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Independência do Brasil

 

Separação política entre a colônia do Brasil e a metrópole portuguesa, declarada oficialmente no dia 7 de setembro de 1822. O processo de independência começa com o agravamento da crise do sistema colonial e se estende até a adoção da primeira Constituição brasileira, em 1824.

As revoltas do final do século XVIII e começo do XIX, como a Inconfidência Mineira, a Conjuração Baiana e a Revolta Pernambucana de 1817, mostram o enfraquecimento do sistema colonial.

A independência dos EUA e a Revolução Francesa reforçam os argumentos dos defensores das idéias liberais e republicanas. Cresce a condenação internacional ao absolutismo monárquico e ao colonialismo.

Aumentam as pressões externas e internas contra o monopólio comercial português e o excesso de impostos numa época de livre comércio.

Corte portuguesa

A instalação em 1808 da Corte portuguesa no Brasil contribui para a separação definitiva das duas nações. A abertura dos portos e a criação do Reino Unido do Brasil praticamente cortam os vínculos coloniais e preparam a independência. Com a Revolução do Porto, em 1820, a burguesia portuguesa tenta fazer o Brasil retornar à situação de colônia.

A partir de 1821, as Cortes Constituintes o Parlamento lusitano obrigam dom João VI a jurar lealdade à Constituição por elas elaborada e a retornar imediatamente a Portugal. No Brasil fica dom Pedro, como regente, para conduzir a separação política, caso fosse inevitável.

Pressionado pelas Cortes Constituintes, dom João VI chama dom Pedro a Lisboa. Mas o príncipe regente resiste às pressões, que considera uma tentativa de esvaziar o poder da monarquia.

Forma-se em torno dele um grupo de políticos brasileiros que defende a manutenção do status do Brasil no Reino Unido. Em 29 de dezembro de 1821, dom Pedro recebe um abaixo-assinado pedindo que não deixe o Brasil. Sua decisão de ficar é anunciada no dia 9 de janeiro do ano seguinte, num gesto enfático. O episódio passa à história como o Dia do Fico.

Articulações políticas

Entre os políticos que cercam o regente estão os irmãos Antônio Carlos e José Bonifácio de Andrada e Silva e o visconde de Cairu, José da Silva Lisboa. Principal ministro e conselheiro de dom Pedro, José Bonifácio luta num primeiro momento pela manutenção dos vínculos com a antiga metrópole, resguardando o mínimo de autonomia brasileira.

Convencido de que o rompimento é necessário, passa a ser o principal ideólogo da independência política do Brasil, sendo conhecido desde então como Patriarca da Independência. Fora da corte, outros líderes liberais, como Joaquim Gonçalves Ledo e Januário da Cunha Barbosa, atuam nos jornais e nas lojas maçônicas. Fazem pesadas críticas ao colonialismo português e defendem a total separação da metrópole.

Em 3 de junho de 1822, dom Pedro recusa fidelidade à Constituição portuguesa e convoca a primeira Assembléia Constituinte brasileira. Em 1º de agosto baixa um decreto declarando inimigas as tropas portuguesas que desembarcarem no país.

Cinco dias depois assina o Manifesto às Nações Amigas, redigido por José Bonifácio. Nele, dom Pedro justifica o rompimento com as Cortes Constituintes de Lisboa e assegura "a Independência do Brasil, mas como reino irmão de Portugal".

Independência

Em protesto, os portugueses anulam a convocação da Assembléia Constituinte brasileira, ameaçam com o envio de tropas e exigem o retorno imediato do príncipe regente.

No dia 7 de setembro de 1822, numa viagem a São Paulo, dom Pedro recebe as exigências das cortes. Irritado, reage proclamando a Independência do Brasil. Em 12 de outubro de 1822 é aclamado imperador pelos padres do reino e coroado pelo bispo do Rio de Janeiro em 1º de dezembro, recebendo o título de dom Pedro I.

No início de 1823 realizam-se eleições para a Assembléia Constituinte da primeira Carta do império brasileiro. A Assembléia é fechada em novembro por divergências com dom Pedro I.

Independência do Brasil

Elaborada pelo Conselho de Estado, a Constituição é outorgada pelo imperador em 25 de março de 1824. Com a Constituição em vigor e vencidas as últimas resistências portuguesas nas províncias, o processo de separação entre colônia e metrópole está concluído. Contra o liberalismo de setores das elites brasileiras triunfa o espírito conservador e centralizador de José Bonifácio.

Ele pregava a independência sem mudança de regime, ou seja, sem a proclamação da República nem mudanças sociais importantes, como a abolição da escravatura.

A independência, entretanto, só é reconhecida por Portugal em 1825, quando dom João VI assina o Tratado de Paz e Aliança entre Portugal e Brasil.

Fonte: br.geocities.com

Independência do Brasil

Para entendermos um fato histórico, devemos antes e acima de tudo compreender o seu contexto de época e, principalmente, os acontecimentos que o antecederam e, conseqüentemente, o propiciaram. Uma revolução, uma guerra, uma revolta, não ocorre, assim, de uma hora para outra, por simples resolução ou capricho.

Pequenos fatos vão se acumulando, como a água na represa, até chegarem à gota d'água definitiva, liberando as comportas da história para um único e derradeiro momento.

Momentos esses, muitas vezes, representados por um nome, uma liderança - homem ou mulher -, que, na verdade, são apenas representantes dos anseios de gerações inteiras. Gerações de homens e mulheres anônimas vão fazendo aos poucos a história.

Acumulando a água. Cabe às lideranças políticas situar os marcos dessa história anônima, tomando para si a hora e a vez de exercer um ato histórico, aqui, no caso, o da Independência do Brasil. A dom Pedro coube cravar o marco da independência no chão patriótico da história brasileira. Coube a ele abrir as comportas.

Antes da idéia vingar

A chegada da Corte Portuguesa ao Brasil, em 1808, fugindo da invasão francesa a Portugal, acaba sendo o começo de tudo, quer dizer, do processo da proclamação da independência. Podemos dizer que os brasileiros se acostumaram com essa presença real em solo pátrio, que passou a ter um gostinho de terra com lideranças próprias ou dona do próprio nariz.

No mesmo ano em que desembarcou, dom João abriu os portos "às nações amigas", fundou o Banco do Brasil e o Jardim Botânico. Em 1815, é criada a Academia Militar e da Marinha, além da Biblioteca Real e a Imprensa Régia. Dom João eleva ainda a condição do Brasil ao de Reino Unido a Portugal e Algarves.

O objetivo, com isso, era fazer a monarquia portuguesa representar-se no Congresso de Viena, na Áustria, onde acontecia a reorganização do mapa político da Europa, depois de Napoleão ter sido derrotado.

No ano seguinte, uma Missão Francesa chega ao Brasil, a convite de dom João, com o intuito de desenvolver as artes no país. O grupo é composto por intelectuais e artistas contratados, como os pintores Jean Baptiste Debret, Nicolas Taunay e o arquiteto Grandjean de Montigny.

Disputa de influência

Ao se estabelecer no Rio de Janeiro, a Corte Portuguesa amplia o poder central nessa cidade, especificamente, e enfraquece as províncias. Para aumentar ainda mais as condições insatisfatórias em relação à diminuição da influência política, o desempenho ruim do açúcar suscita dificuldades econômicas nas regiões do cultivo da cana. Isto vai gerar, em 1817, a Revolta Pernambucana, que tem como fonte de inspiração a Revolução Francesa, a independência dos Estados Unidos e as lutas emancipatórias da América hispânica.

Comerciantes, latifundiários, bacharéis e até padres conspiram contra militares e comerciantes portugueses, apontados como os responsáveis pelos problemas das províncias. O que esses cidadãos querem é que o controle do comércio seja retirado das mãos de portugueses e ingleses.

Com a revolta tomando conta das ruas do Recife, o então governador, Caetano Pinto, abandona o cargo e foge para o Rio de Janeiro. Com o poder local esvaziado, os rebeldes organizam o primeiro governo brasileiro independente e proclamam a República. A alegria, no entanto, dura pouco. Sem contar com o apoio das demais províncias do nordeste, o "novo governo" é cercado e vencido pelas forças legalistas.

Dom João assume: Dom Pedro a caminho

A mãe de dom João, dona Maria I, "a rainha louca", morre, em 1818, ficando para seu filho a coroa. O regente é então coroado como Rei de Portugal, do Brasil e de Algarves, com o título de dom João VI. Em 1821, porém, o Parlamento português exige de Dom João VI o juramento antecipado da primeira constituição de Portugal e ordena a sua volta, uma vez que, no ano anterior, um movimento liberal e antiabsolutista havia sido deflagrado em Portugal, conhecido como a Revolução do Porto. Dom João VI retorna e se submete ao regime constitucionalista, mas não sem antes deixar seu filho mais velho, dom Pedro, como regente do Reino Unido do Brasil.

Ainda pressionado pelas Cortes Constituintes de Portugal, dom João VI manda chamar dom Pedro a Lisboa, que, naturalmente se nega a ir. Ele acredita que, por trás dessa pressão, se esconde a tentativa de esvaziar o poder monárquico. Estamos no ano de 1822 e sua decisão de ficar é anunciada no dia nove de janeiro, lembrado até hoje como o Dia do Fico. Dom Pedro não estava sozinho nisso. Contava com o apoio de alguns políticos brasileiros que, por defenderem a manutenção do Brasil como Reino Unido, organizam um abaixo-assinado, pedindo ao príncipe regente que permanecesse no Brasil. É o princípio do fim da influência portuguesa por aqui.

Dom Pedro e a independência

1822, ao que parece, é um ano decisivo. Dom Pedro anuncia sua insubordinação à Constituição Portuguesa, convocando a primeira Assembléia Constituinte brasileira. Depois de declarar que as tropas portuguesas que desembarcassem no Brasil seriam consideradas inimigas, o príncipe regente resolve assinar o Manifesto às Nações Amigas, escrito por José Bonifácio, o Patriarca da Independência. Com essa assinatura, ratifica o rompimento com as Cortes Constituintes de Lisboa e assegura "a Independência do Brasil, mas como reino irmão de Portugal". Os portugueses, no entanto, não aceitam a convocação da Assembléia Constituinte Brasileira e exigem a volta imediata de dom Pedro, ameaçando, inclusive, com o envio de tropas.

O príncipe não obedece ao Parlamento Português, proclamando a Independência do Brasil, no dia sete de setembro, e afirmando em documento oficial a separação política entre colônia e metrópole portuguesa. Ele é aclamado imperador em outubro daquele ano e coroado, dois meses depois, pelo bispo do Rio de Janeiro, com o título de dom Pedro I, imperador do Brasil.

Às margens do riacho

A história conta que, voltando de uma viagem a São Paulo, após visitar Santos, dom Pedro recebe notícias oriundas de Portugal, às margens do riacho Ipiranga.

Ele não gosta nem um pouco do que acaba de saber e se convence, finalmente, de que deve se separar da metrópole. Diante dessa certeza, arranca do chapéu as cores de Portugal e, aclamado pelos que o acompanhavam, grita "Independência ou Morte".

Até abrir as comportas e deixar essa última gota d'água arrastar todo o conteúdo da represa, muitos fatos convergiram, propiciando o ato de dom Pedro.

O agravamento da crise do sistema colonial é um deles, trazendo revoltas no fim do século XVIII e início do XIX, como a Inconfidência Mineira, a Conjuração Baiana e a Revolta Pernambucana de 1817, já explicitada. Movimentos esses motivados pela independência dos Estados Unidos, em 1776, e pelo processo da Revolução Francesa (1789-1799). A rejeição ao absolutismo monárquico e ao colonialismo aumentava internacionalmente. O crescimento do livre comércio induzia um clima contrário ao monopólio comercial português e ao excesso de impostos. A transferência da Corte Portuguesa para o Brasil, em 1808, e sua posterior permanência, também concorreram, na prática, para cortar os laços coloniais com Portugal, preparando o grito do Ipiranga.

Fonte: www.ibge.gov.br

Independência do Brasil

O rei Dom João VI partiu para Portugal e seu filho DOM PEDRO ficou governando o Brasil. Os portugueses não gostaram disso e exigiram que o príncipe regente voltasse também.

Se DOM PEDRO fosse embora, o BRASIL voltaria a receber ordens de PORTUGAL e poderia ser tratado como colônia novamente.

Os brasileiros organizaram um movimento para convencer o príncipe a permanecer em nossa terra. Eles acreditavam que se DOM PEDRO ficasse aqui seria mais fácil tornar o BRASIL independente de PORTUGAL. A independência já era desejada por muitas pessoas .

No dia 9 de janeiro de 1822 , DOM PEDRO recebeu um documento com várias assinaturas.

O documento pedia que ele ficasse no BRASIL.

DOM PEDRO respondeu ao pedido dizendo: Como é para o bem de todos e felicidade geral da nação , estou pronto: diga ao povo que fico, Esse dia ficou conhecido como o dia do fico.

Os portugueses continuaram dando ordens a DOM PEDRO para voltar imediatamente. Enviaram tropas de PORTUGAL para levar o príncipe regente de volta.

Depois de muitas discussões DOM PEDRO proclamou a Independência do Brasil dia 7 de setembro de 1882, às margens do Riacho do Ipiranga em São Paulo, o príncipe ordenou às tropas:

Laços fora, soldados !

Independência ou morte!

Dessa data em diante o BRASIL tornou-se independente, isto é, deixou de pertencer a PORTUGAL.

