Facebook do Portal São Francisco Google+
+ circle
Home  Cabanagem  Voltar

CABANAGEM

Na década de 1830, a província do Grão-Pará, que compreendia os estados do Pará e do Amazonas, tinha um pouco mais de 80 mil habitantes (sem incluir a população indígena não-aldeada). De cada cem pessoas, quarenta eram escravos indígenas, negros, mestiços ou tapuios, isto é, indígenas que moravam nas vilas.

Belém, nessa época, não passava de uma pequena cidade com 24 mil habitantes, apesar de importante centro comercial por onde era exportado cravo, salsa, fumo, cacau e algodão.

A independência do Brasil despertou grande expectativa no povo da região. Os indígenas e tapuios esperavam ter seus direitos reconhecidos e não serem mais obrigados a trabalhar como escravos nas roças e manufaturas dos aldeamentos; os escravos negros queriam a abolição da escravatura; profissionais liberais nacionalistas e parte do clero lutavam por uma independência mais efetiva que afastasse os portugueses e ingleses do controle político e econômico. O resto da população - constituída de mestiços e homens livres -, entusiasmada com as idéias libertárias, participou do movimento, imprimindo-lhe um conteúdo mais amplo e mais radical.

A grande rebelião popular, que aconteceu em 1833, teve origem num movimento de contestação, ocorrido dez anos antes e que havia sido sufocado com muita violência, conhecido como "rebelião do navio Palhaço".

O descontentamento que dominava não só Belém, mas igualmente o interior do Pará, aumentou com a nomeação do novo presidente da província, Lobo de Souza. O cônego João Batista Campos, importante líder das revoltas ocorridas em 1823 e duramente reprimidas, tornou-se novamente porta-voz dos descontentes, principalmente da igreja e dos profissionais liberais.

A Guarda Municipal, pró-brasileira, era conscientizada por um de seus membros, Eduardo Angelim, que denunciava sobretudo os agentes infiltrados em toda parte.

A partir de 1834, as manifestações de rua se multiplicaram e o governo reagiu prendendo as lideranças. Batista Campos, Angelim e outros líderes refugiaram-se na fazenda de Félix Clemente Malcher, onde já se encontravam os irmãos Vinagre. Ali foi planejada a resistência armada.

Iniciava-se a Cabanagem, a mais importante revolta popular da Regência. Esse nome indicava a origem social de seus integrantes, os cabanos, moradores de casas de palha. Foi "o mais notável movimento popular do Brasil, o único em que as camadas pobres da população conseguiram ocupar o poder de toda uma província com certa estabilidade", segundo o historiador Caio Prado Júnior.

As forças militares foram extremamente violentas, incendiando a fazenda de Malcher e prendendo-o juntamente com outros líderes. Revoltado, o povo de Belém acompanhava os acontecimentos. O destacamento militar de Abaeté se rebelou em protesto contra a perseguição feita a Eduardo Angelim. Após a morte de Batista Campos, o grupo se rearticulou em quatro frentes e atacou Belém. Com a adesão de guarnições da cidade, a vitória foi total. O presidente da província, Lobo de Souza, e o comandante das tropas portuguesas foram mortos, e os revoltosos, soltos. Malcher foi aclamado presidente da província.

Iniciava-se o primeiro governo cabano. Sem muitas lideranças, o povo escolheu Clemente Malcher, por ser um homem respeitado por todos. Porém, ele continuava com "cabeça" de fazendeiro e começou a tomar atitudes que os cabanos consideraram traição. Os desentendimentos levaram à primeira importante ruptura das lideranças: de um lado, Malcher e as elites dominantes, e, de outro, os Vinagre e Angelim, juntamente com os cabanos e boa parte da tropa. Malcher foi preso, mas, a caminho da cadeia onde ficaria por algum tempo, foi morto por um popular.

Fonte: br.geocities.com

CABANAGEM

O isolamento da província do Pará levava-a a ignorar, na prática, as determinações do governo regencial. No final de 1833, o governo nomeou o político Bernardo Lobo de Souza presidente do Pará.

Lobo de Souza valeu-se da repressão para impor sua autoridade na província, o que fez crescer contra si a oposição local.

Líderes como o padre João Batista Gonçalves Santos, o fazendeiro Félix Antônio Clemente Malcher e os irmãos Vinagre -- Francisco Pedro, Manuel e Antônio -- armaram uma conspiração contra o governador. Em janeiro de 1835, o governador foi assassinado. Os rebeldes ocuparam a cidade de Belém e formaram um governo revolucionário presidido por Malcher, que defendia a criação, no Pará, uma república separatista.

