficial de sete países, todos eles ex-colônias portuguesas: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe.

Com a admissão de Portugal na União Européia, o português passou a ser uma de suas línguas oficiais.

Fonte: www.brasil.gov.br

Idioma do Brasil

O tupi, primeiro idioma encontrado pelos portugueses no Brasil de 1500, ainda resiste no nosso vocabulário. Agora tem gente querendo vê-lo até nas escolas. Em pleno século XXI.

No auge de sua loucura, o ultranacionalista personagem de Triste Fim de Policarpo Quaresma, livro clássico de Lima Barreto (1881-1922), conclamava seus contemporâneos a abandonar a língua portuguesa em favor do tupi. Hoje, 83 anos depois da publicação da obra, o sonho da ficção surge na realidade. O novo Policarpo é um respeitado professor e pesquisador de Letras Clássicas da Universidade de São Paulo (USP), Eduardo Navarro. Há dois meses, ele fundou a Tupi Aqui, uma organização não-governamental (ONG) que tem por objetivo lutar pela inclusão do idioma como matéria optativa no currículo das escolas paulistas. “Queremos montar vinte cursos de tupi em São Paulo no ano que vem”, disse à SUPER.

O primeiro passo já está dado: em maio, Navarro lançou o seu Método Moderno de Tupi Antigo e, em setembro, colocou nas livrarias Poemas — Lírica Portuguesa e Tupi de José de Anchieta (ambos pela Editora Vozes), edição bilíngüe de obras do primeiro escritor em língua tupi.

À primeira vista o projeto parece birutice. Só que há precedentes. Em 1994, o Conselho Estadual de Educação do Rio de Janeiro aprovou uma recomendação para que o tupi fosse ensinado no segundo grau. A decisão nunca chegou a ser posta em prática por pura falta de professores. Hoje, só uma universidade brasileira, a USP, ensina a língua, considerada morta, mas ainda não completamente enterrada.

Em sua forma original, o tupi, que até meados do século XVII foi o idioma mais usado no território brasileiro, não existe mais. Mas há uma variante moderna, o nheengatu (fala boa, em tupi), que continua na boca de cerca de 30 000 índios e caboclos no Amazonas. Sem falar da grande influência que teve no desenvolvimento do português e da cultura do Brasil. “Ele vive subterraneamente na fala dos nossos caboclos e no imaginário de autores fundamentais das nossas letras, como Mário de Andrade e José de Alencar”, disse à SUPER Alfredo Bosi, um dos maiores estudiosos da Literatura do país. “É o nosso inconsciente selvagem e primitivo.”

Todo dia, sem perceber; você fala algumas das 10 000 palavras que o tupi nos legou. Do nome de animais, como jacaré e jaguar; a termos cotidianos como cutucão, mingau e pipoca. É o que sobrou da língua do Brasil.

Do Ceará a São Paulo, mudavam só os dialetos

Quando ouvir dizer que o Brasil é um país tupiniquim, não se irrite. Nos primeiros dois séculos após a chegada de Cabral, o que se falava por estas bandas era o tupi mesmo. O idioma dos colonizadores só conseguiu se impor no litoral no século XVII e, no interior; no XVIII. Em São Paulo, até o começo do século passado, era possível escutar alguns caipiras contando casos em língua indígena. No Pará, os caboclos conversavam em nheengatu até os anos 40.

Mesmo assim, o tupi foi quase esquecido pela História do Brasil. Ninguém sabe quantos o falavam durante o período colonial. Era o idioma do povo, enquanto o português ficava para os governantes e para os negócios com a metrópole. “Aos poucos estamos conhecendo sua real extensão”, disse à SUPER Aryon Dall’Igna Rodrigues, da Universidade de Brasília, o maior pesquisador de línguas indígenas do país. Os principais documentos, como as gramáticas e dicionários dos jesuítas, só começaram a ser recuperados a partir de 1930. A própria origem do tupi ainda é um mistério. Calcula-se que tenha nascido há cerca de 2500 anos, na Amazônia, e se instalado no litoral no ano 200 d.C. “Mas isso ainda é uma hipótese”, avisa o arqueólogo Eduardo Neves, da USP.

Três letras fatais

Quando Cabral desembarcou na Bahia, a língua se estendia por cerca de 4 000 quilômetros de costa, do norte do Ceará a Iguape, ao sul de São Paulo. Só variavam os dialetos. O que predominava era o tupinambá, o jeito de falar do maior entre os cinco grandes grupos tupis (tupinambás, tupiniquins, caetés, potiguaras e tamoios). Daí ter sido usado como sinônimo de tupi. As brechas nesse imenso território idiomático eram os chamados tapuias (escravo, em tupi), pertencentes a outros troncos lingüísticos, que guerreavam o tempo todo com os tupis. Ambos costumavam aprisionar os inimigos para devorá-los em rituais antropofágicos. A guerra era uma atividade social constante de todas as tribos indígenas com os vizinhos, até com os da mesma unidade lingüística.

Um dos viajantes que escreveram sobre o Brasil, Pero Magalhães Gândavo, atribuiu, delirantemente, a belicosidade dos tupinambás à língua. “Não se acha nela F, nem L, nem R, coisa digna de espanto, pois assim não têm Fé, nem Lei, nem Rei e, desta maneira, vivem sem justiça e desordenadamente”, escreveu em 1570. Para os portugueses, portanto, era preciso converter os selvagens à fé católica, o que só aconteceu quando os primeiros jesuítas chegaram ao Brasil, em 1553. Esses missionários se esmeraram no estudo do tupi e a eles se deve quase tudo o que hoje é conhecido sobre o idioma.

Também, não havia outro jeito. Quando Portugal começou a produzir açúcar em larga escala em São Vicente (SP), em 1532, a língua brasílica, como era chamada, já tinha sido adotada por portugueses que haviam se casado com índias e por seus filhos. “No século XVII, os mestiços de São Paulo só aprendiam o português na escola, com os jesuítas”, diz Aryon Rodrigues. Pela mesma época, no entanto, os faladores de tupi do resto do país estavam sendo dizimados por doenças e guerras. No começo daquele mesmo século, a língua já tinha sido varrida do Rio de Janeiro, de Olinda e de Salvador; as cidades mais importantes da costa. Hoje, os únicos remanescentes dos tupis são 1 500 tupiniquins do Espírito Santo e 4 000 potiguaras da Paraíba. Todos desconhecem a própria língua. Só falam português.

O primeiro gramático

Joseph de Anxieta, mais tarde José de Anchieta (1534—1595), sempre foi poliglota. Nascido nas Ilhas Canárias, era filho de pai basco e aprendeu, ao mesmo tempo, o castelhano e o complicado idioma paterno. Adolescente, mudou-se para Portugal, onde estudou o português, o latim e o grego.

Por tudo isso, não é de espantar que Anchieta tenha aprendido o tupi tão depressa. Seus companheiros diziam que ele tinha facilidade porque a língua era igualzinha ao basco que assimilara quando pequeno. Bobagem. Tão logo pôs os pés no Brasil, em 1553, aos 19 anos, começou a desenvolver a primeira gramática da língua da terra. Em 1560, sua Arte de Grammatica da Lingoa Mais Vsada na Costa do Brasil já era um best-seller entre os jesuítas. O livro, que só seria impresso em 1595, virou leitura de cabeceira dos jovens padres encarregados da catequese. Com ele, nascia o tupi escrito, que Anchieta usou para compor mais de oitenta poemas sacros e peças de teatro, inaugurando a literatura brasileira.

