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Hermes da Fonseca

1910 - 1914

Ao vencer as eleições de 1910, derrotando o candidato liberal Ruy Barbosa, o marechal Hermes da Fonseca marcou o retorno de um militar à Presidência da República após 16 anos de governos civis.

Hermes da Fonseca
Hermes da Fonseca

A vitória foi obtida com o apoio dos novos setores, questionadores da política café com leite, que souberam controlar os resultados eleitorais apesar da alta popularidade de Ruy Barbosa. A ascensão de uma nova oligarquia com base na política gaúcha, sob o comando do senador Pinheiro Machado, foi denominada de política das salvações; tinha por objetivo questionar a liderança de São Paulo e Minas Gerais mas mantinha o regime oligárquico, sem propor maior democratização da política brasileira.

Quintino Bocaiúva, também ligado às forças militares desde o início da República, foi outro importante representante da política das salvações. Devido à forte contestação popular, a administração de Hermes da Fonseca foi caracterizada pela utilização quase constante do estado de sítio.

Fonte: www.senado.gov.br

Hermes da Fonseca

1910 - 1914

Hermes Rodrigues da Fonseca nasceu na Vila de São Gabriel, na Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, a 12 de maio de 1855, sendo seus pais o Capitão Hermes Ernesto da Fonseca e D. Rita Rodrigues Barbosa da Fonseca.

Em maio de 1866, com onze anos de idade, veio para o Rio de Janeiro em companhia da mãe e dos irmãos.

Na capital do Império foi matriculado, em 1867, no Colégio Saint-Louis do padre Jules Janrard, permanecendo apenas um ano neste educandário, já que, no ano seguinte, ingressava no Imperial Colégio Pedro II.

Com o consentimento do pai, sentou praça no 1 º Batalhão de Artilharia a Pé, para, em 1872, ingressar na Escola Militar da Praia Vermelha, cujo curso completou, “ com serena regularidade e nos padrões comuns” (1).

(1) FAGUNDES, Umberto Peregrino Seabra. Justiça Histórica ao Marechal Hermes da Fonseca. In: Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Rio de Janeiro, julho/setembro de 1984, p.69.

A 17 de dezembro de 1877, casou-se com sua prima, D. Orsina Francione da Fonseca, filha de seu tio o Cel. Pedro Paulino da Fonseca, união que perdurou até 30 de novembro de 1912, quando a mulher faleceu.

Sua carreira militar foi rápida e brilhante. Em 1876, recebeu as insígnias de 2 º Tenente, posto em que permaneceu até 1879, quando foi promovido a 1 º Tenente, contando antigüidade para ser elevado a Capitão, em 1881. Nove anos mais tarde, ou seja, em 1890, foi promovido a Major por serviços relevantes e, em outubro do mesmo ano, a Tenente Coronel por merecimento, ascendendo ao posto de Coronel quatro anos mais tarde, a General de Divisão, em 1905 e a Marechal em 6 de novembro de 1906, por ato do Presidente Rodrigues Alves.

Hermes da Fonseca ocupou muitos cargos de grande responsabilidade durante sua carreira militar.

Assim, foi Ajudante de Ordens de Sua Alteza o Conde D’Eu, durante a Comissão de que este foi incumbido pelo governo Imperial, nas Províncias do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Comentando sua nomeação para tão alto cargo, assim se pronunciou Seabra: “Não a faria o Conde D’Eu sem ter para isso motivos especiais, ligados à personalidade do oficial sobre o qual incidia” (2).

(2) FAGUNDES, Umberto Peregrino Seabra. Op. Cit., p.69.

Durante a preparação do movimento de 15 de novembro de 1889 e após a instalação da República, foi Ajudante de Campo e Secretário Militar de seu tio, o Marechal Deodoro da Fonseca, figurando entre seus colaboradores mais ativos, sensatos e leais.

Por ocasião da Revolta da Armada (1893), participou dos combates, como comandante da artilharia na Ponta da Armação, em Niterói, contribuindo decisivamente para que ela não fosse conquistada pela esquadra rebelde.

