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Economia da Borracha

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Economia da Borracha – História

Durante quase meio século, de 1870 a 1920, a produção de borracha na Amazônia é uma das mais importantes atividades econômicas do país.

Envolvendo cerca de 100 mil pessoas, em grande parte nordestinos retirantes das grandes secas da década de 1870, a exportação do látex amazônico chega a atingir médias anuais de 40 mil toneladas, enviadas para os Estados Unidos e para a Europa.

Grandes bancos, empresas de comércio e companhias de navegação inglesas, francesas e norte-americanas instalam agências em Belém e Manaus, algumas delas centralizando seus negócios no Brasil e na América do Sul.

A prosperidade e a modernização exibidas por essas duas cidades, com seus teatros, cafés, palacetes, lojas, bondes, telefones e luz elétrica, são resultado da combinação da riqueza natural da floresta com o avanço da revolução industrial.

Os milhões de seringueiras nativas concentradas na Amazônia Ocidental, sobretudo nas áreas que viriam a constituir o estado do Acre, representam uma imensa fonte de goma elástica.

E a aceleração da indústria automotiva, a partir da invenção do motor a combustão e dos pneus de borracha vulcanizada, cria um enorme mercado consumidor dessa matéria-prima.

Juntando as duas pontas do processo estão os milhares de seringueiros, com sua mão-de-obra barata, e os agenciadores; os coronéis donos das terras; os regatões, arrendatários dos seringais e transportadores do produto; e as empresas exportadoras.

A riqueza da borracha parece ilimitada, e a modernidade da belle époque chega à selva. Mas, logo após a I Guerra Mundial (1914-1918), notam-se sinais de rápido declínio.

O consumo mundial diminui momentaneamente e, o mais grave, começa a ser suprido por países da Ásia, para onde a seringueira fora levada clandestinamente por grupos ingleses.

Amazônia fica sem o monopólio dessa matéria-prima e, com isso, perde o interesse para os grandes investimentos e empreendimentos capitalistas internacionais, entrando então num processo de decadência econômica.

Economia da Borracha – Processo

Com o aperfeiçoamento do processo de vulcanização, a borracha proveniente da seringueira tornou-se um produto altamente valorizado no mercado internacional e crucial para a expansão da então nascente indústria automobilística, tendo ainda muitas outras aplicações industriais.

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Economia da Borracha

Por volta de 1880 até 1914, a borracha amazônica foi um dos principais produtos da pauta brasileira de exportações, ficando atrás somente do café, o que gerou para os cofres dos governos estadual e federal elevadas somas advindas do recolhimento de impostos.

Daí as duas décadas seguintes à proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, terem sido marcadas de forma contundente pela exploração da seringueira na Amazônia, que abundava nas regiões dos altos rios amazonenses.

Já no século XX, a alta carga de impostos federais que incidia sobre o produto amazônico teria tornado viável e lucrativa a implantação, por parte de europeus e norte-americanos, de extensos seringais no Sudeste Asiático.

Aproveitando o excepcional aquecimento da economia amazonense, Manaus transformou-se de um simples vilarejo à beira do rio Negro em uma pujante cidade, dotada de infraestrutura urbana moderna, tornando-se a sede dos negócios que giravam em torno da borracha na Amazônica ocidental.

O governador Eduardo Ribeiro destacou-se por suas ações administrativas visando à estruturação urbana e paisagística de Manaus, dotando, inclusive, a cidade com o Teatro Amazonas, a mais importante demonstração de refinamento e bom gosto da Belle Époque no Brasil, inaugurado em dezembro de 1896.

Manaus tornou-se tão poderosa que abrigava um dos maiores milionários do mundo, o comendador J. G. Araújo, proprietário de extensos seringais. De 1899 a 1903, a capital amazonense custeou o processo de usurpação de parte do território boliviano, o Acre, que por fim foi anexado ao Brasil mediante o pagamento de dois milhões de libras esterlinas.

Em janeiro de 1909, os amazonenses criaram a primeira universidade brasileira, que recebeu o nome de Escola Universitária Livre de Manaus, atualmente denominada de Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

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Seringueiro, o Herói Anônimo

Com o declínio da economia da borracha, o Amazonas passou por um longo período de estagnação econômica, que vai de 1914 ao início da década de 1940.

