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Afeganistão

 

 

Os primeiros registros históricos sobre o Afeganistão datam do século VI a.C, quando foi incorporado ao império persa. Juntamente com os persas, a região foi subjugada, depois, por Alexandre, o Grande (século IV a.C).

Após sua morte, a região caiu sob o domínio de um general de Alexandre, Seleucus I, mais tarde do rei indiano, Chadragupta e, mais uma vez, de uma dinastia grega que se estabeleceu em Bactria, ao norte do Afeganistão, e que fundou um estado que durou até 130 a.C.

Este estado greco-bactriano se rendeu aos nômades iranianos, chamados de Sakas e adotaram o budismo como religião. Nos séculos III e IV d.C, os persas sassânidas invadiram o país e lá permaneceram até a chegada dos árabes, em meados do século VII d.C.

Séculos se passaram antes que o Islam se transformasse na religião dominante. O controle político árabe, enquanto isso, foi substituído por governos turcos e iranianos. A total ascendência turca sobre a região foi estabelecida mais tarde, no final do século X e início do século XI pelo sultão muçulmano Mahmud de Ghazna (971-1030).

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O Império de Mahmud Ghazni em 1027 d.C.

A cultura islâmica depois alcançou o seu auge sob a dinastia dos ghuridas. Aos poucos, eles ampliaram seu governo até o norte da Ìndia, mas foram esmagados pelas invasões mongóis, lideradas por Gêngis Khan, que chegou do norte, em torno de 1220.

A maior parte do país permaneceu sob domínio mongol até perto do século XIV, quando Tamerlão, um conquistador turcomano ocupou o norte do Afeganistão.

Entre os mais notáveis sucessores de Tamerlão, estava Babur, fundador da dinastia mogol na Índia, que conquistou Cabul em 1504.

Mais tarde, no século XVI, os safávidas do Irã e os uzbeques do norte fizeram incursões na região.

Os sucessores mogóis e iranianos de Babur enfrentaram contínuas revoltas afegãs.

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Mesquita de Mazar-i-Shariff

Durante o século XVI, os afegãos começaram a ganhar poder.

A tribo ghilzai conquistou Isfahan, a capital iraniana, em 1722.

Em sequida, uma vigorosa contraofensiva iraniana foi iniciada pelo governante turcomano, Nadir Shah, que em 1738, restabeleceu a autoridade iraniana sobre todo o Afeganistão.

Nadir foi assassinado em 1747, e foi substituído por Ahmad Shah, um general da tribo abdali, que fundou uma dinastia que permaneceu no poder até 1818.

Ahmad Shah ficou conhecido como Durri-i-Dauran e os abdalis como os duranis. Ahmad Shah aumentou seus domínios, conquistando o leste do Irã, o Beluquistão, a Caxemira e parte do Punjab. Em 1826, Dost Mohammad Khan, um membro de uma proeminente família afegã, assumiu o controle do leste do Afeganistão e tomou o título de emir.

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O império afegão em 1762

No século XIX, o Afeganistão tornou-se palco de uma acirrada disputa entre os impérios russo e britânico.

Em 1839, tropas inglesas invadiram o país, sendo repelidas ao final de quatro anos de combates. Mais tarde, uma nova guerra (1878 - 1880), colocou a monarquia afegã sob a tutela britânica até 1919, quando o país conquistou a sua independência. Abd-ar-Rahman Khan, neto de Dost Mohammad Khan assumiu o trono.

Em 1907, durante o reinado de Habibullah Khan, o filho e sucessor de Abd-ar-Rahman-Khan, os governos inglês e russo concluíram o acordo de respeito mútuo, que garantia a integridade territorial do Afeganistão. Habibullah foi assassinado em 1919 e seu irmão, Nasrullah Khan, que assumiu assumiu o trono por apenas 6 dias, foi deposto pela nobreza afegã, em favor de Amanullah Khan, filho de Habibullah. Determinado a retirar seu país completamente da esfera inglesa de influência, ele declarou guerra à Inglaterra.

Os ingleses, que ao mesmo tempo enfrentaram o crescente movimento de libertação indiano, negociaram um tratado de paz com o Afeganistão, pelo qual reconheciam a soberania do país e a independência da nação.

A popularidade e o prestígio que Amanullah tinha conquistado logo se dissiparam. Profundamente impressionado com os programas modernizantes do Irã e da Turquia, ele instituiu uma série de reformas políticas, sociais e religiosa.

O governo constitucional foi inaugurado em 1923, os títulos de nobreza foram abolidos, a educação foi estabelecida para as mulheres e outras medidas mais amplas que modernizavam as instituições tradicionais foram reforçadas. A hostilidade provocada pelo programa de reformas do rei levaram à revolta de 1929 e Amanullah abdicou e se exilou. Depois de alguns distúrbios, o governo foi passado para Nadir Shah.

O novo governo, aos poucos, restabeleceu a ordem no reino. Em 1932, Nadir iniciou um programa de reformas econômicas mas foi assassinado no ano seguinte.

Seu filho e sucessor, Zahir Shah, que tinha apenas 19 anos quando assumiu, foi dominado por 30 anos por seus tios e primos, principalmente seu primo e, mais tarde cunhado, Príncipe Mohammad Daud Khan. O governo intensificou o programa de modernização iniciado por Nadir Shah e estabeleceu relações comerciais com a Alemanha, Itália e Japão. Zahir Shah declarou a neutralidade do Afeganistão quando eclodiu a II Guerra Mundial. No entanto, em 1941, a pedido da Inglaterra e da ex-União Soviética, mais de duzentos agentes alemães e italianos foram expulsos do país. Os Estados Unidos estabeleceram relações diplomáticas com o país em 1942. Em novembro de 1946, o Afeganistão tornou-se membro das Nações Unidas.

No ano de 1953, o primeiro-ministro Daud Khan lançou um programa de modernização da economia, com a ajuda financeira da ex-União Soviética. Renunciou ao cargo em 1963, mas voltou ao governo em 1973, à frente de um golpe militar que depôs o rei Zahir e proclamou a República. Daud tornou-se presidente e durante seu governo contribuiu para o reforço da influência soviética sobre o país.

Em 1974, grupos islâmicos rebelaram-se contra o novo regime mas foram derrotados. Em abril de 1978, Daud foi deposto e morto pelos militares que o haviam conduzido ao poder. Mohamed Taraki, seu sucessor, implantou o regime de partido único, de inspiração comunista. Grupos islâmicos apoiados pelo Paquistão iniciaram as guerrilhas.

