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Invasões Holandesas no Brasil

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O que foram as Invasões Holandesas no Brasil?

Em 1578 o rei de Portugal Dom Sebastião I, desapareceu na batalha de Alcácer-Quibir no norte da África, seu tio o cardeal Dom Henrique passou a ser o rei. Com sua morte assumia o trono de Portugal, Dom Felipe II da Espanha. O Brasil passou a ser um domínio espanhol em resultado da União Ibérica.

A Holanda era inimiga da Espanha e desta forma o comércio do açúcar com o Brasil foi proibido, os holandeses para não perder o rentável negócio resolveu através da Companhia das Índias Ocidentais invadir o Brasil e dominar a produção mundial do açúcar.

Invasões Holandesas no Brasil
Paisagem pernambucana com um rio, obra do pintor holandês Frans Post (1612-1680).

Em 10 de maio de 1624 a cidade de Salvador na Bahia foi atacada pelos holandeses e ocupada, mas por pouco tempo sendo expulsos por espanhóis e portugueses em 1625. Em 1630 os batavos desta vez vão atacar Pernambuco. Desta vez os holandeses só vão sair em 1654, após guerras e uma rica indenização de Portugal.

Em 1637 foi enviado para o Brasil o Conde Maurício de Nassau, responsável pela Nova Holanda no nordeste brasileiro. Nassau deu liberdade de religião, restaurou as cidades de Olinda e Recife, construiu prédios, pontes, fortes, jardins zoológico e botânico, trouxe cientistas, cartógrafos e pintores, entre eles Franz Post que retratou o Brasil daquela época.

Entre 1640 e 1641 sete das catorze capitânias brasileiras estavam sob o controle dos holandeses, e os banqueiros judeus da Holanda emprestaram dinheiro aos senhores de engenho, mas em 1640 iniciou a guerra entre a Holanda e a Inglaterra, pela disputa do comércio mundial. E os holandeses precisando de dinheiro começaram a cobrar as dívidas dos brasileiros, tomando as terras dos que não pudessem pagar.

Em 1640 Portugal havia rompido com a Espanha, era o fim da União Ibérica, em 1644 Nassau voltava para a Holanda, no Brasil os senhores de engenho começaram a Insurreição Pernambucana na tentativa de expulsar os holandeses. E obtiveram êxito em 1654, mas com Portugal pagando pesada indenização.

Os holandeses vão para as Antilhas onde passaram a produzir o açúcar que vai levar a crise do produto no Brasil, alguns holandeses já haviam ido embora do Brasil e ido fundar a cidade de Nova Amsterdã em 1626 (atual Nova York nos Estados Unidos).

Por Frederico Czar
Professor de História

Invasões Holandesas – História

As Invasões holandesas, foram invasões ocorridas em regiões brasileiras em duas ocasiões, 1624-1625 (Bahia) e 1630-1654 (Pernambuco).

No século XVI aconteceram as invasões francesas e incursões corsárias no litoral.

As invasões foram determinadas pelo interesse da Companhia das Índias Ocidentais de controlar a então maior região produtora de açúcar do mundo, além do fato de a Holanda estar em guerra contra a Espanha, que então dominava o Brasil (1580-1640).

Invasão da Bahia (1624-1625)

Comandados por Jacob Willekems e Johan van Dorf os holandeses tomaram Salvador, mas não conseguiram estabelecer maiores contatos na área açucareira devido à resistência chefiada pelo bispo D. Marcos Teixeira. Em 1625 a conjugação de tropas pernambucanas com a esquadra luso-espanhola de Fradique de Toledo Osório conseguiu expulsar os invasores.

Invasão de Pernambuco e Ocupação do Nordeste

Em 1630, nova expedição ocupou Pernambuco, sendo a resistência no interior liderada por Matias de Albuquerque que, conseguiu sustentar-se, até 1635, quando a superioridade de recursos dos invasores acabou por obrigá-lo a retirar-se.

A par da luta militar, os holandeses procuraram consolidar-se e expandir sua dominação.

Entre 1637 e 1644 passou a governar o domínio holandês o conde alemão João Maurício de Nassau-Siegen que realizou melhoramentos urbanos no Recife e desenvolveu uma política de entendimento com proprietários de engenhos e comerciantes portugueses.

Simultaneamente, a Companhia ampliava seus investimentos nos engenhos pernambucanos, emprestava dinheiro aos senhores e avançava militarmente sobre outras regiões.

O fracasso na tentativa de conquistar Salvador (1638) não impediu que os holandeses estendessem seu domínio até o Maranhão.

A restauração da independência portuguesa (1640), a saída de Nassau do governo por desentendimento com a Companhia (1644) e o vencimento dos empréstimos aos senhores de engenho motivaram a Insurreição Pernambucana, movimento cujos principais líderes foram João Fernandes Vieira, Henrique Dias, Felipe Camarão e André Vidal de Negreiros.

Vencedores nas batalhas do monte das Tabocas (1644) e Guararapes (1648 e 1649), isolaram os holandeses em Recife, obrigando a capitulação em 1654.

Em 1661 foi assinado o tratado de Haia, no qual os holandeses desistiam do Brasil, mediante uma indenização.

Grandes Invasões

(1630 – 1654)

As invasões das terras brasileiras por outros países europeus começam assim que a notícia do descobrimento espalha-se pela Europa. Algumas são apenas incursões de piratas e aventureiros e limitam-se à pilhagem. Outras são promovidas velada ou abertamente por outras potências europeias com o objetivo de conquistar terras no novo continente e estabelecer colônias. Os ingleses, aliados de Portugal, não chegam a invadir o Brasil para estabelecer colônias. Os corsários ingleses – piratas que contam com a proteção velada da Coroa britânica – fazem várias incursões ao litoral, saqueiam cidades e apresam cargas de navios. Franceses e holandeses procuram estabelecer colônias no Brasil.

Invasões francesas

Desde o Tratado de Tordesilhas, no final do século XV, a Coroa francesa manifesta seu desacordo com a divisão do mundo entre Portugal e Espanha. Defende o direito de uti possidetis – a terra pertence a quem dela toma posse – e os franceses se fazem presentes no litoral brasileiro logo após o descobrimento.

