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Índios Brasileiros

 

Primeiros Habitantes do Brasil

Índios Brasileiros
Índio Brasileiro

Desde a época em que os primeiros europeus chegaram ao continente americano que a pergunta sobre a origem dos povos aqui encontrados vem desafiando os pesquisadores e muitas hipóteses já foram levantadas, mas ainda não há uma resposta satisfatória e definitiva.

Há pontos, no entanto, já definidos, como o fato de que o homem não surgiu na América, mas veio de fora e chegou aqui em época mais recente do que na Europa, por meio de migrações sucessivas de povos de origem asiática.

Chegaram ao continente principalmente, através do Estreito de Bering que, na época da última grande glaciação, quase juntava a Ásia com a América do Norte (região do atual estado americano do Alasca).

Uma vez na América e com o passar do tempo, os novos habitantes foram-se espalhando por todo o território, de norte a sul e já que o povoamento da América ocorreu há milhares de anos, tanto as populações asiáticas que lhes deram origem como os diferentes povos que aqui vivem atualmente já se modificaram muito desde então.

Em terras brasileiras, pelo menos até a década de 1970, os estudos arqueológicos, paleontológicos e geológicos apontavam os vestígios humanos encontrados na região de Lagoa Santa, Minas Gerais, como os mais antigos, datando de 8.000 anos atrás.

Entretanto, pesquisas mais recentes, realizadas no Piauí e na Bahia, recuaram ainda mais esta datação, falando-se em 20.000 e até 40.000 anos de antigüidade do homem em solo brasileiro.

Dizer quantos índios habitavam o Brasil na época do descobrimento é tarefa praticamente impossível, pois o território brasileiro foi sendo conquistado aos poucos e sua configuração atual é relativamente recente (do final do século passado).

Por outro lado, os europeus que aqui chegaram não tinham a preocupação de fazer um censo da população encontrada. Há apenas vagas estimativas (fala-se em cerca de 5 milhões ou mais).

O fato é que, como resultado do contato com os povos que para cá imigraram nos últimos cinco séculos, a população indígena decresceu muito desde então.

Hoje, o número de sociedades indígenas conhecidas existentes no Brasil é de 215, com uma população total de 325.652 pessoas (dados de meados de 1997).

Além das mencionadas acima, ainda há sociedades indígenas isoladas, isto é, que não mantêm contato com a sociedade brasileira, vivendo em regiões de difícil acesso e procurando se manter afastadas, como forma de autodefesa.

A FUNAI mantêm Frentes de Contato (atualmente, em número de sete) para desenvolver os trabalhos de aproximação pacífica com os índios isolados e procurar protegê-los do contato repentino e direto com certas parcelas da população brasileira (como garimpeiros, madeireiros, etc.), procurando minimizar o efeito pernicioso que este tipo de contato pode trazer para as populações indígenas em geral, mas especialmente para aquelas que se mantêm isoladas.

Existem informações de 55 possíveis grupos diferentes de índios isolados, a maioria com localização na região da Amazônia Legal.

Na atualidade, a superfície total de terras indígenas é de 83.507.923 hectares, distribuídos entre 556 áreas diferentes, espalhadas por todo o território nacional (dados de meados de 1997).

Perfazem 9,81% do total do território brasileiro, mas ainda restam terras indígenas por serem identificadas e regularizadas.

A maior parte da população indígena concentra-se na região amazônica.

Fonte: www.museudoindio.org.br

Índios Brasileiros

A História

Em 1500, quando os portugueses chegaram ao Brasil, estima-se que havia por aqui cerca de 6 milhões de índios. Passados os tempos de matança, escravismo e catequização forçada. Nos anos 50, segundo o antropólogo Darcy Ribeiro, a população indígena brasileira estava entre 68.000 e 100.000 habitantes.

Atualmente há cerca de 280.000 índios no Brasil. Contando os que vivem em centros urbanos, ultrapassam os 300.000.

No total, quase 12% do território nacional, pertence aos índios.

Quando os portugueses chegaram ao Brasil, havia em torno de 1.300 línguas indígenas. Atualmente existem apenas 170. O pior é que cerca de 35% dos 210 povos com culturas diferentes têm menos de 200 pessoas.

Será o fim dos índios?

Apesar do "Dia do Índio", que é comemorado no dia 19 de Abril, não tem nada para se comemorar. Algumas tribos indígenas foram quase executadas por inteiro na década de 70 em diante, enquanto estavam fora de seu habitat, quase chegaram a extinção, foram ameaçados por epidemias, diarréia e estradas.

Mas hoje, o que parecia impossível está acontecendo: o número de índios no Brasil e na Amazônia está aumentando cada vez mais. A taxa de crescimento da população indígena é de 3,5% ao ano, superando a média nacional, que é de 1,3%.

Em melhores condições de vida, alguns índios recuperaram a sua auto-estima, reintroduziram os antigos rituais e aprenderam novas técnicas, como pescar com anzol. Muitos já voltaram para a mata fechada, com uma grande quantidade de crianças indígenas.

"O fenômeno é semelhante ao baby boom do pós-guerra, em que as populações, depois da matança geral, tendem a recuperar as perdas reproduzindo-se mais rapidamente", diz a antropóloga Marta Azevedo, responsável por uma pesquisa feita pelo Núcleo de Estudos em População da Universidade de Campinas.

Com terras garantidas e população crescente, pode parecer que a situação dos índios se encontra agora sob controle. Mas não! O maior desafio da atualidade é manter viva sua riqueza cultural.

Organização e sobrevivência do grupo

Os índios brasileiros sobrevivem utilizando os recursos naturais oferecidos pelo meio ambiente com a ajuda de processos rudimentares. Eles caçam, plantam, pescam, coletam e produzem os instrumentos necessários a estas atividades.

A terra pertence a todos os membros do grupo e cada um tira dela seu próprio sustento.

Existe uma divisão de tarefa por idade e por sexo: em geral cabe a mulher o cuidado com a casa, das crianças e das roças; o homem é responsável pela defesa, pela caça (que pode ser individual ou coletiva), e pela colheita de alimentos na floresta.

Os mais velhos - homens e mulheres - adquirem grande respeito da parte de todos. A experiência conseguida pelos anos de vida transforma-os em símbolos de tradições da tribo.

O pajé é uma espécie de curandeiro e conselheiro espiritual.

Garimpeiros invadem as terras indígenas

Entre os povos ameaçados estão os Ianomâmis, que foram os últimos a ter contato com a civilização. Sua população atual chega a pouco mais de 8.000 pessoas.

O encontro com garimpeiros, que invadem suas terras, trazem doenças, violência e alcoolismo.

Entre os índios, os garimpeiros são conhecidos por outro nome: os "comedores de terras". Calcula-se que 300.000 garimpeiros entraram ilegalmente em terras indígenas na Amazônia.

Mas o problema não é insolúvel. Na aldeia Nazaré, onde moram 78 Ianomâmis, foram expulsos pela Polícia Federal.

Permanece a questão de como ficará o índio num mundo globalizado, mas pelo menos já se sabe o que é preciso preservar.

O chefe da tribo

Os índios vivem em aldeias e, muitas vezes, são comandados por chefes, que são chamados de cacique, tuxánas ou morubixabas.

A transmissão da chefia pode ser hereditária (de pai para filho) ou não. Os chefes devem conduzir a aldeia nas mudanças, na guerra, devem manter a tradição, determinar as atividades diárias e responsabilizar-se pelo contato com outras aldeias ou com os civilizados.

Muitas vezes ele é assessorado por um conselho de homens que o auxiliam em suas decisões.

Alimento - pesca

Além de um conhecimento profundo da vida e dos hábitos dos animais, os índios possuem técnicas que variam de povo para povo. Na pesca, é comum o uso de substâncias vegetais (tingui e timbó, entre outras) que intoxicam e atordoam os peixes, tornando-os presas mais fáceis. Há também armadilhas para pesca, como o pari dos teneteharas - um cesto fundo com uma abertura pela qual o peixe entra atrás da isca, mas não consegue sair. A maioria dos índios no Brasil pratica agricultura.

Tribos Indígenas

ARARA

As mulheres dessa tribo usam, como roupa, apenas uma espécie de cinto chamado uluri, feito de entrecasca de árvore. Se esse cinto se romper (por acaso), a mulher se sente desprotegida e nua.

A presença deste cinto significa que a mulher não está sexualmente disponível, e a aproximação só acontece quando ela o retira.

Alguns desses povos já estão extintos. Sua língua é a tupi.

No ritual de transição entre a infância e a vida adulta, os meninos ficam reclusos na casa dos homens e têm que passar por sofrimentos físicos e dar provas de força.

Embora não haja um espaço físico determinado, as meninas também têm que cumprir alguns rituais de passagem.

BORORO

O funeral é o que mais chama atenção pela complexidade, podendo durar até dois meses. A morte de alguém pode provocar mudanças ou reforçar as alianças.

Mas a tribo obedece a uma organização social rígida. São de língua tronco macro-jé, autodenominado boe.

A aldeia é dividida em duas partes - exare e tugaregue - que, por sua vez, se subdividem em clãs com deveres muito bem definidos.

Eles reconhecem a liderança de dois chefes hereditários que sempre pertencem à metade exare, conforme determinam seus mitos.

Os antigos Bororo destribuíam-se por extensa região, compreendida entre a Bolívia, a Oeste, o rio Araguaia, o rio das Mortes, ao Norte, e o rio Taquari, ao Sul.

GAVIÃO

Esse nome foi atribuído a diferentes grupos Timbira da região do médio Tocantins por viajantes do século XIX, que sempre falavam do caráter guerreiro desses índios.

A denominação vem das penas de gavião usadas em suas flechas. Esses índios foram muito reduzidos pelo contágio de doenças em seus primeiros contatos com os brancos.

Uma das maiores tradições é a corrida de toras: as equipes de revezamento (formada somente por homens), carregam troncos de buriti nos ombros. O mais importante não é quem chega primeiro, o que vale mais é o divertimento. A comemoração é maior quando as equipes chegam juntas ou quase juntas.

Cada indivíduo recebe dois nomes e um deles não pode ser divulgado. Mostrar ao outro este segredo, significa transferir poder.

Quando alguém recebe o nome de um parente que já morreu carrega a responsabilidade de manter as características do antepassado e quem o escolhe assume o papel de padrinho com a função de transmitir a cultura.

Depois do casamento, por um período determinado, entre genro e sogra, nora e sogro, ficam proibidos de chamar o outro pelo nome.

KATUKINA

Designa dois grupos indígenas, da família Katukina, que autodenominam-se Peda Djapá ("Gente da Onça"). Vivem em diversos grupos no rio Biá, afluente do Jataí e Amazonas. Existem aproximadamente 220 índios.

Os Katukina de língua da Família Pano, vivem no rio Envira, nas margens do rio Gregório, juntamente com os Yawanawá, na área indígena Rio Gregório, Acre, e na área indígena de Campinas.

Os Katukina já foram chamados, por muitos viajantes, como "índios barbados" por causa do costume de pintar a boca de preto.

A troca de cônjuges é bastante comum, mas os filhos sempre ficam com a mãe.

KAYAPÓ

Também chamados de Caiapó, é um povo de língua da família Jê. Distribui-se por 14 grupos: Gorotire, Xikrin do Cateté, Xikrin do Bacajá, A'Ukre, Kararaô, Kikretum, Metuktire (Txu-karramãe), Kokraimoro, Kubenkran-kén e Mekragnotí. Há indicações de pelo menos três outros grupos ainda sem contato com a sociedade nacional.

As aldeias, identificadas pelo nome do grupo a que pertencem, são grandes para os padrões da Amazônia: a dos Gorotire tem 920 pessoas, e há referências históricas de aldeias com 1500 índios.

Eles mantêm pouco contato entre as tribos e possuem uma estrutura cultural e social bastante homogenia, com poucas diferenças locais.

A forma tradicional da aldeia é um círculo de casas formando um pátio. No centro, fica uma casa que só é utilizada para a reunião dos homens.

KULINA

São também chamados de Kurína, Kolína, Curina ou Colina, e vivem em pequenos grupos.

Quando se casa, o homem vive na casa da família da esposa e tem que trabalhar para retribuir a mulher.

Cada casal tem a obrigação de gerar pelo menos três filhos, ganhando o direito de construir uma casa separada e continuando juntos se desejar.

Eles acreditam que a concepção acontece sem qualquer contribuição feminina, e para engravidar, a mulher tanto pode relacionar-se apenas com o marido ou ter vários parceiros.

Em qualquer dos casos, ela é a única responsável pelos cuidados com a criança.

MARUBO

Eles estão em contato com a sociedade nacional desde 1870 e foram incorporados ao trabalho de exploração da borracha.

O homem pode se casar com várias mulheres (poligamia), e cada uma delas ocupa um espaço bem definido na maloca.

Por influência dos missionários, hoje, os mortos são sepultados em cemitérios, mas a cremação fazia parte dos antigos costumes desses índios, eles comiam as cinzas com mingau para que o morto pudesse continuar entre eles.

A única exceção ocorre com as crianças de colo, que são enterradas geralmente entre as árvores.

É uma população de 600 pessoas, que falam a língua da família Pano e vivem ao longo dos rios Ituí e Curuçá, na Amazônia, junto à fronteira com o Peru.

SATERÉ-MAWÉ

Os Sateré-Mawé ou Sateré-Maué, vivem na região dos vales dos rios Marau e Andirá (Amazonas), distribuídos por aldeias, com uma população de 5.800 pessoas.

Eles são conhecidos como os introdutores do guaraná na região. Têm uma forte tradição agrícola e comemoram o fim da colheita com o tarubá, uma bebida fermentada tão forte que pode causar embriaguez por até um mês.

A formiga tem um significado especial e é muito respeitada por esses índios. Uma das espécies, a tocandira, é considerada como divindade e usada nos rituais de passagem.

A picada é extremamente dolorosa, mas para demonstrar coragem, os meninos tem que colocar a mão dentro de uma espécie de luva cheia dessas formigas e resistir à dor, para depois disso, serem considerados adultos.

TENHARIM

Povo indígena de língua Tupi-Guarani, que costumam enterrar os mortos debaixo dos pisos das casas. Acreditam que o espírito permanece morando no local e usando os utensílios que possuía quando era vivo.

Para pescar, eles colocam dentro d’água um pedaço de madeira com desenho dos peixes que querem capturar. Fazem isso sempre debaixo de árvores frutíferas, mas acreditam que a fartura da pescaria é explicada unicamente pelos desenhos. Eles só não pescam o boto e o peixe-boi por serem considerados alimentos sagrados (tabu).

TIKUNA

Maior etnia da Amazônia brasileira, conta com uma população de 20.135 indivíduos, que ocupam cerca de 70 aldeias às margens do rio Solimões, no Estado do Amazonas. Outra parte do grupo vive no Peru.

As meninas, quando ficam menstruadas, são submetidas a um ritual de iniciação, que sempre acontece na lua cheia, representando a bondade, a beleza e a sabedoria. Nesta festa, os índios fabricam máscaras de macacos e monstros e enfeites para as virgens.

Um dos índios usa uma máscara com cara de serpente e incorpora o espírito do principal personagem do ritual, um monstro que vivia na água.

Durante os festejos, o monstro faz gestos obscenos que divertem a tribo. Ele também ronda o cubículo onde fica a menina, batendo com um bastão no chão.

Durante três dias e três noites, essa garota é protegida por duas tias que aproveitam o tempo dando conselhos de como ser uma boa mulher Tikuna: respeitar o marido, ser ativa e trabalhadeira.

TAKÂNO

São também chamados de Tucano, e a família lingüística Tukâno é dividida nos ramos ocidental, que compreende línguas faladas no Peru, Equador e Bolívia; e oriental, com as línguas Barasâna, Desâna, Karapanã, Kubéwa, Pirá-Tupúya, Suriâna, Tukâno e Wanâno, faladas desde a Colômbia até o Brasil, no Noroeste da bacia Amazônica.

São extremamente vaidosos, gastam dias e esforços para capturar aves de plumagens belas, coloridas e variadas para fazer adornos.

Eles também gostam de modificar as cores originais dando comidas especiais para as aves ou aquecendo as penas, processo conhecido como tapiragem.

Usam até duas dezenas de aves para um único adorno. Estes enfeites são usados em rituais e aqueles que usam as peças mais bonitas são muito prestigiados pela tribo.

WAI-WAI

Grupo de aproximadamente 1250 índios que vivem nas áreas indígenas Nhamundá-Mapuera, no oeste do Pará, e Wai-Wai em Roraima.

