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Quilombo dos Palmares

( 1630-1694 )

Zumbi dos Palmares: líder do Quilombo dos Palmares
Zumbi dos Palmares: líder do Quilombo dos Palmares

No período de escravidão no Brasil (séculos XVII e XVIII), os negros que conseguiam fugir se refugiavam com outros em igual situação em locais bem escondidos e fortificados no meio das matas. Estes locais eram conhecidos como quilombos. Nestas comunidades, eles viviam de acordo com sua cultura africana, plantando e produzindo em comunidade. Na época colonial, o Brasil chegou a ter centenas destas comunidades espalhadas, principalmente, pelos atuais estados da Bahia, Pernambuco, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais e Alagoas.

Na ocasião em que Pernambuco foi invadida pelos holandeses (1630), muitos dos senhores de engenho acabaram por abandonar suas terras. Este fato beneficiou a fuga de um grande número de escravos. Estes, após fugirem, buscaram abrigo no Quilombo dos Palmares, localizado em Alagoas.

Esse fato propiciou o crescimento do Quilombo dos Palmares. No ano de 1670, este já abrigava em torno de 50 mil escravos. Estes, também conhecidos como quilombolas, costumavam pegar alimentos às escondidas das plantações e dos engenhos existentes em regiões próximas; situação que incomodava os habitantes.

Esta situação fez com que os quilombolas fossem combatidos tanto pelos holandeses (primeiros a combatê-los) quanto pelo governo de Pernambuco, sendo que este último contou com os ser­viços do bandeirante Domingos Jorge Velho.

A luta contra os negros de Palmares durou por volta de cinco anos; contudo, apesar de todo o empenho e determinação dos negros chefiados por Zumbi, eles, por fim, foram derrotados.

Os quilombos representaram uma das formas de resistência e combate à escravidão. Rejeitando a cruel forma de vida, os negros buscavam a liberdade e uma vida com dignidade, resgatando a cultura e a forma de viver que deixaram na África.

Fonte: www.bibliotecavirtual.sp.gov.br

Quilombo dos Palmares

( 1630-1694 )

No começo do século XVII já existiam aproximadamente 20 mil escravos negros no Brasil. Sofrendo maus tratos e todas provações e privações possíveis, mantinham em comum o forte desejo de liberdade. E, sempre que possível, fugiam do cativeiro. Embrenhando-se na floresta, tratavam de unir-se, para tentar escapar à recaptura. Formavam agrupamentos na selva, verdadeiras aldeias, que ficaram conhecidas como quilombos.

Os fazendeiros promoviam a busca aos "foragidos", organizando "entradas" – expedições que vasculhavam a floresta procurando os insubmissos. Apesar da frequência das entradas, centenas de quilombos foram surgindo, principalmente no Nordeste. Um deles destacou-se pela organização e resistência, mantendo guerra prolongada contra os fazendeiros: foi Palmares.

Já em 1600, um grupo de mais ou menos 45 fugitivos refugiara-se na Serra da Barriga (Estado das Alagoas). Abrigados pelas densas florestas de Palmeiras (daí o nome), os negros evitaram as entradas mandadas à sua procura em 1602 e 1608.

Na floresta foram construindo os primeiros mocambos, choupanas rústicas cobertas de folha de palmeira. Cada mocambo tinha seu chefe, da nobreza africana; mas isso não impediu que alguns, sem ser nobres, conseguissem o posto pela habilidade.

Cada mocambo tinha sua própria organização, com traços em comum como o sistema de defesa, que incluía postos de vigia no meio da mata e caminhos camuflados que interligavam todos os mocambos.

Em 1630 os holandeses invadem Pernambuco, gerando a guerra. Com o caos instalado na região, a fuga de escravos intensificou-se. A maioria dos fugitivos migrou para Palmares, atraídos pela fama do lugar. Nessa época, a população do quilombo chegou a 10 mil habitantes, abrigando também índios e até brancos.

Os holandeses chegaram a dominar todo o litoral nordestino, até a fronteira da Bahia. Por duas vezes tentaram destruir Palmares: em 1644 e 1645, sem sucesso.

