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Invasões Francesas no Brasil

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Invasões Francesas no Brasil

Invasões Francesas no Brasil – 1555 – 1615

Os portos franceses na Normandia, especialmente o de Rouen e Dieppe, onde no século XVI estava estabelecida uma indústria têxtil florescente que se tornava a principal atividade econômica que competia com Portugal pelo mercado brasileiro. Atentos à presença de vastas florestas com “Pau Brasil” (usado no tingimento de tecidos) no litoral brasileiro, os franceses logo estabeleceram relações comerciais com os indígenas.

A primeira viagem data de 1503-1504, quando a embarcação “Espoir” chegou às costas brasileiras.

Após este primeiro contato, multiplicaram-se as expedições.

Em 1531, dois navios franceses e 120 homens sob o comando de Jean Dupéret, aportaram nas costas brasileiras. Na ilha de Santo Aleixo (próximo de Recife), chamada pelos franceses de “Ile Saint-Alexis”, eles construíram um forte e uma feitoria comercial. Esta feitoria francesa teve vida breve. Os portugueses capturaram os navios franceses na sua viagem de volta à Europa e em dezembro de 1531 sitiaram o forte francês até a rendição.

Os franceses fizeram três outras tentativas para se estabelecerem no Brasil. A primeira delas foi no Rio de Janeiro (1555-1560), a segunda em Ibiapaba-Ceará (1590-1604), e a terceira em São Luís do Maranhão (1612-1615).

A França Antártica 1555-1560

Na década de 1550, a região de Cabo Frio até o Rio de Janeiro estava mais sob o controle dos franceses do que sob o domínio dos portugueses.

Por quase cinco anos, entre 1555 e 1560, os franceses mantiveram um forte numa pequena ilha na Baía de Guanabara (Rio de Janeiro): o Forte Coligny.

Os calvinistas Nicolas Durand de Villegagnon foi enviado ao Brasil em 1555 para marcar a presença francesa naquele lugar. Em 14 de agosto de 1555, com três navios, 600 marinheiros e colonos, ele partiu em direção ao Brasil.

A expedição francesa chegou entre 10-15 de novembro de 1555, na Baía de Guanabara e desembarcaram numa ilha deserta, a atual ilha de Villegagnon.

Nela foi construído o Forte Coligny e logo estabeleceram boas relações com os indígenas que lá habitavam.

Os membros desta primeira expedição eram quase todos da Bretanha e da Normandia e subdividiam-se entre Católicos e Protestantes.

Pouco tempo depois, em março de 1556, chegou uma segunda expedição composta de três navios e 190 homens.

A colônia teve um bom desenvolvimento, mas as normas intolerantes e rigorosas de Villegagnon paralisaram o crescimento do promissor núcleo francês.

As regras opressoras de Villegagnon obrigaram uma boa parte dos colonos a abandonarem o local. Entre eles, alguns huguenotes que voltaram para a França, onde suas denúncias levaram à desistência de uma expedição de 700 a 800 colonos que estava sendo organizada.

Em 1559, Villegagnon também voltou à França, deixando o comendo da colônia para seu sobrinho Bois-le-Comte.

Portugal que não estava disposto a tolerar a presença francesa em suas terras, enviou uma expedição de 120 portugueses e 1.000 índios, sob as ordens de Mem de Sá, Governador Geral do Brasil (1558-1570), que em 16 de março de 1560, após dois dias e duas noites de um enfrentamento encarniçado, destruiu a colônia francesa. Os 70 sobreviventes franceses e seus 800 índios aliados, desmoralizados, abandonaram o forte e se refugiaram entre outros indígenas.

Como W.J. Eccles escreveu em seu livro “France in America”:

“For a century, French traders had challenged the Portuguese hold on this vast region, with little or no aid from the Crown. But for religious dissension at Rio de Janeiro, and the unfortunate character of Villegagnon, France rather than Portugal might well have established a vast empire in South America.”

Traduzindo, “Durante um século, os comerciantes franceses desafiaram os portugueses nesta vasta região, com pequena ou nenhuma ajuda da Coroa. Mas por causa da dissenção religiosa no Rio de Janeiro, e do péssimo caráter de Villegagnon, a França, mais do que Portugal, poderia ter fincado bases de um grande império na América do Sul.

Ibiapaba 1590-1604

Em 1590, sob o comando de Adolf Montbille, uma expedição francesa se estabeleceu em Ibiapaba (Viçosa-Ceará), onde os franceses fundaram uma feitoria e um forte, e comercializavam “pau brasil” com os índios que habitavam o núcleo comercial francês. Os franceses viveram em paz com os indígenas por 14 anos, mas em 1604 uma expedição portuguesa chefiada por Pero Coelho atacou a colônia e após uma batalha violenta, foçaram os franceses a se renderem.

São Luís do Maranhão 1612-1615

Em 19 de março de 1612, três navios franceses partiram do porto francês de Canacale em direção ao Maranhão.

Esses navios eram: “Regent” sob o comendo de Rasilly e La Ravardière, “Charlotte” comandado pelo Barão de Sancy e o “Sainte-Anne”.

Em 24 de junho os navios chegaram à Ilha de Fernando de Noronha onde permaneceram até 8 de julho. Lá eles encontraram um português e 17 ou 18 escravos indígenas. Todos eles foram levados para o Maranhão.

Em 29 de julho, os franceses alcançaram a ilha “Pequena do Maranhão”, que se encontrava deserta. Esta ilha foi batizada pelos franceses como Ilha de Santana (Sainte-Anne). De lá os franceses se deslocaram para a ilha “Grande do Maranhão” onde eles encontraram alguns navios de Dieppe e de Le Havre com 400 franceses que comerciavam com os indígenas. Nesta ilha os capuchinhos construíram o convento de São Francisco (Sainte Françoise) e perto dele, um forte chamado Forte São Luís (Saint-Louis).

Em 20 de dezembro de 1612, uma capela religiosa foi inaugurada.

Ali os franceses viveram em paz por quase dois anos.

Em 1613, os líderes do assentamento resolveram retornar à França em busca de reforços. Após algumas tentativas junto à Corte, eles começaram a preparar uma expedição mais próspera. Na Páscoa de 1614, o navio “Regent” com 300 franceses partiram na direção do Maranhão. Em 14 de junho, o navio passou em frente do forte português do Ceará, and em 18 de junho a expedição chegava ao “Buraco das Tartarugas” ou Jaracoará onde havia outro forte português..

Apesar dos obstáculos, os reforços franceses chegaram a salvo no Maranhão.

Reconhecendo a presença contínua dos navios na região, os portugueses construíram vários fortes para controlar a costa com o intuito de acabar com o comércio francês. Em 1611 ou 1612, os portugueses haviam fundado o forte do Ceará, chamado Nossa Senhora do Amparo; em agosto de 1613, eles haviam fundado também o forte de Jaracoará, chamado Nossa Senhora do Rosário.

Em 26 de outubro de 1614, uma tropa portuguesa de 500 homens (portugueses e índios), chegou à terra-firme, perto dos assentamento franceses, com o objetivo de os expulsar.

Os portugueses acamparam em Guaxenduba onde construíram um acampamento fortificado, chamado Forte de Santa Maria.

Os franceses do Maranhão, sendo superiores em número, decidiram tomar a iniciativa e em 19 de novembro de 1614, com 7 navios, 50 canhões e o reforço de 200 franceses e 1.500 índios atacaram o forte português. O ataque se transformou, porém, numa derrota esmagadora para os franceses.

Em 27 de novembro de 1614, foi assinado um armistício de duração de um ano, com o objetivo de permitir ao rei da França e da Espanha estabelecer uma saída diplomática. Também decidiu-se enviar emissários franceses e portugueses à Europa para explicar a questão.

Então, em 16 de dezembro de 1614, o navio “Regent”, partiu para a Europa tendo a bordo emissários portugueses e franceses. Os resultados desta missão não são bem conhecidos. Porém os reforços franceses para o Maranhão nunca chegaram.

Entretanto, em 1º de novembro de 1615, uma frota portuguesa de 9 navios e de várias centenas de homens, sob o comando de Alexandre de Moura, chegou aos assentamentos franceses.

Os portugueses aportaram na ilha “Grande do Maranhão” e entrincheiraram-se na altura de São Francisco. O forte foi chamado de “Quartel de São Francisco”.

Em 3 de novembro de 1615, os franceses já desmoralizados, se renderam sem lutas.

Fonte: www.geocities.com

Invasões Francesas no Brasil

Invasões Francesas no Brasil – 1555 – 1615

As invasões das terras brasileiras por outros países europeus começam assim que a notícia do descobrimento espalha-se pela Europa. Algumas são apenas incursões de piratas e aventureiros e limitam-se à pilhagem.

Outras são promovidas velada ou abertamente por outras potências européias com o objetivo de conquistar terras no novo continente e estabelecer colônias. Os ingleses, aliados de Portugal, não chegam a invadir o Brasil para estabelecer colônias.

Os corsários ingleses – piratas que contam com a proteção velada da Coroa britânica – fazem várias incursões ao litoral, saqueiam cidades e apresam cargas de navios. Franceses e holandeses procuram estabelecer colônias no Brasil.

Invasões francesas

Desde o Tratado de Tordesilhas, no final do século XV, a Coroa francesa manifesta seu desacordo com a divisão do mundo entre Portugal e Espanha. Defende o direito de uti possidetis – a terra pertence a quem dela toma posse – e os franceses se fazem presentes no litoral brasileiro logo após o descobrimento.

Franceses no Rio de Janeiro

Em meados do século XVI, os franceses ocupam o Rio de Janeiro com intenção de estabelecer uma colônia – a França Antártica. A expedição, chefiada por Nicolas Durand de Villegaignon, com apoio oficial, traz colonos calvinistas e os primeiros frades capuchinhos para o Brasil.

Fundam em 1555 o forte Coligny, base de sua resistência às investidas dos portugueses por mais de dez anos. Em 1565 são derrotados e expulsos pela armada de Estácio de Sá, sobrinho do governador-geral Mem de Sá. Ele desembarca na baía de Guanabara, toma o forte de Coligny e funda a cidade do Rio de Janeiro. Em 1710 e 1711 o Rio de Janeiro é saqueado por duas expedições de corsários franceses.

Franceses no Maranhão

Em 1594 os franceses repetem a tentativa de construir uma colônia em terras brasileiras – a França Equinocial – e invadem o Maranhão. A expedição é comandada por Charles des Vaux e Jacques Riffault. Em 6 de setembro de 1612, liderados por Daniel de la Touche, fundam o forte de São Luís, origem da cidade de São Luís do Maranhão. São expulsos em 4 de novembro de 1615.

Fonte: www.conhecimentosgerais.com.br

Invasões Francesas no Brasil

Invasões Francesas no Brasil – 1555 – 1615

O povo francês esteve no Brasil no século XVI, fundando uma “França Antártica” no Rio de Janeiro, uma “Nouvelle France” em Pernambuco, e no século XVII uma “França Equinoxial” no Maranhão. Não se pode esquecer também a influência francesa na cultura medieval e na literatura portuguesa. A novelística no Brasil, naquilo que se pode chamar “livro do povo” e que representa o encanto da autenticidade folclórica, é de proveniência gaulesa.

Ex.: O Imperador Carlos Magno e os 12 pares de frança, Roberto o diabo, etc.

Nas cantigas de roda também percebemos elementos franceses nas letras do cancioneiro infantil: Onde está a Margarida, Lá na Ponte da Vinhaça, etc.

Tanto os portugueses quanto os espanhóis não permitiam a presença de estrangeiros na América no período inicial da colonização, todavia os franceses já em 1503 visitavam as costas brasileiras.

Os franceses procuram fixar-se no Brasil por, pelos menos, três séculos.

Tentativas de fundação da França Antártica e da França Equinocial, implicaram em contato e miscigenação com os primeiros habitantes, fazendo com que a influência étnica e cultural dos franceses permeasse boa parte do país e deixasse marcas muito fortes na aparência, educação, gastronomia, artes, vocabulário e estética do nosso povo.

Fonte: www.terrabrasileira.net

Invasões Francesas no Brasil

Invasões Francesas no Brasil – 1555 – 1615

No século XVI, logo após o descobrimento, os franceses tentam fundar colônias no Brasil. A França nega a validade do Tratado de Tordesilhas e defende o princípio do direito à posse da terra por quem a ocupasse. O governo francês apóia a atuação de corsários e piratas ao longo da costa brasileira e promove duas tentativas de fixação territorial.

França Antártica

A primeira invasão ocorre em 1555, quando uma expedição comandada por Nicolau Durand de Villegaignon estabelece uma colônia na ilha de Serigipe (atual Villegaignon), na Baía de Guanabara. Chamada de França Antártica, é destinada a abrigar protestantes calvinistas fugidos das guerras religiosas na Europa, que procuram explorar a troca de mercadorias baratas por pau-brasil com os indígenas da região.

Os franceses organizam um arraial, constroem um forte e resistem mais de dez anos às investidas portuguesas. São desalojados apenas em 1565, quando as forças do governador-geral Mem de Sá e de seu sobrinho, Estácio de Sá, conseguem quebrar a aliança entre os estrangeiros e os índios com o auxílio dos jesuítas Manuel da Nóbrega e José de Anchieta. Em seguida tomam posição na baía e fundam a cidade do Rio de Janeiro. Os franceses são expulsos em 1567.

