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História do Carnaval

 

Origem do Carnaval

Dez mil anos antes de Cristo, homens, mulheres e crianças se reuniam no verão com os rostos mascarados e os corpos pintados para espantar os demônios da má colheita. As origens do carnaval têm sido buscadas nas mais antigas celebrações da humanidade, tais como as Festas Egípcias que homenageavam a deusa Isis e ao Touro Apis.

Os gregos festejavam com grandiosidade nas Festas Lupercais e Saturnais a celebração da volta da primavera, que simbolizava o Renascer da Natureza. Mas num ponto todos concordavam, as grandes festas como o carnaval estão associadas a fenômenos astronômicos e a ciclos naturais.

O carnaval se caracteriza por festas, divertimentos públicos, bailes de máscaras e manifestações folclóricas.

Na Europa, os mais famosos carnavais foram ou são: os de Paris, Veneza, Munique e Roma, seguidos de Nápoles, Florença e Nice.

CARNAVAL NO BRASIL

O carnaval foi chamado de Entrudo por influência dos portugueses da Ilha da Madeira, Açores e Cabo Verde, que trouxeram a brincadeira de loucas correrias, mela-mela de farinha, água com limão, no ano de 1723, surgindo depois as batalhas de confetes e serpentinas.

No Brasil o carnaval é festejado tradicionalmente no sábado, domingo, segunda e terça-feira anteriores aos quarentas dias que vão da quarta-feira de cinzas ao domingo de Páscoa.

Na Bahia é comemorado também na quinta-feira da terceira semana da Quaresma, mudando de nome para Micareta. Esta festa deu origem a várias outras em estados do Nordeste, todas com características baiana, com a presença indispensável dos Trios Elétricos e são realizadas no decorrer do ano; em Fortaleza realiza-se o Fortal; em Natal, o Carnatal; em João Pessoa, a Micaroa; em Campina Grande, a Micarande; em Maceió, o carnaval Fest; em Caruaru, o Micarú; em Recife, o Recifolia, etc.

CARNAVAL NO RECIFE

Século XVII

De acordo com as antigas tradições, mais ou menos em fins do século XVII, existiam as Companhias de Carregadores de Açúcar e as Companhias de Carregadores de Mercadorias. Essas companhias geralmente se reuniam para estabelecer acordo no modo de realizar alguns festejos, principalmente para a Festa de Reis, Esta massa de trabalhadores era constituída, em sua maioria, de pessoas da raça negra, livres ou escravos, que suspendiam suas tarefas a partir do dia anterior à festa de Reis. Reuniam-se cedo, formando cortejos que consistia de caixões de madeira carregados pelo grupo festejante e, sentado sobre ele uma pessoa conduzindo uma bandeira. Caminhavam improvisando cantigas em ritmo de marcha, e os foguetes eram ouvidos em grande parte da cidade.

Século XVIII

Os Maracatus de Baque Virado ou Maracatus de Nação Africana, surgiram particularmente a partir do século XVIII. Melo Morais Filho, escritor do século passado, no seu livro "Festas e Tradições Populares", descreve uma Coroação de um Rei Negro, em 1742. Pereira da Costa, à página 215 do seu livro, "Folk Lore Pernambucano", transcreve um documento relativo à coroação do primeiro Rei do Congo, realizada na Igreja de Nossa Senhora do Rosário, da Paróquia da Boa Vista, na cidade do Recife.

Os primeiros registros destas cerimônias de coroação, datam da segunda metade deste século nos adros das igrejas do Recife, Olinda, Igarassu e Itamaracá, no estado e Pernambuco, promovidas pelas irmandades de NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO DOS HOMENS PRETOS e de SÃO BENEDITO.

Século XIX

Depois da abolição da escravatura, em 1888, os patrões e autoridades da época permitiram que surgissem as primeiras agremiações carnaval escas, formadas por operários urbanos nos antigos bairros comerciais. Supõe-se que as festas dos Reis Magos serviu de inspiração para a animação do carnaval recifense.

De acordo com informações de pessoas antigas que participaram desses carnavais, possivelmente o primeiro clube que apareceu foi o dos Caiadores. Sua sede ficava na Rua do Bom Jesus e foi fundador, entre outros, um português de nome Antônio Valente. Na terça-feira de carnaval à tarde o clube comparecia à Matriz de São José, tocando uma linda marcha carnaval esca e os sócios levando nas mãos baldes, latas de tinta, escadinhas e varas com pincéis, subiam os degraus da igreja e caiavam (pintavam), simbolicamente. Outros Clubes existiam no bairro do Recife: Xaxadores, Canequinhas Japonesas, Marujos do Ocidente e Toureiros de Santo Antônio.

Século XX

O carnaval do Recife era composto de diversas sociedades carnaval escas e recreativas, entre todas destacava-se o Clube Internacional, chamado clube dos ricos, tinha sua sede na Rua da Aurora, no Palácio das Águias. A Tuna Portuguesa, hoje Clube Português, tinha sua sede na Rua do Imperador.

A Charanga do Recife, sociedade musical e recreativa, com sede na Avenida Marquês de Olinda e a Recreativa Juventude, agremiação que reunia em seus salões a mocidade do bairro de São José.

O carnaval do início deste século era realizado nas ruas da Concórdia, Imperatriz e Nova, onde desfilavam papangus e máscaras de fronhas (fronhas rendadas enfiadas na cabeça e saias da cintura para baixo e outra por sobre os ombros), esses mascarados sempre se apresentavam em grupos. Nesses tempos, o Recife não conhecia eletricidade, a iluminação pública eram lampiões queimando gás carbônico. Os transportes nos dias de carnaval vinham superlotados dos subúrbios para a cidade.

As linhas eram feitas pelos trens da Great Western e Trilhos Urbanos do Recife, chamados maxambombas, que traziam os foliões da Várzea, Dois Irmãos, Arraial, Beberibe e Olinda. A companhia de Ferro Carril, com bondes puxados a burros, traziam foliões de Afogados, Madalena e Encruzilhada. Os clubes que se apresentaram entre 1904 e 1912 foram os seguintes: Cavalheiros de Satanás, Caras Duras, Filhos da Candinha e U.P.M.; este último criado como pilhéria aos homens que não tinham mais virilidade.

O Corso

Percorria o seguinte intinerário: Praça da Faculdade de Direito, saindo pela Rua do Hospício, seguindo pela Rua da Imperatriz, Rua Nova, Rua do Imperador, Princesa Isabel e parando, finalmente na Praça da Faculdade. O corso era composto de carros puxados a cavalo como: cabriolé, aranha, charrete e outros.

A brincadeira no corso era confete e serpentina, água com limão e bisnagas com água perfumada. Também havia caminhões e carroças puxadas a cavalo e bem ornamentadas, rapazes e moças tocavam e cantavam marchas da época dando alegre musicalidade ao evento. Fanfarras contratadas pelas famílias, desfilavam em lindos carros alegóricos.

Fonte: www.fundaj.gov.br

História do Carnaval

Idade de Ouro

A popularização do rádio, o Teatro de Revista e o desfile das escolas de samba fizeram dos anos 30 e 40 a idade de ouro do carnaval no Brasil. Marchinhas animavam os bailes e as ruas, e os sucessos musicais daqueles tempos permanecem vivos e entusiasmantes até hoje.

A marchinha Pra você gostar de mim (Taí), composta em 1930 por Joubert de Carvalho, lançou para o estrelato um grande ícone do nosso carnaval : a "internacional" Carmen Miranda. A "pequena notável" emprestou a voz a diversas marchas carnaval escas.

Entre suas inúmeras gravações, podemos destacar: Adeus batucada (Synval Silva, 1935), Camisa listada (Assis Valente, 1937), Cantores do rádio (Lamartine Babo, João de Barro e Alberto Ribeiro, 1936), Disseram que voltei americanizada (Vicente Paiva e Luiz Peixoto, 1940), Eu dei (Ary Barroso, 1937), Isto é lá com Santo Antonio (Lamartine Babo, em dueto com Mário Reis, 1934), No tabuleiro da baiana (Ary Barroso, 1936), O que é que a baiana tem? (Dorival Caymmi, 1939) e Aurora (Mário Lago e Roberto Roberti, 1941).

Lamartine Babo (em parceria com os irmãos Valença) compôs a arrebatadora O teu cabelo não nega, em 1932, e foi também o autor do sucesso do carnaval de 1934.

História do Brasil, com esta hilariante letra:

Quem foi que inventou o Brasil?
Foi seu Cabral!
Foi seu Cabral!
No dia 21 de Abril
Dois meses depois do carnaval 
Depois
Ceci amou Peri
Peri beijou Ceci
Ao som...
Ao som do Guarani!
Do Guarani ao guaraná
Surgiu a feijoada
E mais tarde o Paraty
Depois
Ceci virou Iaiá
Peri virou Ioiô
De lá...
Pra cá tudo mudou!
Passou-se o tempo da vovó
Quem manda é a Severa
E o cavalo Mossoró

"Nos versos finais, Lamartine faz referência a dois grandes ídolos do público na época: a fadista portuguesa Severa e o cavalo Mossoró, ganhador do Grande Prêmio Brasil.

Paraty, na segunda estrofe, refere-se a uma cachaça." - explica o site "Ao Chiado Brasileiro", de onde obtivemos os fonogramas e algumas histórias que contamos aqui. O site é imperdível para quem quer conhecer a música brasileira do início do século passado.

Uma curiosidade sobre o grande Lamartine Babo: foi ele o autor de todos os hinos dos principais times de futebol do Rio de Janeiro - Botafogo, América, Flamengo, Fluminense e Vasco da Gama. Diz a lenda que as composições nasceram de uma aposta, e que ele criou todas em uma única noite.

Composta em 1935, mais uma marcha de carnaval se transformaria em clássico eterno, além de hino do Rio de Janeiro: Cidade Maravilhosa, de André Filho.

A "idade de ouro" do carnaval carioca também foi marcada pela elegância dos grandes bailes carnaval escos - entre os quais destacavam-se o do Teatro Municipal e o do Hotel Copacabana Palace - e dos Desfiles de Fantasia, cuja maior figura foi Clóvis Bornay. Hoje considerado hors concours pelas dezenas de títulos que já conquistou, Bornay foi o vencedor do primeiro Desfile de Fantasias do teatro Municipal, em 1937.

Fonte: www.educacaopublica.rj.gov.br

História do Carnaval

Do Império à Republica: O carnaval visto pelos quadrinhos (1869 - 1910)

O carnaval é uma festa popular que já se tornou marca característica do Brasil. O que poucos sabem é que sua história está relacionada a uma mídia que há mais de um século se faz presente no nosso cotidiano: as histórias em quadrinhos. Neste texto, fazemos breve investigação sobre a história dos carnavais e o carnaval nas histórias em quadrinhos publicadas no Brasil, tendo como locus a obra de Angelo Agostini, pioneiro nos quadrinhos brasileiros.

Introdução

O carnaval pode ser considerado uma das festas mais antigas do mundo. Surgindo na Antiguidade, atravessando a Idade Média e chegando ao continente americano, ele se tornou uma das formas de manifestação cultural mais características do Brasil, cercado de histórias, de mitos, de alegorias e de símbolos que resistiram ao tempo ou se adaptaram às mudanças impostas pela sociedade, em vários sentidos. Falar da origem do carnaval em si não é o objetivo deste artigo, mas sim refletir de que forma essa festa popular foi representada, por meio de imagens, muitas vezes cômicas, caricatas como o próprio carnaval .

Essas imagens, inicialmente veiculadas por folhetins e periódicos, traduziam, pelo traço de desenhistas, a visão que se tinha do povo, do festejo e dos próprios valores embutidos nas caricaturas, nas charges e nas histórias em quadrinhos. De festa do homem simples e trabalhador, caiu no gosto da elite, em meados do século XIX, quando em salões ricamente decorados desfilavam (e desfilam) fantasias luxuosas e se permitia, ao menos uma vez ao ano, abrir mão de certos pudores. Na festa da carne, é proibido proibir, e as recriminações são abafadas ao som do samba, das marchinhas, das músicas que em cada época marcaram a alegria dos foliões.

O carnaval pode ser representado de diversas formas e com diversas finalidades pelo traço de artistas, expressando idéias e valores. Independentemente de julgar se os valores de um determinado sujeito da história são certos ou errados, verdadeiros ou falsos, trata-se de avaliar se esse juízo, essa representação se insere no contexto histórico do qual ele faz parte. É disso que trata este texto: da imagem que, junto com a palavra escrita, conta a história de uma festa sob o prisma de um artista, revelando o testemunho de um tempo.

Nosso recorte localiza-se entre 1869 e 1910, levando em conta a produção de um dos mais importantes artistas que atuaram no Brasil: Angelo Agostini. Durante o tempo em que esteve no Rio de Janeiro, Agostini retratou os carnavais cariocas e forneceu elementos para uma análise histórica dessa festa naquele momento histórico específico, marcado pelo abolicionismo e pelo republicanismo.

Carnaval e imprensa no Brasil (1850 - 1910)

O carnaval no Brasil, mais especificamente na cidade do Rio de Janeiro, foi por muito tempo um festejo que se fazia pelas ruas, quando populares se reuniam e, aos poucos, formavam-se multidões de foliões. Era o entrudo, que tinha origem portuguesa e foi trazido para o Brasil provavelmente entre os séculos XVI e XVII. Consistia em um folguedo alegre, mas violento. Havia entrudos familiares e populares. Nas ruas, os homens de boas famílias se misturavam com populares, em sua maioria negros e mestiços. As senhoras tidas como honestas assistiam de longe, das sacadas das casas, e mais tarde passaram a participar do corso carnaval esco vespertino, dentro de carros, protegidas do contato com os foliões das ruas.

Corso é o nome que os passeios das sociedades carnaval escas do século XIX adquiriram no início do século XX, no Rio de Janeiro, após uma tentativa de reproduzir no país as batalhas de flores características dos carnavais mais sofisticados da virada do século. A brincadeira consistia no desfile de carruagens enfeitadas e, posteriormente, de automóveis sem capota.

A Figura 1 mostra um entrudo na Rua do Ouvidor, de onde as famílias podiam assistir, das sacadas, aos folguedos. A partir de 1906, essa prática foi transferida para a nova Avenida Central, onde famílias alugavam sacadas para poder assistir aos desfiles.

História do Carnaval
Figura 1: Entrudo na Rua do Ouvidor Angelo Agostini (1884).
Fonte: Acervo particular de Gilberto Maringoni Oliveira.

Foi na década de 1840 que ocorreu a separação entre a festa da rua popular, negra da festa de salão branca e segregada. Teria sido uma família de italianos do Rio de Janeiro a primeira a organizar esses bailes com o uso de máscaras, à moda veneziana. A máscara, marcante até hoje nos carnavais de Veneza, ajudava a preservar o anonimato dos foliões, que se perdiam em meio aos salões. Nas ruas, as máscaras também eram usadas, algumas rústicas, outras improvisadas, mas sempre com o mesmo objetivo de manter o anonimato, pois, afinal, no carnaval as pessoas podiam se despir de certos pudores e cometer alguns excessos que normalmente eram condenados pela sociedade.

O uso de máscara tem como data inaugural o século XIII, mais precisamente o ano de 1268. O hábito de esconder o próprio rosto sob máscaras anônimas permitia aos venezianos, durante o carnaval , abolir as barreiras sociais, já que nessa época servos podiam se fantasiar de nobres e vice-versa, e homens e mulheres podiam trocar de vestimentas. Dessa forma, não só as barreiras das classes sociais eram negligenciadas, mas o próprio decoro moral, deixando que a loucura, ou melhor, a folia tomasse conta da realidade, propiciando orgias nos espaços públicos e privados. (...)

Nessa fase de relaxamento das normas sociais, o uso de máscaras permitia que as pessoas que as usavam pudessem cometer, no anonimato, todos os pecados da carne, quer fossem na cama ou na mesa (Faria, 2006, p. 87).

A máscara representava uma segurança para o folião que não desejava ser recriminado durante o restante do ano por suas ações durante o carnaval. Em seu livro Costumes em Comum, Thompson refere-se ao anonimato como uma estratégia do povo, quando as pessoas se reuniam em motins para protestar e usavam a multidão como um escudo contra a perseguição das autoridades, que não tinham como identificar todos os amotinados. Podemos transferir essa estratégia para o carnaval . Nas ruas, multidões acompanham blocos e se disfarçam para poder manter o anonimato e aproveitar os dias de folia, sem se preocupar com a constante vigilância da sociedade e da(s) igreja(s).

A nova modalidade de carnaval o baile particular era considerada civilizada, mais européia e menos perigosa e tinha uma peculiaridade: pagava-se para participar. Portanto, era um baile para pessoas com posses. Assim,

Os bailes carnaval escos de salão privatizando um divertimento público para os sócios dos clubes e os que podiam adquirir ingresso haviam se tornado a marca distinta da gente fina. Em oposição ao  entrudo moleque , festa pública para o grande público, evento de rua e alvo designado das cacetadas da polícia (Alencastro, 1997, p. 53).

Já no início do século XX, o carnaval se torna uma festa mais familiar, com as primeiras matinês (bailes infantis) e com festas realizadas em casas de família. Aparecem também os concursos (de fantasias, de tipos exóticos etc.) e cresce o prestígio das primeiras sociedades carnaval escas, que antecederam as escolas de samba. As sociedades eram clubes ou agremiações que, com suas alegorias e sátiras ao governo, encontraram uma forma saudável de competição (Pequena história do carnaval ).

O sucesso dos bailes de máscaras deu passagem à criação dos clubes de carnaval , cujo objetivo era a organização dessas festas de salão. Dessa forma foi organizada, pelo escritor José de Alencar, em 1855, com o nome de Congresso das Summidades carnaval escas, que já em sua passeata inaugural contava com a participação de 80 sócios (Faria, 2006, p. 94).

Esse modelo de carnaval carioca voltado para as elites foi copiado em várias partes do Brasil. Na jovem capital mineira, Belo Horizonte, por exemplo, o carnaval consistiria nos luxuosos desfiles de grandes sociedades carnaval escas da cidade do Rio de Janeiro(Pereira Filho, 2004, p. 3), organizados pelos clubes de carnaval da capital, em substituição a manifestações populares como o entrudo. Essas associações de carnaval escos utilizavam os jornais impressos como forma de divulgar suas idéias sobre o carnaval . Nesse sentido, não apenas no Rio de Janeiro como também em grande parte do país, podemos verificar a presença dos periódicos na construção da imagem do carnaval no Brasil.

A imprensa era uma aliada do carnaval ; afinal, era uma celebração tipicamente brasileira. Muito além de noticiar o festejo, ela lhe dava uma moldura de festa popular, movimento cultural, envolvendo-se diretamente na festa desde o século XIX, colaborando na socialização da festa em modalidades competitivas como os corsos passeatas em carros, bailes, coretos, desfiles, organização de clubes e agremiações carnaval escas, blocos, fantasias e todo imaginário da liberação criativa popular.

Segundo Eunícia Barros Barcelos Fernandes, a imprensa periódica tinha um papel importante: como agente mediador de informações e idéias, articulando grupos de diferentes estratos sociais e interesses(2007, p. 4), ela representava a modernidade e era, também, um instrumento pedagógico que se tornava importante instrumento para a construção de referências sociais. Nesse sentido, analisar as representações gráficas do carnaval através das imagens publicadas em jornais nos oferece dados para uma leitura social, política e cultural dessa festa, neste caso específico, no Rio de Janeiro.

Os jornais promoviam concursos, premiavam figuras pitorescas, reforçavam comportamentos, dando visibilidade e reconhecimento à festa. Apesar de estarmos analisando o carnaval no Rio de Janeiro, é oportuno ressaltar que esse comportamento não se limitava apenas àquela cidade. Caroline P. Leal (2007) ressalta o papel da imprensa na divulgação do festejo e sua dedicação em transformar o carnaval na cidade de Porto Alegre em uma comemoração familiar e sem violência. A imprensa via o carnaval como celebração que devia ser levada a sério e que devia ser domesticada; cabia à mídia escrita levar a cabo essa tarefa. O uso de quadrinhos e caricaturas foi muito útil nessa tarefa.

O carnaval segundo Angelo Agostini

Durante o Segundo Reinado, havia grande tolerância à imprensa. Jornais, livros e panfletos circulavam por todo o Império, e até os cortejos carnaval escos contavam com carros alegóricos que representavam personagens importantes; havia liberdade de caricatura. Essa liberdade de expressão abriu espaço para o surgimento de uma impressa crítica e dinâmica, em oposição aos tempos de censura e perseguição do período colonial. Nessa imprensa encontramos várias referências ao carnaval e a vários artistas que procuram, através do desenho, expressar suas impressões sobre essa festa.

Um dos primeiros a retratar o carnaval brasileiro foi o desenhista ítalo-brasileiro Angelo Agostini (1843-1910). Nascido na Itália, chegou ao Brasil em 1850. Seu nome associa-se ao surgimento da caricatura em São Paulo, na revista Diabo Coxo (São Paulo, 1864) e ao pioneirismo na produção de histórias em quadrinhos no Brasil, quase 30 anos antes de Yellow Kid (de 1895), do norte-americano Richard Fenton Outcault, tida como a primeira história de quadrinhos moderna(Oliveira, 2006). Em 1869, Agostini publicou sua primeira historieta com personagem fixo, no periódico Vida Fluminense: As aventuras do Nhô Quim ou Impressões de uma viagem à corte. Mas foi em 1883 que surgiu seu maior sucesso nos quadrinhos, o Zé Caipora, o primeiro personagem de histórias em quadrinhos de longa duração publicado no Brasil (Moya, 1996, p. 16).

