Existem vários tipos de insulina, com início de efeito, período de concentração máxima e duração do efeito que variam conforme o tipo de insulina. A seleção da mais apropriada ou combinação de diversos tipos dependem da resposta individual ao fármaco, das condições do diabete e dos hábitos do paciente.
A insulina pode ser extraída do pâncreas do boi ou do porco ou através de biotecnologia com obtenção de molécula idêntica a insulina humana.
As insulinas bovina e porcina podem ser obtidas através de purificação simples ou sofrerem processos mais complexos para extrair outros peptídeos pancreáticos, neste caso sua denominação é acrescida de termos tais como " altamente purificados" ou " monocomponentes" .
Os três tipos de insulina ( humana, suína e bovina) causam efeito semelhante no homem e são denominadas insulinas regulares ou simples ou de " single peak" ( único pico de ação). São cristalinas, solúveis em água e com início do efeito imediato pela via venosa ou após 30 minutos pela via subcutânea. São também denominadas insulinas solúveis ou insulinas não modificadas.
A insulina regular pode ser complexada com proteínas para liberação lenta (ex: insulina isofana ou NPH e insulina PZI) ou modificando o tamanho da partícula ( ex: suspensão de insulina zinco).
De curta duração - ao redor de 6 hs (insulina regular ou simples)
De efeito intermediário - com duração até 24 horas
De longa duração - ao redor de 36 horas
As insulinas bifásicas contém dois tipos de insulina, de modo a proporcionar picos e tempos de duração diferentes.
Preparação de insulina humana são menos imunogênicas do que preparações obtidas de animais. A insulina de porco é menos imunogênica que a bovina
Devido a possibilidade de diferentes respostas a insulinas de diferentes espécies, cuidados são recomendados para evitar a troca inadivertida de uma insulina de uma espécie para outra.
Redução na dose de insulina pode ser requerida na mudança de insulina animal ( especialmente a bovina) para a humana.
As insulinas de origem bovina ou suína não devem ser empregadas alternativamente mesmo quando o tipo e conteúdo sejam equivalentes, já que existe uma diferença de espécies que requer um ajuste na dosificação.
Insulinas produzidas de diferentes espécies correspondem a mesma estrutura básica, mas com diferentes sequências de aminoácidos nas cadeias.
Via subcutânea ou IM: todas as insulinas
Via IV: apenas insulina simples
| Tipo |
Origem |
Início do efeito |
Pico |
Duração |
|
|---|---|---|---|---|---|
| Insulina simples, regular ou cristalina | Bovina, porcina ou humana | ½ a 1 hora | 2 a 4 horas | 5 a 7 horas | |
| Insulina isofana ou NPH | Bovina, porcina ou humana | 3 a 4 horas | 6 a 12 horas | 18 a 28 horas | |
| Insulina bifásica (BP) | mistura de porcina e/ou bovina c/ humana e/ou porcina | 2 horas | 4 a 12 horas | até 24 horas | |
| Insulina isofana bifásica (BP) | Mistura de porcina e/ou bovina com humana e/ou porcina complexadas com protamina | 2 horas | 4 a 12 horas | até 24 horas | |
| Insulina semi lenta (USP) ou suspensão de insulina zíncica " Prompt" | mistura de porcina e/ou bovina c/ humana e/ou porcina (e uma solução amorfa, não confundir com insulina PZI) | 1 a 3 horas | 2 a 8 horas | 12 a 16 horas | |
| Insulina Semi lenta (BP)ou suspensão de insulina zíncica amorfa | Bovina, porcina e humana | 2 horas | 4 a 12 horas | Até 24 horas | |
| Insulina lenta ou suspensão de insulina zíncica | Bovina, porcina ou humana | 1 a 3 horas | 8 a 12 horas | 18 a 28 horas | |
| Ultralenta ou insulina zíncica " extend" e/ou suspensão de insulina zíncica cristalina (BP) | Bovina, suína ou humana | 18 a 24 horas | até 36 horas | ||
| Insulina Protaminozíncica ou PZI ( Protamina Zinc Insulin Suspension, c/ excesso de protamina na suspensão) | Bovina, porcina e humana | 4 a 6 horas | 14 a 24 horas | Até 36 horas | |
| Nome comercial | Laboratório | tipo de insulina | |||
