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Igreja Católica no Brasil

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Instituição religiosa de grande presença social, política e cultural no Brasil, a Igreja Católica Apostólica Romana chega ao país no descobrimento e lança profundas raízes na sociedade a partir da colonização.

Ordens e congregações religiosas assumem os serviços nas paróquias e dioceses, a educação nos colégios, a evangelização indígena e inserem-se na vida do país.

Igreja Católica no Brasil

Até meados do século XVIII, o Estado controla a atividade eclesiástica na colônia por meio do padroado. Arca com o sustento da Igreja e impede a entrada no país de outros cultos, em troca de reconhecimento e obediência. O Estado nomeia e remunera párocos e bispos e concede licença para construir igrejas.

Confirma e executa as sentenças dos tribunais da Inquisição. Em contrapartida, controla o comportamento do clero, pela Mesa de Consciência e Ordens, órgão auxiliar do Conselho Ultramarino.

Conflitos

Em 1707, com as Constituições Primeiras do Arcebispado da Bahia, elaboradas por bispos em uma reunião em Salvador, a hierarquia da Igreja conquista mais autonomia. As constituições uniformizam o culto, a educação, a formação do clero e a atividade missionária.

Não impedem, porém, o agravamento dos conflitos entre colonos e padres, em torno da escravização dos índios, que desembocam no fechamento da Companhia de Jesus pelo marquês de Pombal em 1759. Nas décadas de 1860 e 1870, a Santa Sé, em Roma, decreta regras mais rígidas de doutrina e culto.

Bispos brasileiros, como o de Belém, dom Macedo Costa, e o de Olinda, dom Vital de Oliveira, acatam as novas diretrizes e expulsam os maçons das irmandades. Isso não é aceito pelo governo, muito ligado à maçonaria, e os bispos são condenados à prisão em 1875.

República leiga

Em 7 de janeiro de 1890, logo após a proclamação da República, é decretada a separação entre Igreja e Estado. A República acaba com o padroado, reconhece o caráter leigo do Estado e garante a liberdade religiosa. Em regime de pluralismo religioso e sem a tutela do Estado, as associações e paróquias passam a editar jornais e revistas para combater a circulação de idéias anarquistas, comunistas e protestantes.

A partir da década de 30, o projeto desenvolvimentista e nacionalista de Getúlio Vargas influencia a Igreja no sentido de valorização da identidade cultural brasileira. Assim, a Igreja expande sua base social para além das elites, abrindo-se para as camadas médias e populares.

A Constituição de 1934 prevê uma colaboração entre Igreja e Estado. São atendidas as reivindicações católicas, como o ensino religioso facultativo na escola pública e a presença do nome de Deus na Constituição. Nessa época, o instrumento de ação política da Igreja é a Liga Eleitoral Católica (LEC), que recomenda os candidatos que se comprometem a defender os interesses do catolicismo.

Contra a ascensão da esquerda, a Igreja apóia a ditadura do Estado Novo em 1937. São do período os Círculos Operários Católicos, favorecidos pelo governo para conter a influência da esquerda.

Em 1952 é criada a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que coordena a ação da Igreja no país. O atual presidente, com mandato até abril de 1999, é o bispo de Pelotas (RS), dom Jayme Henrique Chemello. No final dos anos 50, a Igreja preocupa-se com questões sociais geradas pelo modelo de capitalismo no país, como a fome e o desemprego.

Em 1960, a Juventude Universitária Católica (JUC), influenciada pela Revolução Cubana, declara sua opção pelo socialismo. Pressões de setores conservadores da Igreja levam os militantes da JUC a criar um movimento de esquerda, a Ação Popular (AP). Na época, a Igreja está dividida quanto às propostas de reformas de base do presidente João Goulart.

Com o Regime Militar de 1964 crescem os conflitos entre Igreja e Estado. A partir de 1968, com o Ato Institucional nº 5 (AI-5), há uma ruptura total diante da violenta repressão – prisões, torturas e assassinatos de estudantes, operários e padres e perseguições aos bispos.

Na época, a Igreja atua em setores populares, com as comunidades eclesiais de base. Inspiradas na Teologia da Libertação, elas vinculam o compromisso cristão e a luta por justiça social. Nos anos 70, os abusos contra a ordem jurídica e os direitos humanos levam a Igreja a se engajar na luta pela redemocratização, ao lado de instituições da sociedade civil.

Em oposição à Teologia da Libertação desponta o movimento de Renovação Carismática Católica (RCC), de moral conservadora e rituais semelhantes aos das Igrejas pentecostais.

Fonte: geocities.yahoo.com.br

Igreja Católica no Brasil

A igreja tornou-se poderosa instituição religiosa de grande presença social, política e cultural no Brasil.

A Igreja Católica Apostólica Romana chega ao país no descobrimento e lança profundas raízes na sociedade a partir da colonização.

Além da Igreja Católica, outras ordens e congregações religiosas assumem os serviços nas paróquias e dioceses, a educação nos colégios, a evangelização indígena e se inserem na vida da população.

Após a proclamação da Republica foi decretada a separação entre Igreja e Estado. Foi, assim, reconhecido o caráter laico do Estado e garantida a liberdade Religiosa que temos hoje.

Catolicismo

Sacramentos, Festas religiosas, História e Organização, Os papas, Movimentos teológicos recentes, Teologia da Libertação

O maior ramo do cristianismo e o mais antigo como igreja organizada. O termo católico deriva do grego katholikos, universal. Exprime a idéia de uma igreja que pode levar o evangelho a qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo.

Tem uma rígida hierarquia, centrada na autoridade do papa, que é eleito pelo colegiado superior da Igreja e o representa. A sede da Igreja fica no Vaticano, um pequeno Estado independente no centro de Roma, Itália. Um dos pontos históricos de sua doutrina é a canonização dos cristãos que a Igreja acredita terem sido mártires ou realizado atos milagrosos, reconhecendo-os santos.

Os fiéis católicos veneram os santos como intermediários entre os homens e Deus. Maria, mãe de Jesus Cristo, é considerada a maior intermediária entre os fiéis e seu filho.

Segundo a doutrina da Imaculada Conceição, a mãe de Jesus teria nascido sem pecado e concebido seu filho virgem. E teria ascendido aos céus viva. A veneração aos santos e os dogmas relativos a Maria são dois dos principais pontos que distinguem os católicos dos cristãos protestantes.

Sacramentos

A missa é o principal ato litúrgico católico e seu ponto culminante é a Eucaristia, um dos sete sacramentos da Igreja, momento em que os fiéis ingerem uma hóstia de trigo, embebida ou não em vinho, os quais, de acordo com a liturgia, estão transubstanciados no próprio corpo e no sangue de Jesus Cristo.

Os demais sacramentos são o batismo (ingresso na fé e na comunidade da Igreja com a unção do Espírito Santo, habitualmente no recém-nascido), crisma (confirmação do batismo e da fé), penitência ou confissão, casamento, ordenação e unção dos enfermos. As missas são rezadas em latim até a década de 60, quando o Concílio Vaticano II autoriza o uso da língua de cada país.

Festas religiosas

Além de Natal, Páscoa e Pentecostes – principais festas cristãs, existem outras comemorações de grande importância para os católicos. No Corpus Christi, dez dias após o Pentecostes, os fiéis celebram a presença de Jesus Cristo na eucaristia. Em muitos lugares, procissões de fiéis percorrem ruas decoradas com mosaicos coloridos, retratando temas religiosos.

O Dia de Reis, 6 de janeiro, lembra a visita dos três reis magos (Gaspar, Melchior e Baltasar) ao menino Jesus recém-nascido em Belém, quando o presenteiam com ouro, incenso e mirra, substâncias que representam sua realeza, sua divindade e sua humanidade.

A comemoração do Dia de Nossa Senhora de Aparecida, a santa padroeira do Brasil, é restrita ao país. Em 12 de outubro, feriado nacional, milhares de fiéis se dirigem à Basílica de Nossa Senhora de Aparecida, em Aparecida do Norte (SP), para homenageá-la.

História e Organização

A história do catolicismo está associada à expansão do Império Romano e ao surgimento dos novos reinos em que este se divide. A partir do século XVI, sua difusão se acentua com as grandes navegações, a chegada dos europeus à Ásia e a colonização da América.

Sua administração está estruturada em regiões geográficas autônomas chamadas dioceses, dirigidas por bispos subordinados ao papa. No decorrer de sua história milenar surgem inúmeras ordens religiosas, como a dos Beneditinos e a dos Franciscanos, que possuem mosteiros e conventos, e buscam desenvolver seus carismas, ou seja, os ideais específicos que as animam.

O casamento de sacerdotes é proibido desde a Idade Média na maioria absoluta das ordens, salvo em algumas igrejas orientais unidas a Roma, como a maronita. As mulheres são admitidas no trabalho missionário, em mosteiros, mas não no sacerdócio.

Os papas

Desde a Idade Média os papas são eleitos por um colégio especial de cardeais.

Com o decreto de Gregório X, no início do século XIII, o conclave torna-se uma votação secreta para evitar a interferência de pressões externas. Atualmente existem cerca de 150 cardeais no mundo, dos quais aproximadamente 120 têm direito a votar.

A escolha do novo papa começa com uma missa solene na Basílica de São Pedro. Depois, os cardeais se dirigem à Capela Sistina, onde é realizada a eleição, que pode durar vários dias. Durante esse processo, eles ficam incomunicáveis e são proibidos de deixar o local da votação.

O primeiro pontífice foi o apóstolo Pedro, no século I. Desde então, a Igreja Católica já teve 264 papas, entre eles João XXIII, um dos mais populares de todos os tempos. Seu papado, de 1958 a 1963, inaugura nova era na história do catolicismo, marcada por profunda reforma religiosa e política. João XXIII convoca o Concílio Vaticano II, responsável por mudanças que permitem maior integração da Igreja Católica com o mundo contemporâneo.