Entretanto, o novo governador mantinha estreita relações com outros proprietários locais e decidiu permanecer fiel ao Império.

Por isso, o movimento radicalizou-se. Líderes populares, como Antônio Vinagre e Eduardo Angelim, refugiaram-se no interior da província, em busca do apoio das populações indígenas e mestiças. Foram então as pessoas pobres, que moravam em cabanas, que assumiram a luta pela independência do Pará.

Em agosto de 1835, os cabanos voltaram a ocupar Belém e criaram um governo republicano, desligado do restante do Brasil.

Mas o isolamento da província e uma epidemia de bexiga enfraqueceram os revoltosos, que não tiveram condições de resistir à esquadra imperial que, em pouco tempo, dominou o porto de Belém. Enquanto a cidade era saqueada e incendiada, tropas do governo, auxiliadas pelos grandes proprietários locais, percorriam os vilarejos do interior à cata de rebeldes.

Ao cabo de cinco anos de guerrilhas, mais de 30% da população paraense -- estimada na época de cem mil habitantes -- foi dizimada.

Fonte: www.brasilescola.com

CABANAGEM

CABANAGEM

A Cabanagem (1835-40), também denominada como Guerra dos Cabanos, foi uma revolta de cunho social ocorrida na então Província do Grão-Pará, no Brasil.

Entre as causas dessa revolta citam-se a extrema miséria do povo paraense e a irrelevância política à qual a província foi relegada após a independência do Brasil.

A denominação Cabanagem remete ao tipo de habitação da população ribeirinha mais pobre, formada principalmente por mestiços, escravos libertos e índios. A elite fazendeira do Grão-Pará, embora morasse muito melhor, ressentia-se da falta de participação nas decisões do governo central, dominado pelas províncias do Sudeste e do Nordeste.

Antecendentes

Durante a Independência, o Grão-Pará se mobilizou para expulsar as forças reacionárias que pretendiam reintegrar o Brasil a Portugal. Nessa luta, que se arrastou por vários anos, destacaram-se as figuras do cônego e jornalista João Gonçalves Batista Campos, dos irmãos Vinagre e do fazendeiro Félix Antônio Clemente Malcher. Formaram-se diversos mocambos de escravos foragidos e eram frequentes as rebeliões militares. Terminada a luta pela independência e instalado o governo provincial, os líderes locais foram marginalizados do poder.

Em julho de 1831 estourou uma rebelião na guarnição militar de Belém do Pará, tendo Batista Campos sido preso como uma das lideranças implicadas. A indignação do povo cresceu, e em 1833 já se falava em criar uma federação. O governador da Provincia, Bernardo Lobo de Souza, não só deixava de tomar as medidas para melhorar a vida da população como desencadeou uma política altamente repressora, na tentativa de conter os inconformados. O clímax foi atingido em 1834, quando Batista Campos publicou uma carta do bispo do Pará, Romualdo de Sousa Coelho, criticando alguns políticos da província. Por não ter sido autorizada pelo governo da Província, o cônego foi perseguido, refugiando-se na fazenda de seu amigo Clemente Malcher. Reunindo-se aos irmãos Vinagre (Manuel, Francisco Pedro e Antônio) e ao seringueiro e jornalista Eduardo Angelim reuniram um contingente de rebeldes na fazenda de Malcher. Antes de serem atacados por tropas governistas, abandonaram a fazenda. Contudo, no dia 3 de novembro, as tropas conseguiram matar Manuel Vinagre e prender Malcher e outros rebeldes.

O movimento

Na noite de 6 de Janeiro de 1835 os rebeldes atacaram e conquistaram a cidade de Belém, assassinando o presidente Sousa Lobo e o Comandante das Armas, e apoderando-se de uma grande quantidade de material bélico. No dia 7, Clemente Malcher foi libertado e escolhido como presidente da Província e Francisco Vinagre para Comandante das Armas. O governo cabano não durou por muito tempo, pois enquanto Malcher, com o apoio das classes dominantes pretendia manter a província unida ao Império, Francisco Vinagre, Angelim e os cabanos pretendiam se separar. O rompimento aconteceu quando Malcher mandou prender Angelim. As tropas dos dois lados entraram em conflito, saindo vitoriosas as de Francisco Vinagre. Clemente Malcher, assassinado, teve o seu cadáver arrastado pelas ruas de Belém.

