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História das Cidades

Organização

História das Cidades

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Mapa de Haarlem, nos Países Baixos, em 1550

A cidade está completamente cercada por uma muralha e um canal defensivo.As cidades européias da Idade Média mudaram muito em relação às cidades do Império Romano da antiguidade. Eram geralmente muito menores que as cidades romanas, não possuíndo mais do que 1 km². A população destas cidades também era muito pequena. Na média, uma cidade medieval típica tinha entre 250 a 500 habitantes. A população de Roma havia caído de um milhão para meros 40 mil habitantes no final do século V. Mesmo as maiores e mais importantes cidades da época geralmente não possuíam mais do que 50 mil habitantes, até o século X.

A maior cidade do continente durante as primeiras décadas da Idade Média foi Veneza, com seus 70 mil habitantes, que cresceram para os 100 mil em 1200. Paris, então, já ultrapassara Veneza, tendo alcançado os 150 mil habitantes. Londres tornaria-se a maior cidade européia no Renascimento. Em outros continentes, algumas cidades eram maiores. Hangzhou e Shangzhou, ambos na atual China, tinham respectivamente 320 e 250 mil habitantes. Tenochtitlán, a capital do Império Asteca, tinha uma população estimada entre 60 a 130 mil habitantes distribuidos em 8 km², em 1500.

Nas cidades da Europa Ocidental, a Igreja Católica Romana teve grande influência na arquitetura e organização destas áreas urbanas. Estas cidades dispunham de uma igreja - que era geralmente a estrutura mais alta e cara da cidade, construída sob os padrões do estilo gótico - no centro da cidade. Edifícios governamentais e as casas da elite localizavam-se próximos à igreja, e a classe pobre, próximos às muralhas.

Como em cidades da antiguidade, geralmente, o lixo era despejado diretamente na rua. Por causa disso, e também por causa da alta densidade populacional, ora ou meia grandes epidemias mataram uma grande quantidade de pessoas. A peste negra exterminou cerca de 40% da população de Constantinopla e 25 milhões de pessoas em toda Europa. Entre o século XIV e o século XIX, a peste negra matou mais de 350 milhões de pessoas na Europa e na Ásia, a maioria, moradores urbanos.

As muralhas das cidades limitavam o espaço das cidades medievais. Prédios de três a seis andares passaram a ser construídos para resolver o problema da falta de espaço. Quando a população da cidade crescia, a alta densidade populacional tornava-se um grave problema nestas cidaes. Algumas cidades resolveram este problema através da expansão das muralhas - via demolição e reconstrução. Outras simplesmente deixavam as muralhas de pé e construíam novas cidades nas proximidades.

As grandes cidades da Europa Ocidental como Veneza, Florença, Paris e Londres atraíam pessoas de várias etnias. Estas pessoas instalavam-se geralmente em um bairro povoado majoritamente por pessoas do mesmo grupo étnico. Vários destes bairros eram cidades em miniatura, com seus próprios mercados, reservatórios de água e igrejas ou sinagogas. Isto limitou conflitos entre pessoas de diferentes etnias e religiões, porém, também limitando a difusão cultural. Alguns bairros, chamados de guetos, eram usados para abrigar pessoas consideradas indesejáveis, tais como judeus, por exemplo.

A população das cidades da Europa Ocidental passou a crescer após o século X. Ao mesmo tempo, o Império Romano do Oriente, ou Império Bizantino, foi gradualmente sendo conquistado pelo Império Otomano. Em 1457, a capital do Império Bizantino, Constantinopla, foi conquistada pelos otomanos. A população de importantes cidades bizantinas como Constantinopla, Atenas e Tessalónica cairia gradualmente nos próximos séculos.

Administração

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Pintura de Paris de 1493

Pintura de Paris de 1493.Na Europa Ocidental, o feudalismo desenvolveu-se ao longo dos primeiros séculos da Idade Média. Reinos continuaram a existir, porém, estes estavam divididos em várias secções chamadas de feudos. As cidades continuaram a fazer parte de um dado país, mas o Rei deste reino tinha o controle apenas sob as áreas que eram de sua propriedade, e não sob seu reino. Isto efetivamente diminuiu muito o poder destes chefes de estado. Uma dada cidade era de fato governada pelo dono - um Senhor ou um um bispo, membro da Igreja Católica - do feudo onde a cidade estava localizada.

No século XI, com o crescimento populacional e do comércio, a burguesia em crescimento destas cidades começaram a ressentir o forte controle dos senhores feudais nas cidades. Em várias cidades, a buguersia lutou contra os senhores feudais pelo direito da administração da cidade. Em algumas, estas lutas foram bem-sucedidas - especialmente na Península Itálica. Em Milão, Florença e Veneza, os cidadãos - homens não-estrangeiros - podiam votar na escolha de cônsules, que governavam a cidade. Estes tipos de eleições espalharam-se pela Europa Ocidental, especialmente na atual França. As cidades continuaram a possui um alto degrau de independência, onde cidadãos criavam leis e apontavam seus oficiais. Eventualmente, durante o século XIV e o século XV, os governos dos reinos da Europa Ocidental passaram a gradualmente serem solidificados em torno do chefe de estado, o Rei. A autonomia destas cidades declinou, e mesmo a importância de grandes cidades-estados como Veneza, Gênova e Lübeck, caiu drasticamente.