França Equinocial

A segunda invasão acontece no Maranhão, a partir de 1594.

Depois de naufragar na costa maranhense, os aventureiros Jacques Riffault e Charles des Vaux estabelecem-se na região. Diante do lucro obtido com o escambo, conseguem o apoio do governo francês para a criação de uma colônia, a França Equinocial. Em 1612, uma expedição chefiada por Daniel de la Touche desembarca no Brasil centenas de colonos, constrói casas e igrejas e levanta o forte de São Luís, origem da cidade de São Luís do Maranhão.

No ano seguinte, os franceses são atacados por forças portuguesas saídas de Pernambuco, sob o comando de Jerônimo de Albuquerque. Derrotados, os invasores deixam o Maranhão em 1615.

Mesmo não conseguindo instalar-se no território brasileiro, os franceses não abandonam a costa do país. Até o século XVIII, piratas e corsários, com menor ou maior ajuda oficial, assediam e pilham constantemente povoados e engenhos. O alvo mais freqüente é o litoral nordestino, mas atacam também cidades importantes, como o Rio de Janeiro, invadida em 1710 e 1711 pelos corsários Du Clerc e Dugay-Trouen.

Fonte: EncBrasil

Invasões Francesas no Brasil

Invasões Francesas no Brasil
Quadro de Benedito Calixto (1853-1927) mostrando o padre
Manuel da Nóbrega benzendo a esquadra que iria combater os franceses.

Fora isso, o óbvio interesse econômico pelo pau-brasil levou muitos europeus a contrabandearem a preciosa madeira pelo litoral brasileiro.

Contudo, a política dos governos-gerais implantada por Portugal no Brasil dificultou a ação dos contrabandistas.

Além disso, os franceses tinham planos mais ambiciosos para a colônia portuguesa do que simplesmente o contrabando.

Não reconhecedores do Tratado de Tordesilhas, defendiam a idéia de que as terras brasileiras deveriam pertencer a quem as ocupassem primeiro.

Tais fatores resultaram na tentativa francesa de colonização de parte do litoral do Rio de Janeiro (1555) – a chamada França Antártica – e da costa do Maranhão (1612) – França Equinocial.

A esquadra francesa que fundou a França Antártica foi comandada por Nicolas Durand de Villegagnon.

Logo que chegaram à Baía de Guanabara, os franceses se aliaram aos índios tamoios e construíram o forte Coligny na ilha de Sergipe.

A França Antártica ficou marcada pelas diferenças religiosas entre o protestantismo francês e os elementos católicos já existentes na região, um antagonismo que dominava a Europa na época.

Os franceses foram expulsos da região somente em 1560, durante o governo-geral de Mem de Sá.

Já a ocupação do Maranhão se deu mais tarde, em 1612, quando uma expedição francesa chefiada por Daniel de La Touche partiu do porto de Cancale, na Bretanha.

Os franceses construíram o forte de São Luís – atual capital do Maranhão – uma homenagem ao rei Luís XIII. A ocupação francesa no litoral maranhense se findou em 1615, na Batalha de Guaxenduba.

Fonte: www.historiadetudo.com

Invasões Francesas no Brasil

França Antártica

No governo de Duarte da Costa ocorreram diversas incursões de corsários de potências européias, dentre elas a dos franceses. Aportaram na baía de Guanabara em 1555, com o objetivo de instalar um núcleo colonial, a França Antártica. Chefiados por Nicolau Durand de Villegaignon, ali fundaram o forte de Coligny.

Pretendiam garantir a exploração do pau – brasil no litoral sul e conseguir um espaço onde os protestantes franceses pudessem exercer livremente sua religião.

Fizeram amizade com os índios Tupinambás que, junto com outras nações indígenas, guerreavam com os portugueses contra sua escravização. A união das tribos indígenas contra os portugueses ficou conhecida como a Confederação dos Tamoios.

Mem de Sá, o terceiro Governador Geral, cujo governo durou 15 anos, veio para o Brasil com três metas bem definidas: pacificar a administração, atenuando os conflitos entre indígenas e colonos; restabelecer as relações com o Bispado, estremecidas durante o governo anterior e expulsar os franceses do Rio de Janeiro.

Em um breve espaço de tempo atingiu as duas primeiras metas. A expulsão dos franceses só se efetivou em 1567.

A primeira expedição organizada por Mem de Sá contra os franceses ocorreu em 1560. Com a destruição do forte de Coligny, foram expulsos temporariamente da baía de Guanabara. Em 1563 a Metrópole enviou reforços para o governador, consubstanciados na expedição de Estácio de Sá, seu sobrinho. Em 1º de março de 1565, Estácio de Sá fundou a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, que serviria inicialmente de base na luta contra os franceses e seus aliados indígenas.

A luta com os franceses prosseguiu até 1567, quando Estácio de Sá recebeu reforços militares e ajuda de índios, chefiados por Araribóia, adversário dos tamoios e aliado dos portugueses. Por seu lado, os jesuítas, liderados por Manuel da Nóbrega e José de Anchieta, pacificaram os índios tamoios de São Vicente, fazendo com que retirassem seu apoio aos franceses, em troca da promessa de não serem mais atacados e nem escravizados. Sem esse apoio, os franceses não conseguiram resistir, sendo definitivamente expulsos do Rio de Janeiro. Estácio de Sá, vítima de uma flechada no decorrer da luta, morreria algum tempo depois.

Em 1572, após a morte de Mem de Sá, o governo português dividiu o Governo Geral do Brasil em dois: o do norte, com sede em Salvador, e o do sul, com sede no Rio de Janeiro. Pretendia, com essa medida, organizar melhor a administração da Colônia, fortalecer a ocupação do Rio de Janeiro e de São Vicente, sempre ameaçadas pelos franceses e espanhóis, e estimular a penetração para o sul e o interior. Sem ter atingido plenamente seus objetivos, a Coroa portuguesa resolveu, em 1578, unificar, novamente, a administração da Colônia.

França Equinocial

A França Equinocial e a Conquista do Maranhão e Grão-Pará

A expansão da colonização não se deteve na conquista do Ceará. Prosseguindo pelos territórios mais ao norte alcançou a área do Maranhão, ponto estratégico devido à proximidade com a foz do Rio Amazonas – porta atlântica de acesso às minas peruanas e motivo de grandes preocupações para a administração filipina.

Filipe II (1598 – 1621) incentivou o avanço dos portugueses em direção àquela área pois, assim, afastava-os do Rio da Prata, o outro acesso às minas peruanas.

As preocupações do monarca procediam, já que a importância do local despertara a atenção da França.

Em 1612, aguçados pelo sucesso da atividade açucareira, comerciantes e nobres franceses se associaram em um empreendimento comercial. Contando com o incentivo do rei, tentaram organizar uma colônia no Brasil, a França Equinocial, em um vasto território ainda não ocupado pelos portugueses – o atual estado do Maranhão.

A expedição francesa, comandada por Daniel de La Touche, fundou o Forte de São Luís, em homenagem ao rei da França, e que deu origem à cidade de São Luís, hoje capital do Maranhão.

Ante a ameaça de perderem parte da sua Colônia, portugueses e espanhóis se uniram para enfrentar os invasores. Após inúmeros combates os franceses renderam-se, desistindo do Maranhão (1615). Entretanto, conseguiram uma indenização que compensava as perdas que entendiam ter tido.

Ciente das dificuldades para a ocupação do Grão-Pará, como a inexistência de caminhos regulares e seguros, a política filipina assumiu como finalidade principal, tanto por meio de ações guerreiras quanto por meio do povoamento, garantir o monopólio ibérico na área. Assim, no Natal de 1615 acontecia uma investida em direção à foz do chamado “Rio das Amazonas”, liderada por Francisco Caldeira Castelo Branco, que participara da luta contra os franceses no Maranhão. No início de 1616, cumprindo ordens do governador geral, os colonizadores construíram um forte de madeira, que chamaram de Presépio, origem da atual cidade de Belém. O local, estratégico, permitia controlar qualquer investida estrangeira. Auxiliados pelos índios Tupinambás, construíram uma igreja e algumas habitações, estabelecendo um núcleo inicial de povoamento, o de Nossa Senhora de Belém.

Em meados de 1617 começaram a chegar homens e equipamentos, tanto da capitania de Pernambuco, como do Reino, para garantir o fortalecimento daquele núcleo urbano. Entre eles, frades franciscanos incumbidos da catequese dos nativos. Entretanto, este processo de ocupação ocorria em meio a questões que envolviam choques entre os colonizadores e os colonos e a presença de estrangeiros comerciando com tribos da área. Ingleses e holandeses chegaram a construir fortes em pontos ribeirinhos do Amazonas, gerando conflitos que exigiram, além de providências do Reino, a mobilização da população local. Isto incluía os índios aldeados coordenados pelos franciscanos.

Fonte: www.multirio.rj.gov.br

Invasões Francesas no Brasil

França Equinocial

FRANCESES NO NORTE E NORDESTE

No início do século XVII, ainda havia pontos do litoral brasileiro mais freqüentados pelos corsários franceses do que pelos portugueses, como era o caso do Maranhão.

Invasões Francesas no Brasil
Os franceses ocupam o Maranhão no início do século XVII

Em 1594, os tripulantes de dois navios franceses, dos três que formavam a frota de Jacques Riffault, ficaram perdidos na ilha de Santana, e conviveram pacificamente com os índios Tupinambás. Alguns anos depois, um dos tripulantes, Charles des Vaux, conseguira voltar a França, e este fizera uma intensa propaganda aos proprietários dos armadores da Normandia e Bretanha (Norte da França) para que se criasse uma colônia francesa no Maranhão.

Essa idéia foi aceita com entusiasmo por Daniel de la Touche, Senhor de La Ravardière, que já havia andado pelo litoral da atual Guiana, em viagem de exploração em 1604 com Jean Mocquet.

A França Equinocial é dividida em duas fases distintas: em primeiro, o reconhecimento e em segundo, a ocupação. A primeira fase foi organizada por La Ravardière, com o apoio de Francisco de Rasilly, Senhor des Aumels, Nicolau de Harlay de Sancy, Barão de la Molle e de Gros-Bois, com o objetivo de reconhecer a região e viabilizar a construção de um forte e manter o convívio pacífico com os índios da região, para uma posterior ocupação com colonos. Nesta fase, a expedição era composta por três navios, na qual a sua tripulação era basicamente de voluntários. Muitos deles eram fidalgos e aventureiros, além de quatro padres capuchinhos e de um português e alguns índios, que se encontravam em degredo na ilha de Fernando de Noronha.

E foi assim que, em 1611, a bandeira francesa, com flores-de-lis, foi hasteada pela primeira vez no Maranhão, no meio dos Tupinambás. La Ravardière cumpriu a sua missão no Brasil, regressando seis meses mais tarde a França, pondo fim a primeira fase da França Equinocial.

No dia 19 de março de 1612, zarpara a frota, de Cancale, na Bretanha, e esta era composta por três navios: La Régente; comandado por La Ravardière auxiliado por Rasilly, Charlotte; com o Barão de Sancy e a nau Sante-Anne; com o irmão de Rasilly. Entre os tripulantes haviam alguns padres capuchinhos, na qual destacou-se Claude d’Abbeville, a quem se deve registro de todos os acontecimentos da França Equinocial.

Dois meses depois, a frota chegara ao Maranhão e o desembarque fora completamente pacifico, mediante reconhecimento feito por Charles des Vaux, acolhido com manifestações de amizade pelos Tupinambás.

Os primeiros dias da colônia foram de total alegria e festas; contudo, La Ravardière resolveu organizá-la para garantir uma convivência harmoniosa, com o esforço convergente, sob a garantia da sua autoridade, que seria regida pelas “Loys fondamentales établies en I ‘Isle de Maragnan”.

A organização da França Equinocial teve início com a construção de um forte, (batizado por ordem de Rasilly, com o nome de São Luís, em homenagem ao Rei Luís XIII, o Justo, que posteriormente deu origem a cidade de São Luís) com vinte peças de artilharia como estava previsto no plano inicial da construção da nova colônia.

Como tudo corria bem para os franceses no Maranhão, La Ravardière, de acordo com os seus companheiros, decidiu-se ir à França para discutir assuntos da colônia entendimentos com a Corte. Isso em novembro de 1612.

A primeira expedição para a reconquista do Maranhão foi organizada pelo Governador-Geral Gaspar de Sousa, tendo como Comandante Jerônimo de Albuquerque, ajudado pelo Sargento-Mor do Estado do Brasil, Diogo de Campos Morena. O efetivo das tropas compreendia centenas de portugueses, brasileiros e indígenas. O transporte foi feito por via marítima, partindo de Pernambuco, já inteiramente dominado pelos portugueses.

Nestas lutas esporádicas entre franceses e luso-brasileiros, houve um impasse, ou seja, não ocorrera uma vitória definitiva de ambas as partes, resultando numa trégua negociada entre La Ravardière (já retornado da França, um ano antes) e Diogo Campos. A idéia era manter as posições que ocupavam, à espera de uma decisão das Cortes respectivas, quanto à posse definitiva do Maranhão.

