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Clubes, Sociedades e Cordões

O primeiro Clube Carnavalesco do Rio de Janeiro foi o Congresso das Sumidades Carnavalescas, que saiu às ruas em 1855. Contava com 80 sócios, entre eles o escritor José de Alencar. As fantasias, os carros, os cavalos... foi um desfile monumental, prestigiado pelo imperador. Apesar de abrigar apenas membros da elite, o desfile impressionou toda a população, marcando mais um capítulo importante em nossa história de Carnaval, pois deu origem às primeiras sociedades carnavalescas. No dia seguinte, os jornais noticiavam: "Registrou-se a maior transformação do carnaval fluminense e que o tornou célebre e rival do carnaval de Nice, Veneza e Roma".

Entre as sociedades carnavalescas destacavam-se os clubes dos Fenianos, dos Tenentes, dos Democráticos e dos Pierrôs da Caverna. Os bailes multiplicavam-se e ficavam cada vez mais animados.

Nas ruas, a cultura popular dos negros alforriados mudava a cara da cidade. Os pobres e biscateiros não agradavam à elite, que os considerava "vadios e sujos" (será que não aprendemos nada em um século?), mas sua originalidade de buscar novos modos de ganhar a vida e a miscigenação cultural que promoviam foram detectados por olhos mais atentos. Eles eram os pais do malandro, do homem que tem que se virar para sobreviver, personagem brasileiríssimo que iria contribuir, e muito, com a nossa cultura.

Os diversos tipos humanos que "flanavam" pelas ruas do Rio de Janeiro conferiam uma nova "alma" à cidade, maravilhosamente descrita pelo cronista João do Rio (pseudônimo de Paulo Barreto, 1881-1921) no livro A alma encantadora das ruas (1908). Os cordões carnavalescos, de ricos e pobres, traduziam essa nova alma. Coloriam as ruas no Carnaval com suas fantasias, música, dança, brincadeiras e rivalidades. É João do Rio quem os descreve:

Os cordões são os núcleos irredutíveis da folia carioca, brotam como um fulgor mais vivo e são antes de tudo bem do povo, bem da terra, bem da alma encantadora e bárbara do Rio.

Quantos cordões julgas que há da Urca ao Caju? Mais de duzentos! E todos, mais de duas centenas de grupos, são inconscientemente os sacrários da tradição religiosa da dança, de um costume histórico e de um hábito infiltrado em todo o Brasil.

A legítima música de Carnaval nasceu dos cordões. A primeira marchinha da História foi feita sob encomenda para o cordão Rosa de Ouro. O inédito ritmo inspirava-se na música dos negros que compunham o cordão, mas foi criado por uma mulher, branca e "de boa formação": Chiquinha Gonzaga. A marchinha Ó Abre Alas fez furor em 1899, e pode ser considerada o grande marco da virada musical que deu origem à música brasileira do século XX.

O cordão mais antigo a sobreviver até hoje é o Cordão do Bola Preta, fundado em 1926.

Fonte: www.educacaopublica.rj.gov.br