Acirrou-se a luta de facções no partido do governo, o Partido Democrático do Povo Afegão, de linha comunista. Incapazes de conter a rebelião, Taraki e Amin pediram ajuda à Rússia. Apesar do apoio militar, a resistência ao governo continuou em 1979. Em dezembro, Amin foi destronado e morto e o Afeganistão foi ocupado por tropas soviéticas. A ex- União Soviética colocou no lugar Babrak Karmal, o antigo vice-presidente. Embora ele tentasse aplacar os rebeldes, a insurreição persistiu e mais de 3 milhões de afegãos fugiram para o vizinho Paquistão. Durante os anos 80, forças do governo e cerca de 118.000 soldados soviéticos ocuparam as estradas e cidades principais, mas não conseguiram desalojar os rebeledes, que tiveram a ajuda da CIA americana. Em maio de 1986, Karmal renunciou, alegando motivos de saúde e foi substituído por Mohammad Najibullah, ex-chefe da polícia secreta.

Em 1989, a ex-União Soviética completou sua retirada do país, iniciada no ano anterior, em cumprimento a um acordo de paz assinado em Genebra. Continuou, no entanto,. a sustentar o regime afegão, a essa altura liderado por Mohammad Najibullah, ex-chefe da polícia secreta que havia derrubado Karmal em 1986. Os conflitos prosseguiram. Uma ofensiva da guerrilha, em abril de 1992, provocou a renúncia de Najibullah, diante das pressões de membros do governo, que negociaram a entrega do poder.

A perspectiva da vitória próxima agravou e trouxe à tona as divergências entre grupos rebeldes rivais. Uma ala, com quartel-general no Paquistão, defendia a instalação de um governo islâmico moderado, aberto a influências do Ocidente. Outros grupos, ligados ao Irã, queriam um estado teocrático, com a aplicação rigorosa da shari'ah.

Em abril de 1992, grupos guerrilheiros rivais ocuparam Cabul, a capital do país e começaram a lutar entre si.

O Conselho Islâmico assumiu o poder e escolheu Sibhatullah Mohaddedei para a presidência. Entretanto, o líder da facção guerrilheira mais radical, Gulbuddin Hekmatyar, não aceitou o novo governo e comandou um bombardeio aos bairros da capital, controlados por seus adversários. O Conselho Islâmico escolheu, então,um novo presidente, Burhanuddin Rabbani.

Em 1993, os combates se haviam espalhado por todo o país, dividindo-o em zonas autônomas, sob o controle de grupos locais. Diante desse quadro, foi assinado um acordo de paz, segundo o qual Rabbani continuava na presidência e Hekmatyar se tornaria o primeiro-ministro. Mas o acordo não foi cumprido e os combates se agravaram. Prosseguiu, assim o êxodo de refugiados para o Paquistão e para o Irã. A essa altura, os 15 anos de guerra no Afeganistão já haviam deixado um saldo de 2 milhõe de mortos e 6 milhões de refugiados.

A partir de 1994, enquanto facções simpáticas a Rabbani ocupavam Cabul, um grupo de sunitas fundamentalistas, conhecido como Taleban, conquistava o controle da maior parte do país. O Taleban era um grupo formado por estudantes fundamentalistas muçulmanos, que defendiam práticas extremistas, como a exclusão social das mulheres. Liderado por Mohammed Umar, e com provável apoio do vizinho Paquistão, o Taleban ganhou popularidade e passou a controlar um terço do Afeganistão. Ameaçou invadir Cabul e exigiu a saída de Rabbani e a criação de um estado islâmico "puro". Em março, as forças de Rabbani revidaram com um ataque o Taleban e expulsaram a milícia da área de Cabul. Em setembro, a milícia tomou a cidadde de Herat, no extremo oeste do país.

Em setembro de 1996, os talebans entraram na capital e Rabbani e seus partidários fugiram para o norte. Najibullah foi executado junto com muitos de seu grupo e os taleban estabeleceram um conselho de governo composto de seis integrantes. O conselho, imediatamente começou a impor a sua marca de governo rigorosamente islâmico. Durante o ano de 1997, o Taleban buscou estender seu controle ao resto do país, mas encontrou uma resistência por parte de Rabbani e de seus aliados, que estabeleceram uma fortaleza no norte do país, perto de Mazar-e-Sharif.

Em julho de 1998, os Taleban iniciaram uma nova ofensiva e em agosto Mazar-e-Sharif foi ocupada, com a morte de muitos civis, inclusive um grupo de diplomatas iranianos, o que aumentou as tensões com o Irã. Mais tarde, após o ataque às embaixadas americanas no Quênia e Tanzânia, os Estados Unidos atacaram com mísseis o que eles achavam ser um complexo de treinamento para terroristas internacionais do Afeganistão. Provou-se que o prédio era uma fábrica de produtos químicos para a fabricação de remédios. Nesta mesma ocasião, os Estados Unidos acusaram o rico empresário saudita Osama bin Laden de estar envolvido em outros atos de terrorismo. Quando o regime do Taleban se recusou a entregar bin Laden aos Estados Unidos para julgamento, a ONU impôs pesadas sanções ao Afeganistão, que como sempre, afetam a população deste país, já empobrecido em decorência das constantes guerras por que passou.

Em função dos conflitos armados que ainda se sucedem no Afeganistão, a expectativa de vida no país é a mais baixa do planeta. Além disso, o Afeganistão possui um dos mais altos índices de analfabetismo da Ásia.

Fonte: www.geocities.com

Afeganistão

A história do Afeganistão estende-se por milénios. O que se segue refere-se apenas a partes da história moderna, nomeadamente o período colonial e os últimos 30 anos.

História

Dario I e Alexandre, o Grande foram os primeiros a usar o Afeganistão como a porta de entrada para a Índia. Conquistadores islâmicos chegaram no século 7, e Genghis Khan e Tamerlão seguido nos séculos 13 e 14.

No século 19, o Afeganistão tornou-se um campo de batalha na rivalidade entre a Grã-Bretanha imperial ea Rússia czarista pelo controle da Ásia Central. Três guerras anglo-afegã (1839-1842, 1878-1880 e 1919) foram inconclusivas. Em 1893 a Grã-Bretanha estabeleceu uma fronteira não oficial, a Linha Durand, que separa o Afeganistão do britânico na Índia, e Londres concedendo independência total em 1919. Emir Amanullah fundou uma monarquia do Afeganistão em 1926.

Os Ingleses no Afeganistão (c. 1830-1919)

Os Ingleses transformaram-se na potência principal no sub-continente indiano depois do tratado de Paris de 1763, mas a coleção de pequenos príncipes e de tribos guerreiras que compunham o Afeganistão não lhes interessou até ao século XIX. Foi então que o Império Russo começou a ganhar vantagem na região afegã para pressionar a Índia britânica.

A potência principal no Afeganistão era Dost Mohammed Khan. Entre 1818 e 1835 tinha unido a maioria dos povos afegãos sob o seu domínio.

