CORAÇÃO
O coração é um órgão muscular oco que se localiza no meio do peito, sob o osso esterno, ligeiramente deslocado para a esquerda.
O coração humano, como o dos demais mamíferos, apresenta quatro cavidades: duas superiores, denominadas átrios (ou aurículas) e duas inferiores, denominadas ventrículos. O átrio direito comunica-se com o ventrículo direito através da válvula tricúspide. O átrio esquerdo, por sua vez, comunica-se com o ventrículo esquerdo através da válvula bicúspide ou mitral.A função das válvulas cardíacas é garantir que o sangue siga uma única direção, sempre dos átrios para os ventrículos.O processo de contração de cada câmara denomina-se sístole. O relaxamento, que acontece entre uma sístole e a seguinte, é a diástole.
CIRCULAÇÃO SANGÜÍNEA
FUNÇÃO DA CIRCULAÇÃO
Atender as necessidades dos tecidos
Transportar nutrientes para os tecidos
Transportar produtos finais do metabolismo para longe dos tecidos
Transportar hormônios de uma parte do corpo para outra.
Manter ambiente adequado nos líquidos teciduais, para a sobrevida e funcionamento das células.
SANGUE
O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em uma pessoa normal sadia, cerca de 45% do volume de seu sangue são células (a maioria de glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares. Este movimento circulatório do sangue ocorre devido à atividade coordenada do coração, pulmões e das paredes dos vasos sanguíneos. O sangue transporta ainda muitos sais e substâncias orgânicas dissolvidas.
No interior de muitos ossos, há cavidades preenchidas por um tecido macio, a medula óssea vermelha, onde são produzidas as células do sangue: hemácias, leucócitos e plaquetas.
Glóbulos vermelhos
Os glóbulos vermelhos são corpúsculos vermelhos do sangue. Um milímetro cúbico do sangue contém cerca de cinco milhões de corpúsculos ou glóbulos vermelhos, chamados também de eritrócitos ou hemácias. Uma variação de 4 a 6 milhões é considerada normal e uma de 8 milhões pode ser encontrada em indivíduos que vivem em regiões de grande altitude. Esse número pode ser menor que 1 milhão em caso de anemia grave. Os glóbulos vermelhos contêm hemoglobina.
Hemoglobina
A hemoglobina é constituída por um pigmento vermelho chamado heme, que dá a cor vermelha característica do sangue. É um pigmento especial predominante no sangue, cuja função é transportar o oxigênio. Transporta o oxigênio dos pulmões até os tecidos do corpo. Depois, inverte sua função e recolhe o dióxido de carbono, transportando-o até os pulmões para ser expirado.
Plaquetas
As plaquetas são pequenas massas protoplásticas anucleares, que aderem à superfície interna da parede dos vasos sanguíneos no lugar de uma lesão e fecham o defeito da parede vascular. Tem cerca de 200.000 a 300.000 plaquetas, denominadas trombócitos, no sangue.
Glóbulos Brancos
No sangue, temos de 5.000 a 10.000 corpúsculos ou glóbulos brancos (células brancas do sangue), que recebem o nome de leucócitos.
De 4.000 a 11.000 glóbulos brancos por mm3.
São de vários tipos principais:
Neutrófilos
Que fagocitam e destroem bactérias
Eosinófilos
Que aumentam seu número e se ativam na presença de certas infecções e alergias; Basófilos - Que segregam substâncias como a heparina, de propriedades anticoagulantes, e a histamina
Linfócitos
Que desempenham um papel importante na produção de anticorpos e na imunidade celular; Monócitos - Que digerem substâncias estranhas não bacterianas.
VASOS SANGÜÍNEOS
Atuam como sistema fechado de condutos passivos, que leva sangue aos tecidos , onde os nutrientes e os produtos finais do metabolismo são trocados, e promove-lhe o retorno. Participam ativamente da regulação do fluxo sangüíneos para os rgãos.
