
Herói Nacional, patriarca de Palmares = A história de Zumbi dos Palmares é a história da bravura e da tenacidade do povo negro. Dentre os que mais se destacaram nessa guerra de vida ou morte, travada entre a escravidão e a liberdade, um gênio negro militar se destaca para ombreae-se co “Alexandre”- o Grande, co “César”, com “Aníbal”e, até mesmo “Napoleão”, que foi o vulto de “Zumbi dos Palmares”, Zumbi é aquele nenezinho negro, nascido em Palmares, ali pelos idos de 1656. É um dos sobreviventes de um massacre e que foi entregue aos cuidados do “Padre Melo”, em Porto Calvo, com quem conviveu até os 15 anos e aprendeu “astronomia”, “matemática”, “história da Bíblia”e “latim”, chegando a coroinha.
O “Padre Melo” lhe batizou com o nome de “Francisco”, em homenagem ao Santo que falava com os animais. Sentindo-se emancipado, “Francisco” parte em busca de seu destino, indo parar em Palmares, quando adota o nome de “Zumbi”.
Ativo e muito instruído para a época, ganhou a confiança de todos e é nomeado o comandante das armas pelo seu tio “Ganga Zumba”, na ocasião o “Rei Supremo de Palmares”.
É assim que “Zumbi dos Palmares”entra para a “história” como General mais jovem do Brasil e, quiçá, do mundo, com apenas 19 anos de idade.
Seu grau de parentesco com os chefes do maior e mais célebre “quilombo”que
a historiografia oficial registra, faz deste personagem uma figura mitológica,
por sua capacidade de comandar e resistir às inúmeras tentativas
de destruição daquele reduto de homens e mulheres livres, encravado
nos sertões do Nordeste brasileiro.
Assim procedendo, com sacrifício e determinação, “Zumbi”
estava predestinado a ocupar um lugar na história do nosso País,
encarnando os sentimentos mais significativos da dignidade humana, que estão
no seu ideário pela preservação da vida, pela implantação
de um clima de justiça e pela busca incessante dos caminhos da “liberdade”.
“Zumbi”, chefe supremo do “Quilombo dos Palmares” na sua fase mais difícil e gloriosa, era sobrinho do “Rei Ganga Zumba”, a quem sucedeu e de “Ganga Zona”, este, o mais temido de todos os chefes, o que não ofuscava a sua função de proeminente dentro do enclave.
O seu mocambo, ou a capital de sua fortaleza, ficava a uma distância considerável da Cidade de Porto Calvo. Por ser homem de confiança dos quilombolas, passou a ocupar o cargo de “General das Armas” na administração de seu tio. “Zumbi” já trazia a marca de um valente guerreiro, pois, ferido em combate em 1675, claudicava com uma das pernas, tornando-se coxo, o que não o impediu de estar à frente de seus comandados nos momentos mais cruciais das inúmeras refregas de que participou, vencendo a maioria dessas batalhas.
É importante assinalar que contra o “Quilombo dos Palmares” foram enviadas expedições com o objetivo de exterminá-lo, sem que tais propósitos fossem alcançados, em virtude dos lances de coragem dos “palmarinos”e das táticas militares postas em prática por seus comandantes contra os invasores e escravos-cratas brancos.
A Coroa Portuguesa se viu na obrigação de formar o maior contingente imperial de soldados e militares para socorrer a região do Nordeste, onde era fragorosamente derrotada cada vez que tentava enfrentar os guerreiros negros do “Quilombo dos Palmares”. É evidente que a notícia dos êxitos alcançados pelos negros em seus “quilombos”, anima os negros cativos e das senzalas do Brasil, levando-os a sonhar com a liberdade próxima e possível. Nesses “quilombos”havia negros e negras em sua grande maioria, mas havia também índios, brancos e até mesmo soldados portugueses, todos unidos na luta pela “liberdade”em combate diuturno contra o regime de escravidão.
