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Santos

História da Cidade

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Concluída a instalação da Vila de São Vicente, na ilha do Gahayó, assim denominada pelos indígenas, a comitiva de Martim Afonso de Souza começou a ocupar o território.

Domingos Pires e Pascoal Fernandes apossaram-se da porção Enguaguaçu, a uma légua da vila, no fim da praia do Tararé (Itararé), onde construíram um casebre para moradia e um oratório de São Jerônimo, primeiro padroeiro do lugar.

Dois anos após, 1534, já estavam no local, Luís Góes, mestre Bartolomeu Gonçalves (também conhecido por Domingos Gonçalves) e os irmãos Adorno. Outros que ali se fixaram, instalaram, à foz do córrego São Jerônimo, um porto canoeiro que de uso particular, estendeu-se ao uso comum.

A regulamentação das terras ocupadas e trabalhadas iniciou-se em 1539, sendo concedida a sesmaria do Enguaguaçu aos seus povoadores, a 1º de setembro, cuja data, simbolicamente, marca o início da povoação. As terras junto ao rio Jarabatyba ou Jurubatuba, que também incluíam a ilha pequena, hoje Ilha Barnabé, foram concedidas, no entanto, em 1536, a Brás Cubas, por Martim Afonso de Souza, através de sua mulher e procuradora, Ana Pimentel. O fidalgo Português que lá passou a residir em 1540, iniciou o plantio de cana-de-açúcar e outros gêneros de primeira necessidade.

O maremoto de 1541 que assolou a Vila de São Vicente, obrigando-a a transferir a sede, contribuiu para o aumento da povoação do Porto onde já existia uma capela, dedicada a Santa Catarina, segunda padroeira, construída por Luís Góes.

Pretendendo ficar mais próximo à Vila de São Vicente, Brás Cubas comprou, em 1542, parte das terras de Domingos Pires e em 1546, outra parte de Pascoal Fernandes.

Nessa área junto ao Outeiro de Santa Catarina, construiu sua residência e, no ano seguinte, verificando que era mais abrigado para o transporte de cargas de São Vicente, conseguiu a transferência do Porto para Enguaguaçu, no lagamar interno, defronte ao Outeiro. Nessa ocasião o povoado recebeu a primeira denominação em língua Portuguesa – Porto da Vila São Vicente ou, ainda, Porto de São Vicente.

Brás Cubas, a 1º de novembro de 1543, fundou a Irmandade para edificação do Hospital de Santa Casa de Misericórdia de Todos Santos. Em conseqüência, o povoado recebeu a segunda denominação, Porto de Santos e, mais tarde, Santos.

Uma provisão de 1544, assinada por Ana Pimentel, nomeou Brás Cubas, Capitão-mor da Capitânia de São Vicente, que proclamou, em definitivo, a independência de Santos, dando-lhe foros de Vila a 1º de Novembro de 1546.

O progresso da Vila continuou e, em 1867, já na categoria de Cidade, foi estabelecida a ligação ferroviária com o planalto, através da ” The São Paulo Railway Co.” (atual Santos – Jundiaí), melhorando as condições de transporte entre Santos e São Paulo que, por sua vez, entrava em fase de grande desenvolvimento. Isto concorreu para intensificar o movimento de embarcações no Porto, tornando imperativa a adoção de melhorias técnicas, sobretudo voltadas para o comércio do café.

O Decreto nº 9979, de 12 de julho de 1888, deu concessão a uma empresa, para exploração comercial do Porto de Santos. Constituída a mesma, deu-se inicio às obras de melhoramentos do Porto, inaugurando-se em 1892, o primeiro trecho do cais. A obra constituiu o marco inicial de uma série de empreendimentos, que acabaram por dar primazia ao Porto, em movimento e instalações, ficando conhecido como o ” Porto do Café”.

FORMAÇÃO ADMINISTRATIVA

Antiga povoação de Porto de São Vicente, fundada em 1543. Vila criada pelo Foral de 19 de janeiro de 1545. Desmembrada do termo da antiga Vila de São Vicente.

Segundo outra fonte, a vila foi criada pelo Foral de 3 de junho desse último ano. Cidade por Lei Provincial nº 1, de 26 de janeiro de 1939.

Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, o Município de Santos se compõe de 1 único Distrito Santos, criado em 1747. Em divisão administrativa referente ao ano de 1933, o Município de Santos se compõe de 3 Distritos: Santos Cubatão e Guarujá.

Pela Lei Estadual nº 6501, de 19 de junho de 1934, desmembra do Município de Santos o Distrito de Guarujá.

Em divisão territorial datada de 31-XII-1936, o Município de Santos compreende o único termo judiciário da comarca de Santos e se divide igualmente em 2 Distritos: Santos, Cubatão.

Em divisão territorial de 31-XII-1937, o Município de Santos permanece como único termo judiciário da comarca de Santos e se compõe também de 2 Distritos: Santos, e Cubatão.

No quadro anexo ao Decreto-lei Estadual nº 9073, de 31 de março de 1938, o Município de Santos é o único termo judiciário da comarca de Santos e figura com os seguintes Distritos: Santos e Cubatão.

No quadro fixado, pelo Decreto Estadual nº 9775, de 30 de novembro de 1938, para 1939-1943, o Município de Santos é composto dos Distritos de Santos, sub-dividido em 2 zonas: 1ª e 2ª zonas; e Cubatão, e é termo da comarca de Santos formada de 1 único termo, Santos, termo este formado pelos Municípios de Santos, Guarujá, Itanhaem e São Vicente.

Pelo Decreto-lei Estadual nº 14334, de 30-XI-1944, a 1ª zona Distrital de Santos passa a ser 1º subdistrito e a 2º zona Distrital de Santos passa a ser 2º sudistrito.

o quadro fixado pelo referido Decreto-lei, 14334, para vigorar em 1945-48, o Município de Santos ficou composto dos Distritos de Santos (2 subdistritos), 1º e 2º; Bertioga e Cubatão, comarca de Santos.

Pela Lei Estadual nº 233, de 24 de dezembro de 1948, desmembra do Município de Santos o Distrito de Cubatão.

Figura no quadro territorial fixado para vigorar em1949-53, com os Distritos de Santos (2 subdistritos) e Bertioga, comarca de Santos.

Permanece com os Distritos de Santos ( 2 subdistritos) e Bertioga, comarca de Santos, no quadro fixado pela Lei Estadual nº 2456, de 30-XII-1953 para 1954-58.

Assim permanecendo em divisão territorial datada de 1-VII-1960.

Lei Estadual nº 7644, de 30 de dezembro de 1991, desmembra de Santos o Distrito de Bertioga.

GENTÍLICO: SANTISTA

Fonte: Biblioteca IBGE

Santos

História da Cidade

Povoado, Vila e Cidade

Entre os fidalgos que acompanharam Martim Afonso de Sousa* na fundação do povoado de São Vicente, em 1532, Brás Cubas foi um dos mais bem sucedidos.

Sua plantação de cana-de-açúcar encontrou terra e clima favoráveis na região nordeste da ilha de São Vicente, onde se fixou com a família e os agregados.

Em 1535, as terras ocupadas por Brás Cubas formavam um núcleo à parte dentro da ilha; mas o ano em que foi construída a Santa Casa de Misericórdia de Todos os Santos (1543) marcou oficialmente a fundação do povoado, conhecido apenas como Porto. Brás Cubas, em 1545 assume o cargo de Capitão-Mór.

O nome definitivo, que daí se originou, surgiu em 1546, com a elevação à categoria de vila reconhecida por Carta Régia.

Através do porto, a vila recebia mercadorias de Portugal e enviava à metrópole os pães-de-açúcar produzidos no Engenho do Governador (depois chamado Engenho de São Jorge dos Erasmos). Vários outros engenhos estabeleceram-se com o passar dos anos em Santo Amaro, região continental limítrofe à ilha de São Vicente.

Embora pouco movimentado, o porto tornou-se o coração de Santos, enquanto São Vicente entrava numa fase de declínio.

O café foi, sem dúvida, o grande responsável pelo desenvolvimento das instalações portuárias e pelo progresso santista.

A estagnação de mais de duzentos anos foi superada com a construção dos canais sanitários e da estrada de ferro que ligou o porto ao continente. A 26 de janeiro de 1839, Santos passou à categoria de cidade. No ano de 1969 a autonomia política do município foi cassada, recuperando-a no dia 02 de agosto de 1983.

Um lugar aprazível

Os 417.983 habitantes do município (censo de 2000) ocupam 749 quilômetros quadrados de área.

A cidade de Santos situa-se na ilha de São Vicente, mas o município conta também com a parte continental – a maior, em extensão – que inclui o distrito de Bertioga, onde há uma subprefeitura.

Próxima à capital do Estado (72 quilômetros de rodovia, 78 quilômetros de ferrovia), transformou-se inevitavelmente em centro turístico: nos fins de semana e feriados recebe em média 300 000 visitantes e, nas férias de verão, 600 000.

Os turistas são atraídos pelos 7 quilômetros de praias ajardinadas e mar calmo, fronteiriços à avenida onde se erguem os edifícios mais modernos. O centro da cidade, que corresponde às terras inicialmente ocupadas por Brás Cubas, ainda apresenta construções antigas, algumas da época da fundação.

O clima agradável na maior parte do ano e o terreno plano – 2 metros acima do nível do mar (na divisa com Salesópolis, ao norte, o município alcança 1 275 metros de altitude) – favoreceram a expansao do turismo, em torno do qual giram as principais atividades da cidade.

O turista pode visitar lugares históricos como o outeiro de Santa Catarina e as ruínas do Engenho de São Jorge dos Erasmos (do tempo da fundação da cidade), igrejas como as do Valongo (obra dos fran-ciscanos de 1640), do Mosteiro de São Bento (também de 1640) e de Nossa Senhora do Carmo (capela erguida em 1599 e a igreja em 1725).

O Aquário Municipal, o Orquidário, a Casa do Café, o monte Serrat, o morro de Santa Teresinha e o Museu de Pesca são alguns dos lugares mais visitados.

A maior festa religiosa ocorre no dia 8 de setembro, consagrado a Nossa Senhora do Monte Serrat, padroeira da cidade. Os atos litúrgicos realizam-se na Ermida de Nossa Senhora do Monte Serrat, construída em 1603. Uma outra festa – a de lemanjá a 8 de dezembro – atrai para as praias santistas pessoas de todos os Estados brasileiros.

Os administradores santistas vêem nos investimentos turísticos – valorizados pela Rodovia dos Imigrantes e pela auto-estrada Rio-Santos -o modo mais concreto de promover o desenvolvimento da cidade.

Centro industrial

O interesse pelo turismo não afasta a preocupação com o avanço industrial. Santos possui indústrias relacionadas com a pesca, metalúrgicas, indústrias de calçados e de blocos e artefatos de cimento. Mas 83% da arrecadação provêm do setor terciário. Privilegiadas isenções impedem o porto de contribuir à altura para a arrecadação municipal.

Diante deste impasse econômico, os administradores ventilaram a necessidade da criação de um distrito industrial, na área continental denominada vale do Quilombo.

Diversos fatores foram levados em conta para a escolha do local: a natureza do solo (que dispensa fundações indiretas, de custo elevado), água e energia elétrica compatíveis com as necessidades industriais, e fácil escoamento dos produtos através das estradas Piaçagúera-Guarujá e Rio-Santos.

O planejamento previu instalações de indústrias pesadas no vale do Quilombo, reservando para as indústrias leves a zona industrial de Alamoa e a zona mista do noroeste; indústrias de barcos e de pesca ficariam restritas a Bertioga e à zona portuária.

Cidade-porto

No dia 2 de fevereiro de 1893, um vapor britânico deu inicio às operações intercontinentais no primeiro trecho do cais de Santos. Além de ser um dos mais antigos portos brasileiros, é o maior de todos; a localização estratégica coloca-o ao alcance de importantes centros estaduais agrícolas e industriais, como Minas Gerais, Mato Grosso, Sio Paulo e Goiás.

A Estrada de Ferro Santos a Jundial faz conexão com a Companhia Paulista que chega, por um dos ramais, até Bauru, onde encontra a Noroeste do Brasil. Em Corumbá, a Noroeste liga-se à Brasil-Bolivia, chegando a Santa Cruz de la Sierra. Outro ramal da Noroeste alcança a fronteira com o Paraguai, em frente a Ponta Porã.

A Sorocabana liga o porto de Santos a uma extensa zona do Estado de São Paulo, irradiando-se em direção ao sul através da Rede de Viação Paraná-Santa Catarina.

Os corredores rodoviários a serviço do porto começam pela Via Anchieta (Santo-São Paulo) que encontra os sistemas rodoviários de Minas Gerais e do Paraná, atingindo algumas regiões da Bolívia e do Paraguai.

As ilhas de São Vicente e Santo Amaro e um pedaço de continente formam o estuário onde o porto se localiza. A profundidade das águas oscila entre 5 e 13 metros nos S 147 metros de extenso do cais que se apresenta dividido em dois trechos: na margem direita do canal – ilha do Barnabé; e na ilha de Santo Amaro – Conceiçãozinha.

Grandes armazéns internos e externos, pátios cobertos e descobertos, servem de abrigo às mercadorias embaladas de todos os tamanhos, que aguardam o embarque ou o transporte até o continente; os combustíveis líquidos (vindos da Refinaria Presidente Bernardes, no município vizinho de Cubatão, por exemplo) e outros produtos a granel ficam armazenados nos tanques da ilha do Barnabé, e dos cais de Alemoa e Saboó.

Canalizações submarinas de 1000 metros de extensão conduzem o petróleo e seus derivados da ilha do Barnabé a Santos; Saboó e Alemoa então equipados com quatro vias de canalização submarina para transporte de óleo combustível (uma com 7 805 metros de comprimento e outras três que somam 16054 metros) e uma especialmente para óleo, com 848 metros de extensão.

O movimento do porto de Santos atingiu 11 745000 toneladas em 1970, e 13524043 toneladas em 1971.

Fonte: www.euvimdesantos.com.br

Santos

HISTÓRIA DE SANTOS

Santos possui o maior jardim à beira-mar do mundo: sete quilômetros na orla.

Santos é uma das cidades mais antigas do Brasil, portanto histórica, mas também cosmopolita, portuária e ecológica. Seu povoamento começou por volta de 1540 e o passado deixou legados preciosos em casarões, museus e igrejas, destacando-se a Bolsa Oficial do Café, marco da riqueza da cidade. Santos abriga o maior complexo portuário da América Latina, construído no início do século XX, fase de grande progresso como escoadouro de café.

Suas praias são limpas, com jardins coloridos, entremeados de amendoeiras e palmeiras.

Decretos, leis e iniciativas resgataram seu velho charme de cidade litorânea ecologicamente correta. Santos oferece ainda vida cultural intensa, um centro comercial dinâmico, bares movimentados, restaurantes requintados e todo o conforto de um moderno centro turístico.

Elevada a Vila em 1545, Santos tem sua origem relacionada com a chegada dos primeiros colonizadores portugueses ao Brasil, na expedição de Martim Afonso de Souza. Este veio distribuir, entre os fidalgos que o acompanhavam, as terras ao redor da Ilha de São Vicente. Dentre eles estava Brás Cubas oficialmente fundador de Santos.

Do povoado partiram muitas bandeiras, que penetraram no interior do território brasileiro, em busca de riquezas. Em nosso porto também desembarcaram, no início deste século, novos colonizadores: os imigrantes, oriundos de diversas partes do mundo.

Terra da Caridade e da Liberdade, Santos teve a primeira Santa Casa de Misericórdia da América. É berço de figuras de renome, como os irmãos Bartolomeu e Alexandre de Gusmão e os irmãos Andradas, dentre os quais se projetou José Bonifácio de Andrada e Silva, personagem maior da Proclamação da Independência.,

Graças a seus filhos ilustres e ao espírito comunitário, Santos sempre se destacou na história nacional, ora envolvida na libertação dos escravos, ora lutando pela independência do País.

Santos tem inúmeros monumentos históricos, compostos por azulejos e mármores, máscaras e estátuas, pinturas em tela e afrescos, altares e túmulos, gradis de ferro e postes de iluminação, pormenores que valorizam as obras.

Esternos observadores, os rostos esculpidos nas fachadas testemunham a preservação do acervo. No Centro de Santos permanecem ainda alguns trabalhos do pintor e historiador Benedito Calixto, dentre eles os painéis do Salão dos Pregões da Bolsa Oficial de Café, de 1922.

A arte Sacra se manifesta em igrejas coloniais, barrocas, e no museu instalado no Mosteiro de São Bento, que guarda relíquias como a imagem de Santa Catarina de Alexandria, do século XVI, que assistiu a fundação de Santos e, segundo a lenda, chegou a proteger a cidade de um ataque de piratas.

O Outeiro de Santa Catarina é o local do marco inicial da povoação da cidade. O pequeno monte, significado da palavra outeiro, foi dado pelo Capitão-Mor Antônio de Oliveira aos primeiros povoadores do lugar em 1539. Mais tarde Brás Cubas, o fundador de Santos, adquiriu as terras virgens junto ao local, para construir um novo ancoradouro. No século XVI, Luiz de Góes e sua esposa, Catarina de Aguillar, uma família que morava próximo do local, construíram na base do morro a capela de Santa Catarina de Alexandria, a primeira de Santos e que em 1540 se tornou a primeira matriz. Quando o corsário inglês Tomas Cavendish saqueou a vila, em 1591, a capela foi destruída e a imagem da santa, jogada ao mar. Em meados do século XVII, a peça foi resgatada por escravos e, em 1663, iniciou-se a reconstrução da capela, agora no topo do outeiro.

Ao longo dos séculos XVIII e XIX, o morro foi sendo desbastado para a obtenção de aterro para construção do porto. A igreja foi demolida. Entre 1880 e 1884, o médico João Éboli, estabelecido em Santos, mandou construir uma casa acastelada sobre o bloco de pedra restante. Após longo processo de decadência, o local foi tombado em 1985 e reconstruído pela Prefeitura em 1992.

Hoje abriga a sede da Fundação Arquivo e Memória de Santos, instituição responsável pela gestão dos arquivos públicos e da memória não edificada da cidade.

No Pantheon dos Andradas, construído ao lado do Conjunto do Carmo, está o jazigo de José Bonifácio de Andrada e Silva, o Patriarca da Independência, e de seus irmãos Antônio Carlos, Martim Francisco e Padre Patrício Manuel.

O prédio inaugurado em 7 de setembro de 1923, conta com monumento projetado pelo escultor Rodolpho Barnadelli e executado na Itália. Além das urnas, o templo cívico apresenta quadros em bronze com cenas da História do Brasil e inscrições de frases dos irmãos Andradas.

Foi o Centro Histórico, compreendido pelo quadrilátero entre as ruas São Bento, São Francisco, Constituição e o cais do Porto, que primeiro viu surgir uma cidade próspera, vanguardista e, acima de tudo, bonita.

Prédios, praças, ruas e vielas até hoje compõem um cenário que se caracteriza como conjunto arquitetônico dos mais importantes dentre os remanescentes no Brasil.

Do simples colonial ao rebuscado barroco, da austeridade vitoriana à suntuosidade neoclássica, a diversidade de estilos marca presença nas fachadas.

O estado de preservação caracteriza os imóveis construídos para ocupação militar, residencial, comercial ou religiosa, já que a cidade se concentrava naquela região até o final do século passado.

Com o crescimento do porto e a instalação da Ferrovia Santos-Jundiaí, houve necessidade de sanear o restante da ilha, o que levou ao deslocamento da população para a praia.

Santos é, enfim, uma cidade cheia de cultura impressa em seus monumentos, museus e artes.

Cidade sempre preparada para receber turistas o ano inteiro, dispõe de muitas formas de lazer, entretenimentos, comércio, hospedagens, passeios, etc.

Em 1998, a Organização das Nações Unidas apontou a cidade de Santos como a primeira no estado de São Paulo em qualidade de vida, e a terceira do Brasil.

Uma dica, para conhecer melhor os pontos turísticos de Santos, tanto para moradores da região como para turistas, é a Linha Conheça Santos e o Bonde Turístico no Centro.

Fonte: www.santoscidade.com.br

Santos

Santos – Cronologia de nossa História

1500 – A Cultura Indígena

Infelizmente, muito pouco ficou registrado sobre a história indígena da região na época pré-colonial. Sabe-se que a ilha de São Vicente, onde hoje está a cidade de Santos, chamava-se Guaiaó; seus habitantes originais, pertencentes à grande nação tupi, possuíam vários núcleos habitacionais na região e, no princípio conviviam bem com os primeiros europeus que vieram habitar as novas terras, como João Ramalho e Cosme Fernandes. Já os tamoios eram extremamente belicosos. Os indígenas viviam basicamente da cultura extrativista, subsistindo da pesca, da caça e da exploração de riquezas naturais da Mata Atlântica, até a chegada dos primeiros colonos.

1501 – Américo Vespúcio chega a Guaiaó

Depois da vinda da armada de Pedro Álvares Cabral em 1500, que oficializou perante a História o descobrimento do Brasil, em 1501 o rei português D. Manoel ordena expedição exploradora ao Brasil, convidando o renomado florentino Américo Vespúcio para participar como piloto e cosmógrafo. A expedição de três naus era comandada por André Gonçalves e durante um ano cartografou a costa, demarcou terras e deu nomes a ilhas e rios da costa brasileira. Foi Vespúcio quem batizou com o nome de São Vicente, pois era dia de S. Vicente, a ilha conhecida como Ilha de Gaiaó ou Guaiaó.

Uma das cartas de Vespúcio relatando a viagem revela que num dos navios dessa expedição veio um “bacharel,” degredado por D. Manoel, e que foi deixado em Cananéia; o degredado, conhecido pela história como Mestre Cosme Fernandes, veio a desempenhar papel importante no início de nossa história e a ele é atribuída a fundação dos povoados de Cananéia, Iguape e até do próprio povoado de São Vicente.

1501 a 1530 – Os pioneiros da colonização do Guaiaó

A costa brasileira e a região de São Vicente eram alvo de muitas expedições oficiais e não oficiais, particulares e clandestinas, que aqui vinham em busca de escravos e do precioso pau-brasil, objeto de comércio e também de contrabando. Entre cinco e trinta anos antes da chegada de Martim Afonso de Souza e da criação oficial de São Vicente, muitos estrangeiros já haviam se estabelecido na região, que era muito propícia à fundação de feitorias e habitada por indígenas amistosos. Dentre os estrangeiros aqui estabelecidos e que maior relação tiveram com o primitivo povoado de São Vicente podemos citar Mestre Cosme Fernandes, Gonçalo da Costa (genro de Mestre Cosme), Francisco de Chaves (também genro de Mestre Cosme), Pero Capico, Henrique Montes, Antonio Rodrigues, João Ramalho e Aleixo Garcia.

Mestre Cosme, que vivia em Cananéia desde 1502, casou com uma filha do chefe indígena Piquerobi e veio para São Vicente em 1510, onde fundou um povoado, organizou um porto de serventia na boca do rio de São Vicente (atual Estuário), fez fortuna e prosperou com um grande negócio de escravos, um estaleiro localizado no Japuí, e com o fornecimento e suprimento de navios que por aqui passavam a caminho do Paraguai e do Prata.

Cidade de Santos
A esquadra de Martim Afonso fundeia no Porto das Naus, na concepção de Calixto.

1531 – A chegada de Martim Afonso de Souza

Em dezembro de 1531, a expedição colonizadora chefiada por Martim Afonso de Souza fundeia seus navios defronte à praia do Sol (praia do Góis), na Ilha de Santo Amaro.

Nessa época, o povoado de São Vicente já possuía cerca de dez ou doze casas, muitas habitações indígenas, armazéns para mantimentos, embarcações, uma pequena torre de pedra para defesa, o Porto das Naus para navios de grande calado (na chamada barra grande), um porto para embarcações menores (na chamada barreta, no povoado de São Vicente) e grande atividade econômica, pois era posto de troca de mercadorias entre índios e moradores e, sobretudo, local de fornecimento de água e suprimento dos navios que por aqui passavam. Martim Afonso, que vinha na qualidade de Capitão-Mor, trouxe 400 soldados e inúmeras bocas de fogo para expulsar o degredado Cosme Fernandes e sua gente de São Vicente e também para combater piratas franceses e ingleses na costa brasileira.

Com ele também vieram 27 nobres, colonos e artífices. Entre os recém chegados estavam Pero Capico, Henrique Montes e outros que aqui já haviam morado. A vinda de Martim Afonso faz com que Mestre Cosme, condenado a viver seu degredo em Cananéia, seja obrigado a se retirar de São Vicente, abandonando seus negócios e retornando com sua numerosa família a seus antigos sítios de Iguape e Cananéia.

1532 – Fundação da Vila de São Vicente

Como Capitão-Mor e Governador, Martim Afonso suspende os negócios de escravos e com a autorização do rei D. Manoel, em 22 de janeiro de 1532 dá foro de Vila ao povoado de São Vicente, que veio a se tornar a “celula mater” brasileira, capital da Capitania que tomou o seu nome, assim como o antigo Porto das Naus se tornou Porto de São Vicente.

Em São Vicente Martim Afonso constrói uma pequena capela, um pelourinho, e a primeira instituição democrática do país: a Câmara de São Vicente. Martim Afonso manda João de Souza de volta a Portugal com notícias de seu progresso para o rei D. Manoel. Este, satisfeito, cria a “Donataria de São Vicente” e a concede a Martim Afonso, que passa a possuir todas as terras da Capitania.

1532-1540 – Os primeiros colonos do Enguaguaçu

Pero Lopes, um dos comandantes de Martim Afonso, adentra o Rio São Vicente (estuário) em reconhecimento e depara com o já conhecido Porto das Naus, na altura de onde hoje fica o Museu de Pesca. Para lá ele leva as naus da armada, vara uma das naus em terra e constrói uma casa para guardar velas e equipamentos dos navios. Ali, no Porto de São Vicente, na atual Ponta da Praia vieram a existir os primeiros trapiches e casas de fiscalização alfandegária de São Vicente, ponto que veio a constituir o primeiro núcleo administrativo santista.

Martim Afonso distribui terras e as pessoas que com ele vieram avançam pelas águas mais adentro, à procura das melhores fontes de água e terras, fixando-se na região conhecida pelo nome indígena de Enguaguaçu (“enseada grande”), que possuía uma sucessão de boas aguadas e terras secas e boas para o plantio. Entre 1532 e 1540, nela haviam se estabelecido o fidalgo Luiz de Góis e sua mulher Catarina de Andrade e Aguilar (que se estabeleceram próximo a um outeiro e aí construíram a capela de Santa Catarina), José e Francisco Adorno (nobres genoveses que trouxeram cana e um engenho “desmontado” da Ilha da Madeira), Domingos Pires e Pascoal Fernandes (considerados os primeiros povoadores do Enguaguaçu), André Botelho e Mestre Bartolomeu Gonçalves (que se estabeleceu no Morro do Desterro).

Nos arredores do Enguaguaçu, nas áreas agrícolas vizinhas, se estabeleceram Francisco Pinto, Rui Pinto, Antonio Rodrigues de Almeida, Pero de Góis, Henrique Montes e Jorge Ferreira, todos articulados com o Engenho de São João, dos irmãos Adorno. A Brás Cubas, criado de Martim Afonso e futuro feitor da nova colônia, coube o Monte de São Jerônimo (Monte Serrat). Nessa época, os colonos tinham a concessão das terras, mas não a sua propriedade, que viria depois, de acordo com o seu desenvolvimento, no sistema de sesmarias.