Depois de proclamar a Independência, DOM PEDRO foi aclamado imperador do BRASIL , com o título de DOM PEDRO I.

Fonte: educar.sc.usp.br

Independência do Brasil

A crise do sistema colonial, trazendo revoltas no fim do século XVIII e início do XIX, como a Inconfidência Mineira, a Conjuração Baiana e a Revolta Pernambucana de 1817, bem como o crescimento do livre comércio foram fatores que contribuíram para a Independência do Brasil.

Em 1820, estoura a Revolução do Porto, em Portugal, um movimento liberal e antiabsolutista. No ano seguinte, o Parlamento português, exige que D. João VI deixe o Brasil, na época reino unido, e retorne a Portugal.

Assim o fez D. João, deixando seu filho mais velho, dom Pedro, como regente.

No ano de 1822, apoiado por políticos brasileiros que defendiam a manutenção do Brasil como Reino Unido, Dom Pedro anuncia sua insubordinação à Constituição Portuguesa, convocando a primeira Assembléia Constituinte brasileira.

Depois de declarar que as tropas portuguesas que desembarcassem no Brasil seriam consideradas inimigas, o príncipe regente resolve assinar o Manifesto às Nações Amigas, escrito por José Bonifácio, o Patriarca da Independência.

Com essa assinatura, confirma o rompimento com as Cortes Constituintes de Lisboa e assegura "a Independência do Brasil, mas como reino irmão de Portugal".

Os portugueses, no entanto, não aceitam a convocação da Assembléia Constituinte Brasileira e exigem a volta imediata de dom Pedro, ameaçando, inclusive, com o envio de tropas.

O príncipe não obedece ao Parlamento Português, proclamando a Independência do Brasil, no dia sete de setembro, e afirmando em documento oficial a separação política entre colônia e metrópole portuguesa.

Ele é aclamado imperador em outubro daquele ano e coroado, dois meses depois, pelo bispo do Rio de Janeiro, com o título de dom Pedro I, imperador do Brasil.

Fonte: UFGNet

Independência do Brasil

No dia 7 de setembro de 1822, o príncipe regente dom Pedro retornava de uma viagem a Santos, cidade no litoral da província de São Paulo.

No meio do caminho, encontrou um mensageiro que lhe levava duas cartas: a primeira exigia seu retorno imediato a Portugal.

A segunda, apontava dois caminhos: a obediência a Portugal ou a separação total da metrópole.

Apoiado pela elite brasileira, dom Pedro não teve dúvidas: proclamou a Independência do Brasil.

Saiba como foram os acontecimentos que antecederam ao famoso "Grito do Ipiranga".

Independência do Brasil
Independência ou Morte!, Pedro Américo. Museu Paulista USP

Entre a França e a Inglaterra

No final do século XVIII, Inglaterra e França disputavam a liderança no continente europeu. A Inglaterra industrializada era uma nação muito rica, que precisava cada vez mais de mercados para seus produtos. A França não tinha tantas fábricas, mas contava com um exército poderoso, comandado por Napoleão Bonaparte.

Para a França, a melhor maneira para se tornar a nação mais importante da Europa era sufocar a economia inglesa. Assim, em 1806, Napoleão decretou o Bloqueio Continental, proibindo todos os países europeus de comercializar com a Inglaterra. Quem fizesse negócios com a rival seria invadido pelo exército francês.

Para Portugal, a situação ficou difícil. Afinal, a Inglaterra era uma aliada importante e um país para o qual o Império português devia muito dinheiro. Por outro lado, o exército francês era poderoso. Como o governo português não decidia de que lado ficava, em 1807, o imperador francês Napoleão Bonaparte ordenou a ocupação de Portugal.

Para a corte de Lisboa havia duas opções: aceitar o domínio napoleônico ou partir para o Brasil.

Uma fuga e tanto

Sem saída, o governo português fez um acordo secreto com os ingleses, que se comprometeram a ajudar a família real e a corte portuguesa na fuga. Cerca de 15 mil pessoas abandonaram Portugal às pressas.

Na manhã de 29 de novembro de 1807, oito naus, quatro fragatas, três brigues, uma escuna e outras embarcações partiram do rio Tejo, em Lisboa, sob proteção inglesa. Na bagagem, traziam tudo o que puderam carregar móveis, objetos de arte, louças, livros, arquivos e dinheiro do tesouro imperial.

Em 22 de janeiro de 1808, chegaram a Salvador, na Bahia. Lá, eles foram festejados durante algumas semanas. Mas o destino final era a capital da colônia, o Rio de Janeiro, onde dom João VI e sua comitiva desembarcaram no dia 8 de março de 1808.

Independência do Brasil
Vista do Rio de Janeiro: Tomada dos Arredores da Igreja de Nossa Senhora da Glória, quadro de J. M. Rugendas

Viva o comércio!

A primeira medida de dom João ainda em Salvador foi a abertura dos portos do Brasil às nações amigas.

Quer dizer: a partir dessa data, os produtos exportados para o Brasil não precisavam mais passar por Portugal e os portos brasileiros receberiam pela primeira vez navios com bandeiras das nações que mantinham boas relações com Portugal.

Isso foi muito importante, pois a colônia começou a entrar em contato com os produtos e as idéias que circulavam em outras partes do mundo.

Os portos do Brasil passaram a ter mais importância para os ingleses, que tinham dificuldades para comerciar na Europa devido ao Bloqueio Continental de Napoleão.

Entusiasmados, os comerciantes estrangeiros trouxeram de tudo: tecidos, sapatos, talheres, louças, cristais, chapéus, cachimbos, xales, ferragens, queijo, manteiga, escovas, pentes, navalhas, perfumes, sabonetes, velas, pianos, carruagens, barbantes e caixões, além de produtos inúteis como carteira para notas (aqui só havia moedas), patins para gelo, casacos de pele e tecidos de lã pesada, inadequados para nosso clima quente.

Fique ligado!

Antes da chegada da família real, o Brasil era obrigado a seguir uma série de condições:

" A proibição de comerciar com outros países, a não ser Portugal.

" Qualquer comércio entre Brasil e Portugal só podia ser feito apenas por pessoas autorizadas.

" No território brasileiro, não podiam ser plantados produtos que já fossem cultivados em Portugal, nem fabricar artigos que fossem feitos por lá.

Mais cultura para o Brasil

Além das mudanças comerciais, a chegada da família real ao Brasil também causou um reboliço cultural e educacional. Nessa época, foram criadas escolas como a Academia Real Militar, a Academia da Marinha, a Escola de Comércio, a Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios, a Academia de Belas-Artes e dois Colégios de Medicina e Cirurgia, um no Rio de Janeiro e outro em Salvador.

Foram fundados o Museu Nacional, o Observatório Astronômico e a Biblioteca Real, cujo acervo era composto por muitos livros e documentos trazidos de Portugal. Também foi inaugurado o Real Teatro de São João e o Jardim Botânico.

Uma atitude muito importante de dom João foi a criação do Banco do Brasil e da Imprensa Régia. Essa última editou obras de vários escritores e traduções de obras científicas. Foi um período de grande progresso e desenvolvimento.

Independência do Brasil

O Observatório Astronômico do Rio de Janeiro foi uma das contribuições de dom João VI à ciência natural no Brasil

Ciúmes do lado de lá

Tanto movimento por aqui provocou a indignação do outro lado do Atlântico. Afinal, o Brasil deixara de ser uma simples colônia. Nosso país tinha sido elevado à condição de Reino Unido a Portugal e Algarves.

Quer dizer, enquanto a família real esteve por aqui, a sede do reino foi o Rio de Janeiro, que recebeu muitas melhorias. Enquanto isso, em Portugal, o povo estava empobrecido com a guerra contra Napoleão e o comércio bastante prejudicado com a abertura dos portos brasileiros.

Os portugueses estavam insatisfeitos e, em 1820, estourou a Revolução Liberal do Porto cidade ao norte de Portugal. Os rebeldes exigiram a volta de dom João e a expulsão dos governantes estrangeiros. Queriam também que o comércio do Brasil voltasse a ser feito exclusivamente pelos comerciantes portugueses.

Cedendo às pressões de Portugal, dom João voltou em 26 de abril de 1821.

Deixou, contudo, seu filho dom Pedro como regente do Brasil. Assim, agradava aos portugueses e aos brasileiros que tinham lucrado com a vinda da corte portuguesa para o Brasil, especialmente com a abertura dos portos.

Independência do Brasil
Um dos grandes acontecimentos na corte foi o casamento de dom Pedro I com a princesa austríaca dona Leopoldina em 1817.

Jean-Baptiste Debret mostra esse fato na tela Desembarque da Princesa Leopoldina

Fique ligado!

Em Portugal, uma nova Constituição começou a ser feita para o Império português. Só que para a elaboração do documento, o Brasil, como Reino Unido, teria direito de enviar seus deputados. Os portugueses não aceitavam essa hipótese e começaram a pressionar para que o Brasil voltasse a ser colônia, pois isso favoreceria seus interesses. Os brasileiros não aceitaram, queriam liberdade para comerciar e governar.

O Dia do Fico

A situação do Brasil permaneceu indefinida durante o ano de 1821.

No final desse ano, um fato novo redefiniu a situação: chegaram ao Rio de Janeiro decretos da corte que exigiam a completa obediência do Brasil às ordens vindas da metrópole. No dia 9 de dezembro de 1821, o governo brasileiro voltou a ser dependente de Portugal.

Dom Pedro recebeu ordens para voltar a Portugal, mas o Partido Brasileiro grupo formado por grandes fazendeiros, comerciantes e altos funcionários públicos o convenceu a ficar. O regente recebeu listas com assinaturas de cerca de 8.000 pessoas pedindo que ele permanecesse no país. Em 9 de janeiro de 1822, apoiado pelas províncias do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, dom Pedro decidiu permanecer.

Ele foi à sacada e disse: "Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, diga ao povo que fico!". Essa data ficou conhecida como o Dia do Fico.

A carta de José Bonifácio

No dia 16 de janeiro de 1822, dom Pedro nomeou José Bonifácio de Andrada e Silva ministro dos Negócios do Interior, da Justiça e dos Estrangeiros. Nos meses seguintes, o apoio do Partido Brasileiro a dom Pedro e o movimento de Independência cresceram bastante, principalmente na região Sudeste.

Por outro lado, a corte de Lisboa continuava exigindo a volta do príncipe regente.

Mais uma vez ele desafiou Portugal: determinou que as ordens de Lisboa só teriam validade no Brasil depois de passar pelas suas mãos e receber autorização, o que ficou conhecido como "Cumpra-se".

Diante dessa medida, o príncipe regente recebeu do Senado da Câmara do Rio de Janeiro o título de Defensor Perpétuo do Brasil.

No dia 7 de setembro, às margens do riacho Ipiranga, ele leu uma carta de Portugal que exigia seu retorno imediato e outra de José Bonifácio que dizia: "Só existem dois caminhos: ou voltar para Portugal como prisioneiro das cortes portuguesas ou proclamar a Independência, tornando-se imperador do Brasil".

Independência ou morte!

Houve ainda uma carta escrita pela esposa de dom Pedro, a princesa austríaca dona Leopoldina, que reforçava as idéias do ministro. Diante das palavras de José Bonifácio, homem forte do governo e que ficaria conhecido como "Patriarca da Independência", dom Pedro não teve dúvidas. Reagiu imediatamente, tirando do chapéu a fita com as cores vermelha e azul, que representavam a corte real portuguesa, jogando-a no chão.

Levantou a espada e gritou: "Independência ou morte!".

A cena ficou conhecida como o "Grito do Ipiranga", porque aconteceu às margens do riacho Ipiranga, em São Paulo, para onde dom Pedro tinha ido em busca do apoio dos paulistas. Atualmente, no local dos acontecimentos, encontra-se o Museu Paulista, mais conhecido como Museu do Ipiranga, que guarda objetos da época da Independência.

Fique ligado!

A maior parte da população brasileira acompanhou de forma apática os acontecimentos que levaram à Independência. Entre os escravos negros, ela nem existiu.

Algumas poucas senzalas se agitaram, pois acreditavam que haveria também o fim da escravidão. Entretanto, para os milhares de escravos, a vida dura nas lavouras continuaria sem qualquer modificação durante mais de 60 anos. A Independência não gerou mudanças sociais.

O reconhecimento da Independência

Em 1º de dezembro de 1822, dom Pedro foi aclamado imperador do Brasil, passando a usar o título de dom Pedro I. A Independência do Brasil, no entanto, só foi reconhecida por Portugal no dia 13 de maio de 1825. Após alguns meses de negociações, com a ajuda da Inglaterra, ficou decidido que o Brasil deveria pagar a Portugal 2 milhões de libras esterlinas (moeda inglesa). O dinheiro foi emprestado ao novo país pelos ingleses. Esse foi o primeiro pedido de empréstimo de nossa história.

Razões da Independência do Brasil

A Independência do Brasil não resultou do descontentamento de dom Pedro com as exigências de Portugal, mas da combinação de interesses e pressões internas e inglesas.

E foi inédita no continente americano: ao contrário de todos os países de língua espanhola, a ruptura brasileira com a metrópole foi praticamente pacífica e manteve a estrutura política e social praticamente intacta.

Panorama da época

Independência do Brasil
Dom Pedro

Fim do século XVIII e início do XIX: a Revolução Industrial caminhava muito bem na Inglaterra, país que a comandava.

