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Intentona Comunista

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Intentona Comunista
Luiz Carlos Prestes

Intentona Comunista é o nome pelo qual é conhecido o levante comunista de 1935, no Brasil.

Existem várias versões para o caso, mas a hipótese mais aceita é a de que teria sido realmente planejado em conjunto com a Internacional Comunista (Comintern). O grupo organizador, no Brasil, era composto por Luís Carlos Prestes e sua mulher, Olga Benário, além de Rodolfo Ghioldi, Arthur Ernest Ewert, Ranieri Gonzales e alguns outros membros do Partido Comunista do Brasil (PCB).

O levante aconteceu em pontos esparsos do território nacional, a saber: em Natal e arredores, entre 23 e 25 de novembro; em Recife, logo após; e Rio de Janeiro, em 27 de novembro. O último levante, no Rio, é considerado como apenas um ato de lealdade dos conspiradores sediados nessa cidade, pois havia ficado claro que o movimento não teria chances reais de revolucionar o país.

Ainda a respeito levante do Rio de Janeiro, os militares propagaram durante muitos anos uma versão que dava conta do suposto assassinato durante o sono de oficiais que não quiseram se rebelar por parte dos comunistas. Contudo, há documentos oficiais que revelam que os quartéis do Rio de Janeiro estavam em prontidão e não haveria militares que pudessem estar dormindo em tais condições. Até recentemente, eram feitas comemorações públicas pelo exército em 27 de novembro, no cemitério S.João Batista, em homenagem aos militares legalistas mortos durante a intentona, as quais davam oportunidade, antes e durante a ditadura militar de 1964-1985, a ameaças, demonstrações de força, articulações golpistas e manifestações anti-comunistas histéricas de ultras de Direita entre os militares.

Precisamente por isto, estas festividades foram tidas como incompatíveis com a legalidade democrática restaurada em 1985 e discretamente descontinuadas durante o governo Fernando Henrique Cardoso. Um monumento às vítimas (legalistas) da Intentona continua erguido na Praia Vermelha.

O movimento preparou caminho para que Getúlio Vargas decretasse o Estado Novo em 1937, golpe que se motivou oficialmente pela “ameaça comunista”.

Na década de 30, o sudeste e o sul do Brasil já contavam com uma população imigrante mais esclarecida e capaz de responder a estímulos das lideranças, sobretudo os italianos e alemães, todavia, uns e outros vieram ao Brasil para vencer pelo trabalho, não lhes interessando, de forma alguma o envolvimento em questões políticas ou militares. Assim, tentativas de levante, em nosso país, sempre foram obra de uma classe média restrita, sem qualquer participação de base.

Na madrugada de 27 de novembro de 1935 – é o que conta a história oficial – um grupo de militares rebeldes assassinou covardemente, pelas costas, seus companheiros de farda que se achavam dormindo, sublevando o 3º Regimento de Infantaria da Praia Vermelha, no Rio de Janeiro e espalhando a revolta pelos quartéis vizinhos, chegando até o Campo dos Afonsos, onde se achava instalada a Escola de Aviação.

É isso, talvez, e muito mais que isso. Muitos dos que participaram da Intentona silenciaram durante toda a vida e morreram sem deixar seu depoimento para a História. Mas, meio século depois, é possível traçar, com alguma segurança, a trilha que levou aos levantes de 1935 em Natal, em Recife e no Rio de Janeiro. Nesse propósito, a longa e paciente pesquisa realizada pelo historiador Hélio Silva, falecido em 1998, é um importante referencial, representando o que de melhor temos para entender o que se passou naquele tumultuado período da vida brasileira.

Se, de um lado, o levante de 1935 representou uma lamentável perda de vidas, no cumprimento do dever, não é menos certo que o episódio foi usado como uma “espada de Dâmocles” pendente sobre a nação, transformando em subversivos todos aqueles que, em algum momento, ousassem ter opiniões divergentes. Foi a consolidação do poder político-militar, interferindo na vida nacional, algumas vezes se tornando uma sombra do poder constituído, outras, agindo ostensivamente contra esse mesmo poder.

Como escreveu Otto Lara Resende (Folha de São Paulo, 27.11.91): “Hoje é de lastimar o vigoroso investimento político e emocional que foi feito nessa tal Intentona. 1935, quantos crimes foram cometidos em teu nome!”

Um resumo dos acontecimentos

Intentona é uma palavra que veio do castelhano, significando intento louco, ou plano insensato. Foi o nome usado para designar o levante militar deflagrado pelo Partido Comunista Brasileiro em 1935, tendo como objetivo a tomada do poder. O movimento previa, em sua primeira etapa, a instalação de um governo nacional revolucionário sob a chefia de Luís Carlos Prestes.

A eclosão do levante se deu no Rio Grande do Norte e depois em Pernambuco, mas a etapa mais importante era a sublevação da Vila Militar no Rio de Janeiro, um complexo de quartéis que representavam o centro nervoso das forças incumbidas de garantir a segurança nacional.

Em Natal (Rio Grande do Norte), o movimento iniciou-se antecipadamente, em 23 de novembro de 1935, quando sargentos, cabos e soldados tomaram o 21º Batalhão de Caçadores e instalaram um Comitê Popular Revolucionário. Quatro dias depois, as tropas do Exército e polícias dos Estados vizinhos tomaram o quartel das mãos dos revoltosos, restabelecendo a ordem.

Em Recife (Pernambuco), a revolta eclodiu no dia 24. Se é bem verdade que este levante foi dominado em apenas um dia, também é fato que a repressão deixou um saldo de 100 mortos entre os sublevados.

Na Praia Vermelha, próximo aos bairros da Urca e Botafogo, Zona Sul do Rio de Janeiro, no 3º Regimento de Infantaria, o levante se deu na madrugada do dia 27, sendo completamente dominado em menos de dez horas, com um total de 20 mortos entre os insurretos.

Dentro do Exército, no balanço geral em todo o país, os acontecimentos de Natal, Recife e Rio de Janeiro, somados, custaram a vida de um tenente-coronel, dois majores, quatro capitães, um tenente, quatro sargentos, quatorze cabos e dois soldados, totalizando 28 militares legalistas mortos.

Foi uma insurreição político-militar promovida pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB), em novembro de 1935, com o objetivo de derrubar o Presidente Getúlio Vargas e instalar um governo socialista no Brasil.

Com o apoio de Prestes e contando com a adesão de simpatizantes aliancistas em importantes unidades do Exército, o PCB prepara uma rebelião militar. O levante dos quartéis seria o sinal para uma greve geral e o início da revolução popular. A revolta começou precipitadamente nas cidades de Natal e do Recife, nos dias 23 e 24 de novembro. Em função dessa antecipação inesperada, os chefes do movimento apressaram a mobilização no Rio de Janeiro para a madrugado do dia 27.

O 3o. Regimento da Infantaria, na Praia Vermelha, e a Escola de Aviação, no Campo dos Afonsos, foram os palcos da revolta. Mas o governo estava preparado e contou com a lealdade das Forças Armadas. Os rebeldes foram encurralados pelas artilharias do Exército e da Marinha e dominados rapidamente. A rebelião foi derrotada no mesmo dia em que começou devido à falta de organização.

Em todo o país, revoltosos e simpatizantes foram perseguidos. Os chefes do movimento foram presos, alguns torturados e mortos. Prestes ficou na prisão até 45.