Franceses no Rio de Janeiro

Em meados do século XVI, os franceses ocupam o Rio de Janeiro com intenção de estabelecer uma colônia – a França Antártica. A expedição, chefiada por Nicolas Durand de Villegaignon, com apoio oficial, traz colonos calvinistas e os primeiros frades capuchinhos para o Brasil. Fundam em 1555 o forte Coligny, base de sua resistência às investidas dos portugueses por mais de dez anos. Em 1565 são derrotados e expulsos pela armada de Estácio de Sá, sobrinho do governador-geral Mem de Sá. Ele desembarca na baía de Guanabara, toma o forte de Coligny e funda a cidade do Rio de Janeiro. Em 1710 e 1711 o Rio de Janeiro é saqueado por duas expedições de corsários franceses.

Franceses no Maranhão

Em 1594 os franceses repetem a tentativa de construir uma colônia em terras brasileiras – a França Equinocial – e invadem o Maranhão. A expedição é comandada por Charles des Vaux e Jacques Riffault. Em 6 de setembro de 1612, liderados por Daniel de la Touche, fundam o forte de São Luís, origem da cidade de São Luís do Maranhão. São expulsos em 4 de novembro de 1615.

Invasões holandesas

Antes do período de domínio espanhol sobre Portugal (1580 a 1640), portugueses e holandeses têm vários acordos comerciais: companhias privadas holandesas ajudam a financiar a instalação de engenhos de açúcar, participam da distribuição e comercialização do produto na Europa e do transporte de negros da África para o Brasil. Espanha e Holanda, no entanto, são potências rivais e, durante o domínio espanhol, os holandeses são proibidos de aportar em terras portuguesas e perdem os privilégios no comércio do açúcar.

Companhia das Índias Ocidentais

Para garantir e ampliar seus negócios na América e na África, governo e empresas comerciais privadas holandesas formam, em 1621, a Companhia das Índias Ocidentais – um misto de sociedade mercantil militarizada e empresa colonizadora. Seu objetivo é garantir o mercado fornecedor de açúcar e, quando possível, criar colônias nas regiões produtoras. Interfere também no tráfico negreiro, até então monopolizado por Portugal e indispensável ao modelo de produção açucareira instaurado no Brasil.

Holandeses na Bahia

A primeira tentativa holandesa de se estabelecer no Brasil ocorre em maio de 1624. Uma expedição conquista Salvador e consegue resistir aos portugueses por quase um ano. Em abril de 1625 são repelidos por uma frota de 52 navios organizada por Espanha e Portugal.

Holandeses em Pernambuco

Em 1630 os holandeses fazem nova investida. Conquistam Recife e Olinda, em Pernambuco, maior centro produtor de açúcar da colônia. Permanecem na região por 24 anos. Conquistam o apoio de boa parcela da população pobre local, como o mulato Calabar, e de muitos senhores de engenho. O período de maior prosperidade da colônia holandesa ocorre no governo do príncipe de Nassau, entre 1637 e 1644. Quando Nassau volta para a Holanda, a vila de Recife entra em rápida decadência. Conflitos entre os administradores e donos de engenho reduzem a base de apoio dos holandeses e sua resistência diante dos constantes ataques portugueses.

Domingos Fernandes Calabar (1635)

É um mulato pernambucano nascido em Porto Calvo. No início da invasão holandesa, entre 1630 e 1632, ele combate os invasores. Em 1633 muda de lado. Os holandeses oferecem liberdade civil e religiosa para quem os apoiar e conquistam a adesão de muitos índios, negros, mulatos e cristãos-novos. Calabar passa a lutar ao lado de seus antigos inimigos. Preso em 1635 em uma das inúmeras escaramuças com os portugueses, diz acreditar que o domínio holandês é mais benéfico que o português. Considerado traidor, é enforcado por ordem do governador da capitania de Pernambuco, Matias de Albuquerque.

Governo Nassau

O príncipe João Maurício de Nassau chega à vila de Recife como governador em 1637. Entre seus colaboradores traz pintores, como Franz Post e Albert Eckhout, que retratam cenas do cotidiano da colônia, e uma equipe de cientistas. Promove estudos de história natural, astronomia, meteorologia e medicina. As doenças que afetam a população são catalogadas e investigadas. Em seus sete anos de governo, amplia a lavoura açucareira, desenvolve fazendas de gado, constrói hospitais e orfanatos e assegura a liberdade de culto aos católicos, protestantes e judeus.

Johann Mauritius van Nassau-Siegen (1604-1679), o príncipe de Nassau, nasce no castelo de Dillemburg, Alemanha, num dos ramos da casa de Nassau, família que participa do trono da Alemanha e dos Países Baixos (Holanda). Ingressa na vida militar muito cedo, em 1618, durante a Guerra dos Trinta Anos, quando entra no exército dos Países Baixos. Distingue-se no campo de batalha e conquista grande poder e prestígio. Em 1632 começa a construir o palácio Mauritius, em Haia, e contrai muitas dívidas.

Em 1636 aceita o convite da Companhia das Índias Ocidentais para administrar a colônia holandesa no Brasil, por um salário milionário: 1.500 florins mensais, ajuda de custo de 6.000 florins, soldo de coronel do exército e 2% sobre todos os lucros obtidos. Depois de sete anos no Brasil, desentende-se com a Companhia das Índias e volta à Holanda.

Ocupa vários cargos diplomáticos e militares importantes: governador de Wessel e general da cavalaria, governador do principado de Kleve, embaixador junto à dieta de Frankfurt. Em 1652 recebe o título de príncipe do Império Germânico. Retira-se da vida pública em 1674.

Batalhas de Guararapes

As duas batalhas dos Guararapes, em 1648 e 1649, são decisivas para a derrota dos holandeses. Elas reúnem forças do Estado do Maranhão e do Governo Geral da Bahia. Os holandeses capitulam em 26 de janeiro de 1654 e reconhecem formalmente a soberania portuguesa sobre a vila de Recife em 1661, no tratado conhecido como Paz de Haia.

Invasões Holandesas – O que foi

Não foi uma guerra regional, ao contrário teve repercussão mundial representando a luta pelo controle de açúcar e das fontes de suprimento de escravos.