Fazia parte da cultura deles a troca de mulheres capturadas de outras aldeias, consideradas como troféus de guerra.

Com a chegada dos holandeses que colonizaram o Suriname, antiga colônia nas Guianas, os índios estabeleceram este mesmo tipo de relação, trocando mulheres por artigos europeus.

Os holandeses se utilizaram desta prática para conseguir com que os índios, ao invés de trazer mulheres, capturassem os escravos negros fugidos.

YANOMAMI

É o último povo indígena das Américas que conseguiu sobreviver mantendo seu patrimônio cultural e social. Seus membros, 7822 indivíduos, vivem dos dois lados da fronteira entre o Brasil e a Venezuela, próximo ao Pico da Neblina.

Os Yanomami abrem várias trilhas para ligar as diferentes aldeias com as áreas de caça, os acampamentos de verão e as roças recentes e antigas.

Eles fazem um constante rodízio entre esses lugares e com isso, a floresta se recupera com rapidez.

Todos da tribo moram numa imensa casa coletiva e as crianças ocupam um lugar de destaque, suas necessidades são prontamente atendidas e seus pedidos sempre levados em conta.

Embora haja um intercâmbio freqüente de mulheres e produtos, cada uma das aldeias tem completa autonomia política e administrativa.

Esses índios queimam os seus mortos e comem as cinzas. Eles acreditam que os espíritos, que podem ser bons ou maus, habitam as plantas e animais.

Os garimpeiros disputavam suas terras desde 1987, atraídos pelas grandes reservas de diamante, ouro, cassiterita e urânio, colocando em risco a sobrevivência do povo Yanomami.

Em 1990, o governo brasileiro adotou medidas de proteção às terras indígenas, iniciando a retirada dos garimpeiros.

Cultura indígena

O esforço das autoridades para manter a diversidade cultural entre os índios pode evitar o desaparecimento de muita coisa interessante.

Um quarto de todas as drogas prescritas pela medicina ocidental vem das plantas das florestas, e três quartos foram colhidos a partir de informações de povos indígenas.

Na área da educação, a língua tucana, apesar do pequeno número de palavras, é comparada por lingüistas como a língua grega, por sua riqueza estrutural - possui, por exemplo, doze formas diferentes de conjugar o verbo no passado.

Ritos e mitos

No Brasil, muitas tribos praticam ritos de passagem, que marcam a passagem de um grupo ou indivíduo de uma situação para outra.

Estes ritos se ligam a gestação e ao nascimento, à iniciação na vida adulta, ao casamento, à morte e a outras situações.

Poucos povos acreditam na existência de um ser superior (supremo), a maior parte acredita em heróis místicos, muitas vezes em dois gêmeos, responsáveis pela criação de animais, plantas e costumes.

Índios Brasileiros

Arte

A arte se mistura a vida cotidiana. A pintura corporal, por exemplo, é um meio de distinguir os grupos em que uma sociedade indígena se divide, como pode ser utilizada como enfeite.

A tinta vermelha é extraída do urucum e a azul, quase negro, do jenipapo. Para a cor branca, os índios utilizam o calcário.

Os trabalhos feitos com penas e plumas de pássaros constituem a arte plumária indígena.

Alguns índios realizam trabalhos em madeira. A pintura e o desenho indígena estão sempre ligados à cerâmica e à cestaria.

Os cestos são comuns em todas as tribos, variando a forma e o tipo de palha de que são feitos. Geralmente, os índios associam a música instrumental ao canto e à dança.

Fonte: Web Ciência

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Indígenas Brasileiros

Não podemos ser coniventes com políticas contrárias aos interesses de nossos indios. É preciso que a sociedade brasileira se manifeste juntos às autoridades no sentido de que se demarque as terras indígenas, bem como na aprovação do Estatuto do Índio.

De uns tempos para cá iniciou-se uma preocupante mudança de postura dos adolescentes indígenas. Muitos desses já não estão dispostos a manter seus costumes e tradições antigas que eram passados de geração em geração. Atualmente os rapazes fazem de tudo para incorporar em sua cultura costumes e modismos dos brancos. Grandes chefes indígenas, como Raoni e tantos outros, têm demonstrado, em entrevistas televisivas, grande preocupação com esses sinais.Segundo esses, até as mulheres nas aldeias não querem mais dispensar os vestidos. A moçada quer saber mesmo é de tênis bonito e roupas dos brancos.

Estão até dançando o forró em algumas aldeias, numa clara demonstração desagregadora que poderá colocar em riscos suas danças e rituais sagrados.

Não bastasse isto, outro fator preocupante é o amiúde contato com a sociedade branca em conseqüência da expansão do agronegócio, cujos desmatamentos chegam cada vez mais próximos de suas aldeias diminuindo substancialmente a caça de animais que outrora era abundante em suas terras.

Além disso,os chefes indígenas estão preocupadíssimos também com a construção de hidroelétricas nos rios que banham suas terras e que, segundo eles, atrapalharão a desova dos peixes, diminuindo com isso, mais uma de suas bases de alimentação.

A sociedade brasileira como um todo, precisa se conscientizar de que os índios têm certamente alguma tipo de ligação umbilical com nosso país, alguma coisa de sagrado.

Afirma-se isso com base num fato ocorrido em março de 1.998, quando houve um incêndio florestal no Estado de Roraima,que apesar dos esforços dos 130 homens do Exército, 169 policiais de Roraima, 180 bombeiros do DF, 127 bombeiros argentinos, 56 bombeiros de Minas Gerais, com um aparato de 1 helicóptero brasileiro, 4 helicópteros argentinos, 2 helicópteros venezuelanos e 1 avião venezuelano, não conseguiram debelar esse incêndio de grandes proporções que ameaçava alastrar-se por várias cidades, foi preciso então que a FUNAI conduzisse 2 pajés Caiapós para fazerem pajelança com a finalidade de se fazer chover em Roraima. Não deu outra, no dia 30 de março os pajés fizeram seus rituais e afirmaram categoricamente que no próximo dia choveria e a situação estaria resolvida.

Dito e feito, já na madrugada do dia 31 choveu como previra os pajés, acabando de vez com aquele incêndio que já durava 63 dias. Na época, a Rede Globo de Televisão mostrou no Jornal Nacional os 2 pajés sorrindo, com as palmas das mãos estendidas para cima e as gotas da chuva caindo nelas.

Se destruírem as nações indígenas, todos nós, brasileiros, que também temos o gene indígena, estaremos presenciando o fim de nossa ancestralidade.

A sociedade organizada precisa com urgência adotar medidas de apoio ao que sobrou das nações indígenas no sentido de se lhes respeitar seus direitos, principalmente a demarcação de suas terras e a aprovação do Estatuto do Índio.

Fonte: www.midiaindependente.org

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Diversidade Cultural dos Povos Indígenas

Estima-se a existência de cerca de 200 sociedades indígenas no Brasil. O número exato não pode ser estabelecido, na medida em que existem grupos indígenas que vivem de forma autônoma, não mantendo contato regular com a sociedade nacional.

Os dados demográficos das sociedades indígenas de hoje devem ser interpretados à luz do processo histórico, considerando as formas de contato que cada grupo tem mantido com a sociedade nacional, os efeitos das epidemias e os confrontos que tiveram com as frentes de expansão.

A população dessas sociedades é muito variável, havendo grupos relativamente numerosos como os Tikuna (20 mil), Guarani (30 mil ), Kaingaing (20 mil ), Yanomami (10 mil ) e outros como os Ava-Canoeiros, cuja população atual é de apenas 14 pessoas, o que implica que essa sociedade se encontra seriamente ameaçada de desaparecer.

As sociedades indígenas são muito diferenciadas entre si e, normalmente, essas diferenças não podem ser explicadas apenas em decorrência de fatores ecológicos ou razões econômicas.

Na década de 50, numa tentativa pioneira de caracterizar as semelhanças e diferenças existentes entre os diversos grupos indígenas brasileiros, o antropôlogo Eduardo Galvão desenvolveu o conceito de áreas culturais. Esse conceito procurou agrupar todas as culturas de uma mesma região geográfica que partilhavam um certo número de elementos em comum.

Assim, os grupos indígenas do Brasil foram classificados em 11 áreas culturais: Norte-Amazônica; Juruá-Purus; Guaporé; Tapajós-Madeira; Alto-Xingu; Tocantins-Xingu; Pindaré-Gurupi; Paraná; Paraguai; Nordeste e Tietê-Uruguai.

A área cultural do Alto-Xingu, por exemplo, adquiriu sua conformação geográfica a partir da observação de certos costumes comuns e específicos à maioria dos grupos indígenas da região.

Entre esses costumes, destacam-se: a festa dos mortos, também conhecida como Kuarup; o uso cerimonial do propulsor de dardos; o uluri, acessório da indumentária feminina; as casas de projeção ovalada e tetos-parede em ogiva e o consumo da mandioca como base da alimentação desses grupos.

Decorridos quase 50 anos do estudo de Galvão, permanece a idéia, como recurso didático, de distribuir as sociedades indígenas em áreas, chamando atenção para suas características específicas e, ao mesmo tempo, assinalando sua diversidade cultural.

Considerando o fato de que várias sociedades indígenas se situam em região de fronteira e que circulam pelos países limítrofes ao Brasil onde vivem parentes e outros grupos com os quais se relacionam, uma nova configuração classificatória para as sociedades indígenas vem sendo proposta pelo antropólogo Julio Cesar Melatti - áreas etnográficas - que se estende para toda a América do Sul.

Para a definição das áreas etnográficas foram consideradas, sobretudo, as seguintes questões: a classificação lingüística, o meio ambiente e o contato das sociedades indígenas entre si e com as sociedades nacionais. A classificação lingüística é importante na medida em que existe um fundo cultural comum às sociedades que falam línguas relacionadas, fazendo supor que sejam oriundas de uma única sociedade anterior, mais remota no tempo.

Por essa concepção foram estabelecidas 33 áreas etnográficas para toda a América do Sul.

As Terras Indígenas

A Constituição da República, de 05 de outubro de 1988, define o entendimento do Estado brasileiro a respeito das terras indígenas.

No artigo 231, diz a Constituição que:

São reconhecidos aos Índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens.

§ 1º São terras tradicionalmente ocupadas pelos Índios as por eles habitadas em caráter permanente, as utilizadas para suas atividades produtivas, as imprescindíveis à preservação dos recursos ambientais necessários a seu bem-estar e as necessárias a sua reprodução física e cultural, segundo seu usos, costumes e tradições.
§ 2º As terras tradicionalmente ocupadas pelos Índios destinam-se a sua posse permanente, cabendo-lhes o usufruto exclusivo das riquezas do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes.
§ 3º O aproveitamento dos recursos hídricos, incluídos os potenciais energéticos, a pesquisa e a lavra das riquezas minerais em terras indígenas só podem ser efetivados com autorização do Congresso Nacional, ouvidas as comunidades afetadas, ficando-lhes assegurada participação nos resultados da lavra, na forma da lei.
§ 4º As terras de que trata este artigo são inalienáveis e indisponíveis, e os direitos sobre elas, imprescritíveis.
§ 5º É vedada a remoção dos grupos indígenas de suas terras, salvo ad referendum do Congresso Nacional, em caso de catástrofe ou epidemia que ponha em risco sua população, ou no interesse da soberania do país, apôs deliberação do Congresso Nacional, garantido, em qualquer hipótese, o retorno imediato logo que cesse o risco.
§ 6º São nulos e extintos, não produzindo efeitos jurídicos, os atos que tenham por objeto a ocupação, o domínio e a posse das terras a que se refere este artigo, ou a exploração das riquezas naturais do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes, ressalvado relevante interesse público da União, segundo o que dispuser a lei complementar, não gerando a nulidade e a extinção direito a indenização ou a ações contra a União, salvo, na forma da lei, quanto às benfeitorias derivadas da ocupação de boa-fé.

Para os índios, a terra de seu povo não é apenas suporte para a vida material, meio de subsistência ou fator de produção, mas é também referencial a seu mundo simbólico. Todas as dimensões da vida de um povo indígena têm por base seu território físico. Graças ao conhecimento e domínio de uma área, os índios elaboram e reproduzem as relações, idéias, crenças e produtos de sua vida sócio-cultural.

A Constituição brasileira estabelece como um dever a demarcação das terras indígenas. Esta demarcação é o estabelecimento, pela via administrativa, dos limites do território que tradicionalmente ocupam. Atualmente, o trabalho de definição de uma terra indígena está regulamentado pelo Estatuto do Índio (lei 6001, de 19/12/73), pelo Decreto nº 1775, de 09/01/96, e pela Portaria nº 14, de 10/01/96, estabelecida pelo então Ministro da Justiça, Nelson Jobim.

O processo de identificação das terras indígenas, coordenado por antropólogos, envolve conhecimentos técnicos de natureza etno-histórica, sociológica, juródica, cartográfica, ambiental e fundiária, conforme estabelece o Dec. 1775, art 2º § 1º. É garantido o direito dos índios participarem de todas as fases do processo administrativo.

Hoje, alguns povos indígenas controlam extensos territórios. A configuração de como cada povo se organiza, com suas atividades de subsistência, permite aos especialistas iniciar a definição da dimensão territorial necessária a sua sobrevivência. O número e a área total das terras indígenas identificadas no Brasil aumentou substancialmente entre 1981 e 1994. Em 1981, havia 308 terras e 400 milhões de hectares reconhecidos, enquanto, em 1994, esse número passou para 517 terras e 90 milhões de hectares.

Diante desse quadro, os inimigos dos índios - latifundiários, elites regionais, grileiros, etc. - que antes exploravam uma postura racista, cheia de estereótipos de índios preguiçosos, incapazes, justificam agora a invasão das terras indígenas, voltando-se para a mídia em campanha difamatória, sintetizada na frase há nmuita terra para pouco índio.

Esta postura preconceituosa é totalmente equivocada nos seus fundamentos, pois é enorme a concentração da propriedade fundiária no País, assim como é alto o índice das áreas rurais aproveiáveis e não exploradas. É injusto concentrar as críticas da situação agrária na realidade fundiária indígena. Além disso, a situação dos índios é grave em várias regiões, onde os povos indígenas perderam grande parte de seus territórios tradicionais. A maioria das áreas indígenas está invadida e existem aquelas onde não há ainda qualquer proposta de definição territorial pela FUNAI. Essa é a realidade das terras indígenas no Brasil, que estão concentradas, quase que totalmente (98%), na Amazônia Legal.

Cestaria

Segundo o Dicionário do Artesanato Indígena de Berta G. Ribeiro, cestaria é o conjunto de objetos - cestos-recipientes, cestos-coadores, cestos-cargueiros, armadilhas de pesca e outros - obtidos pelo trançado de elementos vegetais flexíveis ou semi-rígidos usados para transporte de carga, armazenagem, receptáculo, tamis ou coador. Variam em tamanho, forma, decoração, técnica de manufatura, mas obedecem basicamente às exigências ditadas por sua funcionalidade.

As sociedades indígenas no Brasil são detentoras das mais variadas técnicas de confecção de trançados, utilizando-se delas para a confecção de cestos, que estão entre os objetos mais usados, pois estão associados a vários fins.

A cestaria produzida e utilizada por uma determinada sociedade indígena está associada à sua cultura, principal característica humana.

A cultura de um povo é como um código simbólico compartilhado por todos os homens, mulheres e crianças do mesmo grupo social. É através da cultura que todas as pessoas atribuem significado ao mundo e às suas vidas, pensam suas experiências diárias e projetam seu futuro. É, portanto, um código dinâmico que se transforma ao longo do tempo e através do espaço, dando sentido à própria vida, do nascimento até a morte, de todos os membros de uma mesma sociedade.

A cestaria diz respeito ao conhecimento tecnológico, à adaptação ecológica e à cosmologia, forma de concepção do mundo daquelas sociedades. O conjunto de objetos incorporados à vivência de uma determinada sociedade indígena expressa concretamente significados e concepções daquela sociedade, bem como a representa e a identifica. Enquanto arte, em cada peça produzida existe também uma preocupação estética, identificando o artesão que a produziu e aquela sociedade da qual ela é cultura material.

Para uso e conforto doméstico, podem-se citar os cestos-coadores, que se destinam a filtrar líquidos; os cestos-tamises, que se destinam a peneirar a farinha e os cestos-recipientes, que se destinam a receber um conteúdo sólido ou armazená-lo, sendo também utilizados para a caça e a pesca, para o processamento da mandioca, para o transporte e para a guarda de objetos rituais, mágicos e lúdicos.

