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INCONFIDÊNCIA MINEIRA

Inconfidência Mineira foi abordada em vários estudos, cada qual mostrou uma faceta diferente deste movimento, o que gerou inúmeras discussões entre estudiosos por todo país e pelo mundo. Muitos a definem como um movimento que buscava a liberdade de nosso país. Outros já esboçam contornos mais regionais atribuindo sua "quase" eclosão ao descontentamento da população de Vila Rica com o governo português. Teremos ainda pesquisadores que irão trilhar caminhos que levavam a interesses particulares como propulsores do movimento. Mas todos concordam em um ponto, que o movimento eclodiu diante do quadro de escassez de ouro, na região das Minas a partir da metade final do século XVIII.

Os filhos das famílias mais abastadas de Vila Rica, eram mandados para Coimbra em Portugal, para serem instruídos em sua universidade, neste período a Europa era sacudida pelos ideais da Revolução Francesa. A literatura sobre temas revolucionários era farta, em todos os países europeus, apesar de ser combatida com todo rigor por todas as nações européias. Alguns estudantes brasileiros tiveram acesso a estes livros proibidos, aos ideais da revolução francesa, e trouxeram alguns desses exemplares há Vila Rica.

INCONFIDÊNCIA MINEIRA

A liberdade guia o povo, as idéias da revolução francesa foram difundidas

pelos jovens que estudaram em Portugal, quando os mesmos voltavam para Vila Rica.

Com a chegada do novo governador à capitânia de minas, o Visconde de Barbacena, ocorreram reformas em todos os níveis da administração portuguesa colonial. Famílias e pessoas influentes em Vila Rica perderam seus cargos e poderes. Dentre estas pessoas se encontravam vários desses "jovens", que tiveram contato com as idéias revolucionárias na Europa. Tomás Antônio Gonzaga era um deles, destituído de seu cargo de ouvidor de Vila Rica, ele logo se indispôs com o novo governador da província. Além desses fatos, a derrama era iminente, e a maioria das pessoas de posse em Vila Rica estavam endividadas com a coroa. A derrama era a atualização dos impostos devidos, dentre eles o quinto. Porém com a escassez do ouro os pagamentos desses impostos estavam praticamente impossíveis, muitos temiam perder todas as suas posses, ou serem presos por não terem como pagar os impostos.

Mas não só de interesses particulares estava motivada a inconfidência mineira, havia também o sonho de ver a pátria livre, longe dos mandos e desmandos do governo português, uma pátria que para alguns séria monarquista, ou até mesmo republicana como sonhou Joaquim da Silva Xavier o Tiradentes.

Porém a noção de pátria e de país neste momento, era territorialmente diferente da que temos hoje em dia. A pátria dos inconfidentes estava resumida propriamente ao estado de Minas e do Rio de Janeiro, talvez fosse incluído ai, o Estado de São Paulo ou mesmo da Bahia. Os demais estados devido a distância e a dificuldade de comunicação, e mesmo pela maior ou menor resistência das tropas portuguesas, dificilmente teriam possibilidade de se agregarem ao novo país. Claro que são suposições, mas provavelmente a inconfidência mineira não teria uma abrangência nacional.

As reuniões aconteciam sempre em lugares secretos na calada da noite, e a cada dia, contavam com um número maior de integrantes. A maioria era pertencente as classes sociais mais abastadas, mas havia também integrantes das camadas populares e principalmente militares. Os inconfidentes confeccionaram uma bandeira e um lema, que hoje em dia pode ser visto na bandeira que representa o estado de Minas Gerais. A revolta estava programada para o dia em que fosse anunciada a derrama, planejavam executar o governador de Minas em praça pública, tomando o controle das tropas sediadas na cidade e na província. Mas os inconfidentes, também precisavam arregimentar correligionários na cidade do Rio de Janeiro, este seria o segundo momento da revolução. Para os inconfidentes após a notícia da revolta em Minas se espalhasse pela Colônia, outras cidades iriam aderir ao movimento, e se no Rio de Janeiro houvesse já algum grupo preparado, isto facilitaria ainda mais o processo.

