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Revolução Farroupilha

 

(1835 - 1845)

Causas

O Rio Grande do Sul foi palco das disputas entre portugueses e espanhóis desde o século XVII. Na idéia dos líderes locais, o fim dos conflitos deveria inspirar o governo central a incentivar o crescimento econômico do sul, como pagamento às gerações de famílias que se voltaram para a defesa do país desde há muito tempo. Mas não foi isso que ocorreu.

A partir de 1821 o governo central passou a impor a cobrança de taxas pesadas sobre os produtos rio-grandenses, como charque, erva-mate, couros, sebo, graxa, etc.

No início da década de 30, o governo aliou a cobrança de uma taxa extorsiva sobre o charque gaúcho a incentivos para a importação do importado do Prata.

Ao mesmo tempo aumentou a taxa de importação do sal, insumo básico para a fabricação do produto. Além do mais, se as tropas que lutavam nas guerras eram gaúchas, seus comandantes vinham do centro do país. Tudo isso causou grande revolta na elite rio-grandense.

A revolta

Em 20 de setembro de 1835, os rebeldes tomam Porto Alegre, obrigando o presidente da província, Fernandes Braga, a fugir para Rio Grande. Bento Gonçalves, que planejou o ataque, empossou no cargo o vice, Marciano Ribeiro. O governo imperial nomeou José de Araújo Ribeiro para o lugar de Fernandes Braga, mas este nome não agradou os farroupilhas (o principal objetivo da revolta era a nomeação de um presidente que defendesse os interesses rio-grandenses), e estes decidiram prorrogar o mandato de Marciano Ribeiro até 9 de dezembro. Araújo Ribeiro, então, decidiu partir para Rio Grande e tomou posse no Conselho Municipal da cidade portuária. Bento Manoel, um dos líderes do 20 de setembro, decidiu apoiá-lo e rompeu com os farroupilhas.

Bento Gonçalves então decidiu conciliar. Convidou Araújo Ribeiro a tomar posse em Porto Alegre, mas este recusou. Com a ajuda de Bento Manoel, Araújo conseguiu a adesão de outros líderes militares, como Osório. Em 3 de março de 36, o governo ordena a transferência das repartições para Rio Grande: é o sinal da ruptura. Em represália, os farroupilhas prendem em Pelotas o conceituado major Manuel Marques de Souza, levando-o para Porto Alegre e confinando-o no navio-prisão Presiganga, ancorado no Guaíba.

Os imperiais passaram a planejar a retomada de Porto Alegre, o que ocorreu em 15 de julho. O tenente Henrique Mosye, preso no 8o. BC, em Porto Alegre, subornou a guarda e libertou 30 soldados. Este grupo tomou importantes pontos da cidade e libertou Marques de Souza e outros oficiais presos no Presiganga. Marciano Ribeiro foi preso e em seu lugar foi posto o marechal João de Deus Menna Barreto. Bento Gonçalves tentou reconquistar a cidade duas semanas depois, mas foi batido. Entre 1836 e 1840 Porto Alegre sofreu 1.283 dias de sítio, mas nunca mais os farrapos conseguiriam tomá-la.

Em 9 de setembro de 1836 os farrapos, comandados pelo General Netto, impuseram uma violenta derrota ao coronel João da Silva Tavares no Arroio Seival, próximo a Bagé. Empolgados pela grande vitória, os chefes farrapos no local decidiram, em virtude do impasse político em que o conflito havia chegado, pela proclamação da República Rio-Grandense. O movimento deixava de ter um caráter corretivo e passava ao nível separatista.

A República

Bento Gonçalves, então em cerco a Porto Alegre, recebe a notícia da proclamação da República e da indicação de seu nome como candidato único a presidente. Decide então contornar a capital da província para se juntar aos vitoriosos comandados de Netto. Quando vai atravessar o rio Jacuí na altura da ilha de Fanfa, tem seus mais de mil homens emboscados por

Bento Manuel e pela esquadra do inglês John Grenfell. Bento Gonçalves, Onofre Pires, Pedro Boticário, Corte Real e Lívio Zambeccari, os principais chefes no local, são presos, e a tropa é desbaratada. O governo imperial, após esta vitória, oferece anistia aos rebeldes para acabar de vez com o conflito. Netto, contudo, concentrou tropas ao recorde Piratini, a capital da República, e decidiu continuar a luta.

Sede do governo em Piratini

Bento Gonçalves foi escolhido presidente da República, mas enquanto não retornasse, Gomes Jardim assumiu o governo, organizando a estrutura dos ministérios. Foram criados seis: Fazenda, Justiça, Exterior, Interior, Marinha e Guerra. Cada ministro cuidava de dois ministérios por medida de economia.

Em fins de 1836, sem seu líder e com o governo central fazendo propostas de anistia, a revolução estava perdendo a força, mas no início de 1837 o Regente Feijó nomeou o brigadeiro Antero de Brito para presidente da província. Este, acumulando o cargo de Comandante Militar, passou a perseguir os simpatizantes do movimento em Porto Alegre e tratar os farrapos com dureza. Mas estes atos devolveram o ânimo aos rebeldes, que conseguiram a partir daí uma série de vitórias. A cavalaria imperial desertou em janeiro de 1837 em Rio Pardo, e Lages, em Santa Catarina, foi tomada logo após. Em março, Antero de Brito mandou prender Bento Manoel, por achá-lo pouco rígido com a República. Mas Bento Manoel resolveu prendê-lo e passar novamente para o lado farroupilha. Um mês após, Netto, com mais de mil homens, tomou o arsenal imperial de Caçapava, capturando armas de todos os tipos e ganhando a adesão de muitos soldados da guarnição local. E em 30 de abril, Rio Pardo, então a mais populosa cidade da província, foi tomada.

Em outubro, chegou a notícia de que Bento Gonçalves havia fugido do Forte do Mar, em Salvador, vindo a assumir a presidência em 16 de dezembro. Era o auge da República. A diminuição dos combates, a estruturação dos serviços básicos - correios, política externa, fisco - davam a impressão de que o Estado Rio-Grandense estava em vias de consolidação.

Mas 1838 não foi o ano da vitória como esperavam os farrapos. Apesar de mais uma vitória em Rio Pardo, o fracasso na tentativa de tomar Rio Grande e a falta de condições de conquistar Porto Alegre abatem as esperanças dos republicanos. A maioria das vitórias farrapas neste ano foram em combates de guerrilha e escaramuças sem importância estratégica. Com Piratini ameaçada, a Capital é transferida para Caçapava em janeiro de 1839.

Garibaldi

Em 24 de janeiro de 1837, Guiseppe Garibaldi saiu da prisão onde fora visitar Bento Gonçalves carregando uma carta de corso que lhe dava o direito de apresar navios em nome da República Rio-Grandense, destinando metade do valor da carga para o governo da República. Ainda no Rio, ele toma o navio "Luiza", rebatizando-o de "Farroupilha". É o primeiro barco da armada Rio-Grandense. Depois de muitas aventuras (prisão no Uruguai, tortura em Buenos Aires), Garibaldi apresenta-se em Piratini em fins de 1837. Ao chegar à capital farroupilha, ele recebe uma missão: construir barcos e fazer corso contra navios do império. Dois meses depois, ele apresenta dois lanchões: o "Rio Pardo" e o "Independência". Mas havia um grande problema: a ausência de portos. Com Rio Grande e São José do Norte ocupadas pelo inimigo, e Montevidéu pressionada pelo governo imperial, os farrapos planejam a tomada de Laguna, em Santa Catarina. A idéia era um ataque simultâneo por mar e por terra. Mas como sair da Lagoa dos Patos? John Grenfell atacou o estaleiro farrapo, mas Garibaldi escapou com os Lanchões "Farroupilha" e "Seival" pelo rio Capivari, a nordeste da Lagoa. Daí resultou o mais fantástico acontecimento da guerra, e talvez um dos lances de combate mais geniais da história.

Travessia dos lanchões sobre rodas

Foram postas gigantescas rodas nos barcos, e eles foram transportados por terra, levados por juntas de bois, até Tramandaí, a aproximadamente 80km do ponto de partida. O transporte foi feito através de campos enlameados pelas chuvas de inverno.

O ataque é feito de surpresa, com Davi Canabarro por terra e Garibaldi a bordo do "Seival" (o Farroupilha naufragou em Araranguá-SC) e resulta na conquista da cidade e na apreensão de 14 navios mercantes, que são somados ao "Seival", e armas, canhões e fardamentos. Em 29 de julho de 1839 é proclamada a República Juliana, instalada em um casarão da cidade. Mas o

sonho durou apenas quatro meses. Com a vitória de Laguna, os farrapos resolveram tentar a conquista de Desterro, na ilha de Santa Catarina. Mas são surpreendidos em plena concentração e batem em retirada, com pesadas perdas materiais. Os navios de corso, contudo, vão mais longe.O "Seival", o "Caçapava" e o novo "Rio Pardo" vão até Santos, no litoral paulista. Encontrando forças superiores, voltam para Imbituba-SC.

Em 15 de novembro de 1839, um ataque pesado a Laguna, com marinha, infantaria e cavalaria resulta na destruição completa da esquadra farroupilha e na retomada da cidade. Todos os chefes da marinha rio-grandense são mortos, com exceção de Garibaldi. Davi Canabarro recua até Torres, enquanto outra parte das forças terrestres vai para Lages, onde resistem até o começo de 1840.

Declínio

Em 1840 começou a decadência da revolução. Enquanto a maioria das forças rio-grandenses se concentrava no sítio a Porto Alegre, a capital, Caçapava, era atacada de surpresa. Os líderes farrapos consideravam Caçapava quase inexpugnável, em virtude do difícil acesso à cidade. A partir daí, os arquivos da República foram colocados em carretas de bois pelas estradas. Foi o tempo da "República andarilha", até que Alegrete foi escolhida como nova capital. Em Taquari, farroupilhas e imperiais travaram a maior batalha da guerra, com mais de dez mil homens envolvidos. Mas não teve resultados decisivos. São Gabriel foi perdida em junho, e alguns dias depois o General Netto só escapa do imperial Chico Pedro graças sua destreza como

cavaleiro. Em julho, novo fracasso farroupilha, desta vez em São José do Norte. Bento Gonçalves começa a pensar na pacificação. Em novembro é a vez de Viamão cair, morrendo no combate o italiano Luigi Rossetti, o criador do jornal "O Povo" órgão de imprensa oficial da república. Para piorar a situação, em janeiro de 1841, Bento Manoel discordou de algumas promoções de oficiais e abandonou definitivamente os farrapos.

Capa da primeira edição do jornal "O Povo"

Caxias

A partir de novembro 1842 o conflito é dominado pela estrela de Luís Alves de Lima e Silva, o Barão (depois Duque) de Caxias. Nomeado presidente da província como a esperança do Imperador para a paz, Caxias usou do mesmo estilo dos farrapos para ganhar o apoio da população. Nomeou como comandantes militares Bento Manoel e Chico Pedro, dois oficiais do mesmo estilo, priorizou a cavalaria, e espalhou intrigas entre os farrapos sempre que pôde. Tratou bem a população dos povoados ocupados e empurrou os farroupilhas para o Uruguai. Estes ainda fizeram outra grande tentativa, atacando São Gabriel em 10 de abril de 1843 e, em 26 do mesmo mês, destroçaram Bento Manoel em Ponche Verde. Mas esta foi a última vitória dos farrapos.

Em dezembro de 42 reuniu-se em Alegrete a Assembléia Constituinte, sob forte discussão política. era forte a oposição a Bento Gonçalves. Durante 1843 e 1844, sucederam-se brigas entre os farrapos. Numa destas o líder oposicionista Antônio Paulo da Fontoura foi assassinado. Onofre Pires acusou Bento Gonçalves de ser o mandante. Este respondeu com o desafio a um duelo. Neste duelo (28 de fevereiro de 1844) Onofre é ferido, e veio a falecer dias depois.

