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ANATOMIA DA ORELHA

Ouvido

A orelha ou ouvido é o órgão usado pelos animais para detectar ondas sonoras. Nos mamíferos ele se apresenta aos pares e se localiza na cabeça, podendo estar localizado em outras partes do corpo ou mesmo ser ausente em outros animais.

Segundo a tradução da última edição da Nomina Anatomica (que mudou de nome, passando a chamar-se Terminologia Anatomica) para a língua portuguesa, publicada pela Sociedade Brasileira de Anatomia em 2001, usa-se orelha para designar tanto o órgão da audição em sua totalidade, como a parte visível e externa que corresponde ao pavilhão auricular. Em Portugal mantém-se a denominação de ouvido em lugar de orelha para o órgão da audição.


A orelha externa, humana

Fisiologia do ouvido (ou orelha) humano
O ouvido ou orelha humana normal pode distinguir cerca de 400.000 sons diferentes, alguns fracos o suficiente para mover a membrana timpânica tão pouco quanto um décimo da molécula de hidrogénio.

Um exemplo dessa propriedade é que uma pessoa pode ouvir desde o som de um mosquito numa tarde silenciosa de verão ou de um avião a jacto que aparece a voar no céu. Aqui estão dois sons diferentes tanto em intensidade como em características, que o sentido da audição humano pode reconhecer e rotular.

A audição funciona da seguinte maneira: o som propaga-se produzindo ondas sonoras que se deslocam até atingir a orelha. O mecanismo da audição transforma estas ondas em sinais eléctricos que transmite como mensagens, através do nervo auditivo para o nosso cérebro que as interpreta.

O aparelho auditivo humano é dividido em três partes cada uma com suas funções próprias sendo as três indispensáveis para o bom funcionamento da audição: ouvido externo ou orelha, ouvido médio e ouvido interno.

Ouvido (ou orelha) externo


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Anatomia da orelha interna humana

O ouvido externo (ou orelha externa) é composto de duas partes: O pavilhão auditivo, também conhecido como orelha e o conduto auditivo externo.

A função principal do pavilhão auditivo é coletar sons, agindo como um funil e direcionando o som para o conduto auditivo. Outra função é a filtração do som, processo este que ajuda a localizar a origem dos sons que chegam ao individuo. Além disso, no caso dos humanos, o processo de filtração seleciona sons na faixa de freqüência da voz humana facilitando o entendimento. O Pavilhão Auricular é anatomicamente dividido em Hélice, Anti-hélix, trago, antitrago e lóbulo.

Já o conduto auditivo externo tem a função de transmitir os sons captados pela orelha para o tímpano além de servir de câmara de ressonância ampliando algumas freqüências de sons. Ele é constituído por cartilagem no terço lateral e osso nos dois terços mediais.

Afecções da Orelha

São acontecimentos que acometem a orelha externa (pavilhão auricular e conduto auditivo externo). Esses acontecimentos podem ser desde malformações congênitas até processos inflamatórios e infecciosos, inclusive metabólicos. O diabetes pode favorescer infecções no aparelho auditivo.

Malformação congenitas

Tecido remanescente de malformações congênitas

O pavilhão auricular e o conduto auditivo sofrem os mesmos processos que a pele, podendo dar:

Ouvido médio (ou orelha média)

O ouvido médio é composto pelos ossículos martelo, bigorna e estribo, denominados dessa forma por sua semelhança conspícua com esses objectos. Os mamíferos são os únicos animais que possuem três ossos no ouvido, ligando o tímpano à orelha interna.

Individualmente os ossos são menores que um grão de arroz. Os ossículos estão localizados na cavidade em forma de ervilha da orelha média. Conectados formando uma ponte entre a membrana timpânica e a janela oval. Através de um sistema de membranas, eles conduzem as vibrações sonoras a orelha interna. Os ossículos são os menores ossos do corpo humano e já estão em seu tamanho completo ao nosso nascimento.

Enquanto as ondas sonoras movem a membrana timpânica, esta move os ossículos. Os três ossos na verdade formam um sistema de alavancas que transferem a energia das ondas sonoras vindas da orelha externa, através da orelha média para a orelha interna.

Ouvido interno



O ouvido interno é composta pela cóclea, pelo aparato vestibular e pela tuba auditiva ou trompa de Eustáquio.