Seu trabalho fazia uma leitura dos usos e costumes da época em que viveu, leitura esta caracterizada pela ironia, principalmente frente às elites da época. Na cidade do Rio de Janeiro, foi colaborador na revista Arlequim (1867); na Vida Fluminense (1868-1875), nO Fígaro (1876-1878), nO Mosquito (1869-1875). Foi fundador do Mequetrefe (1875-1893); fundou e ilustrou a Revista Ilustrada (1876 a 1898); fundou o Dom Quixote (1895-1903). Colaborou nO Malho (1902-1954) e no Tico-Tico (1905-1959), revista infantil onde desenhava as histórias do Pai João. Trabalhou na Gazeta de Notícias em 1904 (O carnaval visto por Angelo Agostini). Sobre sua crítica político-social, Rosangela de Jesus Silva afirma:

Para realizar sua crítica Agostini utilizou-se não apenas dos recursos textuais, mas também dos desenhos. Quando observamos as caricaturas de Agostini, percebemos o quanto a preocupação com o desenho está presente em seu trabalho. O seu traço não apresenta como principal característica a deformação da figura. Suas representações atuam mais como retratos que indicam com clareza de quem se trata e o que se quer mostrar. Além do desenho, as caricaturas vinham sempre acompanhadas de pequenas legendas salpicadas de comentários por vezes divertidos, irônicos ou mesmo bastante ácidos (Silva, 2006).

Como um apreciador dos costumes do povo brasileiro, Agostini não poderia ignorar nossa maior festa popular, o carnaval . Mesmo sendo estrangeiro, Agostini soube captar com perfeição o espírito e a brasilidade tropical do nosso país(Goidanich, 1990, p. 19). Retratou, em muitos de seus quadrinhos e caricaturas, os carnavais do Rio de Janeiro; neles podemos identificar a diversidade cultural e social brasileira, que durante o festejo aflorava com maior densidade. Ele celebra, em seu traço, a diferença, procurando tirar o povo da marginalidade à qual era relegado pelas elites, mostrando que era ele, na verdade, o dono da festa.

Olhar com atenção os registros de Agostini sobre a folia nas últimas décadas do século XIX e no início do século XX pode dar margem a uma interessante reflexão sobre esta própria festa, geralmente interpretada como um momento de suspensão de todas as tensões em nome de uma comunhão transitória: uma válvula de escape através da qual a "verdadeira" expressão popular e nacional poderia vir à tona. A etnografia de Agostini, longe de registrar esta pretendida univocidade, evidencia a diferença, a multiplicidade de gestos e intenções, a constante disputa por espaço e por autonomia entre diferentes atores da folia (O carnaval visto por Angelo Agostini).

Na década de 1880, na Revista Ilustrada, dedicou páginas duplas aos carnavais de 1881, 1882 e 1883 e 1884. Foi nessa revista que Agostini desenvolveu As Aventuras de Zé Caipora.A imagem ocupava espaço considerável na revista, sendo colocada nas páginas centrais. Foi justamente nessa revista que conseguimos algumas caricaturas de Agostini dedicadas ao carnaval .

História do Carnaval
Figura 2 :Angelo Agostini 1881.

Após a Guerra do Paraguai (1864-1870), passou a ser comum haver carros alegóricos dedicados a temas da atualidade. Eram os chamados carros de críticas ou de idéias. Na Figura 2, está um retrato de Agostini para essa prática, destacando ainda mais a crítica política e social característica desses carros alegóricos. Para entender melhor essas críticas, vamos fazer uma análise em separado de partes da Figura 2, começando com um comentário de Octavio Aragão sobre um destes fragmentos (que está na Figura 3).

Em 1881, nas páginas da Revista Illustrada, Angelo Agostini retratou um carro de crítica do Club dos Democráticos que colocava sem o menor pudor um retrato de Dom Pedro II inserido numa estrela pregada numa nuvem, claramente fazendo alusão ao interesse do Imperador pela Astronomia, ciência que na opinião vigente afastava a visão do monarca dos problemas nacionais (2002, p. 106).

História do Carnaval
Figura 3

Em outro fragmento da caricatura (na Figura 4), ele critica a escravidão, ao desenhar um branco montando em um negro escravo, enquanto abolicionistas e escravistas lutam pouco abaixo. Repare a pergunta: Quem vencerá? Agostini era abolicionista, mas não combatia todos os senhores de escravo, apenas os maus senhores, que espancavam e maltratavam os cativos.

Agostini era contra a violência aos escravos, muitas vezes denunciada em seus desenhos, pois ela representava uma incivilidade que não combinava com a modernidade, tão cultuada durante boa parte do século XIX e nas primeiras décadas do século XX. Por vezes, ele apresentou em seus desenhos posturas racistas e elitistas, sendo um homem de sua época: moderno, mas com liberalismo limitado.

História do Carnaval
Figura 4

Num outro fragmento (Figura 5), faz uma representação da República sob a forma de uma mulher Agostini era um crítico da monarquia e republicano convicto. Mesmo depois da Abolição e da proclamação da República, Angelo Agostini continuou satirizando os políticos e os costumes do Rio de Janeiro no começo do século XX, nas páginas da revista O Malho. Crítico político incansável, não fechava os olhos para os problemas enfrentados pela jovem república.

História do Carnaval
Figura 5

Suas publicações eram voltadas para a classe média a Revista Ilustrada, por exemplo, era semanal e tinha aproximadamente 4 mil assinantes , que podia pagar pelos jornais e revistas. Utilizava linguagem mais simples e, por que não dizer, uma certa didática, possibilitando um diálogo mais amplo com o público. O Brasil era um país em que cerca de 80% da população não sabia ler e escrever.

Ainda em relação ao último fragmento, observe ainda que o desenhista faz uma referência ao Exército brasileiro, representado por um militar montado em um canhão. O exército era um dos alvos que Agostini não poupava.

Durante a Guerra do Paraguai (1864-1870), Agostini publicou caricaturas, desenhos, ilustrações de soldados mortos e mapas, ocupou muitas vezes as páginas do Cabrião, não esquecendo a sátira ao Duque de Caxias e ao recrutamento de voluntários para o conflito (Mestres do Quadrinho Nacional).

Nos quadrinhos mostrados a seguir, Agostini faz referência à hipocrisia da elite, que pertencia às sociedades carnaval escas. Durante o carnaval , os íntegros chefes de família que participavam dessas sociedades colocavam prostitutas em carros alegóricos, a desfilar pelas ruas da cidade, enquanto no restante do ano perseguiam e discriminavam pelo menos em público, pois sabemos que muitos desses homens de bem eram freqüentadores assíduos de bordéis essas mulheres, consideradas má influência para as moças de família, criadas e educadas para serem mães e esposas exemplares.

Mas é carnaval , é tempo de esquecer certos pudores; daí se permite que mesmo as prostitutas tenham lugar de destaque. Os preconceitos não são esquecidos, apenas convenientemente ignorados.

Angelo Agostini defendia um carnaval voltado para a família; por isso, muitas vezes criticou o comportamento das prostitutas, que desfilavam nos carros alegóricos ou atraíam os homens para os bordéis.

Mas ele fazia uma distinção entre elas. As prostitutas de luxo, ele as usa para debochar dos senadores e deputados que as sustentam; as prostitutas pobres, Agostini as acusa de falta de decoro e assume postura higienista; as moças de família são representadas recatadas, tímidas e prendadas (Oliveira, 2006, p. 232).

História do Carnaval
Figura 6: Quadrinhos de Angelo Agostini 1884.

Agostini condena a hipocrisia da sociedade, que se torna mais nítida nesta época do ano, e deplora a imoralidade carnaval esca. Não gostava tampouco das festas de rua que envolviam populares, considerando-as de mau gosto e ofensivas à família e aos bons costumes.

Uma das manifestações populares que mais irritava Agostini, em tempo de carnaval , era o entrudo. Algazarra violenta e anárquica, ele possibilita à chamada gentalha tomar conta das ruas com seus bandos de capoeiras e malandros, assustando cada vez mais a elite bem-pensante. Chegava-se mesmo a especular que o entrudo sairia vitorioso em seu embate contra os carnavais familiares e privados (Oliveira, 2006, p. 199).

Na Figura 7, dividida em dois quadros, Agostini representa um entrudo na Rua do Ouvidor (1884). No primeiro quadro, ele mostra o entrudo e a multidão que acompanha a folia, abrindo mão dos pudores normalmente reprimidos.

No quadro seguinte satiriza, ao dizer que o tempo também quis participar, acabando com a festa. Compara os foliões aos soldados egípcios que foram engolidos pelo Mar Vermelho quando tentavam impedir a travessia dos hebreus liderados por Moisés. Insinua que os foliões teriam sido castigados pelos céus, por seu descaso à moralidade.

História do Carnaval
Figura 7: Quadrinhos de Angelo Agostini (1884).

Moralista, Agostini gostava do carnaval , mas não do entrudo. Censurava as liberdades tomadas pelos jovens durante a festa e a forma como as pessoas deixavam passar esses deslizes. Denunciava a depravação dos senhores de elite e não aceitava o comportamento despojado de pessoas de origem humilde, de prostitutas e cafetões, que lotavam bordéis em tempos de folia.

História do Carnaval
Figura 8: Angelo Agostini (1880).

Na Figura 8, Agostini mostra um entrudo familiar e um entrudo popular. Nos entrudos familiares, era comum usarem-se os limões de cheiro ou laranjas de cheiro pequenas bolas de cera recheadas de águas perfumadas , que eram vendidos em tabuleiros pela cidade (como na Figura 1), que os foliões atiravam uns nos outros.

Havia também jatos de água, farinha, lama, cinzas, enfim, tudo que pudesse ser usado para deixar a outra pessoa suja. Nos entrudos de rua, os populares, corria-se o risco de receber na cabeça os conteúdos de penicos, lançados na multidão pelos moradores dos sobrados. Além de tudo isso, havia também o risco de ser agredido por um policial, que usava o cassetete para apartar os ânimos da multidão.

Nesse quadro, faz uma descrição de um desfile de carros alegóricos, acompanhado de um entrudo, que ali parece mais anárquico que no primeiro, com mulheres desmaiando e homens brigando, enquanto outras pessoas, fantasiadas ou não, aglomeravam-se para poder assistir ao desfile. Mascarados, homens de cartola, mulheres em pânico etc. Agostini traduz em desenho a violência dos carnavais, sob sua ótica particular.

A comunicação de massa é circular. A opinião de um jornal, de um jornalista, de um artista tem a ver com o público para o qual ele está voltado, que por sua vez possui semelhanças sociais, morais e econômicas. Agostini tinha ressalvas quanto ao carnaval de rua, mas acreditava no carnaval como uma manifestação típica da nossa cultura. Ele representa um grupo que deseja transformar, colocar ordem, civilizar o carnaval . Prova disso é que, aos poucos, o entrudo foi sendo proibido e desestimulado, seja pela polícia, seja pela administração pública.

Em 1904, o prefeito Pereira Passos apela para os jovens estudantes para que façam um esforço coletivo contra o entrudo, jogo bárbaro e pernicioso que gerava conflitos e desordem, impedindo as famílias de se entregarem aos folguedos lícitos do carnaval (Araújo, 1993, p. 373).

Pereira Passos foi responsável pela reforma urbana que mudou a cara da cidade do Rio de Janeiro, que de corte passou a capital federal após a proclamação da República. Ele estimulou práticas higienistas, retirou os pobres do Centro da cidade, criou passeios públicos e não se esqueceu de criar novas regras para a maior festa popular do Rio de Janeiro. Os policiais foram instruídos a manter a ordem e a moral, impedindo a violência do carnaval .

Havia até mesmo regras para o uso de máscaras. Tudo isso feito em nome do estímulo à participação da família na festa. Os entrudos entraram em decadência e foram substituídos por outras formas de carnaval de rua.

Conclusão

Se o carnaval era tempo de se soltar, de ultrapassar limites morais, sob a proteção das multidões que se aglomeravam nos entrudos ou sob as máscaras e fantasias que disfarçavam seus usuários, era também um momento de reflexão, quando se criticavam a política e os problemas socioeconômicos do Brasil.

Era também, e ainda é, o momento de as massas se unirem, independentemente da origem social ou étnica, nem que fosse por três dias, para saudar a alegria de viver. As desigualdades não desapareciam (nem desapareceram até hoje), mas eram temporariamente suspensas enquanto durasse o festejo.

As representações que Agostini fez do carnaval , sejam elas por meio de quadrinhos ou de caricaturas, fornecem elementos para entender melhor essa festa popular no Rio de Janeiro do século XIX e do início do século XX. Mais do que isso, essas imagens abordam temas sociais e políticos importantes, além das reflexões e dos valores do autor e de seus leitores. São importantes documentos históricos, testemunhos de uma época. Essas imagens ajudam a entender parte do cotidiano dessa que se tornaria a festa característica do Rio de Janeiro e do Brasil.

Os quadrinhos, as charges e caricaturas continuariam sendo utilizados como forma de expressar críticas sociais, políticas e econômicas, mas também serviriam para propagar as idéias de governos, fossem eles democráticos ou ditatoriais. Não é exagero, então, afirmar que a caricatura e os quadrinhos ultrapassam as fronteiras da arte midiática para se tornar testemunhos da história, fontes documentais importantes para que possamos compreender um pouco mais dos costumes, da vida e da sociedade inserida em determinado contexto histórico.

Referências bibliográficas

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FARIA, Flora de Paoli. O baile de máscaras de Veneza ao Rio de Janeiro: sob o signo do Arlequim. Terceira Margem: revista do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Literária. Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, Centro de Letras e Artes, Faculdade de Letras, pós-graduação, Ano X, nº 14, 2006.
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Natania A. Silva Nogueira

Fonte: www.educacaopublica.rj.gov.br

História do Carnaval

Folias à Brasileira

No Brasil, não existe um jeito de festejar o carnaval - e sim vários. De norte a sul, de leste a oeste, os brasileiros reinventaram a seu modo a folia de Momo, transformando-a em muitas, com músicas, comemorações e fantasias típicas. E assim o carnaval é uma expressão viva de nossa diversidade cultural.

Dessa variedade despontam as festas do Rio de Janeiro, de Pernambuco e Bahia, ricas em beleza e alegria, arte e tradição, atraindo milhões de pessoas e a atenção de todo o país. Aqui vamos conhecer um pouco do carnaval à moda baiana e pernambucana.

Carnaval da Bahia

Hoje, a folia nas ruas de Salvador é um exemplo de manifestação popular. Mas o carnaval da Bahia já foi para poucos, como no fim do século XIX. Entre 1870 e 1890, era festejado em bailes de clubes e desfiles nas ruas da classe média. A inspiração desses eventos era a Europa, com fantasias e carros alegóricos ao estilo da Itália, e não havia a participação de negros e mulatos.

Estes, porém, criaram suas próprias festas, muitas vezes clandestinas, em que o ritmo africano se destacava. Não demorou para que se organizassem os primeiros grupos carnaval escos na tradição afro, como os afoxés, surgidos em 1895.

Os afoxés são a maior representação da cultura africana no carnaval da Bahia. Sua marca é a ligação com a espiritualidade, em que elementos do Candomblé estão muito presentes. Vêm desta tradição religiosa as danças realizadas no desfile, o canto, na língua Nagô, os instrumentos musicais utilizados - atabaques, agogô, gam e xerê -, assim como a roupa e os adereços dos que desfilam: bata, calça e turbante da cor branca, que simboliza a paz de Oxalá, e as Contas dos Orixás (colar de miçangas usado como sinal de respeito a um Orixá e da proteção deste).

Os afoxés surgiram como manifestações dos Jejé-Nagôs, adeptos do Candomblé para quem é quase obrigação levar o axé (energia positiva) aos festejos. O mais famoso dos afoxés é o Filhos da Ghandi.

Foi só depois dos anos 40 que o carnaval de influência africana se espalhou dos bairros populares para o Centro de Salvador. Essa ocupação de espaço foi definitiva e o primeiro fator de transformação da folia baiana no que hoje ela é. Hoje, além dos afoxés existem os blocos afro, cada vez mais numerosos, mostrando muita riqueza visual e uma musicalidade própria.

É uma arte tão forte que tem transcendido o carnaval e conquistado espaço na cultura brasileira como um todo. Nacionalmente conhecidos, com presença freqüente na mídia, os grupos Araketu e Ilê Ayê, ligados aos blocos com mesmo nome, são dois exemplos desse fenômeno.

Eletrificando a folia

O segundo fator de transformação do carnaval na Bahia foi o surgimento do Trio Elétrico. É o elemento mais popular dos festejos de Salvador, estando hoje também presente nas festas carnaval escas de outras cidades, em todo o país. Foi inventado em 1950, por Dodô (Adolfo Nascimento) e Osmar (Osmar Macedo), que pesquisaram como aumentar eletricamente o som de instrumentos de corda, puseram amplificadores num carro Ford 49 e lançaram um novo modo de fazer carnaval .

Em 1951, chamaram Temístocles Aragão e, aí, sim, fizeram um trio. Um ano depois, passaram do automóvel para um caminhão decorado, numa jogada de marketing de uma empresa de bebidas, e desde então os trios elétricos são montados em grandes veículos.

Trios, sim, porque a idéia de Dodô e Osmar multiplicou-se. E cresceu. Hoje, algumas das grandes atrações do carnaval baiano são trios elétricos, como o Tapajós, o Marajós e o Cinco Irmãos. Grandes blocos e cordões de Salvador também têm seus trios, destacando-se o Eva, o Trás os Montes, o Camaleão e o Cheiro de Amor.

Estrelas da MPB, como Daniela Mercury, apresentam-se em trios, enquanto outras os imortalizaram - quem não se lembra de Caetano Veloso cantando "atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu"?

O som dos trios elétricos tem influência do frevo. Em 50, Dodô e Osmar tocaram músicas da Academia de Frevo do Recife. Inspiraram-se na passagem do grupo pernambucano Vassourinhas pela Bahia, que foi um sucesso. Então, os trios elétricos trouxeram para o carnaval baiano uma outra tradição musical, e a modificaram para uma sonoridade elétrica. A isto somou-se a cadência, o balanço africano típico da Bahia, e o resultado é uma mistura que conquistou o Brasil. Prova são as micaretas, os carnavais tardios que entram nos calendários culturais de cidades de todas as regiões.

Mas a Bahia é a origem de todas essas celebrações e tem no encontro de trios e blocos na Praça Castro Alves a apoteose de seu carnaval . É nesse ponto que os foliões formam uma multidão que ultrapassa o milhão de pessoas e, com sua animação, sua alegria espontânea, mostram que o carnaval está no coração do povo. Axé!

Carnaval de Pernambuco

A folia pernambucana chama atenção pela riqueza cultural. Os Maracatus, o Frevo e outras manifestações populares mostram a todo momento heranças africanas, indígenas e européias. As tradições não tiram a espontaneidade da festa, e sim a tornam mais fascinante. Um espetáculo que toma conta de Recife e Olinda, mas que também se faz presente no interior, assim como em outras cidades do litoral.

O carnaval de Pernambuco deriva tanto do Entrudo português quanto de cortejos de escravos, que remontam ao Brasil Colônia. No século XIX, a festa carnaval esca ganhou de vez sua identidade brasileira e pernambucana, com a criação e o desenvolvimento do frevo.

O Frevo

Nascido em Recife, o frevo é uma curiosa mistura da música de bandas militares com os ritmos do maxixe e do pastoril, da modinha e da quadrilha, e até da polca e do tango. Sua dança ainda recebeu influência da capoeira. A partir dos anos 30, o frevo, cujo nome é uma transformação do verbo "ferver", dividiu-se em três estilos: o frevo-de-rua, instrumental, para dançar; o frevo-de-bloco, de andamento mais lento, cantado muitas vezes por corais femininos; e o frevo-canção, também mais lento, com uma parte instrumental e outra cantada.

Em torno dessa manifestação musical, os foliões se juntam em vários tipos de grupos. Os mais conhecidos são os clubes de frevo, como o Vassourinhas, o Lenhadores e o Toureiros de Santo Antônio. Por incrível que pareça, originaram-se de procissões coloniais da Quaresma, de Cinzas e do Fogaréu. Estes movimentos eram ligados a grupos de trabalhadores e, por isso, no passado, os clubes eram predominantemente masculinos. Hoje, claro, homens e mulheres brincam neles, ao som do frevo-de-rua.

Uma versão menor e ainda mais informal dos clubes são as troças, que se reúnem nos subúrbios, têm a tradição de ironizar e zombar dos poderosos e chamam atenção pelos nomes absurdos, como Cachorro do Homem do Miúdo.

Existem, ainda, os blocos, festejos originalmente realizados por famílias, grupos de amigos e de vizinhos. Deles participavam mulheres e crianças, no tempo em que os clubes eram masculinos, e por isso a sua música era menos frenética, tendência que produziu o frevo-de-bloco.

Os Maracatus

A manifestação de carnaval que mais evoca o passado colonial de Pernambuco é a dos maracatus. Eles são uma forte herança africana com elementos europeus: simbolizam cortejos em homenagem aos reis negros, que no Brasil, mesmo escravos, expressavam sua condição especial em ritos imitados da nobreza branca.

