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Revolução de 30

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Revolução de 30 – Getúlio Vargas

revolução de 1930 ocorreu porque uma grave crise econômica e política atingia o país. A quebra da bolsa de valores de Nova Yorque refletiu tremendamente no Brasil e fábricas fecharam, demissões em massa ocorreram, salários cairam e havia dois milhões de desempregados no país.

Cairam as cotações de café no mercado internacional e o Brasil, pricnipal exportador deste, ficou prejudicado, pois o café permaneceu estocado, sem compradores.

Politicamente também a situação se conduzia mal. Havia entre São Paulo e Minas Gerais um revezamento na presidência da república, o chamado esquema “café com leite”. Esse esquema sofreu um grande abalo.

Atendendo aos apelos dos fazendeiros paulistas, o presidente Washington Luis impôs o nome de Júlio Prestes para sua sucessão em 1930, quebrando o acordo anterior.

Inconformado, o partido republicano mineiro uniu-se ao do Rio Grande do Sul, formando a Aliança Liberal e lançando a candidatura de Vargas à presidência.

Mas por trás dessa aliança havia participantes do movimento tenentista, jovens oficiais que desde 1922 lutavam para derrubar a República Velha. Líderes como Miguel Costa, Luis Carlos Prestes, Juarez Távora, Siqueira Campos e outros, que eletrizaram o país em 1924/25 na campanha da coluna Prestes, representavam perspectivas de mudanças.

Em 1930 a Aliança Liberal era a grande esperança brasileira, mantendo um programa progressista. O programa apresentado por Getúlio Vargas prometia ainda solucionar as questões sociais isto é, fazer justiça ao povo.

A Aliança Liberal, com Getúlio à frente, partiu para o “assalto armado” ao poder e derrubou a velha situação.

Em 1930 Getúlio Vargas toma posse da presidência da república.

Os Antecedentes

O Dr. Washington Luís assumiu o poder em 15 de novembro de 1926. A tensão política logo se agravou quando ele recusou anistia aos revolucionários.

Em São Paulo, morrera o Presidente Carlos de Campos, sucedendo-lhe Júlio Prestes, que assumiu a presidência do Estado em 14 de junho de 1927.

Antônio Carlos Ribeiro de Andrade, Presidente de Minas Gerais, resolveu seguir outra orientação; de conservador tornou-se liberal, deixando entrever sua ambição de chegar à presidência da República.

Era praxe antiga, quebrada apenas pela ascensão de Hermes da Fonseca e Epitácio Pessoa, São Paulo e Minas Gerais alternarem-se nas sucessões presidenciais.

Pela ordem natural caberia desta feita a Minas Gerais fazer o Presidente da República. Washington Luís, entretanto, prestigiou Júlio Prestes, demonstrando antipatia pelo governante mineiro e aproximando-se dos gaúchos.

Os mineiros, por seu turno, procuraram apoio no Rio Grande do Sul, com o propósito de afastar o candidato paulista, mesmo que importasse na renúncia de Minas.

De um entendimento entre o Secretário do Interior de Minas Gerais. Francisco Campos, e o líder da bancada gaúcha, João Neves da Fontoura, nasceu a Aliança Liberal, em 17 de junho de 1929, com a indicação dos nomes de Getúlio Vargas ou Borges de Medeiros para candidatos. O primeiro, evitando desgastar-se, procurou não estabelecer áreas de atrito com o poder central.

Revolução de 30 – Getúlio Vargas

Em duas cartas secretas a Washington Luís, uma de dezembro de 1928 outra de maio de 1929, afirmou apoiar o governo. Mas, para a perplexidade de Washington Luís, Vargas aceitava, em julho de 1929, a sua candidatura à presidência pela Aliança, tendo João Pessoa, Presidente da Paraíba, como companheiro de chapa. Em 15 de agosto, a Comissão Executiva da Aliança Liberal lançou a candidatura Getúlio Vargas João Pessoa.