Novas invenções se combinavam: a máquina a vapor introduzida por James Watt, a máquina de fiar inventada por Hargreaves, o tear mecânico de Cartwright. A produção artesanal cedia lugar à produção fabril e o trabalho assalariado tornava-se a base do sistema capitalista moderno. A burguesia industrial tinha à sua disposição milhares de trabalhadores pobres do campo e da cidade.

Era o proletariado moderno homens e mulheres livres a quem só restava vender aos industriais a sua força de trabalho em troca de pouco salário.

A produção industrial multiplicou-se e o comércio se expandiu extraordinariamente. As fontes de energia e de matérias-primas (como o algodão) ganharam papel de destaque.

A nova força de trabalho

Matéria-prima e mercado

Mas de que adiantava tanta expansão se não havia mercados que fornecessem matérias-primas e consumissem o que a Inglaterra produzia?

A pedra no sapato dos ingleses eram os mercados fechados das colônias, que obedeciam ao monopólio comercial da metrópole. Essas colônias deviam ser imediatamente abertas e integradas ao mercado mundial. Não que a Inglaterra não comerciasse com os mercados coloniais. Era, porém, um mercado indireto, o que encarecia os produtos. O capitalismo inglês queria mesmo é estabelecer um comércio direto, nada de intermediários.

O regime de monopólio comercial, o Pacto Colonial, estava condenado pelo liberalismo, assim como estavam condenados o mercantilismo e os regimes absolutistas, o Antigo Regime. A burguesia passava à frente do palco, enquanto a nobreza ia para o fundo.

Tear automático inglês

A chave da emancipação

Também para a classe dominante na colônia, a intermediação era prejudicial. Todos os monopólios e as restrições comerciais, todas as medidas de crescente controle político-administrativo, criaram um ambiente hostil à metrópole e favorável às idéias emancipacionistas.

Coincidiam, portanto, os interesses britânicos romper o monopólio e abrir as portas da América ao consumo de suas manufaturas e os da aristocracia rural vender seus produtos diretamente aos ingleses sem os entraves metropolitanos.

Essa aliança contra o Pacto Colonial foi a viga mestra no processo de Independência brasileiro.

Classe dominante no controle

No Brasil, a classe dominante, representada pelos grandes senhores de terras e de escravos, controlou o processo de Independência.

Visava:

Substituir o monopólio pelo livre comércio

Assumir o poder de fato

Não permitir que a Independência fosse além da autonomia política de Portugal, isto é, sem provocar grandes rupturas nas estruturas econômicas, políticas e sociais, deixando alterado o regime da grande propriedade e da escravidão.

Assim, depois da Independência, surgiram conflitos e contradições, pois os ingleses exigiam também o fim do tráfico negreiro e do trabalho escravo.

O processo de Independência

Historicamente, o processo da Independência do Brasil ocupou as três primeiras décadas do século XIX e foi marcado pela vinda da família real ao Brasil, em 1808, e pelas medidas tomadas no período de dom João.

Ao contrário das independências no restante da América, a vinda da família real fez a autonomia brasileira ter mais o aspecto de "transição", com um príncipe português à frente, dom Pedro. Sem dúvida, o processo foi bastante acelerado pelo que ocorreu em Portugal em 1820.

A Revolução do Porto, comandada pela burguesia comercial da cidade do Porto, arrastou amplos setores sociais (camponeses, funcionários públicos, tropas militares, artesãos) para um movimento que tinha características liberais para Portugal, mas, para o Brasil, significava uma recolonização.

Revolta com a recolonização

No primeiro momento, as notícias da Revolução do Porto causaram manifestações de apoio no Brasil entre as forças liberais e antiabsolutistas. Mas, com o passar dos dias e a chegada das determinações recolonizadoras das Cortes, cresceram o movimento oposicionista e as pressões da aristocracia rural a favor da permanência do rei.

Açougue dos Bragança

A presença de tropas portuguesas obrigou dom João a voltar em abril de 1821, deixando aqui seu filho dom Pedro como príncipe regente e levando consigo o Tesouro Real. A população revoltou-se e foi reprimida por tropas de dom Pedro, episódio que ficou conhecido como Açougue dos Bragança.

Regência de dom Pedro

De 1821 a 1822, período da regência do príncipe português, cresceram as tensões entre as Cortes e os interesses da aristocracia rural. As medidas recolonizadoras de Portugal, apoiadas pelo Partido Português (nome das forças favoráveis à recolonização), encontraram barreiras cada vez maiores da parte do Partido Brasileiro (as forças pró-Independência, lideradas pela aristocracia rural), que passou a pressionar para que o príncipe regente declarasse uma Independência oficial, sem participação popular e sem modificações na estrutura vigente.

Autonomia original

O processo de Independência do Brasil não foi um fato isolado na história americana. Foi concomitante à independência das colônias espanholas durante os primeiros 30 anos do século XIX. Em todos os países latino-americanos, vingou o projeto da classe dominante de uma independência sem mudanças profundas.

Várias diferenças deram exclusividade à nossa Independência:

A Independência do Brasil foi relativamente pacífica e sem grandes abalos. Ao contrário das guerras populares nos outros países americanos, aqui houve poucas reações de tropas portuguesas fiéis à coroa portuguesa.

O Brasil manteve a unidade territorial conquistada ainda no período colonial; a América espanhola fragmentou-se em várias nações.

No Brasil, não houve participação popular e também não se destacaram líderes, os chamados "libertadores" latino-americanos, como Simón Bolívar (Venezuela), José Artigas (Uruguai), San Martín (Argentina) e O'Higgins (Chile).

Ao proclamarem sua independência, as colônias espanholas da América optaram pelo regime republicano, seguindo o modelo norte-americano. O Brasil ficou com o regime monárquico, não porque fosse popular entre os brasileiros e nem pelo fascínio que a pompa e o luxo da corte exerciam nos colonos, mas sim por causa do processo político desencadeado pela instalação da corte portuguesa na colônia em 1808.

Mudado, mas nem tanto

O movimento que desembocou na Independência concentrou-se na figura do rei e depois na do príncipe regente. A monarquia transformou-se em símbolo de autoridade e estabilidade mesmo quando dom Pedro I era contestado.

A elite que promoveu e apoiou a Independência não tinha interesse em rupturas que ameaçassem a estabilidade da antiga colônia. A organização do Estado brasileiro que se seguiu à Independência resultou no projeto do grupo liberal-conservador, que defendia a monarquia constitucional, a integridade territorial e o regime centralizado. Quer dizer, a emancipação do Brasil não resultou em grandes alterações de ordem social e econômica ou na forma de governo.

Quem lucrou

A Independência beneficiou o grupo que estava no poder ligado ao futuro imperador, isto é, a elite agrária, que manteve seus privilégios e o povo a distância, evitando assim que o fato se tornasse uma revolução social. Por outro lado, a Independência evitou a recolonização lusitana pela conquista da emancipação política.

Na esfera internacional, o movimento tinha garantida a participação da Inglaterra, que não só apoiou o movimento e participou das lutas de Independência, como também apressou seu reconhecimento em troca de privilégios comerciais.

Uma Independência original, sem abalos, pacífica, em curto tempo, sem a participação do povo. Coube ao povo participar apenas do quadro de Pedro Américo, na figura do simbólico carroceiro olhando surpreso dom Pedro dar o Grito do Ipiranga.

Veja a correta observação do historiador Caio Prado Júnior:

"Fez-se a independência, praticamente à revelia do povo, e se isto lhe poupou sacrifícios, também afastou por completo sua participação na nova ordem política. A independência brasileira é fruto mais de uma classe do que da nação tomada em conjunto."

Nova dependência

O Brasil se subordinou aos interesses do capitalismo industrial inglês. Passou a depender do mundo financeiro britânico, como se pode perceber no texto abaixo, uma descrição das lojas do Rio de Janeiro feita por Mary Graham, inglesa que veio ao Brasil em 1821:

"As ruas estão, em geral, repletas de mercadorias inglesas. A cada porta as palavras 'Superfino de Londres' saltam aos olhos: algodão estampado, panos largos, louça de barro, mas acima de tudo ferragens de Birmingham podem ser obtidas nas lojas do Brasil a um preço um pouco mais alto do que em nossa terra."

Pode não ser a abordagem mais correta encarar a Independência como um movimento que nada mudou, pois o Brasil passara da dependência inglesa por meio de Portugal à dependência direta da Inglaterra.

Se muitos professores de História dizem aos alunos que "Em 7 de setembro mudamos de dono", o historiador Boris Fausto mostra outro lado da questão: a Independência teria representado, mais do que uma troca de nomes de dominadores, "uma mudança da forma como a antiga Colônia se inseria no sistema econômico internacional" e também exigia a construção de "um Estado nacional para organizar o país e garantir sua unidade" (Boris Fausto, em História do Brasil).

Fonte: escolavesper.com.br

Independência do Brasil

A Independência do Brasil é um dos fatos históricos mais importantes de nosso país, pois marca o fim do domínio português e a conquista da autonomia política. Muitas tentativas anteriores ocorreram e muitas pessoas morreram na luta por este ideal.

Podemos citar o caso mais conhecido: Tiradentes. Foi executado pela coroa portuguesa por defender a liberdade de nosso país, durante o processo da Inconfidência Mineira.

Em 9 de janeiro de 1822, D. Pedro I recebeu uma carta das Côrtes de Lisboa, exigindo seu retorno para Portugal. Há tempos os portugueses insistiam nesta idéia, pois pretendiam recolonizar o Brasil e a presença de D. Pedro impedia este ideal.

Porém, D. Pedro respondeu negativamente aos chamados de Portugal e proclamou: "Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, diga ao povo que fico."

1. O começo de tudo: A revolução do Porto

Com a transferência da Corte portuguesa para o Brasil, em 1808, Portugal mergulhou numa grave crise. A invasão do país pelo exército de Napoleão Bonaparte desorganizou a produção do vinho e do azeite. Pouco depois, a abertura dos portos brasileiros levou os comerciantes portugueses a perderem o mercado colonial para a Inglaterra. Diante desta crise, várias cidades portuguesas fizeram manifestações de militares e civis contra o governo estrangeiro e absolutista.

Exigiam a volta imediata de dom João a Portugal. As primeiras notícias da Revolução do Porto chegaram ao Brasil ainda em 1820. O movimento inspirou diversas rebeliões locais da população insatisfeita.

2. Um momento de indefinições

Inicialmente, a elite brasileira apoiou as Côrtes portuguesas. Afinal, os latifundiários, os altos funcionários e alguns comerciantes do Rio de Janeiro foram chamados a participar do novo governo. Em 1821, o governo português aumentou as taxas alfandegárias sobre as mercadorias importadas da Inglaterra. Com isso, Portugal pretendia recuperar o monopólio comercial sobre o Brasil. No mesmo ano, as Côrtes enviaram tropas ao Rio de Janeiro e Pernambuco, para reforçar a vigilância na Colônia.

3. Os partidos políticos em formação

A elite agro-exportadora fundou um partido político, o Partido Brasileiro, ao lado de periódicos como o Despertador Brasiliense e o Regulador Brasílico-Luso.

Os comerciantes portugueses, concentrados no Nordeste, e beneficiados pelo monopólio da Coroa, foram contrários à independência do Brasil. Com o apoio de alguns militares do Reino, eles fundaram o Partido Português. Já a classe média - que havia se formado no Rio de Janeiro, composta por funcionários públicos, profissionais liberais, militares e o clero católico - assumiu uma posição mais radical em favor da independência.

4. Dom Pedro decide ficar

Embora com idéias diferentes, o Partido Brasileiro e os liberais radicais se uniram na luta pela independência. Por sua vez, as Côrtes de Lisboa, em sua tentativa de recolonizar o Brasil, passaram a exigir mais insistentemente o retorno de Dom Pedro a Portugal. Preocupados com a exigência, os dois grupos políticos, organizaram um grande abaixo-assinado, pedindo ao príncipe regente que ele não abandonasse o Brasil.

No dia 9 de janeiro de 1822, após receber o documento com as assinaturas, pedindo a sua permanência no Brasil, D. Pedro tomou a decisão de ficar.

"Como é para o bem de todos e felicidade geral da nação, estou pronto: diga ao povo que fico", declarou o príncipe regente ao grupo de pessoas que lhe foi entregar o abaixo-assinado. Esse fato ficou conhecido como o Dia do Fico . A decisão de D. Pedro de desobedecer às Côrtes Portuguesas foi o início do rompimento das relações do governo brasileiro com o governo português. A partir daí os acontecimentos se precipitaram e o Brasil caminhou rapidamente para sua independência.

As governo português considerava ilegal o governo de D. Pedro e ameaçou enviar tropas ao Brasil, caso seu retorno à Europa fosse mais uma vez adiado.

Quando a decisão de Portugal chegou ao Brasil, José Bonifácio enviou-lhe as mensagens vindas de Portugal. Dom Pedro as recebeu no dia 7 de setembro de 1822, às margens do riacho do Ipiranga. Junto à correspondência estava uma carta de seu ministro, aconselhando-o a tomar uma atitude imediata.

Ali mesmo, às margens do riacho e na presença de uma pequena comitiva, D. Pedro declarou a independência do Brasil. Chegavam ao fim mais de trezentos anos de domínio colonial.

O processo de independência

Após o Dia do Fico, D. Pedro tomou uma série de medidas que desagradaram à metrópole, pois preparavam o caminho para a independência do Brasil. D. Pedro convocou uma Assembléia Constituinte, organizou a Marinha de Guerra, obrigou as tropas de Portugal a voltarem para o Reino.