Os maracatus se organizam em grupos chamados Nações, destacando-se a do Elefante e do Leão Coroado, que desfilam desde o século XIX. O desfile de um maracatu mantém a ordem de um cortejo: é aberto pelo embaixador, que porta o estandarte de sua Nação, seguido pelo rei e a rainha, protegidos pela grande umbela, um enorme guarda-sol giratório. Logo atrás vêm as baianas e damas do paço, que cuidam do ritmo. Junto, vem carregada uma grande boneca de cera, a calunga, uma referência religiosa aos antepassados.

A música do maracatu não tem a rapidez esfuziante do frevo, mas é marcante pelo ritmo e a percussão. Sua sonoridade tem influenciado a nova música pernambucana, como prova o movimento Mangue Beat, que, surgido nos anos 90 com a liderança de Chico Science, mistura a batida do maracatu com elementos da moderna música eletrônica.

Outras manifestações

A folia de Pernambuco tem como destaques o frevo e o maracatu, mas sua diversidade garante espaço para outros festejos e brincadeiras, por si só muito interessantes.

Os Caboclinhos, por exemplo, impressionam pelas fantasias, com cocares de penas de ema, pavão e avestruz. São grupos que representam os índios, com dança e música cheios de tradições genuinamente indígenas. Um de seus destaques é a preaca, um instrumento percussivo parecido com o arco de flecha.

Já os Papangus são foliões mascarados e fantasiados com túnicas ou macacões que cobrem todo o corpo. Uma versão nordestina, mais irreverente, dos Clóvis. Na cidade sertaneja de Bezerros eles fazem o espetáculo: usam belas máscaras artesanais e participam do concurso de Melhor Papangu, que chega a reunir 3 mil candidatos.

O bumba-meu-boi, um auto de Natal, é tão presente na cultura pernambucana que ganhou uma versão foliã, o Boi do carnaval . Nas ruas, divide espaço com outro animal, o Urso - na verdade, um homem fantasiado, preso por uma corrente a seu "domador" ou "caçador". A dupla faz muitas brincadeiras, acompanhada de músicos que tocam sanfona, triângulo e ganzá. Este é um folguedo de origem cigana.

Como se toda essa variedade não bastasse, Pernambuco também tem escolas de samba e afoxés. Não é à toa que seu carnaval é um dos principais do Brasil, e uma festa de recordes. Que o diga o bloco Galo da Madrugada: saindo em Recife, no Sábado do Zé Pereira, freqüenta o livro Guiness desde 1995 como a maior agremiação carnaval esca do mundo. Pelas ruas da capital pernambucana o Galo leva nada menos que um milhão e meio de pessoas!

Sergio Henrique Martins

Egípcios caindo no samba?

Há mais de 10.000 anos (quando Raul Seixas nem era nascido), egípcios pintavam seus corpos, cantavam, dançavam e bebiam em volta de fogueiras, usando máscaras e fantasias, em rituais celebrando a agricultura. Este pode ser considerado o carnaval primitivo.

As festas na Antigüidade se relacionavam a deuses. Primeiramente a deuses da natureza, como o sol, a água, o fogo e a terra, e mais tarde aos deuses antropomorfos (representados por figuras humanas), como a egípcia Íris e o grego Baco (equivalente ao romano Dionísio). Os chamados rituais dionisíacos ou bacanais tinham o espírito do carnaval : homenageavam o deus do vinho, do teatro, do prazer e da libertinagem (a liberdade de livrar-se de condutas oficialmente aceitas).

O período dos festejos também condizia com a comemoração dos dias de hoje: entre 17 de dezembro (quando ocorriam as Saturnais) e 15 de fevereiro (quando se iniciavam as Lupercais). As Saturnais celebravam o deus romano Saturno (Cronos, para os gregos), da agricultura, saudando a chegada da primavera, a renovação da vida depois de um inverno frio e sem colheita.

Já as Lupercais representavam a purificação, em homenagem ao deus Pã, que matou a loba que aleitou Rômulo e Remo, fundadores da cidade de Roma. Durante os festejos das Saturnais a ordem social era invertida, e os escravos podiam ridicularizar publicamente os seus senhores.

Com o crescimento do Cristianismo, todos esses rituais foram considerados pagãos, e condenados pela Igreja, mas eles já estavam tão integrados à cultura popular que não houve jeito: por mais que as pessoas se convertessem ao Cristianismo, não abriam mão das festas tradicionais.

A Igreja não podia tornar oficiais todas aquelas festas tão libertinas (as Saturnais foram uma exceção) e nem lutar contra elas. Teve que aceitá-las, fazendo "vista grossa" e adaptando o carnaval aos limites do calendário Cristão: entre o dia de Reis (6 de janeiro) e a quarta-feira de Cinzas, véspera da Quaresma.

Aliás, o nome carnaval vem justamente do rito cristão de não se comer carne durante os 40 dias de Quaresma (da quarta de Cinzas até o domingo de Páscoa): carnem levare, em latim, significa "abstenção de carne".

Como vemos, até no libertário carnaval respeitamos tradições religiosas. Portanto, pode pular sem culpa, que temos a Quaresma inteira para nos redimir e ficar longe da carne.

Das máscaras venezianas ao "entrudo" português

Os festejos de carnaval , com todos os atos e ritos cômicos que a ele se ligaram, ocupavam um lugar muito importante na vida do homem medieval. Além dos carnavais propriamente ditos, que eram acompanhados de atos e procissões complicadas que incluíam as praças e as ruas durante dias inteiros, celebrava-se também a "Festa dos Tolos" (festa Stultorum) e a "Festa do Asno"; existia também um "Riso Pascal" (Risus Paschalis) muito especial e livre, consagrado pela tradição. (...) O carnaval é a segunda vida do povo, baseada no princípio do riso. É a vida festiva. A festa é a propriedade fundamental de todas as formas de ritos e espetáculos cômicos da Idade Média.

Durante a Idade Média e o Renascimento, em toda a Europa eram praticados festejos com características carnaval escas. A Igreja continuava dividida, entre "cristianizar" as festas, associando-as a datas religiosas, ou condená-las. Os Concílios Eclesiásticos debatiam essa questão, sob a influência de Papas mais tolerantes ou mais rígidos.

O Papa Gregório I, o Grande, foi quem incorporou oficialmente o carnaval ao calendário cristão, no século VI d.C. Porém os excessos levaram Roma a proibir as comemorações durante um bom tempo. O Papa Paulo II, já no século XV, foi um dos maiores simpatizantes do carnaval , que em Roma consistia em corridas de cavalos, desfiles de carros alegóricos, guerras de confete e outros costumes.

O próprio Papa Paulo II introduziu o baile de máscaras às tradições do carnaval romano, sob a inspiração da Commedia del' Arte. Daí surgiriam as famosas máscaras do carnaval veneziano, e também os personagens Arlequim e Colombina.

Os bailes conquistaram as Cortes nos séculos XV e XVI, e um Rei chegou a morrer "no salão": Carlos VI foi assassinado em uma festa carnaval esca, fantasiado de urso. Eram comuns os casos de abusos praticados atrás das máscaras, durante e depois do carnaval , o que fez as autoridades proibirem seu uso no início do século XVII.

Em Nuremberg, Alemanha, havia uma procissão de um único carro alegórico, Hölle, muitas vezes em forma de navio. As festas em torno de carros-navios, praticadas desde a Antigüidade, fizeram surgir a hipótese de que a palavra carnaval teria origem em carrum navalis, o que foneticamente parece bastante lógico, mas não foi comprovado historicamente.

Outra variante do carnaval , comum em Portugal e na Hungria, era o Charivari. A população saía às ruas, fazendo algazarra, cantando e caçoando das pessoas mais estranhas ou impopulares do lugar. Bonecos representando os "homenageados" eram crucificados e queimados, o que nos faz lembrar a nossa "malhação do Judas".

Apesar de diminuírem a partir do século XVIII, as inúmeras tradições festivas da Idade Média e Renascimento não foram esquecidas, sendo adaptadas e revividas nos séculos XIX e XX, tanto no Velho como no Novo Mundo.

Assim, em cidades como Nice, Veneza, Munique, Colônia, e até em New Orleans, nos Estados Unidos, o carnaval leva adiante a tradição milenar das festas populares.

Mas, em nosso país, o "pai" do carnaval não poderia vir de outro lugar que não Portugal: a festa do Entrudo, que trouxe para o Brasil Colônia agressivas "batalhas" de rua, com água e farinha. No século XVIII, os ingredientes já incluíam ovos podres, tangerinas e tomates estragados. O Entrudo foi a principal comemoração carnaval esca no Brasil durante quase três séculos.

Até a Corte se rendia à farra, obviamente com líquidos de melhor procedência e odor. O Paço Imperial era palco das brincadeiras do jovem Dom Pedro II, seus familiares e amigos. Dizem que mesmo já velho, no Palácio Imperial de Petrópolis, o Imperador festejava com os mais íntimos. Mas os excessos populares eram combatidos com rigor pelas autoridades. O famoso arquiteto Grandjean de Montigny, por exemplo, teria morrido em decorrência de um choque corporal com um entrudo mais agressivo. A violência provocava proibições oficiais, que, como em outros tempos, não davam em nada.

Os primeiros bailes de carnaval no Brasil datam de 1840. As músicas ainda eram as lusitanas, especialmente quadrilhas e as chamadas "chanças". Isso até surgir o Zé Pereira.

Lorenzo Aldé

Fonte: www.educacaopublica.rj.gov.br

História do Carnaval

O carnaval é considerado uma das festas populares mais animadas e representativas do mundo. Tem sua origem no entrudo (costume de se brincar) português, onde, no passado, as pessoas jogavam uma nas outras, água, ovos e farinha.
O entrudo acontecia em um período anterior a quaresma e, portanto, tinha um significado ligado a liberdade. Este sentido permanece até os dias de hoje no carnaval .

Danças e Festas

Artes Populares são manifestações espontâneas da arte Brasileira. É a arte feita pelo povo. A arte popular é feita por artistas que permanecem sempre ligados a seus ambientes de origem, e, basicamente é consumida por sua comunidade, em seu meio social.

Objetos de cerâmica ou de tecelagem, manifestações feitas na rua, ditos populares ou ainda histórias contadas e inventadas em rodas de conversa e passadas pelas pessoas através dos tempos compõem a Arte Popular

A cultura e a tradição dos povos são expressas tanto pelas cerimônias e festivas quanto pelos rituais religiosos. As celebrações reafirmam laços sociais e raízes que aproximam as pessoas, movimentam e resgatam lembranças e emoções.

Mesmo com enfoques diferenciados, as festas populares têm características semelhantes como as manifestações do canto, da dança, da música. As festas populares e religiosas traduzem a cultura popular, a linguagem do povo, tudo que vem dele e de sua alma.

São principalmente importantes pelo o espírito de troca e fortalecimento dos laços dos integrantes de uma comunidade.

À medida que essas festas são desmotivadas e desaparecem como aconteceu na cidade de Cruzeiro, quase que completamente, os laços que unem as pessoas da comunidade são enfraquecidos até serem destruídos completamente dando lugar ao vazio social, que tem como conseqüência a destruição os valores sociais tradicionais, a educação social.

Uma comunidade assim desestimulada, enfraquecida e desarticulada torna-se vulnerável aos abusos do poder administrativo, aos vícios diversos.

É quase impossível ter-se uma sociedade organizada e participante sem tradição, sem festas populares, sem festas folclóricas que são, na verdade, o elo de fortalecimento dos diversos atores sociais.

Enfraquecer a sociedade negando e destruindo suas tradições, portanto, é um ato de vontade política administrativa que convém aos grupos manipuladores do poder e dos cofres públicos.

A princípio estas manifestações populares são ridicularizadas, depois, são destituídas de sentido através do desconhecimento de seus significados, para terminam qualificadas como primitivas e incultas, portanto desvalorizadas e rejeitadas pela maioria.

Esse processo de desmotivação popular é uma ferramenta eficiente para a manutenção do poder que ao mesmo tempo não oferece alternativas de desenvolvimento cultural a comunidade, promovendo assim, a paraliação, a estagnação cultural do município, a negação do direito fundamental à cultura e à informação.

Vimos acontecer isso em Cruzeiro. Essa desvalorização da cultura popular via desmobilização, na proposta que mudou, por exemplo, a nossa festa da "Santa Cruz" do seu local tradicional para o chamado "festódromo", espaço oficial onde devem ser realizadas, obrigatoriamente, as festas populares.

As barracas e brincadeiras que aproximavam os munícipes no trabalho para fins de arrecadação beneficentes, fortalecendo os laços sociais, foram substiuídas por espaços comerciais, sem vínculos profundos com a comunidade e com fins lucrativos. Comerciantes alugam os espaços e garantem arrecadação aos cofres públicos, em detrimento das iniciativas de artes populares.

Perdeu-se portanto a tradição, a linguagem, a espontaneidade, a naturalidade dessa manifestação de arte popular; estímulou-se o enfraquecimento dos laços sociais e promoveu-se as inúmeras consequências negativas daí, advindas.

CONHEÇA O SIGNIFICADO E AS MAIS IMPORTANTES MANIFESTAÇÕES DA CULTURA, DA ARTE POPULAR BRASILEIRA

Danças e Festas

Danças Populares

Congada

É uma procissão de escravos feiticeiros, capatazes, damas de companhia e guerreiros saem num cortejo, ao som de violas, atabaques e reco-recos, dançam simulando uma guerra e acompanham a rainha e o rei negro até a igreja ou o local onde serão coroados. Na época da escravidão e muito tempo depois os reis e rainhas coroados eram escolhidos seriamente para que não morresse a tradição do Congo.

Reisado

É festejo a véspera e o Dia de Reis. No período de 24 de dezembro a 06 de janeiro, um grupo de músicos, cantores e dançam e levam um estandarte do grupo, anunciam a chegada do Messias e fazendo louvações, por onde passam. O Reisado se compõe de várias partes e tem diversos personagens como o rei, o mestre, contramestre, figuras e moleques e músicos que acompanham o grupo.

Maracatú

É uma dança típica do Nordeste. Maracatu é um termo africano que significa dança ou batuque, no qual um grupo fantasiado faz saudações aos orixás, em um cortejo carnaval esco onde reis, rainhas, princesas, índios emplumados e baianas dançam nas ruas, pulando e passando de mão em mão a calunga, boneca de pano enfeitada, presa num bastão. Teve origem nas Congadas, cerimônias de escolha e coroação do rei e da rainha da "nação" negra. Ao primeiro acorde do maracatu, a rainha ergue a calunga para abençoar a "nação". Atrás vão os personagens, com chapéus imensos, evoluindo em círculos e seguindo a procissão recitando versos que evocam histórias regionais.

Catira

Também chamado Cateretê é uma dança de origem indígena e dançada em muitos estados brasileiros. Foi bastante usada pelo Padre Anchieta que em sua catequese, traduziu para a língua tupi alguns textos católicos, assim enquanto os índios dançavam, cantavam trechos religiosos, por este fato é que muitos caipiras paulistas consideram muitas danças diabólicas, menos o cateretê. Os trajes usados são as roupas comuns de todo o dia. A dança varia em cada região do país, mas geralmente são dançadas em duas fileiras formadas por homens de um lado e mulheres do outro, sapateando ao som de palmas e violas. Também pode ser dançada só por homens. As melodias são cantadas pelos violeiros.

Marujada

De origem portuguesa, também é conhecida como Cateretê. Ao som da viola ou da sanfona, o grupo dança sapateando, ao som de uma mistura cantigas náuticas que retratam as conquistas marítimas e o heroísmo dos navegadores portugueses. Esse bailado não possui enredo ordenado, mas a apresentação do auto, começa sempre com a chegada de uma miniatura de barco à vela puxado pela tripulação, que é formada pelos componentes do grupo de dança.

Frevo

É uma dança e música típica do carnaval de rua e salão de Recife, Pernambuco. Tem coreografia individual e andamento rítmico muito rápido. Os passistas ou dançarinos, vestem com fantasias coloridas e agitam pequenos guarda-chuvas com função estética, e para alguns, de equilíbrio. Alguns pesquisadores dizem que o frevo possui elementos de várias danças como marcha, polca ou maxixe, outros pensam que ele foi influenciado pela capoeira. A música só é executada por instrumentos de sopro e surdos, e não é cantada, formando uma orquestra conhecida como Fanfarra.

Festas Populares

Bumba-meu-Boi

Uma das principais manifestações brasileiras, que provavelmente surgiu no final do século XVIII, chegou no Brasil com os negros escravos, por influência dos faraós do Egito África (adoradores do Boi Ápis, deus da Fertilidade), e logo se espalhou por todas as regiões do nosso país, com diferentes nomes e interpretações.

Este auto relata a história de um casal de negros retirantes que roubou e matou uma novilha de predileção de uma fazenda, e repartiu os pedaços com os outros negros. O fazendeiro dono do boi ficou tão desolado que mandou chamar um índio feiticeiro para que, na sua presença, com algumas palavras sagradas, o fizesse ressuscitar.

Boi-Bumbá, Bumba-meu-Boi, Boi-de-Reis, Bumba-Boi, Boi-Surubi, Boi-Calemba ou Boi-de-Mamão, são nomes dados a essa manifestação que tem na figura do boi o personagem central, representado por uma cabeça de boi empalhada, ou modelada, e de corpo feito de papel ou de pano colorido e muito enfeitado.

A dramatização é feita geralmente nas praças públicas, onde começam fazendo uma louvação religiosa. Ao som de cantigas entoadas por cantadores do conjunto musical que os acompanham, entremeiam-se pequenos quadros em que os atores representam suas preocupações cotidianas, sendo que no final o boi sempre ressuscita e sai dançando no meio de todos.

Cavalhada

Festa popular típica do estado de Alagoas, mas que acontece também em outros estados brasileiros, como Goiás e São Paulo, em diferentes versões. Este folguedo teve origem nos torneios medievais realizados na Europa, em praças próximas às igrejas, como num grande campo de batalha, onde cristãos e mouros se enfrentavam.

No Brasil, esta representação foi introduzida pelos jesuítas com o objetivo de catequizar os índios e os escravos africanos, mostrando o poder da fé cristã. Em uma espécie de torneio, os participantes formados por vinte e quatro cavaleiros, usando trajes especiais, são divididos em pares ou cordões, onde 12 cavaleiros vestidos de azul, representando os cristãos, e os outros 12 vestidos de vermelho, representando os mouros, executam manobras numa série de jogos.

A cavalhada acontece por ocasião de festas de santos e do Natal.

Festa do Divino

Tradicional festa popular nas diversas regiões brasileiras, foi trazida ao Brasil pelos Jesuítas do Reino de Portugal. A festa é realizada sete semanas depois do Domingo de Páscoa, dia de Pentecostes, onde a Igreja Católica comemora a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos.

Nos festejos temos novenas, procissões, leilões, quermesses, shows com fogos de artifício, muita música e apresentações de grupos de danças folclóricas como as congadas, catiras e moçambiques.

Enquanto grupos de cantadores visitam as casas dos fiéis para pedir donativos para a grande festa, personagens que simbolizam os membros da Corte, o Imperador e sua esposa, bem como os apóstolos e a Virgem Maria, ganham a vida divertindo o público que segue em procissão pelas ruas.

As crianças levando o estandarte do Divino formam a Roda dos Anjos. Atrás vão os bonecos gigantes (João Paulino, Maria Angu e a velha Miota). Encerrando a festa, temos a famosa cavalhada e depois a tradicional "comilância", onde é servido um cozido de carne com arroz e farinha de mandioca.

Festas Juninas

Uma das festas católicas mais concorridas em todo o país nos meses de junho e julho. Realizada em homenagem a São Pedro, Santo Antônio e São João, caracteriza-se como uma festa em que os aspectos profanos e sagrados apresentam-se totalmente interligados.

Em seu ritual há danças em volta da fogueira, brinca-se com balões coloridos e ainda ocorre a encenação de um casamento forçado, cujo enredo inclui uma tentativa de fuga por parte do noivo e a sua perseguição pelos familiares da noiva, que o alcançam e o obrigam a casar.

O gênero musical tocado na festa é o forró, a moda de viola e aqueles nos quais a sanfona é o principal instrumento.

Folia de Reis

Festa popular de caráter religioso e de origem portuguesa. Acontece entre o Natal e o dia 6 de janeiro, onde grupos de cantadores e músicos trajando fardamento colorido percorrem as ruas de pequenas cidades brasileiras, entoando cânticos bíblicos que relembram a viagem a Belém dos três Reis Magos (Baltazar, Belchior e Gaspar) para dar boas-vindas ao Menino Jesus.

O Alferes da Folia, chefe dos foliões, seguido dos palhaços do Reisado e de seus instrumentos, bate nas portas dos fiéis, de manhãzinha, para tomar café e recolher dinheiro para a Folia de Reis, oferecendo uma bandeira colorida, enfeitada com fitas e santinhos.

Do lado de fora, os palhaços vestidos a caráter e cobertos por máscaras, representando os soldados do rei Herodes, de Jerusalém, dançam ao som do violão, do pandeiro e do cavaquinho, recitando versos. No dia de Reis, 6 de janeiro, o dinheiro arrecadado é gasto em comes e bebes para todos.

Carnaval

A origem do carnaval é incerta; parece ligada remotamente a alguma comemoração pagã pela passagem do ano ou a chegada da primavera, ou ainda a festa de comemoração do tempo das colheitas. É possível que se origine das festas da Roma antiga.