Motivação

“Guerra do açúcar”, os holandeses possuíam todos os meios de produção da cana-de-açúcar, possuíam o monopólio do refinamento do açúcar, eles buscam então, todo o controle da indústria da cana-de-açúcar, queriam controlar a produção (plantação) da cana-de-açúcar que era feita pelos colonos brasileiros;

União Ibérica: 1580-1640; o rei luso D. Henrique de Avis morre e não deixa herdeiros sólidos, o trono luso fica vago, e quem assume é Felipe II, rei da Espanha, por ser o parente mais próximo do rei português. Felipe II torna-se então rei da Espanha e rei de Portugal e tem o domínio do Império Colonial Espanhol e do Império Colonial Português. O tratado de Tordesilhas perdeu o sentido mas não deixou de vigorar, só com o tratado de Madri em 1750 o tratado de Tordesilhas deixou de vigorar, foi extinto. Felipe II pelo juramento de Tomar acordou não interferir na política econômica dos outros países, mas não cumpriu e iniciou uma guerra com a Inglaterra e com a Holanda. Pelo Juramento de Tomar Felipe II não iria interferir na administração lusa, mas não cumpriu. Ele era ainda Kaiser do Reich I, do qual fazia parte Alemanha, Holanda, Portugal, Espanha, Bélgica, Áustria, Norte e Sul da Itália.Os países baixos insatisfeitos com a União Ibérica se unem e deixam o Reich, Felipe II proíbe então o comércio (o açucareiro também) destes países com o mundo espanhol. A Holanda controlava a Companhia das Índias Orientais, que dominava as rotas de escravos e especiarias, e controlava a Companhia das Índias Ocidentais, que dominava a produção açucareira brasileira. A Holanda precisava do comércio com o Brasil, pois precisava da produção da cana-de-açúcar, então, a Holanda invade o Brasil. Em 1640 tem o fim da União Ibérica, Portugal se separa da Espanha. A Espanha entra em guerra com Portugal.

As invasões holandesas

1624- Tentativa de Invasão de Salvador. Depois de 9 meses foram expulsos pela jornada dos Vassalos ( 52 navios e 12 000 homens);
1625-
Invadiram Salvador pela 2ª vez, ficaram uma semana e foram expulsos;
1628-
Invadiram Fernando de Noronha;
1630-
Invasão de Pernambuco( 37 navios e 3000 soldados holandeses). Resistência( 1630-1637). Nassau (1637-1644). Insurreição PE (1645-1654);

Os colonos brasileiros produtores de cana-de-açúcar aceitaram a colonização holandesa inicialmente, pois estes ajudariam o engenho e o desenvolvimento da indústria do açúcar. Calabar foi um traidor do exército luso e passou para o lado holandês;

A Holanda possuía uma economia desenvolvida, tinha capitais provenientes das imigrações de judeus e protestantes, tem tolerância religiosa, poderia fazer altos investimentos no Brasil;

1637- Vai para a região colonizada o governador holandês Maurício de Nassau Siegen (1637-1644), ele reformou Recife ( Mauritztadz), reurbanização de Recife, modernizou-a fez obras de arte, enriqueceu a cultura, as ciências, europeização, estabeleceu a liberdade religiosa e ajudou financeiramente os engenhos, financiou-os. Trouxe investimentos através do Banco de Amsterden e fez distribuição de terras. Seu objetivo era retomar a produção açucareira;

Os engenhos começaram a entrar em crise num ano de pragas e seca e a Companhia das Índias Ocidentais, que cobrava altos impostos começou a cobrar os inadimplementos e pressionar os senhores de engenho, começou a tomar terras, acabou com a demissão de Maurício de Nassau, pois ele “privilegiava” os senhores de engenho, isso acarretou a Insurreição Pernambucana.

A Insurreição Pernambucana ( 1645-1654), a expulsão

Foi o movimento que expulsou os holandeses do Brasil

Líderes:

Senhores de Engenho: André Vidal de Negreiros

Negros: Henrique Dias
Índios:
Felipe Camarão ( Poti)
Tropas enviadas por D. João IV, Duque de Brangança, que recupera a coroa lusa da Espanha em 1640 e reestabelece o reino Português.

O Marco da expulsão é em 1648/9 na Batalha de Guararapes, morro de PE ;

Essa insurreição marca o início do Nacionalismo pois lutaram pelo Brasil e não por Portugal.

Conseqüência da expulsão dos holandeses

Paz de Haia (1661): Portugal e Holanda fazem negociação de terras invadidas, conquistadas e do dinheiro que a Holanda gastou no Brasil, sob a ameaça da guerra retornar;

Portugal tinha o tráfico negreiro e o açúcar. Portugal prefere investir no açúcar, faz desse sua principal atividade econômica. Portugal retoma o Nordeste açucareiro do Brasil e retoma a Angola que estavam sob o domínio holandês.Portugal paga indenização à Holanda, pelo dinheiro gasto por ela aqui;

Holanda recebe indenização do Brasil. Recebe ainda, a Costa do Marfim no lugar de Angola e recebe a ilha de Sal de Setúbal. A Holanda com a invasão do Brasil passou a ter o conhecimento da produção do açúcar e tinha escravos ( Costa do Marfim) e começa a investir na produção de açúcar nas Antilhas. O açúcar antilhano tinha maior qualidade e era mais barato. Tinha maior qualidade pois era a Holanda que refinava o açúcar. Era mais barato pois o escravo luso era taxado para o senhor de engenho e o escravo holandês não era taxado. E a cana era utilizada pela Holanda com maior produtividade;

A decadência do Nordeste açucareiro é decorrente da concorrência antilhana.

Invasões Holandesas – Motivos

Por duas ocasiões, os holandeses tentaram se estabelecer no Nordeste brasileiro: em 1624 na Bahia e em 1630 em Pernambuco.

Os motivos dessas investidas: parceiros dos portugueses no comércio de açúcar e escravos, os holandeses tiveram seus interesses econômicos prejudicados quando os portugueses passaram,em 1580, o trono português para a Coroa Espanhola.

Como eram rivais dos espanhóis, os holandeses não só perderam o comércio de açúcar, como também foram proibidos de aportar em terras portuguesas.

Para tentar recuperar seus negócios na África e na América, em 1621 o governo e um grupo de companhias holandesas fundam a Companhia das Índias Ocidentais (espécie de empresa comercial, militar e colonizadora) e partem para as investidas.