O último osso da cadeia ossicular, o estribo, está acoplado a uma fina membrana chamada de janela oval. A janela oval é na realidade uma entrada para a orelha interna, que contém o órgão da audição, a cóclea. Quando o osso estribo move, a janela oval move com ele. No outro lado da janela oval está a cóclea, um canal em forma de caracol preenchido por líquidos e, quando as vibrações chegam à cóclea provenientes da orelha interna, são transformadas em ondas de compressão que por sua vez ativam o órgão de Corti que é responsável pela transformação das ondas de compressão em impulsos nervosos que são enviados ao cérebro para serem interpretados.

O líquido é agitado pelos movimentos da janela oval e, dentro da cóclea, o órgão de Corti é formado por milhares de células ciliadas que são colocadas em movimento toda vez que o líquido é movimentado.

A estimulação destas células, por sua vez, causa impulsos elétricos que são enviados para o cérebro. Os impulsos elétricos representam a quarta mudança na mensagem sonora de uma energia para a outra: da energia acústica das ondas sonoras entrando na orelha, para a energia elétrica dos impulsos que viajam para o cérebro.

Outra parte do ouvido médio é a tuba auditiva que conecta a cavidade da orelha média com a nasofaringe. A extremidade superior é normalmente aberta, pois é rodeada de ossos, enquanto que a inferior é normalmente fechada, pois é cercada por um tecido fino. A tuba auditiva ajuda a manter o equilíbrio da pressão do ar entre os dois lados da membrana timpânica.

A tuba abre e fecha a medida em que engolimos ou bocejamos, permitindo uma equalização entre a pressão do ouvido externo e do ouvido médio. Uma sensação de pressão pode ser causada na orelha por este processo de equalização em um avião ou em situações de mudanças de altitude.

O ouvido interno também contém um órgão muito importante que está na verdade conectado com a cóclea, mas que não contribui para o nosso sentido da audição, o sistema vestibular, formado por três pequenos canais semicirculares, que nos ajudam a manter o equilíbrio e auxiliar na visão já que as rotações da mesma precisam ser compensadas para que possamos ter uma visão clara sem ser borrada. É através dele que se pode saber por exemplo quando se esta com o corpo inclinado mesmo estando de olhos vendados.

Problemas com os canais semicirculares podem resultar em sintomas como a vertigem. A audição é um factor chave na manutenção de trocas intelectuais, mas possivelmente ainda mais importante, a audição supre o pano de fundo auditivo que dá o sentimento de participação e segurança.

Órgãos auditivos de espécies não mamíferas

As aranhas possuem pelos nas patas que são responsáveis pela detecção do som. Os ouvidos dos répteis apresentam apenas um osso a columela que é considerado homologo ao estribo dos mamíferos.

Fonte: pt.wikipedia.org

ANATOMIA DA ORELHA

ORELHA E OUVIDO

Conforme se encontra em várias fontes, ambos os termos provêm do latim; orelha, de auris, que designa o órgão da audição, e ouvido, de auditus, particípio perfeito do verbo audio, audire, ouvir, escutar.

Por via do latim vulgar, o diminutivo de auris, auricula, evoluiu para oricla, de que resultou orelha, em português; oreja, em espanhol; oricchia, em italiano, e oreille, em francês.

A forma verbal auditus, ouvido, foi substantivada para indicar a faculdade de perceber os sons, ou seja, o sentido da audição. O substantivo evoluiu para ouvido em português; oído, em espanhol; udito, em italiano, e ouie, em francês.

Os compostos relacionados com o órgão da audição na terminologia médica, no entanto, não procedem do latim auris e sim do radical grego equivalente ous, otós, como em otite, otalgia, otoesclerose, otorréia etc.

O uso de orelha para designar o aparelho auditivo é bem antigo na língua portuguesa. Já em Camões, no canto 9, estância 9, de OsLusíadas, encontramos:

"Esta fama, as orelhas penetrando
Do sábio capitão com brevidade..."

Na literatura clássica dos séculos seguintes há muitos exemplos semelhantes.

Também na linguagem médica, orelha tanto designa o pavilhão auricular como o aparelho auditivo em sua integralidade.

Na Nomina Anatomica aprovada no Congresso de Anatomia realizado em 1935, em Jena, na Alemanha, e conhecida pela sigla JNA, o aparelho auditivo foi dividido em duas partes: auris interna e auris externa. [4]Posteriormente, a auris interna foi desdobrada em auris media, que corresponde à caixa do tímpano, e auris interna, que corresponde ao labirinto.