Agora na presidência e no Comando das Armas da Província, Francisco Vinagre não se manteve fiel aos cabanos. Se não fosse a intervenção de seu irmão Antônio, teria entregue o governo ao poder imperial, na pessoa do marechal Manuel Jorge Rodrigues (julho de 1835). Devido à sua fraqueza e ao reforço de uma esquadra comandada pelo almirante inglês Taylor, os cabanos foram derrotados e se retiraram para o interior. Reorganizando suas forças, os cabanos atacaram Belém, em 14 de agosto. Após nove dias de batalha, mesmo com a morte de Antônio Vinagre, os cabanos retomaram a capital.

Eduardo Angelim assumiu a presidência. Durante 10 meses, a elite se viu atemorizada pelo controle cabano sobre a Província do Grão-Pará. A falta de um projeto com medidas concretas para a consolidação do governo rebelde, provocaram seu enfraquecimento. Em março de 1836, o brigadeiro José de Sousa Soares Andréia foi nomeado para presidente da Província. A sua primeira providência foi a de atacar novamente a capital (abril de 1836), em função do que os cabanos resolveram abandonar a capital para resistir no interior.

As forças navais sob o comando de Grenfell bloquearam Belém e, no dia 10 de maio, Angelim deixou a Capital, sendo detido logo em seguida. Entretanto, ao contrário do que Soares Andréia imaginou, a resistência não terminou com a detenção de Angelim. Durante três anos, os cabanos resistiram no interior da província, mas aos poucos, foram sendo derrotados. Ela só cederia com a decretação de anistia aos revoltosos (1839). Em 1840 o último foco rebelde, sob liderança de Gonçalo Jorge de Magalhães, se rendeu.

Calcula-se que de 30 a 40% de uma população estimada de 100 mil habitantes morreu.

Fonte: pt.wikipedia.org

CABANAGEM

Uma das mais importantes revoltas nativistas do período da Regência, ocorreu entre 1835 e 1840 e destacou-se pelo seu caráter eminentemente popular, onde os cabanos (moradores de cabanas nos vilarejos ribeirinhos e que deram o nome ao movimento), índios, negros e mestiços foram os personagens principais.

A Cabanagem representa um prosseguimento das manifestações que se desenrolaram na Província do Grão-Pará desde a independência do Brasil. A presença portuguesa na região era marcante, tendo os paraenses lutado contra o domínio lusitano; desde 1833 a província foi marcada pelas sangrentas disputas dos partidos Caramuru (formado por portugueses) e Filantrópico (formado por brasileiros).

A luta originou-se do combate à penúria e às péssimas condições sociais em que vivia a população paraense, liderado pelo Cônego Batista Campos, que se destacou em várias disputas contra a metrópole até o nascimento do movimento revolucionário mais articulado.

O primeiro êxito revolucionário ocorreu em Belém, em janeiro de 1835, a partir do assassinato do presidente da Província do Grão-Pará e dos comandantes das Armas e da Força Naval, quando os revoltosos tomaram o poder. Com o envio de novos chefes militares pelo Governo Imperial e ante a invasão da Capital pelos revoltosos, liderados por Pedro Vinagre e Eduardo Angelin, o Brig. Francisco José bloqueou e ocupou a Capital em maio de 1840, tendo capturado os líderes e os enviado ao Rio de Janeiro, onde foram condenados à prisão.

O império concedeu aos revoltosos anistia irrestrita. Estava assim terminada revolta, que representou o único movimento popular em que as camadas inferiores da população conseguiram, com certa estabilidade, ocupar o poder de toda uma província.

Fonte: www.senado.gov.br

CABANAGEM

No período da Regência (1831-1841), ocasião em que o Império do Brasil ficou sem um monarca de fato, explodiram rebeliões por todos os lados. Do extremo Sul, como foi o caso da Revolução Farroupilha (1835-1845), ao extremo Norte, quando da Revolta dos Cabanos (1835-1840), eclodiram movimentos insurgentes mostrando o descontentamento das provinciais brasileiras com a concentração do poder no eixo Rio-São Paulo. A diferença entre elas, entre os farrapos e os cabanos, deu-se em que enquanto na primeira foi a estância quem entrou em guerra, na segunda, na cabanagem, foi o povo da selva quem pegou em armas contra o poder da oligarquia.

A tragédia do bridge "palhaço"

"A insurreição foi geral. Por toda a parte aonde houve um homem branco ou rico a quem matar e alguma coisa a que roubar aparecia logo quem se quisesse encarregar desse serviço, e deste modo ainda hoje estão em rebeldia todo o Alto e Baixo Amazonas."