Paz

Ainda em 1844 Bento Gonçalves iniciou conversações de paz, mas retirou-se por discordar

de Caxias em pontos fundamentais, assumindo o seu lugar Davi Canabarro. Os farrapos queriam assinar um Tratado de Paz, mas os imperiais rejeitavam, porque tratados se assinam entre países, e o Império não considerava a República um Estado. Caxias contornou a situação, agradando os interesses dos farroupilhas sem criar constrangimentos para o Império.

Obelisco comemorativo ao acordo de Ponche Verde

Mas no final das contas os farrapos já não tinham outra saída senão aceitas as condições de Caxias.

A pacificação foi assinada em 1o. de Março de 1845 em Ponche Verde, e tinha como principais pontos:

O Império assumia as dívidas do governo da República;

Os farroupilhas escolheriam o novo presidente da província - Caxias;

Os oficiais rio-grandenses seriam incorporados ao exército imperial nos mesmos postos, exceto os generais;

Todos os processos da justiça republicana continuavam válidos;

Todos os ex-escravos que lutaram no exército rio-grandense seriam declarados livres (mas muitos deles foram reescravizados depois);

Todos os prisioneiros de guerra seriam devolvidos à província.

Além do mais, o charque importado foi sobretaxado em 25%.

Terminou assim a Guerra dos Farrapos, que apesar da vitória militar do Império do Brasil contra a República Rio-Grandense, significou a consolidação do Rio Grande como força política dentro do país.

Fonte: www.pampasonline.com.br

Revolução Farroupilha

A Revolução Farroupilha foi a mais longa guerra civil da história brasileira, durando de 1835 até 1845, foram dez anos de batalhas entre Imperialistas e Republicanos, os primeiros defendiam a manutenção do império e os segundos lutavam pela proclamação da república brasileira.

Causas

A) Econômicas

O Rio Grande do Sul, estava esgotado pela sequência de guerras, a última das quais tinha sido a campanha da Cisplatina, com as estâncias e charqueadas produzindo pouco, com os rebanhos esgotados e sem que o império brasileiro pagasse as indenizações de guerra, apesar de locupletar-se com as exportações de café e açúcar do centro do País. Os impostos sobre o gado em pé e sobre a arroba de charque - principais produtos da Província - eram escorchantes. Todos os produtos da pecuária pagavam dízimo. Cada arroba exportada pagava 600 réis de taxa e cada légua de campo pagava 100 mil réis de imposto anual. O pior, porém é que o centro do Brasil preferia comprar o charque platino ao invés do rio-grandense que era produzido pelo braço escravo das charqueadas.

E, portanto, caro. O charque uruguaio ou argentino, fruto do braço assalariado nos intervalos das infindáveis guerras e revoluções do Prata, era vendido no Rio de Janeiro e São Paulo bem mais barato que o charque rio-grandense.

Não se deve nessa época falar em contrabando, porque a fronteira sul do Rio Grande era indefinida. Até bem pouco a Cisplatina era província do império e muitos estancieiros brasileiros ou orientais tinham campos no Uruguai e também no Rio Grande e mesmo tarde delimitadas, sendo impossível dizer onde terminava o Brasil e onde começava a República Oriental do Uruguai - em organização.

B) Sociais

O Rio Grande do Sul tinha 14 municípios e cidades com suas vilas respectivas, uma população de aproximadamente 150 mil pessoas entre brancos, escravos e índios. Não havia uma escola pública, uma ponte construída ou uma estrada em boas condições. Apesar do seu continuado sacrifício nas guerras de fronteiras e apesar da riqueza que o café acumulava na Corte, apesar da sangria na sua população masculina dizimada pelas guerras, apesar do luto constante das mulheres gaúchas, o Rio Grande do Sul não merecia qualquer atenção ou reconhecimento por parte do império. O descontentamento era geral.

C) Políticas

O movimento farroupilha foi um dos muitos movimentos liberais que sacudiram a Regência na 1ª metade do século XIX, na década de 30, e alcançou de fato ser a primeira experiência republicana em território do Brasil.

Exaltados pela independência, os brasileiros se dividiam entre Liberais e Conservadores, havendo nas duas grandes facções subfacções de orientação diversa. Os liberais não apenas no Rio Grande do Sul eram chamados "farroupilhas", palavra do português castiço para designar esfarrapados. No Rio Grande do Sul os gaúchos abrasileiraram o termo, usando mais frequemtemente a expressão "farrapos". De uma maneira geral os maçons dominaram o Partido Liberal no Rio Grande do Sul, adeptos da maçonaria francesa, de inspiração republicana, que prejugava a independência dos três poderes: o Legislativo, o Executivo e o Judiciário. Dizia-se que todas as decisões tomadas de público pelos liberais já tinham sido em segredo tomadas no recesso das "Lojas" maçônicas, a mais prestigiosa das quais tinha por nome "Fidelidade e Firmeza".

Próceres liberais mantinham um estreito contato com maçons de idêntica orientação no Uruguai e na Argentina, sendo famosa a amizade entre Bento Gonçalves da Silva e Juan Antonio Lavalleja, prestigioso caudilho uruguaio.

Na efervescência política da Independência os rio-grandenses efetivamente - pelo menos os líderes liberais - não viam com maus olhos a organização do

Uruguai como um Estado independente e soberano entre Argentina e Brasil.

As causas políticas que levaram à revolução forma muitas, sobretudo graças a inabilidade do presidente da Província, Dr. Antonio Rodrigues Fernandes Braga, primeiro rio-grandense a ocupar tão alto posto. Fernandes Braga denunciou Bento Gonçalves da Silva como conspirador e a recém empossada Assembléia Provincial (20 de Abril de 1835), substituta do antigo Conselho Geral da Província e onde o Partido Liberal tinha maioria, exigiu que o presidente Fernandes Braga apresentasse provas e este, em sessão secreta não pode fazê-lo. Bento Gonçalves consolidava assim sua posição de líder liberal. Anteriormente já fora denunciado como conspirador contra o Império pelo Mal. Sebastião Barreto Pinto, quando se revoltara diante da famigerada e reacionária "Sociedade Militar". Chamado a Corte nessa ocasião para se defender, voltara inocentado das acusações e altamente prestigiado, conseguindo mesmo a nomeação de Fernandes Braga para presidente, o qual agora lhe pagava o gesto com nova acusação...

Funcionando durante pouco mais de mês, a Assembléia Provincial, foi sempre um caldeirão fervente. E a imprensa exaltada da época contribuia para maior agitação: quando os conservadores criaram um jornal chamado "A Idade de Ouro", os liberais responderam fundando "A Idade de Pau"... Entre as causas políticas deve ser mencionada também a ligação dos liberais com experimentados agitadores italianos, como o conde Lívio Zambecari.

D) Militares

A a autoridade militar maior da província era o Comandante das Armas, Mal.Sebastião Barreto Pinto, conservador ferrenho e feroz inimigo de Bento Gonçalves, que fora comandante de fronteira em Jaguarão.

Bento Gonçalves da Silva não era oficial do Exército, mas guerrilheiro das milícias e depois da Guarda Nacional, forjado e experimentado no campo de batalha, comandante de gaúchos que apenas se fardavam - quando recebiam farda - nos períodos de guerra. Sua brilhante carreira de armas desde soldado raso até coronel da Guarda Nacional era causa do ciúme do velho marechal do exército brasileiro. Que não era bem visto pelos grandes do Império prova o fato de que recebeu quatro condecorações por seu feitos militares mas nunca recebeu terras nem título de nobreza, ao contrário, por exemplo, de Manuel Marques de Souza, João da Silva Tavares, Francisco Pedro de Abreu e do próprio Osório.

Porque aconteceu...

No final do século XVIII, era apresentado ao mundo os ideais iluministas e liberais.

Na Europa a burguesia francesa acendia ao poder após a Revolução, e na América, os norte-americanos conhecem a independência, após longa batalha.

Os iluministas e os liberais pregavam a liberdade e a igualdade, a livre iniciativa e a propriedade privada. Estas idéias não tardaram em chegar ao Brasil e no início do século XIX, a monarquia brasileira passava a ser vista como atraso ao desenvolvimento, principalmente para a burguesia que se formava. Aconteceram diversas revoltas em todo o país e no sul estoura a Revolução Farroupilha.

Como começou a revolução...

As idéias de autonomia e federalismo, encantam a elite brasileira e ganham força ao natural na província de Rio Grande de São Pedro do Sul.

A distância do poder central, a condição de produtor de alimentos, os elevados impostos pagos ao império e a recente vivência de guerras impulsionaram o estado gaúcho a não aceitar a submissão que lhe era imposta.

A elite rural gaúcha cansada dos desmandos do centro do país e do descaso político se rebela.

A Revolução

Em 09 de setembro de 1836, ocorre a primeira grande batalha, Antônio de Souza Netto, a figura mais respeitada das forças farroupilhas depois de Bento Gonçalves, vence as tropas imperiais na Batalha do Seival. A vitória sobre os imperiais foi tão entusiasmante, que Netto, instigado pelos liberais exaltados, toma uma decisão: proclama a República Rio-Grandense, separando o estado gaúcho do Brasil. Estava finalmente declarado o caráter revolucionário do movimento farroupilha.

Deve ser considerada Revolução apenas o movimento político-militar que vai de 19 de setembro de 1835 a 11 de setembro de 1836, porque era a revolta de uma província contra o Império do qual fazia parte. A 11 de setembro de 1836 é proclamada a República Rio-Grandense e então já não se pode mais falar em revolução, mas sim em guerra, a luta aberta entre duas potências políticas independentes e soberanas, uma República , de um lado, e um Império, de outro. A revolução farroupilha explodiu a 19 de setembro de 1835 quando os liberais, depois de inúmeras conspirações, sobretudo dentro das lojas maçônicas, partiram para a deposição do presidente Antônio Fernandes Braga, sustentando que este violava a lei e deveria ser substituído. Os farroupilhas Gomes Jardim e Onofre Pires desbarataram a Guarda Municipal (núcleo inicial da futura Brigada Militar do Estado) vindos do morro da Glória e Fernandes Braga foge para o porto de Rio Grande, abandonando Porto Alegre. A 20 de setembro Bento Gonçalves da Silva, vindo de Pedras Brancas (Guaíba) entra triunfante na Capital e, na ausência dos três primeiros vice-presidentes, empossa no governo o 4º vice-presidente, Dr. Marciano Pereira Ribeiro, nomeado Comandante das Armas o Cel. Bento Manoel Ribeiro, homem de personalidade difícil e caprichosa e sem convicção liberal, seguidor de seus próprios interesses, através dos quais se unira aos farroupilhas no início do movimento. Parece bastante evidente, nessa fase, o espírito legalista dos farrapos, empossado na presidência da província na linha da sucessão uma autoridade constituída, quando seria fácil a Bento Gonçalves, por exemplo, assumir todos os poderes.

É o próprio líder farroupilha que consegue com o Rio de Janeiro e a nomeação do novo presidente, o Deputado José Araújo Ribeiro, o qual, assustado com a efervescência de Porto Alegre, resolveu, ao chegar do Rio de Janeiro, empossar-se em Rio Grande... Foi o que bastou para que os farroupilhas mais exaltados lhe retirassem o precário apoio. Bento Manoel Ribeiro troca de lado, voltando a servir o Império e para seu posto é nomeado o Major João Manoel de Lima e Silva e o Dr. Marciano Pereira Ribeiro foi mantido pela Assembléia Provincial como Presidente.

Parece bem claro: não fora a intransigência dos conservadores e do Império a revolução poderia ter findado sem maiores vítimas.

