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CORTE PORTUGUESA NO BRASIL

A Europa está devastada pelo furacão Napoleão que mexeu em todos os tronos europeus e, no fim de 1807, está chegando em Portugal.

É a madrugada de 27/11/1807 e a corte, desesperada, se atropela com pressa e desordem no cais de Belém para embarcar, filhas sem pais, mulheres sem marido, pessoas da alta nobreza se acham a bordo sem roupa e com pouco ou nenhum dinheiro. Dom João, e Dom Pedro Carlos, infante de Espanha, tomam a galeota Príncipe Real, Dona Carlota, as infantas e o infante Dom Miguel, embarcam na fragata Rainha de Portugal; Dom Pedro, príncipe do Brasil, espera a avó, a rainha, Dona Maria 1a, a Louca, que aos urros entremeados de lamúrias e exclamações de Ai Jesus !, Ai Jesus !, se recusa a embarcar pois quer ficar com o povo e resistir e, ambos, embarcam. Trazem metade do tesouro português, algo em torno de 80 milhões de cruzados, a outra metade já fora quase toda gasta para comprar a neutralidade com a França de Napoleão, sequiosa dos tronos europeus, e o que resta em Lisboa, cerca de 10 milhões de cruzados, não dava para mover o reino e pagar as dívidas.

A esquadra composta de 8 naus, 3 fragatas, 2 brigues, 1 escuna de guerra, 1 charrua de mantimentos e mais 20 navios mercantes da marinha portuguesa foi pequena para acomodar as 15.000 pessoas que fogem.

A frota chegou a ser avistada por Junot quando chegou a Lisboa e, daí, vem o dito ficou a ver navios. Muitos nobres que não quiseram fugir, ainda abalados com o Massacre dos Távoras na época do Marquês de Pombal, aderem ao inimigo e se apressam a lhe fazer rapapés convidando-o para recepções.

Portugal, já vinha desde a época pós descobrimentos, a perder sua importância econômica e política no contexto mundial, que fora imensa, pois a tenacidade, competência técnica, empresarial e logística que demonstrara, fizera o comércio tornar-se mundial e os lucros e a riqueza foram formidáveis para o país. Dois fatos causam um enorme prejuízo às finanças do reino: a Restauração dos Braganças, após o domínio espanhol de 1580 a 1640, custou muito caro, pois o auxilio inglês significou o casamento da filha de D. João 4o com o rei Carlos 2o da Inglaterra em 1661 e, para isso, houve o dote de 2 milhões de cruzados e a entrega da região de Tanger e Bombaim. A alegada expulsão dos holandeses de Pernambuco, em 1654, que fora o ponto mais rico do mundo colonial português com sua exportação de açúcar atingindo 700 mil arrobas, fez com que, entre 1661 (Tratado de paz de Haia) e 1730, Portugal tivesse que pagar à Holanda, 4 milhões de cruzados de indenização, além de entregar o Ceilão e as ilhas Molucas para a Holanda.

Por conta dessa desastrada política de entrega de patrimônio e perda de renda, em 1800 Portugal já está sem força pois acabara o dinheiro que vinha do Brasil, cujo apogeu foi entre 1750 e 1760, quando se estima que veio uma fortuna, de 2,5 milhões de toneladas de ouro e 1,5 milhões de quilates de diamantes, que ajudou a reconstruir Lisboa destruída pelo terremoto ao tempo de D. José 1o e do Marquês de Pombal cuja energia, dinamismo e autoridade tiraram Portugal da letargia em que estava desde a época pós descobrimento. Portugal era um país em processo de alienação como metrópole autônoma pois começou dando ao inglês condições de igualdade com o português, avançou a ponto de sacrificar nossa indústria em prol da britânica e acabou por concordar em eliminar a lavoura brasileira para favorecer a agricultura das colônias inglesas das Antilhas.

A corte desembarca a 7/3/1808, todos imundos, fedidos, com pulgas e piolhos, no Rio de Janeiro cuja população total era de 60.000 almas, das quais 40.000 escravos negros. A chegada à baía é assim descrita por um viajante da época:

Não existe viajante algum que, tendo visto o Rio, não fale com admiração do magnífico espetáculo proporcionado pela baía da cidade. Esta baía é ainda mais vasta que a baía de Constantinopla, pois tem 5 léguas de extensão por ¾ de milha de largura, é defendida por rochas graníticas de efeito grandioso e poderia acolher todas as frotas do mundo sem amontoamento.

Quando se entra na baía, após o sofrimento da longa travessia, fica-se comovido com o esplendor do panorama:

Porém, que decepção se sente, oh meu Deus, quando se sai do ancoradouro ? ! Os perfumes que vem da baía são infecto!! A explicação é simples, a água das casas era transportada pelos escravos de várias fontes em barris semelhantes aos que, no fim da tarde, carregavam os detritos pois as casas não tem fossa séptica já que o lençol freático, por causa do solo pantanoso, está muito próximo da superfície e todos os detritos domésticos são postos em barris que os escravos põem sobre a cabeça e vem, em procissão, para o mar onde os jogam, dá para imaginar o mau cheiro com o terrível calor do lugar, esses negros são como o símbolo da cidade. E o ponto onde jogam é próximo ao palácio e quem estiver na janela, não pode deixar de ver os horrorosos barris que vão e vem na água da baía ao cair da tarde e cujo odor se faz sentir até o fundo dos quartos. O Hotel Pharoux, que hospeda os estrangeiros, fica inabitável conforme a direção do vento. Mais tarde, uma viajante francesa diz que as margens da baía não passam de um vaso sanitário infecto e as praias que pareciam tão belas do navio, eram o receptáculo das imundícies de toda a cidade !!!!

A cidade andava extasiada com as notícias de que estava próximo o dia do rei, em pessoa, estar na exuberante capital tropical, e o vice-rei e capitão geral do Brasil, Dom Marcos de Noronha e Brito, apoiado pelos grandes da terra, preparava a recepção e a instalação da corte, dando exemplo ao despejar-se, a si próprio, do palacete em que vivia para cedê-lo aos ilustres migrantes sem teto. Só do reino são 15.000 pessoas, da Inglaterra e França fortes comerciantes, da Itália vários artistas, da Áustria sábios naturalistas e da costa da África pretos de várias compleições. Na realidade, não resta opção para os moradores, pois uma das primeiras leis baixadas pelo regente, Dom João, foi impedir que os fluminenses tivessem mais que uma propriedade, ordem extensiva às lojas e armazém, determinando que a segunda propriedade fosse entregue aos migrantes necessitados vindos da mãe pátria. Esta lei esteve em vigor até 1818.

Para se entender essa arbitrariedade há que se conhecer o poder do rei em uma Monarquia Absolutista onde o Estado era apenas um aspecto da glória do rei e não havia separação nítida entre suas ações, desejos e vontades, tanto no Estado como em sua vida particular, pois o rei é o senhor de tudo e reinava no país como dono da casa e em casa como dono do país. A corte do antigo regime é entendida como uma imensa casa do rei e essa posse chega a tudo, tanto é que a separação dos fundos econômicos da Casa de Bragança e os fundos do Estado só serão separados com a criação de um Erário Público no 1o Reinado, com D. Pedro 1o Imperador (1822-1831).