A primeira tentativa dos holandeses em ocupar o Nordeste brasileiro ocorreu em maio de 1624, quando eles atacam e ocupam Salvador, Bahia, cidade da qual seriam expulsos em abril de 1625, depois de um mês de lutas contra as tropas luso-espanholas.

Em fevereiro de 1630, acontece a segunda investida: chega ao litoral pernambucano uma esquadra de 56 navios da Companhia das Índias Ocidentais e os holandeses ocupam Olinda e Recife.

A ocupação não é total, porque no Arraial do Bom Jesus, a 6 km do Recife, guerrilhas são comandadas por luso-brasileiros como Henrique Dias, Martin Soares Moreno e Felipe Camarão.

Em janeiro de 1637, o conde João Maurício de Nassau-Siegen chega ao Recife trazendo um grande contingente militar; em pouco tempo consegue adesão dos cristãos novos, dos índios, dos negros e mulatos e, apesar das guerrilhas, expande o domínio holandês no litoral nordestino, do Maranhão até a foz do Rio São Francisco.

Com medidas como a concessão de empréstimos aos senhores de terra, o conde restabelece a produção de açúcar e, até a restauração de Portugal, em 1640, os holandeses não enfrentam grandes problemas no Nordeste brasileiro.

Em 1644, por discordar do governo holandês que precisava de dinheiro e determinou o imediato pagamento dos empréstimos concedidos aos senhores de terra nordestinos, Maurício de Nassau retorna à Europa.

Com a ausência do conde, o domínio holandês no Nordeste é enfraquecido e a 03 de agosto de 1645 acontece a Batalha das Tabocas, o primeiro confronto entre os holandeses e os luso-brasileiros.

Este conflito deu início a expulsão definitiva dos holandeses que aconteceria nove anos mais tarde (ver Batalha dos Guararapes). Enquanto permaneceu no Nordeste brasileiro, Maurício de Nassau conseguira administrar sem problemas a colônia holandesa.

Ele recebia salário milionário, ajuda de custo e ainda ficava com 2% sobre todos os lucros obtidos pela colônia. Daí, sua disposição em realizar obras de urbanização no Recife; estimular a recuperação de engenhos; desenvolver fazendas de gado. Para conquistar simpatia, permitia a liberdade política e de culto.

Em sua equipe, Maurício de Nassau trouxera cientistas que realizaram estudos de medicina, história, meteorologia e astronomia, além de artistas como Albert Eckhout e Franz Post, os primeiros pintores a retratar cenas da vida brasileira.

Um dos fatores que contribuíram para a derrota dos holandeses: enfraquecida pela guerra contra a Inglaterra, em 1652, a Holanda não teve condições de reforçar sua posição no Brasil. No livro “O Negócio do Brasil – Portugal, os Países Baixos e o Nordeste, 1641/1649” (Topbooks, 1998), o historiador pernambucano Evaldo Cabral de Melo diz que a expulsão dos holandeses não foi resultado de guerras valentes, mas de um acordo pelo qual Portugal pagou 4 milhões de cruzados (equivalentes a 63 toneladas de ouro) para ter o Nordeste brasileiro de volta.

Sob ameaça permanente de novos ataques não só ao Nordeste brasileiro como também a Lisboa, segundo o historiador, Portugal passou 15 anos negociando e em 1669 fechou o negócio. O pagamento da indenização levou quatro décadas, através de prestações anuais.

Durante esse período, houve ameaças de calote, o que só não aconteceu porque nessas ocasiões os Países Baixos (que eram a principal potência econômica e militar do Século XVII) despachavam a Marinha de Guerra até a foz do Rio Tejo.

Invasões Holandesas – Causas

As causas

As invasões holandesas estão interligadas a aspectos vários, sendo que devemos salientar a disputa holandesa pelo açúcar e pelos conhecimentos que permitiriam quebrar a hegemonia luso – espanhola de produção e comercialização daquele produto, à Guerra dos Trinta Anos, à União Ibérica, à Restauração da Monarquia Portuguesa e à Companhia das Índias Ocidentais.

Os processos de conquista

Os holandeses, que durante o século XVI se tornaram detentores de uma poderosa tecnologia naval, aperceberam-se da vulnerabilidade das povoações portuguesas instaladas no Brasil, possuindo um especial interesse na região do Nordeste, devido à sua produção de açucar. Oscilando algum tempo entre Pernambuco ou S. Salvador da Bahia, decidiram primeiramente atacar e conquistar a segunda povoação, tendo o primeiro ataque holandês à costa brasileira ocorrido em 1624, na região baiana. A esta chegaram 1700 homens sob o comando do almirante Jacob Willekens. Apesar dos alertas emitidos da Península Ibérica e das tentativas de Diogo Mendonça Furtado, Governador – Geral do Brasil, para defesa da costa brasileira, os invasores desembarcam a 10 de Maio de 1624 e, para sua grande surpresa e contentamento, quase não encontraram resistência.

Os poucos disparos de canhão das tropas holandesas conseguiram destruir os navios lusos ancorados no porto da cidade e dispersar, devido ao pânico, os defensores de S. Salvador. O governador ainda tentou entrincheirar-se no Palácio, o que acabou sendo uma manobra inútil, pois tanto ele como o seu filho e alguns dos seus oficiais foram aprisionados pelas tropas invasoras e enviados para os Países Baixos.

Começava o primeiro perído de presença neerlandesa naquele território. Num primeiro momento existiu um claro interesse pela zona urbana. Contudo, posteriormente à tomada da cidade e do seu saque, os holandeses decidiram investigar a região da Bahia e seu entorno. Contudo, apenas conseguiram ocupar São Salvador da Bahia, porque sempre que se aventuravam no desconhecido, eram atacados por portugueses numa manobra quase de guerrilha.

Mais tarde, a união ibérica, que reunia as coroas espanhola e portuguesa, decidiu reagir a esta conquista efectuada dentro de um território comum, formando uma esquadra que rumaria ao Brasil para reconquistar o território ocupado. Os holandeses ficariam retidos dentro dos limites da cidade de S. Salvador. Em 1625 enfrentariam as tropas organizadas com o intuito de expulsá-los da cidade. A esquadra era comandada por Dom Fradique de Toledo Osório, que acabaria bem sucedido em seus intentos. Após duros combates, os invasores retiraram-se no 1º de Maio. Contudo, tal não seria o fim dos planos que os Países Baixos possuíam para o Brasil.