Em 1654 foram definitivamente expulsos do Brasil e os portugueses perceberam que destruir Palmares não seria uma tarefa simples.

A prosperidade do Quilombo de Palmares alcançou seu apogeu em 1670. Ocupava grande parte do atual Estado de Alagoas e Pernambuco. Eram aproximadamente 50 mil pessoas distribuídas num território de 260 Km de extensão por 132 Km de largura.

As atividades econômicas do quilombo eram tão desenvolvidas que extrapolavam seus limites, estabelecendo relações comerciais regulares com as vilas e povoados vizinhos. Os quilombolas produziam principalmente produtos agrícolas, além de serem fortes na caça e pesca.

Com a questão dos invasores solucionada, a Corôa e os fazendeiros da região voltaram-se para Palmares. Estes últimos já sentiam a decadência da indústria açucareira e sonhavam com as férteis terras do quilombo, além de toda mão-de-obra gratuita que conseguiriam com os negros capturados.

A partir de 1667 várias entradas foram organizadas para destruir o quilombo. As batalhas eram sangrentas, com baixas nos dois lados, mas sem um vencedor. Em 1674 o novo governador de Pernambuco, Pedro de Almeida, formou uma grande expedição, que incluía índios e uma tropa de negros chamada "Têrço de Henrique Dias", criada originalmente para combater os holandeses. Mais uma vez os combates foram terríveis e novamente terminaram sem vencedor.

Em 1675 um grande exército comandado por Manuel Lopes desmantela um dos mocambos de Palmares, capturando dezenas de negros.

O comandante instala-se no mocambo conquistado e em 1676 recebe auxílio de Fernão Carrilho, outro "notável" estrategista na luta contra quilombolas e índios.

Em 1677, Carrilho ataca de surpresa o mocambo de Aqualtune, derrotando seus surpreendidos moradores. Monta sua base neste mesmo mocambo e inicia uma série de ataques aos vizinhos. Mata Toculos e aprisiona Zambi e Acaiene, todos filhos de Ganga Zumba, rei de Palmares.

Carrilho, animado com suas sucessivas vitórias, investe contra o mocambo de Subupira, mas é surpreendido ao encontrá-lo já destruído pelos próprios palmarinos. Mesmo assim, o comandante consegue capturar Gana Zona, chefe militar de Palmares.

Carrilho, acreditando ter aniquilado o quilombo, funda o Arraial de Bom Jesus e parte, certo de seu sucesso.

Mais prudente, o governador Pedro de Almeida percebe que o enfraquecimento de palmares não significa sua derrota. Temendo a reorganização das forças do quilombo, propõe um acordo de paz a Ganga Zumba. Pelo tratado, Palmares submeteria-se à Coroa Portuguesa. Em troca, teria liberdade administrativa e seria considerada uma vila, onde Ganga Zumba ganharia o cargo de mestre-de-campo.

Acuado e militarmente em desvantagem, o rei de Palmares aceita o acordo.

Mas isto não será o fim do quilombo.

ZUMBI

A decisão de Ganga Zumba não agrada todos os palmarinos. Seus principais opositores são dois importantes chefes de mocambos: Zumbi e Andalaquituche,

Que propõem libertar todos os escravos. Em meio à controvérsia, Ganga Zumba é envenenado e Zumbi torna-se rei.

O governador Pedro de Almeida não desiste de seu intento e numa derradeira tentativa de acordo liberta Gana Zona, mas isso de nada adianta. Uma nova fase se inicia em Palmares.

Zumbi, o novo rei, revela-se um corajoso estrategista militar, derrotando todas as expedições que tentaram derrubar Palmares, entre 1680 e 1691. Suas sucessivas vitórias aumentam sua fama, tornando-o temido e respeitado.

A QUEDA

Souto Mayor, o novo governador, decide organizar um exército exclusivamente para derrotar Zumbi e acabar de vez com Palmares. Para tanto, sela um acordo em 1691 com o sanguinário bandeirante Domingos Jorge Velho, célebre exterminador de índios. Pelo trato, em caso de vitória, Jorge Velho ficaria com um quinto do valor dos negros capturados, além de ganhar terras para serem repartidas entre seus homens.