Determinou também que nenhuma lei de Portugal seria colocada em vigor sem o " cumpra-se", ou seja, sem a sua aprovação. Além disso, o futuro imperador do Brasil conclamava o povo a lutar pela independência.

O príncipe fez uma rápida viagem a Minas Gerais e a São Paulo para acalmar setores da sociedade que estavam preocupados com os últimos acontecimentos, pois acreditavam que tudo isto poderia ocasionar uma desestabilização social. Durante a viagem, D. Pedro recebeu uma nova carta de Portugal, que anulava a Assembléia Constituinte e exigia a volta imediata dele para a metrópole..

Estas notícias chegaram às mãos de D. Pedro quando este estava em viagem de Santos para São Paulo.

Próximo ao riacho do Ipiranga levantou a espada e gritou: "Independência ou Morte!". Este fato ocorreu no dia 7 de setembro de 1822 e marcou a Independência do Brasil. No mês de dezembro de 1822, D. Pedro foi declarado imperador do Brasil.

Pós-Independência

Os primeiros países que reconheceram a Independência do Brasil foram os Estados Unidos e o México. Portugal exigiu do Brasil o pagamento de 2 milhões de libras esterlinas para reconhecer a independência de sua ex-colônia. Sem este dinheiro, D. Pedro recorreu a um empréstimo da Inglaterra. Embora tenha sido de grande valor, este fato histórico não provocou rupturas sociais no Brasil. O povo mais pobre sequer acompanhou ou entendeu o significado da independência.

As estruturas pouco se modificaram com o evento: a questão agrária continuou a mesma, a escravidão se manteve até 1.888 e a distribuição de renda continuou a mesma até ao início do desenvolvimento do País, com a chegada dos imigrantes. A elite agrária, que deu apoio a D. Pedro I, foi a camada que mais se beneficiou.

Fonte: www.linhaaberta.com

Independência do Brasil

Embora o país tenha começado a romper os grilhões coloniais no instante em que D.João VI abriu os portos "às nações amigas", em janeiro de 1808, os fatos quer antecederam a Independência do Brasil estão diretamente ligados à Revolução Liberal do Porto, que eclodiu em agosto de 1820.

Independência do Brasil

Portugal era então governado pelo marechal inglês Beresford, que expulsara os franceses do país. Indignados com a situação - e com o fato de custearem a permanência de D.João VI no Brasil -, os revoltosos se aproveitaram da ida de Beresford ao Rio para deflagar o movimento. Além de forçar D.João VI a retornar a Portugal a junta provisória que assumiu o controle do país decidiu reconvocar as Cortes Gerais Extraordinárias e Constituintes da Nação Portuguesa, que, noutros tempos, eram reunidas em épocas de crise.

E foi graças à intransigência das Cortes que os fatos se precipitaram, não deixando aos brasileiros outra opção que não a luta pela independência. Como Portugal não tinha uma Constituição, D.João VI foi forçado a jurar uma nova, que se baseava na Constituição espanhola de 1812.

Independência do Brasil
José Bonifácio

Pelas novas regras do jogo, o Brasil - que, desde 1808, ocupava uma posição de supremacia no império português - perdia seus privilégios e teria de voltar a se submeter inteiramente ao governo da metrópole. Mas o novo regime, representativo, permitiria a participação brasileira no governo de Lisboa.

O problema era que, de acordo com as novas leis, as colônias eram sub-representadas e as eleições, indiretas. Assim sendo, das 181 cadeiras das Cortes, apenas 72 poderiam ser ocupadas por deputados brasileiros - e, entre esses, havia os que eram francamente favoráveis à metrópole.

Apesar dessas vantagens, as Cortes sequer esperaram que todos os representantes do Brasil chegassem a Lisboa para, em 7 de março de 1821 - com somente 46 dos 72 brasileiros presentes no plenário -, votar a emenda que simplesmente dissolvia o reino do Brasil.

Na verdade, não era difícil perceber que o propósito básico das Cortes era "recolonizar" o Brasil. Em sessões tensas e tumultuadas (foto acima), com os deputados quase trocando sopapos, as Cortes decidiram que o Brasil não apenas deixaria de ser um reino unido a Portugal como também o vice-reinado, com sede no Rio de Janeiro, não seria reestabelecido.

Em vez de possuir um governo central, o Brasil seria dividido em províncias autônomas, cujos governadores (militares) seriam nomeados pelas próprias Cortes.

Foram eliminadas também todas as agências, repartições públicas e tribunais de justiça estabelecidos depois de 1807. Além disso, estavam sumariamente demitidos todos os juízes, advogados, escreventes e burocratas que ocupavam esses postos.

E, como se não bastasse, as Cortes exigiam o retorno imediato a Lisboa do príncipe regente já que, na opinião dos deputados, não tendo mais o Brasil um governo central, a presença de D. Pedro no Rio passava a ser figurativa.

Mas as Cortes decidiram também que não havia lugar para D.Pedro em Portugal: o príncipe deveria fazer, incognitamente, "uma viagem pela Inglaterra, França e Espanha para aprofundar sua educação, de modo a, algum dia, poder ocupar condignamente o trono lusitano".

Uma declaração de guerra não teria efeito maior: enquanto o Brasil se preparava para entrar no século 19, as Cortes propunham um retorno ao século 17.

Embora as determinações fossem absurdas e injustas, D.Pedro estava decidido a cumpri-las. Afinal, as tropas portuguesas estacionadas no Rio e os comerciantes lusitanos residentes no país assim o exigiam.

Mas então, em janeiro de 1822, o príncipe recebeu uma petição escrita por José Bonifácio (imagem ao lado) e assinada por toda a junta provincial de São Paulo.

Era um documento poderoso, que clamava que o príncipe desafiasse as Cortes e permanecesse no Brasil. O texto, comovente, emocionou D.Pedro - e mudou o rumo da história do Brasil.

Independência ou Morto

O ano de 1822 começou dramaticamente para D.Pedro. Foi no dia 1º de janeiro que ele recebeu o manifesto escrito por José Bonifácio e assinado por toda a junta provincial da cidade.

Até então, apesar de alguns cartazes espalhados pelas ruas do Rio e das manifestações cada vez mais entusiásticas que vinham recebendo nas ruas ou no teatro, D.Pedro não registrara nenhum sinal de apoio à sua permanência no Brasil.

Mas a carta de Bonifácio era impactante. Segundo ela, as Cortes de Lisboa, baseadas "no despropósito e no despotismo" buscavam impor ao Brasil "um sistema de anarquia e escravidão". Movidos por uma "nobre indignação", os paulistas estavam "prontos a derramar a última gota do seu sangue e a sacrificar todas as suas posses para não perder o adorado príncipe", em quem colocavam "suas bem-fundamentadas esperanças de felicidade e honra nacional".

Os cariocas, que pensavam da mesma maneira, organizaram um abaixo-assinado com 8 mil nomes e o entregaram ao príncipe uma semana depois, numa cerimônia realizada ao meio-dia de 9 de janeiro.

Depois de ler o documento, D.Pedro anunciou solenemente sua decisão: "Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, dia ao povo que fico". Reunido em frente ao Paço Municipal, o povo saudou a decisão do príncipe.

No dia 11, as tropas portuguesas tentaram obrigar o príncipe a embarcar para Lisboa. Apoiado pelo povo e por tropas leais, D.Pedro resistiu. A independência, agora, era uma questão de tempo.

Marcam a aproximação entre D.Pedro e a facção mais conservadora da elite brasileira, formada por homens que, em sua maioria, tinham freqüentado a Universidade de Coimbra e partilhavam da idéia de um império luso-brasileiro. Cinco dias depois de expulsar do Rio as tropas lusas, comandadas pelo general Avilez, D.Pedro organizou um novo ministério e, para liderá-lo, escolheu José Bonifácio de Andrada e Silva.

Em 1º de agosto, declarou inimigas todas as tropas enviadas de Portugal sem o seu consentimento. No dia 14, partiu para São Paulo para contornar uma crise na província. No dia 2 de setembro, no Rio, a esposa de D.Pedro, D.Leopoldina (imagem acima), leu as cartas chegadas de Lisboa com as abusivas decisões da Corte. Reuniu os ministros e enviou mensageiros a D.Pedro.

No dia 7 de setembro, o príncipe recebeu as cartas às margens do Ipiranga e concluiu que era a hora de romper com a metrópole.

Depois de ler, amassar e pisotear as cartas, D.Pedro montou "sua bela besta baia", cavalgou até o topo da colina e gritou à guarda de honra: "Amigos, as cortes de Lisboa nos oprimem e querem nos escravizar...

Deste dia em diante, nossas relações estão rompidas".

Após arrancar a insígnia portuguesa de seu uniforme, o príncipe sacou a espada e gritou:

"Por meu sangue, por minha honra e por Deus: farei do Brasil um país livre". Em seguida, erguendo-se nos estribos e alçando a espada, afirmou: "Brasileiros, de hoje em diante nosso lema será: Independência ou morte".

Eram 4 horas da tarde de 7 de setembro de 1822.

No dia seguinte, inicou a viagem de retorno ao Rio, onde chaegou no tempo recorde de cinco dias, deixando toda a tropa 10 horas para trás. Na capital, foi saudado como herói. A 1º de dezembro, aos 24 anos, foi coroado não rei, mas imperador, para mostrar que, apesar do direito monárquico, também fora eleito pelo "povo".

Fonte: educaterra.terra.com.br

Independência do Brasil

1. Introdução

Por volta de 1820 os ventos da liberdade sopravam na América do Sul .Muitas colônias espanholas tinham ficado independentes.

As que não tinham independência estavam lutando por ela.

No Brasil , a situação também estava agitada. Em 1817 houve uma revolta na região nordeste. A independência era um dos seus objetivos. Ela foi derrotada mas, o sonho de liberdade permaneceu vivo.

2. Os Movimentos de Pré Independência

Conforme o declínio colonial brasileiro ia se acentuando, aumentava o descontentamento da população colonial em relação à Metrópole. Assim, surgiram revoltas que pretendiam a independência. Estas revoltas tiveram maior ou menor participação da população , conforme o caso. Todas elas, no entanto, foram lideradas por elementos da camada média da população, que adotavam a ideologia liberal e não obtiveram apoio da classe dominante.

No que se refere à ideologia os movimentos de pré- independência tiveram uma característica importante. O liberalismo por eles adotados tinha surgido na Europa como conseqüência da desagregação do Antigo regime. Era portanto uma ideologia revolucionária e que representava basicamente os interesses da burguesia industrial.

Adotado no Brasil, o liberalismo passava a ter um aspecto contraditório: o de uma Ideologia burguesa num país que não possuía burguesia.

Daí decorrem as limitações que as idéias liberais sempre tiveram entre nós: adotadas como teoria, raramente podiam ser aplicadas na prática. E quando o eram sob a forma de um liberalismo de fachada acabavam por beneficiar mais às potências européias do que ao Brasil.

3. O Brasil e as cortes portuguesas

Em 1820 a burguesia portuguesa da cidade do Porto, com o apoio dos camponeses, das baixas camadas sociais urbanas, das tropas e dos funcionários públicos, liderou uma revolução em Portugal: A Revolução Liberal do Porto.

Os rebeldes pretendiam salvar Portugal de sua tradicional crise econômica, tirar o povo da miséria em que vivia principalmente depois da fuga do governo português para o Brasil, e que deixara Portugal submetido ao domínio político de militares ingleses fazer uma nova Constituição para o país e recolonizar o Brasil.

A recolonização do Brasil era uma tentativa de recuperação econômica de Portugal, na medida em que recolonizar significava restabelecer o pacto colonial e, portanto, restabelecer a dominação da economia da colônia pela metrópole.

Vitoriosos, os rebeldes organizaram as Cortes Portuguesas_ assembléias que se reuniam em momentos importantes para tomar decisões _ e exigiram a volta de D. João VI.

4.Formação de lideranças emancipacionistas

Os proprietários rurais e a classe média sabiam que a independência teria de vir .Não podiam aceitar as medidas recolonizadoras de Portugal. O problema era como consegui-la? Eles percebiam que D. Pedro, apesar de herdeiro de D. João VI , poderia desempenhar um papel muito importante na luta pela independência. Por isso, tentaram envolvê-lo neste projeto.

De um lado, estava os absolutistas, contrários as Cortes de Lisboa porque elas pretendiam fazer de Portugal uma monarquia constitucional. De outro lado , aqueles que formavam o Partido brasileiro.

Estes estavam divididos em dois grupos: os democratas, que tinham Joaquim Gonçalves Ledo , seu elemento mais representativo e os aristocratas, liderados por José Bonifácio.

Democratas e aristocratas divergiam dos absolutistas. Queriam com isso dizer que eles não queriam mudar em um mundo em que tudo mudava , insistindo a defesa do absolutismo e buscando apoios na Santa Aliança.

Mas democratas e aristocratas divergiam-se entre si . Após o Dia do Fico , os acontecimentos se precipitaram como resultado da reação das cortes portuguesas e de seus aliados do Partido português, inconformados com a decisão de D. Pedro permaneceram no Brasil .

5. A vitória dos conservadores

A Independência do Brasil não foi conquistada somente nos campos de batalha.

Simultaneamente, travava-se um outro tipo de batalha: a diplomática.

Portugal tinha muitos e poderosos aliados na Europa por isso o governo brasileiro necessitava que todos os países reconhecessem oficialmente a nova realidade. Caso isso não acontecesse um dia Portugal poderia retomar ao Brasil com ajuda destes países.

