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História da Fotografia no Brasil

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Em 17 de janeiro de 1840, o abade francês Louis Comte apareceu diante de uma plateia expectante no Hotel Pharoux, no centro do Rio de Janeiro, para demonstrar um processo conhecido apenas por boatos no continente sul-americano.

Em menos de nove minutos, noticiou um jornal, Comte usou o daguerreotipo recém-inventado para produzir uma imagem do Largo do Paço, a praça ensolarada em que ficava o hotel, ‘com tal fidelidade, precisão e detalhes minuciosos que se podia ver que o efeito tinha sido feito pela mão da natureza, quase sem a intervenção do artista’.

Três dias depois, Comte repetiu sua manifestação no Palácio de São Cristóvão em frente ao imperador Pedro II, de 14 anos.

Assim começou para o monarca brasileiro uma paixão vitalícia pela fotografia.

O anúncio do inventor francês Louis Daguerre no ano anterior de uma nova técnica para capturar o mundo gerou entusiasmo global.

Mas no Brasil tinha um atrativo especial, pois oferecia a oportunidade de refazer a imagem do país. Desde a publicação, no século XVI, dos primeiros relatos dessa terra luxuriante e povoada de canibais, o Brasil era uma tela na qual os europeus projetavam suas fantasias, edênicas ou diabólicas.

O ciúme com que os portugueses guardavam o conhecimento de sua colônia brasileira desencorajava os artistas locais a produzirem representações fiéis de seu país; as poucas paisagens que sobrevivem antes do século XIX são obra de intrusos holandeses ou britânicos.

Somente com a migração da corte portuguesa de Lisboa para o Rio, em 1808, as imagens do país se tornaram comuns. Mesmo assim, os artistas responsáveis eram em grande parte de origem europeia, com destaque para Jean-Baptiste Debret, que chegou ao Rio em 1816 à frente de uma “missão artística” francesa. A fotografia, então, forneceu uma forma de apresentar o Brasil ao mundo de forma naturalista, livre de preconceitos.

fotografia pode não ter sido uma invenção brasileira – apesar dos protestos de Hércule Florence, imigrante francês, de que havia descoberto o método de Daguerre de forma independente anos antes de ser divulgado ao mundo –, mas amadureceu com o país, que conquistou a independência apenas em 1822.

A chegada do daguerreotipo ao Rio precedeu em seis meses a assunção formal do poder por Pedro, o primeiro governante nativo do Brasil.

Ao longo de seu longo reinado, o imperador se mostraria o patrono mais dedicado da câmera, adotando-a como sinal de modernidade e do lugar do Brasil na comunidade das nações civilizadas. Além disso, oferecia ao autointitulado cidadão-imperador um meio de se exibir para seus súditos em grande parte analfabetos em seus vastos domínios.

Pinheiros brasileiros fotografados por Marc Ferrez (1843-1923) em 1880-84.
Biblioteca Nacional do Brasil

Com exceção da rainha Vitória, nenhum outro monarca explorou ou explorou a nova tecnologia com tanto vigor quanto o imperador brasileiro.

Pedro adquiriu seu próprio aparelho de daguerreotipo poucas semanas após a apresentação de Comte, meses antes de tal equipamento estar disponível comercialmente no Brasil.

Quando o príncipe Adalberto da Prússia visitou Pedro II no Rio em 1849, ele notou que o imperador se ocupava com “experimentos” fotográficos, cuja complexidade confundiu seu hóspede alemão.

À medida que o imperador assumiu o papel de padrinho da ciência brasileira, os fotógrafos tomaram lugar ao lado do Observatório Imperial, do Laboratório do Estado e da Faculdade de Medicina como objetos de sua atenção. A partir de 1842, fotografias apresentadas em exposições realizadas na Academia Imperial de Belas Artes.

Pedro gastou milhares de réis em álbuns fotográficos e tutoriais para sua família. Em 1851, ele nomeou o francês Abraham-Louis Buvelot como fotógrafo da corte, dois anos antes da rainha Vitória criar um cargo equivalente. Profissionais visitantes da Europa e da América do Norte foram convidados a fazer retratos do imperador, sua barba – como convinha a um rei-filósofo – cada vez mais grisalha. As solenidades reais, galas e visitas foram cuidadosamente registradas e vários fotógrafos foram admitidos na Ordem da Rosa.