A corte endividada e atônita com a novidade dos trópicos encontrou na colônia um tecido social que é assim qualificado:

Já existia na colônia uma aristocracia de poder econômico e privilégio social composta de senhores de engenho, criadores de gado e fazendeiros produtores de víveres e mercadorias, os quais agrupados em clãs impenetráveis controlavam as áreas situadas em torno das principais cidades litorâneas sendo que a aristocracia nordestina era simpática a Portugal e a do sul era resistente ao poder real, (Alan Manchester).

D. João 6o, (13/5/1767-10/3/1827), 27o Rei de Portugal, Duque de Bragança, Barcelos e Guimarães, Marquês de Viçosa, Conde de Arraiolos, é baixo, gordo, bonachão, comilão, sossegado, carola e só foi rei porque os dois irmãos mais velhos morreram e a mãe ficou louca !!! porém, apesar de uma aparente fraqueza, representa a visão do futuro e da adaptabilidade à nova ordem, pós revolução francesa, é ele a querer vir para o novo mundo, é ele a querer ficar, e a fazer o Brasil, Colônia e Vice Reino de 1500 a 1808, virar Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves (1808-1822), é ele em Janeiro de 1808 a abrir os portos brasileiros num ato que é considerado o início da nossa emancipação econômica, é ele em Abril de 1808 a dar o Alvará de Liberdade Industrial que permite a abertura da tecelagem, da manufatura de metais e alimentos porém a alegria dura pouco e os ingleses forçam-no a taxar a mercadoria brasileira em 16%, enquanto que a inglesa tem apenas taxa de 15%, o que faz fracassar a indústria brasileira, é ele que em 1808 funda o Banco do Brasil para regular a moeda, porém o desmando é de tal ordem, se emite tanto dinheiro que o lastro de ouro é superado, o dinheiro perde o valor e a respeitabilidade e o Banco fecha as portas em 1828 insolvente, é ele a quem o Brasil deve o grande esplendor econômico do café no Império pois entrega com as próprias mãos aos vassalos, mais chegados à corte, as mudas de café que manda trazer da Africa. É ele, finalmente, a ter a perspicácia de fazer o filho ficar, cá no Brasil, quando urge voltar a Portugal para acalmar os ânimos dos reinóis indignados com a ausência do rei, é ele, injustiçado pela história oficial que não lhe dá a unanimidade ao julgar como sua, a decisão de vir para o Brasil como estrategista competente que era é ele, sem dúvida, a grande figura da Casa de Bragança e a quem o Brasil deve sua existência como Nação.

Carlota Joaquina, (25/4/1777-7/1/1830), filha de Carlos 4o de Espanha e de Maria Luisa, a fogosa rainha que brigou com a Duquesa de Alba por ciúmes de Goia o grande pintor dos reis de Espanha, era bisneta de Luís XV, tetraneta de Luís XIV, ambos reis de França, era baixa, feia, disforme, com barba e bigode, e sonhava com a grandeza da Espanha e detestava o Brasil não vendo a hora de voltar para a Europa, não houve na corte no exílio, quem mais se deu a intrigas, e das mais ambiciosas, inclusive para submeter o reino aos domínios espanhóis.

D. João e Carlota Joaquina, tiveram 9 filhos, entre eles: 1 Imperador, 1 Rei e 2 Rainhas:

Maria Teresa, princesa da Beira; Antonio, morto jovem; Maria Isabel, mulher de Fernando 7o (1784-1833) rei de Espanha; Pedro, 1o Imperador do Brasil, e rei de Portugal como Pedro IV; Maria Francisca, mulher de Carlos 5o (1788-1855) rei de Espanha; Isabel Maria, regente de Portugal (1826-1828); Miguel, que pelo casamento com a filha de D. Pedro 1o, sua sobrinha, torna-se rei de Portugal; Maria, morta solteira e Ana, duquesa de Loulé.

A apologia do poder enfatizava as propriedades inatas do soberano com seu caráter paternal para com seu povo e sua procedência divina e sua capacidade divina de conceder graças. Porém a nobreza migrada, composta da mais alta nobreza de sangue e espada como os Caparicas, Lavradios, Pombais, Belas, Redondos e a nobreza de toga, mais recente e influente nos cargos da administração do reino, como os Anadia, Vagos, Angeja, Belmonte ou Cadaval, empenhou-se como pode para alargar as distâncias que as separavam das elites nativas criando uma tensão sócio cultural que marca a estada da corte no Brasil.

Os anos de 1817 e 1818 foram os mais faustosos da permanência da corte no Brasil. Em particular o período entre a chegada da princesa Leopoldina, filha do imperador da Austria-Hungria, a 5/11/1817, para o casamento com D. Pedro, Duque de Bragança e Príncipe do Brasil e o aniversário e coroação e aclamação de D. João, a 13/5/1818, como monarca de uma tradicional Casa Real européia, foram inúmeras festas com desfiles e arcos triunfais pelas ruas da cidade que deslumbraram, pelo luxo, fausto e riqueza, a população da cidade.

Os sentimentos de vassalagem dos fluminenses se exprimem pelos muitos e gordos donativos feitos para sustentar o dia a dia da corte que era de manutenção caríssima e contínua pois, só em aves para a alimentação gastava-se 75 contos de réis por mês, e, praticamente, o rei não tinha nenhuma outra renda além da concessão das mercês, franqueadas aos vassalos, como já era praxe em Portugal desde D. João 5o, 24o rei de Portugal, (1706-1750), e que era o principal capital econômico de que dispunha a monarquia. Em 1800 conseguia-se em Portugal, o Foro de Fidalgo por 25.000 cruzados e o Hábito de Cristo por 5.000 cruzados. Portugal foi diferente das demais nobrezas territoriais européias por não fundar o seu estado, e o seu poder, exclusiva ou maioritariamente, nos senhorios da terra, lá havia uma categoria de nobre genuinamente lusitano, o fidalgo mercador. A partir do Marquês de Pombal, no século XVIII, se consolida em Portugal a importância da burguesia na sociedade portuguesa que participa da máquina administrativa e luta pelo ideal da nobilitação ficando cada vez mais rica, enquanto que a nobreza decaía e se endividava cada vez mais.

D. João com a Rainha, Dona Maria 1a, se instalam na Quinta da Boa Vista que recebe em doação de Elias Antonio Lopes, a quem confidenciou maravilhado Eis aqui huma varanda Real, Eu não tinha em Portugal cousa assim. Porém, a casa não convence como residência real a John Luccock que a considera: acanhada e pretensiosa, mal construída e pessimamente mobiliada. Carlota Joaquina fica na antiga sede do vice-reino, no centro da cidade, que era absolutamente desprezível como habitação real, com 63,98 m. por 23,76 m. de área porém é: um casarão sem nenhum mérito arquitetônico.

A Quinta avaliada em 400 cruzados rendeu a Elias a Comenda da Ordem de Cristo e o titulo de Cavaleiro da Casa Real, Elias ao morrer, em 1815, deixou uma fortuna de 235.908$701 e, ainda mais, 110 escravos avaliados em 9 contos de réis.