Contudo, o rei Felipe III não concordou (lembro que neste período da nossa história, tanto o Brasil como Portugal, estavam atrelados ao Império Espanhol) com a discussão do problema, firmando-se no direito certo que tinha Portugal à posse das terras. Determinou que fosse enviada nova expedição militar para ajudar as forças já quarteladas no Maranhão.

La Ravardière, vendo que não havia mais possibilidades de encontrar uma maneira diplomática para resolver o assunto, e sabendo da sua inferioridade numérica em homens e material bélico, rende-se no dia 3 de novembro de 1615, quando ele aceitou “Au camp, devant le fort de Saint-Louis des Français”, o ultimato do chefe português, Jerônimo de Albuquerque.

Muito embora estava terminada a Segunda fase da ocupação francesa no Maranhão, inúmeros franceses continuaram nesta região. Posteriormente ajudaram os portugueses e brasileiros a desbravar esta parte do Brasil que continuava selvagem aos olhos dos europeus. Não obstante, com esta permanência “simbólica” dos franceses no extremo norte do Brasil, os governos de ambas as partes, primeiro com Portugal, depois com o próprio Brasil independente contra a França, tiveram sérios problemas políticos. A solução veio em 01/12/1900, através de uma explanação realizada pelo diplomata brasileiro Barão do Rio Branco ao árbitro do caso, W. Hauser, presidente do Conselho Suíço.

Alexandre de Souza Costa

Fonte: www.geocities.com

Invasões Francesas no Brasil

Invasões Francesas no Rio de Janeiro e Maranhão

Desgostoso com a França, o Vice-almirante Nicolas Durand de Villegaignon— famoso na Europa e considerado homem de ação e comandante notável da Marinha de Guerra— idealizou procurar no Novo Mundo o Brasil e fundar a França Antártica.

Tratou de organizar uma expedição militar que não viesse só para explorar o Brasil, mas para ficar. Submeteu a idéia ao Almirante Gaspard de Châtillon, conde de Coligny, calvinista e chefe do partido Huguenote que possuía prestígio com Henrique II . A idéia de Coligny era reservar aos calvinistas um refúgio no Novo Mundo, pois o fanatismo religioso era radical na Europa.

Coligny conseguiu do rei Henrique II a autorização para o projeto. Villegaignon, também, recorreu aos bons ofícios do Bispo de Lorena—de quem era muito amigo—para junto do rei de França superar as dificuldades. E o fez como católico e membro da Ordem de Malta.

Villegaignon recebeu dois grandes navios, artilharia e munições para todas as armas e ferramental para a construção e defesa de um forte, além do subsídio de dez mil libras tornesas e a promessa do título de vice-rei das terras que conquistasse.

A dificuldade no recrutamento de marinheiros e colonos foi grande, forçando-o abaixar o nível moral inicial . Mobilizou colonos nos cárceres de Paris, de Rouen e outras cidades. Só assim conseguiu reunir o efetivo suficiente de homens de todas as idades, condições, índoles e crenças.

A expedição compunha-se exclusivamente de 600 homens e de nenhuma mulher,e partiu do porto do Havre, chegando à Guanabara em 10 de novembro de 1555. Estabeleceu-se num rochedo à entrada da barra, a que denominaram Ratier e que foi artilhado (atual Forte da Laje). Depois, houve a transferência para a ilha de Seregipe (Serijipe) mais para o Interior da baía. O fortim ali erigido recebeu o nome de Coligny (atual Escola Naval).

Logo se solidificou a aliança com os T a m o i o s, graças aos franceses que ali jáviviam. A notícia, na França, da chegada da expedição ao Brasil, entusiasmou os armadores. Os comerciantes procuravam o porto do Rio de Janeiro, com a proteção de um posto militar sob a bandeira da França. Formavam aldeias, negociavam em todo o litoral e faziam viagens pelo interior. Os que desertavam da ilha ampliavam a conquista da terra.

Pedido por Villegaignon a Coligny, chegou à Guanabara, em 7 de março de 1557, o reforço de esquadrilha de 3 navios, artilhados com 18 peças, denominados Grande Roberge, Petite Roberge e Rosée. Comandava-a o sobrinho de Villegaignon, Comandante Bois-le-Conte, A tropa era de 200 homens. Vieram fidalgos, artesãos e missionários calvinistas, enviados pela igreja protestante de Genebra. Entre estes, Jean de Lery, que se tornou o cronista da expedição, ao publicar ” Histoire d’un Voyage fait en la terre du Brésil”– La Rochelle, 1578. Essa 2a Expedição -foi mais militar do que colonizadora.

Foi então que o novo Governador – Geral), Mem de Sá, veio assim a encontrar a colônia portuguesa , em 1557. .

Mem de Sá no Governo-Geral – Difícil a situação da colônia, aos fins de 1557, quando chegou ao Brasil o 3º Governador-Geral, Mem de Sá. Sua escolha baseara-se no conceito e prestígio que desfrutava na terra-mãe, onde era consideradohomem decidido, de pulso forte e seguro, e dotado de alto valor moral.

A repercussão na Metrópole, com a fixação dos franceses no Rio de Janeiro, na baía de Guanabara, e a incapacidade demonstrada por Duarte da Costa para expulsá-los, estavam a exigir uma figura ímpar, do quilate de Mem de Sá. E este, depois de nomeado, procurou inteirar-se da situação da longínqua colônia, e verificou, pelas informações obtidas, que eram apreciáveis as forças de mar francesas no Brasil; que havia necessidade de grande prudência na ofensiva a ser desencadeada contra o Forte Coligny, a fim de preservar os parcos recursos humanos e materiais de que dispunham os portugueses; que tornava imperioso contar com forte poder naval e considerável contingente de tropas terrestres, para o bom êxito do empreendimento. Tudo isso transparecia claro na comparação com o que possuía Villegaignon, comandante e chefe francês, servido por gente muito bem armada e que ainda tinha a grande facilidade em receber reforços, pois que, em sua empresa, constavam enormes interesses comerciais franceses, especialmente os relativos ao pau-brasil.

Chegou Mem de Sá ao Brasil, fins de 1557. Logo ao assumir o governo, fundou, na capitania do Espírito Santo, uma base terrestre capaz de lhe fornecer o indispensável apoio cerrado às operações e de impedir a expansão dos franceses para o norte, barrando-lhes o acesso fácil à capital da colônia – Salvador – sede administrativa. Daí pretendia fustigá-los com freqüência, enquanto montava incursão de vulto e decisiva.

Os erros da administração precedente e os efeitos da ocupação francesa haviam tornado difíceis as condições de vida na colônia. Corrigiu erros e abusos, ordenou a vida financeira e terminou com o jogo, o roubo, a vadiagem e outras pragas.

Seu pulso firme e senso de justiça criaram as condições mínimas para aquilo que era importante: a expulsão do invasor francês. Igualmente graves e problemáticas, as relações colono e gentio. Obedecendo à sua consciência e sentimentos religiosos, fiel à sua concepção da sociedade futura, e contando com a preciosa colaboração da Igreja, representada pelos jesuítas, com os quais acertou medidas para coibir os abusos.

Baixou atos tendentes a acabar com a antropofagia, e luta entre os índios e entre estes e colonos. Os indígenas aliados foram reunidos em reduções – grandes aldeias – e intensificou-se sua catequese. Com energia, castigou os infratores, fossem eles colonos ou silvícolas, demonstrando desse modo absoluta eqüidade nas relações da autoridade com as duas raças. Ordenou ainda que se pusessem em liberdade os índios escravos em poder dos colonos.

A luta para colocar em ordem a casa desenvolveu-se em toda a colônia. Perdeu a vida seu filho Fernão de Sá, quando na chefia da expedição para combater os índios do Espírito Santo. Até o Governador, no comando de expedições, acorreu aonde se fez necessária sua presença, causando espanto aos próprios aborígines. Os vencidos embrenharam-se nos sertões, fugindo e pedindo paz, submetendo-se às ordens da autoridade. Em pouco mais de um ano, estava mudada a situação. Mem de Sá, além das provas de coragem, demonstrara alto espírito de humanidade e sabedoria política, não se limitando apenas a proteger o gentio, confiando-o aos jesuítas, mas procurando despertar neles o sentimento de família e de prosperidade e a noção de direito. Tratou de integrá-los à nova sociedade, confiando-lhes cargos na administração e justiça. Associou a força da autoridade à palavra do missionário. Também de importância foram suas providências como administrador. Incrementou a produção agrícola, terminou de construir o engenho Pirajá, iniciado por Duarte da Costa, o que muito favoreceu os lavradores pobres. Muita coisa mais realizou em benefício da terra.

Ordenada a casa, voltou-se para a tarefa magna do seu governo: a expulsão dos invasores franceses da baía de Guanabara. Desvelou-se na organização e adestramento de suas tropas, constituídas de colonos portugueses e índios aliados, esses em maior número. E passou a aguardar reforços da Metrópole.

Franceses expulsos da Guanabara– Em novembro de 1559, aportou na Bahia a armada de Bartolomeu Vasconcelos. De posse de informações colhidas de um fidalgo francês, que lhe forneceu toda a ordem de batalha dos invasores, e tendo antes o cuidado de enviar mensageiros a todas as capitanias, partiu sem mais demora.

Em Salvador, deixou um mínimo de tropas, apenas o necessário para a defesa. Durante a viagem em direção ao Rio de Janeiro, tocou em Porto Seguro, Ilhéus e Espírito Santo, onde recolheu reforços em pessoal e gêneros. Fundeou na barra da baía de Guanabara a 28 de fevereiro de 1560 e obteve informações da ausência de Villegaignon, fato que decidiu a antecipação do ataque à Fortaleza ou Forte Coligny, localizada na ilha que hoje tem o nome de Villegaignon e onde se encontra a nossa Escola Naval. Reunidos, os chefes foram contrários ao ataque naquelas circunstâncias, já que da comparação ressaltara menor o número dos atacantes. Ademais, os defensores contavam não apenas com maior efetivo, mas também estavam com a vantagem de defender uma posição fortificada. No entanto, a decisão coube a Mem de Sá, chefe supremo da empresa.

Foi o padre Nóbrega enviado a São Vicente a apressar os reforços que tardavam. Por feliz coincidência, já estavam chegando . A 15 de março de 1560, uma Sexta-feira, teve início o combate. Na noite de Sábado, alguns portugueses e mamelucos brasileiros conseguiram heroicamente penetrar de surpresa no forte e tomar uma das baterias. Por aí, apesar da reação dos franceses, entraram os reforços e com tamanho ímpeto que os defensores fugiram para o continente. Eram cerca de 200 franceses e 800 tamoios a eles aliados. No outro dia, Domingo, pela primeira vez, foi realizada missa de ação de graças naquela ilha.

Feita a limpeza na baía, o inimigo refugiou-se no sertão. Enquanto eram reparadas as naus, Mem de Sá determinou fosse o forte arrasado, apressando-se, a seguir, em abandonar a área sem deixar um único defensor. Esse procedimento, pouco depois, invalidava todo aquele esforço da luta. Recuou para São Vicente e daí mandou Estácio de Sá a Portugal, para relatar o ocorrido.

Retornando à Bahia, empenhou-se em luta contra os aimorés, que haviam devastado várias povoações, conseguindo derrotá-los.

Sua imprevidência, deixando desguarnecida a baía de Guanabara, muito cedo foi comprovada. Os tamoios, aliados dos franceses e por estes insuflados, passaram a mover Guerra implacável a todas as povoações portuguesas de São Vicente. Graças à coragem e abnegação dos padres Nóbrega e Anchieta em Iperoig, concertando com eles a paz e conseguindo aplacar o ódio dos selvagens, o fato não teve conseqüências desastrosas.

Também os remanescentes franceses aos poucos foram retornando à baía de Guanabara, onde guarneceram e fortificaram uma aldeia, agora no continente.

Restabelecidos, mudaram de atitude, passando a assaltar navios e a saquear os colonos portugueses. Os tamoios sentiram-se fortes e correram a imitá-los, desrespeitando inclusive os jesuítas.

Atuação de Estácio de Sá–Em 1563, Estácio de Sá retornou de Portugal, com dois navios de Guerra e ordens expressas de executar a expulsão definitiva do invasor francês. Com os meios que Mem de Sá, em Salvador, pôs à sua disposição, partiu para o Rio de Janeiro em princípios de 1564. Hostilizado, entretanto, pelos tamoios, prosseguiu para São Vicente, já sabendo que alguns índios haviam quebrado a paz de Iperoig.

Ali encontrou o padre Anchieta reunido com vários chefes indígenas, dentre os quais Cunhambebe – que se tornou valioso aliado. Demorou-se a expedição em preparativos e, somente graças ao padre Nóbrega, Estácio de Sá não desistiu da empresa. Após se abastecer, rumou para o Rio, onde encontrou os reforços que antes mandara pedir ao Governador-Geral. A 1º de março de 1565, desembarcou e iniciou os trabalhos de fortificação e construção das primeiras casas na várzea ao lado do Pão-de-Açúcar e no morro Cara-de-Cão, erigindo a Vila Velha, que daria origem à cidade do Rio de Janeiro.