No campo das ideologias, as principais a se destacarem eram as mesmas que motivavam a revolução francesa, a igualdade, fraternidade e liberdade, mas além disso devemos destacar também os interesses particulares. A forma de governo a ser instituída era a monarquia, o rei provavelmente viria de alguma família da colônia. Não haveria muitas mudanças na forma da administração pública, as leis seriam totalmente reformuladas, mantendo-se a escravidão. Muitos historiadores atribuem a Tiradentes idéias mais radicais, como por exemplo a proclamação da república e a abolição da escravidão.

Eram vários os líderes do movimento, Tomás Antonio de Gonzaga, Alvarenga Peixoto, o cônego Luiz Viera da Silva e representando as camadas populares Joaquim da Silva Xavier o Tiradentes. Devo frisar que o papel de Tiradentes na revolta foi muitas vezes distorcido pela historia, talvez devido ao martírio pelo qual foi submetido. Sua figura é muitas vezes tomada como o principal líder do movimento o que é questionável, pois por se tratar de um movimento no qual participavam figuras ilustres de Vila Rica, os outros líderes eram tão importantes quanto Tiradentes, podemos destacar a figura de Tomas Antônio de Gonzaga e mesmo o nome de Alvarenga Peixoto.

Só não contavam eles, que entre os inconfidentes surgiria a figura de um traidor, o coronel Joaquim Silvério dos Reis. Endividado com a coroa e destituído do comando de tropa, Silvério dos Reis tinha motivos suficientes para participar da inconfidência. Porem temia que o movimento falhasse, e as punições que viriam em conseqüência. Tentando tirar proveito próprio, acabou por delatar os revoltosos para o Visconde de Barbacena, em carta de próprio punho incorporada abaixo.

Ilmo. e Exmo. Sr. Visconde de Barbacena

Meu Senhor:

Pela forçosa obrigação que tenho de ser leal vassalo a nossa Augusta Soberana, ainda apesar de se me tirar a vida, como logo se me protestou, na ocasião em que fui convidado para a sublevação que se intenta e prontamente passei a pôr na presença de vossa excelência o seguinte: em o mês de fevereiro deste presente ano, vindo da revista do meu Regimento, encontrei no arraial da Laje o sargento-mor Luís Vaz de Toledo e falando-me em que se botavam abaixo os novos Regimentos, porque vossa excelência assim o havia dito, é verdade que eu me mostrei sentido e queixei-me de Sua Majestade que me tinha enganado, porque em nome da dita Senhora, se me havia dado uma patente de coronel-chefe do meu Regimento, e com o qual me tinha desvelado, em o regular e fardar, e grande parte à minha custa, e que não podia levar a paciência ver reduzido a uma inação, todo o fruto do meu desvelo, sem que eu tivesse faltas do real serviço e juntando mais algumas palavras em desafogo de minha paixão.

Foi Deus servido que isto acontecesse, para se conhecer a falsidade que se fulmina. No mesmo dia viemos a dormir à casa do capitão José Resende e, chamando-me a um quarto particular, de noite, o dito sargento-mor Luís Vaz, pensando que o meu ânimo estava disposto para seguir a nova conjuração, pelo sentimento das queixas que me tinha ouvido, passou o dito sargento-mor a participar-me, debaixo de todo o segredo, o seguinte: Que o desembargador Tomás Antônio Gonzaga, primeiro cabeça da conjuração, havia acabado o lugar de Ouvidor dessa Comarca, e que nesse posto se achava há muitos meses nessa vila, sem se recolher a seu lugar na Bahia, com o frívolo pretexto de um casamento, que tudo é idéia, porque já se achava fabricando leis para o novo regime da sublevação e que se tinha disposto da forma seguinte: procurou o dito Gonzaga o partido e união do coronel Inácio José de Alvarenga, e o padre José da Silva de Oliveira e outros mais, todos filhos da América, valendo-se, para reduzir outros, do alferes pago José da Silva Xavier, e que o dito Gonzaga havia disposto da forma seguinte: e que o dito coronel Alvarenga havia de mandar duzentos homens, pés-rapados, da Campanha, paragem onde mora o dito coronel, e outros duzentos o padre José da Silva, e que haviam de acompanhar a estes vários sujeitos que já passam de sessenta, dos principais destas Minas, e que estes pés-rapados haviam de vir armados de espingardas e foices, e que não haviam de vir juntos por não causar desconfiança, e que estivessem dispersos, porém perto da Vila Rica e prontos à primeira voz, e que a senha para o assalto que haviam ter cartas, dizendo - tal dia é o batizado, e que podiam ir seguros, porque o comandante da tropa paga, o tenente-coronel Francisco de Paula, estava pela parte do levante e mais alguns oficiais, ainda que o mesmo sargento-mor me disse que o dito Gonzaga e seus parciais estavam desgostosos pela frouxidão que encontravam no dito comandante, que por essa causa se não tinha concluído o dito levante e que a primeira cabeça que se havia de cortar era a de V. excelência e depois, pegando-lhe pelos cabelos, se havia fazer uma fala ao povo cuja já estava escrita pelo dito Gonzaga e para sossegar o dito povo, se haviam levantar os tributos e que logo se passaria a cortar a cabeça ao Ouvidor dessa Vila, Pedro José de Araújo e ao escrivão da Junta, Carlos José da Silva e ao adjudante-de-ordens Antônio Xavier, porque estes haviam seguir o partido de V. excelência e como o intendente era amigo dele Gonzaga, haviam ver se o reduziam a segui-los, quando duvidasse também se lhe cortaria a cabeça.