| Novolin | Novo Nordisk | Insulina humana monocomponente de várias formas Insulina humana monocomponente | |||
| Novolin R | Novo Nordisk | Insulina humana monocomponente regular | |||
| Novolin L | Novo Nordisk | Insulina humana monocomponente lenta | |||
| Novolin N | Novo Nordisk | Insulina humana monocomponente NPH | |||
| Novolin 70/30 | Novo Nordisk | Insulina humana monocomponente 70% NPH e 30% Regular | |||
| Monotard MC | Novo Nordisk | Insulina suína monocomponente suspensão zíncica, contendo zinco, NaCL, acetato de sódio (100UI + 0,13mg + 7mg = 1,4mg/ml). | |||
| Actrapid MC | Novo Nordisk | Insulina suína monocomponente regular | |||
| Biohulin | Biobrás | Humana monocomponente várias formas | |||
| Iletin | Biobrás | Insulina mista bovina e suína | |||
| Iolin | Biobrás | Insulina mista bovina e suína altamente purificada | |||
| Iolin R | Biobrás | Insulina mista bovina e suína altamente purificada Regular | |||
| Iolin N | Biobrás | Insulina mista bovina e suína altamente purificada NPH | |||
| Monolin | Biobrás | Insulina suína monocomponente | |||
| Neosulin | Biobrás | Insulina suína altamente purificada | |||
| Neosulin N | Biobrás | Insulina suína altamente purificada NPH | |||
| Neosulin R | Biobrás | Insulina suína altamente purificada Regular | |||
| Neosulin L | Biobrás | Insulina suína altamente purificada Lenta | |||
| Humulin | Eli Lilly | Insulina Humana várias formas | |||
| Humulin R | Eli Lilly | Cristais de insulina dissolvidos em líquido claro | |||
| Humulin N | Eli Lilly | Suspensão cristalina de insulina humana com protamina e zinco | |||
| Humulin L | Eli Lilly | Suspensão amorfa e cristalina de insulina humana | |||
| Humulin U | Eli Lilly | suspensão cristalina de insulina humana com zinco | |||
| Humulin 50/50 | Eli Lilly | 50% de insulina NPH e 50% de regular | |||
| Humulin 70/30 | Eli Lilly | 70% de insulina NPH e 30% de regular | |||
| Insulina mista prurificada | Eli Lilly | Insulina zíncicabovina neutra |
|||
| Tipos de insulinas |
Nomes Comerciais |
|---|---|
| Humana monocomponente várias formas | Novolin (Novo Nordisk)
Biohulin (Biobrás) Humulin |
| Mista bovina e suína | Iletin (Biobrás) |
| Mista bovina e suína altamente purificada | Iolin (Biobrás)
Insulina mista purificada (Lilly) |
| Suína monocomponente | Monolin (Biobrás)
Neosulin (Biobrás) Actrapid MC (Novo Nordisk) |
| Suína monocomponente suspensão zíncica | Monotard MC (Novo Nordisk) |
Fonte: www.ufpe.br
A insulina será sempre necessária no tratamento do Diabetes Tipo 1, e seu uso deve ser iniciado imediatamente após o diagnóstico.
As necessidades diárias de insulina variam de acordo com a idade, rotina diária, padrão alimentar e sobretudo, a presença ou não de alguma secreção residual de insulina pelas células ß pancreáticas.
De uma maneira geral, no início do quadro a necessidade diária de uma pessoa oscila entre 0,3 a 0,6 U/Kg, podendo chegar a 1U/Kg no final do primeiro ano de doença.
Há inúmeras preparações insulínicas, que variam de acordo com a origem e o tempo de ação.
Escolhemos abordar neste texto a insulina de ação rápida, regular e a NPH, ambas de origem humana, por serem as utilizadas pela grande maioria das pessoas.
Também chamada de insulina de ação rápida. Seu início de ação leva de 30 minutos a uma hora, o pico máximo de atividade ocorre de 2 a 3 horas depois e a duração da ação vai de 4 a 6 horas. É usada quando um ação rápida é necessária, como na cetoacidose diabética. Pode ser misturada com a insulina NPH.
A figura 1 demonstra a ação da insulina regular:

Se a insulina regular é administrada às 7 horas da manhã, sua ação máxima será por volta das 9 horas e a duração de atividade será até as 11 horas.
NPH
É a insulina de ação intermediária. Inicia sua ação em 30 minutos a uma hora e meia, com pico máximo de ação em 4 a 7 horas, podendo a duração alcançar 14 a 18 horas após a aplicação.