Em 1896, no governo de Prudente de Morais, foi convidado pelo Vice-Presidente Manuel Vitorino, então no exercício da presidência, para ocupar o cargo de Chefe da Casa Militar da Presidência, em substituição ao Cel. Luís Mendes de Morais, permanecendo no exercício da função, mesmo depois que Prudente de Morais reassumiu o governo.

A 24 de dezembro de 1904, foi designado comandante do 4 º Distrito Militar, elaborando, na ocasião um vasto programa de remodelação e reorganização do Exército, realizando, em meados de 1905, em Santa Cruz, as primeiras manobras do Exército, as quais despertaram grande entusiasmo nos meios civis e militares.

Referindo-se às manobras e às que se seguiram, informa Fonseca Filho: “Jamais em anos próximo a 1904, houve movimento tão vivificador do espírito militar, de preparo de tropa tão intenso” (3).

(3) FONSECA FILHO, Hermes da. Marechal Hermes. Rio de Janeiro, I.B.G.E. – Serviços Gráficos, 1961, p.59.

Sua brilhante atuação no comando do 4 º Distrito Militar, levou o Presidente Afonso Pena, cujo governo iniciou-se em 15 de novembro de 1906, a convidá-lo para a Pasta da Guerra.

Como Ministro da Guerra, teve o Marechal Hermes iniciativa pioneiras, como a introdução da Aeronáutica na organização militar brasileira e o envio da chamada “Missão Indígena”, constituída de 20 oficiais que foram mandados estagiar no Exército alemão. Além disso, criou, em caráter permanente, as Grandes Unidades, então representadas pelas chamadas Brigadas Estratégicas, tipo de organização adequada à realidade brasileira; instituiu o Serviço Militar Obrigatório; criou os Tiros de Guerra; modernizou o ensino militar; dotou o Exército de um armamento mais adequado, como o fuzil Mauser, modelo 1908, para a Infantaria, e com o material Krupp, de tiro rápido, para a Artilharia. Todos estes serviços redundaram em benefício de sua classe, da qual sempre foi um dedicado defensor.

Por ocasião da sucessão do presidente Afonso Pena, este desejava que fosse indicado à sua sucessão seu ministro Davi Campista. Contra esta candidatura se levantou Pinheiro Machado, chefe do Partido Republicano Conservador, que juntamente com outros homens públicos, como Lauro Müller, José Mariano, Francisco Sales, Francisco Glicério, defendiam a candidatura do Marechal Hermes da Fonseca, numa tentativa de “estabelecer um equilíbrio pacificador entre os grupos mais fortes do país – São Paulo e Minas...” (4).

(4) BASBAUM, Leôncio. História Sincera da República. São Paulo, Edições LB, 1962, vol. 2, p.275.

A bem da verdade, o Marechal Hermes não ambicionava nenhuma posição política. Na pasta da Guerra da presidência de Afonso Pena, “mostrava-se completamente alheio a qualquer ambição ou a qualquer outra forma de paixão política” (5).

(5) BELLO, José Maria. História da República. São Paulo. Companhia Editora Nacional, 1959, p.237.

Assim, relutando muito em aceitar sua candidatura à Presidência, acabou cedendo às pressões dos grupos políticos que o apoiavam.

Contra sua candidatura, com o apoio dos Estados de São Paulo e Bahia, ergueu-se a de Rui Barbosa, que acabara de chegar de Haia, onde, por sua brilhante atuação, conquistara enorme popularidade.

Apesar de desenvolver uma campanha eleitoral como jamais se vira no Brasil, os “civilistas”, partidários do grande jurista, foram vencidos pelos “hermistas”, partidários de Hermes da Fonseca que obteve 403.000 votos contra 222.000 concedidos a Rui Barbosa.

Apesar de sua política conciliatória, o novo presidente teve que enfrentar, logo no início de seu mandato, a Revolta da Chibata, quando alguns navios da Esquadra, entre os quais os encouraçados São Paulo e Minas Gerais, revoltaram-se sob a liderança do marinheiro João Cândido, que chegou a ameaçar bombardear a cidade do Rio de Janeiro. Pouco depois sublevava-se o Batalhão Naval, assenhoreando-se de toda a Ilha das Cobras.