Para este intento me convidaram e se me pediu mandasse vir alguns barris de pólvora, e que outros já tinham mandado vir e que procuravam o meu partido por saberem que eu devia a Sua Majestade quantia avultada, e que esta logo me seria perdoada, e como eu tinha muitas fazendas e duzentos e tantos escravos, me seguravam fazer um dos grandes; e dito sargento-mor me declarou várias entradas neste levante, e que se eu descobrisse, me haviam de tirar a vida como já tinham feito a certos sujeitos da Comarca de Sabará. Passados poucos dias, fui a Vila de São José, donde o vigário da mesma, Carlos Correa me fez certo quanto o dito sargento-mor me havia contado e, disse-me mais, que era tão certo que, estando ele dito, pronto para seguir para Portugal, para o que já havia feito demissão de sua igreja, e seu irmão, e que o dito Gonzaga embaraçara a jornada, fazendo-lhe certo que, com brevidade, cá o poderiam fazer feliz, e que por este motivo suspendera a viagem.

Disse-me o dito vigário, que vira já parte das novas leis, fabricadas pelo dito Gonzaga, e que tudo lhe agradava, menos a determinação de matarem vossa excelência e que ele dito vigário, dera o parecer ao dito Gonzaga que mandasse antes botá-lo do Paraibuna abaixo, e mais a senhora viscondessa e seus meninos, porque vossa excelência em nada era culpado e que se compadecia do desamparo em que ficava a dita senhora e seus filhos, com a falta de seu pai, ao que lhe respondeu o dito Gonzaga que era a primeira cabeça que se havia de cortar, porque o bem comum prevalece ao particular, e que os povos que estivessem neutrais, logo que vissem o seu general morto, se uniriam ao seu partido. Fez certo este vigário que para esta conjuração trabalhava fortemente o dito alferes pago, Joaquim José Xavier, e que já naquela Comarca tinham unido ao seu partido um grande séquito, e que havia de partir para a capital do Rio de Janeiro, a dispor alguns sujeitos, pois o seu intento era também cortar a cabeça do senhor vice-rei e que, já na dita cidade, tinham bastante parciais. Meu senhor, eu encontrei o dito alferes, em dias de março, em marcha para aquela cidade, e pelas palavras que me disse, me fez certo o seu intento que levava e consta-me, por alguns da parcialidade, que o dito alferes se acha trabalhando isto particularmente, e que a demora desta conspiração era enquanto não se publicava a Derrama; porém que, quando tardasse, sempre se faria. Ponho todos esses importantes particulares na presença de vossa excelência pela obrigação que tenho da fidelidade, não porque o meu instinto nem vontade sejam de ver a ruína de pessoa alguma, o que espero em Deus que com o bom discurso de vossa excelência há de acautelar tudo, e dar as providências, sem perdição dos vassalos.

O prêmio que peço tão-somente a vossa excelência é o rogar-lhe que, pelo amor de Deus, se não perca a ninguém. Meu senhor, mais algumas coisas tenho colhido e vou continuando na mesma diligência, o que tudo farei ver a vossa excelência, quando me determinar. O céu ajude e ampare a vossa excelência para o bom êxito de tudo; beija os pés de vossa excelência o mais humilde súdito.