Manuel José da Costa Filgueiras Gayo informa no Nobiliário de famílias de Portugal, que o foro de Cavaleiro ou Escudeiro era sinal de nobreza de sangue, principalmente, quando esse título já era usado antes da reforma de D. Sebastião em 1572 reforma, esta, que simplificou, e facilitou, as exigências para qualificar os novos titulares já inseridos na nova dinâmica social que começa a imperar entre a nobreza de Portugal a partir do século XVII.

Temos outros ricos fluminenses, que tinham preponderância sobre os outros setores econômicos existentes na colônia, como os comerciantes reinóis e a aristocracia agrária nativa, e foram esses comerciantes de grosso trato fluminenses, que ajudaram a manter o passadio da corte e foram agraciados com Comendas e Títulos: Manoel Caetano Pinto cuja fortuna, em 1839, era de 280 contos de réis. José Inácio Vaz Vieira, Antonio Gomes Barroso, Antonio José Ferreira, genro de Manoel Caetano Pinto, com fortuna de 300 contos de réis, e vários outros, entre eles o mais influente, Brás Carneiro Leão, o maior dos negociantes de grosso trato do Rio de Janeiro que, já em 1802, fora agraciado com a Ordem de Cristo e era Cavaleiro da Casa Real e tinha carta de brasão para si e seus 6 filhos. Louis de Freycinet, comentando a vida social do Rio informa que ficou atônito com as mulheres da família de Carneiro Leão as quais usam jóias de tal magnificência que apenas os diamantes são avaliados em 6 milhões de francos.

Os ricos fluminenses levantavam-se às 9 horas, desjejum às 10, trabalhavam até às 3, fazem em seguida uma longa sesta e, às 20, tomavam um chá com a família. Quando eram convidados para a casa de amigos iam às 19 e voltavam às 23. Quando tinha baile voltavam às 2 ou 3 horas da madrugada.

O almoço/jantar começava com uma sopa de carne com legumes, seguida de frango com arroz e molho picante, entre cada prato uma colherada de farinha de mandioca como se fosse o pão e, para refrescar o paladar, usavam laranjas e saladas. Como sobremesa tinham o arroz doce, queijo de minas, holandês ou inglês, frutas variadas e, para beber, porto ou madeira e o café. Somente os homens usam a faca, mulheres e crianças se servem com os dedos e as escravas comem ao mesmo tempo, em pontos diversos da sala sendo que, por vezes, suas senhoras lhes dão um bocado com as próprias mãos. Os estrangeiros sentiam repugnância pelo prato de carne seca de Minas com feijão preto e farinha de mandioca, tudo isso cozido e amassado com os dedos que são lambidos no final.

A mulher vivia confinada, privada de liberdade, num contínuo isolamento, sempre fechada em casa e mesmo entre a nobreza vigorava a norma da província, de que a mulher só três vezes saía de casa, para ser batizada, para casar, para ser enterrada. As mulheres costumavam sentar-se em esteiras, de pernas cruzadas à maneira oriental, junto às janelas rodeadas de escravas para servi-las. O ócio e a falta de exercícios rapidamente deformavam o corpo das adolescentes que, aos 13 anos assumiam o papel de matronas e, aos 18 já atingiam a plena maturidade física. A beleza feminina da época ia da moça do tipo quebradiço, quase doentio, à mulher gorda, mole, caseira, maternal, de coxas e nádegas largas, com pezinhos deformados por sapatos apertados demais, de seda nas cores branca, azul, celeste, rosa, que duram 2 dias pois as calçadas são péssimas, só em 1818 chega a moda dos sapatos envernizados de couro que são caríssimos. A cintura de vespa era apertada pelo espartilho. Os cabelos eram longos e com todos os formatos arquitetônicos possíveis e com nomes pitorescos: tapa missa e trepa moleque. Usavam chales de seda, lã, pelo de camelo, renda, tricô, musselina bordada de ouro ou prata.

Os homens, sempre de barba e/ou bigode, se vestiam como ingleses e tinham como característica o fardamento das diversas ordens, com guarda roupa composto de calças, calções, camisas, casacos, sobrecasacas, chambre de seda, lenços e gravatas, meias de seda, chapéus, jaquetas e xales de lã, tudo sempre muito colorido.

A vida social é muito chata e as distrações pouco freqüentes pois quase não há reuniões sociais. Os jantares, bailes ou reuniões em casa particular, são coisas quase inexistentes. O 1o teatro foi construído pelo governo e inaugurado a 12/10/1813, com o nome de Teatro São João, continha 1.020 poltronas e 112 camarotes.

CONCLUSÃO

A configuração social da corte joanina no Brasil, é composta por muitos naturais do país que foram honrados com as Insígnias das Ordens estabelecidas e receberam Títulos e Brasões de Armas, dados como prêmio de relevantes serviços prestados ao rei. A Nação colheu o fruto, de tão benéfica providência real, exterminando as ilusões democráticas e dirigindo, e submetendo, todas as classes sociais na dourada cadeia da subordinação ao rei, sempre tendo em vista a pirâmide monárquica e, mantendo sob controle os indivíduos em seus ofícios e no devido respeito à autoridade Real e, esta semente, irá frutificar com tremenda intensidade no Império que se instala após a volta de D. João a Portugal, quando ocorre um furor de nobilitação que espanta, até hoje, pela quantidade de títulos concedidos e cujos titulares darão o suporte político financeiro ao regime Imperial até o fim.

A viúva de Carneiro Leão, Francisca Maciel da Costa, é feita Baronesa de São Salvador dos Campos de Goitacazes, em 1823, e é a 1a brasileira/o a receber mercê de título nobiliárquico do Imperador. Seu filho, Fernando Carneiro Leão, será Barão de Vila Nova de São José, em 1825, e uma de suas filhas, casa-se com o filho do 1o Conde de Linhares, Rodrigo de Souza Coutinho, que é o exemplo típico da nova nobreza portuguesa pois representa a nobilitação de mercadores de grosso trato sem nenhuma ascendência de linhagem de sangue.

A Baronesa de São Salvador dos Campos de Goitacazes dá inicio à nobreza brasileira que nos 67 anos de Império se constituiu de 1.211 títulos assim discriminados:

Duques: 3, Marqueses: 47, Condes: 51, Viscondes: 235, Barões: 875

Estes títulos foram dados, prioritariamente, aos fazendeiros e, depois, aos ocupantes de cargos públicos, aos comerciantes, aos negociantes e, por fim, aos intelectuais e aos capitalistas.

Os homens da colônia não tinham uma sociedade de corte por estarem longe do rei e, quando ficam frente a frente com o rei e sua corte, ficam arrebatados, pois tudo se ofuscava ante o inédito da situação, ainda mais aos olhos dos potentados fluminenses, atraídos pelo brilho da corte que se insere em seu cotidiano, e eles se submetem às adversidades da vida palaciana pois os ricos do Rio de Janeiro querem tornar-se nobres, ter um título, freqüentar o trono, por ser este o primeiro, e mais forte, valor da sociedade pré capitalista, e colocam as suas bolsas à disposição do rei que as usa com sofreguidão.