Haja parente!

O tupi e outras línguas de sua família

É comum ver políticos do hemisfério norte confundindo o Brasil com a Argentina e o espanhol com o português. Pois a mesma confusão é feita, aqui no Brasil, com as línguas dos índios. Poucos sabem, mas é errado dizer que os índios falavam tupi-guarani. “Tupi-guarani é uma família lingüística, não um idioma”, explica o lingüista Aryon Rodrigues. Ele a compara à família neolatina, á qual pertencem o português, o espanhol e o francês. Os três têm uma origem comum, o latim, mas diferem uns dos outros. O extinto tupi antigo, o ainda usadíssimo guarani moderno — falado por quase 5 milhões de pessoas no Paraguai e 30 000 no Brasil — e outros 28 idiomas derivam de uma mesma fala, o proto-tupi. Os guaranis e os tupis até que se entendiam. Mas, dentro da família, eles são apenas parentes próximos, não irmãos. Para perguntar “qual é o seu nome”, um guarani diria Mba’eicha nde r’era?, e um tupiniquim, Mamõ-pe nde rera?. Não dá para confundir, dá?

O começo do fim

Ascensão e queda de um idioma

Século XVI: O tupi, principalmente o dialeto tupinambá, que ficou conhecido como tupi antigo, é falado da foz do Amazonas até Iguape, em São Paulo.

Em vermelho, você vê os grupos tapuias, como os goitacás do Rio de Janeiro, os aimorés da Bahia e os tremembés do Ceará, que viviam em guerra com os tupis.

De Cananéia à Lagoa dos Patos fala-se o guarani.

Séculos XVII/XVIII: O extermínio dos tupinambás, a partir de 1550, a imigração portuguesa maciça e a introdução de escravos africanos praticamente varre o tupi da costa entre Pernambuco e Rio de Janeiro. Em São Paulo e no Pará, no entanto, ele permanece como língua geral e se espalha pelo interior, levado por bandeirantes e jesuítas.

Século XX: O português se consolida a partir da metade do século XVIII. O tupi antigo desaparece completamente, junto com outras línguas indígenas (das 340 faladas em 1500, sobrevivem, hoje, apenas 170). A língua geral da Amazônia, o nheengatu, continua sendo falada no alto Rio Negro e na Venezuela por cerca de 30 000 pessoas.

Fonte: www.nautilus.com.br

Idioma do Brasil

No Brasil dos paradoxos, acontecem coisas que a mais fértil imaginação não teria condição de acreditar. O retrato da identidade nacional é composto por um branco, um índio e um negro e, obviamente, falamos um idioma formado por palavras oriundas destas três fontes lingüísticas. No entanto, temos a coragem de dizer que "no Brasil, fala-se o português". Ledo engano. No Brasil fala-se um idioma que só se fala no Brasil e em nenhum lugar mais. Aliás, somos a única ex-colônia portuguesa que não fala com sotaque português. E isto deve-se à influência da língua tupi ou seja, o nheengatú - ou, como quer o presidente, ao "nhen,nhen,nhen". Esta espinha dorsal lingüística brasileira está um tanto desbotada diante de tantas "lavagens culturais" à que foi submetida ultimamente pelos estrangeirismos que empesteiam o nosso idioma.

A língua portuguesa original trazida para o Brasil continha 140 mil verbetes ou palavras. O português, esta "língua de marinheiro", contém hoje 260 mil verbetes, fato que o torna a mais rica língua em sinonímica do mundo. Os 120 mil verbetes excedentes em nosso idioma falado, ficam por conta das culturas africanas e tupi-guarani. Portanto, a tão alardeada "unificação ortográfica e gramatical" torna-se impossível a partir da própria conseqüência lingüística que este idioma adquiriu no Brasil. Isto porque, o significado de milhares de palavras oriundas da língua tupi e falados diariamente, são completamente desconhecidos por todos indistintamente. Isto sem mencionarmos obviamente, a contribuição lingüística africana.

As três línguas que formam o idioma brasílico têm um sentido e uma objetividade declaradamente importante: O africano nos deu verbetes com os quais nos expressamos na forma espiritual, culinária, lazer, gíria e glotologias – Ex: Bunda, Xodó, Bizú, Gogó, Tijolo, Zureta, Muvuca, Mumunha, Maluco, Garfo e por aí vai aos milhares também. O Tupi nos deu verbetes que nos permitem ir e vir no real sentido locativo e toponímico. O Português nos deu verbetes que nos fornecem condições jurídicas, políticas e didáticas. Tornar-se-ia impossível a um brasileiro fazer tudo que faz diariamente usando apenas o recurso da língua portuguesa. Daí que....

É IMPOSSÍVEL UMA UNIFICAÇÃO ORTOGRÁFICA COM OS DEMAIS PAÍSES DE "LÍNGUA PORTUGUESA"!

Corrigir a injustiça histórica secular para com a cultura ameríndia brasílica, origem da formação nacional e espírito latente de insubmissão à dominação estrangeira, deve ser o objetivo de todos aqueles que lidam com a Educação e Cultura deste país e que tenham um pouco de amor ao verde e amarelo. Devemos propiciar aos milhões de brasileiros que diariamente expressam-se na língua tupi, a oportunidade de saberem o significado dessas palavras e, sabendo-o, terem condições de conhecer a história da grande nação Tupi, fato que gerará o inevitável espírito nacionalista e a responsabilidade em sua preservação. A conseqüência imediata desta providência será a expansão para além das nossas fronteiras da verdadeira epopéia da estruturação brasileira, permitindo ainda que as demais nações, por intermédio dos milhares de turistas que pisam o território nacional, saibam, em seu próprio idioma, o significado dos nomes e palavras tão comuns nos logradouros públicos, locais e cidades mundialmente famosas, e, cujos nomes em língua Tupi, até a presente data, não têm tradução literal e significação, uma vez que os próprios brasileiros não o sabem.

E apenas para informação, longe de ser alguma língua morta e sem origem, o tupi ou nhengatú possui uma gramática expositiva dividida em quatro partes exatamente como a língua portuguesa: Fonologia – Morfologia – Taxinomia e Sintaxe.

Estamos diante, portanto, de uma prova que os milhares de nomes toponímicos que descrevem e definem lugares, cidades, praças, ruas, produtos, objetos ou fenômenos da terra, não foram jogados ao vento "por um caboclo brejeiro qualquer" como quer a explicação até hoje passada nas escolas do país, mas sim, fazem parte do aspecto topográfico local, traduzido pelo idioma brasílico, genuíno irmão lingüístico do português.

Se observarmos apenas algumas das palavras que falamos diariamente, já teremos uma pequena idéia da nossa ignorância e a conseqüente responsabilidade para com o futuro: Jacarepaguá, é Lago do Jacaré – Andaraí, é Água do morcego – Aracaju, é Tempo de Caju – Tijuca, é barro mola - Pará, é mar – Paraná, é rio afluente – Paraguai, é rio do papagaio – Paraíba, é rio ruivo ou encachoeirado - Pirapora, é peixe que salta – Pindorama, é país das palmeiras – Sergipe, é rio dos siris – Goiás, é gente da mesma raça – Piratininga, é seca peixe – Curitiba, é barro branco – Mogi-Mirim, é riacho das cobras – Carioca, é casa de branco – Anhangabaú, é buraco do diabo e Ipanema, é água suja.