Considera-se o carnaval uma festa caracteristicamente italiana, pois todo seu desenvolvimento está ligado à Itália (Roma, Florença, Turim e Veneza). Roma foi o maior centro de difusão, pois era lá que aconteciam os famosos desfiles de corso. O carnaval tem sido muito importante para a evolução do teatro popular, o cancioneiro e danças folclóricas.

Carnaval no Brasil

A mais popular festa brasileira é uma mistura de tradições européias adaptadas a um país tropical e uma sociedade com uma grande presença de descendentes africanos.

O carnaval de clubes reflete os bailes de máscaras de muitos séculos atrás; as escolas de samba, os desfiles de carros alegóricos da Europa e a música de rua mostram a influência africana; e finalmente o entrudo, que é uma festa portuguesa onde pessoas lançavam água, pó e outras substâncias em seus amigos. Estes quatro aspectos deram ao carnaval brasileiro um aspecto único que atrai turistas do mundo inteiro.

O uso das máscaras

A primeira máscara data de 30.000 anos A.C. e era fabricada e ornamentada para ser usada em celebrações, cultos e rituais de povos primitivos.

No Egito Antigo, o povo acreditava que para ajudar na passagem para a vida eterna tinha que se colocar uma máscara na face dos mortos.

Na China, as máscaras eram usadas para afastar os maus espíritos.

Os Gregos usavam as máscaras em cerimônias religiosas.

O teatro oriental, desde o início do século XX, usa a máscara como parte do figurino de suas peças.

O teatro ocidental, por muito tempo, fez uso das máscaras que traduziam as expressões de alegria e de tristeza, representando os sentimentos do personagem de um rei, de um guerreiro, entre outros.

Na Itália, os "bobos da corte", artistas do riso, transformaram-se em Arlequim, Pulcinella, Pierrot e Colombina, personagens que inspiraram o carnaval de Veneza.

As máscaras, misticamente falando, têm o poder de revelar ou ocultar sentimentos. Na necessidade do homem de se embelezar e de se transformar em uma outra identidade, surge em Veneza, no século XV, o primeiro baile de máscaras, "Ball Masquê", onde o uso da máscara também se fazia necessário devido a constantes conflitos políticos.

Os Cortesãos mascarados faziam brincadeiras, confiantes no anonimato, extravasando todos os seus impulsos reprimidos, libertando-os das normas sociais. Em Veneza, as máscaras também tornaram-se peças decorativas, transformando-se em principal atividade econômica para a região.

Fonte: www.unicruzeiro.org.br

História do Carnaval

O carnaval, na origem era uma festa pagã. Mas o interessante é que acontece durante três dias, antes de uma data cristã muito religiosa, a quarta-feira de cinzas, primeiro dia de um período chamado Quaresma, que termina com a Páscoa, celebração da ressurreição de Cristo.

O carnaval é considerado uma das festas populares mais animadas e representativas do mundo.

Tem sua origem no entrudo português, onde, no passado, as pessoas jogavam uma nas outras, água, ovos e farinha. O entrudo acontecia num período anterior à quaresma e, portanto, tinha um significado ligado à liberdade.

Este sentido permanece até os dias de hoje no carnaval . De origem européia o carnaval chegou ao Brasil através dos portugueses com o nome de entrudo. Aportou por cá, por volta do século XVII e foi influenciado pelas festas carnaval escas que aconteciam na Europa.

Em países como Itália e França, o carnaval ocorria em formas de desfiles urbanos, onde os carnaval escos usavam máscaras e fantasias. Personagens como a colombina, o pierrô e o Rei Momo também foram incorporados ao carnaval brasileiro, embora sejam de origem européia. Dizer que o carnaval é uma festa genuinamente brasileira é desconhecer fatos e datas históricas.

Porém, um detalhe tem que ser dito, quando essa festa aqui fincou pé, era uma festa mais calma, onde as pessoas desfilavam em carros abertos (Corso), e as músicas tinham uma forma alegre e saudosista, que agradavam a todos na época momina.

O corpo era símbolo de respeito humano e os foliões brincavam de forma ordeira e os bailes eram verdadeiros desfiles a fantasia e músicas, compostas somente para esse tipo de festa popular.

O que torna a festa carnaval esca diferente é a influência da cultura na festa carnaval esca, por isso é uma festa rica em detalhes. O carnaval é considerado uma das festas populares mais animadas e representativas do mundo. Tem sua origem no entrudo português, onde, no passado, as pessoas jogavam uma nas outras, água, ovos e farinha.

Aqui essa tradição perdura, principalmente no Nordeste, mas com outro nome, O mela-mela. O entrudo acontecia num período anterior à quaresma e, portanto, tinha um significado ligado à liberdade. Este sentido permanece até os dias de hoje no carnaval .

O entrudo chegou ao Brasil por volta do século XVII e foi influenciado pelas festas carnaval escas que aconteciam na Europa. Em países como Itália e França, o carnaval ocorria em formas de desfiles urbanos.

Não havia essa cultura espalhafatosa de mostrar o corpo seminu e em algumas ocasiões às mulheres desfilavam nuas, totalmente nuas, somente com um pequeno apetrecho, cobrinho a parte mais íntima de seu corpo. No Brasil, no final do século XIX, começam a aparecer os primeiros blocos carnaval escos, cordões e os famosos "corsos". Estes últimos, tornaram-se mais populares no começo dos séculos XX.

As pessoas se fantasiavam, decoravam seus carros e, em grupos, desfilavam pelas ruas das cidades. Está ai a origem dos carros alegóricos, típicos das escolas de samba atuais.No século XX o carnaval foi crescendo e tornando-se cada vez mais uma festa popular.

Esse crescimento ocorreu com a ajuda das marchinhas carnaval escas. As músicas deixavam o carnaval cada vez mais animado.A primeira escola de samba surgiu no Rio de Janeiro e chamava-se Deixa Falar. Foi criada pelo sambista carioca chamado Ismael Silva. Anos mais tarde a Deixa Falar transformou-se na escola de samba Estácio de Sá.

A partir dai o carnaval de rua começa a ganhar um novo formato. Começam a surgir novas escolas de samba no Rio de Janeiro e em São Paulo. Organizadas em Ligas de Escolas de Samba, começam os primeiros campeonatos para verificar qual escola de samba era mais bonita e animada.O carnaval de rua manteve suas tradições originais na região Nordeste do Brasil.

Em cidades como Recife e Olinda, as pessoas saem às ruas durante o carnaval no ritmo do frevo e no Ceará a cultura do maracatu.Na cidade de Salvador, existem os trios elétricos, embalados por músicas dançantes de cantores e grupos típicos da região.

Na cidade destacam-se também os blocos negros como o Olodum e o Ileyaê, além dos blocos de rua e do Afoxé Filhos de Gandhi.Por acaso você saberia definir a palavra Entrudo?

O entrudo é antigo jogo carnaval esco de origem ibérica que os portugueses trouxeram para o Brasil no século XVI, que aliás seguiu sendo praticado em Portugal até o final do século XIX. A brincadeira consistia em lançar nas pessoas água, líquidos diversos, farinha e outras substâncias.

No Rio existiu até a primeira década do século XX, mas em outras partes do Brasil sobrevive até os dias de hoje. Nós mesmos já participamos desta brincadeira no Recife, onde é conhecida por mela-mela.As grandes sociedades foram projetadas para ocupar e pautar as celebrações do carnaval carioca, até então dominado pelo entrudo, pelo recém inventado Zé Pereira, por mascaradas e cucumbis.

Formadas por grupos da elite que vivia na capital do país, as grandes sociedades buscaram e deram, até certo ponto, uma nova aparência e conteúdo para o carnaval do Rio de Janeiro. A pobreza, o arcaísmo e a grosseria característicos do carnaval popular, principalmente do entrudo e do Zé Pereira, predominam.

O que era para se tornar uma festa alegre com a predominância da alegria, do entretenimento infelizmente nos dias de hoje é um verdadeiro  campo de concentração , onde através da irresponsabilidade de alguns, o que era para se tornar uma festa alegre, ao final termina em verdadeira tragédia.

ANTONIO PAIVA RODRIGUES-MEMBRO DA ACI E ALOMERCE

Fonte: www.letraseartes.com.br

História do Carnaval

Em Roma, em Glória ao deus Saturno, comemoravam-se as Saturnais.Esse festejos eram de tamanha importância que tribunais e escolas fechavam as portas durante o evento, escravos eram alforriados, as pessoas saíam às ruas para dançar. A euforia era geral. Na abertura dessas festas ao deus Saturno, carros buscando semelhança a navios saíam na "avenida", com homens e mulheres nus. Estes eram chamados os carrum navalis.

Muitos dizem que daí saiu a expressão carnevale.

A história do carnaval começa no princípio da nossa civilização, na origem dos rituais, nas celebrações da fertilidade e da colheita nas primeiras lavouras, às margens do Nilo, há seis mil anos atrás.Os primeiros agricultores exerciam a capacidade humana, que já nas nas cavernas se distingiuia em volta da fogueira, da dança, da música, da celebração...

Foram na intenção da Deusa Isis, no Egito Antigo, as primeiras celebrações carnaval escas.Com a evolução da sociedade grega evoluiram os rituais, acrescidos da bebida e do sexo, nos cultos ao Deus Dionisus com as celebrações dionisíacas.Na Roma Antiga bacanais, saturnais e lupercais festejavam os Deuses Baco, Saturno e Pã. A Sociedade Clássica acrescenta ainda uma função política de distenção social às celebrações, tolerando o espírito satírico, a crítica aos governos e governantes nos festejos.

A civilização judaico cristã fundamentada na abstinência, na culpa, no pecado, no castigo, na penitência e na redenção renega e condena o carnaval e muito embora seus principais representantes fossem contrários à sua realização, no séc. XV, o Papa Paulo II contribuiu para a sua evolução imprimindo uma mudança estética ao introduzir o baile de máscaras quando permitiu que em frente ao seu palácio, na Via Lata, se realizasse o carnaval romano.

Como a Igreja proibira as manifestações sexuais no festejo, novas manifestações adquiriram forma: corridas, desfiles, fantasias, deboche e morbidez. Estava reduzido o carnaval à celebração ordeira, de carater artístico, com bailes e desfiles alegóricos.

Depois do Egito, o primeiro, do segundo em Grécia e Roma Antigas e do terceiro, no Renascimento Europeu, particularmente em Veneza, o carnaval encontra no Rio de Janeiro o seu quarto centro de excelência resgatando o espírito de Baco e Dionisus em tese de Hiram Araújo, estudioso do carnaval e do samba, ao contar uma história que completa seu sexto milênio e que acompanha a própria história da humanidade, a história do carnaval , considerando os seus Centros de Excelência, dividida em quatro períodos: o Originário, (4.000 anos a.C. ao século VII a.C.), o Pagão, (do século VII a.C. ao século VI d.C.), o Cristão ( do século VI d.C. ao século XVIII d.C.) e o Contemporâneo (do século XVIII d.C. ao século XX).

"Centros de Excelência responsáveis pela criação e irradiação dos modelos da festa.

Cada Centro de Excelência do carnaval , age como verdadeira usina de forças centrípetas absorvendo as culturas dos povos e de forças centrífugas irradiando os modelos de carnaval para o mundo. Os padrões de carnaval irradiados sofrem adaptações nas cidades em que os carnavais ocorrem."

Cronologia do carnaval

a.C

4.000 Criação do calendário egípcio, o mais antigo do mundo. Com a descoberta da agricultura são iniciadas as Festas Agrárias dos povos primitivos.

3.761 Criação do Calendário Judeu.

2.000. Surgimento do Deus Campestre Dioniso, na Trácia.

605 a 527. Oficialização das festas a Dioniso (culto a Dioniso) durante o reinado de Pisistrato em Atenas.

443 a 429 Reinado de Péricles. A cidade de Atenas se projeta como um grande centro de arte. Início da repressão ao culto a Dioniso na Grécia. Referências de cultos semelhantes ao de Dioniso no Egito, a festa da Deusa Ísis e do Touro Apís; entre os Hebreus, a Festa das Sáceas; entre os Babilônios, a festa da Deusa Herta.

370 Atenas perde a hegemonia nas artes.

186 As Bacanais em Roma geram desordens e escândalos, fatos que levam o Senado Romano a reprimi-las.

45 Criação do Calendário Juliano, pelo astrônomo Sosígenes, a pedido do Imperador Júlio Cesar.

8 Reforma do Calendário Juliano, por sugestão do Imperador Augustus (acrescentou 31 de agosto )

d.C.

325 Concílio de Nicéia, discussão sobre as festas populares.

476 Queda de Roma.

590 Gregório I, O GRANDE regulamentou as datas do carnaval , e criou a expressão - "dominica ad carne levandas" - que foi sucessivamente sendo abreviada até a palavra carnaval .

1464 O PAPA PAULO II incentiva o carnaval de Veneza.

1582 Gregório XIII reforma o Calendário Juliano criando o Calendário Gregoriano, usado até hoje.

1711 Acontece no cemitério dos Inocentes durante o reinado de Carlos V (1711-1790) uma Mascarada que tomou o nome de Dança Macabra..

Início das festas de coroação dos Rei e Rainha do Congo

Um grupo de mascarados entrou na rua da Quitanda e assassinou Ducler comandante da frustada invasão francesa.

1723 Introduzido pelos portugueses, das ilhas da Madeira dos Açores e do Cabo Verde que chegaram ao Brasil pelo litoral a partir de Porto Alegre ao Espírito Santo, o Entrudo brasileiro.

1763 O Rio de Janeiro é levado à categoria de Capital do País.

1767 É construído o primeiro teatro da cidade, a Casa de Ópera, na rua do Jogo, atual Rua dos Andradas.

1800 Data deste ano o início da procissão dos ossos, um dos mais antigos cortejos religiosos. A procissão dos ossos deixou de se realizar após 1850, quando o Imperador daí em diante passou a indultar os condes condenados à última pena.

1861 Os zuavos carnaval escos, oriundos do Congresso das Sumidades carnaval escas após um incêndio em pleno domingo de carnaval , ganham o nome de Tenentes do Diabo.

1878 Surge a Sociedade carnaval esca Boêmia, que introduziu no carnaval Carioca a fantasia CHICARD ou seja, qualidade do que é Chic.

1880 Surge o "morcego" no carnaval

1885 Segundo Marisa Lyra: a Flor de São Lourenço foi o primeiro Cordão da Cidade.

Chega ao Brasil a Polca nos palcos do Teatro São Pedro

1889 Surge a Sociedade carnaval esca Triunfo das Concubinas, o primeiro cordão organizado da Cidade.

As Grandes Sociedades resolvem desfilar na Terça-feira gorda, pois este dia era considerado o dia da verdadeira festa do carnaval .

A compositora Chiquinha Gonzaga compõe O ABRE-ALAS, considerada primeira música de carnaval .

1892 carnaval foi transferido para os dias 26 - 27 e 28 de junho, por ser um mês considerado mais saudável. A ordem foi do Ministro do Interior. O povo comemorou nesse ano dois carnavais.

1901 As passeatas carnaval escas passam a se chamar Préstitos.

O antigo Morro da Providência muda de nome e passa a se chamar Morro da Favela. Mais tarde o termo se estendeu a todos os morros com barracos de madeira.

1904 Oficializado o nome Tenentes do Diabo para os Zuavos.

1910 O carnaval é transferido para junho porque morreu o Barão do Rio Branco. Houve dois carnavais.

O surgimento do samba foi um poderoso fator de democratização do Rio de Janeiro. De início a elite reage à "manifestação africana". Imprensa e modernidade acabam por aproximar sambistas e elite.

1925 Realiza-se o primeiro concurso de sambas e marchinhas no Teatro São Pedro.

Instituído o Dia dos Ranchos (JB)

Fundado o Centro do Cronista carnaval esco (CCC)

1927 A Gazeta de Notícias realiza a última batalha de confete.

1933 É criada a Associação dos Ranchos carnaval escos

Por iniciativa da ACC é criada a Associação dos Blocos carnaval escos.

É organizada a noite dos Blocos.

1936 Eloy Anthero Dias é eleito Cidadão Samba

1937 Proibido o uso de lança-perfume.

1944

Despedida: Zé Espinguela, criador do 1º concurso entre Escolas de Samba

1946 O chamado carnaval da Vitória (desfile das Escolas de Samba) foi organizado pela União Geral das Escolas de Samba (UGES) e patrocinado pela Associação dos Cronistas carnaval escos (ACC), por que o Departamento de Turismo da Prefeitura se negou a fazê-lo.

1947 É extinta a Escola de Samba Deixa Malhar, sua bateria para a nova Escola de Samba Império Serrano, através do Mano Eloy. O quesito riqueza, escultura e iluminação é substituído por alegorias.

1949 Primeira transmissão do carnaval pela Rádio Continental com Paulo Palut, Afonso Soares, Cid Ribeiro e Jorge Sampaio.

Helegária dos Anjos - cria o primeiro destaque de Escola de Samba

1950 Desaparece a Escola de Samba Fiquei-Firme

1952 As Escolas de Samba passam a ser divididas em Grupos.

1955 Calixto introduz os pratos (instrumento musical) na Império Serrano - enredo Duque de Caxias.

1958 Criação do "Grupo Pelés do Samba" na Império Serrano formado por Careca, Jorginho do Império e Jamelão. É precursora da ala "Sente O Drama". A ala dos impossíveis da Portela lança os passos marcados.

1960 Arlindo Rodrigues e Fernando Pamplona, introduzem elementos visuais de figurino e cenografia no desfile da Acadêmicos do Salgueiro , com o enredo Quilombo de Palmares, que revoluciona definitivamente a forma das escolas de samba se apresentarem

1961 Portela e Mangueira passam a cobrar ingressos para o público assistir aos ensaios de quadras. É nomeado Secretário de Turismo, Victor Bouças e Diretor de Certames Miecio Tati.

1962 Realiza-se o 1º Congresso na cidade do Rio de Janeiro. Ë instituído o Dia Nacional do Samba.

1963 Desaparecem os bondes da Cidade Fundada a Ala Sente O Drama do Império Serrano

1966 Realiza-se na cidade de Santos o 1º Simpósio do Samba. David Ribeiro, Adir Botelho, Fernando Santoro, a Trinca, vencem o concurso de decoração da cidade do Rio de Janeiro (Debret)O quesito "Bandeira" é julgado pela última vez.

1967 Assume a Secretaria de Turismo, Carlos Late, jornalista que assinava uma seção no jornal Última Hora com o pseudônimo de João da Ega. Albino Pinheiro é convidado para ser seu principal assessor. Realiza-se na cidade de Santos o 2º Simpósio do Samba.

1968 A Portela coloca pela primeira vez a Águia no Abre-Alas (escultura de Bira Sargento)

1969 Realiza-se na cidade do Rio de Janeiro o 3º Simpósio do Samba.

Despedida: Ataulfo Alves, compositor

1970 Torna-se obrigatório o envio dos croquis das alegorias e fantasias à censura. Fundado o Bloco Cacique de Ramos, em 20/01

Despedida: Nair Pequena, fundadora da Mangueira, em 11/02

1971 Instituído o tempo dos desfiles das Escolas de Sambas.

1972 Criada a RIOTUR S/A. Empresa de Turismo do Estado da Guanabara - Lei nº 2079 de 14 de julho, assinado pelo Governador Chagas Ribeiro, sendo o seu o primeiro presidente Aníbal Uzeda de Oliveira. A "Trinca" vence o concurso de decoração da cidade com o tema "O Circo Vem Ai".

A Mangueira inaugura a sua quadra de ensaios, o Palácio do Samba, em 07/04

É assinada a escritura de compra da sede da Associação das Escolas de Samba, na rua Jacinto, 67 - Méier, em 27/05

Despedida: Ciro Monteiro, cantor e compositor.

1974 Nascimento, em pleno desfile, de Adeiladinha, filha da passista Finoca que tomara o lugar de Cecí, porta bandeira da Azul e Branco (uma das 3 escolas que deram origem ao Salgueiro), grávida, ostentou o pavilhão até que num volteio mais veloz precisou apoiar-se no mestre-sala Ranulfo. Adelaidinha até os dias de hoje é uma das passistas da Acadêmicos do Salgueiro, ao lado de Finoca.

Despedida: Donga, sambista.

1975 Realiza-se na cidade de Campos o 4º Simpósio do Samba.

Despedida: Natalino José do Nascimento, o Natal da Portela - pres. de Honra da Portela.

1976 É nomeado Coordenador dos Desfiles das Escolas de Samba (RIOTUR) Albino Pinheiro

1977 É nomeado Coordenador dos Desfiles das Escolas de Samba (RIOTUR) Roberto Faissal

1978 Realizado o IV Simpósio do Samba no dia 02 e 03 de dezembro, na Cidade de Campos. É nomeado Coordenador dos Desfiles das Escolas de Samba (RIOTUR) Paulo Matias.

Despedida: Antônio Candeia, em novembro - compositor da Portela.

1979 Publicação de carnaval , malandros e heróis de Roberto da Matta. Realiza-se na cidade de São Paulo o 5º Simpósio do Samba.

1980 Criada a Fundação Européia das Cidades de carnaval (FECC) em Amsterdã, Holanda, cujo principal objetivo é promover encontros anuais nas cidades do mundo que produzem carnaval . Seu Presidente Henry Van der Kroon.

Suprimido os quesitos Mestre-Sala, Porta-Bandeira e Comissão de Frente.