No ano seguinte, o bandeirante ataca o mocambo Cêrca do Macaco, sede de resistência de Zumbi e sua tropa é arrasada. Pede reforços e recebe apoio de tropas pernambucanas chefiadas pelo capitão Bernardo Vieira de Melo.

Até 1694, o mocambo é mantido sob sítio, mas as investidas do exército são duramente repelidas.

Somente em 6 de fevereiro desse mesmo ano, com reforços redobrados, é que o exército consegue invadir o mocambo e derrotar os quilombolas. Encurralados entre os inimigos e um abismo, muitos pulam para a morte, outro fogem. Os que ficam são dizimados.

Entre os que conseguem escapar está Zumbi. As tropas não desistem e perseguem os sobreviventes um a um, matando-os ou aprisionando-os.

Zumbi só seria localizado um ano depois. Barbaramente morto e esquartejado, teve sua cabeça exposta no centro da cidade de Olinda, como prova final da destruição de Palmares.

Fonte: www.portalafro.com.br

Quilombo dos Palmares

( 1630-1694 )

No Brasil, a exploração colonial resumia-se, em última análise, na exploração do trabalho escravo pelo senhor. Devido ao caráter colonial dessa exploração, é verdade que o próprio senhor não ficava com todo o produto do trabalho escravo. Boa parte da riqueza ia para o Estado na forma de impostos e, também, para os cofres dos comerciantes portugueses. Daí a razão da revolta dos senhores contra o sistema colonial e as autoridades que o representavam. Mas não era apenas a camada dominante que se rebelava. Também os escravos elaboraram meios de resistir contra o seu opressor imediato, isto é, o senhor.

A resistência dos escravos assumiu formas muito variadas: fuga, suicídio, assassinato, passividade no trabalho, etc. Em qualquer uma dessas formas, o escravo negava a sua condição e se contrapunha ao funcionamento do sistema como um todo.

A fuga, entretanto, foi a mais significativa forma de resistência e rebeldia. Não pela fuga em si, mas pelas suas conseqüências: os fugitivos se reuniram e se organizavam em núcleos fortificados no sertão, desafiando as autoridades coloniais. Observemos que, no combate à rebeldia escrava, aliavam-se senhores e autoridades coloniais.

Esses núcleos eram formados por pequenas unidades, os mocambos (reunião de casas), que, no conjunto, formavam os quilombos. Cada mocambo possuía uma chefe, que, por sua vez, obedecia ao chefe do quilombo, denominado zumbi. Os moradores dos quilombos eram conhecidos como quilombolas. Eles se dedicavam ao trabalho agrícola e chegavam a estabelecer relações comerciais com os povos vizinhos.

Palmares foi o maior quilombo formado no Brasil. Localizava-se no estado atual de Alagoas e deve o seu nome à grande quantidade de palmeiras existentes na região.

Sua origem situa-se no início do século XVII, mas foi a partir de 1630, quando a conquista holandesa desorganizou os engenhos, que a fuga maciça de escravos tornou Palmares um quilombo de grandes proporções. Em 1675, a sua população foi avaliada em 20 ou 30 mil habitantes.

Com a expansão dos holandeses em 1654 e a escassez de mão-de-obra aliada ao fato de Palmares funcionar como pólo de atração para outros escravos, estimulando a sua fuga, as autoridades coloniais, apoiadas pelos senhores, decidiram pela sua destruição. Várias expedições foram feitas contra ele, mas nenhuma delas teve sucesso. Foram contratadas então os serviços de um veterano bandeirante, Domingos Jorge Velho. Apoiado por abundante material bélico e homens, os bandeirante contratado conseguiu finalmente destruir Palmares em 1694. Todavia, o chefe do quilombo, Zumbi, não foi capturado na ocasião. Somente um ano depois foi encontrado e executado.

Planta do Quilombo Buraco do Tatu, na Bahia.
Planta do Quilombo Buraco do Tatu, na Bahia.
Os quilombos eram verdadeiras cidades fortificadas, tendo passado para a
história como símbolo da resistência e rebeldia dos escravos.

