Destacam-se nesse período, a fixação do Distrito Federal no Quadrilátero Cruls, em 1922, pelo presidente Epitácio Pessoa e o lançamento no dia 7 setembro da pedra fundamental da futura capital nas proximidades de Planaltina, antiga cidade do estado de Goiás. A Constituição de 1946 retomou os estudos da localização da nova capital, o presidente Eurico Gaspar Dutra criou uma comissão presidida pelo general Djalma Poli Coelho. Após dois anos de estudos chegou-se a conclusão que o local adequado seria mesmo o Quadrilátero Cruls. Porém, somente a constituição de 1946 determinou que a capital fosse transferida para o Planalto Central.

O presidente Vargas voltou ao poder em 1953 e determinou a formação de uma Comissão de Localização sob o comando do marechal José Pessoa Cavalcante, com a alcunha de Comissão de Planejamento da Construção e da Mudança da Capital Federal. Aprovado pelo presidente Café Filho foram contratados os serviços da empresa americana Donald J. Belcher and Associated Incorporate, que em 1955 delimitou um retângulo de 50 mil km² para sediar a nova capital.Tais estudos resultaram na publicação do Relatório Belcher.

Em 1955, o governo de Goiás criou a Comissão de Cooperação para a Mudança da Capital e desapropriou a área escolhida para instalar o Distrito Federal. Na campanha presidencial em 1955, o candidato Juscelino Kubitschek, incluiu a construção de Brasília como meta-síntese de seu programa de governo. Eleito presidente, JK em abril de 1956 encaminhou ao Congresso Nacional a Mensagem de Anápolis, criando a Companhia Urbanizadora da Nova Capital NOVACAP. Em setembro do mesmo ano, a mensagem tornou-se lei. Em outubro de 1956 Juscelino Kubitschek desembarcou pela primeira vez no Planalto Central com o arquiteto Oscar Niemeyer, os engenheiros Israel Pinheiro e Bernardo Sayão, o governador de Goiás, José Ludovico de Almeida. No mesmo mês foi construído o Catetinho, hoje tombado pelo Patrimônio Histórico Nacional. O concurso para o Plano Piloto foi realizado em 1957. Entre 26 concorrentes venceu o projeto de Lucio Costa, segundo os membros do júri, por ser “um projeto coerente, racional, de essência urbana”.

A equipe de Lucio Costa e o grupo de Oscar Niemeyer projetaram em curto espaço de tempo os prédios públicos e grande parte da área residencial da nova cidade. Em outubro de 1957 JK sancionou lei fixando a data da transferência da capital: 21 de abril de 1960. Como primeiro presidente da NOVACAP, o engenheiro Israel Pinheiro deu início aos trabalhos de terraplenagem. As grandes máquinas acionadas pelos candangos – trabalhadores vindo espontaneamente de todos os pontos do país, sobretudo do Nordeste – começaram a tornar realidade o Plano Piloto elaborado pelo urbanista Lucio Costa e executado pelo arquiteto Oscar Niemeyer. Quatro dias antes da inauguração, Israel Pinheiro foi nomeado Prefeito de Brasília, em 17 de abril de 1960.

Visionário, Juscelino Kubitschek afirmou ao inaugurar a capital. “Deste planalto central, desta solidão que em breve se transformará em cérebro das altas decisões nacionais, lanço os olhos mais um vez sobre o amanhã do meu país e antevejo esta alvorada com fé inquebrantável e uma confiança sem limites no seu grande destino”. Em novembro de 1956, houve pela primeira vez eleições na capital, mas apenas para a Assembléia Nacional Constituinte com a eleição de oito deputados federais e três senadores.
Em 1987, a Comissão de Sistematização da Assembléia Nacional Constituinte aprovou a autonomia política do Distrito Federal. Ainda em 1987, outra boa notícia: Brasília foi declarada pela UNESCO “Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade”. Em 1987, com a promulgação da Constituição, ficaram estabelecidas as eleições diretas para os cargos de governador, vice-governador, oito deputados federais e 24 deputados distritais, que tiveram como primeira atribuição a elaboração da Lei Orgânica do Distrito Federal. Em 1990 foi eleito o primeiro governador pelo voto direto.