Em 1837, os Ingleses tinham-lhe proposto uma aliança por temerem uma invasão Russo-Persa do Afeganistão. Entretanto os Ingleses e Dost Mohammed desentenderam-se e os Ingleses decidiram invadir o país.

Em 1839, entre abril e agosto, os Ingleses conquistaram as planícies e as cidades de Kandahar no sul, Ghazni e Kabul, a capital. Dost Mohammed rendeu-se e foi exilado na Índia, e os britânicos colocaram Shah Shuja no poder. Mas grande parte do país continuava a opor-se ativamente aos Ingleses, sendo o filho de Dost Mohammed, Akbar Khan, o mais ativo.

Em novembro de 1841, um antigo oficial britânico, Sir Alexander 'Sekundar' Burnes, e os seus ajudantes foram mortos por uma multidão em Kabul. As forças britânicas acantonadas no exterior de Kabul não agiram de imediato. Nas semanas seguintes os generais britânicos Elphinstone e McNaghten tentaram negociar com o Akbar Khan, mas McNaghten foi morto numa das reuniões. Em janeiro de 1842, Elphinstone seguiu uma estratégia incomum: os Ingleses e os seus seguidores saíram de Kabul e tentaram voltar a Peshwar. A caravana era composta por 15 a 30.000 pessoas. Apesar de Akbar Khan ter dado garantias de segurança, os ingleses foram atacados durante toda a viagem. Oito dias após ter deixado Kabul um sobrevivente conseguiu chegar a Jalalabad. Shah Sujah foi assassinado e Dost Mohammed reconquistou o trono, governando até 1863.

Dost Mohammed foi sucedido pelo filho Sher Ali (Akbar Khan morreu em 1845). Depois de uma algumas lutas internas em 1860, Sher Ali aproximou-se dos russos, que tinham estendido sua influência ao Turquemenistão. Assim em novembro de 1878 os Ingleses invadiram outra vez o Afeganistão e voltaram a tomar Kabul. Sher Ali fugiu para o norte do Afeganistão mas morreu em Mazar-i-Shariff antes que pudesse organizar todas as forças. Os Ingleses apoiaram o filho de Shir Ali, Yaqub Khan, como o sucessor e o forçaram a assinar o Tratado de Gandumak. Era um tratado extremamente desfavorável e colocou os povos afegãos contra aos ingleses. Em uma repetição de 1841, os ingleses controlaram Kabul tomando-a novamente.

Por volta de 1881 os ingleses tinham bastado a sí mesmos e a despeito da vitoriosa carnificina na batalha de Maiwand, em julho de 1880, sairam. Os Ingleses dominaram algum território e mantiveram sua influência, mas em um golpe inteligente colocaram Abdur Rahman no trono. Um homem leal aceitável pelos Ingleses, os russos e o povo afegão. Governou até 1901 e foi sucedido por seu filho Habibullah.

Na convenção de São Petersburgo em 1907 a Rússia concordou que o Afeganistão ficasse fora de sua esfera de influência. Habibullah foi assassinado por nacionalistas em 1919 e substituído por seu filho Amanullah Khan. Amanullah declarou a independência total e provocou a terceira guerra Anglo-Afegã. Após muita discordância, os ingleses concordaram com autonomia plena. Em agosto de 1919, o tratado foi assinado.

Afeganistão moderno (1979 a 2000)

O Afeganistão foi invadido e ocupado pela União Soviética em 1979 . Mas apesar da destruição maciça provocada na região os sovietes foram forçados a se retirar dez anos mais tarde devido a um exército desmoralizado e a falta de sustentação logística. As forças anti-comunitas do mujahadim foram supridas e treinadas pelos Estados Uindos, Arabia Saudita, Paquistão e outro. Lutas subseqüentes entre as várias facções do mujahadin, permitiram que os fundamentalistas do Talibã pudessem se apropriar da maioria do país. Além da rivalidade civil continuada, o país sofre de enorme pobreza, de uma infraestrutura devastada, e da exaustão de recursos naturais.

Nos últimos dois anos o país sofre com a seca. Estas circunstâncias conduziram três a quatro milhões de afegãos a sofrerem de inanição.

Em resposta ao ataque terrorista de 11 setembro de 2001 nas Torres Gêmeas ( World Trade Center} em N. Iorque, primariamente por causa de Osama bin Laden, líder da Al Qaeda, protegido pelo Taliban, em 7 de outubro de 2001 os Estados Unidos e forças aliadas lançaram uma campanha militar caçando e sequestrando terroristas no Afeganistão e prendendo-os na base de Guantánamo em Cuba .

Fonte: www.conhecimentosgerais.com.br

Afeganistão

Vizinhos do Afeganistão

Afeganistão

Os seis países que fazem fronteira com o Afeganistão têm motivos para se preocupar com a crise. No mínimo, poderão sofrer com uma onda de refugiados. Na pior das hipóteses, poder enfrentar instabilidade ou guerras em seus próprios territórios.

Irã

Se opõem ao Talebã e já conta com cerca de 1,5 milhão de refugiados afegãos.

Terra da Revolução Islâmica, Teerã é questionada ideologicamente pelo regime fundamentalista do Talebã.

O presidente Mohammad Khatami acusou o Talebã de prejudicar a imagem do Islamismo, enquanto os conservadores que se opõem ao presidente elogiam o grupo afegão por sua visão estrita da religião.

O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, disse que seu país vai condenar qualque ação que provoque uma "nova catástrofe humana" no Afeganistão.

Mas o presidente Khatami teria dado indicações de que não vai se opor a ações militares com alvos específicos.

Irã e Afeganistão quase entraram em guerra no final da década de 90 devido ao tratamento que o Talebã - muçulmanos sunitas - estavam dando à minoria xiita no país. A tensão aumentou com a morte de diplomatas iranianos na guerra civil no Afeganistão.

O Irã fechou a fronteira com o Afeganistão com o objetivo de evitar uma nova onda de refugiados.

Paquistão

O país já conta com dois milhões de refugiados afegãos e deverá ser o foco de uma nova onda de refugiados, caso os EUA ataquem.

O Paquistão também é a principal rota de suprimentos para o Afeganistão - e um dos poucos países que reconhece a legitimidade do governo do Talebã.

O Talebã já ameaçou qualquer país que venha a dar apoio aos EUA , no caso de guerra, e o Paquistão parece ser a base mais óbvia para uma taque militar americano.

O governo do Paquistão já declarou seu apoio aos EUA, mas sua atuação deverá ser limitada pelo grau de apoio com que o Talebã conta entre os paquistaneses.

No pior cenário, o general Pervez Musharraf, que chegou ao poder através de um golpe de Estado, pode arriscar a estabilidade de seu governo ao ser atacado por grupos pró-Talebã e anti-EUA.