Estas são apenas algumas das milhares de palavras do idioma tupi faladas e escritas diariamente e que, identificando locais e cidades nacional e internacionalmente conhecidas, fazem parte do nosso vocabulário diário, porém as suas traduções ou significados são desconhecidos por todos. Os padres jesuítas José de Anchieta e Nóbrega dedicaram suas vidas aos estudos e codificação da língua tupi-guarani, seus usos, costumes, história e origem antropológica desta grande nação cujo sangue corre em nossas veias, direta ou indiretamente. Centenas de outros jesuítas sucederam aos pioneiros na continuidade deste trabalho, legando-nos verdadeiros tratados acerca de tal assunto, vez que, já àquela época, previam a necessidade das futuras gerações acerca do conhecimento da língua brasílica que faria parte da nossa existência como nação. Mas a leviandade, o preconceito e o racismo de alguns "intelectualóides de beira de jardim" que se revezaram durante anos no controle da educação e cultura, desprezaria por completo o trabalho destes jesuítas, preferindo dar cunho oficial aos anglicanismos, galicismos e estrangeirismos que corroem o nosso idioma e alteram o nosso comportamento.

De tal maneira desafiaram o conceito de nação que hoje, nas faculdades, ninguém sabe gramática portuguesa e muito menos gramática tupi-guarani.

E só para exemplificar aí vai um texto que prova a importância da cultura indígena na nossa vida:

"Aí, o presidente Fernando Henrique Cardoso saiu do palácio às margens do Lago do Paranoá, observou uma Siriema que ciscava no palácio do Jaburu, chegou ao seu gabinete sendo recebido pelo mordomo Peri, lembrou a um assessor sobre as comemorações da Batalha do Humaitá, convocou o ministro do Itamaraty e o governador do Goiás, que visitava seu colega no palácio do Buriti, e, uma vez juntos, tomaram um suco de Maracujá, comentaram sobre as reformas do estádio do Maracanã e as recentes obras no vale do Anhangabaú, riram de um antigo comentário do Barão de Itararé sobre obras públicas, e, abrindo uma agenda de pele de Jacaré, passaram, a decidir sobre o carvão de Criciúma, os suínos de Chapecó e a safra de arroz de Unaí." – Viram, falaram, beberam e escreveram em tupi e não se aperceberam disto. O embaraço maior, seria se tivessem que traduzir todas estas palavras para o chanceler francês que visitava o Brasil.

E já que é assim, por que não inserir em todas as placas de ruas, praças, avenidas, estradas, rodovias, monumentos e locais cujos nomes sejam originalmente em língua tupi, o significado em português, o qual, via de regra, poderá ser traduzido para qualquer idioma estrangeiro ? - E por que não explicar nas escolas primárias e secundárias esta fusão da língua portuguesa com a língua tupi-guarani e seus fenômenos toponímicos e gramaticais usados no cotidiano desde a tenra idade ? – Achamos esta saída ideal para um problema que tem gerado situações embaraçosas para brasileiros no exterior, quando alguém pergunta o significado da palavra Ipanema ou, dentro do seu próprio país, quando um filho ou uma filha pergunta: "...papai, o que quer dizer Carioca ?" – Diante do desconhecimento total por parte dos brasileiros acerca desta cultura e herança, corremos os risco de permitir que as gerações futuras pensem que tais palavras, hábitos e costumes, fazem parte da cultura e língua portuguesa, porém, sem significado e explicação. É o máximo !

E, caso algum especialista em educação e cultura ache que é possível viver sem esta influência lingüística, poderá começar por retirar todas as palavras da língua tupi do nosso vocabulário. Inicialmente, terá que trocar o nome de dez estados e sete capitais brasileiras, cujos nomes são em tupi. Depois trocar os nomes de centenas de municípios, milhões de ruas, praças, avenidas, estradas, rodovias e localidades topográficas cujos nomes também são originários da língua tupi. E finalmente, terá que mudar milhares de nomes próprios e palavras comuns do nosso dia-a-dia, as quais são verbetes da língua tupi. Aí verá que a comunicação e a locomoção tornar-se-ão impossíveis.

E já que esta terra era propriedade de uma raça tão importante que mesmo dizimada nos legou um tratado lingüístico e antropológico de beleza impar, nada melhor do que repetir a célebre frase de Aimberê, o cacique-comandante da Confederação dos Tamoios no Rio de Janeiro: "Nhandê Coive Ore Retama!" – Esta terra, é nossa ! - E é, por esta razão que me considero um legítimo Tupinambá...porque no Brasil, TODO DIA, É DIA DE ÍNDIO !

Fonte: www.brazzilbrief.com

Idioma do Brasil

O que significa, no século XIX, ser autor de uma Gramática? E como esta história continua no século XX?

Vamos procurar, nessa reflexão, entender o jogo enunciativo que representa, na realidade, um acontecimento discursivo (1) importante em nossa história. Esse acontecimento é caracterizado pela passagem discursiva dita na diferença desses dois enunciados “Língua Portuguesa do Brasil// Língua Portuguesa no Brasil”.

Para compreendemos essa passagem, temos de analisar o que significa, no século XIX, ser autor de gramática no Brasil e qual é o destino dessa autoria no século XX.

Ser autor de gramática no século XIX no Brasil é assumir a posição de um saber lingüístico que não reflete meramente o saber gramatical português. Nesse momento, o da irrupção da República, não basta que o brasileiro saiba sua língua, é preciso que, do ponto de vista institucional, ele saiba que sabe (E. Orlandi, 1996). A gramática, dessa perspectiva, é o lugar em que se institui a visibilidade desse saber legítimo para a sociedade. Ao deslocar para o território brasileiro a autoria da gramática – a gramática continua, na maior parte das vezes, a se chamar Gramática Portugueza (cf. Júlio Ribeiro, 1881) ou Gramática da Língua Portugueza (cf. Pacheco Silva e Lameira de Andrade, 1887) – o que os gramáticos brasileiros estão deslocando é a autoridade de se dizer como é essa língua.

Ser autor de uma gramática é ter um lugar de responsabilidade como intelectual e ter uma posição de autoridade em relação à singularidade do português no Brasil.

Esse saber pode e deve estar relacionado à produção internacional. Nesse sentido, não há, pelo que consideramos, apenas “influência”, reprodução de idéias estrangeiras no Brasil. Se pensarmos em termos discursivos, temos relações de sentidos que se estabelecem entre o português do Brasil e o de Portugal e veremos nessas “influências”, nessas filiações teóricas um processo de re-significação tanto da língua quanto do saber sobre ela.

A unidade do Estado se materializa em varias instâncias institucionais. Entre essas, a construção da unidade da língua, de um saber sobre ela e os meios de seu ensino (a criação das escolas e seus programas) ocupa uma posição primordial. A gramática, enquanto um objeto histórico disponível para a sociedade brasileira, é assim lugar de construção e representação dessa unidade e dessa identidade (Língua/Nação/Estado).

Ao trazerem o gesto da autoria para si, os primeiros gramáticos brasileiros como Júlio Ribeiro, João Ribeiro, Maximino Maciel, Lameira de Andrade e Pacheco Silva etc estão participando da construção do Estado brasileiro. A história da língua, da produção de objetos que representam para a sociedade o conhecimento sobre ela, assim como a dos que a praticam (os cidadãos) estão inextricavelmente ligados. O processo de gramatização brasileira do português constitui assim um saber sobre a língua e as suas singularidades, e processa a historicização da língua no território nacional.