Com o acesso aos seringais asiáticos bloqueado pelos japoneses durante a Segunda Guerra Mundial, os norte-americanos financiaram a retomada da produção da borracha durante um breve período, de 1941 a 1945, em que houve a exportação de mais de 70 mil toneladas do produto.

Data dessa década a criação do Banco da Amazônia (Basa) e de outros mecanismos de apoio ao desenvolvimento regional. Com o fim da guerra e o desinteresse norte-americano pelo produto amazônico, o governo brasileiro passou a considerar a Amazônia em seus planos de desenvolvimento.

Com a criação da Zona Franca de Manaus, em 1967, e sua consolidação na década de 1990, a economia industrial amazonense se agiganta a cada dia, gerando cerca de 400 mil empregos, diretos e indiretos, além de um faturamento anual que em 2008 ultrapassou os US$ 30 bilhões.

O governo amazonense, aproveitando a excepcional fase econômica, que se estende desde 1994, investe em infraestrutura para dotar o Estado com as condições necessárias para manter e expandir o atual crescimento econômico e garantir o bem-estar social de sua gente, com sustentabilidade ambiental e comprometimento com o futuro.

A Economia da Borracha no Pará

No fim da década de 1840-1850, a população do Pará estava ainda sofrendo os efeitos da Cabanagem e da repressão anticabana.

O período que segue é caracterizado pelo ciclo da borracha: a antiga droga do sertão se tornou a matéria-prima da nova indústria automobilística. A Amazônia era, então, a única região produtora de borracha no mundo.

O período de exploração da borracha na região amazônica pode ser dividida em cinco fases:

1) No começo da produção da borracha a atividade estava entregue a aventureiros desorganizados e escravizadores de índios, a produtividade não chegava a 90 quilos por homem ao ano, ou seja, 1/3 da produção do século XX. Durante a fase de elevação inicial moderada, de 1830 a 1850, a produção ocorria em um mundo selvagem e atrasado em que a maior parte da mão-de-obra era de índios e tapuios.
2)
 A fase de melhoria do tirocínio (aprendizado ou exercício), permitiu um desenvolvimento acelerado da produtividade, de 1850 a 1870; algumas técnicas novas foram empregadas; havia certas divisões de tarefas operacionais; o emprego da navegação a vapor, que permitiu a descoberta de seringais virgens; este momento permitia uma produção de uns 200 quilos por seringueiro ao ano.
3) 
A fase de adestramento nordestino, de 1870 a 1890, com modesta elevação; ocorreu um grande contingente de imigrações originários do Nordeste, no entanto, tornava-se necessário uma nova aprendizagem pois os nordestinos não tinham experiências com a floresta amazônica.
4) 
A fase acreana, de 1890 a 1910; o aproveitamento em larga escala dos seringais do Acre impulsionou a produção, permitindo uma produção que subiu de 210 para 230 quilos média por homem.
5)
 No período mais recente, por ocasião da Segunda Guerra Mundial e nas décadas seguintes, a melhoria das condições de saúde, e a assistência governamental via Banco da Borracha, mais tarde a SUDHEVA, etc., permitiu que a produtividade se desenvolvesse mais que no passado.

A borracha

Borracha é uma substância natural ou sintética que se caracteriza por sua elasticidade, repelência à água e resistência elétrica. A borracha natural é obtida de um líquido leitoso de cor branca chamado látex, encontrado em numerosas plantas. A borracha sintética é preparada a partir de hidrocarbonetos insaturados.

Uma das árvores produtoras de borracha é a seringueira Hevea brasiliensis, da família das Euforbiáceas, originária do Amazonas. Outra planta produtora é a árvore-de-goma, Castilloa elastica, originária do México.

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A seringueira ou Hevea brasiliensis

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A borracha bruta é branca ou incolor. Através de um corte inicial e da remoção seletiva da casca, uma seringueira
produz em média 1,8 kg de borracha bruta anualmente

Em estado natural, a borracha bruta é um hidrocarboneto branco ou incolor. À temperatura do ar líquido, cerca de 195 ºC, a borracha pura é um sólido duro e transparente. De 0 a 10 ºC, é frágil e opaca e, acima de 20 ºC, torna-se mole, flexível e translúcida. Ao ser amassada mecanicamente ou aquecida em temperatura acima dos 50 ºC, a borracha adquire uma textura de plástico pegajosa. A borracha pura é insolúvel em água, álcali ou ácidos fracos e solúvel em benzeno, petróleo, hidrocarbonetos clorados e dissulfureto de carbono. Na fabricação atual de artigos de borracha natural, esta é tratada em máquinas com outras substâncias.