Ele busca, também, amenizar a hostilidade no interior do cristianismo, promovendo o diálogo entre suas principais vertentes (catolicismo, protestantismo e Igreja Ortodoxa). No plano político, enfatiza a necessidade de o papa intervir como conciliador em questões internacionais.

No poder desde 1978, o papa atual, o polonês Karol Wojtyla (1920-), adota o nome de João Paulo II. Ele é o primeiro não-italiano a ser eleito para o cargo em 456 anos. Seu papado procura promover o crescimento do catolicismo, ameaçado pela crescente secularização e pela expansão do protestantismo, salientando a identidade católica.

Ele enfatiza o conteúdo moralizante da doutrina, defendendo o celibato clerical e condenando aos fiéis práticas como o divórcio, o uso de métodos artificiais de contracepção e o aborto. Também incentiva o lado místico, expresso pelo apoio à corrente Renovação Carismática, entre outras. Sob sua liderança, a Igreja Católica admite, pela primeira vez, ter cometido erros durante a Inquisição.

Movimentos teológicos recentes

Renovação Carismática Católica – Surge nos Estados Unidos, em meados da década de 60, com o objetivo de reafirmar a presença do Espírito Santo no catolicismo. Preserva as doutrinas básicas e enfatiza a crença no poder do Espírito Santo, que, segundo os carismáticos, realiza milagres, como a cura de fiéis.

Teologia da Libertação – Surgido na década de 60, principalmente na América Latina, o movimento tem um histórico conflituoso com o Vaticano por associar o cristianismo a questões políticas e sociais. Defende a luta por justiça social como um compromisso cristão, admitindo o emprego das teorias marxistas na análise da injustiça das sociedades do terceiro mundo, o que leva a um conflito com setores conservadores da Igreja.

O teólogo brasileiro e ex-frade franciscano Leonardo Boff é um dos formuladores do movimento. Em 1984, é condenado pelo Vaticano ao silêncio por um ano, sendo proibido de se manifestar publicamente como punição pelas idéias contidas no livro Igreja, Carisma e Poder. Em 1992, ao ser sentenciado a novo período de silêncio, Leonardo Boff renuncia ao sacerdócio.

Catolicismo no Brasil

Estrutura da organização, Comunidades Eclesiais de Base, Renovação Carismática Católica (RCC)

Para a Igreja Católica, todos aqueles que receberam o sacramento do batismo são católicos.

Reverenciam a Virgem Maria, considerada a mais importante intermediária entre os fiéis e seu filho, Jesus Cristo, e os santos, mediadores entre o homem e Deus.

A missa é o principal ato litúrgico católico e seu ponto culminante é a Eucaristia. A maioria dos católicos, porém, é de não-praticantes. A pouca adesão às missas de domingo, principalmente nas grandes cidades, é um reflexo desse comportamento. Há, ainda, grandes divergências entre as orientações da Igreja e o pensamento dos fiéis. Segundo a pesquisa “Desafio do catolicismo na cidade”, do Centro de Estatística Religiosa e Investigações Sociais (Ceris), em seis cidades brasileiras (Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Porto Alegre, Belo Horizonte e Recife), 73,2% dos católicos são favoráveis aos métodos contraceptivos, 59,4% ao divórcio, 62,7% ao segundo casamento e 43,6% ao sexo antes do casamento, todos proibidos oficialmente pela Igreja. Todavia, 84,3% dos fiéis confiam na instituição e 81,5% confiam no papa. Dos 124,9 milhões de adeptos em 2002, 18% participam de grupos formados por leigos (não-religiosos), como o movimento da Renovação Carismática e as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs).

Estrutura da organização

A Igreja Católica experimenta rápida ascensão em número de administrações eclesiásticas durante a primeira metade do século XX.

As dioceses, que em 1900 eram 19, passam a ser 114 em 1940. Apesar de menos acelerado, o crescimento continua no fim do século XX. Em 1980, as dioceses eram 162, em 2000, passam para 268. Em 2002, de acordo com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Igreja Católica, no país, conta com seis cardeais, 61 arcebispos (42 na ativa e 19 eméritos), 197 bispos e mais 71 membros, entre abades, coadjutores e bispos auxiliares. Há, ainda, 17 mil padres e 35 mil freiras. Em todo o Brasil, a Igreja organiza-se em 270 dioceses e 8,9 mil paróquias. No dia 19 de maio de 2002, o papa João Paulo II canoniza madre Paulina do Coração Agonizante de Jesus, a primeira santa brasileira. Nascida na Itália, madre Paulina veio para o Brasil com 10 anos de idade, em 1875.

Morreu em 1942, em São Paulo. O Vaticano reconhece dois dos inúmeros milagres atribuídos à madre.

Comunidades Eclesiais de Base

Grupos formados por leigos que se multiplicam pelo país após a década de 1960, sob a influência da Teologia da Libertação.

Curiosamente, as CEBs foram idealizadas pelo cardeal-arcebispo do Rio de Janeiro dom Eugênio Sales, integrante da corrente católica mais conservadora. Com o decorrer do tempo, as CEBs vinculam o compromisso cristão à luta por justiça social e participam ativamente da vida política do país, associadas a movimentos de reivindicação social e a partidos políticos de esquerda. Um dos principais teóricos do movimento é o ex-frade brasileiro Leonardo Boff. Apesar de entrarem em declínio nos anos 1990, continuam mantendo milhares de núcleos em todo o país.

Em 2000, de acordo com pesquisa do Instituto Superior de Estudos da Religião (Iser), havia cerca de 70 mil núcleos de Comunidades Eclesiais de Base no Brasil.

Renovação Carismática Católica (RCC)

De origem norte-americana, o movimento carismático chega ao Brasil em 1968, pelas mãos do padre jesuíta Haroldo Rahn. Esse movimento retoma valores e conceitos esquecidos pelo racionalismo social da Teologia da Libertação. Os fiéis resgatam práticas como a reza do terço, a devoção a Maria e as canções carregadas de emoção e louvor.

A RCC valoriza a ação do Espírito Santo, um dos elementos da Santíssima Trindade, o que aproxima o movimento, de certo modo, dos protestantes pentecostais e dos neopentecostais. Os carismáticos têm mais força no interior e entre a classe média.

Em 2000, segundo estudo do Instituto Superior de Estudos das Religiões (Iser), a RCC somava 8 milhões de simpatizantes, representados em 95% das dioceses, na forma de grupos de oração. Desse total, 2 milhões são jovens entre 15 e 29 anos, atraídos pela proposta renovadora e alegre, embalada pelas canções de padres-cantores, como Marcelo Rossi, religioso paulistano que se torna fenômeno de mídia em 1998 com o lançamento do CD Músicas para Louvar o Senhor.

A Igreja Católica no Brasil

A influência do catolicismo no Brasil é forte desde a chegada dos portugueses. No período colonial, ordens e congregações religiosas assumem os serviços nas paróquias e nas dioceses, a educação nos colégios e a catequização indígena. Até meados do século XVIII, o Estado controla a atividade eclesiástica na colônia, responsabiliza-se pelo sustento da Igreja Católica e impede a entrada de outros cultos no Brasil, em troca de reconhecimento e obediência.

Em 1750, o agravamento dos conflitos entre colonos e padres por causa das tentativas de escravização dos índios leva à expulsão dos jesuítas pelo marquês de Pombal nove anos depois. No entanto, só em 1890, após a proclamação da República, ocorre a separação entre a Igreja e o Estado e fica garantida a liberdade religiosa.

A partir da década de 1930, o projeto desenvolvimentista e nacionalista de Getúlio Vargas incentiva a Igreja a valorizar a identidade cultural brasileira, o que resulta na expansão de sua base social para as classes médias e as camadas populares. A instituição apóia a ditadura do Estado Novo, em 1937, a fim de barrar a ascensão da esquerda.

Em 1952 cria-se a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a primeira agremiação episcopal desse tipo no mundo, idealizada por dom Hélder Câmara, para coordenar a ação da Igreja. No fim dos anos 1950, a preocupação com as questões sociais fortalece movimentos de caráter fortemente político, como a Juventude Universitária Católica (JUC). Desse movimento sai, em 1962, a organização socialista Ação Popular (AP).

Crise da Igreja contra o Estado

Durante a década de 1960, a Igreja Católica, influenciada pela Teologia da Libertação, movimento formado por religiosos e leigos que interpreta o Evangelho sob o prisma das questões sociais, atua em setores populares, principalmente por meio das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). A instalação do regime militar de 1964 inaugura a fase de conflitos entre a Igreja e o Estado.

O auge da crise se dá em 1968, com a implantação do Ato Institucional Nº- 5 (AI-5), quando grande número de católicos se alia aos grupos oposicionistas, de esquerda, para lutar contra a repressão e os abusos que violam a ordem jurídica e os direitos humanos. A ação é intensa nos anos 1970.

Romanização

A partir dos anos 1980, com o papa João Paulo II, começa na Igreja o processo da romanização. O Vaticano controla a atividade e o currículo de seminários e diminui o poder de algumas dioceses, como a de São Paulo – comandada na época pelo cardeal-arcebispo dom Paulo Evaristo Arns, afinado com os propósitos da Teologia da Libertação, que a Santa Sé pretende refrear.

Após o engajamento da Igreja na luta pela redemocratização, nos anos 1970 e 1980, os movimentos mais ligados à Teologia da Libertação cedem espaço, a partir da década de 1980, à proposta conservadora da Renovação Carismática.

Fonte: arqueoparque.com/Almanaque Abril

Igreja Católica no Brasil

A Igreja Católica e seu papel político no Brasil

Introdução

Este yexto analisa alguns dos componentes políticos da atuação da Igreja Católica Apostólica Romana no Brasil, doravante aqui chamada de Igreja, diante do Estado e da realidade social, econômica, política e cultural do país.