A derrota infligida em 1625 serviu apenas para que os Países Baixos ponderassem melhor as atitudes a tomar face aos propósitos que possuíam, refinando assim os seus planos. Em Fevereiro de 1630 uma esquadra com 64 navios e 3800 homens conquistará a zona de Pernambuco, passando a dominar as cidades de Recife e Olinda. Sem possuir treino militar, a população opta por não resistir, e os invasores enviam mais 6000 homens para a região, de forma a garantir a posse da mesma. Fortificaram as cidades conquistadas e deslocaram para as mesmas homens e armamento suficientes para mantê-las sob o seu poder, combatendo a guerrilha que se organizava contra a sua presença em terras brasileiras. Incendiavam e saqueavam os engenhos dos que se rebelavam e prometiam paz e prosperidade aos que lhes vendessem o açucar produzido. Aliaram-se aos índios e firmavam alianças com os mesmos, para melhor dominarem a zona.

Contudo, a conquista e manutenção do território não foi fácil. No Brasil os holandeses depararam-se com uma melhor organização das atividades de guerrilha, sediadas especialmente no Arraial do Bom Jesus, lugar a meia distância entre Olinda e Recife. À frente dessas investidas encontrava-se Matias de Albuquerque.

Num período inicial a resistência conseguiu, em alguns momentos, manter os holandeses isolados no litoral, impedindo assim uma real tomada de posse do interior pernambucano. Porém, a partir de 1634, graças à “traição” de Domingos Fernandes Calabar e à habilidade do coronel Crestofle Arciszewski, os neerlandeses conseguem a derrota deste movimento de guerrilha, conquistando o Arraial Velho do Bom Jesus e iniciando um processo de estabilização da região.

O Governo de Maurício de Nassau

A Região sob o poder holandês, em 1637, compreendia os atuais Estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas e Pernambuco, estendendo-se até ao Rio São Francisco. No período de 1637 até 1644, época em que o conde Maurício de Nassau governou a região, diversas e importantes implementações político-administrativas ocorreram no Brasil.

O conde alemão João Maurício de Nassau-Siegen chegou à cidade do Recife em 1637 a serviço do governo Holandês e da Companhia das Índias Ocidentais, trazendo na sua comitiva o médico Willem Piso, o geógrafo e cartógrafo Georg Markgraf, os pintores Albert Eckhout e Frans Post, este um dos primeiros a mostrar em suas obras as paisagens e cenas da vida brasileira. Além deles, o escritor Gaspar Barleus que deixou relatório de sua passagem no Brasil intitulado História Natural do Brasil, com minucioso estudo científico da fauna e da flora, observações meteorológicas e astronômicas, realizadas com um antigo telescópio instalado sobre o antigo Palácio do Governador.

Nassau era calvinista, mas, ao que tudo indica, foi tolerante com católicos e com os chamados cristãos-novos, judeus que, às escondidas praticavam seus cultos. Estes, foram autorizados a, abertamente exercer suas práticas religiosas o que provocou uma grande emigração de judeus vindos da Países Baixos para o Brasil.

No governo de Nassau, muitos melhoramentos foram feitos nas áreas urbanas como saneamento básico, construção de casas e o agrupamento das mesmas em vilas, construção de ruas e alargamento de diversas outras, construção de dois importantes palácios, o das Torres ou de Frigurgo e o da Boa Vista, construção de pontes melhorando a locomoção das pessoas e o tráfego local.

Em 1644, o conde de Nassau retornou à Holanda. Após sua volta, o Nordeste assistiu sangrentos combates entre os luso-brasileiros e os batavos pela conquista da terra. O mais famoso destes foi a primeira Batalha de Guararapes (1648). Após 24 anos de domínio holandês estes foram expulsos na chamada Insurreição Pernambucana (ou Guerra de Restauração). O domínio Holandês no Brasil compreendeu o período de 1630 a 1654.

Antecedentes

O conflito iniciou-se no contexto da chamada Dinastia Filipina (União Ibérica, no Brasil), período entre 1580 e 1640, quando Portugal e suas colônias estiveram inscritos entre os domínios da Coroa da Espanha.

À época, os Países Baixos lutavam pela sua emancipação do domínio espanhol, vindo a ser proclamada, em 1581, a República das Províncias Unidas, com sede em Amsterdã, separando-se da Espanha.

Uma das medidas adotadas por Filipe II de Espanha em represália, foi a proibição do comércio espanhol (e português) com os seus portos, o que afetava diretamente o comércio do açúcar do Brasil, onde os neerlandeses eram tradicionais investidores na agro-manufatura açucareira e onde possuíam pesadas inversões de capital.

Diante dessa restrição, os neerlandeses voltaram-se para o comércio no Oceano Índico, vindo a constituir a Companhia das Índias Orientais (1602), que passava a ter o monopólio do comércio oriental, o que garantia a lucratividade da empresa.

O sucesso dessa experiência levou os neerlandeses à fundação da Companhia das Índias Ocidentais (1621), a quem os Estados Gerais (seu órgão político supremo) concederam o monopólio do tráfico e do comércio de escravos, por 24 anos, na América e na África. O maior objetivo da nova Companhia, entretanto, era retomar o comércio do açúcar produzido no Nordeste do Brasil.

A expedição de Van Noort

Foi nesse contexto que ocorreu a expedição do Almirante Olivier van Noort que, de passagem pela costa do Brasil, alguns autores apontam ter intentado uma invasão da baía de Guanabara.

A esquadra de Van Noort partiu de Rotterdam, nos Países Baixos, a 13 de setembro de 1598, integrada por quatro navios e 248 homens.

Padecendo de escorbuto, a frota pediu permissão para obter refrescos (suprimentos frescos) na baía de Guanabara, que lhe foram negados pelo governo da Capitania, de acordo com instruções recebidas da Metrópole. Uma tentativa de desembarque, foi repelida por indígenas e pela artilharia da Fortaleza de Santa Cruz da Barra, conforme ilustração à época.

Afirma-se que pilhagens e incêndios de cidades e embarcações foram praticadas pela expedição na costa do Chile, do Peru e das Filipinas. Na realidade sofreu grandes perdas em um ataque dos indígenas da Patagônia (atual Chile) e das forças espanholas no Peru. Alguns autores atribuem a Van Noort, nesta viagem, a descoberta da Antártida. A expedição retornou ao porto em 26 de agosto de 1601 com apenas uma embarcação, tripulada por 45 sobreviventes.