Em 02 de outubro, na batalha de Fanfa, os farroupilha são derrotados. Bento Gonçalves e outros oficiais farroupilhas são presos. Bento é enviado como prisioneiro para o Rio de Janeiro. Lá conhece o italiano Garibaldi que adere ao movimento farroupilha mudando-se para o sul.

As forças imperiais, acreditando que a revolta havia sido sufocada, oferece anistia aos derrotados. Mas Antônio de Souza Netto, agora líder absoluto do movimento, mantém-se rebelado.

Em 05 de novembro de 1836, a câmara municipal de Piratini oficializa a proclamação da República Rio-Grandense. Mesmo preso Bento Gonçalves é declarado presidente do novo país, o vice nomeado é José Gomes Jardim, que assume interinamente.

Em outubro de 1837, Bento Gonçalves foge da prisão e em 16 de dezembro assume a presidência da República.

O ano de 1838, é ruim para os rebelados, os farroupilhas não tem sucesso na reconquista de Porto Alegre e Rio Grande e sofrem importantes baixas.

Em 1839, Giuseppe Garibaldi e Davi Canabarro conquistam as cidades catarinenses de Laguna e Lages, e proclamam a "República Catarinense", ou "República Juliana". Em 15 de novembro os farrapos são surpreendidos e Laguna é reconquistada pelos imperiais. As embarcações rebeldes são destruídas, somente Garibaldi escapa. A cavalaria de Canabarro foge pelo litoral escondendo-se em Torres.

De 1840 em diante dois terços do exército brasileiro está no estado. Em 1843, em sua ofensiva final, o exército brasileiro tem 11.400 combatentes.

Em primeiro de março de 1845, os imperialistas, liderados por Duque de Caxias e os republicanos farroupilhas assinam a paz de "Ponche Verde", declarando fim aos conflitos.

Principais pontos assinados no tratado de paz:

O império pagaria as dívidas do governo republicano;

Os oficiais republicanos são incorporados ao exército brasileiro;

Eram declarados livres todos os escravos que tinham lutado nas tropas republicanas;

Seriam devolvidos todos os prisioneiros de guerra;

Foram elevadas as taxas alfandegárias para importação do charque estrangeiro, o que favoreceu ao charque gaúcho.

Pós Guerra

Antônio de Souza Netto muda-se para o Uruguai;

Davi Canabarro luta ao lado das forças brasileiras na Guerra do Paraguai;

Giuseppe Garibaldi retorna à Itália e

Bento Gonçalves morre dois anos após a guerra.

Curiosidades

A expressão "tchê", uma das mais típicas do linguajar gaúcho, é de origem guarani. Tendo o sentido de "meu".

A Erva Mate, também uma herança indígena, chegou a ser condenada pelos padres Jesuítas, pois "o demônio, por meio de algum feiticeiro, inventou-a", diziam eles. A cuia era muito parecida com a usada hoje, mas o mesmo não se pode dizer da bomba que era feita de bambus.

A palavra "gaúcho" inicialmente designava os ladrões de gado e os malfeitores - "os homens sem lei e sem rei". Eram os "guacho", que significa "órfão" e refere-se aos filhos de índia com o branco espanhol ou português. Somente em meados do século XIX o termo deixou de ser depreciativo.

A população do Rio Grande do Sul em 1814 era de 70.656 pessoas, sendo que destes, 20.611 eram escravos. A população de Porto Alegre era de 6.111 habitantes. A maior população do Estado estava na cidade de Rio Pardo com 10.445 pessoas.

Entre 1824 e 1830, chegam 5.350 imigrantes alemães que se espalham pela região de São Leopoldo.

Entre 1831 e 1840, período entre a abdicação de Dom Pedro I e a maioridade de Dom Pedro II, o Brasil é governado por regentes, dentre os quais se destaca o Padre Feijó. Foi neste período que eclodiram divérsas rebeliões, inclusive a Revolução Farroupilha.

Discurso de proclamação da República Rio-Grandense:

"Camaradas! Nós, que compomos a Primeira Brigada do exército liberal, devemos ser os primeiros a proclamar, como proclamamos, a independência dessa província, a qual fica desligada das demais do Império e forma um Estado livre e independente, com o título de República Rio-Grandense, e cujo manifesto às nações civilizadas se fará oportunamente. Camaradas! Gritemos pela primeira vez: Viva a República Rio-Grandense! Viva a independência! Viva o exército republicano rio-grandense!" (Antônio de Souza Netto)

Principais Combates da Revolução Farroupilha

1) Combate de Arroio Grande, 14 de outubro de 1835 - entre as forças do legalista João Nunes da Silva Tavares e o farroupilha Antunes da Porciúncula. Vitória legalista.

2) A 16 de outubro de 1835 - Combate entre as forças farroupilhas comandadas por Antonio de Souza Neto e as legalistas de Silva Tavares. Vitória farroupiha, tendo o comandante legalista fugido para o Uruguai.

3) A 2 de março de 1836 o farroupilha Lima e Silva, jovem brilhante e impetuoso, apesar de não ser rio-grandense, derrota o seu antigo companheiro Bento Manuel Ribeiro.

4) A 7 de abril do mesmo ano Lima e Silva obtém outra vitória, em Pelotas, obrigando à rendição o legalista Major Marques de Souza.

5) No Passo dos Negros, ainda em abril, foi derrotado e aprisionado o Cel. Legalista Albano de Oliveira Bueno, mais tarde assassinado por seus carcereiros.

6) O legalista Pinto Bandeira, a 9 de abril, surpreende os farroupilhas em Torres, derrotando-os.

7) A 12 de abril o legalista Juca Ourives é derrotado por Lima e Silva, no Faxinal, em Viamão.

8) A 22 de abril o Cel. Onofre Pires derrota em Mostardas os legalistas comandados pelo Capitão Francisco Pinto Bandeira, mas empana o brilho da vitória fuzilando prisioneiros.

9) A 12 de junho Bento Gonçalves derrota no Arroio dos Ratos os imperialistas comandados pessoalmente por Bento Manoel Ribeiro, o qual conseguiu fugir.

10) A 13 de junho o comandante farroupilha Domingos Crescêncio derrota o legalista Silva Tavares na Lagoa Cajubá. Aos poucos, este valoroso chefe legalista vai merecendo o apelido de "quartel ambulante dos farrapos", porque sempre que estavam precisando de armas e cavalos estes o atacavam e tomavam tudo...

11) 15 de junho de 1836 é uma data negra para a Revolução Farroupilha: o Major Marques de Souza, que se rendera em Pelotas aos farroupilhas e que estava preso no navio Presiganga, subornou seu carcereiro pernambucano e fugiu para Porto Alegre. Na Capital, com a cumplicidade do velho Marechal João de Deus Mena Barreto, surpreendeu os farroupilhas, apossando-se do Palácio do Governo e expulsando-os de Porto Alegre. Nunca mais os farroupilhas conquistariam a Capital gaúcha, a qual, por este feito, ganhou do Império o título de "Leal e Valorosa" que hoje ostenta em seu brasão e Marques de Souza terminou sendo designado por seu feito Conde de Porto Alegre.

12) Bento Gonçalves, no fim de junho, pessoalmente comanda ataque e cerco a Capital, sem resultado. O heroísmo de seus defensores é incrível, repelindo todas as investidas farroupilhas.

13) A 12 de julho Antonio de Souza Neto, guerrilheiro notável, estancieiro que gostava de bailes e carreiras, elegante a ponto de só entrar em combate com uniforme de gala e ostentando todas as suas condecorações, derrota João da Silva Tavares, o qual se vê novamente obrigado a fugir para o Uruguai.

14) A 10 de setembro, na grande batalha do Seival, Antonio de Souza Neto se encontra novamente com Silva Tavares, inflingindo-lhe uma derrota aplastante. Foi tão grande o entusiasmo dos farroupilhas com esta vitória que Antonio de Souza Neto ao que se diz estimulado por Joaquim Pedro Soares e Manoel Lucas de Oliveira, comandantes de seus batalhões, na manhã do dia 11 de setembro proclamou a República Rio-Grandense, declarando separado o Rio Grande do Sul do Império do Brasil.

Guerra dos Farrapos

A proclamação da República Rio-Grandense, imediatamente apoiada por várias câmaras municipais, não era o ideal de todos os farrapos e feita de forma como se fez, no calor de uma vitória e na data em que foi proclamada deve ser vista apenas como circunstancial. É evidente que os seus entusiastas, entre os quais não se contava Bento Gonçalves da Silva, esperavam ter com a proclamação da República simpatias continentais e até mesmo européias, especialmente do Uruguai, da Argentina, do Paraguai, dos Estados Unidos e da França. Com isso, pelo reconhecimento diplomático e pelo estabelecimento de relações comerciais, teriam mais condições de conseguir recursos para mover a máquina da guerra e consolidar a República.

Mas há duas razões que não podem ser esquecidas: esses farroupilhas que eram notoriamente republicanos sonhavam acabar com a monarquia brasileira e tornar o Brasil uma grande Confederação Republicana. Por outro lado acreditavam certamente que a proclamação da República assustaria a coroa de um imperador-menino e o poder de um regente que não tinha simpatias da Assembléia Nacional na Corte, a ponto de forçar talvez uma paz honrosa e compensadora.

A facção republicana dos farroupilhas, que não era majoritária, se impôs às demais diante do fato consumado. Bento Gonçalves da Silva, por exemplo, nem teve tempo de discutir o assunto da proclamação da República, porque, ao se dirigir ao encontro de Souza Neto, foi derrotado em pleno Jacuí, na Ilha do Fanfa e aprisionado junto com vários companheiros, sendo remetido para o Rio de Janeiro, para a fortaleza de Santa Cruz.

A vocação brasileira dos republicanos rio-grandenses fica bem evidenciada pela expedição a Santa Catarina, onde proclamaram a República Juliana, e pela recusa sistemática de receber recursos humanos dos países platinos para combater o Império do Brasil.

Durante vários anos, nas vitórias e nas derrotas, os farrapos tentaram organizar e consolidar a república mas o seu modelo de constituição é uma cópia pura e simples da Constituição Liberal Brasileira. Sua moeda era a moeda brasileira, embora emitissem bônus de guerra. A legislação em vigor na República República Rio-Grandense era basicamente a legislação do Império e muitas autoridades nomeadas pelo Império foram conservadas nos cargos só sendo substituídas as que eram notoriamente inimigas dos farrapos. Para cúmulo, o próprio Hino Rio-Grandense teve sua música composta pelo maestro Joaquim Medanha, da banda imperial...

Ao longo das vicissitudes, muitas vezes carregando a Capital da República, o Tesouro Nacional e até a Imprensa Oficial no lombo dos cavalos, os farrapos organizaram o Exército (Cavalaria, Infantaria e Artilharia), a Marinha de Guerra e a Polícia. Montaram um sistema fiscal adequado, sem que se verificassem requisições escandalosas ou esbulhos. Construíram escolas públicas, cidades, estradas e pontes e mais do que isso a economia do Estado centrada no charque e na exportação do gado em pé, não sofreu maiores abalos. Certamente graças a esses méritos, porque não houve lesões profundas nas relações profundas nas relações com o Brasil, nem ódios acirrados, os rio-grandenses terminarão por conseguir através do Barão de Caxias uma paz altamente honrosa, verdadeira vitória, celebrada em igualdade de condições, de potência a potência.

Os encontros armados entre as duas nações em luta foram numerosos ao longo de nove anos. Mencioná-los todos seria excessivamente demorado e, ademais, muitos historiadores já se ocuparam do assunto, como Souza Docca e, mais recentemente, Arthur Ferreira Filho. Basta, para o presente estudo, dizer que foram escaramuças, combates, cercos e batalhas (quando entram em ação à cavalaria, a infantaria e a artilharia), em terra. No mar, na Lagoa dos Patos e nos rios houve inúmeros combates navais, onde brilhou em ação a Marinha Republicana.