Em meados de janeiro de 1567, após receber reforços chegados da Metrópole e poderoso contingente vindo de São Vicente, ficou decidida, em conselho, a data de 20 para início da ofensiva. Depois de rezada missa campal, iniciaram-se os ataques, primeiro contra Uruçumirim e em seguida contra o Forte de Paranapuã, na ilha dos Maracajás. Os franceses, que deles escaparam, tomaram suas naves e desapareceram da baía de Guanabara para sempre, mas foram estabelecer-se em Cabo Frio, um pouco ao norte. Estácio de Sá, ferido por uma flechada no braço, veio a falecer cerca de um mês depois. Os portugueses contaram com valorosa colaboração dos Temiminós, chefiados por Araribóia, a quem doaram as terras em que hoje está edificada a cidade de Niterói. Foi inestimável o auxílio, tanto da gente de São Vicente e Itanhaém, quanto dos jesuítas, para o desfecho feliz das operações que culminaram com a expulsão dos franceses da Guanabara.

Mem de Sá retornou à Bahia. Idoso e alquebrado, após 14 anos de lutas constantes, e solicitou a el-rei a vinda de substituto.

Divisão administrativa do Brasil em Sul e Norte– O substituto nomeado, D. Luís Fernandes de Vasconcelos, não logrou chegar ao Brasil, tendo sido assaltado e morto por piratas. Seu sucessor, Luís de Brito Almeida, chegou em 1572, à Bahia, quase às vésperas do falecimento de Mem de Sá. O novo Governador-Geral possuía planos de largo alcance, porém não pôde colocá-los em execução, porque a metrópole decidira dividir a colônia em duas seções administrativas, ambas sem ligação entre si e com idênticos encargos. D. Luís de Brito ficaria em Salvador, responsável pela área de Ilhéus para o norte, e o Dr. Antônio Salema governaria de Porto Seguro para o sul. Procuraram os dois governadores colocar-se de acordo no modo de agir, pelo menos nas coisas mais importantes. Uma delas eram as relações com os indígenas, cuja luta com os brancos se agravava à mediada que esses ocupavam suas melhores terras.

Entrementes, com a morte de D. João III e a regência do Cardeal D. Henrique, as coisas pioraram e a colônia ficou esquecida. Apesar disso, prosseguiu a luta contra o invasor francês, que não desistira do intento de partilhar o Brasil com os portugueses. Estabelecidos agora em Cabo Frio, continuavam o comércio com os tamoios e a pilhagem da costa. Realizaram, em companhia dos tamoios, a incursão à baía de Guanabara, com o intuito de punir Araribóia, aliado dos portugueses. Graças aos auxílios recebidos por Araribóia, foram eles rechaçados. Salvador Correia de Sá, capitão-mor do Rio de janeiro,recebeu reforços e marchou contra Cabo Frio. Contando com o auxílio de paulistas e fluminenses, derrotou o inimigo novamente.

Em 1575, sucedendo a Cristóvão de Barros, assumiu o governo da cidade do Rio de janeiro Antônio Salema. Sob seu comando, fez-se, em agosto desse ano, a última e definitiva expedição contra os franceses e tamoios de Cabo Frio. Com uma força de 400 brancos e 800 índios, infligiu dura derrota ao antagonista. Os sobreviventes fugiram para o sertão. Foi concertado então um armistício com os franceses, os quais, mediante a entrega de armas e munições, puderam retirar-se em paz.

Graças à providencial cooperação do colono português e do brasileiro-mameluco, e dos inestimáveis serviços religiosos dos jesuítas, pôde o Sul passar a viver em paz. Ali já não tentaram estabelecer-se os franceses.

A organização militar do rei D. Sebastião– Prosseguindo no caminho da organização militar de Portugal, segundo os antigos princípios da nação armada, e a influência das idéias do século, o rei D. Sebastião baixou, a 10 de dezembro de 1570, o Regimento dos Capitães- Mores e mais Capitães e Oficiais das Companhias da Gente de Cavalo e de Pé. De acordo com esse regimento, em cada cidade, vila ou concelho, o alcaide-mor e senhores eram os capitães-mores.

A invasão francesa no Maranhão 1612 –1615

Desfeito o sonho da França Antártica, não desistiram os franceses da idéia de estabelecer no Brasil uma colônia. O objetivo agora era o Maranhão, que permanecia despovoado e inexplorado por Portugal. Lá tentariam fundar a França Equinocial, por localizar-se próximo da linha do Equador.

A primeira idéia de ocupação do Maranhão foi do aventureiro Jacques Riffault, que, em 1594, animado pelas boas relações que mantinha com o chefe selvagem Uirapive, se associou a outros aventureiros, e, com meios suficientes, recrutou e veio para o Brasil em 3 navios, aportando no Maranhão, longe do local do objetivo inicial , mas decidiu fixar-se ali como base de partida para outras incursões ao longo do litoral brasileiro .

No Maranhão, as ambições dos invasores. Eles sentiram as extraordinárias proporções do projeto, caso a França patrocinasse. Jacques Riffault foi à Europa, deixando em seu lugar Charles des Vaux. Depois de 2 anos, sem notícias, novo emissário procurou o rei da França. Este, interessado na partilha do Novo Continente, deu a missão a Daniel de La Touche, senhor de La Ravardière, de vir à América verificar as informações de Charles des Vaux..

Da mesma forma que os demais, depois de 6 meses no Maranhão, Ravardière, encantado com a região, retornou à pátria, não encontrando vivo o rei Henrique IV. Mas recebeu da rainha-regente, Maria de Médicis, e dos seus ministros, patrocínio ainda efetivo e a oficialização do projeto .

A invasão do Maranhão

Em 1612, partiu a expedição.

La Ravardière conseguiu 3 navios e cerca de 500 invasores, entre soldados, colonos, além de 4 frades capuchinhos e, para o projeto, dois nobres financiadores de grande parte.

Deixaram a França em 19 de março. Os ventos levaram a esquadra até a Inglaterra. Dali atingiram a ilha de Fernando de Noronha, onde encontraram 1 português e 17 índios desterrados de Pernambuco. Eles foram incorporados à expedição e conduzidos para o Maranhão, por ordem de La Ravardière.

A 26 de julho, a esquadra fundeou frente à ilha mais tarde denominada Santana. No dia 6 de agosto de 1612, desembarcaram , recebidos com muitas festas e demonstrações de alegria por parte dos índios e franceses.

A posse do Maranhão

Os invasores franceses fundaram um forte a que denominaram São Luís, em homenagem a Luís XIII, rei da França. No local, ergue-se o Palácio do Governo do Maranhão. O forte deu origem à cidade de São Luís, capital do Estado. Ao seu redor, foram construídas casas, armazéns e a igreja. Assim, objetivavam o seu estabelecimento definitivo no Maranhão. Os índios ficaram cada vez mais hostis aos portugueses dominadores. Os invasores fizeram viagens de reconhecimento, estudos da língua indígena, levantamentos geográficos, e deram início às primeiras plantações, para o abastecimento da tropa.

A conduta dos colonos foi regulada. Instituiu-se a pena de morte e deu-se grande proteção aos índios contra os abusos dos colonos. Os padres começaram a penetrar na terra, em ação de catequese.

A reação da Espanha/Portugal à invasão

A notícia da invasão e fixação dos franceses no Maranhão chegou ao rei Felipe III da Espanha e Portugal, que ordenou expulsá-los.

Para comandar a reação, foi escolhido Jerônimo de Albuquerque , o bravo mameluco – brasileiro, conhecedor da terra onde nascera e dos índios de quem descendia como mameluco .

Os portugueses organizaram-se, recrutaram homens e preparam navios e acumularam armamento e munições. Na falta de homens, esvaziaram as prisões.

Tentaram conseguir o concurso dos índios para causa .

Jerônimo de Albuquerque visitou as aldeias e conversou com os caciques. Os índios, agora, não queriam guerrear, cuidavam das plantações, da caça e da pesca.

À custa de muita habilidade e astúcia, Jerônimo conseguiu-lhes a adesão. Partiu do Rio Grande do Norte com destino ao Maranhão. Do Piauí, enviou um grupo de reconhecimento sobre posições francesas na costa norte. Enquanto esperava, fundou povoação no Camocim, para reforçar o domínio português na região.

Martim Soares Moreno, comandando o grupo de reconhecimento, encontrou os franceses instalados no Maranhão. Conseguiu muitas informações de grande valor para a expedição. De regresso, violenta tempestade o levou para as Antilhas, de onde seguiu para a Espanha.

Jerônimo de Albuquerque, considerou-o perdido. Resolveu retornar a Pernambuco, enfrentar os franceses em precárias condições logísticas. Antes de regressar, fundou o forte de N. S. do Rosário, aí deixando 40 homens. Sabedor das novidades, o Governador – Geral, Gaspar de Souza, mandou vir de Portugal, para ajudar Jerônimo, Diogo de Campos Moreno, o grande conhecedor do Brasil.

Formou-se nova expedição, com cerca 300 homens. Eles se uniram aos 200 índios de Jerônimo de Albuquerque, seguindo para o Maranhão. Organizaram-se os expedicionários na praia de Guaxinduba. Ali levantaram uma fortificação, a que deram o nome de Santa Maria.

Começaram a aparecer índios a mando dos franceses, e aconteceram os primeiros incidentes, em conseqüência dos quais índios da expedição foram mortos. Os portugueses apressaram os trabalhos de fortificação, enquanto aguardavam reforços prometidos de Pernambuco, que não chegaram a tempo. A inferioridade numérica portuguesa era flagrante.

Na madrugada de 19 de novembro de 1614, os franceses atacaram na praia de Guaxinduba: Força naval acompanhada por 50 canoas tupinambás com 200 franceses e mais de 2.000 índios.

O invasor desembarcou e aproximou-se. Foi quando Jerônimo passou da defensiva a impetuoso ataque. Reuniu tropa de reserva, quase todas de índios, e deu-lhes a missão de guardar o forte de Santa Maria. Decidiu cercar os franceses por terra, enquanto Diogo de Campos atacaria na praia os que estavam desembarcando.

Nesse momento, chegou um emissário dos franceses com mensagem de La Ravardière, intimando os portugueses à rendição. Temendo um ardil, Diogo de Campos atacou, seguido por Jerônimo. Os portugueses destruíram uma posição inimiga; os franceses desanimaram . A maré baixa não permitiu receberem reforços da esquadra fundeada ao largo. Os que se encontravam em terra já não podiam retornar, porque as suas embarcações estavam sendo queimadas pelos portugueses. Em que pese à inferioridade numérica, graças à coragem dos portugueses e à habilidade de Jerônimo Albuquerque, os franceses foram derrotados, com número muito maior de perdas, entre mortos e prisioneiros, no dia que passaria à História com o título de “A Jornada Milagrosa”. “Audentes fortuna iuvat” (Virg., Eneida, X, 284) = A sorte favorece os audaciosos. Também se encontra “Audaces fortuna iuvat” (adaptação).

Mais uma vez fizeram honra ao seu pensamento militar decorrente de seu ideal político de dilatar A Fé Católica e o Império: “Julgada a causa justa, pedir proteção divina e atuar ofensivamente, mesmo em inferioridade de meios “(General Paula Cidade).

Os portugueses esperaram novo ataque. Os invasores não desistiram! Mas não queriam correr riscos ! Resolveram negociar a paz, com um armistício honroso.

Os dois líderes rivais chegaram a um acordo, suspendendo as hostilidades por um ano, enquanto se mandavam para cada uma das Cortes dois emissários, um português e um francês, em busca de novas instruções .

O governo luso – espanhol não aprovou o armistício, conforme notícia trazida por Francisco Caldeira Castelo Branco.

Jerônimo de Albuquerque não desfez o acordo. Aguardou nota oficial. Esta chegou com o General Alexandre de Moura, nomeado Governador – Geral da Armada e Conquista do Maranhão. Seu propósito: obter dos franceses a rendição incondicional.

Ao chegar, o General Alexandre de Moura convocou Jerônimo de Albuquerque, a quem fez ler a carta de sua patente de general. Este ficou indignado com a falta de reconhecimento pelos serviços prestados. Era mais forte, porém, no seu coração de bravo, o sentimento de amor à terra natal e o do cumprimento do dever. Curvando-se diante de seu superior hierárquico, entregou-lhe o comando e continuou a servir, com abnegação, à causa pela qual tanto já se sacrificara.

A expulsão dos invasores do Maranhão

Em 31 de outubro de 1615, o General Alexandre de Moura ordenou o ataque aos franceses. Jerônimo de Albuquerque iniciou por cercar, por terra, o forte São Luiz. Em 1º de Novembro, a esquadra de Alexandre de Moura fechou o cerco por mar. Desembarcou a sua tropa na ponta de São Francisco, próximo do forte São Luís, e ali construiu fortificação de pau-a-pique, a que deu o nome de São Francisco ou Forte do Sardinha.