Os tenentes revolucionários foram abordados pela ala radical da Aliança, onde figuravam, entre outros líderes, Virgílio de Melo Franco, João Neves da Fontoura e Flores da Cunha. No Rio Grande do Sul, Siqueira Campos aproximou Luís Carlos Prestes de Getúlio, que lhe ofereceu o comando revolucionário, garantindo apoio em dinheiro e armamento. Prestes não estava acreditando no movimento, achando-o “competição de oligarquias”. As suas tendências para a esquerda causavam desconfianças.

O delegado Laudelino de Abreu detectou a conspiração em janeiro de 1930.

A rebelião crescia também nos meios políticos paulistas. Alguns oficiais revolucionários seguiram para São Paulo, conduzidos por Siqueira Campos e Djalma Dutra.

A polícia paulista localizou-os em uma casa da rua Bueno de Andrade e esperou que saíssem. Ao se retirarem do referido prédio foram recebidos à bala.

Siqueira Campos reagiu a tiros, conseguindo escapar. Djalma Dutra e Correa Leal foram presos, sendo remetidos para o Rio de Janeiro. Caio Brant estreitava as ligações com Minas Gerais.

No Rio de Janeiro atuavam os conspiradores Tasso Tinoco, Eduardo Gomes, Delso Fonseca, Adir Guimarães e Cordeiro de Farias.

No Nordeste, a conspiração também ia ganhando corpo.

A polícia apertou o cerco; a 11 de janeiro, Juarez Távora foi preso na Fortaleza de Santa Cruz. O Chefe de Polícia da capital. Dr. Pedro de Oliveira Sobrinho, acompanhava de perto os passos dos revolucionários e teve conhecimento de que Juarez planejava uma fuga. Mesmo assim ele conseguiu evadir-se (28 de fevereiro) com alguns companheiros.

Miracema era o ponto de concentração de Estillac Leal e outros. Dezoito dias depois Juarez se juntaria a eles, após restabelecer-se de alguns ferimentos ocasionados pela fuga.

Aproximaram-se as eleições e as caravanas partiam para as campanhas eleitorais. A tônica dos discursos era a critica arrasadora à plataforma de Júlio Prestes e aos atos de intolerância do Presidente Washington Luís.

Com as manifestações, exasperavam-se os ânimos da população, João Neves, diante das reações do auditório do Teatro Princesa Isabel em Recife, Pernambuco, antecipou:

“Vamos para as urnas na expectativa de um pleito liso e límpido. Mas jamais, pernambucanos, aceitaremos como boa a sentença da fraude ou nos renderemos à imposição da violência oligárquica. (…) Ide, pernambucanos, para os comícios, confiantes no Direito que nos assiste. (…) Mas, se a 1º de março os donatários do Brasil tentarem apagar no mar morto da trapaça o pronunciamento da Nação, levantemo-nos então em armas por amor ao Brasil!”

Nem sempre as caravanas encontravam receptividade. Batista Luzardo, em Garanhuns, embora conseguisse sair ileso na fuga de um comício, teve o carro várias vezes perfurado a balas. Em Vitória, Espírito Santo, quando discursava o Senador Félix Pacheco, irrompeu um tiroteio que provocou mais de 100 vítimas, entre mortos e feridos.

Foi nesse clima de agitada campanha eleitoral que chegou o dia 1º de março. Além das várias sondagens sobre as possibilidades eleitorais feitas por Oswaldo Aranha, Lindolfo Collor e Joaquim Sampaio Vidal, seguiam paralelamente as providências para o movimento armado. Na época era comum a fraude eleitoral.

Júlio Prestes, ostentando boa margem de votos, foi aclamado pelos conservadores, inclusive pelo Presidente da República. E, em navio do Lloyd, embarcou para os Estados Unidos.

