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Tribos Indígenas Brasileiras

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Os Povos Indígenas no Brasil compreendem um grande número de diferentes grupos étnicos que habitaram o país antes do Europeu de invasão 1500.

Os Povos Indígenas no Brasil compreendem uma grande variedade de tribos e nações, muitos deles com laços culturais e territórios históricos que atravessam as fronteiras políticas atuais e adentram os países vizinhos.

Embora sua organização social tenha sido geralmente igualitária e baseada em tribos pequenas, semi-nômades e independentes, houve exemplos de nações super-tribais envolvendo milhares de indivíduos e ocupando extensos territórios.

Os indígenas do Brasil falavam e falam centenas de línguas diferentes, cujas origens e conexões ainda são pouco conhecidas. Sua cultura material e espiritual também é bastante diversificada, apesar de um fundo comum devido ao estilo de vida.

Muitas das tribos que existiam no país à época de Cabral desapareceram, quer absorvidas na sociedade dos colonizadores, quer dizimadas pela violência a que os índios em geral foram submetidos durante os últimos cinco séculos.

Nesse período, nações inteiras foram massacradas ou escravizadas, explícita ou disfarçadamente, ou morreram de doenças e fome depois que suas terras foram tomadas e seus meios de sobrevivência foram destruídos.

A catequização por missionários europeus levou ao desaparecimento de suas crenças religiosas e outras tradições culturais; e a relocação forçada provocou enorme mistura de povos.

Tribos Indígenas Brasileiras
Tribos Indígenas Brasileiras

Tribos Indígenas

Aimoré

Grupo não-tupi, também chamado de botocudo. Grandes corredores e guerreiros temíveis, foram os responsáveis pelo fracasso das capitanias de Ilhéus, Porto Seguro e Espírito Santo.

Só foram vencidos no início do Século XX.

O nome “botocudo”, derrogatório e ofensivo, foi dado pelos portugueses a diversos povos histórica e geneticamente heterogêneos do grupo linguístico macro-jê que habitavam o nordeste de Minas Gerais, o sul da Bahia e o norte do Espírito Santo. Em comum, tinham o hábito de usar discos de madeira no lábio inferior e nos lóbulos das orelhas para expandi-los de forma peculiar.

Anambé

Nome e língua: A língua Anambé é da família Tupi-Guarani. Nos anos 80, todos os Anambé com mais de 40 anos eram falantes da língua indígena e quase todos os que estavam na faixa de 20 a 30 anos a entendiam, mas usavam correntemente o português.

Localização: Vivem no alto curso do rio Cairari, um afluente do Moju, que corre paralelo ao baixo rio Tocantins, pela sua margem direita. Estão na Terra Indígena Anambé, com 7.882 hectares, homologada e registrada, situada no município de Moju, PA.

População: Em 1940 eram 60 indivíduos. Mas a população decrescia, por motivo da saída de mulheres que se casavam com regionais e sucessivas epidemias de sarampo. A partir de meados da década de 60, a população Anambé começou a se recuperar; além disso, ao contrário do que acontecia anteriormente, os casamentos interétnicos passaram a atrair o cônjuge não-índio para dentro da Terra Indígena.

História do contato

Os índios Anambé viviam no passado a oeste do rio Tocantins, nas cabeceiras do rio Pacajá, que desemboca no rio Pará (braço do estuário do Amazonas que corre pelo sul de Marajó), perto de Portel.

Segundo relato tomado de um líder Anambé pelo pesquisador Fereira Pena, em 1884, viviam desde muito tempo nas cabeceiras do Pacajá, obedecendo a um líder oriundo do ocidente, sábio e guerreiro.

Os brancos lhes vieram fazer guerra; depois, os jesuítas, que com eles mantinham a paz, começaram a separar as mulheres dos maridos e a levar muitos para Portel, os homens para trabalhar nas roças e remar, as mulheres para lavar roupa e cozinhar. Isso os desgostou muito, levou-os a desobedecer ao chefe e a separarem-se.

Índios antropófagos lhes vieram fazer a guerra e eles retiraram-se para as cabeceiras do rio Cururuí, um afluente do Pacajá, formando a aldeia de Tauá, donde depois foram para o lugar onde o diretor de índios quis aldeá-los.

De fato, em 1852, uma parte dos Anambé se aproximou da margem esquerda do Tocantins, pediu proteção e se aldeou junto ao distrito de Baião. Os outros continuaram no alto Pacajá. Estes, em 1874, depois de uma guerra contra os indígenas chamados “Curumbu”, ficaram reduzidos a 46 indivíduos; no ano seguinte morreram mais 37 de varíola.

Os restantes foram juntar-se aos Anambé que se haviam aldeado junto ao Tocantins. As Anambé passaram a viver então nas proximidades da cidade de Baião, nas ilhas dos Santos e de Tauá.

Até o final dos século XIX os Anambé oscilaram entre o Tocantins e o Pacajá e em algum momento atravessaram para a margem oriental do Tocantins, indo para a bacia do rio Moju.

As primeiras informações sobre os Anambé na bacia do Moju ora os confundem com os Turiwara, ora com os Amanayé. Conforme narraram ao antropólogo Napoleão Figueiredo, nas cabeceiras do Moju entraram com os Gaviões do Oeste, que dali os expulsaram, obrigando-os a se deslocando na direção do Cairari.

A princípio foram os únicos habitantes do alto Cairari, mas a partir dos meados do século XX começaram a entrar nessa área madeireiros e extratores de balata.

A princípio os Anambé não foram engajados no trabalho da madeira, atuando mais como fornecedores de peles, carne de caça e farinha.

Nos anos 70, alguns Anambé participavam nas turmas de madeireiros como trabalhadores diaristas, enquanto outros negociavam a madeira com um regatão, que era relacionado à mesma serraria.

Mas a sua participação nos trabalhos da madeira era intermitente, e se tornou apenas ocasional na década seguinte.

Apiaká

Nome e língua

A denominação pela qual os atuais habitantes da Terra Indígena Apiaká são conhecidos e se reconhecem vem-lhes sendo aplicada desde o início do século XIX. É uma variante da palavra tupi apiaba, que quer dizer “pessoa”, “gente”, “homem”, não sendo, pois, originalmente um etnônimo. Seus vizinhos Kayabí os denominam Tapy’iting ou Tapii’sin, isto é, “gente de cor clara”.

A língua Apiaká pertence à família Tupi-Guarani, tal como a de seus vizinhos Kayabí. Entretanto os Apiaká não a falam mais; usam o português.

Os Mundurukú e Kayabí que moram junto com eles falam suas respectivas línguas.

Localização

Os Apiaká vivem no norte do Estado de Mato Grosso. Encontram-se dispersos ao longo dos grandes cursos fluviais Arinos, Juruena e Teles Pires. Parte deles reside em cidades como Juara, Porto dos Gaúchos, Belém e Cuiabá.

Tem-se notícia também da existência de um grupo arredio. A maior parte de sua população encontra-se aldeada na Terra Indígena Apiaká-Kayabí, cortada pelo rio dos Peixes.

Os Apiaká vivem na margem direita do rio e os Kayabí, na margem esquerda.

História do contato

Os Apiaká constituíam um povo guerreiro e muito temido na bacia do Tapajós. Quando habitavam o médio e baixo curso do rio Arinos e médio e alto curso do rio Juruena, no início do século XIX, tiveram como vizinhos os Bakairí e Tapayúna, no Arinos, e os Bororo, Oropia, Cauairas e Sitikawa (os últimos três hoje extintos) no alto Juruena.

Durante o século XIX diversos viajantes utilizaram a rota Arinos–Juruena–Tapajós, que ligava os centros de Cuiabá e Belém. Esses viajantes desenvolveram relações pacíficas com os Apiaká, trocando produtos e empregando-os como guias e remadores em algumas de suas viagens.

Esse uso da mão-de-obra apiaká prosseguiu de tal modo que, na passagem do século XIX para XX, encontravam-se integrados nas frentes extrativistas desempenhando funções de tripulantes, carregadores, pescadores, caçadores ou caucheiros, combinando o modo de vida tradicional com o dos brancos regionais.

No início do século XX foram cruelmente massacrados por seringalistas, o que os impossibilitou de sustentar seu tradicional modo de vida.