A estada de D. João 6o no Rio, permitiu a reorganização política-jurídica do país e se estabeleceram os contatos, mais ou menos amistosos, mais ou menos conflitantes, entre as 2 facções, a nobreza migrada e as elites da terra constituída por negociantes de grosso trato, sendo que, os reinóis primavam por alargar e enfatizar as distâncias honoríficas insuperáveis, pois era o que restara para essa gente saqueada, perseguida, exilada, humilhada, na indigência financeira que, ao desembarcar, não tinha nada além da honra e da etiqueta como os únicos elementos que lhes conferiam identidade como grupo e podiam qualificá-los no teatro da corte, e aos da terra nada mais restava que ostentar o poderio econômico que, pensavam, poderia lhes comprar a distinção junto ao rei. Nesse encontro, nada tranqüilo, nessa fusão conflituosa de interesses, orquestrada, sabiamente pelo rei, se definiram os contornos da nascente classe dirigente brasileira, que promoveu a construção do Estado Imperial durante o século XIX e, em algumas particularidades, permanecem como elementos construtivos da relação política social no Estado Brasileiro, até hoje.

Fonte: www.historianet.com.br

CORTE PORTUGUESA NO BRASIL

D.JOÃO VI E A FAMÍLIA REAL PORTUGUESA NO BRASIL (1808)

A vinda da família real portuguesa para o Brasil representou um passo importante para a nossa futura independência política.

Na primeira década do século XIX, as forças militares de Napoleão Bonaparte, tomaram a Europa, em nome dos ideais democráticos da Revolução Francesa. Napoleão tinha a intenção de dominar a Europa dividindo o continente entre aliados e amigos da França. Essa divisão foi levada radicalmente em 1806, quando foi declarado o BLOQUEIO CONTINENTAL por meio do qual pretendia sufocar a economia inglesa, que era principal adversário francês.

Bloqueio Continental foi instituído através de um decreto de Napoleão Bonaparte, assinado em 1806, proibindo os países europeus de receberem navios ingleses em seus portos e de venderem produtos a Inglaterra.

Com essa medida Napoleão Bonaparte pretendia enfraquecer a Inglaterra, privando-a de seus mercados consumidores e de suas fontes de abastecimentos. Aliado fiel do Império Britânico, Portugal viu-se no meio de um grave conflito internacional.Não podia virar as costas a Inglaterra, nem afrontar o bloqueio napoleônico.

A situação interna de Portugal apresentava dificuldades administrativas e políticas: falta de orientação do regente D.João nos assuntos de governo e divergência entre os partidários monárquicos e liberais. No plano externo a situação era bastante grave, devido ao expansionismo napoleônico e as ameaças a Portugal.

Portugal se encontrava sob o domínio econômico inglês desde o Tratado de Methuen em 1703.

O Tratado de Methuen foi assinado em 1703 entre Portugal e Inglaterra, em que Portugal abriria seus portos aos manufaturados ingleses em troca da compra do vinho lusitano.Isso implicou a dependência econômica e política dos portugueses com relação à Inglaterra.

Portugal na época era governado pelo Príncipe D.João, filho segundo de D.Maria I e Pedro III ( o primogênito D.José morrera em 1788) , como regente já que a rainha se encontrava interditada por insanidade mental desde 1792. Seu aspecto físico não o ajudava; o rotundo Bragança aparentava ser um débil, tanto que José Bonifácio lhe deu o apelido de "João Burro". No entanto o príncipe ocultava uma inteligência atilada por debaixo da timidez e morosidade de suas resoluções. Odiava-os, jogava entre si seus conselheiros e ministros, dividia para reinar, triunfava cansando seus adversários. Sua mulher, a Infanta Carlota Joaquina de Bourbons, filha mais velha de Carlos V da Espanha reunida um mau gênio intempestivo dos Habsburgo; não foram felizes.

D.Carlota esposa de D.João, filha do Rei de Espanha

Ao ser intimado por Napoleão em 12 de agosto de 1807 para aderir o Bloqueio Continental contra a Inglaterra, D.João foi evasivo em sua resposta e procurou ganhar tempo, fechando os portos do reino aos ingleses e enviando ao Brasil o primogênito D.Pedro com o objetivo de resguarda-lo.

Em 22 de outubro assinava por meio de seus representantes em Londres uma "Convenção Secreta" com a Inglaterra, que logo resultou em ocupação da Ilha da Madeira pelos ingleses.Se Portugal aderisse ao Bloqueio Continental esse país ficaria em condições extremamente difícil, porque a economia portuguesa dependia basicamente da Inglaterra.Os ingleses eram os maiores fornecedores dos produtos manufaturados consumidos em Portugal e também os maiores compradores de mercadorias portuguesas e brasileiras.

A Inglaterra por sua vez, também não queria perder seu velho aliado, principalmente porque o Brasil representava um excelente mercado consumidor de seus produtos.

O Império português naquela época tinha perdido muito do brilho que alcançara no passado. Algumas regiões descobertas e exploradas pelos portugueses na Ásia e na África passaram para o domínio de outras potências européias, principalmente a Holanda e a Inglaterra. A Revolução Industrial responsável pelo grande desenvolvimento inglês as partir do século XVIII, não se estendeu a Portugal, que se viu obrigado a comprar da Inglaterra os produtos industrializados que necessitava. A economia portuguesa ficou por isso complementar à economia inglesa.Em 1807, França e Espanha assinavam o TRATADO DE FONTAINEBLEU, decidindo invadir Portugal e dividir entre si suas colônias. Enquanto isso, a Inglaterra forçava Portugal a ratificar a CONVENÇÃO SECRETA, o que deu em novembro de 1807, apesar das fortes pressões dos setores favoráveis França.

Príncipe D.João , no ano em que foi feita a imagem em 1816, o príncipe estava com 49 anos.

Para resolver a situação de acordo com os interesses de seu país, o embaixador inglês em Lisboa, Lorde PERCY CLINTON SMITH, Visconde de STRANGFORD, conseguiu convencer D.João a transferir-se com a sua corte para o Brasil garantindo desse modo aos ingleses o acesso ao mercado consumidor brasileiro.

A transferência também é uma boa solucão para a corte lusitana, pois evitava a deposição da dinastia BRAGANÇA pelas forças napoleônicas. A esquadra saiu do Tejo, com a família real no dia 29 de novembro de 1807, contava ao todo com quinze navios, sendo apenas quatorze seguiram viagem, porque a escuna CURIOSA depois de ter saído retornou ao Tejo.

As forças navais que saíram do Tejo, sob o comando do Vice-Almirante MANUEL DA CUNHA SOUTO-MAIOR, sendo ajudante-geral o Chefe de Divisão JOAQUIM JOSÉ MONTEIRO TORRES, compunha-se das seguintes unidades:

Naus de linha, PRINCIPE REAL comandada por FRANCISCO JOSÉ DO CANTO E CASTRO; Rainha de Portugal comandada por FRANCISCO MANOEL DE SOUTO-MAIOR; Príncipe do Brasil comandada por FRANCISCO DE BORJA SALEMA; Medusa comandada por HENRIQUE DA FONSECA PREGO; Conde D.Henrique comandada por JOSÉ MOREIRA DE ALMEIDA; Martins de Freitas comandada por D.Manuel Meneses; Afonso Albuquerque comandada por INACIO DA COSTA QUINTELA; D.João de Castro comandada por D.MANUEL JOSÉ.

Fragatas; Minerva comandada por Rodrigo José Ferreira Lobo; Golfinho, comandada por Luís da Cunha Moreira; Urânia comandada por D. João Manuel.