É nomeado Coordenador dos Desfiles das Escolas de Samba (RIOTUR) Antônio Lemos (jornalista, cronista, carnaval esco, ex-diretor do Império Serrano, foi Coordenador de Desfiles que mais tempo permaneceu no cargo (até 1990). Disciplinou os desfiles com uma série de atos que persistem até hoje - 1997).

Fundada a Fundação Européia das Cidades de carnaval (FECC), na Holanda. Pres. Henry Van Den Kronn.

1981 1e FECC REUNION - PATRAS - 1o Congresso Mundial de carnaval

A RIOTUR S.A. institui o concurso Zé Pereira, como estímulo ao carnaval de rua, uma criação de Osmar Frazão. Morrem Neide (porta-bandeira), Mestre André e Cartola ( o 1º da Mocidade Independente e o 2º da Mangueira).

Torna-se obrigatória a presença de uma ala de crianças nos desfiles das Escolas de Samba.

1982 Voltam os quesitos Mestre-Sala, Porta-Bandeira e Comissão de Frente.

2e FECC REUNION - SYROS: 2o Congresso Mundial de carnaval

1983 3e FECC REUNION - KEFFALONIA-ZAKYNTHOS (GR) - 3o Congresso Mundial de carnaval

1984 4e FECC REUNION - SAMOS (GR) - 4o Congresso Mundial de carnaval

A primeira Escola a desfilar na Passarela do Samba foi a Império do Marangá. Leandro Miguel da Silva, de 6 anos foi o primeiro sambista a pisar o asfalto do Sambódromo, em 2/03

1985 5e FECC REUNION - KOS- PATMOS (GR) - 5o Congresso Mundial de carnaval

1986 6e FECC REUNION - KALYMNOS-LEROS (GR) - 6o Congresso Mundial de carnaval

Pela primeira vez o Grupo II das Escolas de Samba Desfilam no Sambódromo

Instalados relógios eletrônicos na pista dos Desfiles do Sambódromo para marcar o tempo do desfile

O Desfile volta a ser linear, com a construção de cadeiras de pista na Praça da Apoteose.

Despedida: Nelson Cavaquinho, compositor da Mangueira

1987 7e FECC REUNION - MALTA - 7o Congresso Mundial de carnaval

Construídas Cabines de julgamento entre as arquibancadas, substituindo a locação dos jurados nos camarotes de Setores

1988 8e FECC REUNION - TRINDAD & TOBAGO - 8o Congresso Mundial de carnaval

1989 A Escola de Samba campeã passa a ter o direito de escolher o dia e a hora do seu desfile. A Vice-Campeã desfila no outro dia, com o direito de escolher a hora de sua apresentação. O dinheiro arrecadado no desfile não é mais dividido igualmente entre as Escolas desfilantes do Grupo Especial, mas em ordem decrescente de acordo com a colocação final de cada Escola de Samba.

9e FECC REUNION - Sta. CRUZ DE TENERIFE - 9o Congresso Mundial de carnaval

Cai do carro alegórico do Arranco a destaque Neuza Monteiro, em 05/02

1990 A RIOTUR passa a reservar lugares especiais em cadeiras de pistas em frente aos setores 4 e 13 para vender aos deficientes físicos.

10e FECC REUNION - PATRAS (GR) - 10o Congresso Mundial de carnaval

Criado o Grupo Especial, desfile das Escolas de Samba.

1991 11e FECC REUNION - ROSAS (COSTA BRAVA) - 11o Congresso Mundial de carnaval

É nomeado Coordenador dos Desfiles das Escolas de Samba, José Messias.José Messias, médico e Assessor de carnaval da RIOTUR foi o último Coordenador dos desfiles da RIOTUR. Ano seguinte a LIESA assumiu a Coordenação Artística dos Desfiles.

1992 12e FECC REUNION - AALBORG (DK) - 12o Congresso Mundial de carnaval

Despedida: Herivelto Martins, autor de "Ave Maria no Morro"

1993 13e FECC REUNION - CURACAO (N.A.) - 13o Congresso Mundial de carnaval

Despedidas: Beto Sem Braço (Mauro Moreno Reyes), compositor do Império Serrano ("Bum, Bum, Baticumbum Prurugundum").

Isaurinha Garcia, cantora

Guerra Peixe, Maestro

Babaú da Mangueira (Waldemiro José da Rocha), compositor ("Tenha pena de mim"), fundador das Escolas de Samba:Paraíso do Tuiuti, Unidos do Cabuçu e Unidos do Outeiro

Teresa Aragão, salgueirense, autora de "ENEIDA, Amor e Fantasia"

1994 14e FECC REUNION - NORRKÖPING (S) - 14o Congresso Mundial de carnaval

Inauguração do Terreirão do Samba na Praça Onze - Rio de Janeiro - RJ, em 20/01

Despedidas: Mestre Marçal diretor de bateria, Portela, Império Serrano, Unidos da Tijuca

Sinval Silva, compositor

Assinado o tombamento da Passarela do Samba, em 09/06

I Seminário da Velha Guarda na UERJ - Universidade Estadual do Rio de Janeiro, em 01/11

1995 15e FECC REUNION - MALTA - 15o Congresso Mundial de carnaval

1996 16e FECC REUNION - MARIBOR/PTUJ - 16o Congresso Mundial de carnaval

Despedida: Luiz Antônio (Antônio de Pádua Vieira Costa), compositor ("Barracão", "Sassaricando", "Lata d água na cabeça")

1997 17e FECC REUNION - ARUBA - 17o Congresso Mundial de carnaval

Despedida: "Candonga" (José Geraldo de Jesus), sambista

Fonte: www.artes.com

História do Carnaval

Cuidados com a Saúde Durante o carnaval

Uma das maiores festas do planeta, o carnaval reúne gente de toda parte do mundo em busca de música, dança, artistas, alegria e diversão. Mas a grande festa não pode interferir no estado de saúde dos foliões e, para isso, alguns cuidados básicos são necessários.

Para curtir o carnaval esbanjando saúde, é preciso ficar de olho em cuidados e orientações que vão desde os alimentos ingeridos durante o período até a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis.

Guia para um Melhor Aproveitamento da Festa

Para aproveitar da melhor maneira possível a folia, mas sem perder de vista os cuidados com a saúde, atenção para os seguintes pontos.

Alimentação - Evite alimentos gordurosos e apimentados. Prefira alimentos leves, a base de proteínas e carboidratos, que fornecem energia para pular a noite toda! Nessa época, o risco de infecções intestinais, causadas pelo consumo de água ou alimentos contaminados, aumenta muito e, por isso, o ideal é já sair de casa alimentado.

Hidratação - Beba muita água, além de usar e abusar de sucos de frutas, bebidas isotônicas e água de coco. Prefira locais arejados e fuja do sol no período entre 10h e 16h. Nunca esqueça o protetor solar, óculos escuros e chapéus.

Ouvido - Para evitar desconforto, zumbido, chiado e até diminuição da audição, é melhor se prevenir mantendo uma certa distância dos trios elétricos e usando protetores nos ouvidos sempre que possível.

Roupas e sapatos - Prefira roupas leves e confortáveis. Quanto aos sapatos, prefira tênis ou sandálias baixas, nada de salto alto! Se mesmo assim surgirem bolhas nos pés ou esmagamento de unha, o melhor a fazer é não mexer e procurar um serviço médico para tratamento adequado.

Doenças - Fique atento aos alimentos e bebidas adquiridos na rua, tomando cuidado com as regras básicas de higiene a fim de evitar infecções intestinais, diarréias, vômitos e náuseas. A aglomeração e, principalmente, o contato mais íntimo como o beijo são uma porta de entrada fácil para agentes infecciosos como vírus e bactérias. Portanto, cuidado redobrado com a transmissão de doenças como gripe, resfriado e herpes nesse período.

Nunca é demais lembrar...

Durma bastante, evitando emendar um dia no outro. Quando não estiver na folia, descanse.

Fique longe das drogas.

Para evitar a AIDS e outras doenças sexualmente transmissíveis, sexo só com proteção.

Em caso de urgência, o melhor a fazer é procurar o Pronto Socorro ou posto de saúde mais próximo.

Hidratar-se é fundamental. Para isso, a pessoa deve ingerir cerca de 50 ml de água por quilo de peso, durante o dia.

D ê preferência a alimentos leves e carnes desengorduradas, além dos carboidratos (massas, por exemplo), que são transformados em açúcar, fornecendo energia para curtir a festa.

Evite o excesso de bebida alcóolica e atenção: bebida alcóolica não hidrata; pelo contrário, desidrata. Beba água sempre que consumir álcool.

Lembre-se que álcool e direção não combinam.

Proteja-se do sol. Use bloqueador solar além de chapéu ou boné.

Vista roupas confortáveis, de tecidos leves e cores claras.

Use tênis com bom amortecimento, para evitar lesões nos joelhos e tornozelos, e com meias, para evitar a proliferação de fungos nos pés.

Evite ingerir alimentos na rua e água que não seja mineral.

Evite ingerir bebidas diretamente na garrafa, para evitar o risco de contaminação por doenças como salmonelose, leptospirose e hepatite A.

N ão esqueça que lança-perfume também é droga e que o seu consumo pode gerar lesão cerebral irreversível.

E nunca é demais lembrar: Responsabilidade sempre!

Fonte: www.hportugues.com.br

História do Carnaval

O carnaval é considerado uma das festas populares mais animadas e representativas do mundo. Tem sua origem no entrudo português, onde, no passado, as pessoas jogavam uma das outras, água, ovos e farinha.
O entrudo acontecia no período anterior a quaresma e, portanto, tinha um significado ligado à liberdade. Este sentido permanece até os dias de hoje no carnaval .

História do Carnaval
Mestre Sala e Porta Bandeira da Vale Samba, no carnaval de 2007

O entrudo chegou ao Brasil por volta do século XVII e foi influenciado pelas festas carnaval escas que aconteciam na Europa. Em países como Itália e França, o carnaval ocorria em formas de desfiles urbanos, onde os carnaval escos usavam máscaras e fantasias.

Personagens como a colombina, o pierrô e o Rei Momo também foram incorporados ao carnaval brasileiro, embora sejam de origem européia.

No Brasil, no final do século XIX, começam a aparecer os primeiros blocos carnaval escos, cordões e os famosos corsos. Estes últimos, tornaram-se mais populares no começo do século XX. As pessoas se fantasiavam, decoravam seus carros, e, em grupos, desfilavam pelas ruas das cidades. Estáaí a origem dos carros alegóricos, típicos das escolas de samba atuais.

No século XX, o carnaval foi crescendo e tornando-se cada vez mais uma festa popular. Esse crescimento ocorreu com a ajuda das marchinhas carnaval escas. As músicas deixaram o carnaval cada vez mais animado.

A primeira escola de samba surgiu no Rio de Janeiro e chamava-se Deixa Falar. Foi criada pelo sambista carioca Ismael Silva. Anos mais tarde a Deixa Falar transformou-se na Escola de Samba Estácio de Sá.

A partir daí o carnaval de rua começa a ganhar um novo formato. Começam a surgir novas escolas de samba no Rio e em São Paulo. Organizadas em Ligas de Escolas de samba, começam os primeiros campeonatos para verificar qual escola era mais bonita e animada.

Fonte: www.adjorisc.com.br

História do Carnaval

Festa popular, o carnaval ocorre em regiões católicas, mas sua origem é obscura. No Brasil, o primeiro carnaval surgiu em 1641, promovido pelo governador Salvador Correia de Sá e Benevides em homenagem ao rei Dom João IV, restaurador do trono de Portugal. Hoje é uma das manifestações mais populares do país e festejado em todo o território nacional.

Carnaval

Conceito e origem

O carnaval é um conjunto de festividades populares que ocorrem em diversos países e regiões católicas nos dias que antecedem o início da Quaresma, principalmente do domingo da Qüinquagésima à chamada terça-feira gorda. Embora centrado no disfarce, na música, na dança e em gestos, a folia apresenta características distintas nas cidades em que se popularizou.

O termo carnaval é de origem incerta, embora seja encontrado já no latim medieval, como carnem levare ou carnelevarium, palavra dos séculos XI e XII, que significava a véspera da quarta-feira de cinzas, isto é, a hora em que começava a abstinência da carne durante os quarenta dias nos quais, no passado, os católicos eram proibidos pela igreja de comer carne.

A própria origem do carnaval é obscura. É possível que suas raízes se encontrem num festival religioso primitivo, pagão, que homenageava o início do Ano Novo e o ressurgimento da natureza, mas há quem diga que suas primeiras manifestações ocorreram na Roma dos césares, ligadas às famosas saturnálias, de caráter orgíaco.

Contudo, o rei Momo é uma das formas de Dionísio o deus Baco, patrono do vinho e do seu cultivo, e isto faz recuar a origem do carnaval para a Grécia arcaica, para os festejos que honravam a colheita. Sempre uma forma de comemorar, com muita alegria e desenvoltura, os atos de alimentar-se e beber, elementos indispensáveis à vida.

Período de duração

Os dias exatos do início e fim da estação carnaval esca variam de acordo com as tradições nacionais e locais, e têm-se alterado no tempo. Assim, em Munique e na Baviera (Alemanha), ela começa na festa da Epifania, 6 de janeiro (dia dos Reis Magos), enquanto em Colônia e na Renânia, também na Alemanha, o carnaval começa às 11h11min do dia 11 de novembro (undécimo mês do ano). Na França, a celebração se restringe à terça-feira gorda e à mi-carême, quinta-feira da terceira semana da Quaresma.

Nos Estados Unidos, festeja-se o carnaval principalmente de 6 de janeiro à terça-feira gorda (mardi-gras em francês, idioma dos primeiros colonizadores de Nova Orleans, na Louisiana), enquanto na Espanha a quarta-feira de cinzas se inclui no período momesco, como lembrança de uma fase em que esse dia não fazia parte da Quaresma.

No Brasil, até a década de 1940, sobretudo no Rio de Janeiro, as festas pré-carnavalescas se iniciavam em outubro, na comemoração de N. Sra. da Penha, crescia durante a passagem de ano e atingia o auge nos quatro dias anteriores às Cinzas sábado, domingo, segunda e terça-feira gorda.

Hoje em dia, tanto em Recife (Pernambuco), quanto em Salvador (Bahia), o carnaval inclui a quarta-feira de cinzas e dias subseqüentes, chegando, por vezes, a incluir o sábado de Aleluia.

Carnaval no Brasil

Nem um décimo do povo participa hoje ativamente do carnaval ao contrário do que ocorria em sua época de ouro, do fim do século XIX até a década de 1950. Entretanto, o carnaval brasileiro ainda é considerado um dos melhores do mundo, seja pelos turistas estrangeiros como por boa parte dos brasileiros, principalmente o público jovem que não alcançou a glória do carnaval verdadeiramente popular.

Como declarou Luís da Câmara Cascudo, etnólogo, musicólogo e folclorista, "o carnaval de hoje é de desfile, carnaval assistido, paga-se para ver. O carnaval , digamos, de 1922 era compartilhado, dançado, pulado, gritado, catucado. Agora não é mais assim, é para ser visto".

Entrudo

O entrudo, importado dos Açores, foi o precursor das festas de carnaval , trazido pelo colonizador português. Grosseiro, violento, imundo, constituiu a forma mais generalizada de brincar no período colonial e monárquico, mas também a mais popular.

Consistia em lançar, sobre os outros foliões, baldes de água, esguichos de bisnagas e limões-de-cheiro (feitos ambos de cera), pó de cal (uma brutalidade, que poderia cegar as pessoas atingidas), vinagre, groselha ou vinho e até outros líquidos que estragavam roupas e sujavam ou tornavam mal-cheirosas as vítimas.

Esta estupidez, porém, era tolerada pelo imperador Pedro II e foi praticada com entusiasmo, na Quinta da Boa Vista e em seus jardins, pela chamada nobreza...

E foi livre até o aparecimento do lança-perfume, já no século XX, assim como do confete e da serpentina, trazidos da Europa.

O Zé-Pereira

Em todo o Brasil, mas sobretudo no Rio de Janeiro, havia o costume de se prestar homenagem galhofeira a notórios tipos populares de cada cidade ou vila do país durante os festejos de Momo.

O mais famoso tipo carioca foi um sapateiro português, chamado José Nogueira de Azevedo Paredes. Segundo o historiador Vieira Fazenda, foi ele o introdutor, em 1846, do hábito de animar a folia ao som de zabumbas e tambores, em passeatas pelas ruas, como se fazia em sua terra.

O zé-pereira cresceu de fama no fim do século XIX, quando o ator Vasques elogiou a barulhada encenando a comédia carnaval esca O Zé-Pereira, na qual propagava os versos que o zabumba cantava anualmente: E viva o Zé-Pereira/Pois que a ninguém faz mal./Viva a pagodeira/dos dias de carnaval ! A peça não passava de uma paródia de Les Pompiers de Nanterre, encenada em 1896.

No início do século XX, por volta da segunda década, a percussão do zé-pereira cedeu a vez a outros instrumentos como o pandeiro, o tamborim, o reco-reco, a cuíca, o triângulo e as "frigideiras".

As fantasias

O uso de fantasias e máscaras teve, em todo o Brasil, mais de setenta anos de sucesso de 1870 até início do decênio de 1950. Começou a declinar depois de 1930, quando encareceram os materiais para confeccionar as fantasias fazendas e ornamentos , sapatilhas, botinas, quepes, boinas, bonés etc. As roupas de disfarce, ou as fantasias que embelezaram rapazes e moças, foram aos poucos sendo reduzidas ao mais sumário possível, em nome da liberdade de movimentos e da fuga à insolação do período mais quente do ano.

E foram desaparecendo os disfarces mais famosos do tempo do império e início da república, como a caveira, o velho, o burro (com orelhões e tudo), o doutor, o morcego, diabinho e diabão, o pai João, a morte, o príncipe, o mandarim, o rajá, o marajá. E também fantasias clássicas da commedia dell arte italiana, como dominó, pierrô, arlequim e colombina de largo emprego entre foliões e que já não tinham razão de ser, depois que a polícia proibiu o uso de máscaras nos salões e nas ruas... Aliás, desde 1685 as máscaras ora eram proibidas, ora liberadas.

E a proibição era séria, bastando dizer que as penas, já no século XVII, eram rigorosíssimas: um proclama do governador Duarte Teixeira Chaves mandava que negros e mulatos mascarados fossem chicoteados em praça pública, e brancos mascarados fossem degredados para a Colônia do Sacramento...

Mas, na década de 1930, muitas daquelas fantasias ainda eram utilizadas, inclusive com máscaras. Entre elas estavam as de apache, gigolô, gigolete, malandro (camiseta de listras horizontais, calça branca, chapéu de palhinha, lenço vermelho no pescoço), dama antiga, espanhola, camponesa, palhaço, tirolesa, havaiana, baiana.

Aos poucos, os homens foram preferindo a calça branca e a camisa-esporte, até chegar à bermuda e ao busto nu, mas isso só depois da década de 1950; as mulheres passaram às fantasias mais leves, atingindo, depois, o maiô de duas peças e alguns colares de enfeite, logo o biquíni, o busto descoberto etc.

Bailes de carnaval

O carnaval europeu começou, na rua, com desfiles de disfarces e carros alegóricos; e, em ambiente fechado, com bailes, fantasias e máscaras. O carnaval carioca, certamente o primeiro do Brasil, surgiu em 1641, promovido pelo governador Salvador Correia de Sá e Benevides em homenagem ao rei Dom João IV, restaurador do trono de Portugal. A festa durou uma semana, do domingo de Páscoa em diante, com desfile de rua, combates, corridas, blocos de sujos e mascarados.

Outro carnaval importante foi o de 1786, que coincidiu com as festas para comemorar o casamento de Dom João com a princesa Carlota Joaquina. Mas o primeiríssimo baile de máscaras aconteceu em 22 de janeiro de 1840, no hotel Itália, no largo do Rocio, no mesmo local em que se ergueria depois o teatro e depois cinema São José, na praça Tiradentes, no Rio.

A entrada custava dois mil réis, com direito à ceia.

No entanto, a voga dos bailes carnaval escos em casas de espetáculos só se generalizou na década de 1870. Aderiram à moda o teatro Pedro II, o teatro Santana, e aí até os estabelecimentos populares entraram na dança, no Skating Rink, o Clube Guanabara, o Clube do Rio Comprido, a Societé Française de Gymnastique, em teatros que se alinhavam ao lado dos bailes públicos, mas em área social selecionada.

O carnaval se alastra

Surgem "arrastados" em casas de família, bailes ao ar livre, bailes infantis e os pré-carnavalescos, bailes em circos, matinês dançantes. Afinal, certos bailes ganharam fama nacional e até internacional, realizados em grandes clubes, hotéis ou teatros: em 1908 houve o primeiro dos bailes do High-Life, que chegaram ao fim nos anos 40; em 1918 iniciou-se a tradição do baile dos Artistas, no teatro Fênix; em 1932, o primeiro grande baile oficializado, o do teatro Municipal, abriu caminho para muitos outros; e logo vieram os do Glória, Palácio Teatro, Copacabana Palace, Palace Hotel, Cassino da Urca, Cassino Atlântico, Cassino Copacabana, Quitandinha (em Petrópolis), Automóvel Clube do Brasil.