Resultados do Movimento

Por dez anos, a guerra civil prejudicou o setor pecuarista. As perdas foram muito maiores do que os lucros políticos e econômicos do movimento. Os pecuaristas saíram mais endividados junto aos comerciantes e banqueiros. Propriedades rurais, gado e escravos foram perdidos e tornou-se muito difícil repô-los posteriormente.

A paz honrosa de Poncho Verde, em 1845, acomodou as crescentes dificuldades dos farrapos, pois não interessava ao governo monárquico reprimir uma elite econômica. Aos oficiais do Exército farroupilha foram oferecidas possibilidades de se incorporarem aos quadros do Exército nacional. Líderes presos foram libertados e a anistia foi geral e imediata.

Antes e depois da Guerra dos Farrapos, os rio-grandenses lutaram contra os platinos, defendendo militarmente os interesses da coroa portuguesa e, a partir de 7 de setembro de 1822, os da corte brasileira. Ou seja, interessava ao governo do Rio de Janeiro assinar o acordo de Poncho Verde porque a

política externa brasileira ainda necessitaria dos serviços militares (sempre disponíveis) da Guarda Nacional formada por estancieiros e peões rio-grandenses.

Quanto à política tarifária, medidas sem expressividade e pouco duradouras tentaram transparecer um melhor tratamento dado ao produto nacional. A estrutura produtiva ultrapassada (baseada na escravidão) não foi alvo de preocupações.

A sensação que existe hoje, passado um século e meio, é a de que as motivações daquele movimento não foram superadas. Por um lado, o Rio Grande do Sul continua em situação de mando político dependente, com uma economia pouco beneficiada no processo de acumulação capitalista que se reproduz no Brasil. Por outro, o Rio Grande do Sul não consegue "enxergar o próprio umbigo" e compreender que suas dificuldades resultam da forma como tem sido realiada sua inserção como sócio menor no sistema capitalista brasileiro. Expressando-se de forma figurativa, o Rio Grande do Sul continua produzindo e vendendo charque, subsidiando (perifericamente) o funcionamento do mercado exportador brasileiro e sem cacife no processo político-decisório nacional.

Fonte: www.resenet.com.br

Revolução Farroupilha

Revolução Farroupilha

A Revolução Farroupilha, também é chamada de Guerra dos Farrapos ou Decênio Heróico ( 1835 - 1845), eclodiu no RS e configurou-se, na mais longa revolta brasileira.

Foram diversas as causas que levaram os farroupilhas a atacarem Porto Alegre, no dia 20 de setembro de 1835, dando início a Revolução Farroupilha, que estendeu-se, até o dia 11 de setembro de 1836, quando Antônio de Souza Neto, proclamou a República Riograndense. Após esta data, iniciou-se então, uma guerra que durou até 28 de fevereiro de 1845.

Muitos fatos aconteceram, várias pessoas morreram, e quase dez anos depois de muitas lutas e combates, houve a pacificação.

Os problemas econômicos que atingiam as classes dominantes, figuram entre as principais causas da revolução. Os poderosos estancieiros gaúchos, queriam que o governo imperial, protegesse a pecuária do RS e dificultasse a entrada do charque argentino e uruguaio no Brasil, que devido o baixo imposto de importação, fazia concorrência desleal, arruinando a economia gaúcha. Essa mesma elite dos grandes fazendeiros, também lutava junto ao governo imperial, por uma maior liberdade administrativa para o RS.

A revolução farroupilha não foi portanto, uma revolta do povo pobre, e sim, uma rebelião dos ricos estancieiros que lutavam pelos seus interesses econômicos e políticos. O povo só participou do movimento, sob o controle dos fazendeiros. Não existia entre os líderes, o desejo de libertar o povo da exploração social, da escravidão ou da vida miserável.

Entre os principais líderes, destacam-se: Bento Gonçalves, Davi Canabarro, José Garibaldi, Antônio de Souza Neto, Gomes Jardim e Lucas de Oliveira.

O momento máximo da expansão do movimento, deu-se em 1839, com a fundação da República Juliana, na cidade de Laguna em Santa Catarina, sob comando de Canabarro e Garibaldi.

As capitais da República Riograndense, foram Piratini, Caçapava e Alegrete.

Os oficiais farroupilhas, reuniram-se nos Campos de Ponche Verde, e discutiram as questões do tratado de paz. Ocorreu então, um tratado entre duas nações: Rio Grande do Sul e Brasil. Assinou o tratado representando os farroupilhas, Davi Camabarro e pelos imperiais, Duque de Caxias, no qual não houve vencedores ou vencidos.

Fonte: www.sinos.net

Revolução Farroupilha

A mais longa rebelião da história brasileira, a Revolução Farroupilha, ou Guerra dos Farrapos, recebeu seu nome dos pobres esfarrapados que compunham a maioria da tropa insurgente, embora fosse liderada pelos estancieiros (fazendeiros de gado do Sul do país). Reivindicavam maior autonomia provincial e a redução dos altos impostos que incidiam sobre o charque (carne-seca) gaúcho. Os estancieiros não tinham condições de competir em situação de igualdade com o charque platino, produzido com mão-de-obra assalariada, mais eficiente e produtiva que o caro braço escravo usado nas estâncias gaúchas. Outros produtos, como o gado e seus subprodutos, como couro e sebo, destinados a outras províncias, enfrentavam obstáculos semelhantes.

A Revolução Farroupilha teve início em 1835, quando Bento Gonçalves, filho de um rico proprietário de terras no Rio Grande do Sul, tomou a cidade de Porto Alegre, depondo o presidente da província.

No Ano seguinte, os revoltosos proclamaram a República Rio-Grandense, com sede na Vila Piratini. Logo a revolta alastrou-se pelo sul do país, atingindo Santa Catarina, onde foi proclamada a República Juliana, com o auxílio de Davi Canabarro e Giuseppe Garibaldi, líder revolucionário italiano que participou ativamente do movimento.

Durante o Segundo Reiando, a rebelião entrou em declínio, especialmente diante da repressão empreendida pelo governo central, comandada pelo barão de Caxias. Diante de sucessivas derrotas, os revoltosos assinaram, em 1845, um acordo chamado Paz de Ponche Verde, que garantia anistia geral aos revoltosos, incorporação dos oficiais farroupilhas ao exército imperial, devolução das terras ocupadas aos antigos proprietários, taxação de 25% sobre o charque platino e libertação dos escravos que lutaram na revolução. Fez também parte do acordo de paz a encampação das dívidas contraídas pelos governos criados pelos revolucionários. Por sua importante atuação, Caixas recebeu o título de "Pacificador do Império".

Fonte: www.brasilescola.com

Revolução Farroupilha

Revolução Farroupilha

Guerra dos Farrapos ou Revolução Farroupilha são os nomes pelos quais ficou conhecido o conflito entre sul-rio-grandenses republicanos e o governo imperial. Durou de1835 a 1845 e, para além da então Província do Rio Grande do Sul, chegou a alcançar a região de Santa Catarina, na região sul do Brasil.

À época do período Regencial brasileiro, o termo farrapo era pejorativamente imputado aos liberais pelos conservadores (chimangos) e com o tempo adquiriu uma significação elogiosa, sendo adotado com orgulho pelos revolucionários, de forma semelhante à que ocorreu com os sans-cullotes à época da Revolução Francesa.

Há, também, uma outra visão da Guerra dos Farrapos (o outro lado).

Antecedentes e causas

As causas remotas do conflito encontram-se na posição secundária, econômica e política, que a região sul, e em particular a Província do Rio Grande do Sul, ocupava nos anos que se sucederam Independência. Diferentemente das províncias do sudeste e do nordeste, cuja produção de gêneros primários se voltava para o mercado externo, a do Rio Grande do Sul produzia para o mercado interno, tendo como principal produto o charque, utilizado na alimentação dos escravos africanos. A região sul, desse modo, encontrava-se dependente de um mercado que por sua vez dependia do mercado externo e sofria as consequências disso.O Rio Grande é belo.

Como causa imediata, o charque rio-grandense era tributado mais pesadamente do que o similar oriundo da Argentina e do Uruguai, perdendo assim competitividade no mercado interno em função dos preços.

No interior da Província existiam fazendas agrícolas cuja produção também era destinada ao consumo interno. Ali, muitos colonos se estabeleciam e, entre eles, militares desmobilizados. Alguns desses colonos não conseguiam adquirir terras para formar as próprias fazendas e acabavam formando bandos armados que se ofereciam aos proprietários mais afastados.

Há que considerar, ainda, que o Rio Grande do Sul, como região fronteiriça à região platina, era militarizado desde o século XVII, citando-se a então ainda recente Guerra da Cisplatina. Embora vários rio-grandenses tenham se distinguido na carreira militar, não havia uma contrapartida política, sendo as posições de comando, civis e militares, ocupadas por elementos oriundos da Corte.

Também é preciso citar o conflito ideológico presente no Rio Grande do Sul a partir da criação da Sociedade Militar, um clube com simpatia pelo Império e até mesmo suspeito de simpatizar com a restauração de D. Pedro I. Os estancieiros rio-grandenses não viam com bons olhos a Sociedade Militar e pediam que o governo provincial a colocasse na ilegalidade.

A guerra

Ao chegar o ano de 1835 os ânimos políticos estavam exaltados. Estancieiros liberais e militares descontentes promoviam reuniões em casas de particulares, destacando-se as figuras de Bento Manuel Ribeiro e Bento Gonçalves, dois líderes militares.

Naquele ano foi nomeado como presidente da Província Antônio Rodrigues Fernandes Braga, nome que, se inicialmente agradou aos liberais, aos poucos se mostrou pouco digno de confiança. No dia em que tomou posse, Fernandes Braga fez uma séria acusação de separatismo contra os estancieiros rio-grandenses, chegando a citar nomes, o que praticamente liquidou as chances de conviver em paz com os seus governados.

Em 20 de setembro de 1835 Bento Gonçalves marchou para a capital Porto Alegre, tomando a cidade e dando início à revolta. O governador Fernandes Braga se refugiou na povoação vizinha de Rio Grande, que viria a ser tomada alguns meses depois. Os farroupilhas, como também ficaram conhecidos os rebeldes, empossaram Marciano Pereira Ribeiro como novo presidente.

O liberal Diogo Feijó, então Regente do Império do Brasil, tentando acalmar os ânimos, nomeou um presidente rio-grandense para a Província, José de Araújo Ribeiro. A Assembléia Provincial mostrou-se indecisa quanto a esse nome e decidiu adiar-lhe a posse. Nesse dia da posse, em que José Ribeiro deveria comparecer à Assembléia, seria então informado de que não seria empossado. Bento Manuel se opôs a esse ardil e, a partir de então, desligou-se dos revoltosos. José Ribeiro não compareceu diante da Assembléia em Porto Alegre e tomou posse em Rio Grande, o que irritou ainda mais os ânimos rio-grandenses.

Como resultado, os rebeldes proclamaram, através de Antônio de Sousa Netto, a República Rio-Grandense (11 de setembro de 1836), indicando para presidente o nome de Bento Gonçalves. Este, no entanto, acaba cercado pelas forças de Bento Manuel com o apoio de embarcações da Marinha Imperial sob o comando de John Grenfell. Na famosa batalha da ilha do Fanfa, Bento Gonçalves se rendeu (4 de Outubro de 1836), sendo conduzido preso ao Rio de Janeiro e depois a Salvador, onde fará ligações com os rebeldes da Sabinada.