Cidade de Santos
Santos e S.Vicente em 1532. As linhas em laranja eram caminhos e trilhas abertas pelos índios e primeiros povoadores. Veja a legenda abaixo:

A- Praia do Sol.
B – Porto das Naus..
C – Porto de São Vicente.
1- Luiz de Goes (outeiro de Sta. catarina)
2- Paschoal Fernandes e Domingos Pires.
3- Brás Cubas (Monte Serrat)
4- José e Paulo Adorno (Valongo)
5- Mestre Bartolomeu Gonçalves (Morro do Desterro)
6- Jorge Ferreira (Itapema)
7- Henrique Montes (Ilha Pequena)
8- Pero de Goes
9- Rui Pinto
10- Francisco Pinto
11- Antonio Rodrigues
12- Pero Corrêa
13- Fernão de Moraes
14- Povoado de São Vicente
15- Antonio Rodrigues (residência no “Porto de Tumiaru”)

1532-1534 – Os primeiros engenhos

Em 1532 Pero de Góis constrói o primeiro engenho da Capitania na região do atual Sítio das Neves – o Engenho Madre de Deus. Em 1533 começa a funcionar o Engenho São João, dos irmãos Adorno, construído próximo ao atual Morro de São Bento.

O início agrícola e industrial do Enguaguaçu em 1532 é consolidado com a fundação do Engenho do Governador ou Engenho do Trato em 1534, construído aos pés do Morro da Nova Cintra, em parceria formada por Martim Afonso, Johan Van Iste (que chamavam João Veniste), Francisco Lobo e Vicente Gonçalves. Martim Afonso determinou que a cana necessária para a produção do engenho fosse fornecida pela roça de Rui Pinto, o que tornava este último “partidista” do negócio (mais tarde esse engenho foi vendido ao holandês Erasmus Schetz e passou a ser chamado Engenho de São Jorge dos Erasmos, e com esse nome são conhecidas as suas ruínas até hoje).

De outro lado, Pascoal Fernandes e Domingos Pires, os primeiros povoadores do Enguaguaçu, se associaram na construção de uma casa e na plantação de cana para suprir o Engenho São João, de José Adorno, também conhecido como “Genovês”. Como “partidistas” do engenho, eles plantaram na área entre o Estuário e a encosta do São Jerônimo, desde o atual Corpo de Bombeiros até onde hoje está a Cadeia Velha. Este tipo de sociedade, uma espécie de sociedade anônima primitiva, durou séculos no Brasil.


1534 – São Vicente é atacada e a população foge

Em 1534 as forças de Iguape, compostas por espanhóis, portugueses e indígenas agregados (grande parte deles gente de Piquerobi), liderados por Mestre Cosme Fernandes e seus genros, atacam a Vila de São Vicente como um desagravo por terem perdido tudo o que haviam construído durante vinte anos.

Os poucos soldados que Martim Afonso deixara na Vila capital não constituíram resistência e São Vicente foi saqueada e destruída. Os moradores fugiram apavorados e se refugiaram na povoação que surgia no Enguaguaçu. Esse fato acarretou num aumento da população do nascente povoado e, muitos dos refugiados, mesmo depois de passado o perigo, acabaram por permanecer no Enguaguaçu.

1533-1540 – Brás Cubas se estabelece no Enguaguaçu

Em maio de 1533, Martim Afonso de Souza parte para Portugal e deixa seu servidor pessoal, Brás Cubas, como feitor arrecadador na povoação. Com a morte de Henrique Montes, assassinado por ocasião do ataque à São Vicente em 1534, Brás Cubas passa a almejar a posse de suas terras, uma vez que as terras que lhe couberam, nos arredores do Monte Serrat, eram pequenas e encravadas entre as grandes áreas de Pascoal Fernandes e Domingos Pires.

Em 1535, ele deixa em seu lugar, como feitor, a Rodrigo de Lucena, e parte então para o Reino afim de pleitear junto a Ana Pimentel, procuradora de Martim Afonso, a posse das terras que queria – as terras do Jurubatuba e da Ilha Pequena (atual Barnabé). Em 1537 o pai de Brás Cubas, João Pires Cubas, chega para cultivar a terra no lugar do filho, mas não consegue devido à oposição dos índios. Passa então a cultivar as terras da primeira sesmaria de Cubas, nos arredores do Monte Serrat. Em 1540 Brás Cubas retorna de Portugal trazendo gente suficiente para enfrentar os índios do lugar e se estabelece na Ilha Pequena, depois chamada Ilha de Brás Cubas e, mais tarde, Ilha dos Frades (por ter sido doada aos frades do Carmo).

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Brás Cubas, em bico de pena de Lauro Ribeiro da Silva

1541 – Transferência do Porto de São Vicente

Depois de oito anos ausente, assim que retorna de Portugal em 1540, Brás Cubas começa a lutar pelo desenvolvimento do povoado e consegue do Capitão-Mor Antonio de Oliveira a autorização para transferir o antigo Porto de São Vicente de onde estava (na atual Ponta da Praia) para o fundeadouro do Enguaguaçu.

Com o porto na atual Ponta da Praia os marinheiros que permaneciam na região por períodos curtos tinham que ficar no meio do nada; por sua vez, os fazendeiros tinham de conduzir suas cargas mais pesadas até o porto em canoas (o que era perigoso) ou rodeando a ilha a pé (o que era demorado).

A nova localização do porto defronte à povoação era muito mais conveniente para todos e, a partir daí, o povoado de Enguaguaçu passou a ser chamado de Porto de São Vicente, por atender a todos os navios que vinham para São Vicente. Ao novo porto convergiam a produção dos fazendeiros do Enguaguaçu, dos moradores da Vila de São Vicente, bem como os da Ilha de Santo Amaro e Bertioga.

Foi também em 1540 que o fidalgo Luiz de Góes construiu uma capela em homenagem a Santa Catarina, no outeiro próximo a sua casa e que levou seu nome – Outeiro de Santa Catarina.

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A Casa do Trem Bélico e, ao fundo o outeiro e a Capela de Santa Catarina, em quadro de Benedito Calixto.

1541 – Um maremoto destrói parte de São Vicente

Em 1541 um maremoto destrói em São Vicente a Casa do Conselho, a Igreja, o Pelourinho e diversas casas da Vila. Muitos dos moradores, alarmados, resolvem mudar para a povoação do Enguaguaçu. Esse fato dá novo empurrão ao desenvolvimento do povoado e, com o aumento da população regular, em 1542 surge a idéia da construção de um hospital, colocando-se Brás Cubas à frente da iniciativa, que arrecada dos colonizadores mais abastados as contribuições que garantam os meios para a construção.

1543 – Fundação da Santa Casa de Todos os Santos

Em 1543 é fundado o hospital, influência das Casas de Misericórdia de Portugal, para atender aos enfermos dos navios que ali aportavam e aos moradores de toda a região.

O local escolhido para o hospital foi o sopé do outeiro de Santa Catarina (onde hoje se situa a Rua Visconde do Rio Branco). O hospital recebeu o nome de Hospital de Todos os Santos inspirado no nome do grande hospital de Lisboa e na data da sua fundação – o dia de Todos os Santos.

Segundo Frei Gaspar da Madre de Deus, o povoado do Enguaguaçu passou a ser chamado Povoado do Porto de Todos os Santos e de Porto de Santos, por causa do nome do hospital. A Santa Casa de Misericórdia de Todos os Santos foi o primeiro hospital do Brasil e subsiste até hoje.

1544 – O povoado cresce em importância

Em 1544 Brás Cubas adquire terras de Pascoal Fernandes e Domingues Pires, vizinhas a sua primeira sesmaria junto ao Monte Serrat. São as primeiras terras que ele compra no Enguaguaçu e ali ele constrói uma casa e se estabelece.

Também em 1544 é nomeado o primeiro juiz do povoado, Pedro Martins Namorado. A nomeação de um juiz se deveu a um pedido dos próprios camaristas de São Vicente ao Capitão-Mor da Capitania e foi determinante para a elevação do povoado de Santos à condição de Vila.

1546 – Santos ganha foro de Vila

Em 1545 Brás Cubas assume o cargo de Capitão-Mor da Capitania de São Vicente. Ninguém sabe ao certo quando Brás Cubas deu foro de Vila ao povoado de Enguaguaçu – presume-se por documentos e escrituras daquela época ter sido em fins de 1546, provavelmente em 1° de novembro, por ser o dia de Todos os Santos, reservado a grandes ocasiões, segundo os usos da época.

A Vila recebeu o nome de Vila do Porto de Santos, por inspiração da data ou do nome do hospital fundado em 1543. Nessa época, a Igreja de Santa Catarina construída por Luiz de Góis passa a ser a Matriz da Vila, e a Casa da Câmara é erguida também junto ao Outeiro.

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Brás Cubas lê o Foral da Vila, na concepção de Benedito Calixto (este painel pode ser admirado na Sala de Pregões da Bolsa de Café)

1550 – Criada a Casa da Alfândega

O rei de Portugal envia Antonio Cardoso de Barros como Provedor-Mor ao Brasil com a missão de organizar a arrecadação dos impostos na colônia, criando ele casas de alfândega em todas as vilas marítimas por onde passa. Em Santos, ela foi instalada em casa junto ao prédio do Conselho.

Em 1551, Brás Cubas recebe do Provedor-Mor uma Carta de Mercê que o torna Provedor da Fazenda Real da Capitania de São Vicente. Vinte anos depois, devido à concentração do comércio no Valongo, a alfândega mudou para um local da atual Rua Riachuelo e depois passou a funcionar num casarão chamado popularmente de “Consulado”, na Rua da Praia que, por causa disso, passou a ser conhecida como Rua da Alfândega e depois Rua do Consulado (atual Frei Gaspar).

1550 – A chegada dos jesuítas

Os primeiros jesuítas chegaram aqui por volta de 1550 e fundaram um colégio na Vila capital, São Vicente. Em 1567, O Pe. José de Anchieta, convencido da necessidade de transferir o Colégio Jesuíta da Vila de São Vicente para a Vila de Santos, requer junto ao Conselho a doação de terreno existente junto à Casa da Câmara e inicia a construção de casa provisória para o abrigo dos padres. Tendo ele que se ausentar, e também por falta de recursos, a obra acabou paralisada.

1552 – Construção do sistema de defesa

Em 1552 Brás Cubas, por ordem de Tomé de Souza, manda erguer a Fortaleza de São Felipe na entrada da Barra da Bertioga. No entanto, a pressão dos hostis tamoios do litoral norte pareceu aumentar, principalmente sobre os ocupantes de Bertioga e da Ilha de Guaibê (Santo Amaro). Os moradores da nova Vila sentiam-se inseguros e ameaçados. O medo e a fundação do povoado de São Paulo de Piratininga, em 1554, atraiu parte dos colonos sem terra para o Planalto, enquanto outros voltaram para Portugal. Em 1557, é construída a Fortaleza de São Tiago, defronte à primeira, fechando a defesa da entrada do Canal de Bertioga.

1560 – Mem de Sá vem a Santos

Mem de Sá vem a Santos em março de 1560 e manda construir, junto à Vila e próximo ao ribeirão do Itororó, o Forte da Vila. Depois segue para o planalto e dá foro de Vila a São Paulo de Piratininga.
Em 1562, José Adorno e sua mulher, Catarina Monteiro, constroem uma igreja nas proximidades do rio São Jerônimo, em terras do Engenho São João, de sua propriedade – a Igreja de Nossa Senhora da Graça.

1563 – A Confederação dos Tamoios

Em 1563 a população entra em pânico com o anúncio de uma confederação de todas as tribos tamoias visando atacar e destruir tudo o que os colonizadores tinham construído. Os jesuítas Manuel da Nóbrega e José de Anchieta se oferecem para tentar conter os índios e alguns santistas, liderados por José Adorno, se reúnem para levá-los. Eles partem em caravana de dez bergantins para Ubatuba e, após alguns meses de conversas e negociações, os jesuítas conseguem apaziguar os índios e é firmado o Armistício de Iperoig entre os aborígenes e os portugueses, o que salvou toda a obra colonizadora.

1570 – Santos é atacada pelos tamoios

Em 1565 esteve em Santos Estácio de Sá, preparando a expedição que expulsaria os franceses instalados no Rio de Janeiro. Alguns espíritos mais aventureiros se uniram a ele, entre eles José Adorno, que chegou a custear parte das despesas. A expedição partiu no ano seguinte com um pequeno exército. Sabedores deste fato, uma parte da tribo dos Tamoios, simpatizantes dos franceses, aproveitou para atacar as duas Vilas. Mas a resistência formada por guaianases e carijós conseguiu expulsar os invasores. Pouco tempo depois, em 1570, é decretada a lei proibindo a escravidão dos índios no Brasil, fato que pacifica os ânimos do gentio e beneficia profundamente os colonizadores.

1580 – A Espanha invade Portugal

Em 1580, Felipe II da Espanha invade Portugal e a Casa Real Portuguesa e todos os seus domínios, inclusive o Brasil, passam a pertencer à Espanha. Com a tomada do trono português pela Espanha, piratas holandeses e ingleses, ferrenhos inimigos dos espanhóis, passam a atacar naus da Espanha e suas colônias, incluindo o Brasil. Os ataques se tornam ainda mais constantes depois da destruição da “Armada Invencível” espanhola em 1588, comprometendo o comércio da colônia com a Europa e reduzindo consideravelmente as atividades do porto de Santos.

1583 – Santos é invadida por corsários

Em 1583 Santos é invadida pelos corsários ingleses de Edward Fenton. Não chegou a ser tanto uma invasão, mas mais uma “insinuação”. Eles alegaram precisar dos serviços de um ferreiro, espalhavam que Felipe da Espanha havia morrido e tentavam convencer a população a se colocar sob o protetorado inglês. Mas um navio espanhol, sabendo que Fenton fora visto rondando a costa vicentina, adentra pelo porto e expulsa os ingleses. Depois desse fato, Felipe II manda construir um forte na entrada da barra de Santos – o Forte de Santo Amaro ou Fortaleza da Barra Grande que, juntamente com os fortes de São Tiago e São Felipe guardavam todos os possíveis acessos por mar à Vila do Porto de Santos.

1585 – Início da Educação Religiosa

Em 1585, o visitador da Companhia de Jesus Pe. Cristóvão de Gouveia consegue junto à Câmara a cessão da própria casa da Câmara, que estava prestes a se transferir para novo prédio. Assim, os jesuítas se transferem da Vila de São Vicente para o novo prédio em Santos e fundam o Colégio dos Jesuítas, mais tarde Colégio São Miguel, a primeira fonte de instrução da Vila.

1589 – Os carmelitas e a Igreja do Carmo

Em 1580 chegam à Vila os primeiros carmelitas e, por falta de outro lugar, se abrigam na Igreja de Nossa Senhora da Graça. Em 1589, os Adorno acabam por doar a Igreja da Graça aos carmelitas e Brás Cubas lhes doa um terreno vizinho onde eles constroem um precário convento. Dez anos depois os carmelitas iniciam a obra de seu convento e igreja definitivos, na atual Praça Barão do Rio Branco. A Igreja de N. Senhora da Graça, presente na cidade por 340 anos, foi derrubada para alargamento da antiga Rua do Sal (Rua José Ricardo).

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O novo prédio da Casa do Conselho, que abrigava a Câmara e a Cadeia, nos idos de 1610, em quadro de Calixto. Ao fundo se avista a torre da Igreja do Carmo.

1591 – O natal de sangue de Thomas Cavendish

O título acima foi a manchete de um artigo jornalístico da época. Assim foi relatado o segundo ataque inglês a Santos, dessa vez comandado por Thomas Cavendish. Na noite de natal de 1591, as forças do Forte da Vila, certas da proteção do Forte da Barra Grande, estavam totalmente desprevenidas e a população, concentrada na Igreja de Santa Catarina, comemorava as festas natalinas. Um navio inglês adentra a barra sem ser avistado, fundeia no porto e mira seus canhões para o Forte da Vila, ordenando a sua rendição.

A tripulação que desembarca, brutal e esfomeada, entrega-se ao saque e a deprecações, provocando a fuga de todos os moradores para os sítios vizinhos e para as matas. A própria imagem de Santa Catarina foi arrancada da capela e lançada às águas do Enguaguaçu, onde permaneceu perdida por 90 anos, até ser resgatada por pescadores. Os ingleses permaneceram na Vila por dois meses, respondendo aos ataques da resistência que se formara. Não conseguindo o retorno da população, Cavendish acaba por se retirar. Um dos maiores prejuízos desse ataque a Santos foi a destruição de documentos e preciosos registros históricos.

1603 – Erguida a Capela de N. S. do Monte Serrat

O Governador da Capitania de São Vicente, Don Francisco de Souza, manda construir em 1603 a Capela de Nossa Senhora do Monte Serrat, no alto do morro de São Jerônimo que, a partir de então, foi perdendo seu nome original para se denominar Monte Serrat.

1615 – Santos é atacada pelos holandeses

Em março de 1615, Santos sofre o ataque da frota holandesa de Goris Van Spilbergen, ataque que dura algumas semanas e que encontra a resistência desesperada dos moradores das duas Vilas, socorridos pela gente de São Paulo sob comando de Amador Bueno da Silveira e Lourenço Castanho Taques. Reza a tradição que os santistas buscaram refúgio no alto do Monte Serrat e que sobre os corsários que os perseguiam desabou uma parte do monte, matando-os. A devoção a Nossa Senhora do Monte Serrat cresceu tanto que ela veio a se tornar a padroeira oficial de Santos.

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O Rancho Grande e o mercado de tropeiros no início do século XVIII. Ao fundo a Santa Casa em sua terceira sede e a Capela de S, Jerônimo, depois Igreja de São Francisco da Penitência (quadro de Benedicto Calixto).

1640 – A chegada dos franciscanos

Em 1639 um frade franciscano vem a Santos examinar o local para a instalação de um convento. No ano seguinte chega à Vila um grupo de sete ou oito frades, que recebem terras doadas pelo Capitão-Mor e pela Câmara local e iniciam a construção de um convento. Até eles poderem se instalar, foram acolhidos na Capela de Nossa Senhora do Desterro, então de propriedade de Bartolomeu Fernandes Mourão. No mesmo ano eles se mudam para o convento parcialmente pronto e, em 1642 iniciam a construção do convento definitivo e da igreja, que permanece de pé até hoje, no Valongo.

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A Igreja e o Convento do Valongo em 1840, segundo Calixto. Na frente, o chamado Porto das Canoas, na foz do São Jerônimo.

1650 – Construção do Mosteiro de São Bento

Dez anos após a chegada dos franciscanos, chegam a Santos os monges beneditinos que fundam o Mosteiro de São Bento na própria Capela de Nossa Senhora do Desterro, doada à ordem beneditina por Bartolomeu Fernandes Mourão. O mosteiro foi erguido junto à capela já existente e que hoje é a mais antiga da cidade. Em 1656 a Igreja do Monte Serrat também é doada aos beneditinos.

1615-1765 – Empobrecimento e decadência

A Vila de Santos entra em uma fase de marasmo e decadência. Vários fatores contribuem para o esvaziamento da Vila: as invasões estrangeiras que haviam solapado a Vila e afugentado moradores, a participação de Santos na guerra travada contra os holandeses no norte do país, a busca por oportunidades melhores no planalto, a fuga das doenças infecciosas que o clima e o terreno alagadiço do litoral faziam proliferar e a fase do bandeirismo que se seguiu, atraindo os filhos da terra para aventuras em busca de minas no interior da Capitania.

O esvaziamento da Vila acarreta o esgotamento econômico, não só de Santos como de todo o litoral vicentino. O dinheiro se torna escasso e se inicia um sistema de trocas, valendo cada produto um valor arbitrado para a compra de outras mercadorias. Tudo é muito caro e a vida é difícil para os mais pobres. Os navios estrangeiros começam a rarear no porto.

Para completar, uma epidemia de bexiga mata um terço da população e a calamidade é tanta que o Caminho do Mar é fechado e interrompida a ligação com São Paulo. Em 1683, a capital da Capitania é transferida de São Vicente para São Paulo, um golpe para a Vila de Santos, que vinha desempenhando este papel na prática. Quando tem início o comércio de escravos negros, o crescimento da importação é tanto que, em duas ou três décadas, a população branca se reduz a menos da metade.

Além disso, o tráfego de navios negreiros acabam trazendo da África novas moléstias para a Vila já infestada por algumas endemias. Aos problemas financeiros e à pobreza se juntam o desânimo geral, a deterioração dos valores morais, o aumento das doenças venéreas e o abastardamento da população, que abandona as lavouras e se entrega ao ócio. No final do século, Santos para de produzir gêneros alimentícios, que passam a vir de São Paulo, e resta apenas a cana como atividade agrícola.

O primeiro censo santista, de 1765, acusava uma população de apenas 2.081 pessoas, das quais menos da metade é branca, sendo os demais mestiços ou negros.

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O Chafariz, já demolido, onde hoje é a Praça da República.

1789 – O Caminho do Mar

Nos primeiros tempos, a comunicação com o Planalto se fazia por canoas, apesar de já existir caminho por terra antes mesmo da fundação das Vilas. O primeiro caminho conhecido era a “trilha dos goianazes”, mais ou menos onde hoje está a Estrada Velha, utilizado por João Ramalho, que se estabelecera em Santo André.

Em 1553 foi aberto outro caminho por João Perez, o Gago. Esse caminho passou a ser o preferido entre os dois, por ser menos sujeito a ataques índios. Houve várias tentativas de diversos governadores para melhorar o Caminho do Mar, com aterros aqui e ali e reparos constantes no trecho da serra, mas o problema era que o trecho da serra era muito ruim, íngreme e escorregadio. Finalmente, o capitão-general Bernardo José de Lorena, chamado para executar reparos na estrada, mudou o traçado na serra e resolveu o problema fazendo um novo traçado em curvas.

O novo “Caminho Calçado do Lorena” tinha 180 curvas e 9 km eram calçados com pedras numa largura de 3 metros. Mas o trecho ótimo da serra suplantava em muito a parte final da estrada, em Cubatão, onde o percurso tinha de ser feito por embarcações.

1798 – Estabelecido o Correio

O capitão-general Antonio Manuel de Melo Castro e Mendonça cria as primeiras linhas postais entre Santos e São Paulo e São Paulo e Rio de Janeiro. É a terceira e definitiva tentativa de estabelecimento dos Correios. Dois anos depois são estabelecidas linhas entre São Paulo e Itu, Paranaguá e São Sebastião, facilitando a comunicação de Santos com esses pontos da Capitania.

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O Pelourinho, as igrejas do Carmo e, defronte a elas, o arsenal e estaleiro da marinha (tela de Benedito Calixto).

1808 – A Corte se transfere para o Brasil

Em 1808 a Corte Real Portuguesa se transfere para o Brasil, provocando o desenvolvimento geral da colônia. Em Santos, o custo de vida diminui em virtude da retomada da agricultura nas áreas antes abandonadas.

1810 – Lampiões acesos e portos abertos

Em janeiro de 1810 foi decretada a iluminação das ruas com 69 lampiões de azeite de peixe. Também foi o ano em que o Brasil foi declarado Reino e seus portos abertos aos navios estrangeiros. Em 1814, um novo censo acusa que a população havia dobrado para 5.128 pessoas, sendo 2.993 indivíduos livres e 2.135 escravos.

1821 – A revolta do Chaguinhas

O Rei D. João retorna a Portugal deixando Pedro como regente. Mas as Cortes trabalham para fazer retornar o Brasil à condição de simples colônia e, numa sucessão de decretos, isola o poder de D. Pedro e corta-lhe recursos financeiros. O Brasil jamais concordaria em caminhar para trás e a insatisfação diante das medidas portuguesas era de um ódio contido. No interior dos quartéis os soldos dos brasileiros eram pagos com atrasos de 3 a 4 anos e sempre em valor menor do que o soldo pago aos soldados portugueses.

Foi em meio a esse quadro que estoura uma revolta no quartel santista, comandada por Francisco das Chagas e José Joaquim Cotindiba, no que tiveram apoio de muitos populares entusiasmados. Os revoltosos mataram os chamados “retrógrados” e saquearam negociantes portugueses. Uma corveta portuguesa ancorada no porto impõe resistência ao levante e as lutas duram alguns dias, terminando com a chegada do 2° Batalhão de Caçadores e a rendição dos revoltosos.

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Afresco de Benedito Calixto retratando Santos em 1822 (este painel está localizado em uma parede da Sala de Pregões da Bolsa de Café).

1822 – Visita de D. Pedro à Vila

No início de setembro de 1822 D. Pedro vem a Santos. O motivo, de conhecer a família de José Bonifácio, não convenceu ninguém. Na verdade, o príncipe veio examinar as fortificações do porto e sondar o ambiente – em caso de separação, ele precisava saber se poderia se defender de um ataque estrangeiro e com o que e quem poderia contar na terra santista. Poucos dias depois ele proclama a separação.
Veja mais sobre a participação de Santos em Independência

1827 – A primeira estrada de rodagem

Em 17 de fevereiro de 1827 é inaugurada a Estrada de Rodagem de Santos para São Paulo. Um grande aterro na região de Cubatão liga definitivamente Santos e a Ilha de São Vicente ao continente. A estrada deu nova expressão econômica ao Porto, ao Município de Santos e a toda a Província de São Paulo.

1839 – Santos passa de Vila à Cidade

Em 26 de Janeiro de 1839 a Vila de Santos é elevada à categoria de Cidade, através de decreto assinado pelo Presidente da Província de São Paulo, Venâncio José Lisboa. Mas o fato só foi festejado um mês depois, quando chegou às mãos do presidente da Câmara, José Vieira de Carvalho, a comunicação oficial do governo provincial.

1841 – Delimitados os limites do Município

Em 1° de março de 1841 é promulgada a Lei 17, estabelecendo os limites entre os Municípios de Santos, São Vicente e São Bernardo.

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O Porto do Consulado em 1850 retratado por Benedicto Calixto.

1846 – Santos recebe D. Pedro II

A sociedade santista se mobilizou e a cidade fez festa para receber o Imperador D. Pedro II e D. Tereza Christina. Em 1847 o governo cria em Santos a Capitania dos Portos de São Paulo. No ano seguinte surge o primeiro jornal impresso, a “Revista Commercial” que, em 1872 levaria o nome de “Diário de Santos”.

1860 – O início da São Paulo Railway Co.

A idéia de uma estrada de ferro ligando Santos e São Paulo foi inicialmente de Frederico Fomm, prussiano casado com uma santista, que obteve concessão para a construção e exploração em 1838. Mas ele faleceu antes de conseguir reunir o capital necessário e foi dada nova concessão ao Visconde de Monte Alegre, que se une ao Visconde de Mauá e ao Marquês de São Vicente. Mas o Visconde de Mauá, cuja firma estava com um passivo de 8.000 contos, vendeu o privilégio a uma companhia inglesa por 40.000 libras esterlinas.

Assim surgiu a São Paulo Railway Co. Em 1860 foram iniciados os trabalhos e Santos assistiu a demolição de toda a ala esquerda do Convento de Santo Antonio, vendido aos ingleses para a construção da estação, o que causou grande indignação. O santista Francisco Martins dos Santos, em representação ao Imperador, obteve ordem de preservação do restante do Convento e da Igreja de Santo Antonio do Valongo e impediu a tempo a sua demolição.