A partir de então miscigenaram-se com integrantes de diversas etnias, além dos brancos: Kokama, Kayabí, Munduruku, Maué, Pareci. Apesar de os Kokama viverem no alto Solimões, ocorreram casamentos entre indivíduos dessa etnia que desciam o Amazonas e alguns Apiaká que desceram o Tapajós até Santarém.

No decorrer do século XIX, mudaram-se da confluência dos rios Arinos e Juruena e imediações: uma parte foi para o norte, ainda no Juruena; outra foi para leste, até o rio São Manoel (ou Teles Pires), onde passou a ser conhecida, no final do século XIX, como Pari-bi-teté, um termo da língua Mundurukú que alude a sua tatuagem em torno dos lábios (Nimuendajú, 1948, p. 312).

No início do terceiro quartel do século XX, um grupo de famílias fez viagem de retorno rumo ao sul, em busca de um “patrão bom”.

O missionário jesuíta João Dornstauder os encontra e os convida a se fixarem nas proximidades dos Kayabí, no rio dos Peixes.

A partir de então, em diversas viagens, mais famílias mudaram-se do norte para o sul, erigindo as aldeias de Nova Esperança (1968), Mayrob (1982) e Tatuí (1986), todas na na área que veio a se constituir na TI Apiaká.

Arara

Considerados extintos por volta da década de 1940, quando escasseiam notícias sobre sua movimentação pela região, os índios conhecidos por “Arara” no vale do médio Xingu voltaram à cena com a construção da rodovia Transamazônica, no início dos anos de 1970.

O trecho que hoje liga as cidades de Altamira a Itaituba, no Estado do Pará, passou a poucos quilômetros de uma das grandes aldeias onde vários subgrupos Arara se reuniam no período de estiagem.

A estrada cortou plantações, trilhas e acampamentos de caça tradicionalmente utilizados pelos índios.

O que antes já era um povo pequeno foi apartado pela “estrada da integração nacional”: seu leito principal, suas vicinais, seus travessões, suas picadas e clareiras acessórias formaram barreiras, impedindo o trânsito dos índios pelas matas e impondo limites à tradicional interação entre os subgrupos que, vivendo dispersos pelo território, articulavam-se numa rede intercomunitária coesa.

A consolidação do longo processo de atração, a partir de fevereiro de 1981, depois de mais de uma década de frustradas tentativas de contato, encontra alguns dos subgrupos Arara já desunidos e afastados.

Pelo menos quatro deles ao sul do leito da nova rodovia, na altura do km 120, aglutinaram-se para enfrentar a penetração não indígena no território. Um outro ao norte, isolado e em fuga constante, é contatado em 1983, já com a ajuda daqueles contatados dois anos antes. Ainda mais um é contatado em 1987, já muito longe dos demais, apartado dos outros por razões internas ao povo Arara, mas cada vez mais isolado e restrito aos cantos mais ermos do território devido à ocupação e à exploração econômica avivadas na área indígena.

Este último subgrupo talvez seja aquele submetido à situação pós-contato mais dramática, que ainda perdura pela indefinição oficial sobre as áreas destinadas aos Arara.

Histórias e origens

Um mito de origem do mundo terreno explica o padrão de dispersão territorial que historicamente os Arara mantinham no interflúvio Tapajós-Tocantins.

Originado num cataclismo celeste causado por uma enorme briga entre parentes, o mundo terreno foi o palco de um acordo político entre aqueles que, por serem causadores da tragédia inaugural, foram condenados a viver no chão.

A divisão em pequenos subgrupos, independentes e autônomos, mas integrados numa rede de prestação intercomunitária, sobretudo para as temporadas de caça e festas, teria sido estabelecida como uma espécie de pacto a garantir a não repetição dos conflitos que deram origem à vida terrena.

Também o etnônimo de que se servem tem relação com o mito de origem: Ukarãngmã – quase que literalmente “povo das araras vermelhas”- é como se denominam, numa referência à participação que aqueles pássaros teriam tido logo após a tragédia que deu origem ao mundo terreno. No mito, foram as araras vermelhas que tentaram levar de volta aos céus muitos dos que de lá caíram.

Falantes de uma língua da família Karib, os Arara pertencem à mesma sub-família dialetal – também chamada de Arara – que incluía os Apiacá do Tocantins (extintos), os Yaruma (extintos) e os Ikpeng, hoje no Parque Indígena do Xingu, povos que viviam dispersos por um amplo território que abarcava todo o vale do alto e médio Xingu e o rio Iriri.

Em termos geográficos, os povos indígenas desta sub-família Arara ocupam uma posição geográfica intermediária em relação às maiores concentrações demográficas de falantes de línguas da família Karib: o maciço das Güianas e os formadores do alto rio Xingu.

Entretanto, a região dos rios Ronuro, Batovi, Culiseu, Culuene (justamente os formadores do rio Xingu, hoje área do Parque Indígena homônimo) é o lugar mais provável da dispersão original dos povos desta sub-família dialetal. Seu deslocamento pela bacia do Xingu parece ter coincidido com um movimento migratório Kayapó, que partiu dos campos do rio Araguaia em meados do século passado e atingiu a região do médio Xingu já no início deste século.

Toda a região entre o Tapajós e o Tocantins (e particularmente o vale do Xingu) parece ter sido um lugar de movimentação constante de grupos indígenas, até o início do segundo quartel deste século, quando levas migratórias oriundas do nordeste brasileiro começam a alterar a dinâmica demográfica da região afetando as populações indígenas já ali instaladas.

Narrativas míticas Arara apontam a margem direita do Xingu como o lugar onde tudo teria começado: a formação do mundo atual, a geração do povo Arara, a dispersão dos subgrupos e o início dos conflitos com os inimigos “tradicionais”. Dados históricos confirmam o trânsito dos Arara por entre as duas margens do médio rio Xingu até a fixação na sua margem esquerda, junto ao rio Iriri, depois de cruzarem o Xingu já abaixo da “Volta Grande”, por volta de meados do século XIX.

Tanto informações históricas – como as referências a conflitos com caçadores e trabalhadores em obras públicas – quanto a memória dos velhos Arara apontam para a região próxima a Altamira, já abaixo da foz do rio Iriri, como o lugar da maior concentração de assentamentos de subgrupos Arara no passado.

Ocupando a região do divisor de águas, entre o oeste Xingu, o leste do Tapajós e o sul do baixo Amazonas desde meados do século XIX, os Arara tinham à sua disposição recursos naturais oriundos da bacia do Xingu e também das águas que correm para o Amazonas.

Já na sua expedição ao Xingu, em 1896, o viajante Henri Coudreau mencionava a existência dos “Araras bravos” -subgrupos então sem qualquer contato com o branco – à esquerda do Xingu, na região entre o rio Curuá (à esquerda do alto rio Iriri) “até não longe do Amazonas”.

Lugar estratégico de multiplicação das possibilidades de adaptação ecológica e da otimização da utilidade dos recursos diversos que caracterizam as bacias do Xingu e do Amazonas, o divisor de águas permitia a cada grupo local, dependendo de sua localização particular, diferenças sutis quanto ao padrão de utilização de matérias-primas desigualmente distribuídas no território (as tabocas para flechas, as palhas para trançados e cestarias, e a maior ou menor ocorrência das palmeiras de inajá para a extração de uma bebida típica, etc). Ao mesmo tempo, o divisor de águas dava aos Arara o acesso a territórios de caça diferenciados e, por isso, mais produtivos em função das diferenças entre as estações de seca e chuva durante o ano.

Ashaninka

Os Ashaninka: ameaçada a maneira de vida.

Os Ashaninka são um dos maiores grupos indígenas na América do Sul, suas terras ancestrais que vão do Brasil para o Peru.

Desde os tempos coloniais, a sua existência tem sido difícil – eles foram escravizados, tiveram suas terras tirada ou destruídas, e foram apanhados no conflito interno sangrento no Peru durante o final do século 20.

Hoje, uma grande reserva comum reservados para os Ashaninka está ameaçada pela barragem Pakitzapango proposta, que deslocaria cerca de 10.000 Ashaninka.

A barragem é parte de um grande conjunto de projetos hidrelétricos planejados entre os governos brasileiro e peruano – sem qualquer consulta original com os Ashaninka.