Os cestos cargueiros, como diz o nome, destinados ao transporte de cargas, apresentam uma alça para pendurar na testa e têm o formato paneiriforme, com base retangular e borda redonda, sendo conhecido pelo nome de aturá. Também são muito utilizados os cestos- cargueiros de três lados, jamaxim, que dispõem de duas alças para carregar às costas, tipo mochila. Em geral, esse cesto suporta até dez quilos de mandioca.

Em algumas sociedades indígenas, a confecção dos cestos é tarefa, exclusivamente, masculina e sua utilização, essencialmente, feminina. Em outras, sua execução e utilização são tarefa de ambos os sexos, como entre os Guarani que vivem em Bracuí, município de Angra dos Reis no Rio de Janeiro. Os cestos-recipientes Guarani são confeccionados de lasca de taquara previamente pintada, em trama cerrada, apresentando desenhos geométricos representativos de losangos. Em geral, apresentam as cores verde, rosa, roxo, vermelho, amarelo e azul e possuem tampa. A venda desse tipo de artesanato, no acostamento da Estrada Rio-Santos, é uma importante fonte de renda para a sobrevivência das famílias Guarani.

Para os Wayana e Apalaí, que vivem no norte do Pará, na região do Tumucumaque, são somente os homens que, na divisão social e sexual do trabalho, devem confeccionar os cestos feitos de fasquias do arbusto arumã. Cabendo às mulheres sua utilização nas tarefas domésticas, na colheita e transporte de alimentos da roça para a aldeia e na pesca.

O cesto- recipiente de uso mais comum entre as mulheres wayana é denominado poraxi e serve para guardar algodão, miçangas, novelos, agulhas, tesouras e objetos diversos. Somente os homens, e de forma estritamente individual, utilizam um cesto comprido com alça de algodão e tampa encaixante denominado pakará. É feito de folha de palmeira e se destina a armazenar pequenas facas, algodão, remédios, miçangas, agulhas , penas de mutum para flechas e diversos objetos do universo masculino. Segundo a tradição Wayana, quando um artesão morre, todos os seus pertences devem ser jogados fora, queimados ou enterrados com ele. O pakará é o único bem que um filho pode herdar de seu pai morto.

Como proceder para conhecer uma área indígena

A Fundação Nacional do Índio-FUNAI é o órgão do governo federal que tem a atribuição legal da proteção e assistência às sociedades indígenas no Brasil e para tal se baseia na Constituição brasileira, no Estatuto do Índio, na Lei 6.001 e nos atos e normas do presidente da FUNAI.

No exercício de suas atribuições, a FUNAI não permite a entrada, em terras indígenas de pessoas estranhas às comunidades para qualquer fim sem sua prévia autorização ou das lideranças indígenas das referidas áreas.

A Instrução Normativa nº 01 do presidente da FUNAI, datada de 29.11.95 e publicada no Diário Oficial da União em 13,12,95, disciplina o ingresso em terras indígenas com a finalidade de desenvolver pesquisa científica.

Diz a Instrução que todo e qualquer pesquisador nacional ou estrangeiro deverá encaminhar sua solicitação à Presidência da FUNAI. No caso de requerimento coletivo, deverá ser subscrito por um dos membros do grupo, como seu responsável.

A essa solicitação deverá ser anexada os seguintes documentos:

1. carta de apresentação da Instituição a que o pesquisador está vinculado;
2.
projeto de pesquisa, em português, detalhando a(s) terra(s) indígenas(s) na(s) qual(is) pretende ingressar e cronograma;
3.
curriculum vitae do(s) pesquisador(es) redigido em português;
4
. cópia autenticada da carteira de identidade ou passaporte;
5.
atestado individual de vacina contra moléstia endêmica na área;
6.
visto temporário, quando se tratar de pesquisador(es) estrangeiro(s).

O pesquisador interessado deverá, ainda, encaminhar diretamente ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico-CNPq o Projeto de Pesquisa e seu curriculum vitae.

A solicitação de ingresso será objeto de análise pela Coordenadoria Geral de Estudos e Pesquisas-CGEP, após parecer favorável do CNPq, quanto ao mérito da pesquisa proposta e após ouvidas as lideranças do grupo a ser estudado. A consulta às lideranças será realizada pela FUNAI com a presença do pesquisador.

No caso de negativa quanto ao pleito de ingresso ou quaisquer outros entraves, a CGEP encaminhará a questão ao Conselho Indigenista através da presidência do órgão.

Quando se tratar de pesquisa em espaço territorial de ocupação tradicional de índios isolados, o pedido será também, previamente, analisado pelo Departamento de Índios Isolados-DII/FUNAI.

A Presidência da FUNAI poderá suspender a qualquer momento a autorização concedida, caso seja solicitada a sua interrupção por parte da comunidade indígena em questão.

Ou, ainda, nos seguintes casos: conflitos, gerados pela pesquisa, dentro da terra indígena, ou ocorrência de situações epidêmicas agudas ou conflitos graves envolvendo índios e não-índios.

Todos os pesquisadores deverão remeter à FUNAI, relatório dos trabalhos de campo, em português, e dois exemplares de publicações, artigos, teses ou outras produções intelectuais oriundas das referidas pesquisas.

Atualmente, algumas lideranças indígenas discutem a realização de um Programa Piloto de Ecoturismo em suas terras. Trata-se, ainda, de uma proposta não havendo, portanto, nenhuma regulamentação em vigor, embora já existam algumas experiências em curso.

Mito e Cosmologia

As cosmologias indígenas representam modelos complexos que expressam suas concepções a respeito da origem do Universo e de todas as coisas que existem no mundo. Os mitos, considerados individualmente, descrevem a origem do homem, das relações ecológicas entre animais, plantas e outros elementos da natureza, da origem da agricultura, da metamorfose de seres humanos em animais, da razão de ser de certas relações sociais culturalmente importantes, etc.

Para muitas sociedades indígenas, o cosmos está ordenado em diversas camadas, onde se encontram divindades, fenômenos atmosféricos e geográficos, animais e plantas, montanhas, rios, espíritos de pessoas e animais, ancestrais humanos, entes sobrenaturais benévolos e malévolos.

Cada uma das diversas sociedades indígenas elabora suas próprias explicações a respeito do mundo, dos fenômenos da natureza, dos espíritos, dos seres sobrenaturais e, também, do momento em que surgiram os seus ancestrais. Para exemplificar, apresentamos, resumidamente, o mito de origem dos índios Arara, grupo de língua Karib.

Para eles, quando essa vida ainda não havia começado, existiam somente o céu e a água. Separando-os, uma pequena casca que recobria o céu e servia de assoalho a seus habitantes. Na casca do céu a vida era plena, pois havia de tudo para todos.

A boa humanidade, protegida pela divindade Akuanduba, vivia conforme as coisas básicas da vida: acordar, comer, beber, namorar, dormir. Se alguém cometesse algum excesso, contrariando as normas, a divindade fazia soar uma pequena flauta, chamando a atenção de todos para que se comportassem de acordo com a boa ordem. Fora da casca do céu, existiam coisas ruins, seres atrozes e espíritos maléficos, contra os quais a boa humanidade estava protegida por Akuanduba.

Houve um dia, no entanto, que ocorreu uma grande briga da qual participou muita gente. A divindade fez soar a flauta, mas a multidão teimosa não quis parar de brigar. Nessa confusão, a casca do céu se rompeu, lançando tudo e todos para longe, para dentro da água que envolvia a casca.

Com a queda, todos perderam e todos os velhos e crianças morreram, restando apenas uns poucos homens e mulheres. Dos sobreviventes, alguns foram levados de volta ao céu por pássaros amazônicos, onde se transformaram em estrelas. Os que ficaram, foram abandonados pelos pássaros nos pedaços da casca do céu que caíram sobre as águas. Assim, surgiram os Araras que, para se manter afastados das águas, escolheram ocupar o interior da floresta.

Até hoje, os Arara, habitantes do vale dos rios Iriri-Xingu, no Estado do Pará, assobiam chamando as araras quando as vêem voando em bandos por sobre a floresta. Quando pousam no alto das árvores, as araras, por sua vez, observam os índios e, ao notarem o quanto eles cresceram, desistem de levá-los de volta ao céu. Aqui já foram deixados outras vezes e aqui deverão permanecer.

Os Arara, que antes viviam como estrelas, estão agora condenados a viver como gente, tendo que perseguir o alimento de cada dia em meio aos perigos que existem sobre o chão.

Organizações Indígenas

Nos anos 70, lideranças indígenas de várias regiões do País, com o apoio do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), começaram a promover a realização de Assembléias Indígenas Intertribais para a discussão de seus problemas. Enquanto ano a ano aumentava o número de assembéias realizadas, crescia , no cenário nacional, a presença de alguns líderes como Mário Juruna (Xavante), Kretan e Xangrí (Kaingang) e Raoni (Txukarramãe).

As assembléias procuravam levantar os problemas específicos de cada grupo e aldeia indígena. A partir deste quadro, os índios identificavam as questões urgentes, voltadas para a garantia da terra, assistência sanitária e educacional.

Entretanto, uma proposta governamental de emancipação dos índios, divulgada em 1978 e rejeitada por Universidades, Igrejas, Ordem dos Advogados, ONGs, etc., motivou os índios a superarem a esfera local, para debater e agir sobre seus problemas em âmbito nacional.

Os fatos de 1978 contribuíram para que os índios criassem em 1979 uma organização nacional, a UNI - União das Nações Indígenas. Esta procurou representar um papel simbólico de unificar as reivindicações indígenas, adotando nas suas atividades uma política de alianças com os movimentos de apoio aos índios espalhados pelo Brasil.

A UNI enfrentou problemas de institucionalização, pois era difícil representar, regularmente, interesses e povos dispersos pelo território brasileiro. Atuando na Constituinte, influenciou a elaboração do capítulo sobre os direitos indígenas da Constituição de 1988.

Essa representação nacional, diante de eventos de caráter continental ou mundial, levou a uma indianidade genérica, uma ação política e ideológica voltada para os problemas gerais dos índios e distante do dia-a-dia das aldeias. Nos anos 90, a UNI se enfraqueceu e deixou de operar enquanto havia um fortalecimento das organizações de âmbito local e regional. A própria Constituição de 1988 valorizou o poder político das aldeias, pois há necessidade de consulta às comunidades para o desenvolvimento de projetos de exploração mineral.

Assim, nos anos 90, surgiram organizações regionais como a FOIRN - Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro, e a COIAB -Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira. Novamente com o apoio do CIMI, algumas lideranças começaram a construir uma nova organização nacional, o CAPOIB - Conselho de Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Brasil.

Por todo o território nacional, as diversas organizações indígenas contam com a intermediação de ONGs no apoio as suas atividades. Entre as organizações as diferenças são grandes, envolvendo formas de representação, duração do mandato, tipos de alianças, etc. Em sua maior parte já estão registradas em cartório, pois procuram captar recursos externos à comunidade. Um levantamento realizado em 1995 pelo Instituto Socioambiental revelou a existência de 109 organizações indígenas no Brasil.

Os Guarani no Rio de Janeiro

Existem índios no Rio de Janeiro. São os Guarani do subgrupo Mbya, falantes da língua Tupi.

Nos Estados Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul vivem, além dos Mbya, os Guarani dos subgrupos Nhandeva e Kaiowá.

Em 1996, as três terras indígenas existentes no Rio de Janeiro - a Terra Indígena Guarani de Bracuí, localizada no município de Angra dos Reis, a Terra Indígena Araponga e a Terra Indígena Parati-Mirim localizadas no município de Paraty - tiveram o processo de demarcação concluído e foram homologadas pelo governo federal. O Presidente da República, seguindo a Constituição brasileira, reconheceu-as oficialmente como terras tradicionais do povo Guarani e fez publicar no Diário Oficial da União os decretos que dão direito aos Guarani a posse permanente dessas terras.

Vivem nas três aldeias aproximadamente, 450 pessoas. A Terra Indígena Guarani de Bracuí é a que tem a maior população, cerca de 320 indivíduos. Mais da metade é constituída por crianças menores de 14 anos.

Os Guarani que vivem hoje , em território brasileiro, somam, aproximadamente, cinco mil pessoas. Há também Guarani vivendo em áreas na Argentina, Paraguai e Bolívia,.

O subgrupo Mbya , em Angra dos Reis, vive no alto da serra em meio à Mata Atlântica, de onde podem avistar o mar. Atravessar o mar e encontrar a Terra Sem Mal, o paraíso mítico, é o sonho dos Guarani. Na busca incessante desse paraíso, que segundo a tradição pode ser alcançado em vida, eles precisam cumprir e respeitar um conjunto de regras e conduta divina que lhes são transmitidas pelos xamãs. São elas que norteiam as relações que mantém com a natureza, com todos os seres humanos e com os espíritos. É o modo de ser e viver guarani, o nandereko.

Um bom lugar para viver, de acordo com o seu nandereko, é próximo ao mar, mas distante dele. Tem que ter terra boa para plantar, pois são tradicionalmente , agricultores, mantendo roças familiares e plantando, em sistema de rodízio, os principais alimentos de sua dieta como o milho(awati), mandioca(mandio), batata-doce(djety’i), amendoim (manduvi) e feijão(kumandá), uma média de três hectares ao ano.

Tem que ter um lugar para pescar, caçar e colher as frutinhas do mato. Costumam ter sempre próximo às casas de moradia(o’y) árvores frutíferas como complemento alimentar, tais como o abacateiro e a bananeira. A mata é necessária para os índios para colherem o material necessário para a construção de casas, cestos, arcos, ornamentos e objetos rituais, mágicos e religiosos.

A Casa de Reza(opy) ocupa lugar de destaque, convergindo para ela todas as atividades significativas da aldeia. No seu interior, cuja vedação é completa para impedir a entrada de espíritos indesejáveis, os Guarani ouvem as belas palavras(porahei) proferidas pelos xamãs, e realizam os rituais funerários, de cura, e do batismo do milho. É no pátio ,em frente a opy, que se realizam as reuniões de deliberação da comunidade e o xondarê, dança lúdica guarani, quando todos brincam ao som do violão e da rebeca.

São os xamãs, conhecidos também por rezadores, que, ouvindo as vozes e orientações dos deuses, os conduziram a esses espaços para que pudessem neles construir suas aldeias, o tekoa.

O tekoa é formado por um complexo de pequenos núcleos, de duas ou mais casas, dispersos pela área escolhida. Nele, as relações sociais e de parentesco, a divisão sexual do trabalho e as relações cosmológicas com os espíritos e o sobrenatural se reproduzem e se atualizam, dando sentido ao modo de ser e viver Guarani.

Há quinhentos anos os Guarani têm enfrentado o desafio de sobreviver de acordo com suas tradições, interagindo com a sociedade brasileira. Vêm selecionando e incorporando as suas tradições e valores as novas necessidades e conhecimentos advindos dessa relação.

Hoje, administram, em parceria com várias instituições, os projetos que escolheram para desenvolver em sua comunidade: o escola bilíngüe, que já produziu uma cartilha Guarani para alfabetização e um livro contando a história do contato com os não-índios do ponto de vista Guarani; a instalação de um posto de saúde na aldeia e a formação de agentes de saúde guarani; a construção de açudes para piscicultura; a criação de animais ; o ponto de venda de artesanato em Angra dos Reis e o projeto de oficinas fotográficas; entre outros. Na aldeia Sapukai, do tekoa de Bracuí , os Guarani vivem o tempo presente e constroem o futuro de seus filhos.

Línguas Indígenas

Segundo dados fornecidos pela sede da FUNAI, em 1997, o número de sociedades indígenas conhecidas existentes no Brasil, atualmente, é de 215, com uma população total de 325.652 pessoas, que falam 170 línguas indígenas diferentes. Não estão contadas, neste total, as línguas faladas pelos índios isolados, isto é, aqueles que não têm contato com a sociedade nacional, cujas línguas, portanto, não são conhecidas (sabe-se da existência de pelo menos 55 grupos isolados, que vivem na região da Amazônia Legal).

Os lingüistas agrupam as línguas faladas pelos diversos povos da Terra em Famílias Lingüísticas e reúnem essas Famílias em Troncos Lingüísticos.

Os Troncos a que pertencem as línguas indígenas faladas no Brasil são: Tupi, Jê e Aruak. As Famílias que não foram identificadas como pertencentes a nenhum dos Troncos acima mantiveram-se como Famílias mesmo.