1867 – O Caminho de Ferro é inaugurado

A primeira ferrovia ligando Santos à Província de São Paulo estava pronta. O acidentado terreno da Serra do Mar era vencido por quatro planos inclinados de aproximadamente 2 km de extensão, dotados de um sistema funicular. Sua tração era feita por enormes máquinas a vapor, onde o peso de um trem compensava o peso de outro. Ao final da composição era engatada uma “serrabreque”, também chamada “locobreque”, com a única função de frear o trem em caso de emergência.

A ferrovia era um marco em tecnologia para a época. Em 16 de fevereiro de 1867 os santistas assistiram a chegada da primeira locomotiva a vapor. Todo movimento comercial e industrial de São Paulo passou a utilizar essa ferrovia, que foi fator determinante para o desenvolvimento de Santos.

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São Paulo-Railway: vista de um dos planos inclinados da serra e dos cabos do sistema funicular que puxavam os trens (postal M.Serrat).

1870-1888 – Santos, Terra da Liberdade

O espírito abolicionista de Santos começa a ganhar forma nos idos de 1870 para se tornar uma campanha ruidosa por volta de 1882, quando republicanos, liberais, abolicionistas e enfim, a sociedade santista inteira se entrega ao trabalho de libertar o escravo aqui e em todos os pontos da Província. Os santistas criam quilombos para receber negros fugidos, sendo o de Jabaquara o mais importante, e algumas famílias santistas também abrigam refugiados. Santos dá um exemplo de civismo e abnegação, coroado pela assinatura da Lei Áurea em 1888.
Saiba mais em Abolição.

1881-1888 – Desenvolvimento e moscas

Em 1872 começam a circular os primeiros bondes puxados a burro. Também nesse ano se faz a canalização das águas do Rio Cubatão, o que diminui a taxa de mortalidade da cidade. Em 1881 é inaugurado o Teatro Guarany, de alto luxo, construído por Garcia Redondo. Em 1885 é inaugurada a linha de telefones entre Santos e São Vicente.

Em 1888 Santos já possuía 20.000 habitantes, água limpa encanada e iluminação à gás. Mas, apesar do crescimento e dos avanços que se faziam, não havia rede de esgotos, o número de cocheiras havia duplicado, a coleta de lixo era quase inexistente e a cidade era um viveiro de moscas e mosquitos. No ano seguinte se verifica uma grande epidemia de febre amarela.

1889 – A peste negra

No início de 1889, o antigo arsenal e estaleiro da marinha, datado do século XVII e situado em frente ao Carmo, é derrubado para o início das obras de construção do cais. Acredita-se que o revolvimento do lodo putrefato acumulado na antiga “praia do Consulado” e também no “porto do Bispo”, locais onde se atiravam os resíduos da cidade, tenha sido o estopim da epidemia de peste negra (febre amarela) que assolou Santos, uma das maiores e mais violentas das que atacaram a cidade. Foi uma tragédia coletiva: o Mosteiro de S. Bento virou hospital, bem como o Teatro Rink, a Beneficência abriu as portas, a Cruz Vermelha atendia à domicílio, os corpos eram transportados por carrinhos ao cemitério, que permanecia aberto à noite e as redações dos jornais viraram postos de informação. Os mais abastados haviam deixado a cidade e a população que ficou foi sendo vitimada. A crise só terminou em maio, com um saldo de 700 mortos.

1889 – Proclamação da República

No ano de 1889 é inaugurada a linha de bondes do José Menino, de Mathias Costa, e o ano histórico termina com a proclamação da República, em 15 de novembro, para a qual Santos contribuiu de forma intensa.

Veja mais sobre o movimento republicano santista em República

1892 – O porto organizado

Em 1892 estava pronto o primeiro trecho do porto organizado, com um cais de 260 metros de extensão, novos armazéns e uma linha férrea. A obra pioneira e que suplantou tremendas dificuldades técnicas, é inaugurada em 2 de fevereiro de 1892, com a atracação do vapor “Namisth”, de bandeira inglesa.

Saiba mais sobre a história do porto em Porto – Passado

1893 – A Revolta da Armada

A 6 de setembro de 1893 estourava no Rio de Janeiro a chamada Revolta da Armada, comandada pelo Almirante Custódio de Melo. Os revoltosos queriam instaurar um regime parlamentarista e, para tanto, pretendiam instalar base de operações em Santos.

Era Presidente o Marechal Floriano Peixoto e o Presidente da Província era Bernardino de Campos, que desagradavam a ala mais ortodoxa dos republicanos santistas, liderados por Martim Francisco e Vicente de Carvalho. A Câmara tinha seu primeiro quadro de Vereadores eleitos pelo povo e a cidade se transformara em verdadeira praça de guerra.

A recusa do Clube Republicano em dar seu apoio a Floriano e Bernardino na defesa de Santos gerou uma crise política e uma onda de renúncias entre os Vereadores, renúncias que se repetiram em 1894. O Clube Republicano só cedeu e se decidiu pela defesa da República depois que a cidade foi bombardeada e repercutia a atitude heróica que tivera Bernardino de Campos no evento.

1894 – Promulgação da Constituição de Santos

Em 1894 é promulgada a Constituição Municipal de Santos, a primeira do Brasil, mas ela é cassada pelos próprios vereadores santistas antes de completar um ano de existência. Santos volta ao sistema de intendência até o ano de 1907, quando elege seu primeiro prefeito por eleição direta.

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O Kasatu Maru atraca no porto em 1908 trazendo o primeiro contingente de imigrantes japoneses a desembarcar no país. A direita o armazém 14 (foto Setur).

1900 – Início do Grande Fluxo de Imigração

Com o desenvolvimento econômico e a expansão da cultura cafeeira pelo interior de São Paulo, Santos torna-se o maior porto exportador de café do mundo, destacando-se como um dos mais importantes centros comerciais da América do Sul e atraindo grande contingente de imigrantes europeus que aqui se estabeleciam para exercer atividades ligadas ao porto e ao comércio. No final de 1913 os estrangeiros já somavam 42%, quase a metade da população de Santos.

1889-1914 – O saneamento de Santos

A partir de 1889 é desenvolvida uma grande campanha para sanear a cidade, começando com a construção do primeiro trecho de cais. Era Secretário do Interior o santista Vicente de Carvalho, que toma uma série de medidas saneadoras.

Ainda nesse ano se faz a canalização a coberto dos 5 ribeirões santistas, se institui a vacina obrigatória, amplia-se o serviço de limpeza pública e obriga-se a observância do Código de Posturas elaborado em 1896. Mas a parte mais marcante da campanha de saneamento de Santos foi, sem dúvida, a abertura dos canais de drenagem, sendo o primeiro inaugurado em 1907. Depois dos canais foram executados serviços de esgoto, com uma rede urbana que desaguava na Ponta de Itaipu.

Para sustentar os canos do emissário foi construída a Ponte Pênsil, em São Vicente, cujo serviço de esgoto foi ligado mais tarde ao sistema de Santos. O sistema sanitário projetado por Saturnino de Brito criou as condições necessárias e definitivas para o crescimento do Município. Em 1914, um novo censo apontava a população de 88.967 pessoas, contra as 52.000 contadas em 1901.

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A abertura do primeiro canal de Saturnino (canal 1). Ao fundo o Restaurante Almeida, na Vila Mathias.

1928 – Desabamento no Monte Serrat

Em 10 de março de 1928 uma tragédia abala a população santista: um grande bloco de terra se desprende do Monte Serrat e cai sobre os fundos da Santa Casa, o pavilhão de Isolamento e um quarteirão de casas construídas junto ao seu sopé.

O desastre, que causou inúmeras mortes e grande prejuízo material, teve repercussão nacional e provocou na cidade um grande movimento de solidariedade, com o socorro às vítimas e a coleta de donativos em prol da Santa Casa, que pode erguer um novo hospital. O desabamento foi o segundo que ocorreu no mesmo lugar, tendo havido um menor em 1901.

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O desabamento de um pedaço do Monte Serrat em 1928 destruiu parte da Santa Casa e várias casas em seu sopé (foto Setur).

1936 – Urbanização da Orla de Santos

Sob a administração do Prefeito Aristides Bastos Machado, um dos prefeitos mais urbanistas até então, é entregue à população o primeiro trecho da orla urbanizada, os jardins da praia, entre o Hotel Internacional e o Canal 2 e no trecho Gonzaga-Boqueirão. No ano seguinte são inaugurados o Hotel Parque Balneário e o Atlântico Hotel, no Bairro do Gonzaga.

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Em 1930 a Av. Pres. Wilson era a única ligação Santos-São Vicente pela praia. Na foto o Hotel Internacional, no José Menino (postal M.Serrat).

1946 – Proibição do jogo

Por decreto do então presidente Eurico Gaspar Dutra, em 1946 o jogo passa a ser proibido no Brasil, o que causa o fechamento dos vários cassinos da cidade, inclusive do grande Cassino Monte Serrat.

1968 – Santos sob intervenção militar

Através de um golpe militar, o exército assume o poder, fecha o Congresso e passa a nomear os prefeitos de cidades consideradas de “interesse militar” e pontos estratégicos do país. Como porto Santos não escapa à intervenção, sua autonomia política é retirada e o prefeito recém-eleito Esmeraldo Tarquínio é cassado. A cidade passa a ser governada por prefeitos “biônicos”, nomeados pelo governo federal, sendo o primeiro deles o General Clóvis Bandeira Brasil.

1969 – Construção do pólo industrial de Cubatão

A autonomia de Cubatão é decretada para a construção de um parque industrial que atrai milhares de migrantes provenientes do nordeste brasileiro. Este fator vem a causar alguns problemas sociais e agravar outros tantos.

1970 – A poluição das praias

Com o crescimento demográfico e turístico a partir da década de 60 e a febre imobiliária que acaba com as grandes mansões da praia e constrói centenas de edifícios ao longo da orla da praia, Santos deixa de ser a cidade agradável que era até os anos 50.

Em 1970 encontramos uma cidade bem diferente: pouquíssimas áreas verdes, favelas se instalando nos morros, palafitas sendo erguidas nos mangues e ar poluído pela proximidade com o parque industrial de Cubatão. Mas o maior agravante é a perda da balneabilidade das praias, tanto em Santos quanto em São Vicente.

A poluição das águas se deve a vários fatores: a superlotação das cidades irmãs nas temporadas supera a vazão do sistema de esgotos e parte dele é despejado em plena baía vicentina; o desaguamento da Represa Billings, onde é despejado metade do esgoto da Grande São Paulo; e finalmente, os resíduos industriais e o esgoto lançado de forma clandestina nos canais.

As praias de Santos e São Vicente, sem a sua balneabilidade, afugentam os turistas para outros locais, como o Guarujá e as cidades do litoral sul. Santos passa a receber na maioria turistas de baixa renda, que depredam e sujam ainda mais as praias.

1983 – Restabelecida a autonomia política

Em 2 de agosto de 1983 é restabelecida a autonomia política da cidade e Santos pode eleger seu primeiro prefeito depois de 16 anos de intervenção federal.

1989-2000 – A recuperação turística da cidade

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Jardins da praia – record do Guinness (foto PMS)

O ano de 1989 marca o início de um amplo plano para a recuperação turística da cidade. Graças à Sabesp, com investimentos em infra-estrutura, e às comportas dos canais de Saturnino de Brito, que voltam a ser utilizadas como se deve, a balneabilidade das praias é recuperada em 1991.

O último palacete remanescente da época dos “barões do café”, na praia, é restaurado e reabre como Pinacoteca Benedito Calixto, o Museu de Pesca é totalmente revitalizado, o Aquário Municipal sofre uma reforma, assim como a Praça Independência e o canteiro central da Av. Ana Costa. Em 2000, os jardins da praia entram para o Guiness World Records como o jardim frontal de praia de maior extensão do mundo, marca que detém até hoje.

1995 – Santos é a mais visitada do litoral paulista

Com o centenário de inauguração do Hotel Internacional, a cidade comemora sua 100ª temporada de verão, quando é divulgado um balanço da Embratur apontando Santos como a cidade mais visitada por estrangeiros no litoral paulista.

2002-2004 – O Centro reinventado

A partir de 1999, projetos como o Plano de Revitalização do Valongo e Alegra Centro provocam o início da recuperação do Centro, no impulso da restauração total da antiga Bolsa de Café.

A Prefeitura passa a oferecer incentivos fiscais e benefícios à iniciativa privada em troca do restauro de prédios depredados, o que melhora consideravelmente o aspecto geral do Centro. Em 2002 tem início a restauração do Theatro Coliseu e é inaugurada a linha turística do bonde. Logo depois, é implantada a iluminação por lampiões nas ruas XV de Novembro e do Comércio.

Em 2004 é finalizada a reforma da Estação Ferroviária, bem como seu entorno reurbanizado, no Valongo. Todas essas medidas, e mais a promoção continuada de programação cultural e artística, transformaram o Centro em foco de atração turística e para lá atraíram clubs noturno, restaurantes e empresas, dentro do conceito de reciclagem arquitetônica.

O movimento abolicionista em Santos

Em 1810, dos 5.128 habitantes de Santos, 2.135 eram escravos

A importação de escravos negros para o Brasil teve início no século XVII. Negros de todas as origens e classes, com ou sem cultura, mulçumanos ou judaizados, se misturavam nos porões dos navios negreiros, sofrendo toda sorte de privações, humilhações e doenças, para aqui desembarcar com o coração cheio de ódio ao escravizador e na mente apenas uma idéia: fugir.

Desde então, e até a abolição da escravatura, muitos fugiam e formavam quilombos, alguns grupos mantinham associações secretas e se mobilizavam em movimentos de insurreição, de pequena ou grande monta, sempre abafados pela força das milícias coloniais.

Muitos senhores de coração generoso e mente aberta alforriavam seus escravos que, trabalhando livremente, empregavam todos os recursos que possuíam e ganhavam em prol dos irmãos cativos, financiando armas e os custos das revoltas.

A história da Abolição e de como os fatos se desenrolaram até o seu desfecho é muito complexa, envolvendo aspectos raciais, sociológicos, políticos, econômicos e religiosos que não iremos abordar aqui.

Apenas contaremos a história do movimento em Santos e de como os santistas contribuíram para acabar com a vergonha da escravidão, num exemplo de solidariedade pouco visto, iniciando com as primeiras manifestações abolicionistas do patriarca da Independência, José Bonifácio de Andrada e Silva.

1820-1822 – Os ideais de liberdade de José Bonifácio

Desde que retornara da Europa o ilustre santista José Bonifácio se chocara e escandalizara com a sociedade de senhores e escravos que encontrara em sua terra: “inumana, injusta, imoral, corrompida e corruptora”, que se degradava e degradava o Brasil. Convencido da necessidade urgente de acabar com a chaga social da escravatura, no início de 1820 ele liberta os escravos da Chácara do Outeirinhos, de sua propriedade, onde pretende provar que se pode trabalhar a terra e lucrar sem escravos e senzalas. Nos dois anos seguintes toda a sua energia se voltou para a luta pela Independência, mas quando esta se concretizou, ele voltou para seus ideais abolicionistas.

Logo após a Independência, em fins de 1822, ele escreve a Caldeira Brant, em Londres, solicitando-lhe a convocação de trabalhadores rurais ingleses que quisessem se estabelecer no Brasil. José Bonifácio pretendia com isso criar um exemplo prático que convencesse seus compatriotas de que o trabalho livre era muito mais produtivo e lucrativo que o escravo. Em janeiro de 1823 embarcam os primeiros 50 trabalhadores ingleses rumo ao Brasil.

1823 – A “Representação sobre a Escravatura”

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A suas atitudes como cidadão Bonifácio soma um ato político: entrega à Assembléia Constituinte da qual fazia parte, para consideração, a sua famosa “Representação sobre a Escravatura”, a primeira manifestação pública a favor da abolição. O documento, de raciocínio lúcido e palavras sábias, revela toda a miséria social produzida pela escravidão até então e todo o atraso que ainda poderia produzir ao novo país que se formava, sugerindo os meios para extinguí-la sem causar qualquer choque na economia. Infelizmente, a Representação de Bonifácio bate de frente com a barreira do sistema político e dos interesses em jogo e, com exceção dos Deputados paulistas, todos o repudiam violentamente.

Pouco depois se dá a dissolução da Assembléia Constituinte e a deportação dos irmãos Andradas a mando do Imperador. A Representação sobre a Escravatura, apesar de ser um verdadeiro monumento de civilização, contribuiu de forma decisiva para a decadência política de José Bonifácio.

1824 – A semente germina

A Representação de Bonifácio, apesar de não encontrar eco no meio político, foi uma boa semente no campo fértil de sua terra natal. O santista José Feliciano Fernandes Pinheiro dá liberdade a 300 escravos do Núcleo Colonial de S. Leopoldo, no Rio Grande do Sul, pertencente ao governo.

No interior de São Paulo, Nicolau Vergueiro, português naturalizado, é o primeiro a importar trabalhadores livres para a agricultura no Brasil, criando uma sociedade de imigração e colonização. Em 1827 chegam os primeiros colonos alemães e, em 1829, se forma a Colônia Santo Amaro, perto da capital. Era o abolicionismo pacífico pregado por Bonifácio e que acabaria por tornar São Paulo a primeira e mais rica Província do Brasil.

1830-1840 – Cresce a imigração

A importação do trabalhador livre se desenvolve de forma acelerada, espalhando colônias na capital e em inúmeras regiões do interior de São Paulo, totalizando a entrada no país de 60.000 colonos europeus. Era sangue novo na terra, gente resoluta, que iniciava povoações e que ajudavam a criar a grandeza do Estado de São Paulo.

1831 – Proibido o tráfico de escravos

Em 7 de novembro de 1831 é promulgada a Lei que suspende o tráfico de escravos no Brasil, uma lei que tentava salvar as aparências e que foi ridicularizada por todos, pois não refletia a vontade nacional. Nos 15 anos que se seguiram, entraram no Brasil 300 mil escravos contrabandeados.

1868 – Fundação do Partido Liberal-Radical

Em 1868 é fundado em São Paulo o Partido Liberal-Radical, que arregimentava nomes como: Rangel Pestana, Limpo de Abreu, Xavier da Silveira, e depois Campos Sales, Prudente de Morais, Bernardino de Campos e Francisco Glicério. O Partido publicava o “Opinião Liberal”, jornal através do qual ia sutilmente semeando os ideais abolicionistas e republicanos.

1870 – O pioneirismo das mulheres santistas

A Guerra do Paraguai terminara e a “fase de ação” do movimento abolicionista em todo Brasil se inicia em Santos, dentre os elementos de sua melhor sociedade. Dona Francisca Amália de Assis Faria começa a abrigar negros fugidos, transformando o quintal de sua casa em um “pequeno quilombo” ao mesmo tempo que convida as amigas a fazerem o mesmo. Centenas de reclamações contra as famílias santistas que acolhiam escravos fugidos foram feitas às autoridades, que quase nada podiam fazer por se tratar da nata da sociedade de Santos.

1870 – Santista funda a sociedade “A Emancipadora”

A santista Dona Anna Benvinda Bueno de Andrada, mulher do Conselheiro Martim Francisco Ribeiro de Andrada, funda em São Paulo a primeira sociedade libertadora. “A Emancipadora” é uma sociedade feminina que promove alforrias de escravos e especializa-se na “libertação de escravas moças”.

1870 – Outros precursores

Nessa época, em Santos, mais alguns nomes apareciam como força ativa contra a escravidão: Xavier da Silveira, Francisco Martins dos Santos, Dr. Alexandre Martins Rodrigues, Joaquim Xavier Pinheiro e João Octavio dos Santos. Xavier da Silveira aconselhava negros a provocar o confronto e a crueldade dos feitores para depois defendê-los e libertá-los em juízo, estratagema que explorou até 1871, quando retorna a Santos e funda o jornal “A Imprensa”, sua grande arma na campanha.

Francisco Martins dos Santos, maçom e homem público de grande influência em Santos, pregou o abolicionismo como a primeira condição para a República e fez aumentar consideravelmente o número de abolicionistas na cidade, além de acolher escravos fugidos e disseminar essa prática entre amigos e parentes.

O Dr. Alexandre Martins Rodrigues também se destacou na luta contra a escravatura, principalmente no meio policial e judiciário. Joaquim Xavier Pinheiro acolhia escravos e mais tarde veio a financiar o Quilombo do Jabaquara, a compra de alforrias e as custas de pendências judiciais. João Octavio dos Santos, um dos mais ricos negociantes da cidade, foi grande financiador das despesas da campanha contra a escravatura.

1874 – Morre Xavier da Silveira e desponta Luiz Gama

A peste leva Xavier da Silveira aos 34 anos de idade e o movimento abolicionista se ressente da perda. Mas outra figura surge para substituí-lo: Luiz Gama, um negro batalhador que se forma em Direito e se destaca como jornalista e tribuno. Luiz Gama mantém acesa a chama do abolicionismo em Santos.

1880 – A renovação no movimento santista

Nessa época surge uma nova geração de abolicionistas, jovens que se juntam ou substituem os mais velhos. A mais destacada expressão desse grupo é Américo Martins dos Santos, irmão mais novo de Francisco Martins dos Santos, e que arrebanha para o movimento todo o seu grupo de amigos.

1881 – É criado o Quilombo do Jabaquara

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Quintino de Lacerda, por Lauro R.Silva

Em fins de 1881 e por iniciativa de Américo Martins e Xavier Pinheiro, os abolicionistas se reúnem na casa de Francisco Martins dos Santos.Nela se resolve a criação de um reduto para abrigar escravos livres, mas ainda sem destino ou emprego, tirando-os dos quintais das casas de família.

De imediato foi coletado o dinheiro para o custeio e escolhido o lugar para abrigar tal reduto: nos fundos da propriedade de Mathias Costa, onde hoje existe todo o Bairro do Jabaquara, em uma extensa área de mata virgem e várzea, cortada por inúmeros riachos. Para manter a ordem entre os abrigados no reduto, foi apontado o nome de Quintino de Lacerda, ex-escravo dos Lacerda Franco que ainda vivia na casa do antigo senhor.

1881 – Quintino de Lacerda assume o Jabaquara

O sergipano Quintino de Lacerda assume de pronto o comando do reduto, auxiliado por uma força de 200 negros armados. No ano seguinte, o Quilombo do Jabaquara já abrigava 500 escravos. Reuniões semanais e secretas eram realizadas na fábrica de Xavier Pinheiro, na farmácia de Teophillo Mendes, na fazenda de Geraldo Leite (no alto do morro do Jabaquara) ou no próprio Quilombo do Jabaquara.

1881 – É fundada a sociedade “Bohêmia Abolicionista”

A juventude abolicionista de Santos funda a “Boemia Abolicionista”, uma agremiação que panfletava a cidade com jornais como “O Embrião”, “O Porvir”, “O Pirata”, “O Patriota” e outros. A Bohêmia atuou por 8 anos e seus integrantes se reuniam diariamente, seja num banco de jardim, seja no Cine Paramount ou na casa de Guilherme e Pedro de Melo. Além destes, idealizaram a agremiação Francisco e Antônio Augusto Bastos, Antonio Couto, Arthur Andrade, Antero Cintra, Luciano Pupo e Eugênio Wansuít, um pernambucano quase preto e muito falador, ex-marinheiro que lutara na guerra do Paraguai e que costumava fazer um comício em cada lugar que ía, desprezando totalmente a própria segurança.

1882 – Morre Luiz Gama e surge Antonio Bento

Em agosto de 1882 uma notícia abala o movimento: morrera Luiz Gama, o negro advogado, líder supremo do movimento paulista. Mas como um milagre da providência, outro líder desponta: Antonio Bento de Souza e Castro, também advogado, ex-promotor e juiz em São Paulo. No próprio enterro de Luiz Gama, tocado pela compreensão da luta do amigo, Antonio Bento faz o juramento solene e em voz alta de não deixar morrer a campanha contra a escravidão.

1882 – Novo líder dá força à fuga de escravos

Antonio Bento intensifica o movimento em São Paulo, criando novas rotas de evasão e aumentando consideravelmente o número de fugas nas fazendas do interior e a segurança dos escravos até o refúgio em Santos. Em outubro de 1882 ele visita as famílias abolicionistas de Santos e o quilombo fortificado do Jabaquara, impressionando-se e dando nova força ao movimento.

1883 – O movimento ganha mais dois militantes

Dois portugueses se juntam ao movimento: Luiz de Mattos, jornalista e colaborador dos jornais “Cidade de Santos” e “Diário de Santos”, e José Theodoro dos Santos Pereira, que se tornou um ardente defensor da causa e um fervoroso protetor da gente do Jabaquara, para eles angariando roupas, comida e outros donativos entre os cidadãos e casas comerciais da cidade. Seus bilhetes requisitando ajuda se tornaram famosos; começavam assim:

“Amigo fulano. Tenho 10 rolos de fumo para seguir…”, chamando “rolos de fumo” a escravos fugidos recém chegados que deveriam ser mandados para outras Províncias ou para o exterior para escapar à perseguição. José Theodoro, conhecido como “Santos Garrafão” era casado com uma negra, se tornou um grande amigo de Quintino de Lacerda, vindo a ser a figura mais popular do movimento abolicionista de Santos.

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1900 – Os barracões de Quintino de Lacerda, vestígios do que foi o Quilombo do Jabaquara (img. M. Serrat).

1884 – Patrocínio e Barata Ribeiro vem a Santos

Em 1884, não era só o Jabaquara que acolhia refugiados. Na Vila Mathias, embrenhado numa porção de mato, existia o chamado Quilombo do Pai Felipe, um acampamento comandado por um preto já velho. O Quilombo do Jabaquara de Quintino, os de Pai Felipe e Santos Pereira, na cidade, eram os baluartes protetores dos foragidos e, por sua vez, tinham a proteção de toda a cidade. Figuras proeminentes do abolicionismo, vendo a forma como os santistas abraçaram a causa, aqui estiveram realizando conferências. José do Patrocínio, depois de uma conferência de hora e meia no palco do Guarany, entrega cartas de alforria a 10 escravos em meio a grande ovação do público. Depois de Patrocínio, esteve em Santos o ilustre Dr. Cândido Barata Ribeiro, que dissertou no Guarany sobre dois temas: Abolição e República.

1884-1888 – A Imprensa e Vicente de Carvalho

A Imprensa teve papel fundamental na propaganda dos ideais abolicionistas, numa pressão sem tamanho ao governo provincial, principalmente nos últimos anos de campanha. Todos eles publicavam artigos de redação ou assinados que eram verdadeiros libelos contra a escravidão e o governo que a mantinha. Em Santos, o Diário de Santos fez a sua parte, publicando artigos abolicionistas com regularidade. Sem falar dos jornais da Boemia Abolicionista, que contava agora com um novo colaborador: Vicente de Carvalho. Na imprensa, a voz de Vicente de Carvalho era a que melhor se ouvia e, nos comícios, Rubin César era o mais eloquente.