O estudo do papel da Igreja diante da política e das relações Igreja/Estado na América Latina tem sido uma constante nas Ciências Sociais, de modo particular nas áreas de História, Sociologia e Ciência Política.

Em um ensaio escrito em 1970, -“Igreja – Estado: o Catolicismo brasileiro em época de transição”, Bruneau destaca a influência de fatores políticos na transformação institucional da Igreja no Brasil. Os intercâmbios entre o Catolicismo e a sociedade, no Brasil, no pós-Segunda Guerra, é analisado por Della Cava, que prioriza a interação da Igreja com a sociedade civil durante o regime de 1964 e o processo de abertura.

Dedica especial atenção ao papel das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) como sendo o alicerce do processo de mudanças no papel sociopolítico da Igreja.

O conflito com o poder político, sobretudo a partir dos anos de 1950, com auge durante a ditadura, em 1964-1985, teria provocado uma progressiva desintegração institucional da Igreja, que, desde então, tem procurado ampliar a sua influência no país.

Löwy, por sua vez, parte da premissa de que, após ter sido, durante séculos, a guardiã mais fiel dos princípios de autoridade, de ordem e de hierarquia, a Igreja – ou uma parte dela – tornou-se, quase sem transição, uma força social crítica, um pólo de oposição aos regimes autoritários e um poder contestador da ordem estabelecida.

Esse papel ganhou destaque nas décadas de 1970 e 1980 no confronto entre a instituição católica e alguns Estados governados por ditaduras militares, favorecendo a crise de legitimidade desses regimes.

Klaiber, ao analisar a relação entre a Igreja, as ditaduras e a democracia, na América Latina, enfatiza o papel mediador e pacificador da Igreja diante dos conflitos políticos, sobrepondo-se ao papel mais “subversivo” dos religiosos e dos leigos empenhados nas lutas sociais; aponta também as contradições, no interior da Igreja, entre tradicionalistas e progressistas, no contexto da administração de João Paulo II.

Apresenta a hipótese de que o papel de vanguarda assumido pela Igreja no Brasil, representado pela CNBB, deve-se à ausência de um grande partido democrático cristão, papel esse que teria sido assumido pelos movimentos católicos leigos.

A continuidade da atuação da Igreja na cena política, depois da queda dos regimes autoritários e na etapa de transição para a democracia é o tema de Smith e Prokopy e outros autores; essa presença é marcada pela intervenção no debate político em torno de três temas: a defesa da justiça social, com a conseqüente crítica às políticas consideradas neoliberais, de desregulamentação dos mercados e de redução dos gastos sociais, aumentando o processo de empobrecimento da maioria dos latino-americanos; a defesa da moral sexual tradicional e a legitimação política e institucional do Catolicismo, diante do Estado, à luz da concorrência das igrejas evangélicas, sobretudo as pentecostais.

Para esses autores, a influência da Igreja sobre as elites e os governos é menos eficaz no primeiro ponto e mais eficaz nos dois últimos; diante da população mais pobre, o tema da justiça social é mais bem aceito que os temas de caráter moral e ético.

Os paradigmas teóricos no estudo da religião e da política são aprofundados por Cleary ao analisar os processos de mudanças na Igreja latino-americana. Estes paradigmas são a teoria da modernização/secularização, a teoria do sistema-mundo e a teoria crítica.

A primeira delas teria predominado sobre as demais, nos estudos a respeito desse tema. A religião torna-se, cada vez mais, um espaço separado da política e centrado em sua própria esfera de atuação. Nessa mesma linha, Bidegaín afirma que, desde os anos de 1950, as análises das Ciências Sociais foram dominadas, primeiro, pelos paradigmas da modernização, do desenvolvimento, do subdesenvolvimento e da dependência e pelas teorias marxistas e neomarxistas e que, em geral, a religião e outros fenômenos culturais foram negados como epifenômenos; foram vistos como vestígios remanescentes de tradições que, inevitável e invariavelmente, declinariam, em seu significado, no processo de modernização.

Destaca que a presença da religião no cenário político tornou-se ainda mais importante durante a guerra fria, despertando o interesse de scholars diante dos fenômenos religiosos e, particularmente, diante do Catolicismo progressista e da emergente Teologia da Libertação; passaram também a se interessar pelo tema da religiosidade popular.

Para essa autora, a Igreja desempenha um papel destacado diante das crises econômicas e políticas da América Latina e o processo de globalização vem transformando a religião, facilitando uma recomposição do Catolicismo, já que um Estado enfraquecido necessita da presença crescente das organizações religiosas nas políticas públicas.

Diversos outros autores têm se dedicado a pesquisas sobre as relações Igreja/ Estado, durante os regimes ditatoriais. É o caso, por exemplo, de Serbin, que, em seu “Secret Dialogues”, detalha o funcionamento da diplomacia silenciosa implementada pela Igreja junto aos militares brasileiros, com vistas ao reforço do processo de transição para a democracia.

Uma outra hipótese sua é a de que a Igreja no Brasil adquiriu prestígio e poder ao ajudar o país a voltar à democracia, em 1985, e que, agora, ela enfrenta um desafio mais difícil e complexo, ao tentar manter sua influência numa sociedade cada vez mais pluralista, também caracterizada pela competição religiosa, dentro de um cenário democrático.

Quanto ao papel político da hierarquia católica, Rémy preocupa-se em explicar o que chama de lógicas de ação, ou seja, os comportamentos recorrentes, cuja coerência é verificável ex-post, sem que resulte de estratégias conscientes, por meio das quais o ator teria elaborado seus comportamentos a priori.

Seu estudo tenta compreender como a hierarquia, a começar pelo Papa, busca tornar-se um ator pertinente no cenário político e social; sua hipótese é a de que a hierarquia da Igreja apóia-se, nesse sentido, mais sobre sua autoridade simbólica e menos sobre sua autoridade disciplinar.

Nesta perspectiva, é levada a considerar três elementos do contexto histórico: a crescente importância da sociedade civil diante da esfera política; a secularização e a crise das utopias nacionais. Levine, Mainwaring e Wilde, por sua vez, afirmam que a Igreja latino-americana não é monolítica e que a hierarquia católica toma suas decisões, internas e externas, de acordo com seu contexto nacional específico.

Esse contexto inclui realidades diversificadas, tais como os sistemas políticos, a natureza dos problemas sociais, econômicos e políticos e a viabilidade dos recursos humanos e materiais da Igreja. De certo modo, essas diversas abordagens encontram eco e respaldo nas análises da CNBB.

A relação entre religião e política, afirma essa a Conferência, sempre foi difícil para a Igreja. Essa relação torna-se hoje mais complicada, devido ao deslocamento da experiência religiosa para o indivíduo, sem a mediação das instituições, dentro da lógica da valorização da subjetividade.

As religiões que tiveram a capacidade de reger a vida social, hoje são apenas uma das possíveis fontes de sentido para o mundo e a pessoa. A modernidade obriga, pois, as Igrejas a renunciarem a qualquer pretensão de impor à sociedade seus princípios e normas.

Além do notável crescimento, no Brasil, do número de pessoas que declaram não ter religião, o Censo de 2000 mostra o crescimento da população evangélica, que chega hoje a 15,4% do total. Na condição de religião majoritária, a Igreja Católica tem tido dificuldade em acertar o passo, diante desse novo quadro religioso, cultural e político.

Um papel historicamente construído

As análises de conjuntura refletem, também, a autoconsciência histórica da Igreja no Brasil. A legitimidade religiosa e política da Igreja no Brasil é o resultado de um longo processo, que acompanha a própria história do Brasil, desde 1500.

O poder estabelecido, no período colonial, promoveu um modelo de Catolicismo, conhecido como Cristandade. Nele, a Igreja era uma instituição subordinada ao Estado e a religião oficial funcionava como instrumento de dominação social, política e cultural. A crise desse modelo é iniciada, simbolicamente, em 1759, com a expulsão dos jesuítas e com a progressiva hegemonia da nova mentalidade racionalista e iluminista.

No segundo reinado, em 1840, começa um novo período na história da Igreja no Brasil, conhecido como romanização do Catolicismo, voltado à colocação da Igreja sob as ordens diretas do Papa e não mais como uma instituição vinculada à Coroa luso-brasileira.

Esse novo período inclui três fases: a da reforma católica, a da reorganização eclesiástica e a da restauração católica. Na primeira, os bispos reformadores preocupam-se em imprimir ao Catolicismo brasileiro a disciplina do Catolicismo romano, investindo principalmente na formação do clero; a segunda é marcada, na Igreja, pela nova experiência institucional, resultante da sua separação do Estado com a proclamação da República; a terceira, também conhecida como NeoCristandade, inicia-se em 1922, no centenário da Independência e nela, a Igreja opta por atuar, com toda visibilidade possível, na arena política.

Essa opção implica a colaboração com o Estado, em termos de parceria e de garantia do status quo. Nesse sentido, a Igreja mobiliza seus intelectuais, por meio, entre outras organizações, do Centro D. Vital e o cardeal D. Sebastião Leme funda, no Rio de Janeiro, a Liga Eleitoral Católica. A Constituição de 1934 registra alguns resultados dessa ofensiva, tal como a instituição do ensino religioso nas escolas públicas, a presença de capelães militares nas Forças Armadas e a subvenção estatal para as atividades assistenciais ligadas à Igreja.