Desse modo, a identidade lingüística, a identidade nacional, a identidade do cidadão na sociedade brasileira traz entre os componentes de sua formação a constituição (autoria) de gramáticas brasileiras no século XIX. E a porção-sujeito autor de gramática é parte essencial dessa história.

Inaugura-se pois uma posição-sujeito gramático brasileiro. Um lugar de produção legítima de conhecimento sobre a língua que corresponde a um gesto de apropriação (autoria) dessa língua.

O sujeito que fala o português brasileiro é distinto do sujeito que fala o português de Portugal e isso é elaborado pela autoria do gramático brasileiro do século XIX, dadas as condições de produção dessa autoria e do sentido da gramatização nesse momento.

Além disso, essa autoria legitima, ao mesmo tempo, a relação do brasileiro com a escrita. Temos uma língua, temos uma gramática, e temos sujeitos brasileiros da (nossa) escrita (2).

Desde o início, no século XVI, certamente pelo fato de que a língua falada no Brasil era re-significada em relação ao que se falava em Portugal, produziram-se aqui novos sentidos por novos sujeitos (ainda não bem discerníveis entre os portugueses, os índios e os mestiços) que iam constituindo a sociedade brasileira.

Mas a legitimidade dessa sociedade com suas instituições próprias, com sua língua, seu saber e seu poder político (a Independência e depois a República) é elaboração particular ao século XIX.

O gesto do gramático, que é um gesto de interpretação em relação à língua que falamos, tem como projeção o sujeito e a língua nacional, referidos ao Estado.

A gramatização do português brasileiro, mais do que um processo de construção de um saber sobre a língua nacional, tem como conseqüência algo mais substancial e definidor: a constituição de um sujeito nacional, um cidadão brasileiro com sua língua própria, visível na gramática.

São processos de individualização que são desencadeados: individualiza-se o país, individualiza-se o seu saber, individualiza-se seu sujeito político e social.

Com a autoria dos gramáticos (e os literatos, os historiadores, os políticos brasileiro etc) o século XIX é, entre outras coisas, um momento intelectual muito forte na direção de se pensar a língua, suas instituições e seus sujeitos, assim como a escrita (“Escrever-se como se fala no Brasil e não como se escreve em Portugal”, diz Macedo Soares).

O movimento de que faz parte a autoria brasileira das gramáticas é um grande movimento de tomada em mãos da nossa história, da configuração da nossa sociedade. Ao assinar a gramática, nossos autores nos transferem seu saber sobre a língua, o torna acessível a nossa sociedade (não toda pois, como sabemos, as divisões sociais são uma realidade institucional inequívoca do sistema republicano).

A República é uma prática política que vai favorecer o desenvolvimento das Instituições: Escolas (elaboração consciente de um saber sobre a língua, sobre as coisas do Brasil, etc), projetos de ensino, Dicionários, Gramáticas, Antologias.

Com a Independência em 1822, o Estado brasileiro se estabelece e a questão da língua se evidencia. Um exemplo disso é o fato de que, em 1826, já se coloca a discussão, a partir de um projeto proposto no Parlamento, portanto a nível do poder constituído, de que os diplomas dos médicos devem ser redigidos em “linguagem brasileira”.

Nos anos que se seguem e com a vinda da Republica tanto o Estado como a questão da língua brasileira se configura mais decididamente e o período de que acabamos de falar, o da emergência das gramáticas no século XIX, atesta o vigor dessa época e dessa relação: língua e Estado se conjugam em sua fundação.

Após essa fase, já no início de 1900, esse cenário se modifica. O Estado brasileiro já se configura com clareza e é ele próprio a garantia da nossa diferença em relação a Portugal. Surge a Academia Brasileira de Letras, firmam-se acordos ortográficos, criam-se Faculdades, já que a instituição Escola adquire maturidade. Então as gramáticas já não têm a função de dar forma aos difíceis limites da identidade brasileira, só o de mantê-los.

Surgem então as inúmeras gramáticas, cujas diferenças já não referem a autorias de gramáticos em suas filiações mas dizem respeito às diferenças descritivas e analíticas: filigrana de diferenças na análise da oração e de complementos, adjuntos x e y etc.

Passa a haver uma profusão de gramáticas o que leva inclusive M. Câmara a afirmar em defesa da NGB: “Da minha parte tenho a dizer de início que considero a nova Nomenclatura Gramatical um excelente passo para combater o arbítrio e a fantasia individual em matéria de nomenclatura. No século XIX, dizia-se que todo professor de filosofia alemão se achava obrigado a criar um sistema filosófico seu. A Alemanha é a terra da Filosofia; no Brasil, que é a terra da Gramática, todo professor de português se acha obrigado a criar uma nomenclatura gramatical sua” (p. 56, Dispersos, 1972). Há aí muita coisa a se comentar.

Fica aqui apenas a referência a essa “multiplicidade quase estonteante” (M. Câmara idem).

A questão que nos interessa é que nessa profusão de autorias começa o apagamento da materialidade da autoria praticada no século XIX, aquela que garantia a construção conjunta de uma língua nossa e um Estado nosso. Tendo já a garantia de um nosso Estado, o exercício da produção de gramáticas tem outra forma e sentido no século XIX. Com a NGB (1959) este estado de coisas muda sensivelmente, quando é uma comissão que, a partir de um decreto, estabelece a homogeneidade de uma terminologia que des-autoriza as varias posições (gramática geral, gramática histórica, gramática analítica, gramática descritiva etc) dos gramáticos do século XIX que traziam para si a responsabilidade de um saber sobre a língua.

Depois desse deslocamento, a autoria do saber sobre a língua deixa de ser uma posição do gramático e será patrocinado pela lingüística. Saber como a língua funciona dá autoridade ao lingüista para dizer como uma língua é (português no Brasil/português europeu). A autoria da gramática passa a necessitar de caução do lingüista, já que este tem o conhecimento científico da língua. Há uma transferência do conhecimento do gramático para o lingüista.

Duas coisas devem ser observadas nesse processo:

A. Nessa primeira fase, a que se inicia com a autoria dos gramáticos (séc.XIX) é que faz sentido o enunciado “A língua Portuguesa do Brasil” pois é a própria pertinência ao Brasil que está em disputa.

A partir daí, com as garantias já dadas pela existência de nosso Estado com a nossa língua, a especificação é só a localização de uma história particular: “Língua Portuguesa no Brasil”.

B. O trajeto que podemos observar mostra também o deslizamento cada vez mais forte de uma posição política e intelectual para uma posição marcadamente científica da questão posta pela implementação da cientificidade. Na medida em que o Estado se define e nossa sociedade tem sua forma, a cientificidade é um argumento para a afirmação dessa identidade. E isto afeta a questão da língua e do saber sobre ela.

O que se reflete evidentemente sobre a questão do ensino, da Escola: com a lingüística o tratamento da língua se coloca no âmbito da ciência e a relação com a Escola é a da aplicação do conhecimento gramatical no ensino/aprendizagem da língua (materna). O que vai tornar menos “próxima”, e com a história da colonização. Já estão longe, em nossa memória, os atos de intervenção de Pombal, exigindo que se falasse e escrevesse o português e não a língua geral. Não restam senão os seus efeitos.