Brigadeiro Soares Andréia em relatório ao Ministro da Guerra, Belém do Pará, 1836

Quase uns trezentos homens sufocavam no porão do brigue "Palhaço" ancorado nas aforas do porto de Belém do Pará quando a gritaria começou. Berravam por água e por ar. Asfixiavam-se. Eram do 2º Regimento de Artilharia de Belém que se insurgira contra a junta governativa em agosto de 1823. Quem os prendeu e os removeu para a masmorra flutuante foi o comandante Greenfell, um daqueles ingleses oficiais de marinha a soldo de D. Pedro I, que lá estava para assegurar a integração do Grão-Pará ao Brasil recém independente.

Assustados com a barulheira dos encarcerados, meio endoidecidos pelo calor e pela sede, a tripulação da improvisada galé os acalmou a tiros e à noite espargiu sobre eles, ainda empilhados lá embaixo, uma nuvem de cal. Na contagem matinal do dia seguinte, no dia 22, só deram com 4 vivos. Dias depois restou só um, João Tapuia. Morreram 252 milicianos e praças, sufocados e asfixiados. Um pavor acometeu o Pará. O interior ferveu. Gente comum morrera como bicho.

Quanto a responsabilidade pela tragédia, como sempre ocorre, ninguém a assumiu. Para milhares de tapuias e de caboclos paraenses, genericamente chamados de "cabanos", devido as choças que habitavam, a independência até então não dissera a que veio. Agregou-se a isso o fato dos poderosos locais, quase todos portugueses, donos do comércio grosso e de vastas terras, ainda reservavam para si o controle das instituições, e que, como ativista do partido dos "Caramurús", almejavam reatar com Lisboa na primeira oportunidade que houvesse.

A hora da vingança popular soou dez anos depois do massacre dos amotinados, sufocados no bridge "Palhaço". Em 1833, num momento de desentendimento da Regência com a oligarquia de Belém (dividida entre o partido filolusitano dos Caramurus e os nacionalistas chamados de Filantrópicos), abriu-se uma brecha para que o furor nativo emergisse. Em janeiro de 1835, capitaneados pelos irmãos Vinagre e por Eduardo Argelim, um ex-seringueiro, a Selva marchou contra a Cidade.

Os cabanos eram milhares, tapuias de todas as tribos e caboclos do todas as misturas. Assassinaram o presidente da província, e os chefes militares, do exército e da marinha. O que restou do governo de Belém, apavorado com a insurgência, escafedeu-se para a ilha Tatuoca, montando ali uma precária resistência enquanto esperavam rezando um socorro qualquer da Regência.

O porto de Belém no século 19

Na capital abandonada, enquanto isso, assumiam os revolucionários. Ao contrário de tantas outras rebeliões daquela época, comandadas por robespierres do engenho e dantons da estância, a cabanagem foi inteiramente popular, liderada por gente do povo mesmo, pelo Bararoá, pelo Borba e pelo lendário Maparajuba do Tapajós. A massa porém, egressa do mato e dos igarapés, não sabia bem o que fazer com o que conquistara, não conseguiu fazer com que a vitória inicial se transformasse em algo seguro, num estado revolucionário como os jacobinos fizeram na França em 1793. Tudo deu para desandar.

Enquanto isso, Belém padecia. O mato crescia por tudo e o lixo se empilhava. Não havia serviço público algum. O rebelde, o apigáua paraense saído da palhoça da beira de rio, descuidava-se da cidade. Os prédios públicos, obra do desenho do italiano Antônio Landi, eram tomados por bichos e, disseram que, até a boiuna de prata, a malvada cobra-grande, andou habitando neles. Oito meses e 19 dias depois, com a chegada das tropas da Regência em maio de 1836, os cabanos foram obrigados a se retirarem, refugiando-se nos matos.

Um viajante, o reverendo norte-americano Daniel Kidder (*), que lá esteve logo depois da retomada de Belém em ruínas, encontrou a maioria das fachadas dos prédios e das casas furadas à bala ou lambidas pelo fogo. Seguiu-se então, sob comando das tropas imperiais, o terror branco, ao mata-cabano, momento em que a floresta encheu-se de sangue. Estimaram as vítimas da repressão do governo em mais de 30 mil mortos. A cabanagem traumatizou por muitos anos o Pará.

Se o poeta Manuel Bandeira muito mais tarde, encantado, admirando as mangueiras que dão as boas sombras das ruas de Belém, a "cidade pomar" (obra do intendente Lemos, no auge da extração da borracha), disse que nela "o céu esta encoberto de verde", provavelmente hoje, olhando para o mesmo céu (corridos mais de cento e oitenta anos dos gazeamentos do brigue "Palhaço" e das chacinas governamentais nas florestas do Pará), veria-o ainda enrubescido de vergonha pela impunidade que por lá ainda continua soberana..