Jardim Botânico no Rio de Janeiro. Criado por D.João VI em 1819, origináriamente denominado Real Horto, o Jardim Botânico, veio a tornar-se o principal labortório de aclimatação de plantas e de experiências científicas em Botãnica do Brasil.

A brique Vingança comandada por DIOGO NICOLAU KEATING.

A escuna Curiosa comandada por Isidoro Francisco Guimarães. E a Tétis comandada por PAULO JOSÉ MIGUEL.

Na nau Príncipe Real, que era a de maior tonelagem, embarcaram a Rainha D.Maria I, o Príncipe-Regente, o príncipe da Beira e mais os infantes D.Miguel e D.Pedro Carlos seguidos pelos marqueses da Aguiar, Vargas e Torres Novaes, e os conselheiros de Estado D.Fernando José de Portugal.

Na nau Afonso Albuquerque vieram a princesa regente, a princesa da Beira e as infantas D.Maria Isabel, D.Maria Assunção e D.Ana de Jesus Maria, acompanhadas pelos condes de Caparica e Cavaleiros.

Na nau Rainha de Portugal se acomodaram a Princesa do Brasil, viúva, e as infantas D.Isabel Maria, D.Maria Francisca e D.Mariana, acompanhadas pelo marques de Lavradio.

Nas outras embarcações vieram os seguintes titulares: Anádia, Belmonte, Belas, Cadaval, Penalva, Pombal, Pombeiro, Redondo; os conselheiros de Estado Antônio de Araujo de Azevedo, D.João de Almeida, D.Rodrigo de Souza Coutinho, General João Forbes Skellater, desembargador do Paço Tomás Antônio de Vilanova Portugal e monsenhor subdiácono Joaquim da Nóbrega Cam.

Embarque da Família Real Portuguesa para o Brasil, em 29 de novembro de 1807. D.João e a família real e mais de 15.000 pessoas embarcavam em Portugal com destino ao Brasil fugindo do avanço das tropas de Napoleão Bonaparte.

Os navios ingleses que comboiaram a esquadra portuguesa foram o London, Malborough, Monarch e o Bedford, sob o comando em chefe do Vice-Almirante GRAHAN MOORE.

Ao todo, mais de 70 navios haviam deixado o porto de Lisboa. A frota portuguesa tinha aproximadamente 55 navios, dentre estas, um navio de mantimento, 25 navios mercantes que costumavam fazer o comércio com o Brasil e 20 navios de guerra levando fuzileiros navais para a proteção da frota. Os restantes eram navios ingleses encarregados de escoltar todo o grupo. Não havia restando nenhuma embarcação de peso no porto de Lisboa que pudesse ser confiscado pelos franceses.

Além dos navios que partiram, o resto da frota portuguesa estava retido nos portos das colônias por ordem real para que não fossem capturados.

Antes da saída da frota, partira na frente uma embarcação menor e mais veloz o brigue VOADOR, com a missão de avisar o vice -rei do Brasil que a corte portuguesa estava a caminho do Rio de janeiro para ali se instalar.

Sob a ira do povo de Lisboa, a família real embarcou para o Brasil abandonando o país a sua própria sorte. Em Lisboa chegava a notícia de que tropas francesas comandadas pelo general JUNOT tinham invadido o norte de Portugal, essa notícia levou pânico a corte. Os fidalgos organizaram-se e conseguiram levantar milhões de cruzados em ouro e diamantes, além de cerca da metade do dinheiro em circulação no reino.

Todos os nobres queriam embarcar, mesmo correndo riscos de vida; distintas damas afogavam-se tentando alcançar os botes já lotados que se dirigiam aos navios enquanto a população presenciava desolada a FUGA DE SEUS GOVERNANTES. Conta-se que a única mostra de lucidez foi dada por D.Maria I, a louca mãe de D.João. Depôs de 16 anos de clausula devido à sua demência, a rainha-mãe gritava aos condutores dos coches que os conduziam: "não corram tanto! Querem que pensem que estamos fugindo?"

A situação nos navios era muito difícil. As embarcações tinham saído com os porões superlotados e três vezes a capacidade normal de pessoas a bordo. O congestionamento interno a bordo era total, havia gente e coisas espalhadas por todos os lados.Não havia camas para todos e várias pessoas dormiam no convés, enfrentando as chuvas e o calor aumentava à medida que se aproximavam dos trópicos.

A água e a comida foram racionadas para que não faltassem até o final da viagem.

Na confusão do embarque, muitos ficaram apenas com a roupa do corpo.Os que tinham embarcado a bagagem não conseguiram encontra. Era muito difícil manter a higiene a bordo, pois não havia água para o banho par tantas pessoas e a pequena tripulação não consequia dar conta da limpeza dos navios.

O Rio de Janeiro passava a ser a sede da instalação da Corte no Brasil..Ve-se o Palácio dos Vice-Reis onde se alojava a realeza.

Essa situação também atingia a família real e, logo um surto de piolhos fez com que a princesa CARLOTA JOAQUINA e as damas da corte tivessem de raspar as cabeças e enrola-las em faixa para evitar a propagação.

Série dos quatorze reis de Portugal e da Espanha, que aclamaram e reconheceram o Brasil, até se constituir um Império independente:

1- D.Manuel, faleceu em 13 de dezembro de 1521. 2- D.João III de Portugal, faleceu em 11 de junho de 1557. 3- D. Sebastião, faleceu em 04 de agosto de 1578. 4- D. Henrique,o cardeal, faleceu em 31 de janeiro de 1580. 5- D.Felipe de Castela, faleceu em 13 de setembro de 1598. 6- D.Felipe de Castela, faleceu em 31 de março de 1621. 7- D.Felipe IV durou seu reinado em Lisboa até 1º de dezembro de 1640 8- D.João IV de Portugal, faleceu em 06 de novembro de 1656. 9- D.Afonso VI deposto em Lisboa em 23 de novembro de 1667. 10-D.Pedro II, faleceu em 09 de dezembro de 1750. 11-D.João V faleceu em 31 de julho de 1750. 12-D.José I,faleceu em 24 de fevereiro de 1777. 13-D.Maria I, deixou de governar em 10 de fevereiro de 1792, faleceu em 20 de março de 1816. 14-D.João VI de Portugal e I como imperador, em nome do Brasil, deixou de reinar no Brasil com a proclamação de Independência em 1822

A essa altura,o Estado português estava em alto mar, com destino são Rio de Janeiro, levando tudo o que precisava para se estabelecer ali como se fosse em Lisboa. Foi uma longa e penosa viagem.

Poucos dias depois, as tropas francesas entravam em Lisboa. A temida divisão invasora era na realidade uma cansada tropa de 1.200 homens sem AS MENORES CONDIÇÕES DE COMBATE.Não possuíam artilharia, munições, sapatos e gêneros alimentícios, cambaleavam de cansaço, a tropa na realidade era um hospital e não um exército.

D.João deixará uma declaração ao povo português que sua partida era preferível a uma resistência que certamente, seria derrotada.Dizia que tudo fizera para manter a neutralidade do reino de Portugal, mas as tropas de Napoleão estavam a caminho da capital com a intenção de derruba-lo, e por isso ele tinha de para com corte até a paz novamente se estabelecer.Nomeava uma regência para governar o país enquanto estivesse fora.