O lugar da imposição de um poder e da resistência desloca-se para o campo científico: o modo e a filiação a teorias que apagam ou não a historicidade da língua, que mostram ou não os compromissos políticos das teorias gramaticais (universais ou particulares). A relação entre unidades e diversidade, que é a relação nuclear, tanto para o Estado como para a língua, não perde sua validade e vai assim construindo sua história, fazendo seus percursos, significando seu jogo. Garantida a unidade de nossa língua, como ter e quem tem acesso ao seu conhecimento científico e aos seus usos mais valorizados. A relação não é mais entre portugueses e brasileiros, é entre teorias científicas sobre a linguagem. Diríamos, assim, que em um momento temos o Estado se constituindo e, no outro, ele já formalmente constituído. Isso nos dá a peculiaridade da relação do Estado com a ciência, se pensarmos que houve uma explicitação progressiva da figura do Estado que de acompanha da caracterização da língua como uma questão científica. Para finalizar, pensamos que se deva refletir sobre os sentidos da gramática.

No percurso que mostramos, a gramática deixa de ser um “monumento” à língua, para se apresentar como um “artefato” de ciência. E isto se constrói em certas condições, das quais delineamos algumas, e tem suas conseqüências, que resta explorar.

Notas

(1) A noção de acontecimento discursivo é a que permite compreender os grandes deslocamentos feitos na história e que produzem um dizer, abrem um espaço do enunciável, ou melhor, que produzem uma forma particular de enunciação, enquanto acontecimentos na história.

(2) Sem dúvida a prática da literatura nesse momento é decisiva nessa relação. Não estamos pois excluindo o literato, estamos apenas fazendo ver que o gramático tem uma relevância às vezes esquecida nessa história. Gostaríamos, ainda, de lembrar, que a autoria nessa época é complexa, sendo o autor, muitas vezes, ao mesmo tempo gramático, historiador, literato, professor, político etc.

OS SENTIDOS DO IDIOMA NACIONAL

Na nossa tese de doutoramento (Dias, 1996) procuramos empreender uma análise semântica de enunciados de discursos parlamentares, produzidos no processo de tramitação de três projetos legislativos no Brasil, nas décadas de 30 e 40, que objetivavam a denominação do idioma falado no Brasil, de língua portuguesa para língua brasileira.

Mostramos que o debate em torno da denominação do idioma deixava transparecer uma questão que esteve presente em outros momentos da nossa história: a identidade da língua falada no Brasil.

As medidas destinadas a oficializar o ensino da língua portuguesa no Brasil, já no século XVII, após quase dois séculos de ausência de qualquer tipo de política cultural e educacional por parte da metrópole, apareceram em meio a um quadro social marcado pelas seguintes características: a pequena faixa da população alfabetizada contrastava com a maioria absoluta da população, que não dominava a escrita, sendo que parte dessa população falava a língua geral ou nheengatu.

Essa distinção cruzava com uma outra, qual seja, a do bom português em contraste com o mal português (entenda-se aí o português mal falado ou mal escrito).

Aquilo a que chamamos de questão da língua no Brasil tem, portanto, raízes na linha de demarcação entre os que conhecem e os que não conhecem o português escrito.

Essa questão aparece fortemente nas décadas de 30 e 40 no Brasil na época em que as discussões sobre a identidade nacional ganhavam terreno entre os políticos e os intelectuais. Na nossa tese, buscamos compreender como se configurava uma identidade de língua nacional na ótica dos políticos.

Especificamente, nosso trabalho consiste em mostrar as bases em que se formulavam argumentos contrários e a favor do projeto que propunha a mudança do nome do idioma. A questão não estava, como se poderia esperar à primeira vista, centrada tão somente na diferença “lingüística” entre o português do Brasil e o português de Portugal, mas no sentido que adquiria essa mudança em relação a um quadro interno ao próprio País. Nesse momento, estava em jogo um conceito de cidadania; isto é, a questão da nacionalidade da língua estava em função de uma imagem discursiva do falante enquanto membro de uma nação. Isso se torna mais claro quando verificamos que as expressões língua nacional e língua pátria não levantavam polêmica. A expressão língua nacional aparecia em textos oficiais e a expressão língua pátria figurava tanto como nome de disciplina nas escolas secundárias quanto como nome de livros didáticos de ensino da língua materna.

Mas a expressão língua brasileira adquiria sentidos relativamente a um espaço no qual a nacionalidade cruzava com a cidadania. Tendo em vista que a expressão língua brasileira tem como correlato semântico “língua falada pelos brasileiros” colocava-se a questão do estatuto da nacionalidade a partir do estatuto do homem que constitui a nação. E quem seria esse homem? Essa é a pergunta-chave, que está subjacente às discussões nas casas legislativas.

As discussões se desenvolviam em torno de duas posições. Parte dos parlamentares via na expressão língua brasileira a legitimação de um domínio de língua caracterizado como “patuá do povo ignaro”, “meia-língua do poviléu”, “língua da tia Josefa, a cozinheira”, “dialeto regionalista”, etc. Portanto, era necessário, no entender desse grupo, lutar contra o projeto de mudança do idioma, uma vez que designar a língua de brasileira significaria configurar uma identidade para a nação a partir de um domínio de língua relativamente a “povo ignaro”, “poviléu”, “cozinheira”, “caipira”, etc. a língua não poderia ser chamada de brasileira, para o grupo de parlamentares dessa posição, uma vez que “essa língua” não adquirira um estatuto capaz de legitimar discursos, de modo a torná-los visíveis às malhas sociais da elite brasileira letrada. O nome “língua portuguesa” deveria continuar como nome oficial da língua na ótica desses parlamentares, porque se adequaria a toda uma tradição de escrita cultivada pelos grandes nomes da literatura brasileira.

O outro lado da polêmica, a saber, os que defendiam a mudança da denominação do idioma, via no nome língua brasileira a expressão da própria natureza do País. A língua brasileira é o “cultivado fruto policrômico e saboroso, de feição tão linda que é o idioma brasileiro”; é a língua que “aqui se desenvolveu, floriu, amalgamou-se, coloriu-se”; é a “língua tão cheia de suavidade, que falam as brasileiras, (...) tão cheia de heroísmos que falam os brasileiros”; é a língua que “se distendeu em ramos frondosos, acobertada por essa natureza exuberante, que é a brasileira, parecendo pedir, desde então, vida própria, genuinamente nacional, e naturalização”. Para esse grupo, portanto, a língua que falamos deveria ter o nome de língua brasileira, uma vez que ela se molda pela imagem da natureza que identifica o espaço geográfico brasileiro.

Procuramos, dessa forma, mostrar como a questão do nome de idioma estava sendo determinada pela questão da identidade do cidadão brasileiro e da própria nação que ia se constituindo naquele período.

Mostramos que a relação entre a concepção de idioma e a concepção de nacionalidade era permeada pelo espaço em que o sujeito encontra a sua identidade. Especificamente, o grupo que combatia a mudança do idioma e o grupo que a defendia configuravam esse espaço diferentemente. O primeiro grupo concebia a língua a partir da tradição escrita, em relação à qual ele se identifica enquanto membro da classe que tem na escrita uma forma de inserção nos aparelhos institucionais; a mudança do idioma parecia, na ótica desse grupo, produzir uma verdadeira mudança de eixo, pois ela “apagaria” essa tradição de escrita, e poderia elevar ao status de língua nacional uma modalidade de língua falada por quem não tem o suporte da escrita, capaz de tornar a língua visível para os aparelhos institucionais.