No campo econômico, não eram menores as dificuldades com a desvalorização simultânea dos produtos básicos de nossa exportação – o café, a borracha e o açúcar, sendo necessário um novo acordo, um novo “funding-loan” com os credores estrangeiros.

No campo político, a chamada “Política das Salvações” propiciou intervenções armadas nos Estados que, embora permitidas pelo artigo 6 º da Constituição, provocaram grande mal-estar e tiveram como resultado a derrubada de algumas oligarquias locais, permitindo a ascensão das oposições ao poder.

Apesar de todas estas dificuldades, o governo do Marechal Hermes não deixou de ser rico em realizações administrativas e iniciativas pioneiras.

Em seu governo, a rede ferroviária nacional ganhou cerca de 4.500 quilômetros de trilhos; a cultura do trigo, praticamente abandonada, ganhou novo alento com a criação de uma Estação Experimental de Trigo, em Bagé e com as variedades Rio Negro e Frontana, conseguidas pelo geneticista sueco Ivar Beckman; foi criada, em 1913, a Escola Brasileira de Aviação, uma iniciativa pioneira que permitiu ministrar instrução de pilotagem a oficiais do Exército, da Marinha, e a civis; foram construídas as Vilas Operárias, com a entrega de casas populares, elevando o nível social e o padrão de vida das classes trabalhadoras.

O Marechal Hermes da Fonseca dando continuidade à tradição de veraneio dos Presidentes no Palácio Rio Negro, esteve em Petrópolis nos verões de 1913 e 1914, dando seqüência à prática dos despachos no referido Palácio.

Muito preocupado com os conflitos no Ceará, onde as disputas coronelísticas se agravaram, quando o Padre Cícero Romão Batista, forte aliado do coronel Floro Bartolomeu, resolveu participar dos mesmos, realizou no Rio Negro importantes reuniões para tratar do assunto, com o Senador Pinheiro Machado e o Deputado Fonseca Hermes.

Numa delas, preocupado com a evolução dos acontecimentos naquele Estado, enviou um telegrama ao General Torres Homem, Inspetor da 4 ª região militar, “concitando-o a envidar esforços no sentido conciliatório e pacificador, para impedir que se generalizasse a conflagração já existente naquele Estado” (6).

(6) Tribuna de Petrópolis, 21 de dezembro de 1913.

No verão de 1913, num de seus passeios a cavalo, pelas estradas de nossa cidade, conheceu D. Nair de Teffé , filha do Barão de Teffé, com a qual se casou a 8 de dezembro do mesmo ano, em cerimônia realizada no Palácio Rio Negro.

A respeito do importante acontecimento, a Tribuna de Petrópolis teceu os seguintes comentários: “A cerimônia civil do casamento foi presidida pelo Sr. Ticiano Teixeira Tocantins, 1 º juiz de paz, tendo como escrivão o Sr. Ten. Cel. José Caetano dos Santos, oficial do registro civil e realizou-se no salão de recepções do Palácio.

A cerimônia religiosa foi celebrada pelo Sr. Cardeal Dom Joaquim Arcoverde, Arcebispo do Rio de Janeiro, coadjuvado pelos Monsenhores Theodoro Rocha e Macedo da Costa e realizou-se no salão de despachos do Palácio, onde fora armada uma capela, ricamente ornamentada...

Foram padrinhos, no civil e religioso a Sra. Álvaro de Teffé, o senador Pinheiro Machado, o deputado Fonseca Hermes, por parte do noivo e a Sra. Pinheiro Machado e os Senhores Álvaro e Oscar Teffé, por parte da noiva.

Os noivos recepcionaram os convidados com serviços de Buffet e Buffette, fornecidos pela Confeitaria Paschoal, enquanto nos jardins do Palácio faziam-se ouvir as bandas do 55º Batalhão de Caçadores e do Corpo de Marinheiros Nacionais...” (7).

(7) Tribuna de Petrópolis, 26 de agosto de 1954.

Este foi na realidade o maior acontecimento social ocorrido no Palácio Rio Negro, com extraordinária repercussão a nível nacional e internacional.