China

Há informações de que Pequim ordenou fechamento tanto da pequena fronteira com o Afeganistão como das fronteiras com o Paquistão, Tadjiquistão e Quirguistão.

O governo chinês está preocupado com os elos de ligação entre os separatistas muçulmanos da região de Xinjiang, no noroeste do país, e os militantes do Afeganistão.

Alguns dos guerrilheiros chineses teriam sido treinados em campos militares no Afeganistão.

A posição oficial da China em relação a uma retaliação militar americana é de que qualquer ato deve ser autorizado pelo Conselho de Segurança da ONU.

Pequim também já deixou claro que espera receber apoio de Washington em relação à política que adota contra os separatistas em Xinjiang.

Até agora, os EUA vinham criticando a China por desrespeitar os direitos humanos na região.

Tadjiquistão

O país já esteve sob pressão para receber refugiados afegãos por ter conexões com a aliança que se opõem ao Talebã, que inclui grupos de etnia Tadjique.

Dushambe é uma importante base diplomática para os grupos de oposição do Afeganistão - a aliança poderá ser um fonte vital de apoio para qualquer força americana que venha a se infiltrar no Afeganistão.

O Tadjiquistão seria a base ideal para as forças especiais infiltrarem o Afeganistão, mas o governo já avisou que só aprova o uso de seu território se Moscou concordar.

Se o recente assassinato do líder do grupo de oposição ao Talebã, Ahmed Shah Masood, levar a milícia afegã a uma nova ofensiva no norte do Afeganistão, o movimento de refugiados poderá atingir duramente o Tadjiquistão.

O país já está enfrentando uma falta de alimentos que pode facilmente desestabilizar o frágil governo de coalizão.

Durante a violente guerra civil no Tadjiquistão na década de 90, as forças muçulmanas contrárias ao governo apoiado por Moscou receberam suprimentos através do Afeganistão.

A Rússia ainda mantém grandes bases militares na antiga república soviética, especialmente para vigiar a fronteira com o Afeganistão.

Como em toda a fronteira com o Afeganistão, um dos maiores problemas enfrentados é o tráfico de drogas.

Uzbequistão

O país também tem elos étnicos com o norte do Afeganistão mas, até recentemente, vinha evitando os problemas enfrentados pelo Tadjiquistão.

Nos últimos dois anos, a linha dura adota pelo governo secular do presidente Islam Karimov vem sendo desafiada por militantes muçulmanos.

O governo acusa os muçulmanos de usarem o Tadjiquistão e o Afeganistão como bases para suas atividades.

O Uzbequistão é considerado a super-potência regional entre as ex-repúblicas soviéticas da Ásia central.

Por isso, ele poderá ter um papel importante em qualquer ação contra o Talebã.

Em resposta ao apelo por apoio feito pelos EUA, o governo do Uzbequistão respondeu que está preparado para discutir "qualquer questão que possa levar à eliminação do terrorismo e que possa reforçar a estabilidade".

Turcomenistão

O Turcomenistão - mais uma ex-república soviética que faz fronteira com o Afeganistão - se isolou da política regional sob o regime stalinista do presidente Saparmyrat Niyazov.

Uma fonte no Ministério do Exterior descartou qualquer possibilidade de envolvimento militar no Afeganistão porque o país quer se manter neutro.

O governo mantém contatos constantes com o Talebã por ver o Afeganistão como uma rota para a exportação, no futuro, das imensas reservas energéticas do país.

Fonte: www.bbc.co.uk

Afeganistão

Mulheres no Afeganistão

Em 27 de setembro de 1996, o Taliban, uma milícia fundamentalista islâmica tomou o poder no Afeganistão, e mergulhou o país em estado brutal de "apartheid" de gênero, no qual as mulheres e as meninas foram destituídas de todos os seus direitos humanos básicos.

"Se isto estivesse acontecendo a qualquer outra classe de povos ao redor do mundo, haveria um clamor tremendo. Nós devemos reivindicar que estes mesmos padrões sejam aplicados quando são mulheres e meninas que estão tratadas brutalmente. " Eleanor Smeal

Ficamos chocadas ao ler as barbaridades a que estão submetidas essas mulheres! E decidimos fazer esse site para que as mulheres brasileiras tomem conhecimento do que se passa com as nossas irmãs do Afeganistão e busquem, se possível uma forma de contribuir com a sua causa. A tradução dos textos aqui presentes é a nossa contribuição.

A situação da mulher no Afeganistão

Afeganistão
Mulher no Afeganistão

Desde que tomou o Afeganistão, em 1997, o grupo islâmico Taliban tem imposto terríveis regras de restrição às mulheres - fechando escolas e hospitais , banindo as mulheres do mercado de trabalho e exigindo que se vistam com o "burqa", vestimenta que as cobre dos pés à cabeça, inclsuive o rosto. Chiqueba, uma mulher de 30 anos, que trabalhava em uma fábrica disse que logo que o Taliban assumiu o poder, foi espancada porquê não estava "adequadamente" vestida.

O fundamentalismo islâmico, em sua essência, olha para a mulher como um ser "sub-humano", feita apenas para os serviços escravos dentro de casa e a procriação. Esse ultrajante ponto de vista tornou-se, incrivelmente, uma politica oficial após a tomada do país pelo grupo ultra-fundamentalista Taliban.

Hoje, as mulheres são completamente privadas do direito à educação, ao trabalho, o direito de ir e vir, do direito à saúde, do direito ao recurso legal, do direito ao lazer, e do direito de ser humana.

As mulheres são vistas como despojos de guerra, seus corpos um outro campo de batalha. As atrocidades na Bosnia são pouco comparadas com as atrocidades no Afeganistão, mas, infelizmente, o mundo nem ouve nem se preocupa com o que está acontecendo nesse país.

O espancamento de mulheres por razões "disciplinares", pelo mínimo pretexto (por caçarem sapatos com cores vibrantes, por mostrarem calcanhares desnudos, por aumentarem as vozes ao falar, pelo seu riso alcançar os ouvidos de homens desconhecidos ou pelo ruído dos seus sapatos ao andar etc.) é uma rotina no Afeganistão do Taliban.

Através desses espancamentos públicos (os quais mais frequentemente que nunca resultam na morte ou incapacidade das vítimas) o Taliban tem coagido sua população civil impondo a submissão.

Algumas das muitas restrições impostas pelo Taliban às mulheres do Afeganistão

Essa lista vai mostrar uma pequena parte da terrível vida das mulheres e não será capaz de expor profundamente a humilhação, sofrimento e privações que sofrem. Taliban trata mulheres pior que animais. Eles declararam ilegal manter animais presos em gaiolas ou jaulas, enquanto mantém como prisioneiras nossas mulheres, entre as quatro paredes de suas casas. Exceto para produzir crianças, satisfazer as necessidades sexuais dos homens ou o fazer o trabalho enfadonho da casa, as mulheres não têm nenhuma importância aos seus olhos.