A mistura é processada mecanicamente sobre uma base ou moldada, sendo logo colocada em moldes para posterior vulcanização.

A descoberta dos europeus da borracha (séc. XVIII)

Quando os portugueses descobriram a borracha, chamaram-na assim porque o produto permitia apagar a tinta no papel em que se havia escrito. Os portugueses do Pará aprenderam com os omáguas (tribo do Médio Amazonas) a fazer com essa substância umas bolas de seringa.

Logo, a palavra seringa serviu para designar a própria árvore, como se pode perceber no relato do viajante português Alexandre Rodrigues Ferreira, em 1783:

A seringueira, nome comum de cerca de 10 espécies de um gênero de árvores produtoras de látex, nativas da Amazônia. É a célebre árvore da borracha. A espécie mais explorada, por dar o látex de melhor qualidade, distribui-se de forma espontânea por toda a região compreendida entre a bacia do rio Ucaiali e o Xingu, ao sul, e o estuário do rio Amazonas ao norte. Mede entre 20 e 30 m de altura, podendo chegar a 50 metros.

Do uso artesanal até a grande indústria

Sérios problemas técnicos existiam, dificultando uma boa utilização da borracha: ela se tornava pegajosa com o calor da região e ficava dura nos países com estação fria.

A solução foi a invenção da vulcanização, um processo que torna elástica, resistente, insolúvel, a borracha natural. Tal descoberta foi feita por Goodyear, nos Estados Unidos, em 1839.

vulcanização é um processo pelo qual a borracha, cozida com enxofre, perde suas propriedades não desejáveis (pegajosidade).

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Logomarca da Companhia de Pneus Goodyear, fundada em 1898 por Frank Seiberling.
O nome da fabrica foi em homenagem de Charles Goodyear.
Goodyear inventou a vulcanização em 1839

Comparada com a borracha vulcanizada, a não tratada apresenta muito poucas aplicações. É usada em cimentos, fitas isolantes, fitas adesivas e como isolante para mantas e sapatos.

borracha vulcanizada é empregada nas correias transportadoras, para fabricar mangueiras, pneus e rolos para uma ampla variedade de máquinas, para fabricar roupa impermeável, em materiais isolantes e em muitas outras aplicações. É possível chamar borracha sintética a toda substância elaborada artificialmente que se pareça com a borracha natural. Obtém-se por reações químicas, conhecidas como condensação ou polimerização, a partir de determinados hidrocarbonetos insaturados.

Produzem-se vários tipos de borracha sintética: neoprene, buna, borracha fria e outras borrachas especiais.

Com a vulcanização, a demanda do novo produto se intensificou. Por exemplo, a Grã-Bretanha importou 200 quilos de borracha em 1830, 10.000, em 1857 e 58.000, em 1874.

Mas o salto decisivo foi com a invenção da roda pneumática. O inventor foi Dunlop, que aplicou à bicicleta de seu filho, em 1888.

A invenção e a produção do automóvel com o emprego de rodas pneumáticas tornaram, definitivamente, a industria contemporânea dependente da

O pessoal empregado na industria da borracha nos Estados Unidos passou de 2.600, em 1850, para 50.000, em 1910.

Da droga do sertão à borracha industrial: o Pará é transformado

Precedida de um conhecimento científico que se desenvolvia desde 1736, a descoberta da vulcanização da borracha nos Estados Unidos e Inglaterra, cerca de um século após, criara novas oportunidades para a combalida economia da Amazônia.

A procura externa do produto foi um fator para suscitar uma atmosfera propicia para os negócios regionais, justificando a importação de tecnologia então moderna. A oferta regional, de início limitada a artigos rudimentares de borracha, expandiu-se até 1875, fazendo forte apelo a uma organização produtiva escravista, da qual o índio foi primeiro e principal sustentáculo.

No entanto, a nova atividade necessitava de muitos braços o que gerou grande mobilidade intra-setorial e espacial da população ativa. De 1825 a 1850, a produção comercial de borracha restringia-se principalmente a Belém e às ilhas, mas logo se expandira até o Xingu e o Tapajós, no Pará.

