O governo de Artur Bernardes sofreu a oposição das revoltas tenentistas e do movimento operário. O Brasil ficou em estado de sítio durante os quatro anos de seu mandato. Artur da Silva Bernardes nasceu dia 8 de agosto de 1875, na cidade de Viçosa (MG).
Ele começou a trabalhar aos 14 anos devido às dificuldades financeiras da família. Foi comerciante e guarda-livros. Em 1894, abandonou o emprego, se mudou para Ouro Preto e fez o curso secundário. Em 1896, se matriculou na Faculdade Livre de Direito. Em 1899, se transferiu para a Faculdade de Direito de São Paulo, onde se formou advogado em dezembro de 1900.
Em São Paulo, trabalhou como revisor no jornal Correio Paulistano e professor de latim e português no Instituto de Ciências e Letras de São Paulo. Artur Bernardes tinha 28 anos quando se casou com Clélia Vaz de Melo, em 15 de julho de 1903. O casal teve oito filhos.
Depois de formado, Artur Bernardes retornou a terra natal e montou seu escritório de advocacia. Ingressou na política como vereador e presidente da Câmara de Viçosa em 1906. Cumpriu dois mandatos como deputado federal pelo Partido Republicano Mineiro (1909-1910 e 1915-1917). Foi presidente de Minas Gerais (1918-1922), época em que construiu a Escola Superior de Agricultura de Viçosa.
Pelo sistema de rodízio da “política café-com-leite” era a vez de Minas Gerais indicar um nome para presidente nas eleições de 1922. O escolhido foi Artur Bernardes. Mas, as oligarquias do Rio Grande do Sul, de Pernambuco, do Rio de Janeiro, da Bahia e os militares aliados a Hermes da Fonseca foram contra. Eles formaram a “Reação Republicana” e lançaram a candidatura do fluminense Nilo Peçanha.
Cartas falsas publicadas pelo jornal Correio da Manhã e atribuídas a Artur Bernardes, ofendendo o ex-presidente Hermes da Fonseca e o Exército, deixaram o clima tenso. Por meio de eleição direta, com 56% dos votos válidos, Artur Bernardes assumiu a presidência da República em 15 de novembro de 1922.
O período presidencial de Bernardes ficou conhecido pela repressão e violência aos opositores. O estado de sitio permanente e a criação da Casa de Detenção de Clevelândia, em plena Amazônia, apontada como “o mais tétrico dos campos de concentração da época” são exemplos disto. Ganhou o apelido de “O Calamitoso”.
Artur Bernardes enfrentou muitas crises e revoltas durante a presidência. Uma delas veio com a eleição em 1923, pela quinta vez, de Borges de Medeiros para presidente do Rio Grande do Sul. Começou uma guerra civil envolvendo a oposição liderada pelo candidato derrotado Assis Brasil, que contava com o apoio federal, e o grupo de Borges de Medeiros. Após meses de confrontos, foi assinado um acordo no qual o governo federal reconheceu Borges de Medeiros como presidente do Rio Grande do Sul, mas não permitiu uma nova reeleição.
O descontentamento com o presidente Bernardes e as oligarquias dominantes teve o ponto mais alto no movimento tenentista, que se iniciou no Rio Grande do Sul e repercutiu em todo país. Em 5 de julho de 1924, a revolta tenentista contra o presidente Artur Bernardes chegou em São Paulo. A rebelião foi planejada pelo tenente Eduardo Gomes, um dos sobreviventes dos "18 do Forte" e comandada pelo general reformado Isidoro Dias Lopes.
Depois de vários dias de combate, a cidade de São Paulo foi dominada pelos rebeldes. O governador Carlos Campos foi obrigado a fugir. Artur Bernardes ordenou o bombardeio da cidade a partir do dia 11 de julho. O saldo do ataque foi de 503 mortos e cerca de 4.800 feridos.
Sem condições de resistir, os revoltosos paulistas se retiraram de trem para o sul, ao encontro das tropas rebeldes gaúchas, lideradas por Luís Carlos Prestes e Mário Fagundes Varela. Formaram a Coluna Prestes, que percorreu o interior do país durante dois anos procurando derrubar o governo e as oligarquias dominantes. A Coluna Prestes se refugiou na Bolívia em 1927 e depois se dispersou.