A figura 2 demonstra a ação da insulina NPH:

Se a insulina NPH for aplicada às 7 horas da manhã, seu pico máximo de ação ocorrerá por volta das 13 horas, com duração máxima até as 19 horas.
Uma grande vantagem dessas insulinas humanas, regular e NPH é que elas podem ser misturadas em uma única aplicação.
A forma, quantidade e periodicidade de aplicação das insulinas vai depender de cada caso, de cada pessoa, do modo como cada um responde ao tratamento e deve ser minuciosamente discutido e decidido em conjunto com o médico.
A insulina é um hormônio fabricado naturalmente por algumas células localizadas no pâncreas. Pessoas portadoras de Diabetes que necessitam utilizar insulina, o fazem porque seu organismo não a produz ou produz em quantidade insuficiente, necessitando de complementação diária.
A insulina é um MEDICAMENTO!!!
Surgiu para salvar vidas. Antes de sua descoberta, as pessoas afetadas pela diabetes morriam à mingua, sem que se pudesse fazer nada por elas.
Como todo medicamento, a insulina só deve ser utilizada quando prescrita por um médico.
O uso da insulina não cura o Diabetes, pois essa é uma doença crônica, onde a cura ainda não foi descoberta. Assim, ela deve ser administrada todos os dias, às vezes, mais de uma vez ao dia. Sua ação é de redução dos níveis de glicose do sangue, protegendo a pessoa das complicações da doença.
Existem vários tipos de insulina. As mais usadas atualmente são as insulinas humanas tipo NPH, de ação mais lenta e a regular de ação rápida, utilizada para correção da glicemia elevada.
A concentração das insulinas no Brasil vem em U-100, isto é, para cada 1ml correspondem 100 unidades de insulina. Elas se apresentam em frascos de 10 ml, logo, contendo 1000 unidades para utilização em seringas.
Os frascos fechados de insulina devem ser armazenados em geladeira entre 2º a 8ºC, fora da embalagem térmica ou de isopor, longe do congelador, de preferência na gaveta ou próximo a ela, longe da porta também, pois lá não temos como manter uma temperatura adequada.
Uma vez congelada, a insulina perde suas propriedades de tratamento, podendo ser desprezada.
Se a insulina não puder ser guardada em geladeira, procure um lugar fresco, limpo e que não pegue sol diretamente para armazená-la. Ela pode ser mantida em temperatura ambiente, entre 15º e 30ºC.
Uma vez aberto o frasco de insulina, ele deverá ser utilizado no período de 30 dias, por isso, para seu controle, marque a data de abertura no frasco.
Evite transportar o frasco de insulina quando a temperatura ambiente estiver acima de 40ºC e use sempre uma caixa de isopor ou bolsa térmica. Se o transporte for de longa distância, além da embalagem térmica, utilize gelo reciclável separado do frasco de insulina por isolante para evitar seu congelamento. Nunca utiliza gelo seco.
Para a aplicação da insulina:
Inicialmente, lave suas mãos cuidadosamente;
Retire o frasco de insulina da geladeira de 10 a 20 minutos antes, pois a insulina gelada causa dor e irritação após a aplicação;
Separe todo o material que irá utilizar: seringa, agulhas, algodão e álcool 70%;
Gire o frasco de insulina leitosa (NPH) com movimentos suaves das mãos, sem agitar, pois o excesso de agitação também torna a substância inútil. Ela não deve espumar;
A insulina transparente (Regular) não necessita de homogeneização prévia;
Promova a desinfecção da tampa emborrachada do frasco de insulina com algodão embebido em álcool 70%;
Pegue a seringa de insulina e puxe o êmbolo até a graduação correspondente à dose prescrita, tomando o cuidado de não tocar na parte interna do êmbolo;
Retire o protetor da agulha e injete o ar dentro do frasco até o final. A introdução de ar no frasco facilita a aspiração e ajuda na retirada correta da dose de insulina;
Sem retirar a seringa vire o frasco de cabeça para baixo e puxe o êmbolo até a dose prescrita. Se bolhas de ar aparecerem, dê pequenos golpes na seringa com as pontas dos dedos. Quando as bolhas saírem confira se a quantidade de insulina aspirada é a prescrita e, se necessário, corrija;
Retire a seringa com a agulha do frasco e proteja-as, preparando-se para a aplicação.