Periodização

Em linhas gerais, as invasões holandesas do Brasil podem ser recortadas em dois grandes períodos:

1624-1625 – Invasão de Salvador, na Bahia
1630-1654 – Invasão de Recife e Olinda, em Pernambuco
1630-1637 – Fase de resistência ao invasor
1637-1644 – Administração de Maurício de Nassau
1644-1654 – Insurreição pernambucana

A invasão de Salvador (1624-1625)

A invasão, inicialmente, teve caráter exclusivamente mercantil. Os navios da Companhia das Índias Ocidentais (WIC), em 1624, atacaram a Capital do Estado do Brasil, aprisionando o governador-geral Diogo de Mendonça Furtado (1621-1624). O governo da cidade de Salvador, passou a ser exercido pelo fidalgo holandês Johan Van Dorth. Durante o período em que Van Dorth esteve no poder, houve mudanças radicais na vida dos brasileiros e portugueses radicados na Bahia. Houve a libertação dos escravos, que passaram a ser tratados em pé de igualdade com os brancos e adaptação do povo aos costumes da República Holandesa.

Em 1625 a Espanha enviou, como reforço, uma esquadra de 52 navios, com quase 14.000 homens, a maior então enviada aos mares do Sul: a famosa Jornada dos Vassalos. Essa expedição derrotou e expulsou os invasores holandeses.

A invasão de Olinda e Recife (1630-1654)

O enorme gasto com a fracassada invasão às terras da Bahia foi recuperado quatro anos mais tarde, num audacioso ato de corso quando, no mar do Caribe, o Almirante Pieter Heyn, a serviço da W.I.C., interceptou e saqueou a frota espanhola que transportava o carregamento anual de prata extraída nas colônias americanas.

De posse desses recursos, os neerlandeses armaram nova expedição, desta vez contra um alvo menos defendido, mas também lucrativo, na região Nordeste do Brasil. O seu objetivo declarado era o de restaurar o comércio do açúcar com os Países Baixos, proibido pelos espanhóis. Investiram, desse modo, sobre a Capitania de Pernambuco, em 1630, conquistando Olinda e depois Recife.

O consulado nassoviano

Vencida a resistência portuguesa, com o auxílio de Calabar, a W.I.C. nomeou o Conde João Maurício de Nassau para administrar a conquista.

Homem culto e liberal, tolerante com a imigração de judeus e protestantes, trouxe consigo artistas e cientistas para estudar as potencialidades da terra.

Preocupou-se com a recuperação da agro-manufatura do açúcar, prejudicada pelas lutas, concedendo créditos e vendendo em hasta pública os engenhos conquistados. Cuidou da questão do abastecimento e da mão-de-obra, da administração e promoveu ampla reforma urbanística no Recife (Cidade Maurícia).

Concedeu liberdade religiosa, registrando-se a fundação, no Recife, da primeira sinagoga do continente americano.

A resistência

A resistência, liderada por Matias de Albuquerque, concentrou-se no Arraial do Bom Jesus, nos arredores de Recife. Através de táticas indígenas de combate (campanha de guerrilhas), confinou o invasor às fortalezas no perímetro urbano de Olinda e seu porto, Recife.

As chamadas “companhias de emboscada” eram pequenos grupos de dez a quarenta homens, com alta mobilidade, que atacavam de surpresa os neerlandeses e se retiravam em velocidade, reagrupando-se para novos combates.

Entretanto, com o tempo, alguns senhores de engenho de cana-de-açúcar aceitaram a administração holandesa por entenderem que uma injeção de capital e uma administração mais liberal auxiliariam o desenvolvimento dos seus negócios. O seu melhor representante foi Domingos Fernandes Calabar, considerado historiograficamente como um traidor ao apoiar as forças de ocupação e a administração neerlandesa.

Destacaram-se nesta fase de resistência luso-brasileira líderes militares como Martim Soares Moreno, Antônio Felipe Camarão, Henrique Dias e Francisco Rebelo (o Rebelinho).

A Insurreição Pernambucana

Também conhecida como Guerra da Luz Divina, foi o movimento que expulsou os Holandeses do Brasil, integrando forças lideradas pelos senhores de engenho André Vidal de Negreiros, João Fernandes Vieira, pelo afro-descendente Henrique Dias e pelo indígena Felipe Camarão.

A Restauração portuguesa em 1640 quebrou o domínio espanhol e a guerra de independência da Holanda prosseguiu. O Brasil se pronunciou em favor do Duque de Bragança (1640), assinando-se uma trégua de dez anos entre Portugal e a Holanda. Nassau foi substituído. A política holandesa de arrocho provocou a Insurreição Pernambucana de 1645 e os holandeses foram expulsos em 1654, após a segunda batalha dos Guararapes.

No Nordeste do Brasil, os engenhos de cana-de-açúcar viviam dificuldades num ano de pragas e seca, pressionados pela WIC, que sem considerar o testamento político de Nassau, passou a cobrar a liquidação das dívidas aos inadimplentes. Essa conjuntura levou à eclosão da Insurreição pernambucana, que culminou com a extinção do domínio neerlandês no Brasil.

Formalmente, a rendição foi assinada em 26 de Janeiro de 1654, na campina do Taborda, mas só provocou efeitos plenos, em 6 de Agosto de 1661, com a assinatura da paz de Haia, onde Portugal pagou à Holanda 4 milhões de cruzados, equivalente a 63 toneladas de ouro. A principal conseqüência da guerra do açúcar foi o declínio da economia canavieira brasileira pois os holandeses começaram a produzi-lo nas Antilhas. De acordo com as correntes historiográficas tradicionais em História do Brasil, o movimento assinala ainda o início do nacionalismo brasileiro, pois os brancos, africanos e indígenas fundiram seus interesses na luta pelo Brasil, e não por Portugal.