Artur Bernardes foi até o fim do mandato presidencial em 1926. Anos depois, participou da “Revolução de 32”. Foi preso e depois exilado. Na saída para o exílio houve tumulto e tentativa de agressão. A família teve que seguir correndo para o navio. Cumpriu exílio em Lisboa.
Ele recebeu anistia e retornou ao Brasil para participar da Assembléia Constituinte em 1934. Após o golpe de Getúlio Vargas, perdeu o mandato e ficou afastado da vida política. Retornou como deputado na Constituinte de 1946 e passou a defender projetos nacionalistas em relação ao petróleo e a Amazônia. Foi eleito para a Câmara em 1950 e em 1954.
Arthur Bernardes faleceu em sua residência, no Rio de Janeiro, no dia 23 de março de 1955, de infarto, aos 79 anos.
Fonte: www.presidencia.gov.br
Nascimento: Viçosa - MG, em 08.08.1875
Falecimento: Rio de Janeiro - RJ, em 23.03.1955
Profissão: Advogado
Período de Governo: 15.11.1922 a 15.11.1926 (04a)
Idade ao assumir: 47 anos
Tipo de eleição: direta
Votos recebidos: 466.877 (quatrocentos e sessenta e seis mil oitocentos
e setenta e sete)
Posse: em 15.11.1922, em sessão solene do Congresso Nacional,
presidida pelo Senador Antônio Franscisco de Azeredo
Observação: Tomou posse legalmente em pleno estado de sítio
Fonte: www.planalto.gov.br

Artur Bernardes (sentado no centro) e outros no Palácio da Liberdade, 1918/1922. Belo Horizonte(MG).
Artur da Silva Bernardes nasceu em Viçosa (MG), em 1875.
Iniciou seus estudos na Faculdade Livre de Direito de Ouro Preto (MG) e concluiu-os na Faculdade de Direito de São Paulo, em 1900. De volta a Viçosa, elegeu-se vereador em 1904, na legenda do Partido Republicano Mineiro (PRM). Para impulsionar sua carreira política contou com a ajuda do sogro, Carlos Vaz de Melo, que detinha enorme influência na região, e de quem se tornou herdeiro político.
Em 1907, deixou a Câmara Municipal de sua cidade para assumir uma cadeira de deputado estadual. Dois anos depois, chegava à Câmara dos Deputados. Em setembro de 1910, no governo de Júlio Bueno Brandão, assumiu a Secretaria de Finanças de Minas, cargo que ocupou até 1914. No ano seguinte retornou à Câmara dos Deputados e aí permaneceu até 1918. Em setembro desse ano, tornou-se presidente de Minas Gerais. Sua eleição para o governo mineiro representou a ascensão de uma nova geração na política do estado. Seu governo foi marcado, entre outras coisas, pela oposição às atividades do empresário norte-americano Percival Farquhar, proprietário da Itabira Iron Ore Company.
Em 1922 concorreu à presidência da República, em campanha eleitoral bastante acirrada. Apoiado por Minas e São Paulo, teve que enfrentar o candidato da Reação Republicana, o ex-presidente Nilo Peçanha, que aglutinava o apoio dos estados do Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco e Rio Grande do Sul. Durante a campanha, foi atingido pelo episódio das "cartas falsas", em que foi acusado da autoria de cartas publicadas na imprensa contendo referências ofensivas ao marechal Hermes da Fonseca. Ainda durante a campanha ficou comprovado que as cartas haviam sido forjadas, mas a contestação a seu nome nos meios militares já se tinha tornado irreversível. Apesar de tudo, acabou eleito no pleito realizado em março de 1922.
Ainda antes de sua posse, o cenário político seria agitado pela eclosão do primeiro da série de levantes tenentistas que marcou a década de 1920 no Brasil. Inconformados com sua eleição, e também com o fechamento do Clube Militar e a prisão do marechal Hermes, ordenados pelo presidente Epitácio Pessoa após conflitos em torno da eleição para o governo pernambucano, jovens militares desencadearam no Rio de Janeiro uma rebelião com o objetivo de depor o governo federal. O movimento, deflagrado em 5 de julho de 1922 e rapidamente debelado, ficou conhecido como o levante dos 18 do Forte.