1884 – As peças da Boemia no Guarany

Enquanto isso, a mocidade da Boemia Abolicionista promovia peças teatrais e espetáculos literários para promover a abolição. Sacramento Macuco escrevia as peças, em sua maioria sátiras que caíam como pauladas sobre senhores de escravos e autoridades escravocratas. Os espetáculos sempre lotavam o teatro, atestando o apoio da sociedade à obra dos moços. A última peça escrita por Macuco foi “A Sombra da Cabana”. Ao final da peça, uma carta de alforria foi entregue a um escravo, comprado com o produto da venda dos ingressos. O teatro quase foi ao delírio.

1886 – Santos faz a sua abolição

Unindo-se aos abolicionistas, a Câmara Municipal de Santos proclama a extinção do cativeiro na cidade. Os poucos escravocratas da região apelam para São Paulo e Rio. São Paulo, minado pela corrente maçônica-republicana e em acordo com as fugas de escravos organizadas por Bento de Abreu, não dá atenção aos representantes dos escravocratas santistas. Entretanto, o governo imperial do Rio de Janeiro destaca uma importante força militar e a envia a Santos. Por coincidência, o comandante da força, Major Dom Joaquim Baltazar da Silveira, fora companheiro de Américo Martins na Escola Militar.

Ao se reencontrarem os amigos, Américo revela a Dom Joaquim o verdadeiro motivo porque ele fora enviado: proteger os interesses de traficantes e senhores de escravos, ao que o outro garante que, além de não fazer mal aos abolicionistas, ajudaria no que pudesse enquanto estivesse na cidade. Este fato teve grande repercussão a nível nacional, de onde se concluiu praticamente consumada a abolição diante da complacência da polícia e da simpatia do exército.

1886 – A Lei Saraiva

Em 27 de fevereiro de 1886, no Palácio da Justiça da Praça dos Andradas, se dá a cerimônia de declaração da Lei Saraiva, declarando livres todos os escravos com mais de 60 anos. Santos comemora e os proprietários de escravos da cidade resolvem libertar seus cativos, de qualquer idade, aplaudidos pela multidão que acorrera ao edifício da Justiça.

1886 – A sociedade “27 de Fevereiro”

Os fatos acontecidos por ocasião da declaração da Lei Saraiva formam a base para a criação da sociedade “27 de fevereiro”, cujo objetivo era resgatar os últimos cativos da zona rural do município e, se possível, dos municípios vizinhos. A sociedade foi sacramentada a 14 de março, em cerimônia no Teatro Guarany, diante de uma platéia de 2.000 pessoas. Seu presidente era Xavier Pinheiro e outros da direção eram Joaquim Fernandes Pacheco e Antonio Augusto Bastos (Totó Bastos).

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O Teatro Guarany foi o principal palco dos eventos promovidos pelo movimento abolicionista em Santos (bico de pena de Lauro Ribeiro da Silva)

1886 – Santos, sinônimo de liberdade

Independente do que acontecia no resto do país, Santos já fizera a sua abolição. Dali para a frente, todo o trabalho da campanha se resumiu em receber e proteger os refugiados que desciam a serra do Mar, dando-lhes emprego ou arranjando-lhes colocações mais longe. Para os negros, Santos e liberdade eram sinônimos.

No começo de 1887, o Presidente da Província paulista manda um telegrama ao Governo Imperial dizendo ser “impossível conter a evasão dos escravos porque os soldados haviam feito causa comum com os abolicionistas, favorecendo a passagem dos fugitivos para a cidade de Santos”.

1888 – Declarada a Abolição – Santos comemora

O desfecho final da campanha abolicionista se deu em 13 de maio de 1888, com a Lei Áurea, assinada pela Princesa Isabel (Regente na ocasião) e que declarava livres todos os escravos no Brasil. A notícia foi recebida com festa em Santos, com o povo se reunindo à frente das casas de Francisco Martins dos Santos e outros abolicionistas, e os negros aos gritos de “Viva o Santo Antonio Bento” e “Viva Santos Garrafão”.

Foguetes pipocaram no céu, músicas percorriam as ruas, os negros de Pai Felipe se reuniram em frente ao Carmo para dançar o samba e discursos de aclamação eram feitos das sacadas. A cidade se embandeirou e a Companhia de Gás instalou arcos iluminados para os 8 dias de festa que se seguiram. No 7° dia de festejos, foi colocada uma lápide comemorativa na casa onde nasceu José Bonifácio: “Esta é a casa onde nasceu e morreu o Patriarca da Independência – José Bonifácio de Andrada e Silva. Nasceu aos 13 de junho de 1763. Faleceu em 6 de abril de 1838”.

1888 – Santos aclamada pela Imprensa

Nos dias que se seguiram, a Imprensa de São Paulo e Rio de Janeiro deu destaque especial ao papel desempenhado por Santos na luta pela Abolição, em todos os artigos elogiando a cidade e as ilustres figuras que trabalharam pela liberdade. O mais justo deles, publicado pelo “Diário de Notícias” de São Paulo, dizia:

“Santos foi o primeiro município da Província de São Paulo que proclamou a sua emancipação do trabalho escravo, assim como foi ali que as primeiras turmas de escravos, que abandonavam em massa os seus presídios, foram encontrar um generoso acolhimento, conforto, agasalho e trabalho remunerado.

A ínclita cidade de Santos, fortificada por Deus com essa muralha que se chama Serra do Mar, foi a praça forte do abolicionismo, onde primeiro tremulou o pavilhão da Liberdade dos escravos na Província de São Paulo!…Viva a Cidade de Santos!”

Santos e a República

1870 – Surge em São Paulo a corrente republicana

Os ideais republicanos surgiram em São Paulo no ano de 1870, uma consequência clara da fundação do Partido Liberal Radical em 1868. As origens do republicanismo eram mais antigas, mas em São Paulo o embrião surgiu aqui no Partido Liberal Radical, na Faculdade de Direito, na sociedade secreta Júlio Frank e na Maçonaria.

Daí saíram os pioneiros do movimento republicano, ligados de certa forma ao movimento liberal-radical que acontecia na capital do Império, liderado pelo Visconde do Rio Branco, Presidente do Conselho de Estado e Grão-Mestre da Maçonaria.

1870 – O primeiro manifesto público

No dia 3 de dezembro de 1870 foi publicado em São Paulo o primeiro manifesto republicano, famoso por ter sido assinado por muitos homens de valor, alguns deles vindos de altos postos da administração e da legislatura e completamente desiludidos com o regime monárquico.

1870 – Surge o primeiro Partido Republicano

Enquanto isso, no Rio de Janeiro, Augusto Fomm, um santista, e seu cunhado Miranda Azevedo, criam o primeiro Partido Republicano do Brasil, que seria fechado violentamente no ano seguinte pela polícia, e que gerou o primeiro instrumento de propaganda ostensiva pela República, o jornal “A República”. Depois do fechamento, Augusto Fomm e Miranda Azevedo fundaram em sua casa no Catete o 2° Clube Republicano, que foi o maior foco do republicanismo no Brasil.

Augusto Fomm teve grande influência no início do movimento em Santos, para onde vinha frequentemente, mas não pode desfrutar da vitória nem gozar a merecida fama porque faleceu em 1887, ficando as glórias para aqueles que aderiram ao movimento quando já era certo o seu triunfo.

1870-1874 – O pioneiro Xavier da Silveira

O santista Xavier da Silveira foi grande propagandista das idéias republicanas na capital da Província, convocando comícios e fazendo representações públicas contra a situação. Figura de valor e grandemente respeitado até por seus adversários, era um elo de convergência das duas sociedades: Santos e São Paulo. Em 1874, quando ele faleceu em sua casa dos Quartéis vitimado pela peste, houve um enfraquecimento do movimento na cidade, envolvida que estava nas atividades abolicionistas.

1872 – Cresce o movimento republicano no estado

O movimento republicano teve um surto de crescimento a partir de 1872, com a realização de pequeno congresso na casa de Américo Brasiliense em janeiro daquele ano. Em abril acontece a famosa Convenção de Itu, que reuniu representantes de 17 cidades da Província, e em julho se realiza o Primeiro Congresso Republicano de São Paulo, com representantes de 29 cidades, reunião que se repetiria em abril de 1874. Santos participou ativamente de todas as preliminares do movimento reformador e do nascimento do republicanismo em São Paulo.

1878 – Surge o “Raio”

Um dos grandes fatores que contribuíram para a disseminação do ideal republicano em Santos foi o aparecimento de “O Raio”, órgão de combate e propaganda, inflamado como o nome que tinha, precursor da ação jornalística de Santos em favor do novo regime. Foi fundado por Antônio Manuel Fernandes, Padre Francisco Gonçalves Barroso, Sacramento Macuco e Dr. Hyppolito da Silva, todos de muito valor e prestígio na sociedade santista. Esses homens desempenharam papel fundamental no desenvolvimento do ideal republicano, principalmente pela fé e convicção com que previam a transformação do regime ainda distante.

1879 – Formação do Núcleo Republicano

Entre 1878 e 1879 se formava em Santos o “Núcleo Republicano”, de onde partiria a bandeira da revolução política e social. O “Núcleo” trazia grandes nomes da época como propagandistas de frente: Garcia Redondo (catequizado pelo grande Xavier da Silveira), Henrique Porchat e Victorino Porchat, que foram seus primeiros presidentes, além de Alexandre Martins Rodrigues, Antonio Carlos da Silva Teles e outros.

1881 – Os republicanos elegem seu primeiro vereador

A grande massa popular, nessa época envolvida com os ideais e atividades abolicionistas, somente começou a se contaminar pelas idéias republicanas a partir de 1881, quando os paladinos do movimento antimonárquico de Santos puderam penetrar na Câmara pela eleição. Assim, nesse ano Santos elege o seu primeiro vereador republicano: Francisco Emílio de Sá. Na eleição de 1883, mais dois republicanos entram para a Câmara de Santos: Joaquim Manoel Alves de Lima e Francisco de Paula Ribeiro.

1886 – A atuação de Vicente de Carvalho

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Vicente de Carvalho

Vicente de Carvalho era nome expressivo do jornalismo e se juntara a Martim Francisco para formar a mais forte dupla da propaganda jornalística de Santos em favor da república. Publicava artigos em todos os jornais, pequenos ou grandes. Ficou famoso seu primeiro artigo de crítica política, intitulado “Um Trânsfuga” e publicado no “Piratiny”, onde ele manifesta sua desaprovação ao ato do então companheiro Rodolpho Fabrino, por este ter mudado para o Partido Conservador em troca de um emprego público.

O artigo terminava assim: “Abandonem o Partido Republicano os que não tem a coragem de suas convicções; vendam-se aqueles cuja honestidade tem preço! Deixando à margem essas podridões que a maculam, a corrente republicana engrossa dia a dia. O futuro é nosso!” Esse artigo entraria para a história da sociedade santista.

1887 – O papel de Silva Jardim

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Silva Jardim

Silva Jardim foi um dos maiores republicanos brasileiros, e como tal foi homenageado pela Câmara e chamado o “Apóstolo da República” ainda na vigência do governo imperial. Aqui ele mantinha o Externato José Bonifácio, cujos interesses praticamente abandonou nos últimos anos da campanha para entregar-se a ela totalmente.

Notável propagandista do movimento, realizava conferências onde quer que fosse, especialmente nos lugares onde ía o Conde d’Eu, em sua excursão política pelas Províncias brasileiras. Silva Jardim seguia o Conde como uma sombra e para cada discurso monarquista deste, mais alta e mais forte se erguia a voz do ardoroso republicano. Uma ocasião, no interior dominado pelo coronelismo monárquico e pelos barões do Império, foi apedrejado e ameaçado de morte – ele abriu o paletó, oferecendo o peito às balas e disse: – “Atirem! A morte para mim é um acidente da vida…” Tal era o destemor deste homem, cujo papel no advento da República não foi inteiramente reconhecido, como atesta um retalho de jornal carioca anos depois: “… Feita a Abolição, a propaganda republicana tomou um incremento extraordinário graças a Silva Jardim. …

A maneira pela qual a República procedeu com esse grande, com esse estupendo propagandista, é uma página infame nos seus anais. … A Constituição Federal chama Benjamin Constant de O Fundador da República. É, de fato, provável que sem ele, no dia 15 de Novembro, a República não tivesse sido feita. Só provável. Mas é certo, absolutamente certo, para todos os que viveram no Rio de janeiro, em 1888 e 1889, que sem Silva Jardim ninguém pensaria sequer nesta solução. …Quem, sem o conhecer, visse surgir no palco de qualquer teatro aquele gafanhotinho, não daria nada por aquela figura insignificante. Mas assim que começava a falar, havia um deslumbramento. Discutia e comovia. Nada de retórico palavroso: era um homem instruído, um argumentador poderoso.”

1887 – Dobra o número de republicanos na Câmara

Em 1887, expressão do crescimento do sentimento popular contra a monarquia, dobra o número de vereadores republicanos eleitos: Américo Martins dos Santos, Guilherme Alves Souto, Padre Francisco Alves Barroso e Antonio Carlos da Silva Teles. O mandato para a vereança de 1887-1889 entraria para a história santista pelo papel que desempenhou na fase final dos dois movimentos (o abolicionista e o republicano) e durante a crise acarretada por umas das maiores epidemias que atacou Santos.

1887 – Cresce a campanha em Santos e no país

Já abolira Santos a escravidão em 1886 e nos anos seguintes cresce a campanha republicana, destacando os nomes de Silva Jardim, grande arauto da República, Antonio Bento, cuja palavra arrebatava multidões, Rubim César, magnífico e exaltado orador, Vicente de Carvalho, poeta inspirado e jornalista destemido, e ainda Martim Francisco, Henrique Porchat, Antonio Lacerda Franco, Américo Martins dos Santos, Victorino Porchat, Pe. Francisco Gonçalves Barroso, Antonio Manoel Fernandes, Manoel Franco de Araújo Viana, Antonio Carlos da Silva Teles, Guilherme Souto, Júlio Ribeiro, Galeão Carvalhal, Gastão Bousquet, Joaquim Montenegro, José Alves Souto, Antonio Augusto Bastos, João Guerra e muitos outros nomes de grande valor na campanha. Em 1888, ao lado do Rio de Janeiro e São Paulo, Santos já era o terceiro pólo do movimento republicano no Brasil.

1888 – O levante da Polícia em São Paulo

No país o número de adeptos da República aumenta notadamente depois da abolição, devido à adesão de muitos escravocratas que apoiavam a monarquia justamente por ser ela escravagista. Na noite de 2 de novembro de 1888 há um levante no 17° Batalhão de Linha, provocado pelo Chefe de Polícia de São Paulo, que logo foi demitido pelo governo, não sem o protesto e a aclamação delirante do povo e da imprensa. O sentimento do republicanismo já estava tão arraigado em toda a Província de São Paulo que por pouco a República não foi proclamada aqui.

1889 – A peste ataca Santos

No princípio de 1889 Santos é atacada pela peste negra, numa das maiores e mais violentas epidemias que já haviam assolado a cidade. Em março já se contavam 360 mortos. A Câmara Municipal presidida por Júlio Conceição logo esgotou o pobre orçamento que tinha, e foi ajudada pelo Partido Republicano e pela Imprensa local.

O governo Provincial, então conservador, em represália política à atitude liberal santista, fingia não ouvir os apelos do povo angustiado. A Corte mantinha-se indiferente ao sofrimento de Santos e Campinas (onde assolava a mesma peste). Todas as iniciativas de socorro à população partiram de particulares. Conservadores e republicanos se uniram no combate à febre, captando recursos entre os mais abastados. O próprio Júlio Conceição foi um dos maiores contribuintes. Do Rio de Janeiro vieram freiras e estudantes de medicina por sua própria conta. Na capital, Júlio de Mesquita, pelo jornal “A Província de São Paulo”, abriu uma subscrição em favor dos flagelados santistas e quase toda a imprensa de São Paulo deu seu apoio a Santos.

1889 – O descaso do Império gera revolta

Até mesmo a desgraça sobre Santos produziu resultado positivo ao movimento republicano. Em abril, o Governador da Província João Alfredo enviou a Santos a quantia de um conto de réis do próprio bolso, no que ele chamou “ato de generosidade e comiseração”. Os republicanos santistas se ofenderam e Júlio Conceição, mesmo sendo conservador, solidarizou-se com os companheiros e recusou o dinheiro, num ato que traduzia o sentimento comum. Este fato teve grande repercussão em São Paulo e no Rio de Janeiro, gerando protestos e adesões, acirrando a campanha republicana que agitava os dois grandes centros do Brasil.

Em maio a peste estava extinta com um total de 700 mortos. Ao final, o grande sofrimento santista acentuou e pôs em relevo o abandono em que o sistema vigente deixava suas cidades e municípios, o atraso de 100 anos em que o país estava mergulhado nos setores fundamentais da saúde (higiene pública e saneamento) e da educação, as deficiências da administração do Império, que deixava pouquíssimos recursos às cidades e Províncias com consequente atraso urbano. Enfim, tornou clara para todos a necessidade urgente de uma reforma na organização do Império ou a sua substituição por um novo regime, o que no momento só os republicanos poderiam proporcionar.

Cidade de Santos
Dom Pedro II

1889 – As eleições e a cisão dos republicanos

Em junho cai o Governador João Alfredo e a equipe conservadora, subindo ao poder o Partido Liberal, com Gabinete presidido pelo Visconde de Ouro Preto. Como não tinha a maioria na Câmara, com a permissão de D. Pedro II ele dissolve o Parlamento e convoca novas eleições, que viriam a ser a última do Império, a ela concorrendo os partidos Conservador, Liberal e Republicano. Em Santos, um numeroso grupo de republicanos, por gratidão e reconhecimento, resolvem apoiar o nome de Júlio Conceição para deputado, mas um outro grupo prefere Bernardino de Campos, que era o candidato efetivo e já havia concorrido anteriormente. Uma grande reunião pôs fim à disputa e Bernardino foi indicado como candidato.

O primeiro grupo entretanto, insatisfeito com o resultado, indica o nome de Júlio de Mesquita. Era a primeira coisa que uma coisa assim acontecia em toda a província: um partido e dois candidatos. Ao final foi eleito Bernardino de Campos, mas tais fatos provocaram a divisão dos republicanos santistas em duas alas distintas, dissidência que duraria algum tempo.

1889 – Proclamação da República. Santos faz festa

Por fim, em 15 de novembro de 1889, a República é proclamada pelo Marechal Deodoro da Fonseca, no Rio de Janeiro. Em São Paulo, um santista exaltado, Alfredo Porchat, à frente de um grupo de republicanos, invade o palácio do Governo antes mesmo de efetivar-se a primeira notícia oficial, e hasteia a bandeira da República diante do povo entusiasmado. Em Santos não foi muito diferente: nas ruas e nos lares, o povo santista festejou, emocionado, o fim da monarquia. Um Governo Provisório ou “Junta Governativa” foi aclamado pelo povo e empossado.

Em São Paulo assumiu um triunvirato encabeçado por Prudente de Morais, que adotou o critério de consultas prévias aos dirigentes de cada localidade. De Santos subiu duas listas, uma de cada um dos grupos republicanos dissidentes, das quais o Governo do Estado escolheu a do grupo que apoiara Bernardino de Campos. Ficou decidido que os governos municipais fossem exercidos por Conselhos de Intendência Municipal, nomeados pelo Presidente. Assim, a primeira Intendência de Santos tinha Xavier Carvalho de Mendonça como Presidente e Ernesto Cândido Gomes como Vice-Presidente que assumiram em 21 de fevereiro de 1890.

Cidade de Santos
Deodoro proclama a República.

1890 – A dissidência faz oposição

Dessa forma, devido aos desentendimentos da última eleição, a vida sob o novo regime em Santos começou com os republicanos divididos em duas fortes facções, ambas com a mesma bandeira e ideais, mas em campos completamente opostos. De um lado, no Centro Republicano, ficam Antonio de Lacerda Franco, Carvalho de Mendonça, Antonio Carlos da Silva Teles, Martinho Leal Ferreira, Ernesto Cândido Gomes, João Guerra, Francisco Emílio de Sá, Antonio Augusto Bastos, e outros.

De outro lado, no Clube Republicano, estão os mais ortodoxos Henrique Porchat, Vicente de Carvalho, Américo Martins dos Santos, Martim Francisco, Ricardo Pinto de Oliveira, Manoel Maria Tourinho, Joaquim Montenegro, Narciso de Andrade, Carlos Afonseca, Augusto Mesquita, e outros. Estes últimos fundam o jornal “Diário da Manhã”, sendo entregue a Vicente de Carvalho a sua direção. Por sua vez, o outro grupo também funda um jornal sob a direção de Horácio de Carvalho: “O Nacional”.

1891 – Santistas “depõem” o presidente de São Paulo

Américo Brasiliense fora eleito Presidente do Estado. Nessa época, o ambiente em Santos era o de um caldeirão fervente. Ainda havia na cidade muitos monarquistas convictos, a luta entre as duas facções republicanas aumentava o temor de uma reviravolta política e da volta da monarquia e corriam soltos os boatos de uma revolução carioca para a restauração da antiga ordem. Foi em dezembro desse ano que o Marechal Deodoro aplicou seu conhecido golpe de Estado, ao qual o Presidente de São Paulo aderiu pronta e arbitrariamente.

Os santistas chocados lançaram protestos e manifestos convocando o povo até à oposição armada ao Presidente, com Vicente de Carvalho fazendo grande agitação, imbuído da idéia de depô-lo. A polícia é chamada para prendê-lo e restabelecer a ordem, mas ele se entrincheira no “Diário da Manhã”.

No dia 14, depois de passeatas e até tiroteio com a polícia, o povo inspirado no exemplo de Vicente de Carvalho “resolve depor” o Presidente com uma moção e a organização de um batalhão patriótico para sustentar, se preciso pelas armas, as resoluções da histórica moção. Histórica porque, no dia seguinte Américo Brasiliense renuncia ao cargo e assume o seu Vice Cerqueira César, integrante do Clube Republicano de Santos.

1893 – A “Revolta da Armada” ameaça Santos

Em 1892 a Câmara santista já funcionava e preparava uma Constituição, mas o inconformismo fermentava no Rio de Janeiro, contaminando São Paulo e Santos. De fato, no início de 1893 diversos vereadores de oposição interna renunciaram. Em setembro estoura no Rio a chamada “Revolta da Armada”. Bernardino de Campos, então Presidente de São Paulo, é avisado por Floriano Peixoto do risco da invasão de Santos pelos revoltosos.

Bernardino manda um batalhão e munição para reforçar a defesa, que contava também com a presença no porto do cruzador “Centauro”. Porém, com a notícia do bombardeio do Rio pelos revoltosos, a tripulação do “Centauro” abandona o navio e foge, deixando abertas as válvulas de flutuação do navio, que afunda na Ponta da Praia. Em setembro 4 navios da Armada revoltosa, com artilharia muito mais poderosa do que a defesa que se preparara, ameaçam Santos e bloqueiam o porto.

1893 – A bravura de Bernardino une os republicanos

Bernardino de Campos, avisado da grave situação, vem a Santos para encorajar os militares e lutar ele mesmo, se preciso for. Em seu rastro descem amigos, deputados e seu próprio filho, e todos se engajam nas forças de defesa. Na manhã do dia 20 os revoltosos atiram contra a Fortaleza da Barra Grande, que responde aos disparos juntamente com o Forte Augusto. A troca de tiros continua por cerca de 2 horas, até que tudo para de repente e os navios se retiram.

Desses fatos, um episódio ficou célebre e contribuiu para mudar o cenário político de Santos. No meio do bombardeio, com um disparo vindo em direção ao forte, Bernardino se levanta e o tenente-coronel Aires da Gama, seu ajudante de ordens, corre para forçá-lo a abaixar-se, gritando em voz de comando: – “Abaixem-se todos!” Todos se abaixam, exceto Bernardino, que se ergue ainda mais e responde ao amigo: – “São Paulo não se abaixa!” A bala passa a pouca distância de sua cabeça e explode num galpão mais atrás.

O ataque e a bravura de Bernardino abalam a força moral da ala republicana mais ortodoxa, até então afastada do Presidente do Estado. A visita de Cerqueira César completa o processo de adesão.

1893 – Preso Martim Francisco

Na época do ataque era Presidente da Câmara Municipal um dos membros mais violentos do Clube Republicano: Américo Martins. Por ocasião das providências de defesa, ele se declarara antiflorianista e o governo mandara prendê-lo, bem como a Martim Francisco e outros.

Américo Martins conseguira fugir, mas o amigo fora preso. O aguerrido republicano participou das “pazes” com a outra ala republicana, mas renunciou em outubro de 1893, não antes de mandar um telegrama a seu grande amigo, General Francisco Glicério, então Presidente da Câmara Federal e homem forte de Floriano Peixoto, no qual pedia a liberdade de Martim Francisco. O pedido foi concedido. Martim Francisco foi solto, atribuindo o “milagre” ao fato de ser um Andrada. Somente muito depois ele soube o que realmente acontecera.

1893 – Os santistas se irmanam para a luta

A defesa da cidade continuou sendo reforçada com a chegada de mais armas e munição. Agora confiante na lealdade da gente santista, Floriano Peixoto manda a artilharia pesada que faltara na hora do ataque. Por sua vez, os republicanos formaram diversos batalhões patrióticos da mocidade, prontos para a luta. O de Quintino de Lacerda era um símbolo vivo de fraternidade: um grande batalhão formado de brancos e negros irmanados, tendo à frente o negro Quintino em sua farda de Major da Guarda Nacional. Estavam de novo os santistas unidos na defesa do ideal que todos tanto lutaram para conquistar: a Pátria Republicana!

1894 – A primeira Constituição Municipal

Em 1894, sob a presidência do Dr. Manoel Maria Tourinho, a Câmara entrega ao Município a primeira Constituição Municipal, que seria cassada no ano seguinte pelos próprios vereadores.

1895 – Santos elege o primeiro vereador negro

Nas eleições de 1895 um dos vereadores eleitos é o negro analfabeto Quintino de Lacerda, cujo valor ficou conhecido nas campanhas abolicionista e republicana. Sua posse é negada e ele recorre à Justiça para fazer valer seu direito.

Manoel Tourinho, prevendo o desfecho do caso, já renunciara, quando Quintino se apresenta com um acórdão do Tribunal de relação de São Paulo. Sacramento Macuco, então na presidência, lhe dá a posse mas renuncia em seguida. Nem tanto por ser negro, mas por ser analfabeto, muitos ainda se opõem à presença de Quintino.

1894 – Santos volta ao sistema de Intendência

As agitações que se seguiram à posse de Quintino fez com que alguns vereadores considerassem ilegal e inconstitucional a própria Constituição promulgada no ano anterior. Assim, ela é cassada e Santos volta ao sistema se Intendência, com um Intendente Geral ou Prefeito-Intendente indicado pela Câmara.

1907 – Criada a Prefeitura Municipal de Santos

Em dezembro de 1907, por força de Lei Estadual, decretou-se a eleição direta e popular em Santos, o que se daria no ano seguinte. Na prática, estava criada a Prefeitura Municipal e a separação dos três poderes em Santos, que entraria na mais produtiva e progressista década de sua história.

Gente que fez história

Aqui figuram algumas pessoas que se destacaram no seu tempo e de alguma forma contribuíram para a grandeza da cidade de Santos, seja para a sua formação, seu desenvolvimento ou sua projeção. A ordem dos nomes procura seguir uma linha do tempo.