Sua mulher, Olga Benaro, comunista e judia, foi entregue pela polícia do Estado Novo à Gestapo, polícia política nazista, e assassinada em 1942 num campo de concentração da Alemanha nazista. Após a Intentona, o PCB é condenado à clandestinidade.

O comunismo jamais, em qualquer momento, teve alguma chance de ser implantado no Brasil como um movimento popular, tal como aconteceu na Rússia de 1917. A população brasileira, da cidade ou do campo, sempre foi conservadora e, além do mais, faltava-lhe qualquer ambientação política, vivendo o dia-a-dia do trabalho e da vida familiar, sem se deixar envolver pela propaganda revolucionária, seja da esquerda ou da direita.

Certo é que, na década de 30, o sudeste e o sul do Brasil já contavam com uma população imigrante mais esclarecida e capaz de responder a estímulos das lideranças, sobretudo os italianos e alemães, todavia, uns e outros vieram ao Brasil para vencer pelo trabalho, não lhes interessando, de forma alguma o envolvimento em questões políticas ou militares. Assim, tentativas de levante, em nosso país, sempre foram obra de uma classe média restrita, sem qualquer participação de base.

Na madrugada de 27 de novembro de 1935 – é o que conta a história oficial – um grupo de militares rebeldes assassinou covardemente, pelas costas, seus companheiros de farda que se achavam dormindo, sublevando o 3º Regimento de Infantaria da Praia Vermelha, no Rio de Janeiro e espalhando a revolta pelos quartéis vizinhos, chegando até o Campo dos Afonsos, onde se achava instalada a Escola de Aviação.

É isso, talvez, e muito mais que isso. Muitos dos que participaram da Intentona silenciaram durante toda a vida e morreram sem deixar seu depoimento para a História. Mas, meio século depois, é possível traçar, com alguma segurança, a trilha que levou aos levantes de 1935 em Natal, em Recife e no Rio de Janeiro.

Nesse propósito, a longa e paciente pesquisa realizada pelo historiador Hélio Silva, falecido em 1998, é um importante referencial, representando o que de melhor temos para entender o que se passou naquele tumultuado período da vida brasileira.

Se, de um lado, o levante de 1935 representou uma lamentável perda de vidas, no cumprimento do dever, não é menos certo que o episódio foi usado como uma “espada de Dâmocles” pendente sobre a nação, transformando em subversivos todos aqueles que, em algum momento, ousassem ter opiniões divergentes. Foi a consolidação do poder político-militar, interferindo na vida nacional, algumas vezes se tornando uma sombra do poder constituído, outras, agindo ostensivamente contra esse mesmo poder.

Os antecedentes

No dia 23 de fevereiro de 1917, na distante cidade de São Petersburgo, Rússia, um punhado de operárias, descontente com as condições de trabalho, recusou-se a entrar em serviço. A decisão dessas mulheres encontrou eco em outras fábricas e em outras cidades e, no final do dia, já eram 90.000 operários em greve. Três dias depois, perdendo por completo o controle do país, caia a dinastia dos Romanov, no poder há mais de 300 anos.

Conquanto o movimento comunista se achasse bem organizado na Rússia, seus principais líderes, naquele momento, estavam no exílio e os que se achavam no país, menos expressivos, rechaçavam qualquer idéia de ação revolucionária, temendo pela tragédia inútil que um levante poderia proporcionar. Assim, a queda do csarismo foi resultado de um movimento imanente, partindo das massas, sem participação direta dos líderes e até contra a vontade das lideranças.

Isso deu aos líderes comunistas em outros países a falsa impressão de que o mundo estava “maduro” para o comunismo e que, a qualquer revolta, os governos então dominantes iriam caindo, um a um. Por conseqüência, o ano seguinte, chamado de “o ano vermelho”, foi pródigo em movimentos sediciosos, todos eles fracassados e reprimidos com violência.

O Brasil, como não poderia deixar de ser, viveu a mesma febre dos levantes operários de 1918. No Rio de Janeiro, as comemorações do 1º de maio lembraram o triunfo, pelo menos aparente, dos trabalhadores na Rússia. Embora com o Brasil em estado de sítio, os operários cariocas acorreram à praça Tiradentes, onde aconteceu ruidosa manifestação. As greves e tumultos, principalmente em São Paulo e no Rio de Janeiro, se prolongaram por todo o ano.

Em 1922, fundou-se o Partido Comunista Brasileiro, que viveu a maior parte da década na ilegalidade, impedido de fazer proselitismo, em face do esquema repressivo montado pelo governo contra lideranças operárias e sindicatos. Assim, em 1927, os líderes comunistas mudaram sua estratégia, fundando uma frente única, conhecida como Bloco Operário, ao qual, mais tarde, se acrescentou um movimento rural, passando a chamar-se Bloco Operário e Camponês (BOC).

As células do BOC, espalhadas pelo país, tiveram a mesma sorte do Partido Comunista. Não existia no Brasil campo para o desenvolvimento de idéias políticas ou reivindicatórias, e as manifestações, esporádicas e barulhentas, jamais representavam as massas. Nas cidades, o trabalhador estava mais interessado em garantir seu emprego e o sustento da família. No campo, reinava ainda o sistema feudal, onde o camponês tinha uma relação de total dependência com o fazendeiro, que lhe dava casa, comida, meia-dúzia de trocados e adiantamentos em dinheiro, para atender imprevistos, criando uma dívida impagável, que o sujeitava à propriedade, em regime de absoluta servidão.

Ação Integralista Brasileira (AIB)

Como já tivemos oportunidade de ver, o sucesso da revolução de 1930, com a posse de Getúlio Dorneles Vargas, coincidiu com a busca mundial por regimes políticos radicais, de esquerda e de direita, retirando o espaço para o desenvolvimento de doutrinas liberais.

Seguindo essa tendência, dentro do “tenentismo” e fora dele, surgiram “Legiões” inspiradas nos agrupamentos paramilitares europeus, como os “camisas negras” do fascismo italiano ou os “camisas pardas” do nazismo alemão.

Em tudo, as legiões eram semelhantes: nos uniformes (mudando apenas a cor), nos símbolos, nos slogans e até na saudação com o braço erguido. No Brasil, a maioria teve curta duração, mas uma delas, a Ação Integralista Brasileira (AIB), conseguiu estabelecer bases sólidas e duradouras, aliando sentimentos comuns à população brasileira, quais sejam, a religião, a nacionalidade e a estrutura familiar.

A Ação Integralista Brasileira, com tendências fascistas, foi idealizada pelo escritor Plínio Salgado em 1932. Usava camisas verdes, tinha como símbolo o sigma e, como lema, “Deus Pátria e Família”. Dela participavam os elementos mais reacionários da classe média, sobretudo estudantes universitários, juntamente com militares.

O integralismo pregava um “Estado Integral” sem explicar exatamente o que vinha a ser isso. Basicamente pregava um regime forte, substituindo a representação popular por corporações sindicais, estudantis e militares. Tinha um caráter profundamente nacionalista, defendendo fortemente a estatização das riquezas nacionais e, nos demais casos, assumindo a defesa intransigente da propriedade privada.

Era elitizante e limitativo, pregando a idéia que o governo deveria ser entregue às “elites esclarecidas”, vale dizer aos que comungavam com suas opiniões. Não descartava o uso da força, em substituição ao convencimento, e, tal qual o comunismo, considerava a delação como uma virtude a ser cultivada pelos seus membros.