Em novembro de 1922, Bernardes tomou posse na presidência da República sob estado de sítio. Embora pouco depois tenham sido tomadas medidas contra os oficiais rebeldes, o tenentismo voltou a se manifestar em julho de 1924, quando um novo levante foi deflagrado, dessa vez na capital paulista, com repercussões em outros estados. Os rebeldes assumiram o controle da cidade por três semanas, mas, sem condições de enfrentar as tropas legalistas, retiraram-se para o Paraná, onde se juntaram a revoltosos gaúchos e deram origem à Coluna Prestes, o exército guerrilheiro que durante dois anos percorreu o interior do Brasil em campanha contra o governo federal. Por conta desses episódios, o governo de Bernardes foi marcado por forte repressão movida contra os setores oposicionistas - fossem ou não ligados aos militares rebeldes - e pela censura à imprensa.
Em novembro de 1926, Bernardes passou o governo a Washington Luís, que então deixou o governo de São Paulo. Em seguida, foi eleito para preencher uma vaga aberta no Senado Federal. Em 1930, apoiou a candidatura de Getúlio Vargas, lançada pela Aliança Liberal com o apoio de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraíba, mas também da maioria dos "tenentes" que se haviam rebelado contra seu governo anos antes. Com a derrota eleitoral de Vargas para o paulista Júlio Prestes, e o início da conspiração para derrubar Washington Luís pelas armas, deu apoio a essas articulações, que acabaram resultando no movimento revolucionário de outubro.
Apesar de seu apoio à Revolução de 1930, Bernardes logo passou a enfrentar em Minas um processo de esvaziamento de sua influência política, e também do PRM, em função da criação da Legião Revolucionária. Em 1932, deu apoio à Revolução Constitucionalista deflagrada em São Paulo contra o governo de Vargas, tentando sublevar a Força Pública de Minas. Por conta disso foi preso e enviado para o exílio em Portugal, onde permaneceu por cerca de um ano e meio.
Em outubro de 1934, logo após ter sido anistiado, foi eleito deputado federal na legenda do PRM e passou a integrar a minoria parlamentar que fazia oposição a Vargas no Congresso. Apesar de sua postura oposicionista, deu apoio ao pedido de Vargas para que fosse decretado o estado de sítio após o levante promovido por setores de esquerda em novembro de 1935.
Em 1937, deu apoio à candidatura do governador paulista Armando Sales à presidência da República, tendo, inclusive, presidido a comissão executiva provisória da União Democrática Brasileira (UDB), efêmera organização criada para dar sustentação àquela candidatura. A eleição presidencial, prevista para o início de 1938, foi contudo cancelada pelo golpe do Estado Novo, que em 10 de novembro fechou o Congresso e instituiu um governo ditatorial.
Durante a ditadura varguista, Bernardes teve seus movimentos severamente vigiados pelos órgãos de segurança, chegando a ser obrigado a se confinar em sua fazenda em Viçosa. Em 1943, foi signatário do Manifesto dos Mineiros, documento que rompeu com a censura ao exigir a volta do país ao regime democrático. Com a redemocratização em 1945, ingressou na União Democrática Nacional (UDN), mas logo a deixou para criar a sua própria agremiação, o Partido Republicano (PR). Deu apoio, contudo, a Eduardo Gomes, o candidato udenista na eleição presidencial de 1945.
Nesse mesmo ano, elegeu-se deputado federal constituinte e, em seguida, foi presidente da comissão de Segurança Nacional da Câmara dos Deputados. Em 1950 não conseguiu reeleger-se, mas como suplente assumiu diversas vezes o mandato na Câmara até 1954, quando voltou a conquistar um mandato efetivo. Nesse período, marcou sua atuação parlamentar pela defesa de teses nacionalistas, destacando-se na campanha pelo monopólio estatal do petróleo.
Morreu no Rio de Janeiro, em 1955.
Fonte: www.cpdoc.fgv.br