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Frevo

Histórico

Frevo

O Carnaval recifense possui uma música e uma dança carnavalesca própria e original, nascida do povo. De origem urbana, surgiu nas ruas do Recife nos fins do século XIX e começo do século XX. O frevo nasceu das marchas, maxixes e dobrados; as bandas militares do século passado teriam dado sua contribuição na formação do frevo, bem como as quadrilhas de origem européia. Deduz-se que a música apoiou-se desde o início nas fanfarras constituídas por instrumentos de metal, pela velha tradição bandística do povo pernambucano.

A palavra é: FREVO!

A palavra frevo vem de ferver, por corruptela, frever, dando origem a palavra frevo, que passou a designar: "Efervecência, agitação, confusão, rebuliço; apertão nas reuniões de grande massa popular no seu vai-e-vem em direções opostas como pelo Carnaval", de acordo com o Vocabulário Pernambucano de Pereira da Costa. Divulgando o que a boca anônima do povo já espalhava, o Jornal Pequeno, vespertino do Recife, que mantinha a melhor secção carnavalesca da época, na edição de 12 de fevereiro de 1908, faz a primeira referência a palavra frevo.

O Frevo música

Pode-se afirmar que o frevo é uma criação de compositores de música ligeira, feita para o carnaval. Os músicos pensaram em dar ao povo mais animação nos folguedos de carnaval, e a gente de pé no chão, queria música barulhenta e animada, que desse espaço para extravasar alegria dentro daquele improviso. No decorrer do tempo a música ganha características próprias acompanhada por um bailado inconfundível de passos soltos e acrobáticos. Nas suas origens o frevo sofreu várias influências ao longo do tempo, produzindo assim variedades. A década de trinta serve de base para a divisão do frevo em: Frevo-de-Rua, Frevo-Canção, Frevo-de-Bloco.

FREVO-DE-RUA

É o mais comumente identificado como simplesmente frevo, cujas características não se assemelham com nenhuma outra música brasileira, nem de outro país. O frevo-de-rua se diferencia dos outros tipos de frevo pela ausência completa de letra, pois é feito unicamente para ser dançado. Na música é possível distinguir-se três classes: o frevo-abafo ou de encontro, no qual predominam os instrumentos metálicos, principalmente pistões e trombones; o frevo-coqueiro, com notas agudas distanciando-se no pentagrama e o frevo-ventania, constituído pela introdução de semicolcheias. O frevo acaba, temporariamente, em um acorde longo e perfeito. Frevos-de-rua famosos Vassourinhas de Matias da Rocha, Último dia de Levino Ferreira, Trinca do 21 de Mexicano, Menino Bom de Eucário Barbosa, Corisco de Lorival Oliveira, Porta-bandeira de Guedes Peixoto, entre outros.

FREVO-CANÇÃO

Nos fins do século passado surgiram melodias bonitas, tais como A Marcha n° 1 do Vassourinhas, atualmente convertido no Hino do carnaval recifense, presente tanto nos bailes sociais como nas ruas, capaz de animar qualquer reunião e enlouquecer o passista. O frevo-canção ou marcha-canção tem vários aspectos semelhantes à marchinha carioca, um deles é que ambas possuem uma parte introdutória e outra cantada, começando ou acabando com estrebilhos. Frevos-canção famosos: Borboleta não é ave de Nelson Ferreira, Na mulher não se bate nem com uma flor de Capiba, Hino de Pitombeira de Alex Caldas, Hino de Elefante de Clídio Nigro, Vestibular de Gildo Moreno, entre outros.

FREVO-DE-BLOCO

Deve ter se originado de serenatas preparadas por agrupamentos de rapazes animados, que participavam simultaneamente, dos carnavais de rua da época, possivelmente, no início do presente século. Sua orquestra é composta de Pau e Corda: violões, banjos, cavaquinhos, etc. Nas últimas três décadas observou-se a introdução de clarinete, seguida da parte coral integrada por mulheres. Frevos-de-bloco famosos: Valores do Passado de Edgar Moraes, Marcha da Folia de Raul Moraes, Relembrando o Passado de João Santiago, Saudade dos Irmãos Valença, Evocação n° 1 de Nelson Ferreira, entre outros.

O Frevo dança

Vários elementos complementares básicos compõe toda dança, em especial no frevo os instrumentos musicais serviam como arma quando se chocavam agremiações rivais. A origem dos passistas são os capoeiras que vinham à frente das bandas, exibindo-se e praticando a capoeira no intuito de intimidar os grupos inimigos. Os golpes da luta viraram passos de dança, embalados inicialmente, pelas marchas e evoluindo junto com a música do frevo.

A SOMBRINHA

Outro elemento complementar da dança, o passista à conduz como símbolo do frevo e como auxílio em suas acrobacias. A sombrinha em sua origem não passava de um guarda-chuva conduzido pelos capoeiristas pela necessidade de ter na mão como arma para ataque e defesa, já que a prática da capoeira estava proibida.

Este argumento baseia-se no fato de que os primeiros frevistas, não conduziam guarda-chuvas em bom estado, valendo-se apenas da solidez da armação. Com o decorrer do tempo, esses guarda-chuvas, grandes, negros, velhos e rasgados se vêm transformados, acompanhando a evolução da dança, para converter-se, atualmente, em uma sombrinha pequena de 50 ou 60 centímetros de diâmetro.

O VESTUÁRIO

Também como elemento imprescindível em algumas danças folclóricas, o vestuário que se precisa para dançar o frevo, não exige roupa típica ou única. Geralmente a vestimenta é de uso cotidiano, sendo a camisa mais curta que o comum e justa ou amarrada à altura da cintura, a calça também de algodão fino, colada ao corpo, variando seu tamanho entre abaixo do joelho e acima do tornozelo, toda a roupa com predominância de cores fortes e estampada. A vestimenta feminina se diferencia pelo uso de um short sumário, com adornos que dele pendem ou mini-saias, que dão maior destaque no momento de dançar.

Passos do frevo

A dança do frevista é geralmente caracterizada pela sua individualidade na exibição dos passos. Os passos nasceram da improvisação individual dos dançarinos, com o correr dos anos, dessa improvisação se adotaram certos tipos ou arquétipos de passos. Existem atualmente um número incontável de passos ou evoluções com suas respectivas variantes. Os passos básicos elementares podem ser considerados os seguintes: dobradiça, tesoura, locomotiva, ferrolho, parafuso, pontilhado, ponta de pé e calcanhar, saci-pererê, abanando, caindo-nas-molas e pernada, este último claramente identificável na capoeira. A seguir descrições dos cinco primeiros citados:

DOBRADIÇA

Flexiona-se as pernas, com os joelhos para frente e o apoio do corpo nas pontas dos pés. Corpo curvado para frente realizando as mudanças dos movimentos: o corpo apoiado nos calcanhares, que devem está bem aproximados um do outro, pernas distendidas, o corpo jogado para frente e para trás, com a sombrinha na mão direita, subindo e descendo para ajudar no equilíbrio. Não há deslocamentos laterais. Os pés pisam no mesmo local com os calcanhares e pontas.

TESOURA

A - Passo cruzado com pequenos deslocamentos à direita e à esquerda. Pequeno pulo, pernas semiflexionadas, sombrinha na mão direita, braços flexionados para os lados.

B - O dançarino cruza a perna direita por trás da esquerda em meia ponta, perna direita `a frente, ambas semiflexionadas. Um pulo desfaz o flexionamento das pernas e, em seguida, a perna direita vai apoiada pelo calcanhar; enquanto a esquerda, semiflexionada, apoia-se em meia ponta do pé, deslocando o corpo para esquerda. Refaz-se todo o movimento, indo a perna esquerda por trás da direita para desfazer o cruzamento. Neste movimento, o deslocamento para a direita é feito com o corpo um pouco inclinado.

LOCOMOTIVA

Inicia-se com o corpo agachado e os braços abertos para frente, em quase circunferência e a sombrinha na mão direita. Dão-se pequenos pulos para encolher e estirar cada uma das pernas, alternadamente.

FERROLHO

Como a sapatear no gelo, as pernas movimentando-se primeiro em diagonal (um passo) seguido de flexão das duas pernas em meia ponta, com o joelho direito virado para a esquerda e vice-versa. Repetem-se os movimentos, vira-se o corpo em sentido contrário ao pé de apoio, acentuando o tempo e a marcha da música. Alternam-se os pés, movimentando-se para frente e para trás, em meia ponta e calcanhar; o passista descreve uma circunferência.

PARAFUSO

Total flexão das pernas. O corpo fica, inicialmente, apoiado em um só pé virado, ou seja, a parte de cima do pé fica no chão, enquanto o outro pé vira-se, permitindo o apoio de lado (o passista arria o corpo devagar).

Fonte: www.fundaj.gov.br

Frevo

Dentre as diversas manifestações culturais de Pernambuco sem dúlvida o Frevo se destaca. Porque quando o Frevo toca não tem outraa multidão toma conta das ruas do Recife. Até a década de 30, o Frevo sobreu profundas influências do dobrado e das marchas militares e, ainda, da modinha e do maxixe. tornando um gênero musical bem característico com o ingremento de figuras melódicas e rítmicas que ao longo do tempo trouxeram maestros como Nelson Ferreira, Capiba, e recentemente José Menezes, Duda e outros.

Vejamos os três tipos de frevo: frevo-de-rua, de caráter instrumental e andamento vivo, executado por orquestra de metais e palhetes; frevo-de-bloco, de andamento mais moderado, executado por orquestra denominada de pau-e-corda ou seja de instrumento de sopro-flauta e palhetas- mais cordas ( violões, bandolins, cavalos e banjos ), cujas letras são cantadas por um coral feminino e, finalmente, o frevo-canção, também de andamento vivo, com introdução e acompanhamento orquestral, tal como o frevo de rua,, tendo porém o apoio de uma letra, interpretada por cantor ou por cantora, aconpanhado de coro misto.

A sombrinha é um dos elementos coreográficos mais importantes da carnaval de pernambuco.Durante o carnaval as ruas do Recife e Olinda são invadidas por lindas sombrinhas coloridas e o verdadeiro passista, aquele que realmente "cai no passo", sempre a carregará consigo. Mas o que é a sombrinha? O que ela significa? Algumas hipóteses foram aventadas para esplicar a sua origem.

Uma delas está relacionadas a fenômenos climaticos naturais, chuva e sol.

Outra hipótese sustenta que a sombrinha seria o translado para o frevo do guarda chuva do Bumba-Meu-Boi ou do pálio do Maracatú.

Relata-se também que a sombrinha era ultilizada como porta alimentos, já que foram vistos guardas-chuvas com comida presa em suas haste central.