A luta diplomática demorou mais tempo do que as lutas militares. Havia muitos interesse em jogo.

Os EUA foi o primeiro país a reconhecer oficialmente que o Brasil era um país livre. Por volta de 1.820 os EUA já tinham se desenvolvido bastante e já se colocavam de igual para igual com os países da Europa.

Queriam que a predominância no continente americano fosse deles e não da Europa. Por isso, viam com bons olhos a independência do Brasil. Afinal, quem saia prejudicado era Portugal, um país Europeu.

O governo português deu um ultimato a D. Pedro. Em agosto de 1.822 , mandou uma carta na qual exigia a volta imediata dele e a anulação da convocação da Assembléia Nacional Constituinte.

D. Pedro não estava no Rio de Janeiro. Ele tinha ido a SP . José Bonifácio envio um correio para levar esta carta a D. Pedro. Junto ele mandou uma carta, na qual dizia Ter chegado a hora da ruptura definitiva. Ás 16:30 do dia 7 de setembro de 1822 o correio alcançou D. Pedro nas margens do Rio Ipiranga .

Entregou-lhes as cartas, ele as leu. Sabia que o Brasil esperava dele uma atitude.

Puxou a espada e reproduziu em voz alta aquilo que o povo já falava pelas ruas: Independência ou morte .

Este episódio passou a ser o marco da nossa independência.

Conclusão

Os grandes proprietários rurais tinham motivos para se alegrar, a liberdade de comércio também era uma realidade definitiva. Acreditavam que o novo governo ia defender os interesses deles. Acreditavam que tinham chegado ao poder.

Nas fazendas tudo continuava como antes. A liberdade tinha parado na porta das senzalas. O Brasil saiu da subordinação política a Portugal para entrar na dependência econômica da Inglaterra. O problema da independência política estava resolvido. Faltava agora reorganizar o país.

Em resumo, a situação foi a seguinte: a classe dominante fez a indepêndencia do Brasil, apoderou-se do controle do governo e tratou de orientar a política nacional de acordo com os seus interesses particulares , mas a independência não foi para todos pois a escravidão continuava por todo o Brasil.

Bibliografia

1º livro História e Vida Vol. 1 
Nelson Piletti e Claudino Piletti 
Pg. 126 a 142

2º livro Independência ou Morte  A emancipação política do Brasil
Ilmar Rohloff de Mattos e Luis Affonso Seigneur de Albuquerque
Pg. 3 a 87

3º livro História 
Martins 
Capítulo 5 - pg 58 a 66

Fonte: www.redeensino.hpg.com.br

Independência do Brasil

Os livros de História do Brasil apresentam em detalhes, sob variados aspectos, a descrição de como foi proclamada a Independência do Brasil.

Menos comuns, porém, são as imagens, mostradas nestas páginas:

No dia 2 de setembro de 1822, o Conselho de Estado (José Bonifácio, Clemente Pereira, Martim Francisco, Gonçalves Ledo), reunido com Dona Leopoldina, tinha concluído que era necessário proclamar a Independência.

Essa reunião é retratada por Georgina de Albuquerque, nesta pintura a óleo conservada no Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro:

Independência do Brasil

Nascido em 1798, D. Pedro de Alcântara teve curta e movimentada existência: em apenas 36 anos de vida (faleceu no palácio de Queluz, em Portugal, em 24 de setembro de 1834), tornou-se o primeiro imperador do Brasil (D. Pedro I) e também D. Pedro IV de Portugal.

Conseguiu colocar seus filhos como sucessores no trono, nos dois países: D. Pedro II no Brasil e D. Maria II em Portugal.

Sobre ele, contou o historiador Pedro Calmon: "Considerei-o um herói precoce, que galgou a imortalidade cavalgando as grandes crises do século; por isso, justamente, O Rei Cavaleiro. As crises foram da liberdade contra o absolutismo, na América e na Europa. Aqui, rompeu com a tradição, aceitando a aclamação nacional. Lá, desligou-se do passado, tomando a causa da Constituição".

Daí o fato, único no mundo, de ter seu monumento nas duas margens do Atlântico: no Rio de Janeiro, a cavalo, na Praça Tiradentes, e em Lisboa, no Rossio, ereto sobre a coluna coríntia.

Independência do Brasil

Em 7 de setembro de 1822, às margens do riacho Ipiranga, na capital paulista, D. Pedro decide proclamar a independência do Brasil.

A cena foi assim descrita pelo pintor Renée Moreaux, em quadro a óleo mantido no Museu Imperial de Petrópolis/RJ, do qual se vê abaixo a parte principal:

Independência do Brasil

Em quadro a óleo sobre tela (415x760 cm), pintado em 1888, e denominado "Independência ou Morte", Pedro Américo retratou como teria sido o momento do grito às margens do Ipiranga.

O quadro está conservado no Museu Paulista, situado no mesmo lugar onde em 1822 foi declarada a Independência do Brasil:

Independência do Brasil

No dia 12 de outubro de 1822, no Campo de Santana, situado na capital carioca, Dom Pedro foi aclamado Imperador do Brasil.

A imagem é do ilustrador francês Jean Baptiste Debret e é conservada no Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo (USP), na capital paulista:

Independência do Brasil

Novas imagens do Primeiro Reinado:

O desembarque no Rio de Janeiro da princesa Leopoldina foi registrado nesta imagem do ilustrador francês Jean Baptiste Debret, conservada na Biblioteca Municipal de São Paulo:

Independência do Brasil

Palácio Imperial de São Cristóvão, na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, em gravura do ilustrador francês Jean Baptiste Debret, conservada na Biblioteca Municipal de São Paulo:

Independência do Brasil

Neste palácio nasceu D. Pedro II, a 2 de dezembro de 1825, filho de D. Pedro I e sua mulher, a Imperatriz Leopoldina, recebendo na pia batismal o nome de Pedro de Alcântara João Carlos Salvador Bebiano Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Gonzaga.

Foi aclamado a 7 de abril de 1831, no dia da abdicação de seu pai, tendo como tutor José Bonifácio de Andrada e Silva. Proclamado maior a 23 de julho de 1840 - data do início de seu reinado -, foi coroado a 18 de julho do ano seguinte.

Casou-se em 1842, com a princesa Teresa Cristina Maria (filha de Francisco I, rei das Duas Sicílias, e de sua mulher, Maria Isabel de Bourbon).

Desse casamento nasceram quatro filhos: Afonso (1845-1847), Isabel, chamada a Redentora (1846-1921), Leopoldina (1847-1871) e Pedro (1848-1850) . A morte dos dois varões foi um rude golpe para o imperador.

Seu reinado de 49 anos terminou com a deposição a 15 de novembro de 1889, com o advento do regime republicano. Ele faleceu com 66 anos de idade, no exílio em Paris, a 5 de dezembro de 1891. A França deu-lhe funerais régios, fazendo depositar o corpo no Panteão dos Bragança, no Convento de São Vicente de Fora, em Lisboa. Posteriormente, revogada a Lei do Banimento, foram seus restos mortais trasladados para o Brasil, sendo levados para a catedral de Petrópolis/RJ.

Fonte: www.novomilenio.inf.br

Independência do Brasil

As circunstâncias muito especiais que circundaram a Independência do Brasil não só cedo se refletiram na atitude com que os governos das potências européias e dos Estados Unidos da América passaram a encarar a nova situação, mas também tiveram repercussão na maneira com que se processou o reconhecimento do Império e em que se desenvolveram a diplomacia e a própria história da nova monarquia.

Independência do Brasil, proclamada a 7 de setembro de 1822 pelo próprio príncipe herdeiro do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, e sua posterior aclamação, não poderiam deixar de criar, para o novo Império, situação muito distinta, e indiscutivelmente mais complexa, da que se produziu quando da emancipação das antigas colônias espanholas.

Nessas, o corte era mais radical pois não havia nenhum aspecto de transmissão legítima de soberania, o que era, de certo modo, mais atentatório aos princípios defendidos pela Santa Aliança.

No caso excepcional do Brasil, entretanto, se esse problema da legitimidade parecia contornado, questão paralela subsistia - a da aceitação da independência pelo rei de Portugal considerado o legítimmo soberano do então reino do Brasil.

Independência do Brasil
Os Primeiros Sons do Hino da Independência

Por outro lado, o fato de não se ter definido, paralelamente com a independência, o problema da sucessão ao trono de Portugal, deixou pairar, em muitos espíritos, a idéia de que, no fundo, se instituíra uma União Pessoal que, após o falecimento de D. João VI, sucederia naturalmente ao Reino Unido, criado em 1815.

Essa questão, passando por várias vicissitudes, iria ser, anos mais tarde, uma das causas principais da abdicação do 1º Imperador, em 1831.

A grande dificuldade que tiveram que enfrentar, no momento de sua independência, as antigas colônias espanholas e o Brasil, residiu entretanto no espírito que animava a Santa Aliança, ciosa de defender a legitimidade e o governo absolutista, contra os embates com que se viram atingidos, principalmente após a Revolução Francesa e a tempestade napoleônica.

Felizmente para as novas nações da América Latina, a Santa Aliança não se apresentava, então, como um bloco político homogêneo e coeso, sendo inquestionáveis as posições reticentes do Governo de Londres e, sob certos aspectos, da própria Coroa da França.

É verdade que Jorge IV e a maioria do Ministério, Wellington à frente, tinham uma posição indubitavelmente reacionária, conforme aos cânones da Santa Aliança.

Independência do Brasil
D. João e D. Carlota

Castlereagh, primeiro ministro, não escondia tendências idênticas e foi só após seu suicídio e a ascensão de George Canning, que ares liberais deram nova vida à política britânica. A posição do Czar parecia inquebrantável no apoio à legitimidade e à guerra a governos representativos. Suas pretensões no Oriente, entretanto, o levavam a suscitar desentendimentos entre seus colegas da Europa ocidental, para os enfraquecer e deixar-lhe aberto o caminho almejado de Constantinopla.

Na Áustria, o Imperador Francisco se sensibilizava com os pedidos e com o próprio destino de sua filha Leopoldina, enquanto Metternich não se deixava influenciar senão pelo que, a seu juízo, era do interesse austríaco, no contexto incerto da Europa restaurada.

A França da Restauração tinha também posição dúbia: de um lado, seu apego à legitimidade, que explicava aliás a presença, em Paris, dos representantes da Branche ainée dos Bourbons; e, de outro, sua consciência pragmática de que não poderia deixar à Inglaterra as glórias e as vantagens da prioridade de um reconhecimento e do rápido estabelecimento de relações, inclusive comerciais.

A posição da Espanha em relação a suas antigas colônias não poderia ser comparada à de Portugal para com o Brasil. Em relação àquelas, não tinha o Governo de Madri outra preocupação senão restaurar a ferro e fogo, como o tentara Pablo Morillo na Grã-Colômbia, seu poder e suas vantagens de Metrópole colonial.

Portugal tinha que ver com olhos distintos a parte maior, mais rica e mais promissora do próprio Reino Unido que se desligara da mãe-pátria, em um momento difícil da monarquia, sob o comando do próprio herdeiro da Coroa.

Era nesse contexto internacional que o novo Império começava sua vida independente. Sua primeira preocupação foi, naturalmente, ingressar no concerto das Nações e, para tanto, desenvolveu ampla atividade que só se viu coroada de completo êxito após o Tratado de 1825, assinado com Portugal.

A questão da escravidão e principalmente a do tráfico de escravos já haviam deixado Portugal em situação constrangedora no Congresso de Viena.

Desde os primeiros contatos entre os diplomatas brasileiros e o Governo inglês, se verificou que esse tema era considerado prioritário para a Grã-Bretanha. Chegou-se a pensar, inclusive, em que uma fórmula talvez aceitável fosse o reconhecimento versus a abolição do tráfico.

Premido, entretanto, pelos grandes proprietários e incapaz de imaginar uma solução para o trabalho agrícola, o Império conseguiu ir postergando a solução do assunto que só se resolveu em 1850, com a Lei Euzébio de Queiroz, que extinguiu o tráfico, e com a de 1888, que declarou extinta a escravidão. Não pode deixar de ser considerada uma mancha lamentável na História do Brasil.

Independência do Brasil
Metternich

Pesada herança coube ao Império na conturbada Bacia do Prata. A província Cisplatina, unida primeiro ao Reino Unido e, após, ao Império, se rebelara, apoiada pelo governo de Buenos Aires que sonhava com a sua integração às Províncias Unidas do Rio da Prata. Daí resultou a guerra que só terminaria definitivamente com a mediação da Grã-Bretanha e a celebração, entre o Império e as Províncias Unidas, de uma convenção na qual cada parte contratante renunciava às suas pretensões em relação a um novo estado, a República Oriental do Uruguai. Foi o desfecho dos embates em que se viram envolvidos Portugal e Espanha desde 1680.

A grave questão comercial com a Grã-Bretanha, que tantas dificuldades causara a Portugal projetou-se também, como era natural, na realidade do Brasil independente, vendo-se o governo de D. Pedro I levado a celebrar o malfadado Tratado de 1827. Paralelamente, o problema da sucessão à Coroa portuguesa que não fora solucionado quando do reconhecimento da Independência, adquiriu atualidade com o falecimento de D. João VI, em 1826. O Imperador não hesitou em abdicar a coroa de seus antepassados em favor de sua filha D. Maria da Glória. As complicações de toda ordem que se verificaram neste contexto obrigaram D. Pedro e sua diplomacia a se preocuparem com a situação do velho Reino, o que, em grande parte, contribuiu para a impopularidade do Imperador no Brasil e finalmente para sua abdicação em 1831.