Fonte: www.redescobrindoobrasil.hpg.ig.com.br

Quilombo dos Palmares

(1630-1694)

Maior e mais importante Quilombo do Brasil, ocupou uma área de aproximadamente 400 km2, onde atualmente estão localizados os estados de Alagoas e Pernambuco. Foi um Estado independente dentro da Colônia, formado por escravos negros fugidos que se organizaram, em aldeias, para produzir e resistir à escravidão.

Durou entre 1630 e 1695. Seu primeiro Rei foi Gangazumba que terminou envenenado e foi substituído por Zumbi, o mais famoso herói da resistência negra.

Sofreu várias investidas (sendo duas delas durante o domínio holandês), mas só caiu em 1694, quando tropas comandadas, entre outros, pelo paulista Domingos Jorge Velho venceram sangrenta batalha de 22 dias, massacraram várias aldeias e fizeram mais de 500 negros prisioneiros.

Zumbi conseguiu fugir, refugiou-se com 20 companheiros na mata, mas depois foi descoberto e morreu lutando, a 20-11-1695.

Fonte: www.pe-az.com.br

Quilombo dos Palmares

( 1630-1694 )

A origem de Palmares é anterior a 1600. Não se sabe exatamente o ano. Sabe-se que os escravos de um engenho se rebelaram, e tomaram o engenho. Ficaram então diante de um problema: se ficassem no engenho, seriam esmagados pelas tropas do governo. Se levantassem aldeias no litoral, ficariam livres por um certo tempo, mas seriam apanhados mais cedo ou mais tarde pelos capitães do mato. Os escravos decidiram então ir para uma região desconhecida, perigosa e temida pelos brancos: a região de Palmares. O nome "Palmares" foi dado porque havia mata fechada, sem luz, cheia de mosquitos e animais perigosos. A floresta se estendia por muitas serras, cercadas por precipícios. Homens, mulheres e crianças caminharam por muito tempo pela floresta, até escolherem um lugar para fundar uma aldeia. O lugar escolhido, na serra da Barriga, foi o início da República dos Palmares.

No começo, viviam de caça, pesca, coleta de frutos. Para os africanos isso era voltar para trás, pois na África tinham sido povos agricultores, pastores, artesãos, comerciantes e artistas. Era preciso de mais gente em Palmares, pois com mais braços seria possível desenvolver mais o quilombo. Pouco a pouco a população de Palmares aumentou. E a produção econômica também. Havia palmarinos com muitos conhecimentos de metalurgia do ferro, com técnicas trazidas da África. Agora, em Palmares, podiam criar, com seu conhecimento, o que era necessário ao quilombo. Também houve crescimento na agricultura.

Palmares chegou a ter onze povoações conhecidas, os quilombos chegaram a cobrir uma área de 350 quilômetros, de norte a sul, em terras que hoje pertencem ao estado de Pernambuco e ao estado de Alagoas. As principais vilas perto de Palmares eram Porto Calvo, Alagoas, São Miguel, Una, Ipojuca e Serinhaém. Desde seu início, Palmares estava aberto a todos os perseguidos pelo sistema colonial. Vinham para Palmares negros com as mais diferentes origens africanas, inclusive com diferentes tradições religiosas e de costumes. Vinham índios, vinham brancos pobres, vinham mestiços. Os quilombolas não tinham preconceito de cor ou raça. O que os unia era o fato de que todos eram pobres, oprimidos e explorados.

Dentro dos povoados palmarinos havia uma rua. Os maiores tinham três a quatro ruas. Ao longo da rua havia casas de madeiras, cobertas com folhas de palmeiras. No centro havia um largo, com uma casa de conselho, uma capela, oficinas dos artesãos, mercado e poço.