Período Colonial (até 1822)

Alexandre de Gusmão (1695-1753)

Ana Pimentel

Antonio Carlos Ribeiro de Andrada (1773-1845)

Bartolomeu de Gusmão (1685-1724)

Brás Cubas (1508-1592)

Brigadeiro Galvão de Moura Lacerda (1770-1834)

Comendador Martins (1792-1861)

Conselheiro José Ricardo (1787-1846)

José Adorno

José de Anchieta (1534-1597)

José Bonifácio de Andrada e Silva (1763-1838)

Marquês de São Vicente (1803-1878)

Martim Afonso de Souza (1500-1571)

Martim Francisco Ribeiro de Andrada (1775-1844)

Padre Gonçalo Monteiro

Visconde de São Leopoldo (1774-1847)

Período Imperial (de 1823 a 1889)

Afonso Francisco Veridiano (1860-1923)

Alberto Souza (1870-1927)

Américo Martins dos Santos (1852-1931)

Antonio Manoel Fernandes (1843-1910)

Augusto Fomm (1827-1887)

Barão Aguiar de Andrada (1825-1892)

Barão de Paranapiacaba (1827-1915)

Benedicto Calixto (1853-1927)

Cesário Bastos (1849-1937)

Comendador Alfaya Rodrigues (1850-1941)

Comendador Ferreira Neto

Conselheiro Nébias (1811-1872)

Eduardo Ferreira (1858-1905)

Galeão Carvalhal (1859-1924)

Gastão Bousquet (1870-1918)

Júlio Conceição (1864-1938)

Quintino de Lacerda

Sacramento Macuco (1851-1901)

Saturnino de Brito (1864-1929)

Thomaz Azevedo (1820-1896)

Vasconcelos Tavares (1842-1913)

Vicente de Carvalho (1866-1924)

Vieira de Carvalho (1842-1899)

Visconde de Embaré (1824-1887)

Xavier da Silveira (1840-1874)

Período Republicano e Moderno

Adolfo Porchat de Assis (1868-1933)

Afonso Schmidt (1890-1964)

Amazonas Duarte (1898-1979)

Francisco Martins dos Santos (1903-1978)

Guedes Coelho (1879-1951)

José Domingues Martins (1864-1924)

Manoel Vicente do Nascimento Júnior (1876-1959)

Martins Fontes (1884-1937)

Plínio Marcos (1935-1999)

Ruy Ribeiro Couto (1898-1963)

A Administração de Santos ao longo da história

O início do Conselho da Vila

A vida legal e administrativa de Santos começa com a sua elevação à Vila, em data provável de novembro de 1546, e com a consequente criação da Câmara, então chamada Conselho da Vila. Naquela época, Brás Cubas era o Capitão-Mor desde 1545 e Pedro Martins Namorado, na qualidade de Juiz Pedâneo desde 1544, deve ter sido o provável Presidente do primeiro Conselho.

Seus integrantes eram nomeados pelo Capitão-Mor da Capitania e tinham imunidades: não podiam ser presos, processados ou suspensos, a não ser por ordem régia. Ao Conselho competia a organização das posturas, a aferição de pesos e medidas, a fiscalização dos preços dos comestíveis, o zelo pelo asseio e o policiamento da povoação, e qualquer resolução sua poderia ser vetada pelo Capitão-Mor, que era a autoridade máxima. Infelizmente, pouquíssimos documentos restaram daqueles primeiros tempos.

Cidade de Santos
A primeira Casa do Conselho situava-se onde hoje está a Alfândega. De início era um pobre e pequeno edifício que foi sendo aumentado ao longo do tempo, até se transformar nesse edifício que ficou conhecido como “Palacete”. Em 1585 foi doado aos jesuítas para a instalação de seu mosteiro, colégio e igreja (tela de B. Calixto).

A Administração no início do Primeiro Império

Em 1822, em suas atas das sessões, a Câmara de Santos se denominava “Casas da Câmara e Passos do Conselho”. Compunha-se de um Presidente, que era o Juiz de Fora, três Vereadores e um Procurador, todos nomeados pelo Governador da Província. Após a Independência as Câmaras de Santos passaram a ser eleitas em sessões conjuntas dos Vereadores e dos republicanos e “homens bons da Vila”. Em 1826 as nomeações passam a ser feitas pelos “Pelouros do Desembargo do Paço”, feitas pelo Imperador após a escolha dos “pelouros” ou “pelotas” de cera que continham os nomes propostos.

Cidade de Santos
Este prédio da antiga Rua Direita ficava quase em frente ao Carmo (atual Praça da República) e passou a sediar a Casa da Câmara e Cadeia em 1585. Em 1697 foi totalmente reconstruído, e serviu à Câmara até 1869, quando foi vendido para demolição (Tela de Benedito Calixto).

1828 – O Conselho Geral da Província determina a Câmara de Santos

Em 1828 é criado o Conselho Geral da Província, sendo eleito por Santos, como Conselheiro Provincial, o Capitão Antonio Martins dos Santos. O Conselho Geral criaria os Juízes de Paz, os Promotores Públicos e os Juízes de Fato (Juízes de Direito) que deveriam substituir os Juízes de Fora e assumir o cargo da Presidência das Casas de Conselho. Nesse mesmo ano é promulgada Lei estabelecendo eleição para os membros das Câmaras Municipais e baixando as instruções para a eleição, feita por Mesa Eleitoral composta pelos “eleitores” da paróquia. Em 1829 o antigo Conselho passa a ser integrado por seis membros e a chamar-se Casa da Câmara e, em 1830, Paço da Câmara Municipal, com sete membros.


1835 – Os prefeitos que não contaram

Até então não existia, tal como conhecemos, a figura executiva do Prefeito ou Chefe do Executivo Municipal, mas em pleno Império, a Lei n° 38 de 3 de outubro de 1834, cria o cargo de Prefeito.

De acordo com a Lei, a Câmara da Vila de Santos deveria propor em lista tríplice os nomes de três pessoas capazes de ocupar o cargo, lista que seria submetida à escolha do Presidente da Província. Assim, em maio de 1835 a Câmara de Santos elege os integrantes da primeira lista tríplice: Cap. Antonio Martins dos Santos, Luiz Pereira de Campos Vergueiro e Dr. Joaquim Octávio Nébias, sendo este último o nome escolhido pelo Governo Provincial.

Joaquim Octávio Nébias tornava-se o primeiro Prefeito de Santos, comas mesmas atribuições dos primeiros Intendentes da República. Entretanto, por ter sido eleito Deputado Provincial, Octávio Nébias fica apenas um mês no cargo, sendo substituído por Joaquim José Vieira de Carvalho, que exerce o cargo por pouco mais de 3 meses. Ainda no mesmo ano de 1835 é nomeado e empossado o terceiro Prefeito de Santos, o Padre José Ignácio Rodrigues de Carvalho, que permaneceu no cargo durante alguns anos. Não se tem registro de outros Prefeitos empossados nessas condições.

Em 1839 Santos é elevada à categoria de cidade. Em 1841 o número de membros da Câmara se eleva para oito e em 1860 são nove os integrantes.

Cidade de Santos
Nossa conhecida “Cadeia Velha” foi construída para sediar a Casa da Câmara e Cadeia. Sua construção teve início em 1836, mas só foi concluída em 1866, quando para lá se transferiu a Cadeia, o Fórum, o Tribunal do Júri, o Conselho Municipal de Recursos e as 3 Varas da cidade. Mas somente em 1870 a agora chamada Câmara Municipal passou a funcionar no novo prédio (img. Monte Serrat).

1889 – O governo provisório após a República

Com a proclamação da República a 15 de novembro de 1889, Santos aclama uma Junta Governativa para dirigir provisoriamente a cidade. Dela faziam parte: Antonio de Lacerda Franco, Ernesto Cândido Gomes, Antonio Carlos da Silva Teles, Martim Francisco Ribeiro de Andrada, Walter Wright, Leão Luiz Ribeiro, José Azurém Costa Júnior, Guilherme José Alves Souto, Henrique Porchat e Manoel Franco de Araújo Vianna.

1890 – O novo Conselho de Intendência

Em 1890 o governo do Estado cria os Conselhos de Intendência cujos membros, nomeados pelo Governador, exerceriam o poder municipal. O primeiro Conselho de Intendência de Santos, criado por ofício do então Presidente da Província Prudente de Moraes, era assim constituído: Dr. José Xavier Carvalho de Mendonça (Presidente), Martinho Leal Ferreira, Luiz José dos Santos Dias, Francisco Emílio de Sá, Ernesto Cândido Gomes, Dr. José da Silva Vergueiro, José Azurém Costa Júnior, Manoel Franco de Araújo Vianna e José Serafim Cardoso, que veio a falecer e foi substituído pelo Dr. Lino Cassiano Jardim.

O Conselho de Intendência é renovado ao longo dos dois anos seguintes e administra a cidade até setembro de 1892, quando tem início a primeira legislatura eleita pelo povo.

1892-1896 – A primeira e conturbada legislatura eleita pelo povo

A primeira legislatura da Câmara eleita pelo povo foi marcada por uma onda de renúncias entre 1893 e 1894 em razão da Revolta da Armada ocorrida em setembro de 1893 e que agravou a crise política entre as alas republicanas da cidade (veja História). Também em 1894 se promulgou a primeira Constituição de Santos.

Para completar o clima conturbado, entre os eleitos em 1895 estava Quintino de Lacerda, o herói negro e analfabeto do movimento abolicionista, que acabara de tomar parte ativa na defesa da República durante os eventos de 1893. José André do Sacramento Macuco, que assumira a Presidência, dá posse a Quintino e renuncia em seguida.

O Vereador Olympio Lima manifesta o seu repúdio afastando-se das sessões da Câmara que, por falta de quorum, ficam suspensas até 1° de junho de 1895, quando Quintino, presente por força judicial, assume a Presidência por 15 dias. Quintino de Lacerda tinha o apoio da ala mais radical dos republicanos (os dissidentes do Centro Republicano) e também de grande parte dos republicanos situacionistas (Clube Nacional), o que lhe dava grande força política. Em outra sessão, Quintino pleiteia a cassação do mandato de Olympio Lima por sua ausência ostensiva sem qualquer justificativa regimental.

Olympio Lima retorna ao plenário em 9 de julho, dia da posse oficial de Quintino de Lacerda, e renuncia ao cargo, juntamente com José Couto e Manoel Henrique de Lima. Após sua renúncia, Olympio Lima, jornalista da “Tribuna do Povo”, dispara as baterias de seu jornal contra Quintino e seus adeptos. As agitações que vieram depois agravaram ainda mais a crise, culminando na cassação da Constituição de 1894 pelos próprios Vereadores.

Cidade de Santos
Esses edifícios, no Largo Marquês de Monte Alegre, abrigaram a Intendência e a Câmara Municipal em sua quarta sede. Constituíam o maior edifício civil do país na época e foram construídos em 1867 e 1872 por Ferreira Neto baseado no boato de que o governo provincial iria se instalar em Santos. (foto Poliantéia).

1896-1908 – Os Intendentes da Santos republicana

Após a cassação da Constituição, a Santos republicana vive um retrocesso, retornando ao antigo regime onde o Intendente, figura executiva equivalente a de prefeito na época, é eleito pelos próprios Vereadores. Da segunda legislatura eleita, que assumiu a 7 de janeiro de 1896, até o final da quinta legislatura em 15 de janeiro de 1908, ocupam o cargo de Intendente:

07/01/1896 a 07/04/1896 Dr. Jacob Itapura de Miranda
07/04/1896 a 09/07/1897 Cel. Narciso de Andrade
09/07/1897 a 04/05/1898 Antonio Malheiros Júnior
04/05/1898 a 07/01/1899 Cel. Joaquim Montenegro
07/01/1899 a 10/06/1899 Cel. José Moreira de Sampaio
10/06/1899 a 07/01/1902 Cap. Adolfo Vaz Guimarães
07/01/1902 a 07/01/1904 Dr. Francisco Malta Cardoso
07/01/1904 a 07/01/1905 Dr. Manoel Galeão Carvalhal
07/01/1905 a 31/05/1905 Dr. João Galeão Carvalhal
31/05/1905 a 07/01/1906 Cap. Joaquim Mariano de Campos
07/01/1906 a 15/01/1908 Carlos Augusto de Vasconcelos Tavares

Cidade de Santos
No Largo Marquês de Monte Alegre a cerimônia de posse dos Vereadores da quarta legislatura da Câmara eleita pelo voto popular em 1902 (img. Novo Milênio).

1908 – As primeiras eleições diretas para Prefeito

A Lei Estadual n° 1.103 de 26/11/1907, regulamentada pelo Decreto n° 1.537 de 03/12/1907, vem mudar o cenário político de Santos e obriga as eleições diretas para o cargo de Prefeito.

A 14 de dezembro de 1907 a cidade realiza sua primeira eleição direta para Prefeito, o que constitui por si só a criação da Prefeitura Municipal de Santos, com a efetiva separação dos poderes. Nessa época exercem o cargo de Prefeito:

15/01/08 a 29/07/11 Carlos Augusto de Vasconcelos Tavares – renuncia em 29/07/10; assume Belmiro Ribeiro de Moraes e Silva

15/01/11 a 15/01/14 Belmiro Ribeiro de Moraes e Silva

15/01/14 a 15/01/17 Carlos Luiz de Afonseca – renuncia em 01/02/16; assume Manoel Galeão Carvalhal

15/01/20 a 15/01/23 Cel. Joaquim Montenegro

15/01/23 a 15/01/26 Cel. Joaquim Montenegro – renuncia a 29/11/25; assume Arnaldo Ferreira de Aguiar

15/01/26 a 15/01/29 Arnaldo Ferreira de Aguiar – renuncia em 16/11/26; assume Dr. José de Souza Dantas

15/01/29 a 27/10/30 Dr. José de Souza Dantas

1930 – A Revolução de 30 e os governos provisórios

A Revolução de 1930, vitoriosa, dissolve as corporações legislativas e depõe o Presidente do Estado e os Prefeitos Municipais. Em Santos, o governo da cidade é assumido por uma Junta Governativa nomeada pelo Governo Provisório do Estado de São Paulo e integrada por Waldemar Leão, Dr. Antonio Feliciano da Silva e Leopoldo de Oliveira Figueiredo, que permanece no poder até 30 de novembro de 1931.

A partir daí, o Governo do Estado passa a nomear Prefeitos Provisórios que administram sem a Câmara Municipal, cujas atribuições são assumidas pelo recém criado Departamento da Municipalidade. São nomeados Prefeitos:

01/12/30 a 12/04/31 Dr. Elias Machado de Almeida
13/04/31 a 01/04/32 Dr. Antenor Maciel Bué
02/04/32 a 02/04/35 Dr. Aristides Bastos Machado
02/04/35 a 13/08/36 Dr. Antonio Gomide Ribeiro dos Santos
13/08/36 a 15/10/36 Dr. Aristides Bastos Machado
15/10/36 a 10/10/37 Antonio Iguatemy Martins Júnior

Cidade de Santos
Em 1939, ano do centenário da elevação de Santos à categoria de cidade, foi inaugurado o Palácio José Bonifácio, um dos mais imponentes edifícios da cidade, construído para abrigar a Prefeitura e a Câmara Municipal (col. João Gerodetti).

1937-1953 – O Estado Novo e a exceção

Através do golpe de Estado do Dr. Getúlio Vargas, a 10 de novembro de 1937, é instaurado o “Estado Novo”. Pela nova Carta Constitucional os Prefeitos devem ser nomeados pela Interventoria Federal em cada Estado. O prefeito em exercício na época, Antonio Iguatemy Martins Jr, é mantido no cargo pela Interventoria, mas alguns meses depois dele se exonera. Os Interventores Federais do Estado de S. Paulo nomeiam como Prefeitos Provisórios de Santos:

10/10/37 a 12/07/38 Antonio Iguatemy Martins Júnior
14/07/38 a 01/07/41 Dr. Cyro de Athayde Carneiro
01/07/41 a 31/08/45 Dr. Antonio Gomide Ribeiro dos Santos
31/08/45 a 30/10/45 Dr. Lincoln Feliciano da Silva
30/10/45 a 31/12/45 Francisco Paíno
01/01/46 a 30/01/47 Dr. Edgardo Boaventura
31/01/47 a 31/03/47 Dr. Osório de Souza Leite
31/03/47 a 30/04/47 Francisco Paíno
30/04/47 a 30/10/48 Rubens Ferreira Martins
30/10/48 a 01/08/49 Álvaro Rodrigues dos Santos
02/08/49 a 30/07/50 Dr. Hernani Botto de Barros
31/07/50 a 18/12/50 Rubens Ferreira Martins
19/12/50 a 25/03/51 Sócrates Aranha Menezes
26/03/51 a 31/03/52 Dr. Joaquim Alcaide Vals
31/03/52 a 13/04/53 Dr. Francisco Luiz Ribeiro

1953 – A autonomia santista é restaurada

Coube ao destacado político santista Dr. Antonio Ezequiel Feliciano da Silva, então Deputado Federal, liderar a luta pela reconquista da autonomia política de Santos. Ele movimentou as lideranças da cidade em todas as áreas e apresentou projeto de Lei ao Congresso Nacional, coordenando sua aprovação e a sanção do Presidente Getúlio Vargas, que retornava à Presidência através do voto popular.

Assim foi restabelecida a autonomia de Santos, que realizou eleições diretas em 22 de março de 1953. A partir daí foram eleitos os seguintes Prefeitos:

14/04/53 a 14/04/57 Dr. Antonio Ezequiel Feliciano da Silva
14/04/57 a 14/04/61 Eng. Sílvio Fernandes Lopes
14/04/61 a 31/03/64 José Gomes*

* José Gomes assumiu no lugar do Prefeito eleito, Luiz La Scala Júnior, que faleceu em acidente de trânsito pouco antes de sua diplomação. Em 1964 ele seria deposto pela Revolução Militar.

1964 – Nova intervenção em Santos

Na esfera federal, novo Governo é instalado pela Revolução de 31 de março de 1964. Em Santos, o Prefeito José Gomes é deposto, assumindo suas funções um militar até o fim do mandato regular. Depois disso são convocadas eleições para a escolha de novo Prefeito, sendo eleito Sílvio Fernandes Lopes, que cumpre o mandato até o fim. Nas eleições de 1968 é eleito por maciça votação o então Deputado Estadual Esmeraldo Soares Tarquínio de Campos Filho, que não chega a tomar posse e tem seus direitos políticos cassados a 10 de março de 1969. A cassação em massa também atinge Mário Covas, Gastone Righi, José Gomes, João Ignácio de Souza, entre outros, provocando grande indignação na população santista. O Vice-Prefeito eleito Oswaldo Justo, chocado com a situação, decide não tomar posse e a Prefeitura é assumida por um Interventor Municipal, General Bandeira Brasil.

A 12 de outubro de 1969 é cassada a autonomia política de Santos, que volta a ser considerada área de segurança nacional. Após o mandato de Bandeira Brasil, o Governo Militar suspende a intervenção federal e passa ao Governo do Estado a função de prover o cargo de Prefeito de Santos com a ratificação do Governo Revolucionário da República, por ser área de segurança nacional. Dessa forma, o então Governador Laudo Natel e seu sucessor Paulo Maluf decidem por Santos nos anos seguintes.

Durante a Ditadura Militar, foram Prefeitos:

01/04/64 a 14/04/65* Cap. Fernando Hortala Rídel
14/04/65 a 14/04/69 Eng. Sílvio Fernandes Lopes
28/04/69 a 14/07/74* Gal. Clóvis Bandeira Brasil
14/07/74 a 06/05/79* Dr. Antonio Manoel de Carvalho
07/05/79 a 29/01/80* Carlos Caldeira Filho
30/01/80 a 31/08/84* Paulo Gomes Barbosa

* prefeitos nomeados ou “biônicos”, como eram chamados pelo povo santista.

Cidade de Santos
Em 1999 a Câmara se instalou nesse edifício histórico da Rua XV de Novembro, 105/107, permanecendo no Paço Municipal a Mesa Diretora e o plenário.O prédio data dos anos 20 e foi sede do Comind. O marco na fachada sinaliza o local da casa onde teria nascido e crescido José Bonifácio de Andrada e Silva (foto PMS).

1984 – Restabelecida a autonomia política

A volta da autonomia política de Santos foi resultado de uma longa luta dos santistas. Santos movimentou-se por suas expressivas lideranças políticas, comerciais, sindicais, associativas, culturais e estudantis – todos se engajaram em prol da emancipação, que foi finalmente concedida através da aprovação pelo Congresso Nacional de projeto de lei de autoria do então Deputado Federal Gastone Righi.

Em 2 de agosto de 1983 foi sancionada pelo Vice-Presidente da República Dr. Aureliano Chaves, então no exercício da Presidência, a Lei n° 2.050 que revogava o Decreto Federal n° 865/69, e devolvia a Santos, terra da liberdade, a sua tão merecida autonomia política. Em 1984 a cidade realizava novas eleições diretas, tendo sido eleitos, desde então:

01/09/84 a 31/12/88 Dr. Oswaldo Justo
01/01/89 a 31/12/92 Telma de Souza
01/01/93 a 31/12/96 Dr. David Capistrano Filho
01/01/97 a 31/12/00 Paulo Roberto Gomes Mansur
01/01/00 a 31/12/04 Paulo Roberto Gomes Mansur
01/01/05 até hoje João Paulo Tavares Papa

O Brasão de Armas de Santos

O Brasão de Santos foi adotado pela Lei 638, de 20 de setembro de 1920, quando era Prefeito o Tenente-Coronel Joaquim Montenegro. O desenho foi feito por Benedito Calixto, que seguiu – ou pelo menos tentou seguir -, as especificações estabelecidas pela própria Lei, e inspirando-se também no brasão estampado no estandarte feito em 1888, a mando da Casa da Câmara.

Na época, apenas algumas cidades do país possuíam brasões, a maioria deles criados por leigos na arte da Heráldica. Aqui não foi diferente, pois Calixto, apesar de excelente pintor e historiador, não passava de um curioso no assunto.

Assim, nosso símbolo apresentava muitas falhas nos elementos que o compunham, algumas delas bem graves, como a coroa mural de 4 torres que identificava Santos como uma aldeia, e não como cidade.

Durante os anos que se seguiram a 1920, os erros e falhas nas Armas Santistas foram apontados por diversos historiadores, estudos foram feitos e profissionais foram consultados. Em 1948, o Brasão foi restabelecido pela Lei 925, de 22 de janeiro de 1948, no mandato do Prefeito Rubens Ferreira Martins, mas as falhas permaneceram.

Em 1957 foi instituída a Bandeira do Município, no mandato de Sílvio Fernandes Lopes, que utilizava o inadequado Brasão (Lei 1986 de 3 de outubro de 1957). Em 1980 chegou a ser apresentado um projeto de Lei (74/80) objetivando a correção do Brasão, e que foi submetido ao exame profissional do heraldista Lauro Ribeiro Escobar.

Finalmente, em 2003, o Brasão foi remodelado e sua modificação ratificada pela Lei 2134 de 12 de setembro de 2003. O projeto foi elaborado por uma Comissão Especial de Vereadores, criada para este fim, que baseou-de no trabalho de pesquisa dos historiadores Wilma Therezinha de Andrade, Jaime Mesquita Caldas e Antonio Ernesto Papa. Embora não tenham sido corrigidas todas as falhas, algumas das mais gritantes foram sanadas.

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O Brasão de Armas de Santos que vem sendo utilizado desde 2004, quando falhas graves foram corrigidas.

Brasão: os elementos e seu significado

Escudo Português Vermelho

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O escudo ibérico, com a parte superior retangular e a inferior boleada, ficou conhecido também como “escudo português” ou “escudo espanhol”, por ter sido largamente utilizado quando das guerras que determinaram a expulsão dos mouros da Península Ibérica. Este é o formato de escudo adotado pelos mais tradicionais municípios de São Paulo, já que é o que mais convém a descendentes de portugueses. O escudo indica que esta é uma terra colonizada e formada por portugueses. A cor vermelha – o “campo de goles” – denota a audácia, a nobreza e a valentia. Além disso, simboliza também o sangue derramado pelos primeiros habitantes da terra ao defendê-la dos ataques de piratas e índios hostis.

Coroa Mural

Cidade de Santos

De acordo com as regras da Heráldica, nos brasões de domínio, a condição de cidade é representada pela coroa mural de 8 torres, sendo toda em ouro para as capitais de Estado e em prata para as demais cidades. A coroa mural de prata com 6 torres (4 à vista), representa uma vila, e a coroa de prata com 4 torres (3 à vista), representa uma aldeia.

A Coroa sobre o escudo, com ameias em forma de castelo, simboliza a força, a resistência e a emancipação. Como praça militar que foi desde os tempos coloniais, Santos tem direito de utilizar o símbolo de 8 torres.

Seguindo rigidamente as regras da Heráldica, as torres devem ter portas obrigatoriamente, e as janelas são opcionais. A portas devem ser desenhadas em sable (preto). No entanto, elas vêm sendo comumente representadas abertas, para simbolizar a hospitalidade do povo do lugar. É o caso do brasão de Santos, onde as portas também aparecem abertas, na cor vermelha, para simbolizar a hospitalidade do povo santista.

Esfera Armilar

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A esfera com anéis ou armilas é utilizada como representação do Universo, onde a Terra ocupa a posição central, na visão ptolomaica do cosmos, e as armilas principais representam os meridianos celestes (na vertical), o equador, os trópicos e os círculos polares (na horizontal) e a banda do zodíaco (em diagonal). A rigor, a banda do zodíaco deveria ser tangente aos dois círculos tropicais, estando pois inclinada 23,5 graus em relação ao equador. No entanto, por ignorância ou por razões estéticas, essa banda aparece habitualmente traçada com uma inclinação muito maior. É também comum se omitirem os círculos polares.

Esta esfera era utilizada pelos antigos navegantes em seus cálculos astronômicos e, mais tarde, foi adotada pela Escola de Sagres para simbolizar a ciência de “marear”, tornando-se depois um símbolo manuelino de poder marítimo, político e econômico associado às navegações, numa relembrança da expansão lusitana. No Brasil, simbolizando a ciência e a navegação, a esfera passou a figurar no próprio brasão de armas nacional, tendo sido largamente utilizada em moedas, uniformes militares e medalhas.

Caduceu

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O caduceu é um bastão entrelaçado com duas serpentes, com duas pequenas asas ou um elmo alado na parte superior. Sua origem se explica racional e historicamente pela suposta intervenção de Mercúrio diante de duas serpentes que lutavam, as quais se enroscavam em seu bastão. Os romanos utilizavam o caduceu como símbolo do equilíbrio moral e da boa conduta: o bastão expressa o poder, as duas serpentes representam a sabedoria, as asas simbolizam a diligência e o elmo é emblemático de pensamentos elevados.

O símbolo é antiquíssimo e pode ser visto na taça sacrifical do rei Gudea de Lagash (2.600 aC), mas há indícios de que seja ainda mais antigo.

A organização de seus elementos, por exata simetria bilateral, como a balança de Libra ou, na trindade da heráldica, o escudo entre dois suportes, expressa sempre a mesma idéia de equilíbrio ativo, de forças adversárias que se contrapõem para dar lugar a uma forma estática e superior. No caduceu, este caráter binário e equilibrado é duplo: há serpentes e asas, que ratificam o estado supremo de força e autodomínio no plano inferior (serpentes, instintos) e no superior (asas, espírito).