Em 1935, o Cordão dos Laranjas construiu um salão, em forma de navio, que "atracou" na Esplanada do Castelo, e ali se realizariam alguns dos mais alegres bailes de três ou quatro carnavais. E enquanto o Municipal iniciava concursos de fantasias de luxo (a princípio só femininas, e, depois dos anos 50, masculinas), os bailes que atraíam multidões eram os do Botafogo, Fluminense, Flamengo, Vasco da Gama, América.

Bem familiares em suas primeiras versões, reunindo a sociedade abastada em trajes de gala, foram-se tornando cada vez menos bailes de fantasia. Já não se conseguia dançar, apenas pular, e à casaca e ao smoking juntavam-se o traje-esporte e o mulherio semidespido. E existiam os bailes gremiais como o das Atrizes, o Vermelho e Negro, o dos Pierrôs etc.

Banho de mar à fantasia. Nos bailes, as danças variavam, de polca, lundu e tanguinho a sambas, marchinhas, frevos, jongos e cateretês, com todos os participantes cantando, pulando e "fazendo cordão".

Já nos banhos de mar à fantasia, porém, os foliões cantavam a plenos pulmões as músicas de sua preferência e também aquelas que eram divulgadas por discos e nos coretos municipais animados por bandas de música.

Os banhos de mar à fantasia criaram hábito no intervalo entre a primeira e a segunda Guerra Mundial. Os blocos e foliões trajavam fantasias de papel crepom e, após desfilarem nas praias, caíam na água, tingindo-a por horas, pois as fantasias de papel desbotavam fortemente. Havia, é claro, outro traje de banho, normal, sob aqueles carnaval escos e efêmeros.

Batalha de confete e corsos

O confete, a serpentina e o lança-perfume os três elementos que, entre o início do século e a década de 1950 animaram o carnaval brasileiro de salão também cooperaram para o maior êxito dos corsos que deram vida ao carnaval de rua. E neste, as batalhas de confete constituíam o momento culminante. A moda do corso, iniciada timidamente logo após a chegada dos primeiros automóveis, atingiria seus momentos de glória entre 1928 e a década de 1940.

Consistia o corso numa passeata carnaval esca de carros de passeio conversíveis, de capota arriada, enfeitados de panos coloridos e bandeirolas, conduzindo famílias ou grupos de foliões que se sentavam não só nos assentos mas também sobre a capota arriada, sobretudo as moças fantasiadas de saias bem curtas, cantando ou jogando serpentinas e confetes nos pedestres, que se amontoavam nas beiras das calçadas para vê-las passar.

Essa gente motorizada brincava também com os ocupantes dos carros vizinhos e, por vezes, com os veículos rodando lentamente, emendavam o cortejo atirando montes de confete e milhares de metros de serpentina que enlaçavam os carros e se acumulavam no asfalto das avenidas a cada noite. O lança-perfume também era usado em profusão, enquanto a confraternização com os pedestres se ampliava não só através dos jatos de lança-perfume o que abria caminho para conhecimentos mais íntimos, namoricos etc. como também de caronas momentâneas na disputa de músicas entoadas por uns e por outros.

Cada cidade possuía seu local de corso, e o do Rio de Janeiro ocorria, principalmente, na avenida Rio Branco (antiga avenida Central), mas a certa altura, em vários carnavais o corso se prolongava à avenida Beira-Mar, atingindo o Flamengo e Botafogo até o Pavilhão Mourisco, no final da praia.

Quase conseqüência do corso que desapareceu com o advento das limusines e carros fechados as batalhas de confete ocorriam em locais determinados que possuíssem torcidas bairristas organizadas ou blocos fortes para desenvolver a disputa uma competição de canto, dança na rua e corso (nem sempre).

Nas semanas ou meses que antecediam o tríduo de Momo, essas torcidas ou blocos organizavam as festas em que se gastavam quilos de confete e serpentina, litros de lança-perfume, e em que se dava a disputa entre as preferidas de cada agremiação. Tais batalhas se prolongavam, às vezes, até o amanhecer, algumas superando a empolgação dos dias de carnaval "legítimo". Pois ali se exibiam os blocos, os ranchos e os foliões avulsos.

Blocos, ranchos, grandes sociedades.

No carnaval de rua era comum o "trote" e os blocos de sujos. O encontro de blocos resultava, às vezes, em batalhas campais de sopapos. Nos desfiles, entre os anos 1919 e 1939, destacavam-se os tradicionais ranchos, que desfilavam às segundas-feiras. Havia ainda as grandes sociedades, com seus carros alegóricos, repletos de mulheres bonitas, alegorias mitológicas, históricas e cívicas; carros de crítica política encerravam, no fim da noite de terça-feira gorda, os festejos. Tais agremiações se chamavam Tenentes do Diabo, Pierrôs da Caverna, Clube dos Democráticos, Fenianos, Congresso dos Fenianos, Clube dos Embaixadores etc.

A grande concentração popular se fazia na avenida Rio Branco, da Cinelândia até a rua do Ouvidor. A classe média alta preferia as imediações do Jóquei Clube, entre a avenida Almirante Barroso e a rua Araújo Porto Alegre. Alguns levavam seus próprios assentos, cadeiras e banquinhos, mais tarde substituídos por palanques e arquibancadas montados pela prefeitura.

A segunda-feira era célebre não só pelo desfile de ranchos que usavam fogos de artifícios coloridos , mas também porque os freqüentadores do baile do Municipal eram observados pelo populacho, que ia admirar-lhes as fantasias. A Galeria Cruzeiro, hoje edifício Av. Central, era o ponto focal do trecho entre a rua São José e a avenida Almirante Barroso, a área de maior animação dos carnaval escos tradicionais, que cantavam e dançavam ao som das músicas lançadas nos palcos dos teatros de revista e nas emissoras de rádio.

Escolas de samba.

As "escolas de samba" nasceram de redutos de diversão das camadas pobres da população do Rio de Janeiro, em sua quase totalidade negros. Reuniam-se para cultivar a música e a dança do samba e outros costumes herdados da cultura africana, e quase sempre enfrentavam ostensiva repressão policial. Para a formação desses redutos contribuiu decisivamente a migração de populações rurais nordestinas, que, atraídas para a capital em fins do século XIX, introduziram um mínimo de organização e de sentido grupal ao carnaval carioca, até então herdeiro do entrudo português.

No entanto, a denominação "escola" só vai surgir em 1928, com a criação da Deixa Falar, no bairro do Estácio. Ismael Silva (1905-1978), seu fundador, explicava o termo como decorrência da proximidade da Escola Normal, no mesmo bairro, o que fazia os sambistas locais serem tratados de "professor" ou "mestre". Posteriormente surgem diversas outras escolas, entre as quais Portela, Mangueira e Unidos da Tijuca. No começo, pouco se distinguiam dos blocos e cordões, com ausência de sentido coreográfico e sem qualquer caráter competitivo. Com o tempo, transformam-se em associações recreativas, abertas, cuja finalidade maior é competir nos desfiles carnaval escos, transformados em atração máxima do turismo carioca.

De tal forma agigantam-se, que seus encargos a partir da década de 1960 equivalem aos de uma empresa, o que as obriga a funcionar por todo o ano, promovendo rodas de samba e "ensaios" com entrada paga, maneira de amenizarem os gastos decorrentes da preparação dos desfiles.

Com a oficialização dos desfiles, a partir de 1935, as escolas passam a receber subsídios da prefeitura, transformando-se, a partir de 1952, em sociedades civis, com regulamento e sede, elegendo periodicamente suas diretorias, inclusive um diretor de bateria, que comanda os instrumentos de percussão, e um diretor de harmonia, responsável pelo entrosamento de canto e orquestra. A escola desfila precedida de um abre-alas (faixa que pede passagem e anuncia o enredo) e da comissão de frente (dez a quinze sambistas, representando simbolicamente a diretoria da escola).

A seguir, pastoras (antigas dançarinas dos ranchos), fazendo evoluções; mestre-sala e porta-bandeira; destaques; academia (coro masculino e bateria). O restante divide-se em alas, geralmente com coreografias especiais, e carros alegóricos. Apresentam sempre um tema nacional lenda ou fato histórico expresso no samba-enredo, base de todo o desfile.

Até 1932, quando foi organizado o primeiro desfile, as escolas limitavam-se a percorrer livremente as ruas, acompanhadas por populares. Naquele ano, o jornal Mundo Esportivo organizou um desfile na praça Onze, de que participaram dezenove escolas, saindo vitoriosa a Estação Primeira de Mangueira.

No ano seguinte o número de concorrentes subiu para 29 e o desfile foi promovido pelo jornal O Globo, saindo vitoriosa novamente a Mangueira. Em 1934, ano em que foi fundada a União Geral das Escolas de Samba, a competição foi realizada no dia 20 de janeiro, em homenagem ao prefeito Pedro Ernesto, e a Mangueira alcançou o tricampeonato.

O interesse em fomentar a competição com atração turística começou em 1935, quando o certame foi apoiado pelo Conselho de Turismo da Prefeitura do então Distrito Federal, obtendo a Portela sua primeira vitória, ainda com o nome de Vai Como Pode. A partir daí, já estabelecido como promoção oficial do carnaval carioca, o desfile foi realizado sem interrupção, exceto nos anos de 1938 e 1952, quando as chuvas impediram a promoção.

O modelo se estendeu a todas as capitais brasileiras, excetuando-se duas: Salvador da Bahia e o conjunto Recife-Olinda, em Pernambuco.

Carnaval de Pernambuco e Bahia

O carnaval pernambucano, especialmente em Olinda e Recife, é um dos mais animados do país, e essa característica cresceu paralelamente à extinção do carnaval de rua na maior parte das cidades brasileiras, por causa do desfile das escolas de samba.

As principais atrações do carnaval pernambucano cujos bailes também são os mais animados são, na rua, o frevo, o maracatu, as agremiações de caboclinhos, a imensa participação popular nos blocos (reminiscências modernizadas dos antigos "cordões") e os clubes de frevo.

Em Recife e Olinda os foliões cantam e dançam, mesmo sem uniformes ou fantasias, ao som das orquestras e bandas que fazem a festa. Os conjuntos de frevo mais animados são os Vassourinhas, Toureiros, Lenhadores e outros.

Lembrando, pela cadência, os velhos ranchos, os maracatus estão ligados às tradições afro-brasileiras. Já os caboclinhos constituem outro tipo de agremiação folclórica, cujos desfiles são apenas vistos e aplaudidos.

A outra cidade em que a participação popular é costumeira, e onde todos cantam, dançam e brincam é Salvador. Uma invenção surgida na década de 1970 e que, à diferença do frevo, conseguiu contagiar outros estados e cidades, foi o trio elétrico um caminhão monumental no qual se instalam aparelhos de som, equipados com poderosos alto-falantes que reproduzem continuamente as composições carnaval escas gravadas.

Há ainda, como em Recife e Olinda, muitos populares que improvisam fantasias simples mas também adotam a postura galhofeira e vestem os disfarces de cinqüenta ou cem anos atrás. Tudo isto traduz bem o espírito momesco irreverente que impele a multidão à descontração total.

Músicas de carnaval

Durante o império, as músicas cantadas no período carnaval esco, no Brasil, eram árias de operetas, depois lundus, tanguinhos, polcas e até valsas. No início do século XX, predominaram, nas ruas, as cantigas de cordões e ranchos e, nos bailes, chorinhos lentos, polcas-chulas, marchas, fados, polcas-tangos, toadas e canções. Logo após a primeira guerra mundial, os palcos dos teatros-de-revista tornaram-se os lançadores das músicas de carnaval e iniciou-se, então, o domínio das marchinhas, maxixes, marchas-chulas, cateretês e batucadas.

E também do samba, que, na era do rádio, entre 1930 e 1960, dividiu os louros com a marchinha, embora às vezes cedesse ao sucesso de um jongo, de uma valsa ou de uma batucada. O samba, nos salões e na rua, era absoluto. Mas desde fins do decênio de 1960, com a consolidação do desfile das escolas de samba, o samba e a marcha mergulharam no ostracismo, trocados pelo samba-enredo das escolas de samba.

Fonte: www.miniweb.com.br

História do Carnaval

OLHA O CARNAVAL AÍ, GENTE!!!

História do Carnaval

O Brasil é conhecido como o "país do carnaval " e, como bons brasileiros, devemos saber um pouco sobre essa festa que contagia muita gente daqui e de diversas partes do mundo.

A História do carnaval

O carnaval é uma festa popular muito antiga e, por isso, não se sabe a origem exata dessa comemoração. O que se sabe é que essa tradição vem sendo transmitida de geração a geração há muitos séculos.

Quem trouxe o carnaval ao Brasil foram os portugueses, por volta de 1750. Nessa época, a festa era chamada de entrudo, palavra que vem do latim introitu e significa entrada, pois a comemoração começava na entrada (início) da Quaresma.

Mais tarde, surgiram as máscaras, as fantasias e as marchinhas. A serpentina (de origem francesa) e o confete (de origem espanhola) que enfeitam os bailes de salão chegaram ao Brasil em 1892.

Algumas fantasias, como as de Pierrô, Colombina, Arlequim e Rei Momo são bastante tradicionais, principalmente nos bailes de salão. Mas, mesmo com todo o sucesso desses bailes, o carnaval de rua é cada vez mais procurado e ainda preserva parte do folclore brasileiro.

CARNAVAL DE RUA

História do Carnaval

Desde o início do carnaval brasileiro, muitas pessoas o comemoram nas ruas. Foram assim que apareceram os blocos e os cordões, grupos que cantavam músicas próprias e que deram origem às escolas de samba.

Hoje, nos estados da Região Nordeste, o carnaval de rua reúne uma multidão de pessoas, entre brasileiros e estrangeiros.

Cada estado tem sua maneira de festejar. Na Bahia, por exemplo, a grande atração são os trios elétricos e, em Pernambuco, danças tradicionais como o frevo e o maracatu fazem a festa de adultos e crianças.

O carnaval Brasileiro

O primeiro carnaval brasileiro, segundo os historiadores, aconteceu em 1641. O governador do Rio de Janeiro, Salvador Correa de Sá Benevides, determinou que se dedicasse uma semana de festa para homenagear a coroação de D. João IV. O povo adorou a ideia.

No início, o carnaval era animado com canções portuguesas, como as quadrilhas. Depois, vieram a polca e os ritmos do carnaval italiano. Só em 1870 é que surgiu uma música tipicamente brasileira, o maxixe, e a primeira canção carnaval esca do país: E viva Zé Pereira.

Uma tradição do carnaval eram as brigas com ovos, limões, água e farinha, já cultivada em outros países. Na época da Proclamação da Independência, eram comuns essas batalhas. Até as orgulhosas senhoritas da alta sociedade participavam. Das varandas das casas, moças vistosas jogavam ovos e água nas pessoas que passavam na rua.

História do Carnaval

O SAMBA

O samba tem origem em antigos ritmos trazidos pelos escravos africanos para o Brasil. Afirma-se que a palavra samba vem de semba, que significa umbigada ou união do baixo ventre em dialeto africano. No século XIX, esses ritmos africanos sofreram a influência da polca, da habanera, do maxixe e do choro. A arte do samba chegou ao Rio de Janeiro com as baianas que ali foram viver.

Fonte: www.meninomaluquinho.com.br

História do Carnaval

Personagens do carnaval

História do Carnaval

Rei Momo

Na Mitologia Grega, Momo era o Deus da galhofa e do delírio - tão irreverente que acabou expulso do Olimpo. Na Roma antiga, o mais belo dos soldados era coroado Rei Momo e tratado como um verdadeiro senhor, comendo, bebendo e se divertindo à exaustão. Mas quando a festa acabava... ele era levado ao altar de Saturno e sacrificado.

A figura do alegre monarca da folia surgiu no carnaval carioca em 1933. Até 1967, a eleição do Rei Momo se dava por indicação de entidades carnaval escas e jornalistas. A partir desse ano, no entanto, o concurso foi oficializado por Lei Estadual, e em 88 por Lei Municipal. O atual Rei Momo é Alex de Oliveira (31 anos, 1,85m), eleito pelo sétimo ano consecutivo. Confira aqui a relação dos Reis Momos desde 1933. Na foto à esquerda, o Rei Momo e a Rainha do carnaval 2002 - Alex de Oliveira e Amanda Barbosa, respectivamente.

Rainha do carnaval

Elas são o brilho e graça do carnaval e comandam a abertura do carnaval carioca. Instituído a partir de 1950, o concurso para Rainha do carnaval e suas princesas já deu muito que falar: nos primeiros anos, o sistema de votos vendidos era o que valia para eleger a beldade da folia. Somente dez anos depois do primeiro concurso é que passou a valer o sistema de voto de qualidade, ou seja: a candidata tem que ser bela para reinar ao lado de Momo. Confira aqui a relação das Rainhas do carnaval .

Bate-bola / Clóvis

Terror das crianças de várias gerações, os bate-bolas ou clóvis andam sempre em grupo com suas roupas (macacões) coloridas e máscaras transparentes com um orifício no lugar da boca, preenchido, quase sempre, por uma chupeta. E não se pode esquecer, é claro, da bexiga amarrada a uma varinha para assustar a criançada do bairro. Apesar de ser uma manifestação dos antigos carnavais cariocas, ainda é comum ver tais grupos na Baixada Fluminense.

Pierrô, arlequim e colombina

Os três personagens, fundamentais em qualquer baile de fantasia ou desfile de escola de samba, surgiram com a Comédia Italiana, uma companhia de atores que se instalou na França entre os séculos XVI e XVIII para difundir a Commedia dell"Arte - forma teatral com tipos regionais e textos improvisados. O pierrô é o sentimental, o ingênuo, apaixondo e pela colombina; o arlequim é o seu rival: um palhaço farsante e cômico que veste um traje feito a partir de retalhos triangulares de várias cores; e a colombina, que já inspirou tantos versos de famosas marchinhas? Sedutora, volúvel e sempre bem vestida, ela namora o pierrô e é amante do arlequim. Esperta a moça, não?

FANTASIAS

Beleza, criatividade e nomes pomposos

O carnaval teria pouco brilho sem a presença delas: as Fantasias. Verdadeiras obras de arte, elas foram pioneiras em uma das mais tradicionais manifestações do carnaval : o concurso de fantasias. O primeiro concurso oficial de fantasias aconteceu em 24 de fevereiro de 1936.

Durante muito tempo, as fantasias eram a grande "coqueluche" do carnaval . Os concursos lotavam na época da folia, em diferentes bailes como o High Life, Gala do Teatro Municipal. Os locais onde eram realizados os concursos também mudaram muito desde a áurea época do carnaval : Teatro Municipal, Hotel Glória, Hotel Nacional Rio, Copacabana Palace Hotel, Scala e Canecão (onde foi realizado o I Baile Oficial da Cidade do Rio de Janeiro).

E não podemos falar de fantasias, luxo e esplendor, sem citar o nome "mítico" de Clóvis Bornay (foto à esquerda). Esta querida figura do samba já venceu tantos concursos que é considerado, agora, hors concours; afinal, ele merece.

História do Carnaval

No Brasil a origem do carnaval também é objeto de muita discussão.

Alguns historiadores se baseiam na festa de comemoração realizada pelo povo carioca para receber a Família Real no Rio de Janeiro como o marco zero do carnaval . Outros estudiosos já citam o aparecimento dos primeiros cordões de foliões nas ruas do Rio de Janeiro, no início dos anos 20, como o surgimento do que mais se aproxima do carnaval de hoje.

Mas a popularização do carnaval no Brasil acontece mesmo é com o surgimento das marchinhas, com destaque para a primeira composição realizada especialmente para o carnaval , Abre Alas de Chiquinha Gonzaga, feita sob encomenda para o cordão Rosas de Ouro, em 1899.

Em 1917 surge no Rio de Janeiro, o samba, um novo gênero musical, nascido nas festas das tias baianas, com um ritmo que mistura o lundu, o frevo e a polca e que se tornou a identidade de expressão do povo brasileiro. Foi ao som do samba que o carnaval se consagrou com a festa mais brasileira das festas, marcando a identidade do País. E hoje, com certeza, a festa mais consagrada no Mundo, sendo considerado o maior espetáculo da terra.

Os primeiros bailes de carnaval no Brasil

História do Carnaval

O primeiro baile de máscaras de que se tem notícia no Brasil foi realizado no Hotel Itália, no antigo Largo do Rócio, no Rio de Janeiro, em 1840, por iniciativa dos próprios proprietários italianos, empolgados pelo sucesso dos grandes bailes de máscaras da Europa.

A repercussão foi tamanha que muitos outros se seguiram a este, marcando, também através do carnaval , as diferenças sociais que atingiam a sociedade brasileira: de um lado, a festa de rua, ao ar livre e popular; do outro, o carnaval de salão que agradava, sobretudo à classe média emergente no País.

Dos salões, os bailes transferiram-se aos teatros, animados principalmente pelo ritmo da polca - primeiro gênero a ser adotado como música carnaval esca no Brasil - e depois, envolvidos pelo som da quadrilha, da valsa, do tango, do "cake walk", do "charleston" e do maxixe. Até então, esses ritmos eram executados apenas em versão instrumental.

Somente por volta de 1880 os bailes passaram a incluir a versão cantada, entoada pelos coros.

Em 1907, foi realizado o primeiro baile infantil, dando início às famosas matinês.

As novidades não pararam por aí e as modalidades se multiplicavam, como as festas em casas de família, bailes ao ar livre, em praças públicas, bailes infantis, e até mesmo bailes em circo.

Em 1909, surge o primeiro concurso, premiando:

a mais bela mulher, a fantasia mais bonita e a melhor dança.