O segundo grupo, por outro lado, configurava aquele espaço a partir de uma imagem peculiar, romântica, daquilo que seria a “natureza” brasileira. O espaço que proporciona uma natureza sui generis é o espaço de uma língua que não é mais aquela dos portugueses, mas a do homem da terra, um homem que se confunde com a própria natureza do País.

Na primeira perspectiva, o brasileiro só é percebido como cidadão tendo como referência o percurso de escrita. Esse fato aponta para uma exclusão daqueles que não dominavam a escrita da categoria do cidadão. Na segunda perspectiva, a identidade do brasileiro é desviada para um domínio de visão deslocado do espaço social; a imagem do brasileiro é construída a partir de uma imagem romântica do País.

É em relação a esses espaços, então, que se configurava a cidadania nas décadas de 30 e 40 no Brasil: sob a ótica do exclusivismo, de um lado, e sob a ótica do ornamental, de outro.

LUIS FRANCISCO DIAS - UFPB

Fonte: www.unicamp.br

Idioma do Brasil

Língua Portuguesa

A língua portuguesa, com mais de 210 milhões de falantes nativos, é a quinta língua mais falada no mundo e a terceira mais falada no mundo ocidental. Idioma oficial de Portugal e do Brasil, e idioma oficial, em conjunto com outros idiomas, de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, Guiné Equatorial, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, sendo falada na antiga Índia Portuguesa (Goa, Damão, Diu e Dadrá e Nagar-Aveli), além de ter também estatuto oficial na União Europeia, no Mercosul e na União Africana.

A situação da Galiza e do galego em relação ao português é controversa. De um ponto de vista político e, portanto, oficial, o galego é uma língua porque assim o determinam os organismos de Estado espanhol e da Região Autônoma da Galiza, com legitimidade democrática. De um ponto de vista científico, a ideia de que o galego é uma variedade dialetal da língua portuguesa reúne hoje um vasto consenso, sendo estudado a par com as restantes variedades do português nas universidades e centros de investigação linguística. Ver o artigo Língua galega.

A língua portuguesa é uma língua românica (do grupo ibero-românico), tal como o castelhano, catalão, italiano, francês, romeno e outros.

Assim como os outros idiomas, o português sofreu uma evolução histórica, sendo influenciado por vários idiomas e dialetos, até chegar ao estado conhecido atualmente. Deve-se considerar, porém, que o português de hoje compreende vários dialetos e subdialetos, falares e subfalares, muitas vezes bastante distintos, além de dois padrões reconhecidos internacionalmente (português brasileiro e português europeu). No momento atual, o português é a única língua do mundo ocidental falada por mais de cem milhões de pessoas com duas ortografias oficiais (note-se que línguas como o inglês têm diferenças de ortografia pontuais mas não ortografias oficiais divergentes), situação a que o Acordo Ortográfico de 1990 pretende pôr cobro.

Segundo um levantamento feito pela Academia Brasileira de Letras, a língua portuguesa tem, atualmente, cerca de 356 mil unidades lexicais. Essas unidades estão dicionarizadas no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa .

O português é conhecido como A língua de Camões (por causa de Luís de Camões, autor de Os Lusíadas), A última flor do Lácio, expressão usada no soneto Língua Portuguesa de Olavo Bilac ou ainda A doce língua por Miguel de Cervantes.

Nos séculos XV e XVI, à medida que Portugal criava o primeiro império colonial e comercial europeu, a língua portuguesa se espalhou pelo mundo, estendendo-se desde a costa Africana até Macau, na China, ao Japão e ao Brasil, nas Américas. Como resultado dessa expansão, o português é agora língua oficial de oito países independentes além de Portugal, e é largamente falado ou estudado como segunda língua noutros. Há, ainda, cerca de vinte línguas crioulas de base portuguesa. É uma importante língua minoritária em Andorra, Luxemburgo, Namíbia, Suíça e África do Sul. Encontram-se, também, numerosas comunidades de emigrantes, em várias cidades em todo o mundo, onde se fala o português como Paris na França; Toronto, Hamilton, Montreal e Gatineau no Canadá; Boston, New Jersey e Miami nos EUA e Nagoya e Hamamatsu no Japão.

História

O português desenvolveu-se, na parte ocidental da Península Ibérica, do latim falado, trazido pelos soldados e colonos romanos desde o século III a.C.. A língua iniciou o seu processo de diferenciação das outras línguas românicas depois da queda do Império Romano e das invasões bárbaras no século V. Começou a ser usada em documentos escritos pelo século IX, e no século XV tornara-se numa língua amadurecida, com uma literatura bastante rica.

Idioma do Brasil
Luís de Camões

Chegando à Península Ibérica em 218 a.C., os romanos trouxeram com eles a língua romana popular, o latim vulgar, de que todas as línguas românicas (também conhecidas como "Línguas novilatinas", ou, ainda, "neolatinas") descendem. Já no século II a.C. o sul da Lusitânia estava romanizado.

Estrabão, um geógrafo da Grécia antiga, comenta num dos livros da sua obra Geographia: "Eles adoptaram os costumes romanos, e já não se lembram da própria língua." A língua tornou-se popular com a chegada dos soldados, colonos e mercadores romanos, que construíram cidades romanas normalmente perto de antigos povoados de outras civilizações.

Entre 409 d.C. e 711, assim que o Império Romano entrou em colapso, a Península Ibérica foi invadida por povos de origem germânica, conhecidos pelos romanos como bárbaros. Os bárbaros (principalmente os suevos e os visigodos) absorveram em grande escala a cultura e a língua da península; contudo, desde que as escolas e a administração romana fecharam, a Europa entrou na Idade Média e as comunidades ficaram isoladas, o latim popular começou a evoluir de forma diferenciada e a uniformidade da península rompeu-se, levando à formação de um "Romance Lusitano". Desde 711, com a invasão islâmica da península, o árabe tornou-se a língua de administração das áreas conquistadas. Contudo, a população continuou a usar as suas falas românicas de tal forma que, quando os mouros foram expulsos, a influência que exerceram na língua foi relativamente pequena. O seu efeito principal foi no léxico, com a introdução de milhares de palavras.

Os registos mais antigos que sobreviveram de uma língua portuguesa distinta são documentos administrativos do século IX, ainda entremeados com muitas frases em latim. Hoje em dia, essa fase é conhecida como o "Proto-Português" (falado no período entre o séculos IX e XII).

Trecho de poesia medieval portuguesa

Das que vejo
non desejo
outra senhor se vós non,
e desejo
tan sobejo,
mataria um leon,
senhor do meu coraçon:
fin roseta,
bela sobre toda fror,
fin roseta,
non me meta
en tal coita voss'amor!
João de Lobeira
(1270?–1330?)

Portugal tornou-se independente em 1143 com o rei D. Afonso Henriques. A língua falada à época, o português antigo (antepassado comum ao galego e ao português modernos, do século XII ao século XIV), começou a ser usada de forma mais generalizada, depois de ter ganhado popularidade na Península Ibérica cristianizada como uma língua de poesia. Em 1290, o rei Dom Dinis cria a primeira universidade portuguesa em Lisboa (o Estudo Geral) e decretou que o português, até então apenas conhecido como "língua vulgar" passasse a ser conhecido como Língua Portuguesa e oficialmente usado.