Com a fuga da família real, a grande vitoriosa foi à Inglaterra.O primeiro-ministro inglês WILLIAM PITT, discursou no parlamento, afirmando:" transferindo-se o trono portuguesa para o Brasil o Império da América do Sul e o da Grã-Bretanha ficarão ligados eternamente, fazendo essas duas potencias um comércio exclusivo".

Logo no principio da viagem sobreveio uma tormenta que dispersou quase toda a esquadra.Um veleiro O VOADOR, chegou primeiro ao Brasil, entrando no Rio de Janeiro no dia 14 de janeiro de 1808 com uma viagem de quarenta e seis dias.Pouco depois fundearam aí outros navios com parte da família real, ao passo que o príncipe regente chegava a Bahia, desembarcado a 23 de janeiro de 1808. Esses navios fundearam na Bahia às 04 horas da tarde do dia 22 de janeiro, desembarcado a família real no dia 24 de janeiro às 05 horas da tarde. A viagem para o Rio de Janeiro só iria ocorrer 30 dias depois do desembarque.

Da Bahia, D.João seguiu para o Rio de Janeiro.Ali o alojamento da numerosa comitiva do Príncipe causou grandes problemas. As melhores residências da cidade foram requisitadas para os altos funcionários da Corte, não sendo poucas pessoas despejadas de suas casas para hospedar os recém-chegados. A chegada do Príncipe D.João ao Brasil deu inicio a uma nova época na História do Brasil, pois a colônia foi a grande beneficiada com a transferência da Corte. A presença da administração real criou pouco a pouco condições para a futura emancipação política da colônia.

O Brasil que o regente e sua Corte encontraram tinha dezessete capitanias e uma população estimada entre 3 a 4 milhões de habitantes, não contando os índios não aculturados.Pouco menos da população era composta de escravos negros e pardos.Pouco mais da metade era constituída de pessoas livres, brancos em sua maioria.No total apenas um terço da população era de brancos. A sociedade era tipicamente agrária, e apesar do crescimento urbano do último meio século, as cidades eram modestas e muito precárias. Salvador possuía 60.000 pessoas, Recife 30.000, São Paulo 20.000.

Sessão das Cortes Portuguesas. A politica praticada pelas Cortes Portuguesas, ao exigir o retorno de D.Pedro à metrópole, foi um dos motivos que contribuiram para a proclamação da Independência do Brasil.

Com a instalação da Corte, ultrapassou os 100.000 habitantes, o que agravou suas carências de infra-estrutura, como moradia abastecimento de água, saneamento, saúde.

A vida do governo português para o Brasil fato único na história dos colonizadores europeus da América, não alterou radicalmente esse quadro.Mas a permanência de quase décadas e meia da Corte no Rio de Janeiro e a transposição para a colônia dos principais órgãos da Estado metropolitano, fizeram do Brasil nesse período, o centro do Império Lusitano.

Houve até ministros, políticos e intelectuais portugueses e brasileiros que chegaram a sonhar com um "império luso brasileiro"; no entanto essa idéia não vingou.No entanto a presença portuguesa no Brasil mudou, o equilíbrio das relações colônia-metrópole a favor da colônia, de sua maior autonomia e, no final, de sua emancipação.

Ainda em Salvador, D.João assinou a Carta Régia de 28 de janeiro de 1808, decretando a abertura dos portos brasileiros, sofrendo grande influência de José da silva Lisboa, o Marques de Cairú.

Ficava liberada a importação de quaisquer mercadorias transportadas em navios portugueses ou estrangeiros em paz com a Coroa Portuguesa. Portugal pagaria 16% de taxa alfandegária e os outros países 24%.

O decreto de abertura dos portos,colocou fim ao monopólio luso sobre o comércio brasileiro, que era a base da política colonial portuguesa.

Vários fatores contribuíram para abertura dos portos no Brasil. O Estado Português até então mercantilista, convencera-se repentinamente das vantagens do liberalismo econômico, porém, estavam radicalmente enganados. A medida aparentemente liberal surgiu da necessidade de se conseguirem recursos financeiros para a implantação da administração na nova sede da Coroasendo a cobrança das taxas alfandegária o melhor meio de obtê-la. As pressões inglesas aliadas às dos proprietários locais tornavam-se acirradas, desencadeando os fatores que em conjunto levaram ao fim do pacto colonial.

A ofensiva contra os estatutos coloniais prosequiam. Em 1º de abril de 1808, D.Maria I revoga o alvará de 1785, liberando o estabelecimento de industrias e manufaturas no Brasil.Na prática essa providência não atingiu seus objetivos: dava-se liberdade industrial e não condições para o desenvolvimento de industrias, faltava o capital e um mercado consumidor interno. Além disso, sem proteção alfandegária, tornava-se impossível competir com os produtos britânicos.Os ingleses dificultavam ao máximo as importações de maquinas, já que elas interessavam um mercado consumidor e não um produtor concorrente.

Quando D.João chegou ao Brasil, os principais produtos exportáveis produzidos na colônia eram:

-açúcar (34% das exportações produzido em todo o litoral) -algodão (24,4%, produzido principalmente no Maranhão, Pernambuco e Bahia.) -couro (9,8%, produzido principalmente no Rio Grande do Sul) -arroz (4%, produzido no Rio de Janeiro, Pará e Maranhão) -tabaco (3,8%, produzido principalmente na Bahia) -cacau (2,7% produzido no Pará) -café (1,8%produzido em várias capitanias) -aguardente (1,3%,produzida no Rio de Janeiro, Pernambuco, Rio de Janeiro e outras capitanias)

Em 1810, D.João assinou vários tratados com a Inglaterra, sendo o mais importante deles o TRATADO DE COMÉRCIO E NAVEGAÇÃO, que estabelecia uma taxa de apenas 15% sobre a importação de produtos ingleses. Para avaliar o significado dessa medida, basta lembrar que a taxa de importação de produtos portugueses era de 16% e a de produtos de outras nações de 24%. Com esse tratado os ingleses praticamente eliminavam a concorrência no mercado brasileiro, dominando-o por completo.

Além disso, os tratado de 1810 acabaram com as vantagens que o Alvará de 1º de abril de 1808 trouxera para a indústria brasileira. Esta ficou então obrigada a sofrer a concorrência insuportável dos produtos ingleses, que entravam na colônia pagando taxas alfandegárias muito baixas.

Pelo TRATADO DE ALIANÇA E AMIZADE ficou determinado a proibição da Santa Inquisição no Brasil e a gradual extinção do tráfico negreiro para a colônia. Consolidava-se a preponderância inglesa.Importantes setores da elite luso-brasileira manifestaram seu descontentamento com relação aos tratados de 1810. a Igreja Católica, os comerciantes reinois e os proprietários escravocratas sentiam-se prejudicados. No entanto a muito tempo a Inglaterra exigia a abolição gradativa do tráfico negreiro para o Brasil. Este já não interessava ao capitalismo industrial assentado nas relações assalariadas de produção.Além disso, o açúcar brasileiro produzido por escravos competia com o açúcar inglês produzido nas Antilhas.