Entre 1850 e 1870, as imigrações transpõe a fronteira do Amazonas e se dirigem aos seringais dos rios Madeira e Purus. É nesse período que a população da Província do Amazonas começa a ter expressão maior.

Ao aproximar-se o fim da década de setenta, o problema da escassez de mão-de-obra assumiu feição mais grave. A borracha destronara o cacau.

Desta forma, em meados do século XIX, a economia tradicional, baseada nas drogas do sertão privilegiou uma delas, a borracha. Com efeito, à época, a Amazônia era o único fornecedor mundial da borracha; em consequência, ela se beneficiou do aumento da demanda estrangeira. A partir de 1857, a borracha tornou-se o produto mais exportado (mais de 30% do total). Seis anos depois, já ultrapassava com mais de 43% das exportações.

O aumento da produção foi cada vez mais rápido e se estendeu do Pará ao resto da Amazônia, a partir de 1890. A partir dos anos 80, o Pará, primeiro, a Amazônia toda, em seguida, entram no período de auge da produção da borracha, crescendo até a década de 1900-1910. A produção passa de 8.500 ton., em 1880, para mais de 40.000 ton., em 1910.

Havia um aspecto original e único, também: uma grande indústria, a indústria automobilística, começou a se desenvolver a partir de um produto (látex) extraído da mata amazônica, graças ao trabalho manual do seringueiro, seguindo a experiência dos índios.

O seringueiro era (e é) um homem que trabalha na mata, vivendo da extração do látex da seringa (ou seringueira) trabalhando diariamente na estrada, usando como principais instrumentos o facão do mato ou machadinha, o terçado, a tigelinha e um balde (para até 6 ou 10 litros de látex).

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Seringueiro da Amazônia extrai o látex da Hevea brasiliensis, a mais explorada das 10 espécies de seringueira

Após sangrar a árvore, o seringueiro coloca a tigelinha, que deve receber o látex, escorrendo das incisões feitas. Uma árvore suporta em média 4 tigelinhas.

Volta mais tarde para recolhê-las. Então entrega-se a defumação do látex. Despeja o leite numa bacia, acende o fogo, empregando a madeira resinosa de que dispõe, o que provoca a fumaça necessária e apropriada à coagulação do látex na forma comercial. O

derrama um pouco do látex na extremidade de um pau chato, com a forma de espátula.

O pau é virado com as mãos, devagar, na fumaça e o látex se coagula pela ação do ácido carbônico contido na fumaça. Depois de feitas grandes bolas de borracha, o pau é suspenso a um gancho, ou girado em barras paralelas, em quanto elas são colocadas de modo a permitir a ação de rolar para diante e para trás, na fumaça. As bolas feitas por esse modo variam de 5 e 10 kg (cada bola).

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Ferramentas do seringueiro – a) facão ou machadinha, b) terçado, c) tigelinha, d) balde

O Sistema de Aviamento

seringueiro não era um trabalhador assalariado. Embora não tendo um patrão, como um assalariado, o seringueiro era dependente do dono do barracão (o aviador). Vendia sua produção para ele; comprava dele o que precisava para viver no meio da mata.

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Seringueiro no barracao com as bolas de borracha

Inicialmente foi utilizado para o trabalho da exploração da borracha a mão-de-obra indígena, os brancos tentaram engajar índios de algumas tribos na produção.

Contudo, foram os trabalhadores nordestinos que sustentaram a força de trabalho da borracha. Nascidos no meio dos sertões secos, a chegada no mundo amazônico foi um grande desafio.

Os trabalhadores nordestinos desconheciam as técnicas de trabalho, os segredos da mata, ele é um estranho ao meio físico e ao meio sócio-econômico da região.

Nos primeiros momentos do uso da mão-de-obra de nordestinos cometeu-se diversos erros e grandes imprudências na exploração da borracha. Desta forma, os trabalhadores nordestinos tiveram que ser adestrados para a nova função. No final do século XIX, os nordestinos constituíam quase que a totalidade dos seringueiros na região amazônica.

A extração do látex para a borracha se fazia no seringal, parte da mata com muitas seringueiras. Antes de poder extrair o látex, o mateiro devia descobrir e delimitar um seringal dentro da mata.

Depois abriam-se as estradas de seringa. A produção da borracha dependia de uma rede de comercialização.

O seringueiro dependia do aviador do barracão, aquele que aviava. Mas, o aviador, dependia também do seringueiro, da sua entrega esperada da borracha.