1. É absolutamente proibido às mulheres qualquer tipo de trabalho fora de casa, incluindo professoras, médicas, enfermeiras, engenheiras etc.
2. É proibido às mulheres andar nas ruas sem a companhia de um mahram (pai, irmão ou marido).
3. É proibido falar com vendedores homens.
4. É proibido ser tratada por mécicos homens.
5. É proibido o estudo em escolas, universidades ou qualquer outra instituição educacional.
6. É obrigado o uso do véu completo (Burqa) que cobre a mulher dos pés à cabeça.
7. É permitido chicotear, bater ou agredir verbalmente as mulheres que não estiverem usando as roupas adequadas (burqa) ou que estejam agindo em discordância com o que o Taliban quer, ou ainda que esteja sem seu "mahram".
8. É permitido chicotear mulheres em público se não estiverem com seus calcanhares cobertos.
9. É permitido jogar pedras públicamente em mulheres que tenham tido sexo fora do casamento (vários amantes foram apedrejados até a morte). 10. É proibido qualquer tipo de maquiagem ( muitas mulheres tiveram seus dedos cortados por pintar as unhas).
11. É proibido falar ou apertar as mãos de estranhos.
12. É proibido à mulher rir alto. (nenhum estranho pode sequer ouvir a voz da mulher)
13. É proibido usar saltos altos que possam produzir sons enquanto andam, já que é proibido a qualquer homem ouvir os passos de uma mulher. 14. A mulher não pode usar taxi sem a companhia de um "mahram".
15. É proibida a presença de mulheres em radios, televisão ou qualquer outro meio de comunicação.
16. É proibido às mulheres qualquer tipo de esporte ou mesmo entrar em clubes e locais esportivos.
17. É proibido às mulheres andar de bicileta ou motocicleta, mesmo com seus"mahrams".
18. é proibido o uso de roupas que sejam coloridas ou, em suas palavras "que tenham cores sexualmente atrativas")
19. É proibida a participação de mulheres em festividades.
20. As mulheres estão proibidas de lavar roupas nos rios ou locais públicos
21. Todos os lugares com a palavra "mulher" devem ser mudadas, por exemplo: "o jardim da mulher" deve passar a se chamar "jardim da primavera".
22. As mulheres são proibidas de papercer nas varandas de suas casas.
23. Todas as janelas devem ser pintadas de modo às mulheres não serem vistas dentro de casa por quem estiver fora.
24. Os alfaiates são proiidos de costurar roupas para mulheres
25. Mulheres são proibidas de usar os banheiros públicos (a maioria não tem banheiro em casa)
26. Ônibus públicos são divididos em dois tipos, para homens e mulheres. Os dois não podem viajar em um mesmo ônibus
27. É proibido o uso de calças compridas mesmo debaixo do véu.
28. Mulheres não podem se deixar fotografar ou filmar.
29. Fotos de mulheres não podem ser impressas em jornais, livros ou revistas ou penduradas em casas e lojas
30. O testemunho de uma mulher vale a metade que o testemunho masculino, a mulher não pode recorrer à corte diretamente - isso tem que ser feito por um membro masculino da sua família
31. É proibido às mulheres cantar.
30. É proibido a homens e mulheres ouvir música.
31. É completamente proibido assistir filmes, televisão, ou vídeo.

Um olhar dentro do meu mundo

Eles me fizeram prisioneira em grilhões e correntes
Você sabe qual é minha culpa? você sabe qual é o meu pecado?
Esses selvagens ignorantes, que não podem ver a luz
Continuam a me bater e oprimir, para mostrar que podem fazer isso

Eles me fazem invisível, em mortalhas e não existente
Uma sombra, uma não-existência, silenciada e não vista
Sem direito à liberdade. confinada na minha prisão
Diga-me, como suportar minha raiva e furor?

Eles destruíram meu país e o venderam ao invasor
Eles massacraram meu povo, minhas irmãs e minha mãe
Eles mataram todos meus irmãos, sem um pensamento

O reinado que eles impuseram, ordena o ódio e a fúria
Chacina crianças e idosos, sem julgamento, defesa ou juri
Bane a arte e os artistas, pune os poetas e escritores
Vende drogas e rumores, nutre lutadores terroristas

Na indigência e miséria eu sigo nessa vida
Eu continuo tentando conter o conflito
Voce poderia me dar uma resposta? Sabe qual é a minha escolha?
Serei eu uma fonte do demônio? Você pode ouvir minha voz?

Essa é minha religião? É esse o caminha da cultura?
Eu merereço esse destino de ser entregue aos abutres?
A dor é tão intensa, devo acabar com minha vida?
Tomando um copo de veneno?
Apunhalando meu coração com uma faca?

Minha terrível culpa é baseade no meu gênero
casamento forçado, prostituição. minha venda pelo delinquente
Buscando um caminho para compensação, encontrando injustiça cruel
Pega no círculo vicioso, ganha a paz? e ganha a justiça?

Presa na teia do horror. Desespero, medo, aspereza
Perdida no munto do terror, a morte está perto e a escuridão
O mundo é acossado com a surdez, silêncio, frieza e inércia
Ninguém ouve meus lamentos, ninguëm divide meu tormento

Ouça o tufão rugir, esse é o meu gemido
Olhe a chuva do furacão, minhas lágrimas sem grades
A raiva do vulcão propaga meus gritos
A cólera do tornado, a visão dos meus sonhos

Ouça me, sinta minha dor, você precisa compartilhar meu sofrimento
Poderia ser você nas correntes, se não hoje, amanhã
Junte-se a mim na resistência, sem parada ou pausa
Nós podemos derrotar esse demônio, ser vencedoras da minha causa

Essas regras não podem me deter, eu vou desafiar e lutar
Para alcançar a alvorada da liberdade, eu busco a luz da justiça
Eu vou esmagar esses dominadores, eu vou queimar essa jaula
Eu vou derrubar esses muros, nesse maldito inferno!

50 Aniversário das Declaração dos Direitos Humanos das Nações Unidas
Dedicado a todas as minhas irmãs afegãs e todas as mulheres que sofrem a mesma situação
10 de Dezembro de 1998 (Zieba Shorish-Shamley )

Fonte: www.mulher.org.br

Afeganistão

Geografia do País

Área: 652.225 km².

Seco e montanhoso, mas com vales férteis.

Esta terra estratégia tem sido disputada por impérios estrangeiros rivais por 3000 anos aproximadamente.

Capital: Kabul

Países vizinhos: Afeganistão faz fronteira com o Paquistão, Irã, Turcomenistão, Uzbequistão, Tadjiquistão e China.