Uma outra hipótese, a mais atraente, admite ser a sombrinha uma contrafaçã. para sua explicação e defesa temos que nos tansportar ao século passado e até mais profundamente, nos primórdios da escravidão no Brasil. Em meados do século XIX, em pernambuca sorgirão as primeiras bandas de múcicas maciais, execultando dobrados, machas e polcas. Essas bandas desfilavão pelo centro de Recife e duas delas, a Quarto Batalhão de Artilharia, conhecida como regente um espanhol, parece ter sido as dias primeiras bandas de destaque da cidade. Estes agrupamentos musicais militares eram acompanhados por grupos de capoeristas que dançavam e lutavam, os quais se tornaram fiéis as bandas que acompanhavam, além de rivais entre si. Afora a rivalidade entre os grupos, havia também a luta contra o daminador português, muitas vezes atingidos pelos golpes dos capoeristas, acompanhados de suas armas como a faca o punhal ou um pedaço de madeira. Pela desordem que provocaram, os capoeristas foram proibidos de desfelar.

Por essa mesma época, surgiram os primeiros clubes de carnaval de Pernambuco, entre eles o Clube Carnavalesco Misto Vassourinhas (1889) e o C.C.M. Lenhadores (1897), formados por trabalhadores, cada um possuindo a sua banda de música. Ora, os capoeristas necessitavam de um disface para acompanha as bandas, agora dos clubes, já que eram persiguidos pela polícia. Assim, modificaram seus golpes acompanhando a música, originando tempos depois o "passo" (a dança do Frevo) e trocando suas antigas armas pelos símbolos dos clubes que, no caso dos Vassourinhas e Lenhadores, eram constituídos por pedaços de madeira encimados por uma pequena vassoura ou um pequeno machado, usados como enfeites. A madeira era usada como arma. A música também sofreu transformações e, lentamente, provavelmente para acompanhar os passos ou golpes dissimulados dos capoeristas, deu origem ao mais extasiante ritmo do carnaval pernambucano, denominado frevo pelo povo, por corruptela do verbo ferver. A sombrinha teria sido utilizada como arma pelos capoeiristas, à semelhaça dos símbolos dos clubes e de outros objetos como a bengala. De início, era o guarda-chuvas comum, geralmente vellho e esfarrapado, hoje estilizado, pequeno para facilitar a dança, e colorido para embelezar a coreografia. Atualmente a sombrinha é o ornamento que mais caracteriza o passista e é um dos principais símbolos do carnaval de Pernambuco e do Brasil.

Fonte: br.oocities.com

Frevo

"O frevo, palavra exótica, tudo que é de bom diz, exprime. É inigualável, sublime, termo raro, bom que dói... vale por um dicionário, traduz delírio, festança, tudo salta, tudo dança, tudo come, tudo rói...

O frevo é dança e música brasileira do tempo do Carnaval, num ritmo tão frenético que a multidão fica a ferver daí o seu nome. Cada dançarino vai improvisando, sendo os passos principais os dos movimentos do parafuso, tesoura, saca-rolhas, etc. Originária do Recife PE, ela foi introduzida no Carnaval do Rio de Janeiro em 1935.

Frevo

Na década de 30, surge a divisão do frevo em três tipos: frevo de rua , Frevo canção , frevo de bloco

Esta dança teve origem nos movimentos da Capoeira. A estilização dos passos foi resultado da perseguição infligida pela Polícia aos capoeiras, que aos poucos sumiram das ruas, dando lugar aos passistas.

Em meados do século XIX, em Pernambuco, surgiram as primeiras bandas de músicas marciais, executando dobrados, marchas e polcas. Estes agrupamentos musicais militares eram acompanhados por grupos de capoeiristas.

Por esta mesma época, surgiram os primeiros clubes de carnaval de Pernambuco, entre eles o Clube Carnavalesco Misto Vassourinhas (1889) e o C.C.M. Lenhadores (1897), formados por trabalhadores, cada um possuindo a sua banda de música. Os capoeiristas necessitavam de um disfarce para acompanhar as bandas, agora dos clubes, já que eram perseguidos pela polícia. Assim, modificaram seus golpes acompanhando a música, originando tempos depois o Passo (a dança do Frevo) e trocando suas antigas armas pelos símbolos dos clubes que, no caso dos Vassourinhas e Lenhadores, eram constituídos por pedaços de madeira encimados por uma pequena vassoura ou um pequeno machado, usados como enfeites.

A sombrinha teria sido utilizada como arma pelos capoeiristas, à semelhança dos símbolos dos clubes e de outros objetos como a bengala. De início, era o guarda-chuvas comum, geralmente velho e esfarrapado, hoje estilizado, pequeno para facilitar a dança, e colorido para embelezar a coreografia. Atualmente a sombrinha (chapéu-de-sol) é o ornamento que mais caracteriza o passista e é um dos principais símbolos do carnaval de Pernambuco.

O frevo é uma dança inspirada em um misto de Marcha e Polca, em compasso binário ou quaternário, dependendo da composição, de ritmo sincopado. É uma das danças mais vivas e mais brejeiras do folclore brasileiro.

A comunicabilidade da música é tão contagiante que, quando executada, atrai os que passam e, empolgados, tomam parte nos folguedos. E é por isso mesmo, uma dança de multidão, onde se confundem todas as classes sociais em promiscuidade democrática. O frevo tanto é dançado na rua, como no salão.

O berço do frevo é o Estado de Pernambuco, onde é mais dançado do que em outra qualquer parte. Há inúmeros clubes que se comprazem em disputar a palmo nesta dança tipicamente popular, oferecendo exibições de rico efeito coreográfico. Alguém disse que o frevo vem da expressão errónea do negro querendo dizer: Eu fervo todo, diz: Quando eu ouço essa música, eu frevo todo.

O frevo é rico em espontaneidade e em improvisação, permitindo ao dançarino criar, com seu espírito inventivo, a par com a maestria, os passos mais variados, desde os simples aos mais malabarísticos, possíveis e imagináveis. E, assim, executam, às vezes, verdadeiras acrobacias que chegam a desafiar as leis do equilíbrio.

Coreografia

A coreografia, descrita por Dalmo Berfort de Mattos, dos passos que se seguem do frevo, dão uma ideia de quão interessante é essa dança.

Dobradiça

O passista se curva para frente, cabeça erguida, flexionando as pernas, apoiado apenas sobre um dos pés, arrasta-o subitamente para trás, substituindo o pé pelo outro. E assim por diante. Este jogo imprime ao corpo uma trepidação curiosa, sem deslocá-lo sensivelmente.

Parafuso ou saca-rolhas

O passista se abaixa rápido, com as pernas em tesoura aberta e logo se levanta, dando uma volta completa sobre a ponta dos pés. Se cruzou a perna direita sobre a esquerda, vira-se para a esquerda, descreve uma volta completa e finda esta, temo-lo com a esquerda sobre a direita sempre em tesoura, que ele desfaz com ligeireza para compor outros passos.

Da bandinha

O passista cruza as pernas, e mantendo-as cruzadas, desloca-se em passinhos miúdos para a direita, para a esquerda, descaindo o ombro para o lado onde se encaminha. Alinhava o movimento como quem vai por uma ladeira abaixo.
O passista com os braços para o alto e as nádegas empinadas aproxima e afasta os pés, ou caminha com as pernas arqueadas e bamboleantes.

Corrupio

O passista se curva profundamente e ao mesmo tempo em que se abaixa, rodopia num pé só, em cuja perna se aplica flexionada outra perna, ajustando o peito do pé à panturrilha. Toma uma atitude de quem risca uma faca no chão.

O passista manobra com uma das pernas jogando para frente o ombro correspondente à perna que avança, o que faz ora para a direita, ora para a esquerda, alternadamente, na posição de quem força com o peso do ombro uma porta. Este passo se se encontra parceiro é feito vis-à-vis.

O passista descreve, todo empinado, o passo miúdo, num circulo, como um galo que corteja a fêmea.

O passista anda como um aleijado, arrastando, ora com a perna direita, ora com a esquerda alternadamente, enquanto o restante do corpo se conserva em ângulo reto. O passista põe-se de cócoras, e manobra com as pernas, ora para frente, cada uma por sua vez, ora para os lados.

Chão de barriguinha

O passista com os braços levantados, aproxima-se vis-à-vis e com ele troca uma umbigada, que nunca chega a ser violenta. Se são as nádegas que se tocam, temos o Chão de Bundinha. O passista se verticaliza afoitamente, espiga o busto, levanta os braços e caminha em passo miúdo, arrastando os pés em movimento saccadé. O passista dá uma volta no ar, de braços arqueados, caindo com os tornozelos cruzados apoiando-se sob os bordos externos dos pés. O passista dá grandes saltos para um lado e para o outro, mantendo estirada a perna do lado para onde se dirige, e tocando o chão com o calcanhar. Geralmente o passista utiliza-se de um chapéu de sol, afim de melhor garantir o equilíbrio.

Ainda há inúmeros passos como o do Urubu Malandro, etc.

Carnaval no Recife

Frevo
Galo da Madrugada (maior bloco carnavalesco do mundo), em Recife/PE

Nos fins do Século XVII havia organizações, denominadas Companhias, que se reuniam para comemorar a Festa de Reis. Essas companhias eram constituídas em sua maioria de pessoas de raça negra, escravos ou não, que suspendiam seus trabalhos e comemoravam o dia dos Santos Reis.

No Século XVIII apareceu o Maracatu Nação, chamado Maracatu de baque virado, que encenava a coroação do Rei Negro, o Rei do Congo. A coroação era realizada na Igreja de Nossa Senhora do Rosário (Igreja do Rosário dos Pretos).

Com a abolição da escravatura, começaram a aparecer agremiações carnavalescas baseadas nos maracatus e nos festejos dos Reis Magos.

O primeiro clube carnavalesco de que se tem notícia foi o Clube dos Caiadores, criado por António Valente. Os participantes do clube compareciam à Matriz de São José, no bairro de São José, executando marchas. Seus participantes, levando nas mãos baldes, latas de tinta, escadinhas e varas com pincéis, subiam os degraus da igreja e a caiavam (pintavam), simbolicamente.

No Século XX o Recife já dispunha de diversas sociedades carnavalescas e recreativas, entre elas dois clubes (ainda hoje existentes): o Clube Internacional do Recife e o Clube Português do Recife, inicialmente denominado Tuna Portuguesa, além da Recreativa Juventude.

O carnaval de rua realizava-se nas ruas da Concórdia, Imperatriz e Nova, com desfiles de mascarados (os papangus e as máscaras de fronha).

Fonte: www.caestamosnos.org

Frevo

Entre a técnica e a dança

Refletindo com o frevo sobre o ensino da dança.

A arte mudou, mas isso não afetou decisivamente o ensino da dança

Este ensaio tem como objetivo discutir a prática de ensino frevo, como forma de contribuir não apenas para o desenvolvimento desta dança que oficialmente completa um século de existência, mas também para ampliar o debate sobre o ensino da dança na contemporaneidade.

A forma que aqui o frevo é abordado o compreende como sendo um dançar constituído de um acúmulo de conhecimentos corporais sobre equilíbrio, impulso, agilidade, explosão e deslizamentos. Entendo que o frevo precise ser investigado não com o olhar folclórico, que justifica sua existência pela necessidade de resgate ou como reconstrutor de uma identidade de nação, e sim reconhecendo suas características singulares como um legado artístico, como uma técnica que desenvolveu de forma espetacular diferenciadas relações com o espaço, tempo, gravidade e que permite a expansão das possibilidades do corpo. (Vicente, 2006).