Aliança Nacional Libertadora (ANL)

Em contraposição ao integralismo, não tardou em surgir uma frente ampla, igualmente radical, reunindo os mais variados setores da esquerda: sindicalistas, liberais a procura do espaço perdido, setores da classe média preocupados com o recrudescimento do fascismo no mundo e, é claro, os comunistas, frustrados em tentativas anteriores, que encontravam agora um caldo de cultura apropriado para o desenvolvimento de seus projetos.

Foi assim que surgiu a Aliança Nacional Libertadora (ANL), firmada na trilogia “Terra, Pão e Liberdade”. Dela faziam parte vários “tenentes”, entre eles, Agildo Barata Ribeiro, um dos heróis da revolução de 1930 na ala norte do país; Benjamim Soares Cabelho, que veio a se tornar uma figura importante da Terceira República; operários e jovens acadêmicos, entre estes o estudante Carlos Lacerda (mais tarde jornalista e político de destaque), cujo pai, Maurício Lacerda, foi um dos precursores da legislação trabalhista no Brasil.

Ao contrário do que muitos pensam, não tinha a participação física de Luís Carlos Prestes que, nesse momento, se encontrava em Barcelona (Espanha) sob o nome falso de Antônio Vilar, em companhia de Maria Bergner Vilar, que outra não era senão sua mulher, Olga Benário. A direção da ANL estava entregue a Hercolino Cascardo, o mesmo que, na revolução de 1924, tentou, sem sucesso, sublevar a Marinha.

Embora a frente ampla não fosse comunista, estes agiram rapidamente no sentido de se destacar entre as demais correntes, dominando a agremiação, aproveitando-se do idealismo dos outros participantes. No dia da fundação da ANL, Carlos Lacerda foi escalado para discursar em nome dos estudantes e, induzido por radicais, caiu em uma armadilha, lançando o nome do “Cavaleiro da Esperança” como presidente de honra da ANL. Foi assim que Prestes passou a figurar como Presidente de Honra da associação.

Para o Brasil, o Comitê Internacional Socialista (Comintern) enviou o agitador alemão Ernst Ewert, com o nome falso de Harry Berger. Passo a passo, um movimento sério de combate ao fascismo, ia sendo usado como plataforma para os planos sinistros (e mal calculados) visando a implantação do regime comunista no Brasil.

A questão dos soldos militares

Paralelamente, reinava insatisfação nos quartéis pela deterioração salarial, um clima perigoso, na medida em que a impaciência da jovem oficialidade encontrava eco entre alguns oficiais superiores. Qualquer aumento, dependia do sinal verde do ministro da Fazenda, o qual declarara, com firmeza, não haver dinheiro para cobrir as despesas com um eventual reajuste. Um projeto transitava na Câmara Federal a passo de tartaruga, enquanto a crise se agravava.

Não tardou em surgir uma rebelião na guarnição de Cachoeira, no Rio Grande do Sul, contando com apoio ostensivo do governador Flores da Cunha, a essa altura, de olho na sucessão presidencial.

Getúlio repreende-o em telegrama: “Apelo para teu sentimento brasileiro evitar caia sobre ti a responsabilidade moral de uma guerra civil.”

Nesse meio tempo, Getúlio Vargas, aconselhado pelo comandante da 1ª Região Militar, general João Gomes, decide demitir o comandante da Vila Militar, general João Guedes da Fontoura, sobre o qual recaiam suspeitas de infidelidade ao governo. Acontece que o general Fontoura era amigo particular do ministro da Guerra, Góis Monteiro.

O problema repercute no ministério da Guerra, onde o general Góis Monteiro se demite, sendo substituído pelo general João Gomes Ribeiro Filho, até então comandante da 1ª Região Militar. O general Eurico Gaspar Dutra, que era comandante da Aviação, ocupa a vaga deixada na 1ª RM. Essas trocas de comando, anunciadas pela imprensa, aumentam a tensão reinante.

Tais problemas, cozinhados em “banho-maria”, minaram a disciplina militar, facilitando a ação dos conspiradores, sobretudo no Rio de Janeiro.

A questão dos cabos e sargentos

Modificações no regulamento militar reintroduziram um dispositivo que existia na Primeira República, pelo qual, completados dez anos na ativa, os militares que não tivessem atingido o oficialato seriam automaticamente jubilados, com o afastamento definitivo da vida militar.

Nas grandes cidades, como São Paulo e Rio de Janeiro, onde as possibilidades de acesso são maiores, essa alteração não trazia maiores problemas. Quem em dez anos não houvesse chegado a tenente, pelo menos, já teria desistido da carreira militar. O mesmo não acontecia em cidades menores, sobretudo do nordeste, onde muitos permaneciam estacionários na função de praça, por vezes até o limite de idade para a reforma.

O retorno do jubilamento de praças, agora fortalecido pela nova ordem constitucional, era outra fonte de atritos, criando ambiente propício para aliciamento dos prejudicados, interessados que estavam na revogação da medida. Aliás, foram eles, no nordeste, os grandes responsáveis pelas sublevações.

Conspiração em marcha

Foi dentro desse clima que se desenvolveu a conspiração comunista que levaria aos levantes de novembro de 1935. No momento oportuno, Prestes transferiu-se da Espanha para o Brasil, permanecendo em lugar ignorado, mas enviando ordens e manifestos, enfim, controlando, passo a passo, o desenrolar dos trabalhos.

No dia 28 de abril, realizou-se em Madureira (subúrbio carioca) um comício da Aliança Nacional Libertadora, em afronta aos integralistas, do qual participaram oficiais, sargentos e cabos. Os identificados foram expulsos das fileiras do Exército e seus superiores, capitães Carlos da Costa e Trifino Correia sofreram punições. O assunto repercute na Câmara Federal.

No dia 9 de junho a ANL realiza outro comício, desta vez em Petrópolis, quase em frente à sede da Ação Integralista Brasileira, resultando em confronto entre as duas facções, com um morto e vários feridos. O morto era aliancista e o tiro partiu da sede dos integralistas.

Sem o saber (ou sabendo muito bem) o comando militar contribuia para o desenvolvimento da ação aliancista. Assim é que o capitão Agildo Barata Ribeiro, conhecido como um dos conspiradores, foi transferido para uma unidade militar no Rio Grande do Sul, a pretexto de afastá-lo do Rio de Janeiro. Com isto, ele aproveitou a oportunidade para fundar em Porto Alegre um núcleo da Aliança Nacional Libertadora, realizando um comício no dia 5 de julho de 1930, data comemorativa das revoluções de 1922 e 1924. Por pura sorte, a manifestação transcorreu em paz, pois o interventor Flores da Cunha já avisara que, ao menor sinal de desordem, a polícia tinha ordem de “descarregar” sobre os manifestantes.

Na mesma data, outro comício se realizou, este clandestinamente, no Rio de Janeiro, ocasião em que o acadêmico Carlos Lacerda leu um manifesto de Luís Carlos Prestes. A reação não tardou. Em 11 de julho um decreto do governo federal colocou a Aliança Nacional Libertadora fora da lei e, dois dias depois, sua sede era fechada. Paralelamente, procedeu-se o fechamento da União Feminina Brasileira, outro braço dos aliancistas.