O Afeganistão está localizado na Ásia Central, e é totalmente sem litoral.

Ponto mais alto do Afeganistão está em Noshaq, que fica 7.492 metros (24.580 pés) acima do nível do mar nas montanhas Hindu Kush próximos China.

O Afeganistão é um país com uma longa história e uma cultura vibrante, com influências persas, assim como influências de muitas outras culturas.

Geografia

Afeganistão, aproximadamente o tamanho de Texas, é limitado a norte pelo Turquemenistão, Uzbequistão e Tajiquistão, no extremo nordeste pela China, a leste e sul pelo Paquistão, e pelo Irã, a oeste. O país está dividido leste a oeste pela cordilheira Hindu Kush, nascendo no leste a alturas de 24.000 pés (7.315 m).

Com exceção do sudoeste, a maior parte do país é coberto por altas montanhas cobertas de neve e é atravessada por vales profundos.

Economia

Assolado por 22 anos de guerra. A região rural foi bombardeada e minada; metade das moradias, a maior parte do complexo sistema de irrigação e uma alta proporção do gado foram destruídos. O ópio é a principal e mais lucrativa colheita agrícola (o Afeganistão é o maior produtor do mundo), a qual tem sido paga com armas para as facções da guerra. A recuperação tem sido retardada pelo extremismo radical do governo Talibã, e pelos danos ambientais e estruturais infligidos nesta trágica terra.

Política

A monarquia foi destronada em 1973. O governo republicano terminou em golpe marxista em 1978. Depois foram invadidos pela União Soviética. Dez anos de guerra terminaram com a retirada humilhante das forças soviéticas em 1988-989. A guerra civil entre as facções étcnicas e religiosas continua causando danos enormes. O extremismo islâmico Talibã (principalmente Pashtun) assumiu o controle sobre 90% do país até 2001. Sanções da ONU em 2001 isolaram o país ainda mais.

Religião

O controle pelo Talibã no país tem imposto uma interpretação rígida do Islamismo no mundo de hoje. Os resultados têm sido devastadores para a economia e para as mulheres na sociedade. Todos os afegãos precisam cumprir os códigos restritos nas vestimentas, barba, educação e observação da lei "sharia". A pouca liberdade religiosa que existia foi abolida.

História

No século VI a.C., o país fez parte do Império Persa dos Aquemênidas, que foi dominado por volta de 330 a.C. por Alexandre III, o Grande. Nos séculos III e IV, os sassânidas persas invadiram o país. Os hunos brancos tinham o controle do Afeganistão quando os árabes conquistaram a região em meados do século VIII.

O islã tornou-se a religião principal e o controle político árabe foi substituído pelo domínio iraniano e turco no século X e no início do XI. Foram vencidos por Gengis Khan por volta de 1220 e o país ficou sob o domínio mongol até o século XIV, quando um outro invasor mongol, Tamerlão, apoderou-se do norte do Afeganistão. No século XVI, os safâvidas do Irã e os uzbeques do norte fizeram expedições pela região. Os iranianos e os mongóis sufocaram as contínuas rebeliões dos afegãos.

Durante todo o século XVIII e parte do XIX, os afegãos autóctones começaram a ampliar seu poder e chegaram a conquistar o leste do Irã, o Baluquistão, Kashmir e parte do Punjab. O emirado desintegrou-se em 1818. Houve depois um período de anarquia. Dost Muhammad, membro de uma notável família afegã, tomou o controle do leste do Afeganistão, recebendo, em 1835, o título de emir.

Em 1838, o exército anglo-indiano invadiu o Afeganistão, desencadeando a Primeira Guerra Afegã (1838-1842). Os invasores capturaram as principais cidades.

Em 1841, um filho de Dost Muhammad chefiou com êxito uma rebelião e, em dezembro de 1842, os britânicos abandonaram o país. Dost Muhammad recuperou o seu trono. A luta entre os filhos do emir provocou agitações no país durante mais de uma década. Em 1878, as forças anglo-indianas invadiram novamente o Afeganistão. Depois da Segunda Guerra Afegã (1878-1879), Abd-ar-Rahman, neto de Dost Muhammad, instalou-se no trono e confirmou a cessão aos britânicos do Passo de Khyber e de outros territórios afegãos. As controvérsias fronteiriças foram resolvidas com a Índia e a Rússia, criou-se um exército permanente e estabeleceram-se limites ao poder dos diferentes chefes tribais.

O emir foi assassinado e o seu sucessor, Amanullah Khan, declarou guerra à Grã-Bretanha em 1919. A Grã-Bretanha reconheceu o Afeganistão como Estado soberano e independente. Amanullah Khan mudou o seu título de emir para rei.

Em 1923, instaurou-se um regime constitucional. Os títulos de nobreza foram abolidos. Decretou-se a educação para as mulheres e foram aprovadas outras medidas de modernização. Essas reformas provocaram a rebelião de 1929, que forçou Amanullah a abdicar. O seu tio, Nadir Shah, apoiado por membros das tribos, derrotou os rebeldes e tomou o poder. O novo soberano restaurou a ordem no reino, mas foi assassinado em 1933. Durante o reinado de Zahir Shah, filho de Nadir, o programa de modernização foi intensificado. Em 1946, o Afeganistão passou a fazer parte da Organização das Nações Unidas (ONU).

Em 1965, o rei promulgou uma nova constituição com alguns princípios liberais. O Afeganistão passou por grandes dificuldades econômicas no final da década de 1960.

Em 1973, o rei Zahir Shah foi derrubado e proclamou-se a República do Afeganistão. Uma nova constituição foi aprovada no início de 1977. Em 1978, produziu-se um violento golpe de Estado e os novos governantes, organizados em um Conselho Revolucionário, suspenderam a constituição e iniciaram um programa de socialismo científico, provocando a resistência armada dos muçulmanos. Como a rebelião não pôde ser contida, os soviéticos ocuparam o Afeganistão em 1979. Mais de 3 milhões de pessoas refugiaram-se no vizinho Paquistão. Ao longo da década de 1980, as forças governamentais e os soldados soviéticos não conseguiram derrotar os rebeldes.

Entre 1988 e 1989, a URSS retirou todas as tropas, mas a guerra civil continuou. Em 1992, os rebeldes tomaram Kabul. As facções rivais concordaram em formar um conselho provisório para governar o Afeganistão. Em 1993, as lideranças das facções da guerrilha, de comum acordo, tentaram estabelecer uma constituição provisória, como prelúdio para as eleições de 1994. Porém, nesse mesmo ano, as lutas começaram em Kabul entre tropas leais ao presidente Rabbani e os simpatizantes do primeiro-ministro, líder da facção militar fundamentalista xiita. Em 1994, a luta se estendeu a outras partes do Afeganistão.