No segundo período do Português Arcaico, entre os séculos XIV e XVI, com as descobertas portuguesas, a língua portuguesa espalhou-se por muitas regiões da Ásia, África e Américas. Hoje, a maioria dos falantes do português encontram-se no Brasil, na América do Sul. No século XVI, torna-se a língua franca da Ásia e África, usado não só pela administração colonial e pelos mercadores, mas também para comunicação entre os responsáveis locais e europeus de todas as nacionalidades. A irradiação da língua foi ajudada por casamentos mistos entre portugueses e as populações locais e a sua associação com os esforços missionários católicos levou a que fosse chamada Cristão em muitos sítios da Ásia. O Dicionário Japonês-Português de 1603 foi um produto da atividade missionária jesuíta no Japão. A língua continuou a gozar de popularidade no sudoeste asiático até ao século XIX.

Algumas comunidades cristãs falantes de português na Índia, Sri Lanka, Malásia e Indonésia preservaram a sua língua mesmo depois de terem ficado isoladas de Portugal. A língua modificou-se bastante nessas comunidades e, em muitas, nasceram crioulos de base portuguesa, alguns dos quais ainda persistem, após séculos de isolamento. Encontra-se também um número bastante considerável de palavras de origem portuguesa no tétum. Palavras de origem portuguesa entraram no léxico de várias outras línguas, como o japonês, o suaíli, o indonésio e o malaio.

O fim do "Português Arcaico" é marcado pela publicação do Cancioneiro Geral de Garcia de Resende em 1516. O período do "Português Moderno" (do século XVI até ao presente) teve um aumento do número de palavras originárias do latim clássico e do grego, emprestadas ao português durante a Renascença, aumentando a complexidade da língua.

Em março de 2006, fundou-se em São Paulo o Museu da Língua Portuguesa.

Classificação e línguas relacionadas

Indo-europeu

Itálico

Românico

Italo-Ocidental

Galo-Ibérico

Ibero-Romance

Ibero-Ocidental

Galaico-português

A língua portuguesa é, em alguns aspectos, parecida com a língua castelhana, tal como com a língua catalã ou a língua italiana, mas é muito diferente na sintaxe, na fonologia e no léxico. Um falante de uma das línguas requer alguma prática para entender capazmente um falante da outra. Além do mais, as diferenças no vocabulário podem dificultar o entendimento.

Compare por exemplo:

Ela fecha sempre a janela antes de jantar. (português)

Ella cierra siempre la ventana antes de cenar. (castelhano)

Em alguns lugares, o português e o castelhano são falados em conjunto. Enquanto que os falantes de português têm um nível notável de compreensão do castelhano, os falantes castelhanos têm, em geral, maior dificuldade de entendimento. Isto ocorre porque o português tem a maior parte dos sons do castelhano, mas possui alguns que são únicos. No português, por exemplo, há sons anasalados e, no dialeto de Portugal, o final das palavras não é pronunciado por completo. Essas peculiaridades dificultam a compreensão dos falantes castelhanos. O português é, naturalmente, relacionado com o catalão, o italiano e todas as outras línguas latinas. Falantes de outras línguas latinas podem achar peculiar a conjugação de verbos aparentemente infinitivos.

Há muitas línguas de contato derivadas do ou influenciadas pelo português, como por exemplo o Patuá macaense de Macau. No Brasil, destacam-se o Lanc-Patuá derivado do francês e vários quilombolas, como o cupópia do Quilombo do Cafundó, de Salto do Pirapora, SP

Distribuição geográfica

O português é primeira língua em Angola, Brasil, Portugal, São Tomé e Príncipe e Moçambique.

A língua portuguesa é também a língua oficial de Cabo Verde e uma das línguas oficiais da Guiné Equatorial (com o Espanhol e o Francês), Timor-Leste (com o tétum), Macau (com o chinês). É bastante falado, mas não oficial, em Andorra, Luxemburgo, Namíbia e Paraguai. Crioulos de base portuguesa são a língua materna da população de Cabo Verde e de parte substancial dos guineenses e são-tomenses.

O português é falado por cerca de 187 milhões de pessoas na América do Sul, 16 milhões de africanos, 12 milhões de europeus, dois milhões na América do Norte e 330 mil na Ásia.

A CPLP ou Comunidade dos Países de Língua Portuguesa é uma organização internacional constituída pelos oito países independentes que têm o português como língua oficial. O português é também uma língua oficial da União Europeia, Mercosul e uma das línguas oficiais e de trabalho da União Africana. A União Latina é outra organização internacional constituída por países de línguas românicas como o português. A língua portuguesa tem ganhado popularidade como língua de estudo na África, América do Sul e Ásia.

Padrões

O português tem duas variedades escritas (padrões ou standards) reconhecidas internacionalmente:

Português Europeu e Africano (Português europeu)

Português do Brasil (Português brasileiro)

Empregado por cerca de 85% dos falantes do português, o padrão brasileiro é hoje o mais falado, escrito, lido e estudado do mundo. É, ademais, amplamente estudado nos países da América do Sul, devido à grande importância econômica do Brasil no Mercosul.

As diferenças entre as variedades do português da Europa e do Brasil estão no vocabulário, na pronúncia e na sintaxe, especialmente nas variedades vernáculas, enquanto nos textos formais essas diferenças diminuem bastante. As diferenças não são maiores que entre o inglês dos Estados Unidos e do Reino Unido ou o francês da França e de Québec. Ambas as variedades são, sem dúvida, dialetos da mesma língua e os falantes de ambas as variedades podem entender-se apenas com pequenas dificuldades pontuais.

Essas diferenças entre as variantes são comuns a todas as línguas naturais, ocorrendo em maior ou menor grau, dependendo do caso. Com um oceano entre Brasil e Portugal, e ao longo de quinhentos anos, a língua evoluiu de maneira diferente em ambos os países, dando origem a dois padrões de linguagem simplesmente diferentes, não existindo um padrão que seja mais correto em relação ao outro.

É importante salientar que dentro daquilo a que se convencionou chamar "português do Brasil" e "português europeu", há um grande número de variações regionais.

Um dos traços mais importantes do português brasileiro é o seu conservadorismo em relação à variante européia, sobretudo no aspeto fonético. Um português do Século XVI mais facilmente reconheceria a fala de um brasileiro do Século XX como sua do que a fala de um português. O exemplo mais forte disto é o vocalismo átono usado no Brasil, que corresponde ao do português da época dos descobrimentos. Este fato destrói todo um discurso muito comum no Brasil que procura minorar a herança portuguesa, valorizando apenas as influências africanas e italianas. Destrói também todo um discurso muito comum em Portugal que tenta fazer dos portugueses falantes com mais direitos e autoridade do que os brasileiros. Assim, a linguística não só retira qualquer autoridade de qualquer variante em relação às outras, como mostra que a distância entre as variantes e entre os seus falantes não é tão grande como muitos pensam.

Durante muitos anos os dois países estiveram de costas voltadas, legislando sobre a língua sem darem atenção um ao outro, nem aos restantes países lusófonos.

