No século 19, a Geórgia foi um reino independente. Sua população possuia também muçulmanos, embora a maioria pertencesse à Igreja Ortodoxa georgiana. Sendo um pequeno país, a Geórgia se envolveu nas guerras turcas e a fim de parar os turcos, o Tzar russo ocupou e anexou a Geórgia, abolindo a Igreja, a cultura e recolocando sua igreja ortodoxa, costumes e a cultura russa. Mesmo o nome Geórgia foi abolido e sua linguagem substituida pela linguagem russa.
Depois da ocupação da Geórgia por Lenin, os comunistas russos lá se instalaram e tornaram o país como russo sendo. As terras foram socializadas, indústrias, ferrovias, frota
s, bancos, etc, passaram para as mãos do governo. Maciças perseguições e exílios se tornaram a ordem do dia. Antigos oficiais, intelectuais e representantes da nobreza eram o alvo preferido. O Ateísmo se tornou a religião. Comunistas destruiram igrejas, exterminaram religiosos e entre 1922/1923 1.500 igrejas foram destruidas na Geórgia.
Havia uma resistência anti-comunista, mas os russos impuseram ao Governo fácilmente manipulável, que se localizasse e reprimisse a resistência e assim os comunistas prenderam os líderes da rebelião. A República Soviética Socialista da Geórgia, assim chamada naquele tempo, foi considerada, no princípio, como um estado independente, mas seu território foi ocupado pelo exército russo e os comunistas georgianos agiam somente sob as ordens de Moscou. A implantação do estado soviético da Geórgia foi planejada em Moscou, o que facilitaria seus passos para uma política e um sistema econômico soviético.
A RSS da Geórgia foi, de fato, um estado federal. No final de 1921, à luz do Acordo de Aliança, a República Socialista Soviética de Abkhazia ( uma República Autônoma desde 1931) entrou nessa estrutura e foram criadas as Repúblicas Independentes de Adjar em 1921 e a Repúblicas Independentes da Ossétia do Sul em 1922, no território da Geórgia.
A RSS da Geórgia, com o Azerbaijão e a Armênia, por proposta de Lenin em 1922, se tornaram parte da Federação Transcaucasiana que foi aboilda em 1936 e o Estado da Geórgia entrou novamente na estrutura da União Soviética.
Na segunda metade dos anos 20, um rápido processo de industrialização e coletivização começaram no Estado Soviético que foram dirigidos para a consolidação do regime existente. Várias fábricas, estações hidroelétricas e minas foram reconstruidas na Geórgia. Carvão e manganês foram largamente explorados. Chá e cítricos foram plantados para o consumo do imenso mercado soviético. As indústrias construídas em passo acelerado eram de baixa qualidade. Madeiras foram cortadas e produtos foram colhidos. Monoculturas foram criadas em todas as regiões, se perdendo assim a variada agricultura georgiana.
O dogma comunista pregava a industrialização e a coletivisação como a principal condição para o socialismo. Nos anos 20 e 30 a quantidade de escolas secundárias e superiores cresceu na Geórgia. A Ciência e a Arte se desenvolveram.
Em 1940 foi estabelecida a Academia de Ciências da RSS da Geórgia, mas naquele tempo as pessoas representantes do meio intelectual, da literatura e das artes eram escassas. A ideologia ditatorial comunista tinha que ser obedecida e com o objetivo de aterrorizar e enfraquecer a população, o Governo de Stalin organizou grandes repressões na segunda metade dos anos 30, que foi realmente maciça em 1937/1938.
A Geórgia foi uma daquelas regiões da URSS onde a máquina repressiva foi particularmente ativa. Durante aqueles anos, milhares de pessoas inocentes foram mortas na Geórgia como também foram enviadas para os " Gulags", onde a maioria morreu. Entre essas pessoas estavam os melhores representantes dos intelectuais, incluindo notáveis representantes da cultura georgiana, como o escritor M. Javakhishvili, os poetas T. Tabidze e P. Iashvili, o diretor de teatro S. Akhmeteli, o cientista-filólogo Gr. Tsereteli, o maestro E. Mikeladze, etc. Aldeias também foram envolvidas nessa maciça repressão, onde milhares de camponeses morreram por causa da coletivização, que terminou naquele período.
A população da Geórgia em 1940 era de 3.6 milhões de pessoas, das quais 700.000 foram destacadas para o Exército Russo, de onde apenas 400.000 retornaram. A guerra dividiu a Geórgia: muitas pessoas lutaram pelos ideais alemães acreditando que a Alemanha restauraria a independência da Geórgia e a grande maioria restante lutou nos exércitos russos. Esposas ocuparam os lugares de seus maridos nas fábricas, onde armas e uniformes eram produzidos. As fazendas coletivas implementaram grandes projetos agrícolas.