A divisão entre os rebeldes permitiu o crescimento dos talibans, um grupo fundamentalista pertencente ao ramo sunita do islamismo, que foi financiado pelo Paquistão. Em 1996, uma forte ofensiva das milícias talibans lhes permitiu conquistar Kabul e controlar quase 70% do território afegão. Essa nova realidade forçou a unificação dos grupos afegãos restantes, que inicialmente conseguiram algumas vitórias sobre o Taliban. No entanto, depois da conquista de Mazar-i-Sharif em 1998, o controle total do território por parte dos fundamentalistas parece muito próximo. Seu governo tem se caracterizado por uma aplicação rígida da lei islâmica, que inclui os açoites em praça pública para os que consumirem álcool, a amputação de membros para os culpados de roubo e uma rígida segregação das mulheres. Ao mesmo tempo, as relações dos talibans com o vizinho Irã se deterioraram devido à execução de sete cidadãos iranianos, durante a conquista de Mazar-i-Sharif, o que levou o governo dos aiatolás a concentrar cerca de 70 mil soldados sobre a fronteira afegã. Os problemas diplomáticos são agravados pela rivalidade religiosa, uma vez que os xiitas iranianos vêem com preocupação o avanço dos radicais sunitas talibans.

Fonte: www.geocities.com

Afeganistão

Aspectos Geográficos

Afeganistão significa "terra dos afegãos". É um país de 652.864 km² de área, seu nome oficial é República Islâmica do Afeganistão.

Situado no sudoeste da Ásia, sem saída para o mar.

Quase ¾ do território são ocupados por montanhas. O sul há uma planície desértica e, no norte, vales de origem fluvial. O Hindu Kush, com altitudes superiores a 7 mil metros, é o principal sistema montanhoso. Os rios mais importantes para o país são o Helmand, o mais extenso, o Hari, o Amudária e o Cabul, sendo este último afluente do rio Indo.

A vegetação é formada por pinheiros, carvalhos e Zimbros nas encostas e por vegetação xerófita nas estepes. Tem um clima – continental - muito rigoroso com variações térmicas bruscas em um mesmo dia. Chuvas escassas e, na região dos desertos, tempestades de areia são muito frequentes. Os verões são quentes e os invernos frios.

No país mora uma população de 32,4 milhões de habitantes, sendo muito heterogênia onde podemos citar:

Patanes (ou pashtuns): 38%;
Tadjiques: 25%;
Hazarás 19% e;
Uzbeques 6%.

O país é frequentemente abalado por sismos. Além da capital, Cabul, as maiores cidades do país são Herat, Jalalabad, Mazar-e Sharif e Kandahar.

A religião islâmica é praticada por 98% da população. Suas línguas oficiais são dari e pashtun.

Aspectos Econômicos

Devido aos diversos conflitos internos e invasões sofridas pelo país a economia ficou arrasada. A principal fonte de renda é a agropecuária. Na parte da agricultura podemos destacar o cultivo de hortaliças, cereais, tabaco, frutas e algodão. Na pecuária a criação de ovinos e caprinos, destaque para a produção do carneiro caracul, de onde se obtêm o astacã (grosso tecido de lã que imita pele de cordeiro). O produto mais importante da economia do país é a papoula - matéria- prima do ópio e da heroína – responsável por um terço do PIB, que no total é de US$ 11,8 bilhões.

Na verdade o Afeganistão é responsável por 90% da oferta mundial de ópio. Podemos citar em sua economia também reservas pouco exploradas de ouro, prata, cobre, lápis-lazúli, ferro, cromo, zinco e gás natural. Sua indústria no entanto é muito precária. Dois terços da população vivem com menos de dois dólares por dia. A taxa de mortalidade infantil é de 160.23 por 1000 nascimentos.

Aspectos Históricos

Desde a antiguidade, a guerra é uma constante na região onde hoje fica o Afeganistão, local já ocupado no século VI a.C pela civilização bactriana, formada por um povo que incorporava elementos das culturas hindu, grega e persa. Depois disso, o território foi atacado por sucessivos invasores.

O Afeganistão foi invadido e ocupado pela União Soviética em 1979. Mesmo que nos anos seguintes as forças governamentais e os 118.000 soldados soviéticos tomam o controle das principais cidades e vias de comunicação, as operações militares realizadas revelam-se insuficientes para derrotar os rebeldes mujahidin nas montanhas, permitindo que os fundamentalistas do Talibã se apropriassem da maior parte do país. Em 1997, as forças talibãs mudaram o nome do país de Estado Islâmico do Afeganistão para Emirado Islâmico do Afeganistão. Os sovieticos foram forçados a retirar-se dez anos mais tarde (a 15 de fevereiro de 1989) devido a um exército desmoralizado e falta de sustentação logística. As forças anti-comunistas dos mujahidin foram supridas e treinadas pelos Estados Unidos, Arábia Saudita, Paquistão e outros países da região. Lutas subsequentes entre as várias facções do mujahadin, permitiram que os fundamentalistas dos Taliban pudessem se apropriar da maioria do país. Além da rivalidade civil continuada, o país sofre de enorme pobreza, de uma infraestrutura devastada, e da exaustão de recursos naturais.

A fase mais recente da guerra civil afegane - que já dura duas décadas - tem início em 1992, quando uma aliança de movimentos guerrilheiros derruba o regime pró-comunista de Mohammad Najibullah. As negociações para a formação de um governo de coalizão degeneram em confrontos, e, em 1996, o Taliban (milícia sunita de etnia patane, a mais numerosa do país) assume o poder e implanta um regime fundamentalista islâmico. Cerca de 1 milhão de pessoas morrem na guerra.

Outros 2,5 milhões estão refugiados em países vizinhos.

Em meados de 1999, fracassam as negociações de paz - patrocinadas pela Arábia Saudita - entre o governo fundamentalista islâmico do Taliban e a Frente Islâmica Unida de Salvação do Afeganistão (Fiusa), agrupamento de facções étnicas e tribais de oposição sob a liderança do ex- ministro da Defesa Ahmed Shah Massud.

Atualidades

Em resposta aos ataques terroristas de 11 de Setembro de 2001 nas Torres Gêmeas (World Trade Center) em Nova York, e no Pentágono, cuja autoria foi reivindicada por Osama bin Laden, líder da Al Qaeda, reconhecido como herói pelos Talibãs. Os EUA exigem a entrega do saudita para não atacar o Afeganistão. O mulá Mohammed Omar, líder do Taliban e sogro de Bin Laden, não op expulsa. No dia 7 de Outubro de 2001, os Estados Unidos e forças aliadas lançaram uma campanha militar que levou à derrota dos Talibã e à formação da Autoridade Afegã Interina (AAI) resultante do acordo de Bona de Dezembro de 2001. No entanto os EUA não conseguiram capturar Osama Bin Laden.