Vários próceres do Rio Grande do Sul opinavam que o melhor caminho seria o reconhecimento da vitória do adversário, acatando o resultado das urnas. Todavia, a reação dos extremados foi imediata.

Não aceitavam a capitulação. Assis Brasil dizia que o Partido Libertador iria, com seus aliados, até às últimas conseqüências.

A conspiração cresceu e, a 20 de março, Batista Luzardo dirigiu-se a Epitácio Pessoa para pedir colaboração, afirmando que o Rio Grande do Sul estava pronto e à espera do apoio de Minas e da Paraíba.

Oswaldo Aranha planejou a distribuição das armas trazidas da Tchecoslováquia.

O Norte ficara a cargo de Juarez Távora, que se evadira da Fortaleza de Santa Cruz, no Rio de Janeiro, a 28 de fevereiro de 1930, e viajara para a capital da Paraíba, instalando-se na casa do Tenente Juracy Magalhães; São Paulo, de Siqueira Campos; por Minas responderia o Capitão Leopoldo Nery da Fonseca. Intensificaram-se as articulações.

O quadro revolucionário alterou-se com a declaração de Luís Carlos Prestes, que se convertera ao comunismo. Siqueira Campos e João Alberto rumaram para Buenos Aires, no início de maio, a convite de Prestes, onde lhes afirmou ainda não ser a revolução em marcha a que ele desejava. A reforma do Brasil, segundo ele, só seria alcançada com o regime marxista ao qual ele havia se convertido.

Não foi possível demovê-lo de sua posição radical, colocada de público com o lançamento do seu Manifesto, nesse mesmo mês de maio. Na viagem de retorno, a 9 de maio, utilizaram um avião “Laté-28” monomotor que caiu no Rio da Prata, morrendo quatro passageiros, inclusive Siqueira Campos, mas João Alberto conseguiu sobreviver.

No dia 22 de maio, Júlio Prestes foi proclamado Presidente e a 1º de junho Getúlio lançou um manifesto que, censurando o resultado do pleito, aceitava no entanto a derrota como fato consumado.

Oswaldo Aranha demitiu-se da Secretaria do Interior do Rio Grande do Sul. João Pessoa encontrava-se às voltas com os jagunços de José Pereira Lima, que dominava a cidade de Princesa.

Era difícil conseguir armamento. O governo federal negava à Paraíba recursos para aparelhar a polícia. O Estado estava na iminência de sofrer intervenção federal.

E a imprensa ligada a João Pessoa excedeu-se contra o advogado Dr. João Duarte Dantas, filho de Franklin Dantas, aliado de José Pereira.

O ódio de João Dantas cresceu com a publicação de papéis particulares apreendidos em sua casa pela polícia. Jurou vingança. E às 17 horas do sábado 26 de julho de 1930, entrou na confeitaria Glória, em Recife, onde se encontravam em uma mesa o Presidente João Pessoa, Agamenon Magalhães e Caio Lima Cavalcanti e descarregou três tiros em João Pessoa. O crime teve muita repercussão no campo político; era um novo impulso dado à revolução.

Virgílio de Melo Franco, sem perda de tempo, reativou contatos com Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Em São Paulo o Capitão Ricardo Hall assumiu o posto de Siqueira Campos, mas, descoberto, teve de fugir.

Os irmãos Etchgoyen foram designados para Mato Grosso. Juarez reativava o Norte.

Em agosto, veio o apoio de Borges de Medeiros, resultado do esforço de Oswaldo Aranha. O movimento recebeu a adesão de outros oficiais do Exército.

O Tenente-Coronel Pedro Aurélio de Goes Monteiro foi escolhido chefe do estado-maior revolucionário. A eclosão estava preparada para o dia 3 de outubro.

Revolução de 1930 – Movimento

O movimento de outubro de 1930, tradicionalmente denominado Revolução de 30, foi um dos principais acontecimentos políticos da República Velha na medida em que alterou a composição de forças até então vigente no cenário político brasileiro.