O processo de mudança de paradigmas na Igreja ganha força a partir dos anos de 1960, sob a influência do Concílio Vaticano II. Nas décadas de 1950 a 1960, a Igreja no Brasil prioriza a questão do desenvolvimento. Ao contrário da posição adotada diante do regime do Estado Novo, de Getúlio Vargas, em que a Igreja assumiu uma posição conciliatória diante do regime de exceção, a CNBB desempenha um papel chave na articulação da sociedade civil, em defesa dos direitos humanos, das liberdades democráticas, da reforma agrária, dos direitos dos trabalhadores e da redemocratização. Durante o Vaticano II, em 1964, a Assembléia Geral da CNBB, realizada em Roma, decide assumir o Planejamento Pastoral como seu instrumento metodológico de renovação (denominado, na época, aggiornamento).

Esse processo concretiza-se, no país, por meio do Plano de Pastoral de Conjunto (PPC), fundamentado, por sua vez, na atuação da Ação Católica e na experiência da CNBB, fundada, em 1952, por iniciativa de D. Hélder Câmara. Em todo esse processo, a Igreja tenta integrar-se, cada vez mais, à sociedade civil e aos movimentos sociais.

O principal reforço institucional, nessa direção, provém das Conferências Episcopais Latino-Americanas, realizadas em Medellín, Colômbia, em 1968; em Puebla, México em 1979 e em Santo Domingo, República Dominicana, em 1982. A prática gerada por esse processo leva a Igreja a direcionar a sua atuação, na sociedade brasileira, a partir da situação dos pobres e dos excluídos.

No início dos anos de 1970, nesta perspectiva, a Igreja concentra sua atuação nas áreas econômica e política, em dois focos: no modelo econômico vigente, que considera elitista e concentrador de rendas e no regime de exceção, diante do qual compromete-se a lutar para o restabelecimento da ordem democrática.

Um marco simbólico, nesse sentido, é a publicação, em 1973, de três documentos episcopais: “Ouvi os clamores de meu povo”, “Documento do Centro-Oeste”, e “Y-Juca-Pirama” – o índio, aquele que deve morrer. A eleição de João Paulo II, em 1978, muda o cenário político da Igreja em todo o mundo, particularmente na América Latina, berço da Teologia da Libertação, a partir do final dos anos de 1960. No entanto, no Brasil, a CNBB mantém sua linha de trabalho e intervém, como ator sociopolítico, diante dos problemas nacionais.

Um exemplo disso é a publicação de mais três documentos: “Exigências cristãs de uma ordem política”, “Igreja e problemas da terra” e “Solo urbano e ação pastoral”. Participa, também, intensamente, sobretudo no fim dos anos de 1970, do processo de transição para a democracia. Neste contexto, a Igreja atua, simultaneamente, como um ator da sociedade civil e da sociedade política, no processo de pressão e de negociação com a arena estatal com vistas ao restabelecimento da plenitude democrática (Stepan, 1987). Um dos principais campos do engajamento social e político da Igreja é o da defesa e promoção dos direitos humanos, e, nessa área, a Igreja, pouco a pouco, vai cedendo parte do seu protagonismo para as entidades da sociedade civil organizada. Dentro da mesma dinâmica, a Igreja participa do processo constituinte, entre 1986 e 1988, e se mobiliza em favor de emendas populares à Constituição, com ênfase para a ética na política e para a implementação de políticas sociais, como condição sine qua non para a estabilidade democrática.

Mudanças no cenário religioso

A Igreja continua sendo a instituição mais confiável para a maioria dos latino-americanos (72%), seguida da televisão (49%) e das Forças Armadas (38%), enquanto somente 24% confiam no Congresso e 21% nos partidos políticos, de acordo com pesquisa, por amostragem, realizada, no segundo semestre de 2001, pela Ong chilena Corporación Latinobarometro, especializada em pesquisas sociais de âmbito continental. No universo pesquisado, de 18.135 pessoas, em dezessete países, apenas 48% dos entrevistados disseram-se satisfeitos com os resultados da democracia, enquanto 51% afirmaram considerar o desenvolvimento econômico como o mais importante que o regime democrático; uma pesquisa semelhante, realizada na Europa Ocidental, revelou que 78% dos cidadãos apóiam a democracia e 53% estão satisfeitos com seus resultados. Na pesquisa referente a 2002, a Latinobarometro registrou um crescimento, para 56%, no apoio dos cidadãos à democracia. Paralelamente, outro fenômeno tem levado a Igreja a rever suas estratégias de atuação religiosa, com conseqüências políticas. Trata-se da mudança do perfil religioso da sociedade brasileira, sobretudo nos últimos trinta anos, dentro de um processo denominado de “pentecostalização brasileira” (Carranza, 2002). De acordo com o IBGE, em 1950, 93,5% da população brasileira declararam-se católicos apostólicos romanos, 3,4%, evangélicos; 1,6% mediúnicos/espiritualistas e 0,8%, de outras religiões, com o mesmo percentual para os sem religião e sem declaração. Vinte anos depois, em 1970, 91,8% disseram-se católicos; 5,2% evangélicos; 1,6% mediúnicos/espiritualistas; 1,0% de outras religiões e 0,8% sem religião e sem declaração. Em 1980, o percentual de católicos caiu para 88,9%; o de evangélicos cresceu para 6,7%; e o de mediúnicos/espiritualistas diminuiu para 1,3%; de outras religiões passou para 1,2% e o dos sem religião para 1,9%. Em 1991, a população católica caiu para 83,0%; a evangélica subiu para 10,0%; e a mediúnica/espiritualistas 1,5%; as outras religiões, diminuíram para 0,4%; e os sem religião para 4,7% e os sem declaração, para 0,4%. Em 2000, declararam-se católicos 73%; evangélicos, 15,4%; mediúnicos/espiritualistas 1,7%; de outras religiões, 1,6%; sem religião, 7,3% e sem declaração, 0,4%. Esses dados do Censo Demográfico definem a identidade religiosa dos declarantes, mas não a sua prática e nem mesmo a sua pertença a uma determinada igreja ou tradição religiosa. Com a modernização da sociedade, sobretudo nas cidades, onde vive a grande maioria da população, a identidade nacional foi separada da identidade católica; desse modo, muitas pessoas, embora batizadas na Igreja, podem declarar-se não católicas, sem se sentirem discriminadas. A relativa queda do percentual de mediúnicos/espiritualistas seria, por sua vez, causada pelo seu sincretismo com o catolicismo. O Estado com a maior perda de católicos e com maior aumento da população autodeclarada sem religião é o Rio de Janeiro; enquanto o Estado com maiores índices de identificação com o Catolicismo são o Piauí, o Ceará, a Paraíba, Alagoas e o Maranhão. Nesse contexto, de acordo com a análise de maio de 2002, os dados mostram que o Brasil continua sendo majoritariamente cristão (católico e evangélico). A novidade é que cresceu em 1,9% para 7,3%, nos últimos vinte anos, o número de brasileiros que se declaram sem religião. Quais os reflexos dessas mudanças na atuação sociopolítica da Igreja? Em primeiro lugar, consolida-se o caráter pluralista e heterogêneo da sociedade brasileira, em que coexistem e convivem pelo menos, 1.200 religiões, de acordo com o IBGE, conforme o Censo de 2000; em segundo lugar; o segmento evangélico, sobretudo o pentecostal, ganha espaço, principalmente no Poder Legislativo, às vezes somando-se e às vezes se separando dos parlamentares da bancada católica. As bancadas evangélica e católica costumam votar juntas em projetos que envolvem questões morais (aborto e casamento de homossexuais, entre outros) e em algumas matérias sociais (saúde, educação, trabalho, moradia, assistência social e em outras que não envolvam interesses específicos de cada igreja).

A CNBB e alguns temas da realidade brasileira

A essência da democracia, de acordo com a CNBB, baseia-se em dois pressupostos: em uma certa homogeneidade social, caracterizada pela inexistência de abismos muito grandes entre as classes sociais; e em um sistema econômico capaz de dar respostas positivas às reivindicações das várias classes, ainda que tais respostas sejam graduais. Para que a democracia funcione, é indispensável que todas as classes sociais disponham de algum recurso de poder, uma vez que “só o poder controla o poder”. Deste modo, será possível atenuar os choques entre os vários segmentos da sociedade, permitindo que grupos sociais, com interesses conflitantes, convivam pacificamente, em um mesmo espaço territorial. Uma autêntica democracia só é possível no Estado de Direito, com base no conceito de pessoa humana. Numa democracia real, os cidadãos são sempre os principais controladores das ações governamentais. É difícil e penosa a construção da democracia real.

Todos são atores importantes e não podem estar à margem. A Igreja considera que, para consolidar a democracia representativa, garantindo a governabilidade, é preciso verificar também a composição do Congresso Nacional e as alianças que permitam concretizar os projetos governamentais. O pensamento político da Igreja é refletido, também, no texto-base da Campanha da Fraternidade de 1996 da CNBB, sobre o tema “Fraternidade e Política”. Nesse documento, é reafirmada e aplicada ao contexto contemporâneo do Brasil a Doutrina Social da Igreja sobre a política. Essa atividade é definida como “uma mediação social necessária para promover o bem comum”. Partindo da concepção aristotélica de que a pessoa humana é, por natureza, um ser político, a CNBB afirma que toda ação ou omissão é uma atitude política e que dela depende a vida dos cidadãos.

Apresenta, depois, seu conceito de Política, definida como:

o conjunto de ações pelos quais os homens e mulheres buscam uma forma de convivência entre os indivíduos, grupos e nações, que ofereça condições para a realização do bem comum. Do ponto de vista dos meios ou da organização, a política é o exercício do poder e a luta para conquistá-lo.