Após deixar a Presidência, fixou residência em Petrópolis, instalando em sua casa uma oficina de artesanato, onde, após seus passeios matinais, se distraia, trabalhando em madeira e em couro, pequenos objetos para adorno.

A 9 de setembro de 1923, vítima de uma síncope cardíaca, falecia o Marechal Hermes da Fonseca, na residência de seus sogros, à rua Silva Jardim, em Petrópolis. Noticiando o infausto acontecimento, a Tribuna de Petrópolis assim se pronunciou: “Com o seu desaparecimento perdeu o Exército Nacional a sua figura mais representativa dos últimos vinte anos e o Brasil um filho que sempre soube honrar o seu país... Como chefe da Nação, não levou para o poder nenhum ressentimento. O seu governo respeitou os direitos dos adversários da véspera e preocupou-se em atender às necessidades do país. Houve erros, mas estes foram resgatados pelos benefícios praticados... Não fez testamento porque nada tinha para deixar. Sua viúva ficou apenas com a pensão do seu soldo” (8).

(8) Tribuna de Petrópolis, 11 de setembro de 1923.

Antes de falecer, dispensou todas as honras militares a que tinha direito. Segundo seu desejo, foi sepultado à paisana, tendo o corpo coberto com a bandeira do Brasil, de seda bordada a ouro, que as senhoras do Estado do Amazonas lhe haviam ofertado, quando, na qualidade de Ministro da Guerra, inaugurou a Linha de Tiro de Manaus, em 1908.

Fonte: www.ihp.org.br

Hermes da Fonseca

1910 - 1914

Hermes Rodrigues da Fonseca nasceu em São Gabriel (RS), em 1855. Era membro de uma família de grande tradição no Exército brasileiro. Seu tio, o marechal Deodoro da Fonseca, liderou o movimento que derrubou a monarquia em 1889, tornando-se o primeiro presidente da República brasileira.

Em 1871, matriculou-se na Escola Militar do Rio de Janeiro, onde, sob a influência de Benjamin Constant, se converteu às idéias positivistas e mais tarde à maçonaria, vindo a pertencer à loja Amor ao Trabalho. Ainda no período imperial foi nomeado ajudante-de-ordens do conde d'Eu, comandante geral da artilharia.

Já no período republicano, participou da repressão à Revolta da Armada, movimento deflagrado em 1893 no Rio de Janeiro contra o governo do presidente Floriano Peixoto. Em 1900 recebeu a patente de general. Em 1904, quando exercia o comando da Escola Preparatória do Realengo, no Rio de Janeiro, participou da repressão à revolta contra a vacina obrigatória, deflagrada naquela cidade. Em novembro de 1906, atingiu o posto de marechal, o mais alto da hierarquia militar.

No governo de Afonso Pena (1906-1909), Hermes assumiu o Ministério da Guerra. Promoveu, então, uma ampla reforma no exército brasileiro, ampliando os seus efetivos e introduzindo o serviço militar obrigatório. Em 1909, foi lançado candidato à presidência da República, tendo como adversário o civilista Rui Barbosa. Após acirrada campanha, Hermes se elegeu no pleito realizado em março de 1910. sendo empossado na presidência em novembro daquele ano.

Logo na primeira semana de seu governo, explodiu na baía de Guanabara a Revolta da Chibata, movimento promovido por marinheiros da esquadra brasileira contra os castigos e maus tratos a que eram submetidos. O governo negociou o fim da revolta com os marinheiros, mas reprimiu-os com brutalidade assim que depuseram as armas. Sua administração foi marcada por intervenções federais nos governos estaduais, a chamada "política das salvações", realizadas a pretexto de combater o domínio oligárquico sobre os estados.

Após deixar a presidência, em novembro de 1914, elegeu-se senador pelo estado do Rio Grande do Sul. Desistiu do mandato, porém, antes mesmo de tomar posse. Licenciado do Exército, viajou para a Suíça, onde viveu por cinco anos.