Intimado à rendição, La Ravardière submeteu-se com condições. Prometia partir em 3 meses. De Portugal chegaram reforços e ordens específicas – não pagar indenizações, apenas permitindo que os invasores franceses levassem seus pertences. La Ravardière entregou o forte de São Luís e, enquanto seus homens embarcavam para a França, pediu para ficar, por amor à terra a que muito se afeiçoara. Alexandre de Moura, entretanto, levou-o para Pernambuco e dali para Lisboa, onde foi encerrado por três anos, na Torre de Belém.

Jerônimo de Albuquerque, que então passara a assinar-se Jerônimo de Albuquerque Maranhão, como afirmação definitiva da conquista da nova terra, foi nomeado capitão-mor da capitania do Maranhão em reconhecimento aos relevantes serviços. Enquanto isso, Francisco Caldeira Castelo Branco seguiu para o Norte, com ordens de fundar, 900 quilômetros além, a capitania do Pará. Era dado o primeiro passo para a conquista da Amazônia. A costa norte, até então abandonada à própria sorte, ficou conhecida e na posse definitiva dos portugueses. Participou da luta pela expulsão dos franceses do Maranhão o mais tarde Capitão Pedro Teixeira, o conquistador da Amazônia e que participara da Expedição fundadora de Belém em 12 de janeiro de 1616, de onde foi enviado, por terra, de Belém a São Luiz, a fim de explorar um caminho terrestre para garantir apoio militar terrestre mútuo entre as duas bases militare de Belém e São Luiz (Caminho por onde hoje corre a rodovia Belém -São Luiz com o seu nome) . De 1616 a 1631, por 15 anos, comandou operações militares tipo guerrilha para, arrasar as feitorias e fortificações inglesas, irlandesas e holandesas estabelecidas no Estuário e Baixo- Amazonas. A seguir, de 1637 – 39, realizou a sua grande e imortal epopéia – a conquista da Amazônia Brasileira para Portugal, em nome do rei comum de Espanha e Portugal. Conforme tratamos em “A Conquista da Amazônia” – Rio de Janeiro: DNER,1974.

Durante dois anos, agora com auxílio dos índios, Jerônimo de Albuquerque Maranhão governou a capitania do Maranhão. Foi o justo prêmio de sua bravura, esforço, habilidade guerreira e capacidade de liderar.

Os franceses concentraram seus esforços na margem norte do rio Amazonas. Os portugueses puderam, em razão dessa luta, ocupar em definitivo a costa norte do Brasil e fundar Belém, a base de partida para o domínio do Estuário e Baixo- Amazonas e conquista da atual Amazônia Brasileira.

Invasões Francesas no Rio de Janeiro em 1710 e 1711

A descoberta do ouro em Minas Gerais e anunciada em 1690, provocou o início do Ciclo do Ouro no Brasil e, com ele, uma intensa Corrida do Ouro para lá, de paulistas, fluminenses e brasileiros de outras regiões e migrantes portugueses que ameaçaram esvaziar Portugal. Em 1698, Garcia Rodrigues, filho de Fernão Dias, abriu o Caminho Novo ligando a baía de Guanabara aos Campos Gerais e minas de Ouro Preto,Sabará, etc., para escoar ouro para o Rio, livre dos riscos de piratas e corsários do Caminho Velho por Parati , no trecho marítimo desta até Sepetiba e até então obrigatório para escoar o ouro de Minas para o Rio, conforme tratamos em “Caminhos de penetração e povoamento do alto e médio rio Paraíba”- A Defesa Nacional.

Em 1708-09, ocorreu a Guerra dos Emboabas, entre brasileiros (paulistas) e partidários da Coroa Portuguesa (forasteiros e portugueses), pelo controle das minas de ouro em Minas Gerais. Os paulistas foram derrotados pelos emboabas, migrantes de todas as partes do Brasil e imigrantes de Portugal que para lá se dirigiram em grandes massas. Os emboabas trucidaram os vencidos.

Para proteger o ouro que era levado para o Rio de Janeiro e exportado por seu porto para Portuga, a baia de Guanabara foi sendo fortificada progressivamente por sistema de fortificações que fizeram do Rio de janeiro um dos mais bem fortificados portos do mundo .

E foi esse ouro que atraiu piratas e corsários, e entre eles os corsários franceses Du Clerc e Du Guay –Troin, em 1710 e 1711, época áurea em que, em função do ouro, foram criadas as vilas de Mariana, Ouro Preto e Sabará, em 1711, e São João del Rey, em 1713 .

E foi pelo ouro, que os corsários citados tentaram dominar o Rio de Janeiro e devolvê-lo mediante resgate. Du Clerc, ao tentar penetrar na Guanabara, foi repelido pelas fortalezas. Du Guay Troin conseguiu sob a coberta de um nevoeiro e em razão de incêndio do paiol da fortaleza de Santa Cruz, o que a neutralizou. Era a que impedia a entrada na baia com seus 40 canhões. E assim desembarcou e dominou o Rio de Janeiro, como se verá .

A INVASÃO DE 1710 PELO CORSÁRIO DU CLERC

Na captura de um comboio português, nas costas de Pernambuco, por Jean François Du Clerc, corsário francês, ele percebeu a falta de combatividade das tripulações. Assim, ele julgou ser fácil atacar o Rio de Janeiro.

Em 1710, armadores de Brest organizaram uma esquadra composta de 5 navios de guerra e um navio transporte. Como tropa regular, a expedição contou com 1.500 homens de desembarque, além de 1.000 da marinha, ou 2.500 homens. Seu poder de fogo era o de 124 peças de artilharia.

A situação das defesas do Rio de Janeiro: Na época das invasões francesas, governava a cidade do Rio Francisco Xavier de Castro Morais.

Ele escreveu ao rei de Portugal, em março de 1710, colocando-o a par do estado precário em que se encontravam as defesas da cidade, em particular as fortificações. E solicitava 36 peças de artilharia e reforços em pessoal. Em face da situação de Portugal na Europa, o pedido não foi atendido.

A defesa do Rio deJjaneiro constituía-se de alguns navios na baía, das fortalezas e das tropas de Infantaria. As fortalezas eram obras rudimentares, construídas à base de pedra e cal. Localizavam-se em pontos estrategicamente escolhidos para facilitar as ações de defesa. As peças de artilharia, que as guarneciam, eram tipo antecarga (carregadas pela boca), não permitindo grandes alcances.

As fortificações distribuíram-se da seguinte maneira:

Fortaleza de Santa Cruz – impedia a entrada da barra. Era artilhada com 44 canhões;
Fortaleza de São João da Barra – constituída de quatro redutos ou baterias:
São Diogo, São José, São Martinho e São Teodósio– 30 canhões;
Fortaleza de Villegaignon –
primitivamente forte Coligny; uma bateria, 20 canhões;
Fortaleza da Ilha das Cobras –
12 canhões;
Fortaleza da Praia Vermelha –
12 canhões;
Forte da Boa Viagem –
16 canhões;
Forte de Santiago –
também chamado da Ponta da Misericórdia, situado na base do morro do Castelo. Tinha como finalidade a defesa da praia de Santa Luzia e cruzava seus fogos com a de Villegaignon. Possuía apenas um canhão;
Reduto do Castelo – organizado com os fortes de
: São Sebastião, 5 canhões;
São Januário,
11 canhões;
Santa Luzia
, 5 canhões. Este reduto dominava parte da cidade;
Bateria da Praia de Fora –
6 canhões;
Trincheira do Morro de São Bento –
8 canhões; e
Redutos da Prainha e da Conceição –
possuíam posições construídas, porém não estavam artilhadas.

No tocante às forças de Infantaria, o Rio dispunha de 3 terços: O Novo, o Velho e o da Colônia. O armamento usado era primitivo, de pequeno alcance e sem precisão.

As forças de Infantaria estavam equipadas com mosquetões, espingardas, carabinas, espadas e baionetas, e a Artilharia, com canhões de bronze.

As Operações militares: Tomando conhecimento da aproximação da esquadra corsária francesa, o Governador, Francisco de Castro Morais, em seu Estudo de Situação, levantou os prováveis locais de desembarque. Em seguida repartiu os defensores pelos vários postos e convocou a população para cooperar na defesa.

No dia 17 de agosto, a frota inimiga surgiu à entrada da barra. Imediatamente, recebeu os fogos da defesa, através de salvas de tiro.

Esta ação procurava mostrar o grau de combatividade das guarnições das fortalezas. O inimigo, repelido, evitou o choque frontal. Retirou-se da entrada da barra e rumou para o sul, em busca de local mais favorável a seu desembarque sem reação. E o conseguiu em Guaratiba.

O Governador ordenou o ataque aos invasores durante seu deslocamento, com apoio na guerrilha. Com pequenas frações de tropas nas gargantas e passos; hostilização da retaguarda; interceptação da retirada; guarnição dos quartéis do mar; instalação defensiva com o restante da tropa, no Campo de N. S. do Rosário (Campo de Santana,atual Praça da República ), local por onde o invasor inimigo deveria seguramente progredir para atacar a cidade.

No dia 18 de setembro, Du Clerc acampou com suas forças no Engenho Velho dos Padres da Companhia (São Francisco Xavier) – distante uma légua do centro da cidade. Durante a marcha, até o engenho, os franceses encontraram resistência. Em 19, reiniciaram a marcha na direção de Catumbi. Ao ser informado de que os defensores se encontravam articulados no Campo de N. S. do Rosário, Du Clerc desbordou essa posição , seguindo pela velha estrada de Matacavalos (atual Rua do Riachuelo).

Ao atingir o morro do Desterro (atual Santa Teresa), chocou-se com uma resistência, constituída de pequena força, que foi detida.

Nova reação nas vizinhanças da Igreja do Parto (Rua Rodrigo Silva próximo à Rua de S. José), agora de valor companhia, que infligiu pequenas baixas aos corsários franceses.

Apesar dessa reação, os invasores prosseguiram e atingiram a Praça do Carmo (atual Praça 15 de Novembro), local da residência do Governador.

Ao avançar, encontraram uma resistência organizada por parte da Companhia de Estudantes, comandada por Bento do Amaral Coutinho. Travou-se logo renhido combate.

O Governador, ainda com o grosso das forças na atual Praça da República, foi informado de que os franceses se achavam na Praça do Carmo. Enviou para o local os terços do Mestre – de – Campo( atual Cel) Gregório de Castro e do Sargento – mor ( atual major ) Martim Corrêa de Sá. As forças corsárias francesas foram atacadas, simultaneamente, pelas tropas de terra, bombardeadas pelos canhões dos navios ancorados, e pelos canhões das fortalezas da Ilha das Cobras e da Bateria de São Bento. Então, buscaram refúgio no Trapiche da cidade.

Ante a ameaça de incêndio do Trapiche, Du Clerc, reuniu um Conselho de Guerra e decidiu render-se. Estava ganha a batalha contra a invasão corsária .

Du Clerc foi recolhido preso ao Colégio dos Jesuítas, no Morro do Castelo e, após transferido para o Forte de São Sebastião, no mesmo local.

Cumprindo pena fora do cárcere, alugou casa e, nela, cerca de 6 meses depois da rendição, apareceu misteriosamente assassinado, sem se saber o autor .

Os demais invasores prisioneiros foram encarcerados na Casa da Moeda, em mosteiros e conventos, com sentinelas à vista, sendo a maior parte deles enviada à Bahia e a Pernambuco.

Tanto Du Clerc quanto o Governador Francisco de Castro Morais cometeram falhas ao conduzir suas ações. Mas a vitória coroou a bravura e o destemor dos defensores da cidade, em particular a Companhia de Estudantes, comandada e sustentada à própria custa por Bento do Amaral Coutinho.

Mais tarde em Paranaguá, por volta de 1850, estudantes tiveram ação destacada no Episódio Cormoran de combate a um navio de guerra inglês, que, em desrespeito à nossa soberania, entrou na Baia de Paranaguá na caça de um navio negreiro .

A cidade de Resende tem origem nesse episódio. Garcia Rodrigues, filho de Fernão Dias, colocou a salvo na Mantiqueira o Tesouro do Rio à aproximação de Du Clerc. Em reconhecimento, em 1715, foi -lhe dado o direito de fundar numa passagem do rio Paraíba mais uma povoação, além de Paraíba do Sul. Esse Direito foi exercido 76 anos mais tarde, em 29 de setembro de 1801, por seu neto Cel Fernando Dias Paes Leme da Câmara, ao presidir como donatário honorário de Resende a sua instalação como vila e município .

A INVASÃO DE 1711 DO RIO DE JANEIRO

POR DU GUAY-TROIN

Após a vitória contra as forças de Du Clerc, a cidade do Rio do Rio de Janeiro retomou o ritmo normal de vida. Voltaram, porém, a pairar, sobre ela, novas ameaças. Nova expedição estava sendo aprestado na França. De imediato, o Governado Francisco de Castro Morais foi alertado.

As circunstâncias misteriosas da morte de Du Clerc originaram, em França, clima favorável a represálias, o que, facilitou a organização de nova invasão corsária no Rio. As notícias na França falavam que os portugueses eram cruéis e sanguinários, praticando toda sorte de barbaridade com os prisioneiros, deixando-os morrer de fome e de miséria nas masmorras.