O texto distingue os conceitos de ação política (“que é o conjunto de atos humanos que possui dimensão pública e que se relaciona com as estruturas de poder de uma sociedade”) e de política partidária (“um tipo de ação política específica mediante a qual pessoas e grupos sociais, organizadas em partidos políticos, constroem e defendem projetos para a gestão do Estado e para a organização da sociedade, propondo-se, também, a representar o interesse de diversos grupos e classes, candidatando-se a ser eleitos, pelo voto, para funções legislativas e executivas”). A dimensão político-partidária da ação política é considerada imprescindível, embora tenha limitações e deva ser complementada por outras dimensões sociais, sobretudo as relativas à sociedade civil. Embora as atuais democracias baseiem-se na ação política partidária (sua supressão levaria ao autoritarismo ou totalitarismo), o aperfeiçoamento dos processos democráticos pode levar a que seja modificada, tal como é conhecida hoje, por meio de uma reforma partidária. A Igreja conceitua também cultura política como o “conjunto de convicções e atitudes, normas éticas e opções referentes ao fenômeno político, compartilhadas pelos membros de uma determinada sociedade”. A cultura política brasileira é caracterizada pelo desconhecimento do dever cívico de participar da política; pela falta de informação adequada sobre o objeto da política e sobre os aspectos básicos do processo político; distingue, também, entre a cultura política das elites econômicas e políticas, da classe média e das classes empobrecidas. A primeira’é definida como cínico-realista; a segunda é marcada pelo não comprometimento pessoal, pela ânsia de copiar padrões de consumo das elites e pelo temor obsessivo do empobrecimento, assim como pelo voto majoritário nos partidos da ordem.

A terceira inclui três subconjuntos: setores politicamente engajados, setores populares de tradição religiosa e setores desorganizados. A política brasileira caracteriza-se, também, pelo clientelismo, fisiologismo, paternalismo e nepotismo, que expressam as relações entre a elite e a massa. Fundamental é a distinção entre a Política como organização da sociedade e a política partidária. É essencial submeter a política e a economia à ética e essa ética deve ser a da solidariedade. A dissociação entre ética e política causa um forte impacto na consciência da população e pode abalar os fundamentos da sociedade. Alegando que a “ética de resultados” é incompatível com a “ética de princípios” a racionalidade meios-fins tem sido tomada como norma de exercício do poder em nome da governabilidade. Outra questão bastante sensível para a opinião pública é a da impunidade, particularmente aquela que salvaguarda os de “colarinho branco”.

Constata-se uma “grave perda” na “densidade ética” do governo. A análise observa, porém, que, apesar dessa perda de “densidade ética” nos diversos setores da sociedade e da cultura brasileira, particularmente na cultura política, verifica-se, também, o ressurgimento da ética na política, a partir da sociedade civil.

O sistema partidário brasileiro é precário e falta coerência entre a atuação dos partidos em nível local e nacional; sob esse’ângulo de análise, os partidos brasileiros classificam-se em dois grandes grupos: os partidos da ordem estabelecida e os da transformação estrutural. Os primeiros não educam, não mobilizam, nem consultam seus eleitores e atuam, quase somente, nos períodos eleitorais; os segundos dependiam, até recentemente, de dogmatismos de uma vertente autoritária do socialismo e ainda não produziram métodos adequados de educação política e de organização das massas populares. A globalização da economia é o fenômeno mais importante no cenário internacional e leva a crescentes desequilíbrios. Esse processo é marcado por contradições.

Um trunfo da política econômica do governo é a estabilidade da moeda, mas a Igreja identifica três situações que considera preocupantes: o desequilíbrio fiscal, o déficit da conta corrente e da balança de pagamentos e o desemprego em função do desequilíbrio macro-econômico. Destaca que a falta de um projeto nacional (com o qual a estabilidade econômica não pode ser confundida) agrava essa situação. A desigualdade social e sua cristalização representam o problema mais grave do país. Nenhum dos planos de estabilização da economia foi suficientemente forte para, desde a sua concepção, tomar medidas políticas para a efetiva e prioritária redistribuição da renda. O público e o social ainda carecem de decisões mais firmes e corajosas.

A Igreja e o governo Lula

Num primeiro momento, a vitória de Lula e os demais resultados das eleições das últimas eleições gerais são vistos como uma “virada na história política e social do Brasil”, destacando-se a opção à esquerda e o papel dos movimentos sociais nesse processo. Contudo, seria incorreto, conforme a análise, interpretar a votação dos partidos de oposição como uma “explícita adesão” aos projetos que eles representam, embora eles manifestem o “desejo de mudança”. O papel da Igreja, nesta dinâmica sociopolítica, tem sido o de parceira e, também, de “parteira” de vários movimentos sociais. Essa mensagem foi transmitida diretamente ao presidente Lula nas visitas que fez à sede da CNBB em Brasília, ainda antes de sua posse, e à Assembléia Geral dessa entidade no dia 1º de maio no Mosteiro de Itaici, em Indaiatuba (SP). Nos cinqüenta anos da CNBB, essa foi a primeira vez em que um Presidente da República encontrou-se com a absoluta maioria do episcopado (305 cardeais, arcebispos e bispos de todo o país, além do Núncio Apostólico, embaixador do Papa no Brasil, D. Lorenzo Baldessari). No encontro reservado com os bispos, Lula ouviu, primeiro, discurso do então presidente da CNBB, D. Jaime Chemello, que destacou a “legítima autonomia da autoridade civil” e a decisão da Igreja de colaborar com o governo “de forma crítica e livre, em defesa da vida, da família e da justiça social”. Depois, o Presidente fez o seu discurso, durante uma hora e meia, em que relembrou sua história de vida e em que pediu a colaboração da Igreja para seu mandato. Citou como preocupante a desagregação da juventude e da família. Logo depois, Lula passou a palavra a seus ministros, que resumiram as prioridades de suas pastas. Durante os debates, dez bispos pediram a atenção governamental prioritária para as questões da reforma agrária, da violência urbana, do narcotráfico, da integração nacional, das comunidades indígenas, da Amazônia e do Nordeste e dos direitos humanos. Lula ouviu dos bispos a opinião de que o rumo do seu governo depende da adesão da grande massa popular à sua proposta, ou seja, daquela massa que nunca foi organizada nem politizada, que é desprezada e se despreza a si mesma, que só tem uma consciência política imediata. A eleição foi um passo importante no processo, mas sem a efetiva participação popular não se constitui um povo, no sentido de conjunto de cidadãos e cidadãs.

O encaminhamento político das reformas pode indicar os rumos governamentais no atendimento das necessidades dos setores excluídos: a reforma agrária tem, do governo Lula, uma “sinalização positiva”, mas ainda não apresentou resultados palpáveis, talvez porque a complexidade dos problemas exija mais tempo. Retomar o crescimento econômico e sair da estagnação é condição necessária (embora não suficiente) para uma efetiva mudança social. Mas, diante da ameaça da inflação que desarticularia a economia e traria a ingovernabilidade, o governo dá prioridade à neutralização daquela ameaça e à conquista da confiança do mercado. Terá o atual governo – pergunta a Igreja – força para operar verdadeira mudança social, ou mais uma vez, o clamor popular por reformas estruturais será abafado por políticas compensatórias? O governo Lula tem-se orientado, questiona a CNBB, mais pela bússola dos indicadores financeiros (que vão bem), do que pelos indicadores sociais (que vão mal).

Conclusões

A análise do papel político da Igreja e da CNBB aponta, em primeiro lugar, para a complexidade da Igreja como instituição dotada de poder tradicional e, ao mesmo tempo, carismático, no sentido weberiano desses tipos ideais. Embora se constitua em fator de poder, a Igreja, diferentemente do passado, não busca exercê-lo de forma direta. E, mesmo que o buscasse, possivelmente não conseguiria, diante da consolidação do processo democrático e do pluralismo religioso, no conjunto da sociedade. Age, porém, de modo a influir na política e nas políticas, com base em sua mensagem religiosa e sociopolítica. Em segundo lugar, esse papel é resultante de todo um processo ideológico e histórico de construção de uma identidade específica e própria da Igreja, no Brasil e na América Latina. É oportuno destacar que a América Latina foi o primeiro continente a se mobilizar para a implementação das reformas eclesiais aprovadas pelo Concílio Vaticano II e que, neste início de século XXI, o continente latino-americano abriga o maior número de católicos no mundo. Embora a direção central do Catolicismo continue na Europa, a Igreja, já há muito tempo, deixou de ser eurocêntrica, pelo menos no ponto de vista sociológico e político. Por outra parte, registra-se o compromisso da Igreja no Brasil com a democracia e com o Estado de Direito e sua opção de apoiar um modelo democrático, politicamente soberano e participativo, economicamente inclusivo e socialmente justo.

Dermi Azevedo

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Fonte: www.scielo.br

Igreja Católica no Brasil

A INFLUÊNCIA DA IGREJA NA SEGURANÇA PÚBLICA

1 INTRODUÇÃO

A sociedade amazonense vive nos dias atuais uma transformação que vem se mostrando positiva, no que diz à segurança pública. O programa Ronda no Bairro tem se mostrado eficiente na prevenção de delitos, fazendo baixar os índices de criminalidade outrora encontrados. Ainda que seja reforçado o policiamento no Estado do Amazonas, se não houver mecanismos que auxiliem na formação do caráter do ser humano, a tendência é que tanto a sociedade quanto as próprias instituições que se destinam a garantir a paz social se corrompam. Seguindo tal raciocínio, percebemos que algumas instituições, historicamente, realizam ações que acabam por auxiliar os órgãos de segurança pública na prevenção de crimes, sendo uma dessas instituições a igreja, que possui uma série de valores morais que através da religiosidade são incutidos naqueles que se dispõe a segui-las.