Regiões lateral direita e esquerda do abdome, de 4 a 6 cm distante da cicatriz umbilical, face anterior e lateral externa da coxa, face posterior do braço e quadrante superior lateral externo das nádegas, como na figura:
É muito importante fazer o rodízio do local de aplicação visando a melhor absorção da insulina e a prevenção de complicações como a lipodistrofia.
Deve-se organizar as aplicações por região escolhida, explorando uma determinada área até que se esgote as possibilidades de aplicação, respeitando-se o intervalo de 2 cm entre aplicações em um mesmo local.
A aplicação feita no abdome é a de maior velocidade de absorção, seguida dos braços, coxas e nádegas.
Não é aconselhável realizar a aplicação de insulina logo após a prática esportiva, pois o fluxo sanguíneo está aumentado, o que aumenta a velocidade de absorção.
Técnica de aplicação de insulina:
Com as mãos limpas e a insulina já preparada, limpe o local escolhido para aplicação com algodão;
Faça uma prega cutânea na pele do local escolhido e introduza a agulha em ângulo de 90 graus soltando a prega logo após;
Injete a insulina delicadamente e retire a agulha da pele.
O descarte da seringa e agulha não deve ser feito no lixo normal, pois pode machucar quem recolhe e manipula o lixo.
Arrume uma garrafa plástica usada (a melhor é a de água sanitária) e vá descartando ali suas agulhas e seringas. Quando a garrafa estiver cheia, tampe-a e leve ao posto de saúde mais próximo de sua casa para que eles possam descartar no local apropriado.
Seringas e agulhas descartáveis de insulina podem ser reutilizadas em nível doméstico, desde que guardados alguns cuidados como a higiene das mãos e a proteção da agulha com sua capa própria.
Cuidado para não se machucar na hora de re-encapar a agulha. Se você estiver fazendo a insulina em alguém, peça para a própria pessoa re-encapar a agulha.
O Ministério da Saúde considera possível a reutilização das seringas pela mesma pessoa até oito aplicações em ambiente doméstico. Em caso de hospitais, unidades e postos de saúde exija sempre uso único de seringas e agulhas.
Em casa, as seringas e agulhas podem ser guardadas em local limpo á temperatura ambiente ou junto com a insulina na geladeira.
Na reutilização da agulha, não é necessária a limpeza com álcool, pois este retira a camada de silicone da agulha, o que torna a aplicação mais dolorosa.
Para quem usa canetas para aplicar insulina:
Prepare a insulina e os materiais como já descrito acima;
Retirar a tampa da caneta;
Separe a caneta em duas partes (corpo e parte mecânica);
Gire o parafuso interno até ficar completamente dentro da parte mecânica;
Acomode o refil de insulina no corpo da caneta;
Recoloque a parte mecânica ao corpo da caneta;
Conecte a agulha na caneta;
Selecione 2 unidades e pressione completamente o botão injetor. Repita
a operação até o aparecimento de uma gota de insulina
na ponta da agulha;
Selecione o número de unidades de insulina necessárias;
Introduza a agulha no subcutâneo;
Pressione o botão injetor;
Após a administração, aguarde 5 segundos antes de retirar
a agulha;
Retire a agulha e pressione o local por mais 5 segundos;
Retire e descarte a agulha utilizada;
Recoloque a tampa da caneta;
Guarde a caneta em uso em temperatura ambiente (nunca poderá ser
guardada no refrigerador)
Grossi SAA. Tratamento insulinoterápico da pessoa com diabetes mellitus. In: Duarte YAO, Diogo MJD. Atendimento domiciliar: um enfoque gerontológico. São Paulo, Atheneu, 2000. cap.24.2, p.336-47.
Diabetes sem mistério: conforto e segurança na aplicação de insulina. Centro BD de Educação em Diabetes, s./d.
American Diabetes Association. Insulin administration. Diabetes Care, 2004, 27: s106-107,. Supplement 1.
UK Prospective Diabetes Study (UKPDS) Group: Intensive blood-glucose
control with sulphonylureas or insulin compared with convencional treatment
and risk of complications in patients with type 2 diabetes (UKPDS 33). Lancet,
v. 351, p.837-853, 1998.
Ferreira, SRG. Análise crítica do uso de canetas injetoras de
insulina ,Aventis Pharma, 2001.
13. OLIVEIRA, MC. Escolha a seringa e a agulha BD Ultra-Fine adequadas ao seu tratamento com insulina. BD Bom Dia, São Paulo, n.76, p.8-9, Dez.2006.
Fonte: www.orientacoesmedicas.com.br