São elas: Karib, Pano, Maku, Yanoama, Mura, Tukano, Katukina, Txapakura, Nambikuara e Guaikuru. Além disto, existem as línguas que não puderam ser classificadas pelos lingüistas dentro de nenhuma Família ou Tronco, permanecendo isoladas.

Há, ainda, as sociedades indígenas que, por viverem em contato com a sociedade nacional há muito tempo, acabaram por esquecer sua língua original e só falar o Português. De algumas dessas línguas não mais faladas ficaram registros de grupos de vocábulos e informações esparsas, que geralmente não permitem que os lingüistas as conheçam o suficiente para classificá-las em alguma Família. De outras, não ficaram nem resquícios.

O fato de duas sociedades indígenas falarem línguas pertencentes a uma mesma Família não faz com que seus membros consigam entender-se mutuamente, da mesma forma que o Português e o Francês são línguas latinas, mas os falantes das duas línguas não se entendem, apesar das muitas semelhanças lingüísticas existentes entre ambas

Cerâmica Indígena Brasileira

No contato manual com a terra, o homem descobriu o barro como forma de expressão. A confecção de cerâmica é muito antiga e surgiu ainda no período Neolítico, espalhando-se, aos poucos, pelas diversas regiões da Terra.

Tradicionalmente, a produção da cerâmica, entre os povos indígenas que vivem no Brasil, é totalmente manual, sem a utilização do torno de oleiro.

A argila (composto de sílica, alúmen e água) é a matéria-prima básica empregada na confecção da cerâmica e certas substâncias, que recebem o nome de tempero, são adicionadas a ela, de forma a reduzir o grau de plasticidade provocado pelo excesso de alúmen.

O tempero pode ser de origem mineral (como a areia), animal (conchas trituradas, por exemplo) ou vegetal (como cascas de árvores ricas em sílica, trituradas e queimadas). Uma vez preparada a massa, a técnica mais usual para produzir os vasilhames é a da união sucessiva de roletes (feitos manualmente), utilizando-se instrumentos rústicos, bem variados, para auxiliar na confecção das peças, como cacos quebrados de potes antigos para ajudar a alisar os roletes, pincéis feitos com penas de aves ou com raízes para pintar a superfície, etc..

O tratamento dado à superfície das peças varia muito de povo para povo e de acordo com o uso que será dado a cada objeto. A superfície pode apresentar-se tosca, alisada, polida, decorada (com pinturas ou de outras maneiras) e até mesmo revestida por uma outra camada de argila especialmente preparada para este fim, a que se dá o nome de engobo. Finalmente, a louça de barro, como é comumente conhecida, pode ser queimada ao ar livre (exposta ao oxigênio), ficando com uma coloração alaranjada ou avermelhada, ou pode ser queimada em fornos de barro, fechados, que não permitem o contato com o oxigênio, o que deixa uma coloração acinzentada ou negra.

Desta forma são produzidos objetos utilitários (como potes, panelas, alguidares, etc.), objetos votivos ou rituais, instrumentos musicais, cachimbos, objetos de adorno e outros.

Entre as sociedades indígenas brasileiras, a cerâmica é, geralmente, confeccionada pelas mulheres. Todas aprendem a fazê-la mas, como em qualquer outra atividade, há aquelas com mais habilidade e/ou criatividade. Atualmente, algumas já se utilizam de tintas e instrumentos industrializados para produzir sua cerâmica.

Nem todos os povos indígenas produzem cerâmica e alguns, que tradicionalmente produziam, deixaram de fazê-lo, após o contato com não índios e com o passar do tempo. Entre alguns povos ceramistas, os objetos produzidos são simples. Entre outros, são muito elaborados e valorizados pelos membros da sociedade.

Destacam-se por sua cerâmica os índios Kadiwéu e Terena, de Mato Grosso do Sul; Waurá, de Mato Grosso; Karajá, de Tocantins; Asurini e Parakanã, do Pará; Wai-Wai, do Pará, Roraima e Amapá; Marubo, Tukano, Maku e Baniwa, do Amazonas e outros.

Povos Indígenas e suas Relações com a Natureza

Ao pensarmos as relações dos índios com a natureza, devemos estar atentos, antes de mais nada, ao fato de a natureza não se apresentar de forma homogênea e, sim, de ser composta por uma variedade muito diversificada de ecossistemas.

Por ecossistemas, entendemos o conjunto de fatores físicos, ecológicos e bióticos, que caracterizam um determinado lugar e que se estendem por um espaço de dimensões variadas, constituindo-se numa totalidade sistêmica, integrada por fatores abióticos, como as substâncias minerais, os gases e os elementos climáticos isolados, e por organismos vivos, como plantas, fungos, animais, etc.

Nesse sentido, ao contemplarmos as cerca de 560 terras indígenas existentes no Brasil, devemos considerar que cada uma dessas terras está situada em sistemas ecológicos característicos. Assim, podemos dizer que o meio ambiente e seus variados ecossistemas devem ser reconhecidos como um fator gerador do processo cultural das sociedades indígenas, na medida em que os índios e suas organizações sociais tiveram que desenvolver estratégias de adaptação a cada um desses ecossistemas de forma a obter os meios necessários a sua sobrevivência.

Se considerarmos a região amazônica, podemos falar, entre outros ecossistemas, das florestas de castanheiras, das matas de cipó, das várzeas, das matas de igapós, das savanas de terra firme, dos rios de água preta, das florestas de terra firme, etc. Cada um desses ecossistemas enseja aos índios uma forma particular de manejo, de forma a otimizar a obtenção dos recursos que são necessários ao seu bem-estar.

Tradicionalmente, as sociedades indígenas não se fixavam a um mesmo território por muito tempo. As aldeias indígenas eram organizadas, levando-se em consideração a quantidade, a qualidade e a distribuição espacial dos recursos indispensáveis ao desenvolvimento de suas comunidades.

Os Kayapó Gorotire, por exemplo, adotam um estilo de vida seminômade, permanecendo por cerca de quatro a cinco meses durante o ano, fora de seus povoamentos permanentes. Nesse período, além da caçaa e da coleta, os Kayapó aproveitam o cerrado para plantar diversas espécies de plantas, formando verdadeiras "ilhas de recursos", utilizadas como fonte de matéria-prima, ervas medicinais e alimentação.

Os índios que vivem nas bacias dos rios de água preta, por sua vez, sabem que as matas de igapó representam importante refúgio para diversas espécies de peixes, que encontram alimento e condições adequadas para a desova. Por essa razão, os índios evitam o plantio de suas roças nesse ecossistema de forma a não perturbar o desenvolvimento do ciclo vital dessas espécies, que se constituem em sua principal fonte de proteína animal. Ao chamarmos a atenção para a observação dos diversos ecossistemas e de como suas características peculiares influenciam a organização social dos índios, sua distribuição demográfica e sua tecnologia, não estamos dizendo que o desenvolvimento cultural dessas sociedades é determinado pelo meio ambiente. Estamos apenas salientando a idéia de que cada ecossistema apresenta possibilidades e limitações, exigindo dos índios diferentes respostas adaptativas.

Política Indigenista

Chamamos de política indigenista as iniciativas formuladas pelas diferentes esferas do Estado brasileiro a respeito das populações indígenas. A política indigenista é orientada pelo indigenismo, conjunto de princípios estabelecidos a partir do contato dos povos indígenas com a sociedade nacional.

Política indigenista e indigenismo são categorias históricas, noções empregadas essencialmente no séc. 20. A categoria indigenismo deve ser referida, preferencialmente, às diretrizes vitoriosas no 1º Congresso Indigenista Interamericano, realizado no México, em 1940. Aí foram formulados os princípios e metas transformados em práticas - ou políticas indigenistas - pelos países do continente americano.

No Brasil, desde o séc.16 , existem instrumentos legais que definem e propõem uma política para os índios, fundamentados na discussão da legitimidade do direito dos índios ao domínio e soberania de suas terras. Esse direito - ou não - dos índios ao território que habitam está registrado em diferentes legislações portuguesas, envolvendo Cartas Régias, Alvarás, Regimentos, etc.

No período colonial, a política para os índios envolveu extremos - das guerras justas, descimentos e escravização de índios e esbulho de terras às ações missionárias nos Sete Povos das Missões. Já a legislação imperial não é benéfica aos índios, seja pelo Regulamento das Missões de 1845, a lei de terras de 1850 ou as decisões contrárias aos índios de várias Assembléias Provinciais. No séc. 19, a política para os índios foi marcada pela remoção e reunião de aldeias.

Com o advento da República e a criação do Serviço de Proteção aos Índios (SPI), foram estabelecidos ou reforçados alguns princípios indigenistas, voltados para a prevenção de qualquer coerção ou violência aos índios, o respeito às instituições e valores indígenas e a garantia à posse de suas terras. Esses princípios foram transformados em políticas indigenistas através da proteção leiga aos índios pelo Estado.

As políticas indigenistas estavam , então, voltadas ao estímulo ao trabalho e ao desenvolvimento de atividades produtivas, através da educação e treinamento dos índios e de seus filhos. Entretanto, a uma determinada política indigenista nem sempre correspondia uma conseqüente ação indigenista, e o SPI acabou sendo extinto, nos anos 60, por problemas de corrupção, esbulhos de terras indígenas, etc.

Em substituição ao SPI, pela Lei nº 5371, de 5 de dezembro de 1967, foi instituída a Fundação Nacional do Índio (FUNAI).

A partir de então, a política indigenista se baseou nos seguintes princípios:

Pela Lei 6001, de 19/12/73, foi sancionado o Estatuto do Índio, que hoje regula a situação jurídica dos índios ou silvícolas e das comunidades indígenas, com o propósito de preservar a sua cultura e integrá-los, progressiva e harmoniosamente, à comunhão nacional.

Até 1988 a política indigenista brasileira estava centrada nas atividades voltadas à incorporação dos índios à comunhão nacional, princípio indigenista presente nas Constituições de 1934, 1946, 1967 e 1969. A Constituição de 1988 suprimiu essa diretriz, reconhecendo aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam.

Os índios também ampliaram sua cidadania, já são partes legítimas para ingressar em juízo em defesa de seus direitos e interesses. Assim, o principal objetivo da política indigenista hoje é a preservação das culturas indígenas, através da garantia de suas terras e o desenvolvimento de atividades educacionais e sanitárias.

População Indígena no Brasil

Distribuídos em 562 terras indígenas, vivem hoje no Brasil cerca de 315.000 índios.

São 206 povos (ou etnias), concentrados, em sua maioria - 70% do total -, numa parcela da Amazônia Legal que engloba seis Estados: Amazonas, Acre, Roraima, Rondônia, Mato Grosso e Pará. Além desses, devemos considerar ainda a existência de 40 povos isolados na Amazônia Ocidental.

Em densidade populacional, os seis maiores povos são:

Guarani (sub-grupos Kaiowá, Nandeva e Mbyá): 30 mil (MS, SP, RJ, PR, SC, RS, ES);
Ticuna:
23 mil (AM);
Kaingang:
20 mil (SP, PR,RS,SC);
Macuxi:
15 mil (RR);
Guajajara:
10 mil (MA);
Yanomami:
9.975 (RR/AM).

Quarenta e oito povos conhecidos, além de outros isolados, habitam o Estado do Amazonas, onde há maior concentração de etnias.

Nos demais Estados, é a seguinte a distribuição da população indígena:

Mato Grosso: 32 povos.
Pará: 27.
Rondônia: 22.
Acre: 11.
Roraima: 9.
Bahia e Maranhão: 8.
Pernambuco: 7.
Alagoas, Ceará e Mato Grosso do Sul:
6.
Amapá:
5.
Minas Gerais e Tocantins: 4.
São Paulo: 3.
Rio Grande do Sul, Goiás, Santa Catarina e Espírito Santo: 2.
Sergipe e Paraíba: 1.

Obs. Alguns povos que se distribuem por dois ou três Estados foram citados em apenas um deles.

Por que o dia 19 de abril é o Dia do Índio?

Em 1940, o 1º Congresso Indigenista Interamericano, reunido em Patzcuaro, México, aprovou uma recomendação proposta por delegados indígenas do Panamá, Chile, Estados Unidos e México.

Essa recomendação, de nº 59, propunha:

1. o estabelecimento do Dia do Índio pelos governos dos países americanos, que seria dedicado ao estudo do problema do índio atual pelas diversas instituições de ensino;
2.
que seria adotado o dia 19 de abril para comemorar o dia do Índio, data em que os delegados indígenas se reuniram pela 1ª vez em assembléia no Congresso Indigenista. Todos os países da América foram convidados a participar dessa celebração.

Pelo Decreto-lei nº 5.540, de 02 de junho de 1943, o Brasil adotou essa recomendação do Congresso Indigenista Interamericano.

Assinado pelo Presidente Getúlio Vargas e pelos Ministros Apolônio Sales e Oswaldo Aranha.

É o seguinte o texto do Decreto:

O Presidente da República, usando da atribuição que lhe confere o art. 180 da Constituição, e tendo em vista que o Primeiro Congresso Indigenista Interamericano, reunido no México, em 1940, propôs aos países da América a adoçãqo da data de 19 de abril para o "Dia do Índio", decreta:

Art. 1º - considerado - "Dia do Índio" - a data de 19 de abril.
Art. 2º-
Revogam-se as disposições em contrário.

A recomendação de institucionalização do "Dia do Índio" tinha por objetivo geral, entre outros, outorgar aos governos americanos normas necessárias à orientação de suas políticas indigenistas. Já, em 1944, o Brasil celebrou a data, com solenidades, atividades educacionais e divulgação da cultura indígena. Desde então existe a comemoração do "Dia do Índio", às vezes estendida por uma semana, a "Semana do Índio".

Rituais Indígenas

Uma grande parte dos rituais realizados pelos diversos grupos indígenas do Brasil pode ser classificada como ritos de passagem. Os ritos de passagem são as cerimonias que marcam a mudança de um indivíduo ou de um grupo de uma situação social para outra. Como exemplo, podemos citar aqueles relacionados à mudança das estações, aos ritos de iniciação, aos ritos matrimoniais, aos funerais e outros, como a gestação e o nascimento.

Entre os Tupinambá - grupo indígena extinto que habitava a maior parte da faixa litorânea que ia da foz do rio Amazonas à ilha de Cananéia, no litoral paulista, quando nascia uma criança do sexo masculino, o pai levantava-se do chão e cortava-lhe o umbigo com os dentes. A seguir, a criança era banhada no rio, após o que o pai lhe achatava o nariz com o polegar. Em seguida, a criança era colocada numa pequena rede, onde eram amarradas unhas de onça ou de uma determinada ave de rapina. Colocavam-se, ainda, penas da cauda e das asas dessa ave e, também, um pequeno arco e algumas flechas, para que a criança se tornasse valente e disposta a guerrear os inimigos.

O pai, durante três dias, não comia carne, peixe ou sal, alimentando-se apenas de certo tipo de farinha. Não fazia, também, nenhum trabalho até que o umbigo da criança caísse, para que ele, a mãe e a criança não tivessem cólicas. Três vezes por dia punha os pés no ventre da esposa. Nesses dias, o pai fazia pequenas arapucas e nelas fazia a tipóia de carregar a criança; tomava, também, o pequeno arco e as flechas e atirava sobre a tipóia, pescando-a depois com o anzol, como se fosse um peixe. Assim, no futuro, a criança caçaria ou pescaria. Quando o umbigo caía, o pai partia-o em pedacinhos e pregava-os em todos os pilares da oca, a fim de que o filho fosse, no futuro, um bom chefe de família. O pai também colocava aos pés da criança um molho de palha, que simbolizava os inimigos.

Quando todas essas práticas tinham sido realizadas, a aldeia por inteiro se entregava às comemorações. Nesses dias, era escolhido um nome para o recém-nascido.

Através desse rito de incorporação, o pai assumia a paternidade e se reconhecia ao recém-nascido, um lugar na sociedade Tupinambá, como homem ou mulher.

Cabe destacar que nesses rituais ligados à gestação e ao nascimento não só a criança, como também seus pais, eram submetidos ao ritual de passagem. O reconhecimento da gravidez da mulher punha o pai e a mãe num estado de cuidados especiais, separando-os, de certo modo, pela maneira de se comportar, dos demais habitantes da aldeia.

Ficavam, assim, segregados até que a criança nascesse e os ritos de sua incorporação fossem realizados, momento em que eles eram reintegrados à vida normal, desempenhando um novo papel social: pai e mãe de um novo membro da sociedade.