Joaquim Silvério dos Reis, Coronel da Cavalaria das Gerais, Borba do Campo, 11 de abril de 1789.

INCONFIDÊNCIA MINEIRA

A monarquia foi questionada e derrubada pelos revolucionários franceses.

INCONFIDÊNCIA MINEIRA

D.Maria

INCONFIDÊNCIA MINEIRA

D. João VI

Devido a morte de D. João V, e o pequeno D. João VI não ter idade suficiente para assumir o trono português, D. Maria I era a representante maior do poder real português. Conhecida também como D. Maria à louca.

O processo se alongou entre os anos de 1789 a 1792, os inconfidentes foram acusados pelo crime de lesa majestade (atentar contra a vida do rei ou seus representantes) e traição, a pena para estes crimes era a morte. Num primeiro momento do processo, onze foram os condenados à morte pela forca, os outros eram condenados ao degredo perpetuo na África.

INCONFIDÊNCIA MINEIRA

Os inconfidentes presos são levados a julgamento, Tiradentes será posteriormente considerado um mártir.

No período do cárcere o poeta Cláudio Manoel da Costa comete suicídio, por não suportar a pressão exercida pela eminente condenação a morte, que aguardava a todos os revoltosos. Inicialmente todos assumiam a culpa pela inconfidência mineira, mas com a iminência da condenação à morte, vários recuaram, com exceção de Tiradentes, que desde o começo do processo, assumiu a sua participação no movimento. Ao fim da devassa (nome pelo qual ficou conhecido o processo), somente Tiradentes foi condenado a morte, os outros foram condenados ao degredo perpetuo na África, e aos clérigos à viverem em conventos longe do contato com o mundo externo, em Portugal.

INCONFIDÊNCIA MINEIRA

Julgamento dos inconfidentes, no centro Tiradentes

Tiradentes foi enforcado na cidade do Rio de Janeiro no dia 21 de abril de 1792. Logo depois foi esquartejado, e seus quartos foram espalhados pela estrada real, sendo a cabeça exposta na praça central de Vila Rica, onde hoje se encontra o monumento em sua memória em Ouro Preto. Abaixo segue-se trecho da condenação de Tiradentes à forca.

Sentença de condenação de Tiradentes, proferida pelo tribunal de alçada em 18 de abril de 1792.

(...) Portanto, condenam ao réu Joaquim da Silva Xavier, por alcunha de Tiradentes, Alferes que foi da tropa paga da Capitania de Minas Gerais, a que, com baraço e pregão, seja conduzido pelas ruas públicas ao lugar da forca, e nela morra morte natural, para sempre, e que depois de morto, lhe seja cortada a cabeça e levada a Vila Rica, aonde, em lugar mais público dela, será pregada em um poste alto, até que o tempo a consuma, e o seu corpo será dividido em quatro quartos e pregados em postes pelo caminho de Minas, no sítio da Varginha e das Cebolas, onde o réu teve as suas infames práticas, e os mais nos sítios de maiores povoações, até que o tempo também o consuma. Declaram o réu infame, e seus filhos e netos, tendo-os, e os seus bens aplicam para o Fisco e Câmara Real, e a casa em que vivia em Vila Rica será arrasada e salgada, para que nunca mais no chão se edifique, e não sendo própria será avaliada e paga a seu dono pelos bens confiscados, e no mesmo chão se levantará um padrão, pelo qual se conserve em memória a infâmia deste abominável réu.

INCONFIDÊNCIA MINEIRA

Enforcamento e esquartejamento de Tiradentes na cidade do Rio de Janeiro. Seus quartos foram exibidos como exemplo na estrada real que ligava o Rio de janeiro há Vila Rica, a cabeça foi exposta na praça Tiradentes, onde hoje fica seu monumento.

Neste meio tempo Tiradentes seguia para a cidade do Rio de Janeiro, em busca de apoio para o movimento. Estando Tiradentes na capital da colônia, quando o visconde de Barbacena decretou a prisão dos revoltosos, sendo que ele foi preso por diligência do vice rei Luís de Vasconcelos e Sousa.