O frevo, música e dança, surgiu no fim do século XIX, nas ruas do Recife, e se estruturou como forma artística singular no decorrer do século XX. Durante este século, a música e a dança encontraram formas diferentes de desenvolvimento, distanciando-se daquele formato inicial onde a música surgia do movimento do passista e movimentos novos surgiam a partir do contato com novas organizações musicais.

Não que este diálogo não se mantenha, mas a distância entre os artistas da música e da dança aumentou consideravelmente na medida das suas consolidações como campos artísticos específicos.

A dança do frevo, batizada como Passo, teve até a década de 1960, os concursos de passo como principal estimulador de seu desenvolvimento.

Apenas na década de 70, por iniciativa de Nascimento do Passo, teve início um processo de sistematização dessa dança, com o objetivo principal de ensiná-la a novas gerações. Nesse período o processo informal de aprendizagem as ruas, os encontros de bandas, os concursos de frevo e de passo e a própria indústria fonográfica ligada ao frevo, estavam em declínio.

Passista consagrado no concurso de 1958, Nascimento desenvolveu sua carreira de artista em espetáculos de Teatro e em comitivas de eventos oficiais por todo Brasil e no exterior. Em 1969, ao voltar ao Recife após uma estadia em Manaus, Nascimento se deu conta da inexistência de espaços para estímulo e ensino da dança do frevo. Assim, em 1973 inicia a Escola Recreativa Nascimento do Passo, que atuou de forma itinerante até 1996, quando foi transformada em escola municipal da cidade do Recife.

Portanto, o ensino do frevo foi desenvolvido inicialmente por este passista, cuja formação se deu dançando, imitando e criando movimentos de frevo, ou seja, sem uma formalização previamente padronizada ou aulas formais de outras técnicas de dança.

Diante do desafio de ensinar o frevo, Nascimento do Passo, organizou sua aula a partir de alguns elementos dentre os quais destacaram.

A observação dos modos de dançar frevo, A sua percepção como dançarino, do caminho que o corpo percorre para executar os movimentos e A catalogação dos movimentos existentes e criação de novos movimentos a partir dessa sistematização.

Muito do que hoje se cristalizou como típico do frevo tem sua origem nesse período, como, por exemplo, o movimento passa-passa embaixo e a criação da sombrinha de frevo, reduzida a partir de encomenda feita pelo passista às lojas Tebas, para que seus alunos iniciantes conseguissem realizar os movimentos.

Para Nascimento do Passo, o frevo já possuía todas as qualidades necessárias para a formação do passista e, também por isso, sua aula se baseia exclusivamente em movimentos do frevo, como explica: O frevo tem uma maneira própria de dançar e não precisa de nada de outras danças..

A aula de Nascimento do Passo pode ser dividida em três etapas, e todas utilizam exclusivamente movimentos do frevo: a primeira, de aquecimento, é realizada ao som de frevos de bloco, e composta principalmente de movimentos para aquecimento articular de mãos, braços, joelhos, pés e quadril, seguidos por alguns movimentos realizados em velocidade lenta, com o objetivo de preparar a musculatura.

A segunda parte é voltada para o aprendizado de dez a vinte movimentos básicos, somados a alguns movimentos mais complexos; a terceira parte consiste em uma roda de improvisação em que os alunos, um a um, se revezam improvisando conexões entre os movimentos aprendidos em dialogo com a música. Com essa estrutura, Nascimento disseminou o frevo, estimulando o surgimento de grupos e professores em diversos bairros da Região Metropolitana do Recife.

A aula de Nascimento do Passo foi criticada, na década de 80, principalmente devido à ausência de um condicionamento físico afinado com as técnicas de educação física. Seu aquecimento foi considerado insuficiente para a demanda física do frevo e sua didática, foi considerada autoritária.

Afinal, Nascimento do Passo teve como referência de educação uma pedagogia doméstica autoritária, da qual fugiu aos 14 anos, vindo sozinho para o Recife como menino de rua. No contexto em que viveu, a lembrança de uma disciplina em que medo e respeito estão intimamente misturados foi o que lhe permitiu desenvolver-se como artista, longe da violência que levou à morte e prisão quase todos os passistas famosos de sua época.

Em oposição ao Método de Nascimento do Passo, entre os anos 80 e 90 ganhou destaque o método do Balé Popular do Recife. Em 1976, o futuro elenco do Balé Popular do Recife (fundando em 1977), teve aulas com Nascimento do Passo, como parte de sua pesquisa para catalogação e recriação de danças populares.

O grupo rebatizou alguns movimentos e adaptou a maioria deles à concepção poética dos espetáculos que pretendia criar. Aqueles artistas estavam interessados na criação de uma dança brasileira erudita baseada em folguedos e danças populares.

Por isso, sua organização estava voltada para a apresentação desses movimentos em criações cênicas. A compreensão de eruditização do Balé Popular do Recife deu predominância ao plano frontal de execução dos movimentos, assim como a verticalização da coluna, e convencionou a máscara facial de alegria, comumente vista em muitos passistas de hoje.

A aula do Balé Popular do Recife tem início com um alongamento baseado em aulas de educação física e foi introduzido na década 80 pelos jovens integrantes do Balé Popular do Recife que, a exemplo de Ana Miranda, desenvolvia sua formação nessa área. Em seguida são apresentadas as partes de cada Passo em velocidade lenta até acelerar-se o movimento ao ritmo da música.

Minha experiência como aluna nos dois métodos, leva a questionar a preparação física nos dois casos. Se no método de Nascimento do Passo a preparação ainda é insuficiente, provavelmente pela pouca informação sobre anatomia e organização osteo-muscular e pelas facilidades físicas do próprio passista desenvolvidas durante toda sua vida como trabalhador braçal e depois como artista do frevo que foi aos poucos criando habilidades específicas; o método Brasílica também carece de uma preparação específica para as necessidades da dança do frevo.

O alongamento baseado em exercícios padrão para atletas e ginastas é da mesma forma insuficiente para a ativação e preparação dos diferentes grupos musculares usados na dança do frevo. A idéia de usar os próprios movimentos do frevo para o alongamento e aquecimento encontra ecos em outras técnicas de dança, como o balé clássico, por exemplo, cujos exercícios se desdobram no vocabulário da dança.

A vantagem de tal recurso é que ela dá ênfase a inteligência corporal própria da dança em questão e ativa os grupos musculares e articulações que serão solicitadas posteriormente. Assim, como as técnicas de balé sofreram e sofrem atualizações, levando em conta as novas compreensões do funcionamento e anatomia do corpo, também o alongamento do método Nascimento deve ser embebido desses estudos anatômicos e cinesiológicos para que seja potencializado.

Portanto, a prática pedagógica do frevo hoje exige que seus professores dêem continuidade à reflexão, estudo e criação de procedimentos novos que facilitem e protejam a integridade física dos seus alunos.

Além da preparação corporal, a própria estrutura da aula de frevo pode e deve ser atualizada pelos novos professores. E, nesse sentido, as aulas de frevo refletem questões que permeiam a prática de dança, em diversos estilos.

Fonte: www.associacaoreviva.org.br

Frevo

A palavra frevo nasceu da linguagem simples do povo e vem de "ferver", que as pessoas pronunciavam "frever". Significava fervura, efervescência, agitação. frevo é uma música genuinamente pernambucana do fim do seeculo XIX, acredita-se que sua origem vem das bandas de música, dobrados e polcas. Segundo alguns é a única composição popular no mundo onde a música nasce com a orquestração. Os passos da dança simbolizam uma mistura de danças de salão da Europa, incluindo passos de ballet e dos cossacos.

A dança originou-se dos antigos desfiles quando era preciso que alguns capoeiristas fossem à frente, para defender os músicos das multidões, dançando ao rítmo dos dobrados. Assim nascia o Passo. Os dobrados das bandas geraram o Frevo, que foi assim chamado pela primeira vez em 12/02/1908, no Jornal Pequeno.

Pode-se dizer que o frevo é uma criação de compositores de música ligeira, especialmente para o Carnaval. No decorrer do tempo a música ganhou um gingado inconfundível de passos soltos e acrobáticos. A década de trinta foi um marco para dividir o ritmo em Frevo-de-Rua, Frevo-Canção e Frevo-de-Bloco.

Frevo

Nos anos 30, com a popularização do ritmo pelas gravações em disco e sua transmissão pelos programas do rádio, convencionou-se dividir o frevo em FREVO-DE-RUA (quando puramente instrumental), FREVO-CANÇÃO, (este derivado da ária, tem uma introdução orquestral e andamento melódico, típico dos frevos de rua) e o FREVO-DE-BLOCO. Este último, executado por orquestra de madeiras e cordas (pau e cordas, como são popularmente conhecidas), é chamado pelos compositores mais tradicionais de marcha-de-bloco (Edgard Moraes, falecido em 1974), sendo característica dos "Blocos Carnavalescos Mistos" do Recife.

Frevos de Blocos

Sua origem está ligada a serenatas promovidas por rapazes animados. Sua orquestra é composta de Pau e Corda. Frevos-de-bloco famosos: Valores do passado, Evocação número um, Saudade, dentre outros.

Hino do Galo da Madrugada

(Professor José Mário Chaves)

Ei pessoal, vem moçada
Carnaval começa no Galo da Madrugada (BIS)

A manhã já vem surgindo, 
O sol clareia a cidade com seus raios de cristal
E o Galo da madrugada, já está na rua, saudando o Carnaval
Ei pessoal...

As donzelas estão dormindo
As flores recebendo o orvalho matinal
E o Galo da Madrugada
Já está na rua, saldando o Carnaval
Ei pessoal...

O Galo também é de briga, as esporas afiadas
E a crista é coral
E o Galo da Madrugada, já está na rua
Saldando o Carnaval
Ei pessoal...

Eu quero mais

(Bráulio de Castro e Fátima Castro) 

O carnaval passou findou-se a folia 
Mas a saudade, em mim ficou, 
Ainda ouço os teus guizos de alegria 
Alegorias, de um grande amor 
Recolho trechos de canções e harmonia 
Costuro sonhos com os restos de cetim 
Relembro as luzes que brilhavam 
No teu rosto 
E o teu corpo junto a mim
Eu quero mais amar 
Eu quero mais cantar 
Eu quero mais, as ladeiras de Olinda 
Eu quero mais paixão 
Meu bloco que se fez canção 
Porque pra mim o carnaval não finda. 
(bis)

Valores do Passado

(Edgard Moraes)

Bloco das flores, Andaluzas, Cartomantes 
Camponeses, Após Fum e o bloco Um dia Só 
Os Corações Futuristas, Bobos em Folia, 
Pirilampos de Tejipió 
A Flor da Magnólia 
Lira do Charmion, Sem Rival 
Jacarandá, a Madeira da Fé 
Crisântemos Se Tem Bote e 
Um Dia de Carnaval
Pavão Dourado, Camelo de Ouro e Bebé 
Os queridos Batutas da Boa Vista 
E os Turunas de São José 
Príncipe dos Príncipes brilhou 
Lira da Noite também vibrou 
E o Bloco da Saudade, 
Assim recorda tudo o que passou.

