
Governo Venceslau Brás - 1914 - 1918
Quando Venceslau Brás, político mineiro que discretamente exerceu a Vice-presidência no quadriênio anterior, assumiu o governo, já havia rebentado a Primeira Guerra Mundial.
O afundamento do navio brasileiro Paraná, obrigou o governo a romper relações com o Império Alemão. A opinião pública era positivamente a favor dos aliados. A França sempre gozou em nossas elites de grande prestígio e a monarquia imitou os modelos britânicos. Outros torpedamentos seguiram-se. Pouco depois (26 de outubro de 1917), com uma declaração de guerra, o Brasil oficialmente participava do conflito. Nossa ajuda aos Aliados consistiu sobretudo no fornecimento de gêneros e em transportes marítimos.
Perturbado o comércio internacional, nossas exportações haviam caído assustadoramente. O prolongamento do conflito daria entretanto ao Brasil algumas oportunidades comerciais; gêneros alimentícios e matérias primas encontrariam sempre compradores dispostos a pagar altos preços. Além disso, a impossibilidade de importar produtos fabris gerou um surto industrial significativo. Muito embora acidental e não planificado, o avanço industrial representou uma mudança importante em nossa estrutura tradicionalmente agrícola.
Como consequência da industrialização, constatou-se a emergência de uma burguesia industrial e do operariado. A exploração da força de trabalho, a falta de legislação trabalhista e a difusão de ideais anarquistas deu ensejo a numerosos protestos e greves operários (Grande Greve de 1917). Só posteriormente é que foi difundido no Brasil o ideal comunista; nessa época, as principais lideranças eram anarquistas.
Ainda no quadriênio de Venceslau Brás deve ser registrada a pacificação do Contestado, região nos limites entre os Estados do Paraná e Santa Catarina. Conseguiria o Presidente dirimir a pendência entre as duas unidades da Federação. A 20 de outubro de 1916 foi assinado no Rio de Janeiro um tratado que encerrava definitivamente a questão.
Lamentavelmente, nos últimos meses do governo de Venceslau Brás, o país foi atingido pela terrível epidemia conhecida pelo nome de "gripe espanhola". Mataria cerca de 15 000 pessoas. Era uma das lastimáveis conseqüências dos gases oriundos da 1a Guerra Mundial.
É de se assinalar a promulgação do Código Civil Brasileiro. Após mais de 15 anos em tramitação no Congresso, o Código redigido por Clóvis Beviláqua foi promulgado em 1916, entrando em vigor em 1o de janeiro de 1917. De lá pra cá, porém, já houve inúmeras tentativas de criar-se um novo código, mas até o momento foram tentativas frustradas.
Fonte: elogica.br.inter.net
Governo Venceslau Brás - 1914 - 1918
Venceslau Brás Pereira Gomes nasceu em São Caetano da Vargem Grande, atual Brasópolis (MG), em 1868.
Advogado, formou-se pela Faculdade de Direito de São Paulo, em 1890.
Em seguida, dedicou-se ao exercício da advocacia em municípios do interior mineiro, iniciando sua carreira política como prefeito de Monte Santo (MG).
De 1892 a 1898, foi deputado estadual em Minas Gerais. Em seguida, foi nomeado para a Secretaria do Interior, cargo que ocupou até 1902. Nesse ano, elegeu-se deputado federal, assumindo seu mandato no ano seguinte. Foi então, líder da bancada mineira na Câmara e, em seguida, líder da maioria naquela Casa. Permaneceu no Congresso até 1908.
Em abril do ano seguinte, assumiu o governo de Minas Gerais, em substituição a João Pinheiro da Silva, recém-falecido.
Em setembro de 1911, deixou o governo mineiro para ocupar a vice-presidência da República, para a qual fora eleito em março daquele ano na chapa situacionista do marechal Hermes da Fonseca.
Em março de 1914, com o apoio de grupos dirigentes de Minas Gerias e São Paulo, chegou à presidência da República.
O período de seu governo coincidiu com a Primeira Guerra Mundial e sua posição inicial diante do conflito foi de neutralidade.
Somente em outubro de 1917 é que o governo brasileiro declarou guerra aos alemães. Seu governo responsabilizou-se, ainda, pelo esmagamento da Revolta do Contestado, conflito entre camponeses e latifundiários, na divisa dos estados do Paraná e Santa Catarina, iniciado em 1912.
Em novembro de 1918, deixou o governo brasileiro e retirou-se por vários anos da vida política.
Em 1930, deu apoio à candidatura oposicionista de Getúlio Vargas à presidência da República, bem como às conspirações que resultaram no afastamento do presidente Washington Luís em outubro daquele ano, antes da transferência do governo a Júlio Prestes, o candidato oficialmente eleito no pleito de março.
Integrou a seguir o conselho supremo da Legião Mineira, agremiação que visava congregar os elementos que apoiavam o regime surgido da Revolução de 1930.
A Legião, contudo, teve vida curta, assim como o Partido Social Nacionalista, igualmente criado em Minas pelos defensores do novo regime e do qual Venceslau Brás também fez parte. Em 1934, seu nome chegou a ser cogitado como candidato à presidência da República nas eleições realizadas pelos membros da Assembléia Nacional Constituinte, então reunida.
Anos mais tarde, após o fim do Estado Novo e a redemocratização do país, foi novamente lembrado para concorrer ao governo de Minas Gerais, sem que, mais uma vez sua candidatura se concretizasse.
Fonte: www.cpdoc.fgv.br