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A Reforma de Ezequias e a Invasão de Senaquerib

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Em Judá, a dinastia davídica durou até o fim do reino. Não houve tantas lutas e golpes de Estado, como no norte. Um ou outro assassinato, coisas normais nas cortes.

De Roboão a Joatão (de 931 a 734 a.C.) temos pouco a assinalar. Resumidamente:

o ataque e a destruição de boa parte do país promovida pelo faraó Sheshonq (Shishaq) em 929 a.C., no tempo de Roboão

os conflitos constantes com o norte nos primeiros 50 anos de separação

a tensão sempre presente entre a aristocracia de Jerusalém e a massa da população rural. Também a tensão entre o javismo e os cultos e costumes estrangeiros, especialmente o culto a Baal

a derrota de Amasias por Joás, de Israel, e o saque de Jerusalém pouco depois de 796 a.C. pelas tropas do norte.

Devemos retomar a história de Judá com Acaz (734/3-716 a.C.).

A ameaça conjunta das forças israelitas do norte e sírias em 734 a.C. levou o desprotegido Judá a invocar o auxílio da Assíria. Deu resultado, mas para ter esta proteção Judá perdera toda a sua independência.

Acaz acabou vassalo da Assíria, pagando-lhe tributo e rendendo homenagem aos deuses assírios. Como, aliás, dissera o profeta Isaías. No célebre oráculo de 7,1-17 Isaías aconselhou o rei a não temer os invasores e a manter-se firme na fé em Iahweh. Como Acaz se recusa, treme de medo e pede o auxílio da Assíria, o profeta fala de um sinal, um menino que está para nascer – provavelmente Ezequias – e que será a esperança de Judá.

A situação econômica estava péssima. Judá perdera províncias que lhe pagavam impostos. E como era de se esperar, o tributo assírio não foi suave, penalizando a população.

Is 7,1-17 e a Guerra Siro-Efraimita

Is 7,1-9 relata o encontro de Isaías com Acaz, às vésperas da guerra siro-efraimita, em 734 ou 733 a.C. Os reis de Damasco e de Samaria planejam invadir Judá para depor Acaz e no seu lugar colocar um rei não-davídico – o filho de Tabeel – que envolveria o país na coalizão anti-assíria.
Isaías vai ao encontro de Acaz acompanhado por seu filho Sear-Iasub (Um-resto-voltará), indicação ou sinal de esperança frente à crítica situação que se desenha. Acaz está cuidando das defesas de Jerusalém.

Segundo Isaías, a dinastia davídica está ameaçada por dois fatores: os planos inimigos e o medo do rei. Os planos inimigos fracassarão, o temor e as alianças políticas farão o rei de Judá fracassar. O que dá estabilidade é a fé a confiança em Iahweh. O que Isaías diz a Acaz, segundo os vv. 4-9 do capítulo 7, é o seguinte:

“Toma as tuas precauções, mas conserva a calma e não tenhas medo nem vacile o teu coração diante dessas duas achas de lenha fumegantes, isto é, por causa da cólera de Rason, de Aram, e do filho de Romelias, pois que Aram, Efraim e o filho de Romelias tramaram o mal contra ti, dizendo: ‘Subamos contra Judá e provoquemos a cisão e a divisão em seu seio em nosso benefício e estabeleçamos como rei sobre ele o filho de Tabeel’.

Assim diz o Senhor Iahweh:

“Tal não se realizará, tal não há de suceder,

porque a cabeça de Aram é Damasco, e a cabeça de Damasco é Rason; (…)

A cabeça de Efraim é Samaria e a cabeça de Samaria é o filho de Romelias.

Se não o crerdes, não vos mantereis firmes”.

Parece faltar alguma coisa ao texto. Há várias propostas:

“e a cabeça de Jerusalém é Iahweh”

ou

“e a cabeça de Jerusalém é a casa de Davi”

ou

“mas a capital de Judá é Jerusalém

e a cabeça de Jerusalém é o filho de Davi”.

Is 7,10-17 relata novo encontro de Isaías com Acaz, desta vez, talvez, no palácio, no qual o profeta oferece ao rei um sinal de que tudo se arranjará diante da ameaça siro-efraimita.

Com a recusa do rei em pedir um sinal a Iahweh, Isaías muda de tom e relata a Acaz que Iahweh, por própria iniciativa, dar-lhe-á um sinal.

