
Festa tradicional. Fotografia: Alda Pereira
Apesar de ser um país pequeno, com apenas 15.000 km2 de superfície e uma população de 924.000 habitantes, a riqueza étnico-cultural de Timor-Leste é bem patente nas dezenas de grupos sociais, crenças religiosas e idiomas que o compõem.
Existem mais de 20 grupos linguísticos principais no país. O Tétum, apesar de ser falado diariamente por apenas um quarto da população, é actualmente a língua oficial, a par com o Português. O Tétum Terik, usado no passado para assegurar as comunicações nas relações comerciais, evoluiu para o actual Tétum Praça, por intermédio da assimilação de vocábulos portugueses e malaios.

Pescador no Suai. Fotografia: Dan Groshong.
A presença dos portugueses a partir do século XVI foi determinante para o desenvolvimento da fé católica, espalhada pelos missionários que se deslocaram para a ilha. Actualmente, aproximadamente 91,4 por cento da população do país é católica, seguida de protestantes, muçulmanos, budistas e hindus. As práticas e costumes animistas coexistem pacificamente com os diversos credos, contribuindo para a cor e riqueza cultural do povo timorense.
A maioria da população dedica-se à agricultura, essencialmente orientada para o consumo interno, com o café a assumir-se como potencial exportação, a par da exploração dos recursos energéticos do mar de Timor e do emergente sector do turismo.

Geografia do Timor Leste
Os 15.000 km2 de Timor-Leste distribuem-se pela metade leste da ilha de Timor, com 14.000 km2, o enclave de Oekusi (Oecussi), na metade oeste da ilha, com 815 km2, a ilha de Ataúru (Ataúro), a norte de Dili (Díli), com 141 km2, e o ilhéu de Jaku (Jaco), na ponta leste do país, com 11 km2.
A ilha caracteriza-se pela existência de uma crista central montanhosa de orientação este-oeste, que divide o país na costa norte, mais quente e irregular, e a costa sul, com planícies de aluvião e um clima mais moderado. O ponto mais alto do país, o monte Ramelau (ou Tatamailau), regista 2960m de altitude, com quatro outros pontos a subirem acima dos 2000m: o monte Cablaque, na fronteira dos distritos de Ermera e Ainaru (Ainaro), os montes Merique e Loelaco, na zona oriental e o Matebian, entre Baukau (Baucau) e Vikeke (Viqueque).
Apesar de ser um país tropical, a morfologia do território contribui para o aumento da amplitude térmica anual, que varia entre os 15º Celsius verificados nas regiões montanhosas e os 30º Celsius verificados em Dili (Díli) e na ponta leste do país.

O monte Paichau. Fotografia: Pedro Pires de Matos.
O país está sujeito ao regime de monções, durante o período de Novembro a Maio, altura do ano que regista forte precipitação e os mais elevados valores de calor e humidade. A época seca, de Junho a Outubro, é a melhor época do ano para visitar a ilha, pelas temperaturas mais amenas e baixos valores de humidade e precipitação.
Esta heterogeneidade contribui para a diversidade de paisagens do país, que variam das regiões montanhosas até às planícies e savana, passando pela selva, florestas de coqueiros e palmeiras e plantações de arroz. A pouca amplitude térmica na costa norte e ponta leste de Timor-Leste, que mantém temperaturas relativamente altas contribui para a possibilidade de se desfrutar das suas magníficas praias durante todo o ano.