Tribos Indígenas Brasileiras
Província Acre, na Floresta Amazônica, Brasil. Índios Ashaninka aplicam pintura na face a cada dia, em um projeto que reflete seu estado de espírito. Feita a partir das sementes da planta Urucum, a pintura tem uma cor rica, vermelho.
Os homens tomam tanto cuidado de sua aparência quanto as mulheres.

Os Ashaninka são uma das maiores tribos da América do Sul. Sua pátria abrange uma vasta região, desde o rio Alto Juruá no Brasil para as bacias hidrográficas dos Andes peruanos. Por mais de um século, no entanto, os colonos, seringueiros, madeireiros, empresas de petróleo, e os guerrilheiros maoístas invadiram suas terras.

“Sua história de roubo de opressão e terra ecoa na vida dos povos indígenas em todo o mundo”, diz Stephen Corry, diretor da Survival International.

Pensa-se que os Ashaninka tradicionalmente é um povo semi-nômade vivendo há milhares de anos no Peru Selva Central, onde os contrafortes andinos achatam dentro da floresta amazônica.

Durante o final do século XIX, alguns fugiram pela fronteira para o estado do Acre no Brasil quando o Peru concedeu vastas extensões de floresta tropical para as empresas estrangeiras para extração da borracha e plantações de café.

Isto resultou no deslocamento de milhares de Ashaninka de suas casas. “A vulcanização do látex e do” ciclo da borracha “que varreu esta parte da Amazônia eliminou 90 por cento da população indígena em uma onda terrível de escravidão, doenças e brutalidade chocante”, diz Stephen Corry, diretor da Survival International.

Hoje, o número Ashaninka do Brasil por volta de 1000, vivendo principalmente ao longo do rio Amônia, Breu, Envira e Rivers. A maioria ainda vive no Peru. A população total Ashaninka é estimado em cerca de 70.000.

As comunidades Ashaninka geograficamente distintos estão unidos por formas comuns de vida, linguagem e crenças. Como muitas tribos amazônicas, suas vidas estão profundamente ligadas às suas pátrias da floresta.

Homens Ashaninka gastam muito do seu tempo à caça na floresta de anta, porco e macaco. As culturas de suplementos de jogos como inhame, batata doce, pimentas, abóboras, bananas, abacaxis e que são cultivadas por mulheres nos roçados.

Os Ashaninka migrar periodicamente para diferentes áreas, permitindo assim que a floresta se regenere. “Esta forma de agricultura é bom para a floresta, porque essa é a maneira como a floresta é”, diz um homem Ashaninka. “Nós vivemos na floresta e nós respeitamos isso.”

Crianças Ashaninka aprender habilidades para a auto-suficiência – tais como a caça ea pesca – em uma idade precoce. No estado do Acre, no entanto, a extração ilegal de madeira de mogno e cedro em 1980 dizimou casa florestal do Ashaninka brasileira. Lembram-se este período como o “tempo de registo,” quando eles experimentaram dificuldades e pobreza não é conhecido antes do contato com os madeireiros (brancos).

Muitos Ashaninka morreu de exposição a doenças para as quais não tinham imunidade – uma experiência compartilhada por outras tribos isoladas. Após o primeiro contato, é comum que mais de 50 por cento de uma tribo para morrer.

Quanto mais terras Ashaninka são invadidas por madeireiros, mais cresce o perigo de que seus filhos não vai mais aprender habilidades que foram passadas de geração em geração, e seu conhecimento ancestral acabará por desaparecer.

Os índios Ashaninka, também conhecidos como kampa, constituem um povo indígena com população bastante numerosa, habitando o Brasil e o Peru na região da floresta amazônica.  Procuram preservar  sua rica cultura ancestral e o meio ambiente, ensinando suas crianças a importância da preservação da floresta para sua sobrevivência e conexão com o sagrado.

Os Ashaninka contam que sempre tiveram canoas (pitotsi), casas (pãkotsi) e roçados (kaniri). Antigamente, as casas eram diferentes, tinham paredes e ficavam diretamente assentadas no chão. Hoje, são construídas sobre pilotis. Diferentemente da maioria dos outros grupos indígenas das terras baixas sul-americanas, os Ashaninka sempre usaram roupas.

Veste tradicional ashaninka, a kushma constitui um elemento importante na diferenciação étnica. Cabe notar que a palavra “kushma” é de origem quéchua e, embora ela seja também usada pelos índios, os Ashaninka têm o termo “kitharentsi”, que é utilizado para se referir tanto à vestimenta como ao tear e ao tecido.

A área de ocupação dos Ashaninka estende-se por um vasto território, desde a região do Alto Juruá e da margem direita do rio Envira, em terras brasileiras, até as vertentes da cordilheira andina no Peru.

Pertencem à família lingüística Aruak, sendo o principal componente do conjunto dos Aruak sub-andinos.

Ashenika é a autodenominação do povo e pode ser traduzida como “meus parentes”, “minha gente”, “meu povo”. O termo também designa a categoria de espíritos bons que habitam “no alto” (henoki).

Contrariamente a outras sociedades indígenas da Amazônia, o povo ashaninka tem uma longa história de contato com o mundo dos brancos, iniciada desde o final do século XVI.

Depois da ocupação da costa e da serra peruana, os espanhóis conquistam o Império Inca e iniciam sua penetração em direção à Amazônia.

Os jesuítas foram os primeiros a estabelecer um contato com os Ashaninka, em 1595. Explorando a selva central a partir da cidade serrana de Andamarca, as cartas enviadas por jesuítas a seus superiores constituem a primeira fonte documentada sobre um grupo de índios Pilcozone, hoje identificado como Ashaninka.

Depois da demarcação de seu território indígena, em 1992, os Ashaninka do rio Amônia, no Acre, passaram também a executar uma série de projetos de desenvolvimento sustentável com diferentes parceiros do indigenismo, em busca de alternativas para a exploração madeireira.

Iniciaram uma política ambiciosa de proteção e recuperação ambiental de seu território e procuraram comercializar alguns de seus recursos naturais, produzidos de maneira sustentável.

No novo contexto do indigenismo, marcado pelo crescimento das preocupações ambientais, os Ashaninka do rio Amônia encontraram novos caminhos para proteger seu meio ambiente e, ao mesmo tempo, tirar benefícios de seus recursos naturais.

Para oferecer um dispositivo legal capaz de negociar e executar projetos, bem como defender os interesses dos Ashaninka do rio Amônia, em 1991 foi criada a associação Apiwtxa, oficialmente registrada em 1993.

Assim, ao longo dos últimos quinze anos, a Apiwtxa obteve financiamentos de diversas fontes e iniciou parcerias que possibilitaram a implementação de alternativas econômicas respeitosas ao meio ambiente.

Os Ashaninka do rio Amônia não só adotaram o “rumo da sustentabilidade”, como são considerados hoje um exemplo muito bem sucedido da nova orientação política do desenvolvimento amazônico, buscando conciliar a preservação da natureza com alternativas econômicas viáveis para a comunidade.

Os Ashaninka possuem uma tradição de trabalhos espirituais com a Ayahuasca bem antiga. Nos rituais entre os Ashaninka, tanto o chá quanto o ritual é chamado kamarãpi.

A cerimônia é sempre realizada à noite e pode se prolongar até de madrugada. Geralmente, as reuniões são constituídas de grupos pequenos (cinco ou seis pessoas).

O kamarãpi se caracteriza pelo respeito e apenas os cantos, inspirados pelo chá, vêm romper o silêncio da noite. Esses cantos sagrados do kamarãpi não são acompanhados por nenhum instrumento musical.

Eles permitem aos Ashaninka comunicar-se com os espíritos.

O kamarãpi existe para que os Ashaninka adquiram conhecimento e aprendam como se deve viver na Terra. Segundo este povo indígena, as respostas a todas as perguntas dos homens estão acessíveis com o aprendizado xamânico.

Asuriní

O termo Asuriní tem sua origem na língua Juruna e, desde o século passado, vem sendo utilizado para designar diferentes grupos Tupi da região entre os rios Xingu e Tocantins.

Este termo começou a ser empregado para denominar este povo em particular na década de 50, pelos funcionários do SPI durante os trabalhos de pacificação.

Os Asuriní do Tocantins são conhecidos também por Asuriní do Trocará (nome da área indígena), e por Akuáwa-Asuriní. Esta última denominação foi empregada pelo etnólogo Roque Laraia na década de 60 em razão deste pesquisador considerar o termo Akuáwa como a autodenominação do grupo. Já há vários anos, porém, este povo assumiu o termo Asuriní como sua autodenominação.