Na década de 1850, a fotografia tornou-se uma marca de status no Brasil. Cidadãos ricos acorreram para tirar seus retratos; com o desenvolvimento de técnicas de reprodução confiáveis, eles passaram a usar cartes de visite com suas semelhanças também.

A maioria dos fotógrafos atuantes no Brasil se limitou ao lucrativo mercado de retratos, instalando-se em hotéis ou montando estúdios em ruas da moda no Rio, São Paulo e outros lugares.

Mas uma pequena coorte procurou documentar o país, com um olho no mercado turístico e outro no interesse dos meios oficiais pelo potencial científico da câmera. Este grupo incluía dois europeus, Augusto Stahl e Revert Henrique Klumb, este último um favorito da imperatriz Teresa Cristina, tanto que em 1865 se mudou para Petrópolis, onde a família imperial tinha sua residência de verão.

Ao lado de panoramas do Rio e de outras áreas, Stahl e Klumb produziram fotos de pessoas locais realizando tarefas cotidianas, vestidas com trajes tradicionais – lembranças populares entre os visitantes estrangeiros.

Pedro II doou sua coleção de mais de 21.000 fotografias, incluindo registros de espécimes de
plantas nativas, para a Biblioteca Nacional do Brasil. Biblioteca Nacional do Brasil

O praticante mais inovador, no entanto, foi Marc Ferrez, um carioca de nascimento que viveu na França até o início da década de 1860. Ele desenvolveu novos equipamentos, incluindo uma câmera capaz de capturar panoramas de até 190 graus. Ele também aproveitou seus serviços para a comunidade científica do Brasil ao embarcar na tarefa de Sísifo de pesquisar o país.

Em 1875 acompanhou uma missão da Comissão Geológica e Geográfica Imperial para registrar a flora, fauna e topografia da Bahia. Na década seguinte, fotografou tribos indígenas em Goiás e Mato Grosso.

Seu trabalho revela um interesse consistente no posicionamento e uma atenção meticulosa à iluminação. Era seu objetivo, declarou ele, “apresentar objetos em sua verdadeira forma […] mantendo a perspectiva com precisão matemática”. Mais do que qualquer outro fotógrafo, Ferrez foi o embaixador do Brasil no mundo. Uma paisagem urbana do Rio ganhou uma medalha de ouro em 1876 na Exposição do Centenário na Filadélfia, que Pedro II abriu ao lado do presidente Ulysses S. Grant, e seu trabalho ganhou mais elogios na Exposição Universal de Paris dois anos depois.

Pedro II do Brasil fotografado por Joaquim Insley Pacheco (1830–1912) em 1883.
Biblioteca nacional do Brasil

Embora Ferrez, Stahl e Klumb fossem atraídos pela paisagem do Brasil, o espírito governante de suas obras era o progresso e não o romantismo. Não foram as florestas indomáveis e os rios caudalosos do país que eles começaram a registrar, mas a influência civilizadora do homem sobre a terra. As características definidoras eram terraplenagem, pontes e trilhos de trem; plantações, portos e minas.

Klumb narrou a construção na década de 1850 da primeira estrada macadame do Brasil, ligando Petrópolis a Juiz de Fora; três décadas depois, Ferrez capturou a implantação de ferrovias através do Paraná e Minas Gerais. E sempre parecia haver um fotógrafo por perto para a inevitável visita do imperador para inaugurar o último túnel ou reservatório.

Houve uma cena na história imperial do país que as câmeras não estavam disponíveis para gravar.

Em 15 de novembro de 1889, um círculo de oficiais do exército ocupou o centro do Rio e declarou a abolição da monarquia. Pedro e sua família tiveram 48 horas para deixar o país. O imperador, isolado em Petrópolis de seus ministros na capital, declarou que aquiesceria e marcou sua saída do Brasil para as 14h do dia 17 de novembro. Mas os líderes do golpe, temendo a reação pública ao ver o imperador idoso sendo empurrado para o exílio, ordenaram que ele embarcasse antes do amanhecer, quando nenhuma câmera poderia capturar o momento. Foi uma homenagem, embora cercada de ironia, ao sucesso de Pedro II em consolidar o novo meio no Brasil.

A ORIGEM DA FOTOGRAFIA NO BRASIL

O Brasil foi o primeiro país da America Latina a conhecer a fotografia.

Em 1830 um Francês chamado Hercules Florence já tinha descoberto isoladamente o processo fotográfico.