O presidente da ANL, Hercolino Cascardo, oficial marinheiro, foi removido para Santa Catarina, onde lhe deram o comando de uma base naval. Outra remoção igualmente inexplicável, pois se introduzia um elemento revolucionário, em posição de comando, num local até então desligado do movimento aliancista.

Getúlio sabia de tudo

Se havia alguém bem informado de tudo o que se passava, e dos planos em andamento, esse alguém era o presidente da República, Getúlio Dorneles Vargas. Seu serviço de inteligência mantinha-o a par dos mínimos detalhes, e agentes infiltrados no movimento colhiam dados significativos, possibilitando até uma ação preventiva. Como linha auxiliar, o Presidente recebia também ajuda internacional, por intermédio do “Inteligence Service”, infiltrado no Partido Comunista Brasileiro, ora na ilegalidade.

Em certo momento, já se sabia até a data e hora do levante: 27 de novembro de 1935, às 2h30 da madrugada, tendo como centro de operações a Praia Vermelha, mais precisamente, o 3º Regimento de Infantaria.

O governo não só deixou de cortar o movimento em marcha como algumas medidas permitem entrever que o próprio sistema ajudou para que as coisas acontecessem, dando margem, mais tarde, para o fechamento do regime. Assim, por exemplo, na madrugada do levante na Praia Vermelha, as tropas de reforço levaram duas horas para chegar ao local de conflito, porque não havia sido tomada a mais elementar das providências, qual seja, a requisição dos caminhões para o transporte dos soldados. Impossível que um descuido desses partisse logo do comando da 1ª Região Militar, e isso num momento em que os quartéis do Rio de Janeiro se achavam em regime de prontidão.

Como se disse acima, o Capitão Agildo Ribeiro, bem quieto no Rio de Janeiro, foi transferido para Porto Alegre, onde aproveitou o ensejo para organizar um núcleo da ANL. Já no mês de novembro, o mesmo Agildo foi punido com 25 dias de detenção. Transferido para o Rio de Janeiro, ficou preso, adivinhe onde? Justamente no 3º Regimento de Infantaria, de onde deveria partir o movimento sedicioso. Juntou-se a fome com a vontade de comer. Próximo dos demais conspiradores, pode agir com o maior desembaraço. Sua pena deveria extinguir-se em 3 de dezembro. Foi reduzida de 25 para 20 dias, devendo terminar, então, em 28 de novembro. O levante estava marcado para 27 de novembro…

Em Natal, o movimento é antecipado

Pelos planos, o levante deveria ocorrer na madrugada de 27 de novembro. Então, os responsáveis pela conspiração em Natal receberam um telegrama apócrifo, enviado talvez pelo serviço de contra-informação do governo, mas com a identificação da chefia do movimento. Esse telegrama informava que o início havia sido antecipado para 23 de novembro. Inexperientes, os líderes acreditaram na veracidade do telegrama.

Foi assim que, na noite de 23 de novembro, um sábado, dois sargentos, dois cabos e dois soldados sublevaram o 21º Batalhão de Caçadores. Beneficiados pelo elemento surpresa, conseguiram pôr em fuga o governador do Estado, que refugiou-se em um navio de bandeira francesa.

Rapidamente, o movimento se alastrou por outras cidades do Rio Grande do Norte. Colunas rebeldes ocuparam Ceará-Mirim, Baixa Verde, São José do Mipibu, Santa Cruz e Canguaratema.

Totalmente ingênuos em movimentos sediciosos, os sublevados acreditavam ter dominado a situação.

Tomaram o palácio do Governo e instalaram um “Comitê Popular Revolucionário” com o “Ministério” assim constituído: Lauro Cortês Lago (funcionário público), Ministro do Interior; Quintino Clementino de Barros (sargento), Ministro da Defesa; José Praxedes de Andrade (sapateiro), Ministro do Abastecimento; José Macedo (carteiro), Ministro das Finanças; João Batista Galvão (estudante), Ministro da Viação. O cabo Estevão assumiu o comando do 21º Batalhão de Caçadores, enquanto o sargento Eliziel Diniz Henriques passou a comandar a Guarnição Federal. E depois? Depois, mais nada. Ninguém sabia o que fazer (se alguma coisa pudesse ser feita) para consolidar o movimento supostamente vitorioso.

Nas ruas, a população exultava com aquele breve momento de anarquia. Durante alguns dias a capital virou terra de ninguém, com saques, roubos, invasões de domicílio, requisição de veículos particulares e tudo mais que passasse pela imaginação. Passados os acontecimentos, o “ex-Ministro da Viação”, estudante João Batista Galvão, desbafa: “Naquele tempo, todo mundo fez o diabo e depois botou a culpa em cima de nós. O povo topou a revolução por pura farra. Saquearam o depósito de material do 21º BC e todos passaram a andar fantasiados de soldado. Minha primeira providência como ‘ministro’ foi decretar que o transporte público seria gratuito. O povo se esbaldou de andar de bonde sem pagar.”

Quatro dias depois de iniciado, o movimento foi contido por tropas do Exército e polícias de outros Estados, que invadiram o Rio Grande do Norte e restabeleceram a ordem.

Recife seguiu na esteira de Natal

Em Recife, o levante ocorreu um dias após, quando chegaram notícias da rebelião em Natal. Tinha tudo para dar certo. O governador, Carlos Lima Cavalcanti se achava na Alemanha, passeando de “Zepelin” (uma espécie de navio voador que pretendia substituir o avião). O general Manuel Rabelo (o mesmo que fora interventor em São Paulo) estava no Rio de Janeiro, cuidando de assuntos militares relativos ao seu comando. O comandante da Brigada Militar, capitão Jurandir Bizarria Mamede (que trinta anos depois seria o pivô de uma séria crise militar) estava no Rio Grande do Sul, comemorando o centenário da Revolução Farroupilha (Note-se que tanto o presidente da República quanto as autoridades militares tinham conhecimento do ambiente agitação nos quartéis, prova disso é que o Rio de Janeiro se achava de prontidão. Assim, é surpreendente essa ausência, a um só tempo, das principais autoridades de Pernambuco) Aparentemente, a cidade estava sem comando. Mas era apenas aparência .

Na manhã do domingo, dia 24, um sargento, chefiando um grupo de civis, atacou a cadeia pública de Olinda. Logo depois, o sargento Gregório Bezerra tentava apoderar-se do Quartel General da 7ª Região Militar, matando o tenente José Sampaio e ferindo o tenente Agnaldo Oliveira de Almeida, antes de ser subjugado e preso.

Na Vila Militar, o capitão Otacílio Alves de Lima, o tenente Lamartine Coutinho e o tenente Roberto Besouchet sublevaram o 29º Batalhão de Caçadores e se apossaram de todo armamento. Encontraram porém, uma reação imediata do tenente-coronel Afonso de Albuquerque Lima, sub-comandante da brigada policial, com a ajuda, também, da Guarda Civil. No dia seguinte, chegou o reforço da Artilharia e o único quartel realmente sublevado, o 29º BC sofreu intenso bombardeio, resultando em uma centena de mortos.

Os que conseguiram fugir pelas estradas, deram de frente com tropas da polícia estadual, que se achavam em batida, à procura do cangaceiro “Lampião”. Em dois dias, pois, o movimento estava totalmente dominado.