Por outro lado, como verificou a antropóloga Lúcia Andrade, na década de 80, Akuáwa passou a ter uma conotação pejorativa, sendo utilizado para designar “índios do mato”, “índios bravos”, isto é, sem muito tempo de contato.

Os Asuriní do Xingu

Os Asurini do Xingu são falantes de uma língua pertencente à família lingüística Tupi-Guarani do tronco lingüístico Tupi. Atualmente, eles ocupam uma aldeia localizada na margem direita do Rio Xingu, junto da qual está o P.I. Kuatinemu, administrado pela Fundação Nacional do Índio – Funai (Funai) por meio de sua unidade administrativa localizada no Município de Altamira, no Estado do Pará.

As primeiras informações sobre essa população remontam ao século passado; no entanto, ela só veio a ser contatada oficialmente em 1971, primeiramente pelos padres Anton e Karl Lukesch e, posteriormente, pela Funai, a partir da frente de atração liderada por Antônio Cotrim Soares.

Conforme a bibliografia, ela teria ocupado historicamente um território que ficava entre a margem esquerda do Rio Bacajá, a margem direita do Rio Xingu, a confluência destes dois rios e as margens do Igarapé Bom Jardim. Na época do contato, a população Asurini estava distribuída em duas aldeias localizadas às margens do Igarapé Ipiaçava.

A partir de 1972, no entanto, ela passou a ocupar uma única aldeia que foi instalada ao sul da localização anterior, na margem direita do mesmo igarapé, onde permaneceu até 1985, quando se transferiu para o local em que se encontra hoje (Coudreau, [1897]1977:33-34; Müller, 1984/85:91-92, 1987:37-42, 1990:35-40; Nimuendajú, 1948:225).

Seu local de ocupação mais antigo teria sido a região às margens do Bacajá, de onde se deslocou devido às pressões dos extrativistas regionais e aos ataques das populações indígenas Kayapó. Teria, então, ocupado a região dos Igarapés Piranhaquara e Ipiaçava onde estabeleceu, desde a década de quarenta, várias aldeias. Sendo novamente alvo de perseguição, deslocou-se, desta vez, para a região do Igarapé Ipixuna.

Lá permaneceu até ser expulsa pelos Araweté que se estabeleceram naquela região, por volta da década de sessenta, empurrados pelos grupos indígenas Kayapó e Parakanã.

Deslocando-se novamente em direção ao Igarapé Ipiaçava, a população Asurini procurou, finalmente, estabelecer o contato com os brancos a fim de escapar às investidas dos grupos inimigos (Müller, 1984/85:92, 95; 1990:36-40; Ribeiro, 1982:27; Viveiros de Castro, 1986:166-167).

Nos primeiros anos do contato, no entanto, ela, que já vinha sofrendo perdas no seu contingente populacional devido aos confrontos com as populações inimigas, vê-se diante de um inimigo ainda mais devastador: as doenças transmitidas pelos brancos. Estima-se que, nos anos 1930,  a população Asurini totalizava aproximadamente 150 indivíduos, porém, na década de setenta, quando ela foi oficialmente contatada, esse número estava reduzido em aproximadamente 40%; devido às epidemias de gripe e malária, à tuberculose e às precárias condições de assistência médica (Arnaud, 1989:353-354; Müller, 1990:45-48; Ribeiro, 1982:23-30). No início da década de 1980, a situação era ainda mais alarmante, pois foi constatada a existência de apenas 52 indivíduos em 1982 (Müller, 1987).

Além da incidência das doenças infecto-contagiosas transmitidas pelos brancos, a baixa taxa de natalidade entre a população também contribuiu para aquela situação demográfica.

Esta pode ser explicada em função dos mecanismos de controle de natalidade exercidos pelos Asurini desde antes do contato. Tais mecanismos estão relacionados a fatores históricos (ataques de grupos inimigos) e culturais (regras de casamento, filiação e xamanismo) (Müller, 1984/85:97-100).

A partir do final dos anos 1980, com o crescente número de nascimentos na aldeia e uma melhor expectativa de vida por parte dessa população, a sua situação demográfica começou a se reverter. Em março de 2005, quando estive pela última vez na aldeia, ela apresentava um número de 115 indivíduos, incluindo crianças e adultos.

Assim, apesar das dificuldades enfrentadas com relação às populações inimigas e uma crescente depopulação provocada pelas doenças do mundo civilizado, os Asurini conseguiram sobreviver e vêm afirmando o seu modo de vida e visão de mundo.

As atividades econômicas dos Asurini do Xingu

Os Asurini do Xingu são agricultores que se caracterizam pela produção de uma variedade de cultivos dentre os quais se destacam diferentes espécies de milho e mandioca.

O primeiro é consumido mais abundantemente entre os meses da colheita (fevereiro-abril), na forma de mingau ou assado e, quando  seca, é armazenado para ser transformado na farinha  que será consumida nos demais meses do ano exclusivamente na forma de mingau.

A mandioca, por sua vez, é consumida, regularmente, durante todo o ano na forma de diferentes mingaus e farinhas, conforme a variedade. Eles também plantam variegadas espécies de algodão, urucum, batata, cará, feijão e banana. Cabe ressaltar que os dados sobre a subsistência Asurini estão bastante esparsos, encontrando-se as principais referências sobre o assunto nos trabalhos de Balée (1988; 1989 a,b; 1994 a,b).

Conforme Müller (1990:83-85) salientou, do plantio à colheita, a agricultura é, basicamente, uma tarefa feminina; etapas em que as mulheres só eventualmente recebem o auxílio dos homens. Cabendo a estes, como atividade precípua, a implantação e preparação da roça, por meio da derrubada e queima da vegetação.

A escolha, implantação e o preparo dos locais de roça ocorrem nos primeiros meses da estação seca (maio a julho) e da estação chuvosa (outubro a novembro); ocasiões em que serão plantadas diferentes cultivares.

Durante esses períodos, os Asurini, normalmente, passam a residir temporariamente nas áreas de implantação das roças, construindo pequenos acampamentos que possam abrigar o grupo doméstico.

Em julho de 2002, visitando alguns desses acampamentos, pude constatar que apresentavam várias estruturas (descanso, cozinha e pequenos viveiros de animais), ou seja, eles reproduziam em menor escala o espaço doméstico da aldeia. Na maioria das vezes, os grupos domésticos aparentados mantêm acampamentos próximos uns dos outros, assim como as próprias roças que podem ser cultivadas e exploradas conjuntamente.

Esses acampamentos são mantidos durante todo o período de implantação, preparo e plantio das roças, bem como na época da colheita quando alguns produtos como o milho podem ser assados e consumidos neles.

Segundo os informantes, o critério de escolha do local de implantação da roça leva em consideração, em primeiro lugar, a configuração do solo.

Os Asurini preferem os locais que eles definem como sendo de terra fofa e escura.

Em julho de 2002, acompanhei algumas incursões aos locais que estavam sendo preparados para o plantio, ocasião em que pude observar a coloração escura do solo, inclusive, a presença de pequenas quantidades de material cerâmico arqueológico.

Além da configuração do solo, os Asurini consideram fundamental que o local de implantação da roça esteja localizado longe da margem de alagação do rio, que ocorre na estação chuvosa, época em que se dá a colheita do milho. Algumas vezes, as roças acabam sendo implantadas em locais de antigas roças abandonadas.

Segundo os Asurini, estas são abandonadas quando se tornam improdutivas em torno de três anos e somente serão reutilizadas para o plantio depois que a vegetação de pequeno e médio porte estiver  recomposta.

Depois de escolhido o local, eles iniciam a derrubada da vegetação de grande e médio porte e começam a capina da vegetação de pequeno porte; tarefas que demandam um tempo aproximado de trinta dias, e  são executadas, coletivamente, mediante a cooperação mútua entre os diferentes grupos domésticos. Além disso, a aquisição de equipamentos industrializados, como a serra elétrica, tem facilitado o trabalho de derrubada da vegetação de grande e médio porte.

Cabe ressaltar que a preparação dos locais de roça tem uma conotação simbólica para os Asurini. Segundo Müller (1990:73), durante a derrubada da vegetação de grande porte é realizado o ritual Ká´i e oferecido mingau aos convidados que ajudaram na realização da tarefa.