Medidas e ações do governo de D.João VI no Brasil, entre 1808 e 1821, e alguns acontecimentos ligados a elas:

POLÍTICA ECONÔMICA

Abertura dos Portos -1808 Fábrica e manufaturas-1808 Real Junta de Comércio e Agricultura, Fábricas e Navegação-1808 Banco do Brasil-1808 Tratado de Aliança e Comércio com a Inglaterra- 1810 Fábrica de Ferro de Ipanema- 1811 Fábrica de Ferro Patriota- 1811 Navegação e Comércio Costeiro =-1816

POLÍTICA E ADMINISTRAÇÃO

Conselho de Estado, Ministérios, Tribunais, Intendência de Polícia, Arsenal, Escola da Marinha- 1808 Academia Real Militar - 1810 Imigração -1811 Reino Unido -1815 Aclamação de D.João VI -1818 Revolução Liberal do Porto-1820 Regresso a Portugal- 1821

CULTURA

Escolas médico-cirúrgicas-1808 Imprensa Régia- 1808 Biblioteca Real- 1810 Jardim Botânico-1811 Real Teatro de São João-1813 Missão Francesa e Escola Real de Ciências, Artes e Ofício-1816 Museu Real- 1818

POLÍTICA EXTERNA

Guiana Francesa (invasão)-1809-1817 Banda Oriental (ocupação)- 1811-1821

Em 1809, as tropas lusitanas tomaram a Guiana Francesa. Esta região permaneceu em mãos portuguesas até 1817.A invasão foi uma represaria contra a França pela invasão de Portugal.

Em fevereiro de 1815, o Brasil foi elevado a categoria de Reino Unido de Portugal e Algarves, deixando oficialmente de ser colônia, medida acertada no Congresso de Viena, reunião das potências que venceram Napoleão.Com isso buscou-se restabelecer o equilíbrio de forças na Europa e legitimar a permanência de D.João no Rio de janeiro.

Rua do Piolho no Rio de Janero em 1817.A atual Rua da Carioca pouco se modificou com a chegada da Corte Portuguesa no Rio de Janeiro, mantendo-se seu aspécto colonial como na realidade toda a cidade.Havia um predomínio da casas baixas, simples, ruas de terra batida.

O aumento das despesas, oriundas da presença da Corte portuguesas no Brasil, acarretou crescente tributação sobre a população brasileira, o que somado ao anseio de liberdade política e as dificuldades econômicas vivenciadas pelo nordeste, detonou em 1817 A Insurreição Pernambucana, violentamente esmagada pelas tropas governamentais.Em 1818, faleceu a rainha D.Maria I e o príncipe-regente foi coroado rei com o título de D.João VI.

A partir de 1821, as capitanias passaram a ser chamadas de províncias.No mesmo ano foram criadas mais quatro províncias: Rio Grande do Sul, Alagoas, Santa Catarina e Sergipe.

Antes da volta de D.João VI para Portugal em 1821, a administração era centralizada nas mãos do rei, e dos governantes das capitanias, subordinadas diretamente à autoridade real. Após o retorno de D.João VI e antes de independência, a administração ficou reestruturada com predominância da autoridade das Cortes sobre o rei.

Com a vinda da família real para o Brasil, a situação em Portugal ficou drástica. A regência portuguesa era manipulada pelo militar inglês Lorde BERESFORD, marcada pela tirania. Agravou-se uma crise econômica, fome, miséria, era a tõnica para o povo português Esses fatores provocaram a chamada Revolução Liberal do Porto em 1820, provocada pelas idéias revolucionárias do liberalismo, que contagiava a burquesia lusa.

Imediatamente instituíram uma junta provisória com o intuito de redigir uma constituição para o reino.O absolutismo monárquico português estava agonizante e até o rei teria que respeitar a lei.

O objetivo dos revolucionários portugueses eram a constitucionalização do país, a expulsão de BERESFORD e o retorno de D.João VI a Portugal.

Esse liberalismo só era bem visto pelos portugueses em sua terra natal, pois para o Brasil exigiam a recolonização.Na realidade apesar de mostrar-se liberal, a burguesia lusa era predominantemente mercantilista pretendendo tirar Portugal de crise econômica restabelecendo o monopólio de comércio sobre o Brasil, em outras palavras era o retorno do Pacto Colonial.

Não houve outra alternativa a D.João VI, ou ele retornava ou seria destronado. Em 1821 o rei D.João VI marcou sua volta a Lisboa. D.João VI através de um decreto entregou a seu filho D. Pedro a regência do Brasil, e pressentindo o inevitável - a independência- teve o cuidado de recomendar o sequinte: "Pedro, se o Brasil se separar antes seja para ti, que me hás de respeitar, do que para alguns desses aventureiros".

D.Pedro começou a reger o Brasil auxiliado por quatro ministros e, além da parte administrativa, podia comutar as penas judiciais, nomear funcionários, conceder títulos honoríficos e medalhas militares, declarar guerra, estabelecer tréguas e assinar tratados provisórios, como podemos observar, são poderes de quase-soberano.O retorno da família real para Portugal ocorreu em meio a grande agitação nacional.Espalharam a notícia de que os navios que conduziriam a Corte estavam repletos de ouro, que o tesouro do Banco do Brasil teria sido saqueado.

As pretensões recolonizadoras de Portugal eram evidenciadas em decretos que objtivavam enfraquecer o poder de D.Pedro e força-lo a regressar a Portiugal. Tais decretos buscavam anular os poderes políticos administrativos, militar e judicial do Príncipe Regente. As idéias centrais de alguns desses decretos eram:

*unificação dos exércitos português e brasileiro.

*nomeação de um governador de armas obediente as ordens diretas de Portugal para cada província .

*extinção das repartições públicas e tribunais criados no período joanino o Rio de Janeiro.

*criação de um imposto alfandegário adicional 1% sobre os produtos transportados nos navios portugueses, 6% sobre os transportados em navios estrangeiros, com redução para 2% caso os produtos fossem embarcados em Portugal.

Portugal não desejava de forma alguma perder o Brasil.Porém se a separação entre Brasil Portugal não pudesse ser evitada, que a independencia SE FIZESSE COM OS PORTUGUESES NO PODER. Por seu turno, os grupos que exerciam a influência nos destinos do país estavam orientados em três direções diferentes:

-haviam os que queriam a pura e simples volta do Brasil a situação de colônia, tal como queriam as Cortes de \Lisboa.

-haviam aqueles - portugueses e brasileiros- que apoiavam D.Pedro e queriam uma independência pacífica, sem lutas, co a instalação chefiada pelo príncipe.

-finalmente, haviam os que estavam mais ligados aos movimentos populares e pretendiam a proclamação da república.

Tornou-se vencedor o grupo ligado a D.Pedro que estava no poder e que seria beneficiário da independência, da forma pela qual foi feita: sem o povo.