Tragédia na Praia Vermelha

Se o telegrama falso chegou rapidamente a Natal, o inverso não é verdadeiro. Os conspiradores no Rio de Janeiro não sabiam nada sobre o que estava acontecendo no nordeste e entraram em armas, desconhecendo que os movimentos em Natal e Recife haviam se iniciado fora de tempo e já estavam debelados. Funcionou mais uma vez o serviço de contra-informação, bloqueando a comunicação, tão importante em operações de guerra.

Vamos, aqui, seguir a narrativa do general Ferdinando de Carvalho, em seu livro “Lembrai-vos de 35!”:

“Na Escola de Aviação, em Marechal Hermes, os capitães Agliberto Vieira de Azevedo e Sócrates Gonçalves da Silva, juntamente com os tenentes Ivan Ramos Ribeiro e Benedito de Carvalho assaltaram o quartel de madrugada e dominaram a unidade. Vários oficiais foram assassinados ainda dormindo. O capitão Agliberto matou friamente o seu amigo capitão Benedito Lópes Bragança, que se achava desarmado e indefeso. Em seguida, os rebeldes passaram a atacar o 1º Regimento de Aviação, sob o comando do coronel Eduardo Gomes que, apesar de ferido ligeiramente, iniciou a reação. (…)

“No 3º Regimento de Infantaria, na Praia Vermelha, acontecimentos mais graves ocorreram. Os rebeldes, chefiados pelos capitães Agildo Barata, Álvaro Francisco de Sousa e José Leite Brasil conseguiram, na mesma madrugada, após violenta e mortífera refrega no interior do quartel, dominar quase totalmente a unidade. Ao amanhecer, restava apenas um núcleo de resistência legalista, situado no Pavilhão do Comando, onde se encontrava o coronel Afonso Ferreira, comandante do Regimento. (…)

“Nas últimas horas da madrugada, acionados diretamente pelo comandante da 1ª Região, general Eurico Gaspar Dutra, o Batalhão de Guardas e o 1º Grupo de Obuses tomaram posição nas proximidades do aquartelamento rebelado e iniciaram o bombardeio. (…)

“Finalmente, às 13h30, bandeiras brancas improvisadas foram agitadas nas janelas do edifício, parcialmente destruído. Era a rendição. Presos, os insurretos apresentaram-se na praça em um compacto grupo. Muitos rebeldes adotaram uma atitude de zombaria, sorrindo cinicamente, em franco desrespeito àqueles que, naquele mesmo local, pouco tempo antes, haviam tombado em luta inglória.”

O outro lado da história

Essa narrativa, apresentando a versão oficial, não encontra consenso entre os estudiosos da História do Brasil. Sobre o assunto, por exemplo, o professor Marco Aurélio Garcia, da Unicamp, em artigo publicado pela Folha de São Paulo em 18 de novembro de 1983, escreve:

“Para as Forças Armadas, segundo reiteram as ordens do dia a cada ano, a Intentona apenas comprova o que de há muito se deveria saber: o caráter ‘apátrida e traiçoeiro do comunismo internacional’. Como prova, são exibidos cadáveres de oficiais e soldados ‘mortos enquanto dormiam’. A reiteração monótona desta versão não resiste aos fatos. Todas as pesquisas históricas sérias realizadas sobre o episódio, sobre as quais será difícil levantar suspeição, como é o caso do trabalho de Hélio Silva, desmontam, com o apoio dos laudos dos médicos legistas da época, a tese de ‘assassinato pelas costas’.

“Em suma: não houve mortos enquanto ‘dormiam’, sem falar no absurdo que representaria soldados dormindo em quartéis submetidos a regime de prontidão, como era o caso da madrugada do levante. Mortos houve, e dos dois lados, como nos levantes de 22 e 24, na Coluna Prestes ou em 30, para não falar em 1932. (…)

“As Forças Armadas, elas próprias, se viam afetadas pela polarização política que sacudia o país. Trinta e cinco, nesse sentido, pode ser visualizado, também, como mais um (e quem sabe o último) episódio tenentista, a despeito do revestimento ideológico mais preciso. (…)

“Somente através destas e de outras pistas – afastando-se da propaganda anticomunista, ou da autocomplacência de certos setores à esquerda – é que o episódio de 1935 poderá ser restituído em toda sua integridade à História do Brasil.”

Aí estão, pois, duas versões distintas de um mesmo episódio. Escolha a que melhor lhe convier ou tire, por si mesmo, as conclusões que julgar apropriadas.

Fonte: br.answers.yahoo.com

Intentona Comunista

No dia 27 de Novembro de 1935, ocorreu o maior ato de traição e covardia já perpetrados na História do Brasil.

Um grupo de traidores, a soldo de Moscou, tentou implantar, no Brasil, uma sangrenta ditadura comunista. O levante armado irrompeu em Natal, Recife e Rio de Janeiro, financiado e determinado pelo Comintern.

Nos primeiros dias de março de 1934 desembarcava no Rio de Janeiro, com passaporte americano, Harry Berger. Harry Berger era na realidade, o agente alemão do Comintern chamado Arthur Ernst Ewert. Ex-deputado, em seu país, era fichado como espião e havia sido processado por alta traição. Foi enviado ao Brasil, com outros agitadores, como Rodolfo Ghioldi e Jules Vales, para assessorar o planejamento da rebelião comunista.

Pouco depois, desembarcava Luíz Carlos Prestes com passaporte falso. O traidor vinha com a missão que lhe impusera o Comintern: chefiar o movimento armado que se preparava no Brasil.

Começaria então o planejamento para a insurreição armada.

Enquanto, nas sombras das conspirações e das combinações clandestinas, os subversivos concertavam os planos para a ação violenta, tarefa a cargo dos elementos militares, a ANL(Ação Nacional Libertadora) e seus propagandistas procuravam ampliar o seu número de adeptos. Prestes fez apelos a antigos companheiros. Seus apelos foram, entretanto, recusados em sua maior parte.

Mas o Comintern exigia pressa e ação. Harry Berger orientava e dinamizava os planos. Em um de seus relatos ao Comintern ele escrevia:

A etapa atual da revolução, no Brasil

Está em franco desenvolvimento uma revolução nacional antiimperialista. A finalidade da primeira etapa é a criação de uma vasta frente popular – operários, camponeses, pequenos burgueses e burgueses que são contra o imperialismo – depois, a ação propriamente dita, para a instituição de um governo popular nacional revolucionário, com Prestes à frente e representantes daquelas classes. Mas, como condição básica, esse governo se apoiará nas partes infiltradas no Exército e depois, sobre os operários e camponeses articulados em formações armadas.”

” Nesta primeira fase, não serão organizados sovietes, porque isso reduziria, prematuramente, as hostes populares. Não obstante, o poder verdadeiro estará em maior escala nas aldeias, nas mãos das Ligas e Comitês de camponeses que se formarão e que também articularão formação do povo em armas para a proteção do Governo Popular e para a defesa de seus interesses. Nessa primeira etapa, a ação será, antes de tudo, desencadeada contra o imperialismo, os grandes latifundiários e contra os capitalistas que, traindo a Nação, agem de comum acordo com o imperialismo.”