Fonte:educaterra.terra.com.br

CABANAGEM

A Cabanagem foi o mais importante movimento popular do Brasil. Foi o único em que representantes das camadas humildes ocuparam o poder em toda uma província.

A decadente economia da província do Grão-Pará, que englobava os atuais Estados do Pará, parte do Amazonas, Amapá e Roraima, se baseava na pesca, na produção de cacau, na extração de madeiras e na exploração das drogas do sertão. Utilizava-se a mão-de-obra escrava negra e a de índios que viviam em aldeias ou já estavam destribalizados e submetidos a um regime de semi-escravidão.

Os negros, índios e mestiços compunham a maioria da população inferiorizada do Grão-Pará e viviam agrupados nas pequenas ilhas e na beira dos rios em cabanas miseráveis (daí o nome cabanos, como eram conhecidos).

Liderados a princípio por grupos da elite que disputavam o poder, os cabanos, insatisfeitos, resolveram assumir sua própria luta contra a miséria, o latifúndio, a escravidão e os abusos das autoridades. Invadiram Belém, a capital da província, depuseram o governo que havia sido imposto pelos regentes e assumiram o poder. Formou-se então o único governo do país composto por índios e camponeses.

Entretanto, a radicalização e a violência da massa cabana, a dificuldade em organizar um governo capaz de controlar as divergências entre os próprios cabanos e a traição de alguns chefes, que chegaram a ajudar as tropas e os navios enviados pelo governo central, causaram o fracasso do movimento.

Vencidos na capital pelas forças do governo, os cabanos reorganizaram as massas rurais e continuaram lutando até 1840, quando a província, pela força da opressão e da violência, foi obrigada a aceitar a pacificação.

A Cabanagem deixou um saldo de 40 mil mortos. Era mais um claro exemplo que a classe dominante não admitia a ascensão do povo ao poder nem as manifestações populares que colocassem em risco o domínio político da aristocracia.

Fonte: www.brasilcultura.com.br

CABANAGEM

A Cabanagem foi uma grande revolta popular que explodiu na província do Pará, em 1835. Dela participou uma multidão de pessoas muito pobres, submetidas à exploração dos poderosos da região. Eram negros, índios e mestiços que trabalhavam na exploração de produtos de floresta e moravam em cabanas à beira dos rios. Por isso, eram chamados de cabanos e a rebelião ficou conhecida como Cabanagem.

Os cabanos queriam sair da situação de miséria em que viviam. Para isso, tinham que lutar contra os responsáveis pela exploração social e pelas injustiças. A princípio, os cabanos foram apoiados por fazendeiros do Pará descontentes com a política do governo imperial e com a falta de autonomia da província. Os fazendeiros queriam mandar livremente no Pará e exportar sem barreiras os produtos da regiã (cacau, madeira, ervas aromáticas, peles etc.).

Não demorou muito para que os fazendeiros se afastassem da Cabanagem, pois ficaram com medo das idéias que existiam no movimento. Os cabanos queriam acabar com a escravidão, distribuir terras para o povo e matar os exploradores.

Um dos chefes da Cabanagem foi o padre Batista Campos que, no sertão paraense, costumava benzer os pedaços de pau utilizados como armas pelos pobres. A cabanagem teve muitos outros líderes populares, conhecidos por apelidos curiosos como o João do Mato, Domingos Onça, Mãe da Chuva, Gigante do Fumo.

Em janeiro de 1835, tropas de cabanos conquistaram a cidade de Belém (capital da província) e mataram várias autoridades do governo, entre elas o presidente da província.

Os cabanos tomaram o poder, mas tiveram grande dificuldade em governar. Por quê? Faltava-lhe organização, havia muita briga entre os líderes do movimento e a rebelião foi traída várias vezes. Tudo isso facilitou a repressão violenta comandada pelas tropas enviadas pelo governo do império. A liquidação completa dos cabanos só ocorreu em 1840, depois de muito sangue derramado. Calcula-se que foram mortos mais de 30 mil cabanos. Os que sobreviveram às perseguições foram presos e escravizados.

Fonte: www.geocities.com

CABANAGEM

Foi uma revolta popular com ponto focal em Belém que envolveu a grande área ocupada pelo Pará, Amazonas, Roraima e Amapá onde ,no último ,ela quase põe em jogo a Integridade Nacional ao ser apoiada por franceses no Amapá.

O nome Cabanagem tem origem na população amazônica pobre que morava em cabanas humildes nas margens dos rios e que se constituíram na tropa dos líderes cabanos.

A região era povoada por brasileiros mamelucos e índios .Os brancos e os negros eram minorias.