O CIRCUITO
Sangue oxigenado enche o ventrículo esquerdo.
Sangue é ejetado do ventrículo esquerdo para a aorta.
O débito cardíaco é distribuído pelos diversos órgãos.
O fluxo sangüíneo dos órgãos é coletado pelas veias.
Retorno venoso para o átrio direito.
Sangue misto enche o ventrículo direito para a artéria.
O sangue é ejetado pelo ventrículo direito para as artérias pulmonar.
O fluxo sangüíneo dos pulmões retorna ao coração por meio das veias pulmonar.
HEMODINÂMICA
Este termo designa os princípios que governam o fluxo sangüíneo, no sistema vascular. Estes princípios físicos são os mesmos que se aplicam ao movimento dos fluidos em geral.
Os conceitos de fluxo, pressão, resistência e capacitância são aplicados ao fluxo sangüíneo para o coração e do coração para os vasos.
TIPOS E CARACTERÍSTICA DOS VASOS SANGÜÍNEOS
ARTÉRIAS
A aorta é a maior delas
Artérias médias e pequenas se ramificam das da aorta
A função das artérias é levar sangue oxigenado para os órgãos.
São estruturas com paredes grossas e extenso desenvolvimento de tecido elástico, músculo liso e tecido conjuntivo.
A espessura da parede da arterial é característica especial pois recebem sangue diretamente do coração e estão submetidas a altas pressões atuantes sobre os vasos sangüíneos.
O volume de sangue, contido nas artérias é chamado de volume estressado
( significando que o volume de sangue está submetido a altas pressões).
ARTERÍOLAS
São os menores vasos arteriais.
Suas paredes apresentam extenso desenvolvimento do músculo liso e estas paredes estão tonicamente ativas (sempre contraído).
São locais de alta resistência ao fluxo sangüíneo.
São amplamente inervados por fibras nervosas simpáticas ( Adrenérgica a , b 2 e colinérgicos muscarínicos).
CAPILARES
Os capilares são estruturas de paredes muito delgadas, revestida de um só camada de células endoteliais, circundada por uma lâmina basal.
Os capilares são os locais onde os nutrientes, gases, água e solutos são trocados entre sangue e os tecidos.
As substâncias lipossolúveis ( O2 CO2) cruzam a parede do capilar por se dissolverem e se difundirem pelas membranas das células endoteliais.
As substâncias hidrossolúveis (íons) cruzam as paredes do capilar por meio de fenda (espaços) entre células endoteliais ou por grandes poros (capilares fenestrados).
Nem todos os capilares são todo tempo perfundidos com sangue. Ocorre perfusão seletiva dos leitos capilares dependendo das necessidades metabólicas dos tecidos.
VÊNULAS E VEIAS
As vênulas são estruturas de paredes finas.
As veias são formadas pela camada usual de células endoteliais e pequenas quantidades de tecido elástico, músculo liso e tecido conjuntivo.
As veias têm capacitância muito grande (capacidade para armazenar sangue).
As veias contêm a maior porcentagem de sangue de todo sistema cardiovascular.
A porcentagem de sangue contido nas veias é chamado volume não-estressado (submetido a baixas pressões).
O músculo liso das paredes das veias como o das arteríolas é inervado por fibras nervosas simpáticas. O da atividade nervosa simpática provoca contração das veias assim reduz a capacitância e por conseguinte reduz o volume não estressado.
CIRCULAÇÃO PORTAL
A circulação portal é um sistema auxiliar do sistema nervoso. Um certo volume de sangue procedente do intestino é transportado para o fígado, onde ocorrem mudanças importantes no sangue, incorporando-o à circulação geral até a aurícula direita.
CIRCULAÇÃO PULMONAR
O sangue procedente de todo o organismo chega à aurícula direita através de duas veias principais; a veia cava superior e a veia cava inferior. Quando a aurícula direita se contrai, impulsiona o sangue através de um orifício até o ventrículo direito. A contração deste ventrículo conduz o sangue para os pulmões, onde é oxigenado. Depois, ele regressa ao coração na aurícula esquerda. Quando esta cavidade se contrai, o sangue passa para o ventrículo esquerdo e dali, para a aorta, graças à contração ventricular.