Apesar dos limites bastante próximos dos seus efeitos quanto a uma mudança significativa na estrutura sócio-política do país – daí questionar-se a utilização do termo revolução para classificar tal movimento, – a dita revolução rompeu o monopólio exercido até então pelas oligarquias cafeeiras e abriu caminho para a modernização do capitalismo no país, viabilizando a implantação de uma política econômica voltada também para a industrialização.

Revolução de 30 foi o momento final de um processo que teve início com o rompimento da tradicional política do café com leite, na qual as oligarquias de Minas Gerais e São Paulo promoviam um revezamento no poder federal. A indicação de Júlio Preste, um paulista, para a sucessão do também paulista Washington Luís, provocou a dissidência dos mineiros, que se aliaram a Aliança Liberal, apoiando a chapa de oposição composta por Getúlio Vargas para presidente e João Pessoa, da Paraíba, como vice. Nas eleições de 1930, como de costume, a máquina eleitoral, fraudulenta e viciada, foi manipulada por ambos os lados, porém a vitória coube ao candidato da situação, Júlio Preste.

Revolução de 30 – Getúlio Vargas

O resultado das eleições não foi aceito pelos aliancistas e um fato novo atuou como elemento desencadeador da Revolução, o assassinato, na Paraíba, do candidato a vice na chapa de Getúlio Vargas, João Pessoa.

A Aliança Liberal, formada para disputar as eleições, apoiou o movimento que conduziu Vargas ao poder. Apesar de sua composição heterogênea, os aliancistas uniam-se em torno da necessidade de desarticular a estrutura vigente, obviamente por motivos diferentes. Entre os aliancistas encontravam-se representantes de oligarquias agrárias regionais secundárias, dissidentes da oligarquia paulista (fundadores do Partido Democrático), representantes do operariado sob a liderança do Partido Comunista Brasileiro, militares do movimento tenentista, que já na década de 20 provocou abalos na hegemonia política da oligarquia cafeeira, ainda que com um vago programa de oposição antioligárquica e de moralização do processo eleitoral, e também elementos ligados ao setor industrial, relegado a um segundo plano em benefício do café.

Revolução foi desencadeada em 3 de outubro de 1930 e a 3 de novembro Getúlio Vargas assumia como o novo presidente do Brasil.

Revolução de 1930 – História do Brasil

Revolução de 1930, que pôs fim à Primeira República, foi, para muitos historiadores, o movimento mais importante da história do Brasil do século XX.

Foi ela quem, para o historiador Boris Fausto, acabou com a hegemonia da burguesia do café, desenlace inscrito na própria forma de inserção do Brasil, no sistema capitalista internacional.

Na Primeira República, o controle político e econômico do país estava nas mãos de fazendeiros, mesmo se as atividades urbanas eram o pólo mais dinâmico da sociedade. Entre 1912 e 1929, a produção industrial cresceu cerca de 175%.

No entanto, a política econômica do governo continuava privilegiando os lucros das atividades agrícolas. Mas, com a crise mundial do capitalismo em 1929, a economia cafeeira não conseguiu manter-se.

O Presidente Washington Luís (1926-1930), com algumas medidas, tentou conter a crise no Brasil, mas em vão. Em 1929, a produção brasileira chegava a 28,941 milhões, mas só foram exportados 14, 281 milhões de sacas, e isto num momento em que existiam imensos estoques acumulados.

O maior partido de oposição ao partido republicano de Washington Luís era a Aliança Liberal. Era liderado pelo então governador do Rio Grande do Sul, Getúlio Dorneles Vargas.

Mesmo sendo apoiado por muitos políticos que tinham sido influentes na Primeira República, como os ex-presidentes Epitácio Pessoa e Artur Bernardes, seu programa apresentava um certo avanço progressista: jornada de oito horas, voto feminino, apoio às classes urbanas. A Aliança Liberal foi muito influenciada pelo tenentismo, que foi um movimento de jovens militares que defendiam a moralização administrativa e cujo slogan era representação e justiça.

