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Idade de Ouro

A popularização do rádio, o Teatro de Revista e o desfile das escolas de samba fizeram dos anos 30 e 40 a idade de ouro do Carnaval no Brasil. Marchinhas animavam os bailes e as ruas, e os sucessos musicais daqueles tempos permanecem vivos e entusiasmantes até hoje.

A marchinha Pra você gostar de mim (Taí), composta em 1930 por Joubert de Carvalho, lançou para o estrelato um grande ícone do nosso Carnaval: a "internacional" Carmen Miranda. A "pequena notável" emprestou a voz a diversas marchas carnavalescas. Entre suas inúmeras gravações, podemos destacar: Adeus batucada (Synval Silva, 1935), Camisa listada (Assis Valente, 1937), Cantores do rádio (Lamartine Babo, João de Barro e Alberto Ribeiro, 1936), Disseram que voltei americanizada (Vicente Paiva e Luiz Peixoto, 1940), Eu dei (Ary Barroso, 1937), Isto é lá com Santo Antonio (Lamartine Babo, em dueto com Mário Reis, 1934), No tabuleiro da baiana (Ary Barroso, 1936), O que é que a baiana tem? (Dorival Caymmi, 1939) e Aurora (Mário Lago e Roberto Roberti, 1941).

Lamartine Babo (em parceria com os irmãos Valença) compôs a arrebatadora O teu cabelo não nega, em 1932, e foi também o autor do sucesso do Carnaval de 1934, História do Brasil, com esta hilariante letra:

Quem foi que inventou o Brasil?
Foi seu Cabral!
Foi seu Cabral!
No dia 21 de Abril
Dois meses depois do carnaval
Depois
Ceci amou Peri
Peri beijou Ceci
Ao som...
Ao som do Guarani!
Do Guarani ao guaraná
Surgiu a feijoada
E mais tarde o Paraty
Depois
Ceci virou Iaiá
Peri virou Ioiô
De lá...
Pra cá tudo mudou!
Passou-se o tempo da vovó
Quem manda é a Severa
E o cavalo Mossoró

"Nos versos finais, Lamartine faz referência a dois grandes ídolos do público na época: a fadista portuguesa Severa e o cavalo Mossoró, ganhador do Grande Prêmio Brasil. Paraty, na segunda estrofe, refere-se a uma cachaça." - explica o site "Ao Chiado Brasileiro", de onde obtivemos os fonogramas e algumas histórias que contamos aqui. O site é imperdível para quem quer conhecer a música brasileira do início do século passado.

Uma curiosidade sobre o grande Lamartine Babo: foi ele o autor de todos os hinos dos principais times de futebol do Rio de Janeiro - Botafogo, América, Flamengo, Fluminense e Vasco da Gama. Diz a lenda que as composições nasceram de uma aposta, e que ele criou todas em uma única noite.

Composta em 1935, mais uma marcha de Carnaval se transformaria em clássico eterno, além de hino do Rio de Janeiro: Cidade Maravilhosa, de André Filho.

A "idade de ouro" do Carnaval carioca também foi marcada pela elegância dos grandes bailes carnavalescos - entre os quais destacavam-se o do Teatro Municipal e o do Hotel Copacabana Palace - e dos Desfiles de Fantasia, cuja maior figura foi Clóvis Bornay. Hoje considerado hors concours pelas dezenas de títulos que já conquistou, Bornay foi o vencedor do primeiro Desfile de Fantasias do teatro Municipal, em 1937.

Fonte: www.educacaopublica.rj.gov.br