O que mais afasta as duas variantes não é o seu léxico ou pronúncia distintos (considerados naturais até num mesmo país), mas antes o fato, pouco comum nas línguas, de seguirem duas ortografias diferentes. Por exemplo, o Brasil eliminou o "c" das seqüências interiores cc/cç/ct, e o "p" das seqüências pc/pç/pt sempre que não são pronunciados na forma culta da língua, um remanescente do passado latino da língua que persistiu no português europeu.

Europa e África Brasil
acção ação
acto ato
contacto contato
direcção direção
eléctrico elétrico
óptimo ótimo

Obs: No Brasil mantêm-se quando pronunciadas, como em facção, compactar, intelectual, aptidão etc.

Por seu lado, Portugal aboliu unilateralmente o trema em palavras como freqüente, enquanto no Brasil esse sinal continua sendo utilizado para indicar quando o "u" é pronunciado nas sílabas que/qui/gue/gui. Também ocorrem diferenças de acentuação devido a pronúncias diferentes.

No Brasil, em palavras como acadêmico, anônimo e bidê usa-se o acento circunflexo por tratar-se de vogais fechadas, enquanto nos restantes países lusófonos estas vogais são abertas: acadêmico, anônimo e bidé respectivamente.

Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990

O Acordo Ortográfico de 1990 foi proposto para criar uma norma ortográfica única, de que participaram na altura todos os países de língua oficial portuguesa, com a adesão da delegação de observadores da Galiza. Os signatários que ratificaram o acordo original foram Portugal (1991), Brasil (1996), Cabo Verde (2006) e S. Tomé e Príncipe (2006). Timor-Leste, não sendo um subscritor do acordo original, ratificou-o em 2004.

Em julho de 2004 foi aprovado, em São Tomé e Príncipe, o Segundo Protocolo Modificativo, durante a Cúpula dos Chefes de Estado e de governo da CPLP.

O Segundo Protocolo permitiu que o Acordo passasse a vigorar com a ratificação de apenas três países, sem a necessidade de aguardar que todos os demais membros da CPLP adotassem o mesmo procedimento. Assim, tendo em vista que o Segundo Protocolo Modificativo foi ratificado pelo Brasil (2004), Cabo Verde (2006) e S. Tomé e Príncipe (Dez. 2006), e que o Acordo passaria automaticamente a vigorar um mês após a terceira ratificação necessária, o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa está em vigor, na ordem jurídica internacional e nos ordenamentos jurídicos dos três Estados acima indicados, desde 1º de Janeiro de 2007. Cf. Nota da CPLP

Gramática

Morfologia verbal

Os verbos são divididos em três conjugações, identificadas pela terminação dos infinitivos, -ar, -er, -ir (e -or, remanescente no único verbo, pôr, juntamente com seus compostos; este verbo pertence, todavia, à conjugação de infinitivos terminados em -er, pois tem origem no latim poner, evoluindo para poer e pôr). A maioria dos verbos terminam em ar, tais como cantar. De uma forma geral, os verbos com a mesma terminação seguem o mesmo padrão de conjugação.

Porém, são abundantes os verbos irregulares e alguns chegam a ser até mesmo anômalos: ir, ser, saber, pôr e seus derivados apor, opor, compor, dispor, supor, propor, decompor, recompor, repor, sobrepor e antepor.

Tempos e aspectos

Há, no português, três tempos e diversos aspectos, a saber:

Presente, que exprime ações freqüentes ou corriqueiras.

Pretérito, exprimindo ações terminadas no passado.

Futuro, que exprime ações pontuais que ocorrerão no futuro.

Na língua portuguesa, os verbos são divididos em três modos, de acordo com o que exprimem:

Indicativo, para exprimir fatos tidos como certos.

Conjuntivo ou Subjuntivo, para exprimir suposições.

Imperativo, para exprimir instruções.

Morfologia nominal

Todos os substantivos portugueses apresentam dois gêneros: masculino ou inclusivo e feminino ou exclusivo. Muitos adjetivos e pronomes, e todos os artigos, indicam o gênero dos substantivos a que eles se referem. O gênero feminino em adjetivos é formado de modo diferente dos substantivos.

Muitos adjetivos terminados em consoante permanecem inalterados: "homem superior", "mulher superior", da mesma forma os adjetivos terminados em "e": "homem forte", "mulher forte".

Fora isso, o substantivo e o adjetivo devem sempre estar em concordância: "homem alto", "mulher alta".

O grau dos substantivos é, de uma forma genérica, representado pelos sufixos "-ão, -ona" para o aumentativo e "-inho, -inha" para o diminutivo, ainda que haja numerosas variações para representar esses graus.

Os adjetivos podem ser empregados em forma comparativa ou superlativa. A forma comparativa é representada pelos advérbios "mais...que", "menos...que" e "tanto...quanto" (ou "como"), e a forma superlativa é representada pelas locuções "o mais" ou "o menos". Para representar o superlativo absoluto, pode-se ainda acrescentar os sufixos "-íssimo, -íssima" (alguns adjetivos, no entanto, fazem o superlativo absoluto com a terminação "-érrimo, -érrima", ou "-ílimo", "-ílima").

Os substantivos vêm geralmente acompanhados de um numeral, pronome ou artigo, assumindo variações de acordo com as funções sintáticas, a saber:

Nominativo (sujeito ou objeto direto): a, o, este, esta, isto, esse, essa, isso, aquele, aquela, aquilo

Genitivo (adjunto adnominal de posse): da, do, deste, desta, disto, desse, dessa, disso, daquele, daquela, daquilo

Locativo (adjunto adverbial de lugar): na, no, neste, nesta, nisto, nesse, nessa, nisso, naquele, naquela, naquilo

Dativo (objeto indireto): à, ao, àquele, àquela, àquilo (a preposição não se funde com os demais demonstrativos).

Os advérbios podem ser formados pelo feminino dos adjetivos, com o acréscimo do sufixo "-mente", por exemplo: certo = cert(a)mente.

Vocabulário

O Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, por Antônio Houaiss (1915 – 1999), filho de imigrantes libaneses e antigo Ministro da Cultura do Brasil, foi criado com o apoio de quase duas centenas de lexicógrafos de vários países e é o dicionário de língua portuguesa mais completo (cerca de 228 500 entradas, 376 500 acepções, 415 500 sinônimos, 26 400 antônimos e 57 000 palavras arcaicas).

Inclui todas as variações da língua portuguesa: africanismos, asiacismos, brasileirismos e lusismos. Dedicando a sua vida à língua, Houaiss começou o seu trabalho em 1986, e morreu um ano antes do dicionário ser acabado pelos seus colegas, no ano 2000, sem ver o seu sonho tornar-se realidade. O dicionário está rapidamente a tornar-se uma referência na língua, sendo até classificado por alguns como um "monumento à língua".

O Português, quer em morfologia e síntaxe, representa uma transformação orgânica do latim sem intervenção de qualquer língua estrangeira. Os sons, formas gramaticais e tipos sintácticos, com pequenas excepções, são derivados do latim. E, cerca de 90% do vocabulário ainda deriva da língua de Roma. Algumas mudanças tomaram corpo durante o Império Romano, outras tiveram lugar mais tarde. Na Idade Média Alta, o Português estava a erodir tanto como o francês, mas uma política conservadora reaproximou a língua ao latim.

Fonética

A língua portuguesa contém alguns sons únicos para falantes de outras línguas tornando-se, por isso, necessário que estes lhes prestem especial atenção quando a aprendem.

Fonte: pt.wikipedia.org

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