CIRCULAÇÃO LINFÁTICA
A diferença de pressão na parte do capilar que conduz sangue arterial é maior que a diferença no lado venoso, sendo assim, a quantidade de líquido que sai do capilar é maior do que a quantidade que volta, então o excesso de líquido que sai do capilar é maior do que a quantidade que volta.
FUNÇÕES DA LINFA
Recolher proteínas que podem vazar dos capilares devolvendo-as ao sangue.
Absorve gorduras do intestino além de defesas.
A ATIVIDADE ELÉTRICA DO CORAÇÃO
Nódulo sinoatrial (SA) ou marcapasso ou nó sino-atrial: região especial do coração, que controla a freqüência cardíaca. Localiza-se perto da junção entre o átrio direito e a veia cava superior e é constituído por um aglomerado de células musculares especializadas. Devido ao fato do nódulo sinoatrial possuir uma freqüência rítmica mais rápida em relação às outras partes do coração, os impulsos originados do nódulo SA espalham-se para os átrios e ventrículos, estimulando essas áreas tão rapidamente, de modo que o ritmo do nódulo SA torna-se o ritmo de todo o coração; por isso é chamado marcapasso.
Sistema De Purkinje: embora o impulso cardíaco possa percorrer perfeitamente todas as fibras musculares cardíacas, o coração possui um sistema especial de condução denominado sistema de Purkinje.
ATUAÇÃO DO SISTEMA NERVOSO NO CORAÇÃO
O sistemanervoso que atua no coração é o sistema nervoso autonomico simpatico e parassimpatico.
Simpatico: taquicardia( aumento da frequencia cardiaca), aumento da força de contração,aumento do fluxo sangüíneo através dos vasos coronários visando a suprir o aumento da nutrição do músculo cardíaco(diminuição do debito). O simpatico atua no processo de luta ou fuga. Quando a disturbios fisiologicos como hipertensão a descarga simpatica fica aumentada.
Parassimpatico: bradicardia(diminuição da frequencia cardiaca), diminuição da força de contração, diminuição do debito cardiaco. O parassimpatico geralmente atua nos processos de repouso. Na hipotensão o parassimpatico tem predominancia em relação ao simpatico.
Edlene Felix
Fonte: www.fisiologiaunifor.com
ENVELHECIMENTO CARVASCULAR
Sistema cardiovascular - As principais alterações cardiovasculares associadas ao envelhecimento ocorrem no miocárdio, no nó sino-atrial, nas valvas cardíacas e vasos sangüíneos, caracterizando modificações tanto de ordem anatômica quanto funcional.
Vasos Sangüíneos - O aumento da rigidez arterial e conseqüente aumento da pós-carga pode ser considerado o principal marcador do envelhecimento do aparelho circulatório.
O aumento da pós-carga repercute no aumento da pressão arterial sistólica, desencadeando uma série de modificações anatômicas no coração, como: hipertrofia ventricular esquerda, aumento do átrio esquerdo e alterações funcionais como a diminuição do enchimento ventricular no início da diástole e diminuição da distensibilidade do ventrículo esquerdo.
A aorta encontra-se habitualmente dilatada, com espessamento de sua camada íntima. Esse espessamento é observado mesmo em populações com baixa incidência de aterosclerose e é acompanhado pela dilatação da luz e redução da complacência ou distensibilidade dos vasos.
As outras artérias do corpo são também acometidas pelos mesmos processos arterioscleróticos, reduzindo, em maior ou menor grau, a luz do vaso. As artérias carótidas, as renais, assim como as coronárias, estreitam-se com o envelhecimento, sendo esse processo mais intenso no homem do que na mulher.