No Oriente e em civilizações avançadas na América, o governo de impérios e reinos na maioria dos casos centralizado nas mãos de um Imperador ou Rei. Estes geralmente escolhiam os administradores das cidades. Exceções incluem Sakai, uma cidade japonesa que desfrutou de um alto degrau de autonomia durante o fim da Idade Média.

Economia

Na Europa, o sistema econômico de feudalismo dividiu a terra entre vários senhores feudais, onde os vassalos trabalhavam, em troca de proteção. Este sistema entrou em decadência no século X. Vários destes vassalos migraram então para as cidades, com alguns tornando-se artesãos ou mercantes, e outros fazendeiros em terras próximas à cidade, e vendendo seus produtos diretamente no mercado da cidade. O crescimento do comércio entre as cidades e a migração de pessoas do campo para a cidade foram duas importantes razões que contribuíram para o crescimento populacional das cidades após o século X.

Artesãos, auxiliados por avanços tecnológicos e pela invenção de novos produtos como pólvora, barril e relógios, por exemplo, conseguiam criar e vender cada vez mais produtos em um dado espaço de tempo. Os mercantes, auxiliados pela estimulação do comércio inter-urbano, também prosperaram. Tanto artesões quanto mercantes formaram uma nova classe econômica - a classe média. Porém, ainda assim a maioria da população das cidades viviam na pobreza, trabalhando muito e ganhando pouco, morando em casas super-lotadas e em péssimas condições sanitárias.

Era moderna

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Coalbrookdale, cidade britânica, considerada um dos berços da Revolução Industrial.

As cidades européias - e a vida urbana destas cidades - não haviam mudado muito com a chegada do Renascimento, mesmo com o gradual crescimento populacional das cidades. Porém, durante o século XVIII, a Revolução Industrial teve início, com a invenção da máquina a vapor, e de outros equipamentos industriais. Este período perdurou até o final do século XIX nos atuais países desenvolvidos. Inúmeras cidades européias e americanas mudaram drasticamente por causa da Revolução Industrial, tornando-se grandes centros industriais.

Várias grandes cidades localizadas em países em desenvolvimento - localizados na Ásia, América Latina e África - começaram a industrizar-se a partir do final do século XIX em diante. Algumas destas cidades tornaram-se grandes centros industriais, tais como Buenos Aires, México, Shangai e São Paulo.

Organização

A industrialização das cidades causou grandes mudanças na vida urbana. Produtos que artesãos levavam horas para fazer eram produzidas em questão de minutos nas fábricas, ainda mais, em grande quantidade, e a preços mais baixos. Os artesãos passaram a ter crescente dificuldade em encontrar clientes dispostos a comprarem produtos que passaram a ser produzidos por preços mais baixos nas fábricas. Muitos destes artesães desistiram de seus negócios.

A população das cidades industrializadas cresceu bastante. Isto ocorreu por causa de dois fatores. O primeiro fator eram as altas taxas de crescimento populacional da época. O segundo fator fora o início de um forte êxodo rural, onde um crescente número de agricultores passaram a deixar os campos, indo em direção às cidades. Muitos destes agricultores mudaram-se para as cidades porque avanços tecnológicos na área da agropecuária haviam reduzido a necessidade de mão-de-obra humana, outros foram às cidades simplesmente em busca de uma vida melhor. Ex-agricultores - incluindo crianças - passaram a trabalhavar nas fábricas nas cidade, geralmente morando em bairros próximos às fábricas.

O crescimento de algumas cidades em especial destacam-se pelo seu grande crescimento. Manchester tinha apenas quatro mil habitantes em 1790. Seis décadas depois, a cidade alcançaria os 350 mil habitantes. Chicago tinha 4,5 mil habitantes em 1840. Em duas décadas, em 1860 a população saltou para 112 mil habitantes. Em 1880, a população da cidade alcançou 500 mil habitantes, dobrando na década seguinte. A maior cidade durante 1825 até o fim do século XIX foi Londres, a primeira área urbanizada a superar os cinco milhões de habitantes do mundo. Tóquio era anteriomente a cidade mais populosa do mundo.

As condições sanitárias da cidade industrial típica da década de 1830 eram péssimas. Elas geralmente não dispunham de abastecimento de água e esgoto - nem mesmo nos bairros onde as casas e apartamentos da burguesia e da elite estavam localizadas. Gradualmente, tais serviços foram instituídos nas cidades, primeiramente nos bairros da elite e da burguesia, ao longo do século XIX. Somente posteriomente, já no início do século XX, os bairros da classe trabalhadora passaram a receber estes serviços. Isto, nos países desenvolvidos. Mesmo hoje, várias cidades industriais em países em desenvolvimento não possuem estas instalações.

A poluição tornou-se um grande problema nas cidades industrializadas. A falta de instalações sanitárias adequadas e a poluição fizeram com que as taxas de mortalidade das cidades industriais tornasse muito alta. A industrialização da grande maioria das cidades ocorreu de modo totalmente desorganizado. Fábricas e bairros residenciais eram construídos uns próximos aos outros.