Foi somente em 1840, alguns meses após Daguerre anunciar a Daguerreotipia, que a fotografia oficialmente chegou ao Brasil pelas mãos de Louis Compte.

Antoine Hercules Romuald Florence, era francês de Nice, e chegou ao Brasil com 2º desenhista da expedição do Barão de Langsdorff no ano de 1824.

Em 1830 Hercules Florence desenvolveu um processo fotográfico que chamou de Pholygraphie.

A Pholygraphie foi usada para imprimir rótulos de remédio e diplomas da Marçonaria.

Seu feito só foi reconhecido 140 anos depois através das pesquisa do estudioso de fotografia brasileira Boris Kossoy, nos anos 60.

O abáde francês Luiz Compte, chega ao Brasil com a expedição franco-belga da fragata LOrientale em janeiro de 1840.

Atônita a população do Rio de Janeiro assiste a uma demonstração de Daguerreotipia no Paço Imperial.

A imprensa nacional dá ampla cobertura: He preciso ter visto a cousa com seus próprios olhos… anuncia o Jornal do Commercio.

O Imperador Don Pedro II ná época com 15 anos assiste entusiasmado o espetáculo e compra alguns daguerreotipo de Compte.

Fotógrafos europeus na década de 40 vieram para o Brasil e se estabeleceram Inicialmente nas cidades portuárias como Recife, Salvador e Rio de Janeiro.

Na Paraíba os primeiros registro fotográficos a partir de 1850, por fotógrafos vindos de Recife. Em 1861 foi publicado o primeiro livro de Fotografia no Brasil Brazil Pittoresco de Victor Front.

Com o surgimento do Ambrotipo e do Ferrotipo a fotografia se tornou acessível a maioria das pessoas. As oportunidades de ganhar dinheiro com a elite rural, fez com que muitos fotógrafos se dirigissem ao Interior do país.

História da Fotografia no Brasil – Resumo

O francês radicado no Brasil, Hercules Florence, inventou a fotografia 3 anos antes do que de Louis Daguerre e Joseph Nicéphore Niépce

Hercules Florence – 03 de julho de 1833

Em 1804, nascia em Nice, na França, exatamente no dia 29 de fevereiro daquele ano bissexto, Antoine Hercules Romuald Florence – ou Hercules Florence, que foi como o francês radicado no Brasil gravou seu nome na História por ter sido um dos pioneiros na invenção de uma descoberta que mudaria a vida da sociedade moderna: a fotografia.

História da Fotografia no Brasil
Hercules Florence

Foi na França que a fotografia desenvolveu-se e propagou-se como uma das principais descobertas da modernidade, através das pesquisas de Louis Daguerre e Joseph Nicéphore Niépce que, juntos, conseguiram criar o processo de revelação fotoquímica. Mas, enquanto na França a fotografia ganhava espaço e notoriedade através de Daguerre e Niépce, no Brasil, um francês de nascimento, mas brasileiro de mulher (duas), filhos (20), netos, bisnetos e tataranetos já havia intuído a possibilidade de fixar imagens em câmara-escura.

Hercules Florence, três anos antes de seus compatriotas, já era um inventor isolado e ainda desconhecido – do processo fotográfico. Hoje, graças ao trabalho incansável e obstinado do jornalista e professor Boris Kossoy, Florence é considerado referência quando se fala na invenção da fotografia. Kossoy investiu, de 1972 a 1976, numa das mais ardorosas pesquisas e reconstituiçães de métodos, técnicas e processos já realizadas no Brasil para levar uma pessoa do anonimato ao pódio da história.

Florence descobriu isoladamente um processo de gravação através da luz, que batizou de Photografie, em 1832 – trêss anos antes de Daguerre. A ironia histórica, ocultada por 140 anos, é que o processo era mais eficiente do que o de Daguerre como comprova a publicação detalhada do sistema da photografie na revista ” A Phenix de 26 de outubro de 1939 e reproduzido no Jornal do Comércio, do Rio de Janeiro, dois meses depois.

Hercules Florence ficou internacionalmente conhecido a partir da publicação do livro de Kossoy, “1833: a Descoberta Isolada da Fotografia no Brasil” (Editora Duas Cidades, 1980).

O livro e o trabalho de Kossoy, incluindo a reprodução dos métodos registrados por Florence nos laboratórios do Rochester Institute of Technology, levaram ao reconhecimento internacional do pesquisador franco-brasileiro na descoberta da fotografia.