Consequências

Em conseqüência das invasões ao Nordeste do Brasil, o capital neerlandês passou a dominar todas as etapas da produção de açúcar, do plantio da cana-de-açúcar ao refino e distribuição. Com o controle do mercado fornecedor de escravos africanos, passou a investir na região das Antilhas. O açúcar produzido nessa região tinha um menor custo de produção devido, entre outros, à isenção de impostos sobre a mão-de-obra (tributada pela Coroa portuguesa) e ao menor custo de transporte. Sem capitais para investir, com dificuldades para aquisição de mão-de-obra e sem dominar o processo de refino e distribuição, o açúcar português não conseguiu concorrer no mercado internacional, mergulhando a economia do Brasil em crise que atravessaria a segunda metade do século XVII até à descoberta de ouro nas Minas Gerais.

Cronologia

1599 – alguns autores computam uma primeira invasão, considerando que a frota do Almirante Olivier van Noort forçou a barra da baía da Guanabara, na Capitania do Rio de Janeiro, com intenções bélicas. Essa visão é incorreta, uma vez que aquele almirante, em trânsito para o Oriente (Índia, Ceilão e Molucas), apenas solicitou refrescos (suprimentos frescos) de vez que a sua tripulação se encontrava atacada por escorbuto. Diante da negativa, premidos pela necessidade, registrou-se uma escaramuça (5 de fevereiro), na qual os neerlandeses foram repelidos, indo obter suprimentos um pouco mais ao sul, na Ilha Grande, então desabitada.
1609 – Holanda e Espanha assinam uma trégua de 10 anos. Durante esse período intensifica-se o comércio de açúcar na Europa, principalmente a partir de Amsterdam, um dos maiores centros de refino.
1621 – Com o encerramento da trégua, empreendedores neerlandeses fundam a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais (WIC), que iniciará a chamada Guerra do Açúcar ou Guerra Brasílica (1624-54).
1624 – uma força de assalto da WIC, transportada por 26 navios sob o comando do Almirante Jacob Willekens, conquista a capital do Estado do Brasil, a cidade do São Salvador, na Capitania da Bahia.O Governador-Geral é detido e levado para a Holanda. O governo da cidade passa para as mãos do fidalgo holandês Johan Van Dorth. A resistência portuguesa se reorganiza a partir do Arraial do Rio Vermelho, contendo os invasores no perímetro urbano de Salvador.
1625 – A Coroa espanhola reúne uma poderosa expedição (12.000 homens transportados em 52 navios), sob o comando de D. Fadrique de Toledo Osório. A expedição, conhecida como Jornada dos Vassalos, bloqueia o porto de Salvador, obtendo a rendição neerlandesa. Os reforços neerlandeses não chegaram em tempo hábil a Salvador, retornando ao perceberem que a capital havia sido perdida.
1629 – O Almirante neerlandês Pieter Heyn captura a frota espanhola da prata, o que permitiu à WIC se capitalizar com os recursos necessários a uma nova expedição contra o nordeste do Brasil. Diante dos rumores da preparação de uma nova expedição neerlandesa para o Brasil, a Coroa espanhola envia Matias de Albuquerque para o Brasil, com a função de preparar a sua defesa.
1630 – nova força de assalto da WIC, transportada por 56 navios, sob o comando de Diederik van Waerdenburgh e Henderick Lonck, conquista Olinda e Recife, na Capitania de Pernambuco. Sem recursos para a resistência, Matias de Albuquerque retira a população civil e os defensores, e incendeia os armazéns do porto de Recife, evitando que o açúcar ali aguardando o embarque para o reino caísse em mãos do invasor. Imediatamente organiza a resistência, a partir do Arraial (velho) do Bom Jesus.
1632 – Domingos Fernandes Calabar, conhecedor das estratégias e recursos portugueses, passa para as hostes invasoras, a quem informa os pontos fracos da defesa na região nordeste do Brasil. Atribui-se a essa deserção a queda do Arraial (velho) do Bom Jesus (1635), permitindo às forças neerlandesas estenderem o seu domínio desde a Capitania do Rio Grande até a da Paraíba (1634).
1634 – Em retirada para a Capitania da Bahia, Matias de Albuquerque derrota os neerlandeses em Porto Calvo e, capturando Calabar, julga-o sumariamente por traição e executa-o.
1635 – Forças holandesas, comandadas pelo coronel polonês Crestofle d’Artischau Arciszewski, capturam o Arraial do Bom Jesus, após um longo assédio. Quase ao mesmo tempo outra força, comandada pelo coronel Sigismundo von Schkoppe, cercava e capturava o Forte de Nazaré, no Cabo de Santo Agostinho.
1637 – A administração dos interesses da WIC no nordeste do Brasil é confiada ao Conde João Maurício de Nassau Siegen, que expande a conquista até Sergipe (a sul).
1638 – Maurício de Nassau desembarca na Bahia, mas não consegue capturar Salvador.
1640 – Com a Restauração portuguesa, Portugal assinou uma trégua de dez anos com a Holanda. Nassau conquista os centros fornecedores de escravos africanos de São Tomé e Príncipe e de Angola.
1644 – Suspeito de improbidade administrativa, Nassau é chamado de volta aos Holanda pela WIC.
1645 – Descontente com a nova administração enviada pela WIC, eclode a chamada Insurreição Pernambucana ou Guerra da Luz Divina.
1648-1649 – Batalhas dos Guararapes, vencidas pelos luso-brasileiros.
1654 – Assinatura da Capitulação do Campo do Taborda, em frente ao Forte das Cinco Pontas, no Recife. Os neerlandeses deixam o Brasil.

Invasões Holandesas – O que foi

Os holandeses invadiram e ocuparam o território do Brasil em duas ocasiões:

Em 1624, invasão na Bahia;
Em 1630, invasão em Pernambuco.

A Holanda, na época, era dominada pela Espanha e lutava por sua independência.

As invasões constituíram um modo de atingir as bases coloniais espanholas – uma vez que, de 1580 a 1640, período conhecido como União Ibérica, o Brasil pertencia às duas Coroas: Portugal e Espanha.

A situação econômica da Holanda, além disso, era difícil, devido ao embargo imposto pela Espanha: os holandeses estavam proibidos de comerciar com qualquer região dominada pela Espanha, perdendo assim o direito de refinar e distribuir o açúcar produzido no Brasil, como vinham fazendo havia vários anos.

Com a invasão, os holandeses pretendiam estabelecer uma colônia voltada para a exploração econômica do Brasil, controlando os centros de produção açucareira. Desejavam, ainda, romper o monopólio comercial ibérico e recuperar seu papel no comércio do açúcar.