A antigüidade, inclusive a civilização greco-romana, atribuiu poder mágico ao caduceu. Há lendas que se referem à transformação em ouro de tudo o que era tocado pelo caduceu de Mercúrio e a seu poder de atrair as almas dos mortos. Mesmo as trevas podiam ser convertidas em luz por virtude desse símbolo da força suprema cedida a seu mensageiro pelo pai dos deuses.

Banda Auriverde

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Santos ganhou o direito de utilizar a banda auriverde da Independência em memória de seu mais ilustre filho: José Bonifácio de Andrada e Silva, o Patriarca da Independência. No entanto, este elemento não é exatamente uma banda, já que a sua colocação no brasão contraria o padrão heráldico de banda, que deve ser representada tal como no desenho acima: mais larga, com uma inclinação específica e alcançando as bordas do escudo.

O Ouro e a Prata

O ouro e a prata são os metais que figuram entre os esmaltes (cores) utilizados na arte da Heráldica. Eles podem ser representados como metais, com os reflexos próprios, ou pelas cores amarela e branca, respectivamente. No brasão de Santos, esses metais simbolizam a primeira bandeira ou entrada no sertão, empreendida por Brás Cubas e outros santistas nos idos de 1562.

Suportes

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Os aqui chamados suportes, – os ramos de cafeeiro nas laterais do escudo -, na verdade são classificados como “tenentes” pela arte da Heráldica, já que o “suporte” se aplica apenas às figuras de animais. Mas ambos são adornos heráldicos e tem a mesma função, aparecendo geralmente em duas figuras, uma de cada lado do escudo. No caso do nosso brasão, os dois ramos de cafeeiro frutificados utilizados como “tenentes” simbolizam o ciclo do café e a principal riqueza agrícola do Estado de São Paulo, que tornou o Porto de Santos seu principal escoadouro. O ciclo do “ouro verde” constituiu a base para o comércio e deu um grande impulso ao desenvolvimento de Santos.

Listel

Cidade de Santos

O listel, – a figura de adorno situada abaixo do escudo, recebe elementos conhecidos na arte da Herádica como mottos, divisas ou legendas, geralmente escritos em latim, francês ou inglês. Em nosso brasão, o listel traz a frase em latim: “patriam charitatem et libertatem docui”, que quer dizer “à pátria ensinei a caridade e a liberdade”. A divisa faz referência direta à fundação da primeira Santa Casa de Misericórdia do país e à tradição do povo santista na luta e defesa da liberdade – primeiro pela Independência e, em seguida, pela abolição da escravatura.

Os erros do antigo Brasão

Em 1981, a Câmara Municipal de Santos solicitou ao então Secretário da Cultura do Estado, Antonio Henrique Cunha Bueno, um parecer sobre o projeto de Lei que tramitava na Câmara Santista, apresentado em 1980 pelo Vereador Kosei Iha e que objetivava a correção do Brasão. O parecer foi fornecido pelo heraldista Lauro Ribeiro Escobar, que apontou erros crassos no brasão de armas santista, atribuindo-os quase que inteiramente à uma interpretação errônea da Lei 638 de 1920, que o instituía. Da mesma forma, ele criticou os “excessos descritivos” da nova Lei que estava então sendo proposta.

A Heráldica, apesar de ser uma arte complexa, remonta ao século XII e há historiadores que acreditam ser sua origem ainda mais remota, dada a antiguidade dos símbolos pessoais e familiares que ela utiliza. Certos símbolos são únicos, e apresentam apenas uma forma de representação. Desta forma, um “caduceu” não carece de descrição, bem como a esfera armilar – só existe uma maneira de desenhá-los. As cores, designadas genericamente “esmaltes”, obedecem a certas regras e convenções para sua representação. Tradicionalmente elas se dividem em metais (ouro e prata), cores e peles (arminhos e vieiros). As cores são oito, com nomes bastante particulares: sable (negro), goles (vermelho), azul, sinople (verde), púrpura, laranja, castanho e carnação (cor de pele).

A descrição de nosso brasão, segundo a Lei que o criou, era: “um escudo português em campo de goles, uma esfera armilar com uma banda auriverde, posta em diagonal entre as linhas tropicais. Das extremidades do eixo da esfera sai um caduceu de ouro, que é rematado em pinha em torno da qual se estendem duas asas em vôo. Na haste do caduceu enroscam-se duas serpentes do mesmo metal. Sobre a parte superior do escudo, que é orlado de prata, pousa a coroa mural de ouro, composta de quatro torres com três ameias e duas portas cada uma. O escudo é cingido por dois ramos de café de sua cor, e sobre eles a fita de prata. Por baixo do escudo, se inscreve em letra de goles a divisa “patriam charitatem et libertatem docui”.

Cidade de Santos
O inadequado Brasão de Santos, que vigorou por 84 anos.

O heraldista Lauro Ribeiro Escobar apontou diversos erros na interpretação da Lei por Benedito Calixto, bem como reservou algumas críticas para os elementos de linguagem anti-heráldica da própria Lei, que podem ter contribuído para a criação de um brasão completamente inadequado para Santos.

Uma das falhas crassas do Brasão era o escudo. O escudo português tem a parte superior reta e a inferior boleada (redonda). O escudo com a ponta em chaveta (em bico na parte inferior) que utilizávamos foi concebido pelo heraldista francês Hierosme de Bara, no século XVI. Dessa forma, ao invés de evocar a nossa formação e descendência portuguesa, o brasão indicava erroneamente uma colonização francesa. Esta falha foi devidamente corrigida em 2004, quando se vê as duas imagens colocadas lado a lado (veja mais abaixo).

Outro erro apontado pelo heraldista foi a reprodução incorreta da esfera armilar, com excesso de meridianos, e da orla de prata do escudo. Segundo o estudioso, a orla é semelhante à bordadura, mas não alcança as extremidades do escudo. Portanto, o que o nosso Brasão ostentava era um “debrum de prata”, ou seja, uma bordadura reduzida (mais fina).

A coroa mural formada de quatro torres (três à vista) dava a Santos a condição de aldeia, e não de cidade. Além disso, o ouro na coroa é reservado para as capitais, o que tornava a nossa coroa mural duplamente errada. A partir de 2004, a coroa mural passou a ser de prata, com oito torres (cinco à vista), como deve ser para uma cidade da importância de Santos.

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O Brasão como era antes de 2004

Cidade de Santos
Brasão atual, com diversas correções.

Quanto à “banda auriverde”, ela não corresponde à peça conhecida como banda pela Heráldica, que seria mais larga e tocaria as bordas do escudo. O que Lauro Escobar viu e descreve é “um bastão posto em banda, cortado de sinople (verde) e ouro”.

Ora, o bastão em banda designa a bastardia e deve ser evitado em brasões municipais, pois seria o mesmo que dizer que esta é uma terra de bastardos (!). Apesar de no Brasão atual esta peça ter sido um pouco alargada, não o foi bastante e tampouco alcança as bordas do escudo para ser chamada “banda”. Portanto, de acordo com o heraldista, esta é uma falha de interpretação que não foi completamente corrigida.

Outra falha apontada pelo heraldista é que o listel (a fita com a divisa) deveria acompanhar a cor predominante do escudo, no caso o goles (vermelho), como de fato foi adotado no Brasão oficial de hoje.

Referindo-se aos tenentes nas laterais do escudo, Lauro Escobar fez uma crítica ao esquecimento da cana de açúcar, sugerindo que um ramo de cana poderia muito bem figurar de um dos lados do escudo, já que foi a primeira e uma importante riqueza da nossa região.

Porto de Santos – Marco de desenvolvimento

1532-1869 – O início e o crescimento

Em seus primórdios, o Porto de Santos, que chamava-se na verdade Porto de São Vicente, situava-se na Ponta da Praia. Com o crescimento do povoado de Enguaguaçu, o porto foi transferido para o Lagamar do Enguaguaçu, em frente ao vilarejo, o que trazia uma série de vantagens, principalmente a facilidade para o acesso da carga e o fato de os navegantes não ficarem numa região isolada enquanto o navio permanecesse atracado.

Naquela época, o porto não passava de um conjunto de trapiches de madeira que atravessavam trechos do mangue, chegando até a beira d’água e possibilitando a atracação de navios de pequeno porte. Naus maiores tinha sérios problemas para atracação e frequentemente encalhavam ao se aproximarem dos trapiches, que iam sendo feitos aleatoriamente, de acordo com a necessidade do momento.

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A rampa e o porto do Consulado, defronte à atual Rua frei Gaspar, de grande movimentação no século XVIII (tela de B. Calixto).

O porto e a vila crescem na mesma proporção, em virtude da incrementação do comércio com as Vilas de Santo André da Borda do Campo e São Paulo de Piratininga, que se desenvolvem de forma acelerada. As cargas chegam ao porto em lombos de burros ou carregadas por escravos, ou ainda em canoas que descem os rios e os córregos da planície da ilha.

O porto cresce às margens do estuário ao redor da ilha, em um terreno lodoso, que aumenta ou diminui conforme as marés. Os trapiches frequentemente são arrastados pelas chuvas mais fortes ou arrasados por enormes troncos que chegam à beira d’água trazidos pelas marés. A pequena Vila cresce em função do crescimento do porto, pois todo novo prédio erguido tem alguma relação direta ou indireta com as atividades portuárias.

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O Porto do Bispo no Valongo, tendo ao fundo a Serra do Mar. Em primeiro plano o mercado das canoas (tela de B. Calixto).

No século XVIII as atividades portuárias se concentram em dois ancoradouros principais: o Porto do Consulado, em frente à Rua do Consulado (atual Frei Gaspar), e o Porto do Bispo, na altura do atual Largo Marquês de Monte Alegre, no Valongo.

O Porto do Consulado era uma tosca ponte à beira da qual havia um barracão onde funcionava a alfândega e onde estava instalada a “mesa do consulado” – os comandantes de navios eram obrigados a prestar declarações aos respectivos cônsules em países estrangeiros.

O Porto do Bispo era um conjunto de trapiches que alcançava a área do atual Largo Marquês de Monte Alegre, frequentemente invadida pela água nas altas da maré. Recebeu esse nome em homenagem ao 4° bispo de São Paulo, que ali desembarcou em 1797 e permaneceu na cidade por um mês.

O desenvolvimento do interior da Província de São Paulo e a cultura cafeeira acarretam acentuado crescimento da produção agrícola e a necessidade urgente de melhorar as condições para o seu escoamento em direção ao porto. Assim, em 1864 é iniciada a construção da Estrada de Ferro São Paulo Railway, a primeira ligação ferroviária entre o Porto de Santos e o restante da Província e cuja inauguração se dá em 1867. A São Paulo Railway foi de vital importância para o desenvolvimento do porto e da Vila de Santos.

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O Viaduto da Grota Funda da São Paulo Railway, no trecho da serra do mar, tinha 205 m de comprimento e até 48m de altura (imagem M. Serrat).

1870-1888 – A novela das concessões

Em 1870, o “Caminho de Ferro” já operava havia três anos e os navios já eram movidos a vapor. No entanto, o porto de Santos funcionava de forma precária, como funcionou durante três séculos. Houve algumas melhorias, mas a carga e descarga ainda era feita através dos trapiches: o Trapiche do Consulado, o Trapiche do Arsenal, o Trapiche da Praia, o Trapiche da Capela, o Trapiche do Bispo, o Trapiche da Banca, o Trapiche 11 de Junho, o Trapiche da Alfândega, o Trapiche do Sal e o o Trapiche da Estrada de Ferro. Os trapiches, de construção trabalhosa e frequentemente desmanchados pelas marés, eram um atraso e um freio para o crescimento tanto de Santos quanto de toda a Província de São Paulo.

O Governo Imperial oferece vantagens e abre concorrência aos interessados em construir um porto organizado no Valongo, em área cedida pelo governo. Os primeiros interessados nada fazem – as condições de trabalho na região insalubre do mangue fazem da construção uma empreitada difícil e um negócio arriscado. A concessão é dada sem concorrência a Francisco Aguiar Pertence e ao Conde da Estrela que prorrogam por duas vezes o início da obra até que a concessão é declarada caduca em 1879.

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Enquanto o porto não se modernizava, mais trapiches eram construídos. Era comum a construção de trapiches nos fundos dos estabelecimentos comerciais, como o Trapiche Brasil acima (foto Setur).

O Governo Imperial contrata o inglês Milnor Roberts e o engenheiro brasileiro Domingos Sérgio Sabóia e Silva para assessorá-lo num estudo para a construção do porto, estudo que deveria considerar aterro suficiente para resolver as condições sanitárias da Vila e que deveria ser direcionado a empresas particulares. Sobre tal estudo é aberta nova concorrência e novos interessados surgem, mas o governo da Província intervém e pede que lhe seja confiada a construção. Assim, a concorrência é anulada e a concessão dada ao governo de São Paulo, em 1882. E, como da vez anterior, as prorrogações para o início da obra se sucedem até que a concessão é cancelada em 1886.

O engenheiro Sabóia e Silva apresenta novos estudos e projeto para uma nova concorrência pública, para a qual se apresentam seis concorrentes. Depois de dois anos de polêmicas e novos estudos, o contrato é fechado com um grupo de empresários brasileiros: José Pinto de Oliveira, Cândido Gafrée, Eduardo P. Guinle, João Gomes de Avellar, Dr. Alfredo Camilo Valderato, Benedito Antonio da Silva e Ribeiro, Barros & Braga. O contrato previa a construção de 846 metros de cais a partir do Valongo, agendava o início das obras para dali a seis meses e concedia o prazo de 39 anos para a exploração do porto.

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A Banca do Peixe, que ficava na altura da atual Frei Gaspar, e o mercado de canoas por volta de 1885 (tela de B. Calixto)

1892-1930 – O primeiro porto organizado do Brasil

A construção do cais era um verdadeiro desafio: o terreno onde se faria a fundação para a murada era de lodo puro em grande profundidade, as condições sanitárias da cidade eram péssimas e, por ser a primeira obra do gênero em todo o país, faltava pessoal técnico e operários especializados e seria preciso importar equipamentos.

O grupo contratado para fazer frente ao empreendimento organiza a firma Gaffrée, Guinle & Cia em 1888, com capital próprio, saindo Ribeiro, Barros & Braga, e entrando Francisco Justiniano de Castro Rabello e Hypolito Veloso Pederneiras. Assim como a empresa e o capital, também a engenharia era brasileira, chefiada, desde o início e por muitos anos, pelo Eng. Guilherme Benjamin Weinschenck.

As obras são iniciadas conforme o prazo do contrato. Dragagens e aterros são executados, e os trabalhos seguem o cronograma, de modo que o Governo Imperial, satisfeito com o andamento, dilata o prazo de exploração de 39 para 90 anos, o mesmo que concedera às frustradas concessões anteriores. Em 1890 a Gafrée & Guinle sofre nova alteração, com saída de sócios e aumento de capital, passando a chamar-se Empresa de Melhoramentos do Porto de Santos. Em 1892 ela seria transformada em sociedade anônima com o nome de Cia Docas de Santos, sob a direção de Gafrée e Guinle.

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A construção do primeiro trecho de cais, em 1891 (foto Setur).

Apesar de todas as dificuldades, em 1892 estavam prontos os primeiros 260 metros de cais, inaugurados com a atracação do navio inglês Nasmith, a 2 de fevereiro de 1892. O porto contava com linha férrea e armazéns. O fato foi comentado em todo o país – o modesto ancoradouro se tornava o primeiro porto organizado do Brasil. No ano seguinte, é construído o restante dos 846 metros de cais contratado inicialmente e, nesse mesmo ano, os trilhos da Cia Docas são ligados aos da São Paulo Railway.

A necessidade de ampliação é logo reconhecida e no mesmo ano o paulista Francisco Glicério autoriza a construção de mais 884 metros de cais, que estenderia as docas até o Paquetá. A população sente os benefícios do saneamento que a obra do cais deixou na região do Valongo e assim, a Câmara Municipal solicita ao governo que a nova ampliação alcance o Outeirinhos, afim de eliminar os lodaçais que ameaçavam a saúde pública. Dessa forma, são autorizados mais 2.848 metros de cais.

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O Porto na área do Paquetá em 1892, com canoas atracadas em frente ao Mercado das Casinhas. Quando a ampliação do cais chega na região, a Cia Docas constrói a Bacia do Mercado para a instalação desse comércio (img. M.Serrat).

Os trapiches continuaram por alguns anos, coexistindo com o novo cais, mas íam sendo desmanchados à medida em que as muradas da Cia Docas avançavam. Houve até a resistência de alguns trapicheiros, como eram chamados os exploradores dos trapiches, e alguns deles até abriram processo contra a Cia Docas requerendo indenização pelas perdas. Também houve outras questões judiciais a que a Cia Docas teve de responder, envolvendo a posse e pedidos de indenização por terrenos na região do Outeririnhos. Todas essas questões foram indeferidas e apenas atrasaram o andamento das obras.

Mas nenhum embaraço poderia deter o progresso do porto, agora inevitável. Em 1909 a Cia Docas já tinha construído 4.720 metros de cais, 26 armazéns internos e 15 externos, 1 armazém frigorífico, 23 pátios cobertos, 2 tanques de óleo combustível, 38.300 m de linha férrea, canalizara 5 ribeirões a coberto, construíra a Bacia do Mercado e saneara a região da cidade que margeava o estuário em toda a extensão de seu cais.

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O porto organizado, por volta de 1900: aumento das exportações e desenvolvimento para o estado (imagem Poliantéia Santista).

Em 1910, com o início da primeira guerra mundial, há um decréscimo na movimentação de cargas e as obras de ampliação param. Esse período de quase depressão é agravado com a grande geada de 1918 que abalou a safra do café. Entretanto, a disparada nos preços do café que se seguiu e o consequente enriquecimento criaram um clima de quase euforia e as importações aumentaram consideravelmente na década de 20.

O equilíbrio da balança comercial não se modificaria ainda, já que o mundo entrava na grande depressão de 1929. No porto, a única obra representativa nesse período foi a construção, na Ilha Barnabé, de um cais para a movimentação de inflamáveis e combustíveis e a posterior instalação de grandes tanques para depósito, isolando a cidade do perigo de um possível incêndio. O terminal da ilha Barnabé propicia a movimentação sempre crescente dos produtos de petróleo durante o decorrer da década de 30, garantindo o equilíbrio financeiro do porto mesmo quando o setor cafeeiro, antes responsável por 90% do movimento, entra na grande crise gerada pela superprodução.

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A primeira sede da Cia Docas em pleno cais, cerca de 1910. À sua frente, a barcaça da Cia Santense, que fazia a ligação entre Santos e Bertioga (img. Poliantéia).

1944 – Novo impulso de desenvolvimento

Em 1945, terminada a segunda guerra mundial, o porto de Santos mantinha o mesmo cais que, somado ao da Ilha Barnabé, totalizava 5.214 metros. Não cresceu em extensão de cais, mas melhorou a infra-estrutura e alargou as faixas de cais. O porto possuía silos para granéis, esteiras transportadoras, seis empilhadeiras fixas, 128 guindastes, tanques de combustíveis líquidos e seis embarcadores com capacidade para 2.000 sacas/hora, além de rebocadores, dragas, ferry-boats, lanchas, tratores, vagões e locomotivas.

A Cia Docas sempre realizou as obras e melhoramentos do porto com seus próprios recursos, captados através da subscrição de ações, mas o período do pós-guerra traz consigo a inflação e deixa de ser rentável o investimento em ações privadas à taxas de 10% ao ano, índice muito inferior ao da desvalorização da moeda. Entretanto, diante da real necessidade de ampliação do porto, o governo federal institui uma taxa, mais tarde transformada na Taxa de Melhoramento dos Portos, criando também o Fundo Portuário Nacional.

A Cia Docas então, com seus recursos próprios reforçados pelos do governo federal, pode executar as obras já tão necessárias: são construídos mais 1.045 metros de cais (aumentando a extensão total para 6.259 metros) e o porto é reaparelhado. As novas obras incrementam o movimento de cargas e em 1954 o porto movimenta cerca de 8 milhões de toneladas, o dobro do ano de 1944.

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O cais no trecho Valongo-Paquetá, por volta de 1915 (foto Setur).

A partir de 1955, há um aumento considerável na movimentação de cargas. Muitos fatores contribuem para isso, como a diversificação econômica e o aumento geral da malha rodoviária no estado, mas os dois setores que mais concorreram para esse incremento foram os setores industrial e petrolífero. O aparecimento das refinarias de Cubatão e Capuava faz com que a participação dos granéis líquidos no movimento geral do porto se eleve gradativamente de 24% em 1950 para quase 61% em 1963. A instalação do setor automobilístico na região do ABC a partir de 1957 e a industrialização produzem um aumento nas importações de equipamentos e insumos.

Em 1968, a extensão de cais soma 7.034 metros, os armazéns são ampliados em capacidade, os tanques combustíveis passam de 24 para 91, triplicando a capacidade de armazenagem. Além disso, as poucas empilhadeiras fixas são substituídas por 270 empilhadeiras automotivas, o número de vagões sobe de 180 para mais de 400 e os guindastes hidráulicos são substituídos por elétricos.

No entanto, desde o início da década, o porto vinha sofrendo sérios problemas de congestionamento, ora pelo tráfego excessivo, ora por greves promovidas entre os trabalhadores portuários. Assim, em 1969 é criada a COSEPS (Comissão Orientadora de Serviços Portuários de Santos), com o objetivo de reduzir o custo operacional e resolver os problemas de congestionamento.

A COSEPS constrói 3.812 metros de cais e novos armazéns e pátios, desenvolve programas de dragagem do canal, promove o reaparelhamento, elimina sobretaxas e aumenta a produtividade, reduzindo o custo operacional. Também cria o Programa dos Corredores de Exportação e toma medidas emergenciais para atender a movimentação de contêineres, que já aumentava sensivelmente.

Ainda em 1968, a Cosipa constrói seu próprio terminal em área arrendada e o porto de Santos passa, na década de 70, por mais uma profunda transformação. Seguindo o exemplo da Cosipa, também a Ultrafértil e Dow Química inauguram terminais privativos em 1971.

Em 1980 termina o prazo de 90 anos da concessão imperial dada à CDS (Cia Docas de Santos). Ao deixar a frente do porto de Santos, a CDS havia movimentado quase 400 milhões de toneladas de cargas em sua história e entregava à sucessora um complexo portuário totalmente aparelhado, com 11.837 metros de cais, ferrovia, usina elétrica própria (Itatinga), 53 armazéns, 96 tanques de combustíveis e químicos, vários pátios e instalações especializadas, sistema de telecomunicações, microfilmagem, processamento de dados e 13.357 funcionários.

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A Ilha Barnabé, em foto da década de 90 – terminal isolado para granéis líquidos perigosos, como combustíveis e produtos químicos (foto Codesp).

O controle do porto passa à CODESP (Cia Docas do Estado de São Paulo), sociedade de economia mista com o controle acionário da União, e ocorrem naturais mudanças na administração, como a criação do Conselho Especial de Usuários e do Conselho de Administração do Porto.

Em 1981 é inaugurado o TECON I, o maior terminal de contêineres do país, na margem esquerda do porto (Guarujá), cuja construção se iniciara em 1977 pela Portobrás.

O incremento da movimentação portuária de cargas através de contêineres faz surgir os terminais retroportuários com seus enormes portêineres (guindastes para contêiner) e veículos específicos para a sua movimentação e transporte, além de enormes pilhas de contêineres que, ocupando todo pátio ou terreno vazio no porto e seu entorno, mudam radicalmente a paisagem portuária.

Em 1993 é sancionada a Lei de Modernização Portuária, que regulamenta a privatização dos serviços portuários. A Lei permitiu a entrada do capital privado, novos investimentos e a modernização. Assim surgiu o Terminal 37, da Libra, o Terminal da Santos-Brasil e outros terminais privativos. E novas áreas de arrendamento se encontram em processo de licitação.

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O plano inicial de implantação do porto

Elaborado pela Cia Docas de Santos, o plano de desenvolvimento do Porto de Santos, uma espécie de plano diretor, tinha por objetivo organizar o crescimento do cais santista nas duas margens do estuário.

Segundo o projeto, o trecho de cais Valongo-Paquetá seria suplantado e aterrado, dando origem a novos armazéns. O cais próximo ao Saboó seria destinado à carga e descarga de carvão, sal e mercadorias a granel. No cais do Valongo haveria um grande pátio para acolher os vagões destinados às ferrovias brasileiras. O Cais de Outerinhos (trecho de cais Paquetá-Macuco), seria destinado às cargas pesadas. No cais do Macuco estava prevista a construção do armazém frigorífico e silos, que foram feitos.

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O projeto da Cia Docas: as 3 áreas mais claras na Ilha Barnabé e em Vicente de Carvalho não chegaram a ser construídas.

O que mais impressiona no projeto original é o tamanho e a área do cais na Ilha de Santo Amaro. Conforme podemos observar no mapa acima, uma grande ponte rodoferroviária ligaria o Saboó à Ilha Barnabé dando acesso à grande área portuária que se instalaria no Município do Guarujá. Um trecho de cais contínuo estava previsto, a partir da Base Aérea de Santos até as imediações da área onde encontra-se hoje o Terminal de Contêineres.

Neste local, uma grande área seria dragada dando origem a enormes piers que abrigariam dezenas de armazéns e berços de atracação, seguindo os moldes dos grandes portos europeus, que evitam utilizar os cais contínuos. O rápido crescimento populacional de Itapema (hoje Vicente de Carvalho) e outros fatores contribuíram para que o projeto original não fosse seguido.

Porto de Santos – hoje

O maior porto do Hemisfério Sul

Santos possui hoje o maior porto do hemisfério sul, tanto em movimentação de cargas, quanto em infra-estrutura. A “hinterlândia” do Porto de Santos engloba os estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, ou seja, uma área que concentra 49,44% do PIB, 48% da Balança Comercial brasileira e 66,5 milhões de habitantes.

Os investimentos que estão sendo aplicados no porto pela iniciativa privada, aliados aos investimentos para a redução do chamado “custo Brasil”, garantem a posição de hub-port (porto concentrador) para a região sudeste e todo o Cone Sul. O processo de modernização, iniciado em 1993 e ainda em curso, qualificou 150 empresas operadoras, desestatizando e agilizando a movimentação de cargas.


Santos concentra 25,9% do comércio exterior

Santos movimenta anualmente um quarto do valor dos produtos negociados pelo país no mercado internacional. No primeiro semestre de 2006, a participação de Santos na Balança Comercial Brasileira foi de 25,9% (valores em U$ FOB). A importância do Porto de Santos para o país pode ser observada na tabela abaixo:

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Fonte: Sistema Alice (elaboração Codesp)

Altas tarifas e corporativismo prejudicam a cidade

Até 1996, ano que antecede o início da modernização do porto, o que mais se verificava eram as fugas de carga. Portos que possuíam tarifas menores estavam conquistando clientes que tradicionalmente importavam e exportavam suas cargas pelo nosso porto. O déficit da Codesp, empresa responsável pela administração portuária, chegava a US$ 300 milhões por ano. A cidade perdia, ano após ano, a posição que a projetou mundialmente.

O modelo do Porto, tanto nos 90 anos da administração da Cia Docas quanto depois, na administração da Codesp, mostrou características e problemas semelhantes. Portanto, não bastava apenas privatizar, mas sim quebrar o monopólio das operações, inserindo a competitividade afim de permitir a redução dos custos portuários e o aumento da eficiência.