Assim diante de novos decretos das Cortes anulando algumas de suas decisões, impondo-lhe ministros e mandando instaurar processos criminais contra os que contraíssem as Cortes de Lisboa, D.Pedro decidiu declarar a separação política entre Brasil e Portugal em 07 de setembro de 1822

Fonte: paginas.terra.com.br

CORTE PORTUGUESA NO BRASIL

No início do século XIX, a política expansionista de Napoleão Bonaparte altera o equilíbrio político da Europa. O imperador tenta impor a supremacia da França sobre os demais países. A Inglaterra resiste e Napoleão decreta o chamado bloqueio continental: a proibição, sob a ameaça das armas, de os demais países do continente negociarem com a Inglaterra. Portugal tenta uma política de neutralidade, mas continua negociando com os ingleses. Em represália, o imperador francês ordena a invasão de Portugal pelas tropas do general Jean Junot. Firma com a Espanha o Tratado de Fontainebleau (1807), que reparte o território português entre os dois países, dividindo-o em dois reinos, Lusitânia e Algarves. Essa divisão não é posta em prática, mas a ameaça de uma invasão francesa faz com que a família real portuguesa se transfira para o Brasil.

Fuga da família real

Em outubro de 1807 os governos português e inglês assinam um acordo secreto em que a Inglaterra se compromete a ajudar a nobreza em fuga. Começa, então, o que os historiadores caracterizam como o momento do "salve-se quem puder". A notícia da fuga da família real espalha-se, e Lisboa é tomada pelo caos. Apavorada, a população da cidade sai às ruas para protestar contra os governantes que não hesitam em deixá-la entregue à própria sorte.

Séquito real

Dia 29 de novembro, depois de vários incidentes, a esquadra real parte de Lisboa escoltada por navios de guerra ingleses. Vários nobres morrem afogados ao tentar alcançar a nado os navios superlotados. Nas 36 embarcações, o príncipe-regente dom João, a família real e seu séquito, estimado em 15 mil pessoas, trazem jóias, peças de ouro e prata e a quantia de 80 milhões de cruzados, o equivalente à metade do dinheiro circulante no reino. Em janeiro de 1808, a frota lusa chega à Bahia. O Brasil passa a ser sede da monarquia portuguesa.

Dom João VI (1767-1826), filho da rainha dona Maria I e do príncipe dom Pedro III, herda o direito ao trono com a morte do primogênito dom José. Em 1785, casa-se com dona Carlota Joaquina, uma das herdeiras do trono espanhol. Dom João assume a regência de Portugal em 1792, quando sua mãe enlouquece e enfrenta conflitos internos e externos durante todo o seu governo. Na França, Luís XVI é executado pelos revolucionários e as monarquias européias temem destino semelhante. Na corte portuguesa, dom João sofre constantes tentativas de golpes tramados pela esposa e pelo filho, dom Miguel. No Brasil, dona Carlota tenta derrubar dom João e conspira com diferentes grupos da nobreza espanhola. Pretende conquistar a Coroa da Espanha, unir os dois reinos e tornar-se imperatriz das Américas. Quando dom João, de volta a Portugal, submete-se ao regime constitucionalista, dona Carlota e dom Miguel assumem a luta pela autonomia do trono frente às Cortes. Prendem dom João durante uma revolta em Lisboa, em 1824. O rei foge sob a proteção dos ingleses e manda prender a esposa e o filho. Isolado na corte, morre dois anos depois.

A corte no Rio de Janeiro

Em 7 de março de 1808, a corte se transfere para o Rio de Janeiro. No primeiro momento, a mudança provoca grandes conflitos com a população local. A pequena cidade, com apenas 46 ruas, 19 largos, seis becos e quatro travessas, não tem como acomodar de uma hora para outra os 15 mil novos habitantes. Para resolver o problema, os funcionários reais recorrem à violência, obrigando os moradores das melhores casas a abandoná-las a toque de caixa. A senha P.R. (príncipe-regente), inscrita nas portas das casas escolhidas, passa a ter para o povo o sentido pejorativo de "ponha-se na rua". Apesar dos contratempos iniciais, a instalação da realeza ajuda a tirar a capital da letargia econômica e cultural em que está mergulhada.

Novas instituições

Toda a burocracia administrativa do Estado português é remontada no Brasil. Para fazer frente às novas despesas é criado, em 1808, o primeiro Banco do Brasil. Sua função é obter fundos para cobrir os gastos suntuários da Corte, pagar os soldados e promover transações comerciais. Instalam-se o Erário Régio, depois transformado em Ministério da Fazenda; o Conselho de Estado; a Junta de Comércio; a Intendência Geral da Polícia; o Desembargo do Paço; a Mesa de Consciência e Ordens (ou tribunal) e a Junta Real de Agricultura e Navegação.

Repercussões econômicas

Logo ao chegar, dom João decreta a abertura dos portos às nações amigas, abolindo o monopólio comercial luso. A vida econômica muda radicalmente. O séquito real amplia a demanda de bens de consumo e aumenta as despesas públicas. O comércio se diversifica com a inundação de produtos estrangeiros suntuários e o príncipe toma medidas de incentivo à indústria.

Estímulo às manufaturas

Dom João revoga o alvará de 1785, que proibia as manufaturas brasileiras e autoriza a instalação de tecelagens, fábricas de vidro e de pólvora, moinhos de trigo e uma fundição de artilharia. Também facilita a vinda de artesãos e profissionais liberais europeus, inclusive médicos e farmacêuticos. Dez anos depois da chegada da corte ao Brasil, a população do Rio de Janeiro aumenta de 50 mil para 100 mil habitantes.

Presença inglesa no Brasil

Até 1814 a abertura dos portos beneficia exclusivamente a Inglaterra, que praticamente monopoliza o comércio com o Brasil. Outros tratados firmados por dom João em 1810, o de Amizade e Aliança e o de Comércio e Navegação consolidam ainda mais a presença inglesa na colônia. O Tratado de Comércio, por exemplo, fixa a taxa de 15% para todas as importações inglesas e de 24% para as de outras nações.

Abertura cultural

Com a corte no Brasil, dom João toma várias iniciativas para estimular a educação, a ciência e as artes na colônia. Promove várias missões culturais, com a vinda de cientistas e artistas franceses, alemães e ingleses: o pintor e escritor francês Jean-Baptiste Debret, o botânico francês Auguste Saint-Hilaire, o naturalista alemão Karl Friedrich von Martius, o pintor alemão Johann Moritz Rugendas e o naturalista e geólogo britânico John Mawe.

Centros culturais

São criadas a primeira escola superior, a Médico-cirúrgica, em Salvador, em 18/2/1808; a Academia da Marinha, em 5/5/1808, e a Academia Militar do Rio de Janeiro, em 4/12/1808; e a primeira Biblioteca Pública (atual Biblioteca Nacional), também no Rio de Janeiro, em 13/5/1811. Cultura e ciências são também estimuladas com a criação do Jardim Botânico e da Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios (depois Academia de Belas Artes), em 4/12/1810.

Imprensa

O príncipe dom João instala a primeira tipografia do Brasil e inaugura a Imprensa Régia, em maio de 1808. Em setembro do mesmo ano começa a circular A gazeta do Rio de Janeiro. Publicada três vezes por semana, a Gazeta não chega a ser um jornal, mas um periódico que publica anúncios e atos oficiais da Coroa. A imprensa brasileira nasce efetivamente em Londres, com a criação do Correio Brasiliense, pelo jornalista Hipólito José da Costa. Apesar de favorável à monarquia, o jornal tem cunho liberal, defende a abolição gradual da escravidão e propõe em seu lugar a adoção do trabalho assalariado e o incentivo à imigração. O Correio braziliense circula entre 1808 e 1822, sem interrupções.

Fonte: www.conhecimentosgerais.com.br

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