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Favela em Glasgow, Escócia..

Administração

O rápido crescimento dos problemas urbanos - pobreza, poluição, desorganização - durante os anos do século XVIII e do século XIX forçaram países e cidades a tomarem medidas para tentar minimizar estes problemas. Durante o final do século XIX, leis trabalhistas foram aprovadas nos Estados Unidos e na Inglaterra, com o intuito de proteger os trabalhadores - que até então possuíam praticamente nenhum direito. Entre outras medidas, estas leis proibiam o uso do trabalho infantil nas fábricas. Outras medidas como melhorias na assistência médica e hospitalar para a classe trabalhista, fornecimento de abrigos e comida aos desempregados também foram tomadas.

Além disso, os sérios problemas causados pela desorganização e pela poluição levaram, eventualmente, nos Estados Unidos e na Europa, à adoção de políticas de planejamento urbano, tais como leis anti-poluição, construção de estradas e a implementação de um sistema de transporte público (tais como linhas de ônibus e metrô) e zoneamento.

Economia

A indústria tornou-se a principal fonte de renda das grandes cidades do século XVIII e do século XIX. Fábricas ocuparam o lugar que anteriomente pertenciam aos artesãos, produzindo os mesmos produtos, de forma mais rápida, fácil, e que eram mais baratos. Grandes números de artesãos ficaram desempregados. Vários deles foram obrigados a trabalhar em fábricas para sustentar-se.

O comércio inter-urbano tornara-se mais forte do que nunca. Grandes quantidades de produtos industrializados, fabricados em uma cidade, eram transportados em trens e navios a vapor até outras cidades.

O imenso custo da construção e manutenção das fábricas, e da obtenção de matéria-prima, foram um dos motivos da ascenção do capitalismo, onde bancos e investidores, através de empréstimos e parcerias econômica, ajudavam a cobrir os custos da construção e manutenção destas fábricas. Várias cidades tornaram-se grandes centros bancários e financeiros, como Londres, Paris, Nova Iorque, Montreal e Chicago.

1900 - Tempos atuais

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Vista da massiva área urbanizada da região metropolitana de São Paulo. Pode-se ver na parte inferior da imagem, à beira do litoral com o Oceano Atlântico, a área urbanizada da região metropolitana de Santos.

Pode-se ver na parte inferior da imagem, à beira do litoral com o Oceano Atlântico, a área urbanizada da região metropolitana de Santos.

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Nova Iorque, uma das cidades mais influentes na economia mundial.

As cidades cresceram mais do que nunca no século XX, mesmo com crises tais como a Grande Depressão da década de 1930 - onde as cidades foram fortemente atingidas pelo desemprego, especialmente naquelas dependentes primariamente da indústria pesada. Em 2000, aproximadamente 2 900 cidades dispunham de mais de cem mil habitantes, e destas, cerca de 225 dispunham de mais de um milhão de habitantes (estimativas variam entre 180 a 300). Atualmente, estima-se que 45% da população mundial vivam em cidades. São duas as principais razões deste grande crescimento populacional. A primeira foi a queda nas taxas de mortalidade, gerada após inovações na área da medicina e de leis contra indústrias poluentes, bem como maior reorganização da cidade através da implementação de leis de zoneamento e de planejamento urbano.

A segunda razão foi a grande migração da população rural para as cidades, provocada por avanços tecnológicos na agropecuária e pela diversificação da economia urbana. Esta migração, chamada de êxodo rural, foi mais acentuado nos países em desenvolvimento. Diferentes cidades nos países em desenvolvimento industrializaram-se durante o século XX, atraindo grandes quantidades de pessoas não somente do campo como de outras cidades, que buscam por melhores condições de vida. Exemplos notáveis incluem São Paulo, Buenos Aires, México, Shangai e Seul.

O grande crescimento populacional das cidades foram as causas principais do aparecimento das regiões metropolitanas, isto é, cidades diferentes que estão divididas entre si através de fronteiras político-administrativas, mas que, economicamente, demograficamente, socialmente e culturalmente, formam uma única área urbana. Todas as grandes áreas urbanizadas do mundo atualmente são metrópoles formadas por diversas cidades diferentes.

Quanto à qualidade de vida, a maioria dos habitantes das grandes cidades dos países desenvolvidos desfrutam de um alto padrão de qualidade de vida, graças à implementação de leis trabalhistas, políticas de planejamento urbano, serviços públicos de qualidade (tais como cobertura policial, bombeiros, educação e saúde pública) e da economia em crescimento destes países. Muitos habitantes de cidades em países industrializados em desenvolvimento, por outro lado, ainda enfrentam problemas como pobreza e péssimas condições de vida, além de altas taxas de criminalidade.

Veículos motorizados ajudaram no desenvolvimento das cidades. O automóvel permitiu para milhões de pessoas viver longe do local de trabalho, escolas e de centros comerciais. Atualmente, existem cerca 520 milhões de automóveis no mundo, a maior parte deles operando nas cidades.

Fonte: pt.wikipedia.org

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