Para realizar a pesquisa acerca do papel social da igreja e de sua contribuição para a segurança pública, a equipe irá realizar pesquisa bibliográfica a respeito do histórico dessas instituições bem como entrevistas com os líderes de determinadas igrejas a fim de descobrir quais os tipos de ações que são desenvolvidas por suas igrejas visando alcançar crianças, fase fundamental para que se aprendam os valores morais da religião, e adultos, com finalidade de recuperar e dar uma nova chance àqueles que tenham transgredido. Tomaremos como base a religião cristã, apesar de não ser a religião oficial de nosso país, que é um Estado laico, pode ser considerada a principal, pois esta é a crença adotada pela maior parte da população.

2 A IGREJA E A SEGURANÇA PÚBLICA

Ao investigar a instituição Igreja, após o surgimento do Cristianismo, constatamos que seu maior fortalecimento ocorreu no século I ao VII. A partir de um breve estudo histórico, primeiramente sobre a gênese da instituição Estado, onde os proprietários de terras eram os detentores do poder político estatal atribuído aos nobres.

Com a criação do Estado Moderno e Contemporâneo teve por finalidade estabelecer o bem estar social, o bem público. Um modelo que estar em crise, durante sua adaptação- a Globalização. Nesta esteira, averiguamos também a forte influência da instituição Igreja no Brasil, e a sua vinculação com o Estado. Condição esta, evidenciada pelos fatos que influenciaram ou influenciam as ações pertinentes ao serviço de segurança pública que, em tese, deveria se manter neutro em relação às questões religiosas.

O Estado sempre aparece como uma unidade geral, não admitindo qualquer divisão interior, territorial e de funções. Um marco que concebeu o conceito de Estado Teocrático, enquanto justaposta com a sua religiosidade. Antigamente a Religião e o Estado formavam uma instituição homogênea, haja vista, o faraó egípcio, antes de ser chefe de Estado era cultuado como uma divindade.

A Igreja ou Crença Religiosa dominava o Estado, pois ela escolhia os seus representantes. Uma estrutura validada até o momento em que eclodiu a Revolução Francesa, no século XVIII. Um momento da história que apresentava várias demonstrações de descristianização, em prol da razão. Em conseqüência, o homem passou a utilizar-se da ciência para obtenção de suas respostas.

Historicamente, o Estado surge no momento em que os conflitos sociais colocam em risco a sociedade e expõem ao perigo os meios de produção, fazendo predominar os interesses da classe social dominante, como: os interesses da monarquia, da nobreza, do clero e da burguesia.

Os dogmas religiosos das antigas cidades eram baseados nos deuses domésticos e nas divindades políadas no regime social. A religião dominava de maneira soberana o Direito, o Governo e o Estado, instituição que derivavam dela. Nos séculos anteriores ao Cristianismo às ligações entre religião, direito e política já não eram tão profundas, devido aos estudos filosóficos e a opressão aos esforços das classes oprimidas. Momento em que o homem deixará de acreditar em suas crenças, e a religião acabaram perdendo sua vigor.

No século XVI, principalmente na região norte da Europa, alguns monges pertencentes à Igreja Católica iniciaram tentativas de reformas na doutrina católica. Um movimento de reforma iniciado por Lutero e Calvino, alcançou uma dimensão que os próprios monges não haviam planejado. Essa reforma foi decisiva, não por romper com a fé cristã, mas por contestar as doutrinas e os ritos católicos, fundando posteriormente o gérmen inicial da Igreja Protestante (que, atualmente, concorre plenamente com a Igreja Católica quanto ao número de fiéis e adeptos pelo mundo).

Devemos ressaltar que os dois monges não tinham a pretensão de iniciar o movimento conhecido na história por Reforma Protestante, mas apenas solicitavam mudanças nos ritos católicos, como a cobrança de indulgências, a usura, entre outros.

A Revolução Francesa, em 1789, separou o Estado da Igreja ocasionando o fechamento das igrejas, os sinos foram descidos, a prataria sacra foi entregue à diligência das autoridades distritais e a iconoclastia, foram algumas demonstrações da descristianização. Os conceitos de fé são fortemente abalados, pois o homem passa a acreditar no seu potencial e na razão, dando a Igreja apenas a consciência de agir pelo povo e de cumprir a sua missão junto ao povo.

No século XX, a separação efetiva e a prática dessas duas instituições, importantíssimas para a construção de valores sociais e morais, vêm fundamentadas na lei maior de um Estado, a Constituição, e ela assim diz:

Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio.” (BRASIL, 1988).

3 BRASIL

Após um breve apanhado histórico, prosseguiremos com nossa pesquisa delimitando nosso trabalho sobre a influência da igreja na segurança pública por intermédio da igreja católica apostólica romana e pelas demais congregações do protestantismo no Brasil.

[…] o descobrimento da América foi uma compensação à Igreja na época em que o protestantismo arrancou à fé católica metade da Europa, desvairada pelo espírito pagão que renascera nas ciências, nas letras, nas artes, na política, nos costumes, na educação e deixou a outra metade profundamente abalada nas crenças, que certas nações católicas não repudiaram formalmente, mas de que, desde então, não mostraram mais como nações o exemplo e a prática.( MARIA, 1981, p. 24, v. 9)

A Igreja Católica está presente na história brasileira desde a chegada dos portugueses, contribuindo para a formação cultural, artística, social e administrativa do país. Ainda no começo do século XXI, dentre as religiões professadas pela população brasileira, o Catolicismo continua a ter o maior número de seguidores entre os habitantes do país. Tal predominância é decorrente da presença da Igreja Católica em toda a formação histórica brasileira.

A chegada de membros do clero católico ao território brasileiro foi simultânea ao processo de conquista das terras do Brasil, já que o reino português tinha estreitas relações com a Igreja Católica Apostólica Romana. A missa celebrada na chegada de Pedro Álvares Cabral, em 1500, foi imortalizada por Victor Meirelles no quadro Primeira Missa no Brasil. A presença da Igreja Católica começou a se intensificar a partir de 1549 com a chegada dos jesuítas da Companhia de Jesus, que gerenciavam, formaram povoados, vilas e cidades.

Vários outros grupos de clérigos católicos vieram também à colônia portuguesa com a missão principal de evangelizar os indígenas, como as ordens dos franciscanos e dos carmelitas, levando a eles a doutrina cristã. Esse processo se interligou às próprias necessidades dos interesses mercantis e políticos europeus no Brasil, como base ideológica da conquista e colonização das novas terras. As consequências foram o aculturamento das populações indígenas e os esforços no sentido de disciplinar, de acordo com os preceitos cristãos europeus, a população que aqui habitava, principalmente através de ações educacionais.

As relações entre Igreja e Estado sempre foram estreitas no Brasil tanto na colônia quanto no Império, pois, além de garantir a disciplina social dentro de certos limites, a igreja também executava tarefas administrativas que hoje são atribuições do Estado, como o registro de nascimentos, mortes e casamentos. Contribuiu ainda a Igreja com a manutenção de hospitais, principalmente as Santas Casas.

O cenário mudou com a nomeação do Marquês de Pombal, que afastou a influência da Igreja Católica da administração do Estado. Após sua morte, os laços voltaram a se estreitar, perpassando por todo o período imperial brasileiro no século XIX. Com a proclamação da República em 1889, houve a separação formal entre Estado e Igreja Católica, mas sua presença continuou ainda viva em nossa cultura, latentes em várias festas e feriados nacionais, como as festas juninas.

Depois de mais de três séculos sob a forte influência do catolicismo, era inevitável que no Brasil não se fundasse um Império sem recorrer à religião. Quando a vontade de independência começou a florescer, o Brasil era católico, tão católico que na redação da Constituição de 1824, o pacto fundamental do Império, reconheceu esse fato, sendo a religião oficial do Estado, o catolicismo. O legislador constitucional entendeu que os privilégios legais eram um direito adquirido da nação brasileira.

A Proclamação da República, em 15 de Novembro de 1889, no ano seguinte, o Governo provisório publicasse o decreto da separação da Igreja e do Estado, proibindo no art. 1º ao Governo Federal leis, regulamentos ou atos administrativos sobre religião, e abolindo no art. 4º o padroado com todas as suas instituições, recursos e prerrogativas.

A separação do Estado e da Igreja no Brasil é um princípio basilar, visto que o Estado brasileiro é laico desde a Constituição de 1891, e a atual Constituição Federal de 1988 consagra essa separação no art.19:

[…] estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público […].”(BRASIL, 1988).

4 IGREJA DE HOJE

Há no Brasil de hoje duas forças: a Igreja e o povo. O desejo do Papa Destacou-se também a história da Igreja, com a finalidade de buscar subsídios para a compreensão do forte vínculo, que ainda hoje, une essas duas Instituições.

Considerando que a maioria das cidades brasileiras foi construída em volta de uma igreja, que suas festividades e feriados dedicados ao sagrado, entendem- se que estas entidades exercem uma forte influencia nas questões sobre segurança publica.

Mediante o artigo do Conselho de Segurança Municipal de Quixabeira: “O papel da Igreja na construção de uma sociedade mais segura”.

Afirmamos que a Igreja influência na segurança de duas maneiras: mediante a evangelização, trazendo a paz espiritual oriunda do seu relacionamento com o seu criador; e a segurança por meio da relação interpessoal, sem brigas ou conflitos, aquela provinda pelo contrato social e o respeito aos direitos fundamentais – a paz social.

A Igreja deixa em suas escrituras um testemunho da nossa realidade de nossa sociedade e prega a seus fiéis: “Eu vos deixo a paz eu vos dou a minha paz” (Jo 14,27).

Mas, também alerta: “A paz que eu vos dou não é a paz que o mundo dá.”

Tendo o intuito de cooperar como responsabilidade de todos em proporcionar a segurança, abraçando a causa da caridade no reconhecimento da falta, no perdão, na reconciliação e, dessa forma, na paz que traz a segurança para todos, a Igreja retrata a relatividade da segurança pública, onde a subjetividade da segurança deve ser combatida em comunidade.