Em 2003, intensificam-se os combates entre forças dos EUA e os rebeldes Taliban, que se reorganiza. No mesmo ano a OTAN assume o comando da Isaf. Em 2004 é aprovada a nova constituição, que subordina as leis às regras do islã, institui um regime presidencialista e estabelece igualdade entre os grupos étnicos e tribais. Karzai é eleito presidente. Em 2005 o governo de Karzai administra com dificuldade, a capital e algumas outras regiões. A maior parte do país continua dominada por milícias locais e os combates contra grupos rebeldes permanecem. Em 2007, aumentam os confrontos, a luta é particularmente sangrenta no sul, região na qual o Taliban tem mais força, estima-se um total de 5, 7 mil mortos no ano.

A ONU impõe sanções econômicas ao país com a exigência de que Bin Laden seja entregue a um tribunal internacional.

Depois do ataque da coligação liderada pelos EUA, os esforços internacionais para reconstruir o Afeganistão foram o tema da “Conferência de Doadores de Tóquio” para a Reconstrução do Afeganistão em Janeiro de 2002, onde foram atribuídos 4,5 bilhões de dólares a um fundo a ser administrado pelo Banco Mundial. As áreas prioritárias de reconstrução são: a construção de instalações de educação, saúde e saneamento, o aumento das capacidades de administração, o desenvolvimento de setores agrícolas e o de reconstrução das ligações rodoviárias, energéticas e de telecomunicações.

Guerrilha Islâmica

O Taliban ressurge com força a partir de 2005. De acordo com o Instituto Internacional de Pesquisas da Paz em Estocolmo (Sipri), o número de ações da insurgência aumenta de 2.388 em 2005 para 13 mil em 2009 (de janeiro a agosto). O grupo é favorecido pela proximidade com áreas tribais do norte do Paquistão - uma enorme região fora do controle efetivo do governo paquistanês, que serve de abrigo para as operações da guerrilha afegane e para a AI Qaeda.

A renda conseguida com o tráfico de drogas também é essencial. Em 2007, a produção local do ópio, obtido com o cultivo da papoula, corresponde a 93% da oferta mundial, e há evidências de que tanto o governo quanto o Taliban lucram com o negócio. Em 2011, há um aumento de 61% na produção em relação à de 2010.

Governo Enfraquecido

Em 2009, Karzai conquista um novo mandato, em eleição considerada fraudulenta por observadores internacionais e pela oposição. De acordo com a organização Transparência Internacional, o Afeganistão é o segundo país mais corrupto do mundo. As eleições parlamentares, em setembro de 2010, também são marcadas por fraude e pela intimidação do Taliban.

A escalada do conflito leva o presidente dos EUA, Barack Obama, a alterar os rumos da ofensiva contra o terrorismo, definindo o Afeganistão como prioridade.

No fim de 2009, Obama autoriza o envio de mais 33 mil soldados para o Afeganistão. O incremento é utilizado pela Isaf para uma ofensiva nas províncias de Helmand e Qandahar - sul e leste do território -, onde fica o coração da insurgência. No fim de 2010, o comando militar dos EUA anuncia que o Taliban foi desalojado de vilas e cidades, incluindo importantes bastiões.

Morte de Bin Laden

Além da guerra convencional, os EUA intensificam os bombardeios por aviões não tripulados, os drones, no Afeganistão e no norte paquistanês - solução encontrada para derrotar a guerrilha do outro lado da fronteira. Os ataques - mais de 100 em 2010, contra 25 em 2008 - enfraquecem o Taliban e reduzem o efetivo da Al Qaeda. Também cresce o emprego de forças especiais - grupos de elite das Forças Armadas designados para missões militares complexas, pontuais e secretas. Em 2010, acredita-se que tenham ocorrido de 3 mil a 4 mil operações especiais, a maioria durante a noite. Uma delas mata Bin Laden em 1° de maio de 2011, na cidade paquistanesa de Abbottabad.

A ofensiva da Otan causa um crescente sentimento antiocidental porque atinge com frequência a população civil - em um único ataque, em fevereiro de 2011, 62 pessoas morrem na província de Kunar.

Retirada Militar

Segundo acordo selado em novembro de 2010, a Otan vai se retirar do país até 2014. Após a morte de Bin Laden, Obama afirma que o Afeganistão não representa mais uma ameaça terrorista e anuncia, em junho de 2011, o início da retirada militar norte-americana que deve se estender até 2014.

Para que a desocupação militar ocorra, a Isaf ampliou o treinamento de afeganes. Existe a convivência com analfabetismo, uso de drogas, falta de recursos e a sub-representação dos pashtuns. Desde julho de 2011, as forças afeganes passam a controlar as províncias de Cabul, Panjshir e Bamiyan, e as cidades de Herat, Lashkar Gah, Mehtarlam e Mazar-e-Sharif - áreas mais estáveis.

Violência

De acordo com a ONU, 2010 foi o ano mais letal em uma década de guerra: 2,7 mil pessoas morreram, sobretudo vítimas do Taliban. Novo recorde é atingido nos primeiros seis meses de 2011, com 1,46 mil civis mortos.

Diante do cerco militar no sul, o Taliban deflagra em 2011 uma campanha de ataques de grande repercussão. Em julho, Ahmed Wali Karzai, meio-irmão do presidente e autoridade máxima em Qandahar, é assassinado. Em agosto, o Taliban abate um helicóptero militar dos EUA, matando 30 norte-americanos - 22 deles da mesma unidade de elite da Marinha que matou Bin Laden. É a maior perda de vidas norte-americanas em uma só vez desde o início da guerra. No mesmo mês, ocorrem duas explosões no Conselho Britânico, em Cabul. Em setembro, um complexo ataque contra a embaixada dos EUA e o quartel-general da Otan transforma a capital em campo de batalha.

Em setembro, um ataque suicida mata Burhanuddin Rabbani, ex-presidente e chefe do Alto Conselho para a Paz, criado em 2010, que mantinha conversações de paz com a ala moderada do Taliban. Karzai responsabiliza a rede Haqqani - grupo próximo ao Taliban baseado no Paquistão - pela morte de Rabbani e pelo ataque à embaixada norte-americana. Com os EUA, Karzai acusa o serviço de inteligência paquistanês de apoiar a rede Haqqani, e abre uma crise com o governo vizinho. Em outubro, Karzai assina com a Índia um acordo de cooperação estratégica em segurança e desenvolvimento.

Em 6 de dezembro, um atentado suicida mata pelo menos 54 pessoas e fere centenas em um santuário xiita em Cabul, no festival da Shura. O Taliban não assumiu autoria pelo ataque, possivelmente realizado por um militante sunita.

Fonte: www.arturbruno.com.br

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