” Nós só passaremos a modificar os objetivos da primeira etapa, só erigiremos a ditadura democrática dos operários e camponeses sob a forma de sovietes, quando a revolução no Brasil tiver atingido uma grande concentração. Os pontos de apoio do Governo Popular Nacional Revolucionário serão os sovietes, mais as organizações de massa e o Exército Revolucionário do Povo. A transformação do Governo Popular Nacional Revolucionário, com Prestes à frente, tornar-se-á oportuna e real com o desenvolvimento favorável da Revolução do Governo Popular.”

Pelos planos de Harry Berger, o movimento teria duas fases: na primeira seria organizado um governo popular de coalizão. Na Segunda, viriam os sovietes, o Exército do Povo e a total hegemonia dos comunistas.

A idéia de um levante armado preocupava os elementos mais ponderados do PCB.

O Comintern considerava, entretanto, a ação violenta como uma promissora experiência para a implantação do regime comunista em toda a América Latina. Por essa razão, enviou a um escritório comercial soviético em Montevidéu recursos financeiros destinados a apoiar a insurreição no Brasil.

Nas Forças Armadas a infiltração era grande. Células comunistas, envolvendo oficiais e sargentos, funcionavam no Exército e na Marinha.

Elementos do Partido Comunista preparavam greves e agitações nos meios operários e camponeses. Manifestos e instruções subversivos circulavam nos quartéis e em organizações sindicais.

Enquanto Harry Berger depurava, cuidadosamente, os planos, Prestes atuava com invulgar monstruosidade. Em nome da causa vermelha, pessoas consideradas suspeitas foram expulsas do Partido e, até mesmo eliminadas, como ocorreu com a menina Elza Fernandes, assassinada por ordem de Prestes.

Tudo estava previsto para o irrompimento simultâneo do levante armado em todo o país. Mas, o movimento foi precipitado no Nordeste.

A insurreição comunista teve início em Natal, Rio Grande do Norte

Ao anoitecer do dia 23 de novembro, dois sargentos, dois cabos e dois soldados sublevaram o 21º Batalhão de Caçadores. Aproveitaram-se do licenciamento do sábado e invadiram a sala do oficial de dia, prenderam o oficial e dominaram o aquartelamento. A seguir, entraram na Unidade, bandos de civis.

Apoderaram-se do armamento e das munições do Exército e distribuíram-se em grupos para diversos pontos da cidade. Esses bandos de agitadores, engrossavam-se no caminho com inúmeros adesistas aventureiros, a maioria dos quais nem sabia exatamente do que se tratava.

Investiram, em seguida, contra a Unidade da Polícia Militar onde o Coronel José Otaviano Pinto Soares, Comandante do 21º Batalhão de Caçadores, com o apoio do Comandante do Batalhão de Polícia, Major Luiz Júlio, conseguiu montar uma defesa que resistiu durante 19 horas, até render-se por falta de munição.

Cenas jamais vistas de vandalismo e crueldade tiveram lugar. Casas comerciais e

residências particulares foram saqueadas e depredadas. Navios no porto foram ocupados. Grande número de instalações foram danificadas com selvageria.

Enquanto essa arruaça dominava o ambiente da cidade, instalava-se em palácio, o “Comitê Popular Revolucionário”constituido pelas seguintes personalidades: funcionário estadual Lauro Cortez Lago, Ministro do Interior; Sargento músico Quintino Clemente de Barros, Ministro da Defesa; sapateiro José Praxedes de Andrade, Ministro do Abastecimento; funcionário postal José Macedo, Ministro das Finanças; estudante João Batista Galvão, Ministro da Viação; cabo Estevão, Comandante do 21º Batalhão de Caçadores e Sargento Eliziel Diniz Henriques, Comandante Geral da Guarnição Federal.

Os primeiros atos do Comitê foram: arrombamento de bancos e repartições públicas

Um clima de terror foi estabelecido em toda a cidade. Violações, estupros, pilhagens e roubos generalizaram-se. Dois cidadãos foram covardemente assassinados sob a acusação de que estavam ridicularizando o movimento. A população começou a fugir de Natal.

Colunas rebeldes ocuparam as localidades de Ceará- Mirim, Baixa Verde, São José do Mipibú, Santa Cruz e Canguaratema.

A primeira reação partiu de Dinarte Mariz, um chefe político do interior, que conseguiu surpreender e derrotar um grupo comunista, com uma pequena força de sertanejos.

Quando as tropas legalistas, vindas de Recife, marcharam sobre Natal, o Comitê Popular Revolucionário dissolveu-se rapidamente, sem a menor resistência.

Todos os “Ministros”e “Comandantes Militares” fugiram levando o que podiam.

Foi esta, em síntese, a história vergonhosa do mais duradouro governo comunista no Brasil, até os dias atuais. Foi a mais lamentável demonstração do que pode representar a ascensão ao poder de um grupo de comunistas inescrupulosos e dispostos às ações mais bárbaras, seguidos por uma coorte de oportunistas e ignorantes.

Os acontecimentos de Natal precipitaram a eclosão do movimento subversivo em Recife. Aí se travou o mais cruento conflito de todo o levante.

Na manhã do dia 25 de novembro, um sargento, chefiando um grupo de civis, atacou a cadeia pública de Olinda. Logo depois, o Sargento Gregorio Bezerra tentava apoderar-se do Quartel- General da 7ª Região Militar, assassinando covardemente o Tenente José Sampaio, e ferindo o Tenente Agnaldo Oliveira de Almeida, antes de ser subjugado e preso.

Na Vila Militar de Socorro, o Capitão Otacílio Alves de Lima, o Tenente Lamartine Coutinho Correia de Oliveira e o Tenente Roberto Alberto Bomilcar Besouchet, notórios comunistas, sublevaram o 29º Batalhão de Caçadores e marcharam sobre a capital pernambucana.

O Tenente- Coronel Afonso de Albuquerque Lima, subcomandante da Brigada Policial, conseguiu, entretanto, reunir um contigente que procurou deter os revoltosos.

O Capitão Malvino Reis Neto, Secretário de Segurança Pública, armou a Guarda Civil e várias organizações policiais, deslocando-as em reforço das tropas legalistas. Essa reação permitiu que as Unidades de Maceió e João Pessoa pudessem ser deslocadas para o teatro da luta e estabelecer um cerco aos revoltosos.

Na manhã do dia 25, as forças legalistas já dispunham do apoio de artilharia e atacam fortemente os comunistas. Havia mais de uma centena de mortos nas fileiras rebeldes.

No dia seguinte, Recife já estava completamente dominada pelas forças e os rebeldes derrotados.

O 20º Batalhão de Caçadores já podia se deslocar para Natal, ainda em poder dos comunistas.

Notícias confusas e alarmantes chegavam ao Rio de Janeiro dos acontecimentos de Natal e Recife.

Esperava-se uma ação comunista a qualquer momento, sem que se pudesse precisar onde surgiria.

Prestes declarou, em nota enviada a Trifino Correia em Minas Gerais , que não poderia aguardar mais tempo e que a rebelião precisava irromper dentro de dois ou três dias. Efetivamente, sua ordem para o desencadeamento das ações marcava a hora H para as duas da madrugada de 27 de novembro.

As autoridades não ignoravam que elementos comunistas infiltrados em vários quartéis estavam na iminência de uma insurreição. Mesmo assim houve muitas surpresas. Muitos dos comprometidos não figuravam nas relações de suspeitos.