O Bom Sebastião

(Getúlio Cavalcanti)

Quem conheceu Sebastião 
De paletó na mão 
E aquele seu chapéu 
Por certo está comigo crendo 
Que ele está fazendo carnaval no céu 
Maracatu de Dona Santa 
Nunca mais encanta 
Ele já se foi 
Cadê o seu frevar dolente 
Seu andar descrente 
Seu Bumba-meu-boi
Ai!... Ai!... Adeus, adeus Emília 
Eu vou pra Brasília 
Ele Assim falou 
Meu carnaval vai ser bacana 
Com a Mariana ele comentou
Por fim chegou a Manuela 
Ele disse é ela 
Minha inspiração 
E assim cercado de carinho 
Disse adeus sozinho 
O Bom Sebastião

Terceiro Dia

(José Menezes - Geraldo Costa) 

Na madrugada do terceiro dia 
Chega a tristeza e 
Vai embora a alegria 
Os foliões vão regressando 
E o nosso frevo, diz adeus a folia
A noite morre, o sol vem chegando 
E a tristeza vai aumentando 
A gente sente uma saudade sem igual 
Que só termina 
Com um novo carnaval

Evocação n.1

(Nelson Ferreira)

Felinto... Pedro Salgado... 
Guilherme...Fenelon... 
Cadê teus Blocos famosos? 
Bloco das Flores... Andaluzas... 
Pirilampos... Após Fum... 
Dos carnavais saudosos!
Na alta madrugada 
O coro entoava 
Do bloco a marcha-regresso 
Que era o sucesso 
Dos tempos ideais 
Do velho Raul Moraes
Adeus, adeus, minha gente 
Que já cantamos bastante... 
E Recife adormecida 
Ficava a sonhar 
Ao som da triste melodia...

Evocação n.2

(Nelson Ferreira)

O apito tocou, o acorde soou, 
A orquestra vai tocar a introdução... 
E em saudação a Chiquinha Gonzaga... 
Ô abre-alas que eu quero passar... 
Recife, neste carnaval 
Rende homenagem 
Ao sambista brasileiro BIS 
A Noel, Sinhô e Chico Alves, 
Aos ranchos e escolas do Rio de Janeiro 
Maior foi a geração 
De Lamartine, o grande campeão 
O corso na avenida 
Confetes a granel 
Batalhas lá em Vila Izabel!
Recife, cantando evocou 
Os seus heróis de antigos carnavais 
E vem exaltar toda a glória 
Dos cariocas, brasileiros imortais!

Evocação N. 3

(Nelson Ferreira)

Cadê Mário Melo? 
Partiu para a eternidade, 
Deixando na sua cidade 
Um mundo de saudade sem igual! 
Foliões, a nossa reverência 
A sua grande ausência 
Do nosso carnaval...
De braços para o alto, 
Cabelos desgrenhados, 
Frevando sem parar 
Lá vem Mário!
Defendendo Vassourinhas, 
Pão Duro, Dona Santa, 
Dragões, Canidés, 
Lá vem Mário!
Com ele já se abraçaram, 
Felinto, Pedro Salgado, 
Guilherme e Fenelon... 
E no palanque 
Sem fim lá do espaço 
Lá está Mário a bater palmas 
Para o frevo e para o passo.

Sabe Lá Ké Isso

(João Santiago)

Eu quero entrar na folia, meu bem 
Você sabe lá o que é isso 
Batutas de São José, isso é 
Parece que tem feitiço 
Batutas tem atrações que, 
Ninguém pode resistir 
O frevo desses que faz, 
Demais a gente se distinguir
Deixe o frevo rolar 
Eu só quero saber 
Se você vai brincar 
Ah! meu bem sem você 
Não há carnaval 
Vamos cair no passo e a vida gozar

Panorama de Folião

(Luiz de França - Boquinha)

Vem conhecer 
O que é harmonia 
Nesta canção 
O Inocentes apresenta 
Um lindo panorama de folião 
Nossos acordes 
Fazem a mocidade ter alegria 
E faz inveja a muita gente 
Em ver o Inocentes 
Como o rei da folia
Vem, meu bem 
Alegria que o frevo contém 
É a teu coração 
(Inocentes é campeão) 
Vem pegar no meu braço 
Vamos cair no passo sem alteração

Madeira Que Cupim Não Roi

(Capiba)

Madeira do Rosarinho 
Vem a cidade sua fama mostrar 
E traz com seu pessoal 
Seu estandarte tão original
Não vem prá fazer barulho 
Vem só dizer, e com satisfação 
Queiram ou não queiram os juizes 
O nosso bloco é de fato campeão 
E se aquí estamos, 
Cantando esta canção 
Viemos defender 
A nossa tradição 
E dizer bem alto que a injustiça dói 
Nós somos Madeira, de lei, 
Que cupim não roi

A Verdade é Esta

(Edgar Moraes)

Em plena folia querida 
Rebeldes é o bloco 
Que não tem rival 
E vamos com a voz erguida 
Conquistar as glórias 
Deste carnaval 
Vem escutar 
Nossa linda canção 
Que às vezes nos faz chorar 
Em sentir do passado uma recordação 
Sou Rebeldes não temo a ninguém 
Quem quiser venha ver como é 
Que brincamos o carnaval 
Nossa turma cantando com fé 
Faz o passo animado meu bem 
Em Rebeldes Imperial

Lindas Praias

(Luiz Faustino)

As nossas praias tão lindas 
Que nos faz admirar 
Quando Banhistas vem 
Trazendo as morenas 
Prá tomar banho de mar 
Brincando sobre as areias 
Vem todos apreciar 
Olhando as ondas 
Que vão e que vem 
Para saudar 
Aquelas praias originais
Somos Banhistas do Pina 
Viemos lembrar ao povo gentil 
Vamos mostrar 
As lindas praias do meu Brasil.

Canta Toinho

(Nilzo Nery e Margareth Cavalcanti)

Evoluções 
Nas ruas sim 
Meu Bloco canta 
Canções sem fim
Tudo é amor 
Poesias mil 
Meu Bloco chora 
Voce partiu
E na lembrança 
Vem a saudade 
Do nosso amor 
Nossa amizade 
Da tua voz 
Do teu carinho 
E do teu banjo 
Teu cavaquinho
Canta Toinho! 
Canta com agente 
Teu Bloco está na rua 
Precisa estar contente
Canta Toinho! 
Toca o teu violão 
Trás a tua alegria 
Para a nossa canção

Último Regresso

(Getúlio Cavalcanti)

Falam tanto que meu bloco está 
Dando adeus prá nunca mais sair 
E depois que ele desfilar 
Do seu povo vai se despedir 
No regresso de não mais voltar 
Suas pastoras vão pedir:
Não deixem não 
Que um bloco campeão 
Guarde no peito a dor de não cantar 
Um bloco a mais 
É um sonho que se faz 
Nos pastoris da vida singular 
É lindo ver, o dia amanhecer 
Com violões e pastorinhas mil 
Dizendo bem 
Que o Recife tem
O carnaval melhor do meu Brasil

Frevo da Saudade

(Nelson Ferreira - Aldemar Paiva)

Quem tem saudade 
Não está sozinho, 
Tem o carinho, da recordação... 
Por isso quando estou 
Mais isolado 
Estou bem acompanhado 
Com você no coração... 
Uma sorriso, uma frase, uma flor, 
Tudo é você na imaginação.. 
Serpentina ou confete... 
Carnaval de amor... 
Tudo é você no coração... 
Você existe 
Como um anjo de bondade 
E me acompanha 
Neste frevo de saudade 
Lá Lá Lá Lá... etc.

Assim Não Convém

(Lourival Santa Clara)

Me apaixonei por você 
Mas você gosta de alguém 
Vou procurar esquecer BIS 
Porque assim não me convém 
Ainda me lembro 
De um grande amor 
Que eu arranjei foi pelo carnaval 
Tinha uns olhinhos 
Assim como os seus 
Mas ao meu coração 
Eles fizeram mal
Por isso eu não quero 
A você declarar 
Porque meu amor 
Não chegou até o fim 
Pois amanhã não tem 
Mais carnaval 
E você com certeza 
Se esquece de mim

Dia Azul

(Capiba)

O dia amanheceu azul 
Azul tão lindo que me fez sonhar 
Se eu fosse um poeta popular 
Cantava as belezas BIS 
Desse dia sem igual 
Mas como eu não tenho 
O dom do saber 
Melhor esse dia esquecer
Mas se madeira aparecer 
Eu não sei o que vai ser 
O que vou fazer então 
Eu, com Madeira vou cantar 
Vou prás ruas vou dançar 
Com a multidão

Onde Andará Maria?

(Diná / Fernando / Rinaldo / Valdemar de Oliveira)

Antigamente 
Quando eu ouvia 
Vindo de longe 
A orquestra do meu bloco 
De braços dados com Maria BIS 
Cantava alegre 
Até o romper do dia
Meu Deus do Céu 
Meu Deus do Céu BIS 
Onde andará Maria?
Maria sorrindo 
O povo na rua 
Cantava, cantava, cantava 
Maria dançando 
O mundo que gira 
Parava, parava, parava
E em toda a cidade 
O que era tristeza 
Virava alegria BIS 
E eu era feliz 
Carregando em meus braços Maria

Os Blocos Estão Voltando

(Getúlio Cavalcanti)

Nas ruas da minha cidade 
A felicidade chegou cantando 
Sonhos vão renascendo 
Sabendo que os blocos estão voltando 
Ai Lili, como eu gostei de ti 
Vejo em Aurora de Amor, 
Misto de paz e calor, 
Ilusões, te amo de verdade 
Ao entardecer, vou me perder 
No Bloco da Saudade Bis

A Dor de Uma Saudade

(Edgard Moraes)

A dor de uma saudade 
Vive sempre em meu coração 
Ao relembrar alguém que partiu 
Deixando a recordação, nunca mais ... 
Hão de voltar os tempos 
Felizes que passei em outros carnavais 
Cantar! oh! cantar 
É um bem que do céu nos vem 
Se algumas vezes nos faz chorar 
Ante os revezes nos rir também 
Cantar! oh! cantar 
Com expressão de uma emoção 
Que nasce d'alma e vem dizer ao coração 
Que a vida é uma canção

Lily

(Manoel Malta)

A vida é muito bela eu gosto dela 
Problemas já joguei pela janela 
Fiquei aquí tocando meu trombone 
Troquei meu tamborim pelo seu nome
No bloco do folguedo 
Encontrei minha Lily 
Tão Linda como nunca mais 
Jamais então eu vi
Lily, Lily, cadê você? 
Por onde andou, flauteava redondinha 
A vida inteira, inteirinha
Mas você, faz tanta falta 
Porque agora 
Nem sempre Lily toca Flauta.

Aurora de Amor

(Romero Amorim e Maurício Cavalcanti)

Meu Recife eu te lembro 
De Aurora à janela 
Debruçada tão bela - (bis) 
Sobre o Capibaribe 
O seu rio namorado 
E a sorrir flamboyants 
Em vermelhos rendados 
E se amando no espelho 
Sob o sol das manhãs (bis)
E nessa lembrança 
A vida era linda! 
E a gente ainda seria criança 
Eu Imperador, você Imperatriz! 
E na fantasia a gente sorria feliz (bis) 
Nessa Aurora de amor 
E o tempo passou 
E a gente cresceu 
E o sonho acabou 
E a gente se perdeu...
Mas quem sabe se agora neste carnaval 
Você Colombina e eu Pierrô 
A gente se encontra ainda 
Quem sabe num bloco de amor! (bis) 
Chamado saudade!