Durante o restante do período colonial, a inconfidência mineira era assunto proibido na colônia e mesmo em Portugal. Após a independência do Brasil a inconfidência mineira tornou-se um assunto polemico. Os inconfidentes tramaram contra a casa real portuguesa, Dom Pedro I e Dom Pedro II eram descendentes da família real portuguesa, e condenavam a atitude dos revoltosos de 1789. Com isso a Inconfidência Mineira se inseria numa futura briga, entre os ideais da monarquia e da república. Esta briga acabou por valorizar a importância do movimento, você talvez não esteja entendendo nada, mas nas próximas linhas vou tentar explicar que disputa foi essa.

INCONFIDÊNCIA MINEIRA

Tiradentes foi considerado pelo império um traidor que atentou contra o direito divino dos reis, e não como um mártir da independência. Com a proclamação da República foi transformado em símbolo da luta pela independência.

No ano de 1822 era proclamada a independência do Brasil, aquela jovem nação ainda não possuía uma unidade nacional estável. Ao longo do século XIX, principalmente no segundo reinado (Dom Pedro II), surgiram vários movimentos que punham em perigo essa unidade nacional. Por isso Dom Pedro II logo tratou de criar o Instituto histórico geográfico brasileiro.

Este instituto teve como prioridade a afirmação do Brasil como uma Nação com culturas e características semelhantes, e para isso necessitava de buscar motivos culturais, e principalmente históricos que reafirmassem o sentimento nacional. Os intelectuais do instituto foram atrás dos feitos históricos dos filhos da terra. Pois desta maneira tentavam incutir na população erudita sentimentos de nacionalismo, para que estes formadores de opinião, transmitissem estes sentimentos para as classes populares. É claro que caso esse nacionalismo fosse transmitido para as classes populares, provavelmente os movimentos que questionavam a unidade nacional não ocorreriam, porém dentro desse processo à Inconfidência Mineira foi esquecida ou até mesmo marginalizada.

INCONFIDÊNCIA MINEIRA

A bandeira de Minas Gerais teve sua origem na inconfidência mineira, o triangulo central representa a Santíssima trindade. A inscrição é em latim e diz: Liberdade ainda que seja tarde. Esta bandeira iria representar a futura nação dos inconfidentes.

Quando a monarquia se referia a tal movimento, ele era sempre visto como insubordinação, revolta por motivos fúteis, traição aos valores monárquicos que eram de direito divino. Tiradentes e seus companheiros eram vistos como criminosos comuns, que atentaram contra a vida dos governantes do período. Nunca citavam o movimento como de independência e sim como defensor de privilégios locais.

Não que os sentimentos ou a importância da Inconfidência Mineira fossem menos nobres, mas o principal problema, era que seu símbolo maior é mártir o Tiradentes, defendia abertamente os ideais republicanos o que era extremamente prejudicial ao segundo reinado.

Já na segunda metade do século XIX, quando a monarquia era questionada pelos republicanos, que viam na República a melhor saída para o sistema de governo do Brasil, a figura de Tiradentes foi resgatada como o grande herói nacional. Com a valorização de um movimento que continha o embrião republicano, as classes populares começaram a resgatar um sentimento republicano, que iria mais tarde auxiliar no fim da monarquia.

INCONFIDÊNCIA MINEIRA

No governo de Getulio Vargas foi criado o museu da inconfidência. Com a sua criação, os restos mortais dos inconfidentes foram recuperados e traslados para uma sala do museu. Com exceção dos restos mortais de Tomás Antonio Gonzaga e Tiradentes que não foram recuperados, mas mesmo assim ganharam lapides representativas no local.

Porém com a proclamação da República em 1889, a Inconfidência Mineira, ganha destaque como um dos principais movimentos que buscaram a independência do Brasil, muitas vezes foi mais valorizado do que o sete de setembro. Na inconfidência mineira já havia o embrião da independência, e principalmente o embrião republicano, representado pelas idéias atribuídas a Joaquim da Silva Xavier, o Tiradentes.

INCONFIDÊNCIA MINEIRA

Desenho em bico de pena representando a atual praça Tiradentes em 1789, época da Inconfidência.

Fonte: www.escolavesper.com.br

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