Miocárdio - Contrariamente ao que ocorre em ou-tros órgãos, o processo de envelhecimento no miocárdio ocasiona um au-mento do tamanho do coração e da es-pessura do ventrículo esquerdo. Isso ocorre em decorrência do aumento do tamanho dos miócitos e aumento do colágeno intercelular, apesar da redução do número de miócitos. A perda de miócitos é substituída por tecido fibroso e pode ser devida à perda de capilares da parede cardíaca.
Determinadas alterações anatômicas que estão ligadas a senescência são: o acúmulo de gordura, principalmente nos átrios e septo intercavitário; a fibrose disseminada não dependente de coronariopatias; o depósito de lipofuscina em fibras cardíacas; a hipertrofia do miocárdio ventricular, principalmente da câmara esquerda; calcificação do miocárdio e amiloidose senil.
À microscopia eletrônica, observa-se, na fibra muscular cardíaca no idoso: presença do pigmento lipofuscina; acúmulos localizados de mitocôndrias; mitocôndrias em degeneração; presença de gotas lipídicas no citoplasma. Nos espaços intercelulares ocorre aumento de elementos do tecido conjuntivo, tanto de fibras colágenas como elásticas e/ou infiltração gordurosa.
Sistema de condução - Assim como os demais órgãos, o sistema de condução também se altera no envelhecimento. Ocorre infiltração de células adiposas entre as células musculares especializadas do sistema de condução, acentuada redução do número dessas células, com conseqüente substituição por fibras colágenas e elásticas do tecido conjuntivo. Essa alteração processa-se de modo lento, mas contínuo, iniciando-se em torno de 60 anos.
Valvas cardíacas - As valvas cardíacas mais acometidas no envelhecimento são as válvulas atrioventriculares esquerda e as válvulas aórticas. Aparecem placas arterioscleróticas e espessamento das cordas tendíneas, além de calcificação e fibrose. As valvas tornam-se opacas e espessadas. A calcificação valvar parece ocorrer com maior freqüência em mulheres.
Função cardiovascular - As alterações anatômicas e fisiológicas do envelhecimento no sistema cardiovascular repercutem na função cardíaca. A deterioração da função cardíaca é variável de um indivíduo para outro.
O envelhecimento determina modificações estruturais que levam à diminuição da reserva funcional, limitando o desempenho durante a atividade física, bem como reduzindo a capacidade de tolerância em várias situações de grande demanda.
O débito cardíaco pode diminuir em repouso, mas isso ocorre principalmente durante o esforço, tendo uma influência importante do envelhecimento por meio da diminuição:
a) da resposta de elevação da freqüência cardíaca ao esforço ou outro estímulo;
b) da complacência do ventrículo esquerdo, com retardo do relaxamento do ventrículo, com elevação da pressão diastólica dessa cavidade, levando à disfunção diastólica do idoso, muito comum e que se deve principalmente dependência da contração atrial para manter o enchimento ventricular e o débito;
c) da complacência arterial, com aumento da resistência periférica e conseqüente aumento da pressão arterial sistólica, com aumento da pós carga dificultando a ejeção ventricular);
d) da resposta cronotrópica e inotrópica às catecolaminas;
e) do consumo máximo de oxigênio ao exercício (VO2 máx) com o progredir da idade, que traduz a diminuição da capacidade do corpo em transportar oxigênio para os tecidos;
f) da resposta vascular ao reflexo barorreceptor, com maior susceptibilidade do idoso a hipotensão;
g) da atividade da renina plasmática (enzima que regula a entrada e saída de sangue no Glomérulo com aumento ou diminuição da pressão arterial).
Clinicamente se verifica que, em condições basais, a função cardíaca é suficiente para as atividades orgânicas. No entanto, em condições de sobrecarga, como esforços físicos exagerados, anemia, febre, emoções, infecções e hipertireoidismo, a reduzida reserva pode ser responsável por descompensações.
Fonte: www.fag.edu.br