Após a partida de D. João VI para Lisboa, a situação de certa forma indefinida do governo do Príncipe Regente D. Pedro, especialmente depois da Revolução liberal em Portugal, a partir da qual o Rei ficou praticamente sob custódia, refletia-se de maneira sugestiva nas relações do Reino do Brasil com outros Estados.

A 6 de agosto de 1822, assinou o Príncipe Manifesto aos Governos e Nações Amigas, da lavra de José Bonifácio, Ministro do Reino e dos Estrangeiros, no qual declarou estar pronto a receber os seus ministros e agentes diplomáticos e enviar-lhes os seus.

Dias depois eram designados os primeiros encarregados de negócios nos Estados Unidos da América, Inglaterra e França. Para o primeiro país, Luiz Moutinho Lima Alvares e Silva, Oficial-mor da Secretaria dos Negócios Estrangeiros; para Londres, o Marechal de Campo Caldeira Brant, futuro Marquês de Barbacena; e, para Paris, Manuel Rodrigues Gameiro Pessoa, mais tarde Visconde de Itabaiana, substituído, quando designado para assessorar Caldeira Brant, por Domingos Borges de Barros (Visconde da Pedra Branca). Para Roma seguiu Monsenhor Francisco Correa Vidigal.

Fonte: www2.mre.gov.br

Independência do Brasil

Descubra tudo sobre um dos acontecimentos mais importantes da história de nosso pais.

INDEPENDÊNCIA DO BRASIL

O mundo está dividido em vários países e o Brasil é um deles. Hoje o país é independente, com seu território, governo e população. Mas para que isso acontecesse ocorreram muitos fatos importantes no passado. Um deles foi a declaração de independência.

No dia 7 de setembro de 1822, os brasileiros comunicaram aos portugueses que as terras e riquezas do Brasil seriam dos brasileiros.

Para entender melhor essa história, vamos voltar no tempo. Até o ano de 1500, as terras do Brasil não estavam divididas em estados e pertenciam a povos indígenas como tupinambás, guajajaras, caetés, timbiras, caiapós, crenaques, terenas e outras centenas deles.

Os portugueses chegaram e, depois de muitas guerras, tomaram as terras, transformando o pais em sua colônia.

Os portugueses chegaram e, depois de muitas guerras, tomaram as terras, transformando o pais em sua colônia.

Aí os governantes portugueses organizaram tudo de seu jeito.

Estabeleceram divisões nos terrenos, impuseram suas leis e governantes e decidiram que o idioma oficial aqui seria a língua portuguesa. Além disso, todas as riquezas produzidas no Brasil eram levadas para Portugal.

As coisas só começaram a mudar quando, em 1808, o rei de Portugal, dom João 6°, veio para o Brasil, fugindo de uma guerra da Europa. Ele e sua corte passaram a viver no Rio de Janeiro, a capital da colônia.

VOCÊ SABIA QUE...

Bem antes de 7 de setembro de 1822, multa gente já brigava pela independência.

Em várias regiões, grupos se revoltaram contra o domínio de Portugal.

Diversos movimentos surgiram,como a Inconfidência Mineira (1789), a Conjuração do Rio de Janeiro (1794), a Conspiração dos Suaçunas em Pernambuco (1801) e a Revolução Pernambucana (1817) .Os revoltosos foram combatidos, mas a idéia foi ganhando apoio do povo e dos políticos.

MUITAS NOVIDADES

Ao chegar aqui, o rei tomou decisões que diminuíram o controle dos portugueses sobre o Brasil. Uma delas foi permitir que os comerciantes vendessem e comprassem produtos de outros povos.Antes, só era possível fazer comércio com Portugal.

Outra ação importante foi transformar o Brasil em Reino Unido de Portugal. Ou seja, as decisões sobre o Brasil não dependiam mais só do que se decidia em Portugal. Além disso, foram criados no Rio escolas, faculdades e jardins botânicos. Também foram trazidos da Europa naturalistas e artistas para estudar e registrar imagens da paisagem, da cultura e da população brasileira.

Por volta de 1820, os portugueses solicitaram que o rei voltasse a seu pais e que o Brasil se tornasse uma possessão dos portugueses de novo. Dom João retornou e deixou aqui seu filho dom Pedro.

Depois Portugal pediu a volta de dom Pedro, que desobedeu a essa ordem e, depois, por exigência dos brasileiros, declarou a independência. Dom Pedro organizou aqui um país seguindo o modelo das nações européias e determinou que ele seria o imperador.

Mas será que ninguém achou estranho o governante ser um português e não um brasileiro? Os fazendeiros, os comerciantes e a população mais rica apoiaram o imperador. Assim, as terras podiam ser usadas para produzir o que pudesse ser vendido para o exterior e enriquecer ainda mais os grandes proprietários. Os trabalhadores eram escravos e os índios continuaram a ser massacrados nas disputas de terras.

Foram organizadas leis que garantiam que a população mais pobre permanecesse de fora das decisões importantes. Segundo uma dessas leis, por exemplo, só podiam se candidatar e ser eleitas para cargos importantes as pessoas que provassem sua riqueza.

Para a maioria do povo, a independência não trouxe muitas mudanças no dia-a-dia, mas aos poucos o Brasil começava a construir sua própria história.

FIQUE DE OLHO

Ser independente é o mesmo que ser livre e ter autonomia para tomar decisões. Por Isso é importante para um pais conquistar sua Independência e garantir o direito de decidir seu futuro. Até hoje existem pelo mundo povos que tentam tornar seus países Independentes. Peça a ajuda de seu professor e faça uma pesquisa para saber mais sobre esses grupos em livros, em revistas e na lnternet.

ARTE E HISTÓRIA

Um dos quadros mais famosos do Brasil chama-se Independência ou Morte.

Ele foi encomendado por dom Pedro 2° e pintado por Pedro Américo em 1888.

O artista realizou pesquisas e entrevistou pessoas para fazer o trabalho, mas a cena ficou diferente do que realmente aconteceu, para que a pintura ficasse mais bonita e mostrasse dom Pedro como herói.

Veja algumas curiosidades sobre o quadro:

Independência do Brasil

Saiba mais sobre a história da Independência e veja como a princesa Leopoldina atuou nesse processo.

Os Segredos Dos Bastidores

Quando o assunto é a Independência do Brasil, a gente logo se lembra de dom Pedro e de outros homens como o ministro José Bonifácio, que lutaram para separar nosso pais de Portugal. Mas será que as mulheres da época ficaram de fora dessa missão? Fique sabendo que não. A princesa Leopoldina, esposa de dom Pedro 1°, teve um papel importante para o sucesso da idéia.

Ela velo da família dos Habsburgo, uma casa real da Áustria que não seguia as regras da época quando o assunto era a educação das mulheres. As garotas dessa família eram cultas, aprendiam várias línguas e estudavam política e filosofia.

Assim, Leopoldina tinha suas opiniões próprias, trocava idéias com o príncipe e interferia nas decisões políticas do marido.

Ela participou de muitos momentos importantes da nossa história, como quando, meses antes da Independência, o governo português exigiu que dom Pedro retornasse para Portugal.

Os portugueses queriam que tudo voltasse a ser como antes e não aceitavam a presença do príncipe em outras terras. Ele estava decidido a obedecer às ordens de Portugal, mas a princesa Leopoldina acabou interferindo e conseguiu fazê-lo mudar de idéia.

Apoio dos Poderosos

Depois que a familia real voltou a Portugal, o governo português sabia que crescia entre os brasileiros a idéia de independência e por isso tentou forçar a volta de dom Pedro e retomar o controle da colônia.

Mas os comerciantes, fazendeiros. nobres que viviam aqui e estavam se dando bem com o progresso começaram a freqüentar reuniões, junto com jornalistas, padres e Intelectuais, que queriam a libertação do Brasil.

Sabendo que contava com o apoio desses grupos poderosos, dom Pedro foi contra as ordens de Portugal e decidiu ficar aqui e depois proclamar a Independência.

Independência do Brasil

PODER FEMININO

A princesa convenceu dom Pedro a ficar no Brasil influenciada pelas opiniões de amigos, como José Bonifácio e outros politicos que queriam mais liberdade para o Brasil. Então, no dia 9 de janeiro de 1822, o principe declarou que não seguiria as ordens de Portugal e a data entrou para a história como o Dia do Fico.

Pouca gente sabe, mas era a princesa que estava no comando do país quando o príncipe viajou para São Paulo e deu o grito às margens do riacho do Ipiranga. Ela tinha sido nomeada pelo próprio dom Pedro como regente durante a sua ausência, o que durou quase um mês.

Trabalhando no lugar do marido, ela convocou uma sessão do Conselho de Estado no dia 2 de setembro de 1822 e junto com os ministros assinou um documento que declarava a separação entre o Brasil e Portugal.

Eles acharam que não poderiam esperar mais porque o governo de Portugal ameaçou enviar um exército para buscar dom Pedro. Ou seja, a princesa declarou a independência brasileira no papel cinco dias antes de dom Pedro proclamá-la, no dia 7 de setembro.

Depois de escrever o documento, a princesa e José Bonifácio enviaram um mensageiro para São Paulo contando ao principe sobre a decisão do Conselho e tudo o que estava acontecendo.

O mensageiro levou também uma carta de Leopoldina incentivando o marido a tomar uma atitude.

Foi depois de ler essas cartas que dom Pedro ergueu a espada e gritou:

Independência ou morte! Assim ele passou a ser o imperador do Brasil e Leopoldina a imperatriz.

Independência do Brasil

DENTRO DE CASA

Na época da Independência, a maioria das mulheres brasileiras quase nunca saía de casa sem um acompanhante. Elas não tinham autorização da família nem para ir à escola e muito poucas podiam ter aulas de francês, matemática, geografia e religião em casa. As mulheres mais pobres cuidavam dos serviços domésticos e algumas jovens de famílias mais ricas aprendiam a recitar poesias e a tocar piano para se apresentarem nas festas. O resto do tempo passavam bordando e costurando.

Assim, mulheres cultas e preocupadas com política, como a princesa Leopoldina, eram muito raras.

Retratos do Passado

Viaje no tempo e descubra como era o dia-a dia das pessoas na época da Independência no Brasil

Você já imaginou como conseguimos saber de coisas que aconteceram há tanto tempo e assim entender mehor a história do país e do mundo? Isso só é possível porque algumas pessoas escreveram relatos em livros e jornais, outras registraram documentos ou fizeram desenhos e pinturas que mostram cenas antigas.

Veja as imagens destas pinturas de artistas que visitaram o Brasil no século 19, faça uma rápida viagem ao passado e descubra como as pessoas de diferentes classes sociais viviam no Rio de Janeiro, a capital do Brasil, na época da Independência.

Independência do Brasil

Biografia

Conheça os principais fatos sobre personalidades importantes na época do Império.

DOM PEDRO 1°

Dom Pedro 1° nasceu em Portugal, em 1798. Como era costume entre os nobres, recebeu o longo nome de Pedro de Alcântara Francisco Antônio João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon.

Ele era filho do rei dom João 6° e da rainha Carlota Joaquina de Bourbon. Tornou-se o príncipe herdeiro do trono português após a morte do irmão mais velho.

Em 1821, dom João 6° e o restante da família real retomaram a Portugal, deixando dom Pedro 1° como pnncipe regente do Brasil. Em 1822, Portugal exigiu a volta de dom Pedro 1°, mas ele decidiu ficar. No dia 7 de setembro de 1822, ele proclamou a independência e, em janeiro de 1823, foi coroado imperador do Brasil. Retornou a Portugal em 1831 e deixou seu filho, dom Pedro 2°, em seu lugar.

Morreu em Portugal, em 1834.

IMPERATRIZ LEOPOLDINA

Leopoldina Josefa Carolina Francisca Fernanda Beatriz de Habsburgo-Lorena era filha de Francisco 1°, imperador da Áustria, e de Maria Tereza de Bourbon.

Ela nasceu em 1797, em Viena, uma poderosa corte européia na època. Como era costume, foi prometida pelo pai em casamento ao príncipe dom Pedro, herdeiro do trono do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarve.

Leopoldina se casou e só depois veio ao Brasil conhecer o marido. Ela logo passou a simpatizar com a idéia de o Brasil se libertar de Portugal. Em 1821,ficou amiga de José Bonifácio, político que defendida a independência.

Quando dom Pedro foi coroado imperador, em dezembro de 1822, Leopoldina tornou-se imperatriz. Ela morreu em 1826, no Rio de Janeiro.

JOSÉ BONIFÁCIO

José Bonifácio de Andrada e Silva nasceu em Santos, em São Paulo, em 1763, quando o Brasil pertencia a Portugal. Sua família era uma das mais ricas da cidade. Aos 21 anos, ele foi estudar em Portugal, onde se formou em filosofia e direito. Quando voltou ao Brasil, 36 anos depois, trabalhou para o governo do príncipe regente dom Pedro 1°. Foi nomeado Ministro do Reino e dos Negócios Estrangeiros. Era muito culto e defendia a idéia de tomar o Brasil um país livre.

A Independência do Brasil aconteceu em 1822 e, por ter sido um dos seus maiores defensores. influenciando bastante dom Pedro 1°, José Bonifácio ficou conhecido como o Patriarca da Independência. Ele morreu em Niterói, no Rio de Janeiro, em 1838.