Era preciso reformular o sistema de gerenciamento das operações e da mão-de-obra, eliminar as interferências corporativas e burocráticas e aproveitar, de forma racional, os espaços e as instalações. Em 1993 a nova Lei dos Portos possibilita a modernização; a Codesp desenvolve o projeto “Santos 2000”, visando uma profunda transformação, para a redução de custos logísticos, aumento da movimentação e melhoria da qualidade de serviços, através de negociações e da participação ativa de todos os segmentos envolvidos com a administração e as operações.

A Codesp pré-qualificou cerca de 150 operadores portuários (empresas privadas que executam as atividades de embarque e descarga), desmonopolizando a prestação de serviços operacionais. Hoje, quase que a totalidade dos serviços no porto são executados pela iniciativa privada, consolidando o processo de modernização e dando a noção exata de que em Santos a operação portuária está sendo modernizada em ritmo acelerado, adequando-se aos novos ditames do comércio internacional.

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O porto moderno – os antigos armazéns vêm sendo substituídos por enormes pátios de contêineres.

A redução do “custo Santos”

A partir de 1996, a Codesp modifica totalmente a estrutura tarifária para permitir a competição entre operadores portuários: diminui o número de tabelas da Tarifa Portuária de 13 para 5 e reduz suas próprias tarifas na média de 60%. Além disso, articula gestões junto a seus parceiros operacionais, induzindo para a necessidade de eles próprios eliminarem deficiências e reduzir custos.

Em relação ao transporte de cabotagem (entre portos brasileiros), foi implantado um programa de redução tarifária para essa modalidade e para a grande cabotagem (entre portos do Mercosul), a fim de fomentar seu uso. Já funcionam as linhas regulares entre Santos e os portos de Recife (PE), Suape (PE), Salvador (BA) e Manaus (AM).

A cabotagem com os portos de Pernambuco transporta veículos para o Nordeste, com uma redução no frete de 14 a 20% para o dono da carga. Da mesma forma, o comércio de cabotagem com a Zona Franca de Manaus retira das estradas até 6 mil caminhões/mês, reduzindo o custo logístico em cerca de 10%.

Outra medida foi a mudança nos horários de funcionamento do porto que, em julho/97 passou a ser de 24 horas continuadas (4 turnos de 6 horas cada). O funcionamento ininterrupto propiciou maior agilidade à movimentação de cargas e a redução dos custos logísticos. A medida foi essencial para atender adequada e eficientemente às necessidades de escoamento contínuo de cargas e para aumentar o volume de mercadorias do porto.

A Codesp também vem diminuindo gradativamente o seu quadro de pessoal, de 5.180 em setembro de 1997 para os 1.975 atuais. As sucessivas medidas que vem sendo tomadas são a contrapartida no sentido de reduzir o “custo Santos”.

Projeto de modernização atrai US$ 1 bilhão em investimentos

A principal iniciativa do projeto “Santos 2000” de modernização do porto é o PROAPS – Programa de Arrendamentos e Parcerias, que objetiva preparar o Porto para um aumento substancial no fluxo de cargas, dos 39,9 (em 1998) para 70 milhões de toneladas/ano.

Com esse programa, o governo transfere para a iniciativa privada toda a operação portuária, de terminais à armazéns, de ferrovias à guindastes, criando contrapartidas para que os arrendatários invistam na modernização de áreas e instalações e estabelecendo mecanismos que garantam uma concorrência saudável entre eles.

Assim, 150 operadores foram qualificados, 24 áreas do porto foram arrendadas e 27 estão sob análise para licitação, incluindo o Terminal de Grãos, o Terminal de Contêineres 2 e o Terminal de Fertilizantes. Hoje, 78,6% das atividades portuárias pertencem à iniciativa privada, atraindo mais de US$ 1 bilhão em investimentos diretos.

A modernização e desestatização quebrou o monopólio das operações e gerou a competitividade que reduziu as tarifas em 34% nas tarifas gerais e 65% na taxa de utilização da infra-estrutura portuária.

E a concorrência continua, incentivando melhorias na qualidade da logística de movimentação, na integração e agilidade de modais, trazendo tecnologias novas e equipamentos modernos. Por sua vez, a modernização vai eliminando desperdícios de tempo e recursos e alocando a mão-de-obra de forma mais racional. Dessa maneira, os custos diminuirão, o que corresponde ao grande objetivo da reforma.

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Vista do Terminal Santos-Brasil (antigo Tecon1) e seus gigantescos portêineres do outro lado do estuário.

A modernização transforma a paisagem do cais

As privatizações e a modernização transformaram as atividades do porto de Santos. A principal diferença está na movimentação de carga através de contêineres. O PROAPS arrendou o Tecon I ao consórcio Santos-Brasil, e possibilitou a criação de outro grande terminal na margem esquerda, o Terminal 37, da Libra. Na Ponta da Praia, os grandes armazéns vão dando lugar a pátios para a movimentação de contêineres. Os velhos guindastes, com tecnologia ultrapassada, estão sendo substituídos por portêineres, gigantescos guindastes da altura de edifícios de 15 andares, que funcionam ininterruptamente no embarque e desembarque de contêineres. Também no Cais do Macuco podemos observar a demolição dos armazéns da década de 20 e a construção de enormes silos para a armazenagem de açúcar.

O crescimento do PROAPS vem impondo o desenvolvimento de interfaces (terminais, pátios, armazéns, desvios, etc.) e de corredores de integração que articulam ferrovias entre si com o sistema rodoviário, além de outros investimentos complementares de infra-estrutura que deverão ser atendidos, como sistemas de sinalização, comunicação e informação.

O sistema vai requerer, enfim, que o Porto de Santos seja um Hub-Port (porto concentrador de cargas), com ênfase na cabotagem e na articulação com os modais hidroviário, ferroviário e rodoviário e com o complexo de armazenagem. Esses avanços todos, trazidos pelo natural fomento comercial, vão exigir reformulações crescentes na estrutura de toda a cadeia logística – a implantação de uma estrutura de acesso a navios de grande porte e uma ampla diversidade de terminais especializados, de modo que a operação se faça de acordo com os parâmetros de qualidade de portos considerados de primeira linha e custos logísticos inseridos nos padrões internacionais. Tudo para que o porto de Santos esteja plenamente dotado para o múltiplo atendimento à demanda de sua área de influência, o “hinterland”. Como se vê, o desafio é grande e cada setor deverá ter a sua parcela de trabalho e compromisso.

O maior volume de investimentos realizados este ano no Porto através da Autoridade Portuária foram dirigidos para a implantação do sistema de segurança portuária, em atendimento às exigências do ISPS Code, o código internacional de segurança para portos e embarcações. Até outubro, foram consumidos R$ 9,6 milhões, também do rol de recursos disponibilizado pelo Governo Federal.

ISPS Code – Outro fator que contribuiu bastante para as mudanças na paisagem do cais foi a implementação das exigências de segurança exigidas pela Organização Marítima Internacional (IMO) para garantir a nossa certificação junto à Comissão Nacional de Segurança Pública em Portos, Terminais e Vias Navegáveis (Comportos).

Para tanto se investiu na instalação de um complexo sistema de monitoramento e controle de acesso: foram construídos 28 gates prontos para operar com padrões de identificação biométrica pela estrutura óssea da mão e crachá eletrônico no acesso de pessoas e veículos; 200 câmeras foram instaladas em pontos estratégicos; e todas as instalações foram interligadas ao Centro de Controle de Operação e Comunicação por meio de rede de cabos óticos e sistema wireless (rádio transmissão).

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Silos da Multicargo para sólidos a granel (foto Codesp).

Os projetos de infra-estrutura

O Porto de Santos apresenta plenas condições para ser o porto concentrador e distribuidor de cargas da costa leste da América Latina, com o suporte de seus múltiplos terminais especializados e apto a receber navios modernos e de grande porte. Tal horizonte tende a ser ampliado ainda mais a partir da implementação de projetos para a melhoria da infra-estrutura portuária. Entre esses projetos estão:

Dragagem de aprofundamento do canal

Considerado prioritário para a expansão do Porto para viabilizar o acesso de navios de grande porte, criando condições para a redução do valor dos fretes. Está projetado o aprofundamento do canal de 12 para 17m, em três etapas. A etapa inicial, para 15 metros, permitirá a operação de navios graneleiros de até 110 mil ton. e conteineiros de até 8 mil Teu’s.

Na extensão do canal de navegação, as cotas são diferenciadas em dois trechos. Atualmente, entre o Canal da Barra e a Torre Grande, na altura do Terminal de Passageiros, a profundidade é de 14m e passará para 15,20m. Entre a Torre Grande e a Alemoa, hoje a cota é de 12 e 13m, passando para 14m na primeira etapa. Nas duas demais etapas do projeto, as profundidades serão ampliadas para 15, 16 e 17 metros, de acordo com o trecho.

O estudo ambiental já prevê a liberação do projeto total pelo Ibama. É a primeira dragagem dessa dimensão, com controle e monitoramento ambiental, para a retirada de um volume de 4,5 milhões de m3 de sedimentos do fundo do estuário e o seu descarte em alto-mar, em locais onde correntes marítimas os dispersam para o oceano, incluindo na operação a análise dos sedimentos pelos órgãos ambientais.

Avenidas Perimetrais

Este projeto, considerado prioritário para a logística das operações portuárias, sofreu diversas alterações e adequações nos últimos anos.

Estimado em R$ 80 milhões para a margem direita (Santos) e R$ 40 milhões para a margem esquerda (Guarujá), o novo projeto contempla apenas um viaduto para a margem direita, na região do Mercado, mas mantém itens importantes, como a reestruturação da capacidade do pavimento em diversos trechos, vias internas de circulação e acessos aos terminais, além de obras complementares (iluminação, drenagem e redes de energia elétrica, telefonia e dutos para cabos óticos).

Na margem esquerda, o novo projeto da via é composto, basicamente, de uma série de intervenções no sistema viário existente, eliminando cruzamentos com a avenida e linhas férreas. O traçado do novo projeto inclui alça de acesso ligando o cruzamento da avenida Santos Dumont com a rua do Adubo à área da Codesp, destinando o tráfego para uma minirotatória que distribui o fluxo aos terminais da Santos-Brasil e Tefer.

Barnabé-Bagres

Este é, a longo prazo, o principal projeto de expansão do Porto, que aumentará a sua capacidade em mais de 120 milhões de toneladas. O projeto conceitual do Barnabé-Bagres, apresentado em 1999, prevê a extensão do cais em direção à margem esquerda do canal, encontrando seu ancoradouro nas ilhas de Barnabé e dos Bagres, na parte continental de Santos.

A um custo estimado de R$ 2 bilhões, o projeto surpreende por seus números: 6 milhões de m² de retroárea, 11 mil metros de cais, 50 berços de atracação para navios, com 220m de comprimento médio cada um, armazéns, silos, pátios, tancagens, e equipamentos como shiploaders e guindastes.

A Codesp já apresentou o projeto ao Ministério dos Transportes e está solicitando autorização para estudo de viabilidades.

Remoção do navio Ais Giorgios

Retirada do casco do navio Ais Giorgios, que se incendiou e naufragou em janeiro de 1974 e está parcialmente submerso em frente ao armazém 17, na região de Outeirinhos. A remoção foi iniciada em janeiro de 1999 e encontra-se em fase final.

Derrocamento das pedras

Existem, no estuário, duas formações rochosas que prejudicam a navegação e atracação, a Teffé, com 57 mil m³ de rocha e a Itapema, com 24 mil m³. O derrocamento vai igualar a profundidade das regiões com a do canal, melhorando a navegação e ampliando as áreas arrendáveis e atracáveis.

Disponibilização das áreas do porto organizado

Nem todos os sítios da área do Porto Organizado de Santos estão disponíveis para uso em atividades portuárias, seja pela ocupação indevida, seja pela necessidade de tratamento ou recuperação do solo. Este projeto prevê a plena disponibilização dessas áreas como meio de viabilizar a implantação de projetos com potencial técnico e econômico viáveis.

Recuperação das vias férreas da margem esquerda

São obras necessárias para compatibilizar o sistema Codesp com a Malha Regional Sudeste da MRS Logística (a ex-RFFSA, recentemente privatizada), bem como adequar-se ao aumento previsto da participação do modal ferroviário na logística terrestre.

Relocação das vias férreas da margem direita

Objetiva viabilizar o adensamento e aumento da área arrendável, compatibilizar o sistema Codesp com a Ferroban (a ex-FEPASA, recentemente desestatizada) e possibilitar o acesso de composições com maior capacidade de carga. Para isso será aumentado o raio de curvatura em alguns trechos, além da substituição de trechos de trilhos, como forma de possibilitar o tânsito de locomotivas de maior porte.

Terminais rodoviários integrados

O projeto, coordenado com as prefeituras de Santos e Guarujá e o Governo do Estado, objetiva implantar terminais rodoviários nas margens direita e esquerda, estrategicamente distribuídos e conectados com a operação do cais por meio de rede informatizada.

Um túnel sob o estuário

O Ministério dos Transportes autorizou a construção de um túnel sob o estuário, ligando as duas margens do canal entre os municípios de Santos e Guarujá. O túnel submarino, de 2.700 m de extensão, será construído e explorado pela iniciativa privada. Essa obra melhorará o transporte de cargas entre os terminais situados nas margens direita e esquerda do Porto, permitindo uma economia de até 45 Km no percurso entre Santos e Guarujá, hoje feito por rodovia através de Cubatão. Além disso, o túnel vai contribuir para a ligação dos municípios do litoral norte com os do litoral sul do Estado de São Paulo, bem como viabilizar comercialmente a implantação de um aeroporto na Base Aérea de Santos, situada do outro lado do Estuário.

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Os enormes portêineres nunca param de operar.

Dados Gerais do Porto de Santos

Área

A área total do Porto de Santos é de 7.765.100 m², sendo que 3.665.800 m² situam-se na margem direita, nos municípios de Guarujá e Cubatão, e 4.099.300 m² na margem esquerda, no município de Santos.

Extensão

São 13 km de extensão de cais, com profundidades entre 5 e 13,5 metros, sendo que 11,6 km estão sob a jurisdição da Codesp e 1,4 pertencem à iniciativa privada (terminais privados).

Berços de Atracação

Total de berços: 64

Sob jurisdição da Codesp: 54

Da iniciativa privada: 10

Armazéns

A área total disponível em armazéns cobertos e silos, dentro da região portuária é de 499.701 m², com armazéns especializados em granéis sólidos (açúcar, sal, soja, farelos, trigo e fertilizante).

Pátios

Os pátios para movimentação de contêineres ou outros produtos, como automóveis, carvão, etc., somam 974.353 m².

Tanques e Dutos

Os tanques para armazenagem de granéis líquidos (combustíveis e químicos) concentram-se principalmente em dois pontos do porto: o distrito industrial de Alemoa e a Ilha Barnabé. São ao todo 520 tanques com capacidade total de 1 milhão de m³. A infra-estrutura se completa com 55.676 m linear de dutos.

Equipamentos

Guindastes elétricos, portêineres, transtêineres, reach stackers, ship loaders e sugadores.

Ferrovias

Duas grande ferrovias escoam cargas do interior do país para o Porto de Santos. A MRS – M.R.S. Logística S/A (antiga RFFSA), a Ferroban – Ferrovias Bandeirantes S/A (antiga FEPASA) e a Ferronorte S/A. Além disso, a própria Codesp possui um extensa malha ferroviária dentro do porto que totaliza 100 km (linear), sendo que 13 km são para a movimentação de guindastes e portêineres e o restante para a movimentação de trens.

Rodovias e Hidrovias

Tráfego de cargas que chegam e saem do porto se dá também através do sistema Anchieta-Imigrantes(Ecovias), pela rodovia Piaçaguera-Guarujá, pela BR-101 (Rio-Santos), pela SP-55 (Rodovia Pe. Manoel da Nóbrega) e pela hidrovia Tietê-Paraná.

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Atrações

Museu dos Cafés do Brasil e Bolsa do Café

O mais belo e imponente edifício da cidade, a Bolsa Oficial de Café de Santos, é uma construção em estilo eclético, cujo projeto data do final do século XIX e cujas obras foram concluídas somente em 1922.

Construído na época mais rica da cidade, tem acabamento luxuoso com materiais importados, como mármores de Carrara e lustres de cristal da Bohemia. Uma cafeteria oferece a chance de experimentar todos os tipos e aromas de cafés.

O prédio, tombado pelo Condephaat em 1981 e pelo Iphan em 2006, abriga o Museu dos Cafés Brasileiro, que apresenta a história da produção e comercialização do café no Brasil e sua influência na cidade do início das exportações do grão, desde a segunda metade do século XIX até os dias atuais, através de fotos, documentos e equipamentos. Também há sala de pesquisa com acervo sobre o café e espaço multimídia, onde é projetado filme de 15 minutos sobre a história do produto.

Na “Sala de Pregões” é possível observar uma “clarabóia” com vitral de Benedito Calixto, representando as riquezas do Brasil colônia, império e república, a lenda de Anhanguera, Brás Cubas, fundador da cidade, e bandeirantes como Fernão Dias e Raposo Tavares. No mesmo salão, três grandes painéis do mesmo autor representam diferentes períodos da história de Santos.

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O prédio do Museu dos Cafés do Brasil, antiga Bolsa do Café.

Igreja de Nossa Senhora do Carmo e Capela da Ordem 3ª de N. Senhora do Carmo

Construídas a partir de 1760 e tombadas pelo IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, são consideradas o mais belo conjunto arquitetônico colonial de Santos, composto por duas igrejas entrepostas por uma torre de sinos revestida de azulejos portugueses.

A igreja de Nossa Senhora do Carmo possui altar-mor em estilo rococó folheado a ouro e altares laterais esculpidos em jacarandá. Abriga inúmeras imagens antigas, além de obras de Benedito Calixto. No pátio externo, o cruzeiro antigo, chamado Marco dos Evangelistas, foi retirado da antiga Rua da Cruz.

A Capela da Ordem Terceira de N. Senhora do Carmo, anexa à Igreja do Carmo, data de 1870. Em 1941 sofreu um grande incêndio que destruiu o altar-mor, mais tarde reconstruído segundo fotos. De primitivo, ela conserva a Pia Batismal, de 1710. O conjunto barroco dos altares laterais, representando a via sacra, é considerado o mais importante do litoral paulista.

Como chegar: Praça Barão do Rio Branco, 16, Centro

No Centro Histórico, utilize o bonde para se locomover.

Ônibus: a partir da Praça Independência – linhas 29 e 20.

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O altar-mor da Igreja de Nossa Senhora do Carmo

Casa de frontaria azulejada

Datada de 1865, foi construída pelo Comendador Ferreira Neto para ser a sede de seu estabelecimento comercial e também residência. Na década de 50 foi destruída por um incêndio e desapropriada em 1986 pela Prefeitura, que recuperou a fachada em 1993. Durante o trabalho de restauração foi preciso confeccionar 7 mil dos milhares de azulejos portugueses em relevo e restaurar outro tanto – trabalho feito pelo artista plástico Luís Sarasá – além de devolver a estrutura original à porta principal de entrada. A fachada de azulejos da Casa de Frontaria é um excelente exemplo da riqueza arquitetônica do Centro Histórico, consequência do enriquecimento da cidade com o café no século XIX.

Como chegar: Rua do Comércio, 98 – Centro.

No Centro Histórico, utilize o bonde para se locomover.

Ônibus: a partir da Praça Independência – linhas 29 e 20.

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Detalhe dos azulejos ricamente decorados da Casa de Frontaria Azulejada.

Teatro Guarany

Marco da história da cidade, palco de discursos dos movimentos abolicionista e republicano, é um dos maiores patrimônios históricos de Santos. Construído durante o reinado do imperador D. Pedro II, foi o primeiro teatro de luxo da cidade e seu interior era totalmente coberto por afrescos e pinturas de Benedito Calixto. Em 1870, foi sede de inúmeros espetáculos beneficentes pró-abolicionistas que fechavam com a alforria de escravos.

Das sacadas, em sua fachada, inúmeras personalidades da história paulista proferiram inflamados discursos nos comícios pela proclamação da república. Em 1981 um incêndio de grandes proporções destruiu totalmente o seu interior, deixando de pé apenas as paredes das fachadas, já descaracterizadas. Em 2003 foi adquirido pela Municipalidade e em 2008 foi totalmente reconstruído, seguindo registros históricos e fotográficos. Em 7 de dezembro de 2008 o teatro foi reaberto, 126 anos depois da inauguração do prédio original. Hoje, além de casa de espetáculos, serve de sede à Escola de Artes Cênicas da Secretaria de Cultura de Santos. Embora não se trate do prédio original, vale a visita pelo significado histórico (só é possível ver por fora, o teatro não está aberto à visitação regular).

Como chegar: Praça dos Andradas, 100 – Centro.

Ônibus: a partir da Pça Independência – linha 29.

Cidade de Santos
O Teatro Guarany reconstruído, na semana em que foi reaberto ao público, exatamente 126 anos depois da inauguração do teatro original (foto PMS) .

Cadeia Velha

Com construção iniciada em 1836, mas só entregue à cidade em 1866, o prédio em estilo Brasil Império tem mais de 2 mil metros de área construída em pedra e cal. Possui grande valor histórico: já foi sede da Intendência (Prefeitura da época colonial), Câmara Municipal, Fórum, delegacias de polícia, além de ter funcionado como cadeia pública de 1897 ao final dos anos 50.

Tombada pelo Condephaat em 1981, foi completamente reformada e reinaugurada em janeiro/2000. Hoje é um verdadeiro centro de cultura e arte: na galeria, o visitante poderá apreciar exposições; as antigas celas, com suas paredes largas de pedra e pesadas portas de ferro fundido, abrigam oficinas culturais; e o antigo auditório, que recebeu o nome de Sala de Espetáculo Plínio Marcos, com capacidade para 150 pessoas, apresenta pequenos musicais e peças de grupos teatrais alternativos.

Como chegar: Praça dos Andradas, s/n – Centro.

Ônibus: a partir da Praça Independência – linha 29.

Cidade de Santos
A Casa de Câmara e Cadeia, conhecida como Cadeia Velha.

Igreja e Santuário de Santo Antônio do Valongo

Conjunto arquitetônico formado pela igreja e pelo convento. Anexa à Igreja, com entrada pela nave da Igreja de Santo Antonio, está a Capela da Venerável Ordem Terceira de São Francisco, datada de 1689. É como um retáculo em estilo barroco, abrigando uma imagem de São Francisco em tamanho natural, rezando diante de um Cristo Místico com seis asas. O teto original da igreja ruiu e foi refeito em 1868.

O Santuário ainda abriga uma Nossa Senhora da Conceição do século XVII (na sacristia) e outra imagem da mesma santa, de 1698 (no pátio), entre outras relíquias. O sino dos enforcados, arrancado pelo povo quando da promulgação da Lei Áurea, está guardado na sacristia à espera de restauração.

No Centro Histórico, utilize o bonde para se locomover.

Ônibus: a partir da Pça Independência – linha 29.

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A igreja e convento de Santo Antônio do Valongo (foto Berenice Kauffmann Abud)

Estação de Trem do Valongo

Datada de 1860, é uma cópia reduzida da Victoria Station de Londres e representa o mais típico exemplo da arquitetura vitoriana do século XIX em Santos. A estação servia à Estrada de Ferro da São Paulo Railway Co., construída para atender o intenso comércio que o porto atraía e que contribuiu para intenso desenvolvimento da região.

Entrou em processo de restauração em 2003 e foi reaberta em 23 de janeiro de 2004. A estação e o anexo abrigam a Setur – Secretaria Municipal de Esportes e Turismo no piso superior, e o térreo contém espaço para exposições e o Museu do Transporte.

Como chegar: Largo Marquês de Monte Alegre, s/n – Centro.

No Centro Histórico, utilize o bonde para se locomover.

Ônibus: a partir da Pça Independência – linha 29.

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Detalhe da torre da Estação do Valongo, antes de sua recuperação (foto PMS).

Ruínas dos Casarões do Valongo

Os casarões em estilo neoclássico foram construídos pelo Comendador Ferreira Neto, e foram utilizados como residência até 1895, quando passaram a abrigar a Câmara e a Prefeitura até 1939. Depois serviram como hotéis, bares, restaurantes e escritórios, até 1985, quando um grande incêndio destruiu um dos blocos, cujas paredes desabaram em 1986.

O bloco remanescente sofreu novo incêndio em 1992. As ruínas dos Casarões, em conjunto com a Igreja de Sto. Antonio e a Estação do Valongo, fazem do Largo Marquês de Monte Alegre um dos mais importantes logradouros de Santos. Datados de 1867 e 1872, foram tombados pelo Condephaat em 1983 e pelo Condepasa em 1990. Sua restauração faz parte do projeto de revitalização do Valongo.

Como chegar: Largo Marquês de Monte Alegre, s/n – Centro.

No Centro Histórico, utilize o bonde para se locomover.

Ônibus: a partir da Pça Independência – linha 29.

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Os casarões por volta de 1900 (à esquerda) eram os prédios mais altos da cidade. A direita, o que hoje resta de um dos blocos depois do incêndio.

Mosteiro de São Bento, Museu de Arte Sacra de Santos e Capela de Nossa Senhora do Desterro

A história do Mosteiro de São Bento começa pela Capela de Nossa Senhora do Desterro, originalmente construída por Bartolomeu Fernandes Mourão e sua mulher, por devoção e também para ali serem sepultados. Finalizada em 1644, o casal a doou à Ordem de São Bento em 1650, quando iniciou-se a construção do mosteiro.

A pequena capela, atualmente a mais antiga da cidade, é toda ela uma relíquia e foi tombada pelo IPHAN em 1948. Em estilo beneditino e finalizado em 1725, o Mosteiro de São Bento, depois de restaurado pelo IPHAN, passou a abrigar o Museu de Arte Sacra de Santos, com inúmeras imagens barrocas e peças raras, remanescentes da sociedade santista dos séculos passados.

A Sala Principal conta com a imagem mais antiga de Santa Catarina de Alexandria, a primeira padroeira de Santos, datada de 1540.
Horário: de terça a domingo, das 11h às 17h.

Como chegar: Rua Santa Joana D’Arc, 795 – subida do Morro de São Bento, Centro

Ônibus: a partir da Pça Independência – linha 29

Cidade de Santos
Na subida do Morro de S. Bento, três atrações imperdíveis.

Casa do Trem Bélico

A única construção remanescente da época da fundação da cidade, datada do século XVI, mas com existência comprovada somente a partir de 1734. Funcionava como arsenal bélico que abastecia as fortalezas militares e quartéis locais. Tombada pelo IPHAN, é a mais antiga construção da cidade e exemplo notável da arquitetura colonial da época.

Como chegar: Rua do Tiro, 11 – Centro.

Ônibus: a partir da Praça Independência – linhas 29 e 20.

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Casa do Trem Bélico, da época colonial foto PMS).

Igreja de N. Senhora do Monte Serrat

A igreja, no alto do Monte Serrat, é datada de cerca de 1603 e foi mandada construir por D. Francisco de Souza, Governador Geral do Brasil de 1599 a 1605, que ali colocou uma primeira imagem, hoje desaparecida.