Cada povoação tinha um chefe, escolhido por sua força, inteligência e habilidade. Tinha também um conselho, que controlava o chefe. As decisões sobre os problemas mais complicados eram tomadas em uma assembléia geral, da qual participavam todos os adultos da povoação. Havia leis rigorosas, com pena de morte para roubo, adultério, homicídio e deserção. A língua falada era uma língua própria, misturando português, línguas africanas e indígenas. Na religião, combinavam elementos das religiões africanas e cristã. As capelas tinham imagens dos dois tipos. A presença da língua portuguesa e da religião cristã nos quilombos, misturada com outras línguas e religiões, se deve a muita coisa. Uma das coisas que se pode dizer é que provavelmente serviam para unificar pessoas que vinham de culturas muito diferentes. Isto é, na África, os negros que agora estavam em palmares tinham pertencido a tribos diferentes, e até mesmo inimigas. E a religião e a língua de Palmares tinham de incluir a todos, sem privilegiar uma tribo em prejuízo de outra. Para isto, os negros pegavam no "cristianismo" aquilo que eles têm de libertados e jogavam fora o "cristianismo" que era ensinado pelos padres nas senzalas, ensinando o escravo a ser passivo e submisso ao senhor de engenho.

Em 1602 houve uma primeira perseguição contra Palmares. Quem ia nas expedições contra Palmares sempre buscava com isso conseguir vantagens pessoais. Havia senhores de engenho, interessados em arrebentar uma rebelião de escravos. Havia oficiais militares, interessados em impressionar o rei de Portugal e ganhar alguma coisa em troca. A maioria da tropa era formada por mamelucos, brancos pobres e negros libertos, que pretendiam capturar negros e depois vendê-los. Havia também índios, que se contentavam com pequenos presentes. Alguns pretendiam capturar negros para comerem. Todos esses pobres buscavam melhorar um pouco a miséria em que viviam.

Essa primeira expedição voltou dizendo que tinha destruído totalmente o quilombo. Aliás, as expedições seguintes, por anos e anos, sempre voltavam dizendo isso. E sempre era falso. Logo vinham notícias das atividades dos palmarinos nas redondezas.

Em 1630 os holandeses invadiram a capitania de Pernambuco. Até certo ponto, Palmares saiu ganhando com isso, porque os portugueses passaram a guerrear com os holandeses. Quando os holandeses invadiram Olinda, e as tropas portuguesas se retiraram, os escravos saem às ruas, incendiando a cidade. As tropas holandesas entram na cidade, apagam o incêndio e saqueiam a cidade por 24 horas.

Os portugueses e os senhores de engenho organizam a defesa contra os holandeses, utilizando a guerra de guerrilhas. Mas em 1635 os holandeses conseguem vencer a resistência.

Os portugueses enfrentam duas frentes de batalha: de um lado os holandeses, de outro os escravos e os índios. Muitos índios se passam para o lado dos holandeses, contra os portugueses, descarregando sobre estes toda crueldade de que haviam sido vítimas. Uns poucos permanecem com os portugueses, sob o comando de Felipe Camarão, a maioria por dinheiro. Os negros, entretanto, não escolhem nem portugueses, nem holandeses. Sabiam que nenhum dos dois era flor que se cheirasse. Na Bahia, os holandeses haviam tido apoio de negros, e depois os entregaram aos portugueses para serem novamente escravos. Foi uma das muitas guerras, onde ricos usaram pobres.

Em 1644, o governador holandês Mauricio de Nassau enviou uma primeira expedição contra Palmares. Pouco conseguiu. Em 1645, Nassau organizou outra expedição contra Palmares, comandada por um especialista em guerra de emboscada. Foi um fracasso total. A expedição nem conseguiu avistar o inimigo, encontrou apenas duas aldeias abandonadas. Outra expedição parte. Fez alguns prisioneiros, que foram repartidos entre soldados. Ainda em 1655 houve mais duas outras expedições, uma armada pelos senhores de engenho, outra pelo governador; ambas sem resultados.