Socialização das Crianças

Todas as sociedades humanas constróem brinquedos para suas crianças. Os brinquedos construídos e utilizados nas sociedades indígenas, no Brasil, variam de acordo com as matérias-primas encontradas no meio ambiente em que esses grupos vivem, sendo que os brinquedos mais comuns são feitos de palha, madeira ou barro. As mulheres Karajá costumam fabricar minibonecas de barro para suas filhas brincarem.

É muito comum também os adultos fabricarem para suas crianças dobraduras de palha representando os animais da floresta, ou elementos que estão presentes no dia-a-dia, como os aviões, que sobrevoam as aldeias. Hoje também é comum as crianças indígenas pedirem aos seus pais bonecas e bolas de plástico quando estes vão às cidades.

Os brinquedos são, em geral, miniaturas de objetos do uso cotidiano de cada sociedade e têm como objetivo divertir as crianças e educá-las para o desempenho das tarefas que irão realizar quando adultas.

Nas sociedades indígenas, a organização do trabalho se baseia na divisão das tarefas por sexo. As crianças, desde cedo, aprendem a lidar com essa regra em suas brincadeiras e pequenas tarefas.

Os bebês, até aprenderem a andar, vivem aconchegados junto ao corpo da mãe, no macio da tipóia de algodão, feita especialmente para carregá-los, ou na rede.

Já as crianças pequenas, de até 3 ou 4 anos, brincam com outras crianças de ambos os sexos e se divertem com seus brinquedos ou com algum cesto velho, já sem utilidade. Mas estão sempre próximas às mães, pois costumam ser amamentadas até essa idade. É comum, também, que uma irmã mais velha, adolescente, tome conta das crianças menores, enquanto a mãe prepara os alimentos.

A partir dos 4 anos, aproximadamente, uma menina Wayana e Apalaí, do norte do Pará, ganha de seu pai um pequeno cesto cargueiro, confeccionado com finas tiras do arbusto arumã, especialmente para ela. É seu primeiro trançado, dos muitos que receberá ao longo de sua vida. Cabe às mulheres e às meninas Wayana a utilização dos cestos e vários outros tipos de trançados para a realização das tarefas domésticas. Cabe exclusivamente aos homens e aos meninos Wayana e Apalaí a sua confecção. Com o seu cesto, a menina Wayana irá brincar e acompanhar a mãe, a tia e a avó à roça.

Através da imitação, brincando de arrancar batatas e transportando-as para a aldeia em seu cesto cargueiro, as meninas vão aprendendo o trabalho feminino, em especial o processo de fabricação do beiju, uma espécie de panqueca de mandioca muito consumida pelos povos indígenas brasileiros.

Os meninos Wayana, com aproximadamente 4 anos, recebem sua primeira tanga vermelha. De seu pai, recebem um pequeno arco e diversas flechas, com os quais irá brincar e se divertir. Por volta dos 7 ou 8 anos, os meninos possuem rede própria e já circulam sozinhos pelos arredores da aldeia. A independência em relação a sua mãe é completa podendo então passar a acompanhar o pai ou o irmão mais velho em caçadas, pescarias e incursões na floresta, dando início ao longo processo de aprendizagem das tarefas masculinas.

Os jovens devem exercer e dominar as tarefas próprias de seu gênero, masculino ou feminino, e de sua idade. As atividades que irão desempenhar na vida adulta lhes são ensinadas ao longo dos anos, no acompanhamento e observação da realização das tarefas desempenhadas por seus pais, prestando-lhes também ajuda.

As principais atividades do universo feminino a serem aprendidas pelas meninas, que as exercerão plenamente quando adultas, consistem basicamente na plantação, colheita e conservação da roça, transporte de lenha e preparo dos alimentos, preparação das bebidas fermentadas, fiação do algodão, confecção de redes, cerâmica e educação das crianças.

As principais atividades do universo masculino a serem aprendidas pelos meninos, que as exercerão quando adultos, são basicamente preparo do terreno para o plantio, caça, confecção de arco e flecha, cestaria, confecção de enfeites plumários, construção de casas. Em geral, as atividades ligadas à pesca com timbó são realizadas por ambos os sexos.

O período de reclusão ritual a que são submetidos os jovens de ambos os sexos varia em cada sociedade. Esse período marca o término do que é considerado como adolescência, nas sociedades indígenas, que para as meninas acontece, geralmente, quando vem a primeira menstruaão.

Ao atingir a puberdade, os jovens do sexo masculino e feminino devem se dedicar a aprimorar as técnicas de seus afazeres, pois estarão aptos para o casamento e, portanto, para a vida adulta, tendo-se completado o processo de socialização.

Nas culturas indígenas, o processo de socialização das crianças é considerado tarefa de todos, cabendo às mães e aos pais a orientação nas tarefas e comportamentos que a comunidade espera desse novo membro do grupo. Cabe às crianças brincar e ter sua mãe sempre por perto para protegê-las, sem jamais levantar a voz, brigar ou bater-lhes. Uma boa mãe e um bom pai educam com autoridade, desenvolvendo na criança a atenção e a observação pessoal, bem como a importância da repetição de uma tarefa até a sua plena aprendizagem. Cabe a todos desenvolver na criança o senso de responsabilidade e o respeito ás regras sociais de sua comunidade.

Tecnologia e Cultura Material

A sociedade brasileira em seu período de formação, nos primeiros anos do descobrimento e durante a época colonial, utilizou-se, amplamente, dos artefatos indígenas para a sua própria sobrevivência, dada a existência de numerosas populações indígenas habitando o país no litoral e no interior. Um dos vários e importantes legados dessas sociedades a nossa cultura é o mobiliário indígena, em especial o banco e a rede. A rede está entre os artefatos da cultura material das sociedades indígenas mais utilizados pela sociedade brasileira desde o século dezesseis até hoje.

Chamamos de tecnologia o estudo de todos os objetos criados pelos grupos humanos visando à sua melhor adaptação no tempo e espaço em que vivem. É através da fabricação dos objetos que os grupos humanos interagem com o seu meio ambiente, utilizando-se dele e imprimindo-lhe a sua marca.

A produção de variados objetos da cultura material, ferramentas, instrumentos, utensílios e ornamentos, com os quais um grupo humano busca facilitar sua sobrevivência, está ligada à escolha e utilização das matérias-primas disponíveis; ao desenvolvimento da técnica adequada de manufatura; às atividades envolvidas na exploração do ambiente e na adaptação ecológica; à utilidade e finalidade prática dos objetos e instrumentos produzidos. Estão presentes, também, elementos de ordem simbólica, ligados às concepções religiosas, estéticas e filosóficas do grupo.

Embora a humanidade tenha criado objetos bastante semelhantes, cada povo, ou grupo étnico, com seu jeito de viver, inteligência e criatividade, tem desenvolvido tendências próprias, objetos e técnicas totalmente distintas de outros grupos. Assim, a diversidade se faz presente, pois cada povo construiu, através de sua unidade política, econômica e religiosa, bem como de sua língua e forma de sociabilidade, a sua especificidade, o que torna único e diferente dos demais.

Entendendo a cultura de um povo como um código simbólico compartilhado por todos os homens, mulheres e crianças do mesmo grupo social, as sociedades indígenas não separam, dentro de sua experiência coletiva, a produção de um objeto da cultura material da produção artística, como costumamos fazer em nossa visão ocidental. Nas culturas indígenas, todo objeto, seja utilitário, ornamental ou ritual ( mágico - religioso), É também um objeto de arte, pois está plenamente integrado em todos os campos da ação humana, das prááticas sociais. Uma rede, uma casa, um banco, um cesto, uma panela são bons e belos se realizados dentro dos parâmetros compartilhados por todos os indivíduos daquela sociedade. Nesse contexto, também são apreciadas as novidades estéticas internas-meio-ambiente e externas, fruto das mudanças da vida cotidiana, que cada indivíduo pode acrescentar ao modo de fazer um objeto.

Território Indígena

Para os índios, a terra é um bem coletivo, destinada a produzir a satisfação das necessidades de todos os membros da sociedade. Todos têm o direito de utilizar os recursos do meio ambiente, através da caça, pesca, coleta e agricultura. Nesse sentido, a propriedade privada não cabe na concepção indígena de terra e território. Embora o produto do trabalho possa ser individual, as obrigações existentes entre os indivíduos asseguram a todos o usufruto dos recursos.

A Constituição do Brasil elaborada em 1988, em seu artigo 231, reconhece aos índios, o direito originário sobre as terras que tradicionalmente ocupam. As terras, tradicionalmente, ocupadas pelos índios são aquelas por eles habitadas em caráter permanente, as que são utilizadas para suas atividades produtivas, as imprescindíveis à preservação dos recursos ambientais necessários a seu bem-estar e as necessárias a sua reprodução física e cultural, segundo seus usos costumes e tradições.

Entre os Mundurucu, o produto da roça, da caça e da pesca é considerado propriedade da pessoa que tem as roças e que matou os animais. Contudo, o sistema de distribuição faz com que toda a comida que entre na casa seja partilhada pela família extensa e, havendo excedentes, as demais casas da aldeia também receberão a sua parte.

Para os Kaingang, a unidade territorial constitui-se de um espaço físico composto por serras, campos, florestas e rios, onde os índios podem exercer suas atividades de caça, pesca, coleta e plantio de milho, abóbora, feijão e batata-doce. Este território constitui um espaço de perambulação cíclica dos grupos que desenvolvem suas atividades de subsistência material e social. Cada grupo local possui um subterritório próprio, com direito à sua exploração, segundo regras determinadas culturalmente. As visitas entre parentes dos diferentes grupos locais eram muito freqüentes e a recepção ( à margem dos rios, na soleira da casa ) era feita ritualmente. Portanto, uma tribo se distribuía em vários grupos locais, formando subterritórios que eram socialmente interligados e cada grupo possuía sua área de perambulação e exploração.

O território é fonte permanente de socialização para os índios. Trocam-se notícias sobre caçadas, abundância ou escassez de um determinado produto, sobre os aspectos sobrenaturais da floresta, dos rios ou das montanhas, acerca do encontro com espíritos na mata, etc. O território não é, afinal, apenas fonte da subsistência material, mas também lugar onde os índios constroem sua realidade social e simbólica.

Produção de Alimentos dos Índios

Todas as sociedades indígenas produzem seus próprios alimentos através de atividades como a caça, pesca, coleta, agricultura e criação de animais.

Para desempenhar tais atividades, têm também de confeccionar os instrumentos que servem para:

Produzir
Transportar
Guardar
Conservar os alimentos

Entre eles:

Armas de caça
Armadilhas
Canoas
Cestas
Potes
etc..

A produção de alimentos e dos implementos necessários acima referidos obedece a uma divisão sexual do trabalho, isto é, algumas atividades são tarefas exclusivamente femininas e outras são tarefas masculinas.

Esta divisão varia de sociedade para sociedade, mas para se ter uma idéia, pode-se dizer que, freqüentemente, a caça e a pesca são praticadas pelos homens, que também confeccionam os instrumentos utilizados para caçar e pescar, enquanto a coleta, o cultivo da terra, a produção de cerâmica e o preparo dos alimentos para consumo são feitos pelas mulheres.

Em alguns casos, os homens também coletam e executam certas etapas do cultivo (por exemplo, preparam o terreno para a plantação).

Entretanto, dependendo da cultura específica de cada sociedade e do meio ambiente em que ela vive, há uma grande variação nos tipos de alimentos consumidos e, conseqüentemente, nos tipos de atividades desenvolvidas para obtê-los, nas técnicas utilizadas, bem como no instrumental necessário para tanto.

Algumas praticam a agricultura e a criação de animais, outras não. Entre as que cultivam a terra, há aquelas cuja base da alimentação é a mandioca, enquanto outras têm o milho como produto principal, embora haja muitos outros produtos cultivados, que variam de região para região e de cultura para cultura.

Atualmente, muitas sociedades indígenas também fazem uso de alimentos e de objetos industrializados introduzidos pelos não índios após o contato.

Nos casos em que isto ocorre, os membros da sociedade passam a precisar de dinheiro para adquiri-los, o que os leva a buscar trabalho remunerado ou a procurar comercializar seus produtos, desta forma inserindo-se no mercado regional.

Fonte: www.museudoindio.org.br

Índios Brasileiros

Reservas indígenas

As reservas indígenas foram criadas, inclusive no Brasil, um pouco para compensar a apropriação indébita de tudo quanto eles possuíam neste país por parte do homem branco, que já não é tão homem branco assim.

As notícias relativas à Reserva Raposa Serra do Sol mostram que ainda subsiste por aqui o mesmo espírito infernal de outros séculos que propôs caçar e liquidar os gentios, tema de muita revolta entre os padres Jesuítas, inclusive o venerado Padre Antônio Vieira.

Embora demonstre o Governo estar disposto a defender a reserva indígena, fica difícil entender porque coisas como essas ainda acontecem. Os milhões de quilômetros de terras de que dispomos deveriam permitir que as reservas fossem intocáveis. No entanto, no caso da Raposa Serra do Sol são visíveis os sinais de deformação cultural, posto que há índios estranhamente favoráveis à presença dos arrozeiros no território demarcado.

As reservas existem não apenas por questão de territorialidade. Os índios não são todos iguais. É incrível a variedade de culturas, modos de vida, costumes, línguas e rituais entre as tribos que restaram. Também por isso eles precisam de espaço.

Como explica o estudioso francês Jacques Leclerc, em tradução da lingüista Maria Cláudia Fitipaldi, antes da chegada dos europeus os índios no Brasil formavam uma população entre 5 e 6 milhões de habitantes. Depois de massacrados, submetidos à escravidão e epidemias, em torno de 1950 essa população estava reduzida a pouco mais de 100 mil indivíduos. Um genocídio digno do holocausto judeu. A presença econômica do homem branco nas reservas é o melhor caminho para a liquidação total do gênero indígena.

Estima-se que cerca de 12 tribos desapareceram por mês somente no decorrer do século XX. Foi, certamente, o alerta das organizações não governamentais e da comunidade internacional para esse fato, que fez o governo brasileiro oferecer melhores condições às suas populações autóctones. Diz Jacques Leclerc que foi preciso esperar mais de 5 séculos para que o Brasil reconhecesse nos índios a condição de seres humanos.

Hoje são muitas as leis no Brasil que protegem as populações indígenas. Seus direitos são reconhecidos até na Constituição Federal. Entretanto, o Brasil ainda não é signatário da Convenção Relativa aos Povos Indígenas e Tribais da Organização Internacional do Trabalho, já ratificada por numerosos países latino-americanos.

O exemplo de Raposa Serra do Sol indica que os brasileiros ainda não aprenderam que as leis precisam ser respeitadas. Não totalmente. Já há notícias de manifestantes atacando posto da polícia em área de reserva e de confronto entre índios e a Polícia Federal em Roraima.

Para que se compreenda ainda menos a invasão de reservas no Brasil, é preciso dizer que este país tem 8 milhões e 500 mil km2 e que as 554 reservas existentes ocupam apenas 964.452 km2. Se pensarmos nisso entendendo que eles eram os donos deste país, concluiremos que já tomamos demais deles. Não custa nada permitir que os que escaparam ao genocídio sobrevivam com dignidade no que sobrou de suas terras.

Fonte: www.jornalpequeno.com.br

Índios Brasileiros

Historiadores afirmam que antes da chegada dos europeus à América havia aproximadamente 100 milhões de índios no continente.

Só em território brasileiro, esse número chegava 5 milhões de nativos, aproximadamente.

Estes índios brasileiros estavam divididos em tribos, de acordo com o tronco lingüístico ao qual pertenciam:

Tupi-guaranis ( região do litoral )
Macro-jê ou tapuias ( região do Planalto Central )
Aruaques ( Amazônia )
Caraíbas ( Amazônia ).

Atualmente, calcula-se que apenas 400 mil índios ocupam o território brasileiro, principalmente em reservas indígenas demarcadas e protegidas pelo governo.

São cerca de 200 etnias indígenas e 170 línguas.

Porém, muitas delas não vivem mais como antes da chegada dos portugueses.

O contato com o homem branco fez com que muitas tribos perdessem sua identidade cultural.

A sociedade indígena na época da chegada dos portugueses.

O primeiro contato entre índios e portugueses em 1500 foi de muita estranheza para ambas as partes.

As duas culturas eram muito diferentes e pertenciam a mundos completamente distintos.