Com uma área total de 5.789,16 quilômetros quadrados. Brasília, que tem um dos melhores índices de Desenvolvimento Humano do País (IDH), também ganhou destaque nacional como uma das cidades com melhor qualidade de vida do Brasil incluindo educação e saúde. Em 2002, foi aprovado o Fundo Constitucional do DF, que garantiria aportes financeiros obrigatórios da União para as áreas de educação, saúde e segurança.
Além de seus encantos próprios, Brasília é pródiga, por propiciar ao viajante, em seus arredores, um fundo mergulhar em um tempo ido. Próximas à capital, cidades históricas, coloniais, como Pirinópolis, Patrimônio Artístico e Histórico da Humanidade, e Goiás Velho, testemunha o barroco brasileiro. Nelas está a preservada a memória dos séculos XVI e XVII, quando, em seus córregos, em seus rios, os aventureiros de então entregavam-se ao garimpo do ouro e do diamante.
Epicentro da brasilidade, é Brasília em natural portão de entrada para a exuberância do Pantanal, com seus 230 mil quilômetros quadrados. Mundo encantado, paraíso das flores, pássaros e animais, ao qual se chega tanto por ar como por terra, pela rodovia BR-060, que no Estado do Mato Grosso transforma-se em BR-364. Com seus 1.133 quilômetros pavimentados, a viagem permite ao viajante cruzar, ainda no Estado de Goiás, o rio Araguaia, aonde se multiplicam dourados, jaús e pintados. Destino natural de quem, ao redor do planeta, viaja em busca das emoções da pesca farta, da luta contra peixes de grande porte. E extremamente saborosos.
Ao universo da mais preciosa reserva biológica do mundo , a Amazônia Brasileira, também tem fácil acesso o turista a partir de Brasília. Maior floresta úmida do planeta, a região cortada pelo maior rio em volume de água do mundo, o Amazonas, guarda primitivos, ancestrais povos de floresta, como os Yanomami e os Kayapó, e reservas biológicas de fauna riquíssima, da qual as atrações maiores são os botos, os macacos, os jacarés e as onças.
Desconcertante realidade. Pródiga visão de futuro. Brasília extravasa os limites clássicos de uma cidade. Íntima do firmamento, a capital do terceiro milênio é uma sinfonia. Composta por ventos, envolta em azul, banhada pelas matrizes se um sol resplandecente, zeloso de sua magia, criador de um anoitecer indescritível, em rosa, solferino, magenta e prata. E onde a lua, quando é cheia, quando é céu, não é apenas onipotente. É, como a terra e as águas que banha, grandiosa. E generosa como alma do povo brasileiro.
1761 – O Marquês de Pombal, por motivos políticos, lança uma idéia aparentemente fora do lugar: erguer uma nova capital de Portugal no sertão, a meio caminho da África e das Índias.
1789 – Os inconfidentes associam a luta pela Independência do Brasil à mudança da capital do Rio de Janeiro para a cidade mineira de São João Del Rey.
1813 – Com sucessivos artigos no Correio Braziliense, editado em Londres, o jornalista Hipólito José da Costa tenta empolgar a opinião pública com a idéia da construção de uma nova capital no interior.
1883 – Na cidadezinha de Belcchi, na Itália, o padre salesiano João Bosco tem um sonho-visão: “no Brasil, entre os paralelos 15º e 20º surgiria uma grande civilização, a Terra Prometida, onde correria leite e mel”. Local da atual sede da nova Capital.
1891 – A primeira Constituição da República estabelece, em seu artigo terceiro: “Fica pertencente à União, no Planalto Central da República, uma zona de 14.40 quilômetros quadrados, que será oportunamente demarcada, para nela estabelecer-se a futura Capital Federal”.
1892 – Floriano Peixoto constituiu a Comissão exploradora do Planalto Central do Brasil, sob a chefia do cientista Luís Cruls, diretor do observatório Astronômico do Rio de Janeiro, para estudar e demarcar a área do Distrito Federal.
1893 – É editado um mapa do Brasil e no Planalto de Goiás havia um retângulo com a inscrição: “ Futuro Distrito Federal”.
1922 – Num clima de festa, em 7 de Setembro, é lançada a pedra fundamental da futura capital, a 9km da cidade de Planaltina, em Goiás, no Centro da América Latina.
1940 – O presidente Getúlio Vargas lança a “Marcha para o Oeste”, mas não pretende transferir a capital do Rio de Janeiro. Projeto adiado desde a instalação da ditadura do Estado Novo.
1946 – O Brasil se redemocratiza. A mudança da Capital para o Planalto Central é incluída nas disposições transitórias da Constituição. O Presidente Eurico Gaspar Dutra nomeia a Comissão de Localização da Nova Capital, chefiada pelo General Aguinaldo Caiado de Castro.