Em 1674, o governador de Pernambuco começa a preparar uma grande expedição. Promete aos voluntários a propriedade dos negros presos; manda vir índios da Paraíba e do Rio Grande do Norte e convoca os negros organizados sob o comando de Henrique Dias, cuja tropa chama-se "Terço dos Henriques". Mas a expedição novamente fracassa. Quando o governador convidou-os à atacar Palmares, em 1675, eles não aceitaram. Estavam acostumados a caçar índios, que se expunham aos ataques, mesmo com inferioridade de armas, e morriam assim aos milhares. Já os negros eram tão hábeis na guerra que haviam derrotado grandes militares de Pernambuco. Os negros tinham táticas de recuo, de emboscada, de fortificação e muitas armas. Assim, o governador organiza outras expedições com gente da região, mas sem sucesso.

Em 1676 partem novas expedições. Em uma delas, são capturados parentes de Ganga-Zumba. Os portugueses propõem a seguinte negociação: garantia de terra, direitos, e liberdade aos negros que se rendessem. No dia 18 de junho de 1678, entra em Recife uma embaixada de Palmares, com quinze pessoas, incluindo três filhos de Ganga-Zumba, para fazer acordo. Era uma traição aceitar este acordo, pois ele dizia que os negros nascidos fora de Palmares voltariam à escravidão. Mas Ganga-Zumba aceitou o acordo. Houve muita luta dentro de Palmares. Uma pequena parte da população acompanhou Ganga-Zumba. Em novembro do mesmo ano, Ganga - Zumba foi a Recife, confirmar pessoalmente o acordo. Foi recebido solenemente pelo governador. Pouco depois, partia para Cucaú, distante 32 quilômetros de Serinhaém, onde viveriam nas novas terras prometidas pelo acordo. Enquanto isso, o governador distribuiu 150 léguas de terras palmarinas a grandes proprietários pernambucanos. Como sempre, os livres e pobres que esperavam terras como recompensa, nada receberam. Mas nem os "premiados" conseguiram tomar posse de "suas" terras. Quando tentaram nelas entrar, foram violentamente repelidos pelos palmarinos.

Palmares não havia morrido. Foi apenas uma pequena parte que acompanhou Ganga-Zumba. A maioria ficou, agora sob comando de um general que lutaria até a morte pela liberdade dos negros: Zumbi.

Muito jovem ainda, Zumbi já era chefe de uma das povoações. Na época do acordo feito com Ganga-Zumba, 1678, Zumbi era também chefe das forças armadas de Palmares. No entanto, a classe dominante procurou ocultar a grandeza. Hoje, o nome "Zumbi" é visto como nome de assombração, saci ou diabo. Isso porque Zumbi assumiu a luta de seu povo. E os bandeirantes, que na verdade foram uns selvagens, são vistos como heróis. Muitos chefes militares importantes desertaram junto com Ganga-Zumba. Era um grande perigo para os que ficavam, pois os portugueses poderiam ter informações completas sobre a organização de Palmares. Então Zumbi reorganiza toda a vida de Palmares, em função da guerra, que mais cedo ou mais tarde certamente viria.

Em 1692, o bandeirante Jorge Velho chega a Palmares, ataca, mas é combatido pelos palmarinos, que o obrigam a recuar. Cego e ódio, o bandeirante descarregou sua loucura degolando duzentos índios. Ainda em 1692, o padre Antônio Vieira escreve ao rei de Portugal, dizendo que não havia nenhuma possibilidade de negociação com os "quilombas". Se continuassem livres em Palmares, em paz, seria um exemplo aos escravos. O único jeito era destruir Palmares totalmente. O governo anunciou que os voluntários receberiam comida para guerrear contra Palmares. Os padres, nas missas, pregam o dever de todos de participar da "cruzada contra Palmares". E a tropa que se formou, em 1694, tinha nove mil homens. Chegando a Macaco, a tropa tem uma grande surpresa. A povoação estava incrivelmente defendida. Por dois dias, o exército fica sem saber o que fazer. Tenta dois ataques, fracassados, e encomenda novos reforços.