Hoje a sociedade ultrapassou o limite daquilo que se pode suportar. O sujeito só quer que os outros “façam paz” para ele, mas não há esforço nenhum de sua parte para fazer com que o outro, também, viva em paz. Partindo desta afirmação a instituição examinada busca em ações sociais e evangelizações suprimir a individualização.

Almejando apoiar a comunidade e as associações que lutam para superar as causas da insegurança, promovendo diálogos com os poderes públicos, leis e políticas públicas, a Igreja católica lança, em 2009, o tema Fraternidade e Segurança Pública e que tinha como lema “a paz é fruto da justiça”. Um projeto concreto que mirou a construção de uma cultura de paz por meio de atitudes, orientada por valores humanos, como a solidariedade, a fraternidade, o respeito ao outro e à natureza.

Através da mediação pacífica de conflitos a Igreja tenta colaborar como a segurança, fazendo a sua parte através de projetos sociais como a Pastoral da Criança, Pastoral da Juventude, Pastoral da Família e do estímulo aos seus fiéis para participar de uma política do bem comum.

Por outro lado, não há programas que resulte em segurança numa sociedade que possuam marginalizados. Portanto, nesse sentido de construção de uma cultura da paz, as Igrejas tentam colaborá com a força política na inclusão de todos, sem distinção de raça e religião, conforme o art. 5º CF/88.

Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade.” (BRASIL, 1988).

Assim sendo, com políticas públicas bem direcionadas para a educação, a saúde e a segurança, através de serviços públicos sociais, como também dando respaldo às instituições não governamentais que dão a sua contribuição em projetos que desenvolvem a comunidade garantindo esses direitos para os marginalizados da sociedade.

Com o crescimento da pobreza, bem como, que entre as necessidades sociais e os recursos destinados a atendê-las existe um enorme abismo, o qual tende a alargar-se progressivamente, a Igreja de modo geral vem enfrentando desafios e questões sociais de toda ordem, principalmente diante de uma crescente segregação social, com indicadores verdadeiramente alarmantes, diante da famigerada “globalização”.

Contudo, diante dessa gravidade e urgência, a Igreja enfrenta os seus efeitos e causas, mediante a capacitação do rebanho, desafiando as limitações e organizando atividades extraescolares para crianças e adolescentes, contribuindo para seu desenvolvimento físico, intelectual, emocional, espiritual e social. Diante desses fatos, os indivíduos indignam-se e reagem perante os problemas e das injustiças que os afetam.

5 DE UMA TRAGÉDIA PARA UMA NOVA ESPERANÇA

Produto da criminalidade violenta, a morte de um sacerdote da igreja, que evangelizava em Manaus há dois anos, católica mobiliza uma comunidade.

No dia 19/09/2009, o Padre italiano missionário Ruggero Ruvoletto, 52, da cidade de Palermo, foi vítima de um latrocínio dentro da casa paroquial no bairro de Santa Etelvina, zona norte de Manaus.

O Latrocínio do padre poderia não só criar um grande problema diplomático do Brasil com a Itália, mas também com o Vaticano. “Chegamos ao fundo do poço.

Estamos nas mãos dos assaltantes drogados e todo tipo de criminosos e não temos segurança”, desabafou o bispo auxiliar de Manaus, dom Mário Pascoalotto.

Tendo este sentimento e a necessidade uma nova estruturação da segurança pública e após a realização de diversas passeatas nas ruas de Santa Etelvina em que foram exigidas políticas públicas contra a violência, melhora em áreas como saúde, educação e saneamento no bairro. O Gestor estatal coloca em prática em 2010, um o projeto de Base de Policiamento Integrado – BPI.

A implantação do projeto piloto BPI ajudou a reduzir, nos primeiros dez dias, os índices da criminalidade local com redução de 65% dos furtos e 36% dos roubos, tornando aquele bairro mais seguro. Esses números só foram oportunizados quando à integração polícia-comunidade tornou–se real. A sensação de segurança se deve principalmente, pela participação da comunidade, totalmente integrada.

Devido ao sucesso do projeto e repercussão do fato fatídico, coloca-se no Estado do Amazonas em prática o programa de governo que visa à otimização do policiamento mediante a integração comunidade – polícia. Essa filosofia de policiamento na capital amazonense ganha o nome de Ronda no Bairro.

6 A IGREJA E A COMUNIDADE

A igreja possui um papel fundamental na formação do caráter de seus discípulos, através da divulgação de suas doutrinas e aprendizados vividos do exemplo de vida Cristã, ainda mais em uma sociedade o qual se mostra cada vez mais tendendo para um caráter corrompido. O que preocupa ainda mais é a parte da comunidade jovem tombando para o descaminho, com o uso de drogas ilícitas, sexo inconsciente, casos de gravidez cada vez mais cedo, o que por si só gera um resultado de insatisfação e revolta dentro de cada indivíduo afetado, bem como para sua família, outro pilar importante para a pessoa.

Mas a pergunta que se faz agora é sobre a importância e influência da igreja na segurança pública, e a resposta é unânime entre os líderes religiosos: Toda. Ao se ouvir as homilias e pregações nas igrejas cristãs percebe-se que está mais frequente a reclamação e revolta da sociedade para o cometimento de crimes perversos, e uns dos motivos apontados é o afastamento das pessoas com a igreja.

Ao indagar ao líder religioso da igreja Santa Terezinha, sobre a importância da Igreja e quais os impactos que ela exerce na sociedade, discorreu que houve um afastamento das pessoas para com a igreja, e o motivo elencado é a oferta de diversas tentações para essas pessoas, tal como é o consumo de substâncias entorpecentes, bebidas alcoólicas, sexo desenfreado e irresponsável, e que é muito difícil viver em uma vida de sacrifício como é a vida cristã, o qual se pauta bastante na responsabilidade. Se for observado o motivo dos roubos e furtos que ocorrem maciçamente na capital amazonense, encontra-se como resposta a manutenção do consumo e vícios, tal como é verdade que nos programas policiais exibidos nos meios de comunicação, os próprios infratores respondem que só fizeram isso para a compra de drogas, roupas, calçados, ou seja, na que tenha realmente uma devida importância.

Como a igreja tenta se reaproximar da sociedade é outro ponto fundamental para buscar compreender a atual conjuntura da sociedade.

A igreja por si só, como um dos aparelhos ideológicos e responsáveis pela formação moral do ser humano busca sua reaproximação com a parcela afastada da igreja através de seu meio social, pelo menos em seu auxílio para a inserção social, um dos exemplos mais marcantes são as pastorais católicas, tanto da juventude como da criança, que através de seus projetos sociais buscam as crianças e adolescentes a ocuparem seus tempos vagos com atividades ligadas ao ensino, lazer, bem-estar e capacitação, oferecendo serviços como: aulas de reforços, atendimentos médico e odontológico, atividades recreativas, além do ensino religioso. Mas não é necessária uma ação global para que se possam cumprir tais objetivos, na própria paróquia de Santa Terezinha, a oferta desses serviços, apesar de serem em menor proporção, já consegue surtir efeito na comunidade daquela região, tal como expôs o padre. Salienta-se a parceria da Polícia Militar com a comunidade religiosa, que visam minimizar cada vez mais os impactos sociais resultante do desvio de conduta dos indivíduos.

7 TRABALHOS SOCIAIS

7.1 IGREJA EVANGÉLICA

7.1.1Células na igreja

O nome célula é usado em virtude de seu crescimento ser similar ao das células de um corpo humano em crescimento. A falta de crescimento indica que alguma coisa está errada e necessita de correção. Assim uma Igreja também deve ter crescimento pela multiplicação rápida de suas células e só parar de crescer quando estiver madura e pronta. No âmbito da igreja são os pequenos grupos se reunindo, nos lares principalmente ou em outros lugares pré-determinados, onde o líder é o que serve coordenando (facilitando) os trabalhos, que contam com a participação de todos.

Diferente do movimento de Igrejas nas casas, as células são parte de um todo. As células não são independentes, mas interdependentes umas das outras. Muitas células se encontram formando uma congregação para terem uma celebração semanal em conjunto. Uma congregação é uma extensão das células e não funciona sem as células. Desse modo, o pastoreio dos membros é feito pelo líder de célula, que é responsável por um grupo de apenas 3 a 15 pessoas, e não pelo pastor da igreja, que pode ser o responsável por centenas ou até milhares de pessoas.

O encontro de diversas células é chamado de rede, e as igrejas têm redes para todas as faixas etárias que possui diversas denominações Rede de crianças, Rede adolescentes, Rede jovem, Rede de casais, Rede de Mulheres, Rede de homens.

7.1.2 Atleta de cristo

A Igreja Presbiteriana de Manaus sob administração da ONG AMAR, em parceria com o SESC, Polícia Militar, UEA e SEST/SENAT criou, em 2003, o projeto Atleta de Cristo, que seu teve início com o coordenador Lúcio da Silva, com apenas 30 atletas iniciando a primeira escolinha de futebol. Com o passar do tempo o projeto foi se expandindo, fato que possibilitou a implantação de novos núcleos principalmente em bairros de periferias por terem maior vulnerabilidade social.

Hoje, além de possuir diversos polos em Manaus, há também no interior em municípios como Manacapuru, Boa Vista do Ramos, Beruri e Novo Airão. O projeto dá oportunidade a crianças de praticar esporte, onde as crianças contam com piscinas, quadras de futebol, basquete, beach soccer e grama sintética e atividades recreativas, resgatando-as da rua, dando oportunidades e ensinamentos religiosos.

7.1.3 Projeto Santa bola

Em 28 de Agosto de 2013 no bairro Santa Etelvina participantes do projeto Santa bola receberam equipamentos esportivos, sendo entregues 80 kits no centro de Educação Integral por policiais da 26ª CICOM visando ocupar crianças e adolescentes para praticar esportes e evitando que sejam aliciados para a criminalidade.