Depois de derrubada a vegetação, eles esperam até três semanas, antes de efetuar a sua queima, pois é necessário que ela esteja bem seca.

Esta é feita de fora para dentro e a favor do vento para evitar que a mata em volta seja atingida pelo fogo.

Essa atividade também possui uma conotação simbólica, pois, segundo os informantes, durante esse processo eles devem gritar o nome do sobrenatural

Ai que é o espírito responsável pelo bom desempenho no manejo do fogo. Além dessa entidade, os Asurini também fazem referência ao sobrenatural Auará que é o espírito que cuida da roça e que vem à noite para conferir se a queima realizada durante o dia foi bem sucedida.

Após o uso do fogo e com o solo ainda coberto de cinzas é iniciado o plantio. Entretanto, em certas ocasiões, a queima pode não ser satisfatória, o que os leva a colocar  amontoados de palha de babaçu no perímetro e no interior da roça, e o trabalho é refeito.

Contudo, mesmo com uma queima bem sucedida é possível verificar a presença de troncos de árvores parcialmente queimados em meio aos quais serão plantadas as diferentes cultivares.

Essa madeira remanescente será empregada como lenha no processamento dos alimentos na aldeia e acampamentos de roça.

O processamento dos recursos e preparo dos alimentos são de responsabilidade das mulheres. Os homens, eventualmente, podem auxiliar em tarefas como a fabricação de farinha, o descarne de um grande animal caçado (veado, anta) ou a obtenção de lenha para cozinhar.

Os Asurini apreciam os alimentos cozidos seja sob a forma de mingaus como já foi salientado acima com relação ao milho e à mandioca ou de caldos feitos com diferentes carnes de animais caçados (p.ex. anta, veado, porco do mato, paca e mutum) e peixes, que são sempre comidos com farinha. Eles também gostam das carnes assadas diretamente sobre um moquém ou enroladas – no caso dos peixes – em folhas de bananeira.

As frutas são comidas em sua forma natural, às vezes com farinha (p.ex. banana) e, no caso da castanha e do coco, também podem ser misturadas a mingaus e cozidos.

Eles também consomem alguns produtos industrializados, tais  como açúcar,  farinha de trigo, macarrão, arroz, café, azeite de soja, sal e leite em pó.

Todos os produtos obtidos nas atividades de subsistência, bem como os industrializados, são compartilhados, regularmente, entre os membros de um mesmo grupo doméstico nas refeições coletivas, que ocorrem diariamente. Integrantes de outros grupos também podem ser convidados a usufruir dessas refeições quando há o interesse em manter algum tipo de reciprocidade devido a um objetivo comum.

Conforme Müller (1990:64) salientou, entre os Asurini, o grupo doméstico é a unidade básica da estrutura social, tanto por ser uma unidade social e política (tradicionalmente identificada com o grupo local), quanto por suas atividades de subsistência. E, neste sentido, constitui-se, também, numa unidade econômica de produção e consumo, cujos membros mantêm relações de cooperação diária para a execução das diferentes tarefas de obtenção e processamento dos recursos.

As mulheres seriam as organizadoras dessa unidade econômica e social, sendo elas a unidade básica de produção na sociedade Asurini Müller, 1990:84), cabendo aos homens a circulação dos bens produzidos (Müller, 1990:84). Em outras palavras, cabe aos homens a obtenção e distribuição dos alimentos e às mulheres o processamento destes.

Na aldeia, o espaço para o processamento dos alimentos é o doméstico, mais precisamente as áreas de cozinha. Nelas são mantidas pequenas fogueiras permanentemente em brasa, e as refeições podem ocorrer em qualquer hora do dia.

Acúmulos de cinza são freqüentes nessas estruturas de cozimento que, muitas vezes, podem ser deslocadas de um lugar para outro espalhando os seus vestígios por todo o espaço da cozinha.

As refeições normalmente são coletivas e ocorrem em volta das fogueiras de cozimento e no espaço da cozinha. Ao término do repasto, é muito comum observarmos restos de alimento (p.ex. ossos de animais caçados e peixes) espalhados por toda a superfície do solo. Os animais domésticos aproveitam essas ocasiões para se alimentar, espalhando ainda mais esses vestígios pelo espaço doméstico.

Carijó

Seu território estendia-se de Cananéia (SP) até a Lagoa dos Patos (RS). Vistos como “o melhor gentio da costa”, foram receptivos à catequese.

Isso não impediu sua escravização em massa por parte dos colonos de São Vicente.

Gavião

Esse nome foi atribuído a diferentes grupos Timbira da região do médio Tocantins por viajantes do século XIX, que sempre falavam do caráter guerreiro desses índios.

A denominação vem das penas de gavião usadas em suas flechas. Esses índios foram muito reduzidos pelo contágio de doenças em seus primeiros contatos com os brancos.

Uma das maiores tradições é a corrida de toras: as equipes de revezamento (formada somente por homens), carregam troncos de buriti nos ombros. O mais importante não é quem chega primeiro, o que vale mais é o divertimento. A comemoração é maior quando as equipes chegam juntas ou quase juntas. Cada indivíduo recebe dois nomes e um deles não pode ser divulgado.

Mostrar ao outro este segredo, significa transferir poder.

Quando alguém recebe o nome de um parente que já morreu carrega a responsabilidade de manter as características do antepassado e quem o escolhe assume o papel de padrinho com a função de transmitir a cultura.

Depois do casamento, por um período determinado, entre genro e sogra, nora e sogro, ficam proibidos de chamar o outro pelo nome.

Goitacá

Ocupavam a foz do Rio Paraíba. Tidos como os índios mais selvagens e cruéis do Brasil, encheram os portugueses de terror. Grandes canibais e intrépidos pescadores de tubarão. Eram cerca de 12 mil.

Guajá

Nome e língua

Os Guajá se autodenominam Awá, termo que significa “homem”, “pessoa”, ou “gente”. As origens deste povo são obscuras, porém acredita-se que seja originário do baixo rio Tocantins no estado do Pará. Formava, provavelmente junto aos Ka’apor, Tembé e Guajajara (Tenetehara), um conjunto maior, da família lingüística Tupi-Guarani naquela região (Gomes 1988, 1989 & 1991; Balée 1994).

Na medida que a expansão colonial foi exercendo uma pressão sobre estes grupos indígenas, houve uma dispersão dos mesmos. Acredita-se que a partir do conflito da Cabanagem, em torno de 1835-1840, este conjunto iniciou uma migração no sentido leste, rumo ao Maranhão. É provável que por volta de 1950 todos os Guajá já estivessem vivendo neste estado, no lado leste do rio Gurupi (Gomes 1989 & 1991).

Guarani

Onde habitam: Reserva Indígena do Rio Silveira, localizada em Boracéia, divisa entre Bertioga e São Sebastião.

Mas, existem aldeias Guarani em diversos estados como: Mato Grosso, São Paulo, Espírito Santos, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Pará.

População: É considerado um dos povos mais populosos no Brasil, com cerca de 27 mil índios

Língua: da família Tupi-Guarani

Atividade predominante: praticam a agricultura de subsistência plantando arroz, mandioca entre outros itens.

Curiosidade: as danças, cantos e rituais são direcionados ao Deus Tupã, pedindo proteção às pessoas e à natureza. Valorizam a preservação do meio ambiente.

Considerado um dos mais populosos povos indígenas no Brasil, foi um dos primeiros a manterem contato com os portugueses resistindo a qualquer imposição em sua cultura.

Os Guarani foram os que mais resistiram e ainda resistem muito para manter seus costumes tradicionais como a língua, as danças e, principalmente as manifestações religiosas.

Apesar do constante contato com os não-índios, eles mantêm suas características físicas pois muitas aldeias não admitem a miscigenação. São agricultores de subsistência plantando arroz, mandioca outros.

Em muitas aldeias existem escolas onde o ensino é bilíngüe.

Juruna

Povo indígena cuja língua é a única representante viva da família Juruna, do tronco Tupi. Autodenominam-se Yudjá; o nome Juruna significa, em Tupi-Guarani, “bocas pretas”, porque a tatuagem características desses índios era uma linha que descia da raiz dos cabelos e circundava a boca. Na metade do século XIX tinham uma população estimada em 2.000 índios, que viviam no baixo rio Xingu. Um grupo migrou mais para o alto do rio, hoje em território compreendido pelo Parque do Xingu (MT).