Tendo-se informações de que, desde 1602, eram encaminhadas expedições para enfrentar áreas estabelecidas com maciça presença de negros no “Quilombo dos Palmares”e que, desde o século XVII os escravos já procuravam a vida livre naqueles redutos, é fácil de se deduzir que a guerra dos “Palmares”tenha se estendido, no mínimo por cem anos, ou mais.
Clóvis Moura e Décio Freitas têm livros a respeito dessa epopéia negra das “Américas”que deveriam ser republicadas e oferecidos a cada um dos brasileiros que defendem a justiça e amam a “liberdade”.
A nação “Palmarina”começou a ser formada a partir de 1597, segundo afirmam alguns historiadores e o seu território, em permanente crescimento com a vinda de negros fugidos do cativeiro, estendi-se pelos Estados de Alagoas e Pernambuco, chegando a ter cerca de 30 mil habitantes no auge de sua existência, com “Zumbi”à frente de seu comando, de esperanças e de lutas pela “liberdade”. Conta-se que os dirigentes de “Palmares”possuíam várias mulheres e que este costume foi trazido da África. “Zumbi”por exemplo, tinha três mulheres guerreiras que serviam de referência para as demais pela bravura, coragem e dedicação que dispensaram às suas famílias.
É bom lembrar que o “Quilombo dos Palmares” representava uma autêntica “República Negra”com a sua organização militar, de trabalho e de produção; já trabalhavam o ferro e a agricultura que incluía o plantio de mandioca, cana-de-açúcar e a criação de gado era cultivada de forma a suprir as necessidades internas, sendo que o excedente era trocado com a vizinhança por sal, pólvora e armas de fogo.
“Ganga-Zumba”, no seu tempo, e “Zumbi”, dispensavam toda a sua atuação assistindo a cada uma dessas fases de operação com energia e compreensão e até com um certo planejamento. Era de esperar que tais êxitos e tal demonstração de independência, haveriam de ter o seu preço diante da ameaça que um “Quilombo”como o de “Palmares” passava a representar aos olhos de Portugal e dos reinóis.
Assim é que os inimigos de “Palmares” começaram a conjugar os seus esforços com vistas a destruir aquela organização política comandada por um negro chamado “Zumbi”.Delenda Cartago! Clamavam os romanos às margens do “Rubicão”! Delenda Zumbi, vociferavam os escravocratas brancos ao lado do Porto Calvo.
E a guerra se estabeleceu. Depois de vencer dezenas e dezenas de batalhas contra os invasores brancos, “Zumbi”acabou perdendo a guerra final, o que se dá com a sua morte ocorrido no dia 20 de novembro de 1695, quando este negro, herói nacional, contava 39 anos de idade.
Hoje, no Panteon da Pátria brasileira, somente dois heróis e mártires ocupam este patamar supremo da admiração e orgulho da Nação: um é “Tiradentes”, o outro é “Zumbi dos Palmares”! “Zumbi” tinha uma visão do futuro que somente os grandes revolucionários possuem”. “Este é o legado político da República dos Palmares. Este é o legado de Zumbi dos Palmares – um legado revolucionário!”, segundo Clóvis Moura.
Fonte: www.juliodiagonjusi.kit.net
Palmares surgiu a partir da reunião de negros fugidos da escravidão nos engenhos de açúcar da Zona da Mata nordestina, em torno do ano de 1600. Eles se estabeleceram na Serra da Barriga, onde hoje é o município de União dos Palmares (AL). Ali, devido às condições de díficil acesso, puderam organizar-se em uma comunidade que, estima-se, chegou a reunir mais de 30 mil pessoas
Muitos dos quilombolas eram índios e brancos pobres, como conta texto na página da internet da Fundação Joaquim Nabuco, outro órgão federal, com sede em Recife. Nabuco foi expoente do movimento abolicionista. "A vida de Zumbi, o rei do Quilombo dos Palmares, é pouco conhecida e envolta em mitos e discussões", alerta o texto - vários dos trechos abaixo, portanto, são objeto de polêmicas entre os historiadores.