Os prêmios eram jóias valiosas e somente os homens tinham direito a voto. Enfim, o carnaval crescia a cada ano, passando a fazer parte da realidade cultural do país, enquanto na Europa já se notava a sua decadência.

Por essa mesma época, a classe média preparava-se para invadir as ruas com outra novidade européia: os desfiles de carros alegóricos. O pioneiro da idéia foi o romancista José de Alencar, um dos fundadores de uma Sociedade denominada Sumidades carnaval escas.

O carnaval no Rio de Janeiro

História do Carnaval

No decorrer dos anos, diferentes manifestações populares caracterizaram o carnaval no Rio de Janeiro, cada qual com um objetivo que ia além da mera diversão.

As grandes sociedades, com seu teor crítico-educativo, e os blocos e ranchos, com seu caráter de resistência, apesar das diferentes formas de manifestações que utilizavam no carnaval de rua para se expressar, souberam conviver entre si durante anos, utilizando um espaço público em comum, que é a rua, para desfilar sua folia.

Foi firmada então a identidade de propósitos na sociedade carioca.

As Escolas de Samba

Nas primeiras décadas do século XX, o quadro de manifestações do carnaval de rua do Rio de Janeiro estava formado.

As grandes sociedades desfilavam seus enredos de crítica social e política apresentadas ao som de óperas, ornamentadas por luxuosas fantasias em cima de enfeitados carros alegóricos.

Os ranchos passaram ao som de sua marcha característica e os blocos carnaval escos servindo como diversão às camadas mais pobres da sociedade, que habitavam os morros e subúrbios cariocas formaram os ingredientes necessários para a formação das escolas.

O surgimento das escolas de samba veio desorganizar essas distinções.

Através de uma rápida ascensão na vida cultural da cidade, que culminou, em parte, com a decadência e o gradual desaparecimento do carnaval de rua carioca, as escolas de samba tornaram-se o destaque maior dos dias de reinado de Momo, interligando diferentes camadas sociais em seus dias de desfile.

As escolas sambas, nascidas nos morros e subúrbios cariocas, ocupam hoje com o seu desfile o lugar de maior espetáculo (do carnaval do Rio de Janeiro e do Brasil).

As escolas de samba surgiram por volta de 1920, período histórico no qual cada camada social tinha uma forma particular de brincar o carnaval .

O núcleo social de formação das escolas de samba foram os blocos: eles tinham a função de representar de forma positiva, em diferentes áreas da cidade, o grupo social que os compunham. Uma maior ampliação do espaço social desses moradores dos morros e subúrbios cariocas era pretendida, então, por detrás da formação das escolas.

A primeira disputa entre escolas de samba aconteceu em 7 de fevereiro de 1932, na Praça Onze, no Rio de Janeiro e foi organizada pelo jornalista Mário Filho.

Preocupado com a falta de assunto para o seu jornal, O Mundo Sportivo, entre os meses de dezembro e março, criou o primeiro concurso de escolas de samba.

A promoção teve grande repercussão na imprensa e no carnaval seguinte, em 1933, o jornal O Globo assumiu o desfile. Dois anos depois a Prefeitura do Rio passou a subvencionar o evento, oficializando-o como parte do carnaval carioca.

Em 1942, surge a Avenida Presidente Vargas, com a demolição da Praça Onze. Surge assim o novo local de desfiles, que perduraria por muitos anos.

As escolas começam a ganhar espaço dos ranchos e das grandes sociedades na disputa pela hegemonia do carnaval .

Em 1946, surge o samba-enredo, com o governo municipal proibindo que as escolas cantem versos improvisados, levando para o local da apresentação uma música pronta.

O desfile das escolas de samba não parava de crescer e na metade da década de 50 a classe média passa a freqüentar os ensaios das escolas.

Em 1957, o desfile foi realizado na avenida Rio Branco. A alta sociedade se rende à popularização crescente e passa a assistir o desfile.

Fonte: www.carnavaldobrasil.com.br

História do Carnaval

VOCABULÁRIO DO CARNAVAL BRASILEIRO

ABAFO- Modalidade de frevo-de-rua, também conhecido como frevo-de-encontro, caracterizado pelo predomínio dos trombones. Chama-se de abafo, quando, na rua, tem o propósito de abafar o som que vem da orquestra de outro clube de frevo.

ABRE-ALAS - Carro alegórico, simbolizando a agremiação no desfile, informando o tema/enredo.

ADUFE - Pandeiro de formato quadrado.

ADULFO - Cuíca, instrumento roncador que acompanha o ritmo do samba.

AFOXÊ - Cordão carnaval esco de predominância na Bahia, com instrumentos e música do ritual do candomblé e canto em língua nagô.

AGOGÔ - Instrumento de percussão, componente das orquestras de maracatus, chamado de gonguê, e das baterias de escolas de samba.

ALA - Grupo organizado de passistas, uniformemente fantasiado, obedecendo a uma coreografia.

ALDEIA - Espaço chamado pelos caboclinhos, destinado à sua exibição no carnaval .

ALEGORIAS - Enfeites preparados para serem utilizados em carros alegóricos ou nas mãos dos participantes das alas, nas agremiações.

APITO - Pequeno instrumento de sopro, de som estridente, usado pelo regente de agremiações para avisar o início da introdução musical.

ARLEQUIM - Fantasia que imita o traje de um personagem da peça teatral italiana Comeddia dell arte. Rival de Pierrô pelo amor da Colombina.

ARRASTA-POVO - Ensaio de clube de frevo ou troça, antigamente, pelas ruas centrais do Recife. Assim, as músicas eram divulgadas para o povo.

ARUENDA - Cortejo assemelhado ao maracatu, antigamente realizado no carnaval da cidade pernambucana de Goiana.

BACALHAU - Vareta fina, leve e mais ou menos longa, de uso do batuqueiro da orquestra dos maracatus.

BALIZA-PUXANTE - Passista do sexo masculino, fantasiado à Luís XV, que dança com o estandarte do clube de frevo. Geralmente, são dois ou três balizas, fazendo parte da proteção ao símbolo do clube.

BAQUE - Repique produzido pelo bombo da orquestra do maracatu. Por isso os maracatus são, também, chamados de baque.

BARRACÃO - Área coberta, onde são preparadas as alegorias e fantasias das agremiações carnaval escas que se apresentam em desfiles organizados.

BATALHA DE CONFETE - Brincadeira entre foliões nos bailes de carnaval , consistindo em uma guerra de papel picado. Muito utilizada nos carnavais do início do século XX.

BATERIA - Grupo de instrumentos de percussão, responsável pelo ritmo da escola de samba em desfile.

BATIDA - Combinação de ritmo, andamento, compasso e intensidade do som, peculiar a cada agremiação.

BATUCADA - Grupo de três ou quatro ritmistas, batucando seus instrumentos de percussão. Estilo de música com ritmo bem marcado, originário do batuque de Angola.

BISNAGA - Tubo cilíndrico plástico que as crianças enchem de água para molhar pessoas nos dias de carnaval . Meio termo entre a seringa do entrudo e o lança-perfume.

BLOCO carnaval ESCO - Surgiu das reuniões familiares na cidade do Recife, na década de 30, como extensão dos presépios e ranchos de reis. Sua orquestra é constituída de pau e corda e o lirismo é sua característica principal.

BLOCO DE RUA - Também chamado de bloco de embalo pela animação que provoca. É um grupo de foliões semi-organizados, com fantasias variadas e orquestra própria.

BLOCO DE SUJOS - Grupo ocasional de animados foliões desorganizados, na base do improviso, sem fantasias, com uma batucada de latas vazias, panelas velhas, etc.

BOI DE carnaval - São figuras do Auto do bumba-meu-boi, drama pastoril do ciclo natalino, que, no período carnaval esco, saem às ruas do Recife com coreografia própria para os dias de folia.

BOMBO - O mesmo que zabumba. Grande tambor integrante das orquestras dos maracatus. Antigamente, animava as troças de Zé-pereiras, anunciando a chegada do carnaval .

BONECA - Ou calunga, é uma figura do maracatu. Nos maracatus tradicionais, a boneca é de cor preta e feita de madeira, representando as divindades femininas do candomblé.

BRAW - Dança aos pulos do folião, executada em ritmo lento, no momento em que o trio elétrico apresenta um frevo-de-rua.

CABOCLINHOS - Ou cabocolinhos, grupos que saem no carnaval pernambucano. São tribos de índios que têm como característica o uso de preacas (arco e flecha fixados por barbante), trajando vistosos cocares, com alas masculinas e femininas.

CABOCLO DE LANÇA - Integrante do maracatu rural. Em suas apresentações, usa uma lança de dois metros de comprimento; uma cabeleira de papel celofane; uma gola bordada; uma espécie de bolsa, chamada surrão, onde são presos os chocalhos.

CABOCLO DE PENA - Outro integrante do maracatu rural. Confundido com os caboclinhos, tem como característica um enorme capacete, de quase um metro de altura, como se fosse uma coroa, adornado de vidrilhos e penas tingidas. Chamado também de tuxáu ou tuxaua.

CAIXA DE GUERRA - Tambor de tamanho médio. Instrumento usado nos maracatus e nas escolas de samba.

CAMBINDA - Foliões travestidos de mulher, organizados em cortejo ou solitários, desfilam nas cidades nordestinas. Precursor do maracatu.

CARACAXÁ - Ou ganzá, é chocalho de forma cilíndrica, incluído em algumas orquestras do carnaval de Pernambuco.

CAVAQUINHO - De origem portuguesa, é um instrumento de cordas utilizado nas orquestras de ranchos.

CLARIM - Trombeta de som agudo e estridente, usada na abertura dos desfiles de alguns clubes e troças carnaval escas.

CLÓVIS - Corruptela de clown (palhaço em inglês). Fantasia que se assemelha ao palhaço, muito usadano começo do século XX.

CLUBES DE ALEGORIA E CRÍTICA - Eram clubes de préstito do início do século XX, isto é, de grupos de pessoas em marcha, em procissão. Tinham como características grandes carros alegóricos, representando quadros com críticas ao governo, figuras gigantescas, indumentárias ricas e participação dos jovens da sociedade.

CLUBES DE FREVO - Agremiações carnaval escas predominantes no Recife e em Olinda. Sua estrutura assemelha-se às procissões quaresmais, comuns no século XVIII. Trazem, no estandarte, seus emblemas e têm seus cortejos abertos pelos clarins. Conhecidos também como Clubes carnaval escos.

COMISSÃO DE FRENTE - Grupo de dez a quinze pessoas, não fanta-siadas, mas vestidas com apurada elegância, simbolizando as tradições da agremiação.

CORSO - Cortejo de carros em itinerário preestabelecido, de grande animação nos carnavais de rua até a década de 30. Automóveis de capotas arriadas e pequenos caminhões conduziam famílias ou grupos de foliões geralmente fantasiados.

CUÍCA - Instrumento de percussão constituído de um cilindro metálico, vestido, de um lado por uma pele, prendendo ao centro, na parte inferior, uma vareta que, atritada com a mão, produz um som rouco.

CUCUMBIS - Cordão organizado por negros sob a influência de rituais festivos e religiosos da África. Desaparecido do carnaval .

DIZER NO PÉ - Dançar bem o samba e com liberdade de movimentos.

EMBAIXADA - Denominação do grupo precursor da escola de samba.

EMBOSCADA - Luta simulada travada entre grupos tradicionais de caboclinhos, quando se exibem no carnaval .

ENSAIO DE RUA - Antiga preparação dos clubes de frevo do Recife para o carnaval que se aproximava.

ENTRUDO - Chegou ao Brasil com os costumes portugueses. Eram jogos realizados nos três dias que antecediam à Quaresma. A palavra entrudo vem do latim introitus (introdução).

ESTANDARTE - Pavilhão-símbolo de um clube de frevo, maracatu ou bloco, geralmente feito de veludo, com desenhos e figuras em alto- relevos bordados com fios dourados.

EVOÉ - Antigamente, a palavra-chave de toda e qualquer notícia sobre o carnaval de 1910 a 1950. Evohé é o sobrenome de Dionisos Baco, passando a significar o grito dos bacantes em honra do deus do vinho na mitologia grega.

EVOLUÇÃO - Coordenação de ritmo e dança de todo o conjunto de uma agremiação carnaval esca durante o desfile.

FANFARRA - Orquestra com predomínio dos instrumentos de metal, utilizados nos clubes de frevo e no carnaval de rua de Pernambuco.

FIGURAS DE FRENTE - Componentes dos clubes de frevo, ricamente vestidos, que desfilam atrás do porta-estandarte.

FILHÓS - Bolinhos preparados com farinha de trigo, fritos em óleo e servido com calda de açúcar, durante o carnaval , em Pernambuco.

FLABELO - Ou cartaz, é semelhante ao estandarte dos clubes de frevo e traz o nome e o símbolo do bloco carnaval esco.

FOLIA - Animação nas festividades carnaval escas.

FOLIÃO - Aquele que participa dos folguedos carnaval escos, nas ruas e nos bailes, estando ou não fantasiado.

FREVO - Gênero de música carnaval esca, tipicamente pernambucana, com três variações clássicas: frevo-de-rua, frevo-de-bloco e frevo-canção, juntando-se a essas uma quarta variante: o frevoeletrizado.

FRIGIDEIRA - Tipo de panela de cozinha, introduzida como instrumento na bateria das escolas de samba, em 1948, no Rio de Janeiro.

FUNGE - Antigamente, reunião informal de foliões no período carnaval esco, com o único intuito de comer e beber.

FUNIL - Corneta feita de folha de flandres, usada por figurantes de alguns maracatus para dar aviso de sua aproximação. É também a denominação do chapéu do Caboclo de Lança.

GRITO DE carnaval - Primeira manifestação festiva do carnaval , tradicionalmente acontecia nos bailes promovidos pelos clubes sociais no último dia do ano (Ano Novo), partindo-se para os bailes da temporada. Expressão popular que define o baile de carnaval propriamente dito.

GUTE-GUTE - Pulos alternativos e sem ritmo que os acompanhantes dos trios elétricos realizam em sentido contrário à evolução da multidão.

JATO-PERFUME - Tubo cilíndrico plástico, contendo líquido perfumado, surgido no carnaval de 1963, com o sentido de substituir o lança-perfume de uso e fabricação proibidos. Não chegou a popularizar-se, pois foi também proibido por decreto federal.

JETONES - Ou jetons, eram caramelos em formato de bolas, enrolados em papel prateado, com uma cauda de tiras de papel de seda de dois palmos de comprimento. Eram arremessados como se fossem petecas entre foliões.

LANÇA-PERFUME - Bisnaga de vidro ou metal, contendo éter perfumado para ser esguichado em pessoas participantes dos festejos carnaval escos. Apareceu em 1903, vindo da França, em substituição às limas de cheiro, desaparecidas com a proibição do entrudo.

LANCEIRO - Menino com trajes de guarda romano, participante dos cortejos de antigos maracatus.

LIMA-DE-CHEIRO - Ou laranjinha, pequena esfera, geralmente feita de cera e contendo água perfumada, para arremessar nas pessoas visadas e molhá-las. Proibidas por causa do uso com águas malcheirosas e com a proibição do entrudo.

LÍNGUA-DE-SOGRA - Instrumento de animação carnaval esca, feito de papel, simulando uma língua muito comprida e enrolada, crescendo quando soprada. Surgiu no carnaval de 1895. Atualmente, serve como brinquedo infantil.

LIVRO DE OURO - Caderno escolar de capa dura para anotação e assinaturas das doações em dinheiro destinadas às despesas das agremiações carnaval escas.

LOAS - Versos recitados pelos caboclinhos, quando se apresentam no carnaval . São também os cantos entoados pelos maracatus rurais.

MARACÁ - Cabaça cheia de sementes, servindo como instrumento musical na marcação do ritmo. Usada nas orquestras das tribos de caboclinhos.

MARACATU - Folguedo do carnaval pernambucano, imitando um cortejo real, reminiscência dos negros cativos. Apresenta-se em duas categorias: Maracatu Nação ou de Baque Virado e Maracatu Rural ou de Baque Solto.

MARCANTE - Bombo mestre de uma orquestra de maracatu, de som grave, geralmente feito de pele de carneiro. Sua finalidade é liderar o ritmo de todo o conjunto percussivo.

MARCHA - Música propriamente carnaval esca, alegre e com letra crítica ou irônica; é uma das modalidades da música do carnaval do Rio de Janeiro. Já a marcha-rancho tem ritmo lento e pastoral.

MÁSCARAS - Peças de variados estilos, formatos e tamanhos, feitas de papelão, pano, cortiça, plástico, cera ou couro, com que se cobre o rosto para disfarces. Nos carnavais de antigamente, a influência era tanta que um terço dos foliões saía às ruas com máscaras.

MASCARADA - Grupo de foliões disfarçados com máscaras. Também denominadas turmas.

MASCARADOS - Foliões anônimos peculiares aos carnavais de antigamente, isolados ou em grupos pequenos.

MEIÃO - Bombo componente de uma orquestra de maracatu, geralmente feito de pele de carneiro. Produz um som intermediário entre o grave e o agudo.

MELA-MELA - Tentativa de foliões recifenses de restaurar o desaparecido entrudo, disfarçado em corso. Começou em 1960 e foi proibido em 1983.

MESTRA - Componente da ala feminina dos blocos carnaval escos recifenses, encarregada de ensaiar os frevos-de-bloco.

MESTRE DAS TOADAS - Pessoa responsável pelo ensaio do coro feminino de um maracatu rural.

MI-CARÊME - Vocábulo francês com o significado de meia-Quaresma. No Brasil, tem o sentido de segundo carnaval de comemoração à Aleluia, que se realiza logo depois da Semana Santa.

MICARETA - Gíria baiana para designar o segundo carnaval da cidade de Feira de Santana, festejando a Aleluia no final da Semana Santa.

PANDEIRO - Instrumento de percussão, constituído de uma pele esticada num aro ou num quadrado de madeira ou de metal, com ou sem guizos, no qual se bate com as mãos e, acrobaticamente, com os cotovelos.

PAPANGU - Folião com fantasia improvisada, aproveitando peças velhas, enfeites ordinários e apresentando comportamento abobalhado. No início do século XX, vestia-se com sacos de estopa, fronhas na cabeça e meias nas mãos.

PONTILHADO - Passo de frevo. O passista flexiona a perna direita, cruza a esquerda à altura do joelho e
toca o calcanhar no chão.

PREACA - As peças que simulam o arco e a flecha dos índios, usados pelos integrantes das tribos de caboclinhos do Recife.

RASGADO - Acorde estridente dos instrumentos de metal de uma fanfarra, tocando um frevo-de-rua.

RASTEIRA - Passo de frevo. O passista movimenta as pernas e, forçando os joelhos, quando flexiona o corpo ficando de costas para o chão, procura empurrar os joelhos de outro passista.

RECO-RECO - Instrumento de percussão introduzido nas baterias das escolas de samba. Originariamente feito com um gomo de bambu.

REI MOMO - Símbolo da grandeza do carnaval , sempre representado por um folião muito gordo e de simpatia irradiante, vestindo fantasia vistosa, com coroa majestática. É uma figura mitológica grega.

REINADO DE MOMO - Bailes, desfiles de escolas de samba, cortejos de clubes, blocos, troças, mascarados, tudo o que tem sentido carnaval esco.

SÁBADO GORDO - Sábado que precede o domingo de carnaval . É também chamado de Sábado de Zépereira.

SACA-ROLHA - Passo de frevo. O passista, cruzando a perna direita sobre a esquerda, vira-se nas pontas dos pés, descrevendo uma volta completa para ficar com a perna esquerda sobre a direita.

SAFARRASCO - Antigamente, baile carnaval esco sem programa e organização, realizado na base do improviso.

SERPENTINA - Fita estreita de papel, muito comprida e de cores variadas, enroladas em forma de disco, que se desenrola em arremesso nos festejos carnaval escos. Surgiu no carnaval de 1892.

TALABARTE - Grosso cinto de couro, apoiado em um dos ombros do porta-estandarte para facilitar a sustentação do pavilhão do clube de frevo ou de outras agremiações durante o desfile.

TERNO - Orquestra de maracatu rural.

TESOURA - Passo de frevo. O passista flexiona o corpo num pequeno agachamento e, rapidamente, comas pernas em forma de tesoura, levanta-se, dando uma volta completa na ponta dos pés.

TORÉ - Dança das Tribos de Caboclinhos. Originariamente é um ritual dos nativos brasileiros (índios), onde cantam e dançam. Também denomina os rituais para os caboclos dos terreiros dos cultos afrobrasileiros.

TRIBO DE ÍNDIOS - Folguedo popular originário da Paraíba, atualmente apresenta-se com raridade no carnaval .

TRÍDUO MOMESCO - São os três dias de carnaval , embora a abertura dos festejos dedicados a Momo seja muito antes, tanto que já se diz semana do carnaval . Por Decreto Municipal, são de 11 dias o carnaval da cidade de Olinda, Pernambuco.

TRIOLIM - Violão de quatro cordas que, eletrificado, surgiu como o terceiro instrumento do trio elétrico.

TROÇA - Grupos de foliões em brincadeiras improvisadas e sem grande organização, animando o carnaval nos subúrbios dos grandes centros urbanos e das cidades do interior. Denomina-se também a categoria que se assemelha ao clube de frevo.