1953 – É sancionada a Lei nº 1.803, que autoriza o governo a definir o sítio da nova capital em três anos.
1955 – Em 4 de abril, num comício em Jataí, Goiás, o candidato à Presidência da República, Juscelino Kubitschek promete que, se eleito, fará a transferência da capital para o Planalto Central.
1956 – No dia 18 de abril, o Presidente Juscelino Kubitschek envia ao Congresso a “Mensagem de Anápolis” propondo a criação da Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (NOVACAP) e o nome de Brasília para a nova Capital. Em 19 de setembro é sancionada a Lei nº 2.874, que determina a transferência, em definitivo, da Capital. No mesmo dia é lançado o Concurso do Plano Piloto. Vence o projeto do urbanista Lúcio Costa.
1957 – Em abril, surgem as primeiras casas de madeira na Cidade Livre, (hoje Núcleo Bandeirante) onde todas as atividades são isentas de impostos. No dia 7 de maio é rezada a primeira missa, na presença de 15 mil pessoas na Praça do Cruzeiro.
1959 – Cerca de 60 mil candangos trabalham febrilmente na construção da cidade. No início, eram apenas mil. Faltando pouco mais de um ano para a inauguração, Brasília e arredores contavam com mais de 100 mil habitantes, vindos de vários estados do Brasil.
1960 – Em 21 de abril, Brasília é inaugurada. Durante a missa comemorativa é lida uma mensagem radiofônica do Papa João XXIII. Emocionada, a multidão acompanha a cerimônia, ajoelhada no barro vermelho. Na instalação do Congresso Nacional, o deputado Ranieri Mazzilli diz: “Mais ainda que um milagre da vontade humana, Brasília é um milagre da fé”.
1962 – Empossado o primeiro Conselho da Universidade de Brasília - UnB, começa a funcionar uma nova experiência em ensino superior. Os alunos de engenharia, por exemplo, podiam estudar filosofia. O campus foi batizado com o nome de um dos seus fundadores, o antropólogo Darcy Ribeiro. A idéia, que se concretizou, era transformar a UnB em um centro irradiador de cultura.
1965 – O crítico Paulo Emílio Sales Gomes organiza o primeiro Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. O evento se tornaria um símbolo da cidade.
1970 – É inaugurada a Catedral de Brasília, um dos mais belos monumentos da Capital. No mesmo ano, as embaixadas e o Ministério das Relações Exteriores também foram transferidos para a Capital.
1976 – Em 22 de agosto, morre o ex-presidente Juscelino Kubitschek em um na Esplanada dos Ministérios para homenagear JK. A multidão cantava o Peixe Vivo, sua música predileta.
1978 – Surge o “Projeto Cabeças”, criado por jovens artistas da cidade, numa época de muita repressão, com a finalidade de envolver a comunidade de Brasília com a cultura e a arte local. Promove shows e diversas manifestações culturais ao ar livre. Brasília deixava de ser uma mera cidade administrativa para ser um espaço público de cidadania.
1979 – É criada Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Cláudio Santoro. A iniciativa teria o objetivo de popularizar a música clássica e o ensino de música.
1980 – O Papa João Paulo II visita Brasília e celebra missa na Esplanada dos Ministérios para mais de 800 mil pessoas.
1981 – Em setembro, é inaugurado o “Memorial JK”, espaço que abriga os restos mortais do ex-presidente, sua biblioteca particular e objetos pessoais Nesse mesmo ano, a atriz Dulcina de Moraes, inaugura Faculdade de Artes, que leva seu nome, e dois teatros, revelando grandes atores como os nacionalmente conhecidos Irmãos Guimarães.
1985 – O rock leva Brasília ao cenário mundial. A música enriquece a crônica da cidade falando da vida cotidiana, dos impasses da expansão urbana, das pessoas, das influências místicas da capital e de “um silêncio, lindo onde Deus parece com esperança, entre bilhões de estrelas”. Bandas como Legião Urbana, chegam a vender um milhão de discos. Com a música, ganham espaço a poesia, o teatro, o cinema a as artes plásticas.
1986 – Inaugurado o Panteão da Liberdade, na Praça dos Três Poderes. Uma homenagem o político Tancredo Neves e personagens históricos como Tiradentes, Zumbi dos Palmares e Dom Pedro I.
1987 – Ao contemplar 27 anos, Brasília passa a figurar ao lado de cidades milenares como Jerusalém e Cairo, na condição de Patrimônio Cultural da Humanidade. A designação dada pela Unesco se destina apenas a bens de valor universal excepcional.
1990 – Em 15 de novembro, o Distrito Federal conquista autonomia política, elegendo seu primeiro governador pelo voto popular direto, além de 24 deputados distritais para formar a Câmara Legislativa.