DOM PEDRO 2°

Sétimo filho de dom Pedro 1° e da imperatriz Leopoldina, dom Pedro 2° nasceu no Rio de Janeiro, em 1825. Recebeu o nome de Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bebiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga.

Com a morte dos irmãos mais velhos, herdou o trono e, aos 5 anos de idade, ficou no lugar de dom Pedro 1°, que voltou a Portugal. Outros políticos governaram o pais enquanto ele era criança. Esse período ficou conhecido como Regência.

Aos 15 anos, ele foi coroado e, em seu governo, a economia do pais progrediu com a introdução de plantações de café e a ampliação da rede ferrovíária e de telégrafo. Ele era muito inteligente e gostava de literatura, artes e ciência e foi uma das primeiras pessoas do mundo a usar o telefone.

Dom Pedro 2° dirigiu o Brasil até o fim do Império, quando foi proclamada a República, em 1889, e ele teve de sair do Brasil. Ai passou a viver em Paris, na França, onde morreu em 1891

Fonte: www.recreioonline.abril.com.br

Independência do Brasil

Sempre considerei estranho estudar "Independência do Brasil" nas aulas de história e "Brasil dependente" nas aulas de geopolítica. Vamos tentar entender isso melhor?

Significado social da emancipação

Embora a independência política do Brasil tenha sido um  arranjo político , segundo a expressão do historiador Caio Prado Jr., ela implicou uma acirrada luta social. Várias camadas sociais disputavam a liderança, desejando imprimir ao movimento libertador o sentido que mais convinha e interessava a cada uma. No final, venceu a aristocracia rural dos grandes proprietários escravistas.

As divergências

Para compreender o processo de independência precisamos partir do projeto recolonizador das Cortes, pois foi por causa dele que se definiram vários grupos.

O "partido português" era inteiramente a favor. O "partido brasileiro" e os liberais radicais eram contra, mas divergiam quanto aos objetivos a serem atingidos.

Para o "partido brasileiro" o ideal era a criação de uma monarquia dual, para preservar a autonomia administrativa e a liberdade de comércio. A intransigência das Cortes fez, no entanto, esse partido inclinar-se pela emancipação, mas sem alterar a ordem social e os seus privilégios.

Os liberais radicais formavam um agrupamento potencialmente revolucionário e estavam mais próximos das camadas populares urbanas. Alguns deles eram republicanos e, em seu conjunto, eram o grupo mais receptivo às mudanças mais profundas e democráticas da sociedade.

Formação da liderança emancipacionista

A concretização das aspirações de cada um desses agrupamentos políticos não tinha as mesmas chances históricas. Os grandes proprietários rurais ligados ao "partido brasileiro" eram os que dispunham dos meios efetivos para a realização de seus objetivos de classe.

Em primeiro lugar, porque a ânsia por um comércio livre de entraves mercantilistas encontrou apoio em forças internacionais, lideradas pela burguesia britânica. A sólida base econômica e social escravista garantia, em segundo lugar, os recursos materiais para resistir com êxito à provável ameaça recolonizadora de Lisboa.

A Regência de D. Pedro e a Ruptura com Portugal

A polarização

A situação do Brasil permaneceu indefinida ao longo de todo o ano de 1.821. Mas, em 9 de dezembro, um fato novo começou a modificar o cenário.

Nesse dia chegaram ao Rio de janeiro os decretos das Cortes que ordenavam:

a abolição da regência e o imediato retorno de D. Pedro a Portugal

a obediência das províncias a Lisboa e não mais ao Rio de janeiro

a extinção dos tribunais do Rio de janeiro.

D. Pedro, aparentemente resignado, começou a fazer os preparativos para o seu regresso.

Entretanto, essa decisão das Cortes gerou uma onda de inquietação muito grande. Os funcionários públicos estavam ameaçados de perder seus empregos com o fim das repartições em que trabalhavam. O "partido brasileiro" ficou alarmado com a recolonização iminente, mas também com a possibilidade de uma explosão revolucionária incontrolável.

Essa nova situação favoreceu a polarização: de um lado o "partido português", que defendia a recolonização, e, de outro, o "partido brasileiro" e os liberais radicais, que passaram a agir abertamente pela independência.

O Fico (9 de janeiro de 1822)

No Rio de Janeiro organizou-se o Clube da Resistência, liderado por José Joaquim da Rocha, que começou a luta pela permanência do príncipe. A tática consistia em conquistar D. Pedro para a causa da independência e conseguir também a adesão das províncias.

Primeiro, fez-se uma sondagem junto ao príncipe, que se mostrou receptivo à idéia. Depois foram enviados emissários a Minas e São Paulo para obter a adesão à causa emancipacionista, com resultados positivos.

No Rio de Janeiro foi elaborada uma representação (com coleta de assinaturas) em que se pedia a permanência de D. Pedro. Esse documento foi entregue a D. Pedro no dia 9 de janeiro de 1822, por José Clemente Pereira, presidente do Senado da Câmara do Rio de Janeiro.

Em resposta, o príncipe decidiu desobedecer às ordens das Cortes e permanecer no Brasil: era o Fico.

A ascensão de José Bonifácio

A decisão do príncipe de permanecer no Brasil e desafiar as Cortes foi produto de um amplo movimento, no qual se destacou José Bonifácio.

Como membro destacado do governo provisório de São Paulo, José Bonifácio escreveu em 24 de dezembro de 1821 uma carta a D. Pedro, na qual criticava duramente a decisão das Cortes de Lisboa e chamava a sua atenção para o importante papel reservado ao príncipe nesse momento de crise.

No Rio, D. Pedro divulgou a carta, que foi publicada na Gazeta do Rio de 8 de janeiro de 1822, com grande repercussão. Dez dias depois, chegou ao Rio uma comitiva paulista, integrada por José Bonifácio, para entregar ao príncipe a representação paulista. Nesse mesmo dia, D. Pedro nomeou José Bonifácio ministro do Reino e dos Estrangeiros, cargo que este resolveu aceitar depois da insistência do próprio príncipe.

Essa nomeação tinha um forte significado simbólico: pela primeira vez o cargo era ocupado por um brasileiro

A partir desse momento, os Andradas (José Bonifácio e seus irmãos Antônio Carlos e Martim Francisco) tornaram-se figuras políticas de destaque nacional.

Conselho de Procuradores Gerais das Províncias do Brasil Para resistir às ameaças de recolonização foi decretada, em 16 de fevereiro de 1822, a convocação de um Conselho de Procuradores Gerais das Províncias do Brasil. Esse conselho, teoricamente, tinha por finalidade auxiliar o príncipe. Na prática, porém, tratava-se de uma manobra dos conservadores, liderados por José Bonifácio, contra os radicais, representados por Gonçalves Ledo, um funcionário público.

Para este, a preservação da unidade político-territorial do Brasil deveria ser feita através da convocação de uma Assembléia Constituinte eleita pelo povo. O conselho foi convocado exatamente para evitar isso e manter a unidade sob controle do poder central e dos conservadores.

O Cumpra-se

Em maio de 1822, a cisão entre D. Pedro e as Cortes aprofundou-se ainda mais: o regente determinou que qualquer decreto das Cortes só poderia ser executado mediante o "Cumpra-se" assinado por ele. Na prática, isso significava conferir plena soberania ao Brasil.

Essa medida teve imediato apoio: a 13 de maio, o Senado da Câmara do Rio de Janeiro conferiu ao príncipe regente o título de Defensor Perpétuo do Brasil.

A convocação da Constituinte

Enquanto isso, os liberais radicais mantinham-se ativos. Por iniciativa de Gonçalves Ledo e outros, uma representação foi dirigida a D. Pedro para expor a conveniência de se convocar uma Assembléia Constituinte. O príncipe acatou a sugestão e decretou a sua convocação em junho de 1822.

Divergência entre conservadores e liberais

José Bonifácio resistiu à idéia de convocar uma Constituinte, mas foi obrigado a aceitá-la. Procurou, entretanto, descaracterizá-Ia, propondo eleição indireta, que acabou prevalecendo contra a vontade dos liberais radicais, que defendiam a eleição direta.

Embora os conservadores tenham obtido o controle da situação e o texto da convocação da Constituinte apresentasse declarações favoráveis à permanência da união entre Brasil e Portugal, as Cortes insistiam: o príncipe deveria retornar imediatamente. Em 7 de setembro de 1822, impelido pelas circunstâncias, D. Pedro rompeu definitivamente os laços de união política com Portugal. Culminou, dessa forma, o longo processo de emancipação, iniciado em 1808 com a vinda da família real. A 12 de outubro de 1822, D. Pedro foi aclamado, e em 1 ° de dezembro do mesmo ano tornou-se o primeiro imperador do Brasil.

A Independência Vitória dos Conservadores

A cisão política

Embora o rompimento político com Portugal fosse o desejo da maioria dos brasileiros, havia muitas divergências entre eles.

Podem-se identificar no movimento emancipacionista grupos sociais claramente distintos: a aristocracia rural do sudeste ( partido brasileiro ), as camadas populares urbanas (liberais radicais) e, por fim, a aristocracia rural do norte e nordeste, que se caracterizava pela defesa do federalismo e mesmo do separatismo.

A aristocracia rural do sudeste, de longe a mais poderosa, era conservadora e lutava pela independência defendendo ao mesmo tempo a unidade territorial, a escravidão e seus privilégios de classe.

Os liberais radicais queriam não apenas a independência, mas também a democratização da sociedade brasileira. Porém, seus principais líderes, Joaquim Gonçalves Ledo (funcionário público) e José Clemente Pereira (juiz e presidente do Senado da Câmara do Rio de janeiro), permaneceram atrelados à aristocracia rural e não revelaram nenhuma vocação genuinamente revolucionária.

Quanto à aristocracia rural do norte e nordeste, enfrentava a forte resistência dos comerciantes e militares portugueses, que eram particularmente fortes no Pará, Maranhão e Bahia. Além disso, desconfiavam da política centralizadora de José Bonifácio.

José Bonifácio

Na disputa contra os conservadores, os radicais cometeram o grave erro de reduzir toda questão à luta pela influência sobre o príncipe regente. Era inevitável que este preferisse os conservadores. Ademais, os conservadores encontraram em José Bonifácio um líder particularmente bem preparado para dar à independência a forma que convinha às camadas dominantes.

Nascido em Santos (1763), de família abastada, José Bonifácio residiu na Europa de 1783 a 1819. Formou-se em Ciências Naturais em Coimbra e viajou pela Europa durante dez anos. Em Portugal criou reputação como cientista, exercendo o magistério como professor da cadeira de Metalurgia na Universidade de Coimbra. Ingressou na burocracia reinol como Intendente Geral das Minas e Metais do Reino, sendo ainda membro do Tribunal das Minas.

Quando retornou ao Brasil, já era um homem maduro (56 anos), experiente e dono de um prestígio sem rival. Assim, quando a revolução do Porto repercutiu em São Paulo, José Bonifácio foi imediatamente chamado para presidir a junta Provisória. Nas eleições para representantes nas Cortes, foram escolhidos seis deputados paulistas sob a liderança de seu irmão Antônio Carlos.

Lá deveriam atuar segundo instruções contidas num documento denominado Lembranças e apontamentos, cuja autoria é atribuída a José Bonifácio.

Nesse documento estão as suas principais idéias:

criação de um governo executivo no Brasil ao qual estariam sujeitas as províncias

fundação de colégios e universidades

desenvolvimento do povoamento do interior

integração das índios

emancipação gradual dos escravos e proibição do tráfico

alteração da estrutura fundiária, com a reintegração ao domínio do poder público das terras improdutivas

Como se pode observar, José Bonifácio era contrário tanto à escravidão quanto ao latifúndio. E nesse ponto chocou-se com os poderosos interesses dos grandes proprietários e dos traficantes.

D. Pedro

Apesar de D. Pedro ter servido de instrumento dos interesses da aristocracia rural, à qual convinha a solução monárquica para a Independência do Brasil, não se deve desprezar os interesses próprios de D. Pedro no processo.

D. Pedro tinha formação absolutista e por essa razão se opôs à revolução do Porto, que era liberal e antiabsolutista. Da mesma forma, a política recolonizadora das Cortes desagradou à opinião pública brasileira. E é nisso que se baseou a aliança entre D. Pedro e o "partido brasileiro". Assim, se a Independência do Brasil pode ser vista, objetivamente, como obra da aristocracia rural, é preciso considerar que ela se iniciou como um compromisso entre o conservadorismo da aristocracia rural e o absolutismo do príncipe.

Os excluídos

A emancipação política do Brasil não trouxe nenhuma alteração na secular estrutura social. A enorme população de escravos e de homens livres não proprietários, dispersa pelo Brasil e distante dos principais centros, permaneceu absolutamente indiferente à independência. Entretanto, nos centros urbanos do sul, em especial no Rio de janeiro, a massa popular aderiu, em várias ocasiões, aos impulsos revolucionários, mas foi prontamente esmagada por José Bonifácio.

Independência ou Morte

A primeira aproximação pictográfica que temos com a Independência do Brasil acontece como deve ser, nos livros de escola, quando vemos a pintura de Pedro Américo, O Grito do Ipiranga, elaborada em 1888, já no final do Segundo Reinado.

D. Pedro II foi educado pelos melhores professores brasileiros e era estimulado por seu tutor, José Bonifácio de Andrada e Silva, a travar contato com as artes e os artistas de seu tempo. A isto somado o fato da força do cultivo do café na lavoura brasileira, o Segundo Reinado no Brasil foi bastante próspero e trouxe muitos avanços em arte e cultura.