Segundo levantamento de médicos da Escola Paulista de Medicina, que prestam serviços de saúde aos índios do parque, em 1990 eram 132 pessoas.

Alguns Juruna vivem dispersos na margem direita do médio e baixo rio Xingu, e há um grupo de 22 índios, segundo dados da Funai de 1990, que vive na Volta Grande do rio Xingu, numa pequena área indígena chamada Paquiçaba, no município de Senador José Porfírio, no sudeste do Pará.

Suas terras serão atingidas pela construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte.

Kayapó

Explorando a riqueza existente nos 3,3 milhões de hectares de sua reserva no sul do Pará (especialmente o mogno e o ouro), os Kayapós viraram os índios mais ricos do Brasil. Movimentaram cerca de US$15 milhões por ano, derrubando, em média, 20 árvores de mogno por dia e extraindo 6 mil litros anuais de óleo de castanha. Quem iniciou a expansão capitalista dos Kayapós foi o controvertido cacique Tutu Pompo (morto em 1994). Para isso destituiu o lendário Raoni e enfrentou a oposição de outro Kayapó, Paulinho Paiakan.

Karajá

O nome deste povo na própria língua é Iny, ou seja, “nós”. O nome Karajá não é a auto-denominação original. É um nome tupi que se aproxima do significado de “macaco grande”.

As primeiras fontes do século XVI e XVII, embora incertas, já apresentavam as grafias “Caraiaúnas” ou ” Carajaúna”. Ehrenreich, em 1888, propôs a grafia Carajahí, mas Krause, em 1908, desfaz as confusões de nomes e consagra a grafia Karajá.

Katukina

Definir quem são os Katukina, orientando-se exclusivamente pela denominação do grupo, não é uma tarefa fácil. Desde a primeira metade do século passado, os registros históricos produzidos por missionários, viajantes e agentes governamentais sobre as populações indígenas do rio Juruá fazem referência a grupos indígenas conhecidos pelo nome de Katukina.

Entretanto, “Katukina” (ou Catuquina, Katokina, Katukena e Katukino) é um termo genérico que chegou a ser atribuído a cinco grupos lingüisticamente distintos e geograficamente próximos, conforme o antropólogo Paul Rivet (1920).

Atualmente esse número se reduz a três: um da família lingüística Katukina, na região do rio Jutaí, no estado do Amazonas, e dois da família lingüística Pano, no estado do Acre.

Nenhum dos dois grupos pano conhecidos pelo nome de “Katukina” o reconhece como auto-denominação. Os membros de um deles, localizado às margens do rio Envira, próximo à cidade de Feijó, preferem ser reconhecidos como Shanenawa, sua auto-denominação. Os do outro não reconhecem no nome “Katukina” qualquer significado na sua língua, mas o adotam, dizendo que a denominação, na verdade, foi “dada pelo governo”.

Este verbete trata apenas do último dos referidos grupos. O nome “Katukina” tornou-se aceito pelos membros de suas duas aldeias, do rio Campinas e do rio Gregório, que não possuem uma denominação étnica comum.

As únicas auto-denominações existentes e amplamente aceitas referem-se aos seis clãs nos quais se dividem: Varinawa (povo do Sol), Kamanawa (povo da Onça), Satanawa (povo da Lontra), Waninawa (povo da Pupunha), Nainawa (povo do Céu) e Numanawa (povo da Juriti). É digno de nota que, com exceção de Nainawa, tais denominações são idênticas aos nomes de algumas das seções do povo Marúbo.

Kulina

São também chamados de Kurína, Kolína, Curina ou Colina, e vivem em pequenos grupos. Quando se casa, o homem vive na casa da família da esposa e tem que trabalhar para retribuir a mulher.

Cada casal tem a obrigação de gerar pelo menos três filhos, ganhando o direito de construir uma casa separada e continuando juntos se desejar.

Eles acreditam que a concepção acontece sem qualquer contribuição feminina, e para engravidar, a mulher tanto pode relacionar-se apenas com o marido ou ter vários parceiros. Em qualquer dos casos, ela é a única responsável pelos cuidados com a criança.

Kuikuro

Onde habitam: Terra Indígena do Xingu no Mato Grosso
Outras denominações: Cuicuro
População: Cerca de 450 índios, em 2002
Língua: da Família Karib (Carib)

Atividade predominante: a agricultura da mandioca e a pesca, são a base da alimentação. Também cultivam bata doce, milho, algodão, pimenta, tabaco, urucum e frutas como banana, melancia, mamão e limão.

Considerado o povo com a maior população no Alto Xingu, os Kuikuro habitam o sul da Terra Indígena do Xingu, próximo ao Posto Leonardo, perto do município de Querência, no Mato Grosso. São cerca de 450 índios que falam a língua Kuikuro, pertencente ao tronco lingüístico Karib (Carib).

Hoje, habitam três aldeias, sendo que a principal é a Ipatse, onde vivem mais de 300 pessoas. Os povos do Alto Xingu não comem nenhum “bicho de terra ou de pelo”, exceto o macaco, uma espécie de Cebus.

São excelentes nadadores e produzem artefatos como canoas, bancos, esteiras, cestos e adornos plumários usados no dia-a-dia e em cerimoniais para pagamento de serviços como a pajelança ou para selar uma aliança de casamento.

A fabricação de um variado e rico artesanato é hoje fonte de recursos para compra de bens como material de pesca, munições, miçangas, combustível e gêneros alimentícios (arroz, sal, açúcar, óleo, etc…)

Rituais: Como os demais povos do Alto Xingu, os Kuikuro realizam e participam do “Kuarup”, um ritual em homenagem aos mortos. Entre os mitos, destaca-se a “Iamaricumã”, celebrada pelas mulheres que se vestem com os adereços dos homens.

Marúbo

Conhecidos por este nome, os Marúbo o aceitam, embora não constitua uma auto-denominação, a qual não parece existir.

Sua língua se inclui na família Pâno. O etnólogo Philippe Erikson, apoiado nas semelhanças lingüísticas e culturais dos Marúbo com os Katukína-Pâno, Nukiní (Rêmo) e Poyanáwa, do Brasil, e ainda com os Kapanáwa, do Peru, classifica o conjunto de suas línguas como o ramo central da família Pâno.

Dizem os Marúbo que sua língua é a dos Chaináwavo. Essa afirmação coloca algumas questões relativas a seu passado, pois Chaináwavo é o nome de uma das suas seções, hoje extinta.

Como seção, os Chaináwavo não podiam viver isolados, pois tinham de se casar com membros de outra seção; e ainda haveria pelo menos mais duas seções junto das quais deveriam estar: a de seus pais e a de suas mães.

Falaria cada uma dessas seções uma língua Falariam essas quatro seções uma mesma língua, diferente das de outros agregados de seções.

Seriam os Marúbo atuais resultado de uma fusão de vários agregados de quatro seções, cada qual falante de uma língua e que acabaram por adotar uma delas? Ou ainda, haveria uma situação semelhante à do noroeste da Amazônia, em que cada grupo exogâmico teria uma língua diferente?

A atual língua dos Marúbo também dispõe de uma contrapartida ritual. Nos mitos e nos cânticos de cura há um vocabulário paralelo, que substitui muitas das palavras de uso cotidiano. Nos discursos formais, trocados entre o dono da casa e o visitante em momentos especiais, as frases são entoadas com uma musicalidade diferente daquela das situações profanas.

Atualmente os jovens do sexo masculino podem se comunicar também em português. Os mais velhos, uma vez que a região foi explorada no passado por caucheiros peruanos, conhecem algumas palavras de quêchua e de espanhol.

Munduruku

Nomes alternativos: Mundurucu, Weidyenye, Paiquize, Pari, Caras-Pretas
Classificação lingüística: Tupi
População: 7.000 ou mais
Local: Pará, Amazonas. 22 aldeias

Os Munduruku vivem em 32 aldeias, em três áreas no Pará e Amazonas. Eles vivem da caça, pesca, coleta e agricultura. O grau de bilingüismo dos Munduruku não é muito alto, sendo o dos homens maior do que o das mulheres e crianças.