De volta ao Brasil, assumiu a presidência do Clube Militar em 1921. No ano seguinte, envolveu-se na campanha pela sucessão do presidente Epitácio Pessoa, disputada por Artur Bernardes, candidato situacionista apoiado pelas oligarquias paulista e mineira, e por Nilo Peçanha, candidato oposicionista que se apresentou na chapa da Reação Republicana. Transcorria a campanha quando o jornal Correio da Manhã, do Rio de Janeiro, publicou duas cartas supostamente escritas por Bernardes nas quais eram feitas referências desrespeitosas ao marechal Hermes. As "cartas falsas", como ficaram conhecidas por serem realmente forjadas, indispôs Bernardes com parcelas significativas das Forças Armadas, principalmente com a jovem oficialidade.

Realizado o pleito em março de 1922, Bernardes foi eleito. No início de julho, Hermes telegrafou ao comandante da 2ª Região Militar, sediada em Recife, aconselhando-o a não interferir na política pernambucana, como queria o governo federal. Por conta disso, Hermes foi repreendido pelo ministro da Guerra do governo Epitácio, o civil Pandiá Calógeras. Em seguida, Epitácio mandou fechar o Clube Militar e ordenou que Hermes fosse detido. Reagindo a essas represálias contra o ex-presidente, jovens oficiais já indispostos com Bernardes promoveram um levante no Rio de Janeiro tentando evitar a sua posse. Articulado por Euclides Hermes da Fonseca, filho de Hermes, esse levante daria origem ao ciclo de revoltas tenentistas que agitariam o cenário político brasileiro pelo resto da década de 20. Por seu envolvimento na revolta militar, Hermes ficou preso de julho de 1922 a janeiro do ano seguinte.

Morreu em setembro de 1923, em Petrópolis(RJ).

Fonte: www.cpdoc.fgv.br

Hermes da Fonseca

1910 - 1914

Nascido em São Gabriel, Rio Grande do Sul, no dia 12 de maio de 1855, Hermes Rodrigues da Fonseca, sobrinho de Deodoro da Fonseca, ingressou na Escola Militar aos 16 anos. Quando se formou, passou a servir o Império como ajudante de ordens de Conde D'Eu. Com a república foi convidado pelo tio para ajudante-de-campo e secretário militar. Passou a acumular cargos administrativos até alcançar o Ministério do Exército e o Supremo Tribunal Federal no governo de Campos Salles.

Com Afonso Pena no poder, Hermes da Fonseca manteve seu cargo no ministério até pedir demissão devido à discussão na Câmara sobre a participição dos militares na vida política do país. Lançou sua candidatura em oposição a Rui Barbosa e pela primeira vez no regime republicano se instalou um clima de campanha eleiotoral com a disputa entre civilistas e hermistas. Com o convite de Nilo Peçanha para que retornasse ao cargo no ministério, Hermes da Fonseca se fortaleceu e venceu as eleições de 1910.

Chegou ao poder com grande popularidade, mas o primeiro grave problema de sua gestão, a Revolta da Chibata, veio fragilizar a sua imagem. Para conter o movimento ordenou o bombardeio aos portos. Logo outra revolta veio conturbar o seu governo, a Revolta do Contestado, que não chegou a ser debelada até o final de seu governo. O mandato de Hermes da Fonseca, que terminou em 1914, caracterizou-se no quadro político principalmente pela política das salvações.

Elegeu-se senador pelo Rio Grande do Sul, mas renunciou antes de iniciar o mandato, partindo para a Europa de onde retornaria em 1920. Durante o governo de Epitácio Pessoa, foi preso como presidente do Clube Militar devido a uma conspiração militar feita contra o governo, sendo solto seis meses depois.

O marechal Hermes da Fonseca morreu em 9 de setembro de 1923, em Petrópolis, Rio de Janeiro.

Fonte: www.agbcuritiba.hpg.ig.com.br

Hermes da Fonseca

1910 - 1914

Juntamente com Hermes da Fonseca, nas eleições de 1o. de março de 1910, o Vice-presidente eleito foi Venceslau Brás. Funcionara bem o sistema das oligarquias estaduais conjuntamente com a pressão militar. Segundo relatos, era um homem bom, porém indeciso; o novo Presidente da República deixou-se influenciar pelos políticos que o cercaram. O barão do Rio Branco foi mantido no ministério do Exterior; para o ministério da Guerra foi convidado o general Dantas Barreto. A Pasta do Interior e Justiça foi ocupada pelo rio-grandense Rivadávia Correia, leal correligionário do influente político Pinheiro Machado. (Pinheiro Machado, consoante avaliação da historiografia, possuía um poder enorme, chegando-se a dizer que era ele quem governava o país durante esses anos.)