Mais que fotografia

A contribuição de Hercules Florence à ciência, às artes e à história não ficou apenas restrita às descobertas que precederam a fotografia tal qual conhecemos hoje. Desenhista, pintor, fotógrafo, tipógrafo, inventor, Florence integrou na Expedição Langsdorff como segundo desenhista, a pedido do Barão Heinrich von Langsdorff, por sua habilidade com os traços.

Durante a Expedição, tornou-se também geógrafo da empreitada que seguiu do Rio de Janeiro à Amazônia a fim de desvendar o território brasileiro e, durante a viagem, encantou-se pelo canto dos pássaros.

Na ocasião, concebeu um método para a transcrição do canto dos pássaros que ele batizou de Zoophonia.

Hercules Florence é também o responsável por diversas outras invenções, dentre elas a Polygraphia, um sistema de impressão simultânea de todas as cores primárias, em que a impressão é efetuada sem a utilização da prensa. Na área das artes visuais, Florence não se destacou apenas na fotografia, apesar de ter sido por ela que tenha ganhado notoriedade; era um exímio desenhista o que o creditou a integrar a Expedição Langsdorff – e um pintor de talento. Através de desenhos e telas, Florence revelou-se pela qualidade e firmeza de seu traço e dons de observação e provou ser um documentarista dotado de grande talento e sensibilidade.

Ele executou diversos desenhos para documentar os lugares por onde passou a expedição e os tipos humanos que encontrou, principalmente depois da morte de outro desenhista a ela ligado, Adrien Taunay.

Em 1825, em São Paulo, lutando com a escassez de meios e a falta de ferramentas apropriadas, executou trabalhos notáveis, entre os quais um retrato do futuro sogro, o médico Álvaro Machado, e outros retratos do então barão de Congonhas do Campo, do Dr. Nicolau Pereira de Campos.

A família Florence conserva ciosamente coleções de documentos originais do patriarca, incluindo obras inacabadas e inéditas. Entre elas, as aquarelas e os textos do que Florence intitula “Atlas pittoresque des ciels” ou “Traité des ciels, à la usage des jeunes paysagistes”.

Florence morreu em deixando a seu país de adoção e a humanidade, um legado de realizações científicas, históricas, geográficas, artísticas, culturais, tecnológicas, agrícolas, comerciais e educacionais.

Cidadão brasileiro e campineiro

Hercules Florence chegou ao Brasil em 1824, e durante quase 50 anos viveu na Vila de São Carlos, como era então conhecida a cidade de Campinas. Para o município mudou-se em 1830, após ter se casado com Maria Angélica de Vasconcellos.

Florence passou a dedicar-se ao comércio, abrindo uma loja de tecidos e tratando de negócios em Campinas. Foi na cidade que idealizou a poligrafia e fez, entre os anos de 1832 e 1836, experiências com fotografia.

Em 1836, adquiriu, graças a Álvares Machado, uma tipografia completa, que foi a primeira que se tem registro a se instaurar em Campinas.

A partir dessa fotografia, Hercules Florence deu origem ao “O Paulista”, primeiro jornal do interior da província de São Paulo. Mas foi só dois anos depois, no dia 10 de dezembro, que Florence teve licença da Câmara de São Carlos para montar uma tipografia na cidade, que foi intalada no largo da Matriz do Carmo. Em 1858, é impresso em sua litografia o Aurora Campineira, primeiro jornal de Campinas-SP. Nascia, então, a imprensa da cidade. Seu talento múltiplo atrai ainda a atenção do imperador Dom Pedro II, que esteve em Campinas em 1876 para visitá-lo.

Quatro anos após a morte de sua primeira esposa, Maria Angélica, Hercules Florence casou-se, em Campinas, com Carolina Krug, de religião protestante. Com Carolina, teve sete filhos. Vinte e cinco anos depois, no dia 27 de março, após ter dedicado a vida à sua descoberta da fotografia e ter vivido na tentativa de provar seu pioneirismo isolado nos processos fotoquímicos, Florence morreu em Campinas, cidade onde residiu por quarenta e nove anos e que escolheu para viver e constituir sua família. Foi sepultado no cemitério da Saudade (sepultura número 247), sem que conseguisse de fato comprovar suas descobertas.

Fonte: www.apollo-magazine.com/www.slideshare.net

 

 

 

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