Nambikwara

Onde habitam: vivem nas Terras Indígenas Pirineus de Souza, Nambikwara e Vale do Guaporé, no município de Comodoro, em Mato Grosso
Outras denominações: Anunsu, Nhambiquara
População: 1.145 (em 1999)
Língua: Nambikwara

Curiosidade: esta etnia pratica o “Xikunahity”, conhecido como futebol com a cabeça.

Os Nambikwara também já foram chamados de “Povos das Cinzas” por dormirem no chão à beira do fogo e amanhecerem cobertos por uma mistura de cinzas e areia.

São vários grupos da mesma família lingüística que receberam, genericamente, o nome de Nambikwara. Eles se diferenciam de outros grupos éticos pela língua, pois falam vários dialetos e contam com traços culturais marcantes e próprios.

Rituais: Sua origem é explicada pelo mito da pedra preta. Praticam o ritual da flauta sagrada que narra a história do menino que se transformou em alimento para seu povo. Nesse ritual, tocam uma flauta nasal.

Paresi

Onde habitam: Município de Tangará da Serra, Chapada dos Parecis, Mato Grosso
Outras denominações: Pareci, Haliti
População: Cerca de 1.300 índios
Língua: Aruák
Atividade predominante: caça, pesca e coleta de frutos silvestres

Curiosidade: Para os Paresi, a bola tem suas peculiaridades, feita por eles, com seiva de mangabeira, um tipo de látex, e mede cerca de 30 centímetros de diâmetro. Eles também praticam o Xikunahity, futebol de cabeça.

Vivem na Terra Indígena Paresi, um território de matas, campos e cerrados no município de Tangará da Serra, região do Médio – Norte do Mato Grosso, e Chapada dos Paresis, região de matas, campos, cerrados, montanhas e planaltos, assentada nos divisores das bacias dos rios do Prata e Amazonas.

Esses índios sofreram com a abertura da BR-364, ligando o país de norte a sul atravessando seu território. O contato trouxe doenças e grandes perdas de terras, cultura e valores étnicos que eles lutam para preservar até hoje.

Segundo o mito da criação, os Paresi saíram de dentro de uma pedra no Campo Novo dos Paresis liderados pela entidade mítica Wazare e se espalharam pela chapada dividindo-se em três grupos: os Kaxiniti (parte oriental), os Waimaré (central) e os Kozarini, (ocidental).

Pataxó

Onde habitam: Minas Gerais, Bahia e Espírito Santo
População: Cerca de 6 mil pessoas
Língua: Português e Tronco Lingüístico Macro-Jê.

Povo de língua da família Maxacali, do tronco Macro-Jê. Abandonou sua língua original e expressa-se apenas em português.

Vive no sul da Bahia, em Barra Velha, Coroa Vermelha e Monte Pascoal, em zona economicamente valorizada (cacau e turismo), nos municípios de Porto Seguro e Santa Cruz Cabrália e nas áreas indígenas Mata Medonha e Imbiriba. Em 1990, eram aproximadamente 1.600 índios.

Curiosidade: Esse povo sofreu muito devido ao contato com os portugueses, que chegaram até a proibi-los de falar sua própria língua e de praticar seus rituais religiosos e culturais. Com pouco mais de 6 mil pessoas, o povo Pataxó luta para recuperar suas terras e pelo resgate de sua identidade e reconhecimento como um povo indígena, apesar das perdas ocasionadas pelo contato com a sociedade não-indígena.

Os pataxó vivem na região interna à faixa litorânea dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo e na Bahia. Alguns deles ainda falam a língua do tronco Macro-Jê, mas o português predomina nas aldeias.

Entre seus rituais, ainda praticam a tradicional dança chamada “Toré”. Tem um artesanato rico e variado.

Potiguar

Senhoreavam a costa desde São Luís até as margens do Parnaíba, e das margens do Rio Acaraú, no Ceará, até a cidade de João Pessoa, na Paraíba. Exímios canoeiros, inimigos dos portugueses, seriam uns 90 mil

Rikbaktsa

Nomes alternativos: Aripaktsa, Erikbatsa, Erikpatsa, Canoeiro

Classificação lingüística: Macro-Gê

População: 970

Local: Mato Grosso, confluência dos rios Sangue e Juruena, Japuira na beira do leste do Juruena entre os rios Arinos e Sangue, e Posto Escondido na beira do oeste do Juruena 700 kilómetros ao norte. 9 aldeias e 14 colônias.

Tabajara: Viviam entre a foz do Rio Paraíba e a ilha de Itamaracá. Aliaram-se aos portugueses. Deviam ser uns 40 mil.

Tamoio: Os verdadeiros senhores da baía de Guanabara, aliados dos franceses e liderados pelos caciques Cunhambebe e Aimberê, lutaram até o último homem. Eram 70 mil.

Temiminó

Ocupavam a ilha do Governador, na baía de Guanabara, e o sul do Espírito Santo. Inimigos dos tamoios, aliaram-se aos portugueses. Sob liderança de Araribóia, foram decisivos na conquista do Rio. Eram 8 mil na ilha e 10 mil no Espírito Santo.

Terena

Nomes alternativos: Terêna, Tereno, Etelena
Classificação lingüística: Arawak
População: 20.000
Local: Mato Grosso do Sul, em 20 aldeias e 2 cidades

O povo Terena mora principalmente no estado de Mato Grosso do Sul, ocupando áreas entre Campo Grande, ao leste, e o Rio Miranda, ao oeste.

Residem em mais ou menos vinte aldeias, havendo as maiores concentrações nas seguintes áreas:

  1. Cachoeirinha/Moreira, na vizinhança de Miranda
    2.Taunay-Bananal, entre Miranda e Aquidauana que fica uma hora de ônibus das duas cidades
    3. Limão Verde, na área de Aquidauana
    4. Buriti e outras aldeias perto, na vizinhança de Campo Grande

População: aproximadamente 20,000.

A SIL começou a trabalhar entre os Terena em 1957. Naquela época, pensava-se que este grupo já tivesse sido bastante assimilado na sociedade brasileira. A sua antiga estrutura política tribal já não funcionava mais, e a maioria dos seus costumes e crenças tradicionais não estavam sendo praticados mais.

Em ocasiões especiais como no Dia do Índio, 19 de abril, ainda fazem a Dança da Ema com as suas sete peças. Na região é conhecida como a dança do Bate-Pau.

Embora os Terenas sejam um povo basicamente agricultor, mudanças significantes têm ocorrido durante os últimos cinqüenta anos. Com maior ênfase agora em adquirir uma boa educação escolar, há maior diversidade hoje em dia na maneira que ganham a vida.

Tikuna

Maior etnia da Amazônia brasileira, conta com uma população de 20.135 indivíduos, que ocupam cerca de 70 aldeias às margens do rio Solimões, no Estado do Amazonas. Outra parte do grupo vive no Peru.

As meninas, quando ficam menstruadas, são submetidas a um ritual de iniciação, que sempre acontece na lua cheia, representando a bondade, a beleza e a sabedoria. Nesta festa, os índios fabricam máscaras de macacos e monstros e enfeites para as virgens.

Um dos índios usa uma máscara com cara de serpente e incorpora o espírito do principal personagem do ritual, um monstro que vivia na água. Durante os festejos, o monstro faz gestos obscenos que divertem a tribo.

Ele também ronda o cubículo onde fica a menina, batendo com um bastão no chão.

Durante três dias e três noites, essa garota é protegida por duas tias que aproveitam o tempo dando conselhos de como ser uma boa mulher Tikuna: respeitar o marido, ser ativa e trabalhadeira.

Tremembé

Maior etnia da Amazônia brasileira, conta com uma população de 20.135 indivíduos, que ocupam cerca de 70 aldeias às margens do rio Solimões, no Estado do Amazonas. Outra parte do grupo vive no Peru.

As meninas, quando ficam menstruadas, são submetidas a um ritual de iniciação, que sempre acontece na lua cheia, representando a bondade, a beleza e a sabedoria. Nesta festa, os índios fabricam máscaras de macacos e monstros e enfeites para as virgens.

Um dos índios usa uma máscara com cara de serpente e incorpora o espírito do principal personagem do ritual, um monstro que vivia na água. Durante os festejos, o monstro faz gestos obscenos que divertem a tribo.

Ele também ronda o cubículo onde fica a menina, batendo com um bastão no chão.