Que consiste no seguinte: a jovem mulher (‘almâh) dará à luz um filho, seu nome será Emanuel (Deus-conosco) e ele comerá coalhada e mel até que chegue ao uso da razão. Até lá Samaria e Damasco serão destruídas.

“Pois sabei que o Senhor mesmo vos dará um sinal (‘ôth):

Eis que a jovem está grávida (hinnêh hâ’almâh hârâh)

e dará à luz um filho

e por-lhe-á o nome de Emanuel (‘immânû ‘êl).

Ele se alimentará de coalhada e de mel

até que saiba rejeitar o mal e escolher o bem.

Com efeito, antes que o menino saiba rejeitar o mal e escolher o bem,

a terra, por cujos dois reis tu te apavoras, ficará reduzida a um ermo” (Is 7,14-16).

Os LXX, na sua versão grega da Bíblia, traduziram ‘almâh por parthénos (= virgem). Mt usou a versão dos LXX (cf. Mt 1,23): “Idoù he parténos (= a virgem) en gastrì hécsei (= conceberá) kai técsetai hyón…”. Entretanto, a palavra hebraica para designar virgem é bethûlâh. A palavra ‘almâh significa uma jovem mulher, virgem ou não. Em muitos casos designa uma mulher jovem já casada. Além do que esta jovem é uma pessoa concreta, conhecida e, provavelmente, presente na ocasião, porque o texto diz: “Eis aqui (hinnêh) a jovem…”.

Do que é razoável concluir que a mulher aqui chamada de ‘almâh é muito provavelmente a jovem rainha, talvez designada assim antes do nascimento do primeiro filho.

É bem provável que o menino seja Ezequias, filho de Acaz. Isaías falou a Acaz nos primeiros meses de 733 a.C., e Ezequias teria nascido no inverno de 733-32 a.C.

O nascimento do menino garante, desta maneira, a continuidade da dinastia davídica, atualizando a promessa e resumindo a aliança de Iahweh com o povo através de seu nome, Emanuel (‘immânû ‘el), que evoca fórmula freqüente no AT, especialmente no deuteronomista:

Dt 20,4: “Porque Iahweh vosso Deus marcha convosco”

Js 1,9: “Porque Iahweh teu Deus está contigo”

Jz 6,13: “Se Iahweh está conosco (weyêsh Yhwh ‘immânû)”

1Sm 20,13: “E que Iahweh esteja contigo”

2 Sm 5,10: “Davi ia crescendo, e Iahweh, Deus dos Exércitos, estava com ele”.

Por outro lado, o sinal não seria, segundo alguns, de salvação, mas de castigo. Acaz é rejeitado porque não confia em Iahweh. O alimento do menino, do mesmo modo, supõe um período de devastação e miséria em Judá, como conseqüência da política filo-assíria de Acaz. É mais provável, entretanto, que seja um alimento de tempos de abundância, como sugerem as passagens de Ex 3,8.17 e 2Sm 17,29.

Assim, a esperança reapareceu com o filho de Acaz, Ezequias. Associado ao trono desde criança, em 728/7 a.C., Ezequias, ao ser coroado em 716/15 a.C. começou uma reforma no país para tentar debelar a crise.

Esta reforma implicava aspectos religiosos e sociais, profundamente interligados no javismo. Entre outras coisas, Ezequias retirou do Templo de Jerusalém símbolos idolátricos, como a serpente de bronze dos cultos cananeus, construiu novo bairro em Jerusalém para abrigar os refugiados do norte, regulamentou a coleta de impostos, defendeu os artesãos contra seus exploradores, criando associações profissionais etc.

A reforma de Ezequias só foi possível porque, após a conquista de Samaria, Sargão II esteve ocupado com uma violenta revolta na Babilônia e com várias rebeliões na Ásia Menor. E, por isso, não pôde intervir na Palestina.

Por outro lado, Ezequias se recusou a aderir às tramas da política egípcia que insuflava revoltas anti-assírias permanentes na Palestina.

Se a reforma não foi maior é porque isto implicava em rebelião declarada contra a Assíria. O que de fato acabou acontecendo, por ocasião da morte de Sargão II. Rebelião desastrosa para a reforma de Ezequias.

Fonte: www.airtonjo.com

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