Regresso de Aurora

(Maurício Cavalcanti e Marcelo Varela)

Muito obrigado senhoras e senhores 
Adeus amores nós vamos regressar 
Missão cumprida agora é só lembrança 
E a certeza de um dia aqui voltar
Adeus, Aurora o teu amor fascina 
Toda cidade te acompanhou 
Agora resta a dor de ir embora 
Adeus Aurora, o carnaval findou (Bis)

Paraquedista

(Roberto Bozan)

Quem me chamou paraquedista 
Não pense que eu vou chorar 
A vida só é boa assim BIS 
Comp e, tu de lá 
E eu de cá
És muito jovem, prá comparar 
Este Madeira tradicional 
Agora chegou a minha vez 
De gargalhar, 
Quá! quá! quá! quá!

Sonhos e Luz

(Cláudio Almeida e Humberto Vieira)

Chegou o Bloco da Saudade 
Um mar 
Azul, branco e encarnado 
De vozes, brilho 
Todo iluminado 
Entoando "Valores do Passado" 
Mas nas ruas em que passa com alegria 
De um certo amigo 
O bloco não esquece 
Traz no rosto o carinho estampado 
Seu jeito manso sempre acontece
Moço, vem ver sua Diva 
Girando com Abre-alas na mão 
Na rua da Imperatriz 
Onde sempre quis 
Voce era feliz 
Lúcio, dos cabelos brancos 
Campos, de sonhos de luz 
Veja o seu bloco em saudade 
Sorrir na cidade 
Prá você cantar 
"Cantar , oh cantar..."

Salve, Salve, Emiliano

(Getúlio Cavalcanti)

Sempre que o Bloco da Saudade sai 
Alegria vem, alegria vai 
Emiliano sabe comandar 
Com seu bombardino a nos acompanhar 
E o nosso bloco mais feliz ficou 
Foi Emiliano quem nos encantou 
Recife, amante convencida 
Teus pés, beijados pelo mar 
Não deixes a sós 
Teus velhos heróis, 
Cansados de te venerar
Olinda muito mais eterna 
Abriu seu velho coração 
Ao Bloco da Saudade que agora chegou 
Trazendo Emiliano, em seu cordão.

Frutos da Saudade

(Cláudio Almeida e Humberto Vieira)

Um dia o poeta sonhou 
Ver os blocos de novo 
Nas ruas cantando 
Em meio a tanta folia 
No Bloco da Saudade pensou: 
Quero alegria, 
Anjos, poesia, 
Muito mais blocos no carnaval
Quando Lily Toca Flauta 
Recife explode em Aurora de Amor 
E o Bloco das Ilusões vai passar 
Em Olinda Eu Quero Cantar 
As mais doces melodias 
Do Bloco EU QUERO MAIS.

Relembrando o Passado

(João Santiago)

Vou relembrar o passado 
Do meu carnaval de fervor 
Neste Recife afamado 
De blocos forjados 
Na luz e esplendor 
Na rua da Imperatriz 
Eu era muito feliz, 
Vendo os blocos desfilar 
Escuta Apolônio 
Que eu vou relembrar
Os Camponeses, Camelo e Pavão 
Bobos em Folia do Sebastião 
Também Flor da Lira 
Com seus violões 
Impressionavam 
Com suas canções.

Vamos Regressar

(João Santiago)

Adeus, 
Chegou a hora de partir 
Adeus, 
É madrugada vamos recolher 
Agora é recordar amores 
E a tristeza esquecer 
A vida é amor, 
Sorriso esplendor 
Razão de todo bem querer
Se a saudade um dia chegar 
Nunca a tristeza irá encontrar 
Só alegria, encontra em mim 
A vida é folia, sem fim.

Despedida

(Raul Moraes)

Adeus oh minha gente 
O bloco vai embora 
Sentindo que a alma chora 
E coração fremente 
Diz, Finou-se o carnaval 
Até para o ano adeus 
Guarda nossa saudade 
Que implorando aos céus 
Felicidade e paz 
Pra nossa alma Liberal
Essa canção saudosa 
É de fazer chorar 
E sempre a recordar 
Essa gente buliçosa 
De Regresso a Cantar.

Regresso do bloco EU QUERO MAIS

(Bráulio de Castro)

O nosso regresso 
Não pode ser triste 
Porque nós sabemos 
Que tristeza aquí não resiste 
O ano que vem 
Iremos voltar 
Para mostrar a vocês 
Que este sonho bom 
Não se desfaz
Adeus orquestra 
Adeus pastoras 
Adeus foliões 
Adeus brincadeira 
EU QUERO MAIS está regressando 
Até para o ano 
Sete dias depois do Zé Pereira.

Frevos Canção

No fim do século passado surgiram melodias bonitas como a marcha número um do Vassourinhas, atualmente convertida no hino oficial do carnaval recifense. É constituído por uma introdução forte de frevo, seguida de canção, concluindo novamente com frevo.

Eu quero mais

(Nilzo Nery)

Depois do Eu Acho é Pouco 
Vou sair no EU QUERO MAIS 
Eu quero mais 
Quero mais, quero mais 
Amigo(a) vamos nessa 
Eu não vou ficar atrás 
Eu quero mais, 
Quero mais, quero mais
A turma já esta cantando, 
O frevo esta aquecendo, 
A sopa está esquentando 
EU QUERO MAIS está fervendo.

Olinda N.2

(Clóvis Vieira e Clidio Nigro)

Ao som dos clarins de Momo 
O povo aclama com todo ardor 
O Elefante exaltando 
A sua tradição 
E também o seu explendor 
Olinda esse meu canto 
Foi inspirado em seu louvor 
Entre confetes e serpentinas 
Venho lhe oferecer 
Com alegria o meu amor.
Olinda! 
Quero cantar 
A ti, esta canção 
Teus coqueirais 
O teu sol, o teu mar 
Faz vibrar meu coração 
De amor a sonhar 
Minha Olinda sem igual 
Salve o teu carnaval.

Hino da Pitombeira

A turma da Pitombeira 
Na cachaça é a maior 
Se a turma não saisse 
Não havia carnaval 
Se a turma não saisse 
Não havia carnaval
Bate bate com doce 
Eu também quero 
Eu também quero 
Eu também quero 
(Bis)

Hino de Ceroula

Eu vou este ano à Lua 
Não é privilégio 
Foguete já tem 
Eu quero ver se o carnaval de rua 
Collin e Armstrong disseram que tem 
Eu quero ver se tem troça que escolha 
Como em Olinda que tem a Ceroula 
Mas se tiver para mim é legal 
Passarei lá na Lua todo o carnaval 
Mas se tiver para mim é legal 
Passarei lá na Lua todo o carnaval.

Banho de Conde

(Wilson Wanderley e Clidio Nigro)

Vou formar a turma 
Prá tomar banho na beira do mar 
Vou ficar molhado 
Eu vou dar água pelo carnaval 
Vem padroeiro fiché 
Que eu acendi o painel 
Não mergulhei, mas me afoguei 
Um banho de maré tomei.

Recife N.1

(Antônio Maria)

Ô, ô, ô, ô saudade 
Saudade tão grande 
Saudade que eu sinto 
Do Clube das Pás do Vassouras 
Passistas traçando tesouras 
Nas ruas repletas de lá 
Batidas de bombos 
São maracatus retardados 
Chegando à cidade cançados 
Com seus estandartes no ar
Que adianta se o Recife está longe 
E a saudade é tão grande 
Que eu até me embaraço 
Parece que eu vejo 
Walfrido Cebola no passo 
Aroldo Fatia Colaço 
Recife está perto de mim.

Recife N.2

(Antonio Maria)

Ai que saudade 
Vem do meu Recife 
Da minha gente que ficou por lá 
Quando eu pensava 
Chorava, falava 
Dizia Bobagem, marcava viagem 
Mas nem resolvia se ia 
Vou-me embora, vou-me embora 
Vou-me embora prá lá
Mas tem que ser depressa 
Tem que ser prá já 
Eu quero sem demora 
O que ficou por lá 
Vou ver a Rua Nova 
Imperatriz, Imperador 
Vou ver se for possível meu amor

Recife N. 3

(Capiba)

Sou do Recife 
Com orgulho e com saudade 
Sou do Recife 
Com vontade de chorar 
O rio passa levando barcaça 
Pro alto do mar 
Em mim não passa 
Essa vontade de chorar
Recife mandou me chamar 
Capiba e Zumba 
A essa hora onde é que estão 
Inês e Roza 
Em que reinado reinarão 
Ascenso me mande um cartão 
Rua Antiga da Harmonia 
Da Amizade, da Saudade e da União 
São lembranças noite e dia 
Nelson Ferreira 
Toca aquela introdução.

Bom Danado

Êta frevo bom danado 
Êta povo animado 
Quando o frevo 
Começa parece que o mundo 
Já vai acabar, hei! 
Quem cai no passo 
Não quer mais parar 
(bis)
Adeus meu bem eu vou 
No frevo me espalhar 
Não precisa ter cuidado 
Nem tão pouco me esperar 
Compre fiado 
Se o dinheiro não chegar 
Tome contaa dos meninos 
Quarta-feira vou voltar

A Mais de Mil

(Getúlio Cavalcanti)

Me dá, me dá 
O teu amor Maria 
Tem dó, tem dó 
Eu quero ser teu xodó 
(bis)
No teu balanço em vou 
Me balançar 
Na praça da preguiça 
Agente vai se espreguiçar 
E na subida da praça da Sé 
Agente cai no frevo 
A mais de mil tomando mé

A Pisada é Essa

(Capiba)

Quando a vida é boa 
Não precisa pressa 
Até quarta-feira 
A pisada é essa 
Prá que vida melhor 
Fale quem tiver boca 
Eu nunca vi coisa assim 
Oh que gente tão louca
Eu quero ver 
Carvão queimar 
Eu quero ver queimar carvão 
Eu quero ver daqui a pouco 
Pegar fogo no salão

Bom Demais

(J. Michilles)

Tem mais que estar nessa 
Fazendo misura na ponta do pé 
Quando o frevo começa 
Ninguém me segura. 
Vem ver como é
O frevo madruga 
Lá em São José 
Depois em Olinda 
Na praça do Jacaré
Bom demais, bom demais 
Bom demais, bom demais 
Menina vem depressa 
Que esse frevo é bom demais
Bom demais, bom demais 
Bom demais, bom demais 
Menina vamos nessa 
Que esse frevo é bom demais.

Quarta Feira Ingrata

É de fazer chorar 
Quando o dia amanhece 
Que eu vejo 
O frevo acabar 
Oh Quarta Feira ingrata 
Chega tão depressa 
Só pra contrariar
Quém é de fato 
Bom pernambucano 
Espera o ano 
Pra cair na brincadeira 
Esquece tudo 
Quando cai no frevo 
E no melhor da festa 
Chega a Quarta Feira.