Aniversário das FALINTIL
A ilha de Timor possui uma longa e orgulhosa história assim como uma rica cultura construída ao longo de séculos. Foi referida por alguns como “a convergência cultural do Oriente”, devido à influência de vários grupos étnicos que contribuiu para o desenvolvimento da ilha.
A ilha de Timor cedo atraiu comerciantes chineses e malaios – com presença desde o século XIII – pela abundância de sândalo, mel e cera. A formação destas redes comerciais esteve também na origem de casamentos com famílias reais locais, contribuindo para a riqueza étnico-cultural da ilha. Os mesmos recursos naturais trouxeram os portugueses até esta região em 1512. Aos comerciantes seguiram-se os missionários e a religião católica é agora predominante. Durante o século XVI vários reis cristianizados colocaram-se sob o protectorado português, que se viria a consolidar com a chegada, no início do século XVIII, do seu primeiro governador. Esta influência persistiu e resultou na colonização da ilha, particularmente Timor-Leste, por mais de 400 anos. Em 1915, a Sentença Arbitral assinada entre Portugal e a Holanda pôs termo aos conflitos entre os dois países, fixando as fronteiras que hoje dividem a ilha.
Durante a Segunda Guerra Mundial, os Aliados (australianos e holandeses) envolveram-se numa dura guerra contra as forças japonesas em Timor. Algumas dezenas de milhar de timorenses deram a vida lutando ao lado dos Aliados. Em 1945, a Administração Portuguesa foi restaurada em Timor-Leste. A 28 de Novembro de 1975, após uma breve guerra civil, a República Democrática de Timor-Leste foi proclamada. Apenas uns dias depois, a 7 de Dezembro de 1975, a nova nação foi invadida pela Indonésia que a ocupou durante os 24 anos seguintes. Em 30 de Agosto de 1999, os timorenses votaram por esmagadora maioria pela independência, pondo fim a 24 anos de ocupação indonésia, na sequência de um referendo promovido pelas Nações Unidas. Em 20 de Maio de 2002 a independência de Timor-Leste foi restaurada e as Nações Unidas entregaram o poder ao primeiro Governo Constitucional de Timor-Leste.
Hoje, uma rica e diversa comunidade de Timor-Leste mostra as suas mais variadas e diferentes influências históricas proporcionando calorosas e amigas boas-vindas a todos, agora que, finalmente, o País encontrou a paz. Timor-Leste está rapidamente a ganhar a reputação de ser um dos mais seguros, senão o mais seguro, destinos do Sudoeste Asiático.

Pintura rupestre em Ile Kére Kére, Tutuala. Fotografia: Daniel
Groshong.
Timor-Leste é uma ilha sedimentar localizada na região de Wallacea, área biogeográfica de transição entre as massas continentais da Ásia e da Austrália. Esta área nunca funcionou como uma zona de terra contínua entre os dois continentes, daqui resultando como principal consequência que qualquer migração humana para além do antigo continente asiático envolveu obrigatoriamente o atravessamento de mar.
A história da ocupação humana em Timor-Leste está hoje atestada desde há cerca de 35.000 anos, com datações obtidas após as recentes escavações na gruta de Lene Hara, em Tutuala (O’CONNOR; SPRIGGS; VETH: 2002). Já anteriormente, e no âmbito dos trabalhos desenvolvidos nos anos 60 por Ian Glover (GLOVER:1986), as primeiras datações pelo Radiocarbono confirmavam a ocupação pré-histórica da ilha e grandes transformações na paisagem e de ordem geomorfológica, devido à introdução de práticas sistemáticas de queimadas para fins agrícolas e pastoris. Estas primeiras comunidades agro-pastoris, portadoras de línguas Austronésias, terão chegado a Timor-Leste há cerca de 3.500 / 4.000 anos.
Para além dos trabalhos de Ian Glover, a Missão Antropológica de Timor (chefiada por António de Almeida) havia já levado a cabo nos anos 50 diversos trabalhos de prospecção e escavação de sítios arqueológicos. Data desta época a identificação e registo da gruta de Ile Kére Kére, importante sítio com pinturas rupestres em Tutuala inicialmente publicado por Ruy Cinatti.
Entre esses trabalhos das décadas de 50 e 60 e as novas investigações entretanto começadas em Timor-Leste, passaram mais de 30 anos. No âmbito do East Timor Archaeological Project, projecto de investigação arqueológica sobre a antiga ocupação humana em Timor-Leste iniciado em 2000, inúmeros sítios arqueológicos foram já identificados. Para além de Lene Hara, foram sondados ou parcialmente escavados diversos sítios ao longo de toda a costa Norte, havendo hoje diversas datações radiométricas disponíveis.
O levantamento sistemático das grutas e abrigos com pinturas rupestres, sobretudo na área de Lospalos, permitiu igualmente acrescentar novos sítios aos anteriormente conhecidos (O’CONNOR: 2003). Estes painéis com pinturas, não muito diferentes dos que eram já conhecidos desde os anos 60, atestam a presença de uma expressão cultural datada noutras regiões do Sudeste Asiático e do Pacífico desde há pelo menos 2.000 anos.
As investigações arqueológicas em Timor-Leste prosseguem, com novos trabalhos a serem desenvolvidos nas regiões de Lospalos, Baucau e Baguia. Após mais de 30 anos em que não foi possível desenvolver qualquer actividade científica em Timor-Leste, o recém-criado país abre as suas portas a novos projectos de investigação, ocupando o lugar que lhe é devido na história da ocupação humana da região do Sudeste Asiático
Fonte: www.turismotimorleste.com