Organização da Força Corsária de Du Guay – Troin: Concebeu o plano da expedição durante a viagem de corso que fez aos mares da Irlanda, contra navios ingleses vindos da Índia. O financiamento da empresa, num total de 1.200.000 libras, veio dos negociantes amigos do corsário.

A armada corsária estava organizada: 17 navios, 140 canhões e 6.000 homens. Ela zarpou de La Rochelle, a 7 de junho de 1711. O efetivo era de cerca de 2 1/2 vezes o de Du Clerc e os navios cerca de 3 ½ vezes .

As defesas do Rio de Janeiro em 1711: Relativamente à situação militar de 1710, em 1711 o Rio de Janeiro estava defendido por 164 canhões, 14 de bronze. A tropa de Infantaria, além das 3 unidades de Linha, havia 1 Regimento de Nobres e Privilegiados e 2 de Ordenanças, e uma Companhia de Moedeiros (empregados na casa da Moeda).

A tropa da Marinha compunha-se dos regimentos da Armada e da Junta do Comércio.

O efetivo defensor somava 2.670 homens, assim distribuídos: Defesa das fortalezas 600 e defesa terrestre 1.070. Era menos da metade do dos corsários .

A força naval era fraca: 4 navios de guerra artilhados com cerca de 100 canhões, e comandada pelo Sargento -mor – de – batalha Gaspar da Costa de Ataíde – o Maquinês.Portanto, eram 15 navios corsários contra 4 defensores .

As Operações militares: Tomando conhecimento da aproximação dos franceses, o Governador determinou que as fortalezas fossem guarnecidas.No dia 12 de setembro, a esquadra de Du Guay-Trouin forçou a barra, prevalecendo-se do nevoeiro.

A armada defensora não se encontrava em linha de batalha, entre as fortalezas de Santa Cruz e da Boa Viagem, mas, com as guarnições reduzidas, ancorada próxima à fortaleza de Villegaignon.

Em virtude da flagrante superioridade do inimigo, e para evitar que os navios caíssem em mãos dos franceses, determinou -se que fossem cortadas as amarras e encalhados na Ponta de Misericórdia, e incendiados.

Além da desvantagem do nevoeiro, os defensores sofreram dois outros golpes: A explosão no paiol da pólvora da Fortaleza de Villegaignon, o que a colocou fora de combate, e o outro, o aproveitamento que os franceses fizeram de em um dos navios incendiados, onde aproveitaram os seus canhões, munições e víveres.

A resistência oferecida pelas fortalezas foi fraca, devido à surpresa e a superioridade de meios de que dispunha o invasor .

A situação em que se encontrava a Fortaleza da Ilha das Cobras (atual QG do Comando Geral dos FN) tornava-a de suma importância para qualquer dos contendores. Ocupando-a, sem resistência, os franceses nela instalaram os canhões salvos do navio semi- incendiado . Dessa posição, passaram a bater, com seus fogos, a Fortaleza de São Sebastião e o entrincheiramento do morro de São Bento. Em decorrência da pequena reação encontrada, Du Guay-Trouin executou o plano concebido.

O desembarque do invasor: No dia 14 de setembro, desembarcaram 3.800 homens. O local do desembarque foi a Praia do antigo Saco do Alferes, entre o Saco de São Diogo e a Ponta existente um pouco antes da Gamboa, evitando a parte mais defendida da cidade.

Estabeleceu-se numa linha de alturas, balizada pelos morros de São Diogo, Providência e Livramento.

Aproveitando a situação dominante do morro do Pina(Saúde), determinou no local a instalação das baterias. O Forte São Sebastião e o entrincheiramento do morro de São Bento passaram a receber fogos, também, da retaguarda. A defesa do Rio de Janeiro entrou em colapso.

Bento do Amaral Coutinho, com 150 homens, guardava a bica dos Marinheiros. Ele contra-atacou no morro de São Diogo, obtendo êxito. Diante das ordens do Governador, não continuou a operação.

Do dia 15 a 18, verificaram-se algumas escaramuças entre os elementos avançados. A 19, sentindo a situação favorável, Du Guay-Trouin intimou, sem efeito, o Governador a capitular, sob pena de submeter a cidade a bombardeio durante dois dias.

O pânico, o desespero tomaram conta da população. Algumas tropas, que ainda permaneciam em seus postos, começaram a abandoná-los.

De acordo com o plano francês, seriam realizados dois ataques. Um contra o morro da Conceição e o outro contra o de São Bento.

A capitulação do Rio de Janeiro: Diante da situação crítica , o Governador reuniu um Conselho de Guerra. Os líderes responsáveis pela defesa eram favoráveis à manutenção da praça. Desprezando as opiniões contrárias, o Governador decidiu pelo abandono das posições e retraiu, com parte da população, para o Engenho Novo dos Padres da Companhia de Jesus.

Dia 21, Du Guay-Trouin entrou na cidade abandonada. Contrastando com a atitude do Governador, alguns chefes militares continuaram a luta.

Bento do Amaral Coutinho dirigiu-se para a Fortaleza de São João na barra a fim de se informar sobre a situação. Encontrou-a desguarnecida. Ao regressar, foi morto numa emboscada por forças corsárias francesas, muito superiores.

O valor do resgate exigido por Du Guay Troin: O invasor exigiu o resgate de 12 milhões de cruzados. Devido ao vulto da quantia, estabeleceu-se uma contraproposta de 610.000 cruzados, 100 caixas de açúcar e 200 bois, o que foi aceito.

Sabedor da aproximação de uma coluna de reforços, 6 mil homens, que se deslocava de Minas Gerais, comandada pelo Governador Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho, Du Guay -Trouin marchou ao encontro do Governador Castro Morais, com vistas a acelerar as negociações e evitar a reunião dos dois grupamentos.

A presença da força inimiga no Engenho Velho dos Padres bastou para que o Governador do Rio de Janeiro aceitasse os termos da capitulação, mesmo informado de que se avizinhava a coluna mineira.

Dia 4 de novembro de 1711, os franceses receberam a última prestação do resgate, o qual fora reduzido à vigésima parte do total exigido inicialmente. No dia 13, deixaram a baía depois de 2 meses de operações no Rio de Janeiro, que ocuparam por 54 longos dias .

Os chefes e suas atitudes: Du Guay-Trouin preparou um plano e modificou-o quando necessário. Fez da surpresa sua principal arma, quando transpôs a barra.

Organizou e articulou suas forças. Procurou manter-se informado das ações do inimigo, fato que o levou a tomar conhecimento da aproximação de reforços.

Atribuiu o comando de suas peças de manobra a elementos capazes.

O Governador Francisco de Castro Morais revelou faltar-lhe decisão e energia. Não incutiu confiança em seus subordinados. Não soube retardar o inimigo a fim de ganhar tempo para a chegada dos reforços de Minas Quase nada fez para expulsá-lo da cidade.

O Capitão – General Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho não chegou a interferir nos acontecimentos que se desenrolaram na área da Guanabara, mas só a ameaça potencial de sua presença, à frente da expedição libertadora vinda de Minas , constituída de tropas regulares, voluntários e até de emboabas e paulistas por ele reconciliados, pouco antes, salvou o Rio de Janeiro da represália ou da destruição.

Em suas Memórias, Du Guay-Trouin confessou ter ficado inquieto com a notícia (aproximação da coluna procedente da Minas Gerais): “E compreendi a necessidade de fazer um esforço ( de dominar o Rio de Janeiro antes dessa junção). Esse reforço, que chegava um pouco tarde, era muito considerável, para que eu não lhe desse atenção”.

Fonte: www.resenet.com.br

Invasões Francesas no Brasil

Primeiros Tratados com a França

Os portugueses, desde que iniciaram a conquista da Amazônia, devido a maior presença de índios da nação tucujus na região compreendida entre o rio Jari e a margem esquerda do Amazonas, desde o Paru até a foz, passaram a denominá-la Terra dos Tucujus ou Tucujulândia.

A fixação portuguesa nessa região, de fato, começou em 1688, formada pela guarnição da Fortaleza de Santo Antônio, mas após a assinatura do Tratado Provisional com a França, em 4 de março de 1700, foram obrigados a abandoná-la, porque esse acordo determinava a neutralização, proibindo até mesmo que colonos portugueses ou franceses se estabelecessem na região.

O Tratado Provisional foi ratificado em 18 de julho de 1701, ficando pendente a questão de limites. Mas os franceses não o respeitaram e continuaram incursionando pela região. Os portugueses protestaram e anularam os dois acordos, ao mesmo tempo em que apelavam à sua aliada Inglaterra, para que interviesse, visando a uma solução negociada da questão.

Na Holanda, sob a mediação da rainha inglesa Anne, em 11 de abril de 1713, ocorreu a assinatura do Tratado de Ultrecht entre Portugal e a França, que estabeleceu o rio Oiapoque como limite entre o Brasil e a Guiana Francesa.

A assinatura do Tratado de Ultrecht, embora correto e justo foi entendido por segmentos da sociedade francesa como condescendente, vindo influenciar os governantes da Guiana Francesa, que não respeitariam esse acordo, determinando incursões na área. O auge dessas investidas, ocorreu quando governava aquela Colônia, Claude d’Orvilhers, com corsários franceses aprisionando indígenas para escravizá-los. Eram combatidos, mas sem eficiência. Quando o capitão-general, João da Maia da Gama, em 19 de julho de 1722, assumiu o governo do Estado do Maranhão e Grão-Pará, as investidas francesas começaram a ser combatidas de forma mais intensa. No período de 1723 a 1728, além das rotineiras expedições guarda-costas, que percorriam o litoral, esse governador ordenou quatro grandes expedições militares a região, comandadas pelos capitães João Paes do Amaral, Francisco de Mello Palheta, Diogo Pinto da Gaya e Francisco Xavier Botero, que não chegaram a combater invasores, contudo fizeram como que fossem reduzidas substancialmente as invasões francesas sobre o setentrião pátrio.

Fundação de Macapá

Assegurado aos portugueses o domínio sobre as terras situadas entre os rios Amazonas e Oiapoque, os mesmos voltaram a se estabelecer na região, em 1738, posicionando em Macapá um destacamento militar. Governava o Estado do Maranhão e Grão-Pará, João de Abreu C. Branco, que o conservou até o final de seu governo, em agosto de 1747, sem nada fazer pelo seu desenvolvimento por falta de recursos financeiros e interesse da Coroa Portuguesa. Esse governador, chegou a insistir na urgência da implementação do povoamento e fortificação da Foz do Amazonas.

Francisco Pedro de Mendonça Gurjão, seu sucessor, renovou essas reivindicações, mas a. única providência tomada por D. João com relação à região, foi oficialmente denominá-la, em 1748, de Província dos Tucujus ou Tucujulândia, sem que lhe fosse. alterada a condição administrativa. Tratava-se tão somente de delimitação geográfica, objetivando planejamento estratégicos militares de defesa da área, e de controle sobre as nações indígenas que a habitavam, para sua exploração como mão-de-obra e utilização no combate contra invasores estrangeiros.

Ao governador Francisco Xavier de Mendonça Furtado, entretanto, coube a tarefa de implementar a colonização da região. Assumiu o governo do Estado do Maranhão e Grão-Pará em 24 de Setembro de 1751, e já em Dezembro organizava uma expedição a. Macapá sob comando do sargento-mor João Batista do Livramento, constituída. de soldados e principalmente, de colonos da Ilha dos Açores. Foram recepcionados pelo comandante da guarnição, Manoel Pereira de Abreu e padre Miguel Ângelo de Morais que estavam em conflito, porque. o militar negava-se em atender os pedidos e solicitações do sacerdote, inclusive de alimentação.

O povoado rapidamente progredia, mas a insalubridade do local tornava-se um grave problema a ser enfrentado pelos colonos. Em 1752, uma epidemia de cólera grassou em Macapá. A notícia chegou a Belém, e em 7 de março desse ano, inesperadamente, Mendonça Furtado aportou na povoação, trazendo o único médico que havia na Capitania e medicamentos, conseguindo controlar a moléstia.

Mendonça Furtado, no início de fevereiro de 1758, novamente aportou em Macapá com numerosa comitiva. Estava em missão de demarcação de fronteiras da Colônia com as terras pertencentes à Espanha, na região Amazônica, definida pelo Tratado de Madri, assinado em 1750. Veio para elevar o povoado à categoria de vila. No dia 2 de fevereiro, começou com as providências, criando a Câmara Municipal e empossando os vereadores Domingos Pereira Cardoso, Feliciano de Sousa Betancort, Francisco Espindola de Betancort, Antonio da Cunha Davel, Thomé Francisco de Betancort e Simão Caetano Leivo.

No transcurso de uma solenidade, no dia 4 de fevereiro, Mendonça Furtado mudou a categoria administrativa do povoado de Macapá, elevando-o à condição de Vila de São José de Macapá.

Quase um século de Amapá

Em, 1º de dezembro de 1998, completou 98 anos do Laudo Suíço, o documento que, assinado pelo governo da Suíça – país que arbitrou a questão do Contestado franco-brasileiro – deu ganho de causa ao Brasil da Questão do Amapá.