Frevo de rua

O frevo-de-rua é composto de uma introdução geralmente de 16 compassos seguindo-se da chamada "resposta", de igual número de compassos, que por sua vez antecede a segunda parte, que nem sempre é uma repetição da introdução.

Divide-se o frevo-de-rua, segundo terminologia usada entre músicos e compositores, em frevo-de-abafo (chamado também frevo-de-encontro) onde predominam as notas longas tocadas pelos metais, com a finalidade de diminuir a sonoridade da orquestra do clube rival; frevo-coqueiro, uma variante do primeiro formado por notas curtas e agudas, andamento rápido, distanciando-se, pela altura, do pentagrama; o frevo-ventania é de uma linha melódica bem movimentada, na qual predominam as palhetas na execução das semicolcheias, ficando numa tonalidade intermediária entre o grave e o agudo; o terceiro tipo, no qual trabalham os novos compositores, é o chamado frevo-de-salão que é um misto dos três outros tipos e, como o nome está a dizer, é justamente como o frevo-ventania, executado única e exclusivamente nos salões, por explorar muito pouco os metais da orquestra, em favor da predominância das palhetas.

Para o musicólogo Guerra Peixe , in Nova história da Música Popular Brasileira - Capiba, Nelson Ferreira (Rio, 1978), é "o frevo a mais importante expressão musical popular, por um simples fato: é a única música popular que não admite o compositor de orelha. Isto é, não basta saber bater numa caixa de fósforos ou solfejar para compor um frevo. Antes de mais nada o compositor de frevo tem de ser músico. Tem que entender de orquestração, principalmente. Pode até, não ser um orquestrador dos melhores, mas, ao compor, sabe o que cabe a cada seção instrumental de uma orquestra ou banda. Pode, inclusive, não ser perito em escrever pautas, mas, na hora de compor, ele sabe dizer ao técnico que escreverá a pauta, o que ele quer que cada instrumento faça e em que momento. Se ele não tiver esta capacidade musical não será um compositor de frevo".

Frevo do Capote

O Bloco Carnavalesco CAPOTE DA MADRUGADA é composto por Pernambucanos e Piauienses, e é mantido pela Assoc. dos Pernambucanos e Amigos Piauienses na Cidade de Teresina (Piauí).

Compositores:

Fábio Nóbrega (Piauí)

Teófilo Lima (Piauí)

Mário Aragão (Pernambuco)

Romero Soriano (Pernambuco)

Interprete:

Teófilo Lima

Gravação:

Stúdio do Roraima em Teresina (PI)

Letra:

Capote na Madrugada
Piauízando todo o País
Capote da Madrugada
Pernambucanamente Feliz

O Capote não dorme de noite, de dia, na madrugada
Sai pra namorar bicar as capotinhas
Diz que vai ciscar em toda Teresina
E que só termina quando o sol raiar

Capote na Madrugada
Piauízando todo o País
Capote da Madrugada
Pernambucanamente Feliz

O som do "P" do Pernambuco
Ë o mesmo som do "P" do Piauí
Capibaribe, Beberibe, Parnaíba e Poty
Se lá tem Pitomba e Jambo
Aqui tem Cajú e Pequi

Capote na Madrugada
Piauízando todo o País
Capote da Madrugada
Pernambucanamente Feliz

Fonte: www.arteducacao.pro.br

Frevo

 

O frevo é um ritmo pernambucano que surgiu da interação entre músicas e danças folclóricas, no final do século XIX, em Recife durante a comemoração do carnaval.

O nome frevo veio bem depois do ritmo já consolidado. Muito depressa esse ritmo começou a se desenvolver conquistando todo Brasil.

Hoje em dia, muitos instrumentos que eram incomuns naépoca começaram a ser introduzidos no estilo, como por exemplo a guitarra. Os guitarristas tiveram que desenvolver uma linguagem muito peculiar para adaptar as linhas que foram escritas para outros instrumentos.

O DESPERTAR DO FREVO

O frevo é um ritmo pernambucano, é uma dança carnavalesca própria, original, nascida do povo. Surgido no Recife no final do Século XIX e é, sem sombra de dúvidas, uma das criações mais originais dos mestiços da baixa classe média urbana brasileira, na sua maioria instrumentistas de bandas militares tocadores de marchas e de dobrados , ou componentes de grupos especialistas em música de dança do fim do século XIX tocadores de polcas, tangos, quadrilhas e maxixes como disse Tinhorão1.

Na verdade, o frevo é um amálgama destes gêneros musicais. A marcha e a polca não tinham introdução, assim começou a ser estabelecida as diferenças do frevo: introdução sincopada, com quiálteras.

TINHORÃO, Jose Ramos. Pequena história da música popular brasileira

Desta forma concluímos que assim como o maxixe, o frevo surgiu da interação entre a música e a dança. "O frevo fixou sua estrutura numa vertiginosa evolução da música das bandas de rua, de inícios da década de 1880 até aos primeiros anos do século XX". (TINHORÃO, 1978).

Os estudiosos do frevo são unanimes em concordar que a origem dos passos se deu pela presença de capoeiras nos desfiles de bandas musicais militares, no Recife no final do século XIX.Acontece as bandas militares que também acompanhavam os desfiles das agremiações carnavalescas, e no meio dos foliões que brincavam o carnaval estavam os capoeiras disfarçando as manobras da luta marcial em gingas mais leves, aparentemente inofensivas.

Como esses capoeiristas eram perseguidos pela polícia, precisavam de disfarces para acompanhar as bandas, agora nos clubes. Desta maneira, os passistas modificaram seus golpes ao acompanhar a música, assim surgiu o "passo". Trocaram suas antigas armas de defesa pelos símbolos dos clubes.

A sombrinha toda colorida é um exemplo de uma estilização utilizada inicialmente como armas para ataque e defesa, já que a prática da capoeira estava proibida. Podemos dizer que hoje em dia é o ornamento que mais caracteriza o passista e é um dos principais símbolos do carnaval de Pernambuco.Era de costume cada banda de música tomar partido entre os capoeiristas. Não apenas torcer, mas acompanhá-las pelas ruas, e brigar por elas.

O costume de valentões abrirem caminho de desfiles gingando e aplicando rasteiras sempre fora comum em outros centros urbanos, como o Rio de Janeiro e Salvador, principalmente nas saídas de procissões. No caso especial do Recife, porém, a existência de duas bandas rivais em importância serviu para dividir os capoeiras em dois partidos.

E estabelecia essa rivalidade, os grupos de capoeiras começaram a demonstrar as excelências da sua fragilidade à frente das bandas do Quarto e do Espanha*, aproveitando o som da musga para elaborar uma complicada coreografia de balizas, uma vez que todos usavam bengalas ou cacetes da duríssima madeira de quiri. (TINHORÃO, 19782).

Tinhorão descreve que a partir da década de 1880 a música de rua do Recife deixou de ser fornecida apenas por bandas militares, segundo ele, nesta década surgiu as fanfarras a serviço de humildes trabalhadores urbanos.

As fanfarras eram constituídas por instrumentos de metal, pela velha tradição bandística do povo pernambucano. Os compositores adicionaram à fanfarra o caixa (tarol) que sustenta o ritmo o tempo inteiro, com a finalidade de controlar a multidão incontrolável. Desenvolveram, também, artifícios que levaram o frevo a desdobrar-se em subgêneros.

Assim nasceu um espírito de criação espontânea, pois os músicos se viram livres, não existia mais a obrigação de se prender a dobrados, e hinos marciais.

Os músicos anseavam por mais animação, músicas mais vivas, impetuosas, mais barulhentas. Então, quando menos se viu, a música já tinha ganhado características próprias. A denominação "frevo" veio muito tempo depois da sua criação.

O frevo completou cem anos, em fevereiro. Porém, a data que foi oficializada teve como referência a primeira vez que a palavra frevo foi divulgada na imprensa, em nove de fevereiro de 1907. Porém, como falamos, no capítulo anterior, que fala sobre o despertar do frevo: o nome frevo veio muito tempo depois do nascimento da dança.

Da criação da música até seu batismo demorou bastante, imagine até a primeira divulgação na mídia. Naquela época o frevo não era ainda considerado como um gênero musical, mas sim folia, rebuliço, multidão "freveno", ou seja, fervendonas ruas.

A DENOMINAÇÃO "FREVO"

A palavra "frevo" vem da da linguagem simples do povo: "eu frevo todo." Querendo dizer que ferve todo ao ouvir essa música. Ferver ou frever estáno sentido de efervescência, agitação, confusão, rebuliço; o apertão nas reuniões de grande massa popular no seu vai-e-vem em direções opostas, como o carnaval, de acordo com o Vocabulário Pernambucano, de Pereira da Costa.

A palavra ferver, também pode ser porque o estilo da dança faz parecer que abaixo dos pés das pessoas exista uma superfície com água fervendo. Este estilo pernambucano de carnaval é um tipo de marchinha bastante acelerada, que, ao contrário de outras músicas carnavalescas.

AS CARACTERÍSTICAS MUSICAIS DO FREVO

Uma das características do frevo é ter o ritmo demasiadamente acelerado, pois, foi certamente uma criação de compositores de música ligeira feita para o carnaval. Os músicos queriam que o povo usufruisse de mais animação nos folguedos.

Desta forma, no decorrer do tempo, a música foi ganhando características próprias, acompanhadas por um bailado inconfundível de passos soltos e acrobáticos.Talvez seja a única composição popular no mundo onde a música nasce com a orquestração.

É característica do frevo possuir compasso binário ou quaternário, isso irá depender da composição, de ritmo frequentemente sincopado, obrigando a movimentos que chegam a paroxismos frenéticos e lembram, por vezes, o delírio. É uma das músicas mais vivas e mais brejeiras do folclore brasileiro.

A comunicabilidade que sua música transmite é tão contagiante que acaba por atrair todos que passam, para tomar parte nos folguedos. É uma dança de multidão onde todas as classes sociais se confundem em promiscuidade democrática.

O RITMO DO FREVO

Como já foi dito, o frevo é um ritmo nordestino (de Recife) que surgiu da interação entre músicas e danças folclóricas, no final do século XIX. Seu carácter instrumental se dá pelo fato dos primeiros grupos terem surgido das bandas militares, por isso era comum usar vários instrumenhtos de banda marcial.

Também por causa da forte ligação com as bandas militares, não apresenta a rítmica muito sincopada nas partes graves. Enquanto nas melodias, comumente são apresentadas várias síncopes e acentuações no contra tempo. O andamento acelerado, como também dissemos, é outra característica marcante do frevo. E quando é mais rápido que o normal chamamos frevoventania. Quando mais lento, chamamos de marcha-rancho, é usado para canções, pois facilita a articulação da letra.

É escrito normalmente em 2/4 mas está se tornando cada vez mais comum encontrar partituras em 4/4. Podemos encontrar também o uso de ¾. A melodia é sincopada o tempo todo. A guitarra vem sido utilizada no frevo recentemente. Normalmente é a melodia tocada por uma flauta piccolo com um uso intenso de enfeites e contraponto melódico.