Nas eleições de 1930, a Aliança Liberal perdeu, vencendo o candidato republicano Júlio Prestes. Mas, usando como pretexto o assassinato do aliancista João Pessoa por um simpatizante de Washington Luís, João Dantas, Getúlio Vargas e seus partidários organizaram um golpe que, em outubro de 1930, tirou Washington Luís do poder. Getúlio Vargas tomou posse do governo no dia 3 de novembro 1930, data que ficou registrada como sendo o fim da Primeira República.

No início de seu governo, com a centralização do poder, Vargas iniciou a luta contra o regionalismo. A administração do país tinha que ser única e não, como ocorria na República Velha, ser dividida pelos proprietários rurais. Muitas medidas que tomou no plano econômico financeiro não resultaram de novas circunstâncias, mas das circunstâncias impostas pela crise mundial.

O Brasil dependia demais do comércio do café para que o novo presidente o abandonasse.

Para controlar a superprodução e a crise no Brasil, Vargas mandou destruir todos os estoques de café. Mesmo, com a crise mundial, conhecida como crash de 1929, houve uma intensa aceleração do desenvolvimento industrial. Entre 1929 e 1939, a indústria cresceu 125%, enquanto na agricultura o crescimento não ultrapassou 20%.

Esse desenvolvimento deu-se por causa da diminuição das importações e da oferta de capitais, que trocaram a lavoura tradicional em crise, pela indústria. Mas, foi a participação do Estado, com tarifas protecionistas e investimentos, que mais influiu nesse crescimento industrial. Diferentemente do que ocorreu na República Velha, começaram a surgir planos para a criação de indústrias de base no Brasil.

Esses planos realizar-se-iam com a inauguração da usina siderúrgica de Volta Redonda em 1946.

A partir de 1930, a sociedade brasileira viveu importantes mudanças. Acelerou-se o processo de urbanização e a burguesia começa a participar cada vez mais na vida política. Com o progresso da industrialização, a classe operária cresceu muito.

Vargas, com uma política de governo dirigida aos trabalhadores urbanos, tentou atrair o apoio dessa classe que era fundamental para a economia, pois tinha em mãos o novo motor do Brasil: a indústria. A criação do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, em 1930, resultou numa série de leis trabalhistas.

Parte delas visava ampliar direitos e garantias do trabalhador: lei de férias, regulamentação do trabalho de mulheres e crianças.

Todo esse processo de desenvolvimento, no Brasil, foi acompanhado por uma verdadeira revolução cultural e educacional que acabou garantindo o sucesso de Vargas na sua tentativa de transformar a sociedade.

Como disse Antônio Cândido, não foi o movimento revolucionário que começou as reformas [do ensino]; mas ele propiciou a sua extensão para todo o país.

Em 1920, reformas promovidas separadamente por Sampaio Dória, Lourenço Filho, Anísio Teixeira e Fernando Campos já buscavam a renovação pedagógica. A partir de 1930, as medidas para a criação de um sistema educativo público foram controladas oficialmente pelo governo.

Esta vontade de centralizar a formação e de torná-la acessível aos mais pobres ficou clara com a criação do Ministério da Educação e Saúde em novembro de 1930. Seu primeiro ministro foi Francisco Campos (1930-1932). Com a difusão da instrução básica, Vargas acreditava poder formar um povo mais consciente e mais apto às exigências democráticas, como o voto, e uma elite de futuros políticos, pensadores e técnicos.