Ao longo do século 17, Palmares resistiu a investidas militares dos portugueses e de holandeses - que dominaram parte do Nordeste de 1630 a 1654. Segundo o historiador Pedro Paulo Funari, no artigo "A República de Palmares e a Arqueologia da Serra da Barriga", em 1644, um ataque holandês vitimou 100 pessoas e aprisionou 31, de um total de 6 mil que viviam no quilombo.
Funari também afirma que o quilombo (termo derivado de língua da região de Angola) era chamado pelos portugueses de República dos Palmares, nos documentos da época, e termos como mocambo foram posteriormente utilizados no sentido pejorativo. O quilombo era composto por várias aldeias, de nomes africanos, como Aqualtene, Dombrabanga, Zumbi e Andalaquituche, indígenas, como Subupira, ou Tabocas, e portugueses, como Amaro. A capital era Macacos, termo de origem incerta (pode ser português ou corrutela do banto macoco).
Zumbi nasceu livre, em Palmares, provavelmente em 1655, e, segundo historiadores, seria descendente do povo imbamgala ou jaga, de Angola. Ainda na infância, durante uma das tentativas de destruição do quilombo, ele foi raptado por soldados portugueses e teria sido dado ao padre Antonio Melo, de Porto Calvo (hoje, em Alagoas), que o batizou de Francisco e ensinou-lhe português e latim. Aos dez anos tornou-o seu coroinha.
Com 15 anos, Francisco foge, retorna a Palmares e adota o nome de Zumbi - termo de significado incerto. O nome de Zumbi apareceu pela primeira vez em 1673, em relatos portugueses sobre a expedição chefiada por Jácome Bezerra, que foi desbaratada pelos quilombolas.
Aos 20 anos, Zumbi destacou-se na luta contra os militares comandados pelo português Manuel Lopes. Nesses combates, chegou a ser ferido com um tiro na perna.
Em 1678, o governador de Pernambuco, Pedro de Almeida, propõe a Palmares anistia e liberdade a todos os quilombolas. Segundo o historiador Edison Carneiro, autor do livro "O Quilombo dos Palmares", ao longo dos quase 100 anos de resistência dos palmarinos, foram inúmeras as ofertas como essa.
Ganga Zumba (possivelmente um título - nganga significa sacerdote, e nzumbi "possui conotações militares e religiosas", segundo Funari), então líder de Palmares, concorda com a trégua, enquanto Zumbi é contra, por argumentar que o acordo favoreceria a continuidade do regime de escravidão praticado nos engenhos. Zumbi vence a disputa, é aclamado líder pelos que discordavam do acordo e, aos 25 anos, torna-se líder do quilombo.
Ao longo da vida, Zumbi teria tido pelo menos cinco filhos. Uma das versões diz que ele teria se casado com uma branca, chamada Maria. Ao longo de seu reinado, Zumbi passou a comandar a resistência aos constantes ataques portugueses.
Em 1692, o bandeirante paulista Domingo Jorge Velho, uma espécie de mercenário da época, comandou um ataque a Palmares e teve suas tropas arrasadas. O quilombo foi sitiado e só capitulou em 6 de fevereiro de 1694, quando os portugueses invadem o principal núcleo de resistência, a Aldeia do Macaco.
Ferido, Zumbi foge. Baleado, ele teria caído de um desfiladeiro, o que deu origem à história de que teira se suicidado para evitar a prisão. Resistiu na mata por mais de um ano, atacando aldeias portuguesas. Em 20 de novembro do ano seguinte, depois de ser traído por um antigo companheiro, Antonio Soares, Zumbi é localizado pelas tropas portuguesas.
Preso, Zumbi é morto, esquartejado, e sua cabeça é levada a Olinda para ser exposta publicamente. Entre outros objetivos, o de acabar com os boatos que corriam entre os negros escravizados do litoral de que o líder quilombola era imortal.
Spensy Pimentel
Fonte: www.jusbrasil.com.br