O contrabaixo é bem como no jazz "walking bass", observa-se que as harmonias são bastante simples, geralmente turnarouds. . O frevo frequenta ruas e salões no carnaval pernambucano, arrastando multidões num delírio contagiante. As composições musicais são a alma da coreografia variada, complexa e acrobática. Na década de trinta surgiu a divisão do frevo, dependendo da estruturação musical os frevos podem ser:Frevo-de-Rua, Frevo-Canção, Frevo-de-Bloco.

TIPOS DE FREVO

Frevo-de-Rua

As características desse frevo não se assemelham com nenhuma outra música brasileira, nem de outro país. A diferença está na ausência completa de letra. É feito exclusivamente para ser dançado. Geralmente, é composto de uma introdução de 16 compassos seguido da chamada "resposta", com o mesmo número de compassos, que por sua vez antecede a segunda parte, mas nem sempre é uma repetição da introdução.

Este estilo tem as modalidades, segundo terminologia usada entre músicos e compositores, de: frevo-abafo é chamado também de frevo-de-encontro. Onde há predominância de notas longas tocadas por instrumentos de metal, como pistões e trombones principalmente.

Assim diminuíam a sonoridade da orquestra rival. Por isso ganhou esse nome, pois geralmente tocavam para "abafar" qualquer outra banda que estivesse passando na rua; frevo-coqueiro formado por notas curtas e agudas, com um andamento rápido e frevo-ventania é o mais suave dos três, tranquilo.

Possui uma linha melódica bem movimentada, aonde há predominância das palhetas na execução das semicolcheias. Fica-se numa tonalidade intermediária entre o grave e o agudo. O frevo acaba, temporariamente, em um acorde longo e perfeito. De acordo com o entendimento do musicólogo Guerra Peixe.

O frevo a mais importante expressão musical popular, por um simples fato: é a única música popular que não admite o compositor de orelha. Isto é, não basta saber bater numa caixa de fósforos ou solfejar para compor um frevo. Antes de mais nada o compositor de frevo tem de ser músico. Tem que entender de orquestração, principalmente.

Pode até, não ser um orquestrador dos melhores, mas, ao compor, sabe o que cabe a cada seção instrumental de uma orquestra ou banda. Pode, inclusive, não ser perito em escrever pautas, mas, na hora de compor, ele sabe dizer ao técnico que escreverá a pauta, o que ele quer que cada instrumento faça e em que momento. Se ele não tiver esta capacidade musical não será um compositor de frevo. (PEIXE, 1978).

Frevo-Canção

É uma forma mais lenta de frevo,tem vários aspectos semelhantes à marchinha carioca. É constituído por uma introdução forte de frevo, seguida de canção, mas logo lhe foram acrescentados elementos de frevo, como a marcação do surdo e o tarol.

Nos fins do século passado surgiram melodias bonitas que estavam presentes tanto nos bailes sociais, como nas ruas e eram capazes de animar a qualquer reunião e enlouquecer o passista. É originário do frevo-de-rua, que passou a incorporar melodias à sua música.

Frevo-de-Bloco

Surgiu a partir de 1915, de serenatas feita por agrupamento de rapazes, que participavam simultaneamente, dos carnavais de rua da época. É executado por Orquestras de Pau e Corda, com violões, banjos e cavaquinhos. Suas letras e melodias, muitas vezes interpretadas por corais femininos. Nas últimas três décadas observou-se a introdução de clarineta. Sua música e dança têm traços fortes dos pastoris.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

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FARIA, Nelson. A Arte da Improvisação. Rio de Janeiro: Lumiar, 1991. 75 pág.
FARIA, Nelson. The Brazilian Guitar Book. USA: Sher Music Company, 1995. 144 pág.
FARIA, Nelson. e KORMAN, Cliff. Inside the brazilian rhythm section 2. USA: Sher Music Company, 2001. 111 pág.
FORTES, Leandro Rodrigues. A aplicação da rítmica brasileira na improvisação: Uma abordagem sobre algumas possibilidades. Florianópolis: Universidade do Estado de Santa Catarina  UDESC, Centro de Artes  CEART, 2007. 65 pág.
GUERRA-PEIXE, César. Nova história da Música Popular Brasileira  Capiba e Nelson Ferreira. Rio: Ed. Abril, 1978.
LIMA, Claudia M. de Assis Rocha. Carnaval Pernambucano  Frevo. Pernambuco: Usina de letras. Acessível em: <http://www.fundaj.gov.br/docs/text/carnav2.html> Data de acesso: 31/07/2008.
OLIVEIRA, Valdemar de. O Frevo. Olinda: Olinda on-line. Acesso: <http://www.olinda.com.br/carnaval/frevo>Data de acesso: 28/07/2008.
ROCCA, Edgard. Ritmos brasileiros e seus instrumentos de Percussão. Rio de Janeiro: Europa, 1986. Xx pág.
TELES, José. E o frevo segue seu compasso... Especial para o JC Online. Acessível em: <http://www2.uol.com.br/JC/sites/100anosfrevo/história_telles.htm> Data de acesso: 23/07/2008.
TINHORÃO, Jose Ramos. Pequena história da música popular brasileira (da modinha à canção de protesto) 3a ed. Petrópolis, RJ: Ed. Vozes, 1978. 244 pág.
REFERÊNCIAS :O Frevo, As Características do Ritmo e Estilo publicado 7/11/2008 por Silas Ribeiro

Fonte: www.webartigos.com

Frevo

Derivado da polca marcial, inicialmente chamado "marcha nortista" ou "marcha pernambucana", o frevo dos primórdios trazia capoeiristas à frente do cortejo.

Das gingas e rasteiras que eles usavam para abrir caminho teria nascido o passo, que também lembra as czardas russas.

Os bailarinos usam uma sombrinha colorida, que seria uma estilização das utilizadas inicialmente como armas de defesa dos passistas. De instrumental, o gênero ganhou letra no frevo canção e saiu do âmbito pernambucano para tomar o país.

Com uma marcha em tempo binário e andamento rapidíssimo, o frevo invadiria o carnaval carioca em 1957, derrotando a marchinha e o samba com a canção Evocação No. 1, de Nelson Ferreira, gravado pelo Bloco Batutas de São José (o chamado frevo de bloco). Cantores como Claudionor Germano e Expedito Baracho se transformariam em especialistas no ramo.

Um dos principais autores do samba-canção de fossa, Antônio Maria (Araújo de Morais, 1921-1964) não negou suas origens pernambucanas na série de frevos (do número 1 ao 3) que dedicou ao Recife natal.

O gênero esfuziante sensibilizou mesmo a intimista bossa nova. De Tom Jobim e Vinicius de Moraes (Frevo) a Marcos e Paulo Sérgio Valle (Pelas Ruas do Recife) e Edu Lobo (No Cordão da Saideira) todos investiram no (com)passo acelerado que também contagiou Gilberto Gil a municiar de guitarras seu frevo Rasgado em plena erupção tropicalista. Também se renderam ao frevo Chico Buarque, Alcione, Lulu Santos e Gilberto Gil a Jackson do Pandeiro, Elba e Zé Ramalho, Geraldo Azevedo, Fagner e Alceu Valença.

Fonte: Clique Music

Frevo

UM MOVIMENTO POPULAR CHAMADO FREVO

No século XIX, as transformações das festividades carnavalescas acontecem de forma lenta. Durante o Império, em meados desse século, o carnaval sofre uma ruptura fundamental, o divertimento público é privatizado por clubes, que organizam para seus sócios bailes carnavalescos para divertimento, exclusivo, da elite, em oposição ao entrudo, coisa de gentinha, evento de rua, alvo da repressão policial.

Seguindo o novo modelo de carnaval veneziano das máscaras e figuras da commedia dell arte italiana de Pierrôs, Arlequins, Colombinas e dominós de seda, o carnaval de rua da burguesia, no Brasil, passa a ser o corso, desfile de carros abertos, batalhas de flores, seguindo os moldes de Paris.

O carnaval, até então, uma brincadeira pública, passa a ter entrada paga e desfile de rua elitista, incorporando à festividade nacional a civilidade européia das festas fechadas dos salões. O Jornal do Commércio de 4 de fevereiro de 1856, anuncia que a elite paulista também havia aderido ao carnaval veneziano, repudiando o entrudo moleque.

Também em 1856, houve a proibição aos capoeiristas pelo governo da província de Pernambuco, na mesma época em que as limas-de-cheiro e os entrudos. No Rio de Janeiro também os capoeiras eram alvo dessas proibições. No entanto, durante o Império e início da República, os capoeiras costumavam aliar-se a pessoas influentes e ricas, sobretudo, a políticos e chefes de partidos que lhes ofereciam proteção em troca de serviços como capangas.

No Recife, particularmente, desde a metade do século XIX, as rivalidades dos partidos de capoeiras costumavam se manifestar no extremado partidarismo pelas bandas de músicas existente na cidade. Os capoeiristas adotavam uma banda marcial como de sua preferência e consideravam adversárias todas as outras. Costumavam sair à frente, abrindo passagem, pulando, saltando, dando pernadas. Essas disputas e confrontos entre os capoeiras que apoiavam determinadas bandas de música militar, foram rigorosamente reprimidos pela polícia.

Na passagem da Abolição, em 1888, para o carnaval de 1889, uma nova gama de atores é inserida no carnaval de rua. Engrossando a massa dos excluídos urbanos, os exescravos migraram das fazendas e engenhos, para o centro das cidades em busca de novas oportunidades e, principalmente, de forma mais acentuada, para as atividades portuárias, no caso das capitais do litoral, tendo como exemplos: Recife, Salvador e Rio de Janeiro.

Nesse contexto, uma população majoritariamente analfabeta, inicia uma nova ordem cultural na trajetória da sociedade brasileira. Ao final do século XIX, com o advento da República, inicia-se um período de intensas e rápidas mudanças. De um lado a elite dirigente empenhada em modelar e controlar a massa popular e, do outro, grupos de pessoas que se viram forçados a mudar, ajustar e reajustar seus modos de vida e valores, sucessivas vezes.

O contraste da diversidade étnica envolve uma problemática aguda, pois sendo o negro considerado um ser a-histórico, também suas manifestações, seus padrões de organização e suas tradições, não faziam parte do passado do país, por conseguinte, fora dos registros históricos ou percebidos por um viés preconceituoso.

Difícil é superar a barreira imposta pelos cronistas e pesquisadores, que não percebiam a amplitude da pluralidade formadora das classes populares, suas experiências através da convivência com outros seguimentos étnicos e sociais, amalgamando crenças e tradições culturais, implicando em adaptações e reestruturações.

Na dinâmica dos fenômenos culturais permanecem aqueles que detiveram e imprimiram seus símbolos. Tais grupos externaram concretamente suas marcas e, mesmo sendo o aparato dos registros restritos as crônicas policiais e as crônicas de insensíveis jornalistas, pode ser constatado que a superação foi o instrumento de liga para a malta barulhenta do carnaval.

Assim, o carnaval de rua do Recife é reescrito e definido por estas classes populares. O que não pode ficar a margem dessa história é o papel desse movimento social de liberação, em relação ao carnaval de Pernambuco.