A segunda imagem, de barro, tem 60 cm e é atribuída ao escultor beneditino Frei Agostinho de Jesus, que a teria feito por volta de 1654. Atribui-se a N. Sra do Monte Serrat o desmoronamento, em 1615, de parte do morro sobre os piratas que invadiram Santos e perseguiam os santistas, milagre que lhe rendeu devoção e peregrinações que persistiram até os dias de hoje. Nossa Sra do Monte Serrat foi declarada padroeira da cidade em 1955.

Como chegar: Praça Correa de Melo, 33 – Centro

Ônibus: a partir da Praça Independência – linhas 29 e 20.

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Igreja de N. Sra. do Monte Serrat, no alto do Monte Serrat (foto Berenice Abud).

Outeiro de Santa Catarina

Local que marca a fundação da Vila de Santos. Ali, em 1540, foi construída uma capela em homenagem à Santa Catarina pelo fidalgo Luiz de Góes e sua mulher. Em meados do século XIX, o outeiro (pequeno morro) foi quase que totalmente desmanchado para aterrar parte da cidade. No final do mesmo século, João Éboli construiu no local a sua residência, que hoje é sede da Fundação Arquivo e Memória de Santos. Em seu entorno, reurbanizado em 2002, uma grande praça com coqueiros imperiais valorizam o edifício que também abriga a Cinemateca Municipal. O horário de funcionamento, nos fins de semana, é aos sábados de 9h às 13h, e domingos de 13h às 17h.

Como chegar: Rua Visconde do Rio Branco, 48 – Centro.

Ônibus: a partir da Pça Independência – linhas 29 e 20.

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Antiga residência construída no local de fundação da cidade (foto PMS).

Pantheon dos Andradas

Inaugurado em 1923 em homenagem aos irmãos Andradas, que se tornaram grandes vultos da história nacional. Lá estão os restos mortais de José Bonifácio de Andrada e Silva, patriarca da Independência, e de seus irmãos, Antonio Carlos, Martim Francisco e Patrício Manoel, além de quadros em bronze que representam cenas de sua vida e do império.

Praça Barão do Rio Branco – Centro

Ônibus: a partir da Pça Independência – linhas 29 e 20.

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Pórtico de entrada do Pantheon

Palácio José Bonifácio e Paço Municipal

Com projeto da década de 30, o Palácio José Bonifácio foi inaugurado em 1939, na passagem do centenário da elevação da Vila de Santos à categoria de cidade. Com arquitetura inspirada no palácio de Versailles em Paris, possui acabamento em mármore italiano e jacarandá-da-baía, com lustres de cristal da Bohemia. É imperdível a Sala Princesa Isabel, plenário da Câmara Municipal, que possui inúmeras obras reproduzindo personagens históricos. O Gabinete do Prefeito e o Salão Nobre Esmeraldo Tarquínio são destaques, em estilo Luís XVI.

Como chegar: Praça Mauá – Centro.

No Centro Histórico, utilize o bonde para se locomover.

Ônibus: a partir da Pça Independência – linhas 29 e 20.

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Palácio José Bonifácio, sede da Prefeitura Municipal, na Praça Mauá.

Correios e Telégrafos

Um dos imponentes edifícios do centro histórico, em estilo eclético. Inaugurado em novembro de 1924, foi um presente para a cidade da família Guinle, que aqui prosperou com as atividades portuárias (os Guinle eram os proprietários da antiga Companhia Docas de Santos).

Como chegar: Praça Mauá – Centro.

No Centro Histórico, utilize o bonde para se locomover.

Ônibus: a partir da Praça Independência – linhas 29 e 20

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A sede dos Correios na Praça Mauá, presente dos irmãos Guinle para a cidade.

Igreja do Rosário

Foi Igreja Matriz de Santos no período entre a demolição da antiga Matriz (Pça da República) e a conclusão da atual Catedral. Datada de 1756, foi mandada construir pelo Sr. Francisco Caetano de Almeida Lobo, provedor da Irmandade de N. Sra do Rosário.

A grande reforma da década de 40 desconfigurou sua arquitetura colonial original, mas não retirou a importância desta igreja para a história da cidade: foi a primeira igreja a permitir a entrada de escravos. Funciona de 2ª a sexta (8h às 18h) e sábado (8h às 12h). Missas de segunda a sábado (12h). Visita monitorada quinta, sexta (14h às 17h) e sábado (8h às 11h)

Como chegar: Praça Rui Barbosa, s/n – tel. 3219-3566

Ônibus: a partir da Pça Independência – linhas 29 e 20.

Cidade de Santos

Catedral

Igreja neogótica, que segue o padrão dos maiores templos do mundo. Sua construção iniciou em 1909 e sua primeira missa foi em 1924, mas só em 1951 estava inteiramente concluída. O projeto é de Maximiliano Hehl, que projetou também a Catedral da Sé, em São Paulo. Possui afrescos de Benedito Calixto e imagens do Sagrado Coração na Capela do Santíssimo.

Como chegar: Pr. José Bonifácio, s/n, Centro

Ônibus: a partir da Pça Independência – linhas 29 e 20

Cidade de Santos
A Catedral de Santos, em estilo neogótico (foto PMS)

Fortaleza de Santo Amaro

Construída em 1584 para defender o Porto de Santos, por ordem de Felipe II, rei da Espanha, quando Portugal e suas colônias estiveram sob seu domínio. Foi tombada em 1967 e mais tarde restaurada pela Universidade Católica de Santos.

Também conhecida como Fortaleza da Barra Grande, é considerada o maior monumento histórico-militar do estado e constitui um marco da arquitetura colonial espanhola no Brasil. Os canhões da Coroa Portuguesa utilizados na defesa de Santos contra ataques piratas hoje estão espalhados por museus do país – um deles pode ser apreciado no jardim do Museu de Pesca – e o que se pode ver na Fortaleza é uma réplica em fibra de vidro do original, um Armstrong, 24 libras, inglês, modelo 1722, com reparo napoleônico.

No interior da Capela, que foi erguida nas instalações da antiga Casa de Pólvora, há um grande painel montado com 350 mil pedras coloridas, última obra de Manabu Mabe. Devido à localização privilegiada, da Fortaleza se pode observar o movimento de navios rumo ao porto e toda a Baía de Santos.

Como chegar: por barco, com embarque a cada meia-hora na Ponte dos Práticos, Ponta da Praia.

Ônibus: a partir do Gonzaga – linhas 23 e 42.

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O Forte de Santo Amaro, também conhecido como Fortaleza da Barra Grande ou simplesmente Forte da Barra (foto PMS).

Engenho dos Erasmos

Em 1533, aproveitando as quedas d’água do Rio Jurubatuba aos pés do Morro da Nova Cintra, no atual bairro da Caneleira, foi construído o terceiro engenho de cana-de-açúcar do Brasil. Iniciativa de Martim Afonso de Souza, que formou a sociedade “Armadores do Trato”, o Engenho dos Erasmos, em estilo açoriano, tinha um moinho d’água com plataforma para vencer o terreno desnivelado e possuía unidades administrativa e residenciais, inclusive senzalas para os escravos.

Produzia cana para exportação e rapadura e aguardente para o consumo interno. Em 1540 um dos sócios, o holandês Erasmus Schetz, adquiriu a parte dos outros. A moenda funcionou até o início do século 18, quando entrou em decadência e, por fim sofreu um incêndio que o destruiu quase que completamente, restando apenas ruínas. Em 1943 os terrenos foram comprados por Otávio Ribeiro de Araújo, que loteou a propriedade e doou o Engenho São Jorge dos Erasmos à Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, em 1958.

Considerado importante sítio arqueológico, foi tombado nas 3 esferas (municipal, estadual e federal). Devido a um desabamento de parte das parede, a USP suspendeu as visitas temporariamente, reabrindo novamente no final de 2004. Atualmente, as ruínas abrem das 9h às 16h, com programas especiais nas férias.

Endereço: Rua Alan Ciber Pinto, 96 – Vila São Jorge (Zona Noroeste).

Como chegar: seletivo Vila São Jorge e coletivos 184, 13, 105, 944.

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O Engenho dos Erasmos, para alguns historiadores, foi o primeiro construído no Brasil (foto USP)

Sugestão de roteiro a pé pelo Centro de Santos

Cidade de Santos

1. Monte Serrat
2. Catedral, Sociedade Humanitária e Forum.
3. Teatro Coliseu
4. Outeiro de Sta. Catarina
5. Casa do Trem Bélico
6. Igreja do Carmo / Pantheon dos Andradas
7. Correios e Telégraphos 8. Palácio José Bonifácio
9. Museu dos Cafés e Rua XV de Novembro
10. Casa de Frontaria Azulejada
11. Estação de Trem do Valongo
12. Igreja S. Antônio do Valongo
13. Cadeia Velha
14. Museu de Arte Sacra de Santos

culturais

Pinacoteca Benedito Calixto

O último remanescente dos antigos e luxuosos palacetes da orla da praia, que pertencia a um barão do café, por si só já é uma atração. Construído em 1900 por um alemão, o casarão foi reformado e ampliado em 1921, com rico acabamento em estilo art nouveau. Restaurado em 1992, hoje abriga as obras do famoso pintor santista Benedito Calixto, promove mostras e exposições de arte, cursos de técnicas artísticas e possui biblioteca especializada em arte.

Como chegar: Av. Bartolomeu de Gusmão, 15

Ônibus a partir do Gonzaga – linhas 42, 23 e 17.

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Pinacoteca: a casa por si só já é uma atração (foto PMS).

Museu de Pesca

Um dos mais antigos e completos em sua especialidade, o Museu de Pesca funciona em antigo prédio, recentemente restaurado. Mostra desde peixes a aves marinhas, procurando ressaltar a necessidade de preservação do mar. Uma de suas mais famosas atrações é a ossada de baleia, com mais de 23 m de comprimento.

Como chegar: Av. Bartolomeu de Gusmão, 192 – Ponta da Praia

Ônibus: a partir do Gonzaga – linhas 23 e 42.

Cidade de Santos
O Museu de Pesca, em antigo prédio doado pela Marinha.

Museu do Mar

Apesar de simples, é considerado pela comunidade científica como um dos mais atuais da América Latina e uma referência em estudos sobre a biodiversidade marinha. Possui uma biblioteca com 2000 volumes ligados à área, laboratório de pesquisas e um rico acervo de criaturas marinhas, como o tubarão baleia com 6 m de comprimento, a maior espécie do mundo e o único em exposição na América Latina. Outros destaques são a concha gigante, com 148 quilos e os aquários de peixes ornamentais e de filhotes de tubarão-lixa.

Como chegar: Rua República do Equador, 81 – Ponta da Praia

Ônibus: a partir do Gonzaga – linhas 42 e 23.

Cidade de Santos
Museu do Mar: acervo interessante em prédio simples.

Museu Marítimo

Reunindo parte do acervo do ex-Museu Histórico Naval de São Vicente criado pelo pesquisador suíço Carlos Alfredo Hablitzel, o Museu Marítimo mostra, através de objetos, a história de diversos naufrágios ocorridos na costa brasileira, do século XVII aos dias de hoje, além de outras peças relacionadas à atividade náutica. São relíquias e peças resgatadas do fundo do mar (como as do navio pirata francês Boloret, naufragado em Paranaguá em 1718, do transatlântico espanhol Príncipe das Astúrias, naufragado em Ilha Bela em 1916, etc), antigos equipamentos de mergulho (como o escafandro inglês Siebe-Gorman, de 1910), modelos de caravelas, galeões e navios famosos (como as maquetes Titanic e a do Windhuk, orgulho da marinha alemã por volta de 1939), figuras de piratas, comandantes e marujos, entre outras atrações.

Como chegar: Rua Governador Fernando Costa, 343 – Ponta da Praia

Ônibus: a partir do Gonzaga – linhas 42 e 23.

Cidade de Santos
Museu Marítimo: peças relembram naufrágios na costa brasileira.

Museu do Porto

Instalado em um casarão de estilo vitoriano datado de 1906, abriga em seu acervo documentos de 1888, peças históricas e equipamentos utilizados na construção do primeiros metros de cais, além de 700 negativos fotográficos em vidro que registram em imagens o passado do Porto de Santos.

Como chegar: Av. Cons. Rodrigues Alves, s/n – Macuco (esquina com a Rua Conselheiro João Alfredo).

Ônibus: a partir do Gonzaga – linha 42.

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O Museu do Porto conta e história do primeiro porto organizado do país (foto PMS)

Museu Oceanográfico de Santos

Instalado no campus da Unimonte na Ponta da Praia, reúne acervo e exposições relacionadas às atividades do Instituto Oceanográfico de Santos, um centro de pesquisas na área ambiental relacionadas aos ecossistemas aquáticos, marinhos, litorâneos e insulares.

Na sala temática Ecossistemas Litorâneos o visitante pode interagir e conhecer a fauna e a flora dos principais ecossistemas costeiros, como Mata Atlântica, manguezal, estuário, oceano, costão rochoso e praias.

Os ambientes contam com recursos audiovisuais que proporcionam grande realismo, além de rica cenografia e animais taxidermizados (mico-leão-dourado, jacaré-do-papo-amarelo, tucano, caranguejos, mariscos e outros). Também possui uma sala para atividades lúdico-pedagógicas com monitores treinados e computadores para pesquisas e consultas sobre o meio ambiente.

Como chegar: Av. Saldanha da Gama, 89 – Ponta da Praia

Ônibus: a partir do Gonzaga – linhas 23 e 42.

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O Museu Oceanográfico de Santos reproduz ecossistemas costeiros com grande realismo e possui sala para atividades lúdico-pedagógicas (fotos MOS).

Centro de Cultura Patrícia Galvão

Conjunto formado pelo Teatro Municipal Brás Cubas, o Teatro de Arena Rosinha Mastrangelo, a Galeria de Arte Patrícia Galvão, a Galeria de Arte Brás Cubas, a Hemeroteca Municipal e em especial o MISS- Museu da Imagem e do Som de Santos.

O Museu da Imagem e do Som de Santos possui audioteca com 5.000 discos de vinil (33, 45, 78 e LP), milhares de filmes em fitas vhs, dvds, fotos e farto material de pesquisas relativas a cinema, música e rádio, além de objetos raros como gramofones, moviolas e antigas vitrolas e rádios. O Miss abre das 8h às 18h, com entrada grátis. Mais informações: 3226-8000.

Já a Hemeroteca Roldão Mendes Rosa, com grande número de jornais antigos, revistas e outros documentos, está à disposição do público para consultas e pesquisas (podem ser tiradas fotocópias no local). A Hemeroteca funciona de segunda a sexta, das 8h às 19h, e sábados, das 8h às 14h.

O Centro de Cultura abriga eventos anuais, como a Bienal Nacional de Artes Plásticas de Santos e ministra cursos gratuitos promovidos pela Secretaria de Cultura.

Como chegar: Av. Pinheiro Machado, 48

Ônibus: a partir da Praia do Gonzaga – linha 19.

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Centro de Cultura: sede da Orquestra Sinfônica Municipal (foto PMS).

Memorial das Conquistas

O Memorial das Conquistas reúne acervo histórico do Santos Futebol Clube, o time que Pelé tornou famoso no mundo inteiro. São troféus, placas, flâmulas e fotos que contam a trajetória do clube desde os primeiros títulos até a conquista do Campeonato Brasileiro de 2002. O local conta com quatro monitores bilíngues.

O ingresso, com uma foto comemorativa que é trocada a cada 6 meses, fica com o visitante como lembrança. Funciona de terça a domingo, e quando tem jogo à noite na Vila, fica aberto até o início do jogo.

Como chegar: Rua Princesa Isabel, 77 – Vila Belmiro

Ônibus: a partir da praia do Gonzaga – linha 19

Cidade de Santos
O Memorial das Conquistas relembra a trajetória do Santos Futebol Clube através de painéis, fotos e dos troféus conquistados até 20020.

Museu De Vaney

Criado para resgatar e preservar a memória esportiva da cidade, o Centro de Memória Esportiva De Vaney iniciou com a incorporação do material reunido pelo jornalista Adriano Neiva da Motta e Silva (1907 – 1991), conhecido como De Vaney, um dos maiores incentivadores do esporte na Cidade. Possui uma coleção de mais de 500 troféus, acervo fotográfico, biblioteca e hemeroteca, com matérias jornalísticas ordenadas por assuntos e modalidades. Também realiza exposições, oficinas e palestras. Funciona de segunda à sexta, das 8h às 18h. Entrada gratuita. Mais informações: 3261-1989.

Como chegar: Praça Engº José Rebouças s/n – Ponta da Praia

Ônibus a partir do Gonzaga – linhas 42 e 23.

Cidade de Santos
O Museu de Vaney guarda a memória esportiva da cidade (foto PMS).

Gibiteca Municipal

Inaugurada em dezembro de 1992, a Gibiteca Marcel Rodrigues Paes tem um grande acervo de revistas de vários gêneros, quadrinhos infantis e adultos e coleções de gibis (cerca de 15 mil exemplares), além de livros de RPG. Possui raridades como a edição de O Tico-Tico, de 1936 e do Príncipe Valente, de 1954. Mantida pela Prefeitura de Santos, atrai turistas, curiosos e colecionadores. Ainda promove troca de gibis entre os frequentadores, exposições e oficinas de quadrinhos, aos domingos, das 15h20 às 17h20.

As inscrições são gratuitas e podem ser feitas na hora (basta chegar 10 minutos antes).

Como chegar: Av. Bartolomeu de Gusmão – Posto 5 (em frente à Av. Conselheiro Nébias) – Boqueirão

Ônibus a partir do Gonzaga – linhas 42, 23 e 17 (é pertinho, vá a pé)

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A Gibiteca guarda cerca de 9 mil gibis (foto PMS).

Posto 4 – Cine Arte

Pequena e aconchegante (apenas 48 lugares), é a única sala de exibição da cidade voltada somente para filmes de arte, fora do circuito comercial, além de realizar debates e mostras temáticas de filmes. É mantida pelo governo municipal com o apoio das empresas cinematográficas da cidade (veja Programa-Cinema).

Av. Vicente de Carvalho – Posto 4 – Boqueirão

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No Posto 4 funciona o Cine Arte, no Boqueirão.

Culturais

Praias

Nos 7 km de praias santistas encontra-se o maior jardim contínuo do mundo. O jardim de Santos, em estilo eclético, entrou para o Guiness World Records no ano 2000 como o jardim frontal de praia de maior extensão do mundo.

Os nomes das praias de Santos variam de acordo com os bairros, separados por característicos canais que cortam toda a cidade: José Menino, Pompéia, Gonzaga, Boqueirão, Embaré, Aparecida e Ponta da Praia. A Baía de Santos com seus morros e ilhas e os navios aguardando a entrada no porto complementam a paisagem.

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Vista parcial da orla da praia (foto PMS).

Aquário Municipal

Totalmente reformado, ampliado e modernizado, o Aquário Municipal reabriu em janeiro de 2006 com muitas novidades: um grande tanque oceânico de 5m de altura, um tanque amazônico que reproduz o fundo dos rios e um tanque de toque. As paredes externas do parque têm dois murais elaborados pelo artista e ambientalista norte-americano Robert Wyland, conhecido mundialmente pelo seu trabalho de conscientização ecológica focado na vida marinha. A grande atração é o lobo marinho, instalado em um enorme tanque com 450 mil litros de água que permite a visualização do animal submerso.

Local: Av. Bartolomeu de Gusmão, s/n – Ponta da Praia

Ônibus a partir do Gonzaga – linhas 23 e 42.

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Aquário Municipal: campeão da cidade em número de visitantes.

Monte Serrat

Eleito pela população da cidade como o maior atrativo turístico da região em 1999, o Monte Serrat é cartão postal de Santos. Um dos pontos mais altos da cidade, com 147 metros acima do nível do mar, proporciona uma das mais belas vistas da cidade. Do seu mirante é possível ter uma visão completa do Porto, parte dos morros que cercam Santos, o Canal de Bertioga, o Estuário e as Ilhas Barnabé e de Santo Amaro.

O sistema funicular de bondes, planejado em 1910, foi construído em 1923, e o complexo, incluindo um grande cassino, foi inaugurado em 1927. Seus exuberantes salões foram palco das grandes festas da época áurea do café, e funcionou assim até a proibição do jogo pelo Presidente Eurico Gaspar Dutra, em 1946. Hoje, o Cassino está completamente reformado e sedia eventos e festas promovidas pela sociedade santista. Ainda conta com lanchonete e equipamentos de lazer para as crianças.

No alto do Monte também está a Capela de Nossa Senhora do Monte Serrat, padroeira da cidade, uma das atrações históricas da cidade, datada de 1603. Todos os anos, no início de setembro, a festa de N. Senhora de Monte Serrat atrai milhares de pessoas em procissão.

O acesso é feito por bonde funicular que parte de meia em meia hora.

Praça Correa de Melo, 33 – Centro

Ônibus a partir da Praça Independência – linha 20.

Cidade de Santos
Os bondinhos funiculares do Monte Serrat.

Orquidário Municipal

Parque zoobotânico com mais de 22 mil m² de área que mistura jardins cultivados com espécies naturais da mata atlântica, animais silvestres e uma coleção de orquídeas.

Praça Washington, s/n – José Menino.

Ônibus a partir da praia do Gonzaga – linha 19 (desça no Canal 1) ou a partir da Praça Independência – seletivo 206.

Cidade de Santos
Orquidário Municipal: um oásis de mata atlântica e jardins dentro da cidade.

Morro do José Menino / Itararé

Área concorrida para a prática do vôo livre e por seu panorama, que abrange toda a Baía de Santos, com suas praias e o porto, e a praia de Itararé até a Ilha Porchat, em São Vicente. No alto do morro funciona a rampa de decolagem, de responsabilidade do Clube de Vôo Livre do Litoral Paulista, a Escola de Parapente Dinâmica do Ar e uma lanchonete.

O acesso de carro é feito pela Rua Monteiro Lobato, no José Menino. Você também pode subir pelo teleférico situado na praia do Itararé, em São Vicente.

Cidade de Santos
No alto do Morro do José Menino, o local ideal para saltos.

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Passeios

Conheça o Centro Histórico de Bonde

Viajar no tempo e voltar ao passado. Assim pode ser definido o passeio de bonde pelo Centro Histórico de Santo. Agora, Santos e Rio de Janeiro (com seus tradicionais bondes de Santa Tereza) são as únicas cidades da América Latina que mantém seus sistemas originais.

O bonde turístico, cuja linha foi inaugurada em setembro de 2002, trouxe nova vida ao Centro e já é considerado uma das maiores atrações turísticas da cidade.

O sucesso foi tanto que em 2007 a linha foi ampliada. O percurso inicial de 1,7 km ganhou mais um trecho de linhas, ficando com 5 km e cobre todas as atrações e pontos de interesse histórico do Centro de Santos.

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O bonde com reboque passando pela Casa de Frontaria Azulejada, na Rua do Comércio: passeio imperdível (foto Felipe Ozores).

Museu Vivo do Bonde

A linha turística do bonde começou a operar em 2002 com dois carros elétricos de cor verde, além de um reboque de 1870, totalmente restaurados. Um deles, do tipo aberto e prefixo 32, é original de 1911 e da marca escocesa Hurst Nelson. O outro, um bonde fechado apelidado de “camarão” e de prefixo 40, tem máquina de origem norte-americana e carroceria fabricada em Santos, na década de 50. Ambos circularam em Santos até fevereiro de 1971.

Em 2006 e 2008, dois veículos portugueses originários da cidade do Porto se juntaram aos bondes verdes santistas. Do tipo fechados e de prefixos 193 e 224, os amarelinhos deram início ao chamado Museu Vivo do Bonde.

Em setembro de 2010 o acervo foi incrementado com um exemplar italiano, doado pela cidade de Turim. Fabricado pela Fiat e datado de 1958, o italiano é pintado em dois tons de verde e tem prefixo 3265.

Mais um bonde italiano de Turim, outro português da cidade do Porto e um norte-americano já estão na cidade aguardando a restauração.

Cidade de Santos
O bonde português passando pela antiga Estação Ferroviária do Valongo (foto Ana Luiza Ozores).

Ponto inicial e final

Parada Buck Jones – O ponto inicial na Praça Mauá é chamado Parada Buck Jones em homenagem ao corretor de café José Carlos Vieira da Cunha, defensor entusiasta da manutenção dos serviços de bonde na cidade, quando de sua extinção, em fevereiro de 1928. Em frente ao ponto fica a Praça Mauá, tendo ao fundo o Palácio José Bonifácio, sede da Prefeitura Municipal.

O Percurso

O bonde sai da Praça Mauá e segue pela seguintes vias: Rua General Câmara, Praça Rui Barbosa, Rua Vasconcelos Tavares, Rua Amador Bueno, Rua Frei Gaspar, Av. São Francisco, Praça Correa de Melo, Rua Bittencourt, Rua Braz Cubas, Praça José Bonifácio, Rua General Câmara, Praça Mauá, Rua do Comércio, Largo Marquês de Monte Alegre, Rua São Bento, Rua Tuiuty, Praça Barão do Rio Branco, Praça da República, Rua Visconde do Rio Branco, Rua da Constituição, Rua General Câmara novamente, Rua Augusto Severo (atrás do Paço), Rua Cidade Toledo e Praça Mauá.

Cidade de Santos
O bonde 32 na antiga Estação do Valongo (foto Ana Luiza Ozores).

O que se vê no passeio

O passeio de bonde percorre 5 km e dura cerca de 50 minutos. O trajeto é recheado de prédios antigos, monumentos e curiosidades da cidade, destacando-se:

Praça Mauá e Palácio José Bonifácio
Monumento a Bartolomeu de Gusmão
Igreja Nossa Senhora do Rosário
Palácio Saturnino de Brito
Monte Serrat e Fonte do Itororó
Castelinho (ex-sede dos Bombeiros e futura Câmara Municipal)
Sociedade Humanitária
Catedral
Teatro Coliseu
Outeiro de Santa Catarina
Casa do Trem Bélico
Prédio da Fazenda Estadual
Monumento a Brás Cubas e Prédio da Alfândega
Conjunto do Carmo (Igrejas da Ordem Primeira e da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo)
Pantheon dos Andradas
Casa de Frontaria Azulejada
Igreja de Santo Antônio do Valongo
Antiga Estação Ferroviária
Ruínas dos casarões do Valongo
Antigos armazéns 1 a 4 do Porto, hoje desativados
Casarão da Rua Tuiuty (também conhecido como Palacete Mauá) 
Bolsa Oficial de Café (fundos)
Associação Comercial de Santos (fundos)
Inspetoria de Imigração do Porto (recepção dos imigrantes) 
Monumento a Gaffrée e Guinle
Edifício dos Correios

Cidade de Santos
Bonde português na Rua Braz Cubas, passando pela Catedral (foto PMS).

Paradas

O roteiro tem dois pontos de parada onde o passageiro poderá descer e embarcar em outro bonde depois:

1. Palácio Saturnino de Brito (Av. São Francisco)

pode ser visitado de terça a domingo, das 11h às 18h. Ande mais um pouquinho e suba o Monte Serrat pelo bondinho funicular.

2. Outeiro de Santa Catarina (Rua Visconde do Rio Branco)

O local é sede da Fundação Arquivo e Memória de Santos, que oferece maquete multimídia da Vila de Santos em 1800 e vídeo sobre a história da cidade. Atravessando a rua, viste a Casa do Trem Bélico, restaurada recentemente.

Cidade de Santos

Fonte: www.vivasantos.com.br

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