7.2 IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ROMANA

7.2.1 Campanha da fraternidade

Anualmente no período da Quaresma a Igreja Católica Apostólica Romana no Brasil realiza a campanha da fraternidade, sendo coordenada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), tem o objetivo de focar e buscar soluções para problemas concretos que envolvem a sociedade brasileira. A campanha é realizada através da coleta nacional da solidariedade que é realizada no Domingo de Ramos em todas as comunidades cristãs católicas. O destino da arrecadação é para programas de promoção humana.

Todo ano é escolhido um tema e um lema, aquele define um problema a ser enfrentado e este direciona a busca da transformação.

Em 2009 o tema foi Fraternidade e Segurança Pública e o lema A paz é fruto da justiça. Teve o Objetivo Geral de promover debates sobre segurança pública difundindo cultura de paz e da justiça social.

O Objetivo Geral a ser alcançado depende dos seguintes objetivos específicos:

Desenvolver nas pessoas a capacidade de reconhecer a violência na sua realidade pessoal e social, a fim de que possam se sensibilizar e se mobilizar, assumindo sua responsabilidade pessoal no que diz respeito ao problema da violência e à promoção da cultura da paz;
Denunciar a gravidade dos crimes contra a ética, a economia e as gestões públicas, assim como a injustiça presente nos institutos da prisão especial, do foro privilegiado e da imunidade parlamentar para crimes comuns;
Fortalecer a ação educativa e evangelizadora, objetivando a construção da cultura da paz, a conscientização sobre a negação de direitos como causa da violência e o rompimento com as visões de guerra, as quais escolhem a violência como solução para a violência;
Denunciar a predominância do modelo punitivo presente no sistema penal brasileiro, expressão de mera vingança, a fim de incorporar ações educativas, penas alternativas e fóruns de mediação de conflitos e a aplicação da justiça restaurativa;
Favorecer a criação e a articulação de redes sociais populares e de políticas com vistas à superação da violência e de suas causas e à difusão da cultura da paz;
Desenvolver ações que visem à superação das causas e dos fatores de insegurança;
Apoiar as políticas governamentais valorizadas dos direitos humanos;
Despertar o agir solidário para com as vítimas da violência.

7.2.2 Catequese para crianças, jovens e adultos

A catequese faz parte da ação evangelizadora da Igreja católica que envolve aqueles que aderem a Jesus Cristo. Catequese é o ensinamento essencial da fé, não apenas da doutrina como também da vida, levando a uma consciente e ativa participação do mistério litúrgico e irradiando uma ação apostólica. A catequese é um processo de educação da fé em comunidade, é dinâmica, é sistemática e permanente.

O Papa João Paulo II disse: “A catequese é uma educação da fé das crianças, dos jovens e dos adultos, a qual compreende especialmente um ensino da doutrina cristã, dado em geral de maneira orgânica e sistemática, com fim de iniciação na plenitude da vida cristã”.

7.2.3 Pastoral da juventude

A sua historia inicia-se no Brasil por volta dos anos 70 e esta opção possibilitou ampliar o trabalho que vinha sendo desenvolvido com a juventude em movimento, para a construção de uma proposta para as dioceses, que passaram a organizar a evangelização dos jovens em pequenos grupos (entre 12 a 25 jovens) e, para melhor acompanhar a organização e formação dos jovens, iniciou-se a articulação de encontros nacionais com o propósito de melhorar a comunicação e proporcionar o intercâmbio e a sistematização de experiências.

7.2.4 Pastoral Familiar

As Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora no Brasil contemplam a família como “patrimônio da humanidade, lugar e escola de comunhão, primeiro local para a iniciação à vida cristã das crianças, no seio da qual, os pais são os primeiros catequistas”. “A Pastoral Familiar poderá contribuir para que a família seja, de fato, lugar de realização humana, de santificação na experiência de paternidade, maternidade e filiação e de educação contínua e permanente da fé”.

A Pastoral Familiar propriamente dita começou a ser sistematizada a partir 1989. Em 1992 foi criado em Curitiba o IPF – Instituto da Pastoral Familiar, hoje INAPAF – Instituto Nacional da Família e da Pastoral Familiar, sediado em Brasília.

O Documento de Aparecida convida à conversão pastoral, a igreja a atrair novos membros para a Igreja através do testemunho do amor e da unidade e trás um grande impulso que está dando muitos frutos orientados para o encontro pessoal e comunitário com Jesus Cristo.

Proposto pela CNBB (Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil) anualmente a Semana Nacional da Família, sendo realizado no mês de agosto na semana seguinte do dia dos pais, mês vocacional, fora os encontros realizados entre famílias.

7.2.5 Pastoral da Sobriedade

Com o objetivo geral de prevenir e recuperar da dependência química e outras dependências, a partir da vivência dos 12 passos da pastoral.

Implantar Grupos de Autoajuda da Pastoral da Sobriedade nas Paróquias;
Formar e Capacitar novos Agentes da Pastoral da Sobriedade;
Desenvolver a Formação Permanente dos Agentes Capacitados;
Atuar Politicamente junto às forças vivas da comunidade pela exigência da fé, à luz dos ensinamentos de Cristo.
É a ação concreta da Igreja que evangeliza pela busca da Sobriedade como um modo de vida.
É uma atuação especial em resposta ao problema social e de saúde pública do uso de drogas.
A Pastoral vai além da dependência química. Pela Terapia do Amor trata todo e qualquer tipo de dependência.
Propõe mudança de vida.
Vem para resgatar e reinserir os excluídos.
Enfrenta de maneira real o problema da exclusão social, da miséria e da violência. Valoriza a pessoa humana.

8 FAZENDA DA ESPERANÇA

Com o intuito de recuperação de dependentes químicos a partir da internação com introdução de ensinamentos bíblicos.

Tudo começou numa esquina quando Nelson Giovaneli se aproximou de um grupo de jovens que consumiam e vendiam drogas perto de sua casa. Isso em 1983, na esquina da Rua Tupinambás com a Guaicurus, no bairro do Pedregulho, na cidade de Guaratinguetá interior de São Paulo. Ele foi animado a dar esse passo por frei Hans Stapel seu pároco que o incentivava a viver concretamente a Palavra de Deus.

Nelson conquistou a confiança daqueles dependentes químicos. Um deles Antônio Eleutério foi o primeiro a ser contagiado e pediu ajuda para se libertar das drogas, tudo isso porque Nelson buscava colocar em prática a frase “Fiz-me fraco com os fracos a fim de ganhar os fracos” (I Cor 9,22).

9 CONCLUSÃO

A Igreja, instituição cristã, que apesar de não estar atrelada ao Estado, tem mostrado sua influência em ações relacionadas ao serviço de segurança pública mesmo que este não devesse se envolver com questões referentes à religião. Ainda que antigamente as questões políticas e religiosas estivessem intimamente ligadas entre si, caso em que os governantes eram considerados representantes dos deuses na terra, após a revolução francesa houve a separação entre o Estado e a Igreja.

Mesmo estando desvinculada do Estado, a proximidade entre estas duas instituições continua muito grande, dada a importância da Igreja na construção de valores sociais e morais do cidadão. Apesar de ter perdido força, a Igreja continua influenciando a vida de milhões de pessoas em nosso país, no Estado do Amazonas não é diferente, principalmente por ter sido um Estado povoado por missionários que tinham por objetivo catequisar os nativos da região.

Nas entrevistas realizadas, constatamos que os líderes religiosos apontam o distanciamento das pessoas da igreja como sendo o principal fator que os leva a cometer atos ilícitos. A oferta de várias tentações somada à perda dos valores cristãos, decorrente do afastamento da igreja, faz com que muitos dos jovens desviem-se do bom caminho e venham a delinquir. Como forma de reaproximar essas pessoas da igreja podemos citar as pastorais católicas, que oferecem vários serviços e atividades para que os participantes possam praticar atividades ligadas ao ensino, lazer e capacitação.

Ainda que seja a religião que se destaca no Brasil pelo grande número de fiéis, o cristianismo não é a única que contribui com o Estado. Uma vasta gama de religiões está presente em nosso país, cada uma delas com seus valores sociais e morais bem definidos sendo que todas possuem como característica a edificação de um caráter valoroso onde o ser humano é respeitado independente de sua classe social ou de sua condição. É este respeito ao Homem que faz com que a sociedade viva de forma harmoniosa e aí reside a contribuição da igreja com a segurança pública.

Denner Moura
Fábio Luiz Bastos Reis
Hellen Keuren Siqueira Feijó
Leonardo Rhamom Pessoa
Luciano Campos
Marcela Cardoso
Zorásio Bonfim

10 REFERÊNCIAS

Pastoral-da-Juventude. Disponível em: <http://www.pj.org.br/historia-da-pastoral-da-juventude>.Acessado em 24/09/13.
Pastoral-Familiar. Disponível em: http://www.arquidiocesedefortaleza.org.br/wp-content/uploads/2011/10/Caminhada-da-Pastoral-Familiar.pdf>.Acessado em 24/09/13.
PASSETTI, Gabriel. Bakunin, Mikhail Alexandrovich: “Deus e o Estado”. Disponível em: http://www.klepsidra.net/klepsidra8/bakunin.html. Acesso em: 20 out. de 2006.
PERINI, Raquel Frantantonio. Conceito de Soberania nas Várias Teorias e na Atualidade. Disponível em: <http:// jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=4325>. Acesso em: 02 out. 2006.
SANCHES, Mário Antônio. O novo Papa e a biotecnologia. Disponível em: http://www.pucpr.br/educacao/academico/graduacao/cursos/ctch/teologia/artigo_papa.php. Acesso em: 12 de out. 2006.

Fonte: UNIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS

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