Na ausência do líder, Gomes Jardim assumiu o governo da República Piratini, sustentada pelas forças de Sousa Netto. Nesse ínterim, Bento Gonçalves se evadiu espetacularmente da detenção no Forte do Mar (Salvador, 1837), retomando a presidência no mesmo ano. Nessa fase, organizando o Estado, faz com que a revolução atinja seu auge, levando a crer que a República Piratini conseguirá consolidar-se como Estado independente.

No plano tático, a capital Porto Alegre havia sido recuperada pelos legalistas, que também ocupavam a de Rio Grande. Sob rigoroso cerco, estas cidades eram abastecidas pela Marinha Imperial, senhora do oceano. As tentativas feitas para conquistá-las em 1838 revelaram-se frustantes. Diante da pressão das forças imperiais a capital da república foi transferida de Piratini para Caçapava do Sul, cidade mais inacessível e mais fácil de defender.

Como reforço, chegou ao Rio Grande do Sul o revolucionário italiano Giuseppe Garibaldi. Com apoio de Davi Canabarro, Garibaldi partiu para Santa Catarina, onde proclamou a República Juliana (15 de julho de 1839), formando com a República Piratini uma confederação. A nova república, entretanto, revelou-se efêmera, pois sem condições de expandir-se pelo interior de Santa Catarina durou apenas quatro meses: em novembro desse mesmo ano as forças do Império retomaram a cidade litorânea de Laguna, a capital juliana.

A paz

Em 1840, por ocasião da maioridade de Dom Pedro II, foi oferecida uma anistia, recusada pela maioria dos rebeldes. Alguns, contudo, exaustos pelos anos de luta, começaram a compreender que não poderiam alcançar a vitória. Em 1842 foi finalmente promulgada a Constituição da República, o que deu um ânimo momentâneo à luta. Nesse mesmo ano, entretanto, foi nomeado para presidente do Rio Grande do Sul o experimentado general Luís Alves de Lima e Silva, o qual tratou de negociar a paz por via diplomática mais do que pela bélica.

Os farroupilhas entraram em discordância, com episódios como a morte de Antônio Vicente da Fontoura e o duelo entre Onofre Pires (ferido e depois morto) e Bento Gonçalves.

As negociações de paz foram conduzidas por Lima e Silva, de um lado, e Davi Canabarro (que subtituiu Bento Gonçalves), do outro. No dia 28 de Fevereiro de 1845 (algumas fontes referem 1 de Março ou 25 de Fevereiro), depois de 10 anos de lutas, foi assinada a paz em Ponche Verde, que tinha como condições principais:

a anistia aos revoltosos;

os soldados rebeldes seriam incorporados ao exército imperial, nos mesmos postos (excetuando-se os generais);

a escolha do presidente da Província caberia aos farroupilhas;

as dívidas da República Rio-Grandense seriam assumidas pelo Império do Brasil;

haveria uma taxa de 25% sobre o charque importado.

Obs.: Há contradições quanto a validade do Tratado de Ponche Verde (ver comentários).

A atuação de Lima e Silva foi tão nobre e decente para com os rebeldes que os rio-grandenses o escolheram para presidente da província. O Império, reconhecido, outorgou ao general o título nobiliárquico de Conde de Caxias (1845).

Principais batalhas

combate da ilha do Fanfa (3 e 4 de Outubro de 1836)

combate do Poncho Verde (28 de Fevereiro de 1845)

Bento Gonçalves

Militar e revolucionário gaúcho. Principal dirigente da Revolta dos Farrapos, movimento liberal e federativo que proclama a República no Rio Grande do Sul.

Revolução Farroupilha

Bento Gonçalves da Silva (23/9/1788 - 18/7/1847) nasce em Triunfo, filho de um rico estancieiro. Participa da guerra contra as Províncias Unidas do Rio da Prata (1825-1828), sendo recompensado por dom Pedro I com o posto de coronel das milícias e comandante da fronteira sul do país. Sua destituição desse cargo, durante a regência do Padre Diogo Feijó, é o estopim da Revolução Farroupilha, em 1835. Bento Gonçalves entra em Porto Alegre e derruba o presidente da província, Antônio Fernandes Braga.

Com o apoio da população, resiste às primeiras reações legalistas. No mês seguinte enfrenta as tropas regenciais, é derrotado e preso. Mandado para a Bahia, é encarcerado no Forte do Mar. Durante sua prisão, os farroupilhas proclamam a República Rio-Grandense, em 11 de setembro de 1836. No ano seguinte, com a ajuda de liberais baianos, Bento Gonçalves foge do cárcere e volta para o Rio Grande do Sul. É aclamado presidente da República Rio-Grandense, posto no qual se mantém até a derrota final dos revoltosos, em fevereiro de 1845.

Giuseppe Garibaldi

Revolução Farroupilha

Político italiano (4/7/1807-2/6/1882). Nasce em Nice, na época pertencente à Itália, em uma família de pescadores. Começa trabalhando como marinheiro e, entre 1833 e 1834, serve na Marinha do rei do Piemonte. Ali, sofre influências de Giuseppe Mazzini, líder do Risorgimento, movimento nacionalista de unificação da Itália, na época dividida em vários Estados absolutistas. Em 1834 lidera uma conspiração em Gênova, com o apoio de Mazzini. Derrotado, é obrigado a exilar-se, fugindo para o Rio de Janeiro e, em 1836, para o Rio Grande do Sul, onde luta ao lado dos farroupilhas na Revolta dos Farrapos e se torna mestre em guerrilha.Três anos depois, vai para Santa Catarina auxiliar os farroupilhas a conquistar Laguna. Lá conhece Ana Maria Ribeiro da Silva, conhecida como Anita Garibaldi, que deixa o marido para segui-lo. Em 1841 é convidado a dirigir a Marinha do Uruguai.

Defende o país contra Manuel Oribe - ex-presidente da República que luta pelo poder - e, depois, contra o ditador argentino Juan Manuel Rosas, que invade o Uruguai em 1842. Volta à Europa em 1854 e luta pela unificação italiana, liderando um exército de voluntários, os "camisas vermelhas". Parte com seus homens de Gênova, no norte, e chega à Sicília em 1860, conquistando-a para o Piemonte. Em 1874 é eleito deputado e recebe uma pensão vitalícia pelos serviços prestados à nação. Morre em Capri.

Fonte: www.superzap.com

Revolução Farroupilha

Um dos temas mais comuns nos livros de História do Brasil é a Guerra dos Farrapos. Observado a partir da perspectiva central agro-exportadora brasileira, o movimento farroupilha riograndense perde qualidade, veracidade e atinge o prosaico.

Mesmo na historiografia e na literatura produzidas no Rio Grande do Sul há distorções que confundem os fatos. Alguns fazem apologia dos heróis e condenam os traidores. Outros tentam desmistificar, mas pouco acrescentam ao conhecimento do contexto, às motivações e conseqüências do movimento dos farrapos. Colocam-se como discussões o caráter separatista ou não do movimento, gerando posições apaixonadas ou constrangedoras para a problemática da identidade regional e nacional.

Estudos históricos e produções literárias mais recentes têm sido mais objetivos. O movimento farroupilha rio-grandense fez parte de exigências locais e esteve inserido no jogo das questões nacionais e internacionais típicas da primeira metade do século XIX.

Com base nessa historiografia mais recente, pretende-se compreender as relações do movimento farroupilha no contexto brasileiro, platino e do mundo ocidental. Além disso, responder a indagações como: quem fez e por que fez a guerra? Quais os interesses em jogo na eclosão e duração do movimento? De que forma foi realizada a paz e por que ela apresenta um certo espírito de "comemoração" entre os legalistas e insurretos? Finalmente, criticar as reivindicações dos farrapos a partir da constatação dos limites da pecuária rio-grandense.

A época e suas relações com a revolta farroupilha

Naquela época, o liberalismo econômico estava derrubando estruturas antigas, calcadas nos monopólios e regimes políticos autoritários e absolutistas. O constitucionalismo surgia como fundamental à história da humanidade. No entanto, os processos de emancipação política e de formação do Estado Nacional brasileiro foram centralizadores e autoritários. Os regionalismos não foram respeitados. Não ocorreram autonomias tanto para interferirem na indicação dos administradores provinciais como na capacidade de legislar em assembléias regionais.

As elites regionais se ressentiram com a dissolução da Assembléia Constituinte de 1823, a outorga da Carta de 1824, as políticas tarifárias não protecionistas, a censura e as perseguições políticas aos inimigos da corte do Rio de Janeiro. Algumas dessas elites recorreram insurreição armada, sempre reprimidas e vencidas pelo centralismo monárquico. Foram as classes dominantes do Pará e do Amazonas que iniciaram a Cabanagem. O mesmo ocorreu na deflagração da Balaiada, no Maranhão. Nessa e em outras revoltas os setores dominantes foram surpreendidos pela participação crescente dos segmentos dominados. A emergência dessas camadas preocupava as elites porque elas extrapolavam os objetivos iniciais dos movimentos, voltando-se contra a estrutura de dominação social. Outras revoltas, como a dos farrapos, não permitiram que setores mais populares, e dominados socialmente, extrapolassem os objetivos estabelecidos pelas elites locais.

A Guerra dos Farrapos foi um movimento da classe dominante rio-grandense, em oposição ao centralismo exercido pela corte do Rio de Janeiro, e só.

Participação de grupos sociais

A maior parte dos criadores e charqueadores engajaram-se como militantes ou financiando a insurreição. Os comerciantes, em sua maioria, assumiram posição defensiva ao lado do governo monárquico, chamados de legalistas. Intrigas entre os chefes políticos pecuaristas produziram deserções ou posicionamentos opostos ao longo do movimento.

Os habitantes de Porto Alegre, Pelotas e Rio Grande, na época as principais cidades do Rio Grande do Sul, nunca aderiram, em sua totalidade, ao movimento. Cabe destacar que Porto Alegre, a principal base de sustentação dos legalistas, ganhou o título de "mui leal e valorosa" do monarca brasileiro. A República Rio-Grandense criada no dia 11 de setembro de 1836, teve como sedes administrativas as cidades de Piratini, Caçapava e Alegrete, expressando nas mudanças a fragilidade estratégico-militar do movimento.

A revolta teve mais apoio no meio rural (junto a pecuária extensiva). O movimento não foi acolhido pelos imigrantes germânicos que já iniciavam a ocupação da encosta do planalto meridional (São Leopoldo, Montenegro, Caí e arredores). Nas cidades, os comerciantes e os segmentos sociais, em geral, dividiram-se, mas pouco fizeram a favor ou contra. O movimento farroupilha rio-grandense nunca dominou um porto, por tempo razoável, para escoar produtos e, assim, garantir a sobrevivência imediata dos insurretos. Realizaram a tomada de Laguna, buscando alcançar um porto mais permanente, mas foram derrotados e expulsos, em pouco mais de três meses.

A questão dos "heróis"

A Guerra dos Farrapos tem garantido à historiografia oficial e à ideologia dominante extensa "galeria de heróis", muitas vezes equiparados aos semideuses, e a guerra equiparada a uma "epopéia". Outras vezes, os personagens são denunciados como "oportunistas", "contrabandistas", etc. Certamente os episódios históricos de 1835 a 1845 podem ensejar referenciais importantes à problemática de símbolos e identidades sociais e nacionais. Mas é necessário compreender que o movimento dos farroupilhas passou por análises teóricas relacionadas ao republicanismo, constitucionalismo e cidadania. Vários foram os pensadores que se ativeram aos temas, deixando registros dessas discussões. Mais do que isso, os "heróis" não podem ofuscar o que os farrapos não visualizavam: uma sociedade entravada, com uma pecuária debilitada, sem perspectivas de avanços no mercado altamente competitivo que se desenvolvia a partir do século XIX. Além disso, o movimento farroupilha lutou pelos interesses da classe dominante pecuarista rio-grandense, descaracterizando-se, portanto, uma visão mais abrangente, com justiça distributiva.