O branco português bem sucedido em suas empresas econômicas e desfrutando de privilégios, menosprezava o mameluco e o índio , se constituía no espoliador , na visão dos nacionais

Por esta razão eram irreconciliáveis os interesses do grupo nacional com o português .O nacional possuía forte sentimento nativista e o português o espírito de colonizador .Assim ,a notícia da Abdicação causou grande alegria no grupo nacional que alimentou esperanças de os portugueses serem afastados do poder local .

Os portugueses com grandes interesses na área passaram a resistir aos governos de nacionais e vice e versa.

E este seria o ingrediente ou combustível da Cabanagem ,de certa forma uma continuação das agitações ali contra a Independência do Brasil ,marcada por desordens e motins e imortalizada pelo trágico e lamentável episódio da morte de cerca de 200 revolucionários contra a Independência, que morreram asfixiados no porão do navio Palhaço, onde haviam sido confinados, na repressão à reação à Independência.

Os imensos vazios e a rarefeita população da região norte iriam dificultar sobremodo a pacificação desta revolta que ocorreu em concomitância com outras, como no Rio de Janeiro e Maranhão 1838-1840 onde , em ambas, o futuro Duque de Caxias atuou expressivamente ,quer combatendo ,quer prevenindo revoltas, como foi o caso no Rio no comando dos Guardas Permanentes (PMRJ atual) .

Tinha curso mais as dos Cabanos de Alagoas e Pernambuco 1832-1835 , a Sabinada na Bahia 1837-1838 e a Farroupilha em 1835-1840,todas na Regência, além de outras citadas de menor intensidade .Fatos que se constituíram num grande desafio ao Poder Central como que consagrando a idéia de que na época a presença de um trono era fator de Unidade Nacional e de que a adoção prematura da República poderia ter sido um desastre político e fator de desintegração e desunião nacional.

Desenvolvimento da Cabanagem

O início da Cabanagem tem lugar com o pedido de afastamento do Comando das Armas do Pará do mal Francisco Soares Andréa ,por considerado ligado aos interesses de portugueses, mas que, por ironia ,será a autoridade que efetivamente devolverá a paz a região afetada pelos cabanos .Personagem cuja vida e obra foi abordada em :

ANDRÉA, José.O Marechal Andréa nos relevos da História. Rio:BIBLEx,1977.(Coleção Taunay).

Obra que merece ser lida para que se faça justiça a este chefe ,vítima de manipulação da História e que vinha predominando na literatura sobre sua atuação. História e verdade e justiça !

Outras obras úteis:

CRUZ,Ernesto.Nos bastidores da Cabanagem.

Belém,1942

REIS,Arthur Cézar.Síntese de história do Pará.Belém.1942.

Em 2 jun 1831 o 24 o Batalhão de Caçadores do Exército se revoltou estimulado por nativistas locais. Revolta contra seus chefes e Governo do Pará. Indisciplina reflexo de medidas preconceituosas e radicais tomadas pelo Parlamento contra o Exército ,o que se refletiu por todo o Brasil.

As alterações continuaram, sendo necessário a criação de um Corpo de Guardas sugerido por português prestigioso. Prosseguindo os desencontros entre nacionais nativistas e conservadores que incluíam portugueses ,expressivamente ,em jul 1831 foram enviados pela Regência um Presidente e um Comandante das Armas brasileiros natos.E continuaram as desconfianças e desencontros entre os grupos disputantes do poder.O presidente com a conivência de seu Comandante de Armas foi obrigado a renunciar e vários nacionalistas foram exilados ,inclusive o líder cônego Campos .Este conseguiu fugir e proclamou um governo autônomo sob sua presidência ,se constituindo no " 1 o presidente cabano."

A Regência enviou para pacificar a Província do Pará o general Machado de Oliveira que promoveu o retorno dos nativistas exilados.E continuaram as agitações e desencontros.

No final de 1832 novos Presidente e Comandante das Armas foram enviados e considerados ligados aos interesses de portugueses. As tropas da guarnição do Exército envolveram-se na questão a favor dos nativistas ,ou a favor da permanência do general Machado de Oliveira.

A situação política se apresenta inconciliável. Os "caramurus" ou conservadores com influência de interesses portugueses ameaçam os liberais nativistas.

A Província do Pará era guarnecida por 1 Batalhão de Caçadores,1 Batalhão de Artilharia de Posição que guarnecia os fortes e ,por 1 Batalhão da Guarda Nacional com 4 companhias em Belém e 4 no interior.

Em 16 abr 1832, líderes caramurús entraram em choque com o Governo e tem lugar intenso tiroteio .O presidente Machado de Oliveira conseguiu intervir e dominar a revolta.