Na tradução para a língua portuguesa da Nomina Anatomica aprovada no Congresso Internacional de Anatomia realizado em Paris, em 1955, e conhecida pela sigla PNA, o órgão da audição já aparece com a nova denominação de Órgão vestíbulo-coclear e dividido em três partes: orelha interna, orelha média e orelha externa. Os ossículos situados na orelha média (estribo, bigorna e martelo), no entanto, são denominados ossículos do ouvido. Na orelha externa inclui-se o pavilhão auricular com a designação de orelha seguida da palavra pavilhão entre parênteses. Esta tradução foi realizada por uma Comissão composta dos eminentes professores Paulo Mangabeira Albernaz, Álvaro Fróes da Fonseca e Renato Locchi.

Na tradução publicada em 1978, sob a coordenação do Prof. Idel Becker e baseada na PNA com as modificações introduzidas até 1975, optou-se pela denominação de ouvido em lugar de orelha para indicar o órgão da audição como um todo: ouvido interno, ouvido médio e ouvido externo. Fazendo parte do ouvido externo figura a orelha, com uma nota explicativa ao pé da página, de que "alguns dizem ‘pavilhão da orelha’ ou, tão só, pavilhão."

Na tradução da 5a. edição da Nomina Anatomica, aprovada no 11º Congresso Internacional de Anatomistas, realizado em 1980 na cidade do México, voltou-se a empregar orelha interna, orelha média e orelha externa, esta última subdividida em meato acústico externo e orelha (pavilhão). Os ossículos da orelha média passaram a ser designados por ossículos da audição (auditivos).


Finalmente, na última edição da Nomina Anatomica, que mudou de nome, passando a chamar-se Terminologia Anatomica, inverteu-se a seqüência das partes, colocando-se em primeiro lugar a orelha externa, seguida da orelha média e da orelha interna. Na sua tradução para a língua portuguesa, publicada pela Sociedade Brasileira de Anatomia em 2001, usa-se orelha para designar tanto o órgão da audição em sua totalidade, como a parte visível e externa que corresponde ao pavilhão auricular.

Em Portugal, ao contrário da nomenclatura adotada pela Sociedade Brasileira de Anatomia, mantém-se a denominação de ouvido em lugar orelha para o órgão da audição. É de se lamentar que não haja uniformidade na terminologia médica dos dois países. Entre os eruditos, tanto nas hostes literárias como científicas, o tema tem motivado disputas acirradas, como a que ocorreu por volta de 1920 na Faculdade de Medicina da Bahia, narrada por Mangabeira-Albernaz

Durante o concurso do eminente anatomista, Prof. Fróes da Fonseca, este foi muito criticado por um dos examinadores, Prof. Adeodato de Souza, por empregar orelha em lugar de ouvido ao referir-se ao órgão da audição. O termo orelha foi acoimado de galicismo pelo examinador, ao que o examinando retrucou e argumentou que orelha é tão bom português como ouvido.

Após o concurso, a polêmica se estendeu a outros professores e letrados, com partidários de um e de outro dos contendores. A disputa motivou um estudo filológico, extenso e erudito de autoria de Ernesto Carneiro Ribeiro Filho, no qual o autor procurou demonstrar a origem comum de ambos os termos e a impossibilidade de atribuir-lhe significados diferentes

Os dicionários gerais mais recentes não são concordantes na conceituação de orelha e ouvido.
Silveira Bueno define orelha como a "parte externa do ouvido" e ouvido como "órgão auditivo".

No dicionário de Aulete-Garcia encontramos a explicação de que a orelha é "órgão do ouvido, aparelho situado de cada lado da cabeça e que no homem consta de três partes que são o ouvido externo ou pavilhão; o ouvido médio ou tímpano, e o ouvido interno ou labirinto", enquanto ouvido é "um dos cinco sentidos pelo qual se percebem os sons e cujo órgão exterior é a orelha".

No Aurélio século XXI há duas acepções para orelha e duas para ouvido.
Orelha: "Cada uma das duas conchas auditivas situadas nas partes laterais da cabeça e pertencentes ao ouvido. 2. Órgão da audição; ouvido."
Ouvido: 1. "Faculdade de ouvir, de perceber os sons. 2.Cada um dos conjuntos de formações anatômicas responsáveis pelo sentido da audição e do equilíbrio".

No Michaelis há duas acepções para orelha: 1."Pavilhão do ouvido, expansão de pele sustentada por uma cartilagem que cerca a abertura externa do conduto auditivo. 2. O ouvido ou sentido próprio para percepção dos sons". Ouvido, por sua vez, é definido como "órgão e sentido da audição; orelha".