Chegam os reforços, trazendo também canhões, que eram um tipo novo de arma. Houve uma grande batalha, e Macaco foi incendiada. Os palmarinos lutavam bravamente. Os sobreviventes entravam na mata. Domingos Jorge Velho fica em Palmares, e aproveita para saquear as fazendas locais. Havia vários grupos negros, armados no mato. Um deles era chefiado por Antônio Soares, que foi capturado pelos paulistas André Furtado de Mendonça. Foi torturado e delatou o esconderijo de Zumbi, em troca de liberdade e vida. Antônio Soares chega ao esconderijo, na mata. Zumbi o recebe de braços abertos, mas é retribuído com um punhal na barriga. Os paulistas atacam, e os negros não se rendem, preferindo morrer. Assim, em 20 de novembro de 1695 morre Zumbi. Sua cabeça foi cortada e exposta em praça pública, em Recife.

Vários palmarinos foram para a Paraíba, onde, com outros negros e índios, fundaram o quilombo Cumbe, que era muito combativo, e sobreviveu até 1731. Outros grupos negros permanecem no litoral, chefiados por Camoanga, atacando povoações para sobreviver.

As terras de Palmares foram divididas entre senhores de engenho.Mas até 1710, grupos armados negros combatiam na região. As terras ficaram abandonadas, transformadas em grandes latifúndios. Muitos perseguidos e lavradores sem terras buscaram refúgio nas matas de Palmares.

Fonte: www.ritosdeangola.com.br

Quilombo dos Palmares

( 1630-1694 )

O mais importante quilombo do período colonial chegou a concentrar mais de 20 mil negros, fugitivos das fazendas da região que se negavam a obedecer às ordens dos senhores brancos. Ocupando uma extensa área entre Pernambuco e Alagoas, Palmares se constituiu numa confederação de mocambos - aldeamento de escravos evadidos - organizada sob a direção de um chefe guerreiro. Zumbi, que substituiu Ganga-Zumba depois deste assinar um acordo com o governador Pedro de Almeida, foi o maior líder da resistência.

Em Palmares, além de escapar da escravidão, os negros refugiados tentavam recuperar suas raízes culturais. Eles plantavam, criavam porcos e galinhas e até produziam excedentes agrícolas, e essa fartura de alimentos lhes possibilitou resistir aos ataques das autoridades coloniais durante cerca de 100 anos - de 1590, quando surgiram as primeiras notícias dos ajuntamentos, a 1694, quando o quilombo foi destruído. Zumbi, ferido, escapou do ataque e continuou a resistência, mas foi traído por seu homem de confiança e morto no ano seguinte. Decepado, sua cabeça foi enviada a Recife e exposta em praça pública. Com sua morte sepultou-se o sonho de liberdade daqueles ex-escravos. A abolição da escravatura no Brasil só ocorreria em 1888.

Fonte: www.mre.gov.br

Quilombo dos Palmares

(1630-1694)

O Quilombo dos Palmares foi provavelmente o maior quilombo já formado no Brasil, sendo dirigido pelo escravo fugido Zumbi dos Palmares. O quilombo passa a ser atacado insistentemente pelo exército paulista e por volta do ano de 1710 o quilombo se desfaz por completo.

Origens

Os primeiros registros do Quilombo datam 1580 e são de pequenos acampamentos formados por escravos fugitivos na Serra da Barriga, um local de acesso relativamente difícil, que era escolhido por estes como esconderijo.

Mas o crescimento começou a se dar quando, devido à União Ibérica, o comércio de açúcar com os holandeses foi prejudicado, e estes decidiram invadir a colônia. Foram montadas tropas para proteger a colônia da invasão, sendo oferecida a alforria para os escravos que lutassem contra os holandeses. Muitos dos negros alforriados aproveitavam a primeira oportunidade para fugir em direção a Palmares.

O Quilombo dos Palmares foi uma das maiores organizações de escravos negros foragidos das fazendas. Estruturou-se no período colonial e resistiu por quase um século. No final do século XVI o Quilombo dos Palmares ocupava uma vasta área coberta de palmeiras, que se estendia do Cabo de Santo Agostinho ao Rio São Francisco. Em fins do século XVII o território foi reduzido à região de Una e Serinhaém, em Pernambuco, Porto Calvo e São Francisco, atual Penedo, em Alagoas. Os escravos organizaram um verdadeiro Estado, nos moldes africanos, com o quilombo constituído de povoações diversas, mocambos, governados por oligarcas sob a chefia suprema do rei Ganga Zumba. Zumbi, seu sobrinho, herdou a liderança do quilombo por valor pessoal e combatividade.