Bento Gonçalves da Silva, Bento Manuel Ribeiro, Davi Canabarro, Antônio de Souza Neto e muitos outros eram pecuaristas ou estavam envolvidos com a pecuária. Todos lutaram nas guerras empreendidas por lusos-brasileiros na bacia Platina, desde a conquista militar dos Sete Povos das Missões, passando pela Guerra Cisplatina. Depois de 1845, muitos continuaram lutando com os vizinhos platinos. Merece destaque a figura de um mercenário, Guiseppe Garibaldi, que também lutou ao lado de Rivera, no Uruguai, e participou das guerras pela unificação da Itália. Outros mercenários participaram da Guerra dos Farrapos ou estiveram engajados nas tropas inimigas (legalistas).

Insurreição ou Revolução?

A insurreição que os farrapos preferiam chamar de revolução durou dez anos. Fazer revolução significava avançar na História, mesmo para os segmentos dominantes doinício do século XIX. Aliás, a revolução implicava o uso da força, legitimando o movimento. Os exemplos das elites dominantes da América do Norte, França e Inglaterra estimulavam processos revolucionários com objetivos de destruir o arcaico, o antigo, o ultrapassado. Só que os farroupilhas não questionaram a escravidão em seu sistema produtivo nem ao menos tiveram condições de ensaiar planos de liberdade e crescimento econômico. Identificaram-se mais com o conflito centro versus periferia. Por isso, é incorreto chamar o movimento de revolução. Foi uma guerra civil entre segmentos sociais dominantes.

Além disso, a escravidão era a "doença" que o paciente não aceitava ter. Preferia dirigir suas críticas falta de protecionismo alfandegário. Esquecia-se ou não queria entender que a estrutura produtiva da charqueada rio-grandense retraía a capacidade de competir com os similares platinos. Este sim era o principal problema da pecuária rio-grandense, que só teve espaço no mercado enquanto os concorrentes platinos estavam envolvidos em guerras contra o domínio espanhol ou na disputa pelo controle do Estado Nacional. Foi sintomático: de 1831 em diante, os platinos entraram em período de relativa paz, voltaram a criar gado e produzir charque sem os inconvenientes das guerras. Com isso, o charque rio-grandense entrou em colapso. Em 1835 eclodia o movimento farroupilha.

Resultados do Movimento

Por dez anos, a guerra civil prejudicou o setor pecuarista.

As perdas foram muito maiores do que os lucros políticos e econômicos do movimento. Os pecuaristas saíram mais endividados junto aos comerciantes e banqueiros. Propriedades rurais, gado e escravos foram perdidos e tornou-se muito difícil repô-los posteriormente.

A paz honrosa de Poncho Verde, em 1845, acomodou as crescentes dificuldades dos farrapos, pois não interessava ao governo monárquico reprimir uma elite econômica. Aos oficiais do Exército farroupilha foram oferecidas possibilidades de se incorporarem aos quadros do Exército nacional. Líderes presos foram libertados e a anistia foi geral e imediata.

Antes e depois da Guerra dos Farrapos, os rio-grandenses lutaram contra os platinos, defendendo militarmente os interesses da coroa portuguesa e, a partir de 7 de setembro de 1822, os da corte brasileira. Ou seja, interessava ao governo do Rio de Janeiro assinar o acordo de Poncho Verde porque a política externa brasileira ainda necessitaria dos serviços militares (sempre disponíveis) da Guarda Nacional formada por estancieiros e peões rio-grandenses.

Quanto à política tarifária, medidas sem expressividade e pouco duradouras tentaram transparecer um melhor tratamento dado ao produto nacional. A estrutura produtiva ultrapassada (baseada na escravidão) não foi alvo de preocupações.

A sensação que existe hoje, passado um século e meio, é a de que as motivações daquele movimento não foram superadas. Por um lado, o Rio Grande do Sul continua em situação de mando político dependente, com uma economia pouco beneficiada no processo de acumulação capitalista que se reproduz no Brasil. Por outro, o Rio Grande do Sul não consegue "enxergar o próprio umbigo" e compreender que suas dificuldades resultam da forma como tem sido realiada sua inserção como sócio menor no sistema capitalista brasileiro. Expressando-se de forma figurativa, o Rio Grande do Sul continua produzindo e vendendo charque, subsidiando (perifericamente) o funcionamento do mercado exportador brasileiro e sem cacife no processo político-decisório nacional.

Manifestos de Bento Gonçalves

"Compatriotas! O amor à ordem e à liberdade, a que me consagrei desde minha infância, arrancaram-me do gozo do prazer da vida privada para correr covosco à salvação de nossa querida pátria. Via a arbitrariedade entronizada e não pude ser mais tempo surdo a vossos justos clamores; pedistes a cooperação de meu braço e dos braços que me acompanham, e voei à capital a fim de ajudar-vos a sacudir o jugo que com a mão de um inepto administrador vos tinha imposto uma facção retrógrada e antinacional."

"A inaptidão que desde logo mostrou para tão elevado cargo e a versatilidade de caráter do Sr. Braga favoreceram os desígnios dos perversos, que nele acharam o instrumento de seu rancor contra os livres; e no poder anexo a presidência o meio de saciar suas ignóbeis vinganças."

"O Governo de sua Majestade Imperial, o Imperador do Brasil, tem consentido que se avilte o Pavilhão Brasileiro, por uma covardia repreensível, pela má escola dos seus diplomatas e pela política falsária e indecorosa de que usa para com as nações estrangeiras. Tem feito tratados com potências estrangeiras, contrários aos interesses e dignidade da Nação. Faz pesar sobre o povo gravosos impostos e não zela os dinheiros públicoos... Faz leis sem utilidades públicas e deixa de fazer outras de vital interesse para o povo... Não administra as províncias imparcialmente... Tem conservado cidadão longo tempo presos, sem processo de que constem seus crimes."

Proclamação

Sala das sessões da Asembléia Constituinte e Legislativa

(Alegrete, 1843)

RIO-GRANDENSES!

Está satisfeito o voto nacional. Chegou finalmente a época em que vossos Representantes reunidos em Assembléia Geral vão formar a Constituição Política, ou a Lei fundamental do Estado. Desde o primeiro período de nossa Revolução, desde o primeiro grito de nossa Independência, é este sem dúvida um dos sucessos mais memoráveis, que deve ocupar um dia as páginas da história. Dentro em pouco tempo o edifício social será levantado sobre bases certas e inalteráveis.

Concidadãos! Os destinos da Pátria dependem principalmente de vossa constância e valor. Nesta luta de liberdade contra a tirania vós tendes dado um exemplo heróico do mais nobre, desinteressado patriotismo, e vossos dolorosos sacrifícios assaz provam, quanto pode uma Nação generosa, e magnâmica, que jurou não ser escrava.

Fonte: www.paginadogaucho.com.br

Revolução Farroupilha

Abaixo você poderá conhecer um pouco sobre alguns dos principais personagens da Revolução.

Anita Garibaldi (1821-1849)

Heroína brasileira, nasceu em Morrinhos, SC, então município de Laguna, em 30 de agosto de 1821, filha de Bento Ribeiro de Silva e Maria Antônia de Jesus Antunes. Faleceu na Itália no dia 4 de agosto de 1849. Embora os pais de Anita fossem pobres, deram-lhe excelente educação. Casou-se em Laguna no ano de 1835 com Manuel Duarte de Aguiar. Quando surgiu a Revolução Farroupilha, deixou o seu marido e ligou-se a Giuseppe Garibaldi que a unira ao movimento.

Deu o seu primeiro tiro de canhão, na Batalha de Laguna. Devido a oposição dos pais, Garibaldi raptou-a, indo regularizar o casamento em 26 de março de 1842, no Uruguai. Tornou-se uma companheira destemida do esposo, participando em seus combates, lutou pela unificação e libertação de Itália. Mais tarde viu-se sitiada pelas forças legalistas, conseguindo fugir. Nasceu o seu primeiro filho no dia 16 de setembro de 1840.

Revolução Farroupilha

Em 1847 Anita seguiu para a Itália levando seus três filhos. Reuniu-se a Garibaldi pouco depois em Nice. Tomou parte dos combates de Roma; os amotinadores foram obrigados a se retirarem em barcos de pesca, os quais a maior parte caiu em poder dos Austríacos. Porém o que conduzia o casal encalhou numa praia. Anita e Giuseppe com alguns companheiros abrigaram-se numa propriedade rural nas proximidades de Ravena. Anita teve o seu estado sensivelmente agravado pela febre tifóide, durante os combates em Roma, vindo a falecer antes de completar trinta anos de idade. Em sua memória ergueram vários monumentos no Brasil e na Itália. Seu nome de solteira: Ana Maria de Jesus Ribeiro.

General Antonio de Souza Netto (1803-1866)

O General Netto prestou assinalados serviços à Integridade e a Soberania do Brasil nas guerras da Cisplatina 1825-28, contra Aguirre 1864 e da Tríplice Aliança contra o Paraguai, de 1865-66. Na Guerra do Paraguai, no comando de uma Brigada de Cavalaria Ligeira de Voluntários, fazendo a vanguarda do Exército Brasileiro, ao comando de Osório, de Uruguaiana até Tuiuti.

Foi dos primeiros, junto com o General Osório a pisar no solo adversário, em Passo do Rosário, em 16 de abril de 1866.

Em 24 de maio de 1866, por ocasião da batalha de Tuiuti, a maior batalha campal da América do Sul, desempenhou com seus cavalarianos montando cavalos amilhados, importante função tática em Potrero Pires, de grande significação para aquela vitória de nossas armas ao conter uma tentativa de envolvimento de nosso Exército.

Na Revolução Farroupilha, foi a segunda figura militar, depois de seu grande amigo, o general Bento Gonçalves.

Iniciando a Revolução em 1835 como capitão da Guarda Nacional ascendeu, por seu valor e liderança, ao posto de general da República pela qual lutou como ninguém e sem descanso, do primeiro ao último dia, ou até a Paz de Ponche Verde que referendou, após o que foi residir no Uruguai, por ser o Império incompatível com o seu ideal.

Foi o maior cavaleiro e tornou-se o maior líder de combate da Cavalaria da República Rio Grandense. Comandou a Brigada Liberal integrada por filhos dos atuais municípios de Piratini, Canguçu, Pedro Osório, Pinheiro Machado e Bagé, até o Pirai, no combate de Seival, de 10 de setembro de 1836, o maior feito das armas dos republicanos, que criou condições para ele proclamar a República Rio- Grandense, em 11 de setembro de 1836. Em Seival recebeu o reforço do Corpo de Lanceiros Negros recém criado.

Seival foi um fato auspicioso que reacendeu a chama da esperança, num período extremamente adverso à Revolução Farroupilha, assinalado por derrotas frustrantes e a prisão de Bento Gonçalves, na ilha de Fanfa, em 4 de outubro de 1836, por Bento Manuel Ribeiro.

Netto desempenhou por largo tempo, até a fuga de Bento Gonçalves da Bahia, as funções de Comandante- em- Chefe do Exército interino . E , com retorno de Bento, à liderança da Revolução as funções de Chefe do Estado- Maior do Exército da República Rio- Grandense.

Coronel Bento Gonçalves da Silva (1788-1849)

Guerreiro durante a maior parte de sua vida, Bento Gonçalves da Silva morreu na cama. Maçom e defensor de idéias liberais, pelas quais lutou durante os quase dez anos da Revolução Farroupilha, viu, ao final de seu esforço, a vitória do poder central. Presidente da uma república, viveu a maior parte de sua vida em um Império.