Em 5 set 1833, mais uma vez a Regência substituiu o Presidente e o Comandante das Armas .Esta administração promoveu anistia geral a todos os envolvidos em revoltas e levou a efeito uma administração competente.

Mas a conspiração continuava em Belém e no interior.Este terra de ninguém e domínio de lideranças locais que podiam levar existência independente do Governo, pois a natureza era pródiga em frutos de sobrevivência..

E aí atuou com resultados o cônego Campos ,aliciando os cabanos e compondo-se com o prestigioso e rico fazendeiro coronel Malcher da Guarda Nacional, no vale do rio Acará.

E decidiram depor o governo da Província. Reuniram armas e munições, mobilizaram caboclos cabanos para a revolução , em cuja frente se colocariam ,entre outros mobilizados, os irmãos Vinagre: Francisco Pedro, Antônio, Raimundo ,Manoel e José e ,mais o Eduardo Angelim .

O Governo da Província enviou contra eles ao Acará uma expedição. Ela foi surpreendida em 22 out 1833 por Francisco Vinagre e Eduardo Angelim ,líderes cabanos ,do que resultou a morte do comandante legal major José Nabuco de Araujo e mais 3 homens de sua tropa. Outra expedição foi enviada sob a chefia do comandante da Guarda Nacional, cel José Marinho Falcão que também foi morto pelos cabanos.O comandante naval De Ingles substituiu o chefe morto e conseguiu prender os líderes cabanos cel Malcher e Raimundo Vinagre e matar Manoel Vinagre.

A Regência reforçou militarmente o Pará e recolheu o armamento que fora distribuído ao povo.

Em 7 jan 1835 .os cabanos investiram e conquistaram Belém sob a liderança de Antonio Vinagre e Souza Aranha. Dominaram fácil a guarnição do Exército e o Palácio do Governo.E comunicaram sua conquista à Regência em 16 mar 1835, firmando-se solidamente no poder por diversas medidas de controle militar acertadas.

A guarnição da Marinha resistiu e não se rendeu

Do Maranhão foi enviada expedição naval ao comando de Pedro Cunha. Ela foi calorosamente recebida em Belém. E tentou Pedro Cunha insistentemente, junto ao "2 o presidente cabano "Antônio Vinagre,mas sem resultados,pacificar o Pará e reimplantar ali o império da ordem e da lei.

Tentou um desembarque naval em Belém ,mas foi repelido com grandes perdas em pessoal e sérias avarias em sua força naval.

A fraqueza e a falta de visão da Regência e as ambições irreconciliávies dos partidos locais ameaçavam Belém de caos.

E o domínio cabano cada vez mais encontrava apoio no interior.

Em 1 o abr 1835, foi nomeado Presidente e Comandante das Armas o mal Manoel Jorge Rodrigues ,estudado pelo cel Claudio Moreira Bento na História da 3 a Região Militar,v.1,

Ele aportou em Belém em 10 jun 1835,apoiado em forte esquema militar. Foi calorosamente recebido ,inclusive por cabanos.

Antônio Vinagre premido pela realidade da força ,manifestou o desejo de transmitir o governo ao marechal, sob o argumento:

"De que ocupava o cargo a contragosto."

E em 25 jun 1835 passou o governo do Pará que exercera por meio ano ao mal Manoel Jorge. Este substitui as forças cabanas pelas suas. Os cabanos simbolicamente devolveram suas armas e munições.Em realidade as melhores, em número estimado de cerca de 3.000, incluindo canhões ,eles as contrabandearam para o interior, para suas bases.

Pouco adiante os cabanos promoveram um massacre em Vila do Vigia. E foram tomadas medidas repressivas contra eles. E por isto Antônio Vinagre, Eduardo Nogueira Angelim e Gavião e outros líderes cabanos decidiram mais uma vez investir e dominar Belém.

Em 14 ago 1835,menos de 2 meses da posse do mal Manoel Jorge, os cabanos atacaram Belém. Em 22 ago pela desproporção de efetivos tornou-se insustentável a situação do mal Manoel Jorge ,por sitiado por terra.

Na madrugada de 23 ago o mal Manuel Jorge evacuou Belém e estabeleceu o Governo e seu Quartel General na ilha Tatuoca e bloqueou o porto de Belém.

Em 26 ago 1835 ,Eduardo Angelim foi aclamado o "3 o presidente cabano" e passou a ter grande dificuldade para dominar a situação, por não conhecer os manejos da administração ,estar sob bloqueio naval e mesmo por desentendimentos entre as lideranças cabanas que o sustentavam no poder.

A partir de sua base naval o mal Manuel Jorge fez bem sucedidas incursões em Chapéu Virado, Colares, Vigia, Curaça e Vieira Vale.