A Geórgia também abrigou milhares de pessoas que foram evacuadas de territórios ocupados pelos nazistas. Os soldados soviéticos se recuperavam em seus famosos resorts e instituições médicas. Dessa forma, a população da Geórgia teve um papel importante na grande vitória do povo soviético contra o facismo.
Depois da Segunda Guerra Mundial, a economia da Geórgia prosperou. Novos empreendimentos, estações hidroelétricas, minas, canais de irrigação, etc, foram construidos. O Governo manteve a sociedade sob pressão ideológica. Novas repressões, que aparentemente haviam terminado após a morte de stalin em 1953, reapareceu.
O novo governo soviético, sob as ordens de N. Khrushchov, mudou sua posição a respeito do ditador Stalin. Ambos, Josef Stalin e Beria eram georgianos.
A juventude georgiana não gostou da condenação de Stalin, um georgiano que eles idolatravam e assim fizeram um protesto em Tblisi de 3 a 9 de Março de 1956. O exército soviético simplesmente voltou suas armas contra os jovens matando 100 e ferindo 300 e desde então uma grande parte da população da Geórgia perdeu a crença na ideologia comunista.
Nos anos 60, não muito aconteceu a não ser o " Faça de Contas " de novas realizações. A corrupção floresceu e ninguém mais acreditava na propaganda oficial.
Um movimento dissidente começou na metade dos anos sessenta e entre os dissidentes georgianos, a pessoa mais devotada e espiritualmente forte era Merab Kostava (1938-1989). Ele foi preso várias vezes pelo comitê de segurança permanecendo em longínquos campos da Rússia.
Nos anos 80, se tornou claro que o regime soviético não tinha futuro. Em 1985, o líder do país, Gorbachov tentou vencer a crise com reformas radicais. A " Reestruturação" ( Perestroika) começou. Arquitetos da Perestroika não sabiam que o sistema soviético, construido com sangue e armas, não tinha " imunidade" no mundo democrático livre e, como resultado, o processo da decomposição começou rápidamente.
A "Reestruturação" na Geórgia começou, enfatizando uma aspiração nacional. Os líderes do movimento de reestruturação nacional, que teve seu apogeu em 1988, eram antigos prisioneiros e dissidentes georgianos. Logo, o lema da Geórgia ficou evidente.
Em 9 de Abril de 1989, em Tblisi, pessoas que se reuniam em um encontro noturno foram atacadas. 20 delas foram mortas pelo Exército, em sua maioria mulheres. A tragédia desse dia aconteceu no mesmo lugar do derramamento de sangue acontecido em 9 de Março de 1956, porém em 1989, a situação geral na URSS estava muito diferente. O sangrento 9 de Abril enfureceu não apenas toda a Geórgia como também a progressista sociedade da Rússia, que firmemente se rebelou contra aquele incidente. O Governo foi forçado a voltar atrás.
Depois de 9 de Abril, a liderança do Partido Comunista da Geórgia perdeu sua influência na República. O movimento nacional se tornou o principal poder para a vida política da Geórgia. Em 28 de Outubro de 1990 aconteceram as primeiras eleições pluri-partidárias na Geórgia desde 1921 e assim terminou pacificamente o governo soviético na Geórgia.
Z. Gamsakhurdia se tornou o presidente do país, mas por causa de sua inflexível ambição política, as relações entre o Governo e a Oposição azedaram. O exército do país se rebelou e um triste conflito surgiu, resultando na fuga de Gamsakhurdia em Janeiro de 1992, não sem antes de ter sido proclamada a Independência em 9 de Abril de 1991.
Depois do retôrno para a Geórgia, em Março de 1992, do antigo Ministro Soviético de Relações Exteriores,o notável político Edward Shevardnadze, as coisas melhoraram. Seu retôrno encheu grande parte da população georgiana de esperança de que a prolongada desordem teria fim e que o país encontrasse finalmente seu caminho para a estabilização. Shevardnadze realmente logo negociou para cessar o conflito georgiano-ossetiano e passou o processo para dimensões políticas regulamentadas.
O retôrno de Shevardnadze se tornou um sinal para o mundo para o reconhecimento jurídico do Estado independente. Já em 23 de Março de 1992 a Independência da Geórgia era reconhecida pelos países da União Européia e em 31 de Julho do mesmo ano ela foi reconhecida pela ONU, como seu 179° membro. Assim, a Geórgia entrou novamente na lista dos Estados Independentes se tornando uma realidade o sonho da Independência.
Fonte: homepages.ihug.co.nz