Romancear a história do frevo em datas estanques, é, no mínimo, maquiar a verdade.

Diferente da quase unanimidade dos estudos sobre este fenômeno popular denominado frevo, sua criação é fruto de um processo que é iniciado através das bandas marciais, comuns nos festejos públicos e religiosos de todo o Brasil. Em meados do século XIX, quando da proibição dos capoeiras à frente das bandas marciais, as agremiações carnavalescas populares, foi o espaço que abrigou esse grupo popular. Entretanto, os mesmos músicos que compunham as bandas marciais, também faziam parte das fanfarras que acompanhavam as agremiações carnavalescas populares como os Clubes Pedestres.

Assim, em decorrência desse processo de migração dos capoeiras das bandas marciais para os Clubes Pedestres, acontece o nascimento de um conjunto coreográfico e rítmico que desse suporte as manobras dos capoeiras, que também seguiam a frente dessas agremiações, na guarda de seus símbolos, como o estandarte. Esse novo composto musical foi trabalhado e perpetuado pelos Clubes Pedestres, principalmente, depois de 1888, com o aumento da massa popular.

Por volta de 1880, os Clubes Carnavalescos Pedestres passa a ter maior destaque no cenário do carnaval de rua do Recife. Os Clubes Pedestres, oriundos da classe trabalhadora urbana pobre e remediada. Esses grupos, inicialmente, são originados nas organizações religiosas e profissionais, daí suas denominações remeterem as suas ocupações cotidianas
como: espanadores, vassourinhas, caiadores, etc.

Naquele momento, a questão social do país e, em particular no Recife, passa a ser retratada nos festejos carnavalescos de forma flagrante quando da ocupação das ruas do Recife pelos Clubes Carnavalescos Pedestres, representantes das classes populares e dos Clubes de Alegorias e Críticas das Sociedades Carnavalescas, constituídos pela burguesia.

Esse movimento popular que, mais tarde é denominado frevo, em seus primórdios é perseguido violentamente, no intuito de restabelecer a ordem preestabelecida pela elite vigente.

A sociedade pernambucana, ao final do século XIX, basicamente, é definida em duas categorias. As classes populares, formadas por trabalhadores que, efetivamente, pegavam no pesado, exercendo funções que a burguesia não se submetia. Eram os trabalhadores de lojas, fábricas, boticas, oficinas, tipografias, carvoarias, vendedores ambulantes, artistas e artesãos, entre muitos e, um grande percentual de pessoas sem ocupação definida.

As classes conservadoras eram formadas por grandes comerciantes, latifundiários, proprietários de bancos e indústrias. Existindo, ainda, os profissionais liberais, médicos, comerciantes e funcionários públicos, que faziam parte, como um apêndice necessário, dessa elite e, que, mais tarde, vem formar a classe média.

Os Clubes de Alegorias e Críticas, composto pela elite e oriundos das Mascaradas, levavam às ruas finos e elegantes figurinos, retratando fatos recentes ocorridos no cotidiano da cidade, principalmente, na esfera política. Eram custeados pelos comerciantes e seus préstitos tinham um alto custo.

Na passagem para o século XX, os Clubes de Alegoria e Críticas tem sua derrocada instituída. O surgimento de um novo clube dessa categoria burguesa era motivo de novo alento ao carnaval da elite. O projeto de um novo modelo de carnaval baseado em Veneza, Paris e Nice, mostrava sinais de falência. O Jornal do Recife, em 18 de fevereiro de 1900, registra que o carnaval, ano a ano, encaminhava-se para a morte.

O carnaval civilizado teve como principal ponto da sua decadência, o descaso com que os grandes comerciantes locais passaram a tratar tais Clubes de Alegoria e Críticas, retirando a ajuda financeira que costumavam doar, como também, a recusa da decoração das principais ruas da cidade.

Um outro fato que corroborou para o fracasso do carnaval de rua da burguesia, diz respeito ao seu modelo de carnaval, no qual, o projeto de carnaval civilizado pressupunha o monopólio e o controle da festividade pelas classes dominantes. Aos dominados restava o papel de espectador. Entretanto, os planos da burguesia não foi compartilhado pela grande maioria da população que se mobilizava em grupos e organizava-se em formas próprias de divertimento para serem vivenciados publicamente.

Ao contrário do carnaval burguês que oscilava a cada ano de acordo com a crise econômico-financeira dos seus patrocinadores, o carnaval popular ia conquistando as ruas e tomando toda a cidade.

Enquanto o extrato da elite desfilava no carnaval costumes diferentes dos nacionais, buscando representações em culturas de outros países e, retratando suas insatisfações em encenações dramáticas, a massa popular reagia à polícia, extremamente violenta e arbitrária.

Essa situação de dispersão dos Clubes Carnavalescos Pedestres, por ordem das autoridades, permaneceu, até 1904, quando a polícia procurou modificar o tratamento.

No entanto, as rixas e rivalidades entre as agremiações populares herdaram os antigos confrontos das bandas marciais. As bandas marciais foram proibidas de executar músicas para promover esses movimentos, estando sujeitas a sérias consequências.

Identificado como subversivos pelas autoridades, esse movimento popular que passou a fazer parte do carnaval de Pernambuco, tinha em seu quadro elencado os mesmos músicos das bandas militares, que proibidos de executar a marcha pernambucana nas apresentações das bandas nas corporações, saiam com os mesmos instrumentos, vestidos com fantasias, no lugar da farda, acompanhando os Clubes Carnavalescos Pedestres. Afinal, os componentes das bandas marciais, também, faziam parte das camadas populares da sociedade pernambucana.

Em fim, o movimento popular que culmina com a denominação de frevo, nasce da realidade dos conflitos sociais das ruas do Recife, ao longo do século XIX. Suas origens remetem as lutas e resistências. Os pernambucanos que reivindicavam a libertação dos escravos, a expulsão dos portugueses e a Proclamação da República, foram os mesmos atores sociais, que propiciaram o surgimento do FREVO.

Fonte: www.claudialima.com.br

Frevo

Danças

Dança de rua e de salão, é a grande alucinação do carnaval pernambucano. Trata-se de uma marcha de ritmo sincopado, obsedante, violento e frenético, que é a sua característica principal. E a multidão ondulando, nos meneios da dança, fica a ferver.

E foi dessa idéia de fervura (o povo pronuncia frevura, frever, etc.) , que se criou o nome de frevo. A primeira coisa que caracteriza o frevo é ser, não uma dança coletiva, de um grupo, um cordão, um cortejo, mas da multidão mesma, a que aderem todos que o ouvem, como se por todos passasse uma corrente eletrizante.

Frevo

Igualmente é dançado em salão, como marcha, sem embargo de que, por vezes, os pares se desfaçam em roda, a cujo centro fica um dançarino, obrigado a fazer uma letra (um passo ou uma gatimônia qualquer) depois do que é substituído por outro e assim sucessivamente.

O frevo é uma marcha, com divisão em binário e andamento semelhante ao da marchinha carioca, mais pesada e barulhenta e com uma execução vigorosa e estridente de fanfarra.

Nele o ritmo é tudo, afinal a sua própria essência, ao passo que na marchinha a predominância é melódica. Divide-se em duas partes e os seus motivos se apresentam sempre em diálogos de trombones e pistões com clarinetes e saxofones.

Mário MeI o diz que o frevo nasceu da polca-marcha e foi o Capitão José Lourenço da Silva ( Zuzinha) , ensaiador das bandas da Brigada Militar de Pernambuco, quem estabeleceu a linha divisória entre o frevo e a polca-marcha, que começa na introdução sincopada em quiálteras.

O grande interesse do frevo está na sua coreografia.

O frevo apareceu em 1909 no depoimento de Pereira da Costa ( Renato Almeida, História da Música Brasileira, 194-5)

A coreografia dessa dança de multidão é curiosamente individual, ad libitum. Centos e centos de dançarinos ao som da mesma música excitante dançam diversamente.

Raro o gesto igual, fortuita a atitude semelhante. No delírio da mobilidade mantém o pernambucano (o trevo está-se derramando pelo Brasil) a feição pessoal, instintiva, de improvisação e variabilidade personalíssimas.

O frevo é sempre dançado ao som das marchas-frevos tipicas. A presença do trevo nos salões, nos clubes carnavalescos é posterior a 1917.

O termo frevo, vulgaríssimo e corrente entre nós, apareceu pelo carnaval de 1909: "Olha o frevo!," era a frase de entusiasmo que se ouvia no delírio da confusão e apertões do povo unido. compacto ou em marcha, acompanhando os clubes."

Fonte: www.scribd.com

Frevo

"E o frevo o que é?

Pernambucano, oi, oi, oi, oi..." Quem nunca ouviu esse trechinho de uma das músicas mais tocadas no carnaval de todo o Brasil?

Ninguém tem dúvida de que o frevo vem de Pernambuco.

Frevo

É dançado nas ruas e salões, e seu nome varia de acordo com os instrumentos que embalam a música: frevo-coqueiro, frevo-de-encontro, frevo-ventania.

Apesar de ter coreografia individual, é uma dança que, pelo seu ritmo agitado, frenético, contagia multidões, não deixando ninguém de fora, como se fosse uma corrente elétrica.

Os bailarinos, chamados de passistas, improvisam os passos em ritmo alucinante e levam nas mãos um pequeno guarda-chuva colorido, que acompanha o tom de suas roupas.

Fonte: www.canalkids.com.br

Frevo

Em meados do século XIX,muitos capoeiristas já demonstravam suas habilidades nas proximidades do Cais de Santa Rita em Recife(hoje porto de Suape), entretanto não de forma amistosa e por isto a polícia passou a perseguir os mais exaltados e pouco depois até mesmo aqueles que ensaiavam algum movimento que lembrasse esta Dança, foi aí que temendo uma eventual punição começaram a tentar disfarçar seus movimentos criando um novo ritmo que contagiava rapidamente quem estivesse em suas proximidades.

Nascia assim o Frevo,que tem este nome devido à uma grande deficiência da maioria de simpatizantes não conseguir pronunciar corretamente a palavra Fervo -do verbo Ferver- pois como eles mesmo diziam "freviam"quando começavam a escutar os acordes do récem criado ritmo, outra informação importante é que foi justamente por esta época que surgiram as primeiras bandas carnavalescas e Clubes como;

Vassourinhas(1889),Lenhadores(1897) entre outros,todos criados por trabalhadores que já tinham suas bandas marciais e que de tanto tocarem marchas e polcas também se rendiam ao Frevo.

Porém o auge de sua popularidade só veio um pouco depois quando os passistas mais humildes,que usavam suas sombrinhas como forma de defesa frevavam sem soltalas, ao som das bandas dando um colorido todo especial a cidade vista do alto, hoje além de ser bem menores e coloridas usam-se sombrinhas cada vez mais estilizadas fazendo com que nas capitais brasileiras o frevo seja um dos ritmos mais usados nas Academias de estéticas muito embora seja destinado às multidões.

Tudo isto não apenas porque é fácil de se dançar,mas também por que é bonito de se ver,além de ser rico em espontaneidade e improvisação o que dá ao dançarino opções de criar seus próprios movimentos e passos variados.

Fonte: www.pt.shvoong.com

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