A história propriamente dita do Contestado franco-brasileiro começa, na realidade, com a neutralização da área, a partir de 1841. A área em litígio passa a ser aquela situada entre os rios Oiapoque e Amapá Pequeno. Com isso, nem Portugal nem França teriam direitos sobre a área, até que as dúvidas e divergências sobre fronteira pudessem ser dissipadas.

E para isso, em 1853 houve urna retomada das negociações: o Visconde do Uruguai, Paulino José de Souza, bastante respeitado na jurisprudência do Império, é nomeado para os primeiros estados. Nesse ano, aconteceram inúmeras, mas infrutíferas negociações com o jurisconsulto francês famoso, His de Butenval. Butenval não “arredava os pés” da tese de que o Rio de Vicente Pinzón mencionado em Utrecht (1713) era, de fato, o Araguari.

República do Cunani

Em 1857, quatro anos depois, uma nova tentativa: o capitão-tenente José da Costa Ladário, representante do Brasil, não consegue intimidar seu oponente francês, Mr. Carpentier. Por isso, não houve avanços. De 1857 a 1885, a região passa a ser visitada por mercantis e aventureiros de várias nacionalidades. Em 1885 o romancista e membro da Sociedade de Geografia Comercial Francesa, Jules Gross, cria, com seus auxiliares, a caricata e efêmera República de Cunani.

A atitude de Gross não foi impasse para que o governo francês permitisse sua criação na área do Contestado. Mas o fim da republiqueta foi logo decretado.

Uma Segunda tentativa é colocada em prática em 1902, quando Adolph Brezet tentou continuar os planos de Gross.

Desta vez, foi o governo brasileiro quem freiou seus ânimos:

Corrida do Ouro

Em 1893 (alguns mencionam 1894) os ânimos passam a se acelerar mais na região do Contestado. Dois garimpeiros brasileiros e naturais de Curuçá-Pa., os irmãos Germano e Firmino Ribeiro, após tanta procura, descobriram ouro na bacia do rio Calçoene. Isto causou uma verdadeira corrida sem precedentes, invadindo a região aventureiros de todas as nacionalidades. A descoberta do referido metal também provocou um crescimento desordenado, aumentando inclusive a violência e os problemas de saúde, consequenciados pela falta de saneamento. O incontentamento grassou em toda a região, atravessando fronteiras.

Sabedor do achado do ouro, o governador da Guiana Francesa, Mr. Charvein, cuidou logo de colocar um representante da França lá. Assim, Eugene Voissien é escolhido para assumir a função de delegado da região contestada. Com essa regalia, Voissien passa a fiscalizar a região. facilitando assim todo o trabalho de coleta do ouro, que era desviado para o lado francês, que se arvorava na cobrança de altas taxas de impostos. Esse período, que vai de dezembro de 1893 até novembro de 1894 é, para alguns brasileiros um período de intranquilidade, pois incontáveis vezes alguns garimpeiros foram aprisionados por Voissien, que alegava nas suas faltas a prática do contrabando. Outros achavam que tais denúncias eram vazias, defendendo um pouco a imparcialidade discutida de Charvein.

As reações dos brasileiros não tardaram, reunindo-se a população para nomear, ali, um governo triúnviro sob a presidência do cônego Domingos Maltez, tendo como seus auxiliares, Veiga Cabral e Desidério Antonio Coelho Esta decisão do Triunvirato foi uma idéia do próprio Desidério Antonio Coelho, que antes foi nomeado para dirigir a região; mas opinava ele que isto poderia ser eficaz com a nomeação de três pessoas. Quanto a Voissien, ele se contentou com o cargo honorífico de Capitão Honorário do Exército Defensor do Amapá.

Em 1895 os ânimos se acirraram, provocando em 15 de maio, uma ‘invasão’ francesa, sob o comando do Capitão Lunier, ao Amapá. O paraense Francisco Xavier da Veiga Cabral ( o Cabralzinho ) foi quem administrou a retirada dos ‘invasores’, sagrando-se, com o feito, o ‘Herói do Amapá’.

Em 1897, um termo de compromisso assinado no Rio de Janeiro, em 10 de abril, pelos delegados do Brasil ( Ministro Gabriel e Piza ) e da França, confiava a resolução do Contestado á arbitragem do presidente da Confederação Suíça, Walter Hauser, e o advogado Barão do Rio Branco ( José Maria. da Silva. Paranhos ), especialista experiente em questões de fronteiras, é escolhido para defender o Brasil. Este encargo foi confiado, primeiramente, a Ruy Barbosa, mas este hesitou em assumir a questão, indicando como mais experiente que ele nesses assuntos, seu colega Barão do Rio Branco.

Após inúmeros estudos e conferências, a sentença foi pronunciada pelo governo suíço, três anos mais tarde, isto é; em 1º de dezembro de 1900, fixando ao Brasil a posse definitiva da região contestada, que se situava entre o Oiapoque e o Araguari. A data de lº de dezembro ficou consolidada como o nascimento do Amapá como parte territorial integrativa.

Fonte: www.macapa-ap.com.br

Invasões Francesas no Brasil

Invasões Francesas em São Luis Maranhão

A terra que hoje se chama Maranhão foi, segundo algumas estórias e alguns historiadores, o primeiro território a ser conhecido pelos obstinados descobridores europeus. De qualquer forma, norteando toda a América Latina, os limites que contornam o Maranhão, tanto o de outrora como o atual, sempre estiveram como a dar boas vindas a quem viesse do mar.

Assim passaram por aqui muitos e muitos, até que em abril de 1500 o português Pedro Álvares Cabral descobre oficialmente a nossa antepassada Vera Cruz, legitimando para todos os efeitos a posse de Portugal sobre o que viria a ser o Brasil. Mas os interesses e a atenção da Coroa Portuguesa se deslocavam para bem longe daqui, importando ao rei D. Manuel apenas o lucro sem qualquer investimento em suas colônias. E mesmo em se tratando de lucros, a colônia brasileira se resumia à sede da Corte, na Bahia.

O norte do Brasil permaneceu por muitos anos como terra de ninguém. Somente três décadas depois do descobrimento do Brasil D. João III resolveu dividi-lo em capitanias hereditárias. Muitas foram as expedições que tentaram colonizar a região que dava acesso ao tão badalado Peru, terra do Eldorado e de prometidas riquezas. Isto só se deu efetivamente em meados do século XVII. Depois de vir como olheiro da França e de confirmar a excelência das terras do norte brasileiro, Daniel de la Touche, Senhor de La Ravardière volta com o companheiro François de Rasilly e Auneles, em 1612, estabelecendo no dia 8 de setembro, na ilha do Maranhão – chamada pelos índios de Upaon-Açu (Ilha Grande), o breve sonho da França Equinocial.

Apesar de lutarem por seus territórios, os índios do Nordeste chegaram a manter relacionamentos amistosos com os franceses. Daniel de la Touche e sua expedição composta de três naus – Regente, Charlotte e Saint´Anne – saíram da França com o compromisso documentado de tentar aproximação pacífica com os índios. É claro que não era exatamente um tiro no escuro, um certo lobby já havia sido providenciado entre viajantes franceses (como Jacques Riffault e Charles Des Vaux) e chefes indígenas com bom trânsito em várias aldeias. No Maranhão existiam índios do grupo tupi, como as tribos tupinambás, tabajaras, caetés – habitantes do litoral, e também índios do grupo tapuia, como os guajás, guajajaras, gamelas, barbados – nativos do interior. Da fusão entre estes dois grupos surgiram os tupinambaranas, muito comum na região amazônica.

A chegada dos franceses na ilha do Maranhão foi o suficiente para que o norte saísse do anonimato na mesa de decisões da Coroa portuguesa. O forte de São Luís foi reconquistado pelos portugueses na famosa batalha de Guaxenduba, nome das terras em frente à ilha, entre os rios Munim e Anajatuba, em 3 de novembro de 1615. Os franceses estavam em maior número e mais bem equipados que Jerônimo de Albuquerque, sem falar dos índios tupinambás que os apoiavam. Apesar disso, a vitória foi lusitana. Para explicar o inexplicável, a sabedoria popular recorreu à Virgem Maria, chamando a dita expedição de milagrosa, por Ela ter transformado areia em pólvora para os portugueses.

Com os portugueses a coisa mudou de figura para os índios, que se viram às voltas com a escravidão, com a catequese dos jesuítas, com a mudança de seus hábitos e, enfim, com a aculturação. A partir daí a Coroa não deixou o norte à mingua, garantindo sua defesa contra piratas estrangeiros com edificação de fortalezas. Em 1616 havia no Maranhão 513 soldados, enquanto na Bahia, que era a sede do governo, havia 140. Os três principais fortes eram o Forte de São Luís, o de Sardinha e o de São José de Itapari.

Mesmo com todo esse aparato a ilha de São Luís não ficou imune aos invasores, sofrendo o ataque de holandeses, em 25 de novembro de 1641. Comandados pelo almirante Jon Cornellizon Lichthardt e o coronel Koin Anderson, desembarcaram no Desterro e tomaram a cidade. Depois consolidaram o domínio partindo para o interior, especialmente Tapuitapera (hoje Alcântara) e Itapecuru, região de mais intensa movimentação econômica.

Pouco tempo passaram os holandeses. Foram 27 meses de ocupação, mas o suficiente para deixarem a cidade destruída, igrejas saqueadas e fazendas incendiadas. No dia 28 de fevereiro de 1644 os holandeses debandaram depois de algumas guerrilhas e batalhas, fazendo do Capitão-Mor Teixeira de Melo o herói da reconquista. Nessa época a escravidão negra ainda era insignificante, sendo a mão-de-obra indígena a mola propulsora do desenvolvimento do Estado, gerando incontáveis conflitos tanto internos como nas Cortes européias. O pequeno desenvolvimento que houve então foi graças ao trabalho servil do índio.

Segundo historiadores, a vida econômica do Estado do Maranhão entre 1621 e 1684 foi um tanto complicada: tráfico de índios, pequena exportação de algodão e de alguns produtos da terra. Sem falar nas inúmeras proibições, desde a exploração do ferro, como a fabricação de tecidos de algodão, lã, linha ou seda e até a de exercer a profissão de ourives. Claro que havia os privilegiados, os favores especiais e os monopólios, ingredientes infalíveis para a revolta, temperada pela insatisfação geral.

Um desses monopólios foi a criação, em 1682, da Companhia de Comércio do Maranhão e Grão-Pará – estopim da primeira revolta anticolonialista no Brasil que foi a insurreição maranhense liderada por Manuel Beckman. A Companhia detinha a exclusividade de todo tipo de comércio e não pagava impostos. Não por acaso o Governador de então, Francisco Sá de Menezes, também era sócio da Companhia. Apesar da compreensível indiferença da Coroa sobre o que ocorria no Maranhão, a situação chegou ao ponto da população passar fome e os abusos da Companhia tornaram-se insuportáveis. Assim estava detonada a revolução, sob a chefia de Manuel Beckman, lavrador bem-sucedido com experiência política como vereador. Em 23 de fevereiro de 1684 a revolução partiu do convento dos capuchinhos de Santo Antônio, destronou autoridades como o próprio governador, o capitão-mor e o comandante das forças militares, constituindo uma Junta Governativa e expulsando ainda os jesuítas, que monopolizavam o comércio de índios.

Beckman buscou adesão nas cidades de Tapuitapera (Alcântara) e Belém. Nada feito. Obteve apenas uma proposta de regalias do governador de Belém caso ele desistisse e rendesse obediência às autoridades de antes. Manuel Beckman fez o possível para legalizar seu feito, mas a revolução perdeu o entusiasmo inicial e fez-se o terreno para uma ação enérgica da Coroa.

É histórica a frase de Beckman minutos antes de ser enforcado, no dia 2 de novembro de 1685: “pelo povo do Maranhão morro contente”. Ele que teve todas as chances de empreender uma fuga diante do esfacelamento da revolução, morreu como mártir deixando a semente libertária que brotaria anos depois com a inconfidência mineira de Tiradentes (1789).

Em tempo: apesar da morte de seu líder, a revolução atingiu seu objetivo máximo que era o de acabar com o monopólio no comércio.

Um século de poucos acontecimentos significativos marcam o Maranhão desse tempo, sempre subjugado pelos desmandos da Coroa. Em 1730, por exemplo, era recomendação expressa que ninguém mexesse com minas, cuidando somente da agricultura. E só em 1732 começou a circular no Maranhão o dinheiro em forma de moedas de ouro, prata e cobre, eliminando os primitivos novelos de fios de algodão e varas de pano. Já não é de agora que se ouve falar de reforma administrativa. Quando D. José (1750-1777) assume o reinado de Portugal e faz de Sebastião José de Carvalho e Melo, futuro Marquês de Pombal, o seu ministro, uma nova mentalidade se delineia, com objetivos de moralizar a administração pública do reinado de D. José. Ele foi o grande responsável pelas transformações progressistas na política sócio-econômica de Portugal com sua colônias.