Política das Salvações

Apoiado no Rio Grande do Sul pelo governador Borges de Medeiros e prestigiado pela maioria dos governadores dos outros Estados, Pinheiro Machado foi o político de maior influência na primeira fase do governo de Hermes da Fonseca. Uma grande modificação política, porém, sacudiu o país. Muitas oligarquias estaduais foram substituídas, ocorrendo conflitos, principalmente na Bahia, em Pernambuco e no Ceará. Surgiram assim as "salvações" e muitas, como por exemplo a de Dantas Barreto em Pernambuco, e de J. J. Seabra na Bahia, eram francamente hostis à dominância política de Pinheiro Machado. Com muita razão disse o historiador José Maria Bello que, "instalados nos governos que haviam conquistado pela violência, mas com o apoio das massas populares fatigadas do longo domínio das oligarquias, os 'novos salvadores' montaram as suas máquinas locais, ainda mais intransigentes do que as antigas".

Revolta da Chibata (1910)

Logo nas primeiras semanas do Hermes da Fonseca, os marinheiros dos maiores navios da esquadra amotinaram-se revoltados contra o regime de castigos corporais ainda vigente na Marinha. Ameaçando bombardear a cidade foram anistiados pelo governo, que, escarmentado, puniu, posteriormente, com excessiva severidade, os implicados em uma nova revolta surgida a 9 de dezembro entre os fuzileiros do quartel da Ilha das Cobras e a tripulação do "scout" Rio Grande do Sul.

A Revolta do Contestado

O Hermes da Fonseca teve de enfrentar um problema semelhante ao de Canudos. Nas regiões limítrofes do Paraná e Santa Catarina, o fanático João Maria, apelidado o Monge, instalara-se na região do Contestado, zona disputada pelos dois Estados. Em pouco tempo milhares de sertanejos sulinos congregaram-se em torno do Monge, repetindo-se o drama dos sertões da Bahia. Diversas expedições militares foram enviadas, sem resultado, para combater os fanáticos. Somente no quadriênio seguinte é que uma divisão composta de mais de 6 000 soldados, sob o comando do general Setembrino de Carvalho, conseguiria dispersar, matando ou expulsando, os seguidores de João Maria. A área era cobiçada por empresas estrangeiras, devido à riqueza em madeira e em erva-mate.

Economia e Política

O desenvolvimento econômico do país sofreu seriamente os efeitos da instabilidade política. Retraíram-se os capitais europeus. O Norte sofreria, impotente, a concorrência da borracha asiática, encerrando-se a efêmera fase do progresso que vivera a Amazônia. Com suas receitas diminuídas, sem exportações, viu-se o governo na contingência de negociar um novo "funding loan", empréstimo que comprometeria ainda mais as abaladas possibilidades financeiras do país.

Uma reforma de ensino assinala a atuação de Rivadávia Correia na Pasta do Interior e Justiça que abrangia também os assuntos da intrução pública. Deu-se a mais ampla liberdade e autonomia às escolas superiores, que se multiplicaram então desordenadamente, agravando-se o problema de profissionais incompetentes.

Durante todo seu governo contou Hermes da Fonseca com o apoio de Pinheiro Machado. Em troca, dera-lhe tal prestígio, que o velho político gaúcho, líder no Senado, transformara-se, apesar da rebeldia de algumas salvações, no "supremo coronel" de todo todos os coronéis políticos do país.

Pacto de Ouro Fino

Os paulistas e os mineiros, que se haviam confrontado na eleição presidencial anterior, pactuam um novo acordo, superando a primeira crise da política do Café-com-Leite.

Ao terminar o quadriênio presidencial de Hermes da Fonseca rebentara a 1a Guerra Mundial (1914-1918). O mundo iria atravessar dias difíceis. O Brasil também.

Fonte: elogica.br.inter.net

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