D. Pedro II foi o maior incentivador da cultura e da arte na história do Brasil. Pedro Américo, subvencionado pelo Império, estudou na Europa e, a pedido do Imperador, pintou várias obras. Destaque para O Grito do Ipiranga, de 1888.

O fato de o quadro datar de 66 anos após os eventos protagonizados pelo pai do Imperador, D. Pedro I, não deve toldar o nosso raciocínio.

Antecedentes

A Independência foi fermentada num longo processo. Napoleão Bonaparte liderava a Revolução Burguesa na Europa, num tempo em que Portugal era refém econômico da grande potência da época, a Inglaterra. Com o avanço inexorável de tropas napoleônicas a Portugal, a Inglaterra enviou tropas e navios, tanto para combater Napoleão quanto para escoltar a Família Real para o Brasil em 1808.

Muitos historiadores enfatizam o momento da transferência da Família real para o Brasil como o marco do início de todo o processo de Independência em relação a Portugal. Alguns preferem a expressão emancipação política, dada a dependência crônica em relação ao grande capital estrangeiro. Naquela época, Inglaterra. Hoje, EUA.

No Brasil D. João VI começa a esboçar o arcabouço de uma Nação Soberana, com um Banco próprio, o Banco do Brasil, fundado no momento de sua chegada, 1808, a assinatura de Tratados de Comércio com as Nações Amigas, etc. No Congresso de Viena, em 1815, ocorre a Elevação do Brasil a Reino Unido a Portugal e Algarves, com o rei D. João VI residindo aqui. O Brasil, formalmente, não era mais uma Colônia, mas um Reino Unido. Em torno deste tema gira todo o processo de Independência em relação a Portugal.

As cortes, comandadas pela burguesia portuguesa, eram compostas por homens levados ao poder no processo conhecido como Revolução do Porto: afirmavam a autonomia política de Portugal em relação à Inglaterra mas desejavam avidamente levar novamente o Brasil ao estatuto de Colônia.

O movimento de ruptura com as cortes em Portugal já estava fermentando na mente de D. João VI quando foi forçado a voltar para lá em 1821 após a deposição dos ingleses pelas cortes de Lisboa na Revolução do Porto.

Percebendo os ânimos daqueles que começavam a orgulhar-se em chamar-se de BRASILEIROS deixou D. Pedro como Príncipe Regente e recomendou: Pedro, se o Brasil se separar, antes seja para ti, que me hás de respeitar, do que para algum desses aventureiros.

José Bonifácio de Andrada e Silva

Em dezembro de 1821 chega ao Rio de Janeiro uma ordem das cortes a D. Pedro. Deveria ele abolir a regência e regressar imediatamente a Portugal. Resignado, começa a fazer os preparativos para o regresso quando a onda de indignação dos brasileiros se faz notória. José Bonifácio de Andrada e Silva, na condição de membro destacado do governo provisório de São Paulo, envia uma carta a D. Pedro.

Nela criticava duramente a decisão das Cortes de Lisboa e chamava a sua atenção para o importante papel reservado ao príncipe nesse momento de crise. Aquela carta foi publicada na Gazeta do Rio de 8 de janeiro de 1822, com grande repercussão. Dez dias depois, chegou ao Rio uma comitiva paulista, integrada por José Bonifácio, para entregar ao príncipe a representação paulista. Nesse mesmo dia, D. Pedro nomeou José Bonifácio ministro do Reino e dos Estrangeiros, cargo que este resolveu aceitar depois da insistência do próprio príncipe.

Essa nomeação tinha um forte significado simbólico: pela primeira vez o cargo era ocupado por um brasileiro.

Empossado no cargo de ministro do Reino e de Estrangeiros, em janeiro de 1822, Bonifácio logo conquistou, para a causa emancipadora, os representantes da Áustria e da Inglaterra. Além disso, ordenou ao Chanceler-Mor (cargo que corresponde, hoje, ao de ministro da Justiça) que não publicasse lei alguma, vinda de Portugal, sem primeiro submetê-la à a apreciação do príncipe; nomeou um cônsul brasileiro para Londres, declarando, ao Gabinete inglês, que só tal funcionário poderia, então, liberar navios que se destinassem ao Brasil; enviou emissários às Províncias do norte, a fim de congregá-los para a causa da independência, avisando que teriam que se sujeitar à regência de D. Pedro e não às ordens que recebessem de Lisboa.

As Províncias do norte estavam ao lado das Cortes portuguesas e executando o decreto 124, de 29 de setembro de 1821; principalmente, no Maranhão, o que fez com que José Bonifácio, em ofício à Junta de Governo daquela Província, dissesse, ironicamente, que não era de se esperar que o Maranhão tivesse "a aparente e fastigiosa idéia de ser considerada província daquele reino (Portugal)". O Brasil, àquela altura dos acontecimentos, não podia continuar fragmentado e José Bonifácio estava enfrentando a tarefa hercúlea de reunir as Províncias, unindo o país em torno de uma idéia política, que era a monarquia constitucional parlamentar. No dizer de Tito Lívio Ferreira e Manoel Rodrigues Ferreira, sob esse ponto de vista, ele é, legitimamente, o campeão da unidade do Brasil.

Sempre ativo, aliciou conspiradores em Pernambuco, no Maranhão, no Rio Grande do Norte, na Bahia e no Pará, para que se rebelassem, na hora exata, contra a metrópole que o ludibriara, traindo o acordo do Reino Unido de Portugal e do Brasil; em junho de 1822, reorganizou o erário, por intermédio de seu irmão, Martim Francisco, e, em julho, formou uma nova Armada, contratando, para a obra de construção da Marinha de Guerra, o marujo e aventureiro lorde Cochrane. Importante ainda a presença de Gonçalves Ledo, que angariou os fundos necessários para fortalecer a Armada.

Levou D. Pedro a conquistar a simpatia das populações de Minas e de São Paulo, forçando-o a viajar, pois, dizia ele, o Brasil não é o Rio de Janeiro.

Quando os decretos vindos de Portugal anulavam, sumariamente, todos os atos da regência, ele, habilmente aliado a D. Leopoldina, escreve a D. Pedro, jurando que, de Portugal, o humilham: De Portugal não temos a esperar senão escravidão e horrores. Venha V.A. Real o quanto antes e decida-se; porque irresoluções e medidas de água morna, à vista desse inimigo que não nos poupa, para nada servem e um momento perdido é uma desgraça. Com isso, instigava o príncipe a se rebelar, combatendo as suas hesitações e desânimos.

Hoje estão disponíveis inclusive na Internet os documentos comprobatórios de que os acontecimentos de 7 de setembro foram premeditados e conduzidos por José Bonifácio.

O 7 de Setembro em documentos

Em fins de agosto, a Maçonaria no Brasil se organizava e enviava emissários como Antônio de Menezes Vasconcellos Drummond que, chegando de Pernambuco para onde fora comissionado por José Bonifácio, traz informações e cartas inquietantes. As Cortes em Lisboa chamando o Príncipe de rapazinho, ordenam seu imediato regresso e ainda o aprisionamento de Bonifácio.

Encontra-se no magistério muitos professores que preferem minimizar (ou mesmo ridicularizar) os fatos que tiveram lugar às margens do Ipiranga naquela data. Não me conto entre estes. Quem dera os governantes de hoje tivessem a mesma coragem!

A documentação comprobatória é muito extensa e está à disposição do pesquisador. À falta de maiores habilidades ou mesmo confiança no método chamado de viagens astrais, atenho-me à documentação.

Cito aqui, a título de exemplo, a carta do Padre Belchior, de 1896, mencionada por José Castellani em sua página e que diz, em seus pontos principais, o seguinte:

O príncipe mandou-me ler alto as cartas trazidas por Paulo Bregaro e Antônio Cordeiro. (...) D. Pedro, tremendo de raiva, arrancou de minhas mãos os papéis e, amarrotando-os, pisou-os e deixou-os na relva. Eu os apanhei e guardei. Depois, abotoando-se e compondo a fardeta pois vinha de quebrar o corpo à margem do riacho do Ipiranga, agoniado por uma disenteria, com dores, que apanhara em Santos virou-se para mim e disse:

_ E agora, padre Belchior?

E eu respondi prontamente:

_ Se V.A. não se faz rei do Brasil, será prisioneiro das Cortes e talvez deserdado por elas. Não há outro caminho, senão a independência e a separação.

D. Pedro caminhou alguns passos, silenciosamente, acompanhado por mim, Cordeiro, Bregaro, Carlota e outros, em direção aos nossos animais, que se achavam à beira da estrada.

De repente estacou-se, já no meio da estrada, dizendo-me:

_ Padre Belchior, eles o querem, terão a sua conta. As Cortes me perseguem, chamam-me, com desprezo, de rapazinho e brasileiro. Pois verão agora o quanto vale o rapazinho. De hoje em diante estão quebradas as nossas relações: nada mais quero do governo português e proclamo o Brasil para sempre separado de Portugal!

(...) E arrancando do chapéu o laço azul e branco, decretado pelas Cortes, como símbolo na nação portuguesa, atirou-o ao chão, dizendo:

_ Laço fora, soldados! Viva a independência, a liberdade, a separação do Brasil.

(...) O príncipe desembainhou a espada, no que foi acompanhado pelos militares; os paisanos tiraram os chapéus. E D. Pedro disse:

_ Pelo meu sangue, pela minha honra, pelo meu Deus, juro fazer a liberdade do Brasil.

(...) Firmou-se nos arreios, esporeou sua bela besta baia e galopou, seguido de seu séquito, em direção a São Paulo, onde foi hospedado pelo brigadeiro Jordão, capitão Antônio da Silva Prado e outros, que fizeram milagres para contentar o príncipe.

Mal apeara da besta, D. Pedro ordenou ao seu ajudante de ordens que fosse às pressas ao ourives Lessa e mandasse fazer um dístico em ouro, com as palavras Independência ou Morte, para ser colocado no braço, por um laço de fita verde e amarela. E com ele apareceu no espetáculo, onde foi chamado o rei do Brasil, pelo meu querido amigo alferes Aquino e pelo padre Ildefonso (...)

D. Pedro e a Maçonaria

A ata da nona sessão do Grande Oriente do Brasil Assembléia Geral realizada no 13º dia do 5º mês maçônico do Ano da Verdadeira Luz 5822 (2 de agosto de 1822), consta ter o Grão-Mestre da Ordem, conselheiro José Bonifácio de Andrada e Silva, proposto a iniciação de Sua Alteza D. Pedro de Alcântara. E que, aceita a proposta com unânime aplauso, e aprovada por aclamação geral, foi imediata e convenientemente comunicada ao mesmo proposto, que se dignando aceitá-la, compareceu logo na mesma sessão e sendo também logo iniciado no primeiro grau na forma regular e prescrita na liturgia, prestou o juramento da Ordem e adotou o nome heróico de Guatimozin. Na décima sessão, realizada a 5 de agosto, Guatimozin recebeu o grau de Mestre Maçom.

A ata da 14ª sessão

Assembléia Geral do Grande Oriente Brasílico, fundado a 17 de junho de 1822, fechado a 25 de outubro do mesmo ano, pelo seu Grão-Mestre, D. Pedro I, e reinstalado como Grande Oriente do Brasil, em 1831, foi publicada, junto com outras, no Boletim Oficial do Grande Oriente do Brasil, Nº 10, de outubro de 1874, no Ano III da publicação (criada em 1872).

Daquela ata, consta que a Assembléia decidiu ser imperiosa a proclamação da independência e da realeza constitucional, na pessoa de D. Pedro. Mostra, também, que o dia da sessão, 20º dia do 6º mês maçônico do Ano da Verdadeira Luz de 5822, era o dia 9 de setembro. Isso porque o Grande Oriente utilizava, na época, um calendário equinocial, muito próximo do calendário hebraico, situando o início do ano maçônico no dia 21 de março (equinócio de outono, no hemisfério Sul) e acrescentando 4000 aos anos da Era Vulgar. Desta maneira, o 6º mês maçônico tinha início a 21 de agosto e o seu 20º dia era, portanto, 9 de setembro, como situa o Boletim de 1874.

Portanto, não é procedente supor que a data da Assembléia tenha sido 20 de agosto (dia do Maçom no Brasil), tampouco se deve minimizar o fato de que a Maçonaria atuava viva e ativamente na direção da independência, particularmente através do Grão Mestre José Bonifácio e do Primeiro Vigilante, Ledo Ivo.

O fato existiu temos a ata e é digno de ser lembrado e comemorado por todos os maçons, mesmo porque não era possível, no dia 9, os obreiros terem conhecimento dos fatos do dia 7, dados os escassos recursos de comunicação da época. Mas não a ponto de falsear a verdade histórica, quer por ufanismo, quer por desconhecimento.

A Independência hoje

A tarefa é monumental. Cumpre romper os grilhões que nos atam aos Estados Unidos da América. O presidente Lula já mencionou, ao chamar o presidente de lá de companheiro Bush, que considera aquele país um parceiro imprescindível para o Brasil. Por seus atos e palavras percebemos sua falta de disposição assim como de toda a alta burguesia brasileira no sentido de encaminhar a Independência de que precisamos. Que a reflexão em torno dos atos heróicos de nossos ancestrais possa inspirar nossos contemporâneos.

Fonte: www.culturabrasil.pro.br

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