AS PRIMEIRAS INCURSÕES HOLANDESAS: 1624-1625

A primeira tentativa de invasão do território colonial brasileiro pelos holandeses ocorreu em 1624, na cidade de Salvador, Bahia, sede do governo-geral do Estado do Brasil. A reação contra a presença holandesa foi intensa. Os luso-brasileiros encurralaram os invasores e impediram seu avanço para o interior, expulsando-os definitivamente em 1625. As investidas holandesas contra Salvador, porém, não cessaram; a cidade foi ameaçada por duas vezes em 1627, quando os holandeses saquearam diversos navios aportados.

OS HOLANDESES EM PERNAMBUCO: 1630-1654

Em 1630, os holandeses invadiram a capitania de Pernambuco, onde estavam os principais engenhos da colônia, e passaram a chamá-la de Nova Holanda. Matias de Albuquerque, que substituíra Diogo Furtado de Mendonça no governo-geral, não conseguiu reunir tropas suficientes para rechaçar a invasão.

Os historiadores têm dividido a invasão holandesa do território colonial em três períodos:

O primeiro período, entre 1630 e 1637, caracterizou-se pelo enfrentamento militar entre holandeses e portugueses. A partir de 1632, entretanto, os holandeses conseguiram se deslocar de Olinda e conquistaram também a Paraíba, o Rio Grande do Norte e ltamaracá, sedimentando sua ocupação na região Nordeste.

O Segundo período, entre 1637 e 1645, foi marcado pelo governo de João Maurício de Nassau, mandado pelo governo holandês para organizar a nova colônia. Apesar dos conflitos constantes, esse período é considerado por alguns estudiosos como a “idade de ouro” do domínio Pernambuco.

O terceiro período da ocupação holandesa, entre 1645 e 1654, correspondeu guerras de restauração e à derrota definitiva das forças holandesas.

O GOVERNO DE MAURÍCIO DE NASSAU: 1637-1644

Em 1637, chegou ao Recife o conde João Maurício de Nassau, com o titulo de governador e comandante-em-chefe. Vinha a convite do governo holandês e da Companhia das índias Ocidentais — empresa recém-criada que havia recebido do governo holandês o monopólio sobre o comércio nas colônias europeias da América.

Nassau fez acordos com os senhores de engenho, fornecendo-lhes empréstimos e adiando o pagamento de dívidas em troca de apoio político. Muitos engenhos haviam sido destruídos durante os conflitos entre luso-brasileiros e holandeses, e os senhores precisavam de recursos para reconstruí-los e modernizá-los.

Diversas medidas econômicas, político-administrativas e culturais marcaram o governo de Maurício de Nassau. Protestante da nobreza, ele exerceu uma política de tolerância cultural e religiosa, permitindo a prática dos cultos religiosos indígenas e africanos. A primeira sinagoga do Brasil data da administração holandesa no Recife. As condições de vida na cidade também melhoraram nesse período, com investimentos em saneamento básico, na abertura de ruas e construção de casas, pontes e canais e na organização das vilas.

Entre os marcos da presença holandesa no Brasil, destacam-se os aspectos cientifico e cultural. O grupo que Nassau trouxe da Holanda, conhecido como “missão holandesa”, incluía pintores, desenhistas, astrônomos, médicos, arquitetos, escultores e outros cientistas e artistas. Foram os primeiros a explorar e registrar sistematicamente o cenário natural e humano do Brasil colonial. Na pintura e no desenho, destacaram-se Frans Post (1612-1680), Albert Eckhout (1610-1665), Zacharias Wagener (1614-1668) e Caspar Schmalkalden (1617-1668). O livro Theatrum rerum natural/um brasilioe, reúne centenas de desenhos desses artistas.

A EXPULSÃO DOS HOLANDESES: 1645-1654

Os acordos de Maurício de Nassau com os senhores de engenho trouxeram prejuízos à Companhia das índias Ocidentais, interessada apenas em obter lucros.

Essa situação, agravada por outros incidentes, provocou a demissão de Nassau, que partiu do Recife em 1644. A própria Companhia assumiu a administração da colônia holandesa.

A reação contra a presença holandesa fortaleceu-se quando, ainda em 1644, os holandeses foram expulsos do Maranhão, após uma ocupação de 27 meses. No ano seguinte eclodiu a Insurreição Pernambucana, que contou, em sua etapa final, com a aliança entre os moradores de Pernambuco e os portugueses. Depois de diversas batalhas, os holandeses foram derrotados em 1654. Em 1661, na cidade holandesa de Haia, Portugal e Holanda assinaram um acordo que estabelecia uma indenização devida aos holandeses pelos investimentos feitos no Brasil.

CONSEQUÊNCIAS DA DISPUTA COM OS HOLANDESES

As lutas contra a Holanda tinham como causa a União Ibérica (1580-1640), período em que Portugal ficou sob domínio espanhol.

Com a criação da Companhia Holandesa das índias Ocidentais em 1621, os holandeses procuraram estabelecer as principais bases para seu enriquecimento: a exploração de escravos e de engenhos de açúcar.

Encerrada a ocupação holandesa no Brasil, restava à colônia a herança dos compromissos estabelecidos pela metrópole portuguesa com a Coroa inglesa, outra forma de dominação colonial. Isso porque, tanto na luta contra os holandeses quanto nas disputas contra os espanhóis pelo trono, os portugueses contaram com o apoio dos ingleses. Em consequência, Portugal e Brasil tornaram-se dependentes do capital inglês.

Outra grave consequência da expulsão dos holandeses foi a concorrência promovida por eles na produção de açúcar. Utilizando os conhecimentos acumulados no Brasil, passaram a produzir açúcar em suas possessões nas Antilhas com custos mais baixos e melhor qualidade, provocando a decadência da produção açucareira no Nordeste do Brasil.

Alguns historiadores afirmam que a expulsão holandesa também contribuiu para o surgimento do nativismo pernambucano, já que a província seria o palco de boa parte das revoltas posteriores contra a metrópole portuguesa.

Fonte: www.conhecimentosgerais.com.br/ www.ficharionline.com /www.pe-az.com.br /www.smileatyou.com /educacaoadventista.org.br

 

 

 

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