Ganga Zumba

Quando os Holandeses foram expulsos em 1654, a produção açucareira voltou a prosperar, e com isso a necessidade de mão-de-obra escrava aumentou e com ela a aquisição de novos escravos.

Quanto mais escravos aportavam em terras brasileiras, mais fugas ocorriam. Dado o elevado preço dos escravos, ataques a Palmares começaram a ser feitos visando a captura de negros. Segundo algumas fontes, um desses capturados foi um pequeno jovem que voltaria 15 anos depois e seria Zumbi, o mais famoso lider do quilombo.

Durante essa época o quilombo era governado por Ganga Zumba, um líder que fez as aldeias crescerem e que implementou táticas de guerrilha na defesa do território.

Tais táticas foram suficientes para que em 1677 Fernão Carrilho oferecesse um tratado de paz com Palmares, reconhecendo a liberdade dos nascidos no quilombo e dando a eles terras inférteis na região de Cocaú. Grande parte dos quilombolas rejeitou o acordo, nitidamente desfavorável, e uma enorme rixa surgiu entre eles, rixa esta que culminou com o envenenamento de Ganga Zumba e da ascensão ao poder de Ganga Zona, seu irmão e aliado dos brancos.

Com esse quadro insustentável para os negros, o acordo foi rompido e a maioria voltou para Palmares, nesse momento já liderados por Zumbi.

Zumbi

Inicialmente Zumbi substituiu a defensiva tática de guerrilha por uma estratégia de ataques de surpresa constantes a engenhos, libertando escravos e se apoderando de armas e outros materiais que pudessem ser úteis para novos ataques.

Com o tempo começou-se a desenvolver um comércio entre quilombolas e colonos, de tal forma que estes últimos chegavam a alugar terras para plantio e trocar alimentos por munição com os negros.

São atribuídas a Zumbi uma grande inteligência e habilidade para guiar o seu povo tanto na frente de batalha quanto empreendendo a parte administrativa dos Quilombos. Diante dessa prosperidade a coroa tinha que tomar alguma medida imediata para afirmar seu poder na região. Numa carta à coroa portuguesa, o governador-geral da região confidencia que os Quilombos são mais difíceis de vencer até mesmo que os neerlandeses.

O fim do Quilombo

Após várias investidas, relativamente infrutíferas contra a nação de Zumbi,o governador-geral contratou o experiente bandeirante Domingos Jorge Velho para conter e exterminar de vez a ameaça dos escravos fugitivos na região.

Mesmo ele teve grandes dificuldades em vencer as táticas dos quilombolas, muito mais elaboradas que a dos índios com quem tivera contato. Também encontrou problemas para contornar a inimizade criada com os colonos da região, que foram roubados por suas tropas por certas vezes.

Em janeiro de 1694, após um ataque frustrado, o seu exército começou uma empreitada vitoriosa. Um quilombola, Antonio Soares, foi capturado e Domigos Jorge Velho promete que dizendo o esconderijo de Zumbi ele ficaria livre. Conclusão, Zumbi foi capturado em uma emboscada que causou sua morte em 20 de novembro de 1695. A cabeça de Zumbi foi cortada e levada para Recife, e exposta em praça pública em cima de um mastro, para servir de exemplo para os outros escravos. Diziam os sobreviventes de Palmares que Zumbi tinha virado um inseto e que quando acontecia uma injustiça ele voltava para fazer justiça.

Curiosidades

É muito comum a idéia de Palmares como um acampamento único e superpopuloso, mas essa idéia cultivada pelo imaginário popular e incentivada por algumas obras de ficção é errônea. Na verdade o quilombo era um conglomerado de uma de dezena de aldeias menores que ocupou vastas terras no nordeste brasileiro e eram separados geograficamente por quilômetros de distância.

Fonte: pt.wikipedia.org

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