Em 1931, o governo decretou a obrigatoriedade do ensino religioso nas escolas públicas. Esta aproximação entre Estado e Igreja também foi marcada pela inauguração, a 12 de outubro de 1931, da estátua do Cristo Redentor no Corcovado. O historiador Boris Fausto afirmou que a Igreja, em troca, levou a massa da população católica a apoiar o novo governo. Em relação ao ensino superior, o governo procurou estabelecer as bases do sistema universitário, investindo nas áreas de ensino e pesquisa. Foram contratados jovens professores europeus como Claude Lévy-Strauss que se tornaria, mais tarde, o criador da antropologia estruturalista.

Além de haver um desenvolvimento educacional, houve uma verdadeira revolução cultural em relação à República Velha. O modernismo, tão criticado antes de 1930, tornou-se o movimento artístico principal a partir do golpe de Vargas. A Academia de Letras, tão admirada antes, não tinha mais nenhum prestígio. A cultura predominante era a popular que, com o rádio, desenvolveu-se por todo o Brasil. Como analisou Antônio Cândido, nos anos 30 e 40, por exemplo, o samba e a marcha, antes praticamente confinados aos morros e subúrbios do Rio, conquistaram o país e todas as classes, tornando-se um pão-nosso quotidiano de consumo cultural.

No entanto, foram os intelectuais partidários da Revolução de 1930, como Caio Prado Júnior, quem tiveram um papel essencial no processo de desenvolvimento cultural do Brasil. Sérgio Buarque de Holanda, com Raízes do Brasil principalmente, influenciou muito o desenvolvimento do nacionalismo no Brasil. Em este ensaio, Sérgio Buarque de Holanda buscou entender como se fez o processo da formação do Brasil como nação. Analisou a história desde a chegada dos ibéricos à América até os anos 1930. Este livro, como apontou Antônio Cândido, formou a mentalidade de muitos estudantes a partir de 1936, quando foi publicado. Nesse livro, Sérgio Buarque de Holanda não só analisa o passado mas também dá os objetivos brasileiros para o futuro, principalmente no último capítulo do livro ( Nossa Revolução).

Raízes do Brasil demonstrou que a independência do Brasil não se fez em 1822, pois a formação de uma nação não só se devia entender em relação à administração. O Brasil, para o autor, só seria independente quando não houvesse mais marcos, a não ser o passado, da era colonial. O retrato que Sérgio Buarque fez do livro é extremamente comparativo e psicológico. O conceito de homem cordial, que estudou em seu quinto capítulo, caracterizou o brasileiro como tendo uma personalidade única, diferente da dos europeus. Mas, como disse, com a simples cordialidade não se criam os bons princípios. Por isso, defendeu tanto a industrialização e a centralização do poder, pois eram características da era pós 30

Sérgio Buarque de Holanda, com Giberto Freyre, formavam uma nova ala de intelectuais inovadores do Brasil.

São os fundadores da Universidade de Ciências Sociais do Brasil e são os pioneiros dos movimentos nacionais e a favor da democratização da sociedade. Raízes do Brasil, mas também outros livros como Casa-Grande e Senzala de Gilbetro Freyre, quebra com todos os pensamentos expostos antes da Revolução de 1930. Como aponta Renato Ortiz, o que era mestiço torna-se nacional

Na República Velha, como o mostra Os Sertões de Euclides da Cunha, todas as raças que não fossem brancas eram inferiores. Mas, com suas obras, o entendimento popular da escravidão transformou-se muito. Sérgio Buarque de Holanda entende que não adianta mais separar o mundo em classes. Mas uni-las para formar uma nação.

Vem daí a crítica dos sociólogos dos anos 30 aos movimentos integralistas (fascismo brasileiro) e comunistas. Nisto ele foi importantíssimo para a Revolução de 1930 pois os grupos extremistas já estavam bem fortes e, com sua obra-prima, queriam até tomar o poder. Mesmo não sendo oficialmente marxista, sua análise do processo histórico que abriria, no futuro, a total independência do país em relação à agricultura e à Europa.

Fonte: www.conhecimentosgerais.com.br/elogica.br.inter.net/www.culturabrasil.pro.br

 

 

 

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