Desta forma, os dois eram ligados mutuamente.

No entanto, nas relações entre aviador e seringueiro não havia igualdade: o segundo dependia, até para a manutenção de sua vida, do primeiro, vivendo isolado no seringal.

O aviador aproveitava-se dessa situação, impondo os preços dos produtos, consumidos pelos seringueiros, que vinham de Belém. Em Belém, meia dúzia de grandes firmas estrangeiras, com matrizes na Inglaterra, Alemanha e nos Estados Unidos, reuniam toda a produção regional, monopolizando a comercialização da borracha.

Assim era o sistema de aviamento: o seringueiro era aviado pelo barracão; o barracão era aviado por casas exportadoras; as casas exportadoras eram financiadas por bancos estrangeiros.

A decadência do ciclo da borracha

Uma mudança ocorreu na produção da borracha e que veio a modificar a produção paraense. Na Ásia passou-se a plantar a hévea e a se produzir a borracha.

Ao invés de ser extrair o látex de árvores que crescem espontaneamente, como se faz dentro da mata, na Ásia planta-se a hévea em locais determinados. Era a heveicultura, o plantio da hévea.

Essa nova produção foi lançada pelos ingleses em suas colônias da Ásia, onde o clima é semelhante ao clima tropical úmido da Amazônia.

Em 1876, o botânico inglês Wickman transportou, às escondidas, sementes de hévea da Amazônia para Londres. Pouco depois, 7. 000 mudas de hévea foram transportadas para o Ceilão no sul da Índia.

Na década de 1890, já se tinha certeza de que a hévea havia se adaptado ao meio natural da Ásia. Em 1900, as plantações se estendiam às colônias inglesas (Ceilão, Malásia e Birmânia) e holandesas (Indonésia).

Os resultados foram espetaculares: 3 ton. de borracha, em 1900 e 16.000, em 1910. Foi um sucesso agronômico e econômico, depois de 25 anos dedicados à pesquisa experimental.

Além disto, ocorreu a aparição de fungos nas árvores plantadas na Amazônia, assim como nas plantações das Guianas era o mal das folhas.

No Brasil os pesquisadores não se interessaram muito pelo combate do fungo, somente o botânico Jacques Huber, diretor do Museu Emilio Goeldi, pesquisou sobre a questão. Desta forma, após o botânico falecer, a problema do fungo, inexistente na Ásia, permaneceu na região amazônica.

Também o preço mundial da borracha caiu brutalmente, a partir do mês de maio de 1910, pela entrada da produção asiática, suprindo a demanda.

Este fato acabou sendo o começo da decadência da produção da borracha.

Como consequência, as importações da região diminuíram em até 50%: não havia mais dinheiro para importar. E a queda dos impostos (sobre as exportações) impediram que o governo terminasse obras públicas que beneficiariam a economia.

A crise afetou todos os setores da economia da borracha: no centro do seringal, onde o seringueiro desenvolvia suas atividades; na beira, onde o seringalista fazia seus negócios; no rio, onde o barqueiro transportava borracha e alimentos e, na cidade, pequena ou grande, onde o aviador e o exportador faziam as suas transações.

Borracha: novas tentativas

Na região amazônica, houve duas novas tentativas para se produzir, de novo, o látex em quantidade, pelo cultivo e pela coleta silvestre. Entre 1934 e 1945 houve uma tentativa da Companhia Ford.

A economia dos Estados Unidos era muito dinâmica nos anos 20: o número de carros em circulação aumentou significativamente entre 1920 e 1930. O país era o maior produtor mundial de carros.

A borracha cultivada respondia a demanda para fabricar pneumáticos. Mas 90% desta produção dependiam das colônias europeias da Ásia.

A Companhia Ford, que utilizava um quarto da borracha produzida no mundo, teve a ideia de produzir, ela mesma, a borracha necessária para suas usinas. Henry Ford escolheu o Brasil, que dava vantagens aos que queriam fazer plantações de hévea. Importou da Ásia mudas da planta e, em 1934, plantou-as em Fordlândia, ao sul de Santarém. A doença das folhas manifestou-se logo. Em 1935, foi aberta uma nova plantação (em Belterra), a sudeste de Santarém, como campo de experimentação. Contudo, depois de 10 anos a demanda não foi suficiente, assim, a plantação encerrou suas atividades em 1945.