Sabemos muito sobre os índios que viviam naquela época, graças a Carta de Pero Vaz de Caminha ( escrivão da expedição de Pedro Álvares Cabral ) e também aos documentos deixados pelos padres jesuítas.

Os indígenas que habitavam o Brasil em 1500 viviam da caça, da pesca e da agricultura de milho, amendoim, feijão, abóbora, bata-doce e principalmente mandioca.

Esta agricultura era praticada de forma bem rudimentar, pois utilizavam a técnica da coivara ( derrubada de mata e queimada para limpar o solo para o plantio).

Os índios domesticavam animais de pequeno porte como, por exemplo, porco do mato e capivara.

Não conheciam o cavalo, o boi e a galinha.

Na Carta de Caminha é relatado que os índios se espantaram ao entrar em contato pela primeira vez com uma galinha.

As tribos indígenas possuíam uma relação baseada em regras sociais, políticas e religiosas.

O contato entre as tribos acontecia em momentos de guerras, casamentos, cerimônias de enterro e também no momento de estabelecer alianças contra um inimigo comum.

Os índios faziam objetos utilizando as matérias-primas da natureza.

Vale lembrar que índio respeita muito o meio ambiente, retirando dele somente o necessário para a sua sobrevivência. Desta madeira, construíam canoas, arcos e flechas e suas habitações (ocas ).

A palha era utilizada para fazer cestos, esteiras, redes e outros objetos.

A cerâmica também era muito utilizada para fazer potes, panelas e utensílios domésticos em geral.

Penas e peles de animais serviam para fazer roupas ou enfeites para as cerimônias das tribos.

O urucum era muito usado para fazer pinturas no corpo.

A organização social dos índios

Entre os indígenas não há classes sociais como a do homem branco. Todos têm os mesmo direitos e recebem o mesmo tratamento.

A terra, por exemplo, pertence a todos e quando um índio caça, costuma dividir com os habitantes de sua tribo. Apenas os instrumentos de trabalho ( machado, arcos, flechas, arpões ) são de propriedade individual.

O trabalho na tribo é realizado por todos, porém possui uma divisão por sexo e idade. As mulheres são responsáveis pela comida, crianças, colheita e plantio.

Já os homens da tribo ficam encarregados do trabalho mais pesado: caça, pesca, guerra e derrubada das árvores.

Duas figuras importantes na organização das tribos são o pajé e o cacique.

O pajé é o sacerdote da tribo, pois conhece todos os rituais e recebe as mensagens dos deuses. Ele também é o curandeiro, pois conhece todos os chás e ervas para curar doenças.

Ele que faz o ritual da pajelança, onde evoca os deuses da floresta e dos ancestrais para ajudar na cura.

O cacique, também importante na vida tribal, faz o papel de chefe, pois organiza e orienta os índios.

A educação indígena é bem interessante. Os pequenos índios, conhecidos como curumins, aprender desde pequenos e de forma prática.

Costumam observar o que os adultos fazem e vão treinando desde cedo. Quando o pai vai caçar, costuma levar o indiozinho junto para que este aprender.

Portanto a educação indígena é bem pratica e vinculada a realidade da vida da tribo.

Quando atinge os 13 os 14 anos, o jovem passa por um teste e uma cerimônia para ingressar na vida adulta.

Os contatos entre indígenas e portugueses

Como dissemos, os primeiros contatos foram de estranheza e de certa admiração e respeito. Caminha relata a troca de sinais, presentes e informações.

Quando os portugueses começam a explorar o pau-brasil das matas, começam a escravizar muitos indígenas ou a utilizar o escambo.

Davam espelhos, apitos, colares e chocalhos para os indígenas em troca de seu trabalho.

O canto que se segue foi muito prejudicial aos povos indígenas. Interessados nas terras, os portugueses usaram a violência contra os índios.

Para tomar as terras, chegavam a matar os nativos ou até mesmo transmitir doenças a eles para dizimar tribos e tomar as terras.

Esse comportamento violento seguiu-se por séculos, resultando no pequenos número de índios que temos hoje.

A visão que o europeu tinha a respeito dos índios era eurocêntrica. Os portugueses achavam-se superiores aos indígenas e, portanto, deveriam dominá-los e colocá-los ao seu serviço.

A cultura indígena era considera pelo europeu como sendo inferior e grosseira. Dentro desta visão, acreditavam que sua função era convertê-los ao cristianismo e fazer os índios seguirem a cultura européia.

Foi assim, que aos poucos, os índios foram perdendo sua cultura e também sua identidade.

Canibalismo

Algumas tribos eram canibais como, por exemplo, os tupinambás que habitavam o litoral da região sudeste do Brasil.

A antropofagia era praticada, pois acreditavam que ao comerem carne humana do inimigo estariam incorporando a sabedoria, valentia e conhecimentos.

Desta forma, não se alimentavam da carne de pessoas fracas ou covardes. A prática do canibalismo era feira em rituais simbólicos.

Religião Indígena

Cada nação indígena possuía crenças e rituais religiosos diferenciados. Porém, todas as tribos acreditavam nas forças da natureza e nos espíritos dos antepassados.

Para estes deuses e espíritos, faziam rituais, cerimônias e festas. O pajé era o responsável por transmitir estes conhecimentos aos habitantes da tribo.

Algumas tribos chegavam a enterrar o corpo dos índios em grandes vasos de cerâmica, onde além do cadáver ficavam os objetos pessoais.

Isto mostra que estas tribos acreditavam numa vida após a morte.

Fonte: www.abrali.com

Índios Brasileiros

A ORIGEM DOS POVOS AMERICANOS

Os habitantes do continente americano descendem de populações advindas da Ásia, sendo que os vestígios mais antigos de sua presença na América, obtidos por meio de estudos arqueológicos, datam de 11 a 12,5 mil anos.

Todavia, ainda não se chegou a um consenso acerca do período em que teria havido a primeira leva migratória.

Os povos indígenas que hoje vivem na América do Sul são originários de povos caçadores que aqui se instalaram, vindo da América do Norte através do istmo do Panamá, e que ocuparam virtualmente toda a extensão do continente há milhares de anos.

De lá para cá, estas populações desenvolveram diferentes modos de uso e manejo dos recursos naturais e formas de organização social distintas entre si.

Não existe consenso também, entre os arqueólogos, sobre a antigüidade da ocupação humana na América do Sul. Até há alguns anos, o ponto de vista mais aceito sobre este assunto era o de que os primeiros habitantes do continente sul-americano teriam chegado há pouco mais de 11 mil anos.

No Brasil, a presença humana está documentada no período situado entre 11 e 12 mil anos atrás. Mas novas evidências têm sido encontradas na Bahia e no Piauí que comprovariam ser mais antiga esta ocupação, com o que muitos arqueólogos não concordam.

Assim, há uma tendência cada vez maior de os pesquisadores reverem essas datas, já que pesquisas recentes vêm indicando datações muito mais antigas

HÁ 500 ANOS

Há cinco séculos, os portugueses chegaram ao litoral brasileiro, dando início a um processo de migração que se estenderia até o início do século XX, e paulatinamente foram estabelecendo-se nas terras que eram ocupadas pelos povos indígenas.

O processo de colonização levou à extinção muitas sociedades indígenas que viviam no território dominado, seja pela ação das armas, seja em decorrência do contágio por doenças trazidas dos países distantes, ou, ainda, pela aplicação de políticas visando à "assimilação" dos índios à nova sociedade implantada, com forte influência européia.

Embora não se saiba exatamente quantas sociedades indígenas existiam no Brasil à época da chegada dos europeus, há estimativas sobre o número de habitantes nativos naquele tempo, que variam de 1 a 10 milhões de indivíduos.

Números que servem para dar uma idéia da imensa quantidade de pessoas e sociedades indígenas inteiras exterminadas ao longo desses 500 anos, como resultado de um processo de colonização baseado no uso da força, por meio das guerras e da política de assimilação.

A chegada do europeu

O impacto da conquista européia sobre as populações nativas das Américas foi imenso e não existem números precisos sobre a população existente à época da chegada dos europeus, apenas estimativas. As referentes à população indígena do território brasileiro em 1500 variam entre 1 e 10 milhões de habitantes.

Estima-se que só na bacia amazônica existissem 5.600.000 habitantes. Também em termos estimativos, os lingüistas têm aceito que cerca de 1.300 línguas diferentes eram faladas pelas muitas sociedades indígenas então existentes no território que corresponde aos atuais limites do Brasil.

Dezenas de milhares de pessoas morreram em conseqüência do contato direto e indireto com os europeus e as doenças por eles trazidas.

Doenças hoje banais, como gripe, sarampo e coqueluche, e outras mais graves, como tuberculose e varíola, vitimaram, muitas vezes, sociedades indígenas inteiras, por não terem os índios imunidade natural a estes males.

Em face da ruptura demográfica e social promovida pela conquista européia, foi sugerido que os padrões de organização social e de manejo dos recursos naturais das populações indígenas que atualmente vivem no território brasileiro não seriam representativos dos padrões das sociedades pré-coloniais.

Esse é um ponto controvertido entre os pesquisadores, pois ainda não há dados suficientes advindos de pesquisas arqueológicas, bioantropológicas e de história indígena enfocando o impacto do contato europeu sobre as populações nativas para que se possa fazer tal afirmativa.

O atual estado de preservação das culturas e línguas indígenas é conseqüência direta da história do contato das diferentes sociedades indígenas com os europeus que dominaram o território brasileiro desde 1500.

Os primeiros contatos se deram no litoral e só aos poucos houve um movimento de interiorização por parte dos europeus.

O deslocamento da população

Quando se observa o mapa da distribuição das populações indígenas no território brasileiro de hoje, podem-se ver claramente os reflexos do movimento de expansão político-econômica ocorrido historicamente.

Os povos que habitavam a costa leste, na maioria falantes de línguas do Tronco Tupi, foram dizimados, dominados ou refugiaram-se nas terras interioranas para evitar o contato.

Hoje, somente os Fulniô (de Pernambuco), os Maxakali (de Minas Gerais) e os Xokleng (de Santa Catarina) conservam suas línguas.

Curiosamente, suas línguas não são Tupi, mas pertencentes a três famílias diferentes ligadas ao Tronco Macro-Jê.

Os Guarani, que vivem em diversos estados do Sul e Sudeste brasileiro e que também conservam a sua língua, migraram do Oeste em direção ao litoral em anos relativamente recentes.

As demais sociedades indígenas que vivem no Nordeste e Sudeste do País perderam suas línguas e só falam o português, mantendo apenas, em alguns casos, palavras esparsas, utilizadas em rituais e outras expressões culturais.

A maior parte das sociedades indígenas que conseguiram preservar suas línguas vive, atualmente, no Norte, Centro-Oeste e Sul do Brasil. Nas outras regiões, elas foram sendo expulsas à medida em que a urbanização avançava.

ORIGEM DOS ÍNDIOS BRASILEIROS

A origem dos "índios" brasileiros ainda é um mistério para os estudiosos.

A teoria de que vieram pelo estreito de Bering continua sendo a mais aceita, apesar de já existirem muitas discordâncias.

Com a chegada dos portugueses às terras brasileiras, os nativos pareciam nada menos que exóticos aos olhos de seu invasor",que assustou-se com os costumes "bárbaros" daquele povo que andava nu sem pudor e desconhecia a maior Instituição Européia até então: A Igreja católica.

Após 500 anos de convivência conflituosa, a figura do índio ainda parece distante da realidade do país.

Viu suas terras serem tomadas, dirigiu-se para as grandes metrópoles e vive hoje a realidade marginal de milhares de pessoas.

Episódios como o do índio pataxó Galdino Jesus, queimado vivo por jovens brasilienses, insistem em alongar a extensa lista de atos desrespeitosos direcionados às comunidades indígenas.

Dizimidos aos montes também no passado, poucos restaram para contar e perpetuar a nebulosa e fantástica história desse povo.

Atualmente, a FUNAI (Fundação Nacional do Índio) luta junto ao Congresso Nacional para que os direitos dos índios sejam colocados em prática.

A demarcação das terras indígenas tomadas pelos colonizadores é uma das dívidas históricas em pauta.

A valorização da riqueza cultural dos índios é uma bandeira a ser levantada por toda a sociedade, já que costumes que fogem à memória dos povos que aqui chegaram mais tarde estão em jogo.

A população brasileira precisa aprender a respeitar uma cultura que não é a sua, pois só assim estaremos vivendo a livre expressão de pensamento que nossa tradição democrática tanto prega.

O ÍNDIO HOJE

Hoje, no Brasil, vivem cerca de 460 mil índios, distribuídos entre 225 sociedades indígenas, que perfazem cerca de 0,25% da população brasileira.

Cabe esclarecer que este dado populacional considera tão-somente aqueles indígenas que vivem em aldeias, havendo estimativas de que, além destes, há entre 100 e 190 mil vivendo fora das terras indígenas, inclusive em áreas urbanas.

Há também 63 referências de índios ainda não-contatados, além de existirem grupos que estão requerendo o reconhecimento de sua condição indígena junto ao órgão federal indigenista.

O que é ser índio

Os habitantes das Américas foram chamados de índios pelos europeus que aqui chegaram. Uma denominação genérica, provocada pela primeira impressão que eles tiveram de haverem chegado às Índias.

Mesmo depois de descobrir que não estavam na Ásia, e sim em um continente até então desconhecido, os europeus continuaram a chamá-los assim, ignorando propositalmente as diferenças lingüístico-culturais.

Era mais fácil tornar os nativos todos iguais, tratá-los de forma homogênea, já que o objetivo era um só: o domínio político, econômico e religioso.

Se no Período Colonial era assim, ao longo dos tempos, definir quem era índio ou não constituiu sempre uma questão legal.

Desde a independência em relação às metrópoles européias, vários países americanos estabeleceram diferentes legislações em relação aos índios e foram criadas instituições oficiais para cuidar dos assuntos a eles relacionados.

Nas últimas décadas, o critério da auto-identificação étnica vem sendo o mais amplamente aceito pelos estudiosos da temática indígena.

Na década de 50, o antropólogo brasileiro Darcy Ribeiro baseou-se na definição elaborada pelos participantes do II Congresso Indigenista Interamericano, no Peru, em 1949, para assim definir, no texto "Culturas e línguas indígenas do Brasil", o indígena como: "(...) aquela parcela da população brasileira que apresenta problemas de inadaptação à sociedade brasileira, motivados pela conservação de costumes, hábitos ou meras lealdades que a vinculam a uma tradição pré-colombiana.

Ou, ainda mais amplamente: índio é todo o indivíduo reconhecido como membro por uma comunidade pré-colombiana que se identifica etnicamente diversa da nacional e é considerada indígena pela população brasileira com quem está em contato".

Uma definição muito semelhante foi adotada pelo Estatuto do Índio (Lei nº. 6.001, de 19.12.1973), que norteou as relações do Estado brasileiro com as populações indígenas até a promulgação da Constituição de 1988.

Em suma, um grupo de pessoas pode ser considerado indígena ou não se estas pessoas se considerarem indígenas, ou se assim forem consideradas pela população que as cerca.

Mesmo sendo o critério mais utilizado, ele tem sido colocado em discussão, já que muitas vezes são interesses de ordem política que levam à adoção de tal definição, da mesma forma que acontecia há 500 anos.

Identidade e diversidade

As populações indígenas são vistas pela sociedade brasileira ora de forma preconceituosa, ora de forma idealizada.

O preconceito parte, muito mais, daqueles que convivem diretamente com os índios: as populações rurais.

Dominadas política, ideológica e economicamente por elites municipais com fortes interesses nas terras dos índios e em seus recursos ambientais, tais como madeira e minérios, muitas vezes as populações rurais necessitam disputar as escassas oportunidades de sobrevivência em sua região com membros de sociedades indígenas que aí vivem.

Por isso, utilizam estereótipos, chamando-os de "ladrões", "traiçoeiros", "preguiçosos" e "beberrões", enfim, de tudo que possa desqualificá-los. Procuram justificar, desta forma, todo tipo de ação contra os índios e a invasão de seus territórios.

Já a população urbana, que vive distanciada das áreas indígenas, tende a ter deles uma imagem favorável, embora os veja como algo muito remoto.

Os índios são considerados a partir de um conjunto de imagens e crenças amplamente disseminadas pelo senso comum: eles são os donos da terra e seus primeiros habitantes, aqueles que sabem conviver com a natureza sem depredá-la.

São também vistos como parte do passado e, portanto, como estando em processo de desaparecimento, muito embora, como provam os dados, nas três últimas décadas tenha se constatado o crescimento da população indígena.