Bento Gonçalves da Silva nasceu em Triunfo, em 1788, filho de alferes. Cedo, porém, saiu de sua terra. Em 1812 foi para Serro Largo, na Banda Oriental (Uruguai), onde se estabeleceu com uma casa de negócios. Dois anos depois estava casado, com Caetana Joana Francisca Garcia. Algumas versões afirmam que, em 1811, antes de se fixar na Banda Oriental, participou do exército pacificador de D. Diego de Souza, que atuou naquela região. Essa informação, entretanto, é discutida.

Revolução Farroupilha

Mas, se não foi em 1811, em 1818 com certeza começou a sua atuação militar, quando participou da campanha do Uruguai (que culminaria com a anexação formal daquele país ao Brasil, em 1821, como Província Cisplatina). Aos poucos, devido à sua habilidade militar, ascendeu de posto, chegando a coronel em 1828, quando foi nomeado comandante do Quarto Regimento de Cavalaria de 1a. linha, estabelecido em Jaguarão. Passou a exercer também os postos de comandante da fronteira e da Guarda Nacional naquela região.

Provavelmente já era maçom nessa época, pois consta que organizou várias lojas maçônicas em cidades da fronteira. É certo, contudo, que sua influência política já era grande, pois o posto de comandante da Guarda Nacional era um cargo eminentemente político.

Em 1832 Bento foi indicado para um dos postos de maior influência que havia na província, o de comandante da Guarda Nacional do Rio Grande do Sul. Isto lhe dava uma posição estratégica, que soube utilizar quando da Revolução Farroupilha: sob seu comando estavam todos os corpos da Guarda Nacional, força especial que havia sido criada em 1832 e cujo oficialato era sempre composto por membros das elites de cada região.

Esse cargo de confiança, entretanto, não impediu que Bento continuasse dando apoio aos seus amigos uruguaios. Foi por isto que, em 1833, foi denunciado como desobediente e protetor do caudilho uruguaio Lavalleja, pelo mesmo homem que o havia indicado para o posto de comandante da Guarda Nacional, o marechal Sebastião Barreto Pereira Pinto, comandante de Armas da Província.

Chamado ao Rio de Janeiro para se explicar, Bento saiu vitorioso do episódio: não voltou para a província como comandante de fronteira, mas conseguiu do regente padre Feijó - que também defendia idéias liberais - a nomeação do novo presidente da Província, Antonio Rodrigues Fernandes Braga, o mesmo homem que iria derrubar, em 1835, quando deu início à Revolução.

De volta ao Rio Grande, continuou a defender suas idéias liberais, medida que se afastava de Braga, denunciado pelos farrapos como prepotente e arbitrário. Eleito para a primeira Assembléia Legislativa da província, que se instalou em abril de 1835, foi apontado, logo na fala de abertura, como um dos deputados que planejava um golpe separatista, que pretendia desligar o Rio Grande do Brasil.

A partir desse momento, a situação política na província se deteriorou. As acusações mútuas entre liberais e conservadores eram feitas pelos jornais, as sessões da Assembléia eram tumultuadas. Enquanto isto, Bento Gonçalves articulava o golpe que teve lugar no dia 19 de setembro.

No dia 21, Bento Gonçalves entrou em Porto Alegre. Permaneceu na cidade por pouco tempo, deixando-a para comandar as tropas revolucionárias em operação na província. Exerceu esse comando até dois de outubro de 1836, quando foi preso no combate da ilha do Fanfa (em Triunfo), junto com outros líderes farrapos. Foi então enviado para a prisão de Santa Cruz e mais tarde para a fortaleza de Lage, no Rio de Janeiro, onde chegou a tentar uma fuga, da qual desistiu porque seu companheiro de cela, o também farrapo Pedro Boticário, era muito gordo, e não conseguiu passar pela janela. Transferiram-no então para o forte do Mar, em Salvador. Mesmo preso, sua influência no movimento farroupilha continuou, pois foi eleito presidente da República Rio-Grandense em 6 de novembro de 1836.

Mas, além do apoio farroupilha, Bento contava com o da Maçonaria, de que fazia parte. Essa organização iria lhe facilitar a fuga da prisão, em setembro de 1837. Fingindo que ia tomar um banho de mar, Bento começou a nadar em frente ao forte até que, aproveitando um descuido de seus guardas, fugiu - a nado - em direção a um barco que estava à sua espera.

Em novembro ele regressou ao Rio Grande, tendo chegado a Piratini, a então capital farroupilha, em dezembro, quando tomou posse do cargo para o qual havia sido eleito. Imediatamente, passou a presidência ao seu vice, José Mariano de Mattos, para poder comandar o exército farroupilha.

A partir de então, sua vida seriam os combates e campanhas, embora se mantivesse como presidente. Em 1843, entretanto, resolveu renunciar ao cargo, desgostoso com as divergências que começavam a surgir entre os farrapos. Passou a presidência a José Gomes de Vasconcelos Jardim, e o comando do exército a David Canabarro, assumindo apenas um comando de tropas.

As divisões entre os revolucionários terminaram por resultar em um desagradável episódio. Informado que Onofre Pires, um outro líder farrapo, fazia-lhe acusações, dizendo inclusive que era ladrão, Bento o desafiou para um duelo, no início de 1844. Onofre Pires foi ferido, e morreu dias depois devido a uma gangrena.

Embora tenha iniciado as negociações de paz com Caxias, em agosto de 1844, Bento não iria concluí-las. O clima de divisão entre os farrapos continuava, e ele foi afastado das negociações pelo grupo que se lhe opunha. Desligou-se, então, definitivamente da vida pública. Passou os dois anos seguintes em sua estância, no Cristal e, já doente, foi em 1847 para a casa de José Gomes de Vasconcelos Jardim, onde morreu, de pleurisia, em julho daquele ano.

Marechal Bento Manoel Ribeiro (1783-1855)

Uma das figuras mais polêmicas da Revolução Farroupilha, Bento Manoel Ribeiro, poderia ser considerado o protótipo do vira-casaca. Começou ao lado da Revolução, passou a apoiar o Império, voltou para a Revolução e terminou defendendo o Império e ajudando Caxias a acabar com a guerra. No entanto, não obstante as falhas de caráter que os adversários (sempre temporários, pois nunca se sabia seu movimento seguinte) pudessem lhe apontar, um mérito seu sempre foi reconhecido por todos: era um ótimo combatente.

Nascido em Sorocaba (São Paulo) em 1783, Bento Manoel veio para o Rio Grande com cinco anos. No final do século XVIII alistou-se como soldado no regimento de milícias de Rio Pardo, e em 1823 chegou a coronel. Como recompensa de seus feitos, recebeu grandes extensões de terra na região de Alegrete.

Quando começou a Revolução, tomou parte ativa na derrubada do governo da província, em setembro de 1835. Mas, em dezembro desse mesmo ano, aderiu à causa legalista, quando seu primo Araújo Ribeiro foi indicado para presidente da província pelo governo central. Tornou-se então o primeiro herói legalista, ao vencer a batalha de Fanfa e prender Bento Gonçalves e outros líderes farrapos em outubro de 1836.

Em 1837, depois que seu primo foi exonerado pela segunda vez da presidência da província, voltou a ser farrapo. E, entre outras façanhas, chegou a prender, próximo de Caçapva, o novo presidente da província, Antero José Ferreira de Brito, que mais tarde foi trocado pelo coronel farrapo Sarmento Mena. Também derrotou os legalistas em Rio Pardo, dando condições para que os farrapos voltassem a sitiar Porto Alegre.

Revolução Farroupilha

Depois de dois anos, Bento Manoel pediu demissão de seu posto, segundo alguns seduzido pelo governo imperial, que lhe propôs conservar as terras que havia adquirido dos legalistas desde que se mantivesse neutro. E assim permaneceu até 1842, quando, a convite do Barão de Caxias, voltou a lutar nas tropas imperiais, ajudando a pôr fim à Revolução.

General David Martins Canabarro (1796-1867)

Nasceu em 22 de agosto de 1796, em Pinheiros, próximo a Taquari, povoação que se originara, durante a guerra 1764-76, de uma povoação sob proteção do Forte do Tebiquari levantado então e destinado a barrar, naquele ponto, a direção estratégica Rio-Pardo, Taquari, Porto Alegre. Descendia de imigrantes açorianos da ilha Terceira.

Prestou assinalados serviços militares, de soldado de Milícias a brigadeiro do Exército Imperial, a Integridade e a Soberania de Portugal e depois do Brasil, no Sul, nas guerras de 1811-12, pacificadora da Banda Oriental; de 1816 e 1821, contra Artigas; guerra Cisplatina 1825-28; guerra contra Oribe e Rosas 1851-52; guerra contra Aguirre 1864 e no início da guerra do Paraguai 1865-67, contra a invasão paraguaia do Rio Grande do Sul e, na mobilização do 3º Corpo de Exército pelo General Osório.

Revolução Farroupilha

Na República Rio-Grandense, a qual aderiu depois de proclamada, ascendeu por seus méritos e valor militar notável, de tenente coronel comandante de brigada, ao posto de general da República e Comandante-em-Chefe de seu Exército na fase final, até a pacificação em D. Pedrito atual , em 1º de março de 1845.

Giuseppe Garibaldi (1807-1882)

Político e militar revolucionário italiano nascido em Nice(4/7/1807), na época pertencente à Itália, em uma família de pescadores. Começa trabalhando como marinheiro e, entre 1833 e 1834, serve na Marinha do rei do Piemonte. Ali, sofre influências de Giuseppe Mazzini, líder do Risorgimento, movimento nacionalista de unificação da Itália, na época dividida em vários Estados absolutistas. Em 1834 lidera uma conspiração em Gênova, com o apoio de Mazzini. Derrotado, é obrigado a exilar-se em Marselha (1834), de lá partiu para o Rio de Janeiro, chegando (1835) e, em 1836, para o Rio Grande do Sul, onde luta ao lado dos farroupilhas na Revolta dos Farrapos e se torna mestre em guerrilha.

Três anos depois, vai para Santa Catarina auxiliar os farroupilhas a conquistar Laguna. Lá conhece Ana Maria Ribeiro da Silva, conhecida como Anita Garibaldi, que deixa o marido para segui-lo.Anita destacou-se por sua bravura participando ao lado dele das campanhas no Brasil, no Uruguai e na Europa. Dirigiu as defesas de Montevidéu (1841) contra as incursões de Oribe, ex-presidente da República, então a serviço de Rosas, o ditador da Argentina. Voltou à Itália (1847) e integrou-se s tropas do papa e do rei Carlos Alberto. Regressou à Itália (1848) para lutar pela independência de seu país contra os austríacos.

Revolução Farroupilha

Derrotado, perseguido e preso, perdeu também a companheira Anita (1849), morta em batalha. Refugiou-se por cinco anos nos Estados Unidos e depois no Peru, até voltar à Europa (1854). Numa nova guerra contra a Áustria (1859), assumiu o posto de major-general e dirigiu a campanha que terminou com a anexação da Lombardia pelo Piemonte.

Comandou célebres camisas vermelhas (1860-1861) que utilizando táticas de guerrilha aprendidas na América do Sul, conquistou a Sicília e depois o reino de Nápoles, até então sob o domínio dos Bourbons. Conquistou ainda a Umbria e Marcas e no reino sulista das Duas Sicílias, porém renunciou aos territórios conquistados, cedendo-os ao rei de Piemonte, Vítor Emanuel II. Liderou uma nova expedição contra as forças austríacas (1862) e depois dirigiu suas tropas contra os Estados Pontifícios, convencido de que Roma deveria ser a capital do recém-criado estado italiano.

Na batalha de Aspromonte foi ferido e aprisionado, mas logo libertado. Participou depois da expedição para a anexação de Veneza. Em sua última campanha, lutou ao lado dos franceses (1870-1871), na guerra franco-prussiana. Participou da batalha de Nuits-Saint-Georges e da libertação de Dijon. Por seus méritos militares foi eleito membro da Assembléia Nacional da França em Bordéus, mas voltou para a Itália elegeu-se deputado no Parlamento italiano em 1874 e recebe uma pensão vitalícia pelos serviços prestados nação. Morre em Capri em 2 de junho de 1882.