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), os países da Ásia com plantações da hévea foram ocupados pelo exército do Japão que, nessa conflagração, era inimigo dos Estados Unidos.

O EUA ficaram com dificuldades em obter borracha para a produção de pneus e outros produtos. Desta forma, o governo deste país, firmou um acordo com o governo brasileiro para a produção da borracha.

Houve ajuda financeira com a criação do Banco de Crédito da Borracha. Na época 32.000 nordestinos foram trazidos para trabalhar na Amazônia. No entanto, os resultados não foram os esperados.

Com o fim da Segunda Guerra Mundial e a nova concorrência da borracha sintética, a exportação da borracha amazônica voltou a entrar em decadência.

Agricultura X Extrativismo

O desenvolvimento da agricultura na Amazônia foi comumente associado ao início de um processo civilizador da região. Neste sentido, a formação do território amazônico a partir da fixação da população em áreas nas quais praticassem a atividade agrícola foi vista por muitos pensadores, políticos e pessoas influentes da região amazônica como uma promessa de transformação econômica e social a qual transformaria a Amazônia de um deserto em um celeiro do mundo.

Contudo, neste contexto, muitos membros ilustres pertencentes às principais capitais da região amazônica são unânimes em responsabilizar a valorização da borracha pelo extermínio das atividades agrícolas na Amazônia.

Nesta discussão surge a problemática do conflito existente entre agricultura x extração.

Esta problemática encontra seu momento máximo exatamente no período que corresponde ao surgimento da borracha como um dos principais produtos na pauta da exportação das províncias do extremo-norte (entre as décadas de 1850 e início da década de 1860).

A discussão sobre a problemática agricultura x extração esclarece muito sobre as próprias ações políticas e econômicas das elites da região amazônica em relação ao desenvolvimento regional. De fato, a busca pelo estabelecimento de uma política de colonização agrícola na região amazônica estava intimamente ligada a revitalização da agricultura regional na medida em que a valorização da borracha vai sendo vista como a responsável por um progressivo escassamente de gêneros agrícolas, em especial os alimentícios, os quais passaram a ser obtidos principalmente através da importação de outras regiões, a preços mais elevados.

Desta forma, percebemos como as discussões críticas sobre a economia gomífera era orientada no sentido de se pensar a atividade extrativa da borracha como promotora e intensificadora dos problemas sócio-econômicos da região.

É neste contexto que surge o ideal do estabelecimento de uma política de colonização agrícola, especialmente implantada a partir da imigração europeia, com a finalidade de amenizar na Província, segundo muitos paraenses acreditavam, seus problemas crônicos, principalmente a escassez de produtos alimentícios e de mão-de-obra, assim como seria também um elemento fundamental para dar origem a uma forma mais duradoura de desenvolvimento regional.

Contudo, os projetos de colonização agrícola não seriam bem-sucedidos senão contasse como apoio do governo central; isto surgia como um grande obstáculo para o desenvolvimento agrícola da região pois a Corte demonstrava muito mais interesse em financiar assentamentos de imigrantes no Extremo-Sul do Brasil.

É exatamente sob esse contexto que surge a ideia da formação da Amazônia como celeiro do mundo.

Percebemos como desde o governo de Lauro Sodré há toda uma preocupação pelo fato de a Amazônia ter se tornando cada vez mais dependente do negócio da extração da borracha para sua sobrevivência econômica e o seu desenvolvimento social.

Neste sentido, basicamente se pensava em se estabelecer uma colonização agrícola, baseada na pequena propriedade e na imigração de estrangeiros (os quais teriam supostamente uma maior qualificação profissional).

De fato, a inspiração para tal projeto já vinha da Lei n.º 601, de 18-09-1850 (conhecida como a lei de terras).

Contudo, foi durante o governo de Paes de Carvalho (1897-1901) em que houve um maior apoio às políticas de colonização e povoamento na região amazônica, especialmente o Pará no qual houveram patrocínios destinados a transformar algumas regiões em um verdadeiro celeiro do mundo.

Neste sentido, a região litorânea e a Bragantina, quase que desabitadas antes dos projetos de colonização, tornaram-se um dos maiores centros populacionais da Amazônia. Além disto, em 1897, Vigia e Bragança, eram os dois municípios mais populosos do Pará.

Fonte: EncBrasil/www.amazonas.am.gov.br/geocities.com

 

 

 

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