Francisco Borba, em seu Dicionário de usos do português do Brasil atribui um duplo significado, tanto para orelha como para ouvido. Orelha designa tanto o "órgão da audição" como o "pavilhão do ouvido". Ouvido, por sua vez, é igualmente "órgão da audição", sinônimo de orelha, bem como a "parte interior do aparelho auditivo."

No léxico de Houaiss-Villard há três acepções para orelha e duas para ouvido.
Orelha: 1. "Anat. Hum. órgão da audição que possui três partes (externa, média e interna) [Anteriormente denominada ouvidos]. 2. parte mais externa e cartilaginosa da orelha em forma de concha; pavilhão auricular. 3. sensibilidade para perceber os sons; ouvido." Ouvido: 1. "sentido pelo qual se percebem os sons. 2. Órgão da audição e de equilíbrio dos vertebrados", com a ressalva de que para a anatomia humana "o termo oficialmente adotado é orelha."

A Academia das Ciências de Lisboa considera orelha a "parte externa e visível do aparelho auditivo dos mamíferos, que se situa de cada lado da cabeça e que, no homem, apresenta forma de concha" e atribui a ouvido duas acepções: 1. "Um dos cinco sentidos, que permite perceber os sons. 2. Cada um dos dois conjuntos de formações anatômicas que constituem o aparelho auditivo".

Nos dicionários especializados em termos médicos, as interpretações também não são coincidentes.

Plácido Barbosa, em seu Dicionário de terminologia médica portuguesa escreve: "Orelha: aparelho anatômico dos animais que serve à percepção dos sons, órgão do sentido do ouvido. Chamar orelha somente ao pavilhão e dizer-se ouvido externo, ouvido interno, ouvido médio é incorreção de linguagem". "Ouvido é aquele dos cinco sentidos pelo qual percebem-se os sons e tem por órgão a orelha e é injustificável a sua sinonímia com orelha na linguagem técnica".

Pedro Pinto estabelece dois significados para orelha: 1. "pavilhão do ouvido. 2. aparelho anatômico para a percepção dos sons; ouvido". E conclui " Rigorosamente orelha não é sinônimo de ouvido, mas em bons escritores vê-se orelha como ouvido". Define ouvido como "órgão ou reunião de órgãos da audição".

Para Paciornik orelha é somente a "parte exterior do ouvido", enquanto ouvido tem um duplo significado: o "sentido pelo qual se percebem os sons" e o "órgão ou aparelho da audição".

No mais atualizado dos dicionários de termos médicos, que é o de Luis Rey, orelha e ouvido são considerados sinônimos.

No sentido de averiguar como estariam sendo usados os dois termos na atualidade na linguagem médica, procedemos a uma consulta aos arquivos da BIREME e encontramos o registro de 639 ocorrências para orelha e 642 para ouvido. Restringindo o levantamento somente aos títulos dos artigos indexados, a proporção foi de 41 para orelha e 40 para ouvido, o que corresponde a 50% para cada um dos termos.

Em espanhol, entretanto, o resultado foi muito diverso, indicando um predomínio de oído sobre oreja na proporção de 18:1 nos textos e 10:1 nos títulos dos artigos indexados, o que demonstra a preferência dos autores de língua espanhola por oído em relação a oreja.

Vemos que a dubiedade entre os dois termos vem desde o latim, o que levou vários autores a considerá-los sinônimos .
É sabido que não há sinônimos perfeitos e que palavras com a mesma denotação semântica podem ter conotações diferentes. Embora na linguagem médica orelha e ouvido possam ser intercambiáveis, na linguagem comum a percepção instintiva do povo sabe quando empregar uma e outra, usando orelha de preferência quando se refere à parte externa do órgão auditivo e ouvido quando se trata da parte interna ou do sentido da audição.

Nos brocardos populares é nítida esta distinção, como se observa nos seguintes ditados e expressões: "puxar a orelha", "com as orelhas ardendo", "de orelha em pé", "com a pulga atrás da orelha", "espírito santo de orelha", "entra por um ouvido e sai por outro", "as paredes têm ouvido", "ouvido de tuberculoso", "dar ouvidos", "ter bom ouvido", "dor de ouvido" e outras similares.

Em que pese à decisão da Sociedade Brasileira de Anatomia de adotar a denominação de orelha, tanto para o pavilhão auricular, como para o órgão auditivo como um todo, parece-me mais racional a nomenclatura usada em Portugal, na qual se utiliza orelha somente para a parte externa e visível, e ouvido para a parte interna e o sentido da audição.

Fonte: usuarios.cultura.com.br

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