Só recentemente os diferentes segmentos da sociedade brasileira estão se conscientizando de que os índios são seus contemporâneos.

Eles vivem no mesmo país, participam da elaboração de leis, elegem candidatos e compartilham problemas semelhantes, como as conseqüências da poluição ambiental e das diretrizes e ações do governo nas áreas da política, economia, saúde, educação e administração pública em geral.

Hoje, há um movimento de busca de informações atualizadas e confiáveis sobre os índios, um interesse em saber, afinal, quem são eles.

Qualquer grupo social humano elabora e constitui um universo completo de conhecimentos integrados, com fortes ligações com o meio em que vive e se desenvolve.

Entendendo cultura como o conjunto de respostas que uma determinada sociedade humana dá às experiências por ela vividas e aos desafios que encontra ao longo do tempo, percebe-se o quanto as diferentes culturas são dinâmicas e estão em contínuo processo de transformação.

O Brasil possui uma imensa diversidade étnica e lingüística, estando entre as maiores do mundo.

São 215 sociedades indígenas, mais cerca de 55 grupos de índios isolados, sobre os quais ainda não há informações objetivas.

180 línguas, pelo menos, são faladas pelos membros destas sociedades, as quais pertencem a mais de 30 famílias lingüísticas diferentes.

No entanto, é importante frisar que as variadas culturas das sociedades indígenas modificam-se constantemente e reelaboram-se com o passar do tempo, como a cultura de qualquer outra sociedade humana.

E é preciso considerar que isto aconteceria mesmo que não houvesse ocorrido o contato com as sociedades de origem européia e africana.

No que diz respeito à identidade étnica, as mudanças ocorridas em várias sociedades indígenas, como o fato de falarem português, vestirem roupas iguais às dos outros membros da sociedade nacional com que estão em contato, utilizarem modernas tecnologias (como câmeras de vídeo, máquinas fotográficas e aparelhos de fax), não fazem com que percam sua identidade étnica e deixem de ser indígenas.

A diversidade cultural pode ser enfocada tanto sob o ponto de vista das diferenças existentes entre as sociedades indígenas e as não-indígenas, quanto sob o ponto de vista das diferenças entre as muitas sociedades indígenas que vivem no Brasil.

Mas está sempre relacionada ao contato entre realidades socioculturais diferentes e à necessidade de convívio entre elas, especialmente num país pluriétnico, como é o caso do Brasil.

É necessário reconhecer e valorizar a identidade étnica específica de cada uma das sociedades indígenas em particular, compreender suas línguas e suas formas tradicionais de organização social, de ocupação da terra e de uso dos recursos naturais.

Isto significa o respeito pelos direitos coletivos especiais de cada uma delas e a busca do convívio pacífico, por meio de um intercâmbio cultural, com as diferentes etnias.

As línguas indígenas

A língua é o meio básico de organização da experiência e do conhecimento humanos. Quando falamos em língua, falamos também da cultura e da história de um povo.

Por meio da língua, podemos conhecer todo um universo cultural, ou seja, o conjunto de respostas que um povo dá às experiências por ele vividas e aos desafios que encontra ao longo do tempo.

Há várias maneiras de se classificar as línguas. Os lingüistas atuais consideram como mais apropriada a classificação do tipo genético.

Eles só recorrem a outros tipos de classificação quando não há dados suficientes para realizar a classificação por meio do critério genético.

Na classificação genética, reúnem-se numa mesma classe as línguas que tenham tido origem comum numa outra língua mais antiga, já extinta.

Desta forma, as línguas faladas pelos diversos povos da Terra são agrupadas em famílias lingüísticas, e estas famílias são reunidas em troncos lingüísticos, sempre buscando a origem comum numa língua anterior.

Embora o português seja a língua oficial no Brasil, deve haver por volta de outras 200 línguas faladas regularmente por segmentos da população.

Um exemplo são os descendentes de imigrantes italianos, japoneses etc., que em determinados contextos falam a língua materna.

Ainda hoje, muitos índios falam unicamente sua língua, desconhecendo o português. Outros tantos falam o português como sua segunda língua.

O lingüista brasileiro Aryon Dall'Igna Rodrigues estabeleceu uma classificação das línguas indígenas faladas no Brasil, sendo esta a mais utilizada pela comunidade científica que se dedica aos estudos pertinentes às populações indígenas.

As línguas são agrupadas em famílias, classificadas como pertencentes aos troncos Tupi, Macro-Jê e Aruak. Há Famílias, entretanto, que não puderam ser identificadas como relacionadas a nenhum destes troncos.

São elas: Karib, Pano, Maku, Yanoama, Mura, Tukano, Katukina, Txapakura, Nambikwara e Guaikuru.

Além disso, outras línguas não puderam ser classificadas pelos lingüistas dentro de nenhuma família, permanecendo não-classificadas ou isoladas, como a língua falada pelos Tükúna, a língua dos Trumái, a dos Irântxe etc.

Ainda existem as línguas que se subdividem em diferentes dialetos, como, por exemplo, os falados pelos Krikatí, Ramkokamekrá (Canela), Apinayé, Krahó, Gavião (do Pará), Pükobyê e Apaniekrá (Canela), que são, todos, dialetos diferentes da língua Timbira.

Há sociedades indígenas que, por viverem em contato com a sociedade brasileira há muito tempo, acabaram por perder sua língua original e por falar somente o português.

De algumas dessas línguas não mais faladas ficaram registros de grupos de vocábulos e informações esparsas, que nem sempre permitem aos lingüistas suficiente conhecimento para classificá-las em alguma família. De algumas outras línguas, não ficaram nem resquícios.

Estima-se que cerca de 1.300 línguas indígenas diferentes eram faladas no Brasil há 500 anos. Hoje são 180, número que exclui aquelas faladas pelos índios isolados, uma vez que eles não estão em contato com a sociedade brasileira e suas línguas ainda não puderam ser estudadas e conhecidas.

Ressalte-se que o fato de duas sociedades indígenas falarem línguas pertencentes a uma mesma família não faz com que seus membros consigam entender-se mutuamente.

Um exemplo disso se dá entre o português e o francês: ambas são línguas românicas ou neolatinas, mas os falantes das duas línguas não se entendem, apesar das muitas semelhanças lingüísticas existentes entre ambas.

É importante lembrar que o desaparecimento de tantas línguas representa uma enorme perda para a humanidade, pois cada uma delas expressa todo um universo cultural, uma vasta gama de conhecimentos, uma forma única de se encarar a vida e o mundo.

Índios isolados

Alguns povos indígenas, desde a época do Descobrimento, mantiveram-se afastados de todas as transformações ocorridas no País.

Eles mantêm as tradições culturais de seus antepassados e sobrevivem da caça, pesca, coleta e agricultura incipiente, isolados do convívio com a sociedade nacional e com outros grupos indígenas.

Os índios isolados defendem bravamente seu território e, quando não podem mais sustentar o enfrentamento com os invasores de seus domínios, recuam para regiões mais distantes, na esperança de lograrem sobreviver escondendo-se para sempre.

Pouca ou nenhuma informação se tem sobre eles e, por isso, sua língua é desconhecida. Entretanto, sabe-se que alguns fatores são fundamentais para possibilitar a existência futura desses grupos.

Entre eles, a demarcação das terras onde vivem e a proteção ao meio ambiente, de forma a garantir sua sobrevivência física e cultural.

No processo de ocupação dos espaços amazônicos, o conhecimento e o dimensionamento das regiões habitadas por índios isolados são fundamentais para que se possa evitar o confronto e a destruição desses grupos.

Há na FUNAI, desde 1987, uma unidade destinada a tratar da localização e proteção dos índios isolados, cuja atuação se dá por meio de sete equipes, denominadas Frentes de Contato, atuando nos estados do Amazonas, Pará, Acre, Mato Grosso, Rondônia e Goiás.

AS SOCIEDADES

Os índios sobrevivem. Não apenas biologicamente, mas também do ponto de vista das tradições culturais, segundo comprovam estudos recentes, os quais demonstram que a população indígena vem aumentando rapidamente nas últimas décadas. Hoje, as 215 diferentes sociedades somam cerca de 358 mil pessoas, que falam 180 línguas distintas.

Os índios vivem nos mais diversos pontos do território brasileiro e representam, em termos demográficos, um pequeno percentual da população de 150 milhões de habitantes do Brasil. Todavia são um exemplo concreto e significativo da grande diversidade cultural existente no País.

Os seus antepassados contribuíram com muitos aspectos de suas diversificadas culturas para a formação do que atualmente se chama Brasil: um país de vasta extensão territorial, cuja população é formada pelos descendentes de europeus, negros, índios e, mais recentemente, também de imigrantes vindos de países asiáticos, que mesclaram suas diferentes línguas, religiões e tradições culturais em geral, propiciando a formação de uma nova cultura, fortemente marcada por contrastes.

Mais da metade da população indígena está localizada nas regiões Norte e Centro-Oeste do Brasil, principalmente na área da Amazônia Legal. Mas há índios vivendo em todas as regiões brasileiras, em maior ou menor número, com exceção dos estados do Piauí e Rio Grande do Norte.

Mesmo no Piauí, existem grupos de pessoas que vivem no interior do estado as quais vêm se auto-identificando como indígenas e começam a reivindicar o reconhecimento como indígenas junto à FUNAI.

Muitos dos nomes usados para designar as sociedades indígenas que vivem no Brasil não são autodenominações destas sociedades.

Foram imensas as dificuldades de comunicação entre os europeus e os nativos da terra, bem como, muito mais tarde, entre os funcionários do órgão indigenista oficial e mesmo entre os antropólogos e os índios, motivadas pelo não-entendimento das línguas faladas.

Assim sendo, é comum que uma sociedade indígena seja conhecida por uma denominação que lhe foi atribuída aleatoriamente pelos primeiros indivíduos que entraram em contato com ela ou pela denominação dada pelos inimigos tradicionais.

Ela é quase sempre pejorativa. E há, ainda, sociedades que receberam nomes diferentes em épocas diversas.

Portanto, a mesma sociedade indígena pode ser conhecida por vários nomes e eles nem sempre são escritos da mesma forma.

Isto depende de convenção feita pelos não-índios, uma vez que os falantes originais das línguas indígenas eram ágrafos, isto é, não conheciam a escrita.

Existe uma "Convenção para a grafia dos nomes tribais" estabelecida pela Associação Brasileira de Antropologia (ABA) em 1953. Embora muitos aspectos desta convenção sejam respeitados pelos antropólogos até hoje, há outros aspectos que nunca foram seguidos.

Fonte: www.funai.gov.br

Índios Brasileiros

O MUNDO RELIGIOSO DOS INDÍGENAS AMERICANOS

Há mais de 20 mil anos (alguns falam em 50 mil) chegaram os primeiros habitantes do continente americano. Eram mongóis aqui chegados cruzando o oceano Pacífico por via marítima ou atravessando o estreito de Behring que, em épocas glaciais, unia a Ásia ao Alasca.

Esses migrantes deram origem aos inúmeros povos pré-colombianos – só no Brasil 215 nações e 170 línguas –, com sua riqueza cultural e religiosa.

O mundo religioso dos indígenas “primitivos”

Assumimos o termo “primitivo” para indicar os indígenas caçadores, pescadores, coletores, nômades e semi-nômades, distinguindo-os dos povos urbanizados astecas, chibchas, maias e incas. Inicialmente, os primitivos habitantes da América do Sul se concentraram nas áreas verdes das cabeceiras dos grandes rios e, aos poucos, se espalharam pelo resto do continente.

Por serem nômades ou semi-nômades, os indígenas brasileiros não construíram templos ou locais de culto. O mundo é seu templo.

São animistas: tudo tem alma, Deus está em tudo, na árvore, na pedra, no animal, nas pessoas, no raio, no trovão, no riacho, na lagoa. Toda a natureza e seus fenômenos estão povoados de espíritos. Não há lugar ou pessoa que não sejam sagrados, não há o dualismo sagrado-profano.

Os xamãs, sacerdotes indígenas

O xamanismo é o elemento principal da religião dos indígenas nômades e que revela sua proveniência asiática. Os antropólogos encontraram semelhanças impressionantes entre o xamanismo americano e o da Austrália, África, Ásia e Europa.

O xamã é a figura central, mais conhecido como pajé, ao mesmo tempo sacerdote, curandeiro, conselheiro, vidente, feiticeiro. Seu poder se manifesta em êxtases, através de sonhos, alucinações, consumo de bebidas sagradas.

O xamã se crê capaz de curar doenças, agir sobre a fertilidade da terra e das plantas, a fecundidade dos seres humanos e dos animais, aconselhar, modificar as condições atmosféricas.

O xamã domina os espíritos com sua força inspirada, mostrando que podem ser influenciados e assim tornarem-se favoráveis ao ser humano.

O xamã faz o indígena ultrapassar os sentidos e o conduz ao mundo das almas, das forças sobrenaturais e lhe recorda a vida além da morte.

Os xamãs-pajés exercem três funções: profetas, curandeiros e vingadores.

Como profetas (premonitores), prevêm os acontecimentos, a chegada de estranhos, a sorte das pessoas, a melhor ocasião para as guerras.

Como curandeiros, são especializados em receitar remédios da natureza, realizar rituais de cura, atrair as bênçãos para os doentes. Os cientistas, que hoje buscam o segredo medicinal de plantas, estão atrasados em relação aos indígenas, que conhecem o segredo da natureza há séculos.

Como vingadores, aceitam trabalhos para destruir inimigos, fazer o mal a alguém, aplicar feitiços.

Deus, o Ser supremo

Os indígenas acreditavam e acreditam num Deus supremo que recebe vários nomes, conforme o povo.

Às vezes é identificado com o sol. Entre os povos agricultores, sob influência do matriarcado, a lua ocupa lugar importante, sendo chamada de Avó ou Mãe do grande Espírito. Muito rica e diversificada é a concepção do Ser supremo.

Alguns exemplos:

É o grande Pai que criou o mundo e a primeira mulher (guaranis apapocuva);
É um Deus onisciente e herói civilizador que ensinou aos homens a caça e a agricultura (tupis mundicuru);
É um Ser superior que criou o céu, a terra, os pássaros, os animais (tupinambás);
É um Ser superior do qual descendem três grandes divindades:
Guaraci-o sol, criador dos homens, Jaci-a lua, criadora dos vegetais, e Ruda-o amor, guerreiro que reside nas nuvens (tupis);
É a Deusa-mãe, virgem, com cauda de serpente, símbolo do tempo e a raiz de todas as coisas, não nasce nem morre, mas se renova eternamente (caraíba).

Não há um culto determinado para o Deus supremo, e muitas vezes é considerado ocioso, retirado definitivamente do mundo, desinteressado das criaturas após a criação.

Há a crença em espíritos intermediários, heróis míticos, que intervém na vida dos homens e do pajé. São filhos de Deus, em forma de pessoas, animais, astros, plantas, fundadores dos costumes humanos, das rivalidades entre as tribos, heróis que ensinaram a agricultura, a caça e a pesca. Podem estar do lado do homem ou serem seus inimigos. O pajé tem autoridade para atrair sua benevolência.

Os indígenas são monoteístas, pois não confundem com Deus estes espíritos ou seres intermediários, como pensavam os brancos conquistadores.

O ser humano no mundo indígena

A origem do ser humano, normalmente, não é atribuída ao Ser supremo. Geralmente é visto como saído do caos primitivo, tanto como surgindo da terra, das cavernas, ou criado por Deus mediante um animal, uma árvore ou terra amassada. Um herói antepassado o colocou em terra firme e ensinou-lhe a organização social e os meios de sobrevivência.

O homem é visto como parte do mundo, vivendo a mesma vida dos outros seres. É naturalmente feliz se vive segundo os costumes da tribo e em harmonia com a natureza. É leal com quem lhe pode ser útil e inimigo de quem lhe estorva o caminho.

Todos os povos ameríndios acreditam na vida após a morte, na sobrevivência do espírito.

Esta realidade é explicada de três maneiras:

O destino da alma numa sobrevivência feliz
A metempsicose, ou seja, a transformação da alma em outro ser
A transmigração:
o morto renasce em outro membro da tribo.

Após a morte, as almas não sobem aos céus, mas vivem na terra, nos lugares em que os corpos foram enterrados.

Entre os canibais, o inimigo a ser devorado também era sagrado: comer suas vísceras, beber seu sangue, era possuir sua alma. E o prisioneiro gostava de ser morto e comido, pois para ele o estômago humano era o melhor lugar de repouso para um guerreiro.