Marechal Luís Alves de Lima e Silva, "Duque de Caxias" (1803-1880)

Nasceu na Fazenda de São Paulo, Vila de Porto de Estrela, na Baixada Fluminense, Rio de Janeiro.

Em 22 Nov 1808, assentou praça como cadete no 1º Regimento de Infantaria, ingressando, posteriormente, na Academia Real Militar.

Tenente, integrou o recém-criado Batalhão do Imperador, como Ajudante, com ele recebendo o batismo de fogo, em 03 Mai 1823, nas lutas pela independência na Bahia, quando pôde revelar excepcionais qualidades de iniciativa, comando, inteligência e bravura.

Como Capitão, participou, ainda com o Batalhão do Imperador, da Campanha da Cisplatina.

Revolução Farroupilha

Em 02 Dez 1839, já Coronel, passou a encarnar a auréola de Pacificador e Símbolo da Nacionalidade, ao ser nomeado Presidente da Província do Maranhão e Comandante-Geral das Forças em Operações, para debelar a "Balaiada", após o que recebeu o título de Barão de Caxias e a promoção a Brigadeiro.

Também pacificou São Paulo e Minas Gerais, em 1842, razão por que foi promovido a Marechal-de-Campo graduado.

Em fins de 1842, foi nomeado Presidente e Comandante-em-Chefe do Exército em operações no Rio Grande do Sul, para combater a Revolução Farroupilha, que já durava 8 anos, e ao término da qual foi efetivado como Marechal-de-Campo, eleito Senador pelo Rio Grande do Sul e distinguido com o título de Conde.

Em 1851, é novamente nomeado Presidente e Comandante-em-Chefe do Exército do Sul, desta feita para lutar contra Oribe, no Uruguai, e, logo a seguir, contra Rosas, na Argentina. Vitorioso mais uma vez, foi promovido a Tenente-General e elevado à dignidade de Marquês.

Em 16 Jun 1855, foi Ministro da Guerra e, em 1856, Presidente do Conselho de Ministros, ambos pela primeira vez.

Em 10 Out 1866, foi nomeado Comandante-em-Chefe das Forças do Império em operações contra as tropas do ditador Lopez, do Paraguai, sendo efetivado no posto de Marechal-de-Exército, assumindo, em 10 Fev 1867, o Comando-Geral das forças em operações, em substituição ao General Mitre, da Argentina. Segue-se uma série de retumbantes vitórias, em Itororó, Avaí e Lomas Valentinas, a rendição de Angustura e a entrada em Assunção, quando considerou encerrada a gloriosa Campanha por ele comandada. "Pelos relevantes serviços na Guerra do Paraguai", o Imperador lhe concedeu o título de Duque, em 23 Mar 1869.

Caxias foi Ministro da Guerra e Presidente do Conselho de Ministros por mais duas vezes, a última de 1875 a 1878. Faleceu na Fazenda Santa Mônica, nas proximidades do Município de Vassouras - RJ, sendo o seu corpo conduzido para o Rio e enterrado no Cemitério do Catumbi

Coronel Onofre Pires da Silveira Canto (1799-1844)

Combateu com o Regimento de Cavalaria de Milícias de Porto Alegre pela Integridade do Rio Grande do Sul, nas guerras contra Artigas - em 1816 e 1821 -, e pela do Brasil, na Guerra Cisplatina (1825-28).

Na Revolução Farroupilha foi dos mais ativos e atuantes coronéis. Coube-lhe comandar as forças que deram inicio à Revolução Farroupilha na noite de 19 de setembro de 1835, com o vitorioso encontro da Ponte da Azenha que criou condições para a conquista de Porto Alegre, em 20 de setembro de 1835, com a entrada nela do lider politico-militar da revolução, e seu primo, coronel Bento Gonçalves da Silva.

Quis o destino que Onofre Pires viesse a morrer, em 3 de março de 1844 - há um ano do término da Revolução - vítima de um ferimento no antebraço direito que recebeu de Bento Gonçalves, durante o duelo que travaram no Acampamento do Exército, nas margens do rio Sarandi, a 27 de fevereiro de 1844, em Santana do Livramento.

Fonte: www.unificado.com.br

Revolução Farroupilha

A Guerra dos Farrapos ocorreu no Rio Grande do Sul na época em que o Brasil era governado pelo Regente Feijó (Período Regencial). Esta rebelião, gerada pelo descontentamento político, durou por uma década (de 1835 a 1845).

O estopim para esta rebelião foi as grandes diferenças de ideais entre dois partidos: um que apoiava os republicanos (os Liberais Exaltados) e outro que dava apoio aos conservadores (os Legalistas).

Em 1835 os rebeldes Liberais, liderados por Bento Gonçalves da Silva, apossaram-se de Porto Alegre, fazendo com que as forças imperiais fossem obrigadas a deixarem a região.

Após terem seu líder Bento Gonçalves capturado e preso, durante um confronto ocorrido na ilha de Fanfa ( no rio Jacuí), os Liberais não se deixaram abater e sob nova liderança (de António Neto) obtiveram outras vitórias.

Em novembro de 1836, os revolucionários proclamaram a República em Piratini e Bento Gonçalves, ainda preso, foi nomeado presidente. Somente em1837, após fugir da prisão, é que Bento Gonçalves finalmente assume a presidência da República de Piratini.

Mesmo com as forças do exército da regência, os farroupilhas liderados por Davi Gonçalves, conquistaram a vila de Laguna, em Santa Catarina, proclamando, desta forma, a República Catarinense.

Entretanto, no ano de 1842, o governo nomeou Luiz Alves de Lima e Silva para comandar as tropas que deveriam os farroupilhas.

Apos três anos de batalha e várias derrotas, os "Farrapos" tiveram que aceitar a paz proposta por Duque de Caxias. Com isso, em 1845, a rebelião foi finalizada.

Fonte: www.historiadobrasil.net

Revolução Farroupilha

A revolução Farroupilha, também chamada de Guerra dos Farrapos, explodiu no Rio Grande do Sul e foi a mais longa revolta brasileira. Durou dez anos (1835 a 1845).

Revolução Farroupilha

Os problemas econômicos dos classes dominantes estão entre as principais causas da Revolução Farroupilha.

O Rio Grande do Sul tinha uma economia baseada na criação de gado e vivia, sobretudo, da produção do charque (carne seca). O charque era vendido nas diversas províncias brasileiras (São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e na região nordeste), pois era muito utilizado na alimentação dos escravos.

Os produtores gaúchos, donos de imensas estâncias (fazendas de gado), reclamavam duramente do governo do império contra a concorrência que sofria do Uruguai e da Argentina, países que também produziam e vendiam charque para as províncias brasileiras. Como as impostos de importação eram baixos, os produtos importados pelo Uruguai e da Argentina chegaram a custar menos que a carne do Rio Grande do Sul. A concorrência estava arruinando a economia gaúcha. Os poderosos estancieiros gaúchos queriam que o governo do império protegesse a pecuária do Rio Grande e dificultasse a entrada do charque argentino e uruguaio no Brasil.

Essa mesma elite de grandes estancieiros também brigava com o governo do império por uma maior liberdade administrativa para o Rio Grande do Sul.

Entre os principais líderes do farroupilhas destacaram-se Bento Gonçalves, Davi Canabarro e José Garibaldi.

Em 1835, Bento Gonçalves comandou as tropas farroupilhas que dominaram Porto Alegre, capital da província. O governo do império reagiu energicamente, mas não teve forças suficientes para derrubar os farroupilhas. A rebelião expandiu-se e, em 1836, fudou a República Rio Grandense, também chamada República de Piratini.

O momento máximo da expansão do movimento farroupilha deu-se em 1839, com a conquista de Santa Catarina e a fundação da República Juliana, sob o comando de Davi Canabarro e Garibaldi.

A revolução Farroupilha só foi contida a partir de 1842, por meio da ação militar de Luís Alves de Lima e Silva, futuro duque de Caxias. Além da ação militar, Caxias procurou entrar em acordo com os líderes farroupilhas.

No dia 1º. De março de 1845, já durante o Segundo Reinado, celebrou-se o acordo de paz entre as tropas imperiais (comandadas por Caxias) e as forças farroupilhas. O acordo de paz assegurava vantagens básicas exigidas pelos poderosos fazendeiros gaúchos. O direito de propriedade era garantido. Os revoltosos não seriam punidos e receberiam a anistia (perdão) do império. Além disso, os soldados e oficiais do exército farroupilha seriam incorporados ao exército imperial, ocupando postos militares equivalentes. Os escravos fugitivos que lutavam ao lado dos farroupilhas teriam o direito á liberdade. Esta medida,entretanto, beneficiou pouco mais que uma centena de negros(a maioria tinha morrido durante as lutas).

Fonte: www.geocities.com

Revolução Farroupilha

Maior rebelião ocorrida no Brasil durante a Regência. Começa em 1835 no Rio Grande do Sul, estende-se até Santa Catarina e termina em 1845. Conhecidos como farrapos, os liberais exaltados, partidários do regime federativo e republicano, insurgem-se contra o governo central e defendem maior autonomia para as províncias. No Rio Grande do Sul, eles são os emissários das queixas da elite estancieira contra os altos impostos cobrados sobre o charque, o couro e o trigo - produtos básicos da economia local. São também porta-vozes dos ressentimentos da sociedade gaúcha, que se sente abandonada pelo Império na turbulenta região da fronteira sul do país.

Ofensiva farroupilha

Em 21 de setembro de 1835, o deputado federalista e coronel das milícias Bento Gonçalves da Silva entra em Porto Alegre e destitui o presidente da província, Antônio Fernandes Braga. Com a ajuda popular, neutraliza as primeiras reações legalistas. Porto Alegre é retomada pelas forças imperiais, mas os revoltosos ampliam o controle sobre as áreas ao longo da lagoa dos Patos e na Campanha Gaúcha. Após a vitória das tropas comandadas por Souza Neto nos campos do Seival, entre Pelotas e Bagé, os rebeldes proclamam a República Rio-Grandense em 11 de setembro de 1836. A cidade de Piratini, no interior da província, vira a capital revolucionária.

República Juliana

No mês seguinte, quando se prepara para atacar Porto Alegre, Bento Gonçalves é derrotado na travessia do rio Jacuí. Condenado, é enviado para a prisão, na Bahia. Mesmo sem o chefe principal, a rebelião extravasa os limites gaúchos e ocupa a cidade de Lages, importante entreposto comercial de Santa Catarina. Ajudado pelos liberais baianos, Bento Gonçalves foge da cadeia em abril de 1837 e volta a sua província. Entre 1838 e 1839, o movimento fortalece-se. Por precaução, os revoltosos mudam a capital para Caçapava, no interior da Campanha. Com a participação do italiano Giuseppe Garibaldi, uma expedição é enviada para tomar Laguna, no litoral de Santa Catarina, onde é proclamada a República Juliana.

Contra-ofensiva imperial

Com mais homens e armas, as forças do governo avançam contra os rebeldes. Em 1840, a capital dos insurretos é transferida para Alegrete, no extremo oeste gaúcho, para escapar do cerco inimigo. Em 1842 chega ao Rio Grande o novo presidente e comandante de armas da província, Luís Alves de Lima e Silva, barão de Caxias. Com rápidas medidas político-administrativas e militares, Caxias revigora as tropas legalistas e abre caminho para negociações com os insurretos. Após sucessivas derrotas e com suas lideranças em crescente desentendimento, os revoltosos aceitam a paz em 28 de fevereiro de 1845.

Fonte: EncBrasil

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