URSO DO carnaval - Ou La ursa, é uma brincadeira do carnaval recifense, em que um homem vestido com trapos e uma máscara de urso, amarrado pela cintura e puxado por outro figurante, o domador, arrecada dinheiro e assusta a meninada. Se o urso for endinheirado, apresentam-se outros figurantes e até orquestra.

VÔO DE ANDORINHA - Passo de frevo. O passista, usando a sombrinha, procura espaços desocupados
para desenvolver sua dança: elevando o corpo com grande impulso, cruzando as pernas no ar e, simultaneamente, abrindo os braços. Logo em seguida, cai com os tornozelos cruzados para recomeçar o passo.

XERÊ - Chocalho introduzido nas apresentações no auto dos caboclinhos.

ZABUMBA - Grupo de instrumentos barulhentos que, antigamente, animava a troça carnaval esca dos Zé-pereiras. É também a denominação de grandes tambores, no passado, de fabricação artesanal, integrantes das orquestras de maracatus, também chamados de bombos.

Fonte: www.claudialima.com.br

História do Carnaval

O carnaval é a festa mais popular de nosso país, festejado em todo o território nacional. O primeiro carnaval surgiu em 1641 e foi promovido pelo governador Salvador Correia de Sá e Benevides como homenagem ao rei Dom João IV, que foi o restaurador do trono de Portugal.

O carnaval é um conjunto de festas populares que acontecem em vários países e regiões que praticam o catolicismo, nos dias que antecedem a Quaresma. Embora hoje em dia seja bastante centrado na música, dança, fantasia e outros, a folia do carnaval apresenta diferentes características nas cidades em que é popular.

História do Carnaval

Os dias de duração do carnaval variam de acordo com as tradições de cada país e foi-se alterando com o passar do tempo. Como foi dito diversos povos comemoram o período carnaval esco, mas nenhum participa tão ativamente como o povo brasileiro, que se preparam durante o ano todo para realizarem os tão famosos desfiles e festas em clubes e tudo mais.

O carnaval do Brasil é considerado um dos melhores do mundo, tanto pelos brasileiros, principalmente o publico jovem quanto os turistas estrangeiros que adoram visitar nosso país nessa época do ano em que se comemora o carnaval .

Os Cuidados Necessários No carnaval

Para garantir um carnaval cheio de alegria e folia, mas ao mesmo tempo tranquilo e saudável, sem conseqüências ruins, devemos tomar alguns cuidados: redobrar a atenção nas estradas, que principalmente depois das chuvas encontra-se em péssimo estado de conservação, com buracos, sinalização precária e outros defeitos.

O cuidado com a mistura de álcool e direção também é uma dica preciosa. E também os foliões que são atenciosos com a saúde devem se lembrar de estarem sempre hidratados, tomando bastante água, se alimentando com regularidade e comida de qualidade, é claro, procurar ingerir frutas, legumes e verduras.

Outra coisa de extrema importância é o uso da camisinha que evita uma gravidez indesejada e também contra contaminação do vírus da AIDS e outras doenças sexualmente transmissíveis. Seguindo essas dicas você vai aproveitar o carnaval com muita alegria e sem consequências ruins.

Fonte: www.guiadicasgratis.com

História do Carnaval

Das festas populares do Brasil, o carnaval é, sem dúvidas, a mais grandiosa delas e uma das poucas manifestações folclóricas que ainda sobrevivem e conseguem envolver o grande público. A história do carnaval começa há mais de 4 mil anos antes de Cristo, com festas promovidas no antigo Egito, como as festas de culto a Ísis.

Eram principalmente eventos relacionadas a acontecimentos religiosos e rituais agrários, na época da colheita de grandes safras. Desde essa época as pessoas já pintavam os rostos, dançavam e bebiam. Há também indícios que o carnaval tem origem em festas pagãs e rituais de orgia. Em Roma, as raízes deste acontecimento estão ligadas a danças em homenagem ao Deus Pã e Baco, eram as chamadas Lupercais e Bacanais ou Dionísicas.

História do Carnaval

Com o advento da Era Cristã, a Igreja começou a tentar conter os excessos do povo nestas festas pagãs. Uma solução foi a inclusão do período momesco no calendário religioso. Antecedendo a Quaresma, o carnaval ficou sendo uma festa que termina em penitência na quarta feira de cinzas. Os cristãos costumavam iniciar as comemorações do carnaval na época de Natal, Ano Novo e festa de Reis.

Mas estas se acentuavam no período que antecedia a Terça-feira Gorda, chamada assim porque era o último dia em que os cristãos comiam carne antes do jejum da quaresma, no qual também havia, tradicionalmente, a abstinência de sexo e até mesmo das diversões, como circo, teatro ou festas.

De acordo com o calendário gregoriano, utilizado oficialmente na maior parte do mundo, o carnaval é uma festa móvel porque é indicado pelo domingo de Páscoa, também uma data comemorativa móvel para que não coincida com a páscoa dos judeus.

Para saber em que dia cairá as duas festas, determina-se primeiro o equinócio da Primavera (no Brasil é Outono). Não se pode esquecer que o calendário segue as estações do ano de acordo com o hemisfério norte, onde foi criado. O primeiro domingo após a lua cheia posterior ao equinócio da primavera é o domingo de Páscoa. Face a essa regra, o domingo de carnaval cairá sempre no 7º domingo que antecede à Páscoa. A quaresma tem início na quarta feira de cinzas e como o próprio nome diz, tem duração de 40 dias.

História do Carnaval
Em 1938, as grandes sociedades, ainda famosas, desfilavam com carros alegóricos

Na Idade Média, predominavam nos festejos de carnaval os jogos e disfarces. Em Roma havia corridas de cavalos, desfiles de carros alegóricos e divertimentos inocentes como a briga de confetes pelas ruas. O baile de máscaras foi introduzido pelo papa Paulo II, no século XV, mas ganhou força e tradição no século seguinte, por causa do sucesso da Commedia dell'Arte. As mais famosas máscaras são as confeccionadas em Veneza e Florença, muito utilizadas pelas damas da nobreza no século XVIII como símbolo máximo da sedução.

Datam dessa época três grandes personagens do carnaval . A Colombina, o Pierrô e o Arlequim tem origem na Comédia Italiana, companhia de atores que se instalou na França pra difundir a Commedia dell'Arte. O Pierrô é uma figura ingênua, sentimental e romântica. É apaixonado pela Colombina, que era uma caricatura das antigas criadas de quarto, sedutoras e volúveis. Mas ela é a amante de Arlequim, rival do Pierrô, que representa o palhaço farsante e cômico.

História do Carnaval
O Rancho Flor de Abacate, vencedor do carnaval carioca de 1932

Na Europa um dos principais rituais de carnaval foi o Entrudo. A palavra vem do latim e significa início, começo, a abertura da Quaresma. Existe desde 590 d.C., quando o carnaval cristão foi oficializado. O povo comemorava comendo e bebendo para compensar o jejum.

Mas, aos poucos, o ritual foi se tornando bruto e grosseiro e o máximo de sua violência e falta de respeito aconteceu em Portugal, nos séculos XVII e XVIII. Homens e mulheres atiravam água suja e ovos das janelas dos velhos sobrados e balcões. Nas ruas havia guerra de laranjas podres e restos de comida e se cometia todo tipo de abusos e atrocidades.

O carnaval no Brasil

Por causa das atuais maneiras de se brincar o carnaval . muita gente pensa que esta festa tem origem na cultura trazida pelos escravos. Mas, ao contrário disso, o carnaval brasileiro se origina no entrudo português e aqui chegou com as primeiras caravelas da colonização. Recebeu também muitas influências das mascaradas italianas e somente no século XX é que recebeu elementos africanos, considerados fundamentais para seu desenvolvimento. Com essa mistura de costumes e tradições tão diferentes, o carnaval do Brasil é um dos mais famosos do mundo e, todos os anos, atrai milhares de turistas dos cinco continentes.

Mais precisamente, o entrudo desembarcou no Brasil em 1641, na cidade do Rio de Janeiro. Assim como em Portugal, era uma festa cheia de inconveniências da qual participavam tanto os escravos quanto as famílias brancas. Após insistentes intervenções e advertências da Igreja Católica, os banhos de água suja foram sendo substituídos por limões de cheiro, esferas de cera com água perfumada ou água de rosas e bisnagas cheias de vinho, vinagre ou groselha. Esses frascos deram origem ao lança-perfume, bisnaga ou vidro de éter perfumado de origem francesa. Criado em 1885, chegou ao Brasil nos primeiros anos do século XX. Também substituindo as grosserias, vieram então as batalhas de flores e os desfiles em carros alegóricos, de origem européia.

Uma das figuras mais marcantes da festa é a do Rei Momo, inspirada nos bufos, atores portugueses que costumavam representar comédias teatrais para divertir os nobres. Há também o Zé Pereira, tocador de bumbo que apareceu em 1846 e revolucionou o carnaval carioca. Tem origem portuguesa e, tendo sido esquecido no começo do século XX, deixou como sucessores os ritimistas que acompanhavam os blocos dos sujos tocando cuíca, pandeiro, reco-reco e outros instrumentos.

As máscaras e fantasias começaram a ser difundidas aqui ainda na primeira metade do século XIX. O primeiro baile de máscaras do Brasil foi realizado pelo Hotel Itália, no Largo do Rocio, RJ. A idéia logo virou um hábito e contagiou a cidade. Mas, apesar de ser uma maneira sadia e alegre de se brincar o carnaval , contribuiu para marcar as já gritantes diferenças sociais que aqui sempre existiram. O carnaval dos salões veio para agradar a elite e a classe emergente do país, o povo ficava do lado de fora, nas festas de rua ao ar livre. E mesmo com o grande sucesso dos bailes de salão, foi na esfera popular que o carnaval adquiriu formas genuinamente autênticas e brasileiras.

Um dos itens mais importantes do carnaval brasileiro também obedece à evolução histórica. Na falta de um gênero próprio de música carnaval esca, inicialmente as brincadeiras eram acompanhadas pela Polca. Depois o ritmo passou a ser ditado pelas quadrilhas, valsas, tangos, charleston e maxixe, sempre em versão instrumental.

Somente em 1880 as versões cantadas - entoadas por coros - invadiram os bailes. A primeira música feita exclusivamente para o carnaval foi uma marchinha, "Ó abre alas", composta para o cordão Rosa de Ouro pela maestrina Chiquinha Gonzaga em 1899 e inspirada pela cadência rítmica dos ranchos e cordões. Desde então este gênero, que rapidamente caiu no gosto popular, passou a animar os carnavais cariocas. Elas sobreviveram por um longo tempo, mas foram substituídas pelo samba, que na década de 60 passou a ocupar definitivamente o lugar das velhas marchinhas populares de carnaval nas rádios, nas gravadoras de discos e na recente televisão.

A evolução do carnaval carioca

No carnaval Carioca os cortejos carnaval escos eram organizados pelas "sociedades", clubes ou agremiações que competiam entre si em desfiles de alegorias que geralmente satirizavam o governo. A primeira surgiu em 1855 e se chamava "Congresso das Sumidades carnaval escas", tendo José de Alencar como um de seus fundadores. Depois vieram a União Veneziana e muitas outras que eram uma verdadeira coqueluche durante o Império.

Uma das poucas que de fato se consolidaram foi a Democráticos. Outro importante movimento foi o dos Cordões, surgidos em 1885, que originaram os blocos e posteriormente as escolas de samba. Eram formados por negros, mulatos e pessoas humildes em geral, que saíam às ruas animando o povo ao som de instrumentos de percussão e músicas compostas especialmente para os desfiles comandados pelo apito do mestre que estava sempre à frente dos músicos. Cada Cordão era identificado por um estandarte.

É a primeira manifestação de carnaval bastante influenciada pela cultura e religião africana. A religião, desta vez a católica, também deu origem ao Rancho, semelhante aos Cordões, que inicialmente desfilavam no Dia de Reis, quando as pessoas se fantasiavam de pastores e pastoras e saíam em procissão, simulando um rumo à Belém. E assim como os cordões, os ranchos tiveram de ceder espaço às escolas de samba.

O século XX chega com novidades também para o carnaval . Logo depois da inauguração da Av. Central surgiu o Corso, um desfile de caminhões e carros abertos, com ou sem decoração conduzindo famílias e grupos de foliões pelo centro da cidade. Era uma brincadeira animada entre as pessoas que estavam nos carros e as que acompanhavam a pé o cortejo, com direito à guerra de confete e serpentina. O Corso foi ficando para trás na medida em que o progresso e o trânsito iam para frente.

As famosas matinês tiveram início praticamente na mesma época do Corso, com a realização do primeiro baile infantil em 1907. Também se multiplicavam os bailes nas casas das famílias mais abastadas da cidade. Em 1909 surgiu o primeiro concurso num baile de carnaval . Somente os homens tinham direito à voto e os prêmios eram valiosas jóias. Premiava-se a melhor fantasia, a mais bela mulher e a mais criativa dança.

Surgimento das Escolas de Samba

Foi no bairro do Estácio que surgiu o ritmo que iria dar um novo tom ao carnaval e viria, em pouco tempo, a se consagrar como uma das marcas registradas da música brasileira, o samba. Com notas mais longas e um andamento bem mais rápido que os ritmos amaxixados que o antecederam, o samba fora criado especialmente para arrebanhar as massas durantes os desfiles de um dos mais famosos blocos de carnaval , o Deixa Falar.

A maior novidade estava por conta da evidente marcação que a música apresentava, graças a um novo instrumento, o surdo, criado por um dos bambas do Estácio, Alcebíades Barcelos, o Bide.

O surgimento de tantas novidades provocou uma verdadeira revolução, trazidas pelos compositores do Deixa Falar. Foi Ismael Silva o primeiro a atribuir ao bloco a expressão "escola de samba", e devido ao prestígio que gozavam, os sambistas eram chamados de professores. Há, porém, uma outra versão para o emprego da expressão "escola de samba". Bem próximo à sede do Deixa Falar, fundado em agosto de 1927, havia uma Escola Normal, formadora de professores.

Como muitos sambistas de outros locais procuravam os compositores do Largo do Estácio para conhecerem as novidades do samba, estes também eram chamados "professores" e a sede do bloco, "escola de samba".

A Deixa falar foi então, a primeira escola a desfilar, no carnaval de 1929, ano em que surgiu a Estação Primeira, que até os dias de hoje reivindica para si o pioneirismo entre as escolas de samba.

A primeira competição entre as escolas teve início em 1932, na Praça Onze, concurso promovido pelo jornal Mundo Sportivo, do jornalista Mário Filho. Devido à grande repercussão, o Jornal O Globo assumiu o concurso no ano seguinte. Somente em 1935 a Prefeitura do Rio tomou frente na organização do evento que é hoje, um dos maiores espetáculos do mundo.

O carnaval da Bahia

História do Carnaval
Em Recife e Olinda o carnaval é dominado pelos imensos bonecos embalados pelo frevo

O carnaval de Rua foi desaparecendo à medida que as Escolas de Samba ganhavam popularidade e apresentavam à público desfiles cada vez mais grandiosos. Na Bahia aconteceu exatamente o contrário. O carnaval de Salvador, a primeira capital do Brasil, evoluiu como no Rio de janeiro e em diversas outras partes do país.

As iniciativas tomadas para conter os abusos do entrudo português fizeram surgir os bailes dos salões, com grande destaque para as festas à fantasia do teatro São João, o corso, os cordões e blocos diversos. O ano de 1884 é considerado um marco pelos baianos devido a organização apresentada pelas manifestações populares a partir deste ano.

No finalzinho do século XIX, por volta de 1894, 1895, surgiu o Afoxé, um tipo de grupo formado por negros que representavam casas de culto de herança africana e saíam às ruas cantando e recitando seqüências de músicas e letras.

Os afoxés exibiam-se na Baixa dos Sapateiros, Taboão, Barroquinha e Pelourinho, enquanto os grandes clubes desfilavam em áreas mais nobres. O mais famoso afoxé é o "Filhos de Gandhy", criado em 1949 - ano do IV centenário da cidade - pelos estivadores do Porto de Salvador. O nome é uma homenagem ao pacifista indiano Mahatma Gandhy, assassinado um ano antes.

A maior inovação do carnaval da Bahia porém, foi o Trio Elétrico de Dodô e Osmar, que surgiu em 1950 e representa a consagração do carnaval de rua. A primeira apresentação foi feita em cima de um Ford 1929, com guitarras elétricas e som amplificado por auto-falantes, às cinco da tarde do Domingo de carnaval .

O desfile aconteceu no Centro da cidade arrastando uma verdadeira multidão. Na verdade, o nome "trio elétrico" só surgiu mesmo no ano seguinte, quando três músicos se apresentaram em cima do tal carro.

Nos anos 70 o carnaval presenciou o nascimento de grupos históricos, como os Novos Baianos e o bloco afro Ilê Aiyê, além do renascimento do Filhos de Gandhy. Era o começo do crescimento cultural do carnaval de Salvador, que passou a enfatizar os conflitos e a protestar contra o racismo. Na década de 80, grupos como Camaleão, Eva e Olodum escreveram seus nomes na história da festa mais popular da Bahia.

Curiosidades do carnaval no mundo

A festa mais tradicional acontece, sem dúvida, na cidade de Veneza, na Itália, onde os foliões invadem as ruas e salões com luxuosas fantasias e as mais belas máscaras de carnaval .

Mas em outros pontos da Europa e Américas há muito que comemorar. Com uma tradição de mais de 800 anos, o carnaval na cidade suíça da Basiléia ainda mantém as tradições seculares.

Às quatro horas da madrugada da terça-feira gorda, chamados pelo sino da catedral e pelo rufar dos Schnitzelankler (tambores), os foliões mascarados invadem as ruas com lanternas coloridas cantando sátiras dos temas mais diversos, embalados pelo som de pífanos e flautas.

Em Nice, na França, duzentas mil lâmpadas iluminam o desfile de carros alegóricos, liderado por aquele que leva o Rei do carnaval . Os carros levam ainda enormes bonecos de papelão e moças ornamentadas de flores. 
Um tradição mantida é a queima do Rei do carnaval em meio a um show de fogos de artifício na madrugada da quarta-feira de cinzas.

Na capital, Paris, o carnaval se resume à terça-feira gorda, quando os estudantes espalham-se pelas ruas, praças e cafés. Além de cantar e dançar, eles promovem uma verdadeira guerra de ovos e farinhas, cujas maiores vítimas são os motoristas e ocupantes de automóveis, que não têm como escapar.

Na Alemanha, o carnaval mais animado acontece na cidade de Colônia. As tradições param nos desfiles de fantasias, pois a celebração maior é o encontro das pessoas nas ruas, quando os jovens tomam as cervejarias, adegas e salões de festa. Há também um cortejo de carros alegóricos onde os foliões fazem chover balas e bombons na multidão que acompanha a parada.

História do Carnaval
Na Bélgica, os foliões mantém a tradição e vestem-se de Gilles, os bufões da Idade Média

Em Nova Orleans, nos Estados Unidos, a tradição do carnaval , que começa na segunda feira, é mantida com o desfile de barcos enfeitados no Rio Mississipi. Há um tradicional baile de máscaras e fantasias no Spanish Plaza, aberto pelo rei da festa, chamado de Rex. Na terça-feira a multidão sai em massa nas ruas para assistir às parades ,desfiles de carros alegóricos, organizadas pelas sociedades carnaval escas.

Na América do Sul, além do Brasil, a Bolívia tem um carnaval bastante pitoresco. É nesta época do ano que acontece a Diablada, um desfile onde é encenada uma dramática batalha entre o Bem e o Mal, na cidade de Oruro, centro da mineração boliviana.

Os homens se fantasiam com máscaras demoníacas, ornamentadas com serpentes aladas e dragões de três cabeças, representando os espíritos malignos que assombravam os primeiros operários, que temiam o trabalharem nas minas de estanho e prata por causa do perigo de passarem longo período de tempo debaixo da terra. Já o Bem é caracterizado pela figura da Virgem de Socavón, a virgem do túnel da mina para onde convergem os "diabos" no fim do desfile, já com suas máscaras na mão.

Eles se ajoelham dentro da igreja e pedem proteção à Santa. Na saída, passam por um túnel prateado, que simboliza a saída da mina, e são banhados por água benta pelos padres da cidade, consumando o ritual do exorcismo. Em qualquer lugar do mundo, o carnaval sempre é uma festa única que, para estar completa, não deixa de reunir o sagrado e o profano.

Origem da palavra carnaval

Estudiosos divergem quanto a origem do termo carnaval . Para uns, a palavra vem de CARRUM NAVALIS, os carros navais que faziam a abertura das Dionisías Gregas nos séculos VII e VI a.C.

Uma outra versão é a de que a palavra carnaval surgiu quando Gregório I, o Grande, em 590 d.C. transferiu o início da Quaresma para quarta-feira, antes do sexto domingo que precede a Páscoa.

Ao sétimo domingo, denominado de "qüinquagésima" deu o título de "dominica ad carne levandas", expressão que teria sucessivamente se abreviado para "carne levandas", "carne levale", "carne levamen", "carneval" e "carnaval", todas variantes de dialetos italianos (milanês, siciliano, calabres, etc..) e que significam ação de tirar , quer dizer: "tirar a carne" A terça-feira. (mardi-grass), seria legitimamente a noite do carnaval . Seria, em última análise, a permissão de se comer carne antes dos 40 dias de jejum da Quaresma.

Fonte: www.areliquia.com.br

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