Durante três dias e três noites, essa garota é protegida por duas tias que aproveitam o tempo dando conselhos de como ser uma boa mulher TREMEMBÉ: respeitar o marido, ser ativa e trabalhadeira.

Tukano

São também chamados de Tucano, e a família lingüística Tukâno é dividida nos ramos ocidental, que compreende línguas faladas no Peru, Equador e Bolívia; e oriental, com as línguas Barasâna, Desâna, Karapanã, Kubéwa, Pirá-Tupúya, Suriâna, Tukâno e Wanâno, faladas desde a Colômbia até o Brasil, no Noroeste da bacia Amazônica. São extremamente vaidosos, gastam dias e esforços para capturar aves de plumagens belas, coloridas e variadas para fazer adornos.

Eles também gostam de modificar as cores originais dando comidas especiais para as aves ou aquecendo as penas, processo conhecido como tapiragem. Usam até duas dezenas de aves para um único adorno.

Estes enfeites são usados em rituais e aqueles que usam as peças mais bonitas são muito prestigiados pela tribo.

Tupinambá

Consituíam o povo tupi por excelência. As demais tribos tupis eram, de certa forma, suas descendentes, embora o que de fato as unisse fosse a teia de uma inimizade crônica.

Os tupinambás propriamente ditos ocupavam da margem direita do rio São Francisco até o Recôncavo Baiano. Seriam mais de 100 mil.

Conhecidos também como Tamoio ou Tamuya, viviam numa faixa de litoral que ia da atual cidade de Ubatuba, no litoral norte de São Paulo, a Cabo Frio, no estado do Rio de Janeiro. “Tamoio” significa avô, o mais velho, e “Tupinambá” talvez signifique o primeiro, o mais antigo. Os Tupinambá viviam sobretudo no estado do Rio de Janeiro, onde se calcula um total de 6 mil pessoas.

O conjunto da nação Tupinambá nessa região não deveria ultrapassar 10 mil pessoas.

Três traços principais marcavam este povo: a inteligência, a guerra e a abertura para o novo.

Eram pessoas muito curiosas e observadoras.

Um frade francês, Claude d’Abbeville, que teve contato com um grupo Tupinambá, no Maranhão, escreveu: “Imaginava que iria encontrar verdadeiros animais ferozes, homens selvagens e rudes. Enganei-me totalmente. São grandes discursadores, possuem muito bom senso e só se deixam levar pela razão, jamais sem conhecimento de causa”.

Tupiniquim: Foram os índios vistos por Cabral. Viviam no sul da Bahia e em São Paulo, entre Santos e Bertioga. Eram 85 mil.

Xavante

Os Xavante somam hoje cerca de 9.602 pessoas, habitando mais de 70 aldeias nas oito áreas que constituem seu território atual, na região compreendida pela Serra do Roncador e pelos vales dos rios das Mortes, Culuene, Couto de Magalhães, Botovi e Garças, no leste matogrossense. A TI Marãiwatsede, embora homologada recentemente, não abrigava, até dezembro de 2000, nenhum Xavante.

A experiência xavante de convívio com outros povos indígenas e, principalmente, com não-índios, vem sendo documentada desde o final do século XVIII.

O que mais chama a atenção nesta sua história – e que dá a ela sua singularidade – são três pontos essenciais:

Em primeiro lugar, trata-se de um povo forçado a migrações constantes, sempre em busca de novos territórios onde pudessem refugiar-se e, neste percurso, em choque ou alianças circunstanciais com outros povos com quem se encontraram no trajeto que os trouxe até sua localização atual.

Em segundo lugar, trata-se de um povo que, tendo aceito e experimentado o convívio cotidiano com os não-índios no século XIX (quando viveram, ao lado de outros povos da região, em aldeiamentos oficiais mantidos pelo governo da província de Goiás e controlados pelo Exército e pela Igreja), rejeitou o contato e optou por distanciar-se dos regionais migrando em algum momento entre 1830 e 1860, em direção ao atual estado de Mato Grosso, onde viveram sem serem intensivamente assediados até a década de 30 deste século.

A partir desta época, fecha-se o cerco e aumenta o interesse de particulares e do governo federal sobre suas terras. Expressando a idelogia getulista do Programa de Integração Nacional em 1946, um primeiro grupo local Xavante é alcançado pelo SPI que os rende, às margens do rio das Mortes; até 1957 os demais também foram forçados a aceitar o contato, exauridos por epidemias, perseguições e massacres.

Em terceiro lugar, os Xavante ocuparam, ao longo de sua história recente, um lugar de destaque junto à opinião pública na década de 50 como ferozes e belicosos, ao resistirem ao contato que lhes era imposto; na passagem da década de 70 para a de 80, representados por líderes como Celestino e Mario Juruna (o ex-deputado federal), cristalizaram a imagem de índios conhecedores de seus direitos e dispostos a reivindicá-los às autoridades responsáveis pela garantia da sobrevivência dos povos indígenas no país.

Na literatura antropológica, os Xavante são conhecidos principalmente por sua organização social de tipo dualista, ou seja, trata-se de uma sociedade em que a vida e o pensamento de seus membros estão constantemente permeados por um princípio diádico, que organiza sua percepção do mundo, da natureza, da sociedade e do próprio cosmos como estando permanentemente divididos em metades opostas e complementares.

Trata-se, na verdade, da chave da elaboração cultural dos Xavante, construída e reconstruída através dos tempos e das variadas experiências históricas, mas sempre mantida como fundamento de sua maneira original de ser, pensar e viver.

Yanomami

Os Yanomami formam uma sociedade de caçadores-agricultores da floresta tropical do Norte da Amazônia cujo contato com a sociedade nacional é, na maior parte do seu território, relativamente recente. Seu território cobre, aproximadamente, 192.000 km², situados em ambos os lados da fronteira Brasil-Venezuela na região do interflúvio Orinoco – Amazonas (afluentes da margem direita do rio Branco e esquerda do rio Negro).

Constituem um conjunto cultural e lingüístico composto de, pelo menos, quatro subgrupos adjacentes que falam línguas da mesma família (Yanomae, Yanõmami, Sanima e Ninam). A população total dos Yanomami, no Brasil e na Venezuela, é hoje estimada em cerca de 26.000 pessoas.

No Brasil, a população yanomami é de 12.795 pessoas, repartidas em 228 comunidades (censo da Fundação Nacional de Saúde de 1999). A Terra Indígena Yanomami, que cobre 9.664.975 ha (96.650 km²) de floresta tropical é reconhecida por sua alta relevância em termo de proteção da biodiversidade amazônica e foi homologada por um decreto presidencial em 25 de maio de 1992.

Yawalapity

Onde habitam: Terra Indígena do Parque Xingu, em Posto Leonardo, em Mato Grosso
Outras denominações: Iaualapiti
População: 196 pessoas
Língua: da Família Aruák

Atividade predominante: vivem da pesca, caça, roças de milho, batata doce, cará e mandioca. A caça é reduzida a algumas aves comestíveis como jacu, mutum, macuco, e pomba.

Curiosidade: Eles têm o costume de trocar utensílios com os Aweti, com os quais também trocam mulheres.

Pequenos e robustos, os Yawalapiti vivem às margens de uma grande lagoa na Terra Indígena do Parque Xingu, a cerca de cinco quilômetros do Posto Leonardo. Eles têm o costume de trocar utensílios com os Aweti, com os quais também trocam mulheres. Os Yawalapiti aproveitam todos os recursos da região.

Usam fibras de buriti para confeccionar redes e cestos, sapé para cobertura das casas, taquara para flechas, raízes e folhas como remédios. As mulheres cuidam do fornecimento da água para a aldeia, fiam o algodão, tecem as redes e esteiras de espremer mandioca, preparam a pasta do urucum, o óleo de pequi e a tinta de jenipapo usados na ornamentação corporal.

Entre as características comuns aos povos do Xingu estão o rico artesanato com belíssimos colares, cerâmicas e cestarias, a índole pacífica e os traços semelhantes na cultura como pinturas artesanais, corporais e produção alimentar, além de serem excelentes músicos e dançarinos.

Rituais: Como outros povos do Alto Xingu, eles se destacam na demonstração do Huka Hulka, luta corporal masculina praticada desde criança, além da Yamarikumã (lutas femininas).

Fonte: www.arara.fr/www.geocities.com/www.revistadehistoria.com.br

 

 

 

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