Na Escola de Aviação, em Marechal Hermes , os Capitães Agliberto Vieira de Azevedo e Sócrates Gonçalves da Silva, juntamente com os Tenentes Ivan Ramos Ribeiro e Benedito de Carvalho assaltaram o quartel de madrugada, e dominaram a Unidade. Vários oficiais foram assassinados ainda dormindo. O Capitão Agliberto matou friamente o seu amigo Capitão Benedito Lopes Bragança que se achava desarmado e indefeso.

Em seguida, os rebeldes passaram a atacar o 1º Regimento de Aviação, sob o comando do Coronel Eduardo Gomes, que, apesar de ferido ligeiramente, iniciou a reação.

Forças da Vila Militar acorreram em apoio ao Regimento e, após algumas horas de violenta fuzilaria e bombardeio de artilharia, conseguiram derrotar os rebeldes.

No 3º Regimento de Infantaria, na Praia Vermelha, acontecimentos mais graves ocorreram. Os rebeldes, chefiados pelos Capitães Agildo Barata, Álvaro Francisco de Souza e José Leite Brasil conseguiram, na mesma madrugada, após violenta e mortífera refrega, no interior do quartel dominar quase totalmente a Unidade. Ao amanhecer, restava apenas um núcleo de resistência legalista, sitiado no Pavilhão do Comando, onde se encontrava o Coronel Afonso Ferreira, comandante do Regimento.

A reação dos legalistas do próprio 3º RI teve grande valia no decorrer da ação, porque impediu que a Unidade rebelada deixasse o quartel para cumprir as missões determinadas por Prestes no plano da insurreição e que incluíam o assalto ao palácio presidencial no Catete.

Nas últimas horas da madrugada, acionados diretamente pelo Comandante da 1ª Região Militar, General Eurico Gaspar Dutra, o Batalhão de Guardas e o 1­º Grupo de Obuses tomaram posição nas proximidades do aquartelamento rebelado e iniciaram o bombardeio.

Durante toda a manhã do dia 27 desenvolveu-se um duro combate. O edifício do quartel foi transformado em uma verdadeira fortaleza, defendida pelas metralhadoras dos amotinados que também ocuparam as elevações vizinhas. As explosões das granadas da artilharia reduziram a escombros as velhas paredes que o incêndio do madeiramento carbonizava. A infantaria legalista avançou muito lentamente, em razão da falta de proteção na praça fronteira ao quartel.

Os amotinados tentaram parlamentar com o comando legal, mas foram repelidos em suas propostas.

Finalmente, às 13 horas e 30 minutos, bandeiras brancas improvisadas foram agitadas nas janelas do edifício, parcialmente destruído era a rendição.

A intentona comunista de 1935 no Brasil é apenas um episódio no imenso repertório de crimes que o comunismo vem cometendo no mundo inteiro para submeter os povos ao regime opressor denominado “ditadura do proletariado”. Desde o massacre da família real russa, das execuções na época de Stalin, das invasões da Hungria, da Tchecoslováquia e do Afeganistão.

No seu desmedido plano de domínio universal, foi sempre apoiado na escravização, na tortura e no assassinato de milhões de entes humanos, cuja dor e cujo sangue parecem ser a marca indispensável das conquistas comunistas.

Ostentando dísticos enganadores, agitando falsas promessas, os comunistas de 1935, como de hoje, são os mesmos arautos da sujeição e da opressão.

Queremos deixar aqui registrados, os autores intelectuais, bem como os que participaram diretamente deste ato covarde e antipatriótico a soldo de uma Nação estrangeira.

Como réus, incursos nas penas do art.1º, combinado com o art.49 da Lei nº 38,de 04 de abril de 1935.

” Ex-capitão Luiz Carlos Prestes— Arthur Ernest Ewert ou Harry Berger( agente estrangeiro ) Rodolfo Ghioldi ( agente estrangeiro )— Leon Jules Vallée (agente estrangeiro )— Antonio Maciel Bonfim ou Adalberto de Andrade Fernandes— Honorio de Freitas Guimarães— Lauro Reginaldo da Rocha ou Lauro Reginaldo Teixeira— Adelino Deycola dos Santos— ex-major Carlos da Costa Leite—Dr Ilvo Furtado Soares de Meireles— ex-capitão-tenente Hercolino Cascardo—ex-capitão-tenente Roberto Faller Sisson— Benjamin Soares Cabello— Dr Francisco Mangabeira— Dr Manoel Venancio Campos da Paz— ex-capitão Carlos Amorety Osorio— Dr Pedro Ernesto Baptista— ex-capitão Agildo da Gama Barata Ribeiro— ex-capitão Alvaro Francisco de Souza— ex-capitão José Leite Brasil— ex-capitãoSócrates Gonçalves da Silva— ex- capitãoAglibertoVieira de Azevedo— ex-primeiro tenente David de Medeiros Filho— ex-primeiro tenente Durval Miguel de Barros— ex-primeiro tenente Celso Tovar Bicudo de Castro— ex-primeiro tenente Benedicto de Carvalho—ex-segundo tenente Francisco Antonio Leivas Otero— ex-segundo tenente Mario de Souza— ex-segundo tenenteAntonio Bento Monteiro Tourinho— ex-segundo tenente José Gutman—ex-segundo tenente Raul Pedroso— ex- segundo tenente Ivan Ramos Ribeiro— ex segundo tenente Humberto Baena de Moraes Rego— ex-terceiro sargentoVictor Ayres da Cruz.”

“…Resolve ainda, o Tribunal, por unanimidade de votos absolver, como absolve os accusados Hercolino Cascardo, Roberto Faller Sisson, Carlos Amorety Osório, Francisco Mangabeira , Benjamin Soares Cabello e Manoel Venâncio Campos da Paz, da accusação de haverem commetido o crime do art.1º da lei nº 38, de 4 de abril de 1935, por não estar provado que os mesmos tivessem tentado mudar, por meios violentos, a forma de governo, ou a
Constituição da Republica.

Sala das Sessões, em 7 de maio de 1937- Barros Barreto, presidente – Raul Machado, relator – Costa Netto – Lemos Bastos – Pereira Braga – Himalaya Vergolino, presente.

Os demais implicados, quer os simples executores materiais, quer os que prestaram auxílio ou forneceram instruções para a execução do delito, se enquadram na categoria dos co-réus

Para vergonha e repúdio da Nação, o nome de Luiz Carlos Prestes, covarde assassino e vendilhão de sua pátria, é dado a logradouros públicos, por indicação de autoridades executivas ou de políticos levianos e oportunistas, sem o menor sentimento de patriotismo.

Certamente, desconhecem a verdadeira história ou esposam ainda filosofias sanguinárias e ditatoriais.

Fonte: www.ternuma.com.br

Intentona Comunista

Foi uma insurreição político-militar promovida pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB, em novembro de 1935, com o objetivo de derrubar o presidente Getúlio Vargas e instalar um governo socialista no Brasil.

Fundado em 1922, o Partido Comunista Brasileiro fortalece-se apenas no final da década, ao intensificar sua participação nas campanhas eleitorais e penetrar no proletariado urbano e nos meios trabalhadores rurais.

Após a Revolução de 30, recebe a adesão de militantes e líderes tenentistas, entre eles o ex-capitão Luís Carlos Prestes. Depois de uma estada na União Soviética, Prestes retorna ao Brasil e, em 1934, passa a participar da dereção partidária.