As práticas funerárias são diversificadas de tribo a tribo. Os mortos podem ser enterrados em posição fetal, ou numa cabana com seus bens. Na Amazônia era comum a ingestão das cinzas do morto por parentes e amigos.

Algumas tribos conservavam um cadáver mumificado: tratava-se do primeiro chefe, a origem de sua história. Reverenciar esta múmia significava retomar o fio da história.

Ritos religiosos: Nos povos entregues à caça e à pesca domina a figura do xamã-pajé, que estabelece o contato entre as pessoas e o sobrenatural, e que age como profeta, conselheiro e curandeiro.

Existiram: Sacrifícios humanos, com canibalismo nos povos de cultura agrícola (iroqueses, aruaques, tupis).

Gritos de fecundidade: entre os de cultura agrária, havendo sacerdotes para a organização do culto que obedece aos ciclos da natureza (pueblos).

Gritos agrícolas e de caça: incluem danças com sentido orgiástico e oferta de bebidas inebriantes.

Gritos de iniciação ou de passagem: fundamentais na vida da tribo. Guiado por um sábio, o jovem é introduzido na vida social e religiosa, aprende a sobreviver e são-lhe revelados os segredos divinos.

Os ritos propriamente ditos muitas vezes se constituem de provas duríssimas e cruéis (jejuns, flagelações, lacerações, etc.), para testar, de modo concreto, a resistência do jovem que passará ao mundo adulto.

Grito do fumo: representa a comunicação com o mundo invisível e precede todo o ato importante, como uma prece ritual. Os povos indígenas não usavam as plantas alucinógenas como meio de fuga ou de evasão, mas como meio de comunicação com o mundo espiritual, ganhando confiança para enfrentar a vida.

São as assim chamadas “plantas dos deuses”, como a ayahuasca, yagé, caapi, natem dos povos amazônicos, cohoba dos ianomâmis, a coca dos aimarás). São servidas em cachimbos de fumar ou pela absorção pelo nariz do pó obtido pela moedura do vegetal ou como chá.

Danças: um componente inseparável dos povos nômades e semi-nômades. Elas são realizadas para saudar os deuses e os astros e servem para comemorar todos os acontecimentos sociais, como o casamento, a guerra, a morte. Cada ritmo tem um significado próprio e invoca a proteção das divindades para a vida da tribo.

Há danças com máscaras, que representam os espíritos dos animais. É religiosidade e celebração da vida.

O Eldorado - a terra-sem-males

No decorrer dos tempos, percebe-se a migração-peregrinação dos tupis-guaranis em busca de uma terra sem males, um paraíso terrestre denominado pelo branco de Eldorado. Cada vez que a situação se torna calamitosa, sob o comando de um pajé ou de um profeta, empreendem a longa caminhada em busca desta terra-sem-mal.

É um lugar de abundância, onde o milho cresce sozinho e a flecha se dirige automaticamente à caça. Terra livre, sem leis nem governantes.

É a plenitude da liberdade, que foi prejudicada pelo poder de uns sobre outros. A única norma é caminhar adiante sem temor, no sentido de alcançar o objetivo.

Após 500 anos do “encontro” dos cristãos com os indígenas, permanece o “desencontro”, fruto da incapacidade do europeu de dialogar com o diferente, de ver fé verdadeira em quem ainda não chegou ao conhecimento de Jesus Cristo. A Igreja primitiva conseguiu realizar esse encontro com o mundo greco-romano. A nós ainda permanece o desafio, em parte realizado pelo esforço de generosos missionários.

Pe. José Artulino Besen

Fonte: www.pimenet.org.br

Índios Brasileiros

São considerados de origem asiática. A hipótese mais aceita é que os primeiros habitantes da América tenham vindo da Ásia e atravessado a pé o Estreito de Bering, na glaciação de 62 mil anos atrás.

Pesquisas arqueológicas em São Raimundo Nonato, no interior do Piauí, registram indícios da presença humana, datados de 48 mil anos .

O primeiro inventário dos nativos brasileiros só é feito em 1884, pelo viajante alemão Karl von den Steinen, que registra a presença de quatro grupos ou nações indígenas: tupi-guarani, jê ou tapuia, nuaruaque ou maipuré e caraíba ou cariba.

Von den Steinen também assinala quatro grupos lingüísticos: tupi, macro-jê, caribe e aruaque. Atualmente estima-se que sejam faladas 170 línguas indígenas no Brasil.

Índios Brasileiros
Jesuíta catequizando índios

Estima-se que, em 1500, existiam de 1 milhão a 3 milhões de indígenas no Brasil. Em cinco séculos, a população indígena reduz-se aos atuais 270 mil índios, o que representa 0,02% da população brasileira. São encontrados em quase todo o país, mas a concentração maior é nas regiões Norte e Centro-Oeste.

A Funai registra a existência de 206 povos indígenas, alguns com apenas uma dúzia de indivíduos. Somente dez povos têm mais de 5 mil pessoas.

As 547 áreas indígenas cobrem 94.091.318 ha, ou 11% do país. Há indícios da existência de 54 grupos de índios isolados, ainda não contatados pelo homem branco.

Índios Brasileiros
Índios kaiapó defendem suas terras no Pará

No início da colonização , os índios são escravizados.

O aprisionamento é proibido em 1595, mas a escravização, a aculturação e o extermínio deliberado continuam e resultam no desaparecimento de vários grupos.

A primeira vez em que é feita alusão ao direito dos índios à posse da terra e ao respeito a seus costumes é em 1910, com a criação do Serviço de Proteção ao Índio (SPI) pelo marechal Cândido Rondon . Em 1967, o SPI é substituído pela Fundação Nacional do Índio (Funai).

Na década de 70, surgem Organizações Não-Governamentais (ONGs), que defendem os direitos indígenas.

Fonte: paginas.terra.com.br

Índios Brasileiros

A expressão descobrimento do Brasil; tornou-se comum nos livros de história. Ela se refere ao fato de os portugueses terem encontrado uma terra que era até então desconhecida dos europeus. Mas o Brasil não era uma terra desconhecida e sem donos! Ela era habitada e sua posse distribuída entre diversos grupos entre diversos grupos indígenas que a ocupavam! A idéia de posse e propriedade dos indígenas logicamente não é a mesma da dos portugueses, não tem o mesmo sentido o de propriedade privada.

A posse era coletiva, isto é, não havia um pedaço de terra para cada um ou para cada família, as vastas regiões do Brasil eram ocupadas por nações e tribos.

Havia limites mais ou menos estabelecidos, mas não definidos. As tribos mudavam de lugar de acordo com sua necessidade.

A presença portuguesa foi então uma ocupação, pois julgavam os povos não civilizados como desprovidos dos direitos que eles europeus tinham.

Os europeus se julgavam os donos da civilização e das leis, todos os outros povos deveriam portanto, reger-se pelas normas e leis vigentes na Europa (será que isso mudou hoje em dia ou respeitamos o modo de vida diferente de outras culturas?) Há cinco séculos, os portugueses chegaram ao litoral brasileiro, dando início ao processo de migração que se estenderia até o inicio do século XX, e pouco a pouco foram estabelecendo-se nas terras que eram ocupadas pelos povos indígenas.

Com os índios civilizados e amigos os portugueses formaram uma nova etnia: os mamelucos.

REAÇÕES DOS INDIOS NO BRASIL COLÔNIA

A confederação dos Tamoios Em 1555, os franceses tomaram a Baía de Guanabara, lá se instalara com seus comandados, o almirante Nicolau Durand de Villegaignon, que conseguiu uma aliança com os índios da região, os tamoios, inimigos tradicionais dos tupiniquins.

Não fora difícil aos franceses conquistar os tamoios, homens altivos, que há tempos lutavam contra portugueses, que pretendiam escraviza-los. No começo da década de 60 estremecia o planalto paulista diante das ameaças dos tamoios, quando algumas tribos tupiniquins nos arredores de São Paulo unem-se a eles.

As coisas ficaram difíceis a ponto de obrigar até a transferência dos jesuítas do seu colégio para São Vicente. São Paulo já era uma região cobiçada onde se assentavam muitas hortas, pomares, lavouras de mandioca milho trigo e alguma cana.

Os índios atacam a vila da São Paulo sem conseguir toma-la.

A presença dos francesas aliada aos saques que os colonos faziam as aldeias e tabas dos índios, acabou por estimular uma aliança entre as tribos de Bertioga a Cabo Frio, que reunia também tribos do interior do Vale do Paraíba: era a Confederação dos Tamoios. As investidas dos confederados se multiplicaram.

É quando intervem a experiência do padre Manuel da Nóbrega, que desde 1561 se encontrava em São Vicente, vindo da Bahia. Nóbrega, inimigo da escravização do índio, sente desde logo que há razões de justiça do lado da confederação das tribos e que só uma missão de paz poderá aplaca-la.

Decide, pois, ir em pessoa tentar a paz, para a missão convida o padre Anchieta. Anchieta e Nóbrega ouviram por dias e dias o chefe tamoio Caoquira contar os feitos dos bravos guerreiros de sua tribo, vivos e mortos como era costume entre os índios e fazer suas reclamações.

Caoquirra manda chamar todos os caciques da região. Nos sete meses passados com os índios os jesuítas conseguiram conquistar a paz.

A paz não é duradoura e os tamoios voltam a se confederar e vencem muitas batalhas contra os portugueses, que só conseguem subjuga-los em 1567, quando Estácio de Sá expulsa os franceses e funda um núcleo de povoamento bem fortificado: é São Sebastião do Rio de Janeiro que ali nasce.

CIVILIZAÇÃO E COSTUMES

Os espanhóis como os portugueses encontraram no continente americano, povos diversos, com costumes vários e em diferentes estágios de civilização. Os mais atrasados eram os que povoavam a região do Brasil.

Os índios, que foram os primeiros donos do Brasil, agora são só 344 mil, perdidos em reservas espalhadas pelo país. As primeiras notícias sobre os índios brasileiros chegaram na Europa na primeira metade do século XVI.

Eram histórias de viajantes, náufragos e missionários que viveram nas aldeias indígenas do litoral, basicamente entre grupos do tronco lingüístico tupi (tupiniquins, tupinambás, etc) Os traços culturais destas tribos foram generalizados para todas as tribos do Brasil. Assim durante muito tempo os índios foram considerados como se fossem todos iguais. Hoje sabemos que os indígenas brasileiros não formam um grupo homogêneo.

Assim como a língua, também os costumes, as crenças, as formas de organização familiar e social, as técnicas artesanais, a cultura, enfim , variam muito de um grupo para outro. Podemos encontrar um numero de características mais gerais que se aplicam a muitas tribos mas devemos ter em mente que mesmo tais características não podem ser generalizadas para todos os grupos indígenas do Brasil.

COMO VIVIAM

A organização social básica dos índios é a tribo. Trata-se de um grupo de indivíduos cujas aldeias ocupam uma área próxima, que falam a mesma língua, tem os mesmos costumes e estão ligados uns aos outros por um forte sentimento de unidade. Tal sentimento é tão forte que se mantém unidos mesmo quando não existe nenhum chefe ou conselheiro cuja autoridade se estenda a toda a tribo. O formato das aldeias varia conforme a tribo.

Alguns grupos constroem aldeias em forma de círculo, alguns em forma de ferradura, alguns ainda cuja aldeia se compõe de uma única habitação coletiva. Por necessidades básicas de sobrevivência os índios se deslocam periodicamente para locais onde podem encontrar recursos mais facilmente.

Os povos mais nômades não dispõem de agricultura, nem cerâmica, nem tecidos e não criam animais domésticos. A economia dos índios era principalmente desenvolvida com instrumentos simples visando à prática da caça usando o arco e a flecha e seu cozimento, em artefatos de barro de barro.

A alimentação dos índios era principalmente constituída de peixes, tanto é que foram considerados ótimos nadadores e existem muitas lendas que se referem a lutas entre índios e peixes e muitos mitos que vem das águas. Mas os índios não comiam somente peixes, comiam também bichos e uma das lendas mais engraçadas é que eles não comiam bichos lerdos, pois achavam que estariam comendo a alma deles também e isso faria com que se tornassem lerdos também. A agricultura também fazia em algumas tribos parte de dos costumes indígenas. Eles cultivavam a mandioca, milho, amendoim e o feijão.

Pensem: eles também conheciam as fibras como o algodão para produzir tecidos.

A organização social do índio se baseava principalmente nas tarefas relacionadas ao trabalho, divididas por idade e sexo. As mulheres cuidavam da casa, das crianças, da roça, fabricação de farinha, a fiação de telagens. Os homens jovens eram responsáveis pela defesa da tribo e expedições guerreiras e pela coleta dos alimentos na caça e pesca, pela derrubada da mata e preparação da terra para o plantio, construção de canoas e armas, construção das casas enquanto que os idosos, tanto os homens quanto as mulheres, ficavam sentados dando conselhos e passando aos mais jovens a sabedoria das tradições da tribo.

Uma observação importante a se fazer é que os índios já usavam a queimada para abrir espaços na mata que seriam usados para o cultivo de alimentos. Esta pratica era denominada coivara. Tal sistema é ainda muito utilizado no interior do Brasil.

Geralmente as roças pertencem a toda a tribo e o fruto do trabalho é distribuído entre todos, ou seja os índios faziam parte de um comunismo primitivo. Já os instrumentos de caça e pesca, machados, arcos, flechas, facões, enxadas, etc.. costumam ser propriedades individuais.

Em relação à religião dos índios podemos ressaltar que eles gostavam de rituais, por exemplo, comemoravam a passagem de um grupo ou indivíduo da vida para a morte. Era comemorada a gestação, o nascimento o casamento, a iniciação da vida adulta, etc.

A coisa mais interessante de religião dos índios é que eles não gostavam muito de acreditar em um deus supremo, eles preferiam acreditar em mitos heróis e forças da natureza .Todas as crenças eram passadas de geração em geração.

Ligado com a religião era a medicina dos índios tanto que o pajé que era o mais sábio da tribo ele era o elo de ligação entre a religião e os homens. Praticamente ele era "sacerdote e através da magia era "medico". O principal remédio que ele usava era a auto- ugestão e o carisma dele que atuava através da auto sugestão como remédio para cura das principais doenças indígenas.

Claramente essa não era a único método usado pelo pajé enquanto os índios conheciam muito bem as plantas medicinais e os poderes medicinais delas e muitos medicamentos vegetais que apresentam resultados surpreendentes, como no caso de picadas de cobra, infecção, picadas de mosquito, feridas etc.

Tinham conhecimento de algumas matérias primas como por exemplo na extração do sal, da borracha ,do tecido e até de gases asfixiantes.

COMO OS INDIOS QUASE DESAPARECERAM

O processo de colonização levou á extinção de muitas sociedades indígenas que viviam no território dominado, seja pela ação das armas seja pelo contágio de doenças trazidas dos países europeus para as quais os índios não tinham anticorpos ou ainda, pela aplicação de políticas visando a "assimilação" dos índios 'a nova sociedade implantada, com forte influencia européia.

Embora não se saiba exatamente quantas sociedades indígenas existissem no Brasil 'a época da chegada dos europeus, há estimativas sobre o número de habitantes nativos naquele tempo que variam de 1 a 10 milhões de indivíduos.

Estes números nos dão uma idéia da imensa quantidade de pessoas e sociedades indígenas inteiras exterminadas ao longo destes mais de 500 anos, como resultado de um processo de colonização baseado no uso da força, por meio das guerras e da política de assimilação.

Da mesma que os brancos procuraram a explicação para a origem dos índios estes também elaboraram explicação para a origem do homem branco.

O processo do colonizador do qual os índios brasileiros foram vítimas ocorreu assim: primeiro foram cativados para o trabalho de exploração do pau Brasil em troca de objetos que exerciam fascínio sobre eles; depois veio a escravização e a tentativa de faze-los trabalhar na lavoura da cana de açúcar; suas terras foram sendo tomadas e os que não se submeteram ao colonizador e não conseguiram fugir Brasil adentro, morreram após lutar corajosamente pela sua terra e pela liberdade.

Os índios que conseguiram sobreviver eram descaracterizados pela catequese feita pelos jesuítas e da própria convivência com o homem branco. Com isso muitos foram perdendo sua identidade cultural substituindo suas crenças e costumes pelos valores dos colonizadores.

Transformaram-se assim em seres marginalizados e explorados dentro da sociedade branca.

Fonte: www.sabedoriamistica.com.br

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