O Estado do Maranhão, que até então era coligado ao Pará, tornou-se independente pela ordem-régia de 20 de agosto de 1772. De 1772 a 1779 Joaquim de Melo e Póvoas governou o Maranhão como estado independente. Como sobrinho de Pombal e por suas idéias motivado, Póvoas muito fez para que o Maranhão pudesse, nesses últimos anos de colônia, experimentar o progresso. A criação da Companhia Geral do Comércio mudou a situação, trazendo escravos africanos a preços acessíveis, apoiando a lavoura, construindo navios, financiando negócios, etc. O Maranhão passa a ocupar o quarto lugar no ranking das maiores províncias exportadoras, atrás da Bahia, Pernambuco e Rio de Janeiro.

Morre o Marquês de Pombal e com ele suas idéias, em 1782. Mas seu poder já declinara uma década antes, quando morrera seu protetor, o rei D. José. Em 1785, um alvará da Coroa extingue todas as fábricas e manufaturas de ouro, prata, seda, algodão, linho e lã existentes no Brasil. O desenvolvimento econômico voltaria a surgir quando a corte portuguesa teve que se mudar para o Brasil, fugindo das tropas napoleônicas. Com a abertura dos portos ao comércio das nações, a liberdade outorgada às indústrias nacionais, a fundação de escolas e organização bancária, também o Maranhão pôde viver mais um período de prosperidade, em grande parte pelo cultivo do algodão.

O Estado do Maranhão e o da Bahia foram os que mais receberam escravos da África. Para o Maranhão vieram os angolas, congos, fanti-ashanti, nagôs, gêges, entre outros.

É interessante comentar um exemplo de empresária bem-sucedida depois de lutar contra todo tipo de adversidade: a negra Catarina Rosa Ferreira de Jesus, famosa Catarina Nina. Obstinada e competente, Catarina comprou sua liberdade e tornou-se rica comerciante de farinha, desfilando na Praia Grande ombro a ombro com os mais brancos fidalgos lusitanos.

Maranhão foi uma das últimas províncias a aceitar o grito de D.Pedro I no Ipiranga, aderindo à independência do Brasil quase um ano depois do histórico 8 de setembro de 1822. Talvez por ter permanecido muito esquecido pela Coroa, o Maranhão deu trabalho às tropas militares do Império. Em especial no interior do Estado, o movimento dos que queriam a independência do Maranhão era forte e só foi vencido com a chegada do pirata inglês Alexander Cochrane respondendo pela função de Primeiro Almirante da Armada Imperial. À força de alguns canhões Lord Cochrane proclamou a adesão da província do Maranhão ao Império do Brasil, no dia 28 de julho de 1823.

A tranquilidade ainda estaria longe. Mais um vez a história do Maranhão ganharia página sangrenta com a Balaiada, rebelião armada que aconteceu em 1838. O movimento recebeu este nome por causa de seu líder, Manoel Francisco dos Anjos Ferreira, fabricante de balaios. Os ares de insatisfação, as brigas pelo poder e as confusas noções de liberdade foram os elementos desta equação, aliás, velha conhecida dos homens. Diz-se que a gota d’água foi uma tal “Lei dos Prefeitos”, que dava poderes de juiz e delegado de polícia aos prefeitos.

Dois partidos políticos eram notícia nessa época: os ditos liberais e republicanos, chamados de Bem-te-Vis, e os assumidos conservadores, chamados de Cabanos.

Um incidente de estrada deflagra a Balaiada: Raimundo Vieira era vaqueiro de um chefe “bem-te-vi” e quando tangia o gado próximo a Vargem Grande teve parte de seus homens presos sob alegação de recrutamento militar. O subprefeito era “cabano” e isso motivou Raimundo a reagir com violência, invadindo a prisão da Vila da Manga e soltando seus boiadeiros. Logo os policiais viraram “balaios”, e assim também todos os perseguidos, explorados, negros fugidos, etc.

Um deles, o Chefe Cosme, intitulou-se “Tutor e Imperador da Liberdade Bem-Te-Vi”, alardeando o apoio dos “bem-te-vis” ao movimento. Mas apoio mesmo fundamentado em conceitos ideológicos não houve nenhum. Os intelectuais de destaque nesse tempo preferiram extravazar seus ideais na tinta do papel a pegar nas armas. E tudo ficou por conta do instinto. Foi preciso um ano de lutas até que o Cel. Luís Alves de Lima e Silva pusesse fim à revolta. O Cel. enriqueceu seu currículo e ganhou o título de Barão de Caxias. Dom Cosme foi para a forca. Raimundo Vieira, o boiadeiro que tudo começou morreu a caminho do exílio em São Paulo. A Balaiada durou dois anos e mobilizou cerca de dez mil homens.

Por muitos anos o Maranhão se viu verdadeiramente emaranhado nas teias da política que insuflava o interior contra a capital, fazendeiros contra comerciantes e burocratas.

Viveu dois grandes momentos de apogeu econômico no século XVIII: os Ciclos do Algodão e do Açúcar. Com uma economia e sociedade tipicamente coloniais, o Maranhão entrou em decadência com a abolição dos escravos, cujos braços sustentavam toda atividade produtiva do Estado. Quando a República chegou esse processo decadente se acentuou, despreparado que estava o Maranhão para os novos encargos republicanos.

Em 8 de setembro de 1612, nas terras habitadas de Ypaon-Açu, Daniel de La Touche, Senhor de La Ravardière, acompanhado de François de Rasally, Senhor de Rasally e Aunelles, em nome da corte do rei menino Luís XIII da França, aportou nesta ilha quase à linha do Equador, com três navios e uma tripulação de 500 homens, onde edificou um forte e um ancoradouro.

Logo depois, mandou celebrar uma missa por ordem de Maria de Médici, mãe tutora do rei françês. Naquele momento surgia no Brasil uma capital fundada por franceses.

Em 1915, os portugueses então avançaram sobre o forte de São Luís e estenderam seu domínio na região. O forte foi rebatizado com o nome de São Felipe.

Com a província do Maranhão, Portugal garantia o bloqueio e a colonização no Norte deste vasto continente brasileiro.

Em 1641, os holandeses investiram na região e por três anos dominaram o território, quando então, após algumas batalhas, a vitória garantiu a Portugal o domínio definitivo do Maranhão.

Jeito simples e romântico de um povo de ver e viver a vida, expresso ora nos vivos bordados de seus azulejos, ora nos versos e cores de seu “Bumba-meu-Boi”.

Fonte: www.portugalweb.net

Invasões Francesas no Brasil

A FRANÇA ANTÁRTICA

Nicolau Durand de Villegagnon

O homem que nos fins de 1555 se instalou na baía do Rio de Janeiro, procurando dar vida a uma colônia de moradores franceses que fosse, ao mesmo tempo, o núcleo de uma futura França Ultramarina – NICOLAU DURAND DE VILLEGAGNON, era, segundo um de seus mais importantes biógrafos, Paul Gaffarel: “Uma das figuras mais extraordinárias do século XVIII.”

Gaffarel também o definiu como “un homme universel” dentro do típico espírito do século XVI, o homem dinâmico do Renascimento, voltado para todas as realidades da vida com espírito rico e multiforme e que foi por ele próprio intitulado: “Roy D’Amérique.”

“Villegagnon foi um universitário de formação e um militar de temperamento, misto de homem culto e de aventureiro, interessando-se pelo Direito Cesáreo, mas veio a realizar-se como soldado e diplomata.”

Nicolau Durand de Villegagnon, nasceu em Provins, em 1510. Ele teve um preceptor de primeira ordem, que lhe inculcou uma sólida base educacional, dominando o latim, idioma mais importante da época. Quando seu pai morreu, em 1521, sua mãe o enviou para Paris para aprofundar seus estudos e ele seguiu a carreira jurídica, mas seus dotes literários e culturais o levaram a sonhar com feitos militares.

Mas dificilmente teria chegado a sonhar que teria os favores de quatro Reis da França: Francisco I; Henrique II; Francisco II e Carlos IX; da Rainha da França e da Escócia, Maria Stuart; da poderosa Regente Catarina de Médicis e até do Imperador da Áustria e Rei da Espanha, Carlos V; apoios que o levou a ser estimado, protegido e festejado.

A propaganda da Reforma atingiu a França e espalhou-se atingindo os intelectuais e logo em seguida a nobreza, o povo acompanhava as idéias novas à distância.

Várias cidades importantes aderiram ao protestantismo e João Calvino, que seguiu as idéias de Martinho Lutero, líder da Reforma contra a Igreja, veio a se transformar no verdadeiro papa do protestantismo francês e instalado na Suíça, em Genebra, se lançava fulminantemente contra os líderes católicos da época.

Villegagnon foi colega de João Calvino na Universidade de Paris e obteve o grau de Direito em 1530, sendo notório seu talento jurídico. Mas preferiu aos estudos, os ardores de uma vida de ação, entrando na Ordem Militar dos Cavaleiros de São João de Jerusalém, com sede em Malta, destinada à proteção dos lugares santos da Palestina, da qual se tornou grão-mestre. A ordem era extremamente rica e possuía uma frota naval de fazer inveja a todos os reis católicos da Europa.

Em 1541 reuniu-se ao Exército de Carlos V, para combater os infiéis da Argélia, na África, como enviado do Rei francês, para observar os atos de Carlos V, que sonhava em transformar o Mediterrâneo em um lago espanhol. Nesta época, em suas conversas com Rabelais, quando se falava do país imaginário que o gênio de Rabelais inventara, a idéia de criar um novo país em novos mundos, estava presente na imaginação da Villegagnon. Em 1542, voltando à França, foi recebido como herói e agraciado pelo Rei com os privilégios do tamborete e da carruagem, duas das mais cobiçadas honrarias reservadas à nobreza.

Em 25 de julho de 1547, Henrique II foi coroado na Catedral de Reims, devido à morte de seu pai, com grande pompa, mas herdava um país arruinado. Como seu pai, era um homem de nobre presença, cheio de majestade, sério e honesto. Villegagnon gozava da simpatia de Henrique, mesmo quando era delfim e também de sua companheira Diana de Poitiers.

Assim, Villegagnon já possuía uma celebrada aura pela coragem revelada em vários sucessos, quando foi incumbido de conduzir à França a Rainha Maria Stuart, que era alvo da procura do Rei da Inglaterra, Henrique VIII e por este motivo era guardada no Castelo de Dunberton, na Escócia. Mais tarde Maria Stuart veio a se casar com Francisco II, filho de Henrique II e Catarina de Médicis. Finalmente para aumentar seu prestígio recebeu o cargo de Vice-Almirante de Brest e obteve grande notoriedade na defesa desse burgo marítimo. Assim era a vida de Villegagnon, cheia de grandes aventuras e de grandes sucessos.

Em 1552 uma nau retornou da viagem ao Atlântico Sul com valiosas informações do cosmógrafo e sacerdote André Thevet, franciscano de Angoulême, e do cartógrafo Guilherme Le Testu, valoroso capitão e piloto que conhecia os segredos do Atlântico, porque já o havia percorrido em todas as direções. No ano seguinte, foram escritas numerosas cartas, pelos viajantes, ao Almirante Gaspar de Coligny, principal Ministro de Henrique II, com informações sobre as terras visitadas. André Thevet era amigo de Villegagnon e com ele se encontrou em Blois e o deixou fascinado com os relatos das coisas maravilhosas de sua viagem.

Ainda em 1552, Henrique II assinou o Tratado de Chambord com os príncipes protestantes alemães e recomeçou a Guerra com o Imperador Carlos V, rompeu com Portugal e autorizou navios franceses a atacarem navios portugueses para se apossar dos produtos provenientes do Brasil. Da mesma forma que seu pai Francisco I ele tinha enorme interesse pelas aventuras de navegadores em terras estranhas. Com seu conhecimento foi preparada uma viagem exploratória ao Brasil composta de apenas um ou dois navios, sob o comando de Villegagnon, que havia terminado sua missão de fortificar o porto de Brest. A expedição seguiu direto para Cabo Frio, local de escala habitual de navios franceses e como sempre foram bem recebidos pelos índios Tamoios. Nesta viagem Villegagnon não chegou até a região da Guanabara, mas estava informado, através de André Thevet das muitas vantagens que a Baía oferecia para uma possível ocupação francesa, ele já havia estado nela duas vezes e sabia que os portugueses eram mal recebidos pelos índios da região, o que representava um fator decisivo.

Esta viagem foi confirmada por Chermont de Britto, que a descreve com detalhes, de forma fantasiosa e considera que dela participaram André Thevet e Guilherme Le Testu.

Leonce Peillard, que foi o mais recente historiador a escrever a biografia de Villegagnon, menciona que alguns historiadores consideram que houve uma segunda expedição de Villegagnon ao Brasil, logo em seguida à primeira, mas Peillard defende que não há provas desta expedição, que possivelmente não tenha existido.

Gaffarel menciona em seu livro, esta expedição de Villegagnon às terras do Brasil, mas considera que o testemunho que se tem dela é isolado e que não existem comprovantes desta expedição, que também não é mencionada em Jean de Léry e André Thevet.

Mas nesta época, o certo é que Villegagnon se incumbiu de convencer o Rei de estabelecer uma colônia francesa do outro lado do Atlântico: “nos países ricos, onde as pessoas são amigáveis “.

Fonte: www.almacarioca.com.br

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