Aliança Liberal Libertadora (ANL)

Com o crescimento do fascismo na Europa e do integralismo no Brasil, as lideranças políticas democráticas e de esquerda decidem reproduzir no país o modelo das frentes populares européias.

Com esse objetivo, em março de 1935 é criada no Rio de Janeiro a ANL, reunindo ex-tenentes, comunistas, socialistas, líderes sindicais e liberais excluídos no poder.

A Aliança aprova um programa de reformas sociais, econômicas e políticas que inclui aumento dos salários, nacionalização de empresas estrangeiras, proteção aos pequenos e médios proprietários e defesa das liberdades públicas.

Luís Carlos Prestes é convidado para a presidência de honra da organização. A ANL cresce tão rapidamente quanto a sua adversária AIB (Ação Integralista Brasileira).

Os confrontos entre militantes comunistas e integralista tornam-se cada vez mais frequentes.

Aproveitando o apoio da sociedade à causa antifascista, Prestes lança em julho de 1935, em nome da ANL, um documento pedindo a renúncia do presidente Getúlio Vargas.

Em represália, o governo decreta a ilegalidade da ANL. Impedida de atuar publicamente, a organização perde a força, pois só funcionava na ilegalidade.

Levante nos quartéis

Com o apoio de prestes e contando com a adesão de simpatizantes aliancistas em importantes unidades do Exército, o PCB prepara uma rebelião militar.

O levante dos quartéis seria o sinal para uma greve geral e o início da revolução popular.

A revolta começa precipitadamente nas cidades de Natal e do Recife, nos dias 23 e 24 de novembro. Em função dessa antecipação inesperada, os chefes do movimento apressam a mobilização no Rio de Janeiro para a madrugado do dia 27.

O 3o. Regimento da Infantaria, na Praia Vermelha, e a Escola de Aviação, no Campo dos Afonsos, são palco das revoltas.

Mas o governo está preparado e conta com a lealdade das Forças Armadas.

Os rebeldes são encurralados pelas artilharias do Exército e da Marinha e dominados rapidamente.

A rebelião é derrotada no mesmo dia em que começa devido a falta de organização.

Em todo o país, revoltosos e simpatizantes são perseguidos, seus chefes são presos, alguns torturados e mortos. Prestes fica na prisão até 45.

Sua mulher, Olga Benário, comunista e judia, é entregue pela polícia do Estado Novo à Gestapo, polícia política nazista, e morre em 42 num campo de concentração da Alemanha nazista.

Após a Intentona, o PCB é condenado à clandestinidade.

Fonte: EncBrasil

Intentona Comunista

REVOLTA E REPRESSÃO

Intentona Comunista
Luís Carlos Prestes, ao centro, na prisão em 1941

Em março de 1935 foi criada no Brasil a Aliança Nacional Libertadora (ANL), organização política cujo presidente de honra era o líder comunista Luís Carlos Prestes.

Inspirada no modelo das frentes populares que surgiram na Europa para impedir o avanço do nazi-fascismo, a ANL defendia propostas nacionalistas e tinha como uma de suas bandeiras a luta pela reforma agrária. Embora liderada pelos comunistas, conseguiu congregar os mais diversos setores da sociedade e rapidamente tornou-se um movimento de massas. Muitos militares, católicos, socialistas e liberais, desiludidos com o rumo do processo político iniciado em 1930, quando Getúlio Vargas, pela força das armas, assumiu a presidência da República, aderiram ao movimento.

Com sedes espalhadas em diversas cidades do país e contando com a adesão de milhares de simpatizantes, em julho de 1935, apenas alguns meses após sua criação, a ANL foi posta na ilegalidade. Ainda que a dificuldade para mobilizar adeptos tenha aumentado, mesmo na ilegalidade a ANL continuou realizando comícios e divulgando boletins contra o governo. Em agosto, a organização intensificou os preparativos para um movimento armado com o objetivo de derrubar Vargas do poder e instalar um governo popular chefiado por Luís Carlos Prestes. Iniciado com levantes militares em várias regiões, o movimento deveria contar com o apoio do operariado, que desencadearia greves em todo o território nacional.

Intentona Comunista
Pedro Ernesto na prisão

O primeiro levante militar foi deflagrado no dia 23 de novembro de 1935, na cidade de Natal. No dia seguinte, outra sublevação militar ocorreu em Recife. No dia 27, a revolta eclodiu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal. Sem contar com a adesão do operariado, e restrita às três cidades, a rebelião foi rápida e violentamente debelada. A partir daí, uma forte repressão se abateu não só contra os comunistas, mas contra todos os opositores do governo. Milhares de pessoas foram presas em todo o país, inclusive deputados, senadores e até mesmo o prefeito do Distrito Federal, Pedro Ernesto Batista.

A despeito de seu fracasso, a chamada revolta comunista forneceu forte pretexto para o fechamento do regime. Depois de novembro de 1935, o Congresso passou a aprovar uma série de medidas que cerceavam seu próprio poder, enquanto o Executivo ganhava poderes de repressão praticamente ilimitados. Esse processo culminou com o golpe de Estado de 10 de novembro de 1937, que fechou o Congresso, cancelou eleições e manteve Vargas no poder. Instituiu-se assim uma ditadura no país, o chamado Estado Novo, que se estendeu até 1945.

Dulce Chaves Pandolfi

Fonte: www.cpdoc.fgv.br

Intentona Comunista

A Intentona Comunista de 1935 não foi um episódio isolado que ocorreu apenas no Rio Grande do Norte. Ela surgiu dentro de um contexto internacional e, ao mesmo tempo, brasileiro.

Na “História do Povo Brasileiro” se encontra a descrição do cenário no qual a Intentona se realizou: “Naquela época de agudos conflitos sociais, a democracia clássica se imobiliza, enleada em impedimentos formais, enquanto os ditadores de esquerda e de direita, vencidos os impecilhos internos preparavam-se para o inevitável confronto mundial (…) O Brasil tornou-se, assim, o grande centro de competições entre os idealistas totalitários, na América Latina, no interregno liberal de 1934 a 1937.

A Constituição de 1934, que havia escolhido Getúlio Vargas para presidente da República por via indireta, ensejou a formação de partidos políticos. Entre as organizações partidárias nascidas na ocasião estava a “Aliança Nacional Libertadora”, de orientação comunista, cujo presidente de honra era Luís Carlos prestes, filiado ao PC (Partido Comunista) desde 1928. A “Aliança Nacional Libertadora’ encarregou-se organizar greves e manifestações públicas onde pediam o candelamento da dívida imperialista, nacionalização de empresas estrangeiras e o fim do latifúndio, entre outras reivindicações.

Objetivam também: impor o vasto programa da ANL (Aliança Nacional Libertadora); a queda do governo Vargas; o fim do fascismo; a defesa da pequena propriedade; jornada de oito horas de trabalho; aposentadoria, e defesa do salário mínimo.

Foi a ANL que inspirou o movimento comunista que eclodiu em novembro de 1935 na cidade de Natal e que ficou conhecido como sendo a Intentona Comunista.

O fato é que, como disse Tarcísio Medeiros, “foi nesse ambiente que o interregno liberal, de 1934 a 1937, foi dominando o Brasil, no qual as correntes democráticas perdiam o controle das massas e das ruas, envolvidas nas competições pessoais e nas tricas de campanário”.

Fonte: www.tribunadonorte.com.br

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