Em 9 abr 1836 ,o mal Andréa reassumiu a Presidência e o Comando das Armas.Em operações conjuntas foram retomando varias posições cabanas .

Os cabanos em Belém sentindo dificuldades incontornáveis pediram anistia que não foi concedida nas condições propostas.

E em 13 abr 1836, depois de cerca de 7 meses sob domínio cabano ,Belém retornou em definitivo ao controle da Regência.

Os cabanos deixaram Belém em pequenos barcos e foram em grande número capturados nesta situação pela Marinha. Andréa tratou de reorganizar Belém.

No interior da província a fraqueza demonstrada pelo governo em se fazer presente ,os espaços vazios deixados foram ocupados por lideranças cabanas que conquistaram o apoio popular expontâneo ou por coação. Pois ali imperava a impunidade e a lei do mais forte.

O mal Andréa procurou identificar concentrações cabanas e batê-las por partes,sem no entanto conseguir capturar Eduardo Angelim e outros líderes escondidos no labirinto aquático da Amazônia.

Em 20 out 1836, no rio Pequeno ,próximo do lago do Porto Real ,as forças legais em operação conjunta conseguiram capturar Eduardo Angelim e outros líderes cabanos.

Em dezembro, o marechal Andréa conseguiu retomar Santarém dos cabanos.

Nesta altura se apresentou a um perigo potencial a Integridade Nacional do Brasil, traduzido pelo apoio aos cabanos ,no Amapá ,de parte dos franceses que ali litigavam com Portugal e depois com o Brasil em torno de limites.

Mas o esforço para desintegrar a resistência cabana atomizada na imensidão da Amazônia, prosseguiu durante os anos de 1837 e 1838 quando a Revolução Farroupilha no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina atingiam o seu apogeu e para onde seguiria breve o mal Andréa depois de passar o governo do Pará ao dr João Antônio de Miranda que realizou exelente administração que terminou por reintegrar os cabanos .Trabalho de reintegração e pacificação que foi consolidado em 1840 ,com a maioridade de D,Pedro II.

Viveu pois o Pará durante a Regência agitação permanente que ameaçou a Unidade Nacional e a Integridade com a possibilidade de apoio francês aos cabanos no Amapá.

Enquanto tinha lugar a Cabanagem ,a Regência enfrentou distúrbios e motins na sua sede no Rio, a revolta da Balaiada 1838-1840 no vizinho Maranhão,a revolta dos cabanos de Pernambuco e Alagoas 1832-1835,a Sabinada na Bahia 1837-1838 e a Revolução Farroupilha 1835-1839 no Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Tudo nos parece evidenciar e demonstrar que o trono no Brasil foi fator de Unidade Nacional e que a adoção prematura da República constitucional poderia ter transformado o Brasil numa colcha de republicas fracas e hostis entre si.

Eis um assunto para reflexão por simulação !

A impunidade cabana estimulada pela ausência do estado na imensa área amazônica estimulou esta guerra quase sem fim que teria sido vitoriosa se mais capacidade intelectual e política tivessem tido as lideranças cabanas.

"Para alimentar o cérebro de um Exército na paz para melhor prepará-lo para a eventualidade indesejável de uma guerra não existe livro mais fecundo em lições e meditações do que o da História Militar" segundo o mal Foch .

.E este tema Cabanagem, no momento em que a Amazônia se torna prioridade na Defesa Nacional é rico em meditações e lições e esta a exigir um aprofundamento interdiciplinar.

Não se dispõe até hoje de uma História Militar da Amazônia integrando todos os conflitos internos e externos que a envolveram. .\Sendo a História Militar um Laboratório da Tática e da Estratégia, conforme nos ensina o brasilianista Mac Cann, impõe-se urgente um estudo integrado de todos os eventos bélicos ali ocorridos ,bem como de todos os planos militares históricos desenvolvidos desde a sua incorporação a Portugal para preservá-la . Pois o Brasil necessitará seguramente dos mesmos no limiar do 3 o Milênio .Gostariamos de conhecer proposta documentada contrária a esta necessidade aqui levantada nesta História do Duque de Caxias .

Esta foi uma revolta com causas sociais e não político -republicanas .Foi feita por massas despossuídas ,ao contrário da Revolução Farroupilha que será liderada por elites políticas e econômicas do Rio Grande do Sul contra lideranças do mesmo teor, dominantes do Sudeste e por via de conseqüência do Brasil.

Fonte: www.resenet.com.br

Sobre o Portal | Política de Privacidade | Fale Conosco | Anuncie | Indique o Portal